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Lara Mendonça P7 → São entidades inflamatórias crônicas do trato gastrointestinal, com surtos de remissão e exacerbação; → Compreende: ● Doença de Crohn (DC) e a Retocolite Ulcerativa (RCU); ● Trata-se de doenças multifatoriais; ● Fatores genéticos, ambientais, microbiota intestinal e regulação imunológica da mucosa; ETIOLOGIA ● Alteração na função da barreira epitelial intestinal; ● Facilitando a colonização e o constante estímulo de produtos bacterianos e citocinas pró-inflamatórias; ● Disfunção da imunidade inata e perda do sistema de tolerância; ● Amplificação do processo imunoinflamatório; FATORES DE RISCO ● Estilo de vida ocidental; ● Dieta rica em gordura e açúcar e pobre em frutas; ● Exposição a toxinas e xenobióticos (agrotóxicos, drogas, metais, parabenos, produtos químicos); ● Uso de medicamentos (antibióticos e AINES); ● Alto nível socioeconômico; ● Tabagismo (maior risco de DC e aparente proteção na retocolite ulcerativa); ● História Familiar (positiva em 10-20% dos casos). QUADRO CLÍNICO ● Altamente dependente do local e extensão da doença, bem como a forma e intensidade do processo inflamatório; ● No caso da Doença de Crohn (DC) – inflamatório, estenosante ou fistulizante); ● Se atentar para as enterites: dor abdominal + diarreia + febre + emagrecimento; Lara Mendonça P7 ● Presença de manifestações extraintestinais; MANIFESTAÇÕES EXTRAINTESTINAIS → A Retocolite Ulcerativa (RU) acomete essencialmente a mucosa do reto e/ou submucosa e dos cólons com distribuição simétrica e contínua; Lara Mendonça P7 → A Doença de Crohn (DC) se caracteriza por processo inflamatório transmural, podendo acometer desde a boca ao ânus com predileção pela região ileal ou ileocolônica com característica descontínua , podendo assumir formas estenosantes e fistulizantes; DIAGNÓSTICO O diagnóstico envolve forte suspeita clínica , associada essencialmente a achados endoscópicos, radiológicos e histológicos; EXAMES COMPLEMENTARES ● Hemograma; ● Ureia; ● Creatinina; ● Ionograma (K, Na , Cl); ● PCR, VSH e ALFA-1- GLICOPROTEÍNA; ● Parasitológico de fezes, coprocultura e pesquisa de toxina para Clostridium; ● Marcadores fecais: LACTOFERRINA E CALPROTECTINA FECAL (Diagnóstico/Acompanhamento/Atividade da doença); ● AST/ALT /FOSFATASE ALCALINA/BILIRRUBINAS/GAMA GLUTAMILTRANSFERASE; ● Proteínas totais e frações, Ácido Fólico , Vitamina B12, zinco e perfil do ferro ( ferro sérico, ferritina e saturação de transferrina) ● Anticorpo anti- Saccharomyciscereviriae (ASCA) ● Anticorpo Anticitoplasma de neutrófilo perinuclear (pANCA) Lara Mendonça P7 TRATAMENTO Para a escolha apropriada da melhor abordagem terapêutica, é necessário considerar grau de atividade clínica e endoscópica da doença, localização, extensão, comportamento, eficácia da droga e seus potenciais efeitos colaterais, resposta prévia a algum tipo de tratamento, presença de manifestações extraintestinais ou complicações relacionadas à doença. → Objetivos do Tratamento: ● Controle sustentado da inflamação por meio da cicatrização da mucosa; ● Prevenção de lesões estruturais irreversíveis e complicações (fístulas, abscessos, estenoses, fibrose, dismotilidade , neoplasia); Em 2021 , um grupo de especialistas internacionais de DII publicou 13 recomendações atualizadas para o monitoramento e tratamento da DII, tanto em adultos quanto em pediatria (STRIDE II) → STRIDE II – Resposta e remissão clínica, bem como normalização da proteína C reativa (PCR) como alvos terapêuticos a serem atingidos a curto prazo. E a longo prazo , a restauração da qualidade de vida e a ausência de incapacidade. O arsenal terapêutico atual de DII está dividido em: 1. Terapias Convencionais a. Corticosteróides b. Imunossupressores orais c. Aminossalicilatos orais e tópicos 2. Terapias Biológicas a. Antifator de necrose tumoral b. Anti-integrinas c. Anti interleucinas 3. Pequenas moléculas para uso oral a. Inibidores da Janus quinase Lara Mendonça P7 → CORTICOSTERÓIDES ● Indicado para indução de remissão clínica na doença em atividade; ● Não estão indicados na manutenção da remissão; ● O mais utilizado é a Prednisona 1mg/kg/dia ● Não deve exceder o uso 8-12 SEMANAS ( necessidade de DESMAME); → DOENÇA LEVE A MODERADA: ● MESALAZINA/SULFASSALAZINA: Mais efetivos para RCU não havendo evidências científicas de seu uso na DC; ● AZATIOPRINA: É o imunossupressor de escolha. Como ponto negativo : risco de linfoma (5X), neoplasia renal e câncer de pele não melanoma; ● METOTREXATO: Imunossupressor alternativo à azatioprina. Cuidado em mulheres em idade fértil (TERATOGENICIDADE). Papel limitado na RCU, estando reservada para casos específicos de DC. → DOENÇA MODERADA A GRAVE: ● ANTI-TNF: ○ Podem ser utilizados tanto para RCU e DC; ○ São indicados para: DII intestinal refratária aos imunossupressores, Doença de Crohn fistulizantes, Presença de manifestações extraintestinais; ● PEQUENA MOLÉCULA /INIBIDOR DA JAK: ○ Aprovado para RCU ativa, moderada à grave ○ Tiveram uma resposta inadequada ○ Perda de resposta ou que são intolerantes à terapia convencional ou a um anti-TNF; TRATAMENTO CIRÚRGICO ● DC: Geralmente está indicada nas complicações da doença, como quadros obstrutivos, perfuração e hemorragias; ● RCU: Cerca de 20 a 30% dos pacientes com RCU necessitam de tratamento cirúrgico. É indicada a cirurgia eletiva a casos de intratabilidade por medidas clínicas. PROGNÓSTICOS DESFAVORÁVEIS ● DC ○ Pacientes jovens no momento do diagnóstico; ○ Tabagismo; ○ Presença de lesões anais; ○ Necessidade inicial de corticoides; ○ Envolvimento extenso do intestino delgado; ○ Úlceras profundas. ● RCU ○ Pacientes jovens; ○ Envolvimento pancolonico; ○ Ulcerações; Lara Mendonça P7 ○ Necessidade de hospitalização; ○ Hipoalbuminemia; ○ PCR elevado. PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE RCU X DC: