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Transtorno Depressivo

Resumo sobre depressão (Medicina): definição e impacto funcional; epidemiologia e fatores de risco (idade, abuso de substâncias, estado civil, gênero); classificação por gravidade; subtipos pós‑parto e blues; e mecanismos fisiopatológicos envolvendo serotonina, norepinefrina, glutamato e GABA.

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Matheus dos Santos Correia 
UniFG – Medicina (Rodízio de Saúde Mental e do Idoso) 
1 
 
 
 
DEFINIÇÃO 
A depressão consiste em um transtorno que se encontra englobado no diagnóstico sindrômico 
de transtornos de humor, juntamente com o transtorno bipolar. A depressão ocupa cerca de 
20% das perguntas das provas de residência, sendo um tema bastante discutido, não só com 
especialistas, mas também com clínicos gerais. 
O humor é representado pelo estado afetivo basal e constante que um indivíduo apresenta, 
enquanto o afeto se caracteriza pela expressividade afetiva ou emocional que varia ao longo 
do dia. 
O conceito de depressão é um transtorno que afeta o humor, a capacidade de sentir prazer e 
a energia, causando sofrimento ao paciente e prejudicando o mesmo a realizar as atividades 
do cotidiano e comprimir suas responsabilidades. Desse modo, consiste em um transtorno 
capaz de causar um prejuízo funcional nos indivíduos acometidos. 
EPIDEMIOLOGIA 
A depressão é uma doença bastante prevalente em nosso meio, entretanto ainda carece de 
mais atenção, pois os estudos apontam que o seu diagnóstico é realizado em apenas 50% dos 
casos. A causa importante dessa dificuldade de chegar ao diagnóstico é que ainda há uma 
crença que a depressão não é uma doença “real”, o medo da estigmatização, a 
preocupação com a quebra de sigilo e o receio em se tornar “dependente” dos 
antidepressivos. 
Por outro lado, também observamos uma dificuldade a respeito do diagnóstico com um 
aumento dos números de casos de depressão, sendo realizados de forma equivocada, pois 
nem sempre os pacientes fecham os critérios para a doença. Essa problemática diz muito pela 
falta de padronização na abordagem do paciente com depressão. 
A depressão é altamente prevalente no mundo e no Brasil, sendo que aqui observamos uma 
prevalência de 12,6%, que quando relacionado com doenças crônicas esse número pode 
chegar até 25%. A doença parece aumentar também a incidência de doenças crônicas. 
Fatores de risco observados: 
• Idade: cerca de 50% dos pacientes apresenta o início do quadro entre os 20 e 50 anos 
de idade. Vale ressaltar que idosos também apresentam uma incidência considerável. 
• Uso abusivo de álcool e outras substâncias: apresentam uma relação interessante com a 
incidência da doença, corroborando com seu pico em pessoas jovens. 
• Estado civil: bastante comum em pessoas divorciadas ou sem relacionamentos 
interpessoais. 
• Gênero: proporção entre mulheres e homes de 2:1. 
Matheus dos Santos Correia 
UniFG – Medicina (Rodízio de Saúde Mental e do Idoso) 
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CLASSIFICAÇÃO 
 
A depressão pode ser subdividida entre três estágios: 
• Leve: quando o paciente consegue manter sua rotina e atividades. 
• Moderada: quando apresenta dificuldade de manter sua rotina, apresentando prejuízos 
evidentes na funcionabilidade. 
• Grave: o paciente torna-se incapaz de manter sua rotina, podendo apresentar sintomas 
psicóticos. 
 
Alguns subtipos são cobrados em provas de residência: depressão pós-parto (ou periparto) e o 
blues. Ambos os subtipos são quadros de alteração do humor da gestante no pós parto e que 
não atingem o critério para o diagnóstico de depressão. 
O blues acontece na primeira semana após o parto, sendo caracterizado por manifestações 
leves de tristeza, insegurança, medo, labilidade emocional (desregulação emocional, sendo 
marcadas por emoções exageradas) e ansiedade, que duram menos de 14 dias. Tais sintomas 
são atribuídos às mudanças rápidas dos hormônios sexuais no pós-parto e mudanças 
sociofamiliares que ocorrem com o nascimento de um novo membro da família. O suporte, 
acolhimento, escuta e apoio emocional são essenciais neste momento. 
A depressão pós-parto se caracteriza por apresentar os mesmos sintomas do blues, mas com 
uma duração de tempo superior a duas semanas. Uma vez que o diagnóstico é realizado o 
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tratamento deve ser instituído. O DSM-5 considera seu diagnóstico acima de 4 semanas após o 
parto e alguns autores até 06 meses após o parto. 
MECANISMOS ENVOLVIDOS NA FISIOPATOLOGIA 
Os mecanismos envolvidos no transtorno depressivo decorrem da relação entre os fatores 
genéticos, biológicos e ambientais. O mecanismo mais envolvido na explicação do transtorno 
depressivo consiste na ação das aminas biogênicas que se apresentam insuficientes nas 
conexões cerebrais: serotonina e norepinefrina. 
O sistema serotoninérgico apresenta importante efeito dos medicamentos utilizados na 
doença, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, justamente devido a queda de 
sua concentração na fenda sináptica. Da mesma forma, os inibidores da norepinefrina agem 
justamente para aumentar sua concentração. 
Foi encontrado uma participação do glutamato e GABA, tendo suas atividades reduzidas no 
córtex pré-frontal de pacientes depressivos não tratados. A justificativa seria um estresse crônico 
que reduziriam sua ação. 
Pacientes deprimidos apresentam um aumento da produção do hormônio liberador de 
corticotrofina (CRH), resultando em excesso de atividade do eixo hipotalâmico-hipofisário-
suprarrenal. 
O convívio familiar conflituoso pode contribuir para persistência do quadro de depressão, bem 
como para seu início, podendo promover o isolamento social do indivíduo. Não podemos 
esquecer de questionar na anamnese história de maus-tratos e abuso físico/sexual. 
QUADRO CLÍNICO 
O transtorno de depressão maior é marcado por um ou mais quadros depressivos sem a 
presença de episódios de mania ou hipomania prévios. O quadro consiste na presença de 
humor deprimido, anedonia (perda do prazer e interesse de fazer suas atividades diárias), 
perda ou aumento de peso, insônia ou hipersonia, letargia ou agitação, fadiga, sentimentos 
de culpa, falta de energia, redução da capacidade de pensamento e pensamentos de morte. 
Os sintomas devem permanecer por no mínimo 02 semanas para fechar o diagnóstico. 
 
Além dos critérios citados devemos excluir a presença de outras condições clínicas ou defeitos 
fisiológicos que podem estar causando a sintomatologia depressiva. Sempre descartar quadros 
de mania e/ou hipomania. 
Matheus dos Santos Correia 
UniFG – Medicina (Rodízio de Saúde Mental e do Idoso) 
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O transtorno depressivo maior causa sofrimento e prejuízo significativo na vida social e 
profissional do paciente. Vale ressaltar que sua apresentação clínica é heterogênea, podendo 
variar desde de uma sintomatologia mais clássica até de um subtipo apresentado. 
O suicídio é um tema importante que merece cuidado em pacientes com transtorno de 
depressão. A depressão se configura como o principal transtorno responsável por mortes 
associadas ao suicídio. Os pensamentos de morte variam de uma ideação até mesmo plano 
com tentativa. Queixas como desesperança, sensação de inutilidade e desejo de não ser uma 
“carga” para os outros estão dentro dos sintomas. 
DIAGNÓSTICO 
O diagnóstico é fenomenológico caracterizado pela observação de sinais e sintomas por um 
período de tempo, sendo caracterizados e validados através do DSM 5 e CID 10. 
 
Matheus dos Santos Correia 
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Antes de fechar o diagnóstico se faz necessário descartar transtorno bipolar com identificação 
de sintomas de mania ou hipomania, pois a terapêutica é bastante diferente entre esses dois 
diagnósticos. Além disso, excluir causas orgânicas que podem manifestar com sintomas de 
depressão são necessárias: alterações tireoidianas, carências nutricionais, demências, 
Parkinson, epilepsia, HIV, lúpus, mononucleose, traumatismo cranioencefálico, sífilis, acidente 
vascular encefálico e entre outras. 
Devemos ficar atentos para medicamentos que podem agravar os sintomas depressivos: 
 
Pensando em avaliação complementar do paciente com sintomas depressivos podemos 
lançar mão de examesde laboratório e imagem. São eles: 
• Hemograma; 
• TSH; 
• Vitamina B12; 
• Ácido fólico; 
• Eletrólitos (cálcio, fósforo, magnésio); 
• Teste rápido de HIV; 
• Creatinina e ureia; 
• Teste de função hepática; 
• Testes toxicológicos de sangue e urina; 
• Gasometria arterial; 
• Cortisol livre em urina de 24 horas; 
• Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH); 
• TC ou RNM de crânio; 
 
Dentre os transtornos que se assemelham ao depressivo, podemos confundi seu diagnóstico 
com o transtorno depressivo persistente, ou chamado distimia. Consiste em um subtipo de 
transtorno depressivo de caráter mais crônico, pelo menos, 02 anos. Tal transtorno é marcado 
pelas mesmas sintomatologias, porém com uma intensidade mais leve. O seu tratamento é o 
mesmo do depressivo maior, porém a resposta terapêutica pode durar meses para aparecer. 
Por isso, incentivar o paciente a manter o uso das medicações e aliar com a psicoterapia e 
mudança de estilo de vida são propostas intervencionistas benéficas para sua resolução. 
CURSO E PROGNÓSTICO 
A depressão e o transtorno bipolar tender a ser condições crônicas e redicivantes e são uma 
grande carga de estresse aos pacientes e seus familiares, apresentando alto custo social e 
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pessoal. O primeiro episódio surge a partir dos 40 anos em 50% dos pacientes. A maioria dos 
quadros de episódios depressivo permanecem, em média, cerca de 20 semanas, e aqueles 
sem tratamento podem apresentar uma duração de até 13 meses. É importante ressaltar que 
a retirada precoce da terapia farmacológica resulta na retomada dos sintomas depressivos. 
A depressão apresenta comorbidades com outros transtornos. Uma relação interessante é com 
o transtorno de ansiedade (ativas as mesmas vias biológicas) e transtorno de abuso de 
substâncias. Esse último pode ser resultado da resposta sintomatológica do paciente frente a 
depressão, representando um impacto negativo ao prognóstico do paciente. Por outro lado, 
fatores de melhor prognóstico são: idade de início avançada, boa rede de apoio social e 
familiar, ausência de transtorno psiquiátrico comórbido, ausência de episódios psicóticos, 
episódios de internações curtos e sintomatologia de grau leve. 
TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO 
A psicoterapia é uma boa alternativa de tratamento para o transtorno depressivo maior, 
podendo ser usada de maneira isolada ou associada a outros métodos terapêuticos. Tal 
abordagem visa ajudar os indivíduos a desenvolverem mecanismos adaptativos para serem 
mais funcionais em suas vidas e enfrentarem efetivamente a depressão, aliviando sintomas de 
fase ativa. A principal terapia é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), ela ajuda evitar 
futuras recidivas e manter a resposta de tratamento favorável durante um longo período de 
tempo. 
A combinação de psicoterapia e da farmacoterapia está indicada para o tratamento inicial 
da depressão maior unipolar e em casos de depressão resistente, pois o tratamento combinado 
é mais efetivo quando comparado com as terapêuticas isoladas. Além da TCC temos a terapia 
interpessoal e terapia de resolução de problemas. 
TRATAMENTO FARMACOLÓGICO 
O tratamento farmacológico tem como objetivo restabelecer funcionalmente e permitir a 
remissão total dos sintomas depressivos, promovendo taxas menores de suicídio. Os pacientes 
são menos propensos a recaídas quando tratados adequadamente. Desse modo, o 
tratamento farmacológico é a escolha terapêutica inicial para os pacientes depressivos leve e 
moderado. 
Antes de prescrever os medicamentos devemos evitar utilizar os medicamentos em subdoses e 
por um período muito curto. Durante o início da inserção do tratamento os sintomas podem ser 
agravar e as ideias e comportamentos suicidas podem sobressair. O tempo médio para 
apresenta uma resposta terapêutica é de 6-8 semanas. Nesse período observamos a estratégia 
de iniciar o uso de antidepressivo com benzodiazepínicos para evitar tais sintomas. 
O tratamento do transtorno depressivo dura em torno de 06-12 meses e para interromper a 
medicação usada devemos diminuir de forma gradual ao longa de 02 semanas para minimizar 
os sintomas de retirada. 
Matheus dos Santos Correia 
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Os antidepressivos são a primeira escolha para o tratamento dos transtornos depressivos, pois 
eles agem aumentando a disponibilidade de serotonina na fenda sináptica, sendo 
amplamente disponíveis no SUS. 
As principais classes são: 
• Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS): são medicações de primeira linha 
que apresentam maior eficácias e tolerabilidade quando administrados. São 
amplamente presentes no SUS. 
• Inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (DUAIS): age inibindo a 
recaptação desses dois neurotransmissores, podendo ser a primeira escolha para 
pacientes com depressão. Diferente dos ISRS, os duais não são disponíveis no SUS. 
• Antidepressivos atípicos: compostos pela bupropiona, mitarzapina e trazodona 
apresentam mecanismos sobre a serotonina modulando seus receptores para aumentar 
a biodisponibilidade do neurotransmissor. Consistem como medicações de segunda 
linha para a depressão. 
• Antidepressivos tricíclicos: agem no bloqueio da recaptação de serotonina e 
noradrenalina, porém apresentam muitos efeitos colaterais, sua metabolização é mais 
complexa e interage bastante com outros fármacos. São considerados de segunda linha. 
 
 
 
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