Prévia do material em texto
Gestão de Grandes Eventos Nacionais e Internacionais (Módulo 1) Prof. Anderson Savedra 2 Todo o material desta disciplina foi produzido pela Fatej e é protegido pela Lei 9.610/98, SUMÁRIO 1. Disposições Gerais .................................................................................................... 3 1. Introdução .............................................................................................................. 3 2. O que São Grandes Eventos ............................................................................. 3 3. Tipo de Eventos .................................................................................................... 4 4. Objetivo da Matéria .............................................................................................. 4 5. Definições:.............................................................................................................. 4 6. Ao Final do estudo da Matéria, o aluno deverá ser capaz de: ................. 5 7. Perfil e qualidades a serem desenvolvidas no profissional de segurança ............................................................................................................... 6 sendo proibida a reprodução total e parcial ou divulgação comercial sem a autorização prévia desta Instituição de Ensino. 3 MÓDULO 1 1. Disposições Gerais 1. Introdução A sociedade brasileira contemporânea, em busca da efetivação de seus direitos sociais legalmente previstos em nossos dispositivos legais ligados diretamente à realização dos seus desejos, é, por assim dizer, uma constante consumidora de produtos de lazer e entretenimento que, em meio ao momento histórico que vivenciamos de verdadeira “cavalgada tecnológica”, encontra um forte aliado que possibilita uma ampla difusão de conhecimento, informação e comunicação. Nesse contexto, visando a satisfação das necessidades do homem enquanto ser social, e, amparado por cláusulas pétreas constitucionais que visam tutelar tais garantias sociais, surgem diariamente diversas criações públicas e privadas de Eventos de lazer em que concentram-se um grande números de pessoas, fazendo surgir a necessidade do estudo de normas e procedimentos que visam assegurar o pleno exercício de um direito dentro de parâmetros de segurança e bem-estar. Cabe, portanto, para atender tais finalidades, a necessidade de uma especialização aos profissionais de Segurança, ou seja, um curso que capacite o aluno em conhecimentos, técnicas, habilidades para o exercício da atividade de segurança das pessoas e do patrimônio nos recintos onde forem realizados Grandes Eventos, adotando medidas preventivas e repressivas nos limites de suas tarefas no âmbito operacional da estrutura de segurança, em função complementar às atividades dos órgãos estatais de segurança, com o fim de prover a segurança de todos os envolvidos no evento, assegurando um ambiente confortável, seguro e de perfeita normalidade e harmonia para os organizadores e espectadores. 2. O que São Grandes Eventos Todo e qualquer Evento artístico, cultural, religioso, político ou desportivo, que tenha por característica uma grande concentração de pessoas em um determinado local e por um determinado período de tempo. 4 Todo o material desta disciplina foi produzido pela Fatej e é protegido pela Lei 9.610/98, 3. Tipo de Eventos Conforme descrito acima, os Grandes Eventos podem ser dos mais variados tipos, como por exemplo: Competições Desportivas; Encontros Religiosos; Confraternizações Político-partidárias; Manifestações artísticas variadas (shows); Toda e qualquer forma de exposição, confraternização ou reunião de pessoas que, por determinado motivo as reúna em um local específico. Qualquer que seja a modalidade deve ser reconhecido também que as preocupações acerca de segurança estão diretamente relacionadas à natureza específica dos eventos e do montante de espectadores que comparecerem, fatores estes que deverão ser observados no Planejamento do Evento. 4. Objetivo da Matéria Capacitar profissionais destinados a atuar nas Forças de Segurança que compõem um Local de Espetáculo Público, no tocante ao Planejamento e Execução das Ações de Segurança a serem desenvolvidas, para que a realização transcorra dentro de um padrão aceitável. 5. Definições: -Segurança Pública: é o afastamento por meio de organizações próprias, de todo o sendo proibida a reprodução total e parcial ou divulgação comercial sem a autorização prévia desta Instituição de Ensino. 5 perigo, ou de todo o mal, que possa afetar a ordem pública, em prejuízo da vida, da liberdade ou do direito de propriedade; -Forças de Segurança: toda e qualquer equipe, proveniente de órgãos públicos ou privados, que atuem diretamente no local de realização do Evento ou no planejamento deste, que tem por escopo a garantia da integridade física, psicológica e moral do público em geral durante a realização deste; -Local de Espetáculo Público: serão consideradas sinônimas para efeitos didáticos as palavras grandes eventos, praças desportivas, ou toda e qualquer expressão que corresponda ao local específico onde ocorrerá o evento, bem como os seus arredores (áreas mediata e imediata); -Planejamento: conjunto de medidas adotadas anteriormente ao evento; -Execução: o desenrolar do Evento, propriamente dito; -Ações de Segurança: conjunto de medidas adotadas pelos órgãos competentes da área de segurança visando afastar qualquer perturbação da ordem pública; -Padrão Aceitável: limite aceitável da resolução de um evento crítico, face a grande possibilidade de situações que poderão ocorrer durante a realização de um Grande Evento. Cabe ressaltar que o referido objetivo só poderá ser atingido caso haja uma ação sinérgica entre todas as Forças de Segurança (públicas ou privadas) que atuarão no local do Evento. Por tal motivo que aqueles que detêm a função de Planejamento e Coordenação de um Evento devem investir na Capacitação Técnica dos seus Profissionais de Segurança, além de identificar e estimular Habilidades Individuais que serão fundamentais para o pleno exercício das atividades. 6. Ao Final do estudo da Matéria, o aluno deverá ser capaz de: Reconhecer a sistemática e os princípios gerais de planejamento da Segurança como um todo em Locais de Grandes Eventos; Distinguir os fatores que possam causar situações emergenciais durante um Evento e saber preveni-las. Assegurar um nível de Segurança Aceitável na Instalação em que será realizado o Evento (independente da natureza deste: shows, disputas esportivas, eventos 6 Todo o material desta disciplina foi produzido pela Fatej e é protegido pela Lei 9.610/98, religiosos etc.), lembrando-se de que a Segurança Absoluta, apesar de desejável na teoria, é, na prática, inalcançável. 7. Perfil e qualidades a serem desenvolvidas no profissional de segurança -Disciplina A disciplina é um hábito interno que facilita, a cada pessoa, o cumprimento de suas obrigações. É um autodomínio. Ponto considerado essencial ao profissional da área de Segurança pois suas atitudes deverão estar sempre enquadradas em um perfil disciplinado, regrado. -Tolerância A tolerância, do latim “tolerare” (sustentar, suportar), é um termo que define o grau de aceitação diante de um elemento contrário a uma regra (seja ela moral, cultural, civil ou física). Em matéria de Gestão de Riscos, Tolerância constitui o nível de risco aceitável normalmente definido por critérios pré-estabelecidos. Um profissional de Segurança que espera ser empenhado em alguma função dentro de um Evento, uma vez que irá lidar diretamente com o Público (normalmente afetado pela euforia que Grandes Eventos proporcionam) deve desenvolver essa característica dentro do seu perfil profissionalvisando ser capaz de discernir, de aceitar algumas situações de “risco aceitável” dentro do comportamento humano, visando evitar um mal maior. Ex. Segurança vislumbra um indivíduo que adentrou a um evento portando um material proibido em meio a uma multidão (mas que não expõe a risco o público), onde este, ao invés de ir ao encontro direto do indivíduo e efetuar a detenção do material, opta por permiti-lo, evitando-se assim um possível confronto ou tumulto com a outra parte, que um deslocamento do efetivo em meio a uma multidão poderia ocasionar. -Espírito Cooperativo Cooperação é uma ação conjunta para uma finalidade, um objetivo em comum. Profissionais de Segurança devem aprender a trabalhar em grupo, pois um homem isolado pouco tem a oferecer, enquanto que em grupo, através de ações coordenadas e planejadas, possuirá uma capacidade de intervenção e reação muito maior do que a individual, independentemente das características pessoais de cada profissional. - Iniciativa Por definição, Iniciativa é um traço de caráter que leva alguém a empreender sendo proibida a reprodução total e parcial ou divulgação comercial sem a autorização prévia desta Instituição de Ensino. 7 alguma coisa ou tomar decisões por conta própria; uma disposição natural; ânimo pronto e enérgico para conceber e executar antes que outros. Embora as ações dos profissionais de Segurança devam obedecer hierarquicamente a um comando superior, esta característica é essencial a este profissional por este estar em contato direto com o Público, sendo a imprevisibilidade uma característica do comportamento humano, agravada pela Euforia e por fatores psicológicos (que serão estudados adiante) que influenciam o indivíduo quando este se encontra em uma multidão. A inércia ou a complacência (que seriam comportamentos opostos a este) são totalmente prejudiciais à Segurança. Muitas vezes o profissional deverá AGIR, evitando-se um mal maior, ao invés de aguardar o comando de escalões superiores para determinada ação. Cabe salientar, também, que muitas vezes, INFORMAR uma situação de que se tem conhecimento (antes de tomar uma atitude isolada que poderá comprometer a Segurança de todos) é também uma ação revestida de iniciativa. Ex. Segurança informa que está visualizando um pequeno grupo reunindo-se para possível prática delituosa, solicitando apoio e indicando com precisão o local e as características dos indivíduos, ao invés de tentar isoladamente uma possível intervenção. -Sigilo Profissional O profissional de segurança, pela natureza de seu serviço, tem acesso a um maior número de informações que a maioria das outros empregados da empresa. Pela sua condição de "Homem de Segurança", deve manter sigilo sobre todas as informações que lhe forem confiadas, não cabendo a ele avaliar o caráter sigiloso ou não da informação, ou fato ocorrido. Deve desconfiar de quem muito pergunta e encaminhar os interessados na informação ao setor próprio da empresa. Mesmo fora do horário de serviço, deve estar atento para não comentar assuntos de serviço em público, nem fornecer dados da segurança a familiares ou amigos. O sigilo profissional para o homem de segurança, não é virtude, é dever. Um profissional de Forças de Segurança deve atentar para jamais disponibilizar a quem quer que seja, sem a devida autorização, informações acerca: a) horário de chegada e saída de autoridades ou protagonistas de Eventos; b) número de Componentes das Equipes de Segurança; c) numerários envolvidos; d) armamento utilizado (ou a indisponibilidade deste); 8 Todo o material desta disciplina foi produzido pela Fatej e é protegido pela Lei 9.610/98, e) sistema de alarmes existentes no estabelecimento, etc. “Falar pouco, ouvir com atenção, são qualidades que devem existir em um Homem das Forças de Segurança”. -Postura Diferenciada O profissional de Segurança deverá zelar sempre pela sua apresentação pessoal e discrição durante o desempenho de suas funções. Nesse contexto destacamos algumas posturas que corroboram com o perfil de um Profissional de Segurança diferenciado: Manter o corpo ereto, combros e braços para trás e cabeça erguida; Evite cara fechada; Evite gírias ou palavrões; Para atrair a atenção do cliente, nunca devemos tocá-lo; Não cuspir, não fumar em público e não mastigar nada; Não gritar; Evitar deslocamentos rápidos em meio a multidão desnecessariamente, pois poderá ocasionar tumultos e/ou pânico entre estes, gerando consequências desastrosas para todos (ex. pisoteamentos) -Constância no Aperfeiçoamento Profissional Da mesma forma que as práticas delituosas são aperfeiçoadas com o tempo, o profissional de Segurança deve buscar sempre estar atualizando-se, melhorando o seu perfil profissional, orientando-se acerca de novas técnicas, procedimentos e dispositivos legais que constantemente são implementados em sua área de atuação. IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO DO EVENTO “Art. 144 – Constituição Federal/88 - A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ORDEM PÚBLICA e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: (...)” Inferimos deste artigo da nossa Constituição Federal, que a Segurança Pública é uma responsabilidade de TODOS, ou seja, caberá a todos os envolvidos num determinado Evento o zelo para que esta seja mantida e preservada. O sucesso para a realização de qualquer Evento de grandes proporções, que envolva a participação de Órgãos Públicos e Privados é a cooperação entre todos os sendo proibida a reprodução total e parcial ou divulgação comercial sem a autorização prévia desta Instituição de Ensino. 9 envolvidos, seja na troca prévia de informações e estudos, ou na própria dinâmica operacional do Evento. Plano de Segurança: A importância da elaboração de um Plano de Segurança (também conhecido por Plano de Contingências) pelos escalões superiores (aqueles empenhados no Planejamento do Evento) reside nos critérios basilares da Segurança, que são: a Prevenção e a Reação. A Prevenção é todo o conjunto de medidas que visam afastar qualquer perturbação na Segurança Pública no toante ao Evento, enquanto que a Reação é o conjunto de ações adotadas para conter o problema ou situação que tentava-se evitar (prevenir). A partir do momento em que há o devido estudo sobre as medidas que serão adotadas de forma a “reagir” a qualquer problema (e, logicamente a descrição do tipo de problema que poderá ser encontrado), estas medidas deverão ser descritas em Procedimentos. Estes Procedimentos, por sua vez, irão compor o chamado Plano de Segurança do evento. Cabe ressaltar que a elaboração de um Plano de Segurança e seu consequente Grau de Eficiência (em caso de emprego) está diretamente relacionado ao conhecimento deste por parte do efetivo (em todos escalões). É primordial que todos os envolvidos saibam da existência desse Plano para que possam agir de acordo com suas orientações, pois este, em sua composição, deverá tratar das atitudes que a organização/cliente espera que os profissionais de Segurança demonstrem caso haja a necessidade do empenho destes em eventos críticos. Plano de Segurança é um termo muito abrangente e, desta forma, costuma-se utilizar conceitos mais específicos, uma vez que existem diversos tipos de planejamento, tais como: estratégico, tático, técnico, operacional, de gerenciamento de crises, etc. Para cada um desses planos de segurança deverá existir níveis de planejamento e encarregados destinados a fazer cumprir tais planos em nível gerencial (tarefa destinada aos Supervisores de Segurança). Deve-se saber em um Planejamento de Segurança exatamente o que proteger e a que preço, além do tipo de segurança que se deseja. Deve-se ter em conta que, em relação às pessoas, o importanteé proteger a vida e a integridade física, enquanto que, em relação às empresas, proteger aquilo a que elas se destinam, além da própria imagem e credibilidade desta. Desta forma os profissionais de Segurança deverão, em 10 Todo o material desta disciplina foi produzido pela Fatej e é protegido pela Lei 9.610/98, todos os níveis, estar orientados sobre suas prioridades de empenho, ou seja, ”o quê” (ou quem), “como”, “quando” e “quem deverão proteger” (ou destinar seus esforços). As respostas a essas perguntas é que irão fornecer elementos suficientes para o desenvolvimento de um Plano de Segurança. Em resumo, os profissionais de Segurança deverão estar orientados em suas Finalidades, sendo essa a questão principal a ser abordada em um Plano de Segurança. Os Planos de Segurança para Grandes Eventos não diferem muito dos mesmos Planos de Contingências que encontramos em algumas empresas privadas e estabelecimentos. Na verdade, quando falamos em Eventos críticos que acontecem, mesmo quando se tenta evita- los, estamos diante de uma situação que deve ser administrada o mais rápido possível, na intenção de minimizar seus efeitos. Para dar um pleno e satisfatório atendimento a essas situações é que existem os Planos de Segurança. É primordial durante a elaboração deste, saber identificar os pontos fortes e fracos da estrutura operacional como um todo, desde no tocante a capacitação do efetivo, quanto as dificuldades que o próprio local do Evento trará. Nesta fase, denominada de Análise de Risco, todos os aspectos são observados; convém lembrar que existem diversas metodologias de análise de risco; porém, todas visam classificar o risco e a possibilidade da respectiva concretização, e até mesmo o impacto financeiro, caso o risco realmente se concretize. Os eventos críticos que poderão ocorrer durante a realização de Grandes Eventos jamais poderão ser completamente descritos ou enumerados tanto aqui, neste módulo didático, quanto durante a elaboração de um Plano de Segurança. Porém nos resta saber que, de todos os equipamentos disponíveis para o trabalho das Forças de Segurança, o maior e o melhor deles é o Homem. De todos os aspectos que podem ser observados, se ao fator humano não for dedicada uma especial atenção (como por exemplo um eficiente programa de treinamento) , teremos um elo fraco e, com certeza, seja por ação do cenário externo, seja por motivos individuais, todos envolvidos na realização de um Evento serão expostos a risco. Sabe-se que não existe uma condição 100% de segurança; porém, prevenir que atos delituosos aconteçam ou mesmo reduzir essa possibilidade é sem dúvida obrigação dos profissionais que trabalham protegendo vidas. Este profissional, sendo proibida a reprodução total e parcial ou divulgação comercial sem a autorização prévia desta Instituição de Ensino. 11 portanto, jamais deverá se esquecer de que os Planos de Segurança são de responsabilidade de todos aqueles que se comprometeram a dar suporte para a realização de um Evento. O treinamento, o comprometimento com o serviço e o tirocínio, serão suas melhores armas que o auxiliarão a antever situações de perigo e/ou falhas no esquema adotado que poderão expor a todos. Para contribuir com essa finalidade deve-se, no cotidiano, elaborar e entregar ao superior hierárquico direto, relatórios que indiquem pontos de melhoria no posto de trabalho ou no Plano de Segurança que for desenvolvido. Esse relatório poderá ser discutido e as possibilidades de adoção das suas ideias serão avaliadas e eventualmente implementadas. Tal atitude, além de ser pró-ativa, reduz o próprio grau de risco no posto de serviço e demonstra aos escalões superiores o grau de comprometimento do Profissional de Segurança no desempenho de suas atividades. PROFISSIONAL DE SEGURANÇA: LEMBRE-SE! PARA SABER MAIS “Guia de Segurança para Estádios e Instalações Esportivas”, PUBLICADO POR: “THE SCOTTISH OFFICE”, Publicado para o Departamento de Cultura, Mídia e Esporte, sob licença da Controladoria do Departamento de Publicações da Coroa Britânica. © CROWN COPYRIGHT 1997