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Unidade 3 Gerenciando as Pessoas Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 1eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 1 18/05/2021 08:59:1418/05/2021 08:59:14 eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 2eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 2 18/05/2021 08:59:1418/05/2021 08:59:14 Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria IARA CHAVES eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 3eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 3 18/05/2021 08:59:1418/05/2021 08:59:14 AUTORIA Iara Chaves Olá. Meu nome é Iara Chaves. Sou formada em Administração de Empresas, com especialização em Gestão de Pessoas, mestre em Economia e doutora em Qualidade Ambiental, com uma experiência em docência em educação nível técnico em mais de 5 anos. Na área corporativa, tenho experiência em Gestão de Recursos Humanos e Negócios há mais de 18 anos. Passei por grandes empresas Nacionais na área de varejo de eletroeletrônicos e prestação de serviços, multinacionais no ramo de alimentos e bebidas, copiadoras e currier. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 4eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 4 18/05/2021 08:59:1518/05/2021 08:59:15 ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: INTRODUÇÃO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 5eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 5 18/05/2021 08:59:1518/05/2021 08:59:15 SUMÁRIO Estruturando a sociedade ....................................................................... 12 Identificando perfis para parceria ou sociedade ...................................................... 12 Comportamento inovador .................................................................................... 13 Independência ............................................................................................................... 15 Mentalidade empresarial ........................................................................................ 16 Aumento da renda pessoal ................................................................................... 18 Explorar oportunidades e ideias de mercado ........................................ 19 Advogados parceiros de negócio e agregador de valor ................ 21 Atraindo talentos .........................................................................................24 O desafio de atrair talentos ......................................................................................................24 Objetivos do recrutamento ...................................................................................24 Recrutamento versus aquisição de talentos ...........................................26 Conceito e importância da adequação ........................................................27 A importância da adequação dos novos colaboradores ................28 Construindo uma marca empregadora estratégica e digital ....... 31 Liderando pessoas inovadoras..............................................................34 O que é comportamento de inovação ............................................................................34 O que é comportamento criativo .....................................................................35 Definindo liderança .....................................................................................................37 Liderança versus gestão .........................................................................................37 O impacto da liderança na inovação ............................................................ 38 Desafio da liderança com a inovação .......................................................... 39 eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 6eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 6 18/05/2021 08:59:1618/05/2021 08:59:16 Gestão por competência ..........................................................................44 Conceito de competências e competências no trabalho .................................44 Modelo de competência ....................................................................................... 46 Perfil de competências .............................................................................................................. 48 Gestão baseada em competências .................................................................................. 49 Equipes de alto desempenho ............................................................................................... 50 Competências de gestão e desempenho de gestão ...........................................52 eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 7eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 7 18/05/2021 08:59:1618/05/2021 08:59:16 eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 8eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 8 18/05/2021 08:59:1618/05/2021 08:59:16 9 UNIDADE 03 Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 9eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 9 18/05/2021 08:59:1618/05/2021 08:59:16 10 INTRODUÇÃO Você sabia que a equipe é um dos grandes problemas da sobrevivência das startups? Isso mesmo. Na última década, testemunhamos uma onda de interesse em como gerenciar empresas iniciantes e startups. Métodos populares tiveram um impacto fundamental em novos empreendimentos em todo o mundo, descrevendo como desenvolver produtos viáveis, como encontrar a adequação do produto ao mercado e como dinamizar um negócio. Curiosamente, no entanto, o principal motivo pelo qual muitas startups falham não é por problemas em seus negócios, é mais por causa de problemas em sua equipe. Entre os investidores de risco, esse problema é bem conhecido e está presente em diferentes pesquisas, que atribuem as falhas e os problemas dentro da equipe de inicialização. Em pesquisa acadêmica, os estudiosos começaram recentemente a prestar mais atenção à equipe de inicialização. Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 10eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 10 18/05/2021 08:59:1718/05/202108:59:17 11 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Identificar perfis de sócios para agregação de valor ao negócio, considerando os aspectos legais e estratégicos na estruturação societária da startup. 2. Criar políticas de gestão de pessoas de modo a atrair talentos que venham a agregar valor à startup, selecionando esses talentos por meio de ferramentas de análise comportamental. 3. Adotar políticas gerenciais e atitudinais que propiciem a liderança de pessoas talentosas e inovadoras. 4. Aplicar as técnicas de gestão por competência para desenvolver equipes de alta performance. Vamos juntos desbravar esse conhecimento! Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 11eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 11 18/05/2021 08:59:1718/05/2021 08:59:17 12 Estruturando a sociedade INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender como funciona as parcerias e qual o perfil desses parceiros para as startups, uma vez que um perfil empreendedor, combinando inovação de produto e processo, levará a uma vantagem competitiva sustentável. As pessoas que tentaram empreender sem a devida instrução tiveram problemas na sua caminhada. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Identificando perfis para parceria ou sociedade Sociedade empresarial, segundo o artigo 982 do Código Civil Brasileiro, é definida como: “aquela que tem como objetivo social a atividade econômica organizada para produção ou circulação de bens ou serviços” (BRASIL, 2002). Sócio é pessoa que participa de um empreendimento com outra ou outras pessoas, especialmente em um negócio ou empresa com riscos e lucros compartilhados (INFOPEDIA, 2021). Em teoria, uma parceria saudável tem os seguintes atributos: • Estamos todos juntos nisso. • Se uma pessoa vencer, todos nós vencemos. • Só contratamos pessoas que podemos respeitar como pares (ROSENBUSCH et al., 2011). Todos que se juntam à equipe compartilham o compromisso que todos sentem. Assim, confiamos nas decisões de nossos parceiros implicitamente e para que isso ocorra é necessário, principalmente para as startups, algumas competências diferenciadas. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 12eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 12 18/05/2021 08:59:1818/05/2021 08:59:18 13 Sem serem inovadores, fundadores de novos empreendimentos e gerentes de organizações, as startups não podem se diferenciar dos concorrentes e arriscam a serem superadas, sugerindo uma correlação positiva entre inovação e desempenho empresarial (ROSENBUSCH et al., 2011). Além disso, uma grande parte das inovações é desenvolvida por pequenas empresas empreendedoras, o que destaca seu papel significativo para o crescimento econômico (ACS; AUDRETSCH, 1990). Ao começar a construir um relacionamento, esteja constantemente alerta para sinais que indiquem como será trabalhar em equipe. Considere os valores centrais de sua empresa inicial e se esse relacionamento permitirá ou não que você permaneça fiel a eles. Comportamento inovador Ser inovador pode assumir diferentes formas, no nível organizacional, ser inovador é geralmente definido como o “desenvolvimento (geração) e/ou uso (adoção) de novas ideias ou comportamentos” (DAMANPOUR; SCHNEIDER, 2008, p. 496), em que “ideias ou comportamentos” podem se referir a produtos, serviços, procedimentos de produção, tecnologias, sistemas ou estruturas organizacionais (DAMANPOUR, 2010). Argumenta-se que apenas o engajamento em uma gama diversificada de inovações diferentes simultaneamente, por exemplo, combinando inovação de produto e processo, levará a uma vantagem competitiva sustentável (DAMANPOUR, 2010). Portanto, as empresas devem se concentrar não apenas na criação e comercialização de novos produtos e serviços, mas também em inovar ao mesmo tempo a produção das organizações ou sistemas operacionais e procedimentos administrativos (CAMISON-ZORNOZA et al., 2004). Em outras palavras, a competitividade de longo prazo depende do desenvolvimento de inovações simultâneas nos empreendimentos em diversos domínios (produto, processo, produção, administração etc.). A motivação para iniciar um negócio próprio pode afetar o comportamento de inovação diversificada subsequente, ou seja, engajamento simultâneo em inovações de diversos domínios. Assim, o Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 13eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 13 18/05/2021 08:59:1818/05/2021 08:59:18 14 comportamento individual é impulsionado pela motivação, que é definida como o propósito ou razão psicológica de uma determinada ação (SCHACTER et al., 2011). Figura 1 – Motivação Fonte: Pixabay Empreendedorismo, de acordo com Solesvik (2013, p. 257) é o “desejo ou tendência de organizar, manipular e dominar organizações, seres humanos ou ideias da forma mais rápida e independente possível”. A literatura existente apresenta várias classificações ligeiramente diferentes de motivações empreendedoras. Em sua análise das razões para iniciar os negócios e sua relação com o crescimento e tamanho da empresa, Birley e Westhead (1990) incluem os componentes necessidade de aprovação, necessidade de independência, necessidade de desenvolvimento pessoal, considerações de bem-estar, instrumentalidade percebida de riqueza, redução de impostos e benefícios indiretos e seguir modelos de comportamento. Carter et al. (2003) identificaram seis categorias de motivos de carreira de empreendedores, incluindo inovação, independência, reconhecimento, papéis, sucesso financeiro e autorrealização. De acordo com Watson et al. (1998), as motivações empreendedoras podem ser classificadas em quatro grupos, a saber: direcionadores relacionados ao empreendedorismo, direcionadores pessoais, direcionadores de mercado e direcionadores financeiros. Embora a pesquisa sobre empreendedorismo tenha se concentrado nas motivações empreendedoras, seu papel além do impacto na formação de empresas foi amplamente ignorado nas últimas duas décadas e o entendimento atual ainda está subdesenvolvido (CARSRUD; BRÄNNBACK, 2011). O que sabemos é que a decisão de iniciar um novo Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 14eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 14 18/05/2021 08:59:1818/05/2021 08:59:18 15 empreendimento é altamente influenciada por uma série de motivações empresariais diferentes (SHANE et al., 1991, 2003), como o desejo de independência, ganhos econômicos ou aproveitamento de oportunidades. Além disso, sabemos que esses diversos motivos empreendedores têm efeitos diferentes sobre várias formas de aspirações empreendedoras, como inovação, crescimento do emprego ou orientação para exportação em nível de país (HESSELS et al., 2008). Marcati et al. (2008) mostraram que a probabilidade de adoção de inovações depende da capacidade de inovação e dos perfis de personalidade dos empreendedores, que se supõe que influenciam o reconhecimento de oportunidades (DYER et al., 2008), bem como a decisão de se tornar um empreendedor em primeiro lugar. No entanto, a compreensão atual das motivações empreendedoras ainda é caracterizada por uma série de questões em aberto e pesquisas são necessárias para revelar se e como as motivações dos empreendedores impactam seu comportamento subsequente, no nosso caso, o comportamento de inovação (CARSRUD; BRÄNNBACK, 2011). Vejamos então alguns desses comportamentos a seguir. Independência Hisrich (1985) apontou que uma das principais razões para abrir um negócio próprio é o desejo de independênciae autonomia. Pesquisas mais recentes apoiam essa visão, mostrando que objetivos não monetários, como independência, autonomia e a possibilidade relacionada de perseguir as próprias ideias estão positivamente relacionados com a probabilidade de atividades empreendedoras (GELDEREN; JANSEN, 2006). Os autores argumentam que ser empreendedor é mais um mecanismo que lhes confere poder de decisão em seu próprio empreendimento (GELDEREN; JANSEN, 2006). Pesquisas anteriores, no entanto, mostraram a relação oposta entre autonomia e inovação. Enquanto Corman et al. (1988) constataram que a motivação para ser independente leva à criação de empreendimentos inovadores, Amit et al. (2001) revelaram que os empreendedores inovadores de alta tecnologia e alto crescimento são levados ao empreendedorismo com base em uma variedade de objetivos Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 15eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 15 18/05/2021 08:59:1818/05/2021 08:59:18 16 não monetários, incluindo o objetivo de maior autonomia. Além disso, sendo classificada como uma motivação intrínseca, a autonomia deve estar positivamente relacionada à criatividade (AMABILE, 1996), que é essencial para ser inovadora (SAROOGHI et al., 2015). Mentalidade empresarial Ter uma mentalidade empreendedora pode ser outra razão para entrar voluntariamente no empreendedorismo. Indivíduos que se descrevem como orientados para o empreendedorismo tendem a assumir riscos, ser proativos e inovadores, as três dimensões da orientação empreendedora no nível individual descritas por Bolton e Lane (2012). A atitude positiva do empreendedor em relação à propensão a correr riscos, sua “disposição de assumir ou evitar riscos em cenários de tomada de decisão incertos” (STEWART JR. et al., 2003, p. 29), há muito tempo é retratada como uma das características empresariais principais (SCHUMPETER, 1934; MILL, 1848). Nesse sentido, acredita-se amplamente que os indivíduos com motivação para se tornarem empreendedores possuem um alto grau de disposição para assumir riscos (SEGAL et al., 2005). No nível organizacional, os pesquisadores estabeleceram uma ligação entre a atitude geral positiva dos empreendimentos em relação à tomada de decisão de risco e à inovação (CALANTONE et al., 2003). No nível individual, o fato de que empreendimentos recém-descobertos evoluem em torno do empreendedor (COOPER et al., 1994) implicam que sua mentalidade e atitude moldam fortemente a cultura e a atmosfera de trabalho do novo empreendimento (ABELL, 1980). Um fundador disposto a correr riscos provavelmente criará uma atmosfera em sua startup que favoreça o comportamento de risco. Isso é crucial para ser inovador devido à natureza arriscada, incerta e altamente imprevisível das inovações. Além disso, para a personalidade proativa do empreendedor, definida como “uma disposição estável para tomar iniciativa pessoal em uma ampla gama de atividades e situações” (SEIBERT et al., 2001, p. 847), os estudiosos revelaram um efeito positivo no engajamento em inovações (DAMANPOUR e SCHNEIDER, 2008; SEIBERT et al., 2001). Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 16eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 16 18/05/2021 08:59:1818/05/2021 08:59:18 17 Conforme Carland et al. (1984), os empreendedores também são caracterizados como particularmente inovadores, pois visam o lucro e o crescimento do negócio e para os quais a inovação é um ingrediente crucial. Nesse sentido, os indivíduos que iniciam um negócio próprio com base em uma mentalidade empreendedora, tendem a ser proativos em tomar caminhos novos e inovadores e provavelmente possuem uma tolerância maior para empreendimentos incertos e arriscados. Figura 2 – Inovação Fonte: Pixabay De acordo com Bosma et al. (2012), os modelos de comportamento podem ter quatro funções inter-relacionadas: 1. Os modelos de comportamento podem inspirar e motivar um indivíduo. 2. Os modelos de comportamento podem aumentar a autoeficácia do indivíduo. 3. Os modelos de comportamento podem funcionar como exemplos de aprendizagem. 4. Os modelos de comportamento podem fornecer suporte e aconselhamento. A esse respeito, pesquisas estabeleceram o efeito significativo do capital social e dos modelos de comportamento nas decisões de carreira (HUGHES et al., 2014). No contexto do empreendedorismo, indivíduos Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 17eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 17 18/05/2021 08:59:1818/05/2021 08:59:18 18 que vivenciam de perto ações empreendedoras de outros (por exemplo, pais, parentes, amigos etc.) são considerados propensos a desenvolver motivações de inicialização (HOFFMANN et al., 2015). Além disso, um ambiente em que as startups são amplamente visíveis na mídia pública parece ter um impacto positivo na decisão dos indivíduos de se tornarem autônomos (LIÑÁN et al., 2011; FERNÁNDEZ et al., 2009). Uma ligação semelhante pode ser levantada quando se trata de comportamento inovador diversificado. Modelos empreendedores podem funcionar não apenas como uma fonte de capital humano e social necessário para se tornar um empreendedor, mas também como fonte de conhecimento e apoio para se tornar inovador em mais de um domínio. Modelos de comportamento e empreendedores bem-sucedidos são provavelmente inovadores, já que a inovação é um fator essencial para uma vantagem competitiva (RENKO et al., 2009). Aumento da renda pessoal Campbell (1992) e mais recentemente Praag e Cramer (2001) mostraram que os futuros empreendedores tendem a pensar nas recompensas líquidas esperadas do empreendedorismo em comparação àquelas alcançadas por meio do trabalho assalariado, estes decidem por uma carreira empreendedora se as recompensas esperadas do empreendedorismo superarem os salários. Embora seja um pouco contra intuitivo, já que a variância dos ganhos dos empreendedores é relatada como sendo três vezes maior do que a dos funcionários (REES; SHAH, 1986), o desejo de melhorar a posição financeira pode ser uma força motivadora para a decisão para criar um empreendimento próprio. Apesar do conhecimento existente sobre a relação entre o motivo econômico e a atividade empreendedora, os insights sobre as relações entre esse motivo e o comportamento de inovação subsequente em startups ainda são escassos. O que sabemos até agora é que os empresários que criam um empreendimento próprio visando uma renda superior à obtida no trabalho assalariado tendem a se comportar de forma diferente dentro de suas organizações recém-criadas em comparação com fundadores movidos por outros motivos (HESSELS et al., 2008). Em Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 18eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 18 18/05/2021 08:59:1818/05/2021 08:59:18 19 verdade, Hessels et al. (2008b) constatam que as pessoas que iniciam um negócio próprio para aumentar sua renda possuem uma atitude positiva e ambiciosa em relação ao crescimento e à inovação. O crescimento e a inovação são vistos como meios para alcançar uma posição de renda mais alta. Empiricamente, uma relação positiva entre a motivação financeira para criar um próprio empreendimento e as aspirações de crescimento foi demonstrada (HESSELS et al., 2008b; MORRIS et al., 2006). Carland et al. (1984) sugeriu que os indivíduos que se concentram principalmente na busca de objetivos pessoais, como uma posição de aumento de renda, devem ser menos inovadores do que os empreendedores, pois ser inovador não é a principal força motriz por trás da escolha do indivíduo pelo empreendedorismo. Explorar oportunidades e ideias de mercado Para alguns indivíduos, a motivação para agir sobreuma oportunidade identificada, um potencial de obtenção de lucro (SHANE et al., 2003) ou apresentar uma nova ideia é o cerne da formação do próprio empreendimento (WONG et al., 2005; REYNOLDS et al., 2002). Números recentes da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), por exemplo, mostram que cerca de metade dos indivíduos que abrem um negócio o fazem para buscar uma oportunidade de negócio já identificada (OCDE, 2014). Com base na experiência anterior, novos empreendedores costumam descobrir oportunidades e/ou desenvolver ideias de negócios avançadas ou mesmo completamente novas enquanto realizam trabalho assalariado (MINNITI; BYGRAVE, 2001). No entanto, nem todo empregador é capaz ou deseja explorar todas as oportunidades de negócios em potencial e ideias identificadas e desenvolvidas por seus funcionários (HYYTINEN; MALIRANTA, 2008). Portanto, alguns indivíduos preferem explorar a ideia por si próprios, sem depender do empregador. Nesse sentido, eles estão determinados a iniciar um negócio próprio a fim de introduzir um produto ou serviço novo Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 19eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 19 18/05/2021 08:59:1818/05/2021 08:59:18 20 ou avançado, para atender um novo segmento de mercado (LUMPKIN; DESS, 1996) ou para aproveitar uma oportunidade reconhecida (WONG et al., 2005). Nesse caso, os indivíduos costumam desenvolver ideias novas ou avançadas em um campo em que já trabalharam. Portanto, eles estão familiarizados com a área de atuação e acumularam o capital humano necessário (VERHEUL et al., 2010). Consequentemente, eles estão mais bem preparados para o empreendedorismo (BLOCK; SANDNER, 2009) e são suscetíveis de gerar inovações, conforme afirmam Powell e Sandholtz (2012) ao mesmo tempo que assumem mais riscos. Nessa linha, Reynolds et al. (2002) descobriram que esses fundadores procuram crescer mais rápido do que, por exemplo, empreendedores que criam seus empreendimentos por necessidade. Da mesma forma, Vivarelli (2004, p. 43) argumenta que: [...] se a motivação subjacente para iniciar uma nova empresa está explicitamente ligada a projetos inovadores, então um melhor desempenho pós-entrada pode ser esperado do que se um novo empreendimento fosse iniciado com base em uma motivação puramente “defensiva”, como o medo de ficar desempregado. Além disso, pode-se esperar que um indivíduo que identificou uma oportunidade ou desenvolveu uma nova ideia uma vez, esteja desenvolvendo ideias novas ou avançadas no futuro, devido à sua mentalidade inovadora que concretizou a ideia inicial em primeiro lugar. Na verdade, foi demonstrado que os empreendedores inovadores se diferem dos menos inovadores em termos de, por exemplo, habilidades de questionamento, observação e experimentação, o que implica que os fundadores inovadores são mais propensos a continuar desafiando o que já existe, devotando tempo para observar o ambiente circundante de perto e experimentar e explorar o mundo constantemente (DYER et al., 2008). Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 20eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 20 18/05/2021 08:59:1818/05/2021 08:59:18 21 Advogados parceiros de negócio e agregador de valor Em teoria, uma empresa poderia redigir e negociar todos os seus contratos sem a ajuda de um advogado. Na prática, é comum para empresas que contratem advogados corporativos para auxiliar com ambos os contratos de elaboração e negociação. Uma questão que há muito tempo preocupa acadêmicos, portanto, é o valor que os advogados corporativos agregam à transação (FONTENAY, 2015). Os juristas, buscando respostas, desenvolveram três paradigmas: • O primeiro paradigma sugere que os advogados corporativos servem como “engenheiros de custos de transação”. Nessa conta, advogados corporativos minimizam os custos de transação elaborando contratos que atribuem riscos para a parte que está melhor posicionada para suportá-los. Um exemplo comumente citado de tal engenharia são as representações e garantias, seção que é normalmente encontrada em acordos de fusão (GILSON, 1984). • O segundo paradigma afirma que os advogados corporativos agregam valor às transações por servir como “intermediários de transparência”. Por conta disso, o escritório de advocacia efetivamente “aluga” seu bom nome para clientes sobre os quais há pouca informação disponível. Depois disso, as contrapartes potenciais se tornam mais dispostas a negociar ou oferecer- lhe melhores condições porque essas contrapartes confiam no escritório de advocacia que o representa (FONTENAY, 2015, p. 21). • O terceiro paradigma postula que advogados corporativos agregam valor a transações agindo como “especialistas em conformidade regulatória”. Sobre esta conta, advogados transacionais agregam valor ao “fornecer experiência nas leis e regulamentos que geralmente regem a transação e por compreensão da justificativa para as disposições contratuais nos documentos de transação“ (FONTENAY, 2015, p. 21). Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 21eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 21 18/05/2021 08:59:1818/05/2021 08:59:18 22 Em contraste com os dois primeiros paradigmas, que sugerem que os advogados agreguem valor realizando serviços que poderiam, em teoria, ser realizados por qualquer ator sofisticado no mercado, esse paradigma sugere que o valor agregado por advogados é atribuível, principalmente às suas habilidades como advogados (SCHWARCZ, 2007). Deve-se enfatizar que esses três paradigmas não são mutuamente exclusivos. Um advogado corporativo pode agregar valor trabalhando como um engenheiro de custos de transação e servindo como intermediário de transparência, atuando como um especialista em conformidade regulatória (SCHWARCZ, 2007). Advogados iniciantes, como engenheiros de custos de transação, em seu sentido mais estreito e formal, o paradigma do engenheiro de custos de transação, enfatiza o papel das inovações contratuais criadas por advogados que ajudam seus clientes a fechar negócios que aumentam o valor que não teriam ocorrido se não fosse o envolvimento do advogado (FONTENAY, 2015). O paradigma é, no entanto, amplo o suficiente para abranger outras atividades de advocacia que reduzem custos no contexto de transações de capital de risco. Em particular, os advogados de startups contemporâneos atuam como engenheiros de custos de transação desenvolvendo conjuntos de documentos modelos que cobrem a formação e o financiamento básico, promulgando formulários padrão para transações de financiamento e explicando a mecânica e dinâmica das transações de financiamento para seus clientes. Em relação ao “documento modelo”, cabe ressaltar que cada vez mais os escritórios de advocacia que regularmente representam startups oferecem um conjunto “padrão” de documentos que permitem que seus clientes incorporem, garantam financiamento de amigos e familiares e contratem funcionários e os incentivem com opções de ações. A disponibilidade desses documentos reduz os custos legais frequentemente associados ao lançamento de uma startup. Nesse sentido, esse desenvolvimento representa um exemplo clássico de engenharia de custos de transação. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 22eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 22 18/05/2021 08:59:1818/05/2021 08:59:18 23 Alguns escritórios de advocacia oferecem sem custos esses contratos modelos na esperança de que as startups que usem os formulários modelos da empresa no lançamento de seus empreendimentos e algum dia contratem a empresa para assessorá-los mais tarde, trabalho transacional mais substancial(e, portanto, mais lucrativo). RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a busca por parceiros de negócio está no perfil do indivíduo, mas também conectado em inovação de produtos e processos que alguns desses perfis são determinantes na busca de inovação, como explorar oportunidades e ideias de mercado. Com relação ao parceiros de negócio legais, como os advogados, eles atuam muito mais como consultores em relação a contratos e a orientação de negociação oportunizando um caráter seguro e transparente para ambas as partes. Ainda, como o objetivo é a parceria com as startups, normalmente jovens advogados oportunizam contratos padrão sem custo pensando no futuro não tão longo quando poderão oferecer serviços mais robustos com valores substanciais. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 23eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 23 18/05/2021 08:59:1818/05/2021 08:59:18 24 Atraindo talentos INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender como funciona a atração de capital humano para as empresas iniciantes, como as startups. Esse conhecimento irá proporcionar um norte de como fazer essa captação e ganhar tempo não necessitando de reposição em um curto período de tempo se você também investir na retenção desses talentos para cargos futuros. Sem dúvida nenhuma, quanto mais preparado você estiver, menores serão seus problemas na hora de atrair talentos. O desafio de atrair talentos Atrair e reter funcionários altamente talentosos e consolidar a vantagem competitiva é uma questão importante para as empresas em todas as escalas ao redor do mundo. Compreender o que atrai pessoas talentosas para uma empresa pode fornecer informações importantes para gestores de recursos humanos. As decisões de contratação têm um grande impacto em outras práticas de recursos humanos como: treinamento e desenvolvimento, motivação, retenção, avaliação de desempenho e compensação etc. Portanto, é importante considerar a aquisição de talentos estrategicamente e olhar para outras competências dos candidatos e características além da correspondência específica do trabalho. Dessa forma, se estivermos nos referindo à atração para área de tecnologia, a aquisição de talentos para as startups vai além da combinação tradicional de habilidades técnicas e qualificações educacionais apenas. Objetivos do recrutamento A primeira etapa do seu processo de recrutamento deve ser estabelecer objetivos. Vários objetivos possíveis devem ser considerados no planejamento de uma campanha de recrutamento. Por exemplo, Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 24eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 24 18/05/2021 08:59:1818/05/2021 08:59:18 25 se a sua organização deseja preencher três vagas de emprego para atendimento ao cliente representado, você pode decidir que o objetivo é um período de 45 dias para preencher essas posições. Uma de suas decisões mais importantes serão estabelecer quais tipos de candidatos você está procurando, especificamente, que tipo de experiência de trabalho e habilidades que você está procurando, por exemplo. A maioria dos empregadores se concentra em resultados pré- contratação, como se vagas abertas fossem preenchidas em tempo e maneira oportuna, mas cada vez mais muitos dão atenção aos resultados pós-contratação, como o desempenho inicial do trabalho dos novos contratados e sua taxa de retenção (BREAUGH, 2013). Figura 3 – Estabelecer objetivos Fonte: Pixabay Ao estabelecer os objetivos de recrutamento, os profissionais de RH devem certificar-se de buscar a opinião de outras pessoas que possam ter uma visão valiosa que possa contribuir. Por exemplo, um gerente de RH responsável pela seleção de funcionários pode ter informações para compartilhar sobre as habilidades que devem ser direcionadas. Você também deve buscar informações de gerentes funcionais que trabalhará com esses funcionários recém-contratados. Esses gerentes terão informações específicas sobre cada trabalho que deverão ser comunicadas aos candidatos (BREAUGH, 2013). Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 25eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 25 18/05/2021 08:59:1818/05/2021 08:59:18 26 Dessa forma, ao obter informações externas ao departamento de RH, você terá informações adicionais para aprimorar o processo de recrutamento e também desenvolverá aliados que apoiarão as ações realizadas durante o processo. Assim, a marca de emprego de uma organização pode ajudar a recrutar funcionários, por isso deverá ser utilizada (BREAUGH, 2013). Recrutamento versus aquisição de talentos Embora recrutamento e aquisição de talento pareçam sinônimos para muitas pessoas, há uma enorme diferença entre ambos. O recrutamento, na verdade, é uma subcategoria da aquisição de talentos, em que o recrutamento é, principalmente, o convite a candidatos para a vaga existente na organização e o processo de contratação. A aquisição de talentos não se trata apenas de preencher as vagas existentes, mas também utilizar as competências que são expostas durante o processo de recrutamento para o preenchimento dos cargos relevantes que surgirem no futuro. A aquisição de talentos deve ter uma abordagem proativa. É “uma abordagem estratégica para identificar, atrair e integrar os principais talentos para atender de forma eficiente e eficaz às necessidades de negócios dinâmicos” (ERICKSON, 2012, p. 87). Solesvik (2013) enfatiza que o recrutamento afeta a motivação, o desempenho e a retenção dos funcionários. Os autores diferenciam o recrutamento estratégico do recrutamento tradicional, adicionando perspectivas estratégicas e contextuais às práticas e atividades de recrutamento tradicionais; e referem-se ao recrutamento estratégico como as práticas interconectadas em vários estágios e pontos de análise que estão em sincronia com os objetivos de negócios e estratégias da organização. Os autores também acreditam que o recrutamento estratégico é um campo importante e crucial de pesquisa, mas ainda é pouco explorado. Mesmo que o recrutamento também exija um bom esforço, a aquisição de talentos envolve esforços eficientes, produtivos e eficazes, fáceis de Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 26eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 26 18/05/2021 08:59:1818/05/2021 08:59:18 27 usar e centrados no candidato. Durante o recrutamento, as organizações às vezes estão muito focadas nas competências técnicas dos candidatos potenciais que tendem a ignorar a adequação da organização, cultura, hierarquia, estrutura, desenvolvimento, oportunidades etc., bem como as perspectivas dos candidatos, o que é muito importante na retenção dos funcionários, minimizando desperdícios no processo de contratação. A aquisição de talentos é um processo contínuo que envolve o recrutamento e a contratação de um lado e inclui elementos estratégicos como a marca do empregador; networking e construção de relacionamento com o potencial número de talento para as necessidades atuais e futuras da força de trabalho humana das organizações; fatores econômicos envolvidos e ROI (return on investment ou taxa de retorno); previsão, tendo em mente os objetivos do negócio e as práticas de gestão etc. (ERICKSON, 2012). As organizações encontram muitos problemas em localizar/ encontrar o talento certo, mantendo uma abordagem mais aberta e procurando maneiras de contratar o talento certo, não apenas em termos de contratar o talento certo, mas também em se posicionar de uma maneiraque os candidatos também funcionem como uma forte ferramenta para atrair mais talentos, mostrando-se frutífera para as organizações. Conceito e importância da adequação Birley e Westhead (1990, p. 103) definiram adequação como “quão afinados e afins os funcionários se sentem com a empresa, organização ou comunidade local à qual pertencem”. A adequação pessoa-organização envolve olhar além das habilidades e competências técnicas essenciais. Analisa as competências que complementam os valores e objetivos das organizações, permitindo planejar decisões estratégicas, como liderança, planejamento de sucessão, mudança de funções, rotação de cargos etc., conforme e quando surge a necessidade, dando a devida importância à cultura de trabalho que está sendo fornecida aos titulares. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 27eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 27 18/05/2021 08:59:1818/05/2021 08:59:18 28 A estratégia de contratação nesse sentido se baseia no futuro, e não apenas no preenchimento das vagas atuais e na necessidade de mão de obra. Ao trabalhar e analisar a adequação da pessoa à organização, as organizações podem tentar criar um ambiente de trabalho e local de trabalho com o qual os funcionários possam se relacionar e possam ser engajados e retidos para atingir os objetivos dos negócios organizacionais. Coldwell et al. (2008) sugerem que as decisões de estabilidade dos empregados são influenciadas por sua adequação aos empregadores. Os autores, por meio de seu estudo, demonstraram o poder do ajuste pessoa-organização e afirmaram que isso aumenta a atração entre as partes interessadas envolvidas e, portanto, promove a retenção. A importância da adequação dos novos colaboradores Com a tecnologia mudando rapidamente, a adequação pessoa- organização desempenha um papel importante na contratação de candidatos com a capacidade de aprender, alternar tarefas e assumir funções diferentes na organização. A adequação pessoa-organização não tem apenas a perspectiva do empregador sobre quem está contratando, mas também a perspectiva do funcionário sobre quem está sendo contratado e para quê. Portanto, não são apenas os indicadores de cargo que devem ser trabalhados durante o planejamento do recrutamento e do processo de seleção, mas também há muitos outros atributos igualmente importantes. Mitchell et al. (2001) sugerem que quanto mais o funcionário se sente adequado à organização, ao trabalho e à cultura empresarial, menor é a rotatividade. Srivastava e Bhatnagar (2008) enfatizam que para reter talentos, as organizações precisam dar a devida diligência durante a aquisição de talentos na avaliação da adequação pessoa-organização e no fornecimento de um ambiente de trabalho para auxiliá-lo. A estratégia e as práticas adaptadas com sucesso por uma organização são geralmente seguidas também por outras, elas devem recrutar com base em seus próprios objetivos de negócios: específicos, cultura, hierarquia, indústria etc. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 28eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 28 18/05/2021 08:59:1918/05/2021 08:59:19 29 Birley e Westhead (1990) observaram que pesquisas já feitas em várias indústrias mostram resultados inconsistentes sobre a rotatividade e retenção de funcionários devido às diferentes características das indústrias e dos recursos humanos empregados lá. Assim como nem toda pessoa não se encaixa em todos os lugares, da mesma forma toda estratégia não se encaixa sempre em todo tipo de organização estabelecida. Pessoas talentosas e devidamente qualificadas são desejadas pelas organizações, mas é igualmente importante ser capaz de retê-las. Birley e Westhead (1990) acreditam que existe um enorme potencial de recursos talentosos e que atingir e reter tal talento é um desafio para as organizações. Por isso, é importante que as organizações façam análises aprofundadas de seus negócios e as alinhem com as práticas de aquisição de talentos. Quando as organizações têm a infraestrutura e as políticas bem clara se tornam comparativamente mais fáceis para adquirirem o talento que necessitam. Torna-se uma tarefa para as novas startups encontrar o talento certo que entenda e compartilhe a visão do empreendedor e de quem a experiência e potencial podem ser usados para o crescimento da startup. É igualmente importante para o novo colaborador se encaixar na cultura e na estrutura da organização para que os funcionários sejam retidos por mais tempo, especialmente para as startups, já que a movimentação frequente da força de trabalho pode afetar negativamente os negócios devido aos custos de contratação e à perda de negócios. É importante para as startups olhar para as necessidades de contratação e o processo de forma muito estratégica. Embora ocorra para todos os níveis nas organizações, é de grande importância para os cargos de nível sênior que são os impulsionadores dos negócios. Sua retirada da organização ou da instalação pode afetar negativamente o desempenho do negócio. Wolf (2007) diz que os candidatos de nível sênior falham geralmente por causa da adequação pessoa-organização. Isso também é evidente a partir de um caso recente publicado pela Live Mint (2016) de executivos de altos cargos das startups de e-commerce já estabelecidos saíram Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 29eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 29 18/05/2021 08:59:1918/05/2021 08:59:19 30 recentemente devido ao descompasso cultural e de expectativas dos executivos e empresários. Wolf (2007), em sua pesquisa, discutiram algumas novas estratégias implementadas por algumas empresas para apresentarem uma cultura diferente para atrair e reter talentos. Muitas das estratégias são baseadas a fim de oferecer “parceria” aos funcionários. Algumas dessas estratégias são: • Integrar pessoas que têm aceitação pela visão e valores. • Participar na tomada de decisões, dando participação acionária para criar um senso de propriedade entre os funcionários. • Fornecer benefícios extras lucrativos aos funcionários. • Encontrar funcionários entre os beneficiários. • Criar perspectivas empreendedoras dentro da organização. Com o ingresso da Geração “Z”, isso se tornou mais imperativo, pois eles já abrangem uma certa porcentagem na força de trabalho e alguns estão prontos para agregar valor à organização. A Geração “Z” compreende uma pequena porcentagem da força de trabalho existente a partir de agora, mas que até 2019, 30 milhões estarão empregados. Segundo a autora, os trabalhadores da Geração “Z” são complexos, desafiadores e empreendedores. Marron (2015) denomina “Gen Z” como a primeira tribo de “nativos digitais”, são considerados “screenagers”, que são a geração mais conectada, educada e sofisticada da história. Eles aprendem em qualquer lugar, a qualquer hora. Também dão importância ao empreendedorismo, inovando com os clientes e a privacidade é importante para eles. As organizações precisam entender o pulso e o processo de pensamento da geração para atraí-los e obter o melhor deles. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 30eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 30 18/05/2021 08:59:1918/05/2021 08:59:19 31 Construindo uma marca empregadora estratégica e digital No mundo digital transparente de hoje, a marca empregadora de uma empresa deve ser altamente visível e atraente para que os candidatos encontrem o empregador, não o contrário. Para alavancar esse interesse, as empresas estão gerenciando intensamente sua marca de empregos, o que pode “atrair” candidatos em sua direção. Criar uma marca de emprego atraente envolve uma complexa combinaçãode forças. Um fator importante é a experiência geral da força de trabalho, que requer altos níveis de engajamento e fortes oportunidades de carreira. Na verdade, as campanhas de divulgação para educar e atrair candidatos pode ser tão importante quanto a publicidade com foco no cliente. A Heineken, por exemplo, desenvolveu uma série de vídeos não convencionais e entrevistas na web para destacar a experiência do funcionário e o diferencial da empresa (NATIVIDAD, 2016). Os empregadores também devem reconsiderar como comunicam sua proposta de valor à força de trabalho. A equipe de recrutamento e a marca de talento global da Dell redesenhou completamente os sites globais de carreira da empresa para incluir mensagens e imagens consistentes. A equipe também lançou um site de otimização de busca de empregos e uma campanha agressiva de conteúdo focado no candidato, com postagens em blog e uma ampla variedade de vídeos. Eles foram postados nos sites de carreiras da empresa, em seu canal no YouTube e em outros sites voltados para funcionários e candidatos, como o Glassdoor. Os vídeos, que incluíram funcionários falando sobre suas experiências na Dell, alcançaram uma ampla gama de redes sociais (ERICKSON; MOULTON, 2016). Tudo o que uma organização faz no mundo digital e em rede social afeta a decisão dos candidatos de trabalhar lá. Por isso, certifique-se de monitorar e alinhar mensagens em sites e experiências, isto é, construir uma marca empregadora digital. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 31eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 31 18/05/2021 08:59:1918/05/2021 08:59:19 32 Quadro 1 – Aquisição de talentos: regras antigas versus regras novas Regras antigas Regras novas Os recrutadores usavam ferramentas da internet para encontrar candidatos. Os recrutadores expandem continuamente o uso de redes sociais, sites de mídia para suas buscas, incluindo Twitter, Facebook, Glassdoor, Pinterest e Quora, além do LinkedIn. A marca de empregos é vista somente como uma estratégia de marketing. A marca de emprego tem uma estratégia completa, alcançando em todos os pools e canais de candidatos possíveis. Os recrutadores executam o processo de recrutamento. Recrutadores fazem parceria com gerentes para a contratação em todo o processo de busca, alavancando suas redes, necessidades culturais e critérios de sucesso. As descrições de trabalho comunicam o que a organização demanda do potencial funcionário. As descrições de trabalho se concentram nas necessidades do candidatos - uma tática que produz três vezes mais candidatos altamente avaliados. Um sistema de rastreamento de candidatos é o único que necessita de tecnologia de aquisição de talentos. As empresas têm tecnologia de aquisição de talentos plataformas que gerenciam a captação, entrevistas em vídeo, gerenciamento de entrevista, relacionamento com o candidato gerenciamento e integração. Os processos de aquisição de talentos são baseados na eficiência, eficácia e velocidade de locação de uma forma que funcione para a empresa. O candidato e o gerente de contratação estão à frente e no centro nos processos de aquisição de talentos, adaptando a experiência do candidato em torno dos momentos mais importante na jornada de aquisição de talentos para a organização. Fonte: Elaborado pela autora com base em Deloitte, 2017. Esses dados nos proporciona uma visão detalhada de como ocorria a aquisição de talentos antigamente e como podemos ser mais estratégicos enquanto recursos humanos com essa nova abordagem e com novas regras de captar talentos. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 32eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 32 18/05/2021 08:59:1918/05/2021 08:59:19 33 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a captação e atração de talentos além de ser a porta de entrada também deve ser uma forma de reter os talentos. Com a entrada da geração “Z” no mercado de trabalho, as empresas também estão buscando se reinventar, onde a forma que a captação do capital humano da geração “baby boomer” não pode mais ser a mesma. Quando estamos falando de pessoas, devemos sempre pensar que captar é apenas uma fase do processo e que a contratação deve ser de longo prazo, investir no melhor candidato para que ele aceite a empresa, sua cultura, a missão e visão do negócio por muito tempo, já pensando na sucessão mais adiante. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 33eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 33 18/05/2021 08:59:1918/05/2021 08:59:19 34 Liderando pessoas inovadoras INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender como funciona o comportamento de pessoas inovadoras e criativas nas organizações. Você poderá observar que liderar com inovação e criatividade ainda é um desafio que os gestores estão aprendendo. Sempre que o assunto é desafio, as pessoas que estão dispostas a aceitar é um número reduzido. Por isso, esse conhecimento é de grande relevância para um momento de mudança de comportamentos. O que é comportamento de inovação A inovação é um processo de introdução de algo novo como uma ideia, produto, serviço, processo, método, técnica e descoberta (invenção) para resolver os problemas atuais e futuros antecipados para satisfazer as necessidades das pessoas. Algumas inovações são chamadas de inovações sustentáveis, que estendem ou fazem a reengenharia de um processo central, tecnologia, processo político, econômico ou social. Algumas outras inovações são de natureza disruptivas. Elas geram mudanças radicais e destruição do status quo e levam ao desaparecimento de produtos antigos, tecnologias, processos e crenças políticas, econômicas e sociais (SCHUMPETER, 1961). Schumpeter (1934) é geralmente considerado um dos primeiros a reconhecer o processo de inovação nas organizações. Ele descreveu a inovação como a criação e implementação de “novas combinações”. Essas novas combinações podem ser relacionadas a novos produtos, serviços, processos de trabalho, mercados, sistemas de entrega e políticas. Com a inovação, pode-se criar valor agregado, não só para a própria empresa, mas também para seus stakeholders e para a sociedade. A maioria das definições de inovação incluem o desenvolvimento e a implementação de “algo novo”. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 34eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 34 18/05/2021 08:59:1918/05/2021 08:59:19 35 Figura 4 – Ideia de algo novo Fonte: Pixabay Sendo assim, quando uma inovação resulta em mudança radical e destrutiva, é chamada de revolução ou mudança de paradigma (BARKER, 1992; CRISTENSEN, 2003; HOWIE, 2011). O que é comportamento criativo Podemos identificar várias definições de criatividade. A maioria dos teóricos e pesquisadores adota uma definição de criatividade focada nos resultados da ação criativa. A criatividade pode ser definida como a produção de novas ideias por um indivíduo ou pequenos grupos de indivíduos trabalhando juntos (AMABILE, 1988). Para descrever como os resultados criativos nascem, Wallas foi um dos primeiros a traçar um modelo para esboçar a maneira pela qual um indivíduo pode reunir e usar as informações na tentativa de chegar a uma solução criativa. O autor propôs um modelo que consiste em quatro fases: 1. Preparação - isso envolve o reconhecimento e uma análise preliminar de um problema. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 35eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 3518/05/2021 08:59:1918/05/2021 08:59:19 36 2. Incubação - durante esta fase, não há trabalho mental consciente sobre o problema. Uma pessoa pode estar trabalhando conscientemente em outros problemas ou simplesmente relaxando, fazendo uma pausa. Inconscientemente, porém, a mente continua a trabalhar no problema, formando cadeias de associações. 3. Iluminação - isso ocorre quando a ideia promissora atinge a consciência. Pode ser caracterizado por um “flash”, uma iluminação repentina. 4. Verificação - esta fase envolve avaliar, refinar e desenvolver uma ideia. Outros identificaram modelos semelhantes, de acordo com Amabile (1996), quando afirmou que pode-se ficar tentado pensar na criatividade como algo semelhante ao comportamento inovador dos colegas de trabalho. Os autores argumentam que isso não é correto. O comportamento inovador é uma construção mais ampla e complexa do que a criatividade, que geralmente se refere apenas à geração de novas ideias. Ambos os construtos diferem em alguns aspectos importantes (WEST, 1989). Ao contrário da criatividade, o comportamento inovador visa fornecer algum tipo de benefício. Assim, a criatividade pode ser considerada uma condição para o comportamento inovador (KLEYSEN; STREET, 2001; SCOTT; BRUCE, 1994). Seguindo West (2002), a criatividade é provavelmente mais evidente no estágio de iniciação, quando os colegas de trabalho desenvolvem ideias em resposta a uma necessidade percebida de inovação. Assim como os comportamentos de exploração de oportunidades e geração de ideias, a criatividade é de natureza divergente. Ao contrário, os comportamentos do segundo estágio têm um caráter mais convergente. O pensamento criativo também pode ser necessário quando a implementação é considerada pela primeira vez, mas geralmente, no segundo estágio do processo, haverá menos necessidade de criatividade. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 36eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 36 18/05/2021 08:59:1918/05/2021 08:59:19 37 Definindo liderança O termo “liderança” significa coisas diferentes para pessoas diferentes. As definições de liderança variam em termos de ênfase nas habilidades do líder, traços de personalidade, relacionamentos de influência, orientação individual versus orientação de grupo e apelo aos interesses próprios versus interesses coletivos. A maioria das definições de liderança reflete a suposição de que envolve um processo pelo qual a influência intencional é exercida por uma pessoa sobre outras pessoas para orientar, estruturar e facilitar atividades e relacionamentos em um grupo ou uma organização. As definições também variam quanto ao fato de serem principalmente descritivas ou normativas por natureza, bem como por sua ênfase relativa em estilos comportamentais. Quadro 2 - Definição de liderança - Liderança é o processo de influenciar as atividades de um grupo organizado em direção ao cumprimento de metas. - Liderança é o processo de influenciar outras pessoas a compreender e concordar sobre o que precisa ser feito e como pode ser feito de forma eficaz, e o processo de facilitar os esforços individuais e coletivos para atingir os objetivos compartilhados (YUKL, 2002). - Liderança é um processo de influência social em que um líder conduz os membros de um grupo em direção a um objetivo (BRYMAN, 1992). - Liderança é a capacidade de um indivíduo de motivar os outros a renunciar o interesse próprio no interesse de uma visão coletiva e contribuir para a realização dessa visão e para o coletivo, fazendo sacrifícios pessoais significativos além da chamada de dever, voluntariamente. Fonte: Elaborado pela autora com base em Den Hartog e Koopman, 2001. Liderança versus gestão Existe uma controvérsia contínua sobre as diferenças entre liderança e gestão (YUKL, 2002). Poucos escritores afirmam que liderança e gestão são qualitativamente diferentes e mutuamente exclusivas. O ponto de vista predominante é que liderar e gerenciar são processos distintos, mas não se pode supor que líderes e gerentes sejam tipos diferentes de pessoas (MINTZBERG, 1973). Kotter (1990) Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 37eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 37 18/05/2021 08:59:1918/05/2021 08:59:19 38 diferenciou os dois assuntos em termos de seus resultados pretendidos. A gestão procura produzir previsibilidade e ordenar estabelecendo metas, organizando e monitorando, enquanto a liderança visa produzir mudanças desenvolvendo uma visão, comunicando-a aos colegas de trabalho etc. Em pequenas empresas, com uso intensivo de conhecimento, o empresário fornecerá liderança e gerenciamento. Ambos envolvem decidir o que precisa ser feito, criar redes de relacionamentos entre colegas de trabalho para fazer isso e tentar garantir que aconteça. No final das contas, liderança e gestão estão relacionadas a comportamentos que podem potencializar ou diminuir o comportamento inovador dos colegas de trabalho. Para evitar confusão, sempre falamos de liderança, mas também pode-se incluir práticas gerenciais. O impacto da liderança na inovação Embora o impacto dos líderes na inovação pareça intuitivamente atraente, a maioria dos estudos sobre liderança tende a avaliar o impacto dos líderes no desempenho ou nos resultados afetivos, em vez dos resultados relacionados à inovação (JANSSEN, 2002). Por exemplo, na nova liderança a abordagem de muitos resultados foram estudados, incluindo esforço extra de colegas de trabalho, satisfação com o líder e eficácia percebida do líder (BASS et al., 1996; BRYMAN, 1992); confiança na administração e nos colegas; compromisso organizacional, desempenho do líder e desempenho da unidade de negócios. A relação entre liderança e inovação é relativamente escassa. Geralmente é restrito aos efeitos de um número limitado de comportamentos/estilos de liderança. Exemplos incluem: a. Liderança participativa - este estilo de liderança é mais frequentemente, identificado como um antecedente do sucesso da inovação. Oferece aos colegas de trabalho a oportunidade de influenciar na tomada de decisões e na autonomia da organização e de seu trabalho. Isso desencadeia testes de geração e implementação de ideias. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 38eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 38 18/05/2021 08:59:1918/05/2021 08:59:19 39 b. Liderança transformacional - espera-se que esse estilo de liderança incentive a inovação dos colegas de trabalho, uma vez que os líderes transformacionais estimulam os seguidores a ver os problemas de novas maneiras e ajudam os colegas de trabalho a desenvolver todo o seu potencial. Um líder transformacional usa experimentos para estimular a inovação e testar novos serviços e procedimentos, destrói velhos modos de vida e abre caminho para novos (HOFFMANN; JUNGE; MALCHOW-MØLLER, 2015). c. Relações de alta qualidade - a chamada teoria da troca líder- membro da equipe descreve como os líderes desenvolvem diferentes relações de troca com colegas de trabalho individuais. Uma relação de troca é definida como algumas transações que influenciam mutuamente entre um líder e um colega de trabalho. O resultado é que os líderes podem receber aprovação na forma de status, estima e lealdade, enquanto os colegas de trabalho podem receber recompensas como autoridade, liberdade, promoção e bônus (YUKL, 2002). A teoria líder-colega de trabalho sugere que a qualidade do relacionamento entre um líder e um colega de trabalho está relacionada à capacidade de inovação. Desafio da liderança com a inovação O desafio da liderança com a inovação é de que eles precisam disso para si mesmos à medida que aprendem a operar em circunstâncias desafiadoras e imprevisíveis.Eles também precisam criar um clima para a inovação dentro das organizações. Sistemas, ferramentas e pensamento inovadores são essenciais para a saúde organizacional e viabilidade futura (HORT; UCHNER, 2014). Os gerentes de hoje não carecem de ideias, teorias ou informações. Eles têm conhecimento e experiência extraordinários. Eles são habilidosos praticantes do pensamento empresarial tradicional (HORT; BUCHNER, 2014). Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 39eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 39 18/05/2021 08:59:1918/05/2021 08:59:19 40 O pensamento empresarial é baseado em pesquisas profundas, fórmulas e lógica dos fatos. O raciocínio dedutivo e indutivo são ferramentas favorecidas, pois buscam provas ou precedentes para informar as decisões. Os pensadores de negócios costumam tomar decisões rápidas, procurando a resposta certa entre as respostas erradas. Assim, o pensamento empresarial consiste em eliminar a ambiguidade e gerar resultados (HORT; BUCHNER, 2014). Mas a ambiguidade não pode ser controlada. Os resultados de condução são impossíveis quando a situação é instável ou o desafio é complexo ou a direção não é clara. Muitos dos problemas de liderança de hoje são críticos e urgentes; eles exigem ação rápida e decisiva, mas ao mesmo tempo eles são tão complexos que não podemos simplesmente mergulhar sem olhar de forma minuciosa o que acontece. Quando a organização, a equipe ou o indivíduo não sabem como agir, é necessário desacelerar, refletir e abordar a situação de uma forma não convencional, usando pensamento inovador (HORT; BUCHNER, 2014). O pensamento inovador não depende de experiências anteriores ou de fatos conhecidos. Ele imagina um estado futuro desejado e descobre como chegar lá. É intuitivo e aberto a possibilidades. Em vez de identificar as respostas certas ou erradas, o objetivo é encontrar um caminho melhor e explorar múltiplas possibilidades. A ambiguidade é uma vantagem, não um problema. Ele permite que possa ser feita a pergunta “e se?”. O pensamento inovador é um acréscimo crucial ao pensamento empresarial tradicional. Ele permite que você traga novas ideias e energia para seu papel como líder e para resolver seus desafios. Também abre caminho para trazer mais inovação para sua organização (HORT; BUCHNER, 2014). Ao entrelaçar o processo de liderança com o processo de design, foram identificadas seis habilidades de pensamento inovador. Usando essas habilidades, as organizações são capazes de criar algo que seja útil e desejável, seja uma tecnologia inovadora, um serviço valioso ou uma solução nova para um problema antigo. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 40eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 40 18/05/2021 08:59:1918/05/2021 08:59:19 41 Cada uma dessas habilidades muda sua compreensão de uma situação e abre a porta para novas abordagens e soluções (HORT; BUCHNER, 2014). Prestando atenção, as primeiras impressões e suposições não são a imagem completa, por isso não levam a uma avaliação precisa ou melhor solução. Prestar atenção é a capacidade de perceber o que passou despercebido. É sobre olhar mais profundamente para uma situação, ser um observador perspicaz, perceber detalhes e ver novos padrões. No trabalho, tendemos a subestimar a experiência pessoal e individual. A prática de personalizar o eleva, buscando insights a partir da experiência humana. Para um pensamento inovador, personalizar é um processo duplo: explorar nosso amplo escopo de conhecimento e experiência e compreender nosso cliente de uma maneira profunda e pessoal (HORT; BUCHNER, 2014). A capacidade de explorar experiências e paixões pessoais (aparentemente não relacionadas) apresenta novas perspectivas sobre os desafios. A personalização se baseia em seus interesses, hobbies ou ocupação e os aplica ao trabalho. Considere como ideias, padrões ou vertentes de percepção de toda a sua vida podem contribuir para o seu trabalho. Por exemplo, um gerente pode descobrir que sua experiência como músico o ajuda a orquestrar e comunicar o ritmo variável e a intensidade do desenvolvimento de produtos de longo prazo de sua equipe (HORT; BUCHNER, 2014). Aplicar o pensamento inovador aos seus desafios como líder é um passo na criação de uma resposta organizacional inovadora às mudanças e aos desafios. Mas o desenvolvimento de uma cultura de inovação, onde outras pessoas em toda a organização aplicam o pensamento inovador para resolver problemas e desenvolver novos produtos e serviços, requer trabalho adicional. Estudos mostraram que 20% a 67% da variação nas medidas do clima para a criatividade nas organizações podem ser atribuídos diretamente ao comportamento de liderança. O que isso significa é que os líderes devem Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 41eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 41 18/05/2021 08:59:1918/05/2021 08:59:19 42 agir de forma a promover e apoiar a inovação organizacional (HORT; BUCHNER, 2014). Os líderes inovadores conhecem o passado, veem o presente e preveem o futuro e estabelecem uma visão para mudar e criar novas condições políticas, sociais, econômicas e tecnológicas para resolver os problemas presentes e futuros antecipados e satisfazer as necessidades das pessoas em organizações e nações (BLANCHARD; STONER, 2004; SEN, 2007). Figura 5 – Lideres inovadores Fonte: Pixabay Eles acreditam firmemente que podem e devem moldar o futuro com uma visão compartilhada, agir com coragem e assumir riscos para alcançá-lo com sucesso. Visões compartilhadas são reflexos de nossas crenças fundamentais e expressões de nossos fortes desejos, aspirações e sonhos de alcançar algo grande. Visões compartilhadas criam foco, identificam a direção, inspiram e unem as pessoas em um esforço comum e alinham os valores centrais das pessoas para uma implementação bem- sucedida (BLANCHARD; STONER, 2004; SEN, 2007). Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 42eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 42 18/05/2021 08:59:1918/05/2021 08:59:19 43 Alguns dos líderes inovadores derrubam governos para resolver os problemas presentes e prevenir os problemas futuros por meio da reestruturação e transformação do antigo sistema para alcançar a visão compartilhada. Esses tipos de líderes inovadores que são capazes de transformar algumas partes ou todo o sistema, proporcionando mudanças radicais, são chamados de reformistas ou líderes revolucionários bem- sucedidos (BLANCHARD; STONER, 2004; SEN, 2007). Dessa forma, os líderes inovadores têm qualidades comuns, incluindo conhecimento, habilidades, valores, talentos e desejos de liderança que desempenham o papel principal no sucesso de suas práticas de liderança inovadoras. A natureza dos seguidores e os fatores internos e externos também desempenham papéis importantes em seu sucesso (BLANCHARD; STONER, 2004; SEN, 2007). RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que pessoas inovadoras estão profundamente ligadas a lideres inovadores, pois sem que esses líderes olhem o futuro como algo possível de acontecer e fomentem essa mudança de paradigma, não será possível alcançar dentro das nossas organizações pessoas inovadoras que revolucionam o mundo, uma vez que o inovador também tem um revolucionário. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 43eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 43 18/05/2021 08:59:1918/05/2021 08:59:19 44 Gestão por competência INTRODUÇÃO:Ao término deste capítulo você será capaz de entender o que é competência e como ela está diretamente correlacionado com o mundo dos negócios e das startups. As competências são bem mais do que características comportamentais, são uma necessidade a qual possamos conhecê-las e trabalhar com elas identificando em nossos colaboradores, principalmente nos cargos de gestão, isso porque a integração do planejamento de recursos humanos com o planejamento de negócios perpassa pelo entendimento das competências organizacionais. Conceito de competências e competências no trabalho A palavra “competência” é “uma característica subjacente de uma pessoa que resulta em um desempenho eficaz e/ou superior no trabalho” (KLEMP, 1980 p. 21). Outras definições de competência incluem a aptidão necessária para aprimorar as habilidades básicas e elevar o desempenho no trabalho a um nível mais alto, e uma combinação de um motivo, traço, habilidade, aspecto da própria imagem ou papel social ou um corpo de conhecimento relevante (BOYATZIS, 1982). Para tanto, pode-se dizer que competência diz respeito às características pessoais individuais, traços e motivações exigidas, além de habilidades e conhecimentos para um desempenho profissional destacado ou superior. Um modelo de competência é uma lista de competências identificadas como críticas para o desempenho bem-sucedido de uma função específica para a excelência organizacional. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 44eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 44 18/05/2021 08:59:1918/05/2021 08:59:19 45 A seguir, são apresentados alguns conceitos sobre competências: 1. Competência é um motivo, traço, habilidade ou um aspecto da autoimagem ou papel social de uma pessoa, ou um corpo de conhecimento (BOYATZIS, 1982, p. 16). 2. Competências são características básicas das pessoas e indicam maneiras de se comportar ou pensar, generalizando entre as situações e perdurando por um período de tempo razoavelmente longo (GUION, 1991, p. 335). 3. As competências podem ser motivo, traços, autoconceitos, atitudes ou valores, conhecimento do conteúdo ou habilidades cognitivas ou comportamentais – qualquer característica individual que pode ser medida ou contada de forma confiável e que pode ser demonstrada para diferenciar significativamente entre os desempenhos superiores e médios, ou entre executores eficazes e ineficazes. 4. Competência é o conjunto de padrões de comportamento que o titular precisa ser levado a um cargo para desempenhar suas tarefas e funções com competência. 5. Competência é conhecimento, habilidade, habilidade ou característica associada com alto desempenho no trabalho. 6. Competência significa uma descrição escrita de hábitos de trabalho mensuráveis e habilidades pessoais usadas para atingir objetivos de trabalho. 7. Competência abrange uma ferramenta de decisão validada, correlacionada a um específico grupo de atividades que descreve os principais conhecimentos e habilidades para realizar essas atividades. 8. Competências são habilidades, conhecimentos, habilidades e outras características que uma pessoa precisa para desempenhar um trabalho de forma eficaz. 9. Competência é uma mistura de conhecimento, habilidades. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 45eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 45 18/05/2021 08:59:2018/05/2021 08:59:20 46 10. Competência é uma combinação de conhecimento tácito e explícito, comportamento e habilidades, que dá a alguém o potencial de eficácia no desempenho de tarefas. 11. Competência também é considerada como competências organizacionais, é claro que são inerentes a indivíduos ou equipes de indivíduos, mas é uma qualidade que desenvolve e refina algo (por exemplo, capacidades, recursos), ocasionalmente para um fim visionário (por exemplo, para gerar lucros sustentáveis). Nessa perspectiva, a competência faz uma noção geral e conceitualmente é definida como desenvolvimentos feitos por indivíduos e equipes. 12. Competência significa habilidades, conhecimentos, características pessoais e comportamentos necessários para desempenhar com eficácia uma função (trabalho) em uma organização e ajudar a empresa a atingir seus objetivos estratégicos. Isso leva à conclusão de que, dependendo da perspectiva científica que alguém emprega, as definições de competência e aptidão são formuladas respectivamente. Ao mesmo tempo, fenômenos semelhantes são observados na prática empresarial, o que significa várias definições de competência e aptidão resultantes de diferentes perspectivas práticas e de implementação. Apesar de suas diferenças, a maioria das definições destacam características-chave de competência que são fundamentais para compreender e enfatizar a estreita relação entre competência e situação de trabalho. Modelo de competência Um modelo de competência é uma lista de competências identificadas como críticas para o desempenho bem-sucedido de uma função específica para a excelência organizacional. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 46eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 46 18/05/2021 08:59:2018/05/2021 08:59:20 47 Figura 6 – Modelo de competência 3 Modelo de competência Limite Essencial Profissional Diferenciação Fonte: Elaborado pela autora. 1. Competência limite: competências de limite são as características essenciais exigidas para que todos os ocupantes do cargo realizem o trabalho em um nível mínimo de proficiência ou padrão. Um limite ou competência básica é o mínimo de habilidades, conhecimentos e comportamento pessoal necessários para fazer um trabalho. Um oficial de marketing, por exemplo, precisaria de conhecimento de marketing, habilidades de comunicação e apresentação, habilidade de escuta, autoimagem apresentável e habilidade em informática. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 47eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 47 18/05/2021 08:59:2018/05/2021 08:59:20 48 2. Competência de diferenciação: são as competências que distinguem os desempenhos superiores dos médios. Competências diferenciadoras são aquelas que os gestores precisam para desempenhar suas funções de maneira excelente. Por exemplo, um gerente deve possuir competências gerais, como orientação para realização, proatividade e autoconfiança. 3. Competência essencial: as competências essenciais são algumas vezes chamadas de competências “genéricas”, quando se estendem a todos os indivíduos da organização. Elas podem ser aplicadas a todos os cargos em funções de trabalho e níveis de responsabilidade dentro de uma organização, ao invés de uma posição específica. Em outras palavras, são listas de competências que pertencem a um determinado grupo de pessoas na organização. Por exemplo, os gerentes de topo exigem competências como planejamento estratégico e pensamento conceitual, em vez de habilidades de comunicação e responsabilidade, que são mais apropriadas para gerentes de nível médio e direto. 4. Competência profissional: as competências profissionais referem- se aos conhecimentos, aptidões e atributos pessoais que um colaborador deve possuir independentemente do cargo que ocupa. Nesse contexto, competência profissional refere-se às competências específicas de que um indivíduo necessita ao ingressar numa organização. Por exemplo, habilidades de comunicação, liderança, responsabilidade e habilidades de resolução de problemas (NAIK; SOMASUNDARAM; NAIK, 2013). Perfil de competências O perfil de competência é normalmente um método para identificar habilidades, conhecimentos, atitudes e comportamento necessário para cumprir uma tarefa, atividade ou carreira. Na maioria das organizações,seu objetivo final é fornecer valor ao cliente externo. Ao categorizar as competências, algumas organizações fazem distinções entre elas, que se referem aos atributos e comportamentos pessoais desejados e às Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 48eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 48 18/05/2021 08:59:2018/05/2021 08:59:20 49 competências que são o conhecimento e a habilidade necessários para gerar um desempenho melhorado (NAIK; SOMASUNDARAM; NAIK, 2013). Para a maioria das organizações, o perfil de competência é necessário para garantir que seus resultados de negócios sejam alcançados. Se os padrões e os meios para alcançá-los não forem bem definidos, a organização não é capaz de entregar produtos e serviços aos clientes com qualidade, prazo e preço. Como uma preocupação comercial, o negócio em breve torna-se economicamente inviável. Para a equipe existente, saber especificamente quais habilidades, conhecimentos, atitudes e o comportamento que seus empregadores procuram, permite-lhes avaliar sua capacidade de fornecê-los. Isso dá a eles uma oportunidade para apreciar seus próprios pontos fortes e reconhecer as áreas que deverão desenvolver. Estar ciente das áreas onde eles poderiam melhorar permite que considerem e planejem como abordar as lacunas. Todas as organizações têm períodos de expansão, consolidação e renovação durante as quais é necessário recrutar novos membros ou realizar planos de sucessão (NAIK; SOMASUNDARAM; NAIK, 2013). Essas atividades não são possíveis a menos que as competências tenham sido definidas. Uma vez que a organização identificou seus objetivos de negócios e definiu seus processos para atender aos requisitos do cliente, ela deve definir os padrões de tempo, custo e qualidade de cada tarefa. As competências são então identificadas para cada tarefa nas principais áreas de habilidade, conhecimento, atitude e comportamento. É essencial ter evidências comportamentais específicas sensoriais documentadas de que uma competência foi alcançada. Assim, uma vez definida, essa estrutura fornece a infraestrutura para a abordagem a ser implementada em toda a organização (NAIK; SOMASUNDARAM; NAIK, 2013). Gestão baseada em competências A gestão baseada em competências apoia a integração do planejamento de recursos humanos com o planejamento de negócios, permitindo que as organizações avaliem a capacidade atual dos recursos humanos com base em suas competências em relação à capacidade Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 49eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 49 18/05/2021 08:59:2018/05/2021 08:59:20 50 necessária para atingir a visão, a missão e os objetivos de negócios da organização (NAIK; SOMASUNDARAM; NAIK, 2013). Estratégias, planos e programas de recursos humanos direcionados para abordar lacunas (por exemplo, contratação de pessoal; aprendizagem; desenvolvimento de carreira; gestão de sucessão etc.) são concebidos, desenvolvidos e implementados para fechar as lacunas existentes. Assim, o gerenciamento de competências é fundamental para organizações que buscam alinhar sua força de trabalho com os objetivos de negócios (NAIK; SOMASUNDARAM; NAIK, 2013). No entanto, pode ser um desafio garantir que os membros da equipe da organização tenham as habilidades e competências adequadas para executar as tarefas de maneira consistente. Para tanto, um sistema é usado para avaliar os pontos fortes e as necessidades atuais de uma organização e, em seguida, implementar as ações corretivas necessárias. O gerenciamento de competências é um método proativo de análise de lacunas. Uma competência é um conjunto de comportamentos definidos que fornecem um guia estruturado que permite a identificação, a avaliação e o desenvolvimento dos comportamentos de funcionários de forma individual (NAIK; SOMASUNDARAM; NAIK, 2013). Equipes de alto desempenho Autor como Bragg (1999) concorda que uma equipe seja um pequeno grupo de pessoas (duas ou mais) cujos membros: • Interagem socialmente. • São reunidos para executar tarefas relevantes inseridas em um contexto organizacional. • Têm habilidades complementares e diferentes papéis e responsabilidades. • Estão comprometidos com um propósito geral e metas para alcançá-lo, com o propósito e as metas sendo estabelecidos pelos membros da equipe e seu líder ou pelo líder da equipe. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 50eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 50 18/05/2021 08:59:2018/05/2021 08:59:20 51 Além disso, uma equipe também é caracterizada por si própria: • Direção, impulso e comprometimento (por exemplo, unir-se na mesma direção para alcançar algo). • Abordagem comum (por exemplo, métodos organizacionais e de motivação particulares). • Responsabilidade mútua (por exemplo, com cada membro da equipe sendo responsável por suas ações, uma vez que estas adicionam à equipe como um todo) (MOURA et al., 2014). Uma equipe de alto desempenho, em particular, é aquela ideal que combina talentos e habilidades individuais em um todo de alto desempenho com capacidades que excedem as de seu membro mais talentoso. Ou seja, equipes de alto desempenho: • Variam entre 2 e 25 membros (BRAGG, 1999). • Possuem a combinação certa de conhecimento técnico e funcional e habilidades de resolução de problemas, tomada de decisão e relacionamento interpessoal. • Moldam seus objetivos geralmente em resposta à alta administração das empresas. • Investem uma grande quantidade de tempo e esforço explorando, moldando e concordando sobre um propósito que pertence a eles individualmente e coletivamente. • Traduzem seus propósitos em objetivos de desempenho explícitos, mensuráveis e atingíveis, com propósitos e objetivos construídos uns sobre os outros e sendo combinados com comprometimento da equipe. • Desenvolvem um forte compromisso de trabalho junto com a equipe para cumprir seus propósitos. • Consideram-se responsáveis tanto como indivíduos quanto como equipe pelo desempenho do time. • Têm uma liderança de apoio e incentivo. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 51eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 51 18/05/2021 08:59:2018/05/2021 08:59:20 52 Competências de gestão e desempenho de gestão O conceito de competência é baseado na teoria de desempenho. O desempenho da gestão é a extensão e a qualidade da contribuição dos gerentes na realização dos objetivos da organização. Uma competência é considerada uma característica mensurável de uma pessoa que está relacionada ao desempenho eficaz em um trabalho, uma organização ou uma cultura específica. Essas características são definidas em termos de comportamento. O desempenho gerencial está relacionado aos próprios gestores do que às suas posições e autoridade dentro das organizações. Consequentemente, o desempenho dos gerentes depende da experiência e das competências que eles trazem para o trabalho. As competências são definidas como as características cognitivas (por exemplo, habilidades e conhecimento), afetivas (por exemplo, valores e atitude), comportamentais e motivacionais e disposições de uma pessoa para um bom desempenho em situações específicas. O desempenho de um gerente (competências de saída) é influenciado por seu conhecimento e experiência relacionados ao trabalho (competências de entrada) e características de personalidade (competências de processo). Por isso, acredita-se que o desempenho máximo ocorre quando a capacidade ou o talento da pessoa é consistente com as necessidades das demandas do trabalho e do ambiente organizacional (BOYATZIS, 1982). As organizações estão dispostas a identificar um conjunto decompetências gerenciais que descrevem os gerentes de sucesso, mas essas organizações não estão dando a devida atenção a essas competências em seu sistema de avaliação de desempenho. Os autores recomendam que para ser uma organização de alto desempenho, a organização deve identificar as competências gerenciais mais críticas e incorporá-las no sistema de avaliação de desempenho. Graham e Tarbell (2006) fizeram uma tentativa de elucidar requisitos de competência de gerentes que trabalham em diferentes áreas funcionais Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 52eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 52 18/05/2021 08:59:2018/05/2021 08:59:20 53 da mesma organização, uma vez que estes pensaram ser necessário para um desempenho eficaz. Ramo et al. (2009) descobriram que as competências sociais e emocionais e os traços de personalidade são valiosos preditores do desempenho no trabalho e também enfatizaram que as competências são um preditor mais poderoso do desempenho do que os traços de personalidade globais. Dessa forma, o uso de competências serve para melhorar o desempenho de uma organização e, portanto, é uma vantagem competitiva. Os estudos de caso de negócios mostraram muitos benefícios associados ao uso de competências, incluindo aumento da produtividade dos funcionários, redução dos custos de treinamento e redução da rotatividade de pessoal. Por isso, a abordagem da competência tornou-se revolucionária contribuição para o sucesso de muitas organizações. Além disso, foi observado que o desempenho de um gerente é altamente influenciado por suas competências e, portanto, o sucesso de uma organização depende em grande parte das competências dos gerentes. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Descobrimos que existem muitas interpretações diferentes do termo competência. Assim, as competências são uma combinação de habilidades, conhecimentos e atitudes. Uma pessoa competente tem a capacidade de aplicar um conjunto de conhecimentos relacionados, habilidades e atitudes necessárias para realizar com sucesso “funções de trabalho críticas” em um ambiente de trabalho definido. As organizações usam uma variedade de termos relacionados à competência e muitas delas desenvolvem uma combinação de competências. Também aprendemos que podemos ter competências técnicas, competências comportamentais e competências de liderança. Tudo isso é muito importante para que tenhamos pessoas certas no lugar certo. Gestão de Startups eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 53eBook da Unidade 3 - Gestão de Startups - Aberto - TS.indd 53 18/05/2021 08:59:2018/05/2021 08:59:20 54 REFERÊNCIAS ABELL, D. F. Defining the Business: The Starting Point of Strategic Planning. Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall, 1980. ACS, Z. J.; AUDRETSCH, D. B. 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