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AO JUÍZO DO TRABALHO DA 9º VARA DO TRABALHO DE SALVADOR/BA. 
 
 
 
 
Processo nº 2000/2019 
 
 
 
 
 
 LUA LTDA., já qualificada na petição inicial, vem respeitosamente perante Vossa Excelência, 
por intermédio de seu advogado (procuração anexa), com escritório profissional no endereço ..., 
onde recebe intimações e notificações, com fulcro no artigo 847 da CLT, apresentar 
CONTESTAÇÃO à Reclamatória Trabalhista que lhe move Paula Moura, já qualificada nos autos 
da ação em epigrafe, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas. 
 
PRELIMINARMENTE 
Inépcia da inicial – Ausência de causa de pedir – adicional de periculosidade 
 Na petição inicial, a reclamante postula pedido adicional de periculosidade, sem, contudo, 
articular os fundamentos de fato e de direito que amparam sua pretensão. Resta, pois, ausente a 
causa de pedir. 
INÉPCIA DA INICIAL. AUSÊNCIA DE PEDIDO OU DE CAUSA DE PEDIR. Embora o 
Processo do Trabalho seja pautado pelo princípio da simplicidade das formas, ou da 
informalidade, decorrente dos princípios da instrumentalidade e da oralidade, não se 
exigindo a formulação da inicial nos moldes do processo comum, contentando-se com mera 
exposição dos fatos (causa de pedir) de que resulte o pedido, nos termos do art. 840 da 
CLT, não há como admitir pedido sem delimitação da causa de pedir, ainda que exposta de 
forma sucinta ou causa de pedir confusa, sem pedido correlato, mormente, constatando-se 
que dá narração dos fatos não decorre logicamente a conclusão. Inépcia da inicial suscitada 
de ofício. 
(TRT-3 - RO: XXXXX20155030038 MG XXXXX-08.2015.5.03.0038, Relator: Maria Raquel 
Ferraz Zagari Valentim, Data de Julgamento: 10/04/2016, Decima Primeira Turma, Data de 
Publicação: 13/04/2016. DEJT/TRT3/Cad. Jud. Página 354. Boletim: Não.) 
 Logo, requer a extinção do processo sem resolução do mérito quanto a este pedido, com 
fundamento nos artigos, 485, inciso I e art. 330, §1º inciso I, todos do CPC. 
 PREJUDICIAL DO MÉRITO 
 Prescrição Quinquenal Parcial 
 A reclamante iniciou seu contrato no dia 10/10/2010 até a data de 20/05/2019, entretanto a 
reclamação trabalhista foi ajuizada na data de 20/06/2019, totalizando 9 (nove) anos, ou seja, 
ultrapassando o período prescricional de 5 (cinco) anos, isto é, ocorreu a prescrição quinquenal 
parcial no dia 10/10/2015. 
 Ante o exposto requer o acolhimento da prescrição quinquenal parcial, para todos os pedidos 
anteriores a data de 10/10/2015, com base no artigo 7º, XXIX, da CF, art. 11 da CLT e súmula 308, 
inciso I, TST. 
 DO MÉRITO 
 Da inexistência de dano moral/doença profissional 
 Na petição inicial a reclamante alega ser vítima de doença profissional, além do mais, juntou 
laudos de ressonância magnética da coluna vertebral, com o diagnóstico de doença degenerativa. 
 A luz do artigo 20, §1º, “a’, da Lei 8.213/91, está cristalino do que diz respeito a doenças 
degenerativas, essas doenças provenientes de lesões nas células, não serão caracterizadas como 
doenças decorrentes do trabalho. 
 Desta forma, requer seja julgado improcedente o pedido de indenização por dano moral, 
proveniente de doença profissional, com base no dispositivo supracitado. 
 Da não integração do plano odontológico 
 Na peça exordial a reclamante requer a integração do plano odontológico como salário 
utilidade, porem o beneficio disponibilizado não está caracterizado como possível prestação ou 
assistência que poderia ser incluída no salário utilidade, conforme art. 458, caput, da CLT. 
 Entretanto esse pedido está vedado legalmente, pois o art. 458, §2º, IV e §5º da CLT, não 
permite que o plano odontológico ou assistência odontológica seja considerada salário do 
empregado. 
 Logo, requer seja julgado improcedente o pedido da Reclamante, com fulcro no art. 458, §2º, 
IV e §5º da CLT. 
 Do não cabimento do pagamento de cesta básica 
 A reclamante requer o pagamento das cestas básicas referentes aos meses de abril e maio 
de 2019, direito esse adquirido pela convenção coletiva. Ademais juntou cópia da convenção 
coletiva que teve seu período de vigência entre 1º julho de 2016 até 1º janeiro de 2019, embora 
não houvesse nova convenção coletiva que preside o pagamento de cesta básica aos 
colaboradores, sustenta o pedido com base em prorrogação automática da convenção. 
 Pois bem, a reclamada cumpriu com o pagamento durante TODA a vigência da convenção 
coletiva, há não continuação do pagamento do benefício aos colaboradores está amplamente 
amparado por lei, o artigo 614, §3º, da CLT, incluído pela reforma trabalhista com a lei 13.467/17, 
dispõe a proibição de convenção ou acordo coletivo por mais de 2 (dois) anos, sendo vedada a 
ultratividade. 
 Desta forma, requer seja julgado improcedente o pedido da Reclamante, com base no artigo 
614, §3º, CLT, tendo em vista que a reclamada agiu conforme a lei. 
 Do não cabimento de horas extras 
 Relata a reclamante no pedido da inicial o direito ao pagamento de 2 (duas) horas extras, 
provenientes de participação em cultos ecumênicos por 2 (duas) vezes na semana, com duração 
de 1h (uma) hora cada. 
 Além do mais, juntou a circular da empresa que informava a todos os empregados que eles 
poderiam participar de um culto na empresa, que ocorreria todos os dias ao fim do expediente. 
 Como demonstrado na circular a empresa não obrigava a participação da funcionária, 
ficando a sua única exclusiva escolha participar de tal evento fora do horário de trabalho. 
 Pelo fato de a participação ser facultativa pela parte do empregado não se caracteriza como 
tempo à disposição do empregador, nos termos do art. 4º, §2º, I, CLT. 
 Deste modo, requer seja julgado improcedente o pedido da reclamante, com fulcro no artigo 
4º, §2º, inciso I, CLT. 
 Da inexistência de coação 
 A reclamante pugna pela anulação do pedido de demissão escrito de próprio punho (anexo) 
pela reclamante, e o documento com a quitação dos direitos da ruptura considerando um pedido 
de demissão, não há o que se falar em coação. 
 Subsidiariamente, incube à trabalhadora comprovar que sofreu coação moral, o que teria 
motivado seu pedido de demissão, sendo que ela não comprovou qualquer fato neste sentido, art. 
818, I, CLT e art. 373, I, CPC. 
 Ante o exposto, requer seja julgado improcedente o pedido da Reclamante, com fulcro no 
art. 818, inciso I, CLT e art. 373, inciso I, CPC. 
 DOS PEDIDOS 
 Assim, diante do exposto, vem mui respeitosamente perante à Vossa Excelência, para 
requerer: 
a) Acolhimento da preliminar de inépcia; 
b) Pronuncia da prescrição; 
c) Improcedência dos demais pedidos; 
d) Protesto por provas; 
e) Honorários advocatícios sucumbenciais (art. 791-A, CLT); 
Nestes termos, 
Pede deferimento. 
Salvador/BA, em data. 
Advogado/OAB.

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