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UNIVERSIDADE FEDERAL DE BRASÍLIA 
FACULDADE DE DIREITO 
CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO 
 
 
 
 
 
RAYANE MARCELINO DE SOUSA 
 
 
 
 
 
 
A (IN)EXISTÊNCIA DE PRESUNÇÃO DE ESFORÇO COMUM NA APLICAÇÃO DA 
SÚMULA 377 DO STF: UM ESTUDO DA EVOLUÇÃO JURISPRUDENCIAL DOS 
TRIBUNAIS SUPERIORES 
 
 
 
 
 
 
 
 
BRASÍLIA 
2021
 
 
RAYANE MARCELINO DE SOUSA 
 
ORIENTADORA: PROFª MESTRA TAINÁ AGUIAR JUNQUILHO 
 
 
 
 
 
 
 
A (IN)EXISTÊNCIA DE PRESUNÇÃO DE ESFORÇO COMUM NA APLICAÇÃO DA 
SÚMULA 377 DO STF: UM ESTUDO DA EVOLUÇÃO JURISPRUDENCIAL DOS 
TRIBUNAIS SUPERIORES 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso 
apresentado como requisito parcial para 
obtenção do grau de Bacharela em Direito 
pela Faculdade de Direito da 
Universidade Federal de Brasília (UnB). 
 
 
 
BRASÍLIA 
2021 
 
 
 
RAYANE MARCELINO DE SOUSA 
 
 
 
A (IN)EXISTÊNCIA DE PRESUNÇÃO DE ESFORÇO COMUM NA APLICAÇÃO DA 
SÚMULA 377 DO STF: UM ESTUDO DA EVOLUÇÃO JURISPRUDENCIAL DOS 
TRIBUNAIS SUPERIORES 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Direito da 
Universidade Federal de Brasília, como requisito parcial para obtenção do grau de 
Bacharel em Direito. 
Aprovado em . 
 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
__________________________________ 
Profª. Mestra Tainá Aguiar Junquilho 
(Orientadora) 
 
__________________________________ 
Prof. Dr. João Pedro Leite Barros 
 
__________________________________ 
Prof. Mestre Ângelo Gamba Prata de 
Carvalho 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
 
Agradeço, primeiramente, a Deus, à Virgem Santíssima, Flor do Carmelo, e 
a São Miguel Arcanjo pelo zelo com que sempre guardaram e protegeram minha 
pobre alma. 
A meus pais, Wáldison e Valdeci, obrigada por, desde a minha tenra idade, 
terem me ensinado que eu poderia ser o que eu quisesse e, mais do que isso, terem 
me apoiado nas minhas decisões, mesmo aquelas com as quais ainda hoje não 
concordam. Obrigada por não terem me deixado desistir e por todos os sorrisos e 
lágrimas compartilhados. Eu não teria conseguido chegar até aqui sem o seu apoio. 
Por todo o amor que recebi dos senhores, serei eternamente grata. 
Ao meu irmão, sou grata por seu sorriso frouxo em todas as situações e a 
forma descontraída, quase irreverente, com que sempre tratou as minhas crises 
acadêmicas. Sempre tive muito orgulho de ser sua irmã, espero que seja recíproco. 
Por fim, ao meu querido diretor espiritual, Pe. Diego Baltz, e a nossa amada 
Madre Susana da Santíssima Trindade, meus mais sinceros agradecimentos por 
serem constante lembrança de que só Deus basta! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
O presente estudo objetivou esclarecer o entendimento dos Tribunais 
Superiores acerca da necessidade de comprovação do esforço comum para partilha 
dos aquestos no regime de separação legal de bens, com base na interpretação 
dada à súmula 377 do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao longo da pesquisa, 
buscou-se analisar as decisões do STF que deram origem à Súmula 377 do STF, as 
principais mudanças trazidas pelo Código Civil de 2002 no tratamento legal dado ao 
regime de separação legal de bens, bem como a evolução jurisprudencial do STJ e 
STF. Para a coleta de dados, utilizou-se como método a revisão de literatura e 
pesquisa jurisprudencial, centrado nos Tribunais Superiores, produzido em dois 
momentos: durante a vigência do Código Civil de 1916 e no período compreendido 
entre a promulgação do Código Civil de 2002 e o julgamento do EREsp 
1.623.858/MG, em 23 de maio de 2018. Ao final, concluiu-se que, segundo 
jurisprudência consolidada do STJ, no regime de separação obrigatória de bens, 
comunicam-se aqueles havidos na constância da sociedade conjugal, desde que 
comprovado o esforço comum em sua aquisição. 
 
Palavras-chave: Separação Obrigatória de Bens. Súmula 377 do Supremo Tribunal 
Federal. Comunhão de aquestos. Esforço comum. Jurisprudência. 
 
 
 
ABSTRACT 
 
This study aimed to clarify the understanding of the Superior Courts about the need 
to prove that both spouses contributed in the acquisition of goods so as to share the 
assets under the compulsory separation of property system, based on the 
interpretation given to summary 377 of the Federal Supreme Court (STF). 
Throughout the research, we sought to analyze the STF decisions that gave rise to 
STF Precedent 377, the main changes brought by the Civil Code of 2002 in the legal 
treatment given to the legal separation of property regime, as well as the 
jurisprudential evolution of the STJ and STF. For data collection, bibliographic 
research was used as a method, through the study of the doctrinal and jurisprudential 
collection, centered on the Superior Courts, produced in two moments: during the 
validity of the Civil Code of 1916 and in the period between the enactment of the 
Code Civil of 2002 and the trial of EREsp 1,623.858/MG, on May 23, 2018. At the 
end, it was concluded that, according to the STJ's consolidated jurisprudence, under 
the mandatory separation of property regime, those acquired during marriage might 
become common goods, as long as the common effort in its acquisition is proven. 
 
Keywords: Mandatory Separation of Property. Summary 377 of the Federal Supreme 
Court. Partnership of acquests. Common effort. Jurisprudence. 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 10 
2 OS REGIMES DE BENS ........................................................................................ 13 
3 O REGIME DE SEPARAÇÃO DE BENS NO CÓDIGO CIVIL DE 1916 ................ 16 
3.1 O surgimento da súmula 377 do STF ............................................................... 19 
3.1.1 Votos desfavoráveis à comunicação de aquestos ...................................... 20 
3.1.2 Votos favoráveis à comunicação de aquestos ........................................... 22 
4 O REGIME DE SEPARAÇÃO LEGAL DE BENS NO CÓDIGO CIVIL DE 2002 .. 24 
4.1 A permanência da súmula 377 do STF no ordenamento jurídico brasileiro ..... 26 
4.1.1 A desnecessidade de comprovação do esforço comum ............................ 28 
4.1.2 A necessidade de comprovação do esforço comum .................................. 30 
5 A EVOLUÇÃO JURISPRUDENCIAL DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ...... 32 
5.1 O Recurso Extraordinário nº 52.811/RS ........................................................... 33 
5.2 O Recurso Extraordinário nº 64.236/CE ........................................................... 34 
5.3 Recurso Extraordinário nº 78.811/RJ ............................................................... 36 
5.4 Agravo Regimental no Agravo de Instrumento nº 70.303/RJ ........................... 37 
5.5 Os Recursos Extraordinários nº 89.480/RJ e 91.059/SP ................................. 38 
6 A EVOLUÇÃO JURISPRUDENCIAL DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA . 39 
6.1 O Recurso Especial nº 646.259/RS .................................................................. 41 
6.2 O Recurso Especial nº 1.199.790/MG .............................................................. 43 
6.3 O Recurso Especial nº 1.171.820/PR ............................................................... 44 
6.4 O Recurso Especial nº 1.403.419/MG .............................................................. 46 
6.5 Os Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 1.171.820/PR ............. 47 
6.6 O Recurso Especial nº 1.593.663/DF ............................................................... 49 
 
 
6.7 O Recurso Especial nº 1.689.152/SC ............................................................... 50 
6.8 Os Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 1.623.858 /MG ........... 52 
7 CONCLUSÃO ........................................................................................................ 55 
 
10 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
O regime matrimonial de bens defineas regras e princípios jurídicos que irão 
reger o patrimônio adquirido pelos cônjuges ou conviventes antes e na constância 
da união conjugal1. Regula não apenas a administração do patrimônio dos 
consortes, mas também o seu destino na partilha de bens. O regime de bens pode 
ser adotado por livre convenção dos nubentes ou por imposição legal, sendo que o 
único regime matrimonial obrigatório previsto no ordenamento jurídico brasileiro é o 
de separação de bens. 
O Código Civil de 1916, em seu art. 2592, previa a comunicação dos bens 
adquiridos durante a união conjugal, no regime de separação de bens, desde que 
não houvesse disposição em contrário no pacto antenupcial. Ocorre que o STF 
decidiu expandir a possibilidade de comunhão dos aquestos ao regime de 
separação obrigatória de bens, o que resultou na edição da súmula 3773. 
A promulgação do novo Código, em 2002, trouxe uma série de alterações 
quanto ao tratamento legal dado ao regime de separação obrigatória de bens. A 
principal mundança consistiu na exclusão do art. 259 do CC/16, que gerou 
questionamentos acerca da ineficácia da súmula 377 do STF. A despeito das 
discussões doutrinárias, a súmula tem sido amplamente aplicada pelos tribunais 
pátrios, subsistindo, porém, dissídios jurisprudenciais acerca da (des)necessidade 
de comprovação do esforço comum na obtenção dos aquestos, para que este sejam 
partilhados. 
Portanto, intentou-se responder ao seguinte problema de pesquisa: com base 
na jurisprudência dos Tribunais Superiores, é necessária a comprovação do esforço 
comum para partilha dos bens havidos na constância do relacionamento, quando a 
sociedade conjugal é regida pela separação legal de bens? 
 
1 TARTUCE, Flávio. Direito Civil - Direito de Família - Vol. 5. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2021. 
2 Art. 259. Embora o regime não seja o da comunhão de bens, prevalecerão, no silêncio do contrato, 
os princípios dela, quanto à comunicação dos adquiridos na constância do casamento. 
3 Súmula 377 do STF: “ No regime da separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na 
constância do casamento”. 
11 
 
 
Para que se possa interpretar a súmula 377 do STF é necessário, antes, 
compreender o contexto jurídico em que se deu sua edição, os dispositivos legais 
nos quais se embasou e os precedentes que foram nela sintetizados. Em seguida, é 
importante perceber as mudanças trazidas pelo novo Código Civil no que diz 
respeito à regulação do regime de separação legal de bens. Por fim, é 
imperioso analisar a evolução jurisprudencial dos Tribunais Superiores, notadamente 
o acórdão proferido no EREsp 1.623.858/MG, por meio do qual a Corte Superior 
buscou pacificar o tema. 
A interferência estatal nas sociedades conjugais se dá essencialmente pelo 
interesse do Estado em regular o patrimônio dos contribuintes. Em um país 
capitalista, como o Brasil, a liberdade individual e a propriedade privada assumem 
posição de destaque dentre as preocupações dos cidadãos. Nesse contexto, 
considerando que o regime matrimonial de bens determina os efeitos patrimoniais do 
casamento e da união estável, saber as implicações de cada regime é essencial 
para que os nubentes possam exercer o seu direito à autorregulação. 
Ainda que a separação obrigatória de bens seja imposta por lei, ter a certeza 
de que o esforço comum será, ou não, presumido quando da partilha dos bens, 
permite aos nubentes a oportunidade de tomar as providências cabíveis. Os 
consortes podem, por exemplo, assegurar a separação absoluta dos bens, 
afastando a incidência da súmula 377 do STF por meio de pacto antenupcial4, ou ao 
menos manterem registro de suas contribuições na aquisição do patrimônio, a fim de 
poderem comprovar, caso necessário, a existência de uma sociedade de fato. Afinal, 
toda união conjugal termina, ora pela separação, ora pela morte. 
Tendo-se em vista a intensa divergência doutrinária e jurisprudencial quanto à 
necessidade de comprovação do esforço comum na aplicação da súmula 377 do 
STF, o presente estudo propõe-se a analisar o desenvolvimento jurisprudencial dos 
 
4 SIMÃO, J. F. Separação obrigatória com pacto antenupcial? Sim é possível. Consultor Jurídico [S.l: 
s.n.], 2018. Nesse sentido, confira-se a seguinte decisão: “Aprovo o parecer do MM. Juiz Assessor da 
Corregedoria e, por seus fundamentos, que adoto, dou provimento ao recurso administrativo, para 
que se dê seguimento à habilitação para casamento, com adoção do regime de separação obrigatória 
de bens, prevalecendo o pacto antenupcial que estipula a incomunicabilidade absoluta de aquestos” 
(TJSP, RADM 1065469-74.2017.8.26.0100, Corregedor Geral da Justiça Manoel de Queiroz Pereira 
Calças, Data do Julgamento: 06/12/2017, Data da Publicação: 23/01/2018). 
12 
 
 
Tribunais Superiores acerca do tema, a fim de sintetizar o entendimento majoritário 
das Cortes Superiores. 
O trabalho de conclusão de curso estrutura-se em seis capítulos, sendo que o 
primeiro é destinado à introdução e o segundo, à conceituação do regime 
matrimonial de bens. No terceiro capítulo, são apresentadas as disposições legais 
do Código Civil de 1916 sobre o regime da separação de bens, bem como os 
precedentes da Suprema Corte que culminaram na edição da súmula 377 do STF. 
No quarto, são expostas as alterações promovidas pelo Código Civil de 2002 no que 
tange ao regime da separação legal de bens, além das divergências doutrinárias a 
respeito da possível superação da súmula frente à promulgação do novo Código. 
Também são descritos os principais argumentos das correntes que defendem a 
presunção, ou não, do esforço comum, na aquisição de bens ao longo da união 
conjugal. Por fim, no quinto capítulo, organiza-se, em ordem cronológica, os 
precedentes mais relevantes do STF, enquanto, no sexto, faz-se o mesmo em 
relação aos precedentes do STJ. 
13 
 
 
2 OS REGIMES DE BENS 
O regime matrimonial de bens é composto pelas normas jurídicas que regem 
o patrimônio dos nubentes. Na constância da união conjugal, o regime de bens 
regula a administração e disposição dos bens comuns; após a separação, orienta a 
partilha desses bens. Em suma, define os efeitos patrimoniais do casamento e da 
união estável, no que diz respeito aos bens adquiridos antes e na constância do 
relacionamento5. 
Como a titularidade e o direito de dispor de determinados bens podem ser 
alterados pela formação de uma entidade familiar, não há casamento ou união 
estável sem regime de bens, que pode então ser concebido como uma 
"consequência jurídica" da formação de uma unidade conjugal6. Não por outra razão, 
ainda que o casal se silencie quanto ao regime de bens que deseja adotar, a 
legislação pátria prevê a existência de um regime legal, a ser aplicado na ausência 
de pacto antenupcial ou contrato de convivência. 
A depender de seu objeto, podem ser identificados dois tipos de regimes 
matrimoniais de bens: os que privilegiam a separação e os que favorecem a 
comunhão7. 
No regime da comunhão universal, todos os bens adquiridos pelos nubentes, 
a título oneroso ou gratuito, antes ou durante a união conjugal, formam um único 
acervo patrimonial comum, que pertence a ambos os consortes em partes iguais. Na 
comunhão parcial, somente os bens amealhados onerosamente e na constância do 
relacionamento constituirão patrimônio comum, a ser dividido ao meio. No regime da 
participação final nos aquestos, só há partilha dos bens angariados em conjunto pelo 
casal, sendo que os adquiridos em nome próprio de um dos consortes está sujeito 
apenas à compensação. Na separação de bens, a princípio, não há comunicação de 
bens. 
 
5 GONÇALVES, C. R. Direito civil brasileiro v 6 - direito de família. São Paulo: Editora Saraiva, 2020. 
6 DIAS, M. B. Manual de Direito das Famílias. Salvador: Editora JusPodivm, 2021. 
7 PEREIRA, C.M.D.S. Instituições de Direito Civil - Vol. V - Direito de Família. Rio de Janeiro: Grupo 
GEN, 2020. 
14Na prática, as disposições do regime de bens são particularmente relevantes 
na definição do destino do patrimônio do casal. Enquanto perdurar a unidade 
familiar, é o regime de bens que definirá a necessidade, ou não, de aval do cônjuge 
ou convivente para a transferência de bens. 
Havendo o divórcio/ dissolução de união estável ou o falecimento de um dos 
consortes, o regime de bens ordenará a partilha do patrimônio entre aqueles que um 
dia foram um casal ou entre os herdeiros. Na sucessão, determinará inclusive se o 
cônjuge sobrevivente tem direito sobre o espólio e, em caso positivo, se figurará 
como meeiro, herdeiro ou os dois. Note-se que a comunhão de vida sempre se 
findará, seja pela separação de fato, seja pela morte. 
Na sociedade conjugal os bens adquiridos durante o casamento são de 
propriedade exclusiva do cônjuge que os adquiriu e assim será enquanto 
perdurar o matrimônio, sem que o outro consorte tenha qualquer direito de 
propriedade sobre esses bens; entretanto, em razão do regime de 
comunidade de bens, o proprietário sofre restrições ou limites no seu direito 
de disposição, necessitando da outorga de seu parceiro para a alienação ou 
disposição do bem imóvel na constância do casamento. Sucedendo a 
dissolução do casamento ou da união estável, qualquer dos cônjuges ou 
convivente tem o direito e este é um efeito imediato, de requerer a partilha 
dos bens comuns, sobre os quais tinha apenas uma expectativa de direito 
durante o desenrolar do matrimônio8. 
Isso significa que, ao longo do casamento e da união estável, a cota-parte 
que cabe a cada um dos cônjuges e conviventes é uma espécie de ficção jurídica, 
que será materializada no momento da partilha. 
Dentre os princípios que regem o regime matrimonial de bens, merece 
destaque a autonomia privada. Tal princípio é derivado da liberdade e da dignidade 
humana e garante ao cidadão o direito de se autorregular, respeitados os 
limites impostos por lei9. Para que os nubentes possam escolher o regime de bens 
que melhor atende seus interesses, devem conhecer as repercussões de cada um 
deles. Assim, não é exagero afirmar que a ausência de consenso doutrinário e 
principalmente jurisprudencial acerca das implicações de determinado regime fere o 
princípio da autonomia privada. 
 
8 MADALENO, R. Direito de Família. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2021, p. 767. 
9 TARTUCE, F. Direito Civil - Direito de Família - Vol. 5. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2021. 
15 
 
 
O regime matrimonial de bens pode então ser compreendido como o conjunto 
de regras e princípios jurídicos que disciplinam o domínio e o destino dos bens que 
os cônjuges e conviventes já possuíam antes de constituírem a entidade familiar, 
bem como dos bens adquiridos durante a comunhão de vida. Portanto, só é possível 
aos nubentes exercerem em plenitude sua autonomia privada quando as 
características de cada regime são claras. 
16 
 
 
3 O REGIME DE SEPARAÇÃO DE BENS NO CÓDIGO CIVIL DE 1916 
O regime matrimonial da separação de bens é caracterizado pela inexistência 
de patrimônio comum. Para tanto, "cada cônjuge ou convivente conserva a 
propriedade, administração e gozo dos bens que leva para a sociedade afetiva ou 
que adquire depois, e responde exclusivamente por suas dívidas"10. 
Com base em sua origem, a separação de bens pode ser classificada em 
legal ou convencional11. A separação convencional, como o próprio nome indica, é 
adotada por livre manifestação dos nubentes, por meio de pacto antenupcial ou 
contrato de convivência. A separação legal, também chamada de obrigatória, é 
imposta por lei, em circunstâncias nas quais o legislador considerou necessário 
proteger os bens de um dos consortes ou penalizá-los pela inobservância das 
causas suspensivas do casamento12. 
O Código Civil de 1916 (CC/16), em regra, possibilitava aos casais definir, por 
meio de escritura pública, as regras que regeriam seu patrimônio13. Somente o 
regime matrimonial da separação de bens poderia ser imposto por lei, nas hipóteses 
previstas no art. 258, parágrafo único, do CC/16. 
Art. 258. Não havendo convenção, ou sendo nula, vigorará, quanto aos 
bens, entre os cônjuges, o regime da comunhão universal. Parágrafo único. 
É, porém, obrigatório o da separação de bens no casamento: I. Das 
pessoas que o celebrarem com infração do estatuto no art. 183, nºs XI a 
XVI (art. 216). II. Do maior de sessenta e da maior de cinquenta anos. III. Do 
orfão de pai e mãe, ou do menor, nos termos dos arts. 394 e 395.embora 
case, nos termos do art. 183, nº XI, com o consentimento do tutor. IV. E de 
todos os que dependerem, para casar, de autorização judicial (arts. 183, nº 
XI, 384, nº III, 426, nº I, e 453). 
Presumiam-se, portanto, vulneráveis as idosas com mais de 50 anos e os 
idosos com mais de 60, bem como os menores de idade, tutelados e curatelados. 
A imposição da separação de bens aos idosos gerou grande debate na 
doutrina, vez que considerada por muitos autores como discriminação e até mesmo 
 
10 MADALENO, R. Direito de Família. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2021, p. 772. 
11 PEREIRA, C.M.D.S. Instituições de Direito Civil - Vol. V - Direito de Família. Rio de Janeiro: Grupo 
GEN, 2020. 
12 RIZZARDO, A. Direito de Família, 10ª edição. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2019. 
13 Art. 256. É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular, quanto aos seus bens, o 
que lhes aprouver. 
17 
 
 
uma interdição compulsória14. O patamar foi posteriormente majorado para 70 anos, 
tanto para os homens quanto para as mulheres, mas o dispositivo nunca foi 
declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 
Quanto ao regime em si, apesar de o Código dispor que os bens de cada um 
dos consortes permaneceriam sob o seu domínio e exclusiva administração, a 
alienação de imóveis exigia a autorização do parceiro15. Em todo caso, era vedada a 
doação de bens entre cônjuges casados sob o regime de separação obrigatória16. 
Acontece que o antigo Código Civil, em seu art. 259, previa a possibilidade de 
comunicação dos aquestos, nos seguintes termos: "embora o regime não seja o da 
comunhão de bens, prevalecerão, no silêncio do contrato, os princípios dela, quanto 
à comunicação dos adquiridos na constância do casamento". Ainda que os nubentes 
optassem, por meio de escritura pública, pelo regime da separação de bens, 
poderíam ser surpreendidos com a aplicação das regras da comunhão parcial, caso 
não indicassem expressamente a incomunicabilidade dos aquestos no pacto 
antenupcial. Assim, o legislador armou uma espécie de armadilha para os consortes, 
em ato de excessiva interferência na esfera de autorregulação das partes, em tema 
que nem sequer é de ordem pública17. 
Nesse contexto, a doutrina passou a identificar dois deferentes regimes de 
separação convencional de bens: o de separação absoluta e o de separação 
relativa18. Constituía-se o regime de separação absoluta sempre que os nubentes 
registrassem expressamente em escritura pública o desejo de manterem 
incomunicáveis todos os seus bens, inclusive os amealhados na constância do 
casamento, optando, assim, pela separação total dos bens. 
 
14 TEPEDINO, G. Fundamentos do Direito Civil - Direito de Família - Vol. 6. Rio de Janeiro: Grupo 
GEN, 2021. 
15 Art. 276. Quando os contraentes casarem, estipulando separação de bens, permanecerão os de 
cada cônjuge sob a administração exclusiva dele, que os poderá livremente alienar, se forem móveis. 
16 Art. 226. No casamento com infração do art. 183, nºs XI a XVI, é obrigatório o regime da separação 
de bens, não podendo o cônjuge infrator fazer doações ao outro. 
17 RODRIGUES, S. Direito Civil. Direito de Família. 23ª ed. São Paulo: Saraiva, 2008, vol. 6. 
18 AZEVEDO, A. V. Curso de direito civil : direito de família. São Paulo: Editora Saraiva, 2019. 
18 
 
 
Em contrapartida, caso os consortes se limitassem a escolher o regime da 
separação de bens, estariam sujeitosa aplicação do art. 259, de modo que 
separação estaria restrita aos bens adquiridos antes da formação da entidade 
familiar. Esse regime, que ficou conhecido como separação convencional relativa 
dos bens, mais se assemelhava ao regime da comunhão parcial do que da 
separação de bens propriamente dita19. 
 
19 VENOSA, S.D.S. Direito Civil - Família e Sucessões - Vol. 5. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2021. 
19 
 
 
3.1 O surgimento da súmula 377 do STF 
O art. 259 do CC/16 causou grandes discussões doutrinárias e 
jurisprudenciais acerca da sua aplicabilidade ao regime da separação legal de bens. 
A ausência de consenso dos tribunais inferiores fez com que o tema chegasse ao 
Supremo Tribunal Federal (STF). Em 1964, no julgamento dos Recursos 
Extraordinários nº 724320, 898421, 1095122 e 912823, o STF decidiu reiteradamente 
pela possibilidade de comunhão dos aquestos no regime da separação obrigatória 
de bens, o que resultou na edição da súmula 377 do STF. 
Apesar de os precedentes do STF terem se alinhado o suficiente para gerar a 
Súmula 377, as decisões do Supremo Tribunal não foram unânimes. Dentre 
os magistrados que sustentaram a separação absoluta dos bens, tem-se os 
Ministros Orosimbo Nonato, Waldemar Falcão, Hahnemann Guimarães e Edgar 
Costa. Em contrapartida, defenderam a comunicação dos aquestos, mesmo no 
regime da separação legal de bens, os Ministros Philadelpho Azevedo, Abner 
Vasconcelos, Castro Nunes, Lafayette de Andrada, Goulart de Oliveira 
Conda, Ribeiro da Costa e Laudo de Camargo. 
 
20 STF, RE 7243/CE, Rel. Min. PHILADELPHO AZEVEDO, Data de Julgamento: 12/07/1943. 
21 STF, RE 8984/DF, Rel. Min. Annibal Freire, Data de Julgamento: 06/08/1945. 
22 STF, RE 10951/RJ, Rel. Min. Castro Nunes, Data de Julgamento: 07/10/1946. 
23 STF, RE 9128/MG, Rel. Min. Edgar Costa, Data de Julgamento: 17/12/1948. 
20 
 
 
3.1.1 Votos desfavoráveis à comunicação de aquestos 
Ao proferir seu voto no julgamento dos Recursos Extraordinários nº 7.243 e 
9.128, o Ministro Orosimbo Nonato sustentou que o regime da separação obrigatória 
configura uma punição estipulada pelo legislador, sendo norma cogente que deve 
ser aplicada com rigor. Em termos gerais, casar-se em inobservância às hipóteses 
de impedimento não torna nula a união, mas atrai o regime da separação absoluta 
de bens. Deste modo, na separação legal de bens, não se comunicam os aquestos. 
Acrescentou que o art. 259 do CC/16 se refere apenas e expressamente à 
separação convencional, pois faz menção ao “silêncio do contrato”. A separação 
legal de bens, por outro lado, decorre de uma norma de ordem pública. 
Destacou que o art. 226 do CC/16, o qual impõe o regime da separação aos 
nubentes, tidos como infratores por desobedecerem ao impedimento previsto no art. 
183 do CC/16, está inserido entre as “disposições penais” do Código Civil, o que 
caracteriza a separação como uma pena. Pena essa que não teria eficácia caso se 
permitisse a comunicação dos aquestos. Ressaltou que seria contraditório assumir 
que a mesma lei que prevê a punição – a imposição do regime de separação – 
fornecesse os meios para burlá-la. 
Esclareceu que a exigência da separação de bens tem por escopo proteger 
determinados consortes contra cônjuges ou conviventes que utilizam a união 
conjugal para obter vantagem econômica indevida. Assim sendo, permitir a 
comunicação dos aquestos seria condenar a lei ao fracasso. 
Explicou que mesmo a partilha dos bens adquiridos com o esforço comum vai 
de encontro ao regime legal tal qual previsto no Código. No máximo, poderia ser 
fornecido ao cônjuge que contribui com a aquisição do patrimônio “um direito 
pessoal de crédito”, em decorrência da formação de uma sociedade de fato, que não 
guarda qualquer relação com a comunhão conjugal. 
Nos autos dos Recursos Extraordinários nº 8.984 e 9.128, o Ministro 
Hannemann Guimarães argumentou que não reconhecer a formação de uma 
sociedade de fato quando os cônjuges ou conviventes adquirem patrimônio 
mediante cooperação mútua causaria prejuízo injusto ao consorte que, apesar de 
não ter registrado o bem em seu nome, contribuiu para sua aquisição. Em sua 
21 
 
 
concepção, caso a vontade do legislador fosse a comunhão dos aquestos, teria 
sujeitado os nubentes ao regime da comunhão parcial. 
Também no julgamento do RE nº 9128, o Ministro Edgar Costa aduziu que o 
art. 258, parágrafo único, não especificou quais os bens não são passíveis de 
partilha, se seriam apenas os adquiridos antes do casamento/união estável ou 
também os amealhados ao longo do relacionamento. Sustentou ser regra de 
interpretação que onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir, não 
havendo que se falar em uma separação apenas parcial dos bens. Todavia, 
apresentou a possibilidade de os nubentes registrarem escritura pública prevendo a 
comunicabilidade dos aquestos. 
22 
 
 
3.1.2 Votos favoráveis à comunicação de aquestos 
No julgamento do RE nº 7.243, prevaleceu o voto do Ministro relator, 
Philadelpho Azevedo, no sentido de que o art. 259 do CC/16 está localizado nas 
disposições gerais do Código a respeito dos regimes matrimoniais de bens e, por 
conseguinte, deve ser aplicado a todos os regimes que não forem de comunhão, 
como o dotal e o da separação. 
Para o Ministro, o legislador quis apenas evitar a comunicação dos bens que 
os cônjuges já possuíam à data de início da união conjugal. Logo, o regime de 
separação de bens implica a incomunicabilidade dos bens presentes e a comunhão 
dos bens futuros, de modo que a comunhão dos aquestos só será afastada por 
cláusula expressa no pacto antenupcial ou contrato de convivência. 
Note-se que o regime descrito pelo magistrado já existe sob o título de 
comunhão parcial de bens, não sendo razoável presumir que o legislador idealizou 
dois regimes idênticos, diferenciando-os apenas em suas denominações. 
O Ministro Philadelpho Azevedo afirmou, ainda, que não há distinção entre os 
regimes de separação convencional e obrigatória. Por cautela, defendeu que fossem 
adotadas as mesmas limitações do regime da comunhão parcial, isto é, que fossem 
considerados incomunicáveis os bens havidos por doação ou herança, ou ainda por 
sub-rogação de bens particulares. 
Por ocasião do julgamento do RE nº 8.984, o Ministro Abner Vasconcelos 
defendeu a necessidade de se reconhecer que a contribuição imaterial do cônjuge, 
com sua experiência e assistência, possui valor econômico. Assim sendo, a partilha 
dos aquestos é questão de justiça. 
O Ministro Castro Nunes sustentou que, pela própria natureza da entidade 
familiar, todos os bem amealhados na constância da união conjugal são 
presumidamente frutos do esforço comum e, portanto, consistem em bem comum do 
casal. 
O Ministro Lafayette de Andrada entendeu que os bens adquiridos durante a 
união conjugal podem se comunicar tanto no regime da separação convencional 
quanto legal. Isso, porque em qualquer desses casos é possível que os consortes 
unam seus esforços para incrementar seu patrimônio e melhorar sua condição 
23 
 
 
social, não sendo razoável negar a um dos cônjuges ou conviventes os frutos do 
trabalho conjunto. 
Para o Ministro Goulart de Oliveira Conda, não havendo pacto antenupcial ou 
contrato de convivência afastando a comunicabilidade dos aquestos, presumem-se 
comuns todos os bens havidos na constância do casamento. 
Assim, a jurisprudência majoritária do Supremo Tribunal decidiu pela 
flexibilização do regime da separação obrigatória de bens. Tal entendimento restou 
consolidado com a criação da súmula 377 do STF: "no regime da separação legal de 
bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento". 
24 
 
 
4 O REGIME DE SEPARAÇÃO LEGAL DE BENS NO CÓDIGO CIVIL DE 2002 
A promulgação da lei nº 10.406/2002, que instituiu o novo Código Civil, 
promoveu uma série de alterações no tratamento legal dado ao regime de 
separaçãolegal de bens. Dentre essas mudanças, destaca-se a exclusão do art. 
259 do CC/16, base legal da súmula 377 do STF. 
No Código Civil de 2.002 (CC/02), as hipóteses de exigência da separação de 
bens foram listadas no art. 1641, como segue: 
Art. 1.641. É obrigatório o regime da separação de bens no casamento: I - 
das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas 
da celebração do casamento; II – da pessoa maior de 70 (setenta) anos; III - 
de todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial. 
As causas suspensivas do casamento, por sua vez, estão descritas no art. 
1.523 do mesmo Código: 
Art. 1.523. Não devem casar: I - o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge 
falecido, enquanto não fizer inventário dos bens do casal e der partilha aos 
herdeiros; II - a viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou 
ter sido anulado, até dez meses depois do começo da viuvez, ou da 
dissolução da sociedade conjugal; III - o divorciado, enquanto não houver 
sido homologada ou decidida a partilha dos bens do casal; IV - o tutor ou o 
curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos, cunhados ou 
sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto não cessar a 
tutela ou curatela, e não estiverem saldadas as respectivas contas. 
Ao impor a separação de bens aos nubentes que decidiram se casar em 
situação irregular, percebe-se a preocupação do legislador em impedir eventual 
confusão patrimonial quando ao menos parte dos bens de um dos consortes ainda 
estão pendentes de partilha, em decorrência do divórcio/ dissolução de união estável 
ou da sucessão24. 
Note-se que a obrigatoriedade do regime de separação não está mais 
prevista dentro do capítulo "disposições penais" e os nubentes não são mais 
chamados infratores, como ocorria no antigo Código Civil. Desse modo, é 
possível afirmar que a imposição do regime de separação de bens tem se 
distanciado de sua natureza punitiva e se assemelhado mais às normas de caráter 
protetivo. 
 
24 GERAIGE, N. M. A Súmula 377 do STF e sua atual aplicação. In: Revista Jurídica Luso-brasileira, 
ano 2 (2016), nº 1. 
25 
 
 
A despeito do intenso debate doutrinário e jurisprudencial, o novo Código Civil 
manteve a imposição do regime de separação aos idosos com base apenas em sua 
idade. Evoluiu ao garantir a isonomia no tratamento entre homens e mulheres, 
estabelecendo a mesma idade para ambos. Inicialmente, esse regime seria aplicado 
sempre que um dos nubentes possuísse mais de 60 anos, faixa etária que foi 
posteriormente alterada para 70 anos, pela lei nº 12.344/2010. 
Por fim, com a nova redação dada ao inciso II do art. 1.641 do CC/02, nem 
toda união conjugal que envolve menor de idade será sujeitada ao regime da 
separação, mas apenas aquelas que necessitarem de suprimento judicial de 
consentimento. Em outros termos, os menores de idade podem escolher livremente 
o regime de bens que regerá os efeitos patrimoniais de sua união, desde que 
possuam autorização de seus genitores ou representantes legais. 
O regime de separação legal de bens é regulamentado pelos artigos 1.687 e 
1.688 do CC/02. O novo Código Civil assegura aos cônjuges o direito de manter a 
administração exclusiva de seus bens, podendo deles dispor sem necessidade de 
autorização do consorte. Reitere-se que, no Código Civil de 1916, a alienação de 
bens imóveis particulares dependia da outorga uxória. Assim, o legislador tornou 
mais rigorosa a separação de bens no Código Civil de 2002. 
O art. 496, parágrafo único, do CC/02 prevê que a venda de um bem do 
genitor para o filho não depende de aval do cônjuge, quando casados pelo regime 
de separação legal. Já o art. 1.829, inciso I, do CC/02 deixa claro que, na sucessão 
legítima, o cônjuge ou companheiro supérstite não concorre com os herdeiros pela 
herança, se casados sob o regime da separação obrigatória. Da leitura desses 
dispositivos, é possível inferir que o legislador presumia a inexistência de acervo 
patrimonial comum nos casamentos e uniões estáveis constituídos sob o regime da 
separação obrigatória. 
26 
 
 
4.1 A permanência da súmula 377 do STF no ordenamento jurídico brasileiro 
O Código Civil de 2002 não acolheu o art. 259 do antigo Código Civil. Posto 
que a Súmula 377 do STF foi criada para consolidar a aplicação desse dispositivo ao 
regime de separação obrigatória de bens, surgiram divergências doutrinárias quanto 
à eficácia da súmula na vigência do novo Código Civil. 
Autores como Inácio de Carvalho Neto, Caio Mário da Silva Pereira25 e 
Francisco José Cahali26 defendem que, se o novo Código não reproduziu o artigo 
que era a base legal da súmula 377 do STF, ela estaria automaticamente revogada. 
Afinal, "a Súmula não pode subsistir contra a lei ou sem ela"27. 
Ora, se a aplicação do disposto no art. 259 do CC/06 foi estendida ao regime 
da separação obrigatória sob o argumento de que o regime de separação 
convencional e legal são o mesmo regime28, agora que a comunhão de aquestos é 
vedada no regime da separação convencional, deve ser também defesa na 
separação obrigatória. 
Por outro lado, Maria Berenice Dias29 e Rolf Madaleno30 sustentam que a 
súmula foi criada para mitigar as injustiças causadas pela imposição da separação 
de bens. Para esses doutrinadores, negar a um dos cônjuges ou conviventes o 
direito à meação dos aquestos significaria permitir o enriquecimento ilícito de seu 
consorte. Assim, por força do princípio da solidariedade familiar e vedação ao 
enriquecimento sem causa, a Súmula 377 do STF não estaria revogada. 
Um dos principais argumentos apresentados por essa corrente é o fato de 
que, na redação original do projeto do novo Código Civil, aprovada pelo Senado 
Federal, o art. 1.641 proibia expressamente a comunhão de aquestos. Porém, o 
 
25 PEREIRA, C.M.D.S. Instituições de Direito Civil - Vol. V - Direito de Família. Rio de Janeiro: Grupo 
GEN, 2020. 
26 CAHALI, F. J. A Súmula nº 377 e o Novo Código Civil e a Mutabilidade do Regime de Bens. Revista 
do Advogado da AASP - Associação dos Advogados de São Paulo, São Paulo, v. 76, p. 27-32, 2004. 
27 CARVALHO NETO, I. D. A Súmula 377 do Supremo Tribunal Federal e o novo Código Civil. 
www.intelligentiajuridica.com.br, 2002, p. 5. 
28 STF, RE 7243/CE, Rel. Min. PHILADELPHO AZEVEDO, Data de Julgamento: 12/07/1943. 
29 DIAS, M. B. Manual de Direito das Famílias. Salvador: Editora JusPodivm, 2021. 
30 MADALENO, R. Direito de Família. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2021. 
27 
 
 
trecho final do dispositivo foi retirado pela Câmara dos Deputados, em observância 
ao enunciado da Súmula 377 do STF e com o escopo de coibir o enriquecimento 
ilícito do consorte que registrou os bens em seu nome, apesar de serem fruto do 
trabalho e economia de ambos os cônjuges ou conviventes31. 
Fato é que os Tribunais continuaram a aplicar a Súmula 377 STF mesmo às 
uniões constituídas na vigência do Código Civil de 2002. Subsiste, portanto, o 
questionamento: no regime da separação legal de bens, é necessário comprovar o 
esforço comum para que seja reconhecida a comunhão dos aquestos? 
 
31 FIUZA, R. Novo Código Civil Comentado. São Paulo: Editora Saraiva, 2002. 
28 
 
 
4.1.1 A desnecessidade de comprovação do esforço comum 
Para os juristas que defendem que a súmula 377 do STF surgiu com a 
finalidade de remediar as injustiças causadas pela imposição da separação de 
bens, impedindo o enriquecimento ilícito, a comunicação dos aquestos não depende 
da comprovação de esforço comum na sua aquisição. A comunhão de vida implica 
presunção de cooperação mútua na construção do patrimônio, de modo que proibir 
a comunicação dos bens significaria permitir que um dos cônjuges ou conviventes 
enriquecesse com os frutos do trabalho de seu consorte32. 
Segundo Maria Helena Diniz33, comunicam-se os bens adquiridos 
onerosamente na constância da união conjugal mediante cooperação mútua, 
considerando a formaçãode uma sociedade de fato entre os consortes. Ressalta 
que a contribuição não precisa ser monetária e que os bens adquiridos a título 
gratuito e os sub-rogados no lugar de bens particulares são excluídos da comunhão. 
Em suma, a autora defende a aplicação das disposições do regime de comunhão 
parcial de bens também ao regime da separação obrigatória. 
Em contrapartida, Paulo Lôbo34 defende que a conjunção de esforços é 
presumida na entidade familiar. Acrescenta que não se trata de uma sociedade de 
fato, então não há necessidade de comprovação do esforço comum. Só há 
separação absoluta no regime de separação convencional. 
Paulo Nader35, por sua vez, aduz que a Súmula não condiciona a 
comunicação dos bens à participação de ambos os cônjuges na sua aquisição. Tal 
interpretação, contudo, é muito perigosa, considerando que a súmula é um 
enunciado que sintetiza a jurisprudência do tribunal de forma simplificada. Segundo 
o raciocínio de Paulo Nader, devem ser partilhados todos os bens adquiridos a 
qualquer título, gratuitamente e provenientes de herança, uma vez que a súmula não 
cita qualquer restrição à comunhão de aquestos. Assim sendo, haveria uma 
 
32 MADALENO, R. Direito de Família. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2021. 
33 DINIZ, M. H. Curso de Direito Civil Brasileiro - Direito da Família. 25. ed. São Paulo: Editora 
Saraiva, 2010. v. 5. 
34 LÔBO, P. DIREITO CIVIL: FAMÍLIAS: VOLUME 5. São Paulo: Editora Saraiva, 2021. 
35 NADER, P. Curso de Direito Civil - Vol. 5 - Direito de Família, 7ª edição. Rio de Janeiro: Grupo 
GEN, 2016. 
29 
 
 
aberração jurídica em que há maior comunicação de bens no regime da separação 
obrigatória do que na comunhão parcial36. 
Para Gustavo Tepedino37, a Súmula 377 do STF e consequentemente a 
comunhão de aquestos só são aplicáveis ao regime de separação obrigatória 
enquanto persistirem a causas suspensivas do casamento. Cessado o impedimento, 
os consortes poderiam requerer a alteração do regime matrimonial de 
bens. Destarte, mesmo se decidirem manter o regime da separação, tem-se a 
separação convencional, já que não é mais imposta por lei. 
 
36 LÔBO, P. DIREITO CIVIL: FAMÍLIAS: VOLUME 5. São Paulo: Editora Saraiva, 2021. 
37 TEPEDINO, G. Fundamentos do Direito Civil - Direito de Família - Vol. 6. Rio de Janeiro: Grupo 
GEN, 2020. 
30 
 
 
4.1.2 A necessidade de comprovação do esforço comum 
Para os autores que sustentam que a súmula 377 do STF foi editada apenas 
para expandir os efeitos do art. 259 do Código Civil de 1.916 ao regime de 
separação obrigatória de bens, a comunhão dos bens depende de prova do esforço 
comum da aquisição do patrimônio. Nesse caso, a comunicação dos bens se 
justifica pela formação de uma sociedade de fato entre os cônjuges ou conviventes 
que, unidos por interesses comuns, construíram juntos seu patrimônio38. 
Nenhum sentido faria o estabelecimento do regime de separação obrigatória 
por nosso ordenamento jurídico se esse regime tivesse os mesmos efeitos 
do regime legal da comunhão parcial de bens, em que se presume o esforço 
comum na aquisição de bens. A disposição legal sobre regime de 
separação obrigatória de bens seria ineficaz. Assim, entendemos ser 
necessária a prova de que houve efeti-va participação financeira ou de 
trabalho na aquisição de bens, dentro dos princípios da sociedade de fato, 
para que ocorra a comunicação de aquestos prevista na Súmula 377 do 
STF39. 
A partilha dos bens, portanto, fundamenta-se na formação de uma sociedade 
de fato sobre o patrimônio amealhado mediante contribuição de ambos os 
consortes, não da mera existência de uma união conjugal. A essência do regime de 
separação dos bens é mantida, sem que haja o enriquecimento sem causa do 
cônjuge ou convivente em cujo nome estão registrados os bens. 
Segundo Zeno Veloso40, a separação obrigatória de bens impede a 
comunicação dos bens que cada um dos nubentes já possuía ao constituírem a 
entidade familiar. Seria, então, possível que os cônjuges ou conviventes fossem 
coproprietários de bens adquiridos, na constância da união conjugal, com os frutos 
do trabalho e economia do casal. O condomínio em questão seria regido pelo Direito 
das Coisas, não pelo Direito de Família, vez que não deriva da comunhão conjugal. 
O legislador poderia ter aproveitado a edição da lei n° 4.121, de 1962, o 
estatuto da mulher casada, para determinar a comunicação dos aquestos no regime 
de separação de bens, se assim desejasse. Porém, apenas concedeu à viúva o 
 
38 CAHALI, F. J. A Súmula nº 377 e o Novo Código Civil e a Mutabilidade do Regime de Bens. Revista 
do Advogado da AASP - Associação dos Advogados de São Paulo, São Paulo, v. 76, p. 27-32, 2004. 
39 MONTEIRO, W.D. B.; Silva, R.B.T. D. Curso de direito civil: direito da família. Volume 2. São Paulo: 
Editora Saraiva, 2016, p. 225. 
40 VELOSO, Z. Regimes Matrimoniais de Bens. In Direito de Família Contemporâneo. PEREIRA. 
Rodrigo da Cunha (coordenador). Belo Horizonte: Del Rey, p. 79-220, 1997. 
31 
 
 
usufruto de parte do espólio, preservando inalterada as disposições da separação 
obrigatória de bens41. 
No projeto original do novo Código Civil, constava vedação à comunicação 
dos aquestos no regime da separação obrigatória de bens. O texto foi aprovado pelo 
Senado Federal, mas não pela Câmara dos Deputados. No parecer final às 
emendas do Senado Federal feitas ao projeto de lei da Câmara, o relator-geral, 
deputado Ricardo Fiuza, confirmou a eficácia da súmula 377 do STF na vigência do 
novo Código42. Entretanto, ressalvou tão somente a comunhão dos aquestos 
resultantes de esforço comum. 
Partindo-se do princípio de que a imposição da separação de bens tem por 
escopo a penalização dos indivíduos que se unem conjugalmente em desrespeito às 
causas suspensivas do casamento ou a proteção de vulneráveis, admitir a 
comunhão dos aquestos significaria tornar nula a punição prevista pelo legislador 43. 
Além disso, a presunção de esforço comum não é consubstanciada pelos 
acórdãos que lhe deram origem. A título exemplificativo, o acórdão proferido nos 
autos RE nº. 7.243 dispõe que: “Reconhece-se a comunhão acerca dos bens 
adquiridos pelo esforço comum dos cônjuges sujeitos a regime matrimonial diverso 
do comum”. Somente os Ministros Castro Nunes e Ministro Goulart de Oliveira 
Conda se manifestaram pela presunção de cooperaçao mútua44. 
 
41 PEREIRA, C.M.D.S. Instituições de Direito Civil - Vol. V - Direito de Família. Rio de Janeiro: Grupo 
GEN, 2020. 
42 FIUZA, R. Relatório Geral. Parecer Final às Emendas do Senado. Comissão Especial Do Código 
Civil. Brasília, p. 1-572, 2000. 
43 CARVALHO NETO, I. D. A Súmula 377 do Supremo Tribunal Federal e o novo Código Civil. 
www.intelligentiajuridica.com.br, 2002. 
44 STF, RE 9128/MG, Rel. Min. Edgar Costa, Data de Julgamento: 17/12/1948. 
 
32 
 
 
5 A EVOLUÇÃO JURISPRUDENCIAL DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL 
Na vigência das Constituições Federais de 194645 e 196746, cabia ao 
Supremo Tribunal Federal harmonizar a interpretação de lei federal. Não por outra 
razão, foi o STF que editou o enunciado da súmula 377 para afirmar a 
aplicabilidade do art. 259 do Código Civil de 1916 ao regime de separação 
obrigatória de bens. 
Como anteriormente relatado, a criação da súmula 377 do STF desencadeou 
divergências jurisprudenciais acerca da necessidade de comprovação do esforço 
comum do casal na aquisição do patrimônio para que houvesse a comunhão dos 
aquestos. Em vista da previsão constitucional, inicialmente, coube ao STF julgar 
os dissídios jurisprudenciais, a despeito da ausência de consenso dentro da própria 
Suprema Corte. 
 
45 Art. 101. Ao Supremo Tribunal Federal compete: (...) III - julgar em recurso extraordinário as causas 
decididas em única ou última instância por outros Tribunais ou Juízes: (...) d) quando na decisão 
recorrida a interpretação da lei federal invocada for diversa da que lhe haja dado qualquer dos outrosTribunais ou o próprio Supremo Tribunal Federal. 
46 Art. 114, Compete ao Supremo Tribunal Federal: (...) III - julgar, mediante recurso extraordinário, as 
causas decididas, em única ou última instância, por outros Tribunais, quando a decisão recorrida: (...) 
d) dar à lei federal interpretação divergente da que lhe haja dado outro Tribunal ou o próprio Supremo 
Tribunal Federal. 
33 
 
 
5.1 O Recurso Extraordinário nº 52.811/RS 
O RE nº 52.81147 foi interposto contra decisão do Tribunal de Justiça do Rio 
Grande do Sul que negou ao cônjuge virago o direito à meação dos aquestos, pois 
casada sob o regime da separação legal de bens. 
O Ministro relator, Pedro Chaves, votou pela partilha dos bens amealhados ao 
longo da união conjugal mediante esforço comum. Explicou que o casamento 
deveria trazer maiores garantias à esposa, não a prejudicar. A jurisprudência 
reconhecia às relações amorosas mantidas quando há impedimento ao casamento – 
concubinato – a condição de sociedade de fato, permitindo a partilha dos bens 
adquiridos com o trabalho e economia de ambos os consortes. Portanto, com muito 
mais razão, deveria ser reconhecido ao cônjuge virago ao menos sua participação 
societária na aquisição dos aquestos. 
Note-se que, no concubinato, a partilha era discutida no âmbito do direito das 
obrigações e derivava da existência de uma sociedade de fato entre o casal. 
O magistrado registrou haver nos autos prova de que todo o patrimônio foi 
construído ao longo do relacionamento e, assim sendo, dependeu da conjunção de 
esforços do casal. A presunção de colaboração mútua, então, seria derivada do 
disposto no art. 1.376 do CC/16, segundo o qual, "no silêncio do contrato, presumir-
se-ão iguais entre si as entradas". 
O voto do relator venceu por unanimidade, tendo sido acompanhado pelos 
Ministros Aliomar Balceiro, Vilas Boas e Hanehmann Guimarães. Assim, prosperou o 
entendimento de que a conjunção de esforços na aquisição dos bens torna-os 
partilháveis, sendo que a colaboração é presumida quando o patrimônio do casal foi 
construído na constância da entidade familiar. 
 
47 STF, RE 52811, Rel. Min. Pedro Chaves, SEGUNDA TURMA, Data do Julgamento: 06/12/1965, 
Data da Publicação: 11/05/1966. 
34 
 
 
5.2 O Recurso Extraordinário nº 64.236/CE 
No RE nº 64.23648, questionou-se as implicações do regime de separação 
obrigatória de bens na sucessão legítima. Aconteceu que a inventariante, filha 
unilateral do falecido, indicou à partilha bem que, apesar de adquirido na constância 
da unidade conjugal, foi registrado em nome da viúva. 
A despeito de não reconhecer o recurso, o Ministro Adalício Nogueira, relator 
do caso, decidiu se pronunciar acerca da comunhão prevista na súmula 377 do 
STF. Segundo o relator, o enunciado da súmula foi elaborado em termos vagos e 
não poderia abarcar todas as situações de fato que podem surgir na vida prática. 
O magistrado sustentou que a súmula em questão tem em vista a comunhão 
dos bens amealhados por meio da contribuição de ambos os consortes, não dos 
bens adquiridos com o trabalho e economia de apenas um deles. Em suma, o 
esforço comum é "o traço que imprime aos aquestos a força de sua 
comunicabilidade". 
Além disso, arguiu que a súmula não pode se contrapor à legislação pátria. O 
art. 259 do CC/16 previu a comunhão de aquestos somente quando há pacto 
antenupcial e nele não consta disposição em contrário. Nesse contexto, permitir a 
comunicação de bens no regime de separação obrigatória significaria permitir aos 
cônjuges ou conviventes burlar imposição legal. Ao final, o Ministro registrou que 
quando a separação de bens é imposta por lei, nas hipóteses do art. 258 do CC/06, 
não há comunicação de bens. 
Da leitura atenta do voto, infere-se que, para o Ministro Adalício Nogueira, a 
partilha dos bens adquiridos na constância do casamento resulta da existência de 
uma sociedade de fato entre os consortes, não da formação de uma entidade 
familiar marcada pela comunhão de vida. 
O Ministro Evandro Lins e Silva, em contrapartida, argumentou que a súmula 
377 do STF alcança os bens adquiridos na constância da unidade conjugal, mesmo 
na separação legal de bens. 
 
48 STF, RE 64236, Rel. Min. Adalício Nogueira, SEGUNDA TURMA, Data do Julgamento: 01/10/1968, 
Data da Publicação: 11/10/1968. 
35 
 
 
Por maioria dos votos, o recurso não foi reconhecido. 
36 
 
 
5.3 O Recurso Extraordinário nº 78.811/RJ 
Por meio do RE nº 78.81149, a Primeira Turma do STF discutiu as implicações 
do regime de separação de bens na sucessão legítima. O falecido e o cônjuge 
supérstite eram alemães, mas se casaram no Brasil, perante as autoridades 
consulares, e aqui residiram durante todo o relacionamento. 
Como, à época da celebração do casamento, não se manifestaram acerca do 
regime de bens que desejavam adotar, registrou-se a separação de bens, regime 
legal supletivo segundo a legislação alemã. 
O relator, Ministro Antonio Neder, aduziu que, tendo a Suprema Corte 
estendido os efeitos do art. 259 do CC/16 à separação obrigatória, por meio da 
súmula 377 do STF, como muito mais razão deveria reconhecer a comunicação do 
patrimônio que o casal construiu conjuntamente em território nacional, ainda que 
casados sob o regime de separação disposto pelo ordenamento jurídico brasileiro. 
Com efeito, se o marido e a mulher se mantiveram sempre unidos e 
conjugaram esforços para levar a cabo a formação do patrimônio comum, 
ainda que a cooperação da esposa tenha se limitado ao trabalho doméstico, 
tem ela indiscutivelmente o direito, até mesmo natural, de compartilhar 
daquele complexo de bens, como dispões o art. 259 do CC/16. 
Os Ministros Eloy da Rocha, Bilac Pinto e Rodrigues Alckmin votaram com o 
relator. Dessa forma, em decisão unânime, a Primeira turma decidiu que o cônjuge 
sobrevivente, casado sob o regime da separação legal de bens, tem direito à 
meação do patrimônio amealhado ao longo da união conjugal mediante esforço 
comum, que pode ser indireta e sem caráter monetário. 
 
49 STF, RE 78811, Rel. Min. Antonio Neder, PRIMEIRA TURMA, Data do Julgamento: 29/04/1975, 
Data da Publicação: 06/06/1975. 
37 
 
 
5.4 O Agravo Regimental no Agravo de Instrumento nº 70.303/RJ 
No AI 70303 AgRg50, questionou-se o momento em que tem fim o regime 
matrimonial de bens, bem como as implicações da separação legal de bens, em 
vista da súmula 377 do STF. Ocorreu que, após a separação de fato, mas antes do 
desquite, o cônjuge varão adquiriu bem em nome próprio, o qual foi posteriormente 
indicado à partilha pela esposa. 
O Ministro relator, Moreira Alves, argumentou que a súmula 377 do 
STF pretendeu estender a aplicação do art. 259 do CC/16 ao regime de separação 
de bens. Ou seja, a jurisprudência majoritária da Suprema Corte entende pela 
comunicação dos aquestos mesmo na separação obrigatória. 
Nesse caso, a comunhão dos bens deriva do regime matrimonial, é a 
consequência patrimonial da formação de uma entidade familiar. Ao contrário das 
sociedades de fato, em que a partilha depende de prova da participação do sócio, no 
casamento, a aquisição dos bens ao longo do relacionamento é suficiente para 
justificar a sua meação. 
O relator explicou que a expressão "constância do casamento", utilizada no 
enunciado da súmula 377 do STF, deve ser interpretada como sociedade conjugal e 
não como vínculo matrimonial. Partindo-se do princípio de que a separação de fato 
não extinguia a sociedade conjugal, o regime matrimonial de bens permaneceria 
vigente até o desquite. 
Cumpre esclarecer que o voto em comento foi proferido em junho de 1977, 
logo, em período anterior à promulgação da lei nº 6.515 de 1977, a lei do divórcio, 
que aboliu o desquite. Atualmente, impera o entendimento de que a separação de 
fato, por si só, põe fim ao regime de bens51. 
Por unanimidade, prosperou o voto do relator. 
 
50 STF, AI 70303 AgR, Rel. Min. MoreiraAlves, SEGUNDA TURMA, Data do Julgamento: 10/05/1977, 
Data da Publicação: 13/06/1977. 
51 STJ, AgInt nos EDcl no AREsp 1408813/SP 2018/0318405-7, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, 
TERCEIRA TURMA, Data do Julgamento: 16/12/2019, Data da Publicação: DJe 19/12/2019. 
38 
 
 
5.5 Os Recursos Extraordinários nº 89.480/RJ E 91.059/SP 
O RE nº 89.48052, que tramitou perante a Primeira Turma do STF, tratou da 
comunhão de aquestos no regime da separação legal de bens. O foco da discussão 
foi a comunicabilidade, ou não, dos bens adquiridos na constância da união 
conjugal por doação ou herança. 
O Ministro Xavier de Albuquerque, relator da demanda, confirmou a decisão 
das instâncias inferiores no sentido de que, no regime de separação obrigatória, 
somente a cooperação mútua do casal na aquisição do patrimônio justifica sua 
partilha. Por conseguinte, bens havidos a título gratuito, por doação ou herança, 
seriam incomunicáveis, vez que não são frutos do trabalho e economia do casal. 
No mesmo sentido, foi a decisão preferida pela Segunda Turma no RE nº 
91.05953, também por unanimidade dos votos. Nestes autos, o Ministro Cordeiro de 
Guerra destacou que, mesmo no regime da comunhão parcial de bens, são 
excluídos da comunhão os bens obtidos por herança ou doação, conforme art. 269, 
inciso I, do CC/16. 
Em ambos os casos, considerando ser essa a jurisprudência majoritária do 
Tribunal, a Primeira e Segunda Turma do STF decidiram, à unanimidade dos votos, 
não conhecerem os recursos. Tais precedentes serviram de base para o julgamento 
do RE nº 93.16854, que ratificou o entendimento preponderante na Suprema Corte 
de que é o esforço comum que justifica a comunicação dos bens. 
 
52 STF, RE 89480, Rel. Min. Xavier de Albuquerque, PRIMEIRA TURMA, Data do Julgamento: 
19/10/1979, Data da Publicação: 19/11/1979. 
53 STF, RE 91059, Rel. Min. Cordeiro Guerra, SEGUNDA TURMA, Data do Julgamento: 13/03/1981, 
Data da Publicação: 22/04/1981. 
54 STF, RE 93168, Rel. Min. Néri Da Silveira, PRIMEIRA TURMA, Data do Julgamento: 18/10/1983, 
Data da Publicação: 30/11/1984. 
39 
 
 
6 A EVOLUÇÃO JURISPRUDENCIAL DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 
A Constituição Federal de 1988 transferiu ao Superior Tribunal de Justiça 
(STJ) a competência para harmonizar a interpretação de lei federal55. Para tanto, os 
Ministros do STJ se organizam em três seções especializadas. As matérias de 
Direito Privado, inclusive família e sucessões, são de competência da Segunda 
Seção. Esta, por sua vez, é composta pela Terceira e Quarta Turma. 
Como os arts. 48956 e 92757 do Código de Processo Civil de 2015 (CPC/15) 
garantem a força vinculativa das decisões do STJ, compreender o entendimento 
deste Tribunal Superior significa entender a orientação de todos os Tribunais 
Estaduais. "O precedente judicial serve, então, para conferir estabilidade e 
segurança ao sistema jurídico, além de preservar a isonomia de tratamento aos 
jurisdicionados e propiciar a coerência do sistema jurídico"58. 
Acontece que, mesmo dentro do Superior Tribunal de Justiça, não há 
consenso acerca da interpretação da Súmula 377 STF. Na Terceira Turma do STJ, 
predomina o entendimento de que, na separação legal de bens, comunicam-se os 
aquestos independentemente de comprovação de cooperação mútua59. Em 
 
55 Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: (...) III - julgar, em recurso especial, as causas 
decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos 
Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida: (...) c) der a lei federal 
interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal. 
56 Art. 489. § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, 
sentença ou acórdão, que: (...) VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou 
precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou 
a superação do entendimento. 
57 Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: (...) V - a orientação do plenário ou do órgão especial 
aos quais estiverem vinculados. 
58 SOARES, R.M. F. Hermenêutica e Interpretação Jurídica. São Paulo: Editora Saraiva, 2018. 
59 STJ, REsp 161/GO 1989/0012480-3, Rel. Min. Eduardo Ribeiro, Data de Julgamento: 13/02/1990, 
TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: 12/03/1990; STJ, AgRg no AREsp 650.390/ SP 
2016/0029987-9, Rel. Min. João Otávio de Noronha, TERCEIRA TURMA, Data de Julgamento: 
27/10/2015, Data de Publicação: DJe 03/11/2015; STJ, RESP 1199790/MG, TERCEIRA TURMA, Rel. 
Min. Vasco Della Giustina, Data de Julgamento: 14.12.2010, Data de Publicação: DJe 02/02/2011; 
STJ, REsp 1171820 PR 2009/0241311-6, Rel. Min. Sidnei Beneti, TERCEIRA TURMA, Data de 
Julgamento: 07/12/2010, Data de Publicação: DJe 27/04/2011; STJ, AgRg no AREsp 650390/SP 
2015/0003290-0, Rel. Min. João Otávio de Noronha, TERCEIRA TURMA, Data do Julgamento: 
27/10/2015, Data da Publicação: DJe 03/11/2015; STJ, REsp 1593663/DF 2016/0046728-0, Rel. Min. 
Ricardo Villas Bôas Cueva, Data de Julgamento: 13/09/2016, TERCEIRA TURMA, Data de 
Publicação: DJe 20/09/2016; STJ, REsp 1090722/SP 2008/0207350-2, Rel. Min. Massami Uyeda, 
TERCEIRA TURMA, Data do Julgamento: 02/03/2010, Data da Publicação: DJe 30/08/2010; STJ, 
40 
 
 
contrapartida, a Quarta Turma tende a acolher a tese da necessidade de 
comprovação do trabalho conjunto do casal para a comunhão dos aquestos60. Nesse 
contexto, cumpre analisar os votos e decisões mais relevantes proferidos pelo STJ 
desde a edição do enunciado. 
 
REsp 73662/PR 2005/0041830-1, Rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito, TERCEIRA TURMA, 
Data do Julgamento: 11/04/2006, Data da Publicação: DJe 01/08/2006; STJ, AgRg no Ag 1119556 
PR 2008/0250779-4, Rel. Min. Paulo Furtado, TERCEIRA TURMA, Data do Julgamento: 15/06/2010, 
Data da Publicação: DJe 28/06/2010. 
60 STJ, REsp 9938/SP 1991/0006771-7, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, QUARTA TURMA, 
Data de Julgamento: 09/06/1992, Data de Publicação: DJ 03/08/1992; STJ, REsp 646259/RS 
2004/0032153-9, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, QUARTA TURMA, Data do Julgamento: 22/06/2010, 
Data da Publicação: DJe 24/08/2010; STJ, REsp 123633/SP 1997/0018091-3, Rel. Min. Aldir 
Passarinho Junior, QUARTA TURMA, Data do Julgamento: 17/03/2009, Data da Publicação: DJe 
30/03/2009. 
 
 
41 
 
 
6.1 O Recurso Especial nº 646.259/RS 
Nos autos do inventário judicial, processo nº 2004/0032153-9, discutiu-se os 
direitos sucessórios da companheira sobrevivente. Como o falecido havia iniciado a 
união estável quando ostentava mais de 64 anos de idade, o Juízo de primeira 
instância decidiu que o patrimônio do casal deveria ser submetido às regras da 
separação obrigatória de bens, conforme art. 258, § único do CC/16. Por 
conseguinte, reconheceu à convivente o direito de meação somente sobre os bens 
amealhados ao longo do relacionamento, mediante cooperação conjunta do casal. 
O Juízo de segunda instância, no entanto, afastou a imposição do regime de 
separação à união estável, sob o argumento de que há legislação própria que prevê 
a comunhão parcial de bens, com presunção de esforço comum, sendo incabível a 
aplicação analógica de normas restritivas de direitos. 
Dessa controvérsia, emergiu o REsp nº 646.25961, em que se questionava a 
aplicação do art. 258, § único, inciso II, do CC/16 às uniões estáveis. A Corte 
entendeu que a legislação não poderia privilegiar os conviventes em detrimento dos 
cônjuges, eximindo a união estável de uma restrição imposta ao casamento. 
Posicionamento adverso, significaria estimular a fraude à proteção conferida pelo 
legislador ao patrimônio do nubente sexagenário. 
Decidida a imposição da separação de bens também à união estável, restou 
determinar as implicações desse regime, em face da súmula 377 do STF. 
O Ministro relator, Luís Felipe Salomão, ressaltou que a jurisprudência do 
próprio STF previaa comunhão apenas quando comprovado a contribuição de 
ambos os cônjuges ou companheiros. De fato, esse é o entendimento que se extrai 
dos Recursos Extraordinários nº 6423662 e 7881163, haja vista que, nas palavras do 
 
61 STJ, REsp 646259/RS 2004/0032153-9, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, QUARTA TURMA, Data do 
Julgamento: 22/06/2010, Data da Publicação: DJe 24/08/2010. 
62 STF, RE 64236, Rel. Min. Adalício Nogueira, SEGUNDA TURMA, Data do Julgamento: 01/10/1968, 
Data da Publicação: 11/10/1968. 
63 STF, RE 78811, Rel. Min. Antonio Neder, PRIMEIRA TURMA, Data do Julgamento: 29/04/1975, 
Data da Publicação: 06/06/1975. 
42 
 
 
Ministro Adalício Nogueira, o "esforço comum é o traço que imprime aos aquestos a 
força da sua comunicabilidade". 
Acerca da imposição do regime de separação de bens aos idosos, o Ministro 
Luís Felipe Salomão esclareceu que: 
Em realidade, cuidando-se de união estável de pessoa sexagenária, a 
presunção que emerge da realidade dos fatos é exatamente outra, porque, 
ordinariamente, nessa faixa etária, o patrimônio já se encontra estabilizado 
e eventual acréscimo, de regra, é proveniente de esforço próprio em tempos 
passados ou de sub-rogação de bens já existentes. Ademais, os 
conviventes, cônscios e seguros das conseqüências legais em relação ao 
patrimônio comum, por óbvio que podem regular a distribuição dos bens, 
conferindo as titularidades de acordo com sua efetiva vontade e esforço. 
Para o magistrado, a velhice é um período no qual os indivíduos estão mais 
propensos a aproveitar os frutos do patrimônio particular, que construiu ao longo de 
toda a sua vida, do que a trabalhar pelo incremento desse acervo. Nesse contexto, 
condicionar a partilha dos bens à prova de esforço comum não prejudica o consorte 
do idoso, haja vista a possibilidade de o casal registrar a existência de condomínio 
sobre o bem, no momento de sua aquisição. 
O voto do relator prosperou, porquanto acompanhado pelos Ministros Raul 
Araújo Filho, Aldir Passarinho Junior e João Otávio de Noronha. O voto vencido, de 
autoria do Ministro Honildo Amaral de Mello Castro, discordou da maioria apenas por 
rechaçar a aplicação da súmula 377 do STF às uniões estáveis, arguindo a 
inexistência de comunhão no caso em comento. 
43 
 
 
6.2 O Recurso Especial nº 1.199.790/MG64 
Nos autos do processo nº 2010/0118288-3, questionou-se a necessidade de 
outorga uxória para doação de imóvel adquirido na constância do casamento, 
celebrado sob o regime de separação legal de bens. Os debates se centraram no 
embate entre a norma do art. 1.647 do CC/02, que reconhece a cada cônjuge o 
direito de dispor livremente de seus bens quando casados pelo regime de separação 
de bens, e o enunciado da súmula 377 do STF que prevê a comunhão de aquestos 
nessa mesma circunstância. 
O Ministro relator, Vasco Della Giustina, arguiu que a doação dos bens 
adquiridos ao longo da união conjugal, regulada pela separação legal de bens, exige 
aval do consorte. Isso, porque, em virtude da súmula 377 do STF, a cooperação 
mútua do casal é "fato jurídico apto a justificar a divisão dos bens adquiridos na 
constância do casamento", ainda que a contribuição seja apenas afetiva. 
A valorização do auxílio imaterial e das atividades domésticas como 
suficientes para justificar a comunhão de aquestos foi reiterada em outras decisões 
da Terceira Turma, como nos Recursos Especiais nº 1.593.66365 e 736.62766. Sobre 
o tema, confira-se trecho do voto do Ministro Carlos Alberto Menezes: 
A participação é direta ou indireta, não apenas financeira, mas, também, a 
solidariedade existente na vida comum, o esforço de cada qual na 
manutenção da vida familiar, o amor que sustenta o existir da comunhão, 
tudo contribuindo decisivamente para que se construa o patrimônio. 
Por unanimidade, a Terceira Turma decidiu privilegiar a súmula 377 do STF, 
em detrimento da regra esculpida no art. 1.647 do CC/02. Em outros 
termos, declarou ser necessária a outorga uxória na alienação de imóvel adquirido a 
título oneroso durante o casamento ou união estável que é regido pela separação 
obrigatória de bens, diante do possível direito à meação. 
 
64 STJ, RESP 1199790/MG, Rel. Min. Vasco Della Giustina, TERCEIRA TURMA, Data de 
Julgamento: 14/12/2010, Data de Publicação: DJe 02/02/2011. 
65 STJ, REsp 1593663/DF, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, TERCEIRA TURMA, Data de 
Julgamento: 13/09/2016, Data de Publicação: DJe 20/09/2016. 
66 STJ, REsp 736627/PR, Rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito, TERCEIRA TURMA, Data do 
Julgamento: 11/04/2006, Data da Publicação: DJe 01/08/2006 
44 
 
 
6.3 O Recurso Especial nº 1.171.820/PR 
O REsp nº 1.171.82067 foi interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do 
Paraná que afirmou a necessidade de comprovação do esforço comum para 
comunhão de aquestos em união estável regida pelo regime de separação 
obrigatória de bens, por envolver nubente sexagenário. O cerne da controvérsia 
residiu em se determinar a comunicabilidade, ou não, dos aluguéis que, apesar de 
terem sido recebidos durante a união conjugal, eram oriundos de bem particular de 
um dos companheiros. 
O relator, Ministro Sidnei Beneti, manifestou sua simpatia pela tese de que, na 
constância da união conjugal, presume-se a conjunção de esforços na aquisição do 
patrimônio do casal. Porém, aduziu que o fato de o Juízo de 1º grau, após analisar 
as provas, ter atestado a inexistência de contribuição da companheira, impede a 
presunção do esforço comum e, portanto, votou pela incomunicabilidade dos bens. 
A Ministra Nancy Andrighi sustentou que a súmula 377 do STF prescreve a 
comunhão dos bens adquiridos onerosamente ao logo do casamento/união estável, 
sendo presumida a colaboração de ambos os consortes. As conclusões da decisão 
atacada seriam, então, reduzidas à irrelevância, pois não havia necessidade de se 
investigar a existência de uma colaboração, que é presumida pela lei nº 9.278 de 
1996. 
A magistrada votou pela partilha dos aluguéis, tidos como frutos dos bens 
particulares, com fulcro no art. 1.660, inciso V, do CC/02, o qual rege o regime 
matrimonial da comunhão parcial de bens. Em seu voto, a Ministra Nancy Andrighi 
registrou que: 
(...) do ponto de vista prático, para efeitos patrimoniais, não há diferença no 
que se refere à partilha dos bens com base no regime da comunhão parcial 
ou no da separação legal contemporizado pela Súmula 377 do STF. Assim 
acontece porque, ao sofrer essa contemporização, o regime da separação 
legal adquire contornos idênticos aos da comunhão parcial de bens, que 
permite a comunicação dos aquestos. As feições de ambos os regimes – o 
da comunhão parcial e o da separação legal – portanto, confundem-se, ante 
a incidência da Súmula 377 do STF. 
 
67 STJ, REsp 1171820 / PR, Rel. Min. Sidnei Beneti, Rel. p/ Acórdão Min. Nancy Andrighi, TERCEIRA 
TURMA, Data do Julgamento: 07/12/2010, Data da Publicação: DJe 27/04/2011. 
45 
 
 
Prosperou o voto divergente, proferido pela Ministra Nancy Andrighi e 
acompanhado pelos Ministros Vasco Della Giustina e Paulo de Tarso Sanseverino. 
Em suma, a Terceira Turma do STJ decidiu que as disposições da comunhão parcial 
são aplicáveis ao regime da separação legal de bens, igualando dois regimes 
essencialmente distintos. 
46 
 
 
6.4 O Recurso Especial nº 1.403.419/MG68 
Na origem, o processo nº 2013/0304757-6 tratou de reconhecimento e 
dissolução de união estável que teve início quando um dos companheiros já contava 
com mais de sessenta anos, atraindo, portanto, a imposição da separação 
obrigatória de bens. Logo, foi colocado sob julgamento a necessidade de 
comprovação do esforço comum para comunicação dos aquestos no regime de 
separação obrigatória de bens. 
O Ministro relator, Ricardo Villas Bôas, defendeu a imprescindibilidade 
de prova do esforço conjugado na aquisição dos bens, esclarecendo que: 
Não obstante o enunciado do STF, que, ressalte-se,não possui efeito 
vinculante, e foi editado em 8.5.1964, a melhor exegese que deve ser 
conferida aos arts. 1.723 e 1.641, II, do Código Civil deve ser aquela 
segundo a qual os bens adquiridos na constância da união estável são 
incomunicáveis, ressalvada a prova de que tais bens provêm do esforço 
comum. É o esforço comum que enseja a comunicabilidade e não o mero 
dever de solidariedade, inerente à vida comum do casal. 
Assim, quando se exige prova da contribuição de ambos os consortes na 
construção do patrimônio, mantem-se a proteção ao patrimônio do consorte 
considerado vulnerável, sem, contudo, privar o seu cônjuge ou companheiro de 
receber os frutos de seu trabalho e economia quando do divórcio ou sucessão. 
O magistrado ainda arguiu que presumir a contribuição mútua, reconhecendo 
aos consortes o direito à meação de todos os bens amealhados na constância do 
relacionamento, implicaria desvirtuar o regime da separação legal de bens. De fato, 
da análise dos precedentes da Corte Superior é possível concluir que os Ministros 
que militam pela presunção do esforço comum não veem óbice à aplicação das 
regras da comunhão parcial ao regime da separação obrigatória. 
Por unanimidade, a Terceira Turma decidiu pela necessidade de prova da 
contribuição de ambos os consortes na construção do patrimônio para que seja 
reconhecido o direito à meação dos aquestos, nas uniões regidas pelo regime da 
separação obrigatória de bens. 
 
68 STJ, REsp 1403419/MG 2013/0304757-6, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, TERCEIRA 
TURMA, Data de Julgamento: 11/11/14, Data de Publicação: DJe 14/11/2014. 
47 
 
 
6.5 Os Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 1.171.820/PR 
A divergência existente entre os acórdãos proferidos no REsp nº 646259 e no 
REsp nº 1171820 justificou a interposição do EREsp nº 117182069. Nestes autos, a 
Segunda Seção consagrou o entendimento de que a comunhão dos aquestos 
depende da comprovação de esforço comum dos cônjuges ou conviventes na 
aquisição dos bens. Merece destaque trecho do voto proferido relator, Ministro Raul 
Araújo: 
Tem-se, assim, que a adoção da compreensão de que o esforço comum 
deve ser presumido (por ser a regra) conduz à ineficácia do regime da 
separação obrigatória (ou legal) de bens, pois, para afastar a presunção, 
deverá o interessado fazer prova negativa, comprovar que o ex-cônjuge ou 
ex-companheiro em nada contribuiu para a aquisição onerosa de 
determinado bem, conquanto tenha sido a coisa adquirida na constância da 
união. Torna, portanto, praticamente impossível a separação dos aquestos. 
Para o magistrado, o entendimento de que a comunhão dos bens adquiridos 
depende de prova da cooperação mútua dos consortes é a interpretação mais 
adequada ao regime de separação legal de bens, pois preserva as características 
essenciais do regime. Recairá então sobre o interessado na partilha o ônus de 
demonstrar que teve “efetiva e relevante” participação no esforço para aquisição 
onerosa do bem, admitindo-se inclusive contribuições não monetárias. 
O Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, por outro lado, ratificou seu 
entendimento de que, na entidade familiar, há presunção de auxílio mútuo, conforme 
art. 5º da lei nº 9.278 de 1996. Para ele, exigir provas da contribuição significaria 
reconhecer a inconstitucionalidade do dispositivo supracitado diante do art. 226, § 
3º, da Constituição Federal, prerrogativa reservada ao Supremo Tribunal Federal. 
Na oportunidade, foi rediscutida a possibilidade de partilha dos frutos de bens 
particulares, previamente autorizada pela Terceira Turma do STJ, no julgamento do 
no REsp nº 1.171.820. O relator votou pela reforma da decisão da Terceira Turma, 
sob o fundamento de que considerar os bens particulares, adquiridos ao longo da 
 
69 STJ, EREsp 1171820/PR, Rel. Min. Raul Araújo, SEGUNDA SEÇÃO, Data Do Julgamento: 
26/08/2015, Data da Publicação: DJe 21/09/2015. 
48 
 
 
união estável, como frutos e, portanto, comunicáveis, contradiz precedente do STJ 
no julgamento do REsp nº 775.47170. 
Nos autos do REsp nº 775.471, a Quarta Turma entendeu que deferir 
a partilha de frutos e/ou rendimentos oriundos de bens herdados e/ou doados antes 
do reconhecimento da união estável configura violação ao artigo 5º, § 1º, da Lei 
9.278/96. Os frutos de bens particulares também não devem ser partilhados, uma 
vez que não são resultado do trabalho conjunto do casal, mas decorrem tão 
somente da existência do bem. 
Os Ministros Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas 
Cueva, Marco Buzzi, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o relator, 
cujo voto prevaleceu por apoio da maioria. Restou, portanto, vencido o voto do 
Ministro Antonio Carlos Ferreira que acompanhou a divergência inaugurada pelo 
Ministro Paulo de Tarso Sanseverino. 
 
70 STJ, REsp 775471 / RJ, Rel. Min. Honildo Amaral de Mello Castro, QUARTA TURMA, Data do 
Julgamento: 05/08/2010, Data da Publicação: DJe 31/08/2010. 
49 
 
 
6.6 O Recurso Especial nº 1.593.663/DF 
A despeito do aresto prolatado pela Segunda Seção do STJ no âmbito dos 
EREsp nº 1.171.820, a (des)necessidade de comprovação do esforço conjugado 
para comunhão dos aquestos foi novamente levada à julgamento por meio do REsp 
nº 1.593.66371. 
O Ministro Relator, Ricardo Villas Bôas Cueva, sustentou que, no regime de 
separação legal de bens, comunicam-se aqueles havidos durante a união conjugal, 
sendo desnecessária a comprovação do esforço comum. Em suma, a comunhão de 
vida, que é inerente à sociedade conjugal, implicaria na presunção de cooperação 
mútua entre consortes, mesmo que apoio se restrinja ao âmbito doméstico. 
Os Ministros Marco Aurélio Bellizze, Moura Ribeiro e Paulo de Tarso 
Sanseverino votaram com o relator, de modo que prosperou a tese de presunção da 
colaboração mútua prosperou, por unanimidade, na Terceira Turma do STJ. 
 
71 REsp 1593663/DF, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Data de Julgamento: 13/09/2016, 
TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 20/09/2016. 
50 
 
 
6.7 O Recurso Especial nº 1.689.152/SC 
Com a interposição do REsp nº 1.689.15272, a exegese da súmula 377 do 
STF, quando aplicada às uniões estáveis, foi novamente questionada perante o STJ. 
O cerne da discussão residia em se determinar a (in)comunicabilidade de prêmio 
lotérico. 
O Ministro relator, Luís Felipe Salomão, aduziu que o prêmio da loteria, por 
sua própria natureza, é obtido sem o esforço de qualquer um dos consortes e, 
portanto, é bem comum ao casal. 
O voto do Ministro relator e a decisão final da Turma se fundamentaram no 
art. 1.660, inciso II, do CC/02, segundo o qual são passíveis de partilha os bens 
angariados por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho ou despesa 
anterior. Logo, a divisão do dinheiro não foi justificada pelo acolhimento da tese de 
presunção de esforço comum, mas pela aplicação extensiva das restrições impostas 
ao regime de comunhão parcial de bens, em vista da justiça social. 
Em verdade, como se trata de regime imposto pela norma, permitir a 
comunhão dos aquestos acaba sendo a melhor forma de se realizar maior 
justiça social e tratamento igualitário, tendo em vista que o referido regime 
não adveio da vontade livre e expressa das partes. 
Na oportunidade, o magistrado registrou que o regime de separação 
obrigatória de bens é diferente da separação convencional, porque a jurisprudência 
dos Tribunais Superiores flexibilizou seus efeitos, transformando-o em um modelo 
híbrido. Nisso se justificaria a aplicação dos dispositivos da comunhão parcial de 
bens ao regime de separação obrigatória. 
Por fim, argumentou que a comunhão dos ganhos com a loteria não viola a 
finalidade da norma. Afinal, se o prêmio foi recebido na constância da união, não há 
que se falar em casamento realizado por interesse ou em união meramente 
especulativa. 
O voto do relator foi acompanhado pelos Ministros AntonioCarlos Ferreira, 
Marco Buzzi e Lázaro Guimarães. Assim, à unanimidade de votos, a Quarta Turma 
 
72 STJ, REsp 1689152 / SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, QUARTA TURMA, Data do Julgamento: 
24/10/2017, Data da Publicação: DJe 22/11/2017. 
51 
 
 
decidiu pela comunicabilidade de prêmio lotérico captado na constância da união 
conjugal. 
Perceba-se que o órgão julgador determinou a partilha de bem obtido a 
título gratuito, situação em que seria incabível a presunção do esforço comum. A 
decisão se baseou no art. 1.660, inciso II, do CC/02, que regula o regime da 
comunhão parcial. Desse modo, os precedentes do STJ em que se admitia a partilha 
dos aquestos independentemente de comprovação da existência de contribuição 
mútua de ambos os consortes aproximava, cada vez mais, o regime da separação 
legal ao da comunhão parcial. 
52 
 
 
6.8 Os Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 1.623.858 /MG 
Como visto, o acórdão proferido no EREsp nº 1.171.820 não solucionou as 
divergências jurisprudenciais, razão pela qual o tema foi novamente submetido à 
análise do Tribunal, em sede de embargos de divergência. Ao julgar o EREsp nº 
1.623.85873, a Segunda Seção confirmou a necessidade de prova da conjunção de 
esforços do casal para a comunhão de aquestos. 
O Ministro relator, Lázaro Guimarães, esclareceu que o princípio da vedação 
ao enriquecimento sem causa pode embasar a argumentação das duas 
correntes. Se, por um lado, evita que um dos consortes seja prejudicado quando 
auxiliou na aquisição de bem registrado somente em nome de seu parceiro; por 
outro, havendo presunção da cooperação mútua, pode favorecer injustamente ex-
cônjuge ou ex-companheiro que, a despeito de não ter contribuído com a construção 
do acervo patrimonial, terá direito à partilha dos bens. 
Reiterou a fundamentação do Ministro Araújo, reafirmando que a presunção 
do esforço comum implica reduzir à inutilidade a separação de legal de bens, 
porquanto transferiria ao consorte que não deseja a partilha o ônus de comprovar 
que seu parceiro em nada auxiliou na aquisição dos bens. 
O voto do relator venceu por unanimidade dos votos, acompanhado pelos 
Minsitros Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, 
Marco Buzzi e Marco Aurélio Bellizze. No entanto, apesar de ter reconhecido a 
existência de dissídios jurisprudenciais quanto à (in)suficiência da contribuição 
imaterial, o Ministro Lázaro Guimarães não manifestou de maneira clara o seu 
entendimento. 
Recorde-se que, no julgamento do EREsp nº 1.171.820/PR, a Segunda Seção 
do STJ havia decidido pela necessidade de comprovação do esforço conjunto do 
casal na aquisição dos bens, ainda que a contribuição de um dos consortes não 
fosse de natureza monetária. 
 
73 STJ, EREsp 1623858/MG, Rel. Min. Lázaro Guimarães, SEGUNDA SEÇÃO, Data do Julgamento: 
23/05/2018, Data da Publicação: DJe 30/05/2018. 
53 
 
 
O professor José Fernando Simão define o esforço comum, no direito de 
família, como toda contribuição direta ou indireta na construção do patrimônio 
amealhado na constância da união conjugal74. Assim, o cônjuge ou convivente que 
não exerce atividade laboral remunerada, mas se dedica aos cuidados da família e 
do lar, contribui de maneira indireta para a adquiriçao dos aquestos e, portanto, faz 
jus à partilha dos bens. 
Sob outra perspectiva, o auxílio imaterial que autorizaria a comunhão de 
aquestos pode ser conceituado como a “contribuição integral para a formação moral 
e espiritual e para o crescimento econômico-financeiro de seu parceiro e da entidade 
familiar”75 ou o "apoio moral e espiritual dedicado ao longo do matrimônio"76. 
No que que diz respeito aos precedentes do Tribunal Superior, mister 
destacar o voto da Ministra Nancy Andrighi no REsp nº 915.29777, no qual 
esclareceu que a contribuição indireta e relevante do companheiro "consiste no 
apoio, conforto moral e solidariedade para a formação de uma família", realidade 
inerente à formação de uma entidade familiar. 
A simples existência da união estável pressupõe a construção de uma vida 
em comum, com tudo o que isso implica do ponto de vista prático, o que 
inclui naturalmente a mútua assistência psicológica ou afetiva. Assim, se um 
dos conviventes pode se dedicar exclusivamente ao lar, é porque o outro 
pode lhe prover o sustento; se pode exclusivamente trabalhar, é porque o 
outro lhe provém o lar. 
Por sua própria natureza, não é possível comprovar nos autos de um 
processo judicial que determinada pessoa ofereceu apoio moral, psicológico e/ou 
afetivo a seu cônjuge ou companheiro. 
Ocorre que, se a contribuição imaterial do consorte for presumida pela 
simples existência da união conjugal e for considerada como suficiente para garantir 
a comunhão dos aquestos, na prática, haverá presunção do esforço comum. Tal 
 
74 SIMÃO, J. F. Mônica Bergamo e a Prova do Esforço Comum - Parte 3. 
75 MADALENO, R. Direito de Família. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2021, p. 804. 
76 PABLO, S.; FILHO, R.P. NOVO CURSO DE DIREITO CIVIL 6 - DIREITO DE FAMÍLIA. São Paulo: 
Editora Saraiva, 2021, p.119. 
77 STJ, REsp 915297 / MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, TERCEIRA TURMA, Data do Julgamento: 
13/11/2008, Data da Publicação: DJe 03/03/2009. 
54 
 
 
tese é substancialmente contrária ao que foi decido pela Segunda seção, em aresto 
paradigma que restou assim ementado: 
EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. DIREITO DE 
FAMÍLIA. UNIÃO ESTÁVEL. CASAMENTO CONTRAÍDO SOB CAUSA 
SUSPENSIVA. SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE BENS (CC/1916, ART. 
258, II; CC/2002, ART. 1.641, II). PARTILHA. BENS ADQUIRIDOS 
ONEROSAMENTE. NECESSIDADE DE PROVA DO ESFORÇO COMUM. 
PRESSUPOSTO DA PRETENSÃO. MODERNA COMPREENSÃO DA 
SÚMULA 377/STF. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA PROVIDOS.1. Nos 
moldes do art. 1.641, II, do Código Civil de 2002, ao casamento contraído 
sob causa suspensiva, impõe-se o regime da separação obrigatória de 
bens. 2. No regime de separação legal de bens, comunicam-se os 
adquiridos na constância do casamento, desde que comprovado o 
esforço comum para sua aquisição. 3. Releitura da antiga Súmula 
377/STF (No regime de separação legal de bens, comunicam-se os 
adquiridos na constância do casamento), editada com o intuito de interpretar 
o art. 259 do CC/1916, ainda na época em que cabia à Suprema Corte 
decidir em última instância acerca da interpretação da legislação federal, 
mister que hoje cabe ao Superior Tribunal de Justiça. 4. Embargos de 
divergência conhecidos e providos, para dar provimento ao recurso 
especial78 (grifos nossos). 
Por todo o exposto, é razoável concluir que, no julgamento EREsp nº 
1.623.858, o STJ harmonizou a interpretação da súmula 377 do STF, no sentido de 
que, na separação obrigatória de bens, comunicam-se os bens havidos 
onerosamente, na constância da união conjugal, desde que comprovada a 
cooperação mútua do casal na aquisição do patrimônio. Quanto à possibilidade de o 
apoio imaterial ser suficiente para a comunicação dos aquestos, esta possivelmente 
será objeto de novos recursos ao Tribunal Superior. 
 
 
78 STJ - EREsp 1623858 MG 2016/0231884-4, Rel. Min. Lázaro Guimarães, SEGUNDA SEÇÃO, Data 
do Julgamento: 23/05/2018, Data da Publicação: DJe 30/05/2018 
55 
 
 
7 CONCLUSÃO 
O desenvolvimento do presente estudo possibilitou uma análise dos 
precedentes que deram origem à súmula 377 do STF e como a sua aplicação pelos 
Tribunais Superiores se alterou ao longo do tempo, a partir das mudanças 
legislativas. 
Da leitura atenta dos julgados que embasaram o enunciado da súmula 377 do 
STF, depreende-se que a Corte Superior pretendia a partilha dos bens adquiridos 
mediante trabalho e economia de ambos os cônjuges ou companheiros. Apenas o 
Ministro Abner Vasconcelos79 apontou a contribuição imaterial de um dos consortes 
como suficiente para implicar a partilha dos bens, ao passo que a presunção de 
esforço comum só foi defendida pelos MinistrosCastro Nunes e Goulart de Oliveira 
Conda80. 
Diante das divergências quanto à necessidade de comprovação do esforço 
comum do casal na aquisição dos bens para que sejam partilhados, cumpriu 
inicialmente ao STF harmonizar a interpretação dada ao enunciado da súmula 377 
do STF, competência que foi posteriormente transferida ao STJ, pela Constituição 
Federal de 1988. 
A despeito da existência de precedentes dissoantes dentro da própria Corte 
Suprema, o Tribunal não reconheceu os Recursos Extraordinários nº 64.236, 89.480 
e 91.059, sob o fundamento de que não havia divergência jurisprudencial que os 
tornasse cabíveis. Isso, porque a jurisprudência majoritária do STF já teria acolhido 
a tese de que, no regime de separação obrigatória de bens, comunicam-se queles 
adquiridos ao longo do relacionamento, quando comprovado serem frutos do 
trabalho e economia de ambos os consortes. 
Já na vigência da Cosntituição Federal de 1988, observou-se uma tendência 
da Terceira Turma do STJ em decidir pela comunhão dos aquestos 
independentemente de comprovação de cooperação mútua, em contraposição à 
 
79 STF, RE 8984/DF, Rel. Min. Annibal Freire, Data de Julgamento: 06/08/1945. 
80 STF, RE 9128/MG, Rel. Min. Edgar Costa, Data de Julgamento: 17/12/1948. 
56 
 
 
Quarta Turma, em cujos acórdãos preponderava a exigência de comprovação do 
trabalho conjunto do casal na contrução do patrimônio, para que os bens fossem 
passíveis de partilha. 
De modo geral, as decisões que afirmaram a necessidade de comprovação 
do esforço comum para a partilha dos aquestos interpretaram a comunhão prevista 
na súmula 377 do STF como mero reconhecimento da existência de uma sociedade 
de fato entre os consortes. Por outro lado, os precedentes que sustentaram a 
presunção de esforço comum aplicaram as regras da comunhão parcial ao regime 
de separação obrigatória de bens. 
Com base nas decisões proferidas pela Segunda Seção do STJ nos 
Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 1.171.820 e 1.623.858, conclui-se 
que a jurisprudência desse Tribunal está consolidada no sentido de que é 
a conjunção de esforços dos cônjuges ou companheiros que justifica a meação dos 
bens havidos na constância de uma sociedade conjugal regida pela separação 
obrigatória de bens. Entretanto, nos autos do EREsp nº 1.623.858, o Tribunal 
Superior não se pronunciou acerca das contribuições não monetárias, de modo que 
a sua (in)suficiência para justificar a partilha dos bens poderá eventualmente ser 
tema de novos recursos. 
Enfim, a jurisprudência majoritária do STJ leciona que, no regime de 
separação obrigatória de bens, comunicam-se os bens havidos na constância da 
sociedade conjugal, quando comprovado o esforço conjunto do casal na aquisição 
desses bens. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
57 
 
 
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