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M ETO D O LOG IA D O EN SIN O D AS A TIVIDA D ES AQ U Á TICAS CLA R A K N IER IM CO R R EIA Código Logístico 59789 Fundação Biblioteca Nacional ISBN 978-65-5821-008-5 9 7 8 6 5 5 8 2 1 0 0 8 5 Metodologia do ensino das atividades aquáticas Clara Knierim Correia IESDE BRASIL 2021 © 2021 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito da autora e do detentor dos direitos autorais. Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: LightField Studios/Max4e Photo/Shutterstock Todos os direitos reservados. IESDE BRASIL S/A. Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.br CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ C847m Correia, Clara Knierim Metodologia do ensino das atividades aquáticas / Clara Knierim Cor- reia. - 1. ed. - Curitiba [PR] : IESDE, 2021 116 p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-65-5821-008-5 1. Exercícios físicos aquáticos. 2. Natação - Estudo e ensino. I. Título. 21-69360 CDD: 797.2 CDU: 797.2 Clara Knierim Correia Doutoranda e mestre em Ciências do Movimento Humano pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Bacharela em Educação Física pela mesma universidade. Atua como professora de natação para bebês e crianças. E tem como áreas de interesse: natação, natação para bebês, adaptação ao meio líquido e atividades aquáticas. SUMÁRIO Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! SUMÁRIO Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! 1 Introdução às atividades aquáticas 9 1.1 Natação 10 1.2 Hidroginástica 15 1.3 Polo aquático 17 1.4 Mergulho 20 1.5 Saltos ornamentais e high diving 22 1.6 Natação artística 24 1.7 Natação em águas abertas 26 2 Adaptação ao meio líquido 30 2.1 Princípios físicos da água 30 2.2 Forças na água 34 2.3 Segurança aquática 37 2.4 Salvamento aquático 38 2.5 Nados utilitários 40 2.6 Princípios de adaptação ao meio líquido 41 2.7 Comportamento de um indivíduo não adaptado ao meio líquido 45 3 Estratégias de ensino da natação 48 3.1 Formação do professor de atividades aquáticas 48 3.2 Natação para bebês (6 meses a 3 anos) 49 3.3 Natação para crianças (3 a 6 anos) 52 3.4 A importância da ludicidade nas aulas 54 3.5 Planejamento de aulas para bebês e crianças da educação infantil 55 4 Aspectos técnicos da natação 65 4.1 Ensino dos quatro nados 65 4.2 Análise técnica dos nados 76 4.3 Natação para crianças e adolescentes (7 a 18 anos) 78 4.4 Planejamento de aulas para ensino fundamental e médio 79 4.5 Aperfeiçoamento e treinamentoem natação 80 4.6 Natação de alto rendimento 82 6 Metodologia do ensino das atividades aquáticas 5 Estratégias de ensino das atividades aquáticas 84 5.1 Hidroginástica 84 5.2 Polo aquático 88 5.3 Saltos ornamentais e high diving 92 5.4 Natação artística 94 5.5 Natação em águas abertas 96 6 Natação adaptada 101 6.1 Transtorno do espectro autista (TEA) 101 6.2 Síndrome de Down 104 6.3 Deficiências física, intelectual e visual 106 6.4 Obesidade e comorbidades 109 Gabarito 112 Esta obra tem como objetivo apresentar e discutir as modalidades que compõem as atividades aquáticas: natação, hidroginástica, polo aquático, saltos ornamentais e high diving, natação artística e natação em águas abertas no âmbito escolar. Abordaremos a metodologia de ensino de cada uma dessas modalidades, aspecto fundamental para que o professor tenha respaldo teórico para elaborar e planejar aulas em diferentes contextos. Para tanto, no primeiro capítulo, abordaremos a contextualização histórica das atividades aquáticas, desde seu surgimento até os dias atuais. Além disso, discorreremos sobre suas modificações ao longo do tempo, bem como sua regulamentação e suas características. No segundo capítulo, aprofundaremos os princípios físicos da água que fundamentam as atividades aquáticas: as forças propulsivas e as resistivas. Precisamos saber as diferenças entre ambiente terrestre e aquático. Nesse capítulo, estudaremos também os nados utilitários, noções de segurança e salvamento aquático. Tais aspectos são fundamentais para evitar acidentes na borda da piscina e ensinar aos alunos noções de segurança e de sobrevivência. Estudaremos, ainda, os processos de adaptação ao meio líquido: primeiros contatos com a água, respiração, flutuação, deslizamentos e entradas e saídas da piscina. Esses processos são considerados a base para dar continuidade aos ensinamentos das atividades aquáticas. Já no terceiro capítulo, o foco é natação para bebês e natação para crianças até 6 anos. Além disso, apresentaremos uma seção especial sobre formação do professor de atividades aquáticas e a importância da ludicidade nas aulas. Como realizar o planejamento de aulas para bebês e crianças também ocupa uma seção nesse capítulo. O quarto capítulo é voltado para a natação e os ensinos dos nados. Primeiramente compreenderemos os quatro nados: APRESENTAÇÃOVídeo 8 Metodologia do ensino das atividades aquáticas crawl, costas, peito e borboleta, bem como sua ordem de ensino. Em seguida, aprenderemos sobre os processos pedagógicos de ensino de cada nado. A análise técnica dos nados e os principais erros são apresentados na sequência desse capítulo. Ainda, saberemos sobre natação para crianças de 7 a 17 anos, natação para alto rendimento e, não menos importante, natação competitiva. No quinto capítulo, aprofundaremos os conteúdos sobre hidroginástica, polo aquático, saltos ornamentais e high diving, natação artística e natação em águas abertas na escola. Apresentaremos as características de cada modalidade, exemplos de planejamento e como as aulas devem ser conduzidas. Finalizamos com o sexto capítulo, em que abordaremos a natação adaptada. Esse capítulo terá ênfase no transtorno do espectro autista (TEA), na síndrome de Down, na deficiência física, intelectual e visual, além de obesidade e comorbidades. Conheceremos as características de cada deficiência/doença, assim como técnicas para condução das aulas. É de extrema importância que o professor tenha conhecimento de algumas estratégias para adaptar suas atividades e atender às necessidades de todos os alunos. Nosso objetivo é levar os conhecimentos das atividades aquáticas para você, futuro professor. Embora pareça ser um volume grande de conteúdo, a didática desse livro permite que a leitura seja leve! De modo geral, ao final da obra, o professor deve estar apto para desempenhar aulas das diferentes modalidades aquáticas na rede escolar. Bons estudos! Introdução às atividades aquáticas 9 1 Introdução às atividades aquáticas Neste capítulo, conheceremos as atividades aquáticas. Você sabe como surgiu a natação? Ou o que é high diving? Teria coragem para praticar? Além disso, sabe como os nadadores conseguem escutar as músicas na modalidade de natação artística? Essas e tantas outras perguntas serão respondidas neste capítulo. Ao decorrer da leitura, apresentaremos um pouco sobre as atividades aquáticas – natação, hidroginástica, polo aquático, mer- gulho, salto ornamental e high diving, natação artísticae natação em águas abertas –, além de explanar como foi o processo de evolução histórica dessas modalidades. Vamos descobrir também algumas figuras importantes e que contribuíram para os avanços das atividades no mundo. Outro fato importante que trabalharemos é a regulamentação e as características que moldam cada uma das atividades aquáticas. As regulamentações dessas modalidades surgiram com o objetivo de padronizar as competições, fazendo com que os praticantes tenham as mesmas condições durante as competições. As regras variam desde o tipo de vestimenta até as medidas da piscina, o ta- manho da bola, os árbitros ou oficiais, por exemplo. Ao final da leitura deste capítulo, esperamos que você consiga explicar para seus futuros alunos quais eram os tipos de nados utilizados até meados de 1924, que a hidroginástica surgiu de uma área da fisioterapia, que a natação artística era conhecida como balé na água e que, atualmente, existem competições radicais de salto ornamental. 10 Metodologia do ensino das atividades aquáticas 1.1 Natação Vídeo Historicamente, a natação tem sua origem relatada desde os pri- mórdios da existência humana e sua evolução ocorreu de acordo com os marcos históricos mundiais (SSAVEDRA, ESCALANTE, RODRÍ- GUEZ,2003). Por uma questão de sobrevivência, o ser humano preci- sava percorrer lagos, lagoas e mares na busca de alimentos, fuga de animais e descoberta de novos territórios. A primeira ilustração de humanos se deslocando na água foi por volta de 9000 a.C., em uma caverna na Líbia (Figura 1). Embora seja há muito tempo, os relatos aparecem com mais frequência após a desco- berta da escrita (em torno de 3500 a.C.) com os egípcios e, um pouco mais recente, com os gregos (1200 a.C.) (LEWILLIE,1983). Figura 1 Primeiros indícios da prática de natação. M GA 73 bo t2 /W ik im ed ia C om m on s Pintura rupestre encontrada na Caverna no deserto da Líbia, no Egito. Por volta de 1000 a.C., os romanos e fenícios utilizavam a natação como forma de estratégia militar. Nessa época, os seres humanos ti- nham duas maneiras de nadar, descritas a seguir. Nado instintivo Movimentos simultâneos e similares ao nado peito. Nado elaborado Movimentos alternados e similares ao nado cachorrinho. Um grande exemplo dos gregos é a figura do Deus Poseidon, uma vez que relatos de provas de natação em homenagem ao Deus dos Mares foram encontrados. Curiosidade Introdução às atividades aquáticas 11 Em meados de 355 a.C., a natação foi difundida por Platão (428-348 a.C.), com a famosa frase “todo homem culto deve saber ler, escrever e nadar”, conhecida como Lei 689 de Platão. Além disso, houve a criação de academias de natação. Desde então, as informações foram tão recorrentes que Nicolas Wynman, em 1538, escreveu o primeiro livro sobre essa modalidade (Figura 2). Os nados, que antes eram conhecidos como instintivos e elaborados, também tiveram sua evolução. Em Londres (1837), durante a primeira competição oficial de natação, a comissão técnica já havia estipulado três tipos de nado: peito, cachorrinho e peito invertido (de costas). No ano de 1844, os norte-americanos venceram as provas com novo tipo de nado, o under-arm-side-stroke (Figura 3b), em que eles na- davam lateralmente com os braços submersos. Rapidamente, o nado evoluiu para over-arm-side-stroke (Figura 3c), em que a posição do cor- po era lateral e a recuperação de um braço era aérea, e em seguida para double-over-arm-side-stroke (Figura 3d), no qual o corpo passou a ser horizontalizado e a recuperação dos dois braços se tornou aérea (aproximando-se do nado crawl). Nesses três tipos de nados, a pernada era considerada de tesoura e era executada da seguinte maneira: cor- po lateralizado e pernas realizando movimentos alternados. A Figura 3 ilustra a evolução dos nados e a pernada de tesoura. Figura 3 Evolução dos nados a) nado elaborado b) nado under-arm-side- -stroke c) nado over-arm-side- -stroke d) nado double-over-arm- -side-stroke. Cl ar aa kc /W ik im ed ia C om m on s Em 1900, durante os jogos olímpicos de Paris, Frederick Cavill revolucionou o nado utilizando pernadas alternadas, o que ficou conhecido como crawl australiano. Embora esse tipo de crawl seja con- siderado o nado mais rápido, a respiração ainda era frontal, dificultan- do o deslocamento. Figura 2 Capa do primeiro livro sobre natação, escrito por Nicolas Waynmann (1538). Claraakc/Wikimedia Commons O vídeo Swimming Strokes - and how they evolved (1933), publicado pelo canal British Pathé, ilustra a história e evolução dos nados. Disponível em: https://www.youtube. com/watch?v=w8ijluhcOWY. Acesso em: 1 dez. 2020. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=w8ijluhcOWY https://www.youtube.com/watch?v=w8ijluhcOWY 12 Metodologia do ensino das atividades aquáticas Figura 4 Prova de natação nos Jogos Olímpicos de Paris em 1900 Sk bl zz 1/ W ik im ed ia C om m on s O ano de 1908 foi considerado um marco importante para a nata- ção. Nesse ano, foi criada a Federação Internacional de Natação Ama- dora (FINA – Féderation Internationale de Natation Amateur). A FINA é, atualmente, a entidade que regulamenta os seguintes esportes aquá- ticos: natação, saltos ornamentais, high diving, natação artística, polo aquático e natação em águas abertas. Outro marco histórico sobre a técnica do nado crawl foi em 1924, quando Johnny Weissmuller nadou com o corpo horizontalizado, a re- cuperação aérea dos dois braços e a respiração lateral. Dessa maneira, os atletas e técnicos perceberam o excelente desempenho do Johnny e, a partir de então, essa técnica foi chamada de nado crawl, que é como conhecemos atualmente. Uma série de fatores contribuíram para que a natação se modi- ficasse, dentre eles, o avanço científico. As pesquisas em natação foram importantes para desenvolver a melhor técnica dos nados. Em 1964, James Counsilman foi considerado um dos pais das pes- quisas em natação. Ele, juntamente a sua equipe, identificou que, naquela época e com as estruturas que tinham, a melhor técnica da braçada do nado crawl era realizar algo similar a um “bumerangue” com os braços. Anos depois, Mark Spitz (EUA), treinado por James Counsilman, bateu vários recordes olímpicos e levou sete medalhas de ouro por causa de seu desempenho, que foi um resultado dessas pesquisas (PELAYO, ALBERT, 2011). Em 1900, a competição ocorreu apenas na modalidade masculina e com sete provas: 200 metros livres, 1.000 metros livres, 4.000 metros livres, 200 metros costas, revezamento 4x200 metros livres, 200 metros natação com obstáculos e natação submersa. Curiosidade O site da Federação Internacional de Natação Amadora (FINA) fornece acesso às informações sobre regras, competi- ções, recordes e curiosi- dades sobre os esportes aquáticos no mundo. Disponível em: http://www.fina. org/. Acesso em: 1 dez. 2020. Site Johnny também ficou conhecido mundialmente por interpretar o Tarzan. Curiosidade http://www.fina.org/ http://www.fina.org/ Introdução às atividades aquáticas 13 Além do desempenho da técnica, a evolução das pesquisas em na- tação contribuiu para melhora na qualidade da água e para elaboração de blocos de partidas instrumentados e sistemas de câmeras subaquá- ticas. Outro exemplo da relevância da pesquisa na natação foram as inovações tecnológicas dos trajes dos atletas (2008-2009), denomina- dos Dry-Skin ou Fast-Skin. Esses trajes cobriam grande parte do corpo do atleta e, por contribuírem para o nado ser executado com mais ve- locidade, foram proibidos pouco tempo depois. No Brasil, a prática de natação sempre esteve presente, desde seu descobrimento, pois, no início, os indígenas realizavam os deslocamen- tos pela água para buscar alimentos. Com a chegada dos portugueses, a natação teve sua evolução junto com o desenvolvimento no mundo. Até meados do século XIX, os treinamentos de natação e as próprias competições mundiais ocorriam em ambientesabertos. Em caráter competitivo, a primeira piscina de natação registrada foi em 1919, no Rio de Janeiro. Com todas as mudanças e adaptações, essa atividade foi se desenvolvendo e se tornou uma modalidade olímpica e mundial- mente praticada. Tímido e sem perspectiva de medalhas, o Brasil levou poucos atle- tas para competir natação nos Jogos Olímpicos da Antuérpia, em 1920. O desempenho da natação brasileira na história dos Jogos Olímpicos está apresentado no Quadro 1. Quadro 1 Quadro de medalhas do Brasil na natação nos Jogos Olímpicos Local dos Jogos Olímpicos Ano Quantidade de medalhas Provas Atletas Antuérpia 1920 – – – Helsinque 1952 01 – Bronze 1500 m livre Tetsuo Okamoto Roma 1960 01 – Bronze 100 m livre Manuel dos Santos Júnior Moscou 1980 01 – Bronze Revezamento 4x200 m livre Cyro Delgado, Djan Madruga, Jorge Fernandes, Marcus Mattioli Los Angeles 1984 01 – Prata 400 m medley Ricardo Prado Barcelona 1992 01 – Prata 200 m livre Gustavo Borges Atlanta 1996 01 – Prata 200 m livre 02 – Bronze 100 m livre 50 m livre Fernando Scherer Alguns grandes nomes da natação mundial são: Michael Phelps (EUA), César Cielo (BR), Gustavo Borges (BR), Etiene Medeiros (BR), Chad Le Clos (FR), Katie Ledecky (EUA) e Poliana Okimoto (BR). Curiosidade 14 Metodologia do ensino das atividades aquáticas Local dos Jogos Olímpicos Ano Quantidade de medalhas Provas Atletas Sydney 2000 01 – Bronze 4x100 m livre Gustavo Borges, Fernando Scherer, Carlos Jayme, Edvaldo Valério Pequim 2008 01 – Ouro 50 m livre César Cielo 01 – Bronze 100 m livre Londres 2012 01 – Prata 400 m medley Thiago Pereira 01 – Bronze 50 m livre César Cielo Fonte: Elaborado pela autora com base em Olympic Games, 2012. A cada finalização de um ciclo olímpico (quatro em quatro anos), um comitê se reúne e define as novas regras para os quatro estilos (livre, costas, peito e borboleta), medley e revezamentos. As regras de nata- ção variam desde a temperatura da água até as medidas da piscina, o quadro de arbitragem (posicionamento dos árbitros e suas respectivas funções), as regras dos nados, a composição das séries eliminatórias, semifinais e finais, bem como a partida e o registro de tempo. As regras dos nados contribuem para moldar as características da natação. Figura 5 Representação das medidas de largura e comprimento de uma piscina olímpica Sn or ky ~c om m on sw ik i/W ik im ed ia C om m on s Figura 6 Representação das bandeirolas (cores claras e escuras) e marcação do T no fundo da piscina (linha escura) Fæ /W ik im ed ia C om m on s As piscinas oficiais podem ser consideradas olímpicas ou semiolímpicas. A piscina olímpica apresenta medidas de 25 m de lar- gura, 50 m de comprimento e pelo menos 1,35 m de profundidade (Figura 5). Já a semiolímpica possui 25 m de largura, 12,5 m de compri- mento e no mínimo 1,35 m de profundidade. Os dois tipos de piscina apresentam as bandeirolas, localizadas a cinco metros de cada borda, e uma marcação no fundo da piscina, similar a um T, para indicar ao nadador que ele está chegando na borda. No Brasil, a entidade que rege a natação é a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA); porém, cada estado brasileiro e o Dis- trito Federal possuem as suas federações aquáticas que regem as com- petições a nível estadual e regional. Os árbitros de natação brasileiros são vinculados às federações estaduais – por exemplo, Federação Aquá- tica Paulista (FAP) e Federação Aquática de Santa Catarina (FASC) – e à CBDA; além disso, por indicação, podem ser convidados a fazer parte do quadro de arbitragem internacional da FINA e atuar em jogos olímpicos. Para saber mais sobre a natação, acesse o site da CBDA – Natação. Disponível em: https://cbda.org.br/ br/natacao. Acesso em: 1 dez. 2020. Saiba mais Para ter acesso às infor- mações sobre regras, competições, recordes e curiosidades sobre os es- portes aquáticos no Brasil, acesse o site da Confedera- ção Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). Disponível em: https://novo.cbda.org. br/. Acesso em: 1 dez. 2020. Site 1.2 Hidroginástica Vídeo A hidroginástica, também conhecida como ginástica aquática, aquaeróbica ou hidroatividade, é considerada uma vertente da hidro- terapia (área da fisioterapia). Desde 460 a.C. já existiam relatos de banhos com água em temperatura elevada com função terapêutica. Nessa época, a hidroterapia era utilizada para recuperação muscu- lar e alívio de espasmos, caracterizada por ser uma atividade calma e relaxante. Em busca de uma prática de atividade física que minimi- zasse os riscos de lesões articulares e tendo em vista os benefícios de atividades no ambiente aquático, a hidroginásti- ca começou a ser praticada primeira- mente por idosos. Essa modalidade teve início na Alemanha, no século XVIII, e tem como definição “mo- dalidade caracterizada pela realização de exercícios fí- sicos em imersão vertical, utilizando membros su- Figura 7 Idosos em aula de hidroginástica AL PA P RO D/ Sh ut te rs to ck Introdução às atividades aquáticasIntrodução às atividades aquáticas 1515 https://cbda.org.br/br/natacao https://cbda.org.br/br/natacao https://novo.cbda.org.br https://novo.cbda.org.br 16 Metodologia do ensino das atividades aquáticas periores e inferiores permanecendo conti- nuamente no meio líquido” (FERNANDES, 2011). Embora a hidroginástica tenha ini- ciado há mais de 200 anos, no Brasil ainda é considerada uma modalidade recente, com os primeiros registros apenas em 1980. Atualmente, a hidroginástica é pratica- da por idosos, adultos, gestantes, obesos e pessoas com problemas osteomioarticulares, por exemplo. Os benefícios são diversos: melhora da aptidão física; qua- lidade de vida; flexibilidade; equilíbrio; melhora da pressão arterial; saúde mental etc. (ASSIS et al., 2018; FERNANDES, 2011; MAZO; CAR- DOSO; AGUIAR, 2006). Os praticantes possuem objetivos, que vão desde a redução da massa corporal até a socialização, os quais devem ser levados em con- sideração durante o planejamento das aulas. Além da temperatura da água, outras características devem ser elencadas para uma aula de boa qualidade, como os materiais disponíveis (espaguetes, halteres, pran- chas, caneleiras, steps, entre outros), o tempo de execução, a quan- tidade de repetições dos exercícios e, principalmente, o conhecimento sobre as propriedades físicas da água. Figura 9 Materiais utilizados na aula de hidroginástica Pedro Am orim Pe reir a/S hu tte rst oc k begalph oto/ Shu tte rst oc k À direta: espaguete; e à esquerda: halteres. Figura 8 Exemplo de aula de hidro- ginástica Robert Kneschke/Shutterstock Introdução às atividades aquáticas 17 Diferentemente das outras modalidades aquáticas, a hidroginástica não possui regras oficiais. Porém, existem alguns aspectos das aulas que são importantes de ser destacados: • a piscina deve dar pé para os alunos, por isso geralmente as aulas ocorrem com até 1,40 m de profundidade; • a água deve ser quente, com temperatura variando entre 32 e 33 graus; • as aulas devem ter músicas, e o estilo musical varia de acordo com o perfil da turma. Assim como a hidroginástica foi criada com base na hidroterapia, ou- tras modalidades foram originadas da hidroginástica. Dentre elas, temos: pilates na água; hidroioga; hidrodança; acquafuncional; hidropower; hidro- local; e deep water e deep runner (realizadas em piscinas que não dão pé). O vídeo Hidropilates, publicado pelo canal tvsporttime, é uma ótima dica para conhecer um pouco mais sobre a modalidade de pilates na água. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=9TMNJBATk8E. Acesso em: 1 dez. 2020. Vídeo 1.3 Polo aquático Vídeo O polo aquático é um esporte olímpico, praticado em piscinas, mares, lagos ou lagoas e caracterizado por ter duas equipes, cada uma com sete jogadores em campo e seis reservas. O objetivo prin- cipal é marcar o maior número de gols em um período de aproxima- damente 32 minutos.Os times são identificados de acordo com as cores das toucas. Figura 10 Registro de um jogo de polo aquático Fi ni zi o/ W ik im ed ia C om m on s https://www.youtube.com/watch?v=9TMNJBATk8E https://www.youtube.com/watch?v=9TMNJBATk8E https://www.youtube.com/watch?v=9TMNJBATk8E 18 Metodologia do ensino das atividades aquáticas As dimensões do campo de jogo são: entre 20 m e 30 m de compri- mento; 10 m e 20 m de largura; e pelo menos dois metros de profundi- dade. Os gols são colocados em cada extremidade do comprimento do campo (Figura 11). Figura 11 Dimensões de campo de jogo Al le xa nd er h/ Sh ut te rs to ck 30 m 30 m 20 m Gol 20 m Gol O jogo é divido em quatro tempos de oito minutos, com intervalos de dois minutos ao fim do primeiro tempo, cinco minutos no final do se- gundo tempo e mais dois minutos quando se termina o terceiro tempo. Quando a modalidade começou a ser praticada, em Londres (século XVII), os jogadores competiam em rios e lagos montados em barris, assemelhando-se ao jogo de polo (com cavalos) – é dessa maneira que surge o nome polo aquático. Praticado apenas por homens, o polo aquáti- co se tornou uma modalidade olímpica nos Jogos Olímpicos de Paris, em 1900. Nessa época, os jogadores já haviam abandonado os barris e joga- vam com diferentes técnicas de flutuação e deslocamento. Aliás, es- ses fundamentos da natação são imprescindíveis para um excelente desempenho nos jogos de polo aquático. A partici- pação de equipes femininas no esporte ocorreu apenas nos Jogos Olímpicos de Sydney, no ano 2000. No Brasil, o polo aquático começou a ser praticado no início do século XIX, no Rio de Janeiro. Semelhante à nata- ção, a equipe do Brasil de polo aquático teve sua estreia nos jogos da Antuérpia, na Bélgica, em 1920. Desde então, sua popularidade tem aumentado, com maior concentração Figura 12 Registro de um jogo de polo aquático feminino SaGoBCN/Wik imed ia C om mo ns Introdução às atividades aquáticas 19 de clubes na Região Sudeste. Até o ano de 2020, o Brasil não conta com medalhas olímpicas; porém, a equipe masculina possui uma medalha de bronze dos Jogos Pan-Americanos de 2019 (COMITÊ OLÍMPICO BRASILEI- RO, 2019). Algumas das características marcantes dos jogos são a agilidade entre os lances e a forte marcação entre os jogadores, resultando em diversas faltas. Além disso, alguns movimentos são também caracte- rísticos do polo, como a pernada do tipo eggbeater e o nado crawl polo. A pernada permite que o jogador consiga ter uma sustentação do corpo, sendo importante para os lances e arremessos ao gol. O nado crawl polo é caracterizado por manter sempre o rosto fora da água e direcionado para um ponto fixo. Figura 13 Marcação no jogo de polo aquático M at lin /W ik im ed ia C om m on s A FINA também regulamenta o polo aquático internacionalmente, enquanto a CBDA e as federações estaduais o re- gulamentam nacionalmente. As regras da modalidade são divididas em 19 itens (CBDA/FINA, 2018c): • campo de jogo; • gols; • bola; • gorros; • equipes; • oficiais (árbitros, juízes, cronometris- tas e secretários); • tempo de jogo; • início de jogo; • time out; • recomeço após gol; • tiros (gol, canto, neutros e livre). 20 Metodologia do ensino das atividades aquáticas Para o início do jogo, as equipes devem estar dispostas na linha do gol e nenhuma parte do corpo deverá ultrapassar essa linha. Quando o árbitro julgar que todos os jogadores estão nas posições corretas, ele soa o apito e arremessa a bola em jogo na linha de meio de campo. Após o sinal sonoro, os jogadores nadam em direção à bola e o jogo é iniciado. Não são permitidos chutes, socos e empurrões, nem segurar o adversário. 1.4 Mergulho Vídeo O esporte mergulho é caracterizado por submergir em água com ou sem auxílio de aparelho de respiração que também é conhecido como cilindro. O mergulho é dividido em três tipos: mergulho livre de snorkeling, mergulho livre em apneia e mergulho autônomo. Figura 14 Mergulho livre de snorkeling Figura 15 Mergulho livre em apneia Figura 16 Mergulho autônomo Seabirdsailing/Wikimedia Com m ons Dudarev M ikhail/Shutterstock Os mergulhos livres de snorkeling são realizados preferencialmen- te em costas marítimas para contemplar o ambiente marinho (peixes, tartarugas e corais, por exemplo), enquanto o mergulho autônomo, por utilizar cilindros, é realizado em locais profundos. O mergulho em O site da CBDA – Polo Aquático fornece mais in- formações e curiosidades referentes à modalidade. Para saber mais, acesse o link a seguir. Disponível em: https://cbda.org. br/br/poloaquatico. Acesso em: 1 dez. 2020. Site https://cbda.org.br/br/poloaquatico https://cbda.org.br/br/poloaquatico Introdução às atividades aquáticas 21 apneia pode ser realizado por meio da modalidade estática (quanto tempo permanece em apneia subaquática) e dinâmica (maior profun- didade que consegue percorrer em apneia). A modalidade competitiva de mergulho é regulamentada internacionalmente e nacionalmente pela Associação Interacional para Desenvolvimento da Apneia (AIDA – International Association for the Development of Apnea) desde 1992. As competições mundialmente conhecidas são as de maior tempo per- manecendo em apneia subaquática e as de percorrer a maior profundi- dade no mergulho livre (denominadas de lastro constante). Similares à natação, as atividades de mergulho também estão pre- sentes no desenvolvimento da humanidade. Desde 4000 a.C., existem registros de seres humanos mergulhando para caçar certos tipos de peixes e pérolas no fundo do mar. Em tempos de guerras, os mergu- lhadores tinham como função destruir os cascos dos navios para que esses afundassem. Diante da falta de segurança, muitos mergulhado- res, ao retornarem à superfície, sentiam-se totalmente indispostos, então os médicos começaram a investigar essa atividade (BRASIL MER- GULHO, 2000). Por volta de 1878, a doença descompressiva foi descoberta; seus sin- tomas variavam entre dificuldades para respirar, bem como fortes dores nas articulações e no abdômen ocasionadas após o retorno à superfí- cie. Desde então, a evolução dos materiais utilizados pelos mergulhado- res foi fundamental para uma prática mais segura. Em torno de 1940, ocorreu o primeiro mergulho de profundidade: Jacques Yves Cousteau (FR) elaborou um aparelho, similar ao cilindro, e mergulhou 20 m. Figura 17 Evolução dos materiais utilizados para mergulho Esquerda: primeiro escafandro; centro: traje do mergulhador em 1977; direita: traje do mergulhador em 2011. Pb so ut hw oo d/ Fæ /A m ad a4 4/ W ik im ed ia Co m m on s Assista ao vídeo Mergulho em apneia de 101m, publicado por Carolina Schrappe, no qual ela, que é mergulhadora, realiza um mergulho livre em apneia em uma profundidade de 101 metros. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=a_ P33VxepQo. Acesso em: 1 dez. 2020. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=a_P33VxepQo https://www.youtube.com/watch?v=a_P33VxepQo https://www.youtube.com/watch?v=a_P33VxepQo Durante a prática de mergulho, alguns aspectos devem ser leva- dos em consideração: comunicação com a superfície; comunicação subaquática; e a chamada subaquática. Esses elementos também fo- ram se aperfeiçoando ao longo do tempo. Além disso, o mergulho é uma modalidade que precisa de treinamento e nunca deve ser pratica- do sozinho, pois pode levar à morte. No Brasil, a chegada de equipamentos para a prática de mergulho ocorreu por volta de 1960. Após esse acontecimento, a criação de esco- las de mergulhos com instrutores com cursos internacionais tem sido cada vez mais frequente. Até o ano de 2020, o Brasil não conta com medalhistas em competições mundiais de mergulho. 1.5 Saltos ornamentais e high diving Vídeo Os saltos ornamentais e o high diving são caracterizados por saltar de uma determinada altura até uma piscina, mar, rio ou lagoa. A prática dos saltos apresenta registros desdea Grécia Antiga, onde os pratican- tes saltavam de diferentes alturas de penhascos em direção ao mar. Por ser uma modalidade que exige coragem, os saltos inicialmente eram utilizados para treinamento de militares. Os atletas de ginástica artística também praticavam os saltos com acrobacias com o intuito de melhorar a performance no solo. Por volta de 1600, os saltos começaram a ser praticados como ativi- dade esportiva, na qual os atletas precisavam saltar de uma determina- da altura e realizar elementos ginásticos, como posições grupadas e carpadas. Em Londres (1871) ocorreu a primeira competição de saltos, em que os praticantes saltavam de uma ponte até um rio. Os saltos or- namentais na categoria individual estrearam nos Jogos Olímpicos em 1904, em Saint Louis. No Brasil, essa modalidade espor- tiva teve seus primeiros registros no início do século XIX, na praia do Bo- tafogo, no Rio de Janeiro. Em 1920, o Brasil levou uma equipe de salto ornamental para os Jogos Olímpicos da Antuérpia, na Bélgica. Em 2000, nos Jogos Olímpicos de Sydney, a Para saber mais sobre o mergulho no Brasil, acesse o site da Associa- ção Internacional para o Desenvolvimento da Apneia. Disponível em: https://www. aidabrasil.com.br/. Acesso em: 1 dez. 2020. Site Voya ger / Wikim ediaC omm ons Figura 18 Arvid Spangberg em com- petição realizada em 1908 2222 Metodologia do ensino das atividades aquáticasMetodologia do ensino das atividades aquáticas https://www.aidabrasil.com.br https://www.aidabrasil.com.br Introdução às atividades aquáticas 23 modalidade de salto ornamental sin- cronizado (em duplas) foi incluída no programa de provas. Os saltos podem ser realizados em plataformas fixas (10 m de altura) ou trampolins (um ou três metros de altura), enquanto a piscina precisa ter pelo menos cinco metros de profundidade (CBDA/FINA, 2018d). A FINA regulamenta a modalidade de salto ornamental internacionalmente e a CBDA, juntamente às federações estaduais, nacionalmente. O caderno de regras conta com nove itens (CDBA/FINA, 2018d): • informações gerais; • competições; • formato de competições; • boletins de saltos; • procedimentos na competição, arbitragem (deveres dos árbitros e secretários); • critérios de julgamento; • julgamento dos saltos sincronizados; • resumo das penalidades; • regulamento para grupos de idade. Nos saltos individuais, o atleta é avaliado nos seguintes critérios: posição inicial, corrida (pulo para ponta), saída, voo e entrada. As notas variam de zero (completamente falho) até dez (excelente). Nos saltos sincronizados, os atletas são avaliados pelo seu desempenho indivi- dual e pela sincronia da dupla. Enquanto os saltos ornamentais ocorrem em alturas de até 10 m, a modalidade de high diving ocorre em plataformas com alturas de 27 m para homens e 20 m para mulheres. O high diving é considerado o es- porte radical mais antigo, tendo em vista que por volta de 1700 essa modalidade já era conhecida e praticada no Havaí, nos Estados Unidos, em uma altura aproximada de 25 m. Além de toda a questão cultural havaiana e de agradecimento aos deuses, os homens também salta- vam dos penhascos para seduzir as mulheres. Figura 19 Salto ornamental em dupla Peng/WikimediaCommons Para saber mais sobre salto ornamental, acesse o site da CBDA – Salto ornamental. Disponível em: https://cbda.org. br/saltosornamentais. Acesso em: 1 dez. 2020. Saiba mais https://cbda.org.br/saltosornamentais https://cbda.org.br/saltosornamentais 24 Metodologia do ensino das atividades aquáticas As competições de high diving ocorrem em locais abertos e é sempre montada uma estrutura para a execução do evento (CDBA/FINA, 2018d). Embora seja praticada há muito tempo, apenas em 2013 foi incor- porada à FINA, para ser regulamentada. Por ser tão re- cente, ainda não existe um caderno de regras em língua portuguesa. No geral, o caderno de regras é organiza- do de modo semelhante ao dos saltos ornamentais. Os atletas são avaliados nas seguintes situações: saí- da, voo e entrada. Além disso, as notas podem variar de zero a dez. Em 2009, a empresa Red Bull iniciou as competi- ções com circuito mundial Red Bull Cliff Diving. Esse grande evento aumentou a popularidade desse es- porte. Apesar disso, ainda não se tem expectativas de ele se tornar um esporte olímpico. Saiba mais Para saber mais sobre as competições de high diving, acesse o site da Red Bull Cliff Diving. Disponível em: https://cliffdiving.redbull.com/m/pt_US. Acesso em: 1 dez. 2020. Figura 20 Estrutura da competição Red Bull Cliff Diving, França (2016) Jpbazard/WikimediaCommons 1.6 Natação artística Vídeo A natação artística, antigamente denominada nado sincronizado, é caracterizada por executar uma sequência de movimentos com músi- ca, sendo similar à dança, em um ambiente aquático. Durante as pri- meiras competições de natação na Europa, no século XIX, a natação artística era praticada durante os intervalos com o objetivo de entreter o público. Naquela época, as mulheres realizavam poucas acrobacias e a prática era conhecida como balé aquático. Um fato marcante para a história da natação artística foi Annette Kellerman (Austrália), que, em 1907, realizou exibições em um tanque de vidro para todos contemplarem a sua performance dentro da água (TORRES, 2017). A modalidade começou a ser mais praticada no mundo após essa exibição. https://cliffdiving.redbull.com/m/pt_US Introdução às atividades aquáticas 25 Figura 21 Anette Kellerman em uma exibição em 1920 De an la w/ W ik im ed ia Co m m on s Embora tenha sido regulamentada em 1952, a natação artística se tornou modalidade olímpica nos Jogos Olímpicos da Cidade do México, em 1984. Essa modalidade é considerada um mix de ginástica e balé, por conta de seus elementos: movimentos grupados, carpados, posi- ção de cancã e posição de cancã duplo, por exemplo. No Brasil, é pouco praticada e apresenta maior concentração de clubes na Região Sudes- te. Embora não tenha medalhas olímpicas, no ano de 2019, o dueto feminino ficou em quarto lugar nos Jogos Pan-Americanos, sendo uma das melhores colocações que o país já atingiu. Figura 22 Posição grupada IE SD E BR AS IL S /A Corpo tão compacto quanto possível, com as costas arredondadas e perna e joelhos juntos. Calcanhares o mais próximo possível dos glúteos. Cabeça próxima aos joelhos. 26 Metodologia do ensino das atividades aquáticas Figura 23 Posição do cancã Figura 24 Posição do cancã duplo IE SD E BR AS IL S /A Corpo na posição de costas. Uma perna estendida perpendicular à superfície. Pernas juntas e estendidas, perpendiculares à superfície. Cabeça e tronco em linha. Rosto na superfície. A FINA (internacionalmente) e a CBDA (nacionalmente) regulamen- tam a natação artística e apresentam um caderno de regras composto por 24 itens (CDBA/FINA, 2018b). As competições podem ser de manei- ra solo, em duetos, duetos mistos, equipes, rotina livre combinada e rotina de destaque. As piscinas devem ter pelo menos três metros de profundidade e possuir um sistema sonoro acoplado nas bordas, para que os praticantes consigam escutar as músicas e realizar as coreo- grafias. Na natação artística, são permitidos o uso de materiais como prendedores de nariz (noseclip). Os atletas são avaliados quanto à exe- cução, sincronização (quando necessária), coreografia, interpretação da música, maneira de apresentação e dificuldade. As notas variam de zero (completamente falho) a dez (perfeito). 1.7 Natação em águas abertas Vídeo A natação em águas abertas tem como característica nadar em am- bientes fora da piscina (rios, mares e lagoas). É uma modalidade que exige coragem e conhecimento do local de prova, visto que durante o percurso o nadador, muitas vezes, precisa vencer a baixa visibilidade da água, a água gelada, a correnteza, as ondas, o repuxo, as águas-vivas e os ventos fortes, por exemplo. No Brasil e no mundo, a natação em águas abertas tevesua evolu- ção junto com a natação tradicional, em que por muito tempo os prati- cantes nadavam em ambientes abertos, até o surgimento das piscinas que conhecemos atualmente. Lord Byron nadou aproxima- damente 2 km em um minuto, atravessando o estreito de Darnadelos, e Capitão Matthew Web atravessou o canal da mancha em 1875. Curiosidade Introdução às atividades aquáticas 27 As competições oficiais apresentam as metragens variando de 5 km, 10 km (maratona aquática), 20 km e 25 km (ultramaratona aquática). Po- rém, diversos circuitos apresentam as modalidades de travessinha (en- tre 200 m e 800 m – apenas para iniciantes), além de provas com 1,5 km, 2 km e 3 km. O início da prova é dado por um sinal sonoro e todos os na- dadores devem se deslocar simultaneamente até o local da prova (mar, lagoa ou rio). O local de provas é orientado por boias bem sinalizadas, tendo sempre apoio de segurança próximo dos praticantes. Em todas as competições de águas abertas os atletas utilizam um chip (comumente utilizado no tornozelo) para indicar o tempo de prova realizado. Figura 25 Competição realizada na praia de Copacabana em 2016 M ar co sf ar ia 70 /W ik im ed ia Co m m on s A FINA (internacionalmente) e a CBDA (nacionalmente) regulamen- tam a natação em águas abertas/maratonas aquáticas e apresentam um caderno de regras, composto por apenas sete itens (CBDA/FINA, 2018a): • definições; • oficiais de arbitragem; • deveres dos oficiais de arbitragem; • largada; • local de competição; • prova; • chegada. Embora sejam praticadas há muito tempo, apenas em 2008 as ma- ratonas aquáticas se tornaram esporte olímpico. Atualmente, o Brasil conta com uma medalha de bronze para Poliana Okimoto, que ganhou em terceiro lugar nas Olimpíadas do Rio, em 2016. 28 Metodologia do ensino das atividades aquáticas CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo conhecemos a evolução histórica, a regulamentação e as características que moldam as modalidades aquáticas. Percebemos também que as atividades aquáticas estiveram sempre presentes no de- senvolvimento do ser humano e da humanidade. Pudemos, ainda, com- preender que, seja em modalidades mais antigas ou nas mais recentes, o objetivo é similar: aproximar as pessoas do ambiente aquático. Além dis- so, o capítulo mostrou a importância do desenvolvimento científico para os benefícios e a evolução das modalidades aquáticas. ATIVIDADES 1. Qual é a importância de uma entidade que regulamenta os esportes, como no caso das atividades aquáticas, a FINA/CBDA? 2. Qual foi a importância da evolução científica para o desenvolvimento das atividades aquáticas? 3. Por que os trajes dry-skin ou fast-skin foram proibidos? 4. Depois da leitura deste capítulo, podemos afirmar que todas as modalidades foram originadas da natação? Explique sua resposta. REFERÊNCIAS ASSIS, H. R. et al. O efeito da hidroginástica sobre a pressão arterial: uma revisão de literatura. Diálogos em Saúde, v. 1, n. 1, p. 110-126, 2018. BRASIL MERGULHO. Doença descompressiva. 2000. Disponível em: https://www. brasilmergulho.com/doenca-descompressiva/. Acesso em: 4 mar. 2021. CBDA/FINA - Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos/Federação Internacional de Natação Amadora. Regras oficiais de maratonas aquáticas 2017-2021. 2018a. Disponível em: https://cbda.org.br/RegrasOficiaisMaratonaAquatica2017_2021.pdf. Acesso em: 10 out. 2020. CBDA/FINA - Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos/Federação Internacional de Natação Amadora. Regras oficiais de natação artística 2017-2021. 2018b. Disponível em: https://cbda.org.br/_uploads/nado/RegrasOficiaisNadoArtistico2017_2021.pdf. Acesso em: 5 out. 2020. CBDA/FINA - Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos/Federação Internacional de Natação Amadora. Regras oficiais de polo aquático 2017-2021. 2018c. Disponível em: https://cbda.org.br/_uploads/polo/RegrasOficiaisPoloAquatico2017_2021.pdf. Acesso em: 22 set. 2020. CBDA/FINA - Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos/Federação Internacional de Natação Amadora. Regras oficiais de saltos ornamentais 2017-2021. 2018d. Disponível em: https://cbda.org.br/_uploads/saltos/RegrasOficiaisSaltosOrnamentais2017_2021.pdf. Acesso em: 30 set. 2020. https://cbda.org.br/RegrasOficiaisMaratonaAquatica2017_2021.pdf https://cbda.org.br/_uploads/nado/RegrasOficiaisNadoArtistico2017_2021.pdf https://cbda.org.br/_uploads/polo/RegrasOficiaisPoloAquatico2017_2021.pdf https://cbda.org.br/_uploads/saltos/RegrasOficiaisSaltosOrnamentais2017_2021.pdf Introdução às atividades aquáticas 29 COB. Medalhas do Time Brasil nos jogos Pan-Americanos de 2019. 2019. Disponível em: https://www.cob.org.br/pt/lima-2019/medalhas. Acesso em: 4 mar. 2021. FERNANDES, R. C. Aspectos históricos, conceitos fundamentais: hidroginástica, saúde, qualidade de vida e educação física. EFDeportes, v. 15, n. 154, 2011. LEWILLIE, L. Research in swimming: historical and scientific aspects. Em A. 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Revista da UI_IPSantarém- Unidade de Investigação do Instituto Politécnico de Santarém. v. 5, n. 2, p. 144-156, 2017. 30 Metodologia do ensino das atividades aquáticas 2 Adaptação ao meio líquido Neste capítulo, aprenderemos sobre o ambiente aquático, as forças atuantes durante os movimentos nele e os princípios físi- cos da água. Além disso, trabalharemos com a prevenção de afo- gamentos, a base das modalidades aquáticas, e os princípios de adaptação ao meio líquido. Entre os conteúdos explorados, vamos entender sobre o empuxo, a densidade, o centro de empuxo, a pressão hidrostática, a condutividade térmica e a refração. Um questionamento muito comum que deve ocorrer é: “nossa, mas física?”. Sim, precisamos saber desses conceitos para compreender sobre as diferenças do ambiente terrestre para o aquático. Trabalharemos também as forças propulsivas e algumas resistivas na água. Ao trabalharmos em um ambiente aquático, precisamos saber quais medidas devem ser tomadas para prevenir um afogamento e o que fazer quando identificar um afogado. Portanto, vamos es- tudar neste capítulo noções muito importantes sobre segurança, salvamento aquático e nados utilitários. Por fim, trataremos dos princípios de adaptação ao meio líquido, que são considerados a base para a evolução nas modalidades aquáticas. 2.1 Princípios físicos da água Vídeo As atividades no meio aquático, diferentemente das atividades no solo, exigem do professor conhecimento dos princípios físicos da água e compreensão de seus efeitos sobre o corpo humano. Nesta seção, vamos estudar algumas dessas propriedades. • Empuxo (E): força exercida sobre a água; apresenta a mesma in- tensidade e direção contrária da força peso. O empuxo foi des- coberto pelo matemático Arquimedes, por volta de 2200 a.C., e é conhecido como princípio de Arquimedes. Os fatores que Adaptação ao meio líquido 31 influenciam o empuxo são densidade do fluido (μ), volume do ob- jeto (V) e gravidade (g), conforme a fórmula a seguir. E=μ.V.g Figura 1 Representação da força empuxo (E) E P E → Empuxo P → Peso Fonte: Elaborada pelaautora. • Densidade: representada matematicamente pela fórmula d=m/V, que indica quanto há de massa (m) de um corpo por unidade de volume (V). A densidade do corpo humano pode variar entre 0,93 e 1,10 g/cm³, e os fatores que a afetam são composição corporal e densidade óssea, por exemplo. Já a densidade da água pode variar em torno de 1 g/cm³, o fator que mais afeta a densidade é o tipo de água (doce ou salgada), sendo que a água salgada faz com que a densidade aumente, enquanto a água doce a diminui. A densidade do corpo e da água influenciam a flutuação. Quando a densidade do corpo é menor ou igual à da água, o corpo flutua; já quando a densidade do corpo é maior que a da água, o corpo afunda. Isso ex- plica por que é mais fácil flutuar no Mar Morto (onde a densidade da água é maior) do que em uma lagoa ou piscina tratada com clo- ro (em que a densidade da água é menor). Figura 2 Representação da densidade (d) de dois materiais: um que flutua (madei- ra), e outro que afunda (chumbo). Madeira: d = 0,39 g/cm3 Chumbo: d = 11,3 g/cm3 d → densidade Fonte: Elaborada pela autora. 32 Metodologia do ensino das atividades aquáticas • Centro de empuxo: enquanto no solo nós temos o nosso centro de gravidade (CG) – ponto do corpo onde ocorre a aplicação da força da gravidade –, na água nós temos o centro de empuxo (CE) – ponto do corpo em que ocorre a aplicação da força de empuxo. Na água, nosso CG permanece o mesmo, enquanto o CE varia de acordo com o deslocamento do líquido. Quando o CG e o CE estão no mesmo ponto do corpo, o equilíbrio é indiferente e o corpo tende a permanecer da mesma maneira. O conhecimento do CE é fundamental para as flutuações, os retornos para a po- sição vertical e as rotações na água. O CE está relacionado com os equilíbrios estáveis (quando o CG e o CE não estão no mesmo ponto, mas após o deslocamento da água os pontos voltam a es- tar no mesmo local) e instáveis – quando o CG e o CE não estão no mesmo ponto do corpo e mesmo após o deslocamento da água os pontos não se unem resultando em rotação do corpo. Figura 3 Representação do equilíbrio estável (a) e equilíbrio instável (b) IfH /S hu tte rs to ck Fonte: Adaptada de Duarte, 2004. Força de empuxo Centro de empuxo Centro de gravidade Peso (a) Força de empuxo (b) Peso Centro de empuxo Centro de gravidade Adaptação ao meio líquido 33 • Pressão hidrostática (PH): pressão que ocorre em um corpo quando está imerso em um líquido. A PH é representada mate- maticamente por: PH = d.g.h d representa a densidade do líquido; g representa a força da gravidade; e h representa a altura. Nesse caso, quanto maior for a altura (ou profundidade), maior será a PH. Um grande exemplo da influência da pressão hidrostática é a doença descompressiva, ou doença dos mergulhadores. Figura 4 Representação dos componentes que atuam diretamente na pressão hidrostática g → gravidade d → densidade do líquido h → altura em que o objeto está imerso g hd Fonte: Elaborada pela autora. • Condutividade térmica: relacionada à capacidade de um mate- rial conduzir calor. A água é considerada um excelente condutor térmico, portanto, faz com que troquemos muito mais calor com o meio. Além disso, a temperatura da água também deve ser le- vada em consideração, pois quanto maior a temperatura, maior a troca de calor. Exemplificando, em treinos de alta intensidade, é necessário que a água esteja mais gelada (em torno de 25°C); já em aulas que não exigem esforços, como para bebês, a água pode ser mais quente (em torno de 33°C). • Refração: princípio físico que indica que a luz, ao atravessar um meio diferente, sofre desvios na direção da propagação exata- mente na fronteira entre esses meios. No ambiente aquático, a A doença descompressiva tem como característica a formação de bolhas no sangue, resultado do nitrogênio dissolvido nele devido a uma pressão elevada. Curiosidade O vídeo Mago da física – visualizando a refração é ótimo para exemplificar o fenômeno da refração. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=nbw4yjCesU4. Acesso em: 15 dez. 2020. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=nbw4yjCesU4 https://www.youtube.com/watch?v=nbw4yjCesU4 https://www.youtube.com/watch?v=nbw4yjCesU4 34 Metodologia do ensino das atividades aquáticas refração está presente quando olhamos de fora da água para algo dentro dela. Muitas vezes, por exemplo, julgamos que o mo- vimento do aluno está errado, mas pode ser por causa da refra- ção! Então, tenha cuidado, futuro professor. M ar ce lo R ei s~ co m m on sw ik i/W ik im ed ia Co m m on s Figura 5 Representação da refração da luz Nesta seção, aprofundamos alguns conteúdos de física que são re- levantes para avançarmos no ensino das atividades aquáticas. No con- texto escolar, esses conceitos são percebidos em diversas situações, como: I) dificuldade de flutuação ou retorno na posição vertical; II) calor excessivo e muita sede durante as aulas em piscina com temperatura elevada; III) achar que um objeto está em um lugar no fundo da piscina, quando está um pouco mais distante. Para uma leitura mais aprofundada do assunto, indicamos o artigo “Forças no meio líquido”, presente no livro Natação e atividades aquáticas: subsídios para o ensino. Além desse artigo, o livro conta com outros que po- dem ajudar você nas suas dúvidas e curiosidades. CASTRO, F. A. S.; LOSS, J. F. In: PAULA H. L. da C. (org.). Barueri: Manole, 2010. Livro 2.2 Forças na água Vídeo As forças na água são aquelas que atuam diretamente no indivíduo que está no ambiente aquático; são divididas em propulsivas e resis- tivas. As forças propulsivas são aquelas realizadas pelo próprio indivi- duo, enquanto as resistivas são as forças no ambiente. O deslocamento no ambiente aquático ocorre quando as forças propulsivas são maio- res do que as resistivas. Adaptação ao meio líquido 35 Figura 6 Representação das forças propulsivas e resistivas que atuam no corpo de um indivíduo no ambiente aquático IfH /S hu tte rs to ck Fonte: Elaborada pela autora. Forças resistivas Força peso Forças propulsivas 2.2.1 Forças propulsivas As forças propulsivas são aquelas que movimentam o corpo do in- divíduo no ambiente aquático. Entre elas, podemos citar os movimen- tos realizados pelos braços e pés. Os fatores que mais influenciam as forças propulsivas são os aspectos técnicos e físicos. Na natação, os aspectos técnicos, como ótima posição do corpo, pernada e braçada com propulsão, são fundamentais para um deslocamento na água com maior velocidade. Entre os aspectos físicos, existem as características não modificá- veis e as modificáveis. As não modificáveis são, por exemplo, estatura, envergadura e tamanho do pé. Dentre as modificáveis, destacam-se a composição corporal e principalmente a quantidade de massa muscu- lar, aspecto muito importante para o melhor desempenho nas modali- dades aquáticas. 2.2.2 Forças resistivas As forças resistivas são as que atuam como formas do ambiente frear o movimento. Entre elas, podemos citar a força de arrasto e suc- ção de extremidade ou esteira. A força de arrasto, a mais importante, pode ser representada matematicamente pela seguinte fórmula: FA representa a força de arrasto; ρ a densidade da água; A representa a área de secção transversal; Ca o coeficiente de arrasto; e ν a velocidade. FA = ρ . A. Ca. ν 21 2 Confira a final da prova de 50 metros mascu- lino no estilo livre nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Obser- ve como os atletas se deslocam na água com velocidade (minutos 04:09 até 04:50), realizan- do muita propulsão com os braços e as pernas, principalmente. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=6PAXVy0WViE. Acesso em: 16 dez. 2020. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=6PAXVy0WViE https://www.youtube.com/watch?v=6PAXVy0WViE https://www.youtube.com/watch?v=6PAXVy0WViE 36 Metodologia do ensino das atividades aquáticas Nesse caso, percebemosque, individualmente, a densidade da água é capaz de reduzir a FA pela metade, enquanto a velocidade do nado a aumenta ao quadrado. A área de secção transversal (AST) e o coeficien- te de arrasto são diretamente proporcionais à FA. Entre os fatores modificáveis, a AST é uma das mais importantes a ser trabalhada com os alunos. A área de secção transversal contribui para o aumento dos fluxos laminares, caso o corpo esteja alinhado, ou turbulento, ou não esteja com um alinhamento correto do praticante. O fluxo laminar é a pouca movimentação de água que fica após o corpo se movimentar, resultando em um baixo coeficiente de arrasto. O fluxo tur- bulento, também conhecido como sucção de extremidade ou esteira, é a grande movimentação de água que fica após o corpo se movimentar, resultando em um alto coeficiente de arrasto. Além do tipo de fluxo, o coeficiente de arrasto também é influenciado pelo formato do corpo e pela superfície corpórea. Nesse contexto, um aluno que tem barba ou mais pelos vai apresentar uma fricção maior da pele com a água, resul- tando em um maior coeficiente de arrasto. Figura 7 Representação do fluxo laminar (A) e do fluxo turbulento (B) (A) Fluxo laminar (B) Fluxo turbulento Fonte: Elaborada pela autora. Adaptação ao meio líquido 37 Para reduzir a AST, devemos ensinar o correto alinhamento do corpo durante a execução dos movimentos. Na natação, a posição hidrodinâmica é responsável por reduzir a área de secção trans- versal, tendo em vista que o corpo fica totalmente alinhado. Nesta seção aprendemos sobre as forças resistivas e vimos que ela atua no aluno. É fundamental que o professor tenha co- nhecimento da equação da força de arrasto para compreender as variáveis que influenciam o nadador durante o percurso. Ainda, ter ciência de estratégias que possam reduzir as forças resistivas, como a posição hidrodinâmica, é de extrema importância. O livro Nadando o mais rápido possível auxilia na compreensão das forças restritivas e na natação competitiva, o autor aplica a ciência ao treina- mento da natação. MAGLISCHO, E. W. Barueri: Manole, 2010. Leitura Figura 8 Representação da posição hidrodinâmica Sergey Nivens/Shutterstock 2.3 Segurança aquática Vídeo De acordo com a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático – Sobrasa – (2015, p.3), o afogamento tem por definição “aspiração de líqui- do por imersão ou submersão”. O último Boletim Brasil de Afogamentos de 2020 (SOBRASA, 2020) apontou que diariamente 15 brasileiros morrem afogados. Com relação à faixa etária, o afogamento é a segunda causa de morte em crianças entre 1 e 4 anos; terceira causa de morte entre 5 e 14 anos; e a quarta causa entre 15 e 24 anos. Em crianças menores de 9 anos, o local com maior incidência de afogamentos é na própria residência, en- quanto maiores de 10 anos e adultos se afogam mais em águas naturais. Diante desse panorama, a compreensão da segurança aquática se torna fundamental. Algumas atitudes são simples e fáceis de serem implementadas, como: 38 Metodologia do ensino das atividades aquáticas aS ha til ov / S hu tte rs to ck Incluir o botão de fácil acesso e que desligue rapidamente a sucção da piscina. Manter 100% de atenção nas pessoas que estão com você. Proteger a piscina com grades ou lonas para impedir o acesso de crianças. Sempre que possível, permanecer perto de um guarda-vida. Em locais abertos, compreender e respeitar a sinalização das bandeiras. Saber agir sem se tornar uma vítima. Evitar de entrar em mares, lagos, piscinas, lagoas e rios, se estiver alcoolizado ou tiver ingerido bastante comida. Durante as aulas de atividades aquáticas, as noções de segurança aquática também devem ser ensinadas para os alunos. Em crianças, as atividades podem ser diversas, desde nadar sem touca e óculos, simu- lar uma queda acidental na piscina, trabalhar as mudanças de posições (decúbito ventral para dorsal), pular na piscina e imediatamente procu- rar a barra, entre outras tantas atividades. Além de ser a base de ou- tras modalidades aquáticas, a prática regular de natação é de extrema importância para reduzir os riscos de afogamentos. 2.4 Salvamento aquático Vídeo O salvamento aquático compreende as situações realizadas em ambiente aquático, buscando a prevenção de acidentes e resgate dos acidentados. É uma profissão vinculada ao corpo de bombeiros e, para atuar com o salvamento aquático, é necessário ter pelo menos 18 anos e ser aprovado nas provas teóricas e práticas dos guarda-vidas civis. Essa avaliação ocorre todo o ano e apresenta critérios distintos para homens e mulheres. Conforme a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático, a cadeia de sobrevivência do afogamento aborda cinco passos: O site da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático apresenta anualmente boletins de afogamentos e diversos programas para a preven- ção destes. Disponível em: https://www. sobrasa.org/. Acesso em: 16 dez. 2020. Site https://www.sobrasa.org/ https://www.sobrasa.org/ Adaptação ao meio líquido 39 PUWADON SANG/ shutterstock Prevenção Reconheci- mento do afogado Forneci- mento de flutuação Remoção da água Suporte de vida A gravidade do afogamento varia entre tosse sem espuma na boca e/ou no nariz até parada cardíaca respiratória. A prevenção está relacionada à segurança aquática. Reconhecer o afogado se refere a identificar os sinais de uma pessoa afogada e evitar que a situação se agrave; devemos, nesse momento, avisar os guarda-vidas (se houver) ou acionar os bombeiros. Os principais sinais do afogado são: expressão facial assustada e olhar constante à areia para obter ajuda; ficar constantemente afun- dando e flutuando; e movimentar os braços na água sem qualquer deslocamento. Se for viável, forneça flutuação material para a vítima, podendo ser uma garrafa PET vazia ou boia, por exemplo. A etapa da remoção da água e do suporte de vida deve ser realizado somente por socorristas (guarda-vidas ou bombeiros). O Quadro 1 apresenta a or- dem de prioridade em socorrer e as principais características dos ba- nhistas, bem como a conduta na água e na areia. Ordem de priori- dade em socorrer Característica do banhista Tempo da realização do socorro antes da submersão da face/corpo Grau de afogamento possível Conduta na água e na areia Vermelho Desesperado – não colabora com o resgate, pois está submergindo a face em posição vertical e não se desloca. < 1minuto Resgate a grau 4 Água: aproximação com cuidado e resgate. Areia: varia conforme o grau de afogamento. Amarelo Ansiedade extrema, mas colabora com o resgate. Tem discreto deslo- camento e flutuação precária. 1 a 5 minutos Resgate ou grau 1 Água: aproximação com cuidado e resgate. Areia: orientação e liberação. Verde Tranquilo e colabora com o resga- te, pois não se deu conta da possi- bilidade iminente do afogamento. Usualmente > 5 minutos Resgate Orientação e liberação. Preto Sem movimentos, usualmente com a face ou todo o corpo submerso. Zero Grau 5 ou 6 Ressuscitação dentro da água e avaliar RCP em área seca. Quadro 1 Características do banhista em situação de afogamento, ordem de prioridade e conduta na água e na areia. Fonte: Adaptado de Sobrasa, 2019, p. 20. Para se aprofundar no assunto, confira o vídeo Cadeia sobrevivência no afogamento 2016, produ- zido pelo canal Sobrasa Brasil. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=PtwLv5GLR1o. Acesso em: 16 dez. 2020. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=PtwLv5GLR1o https://www.youtube.com/watch?v=PtwLv5GLR1o https://www.youtube.com/watch?v=PtwLv5GLR1o 40 Metodologia do ensino das atividades aquáticas Nesta seção, aprendemos sobre salvamento aquático e sua importância para minimizar os casos de afogamentos. As noções sobre salvamento aquá- tico devem ser explicadas durante as aulas, princi- palmente sobre como reconhecer um afogado e solicitar ajuda. Para uma leitura mais aprofundadasobre salva- mento aquático, acesse o Manual de Emergências Aquáticas, da Sobrasa. Disponível em: http://www.sobrasa.org/new_sobrasa/arquivos/ baixar/Manual_de_emergencias_aquaticas_2015.pdf. Acesso em: 16 dez. 2020. Leitura 2.5 Nados utilitários Vídeo Os nados utilitários são os movimentos rudimentares realizados no ambiente aquático. Sua principal característica é o baixo custo energético, permitindo às pessoas longos deslocamentos. Alguns exemplos de nados utilitários são: cachorrinho, nado lateral e costas rudimentar. O nado cachorrinho é importante para o senso de direção e loca- lização durante os deslocamentos e, por ser um nado simples, deve ser ensinado para as crianças, pois auxilia no desenvolvimento da segurança aquática. O nado lateral é um pouco mais complexo e é utilizado principalmente para resgate e salvamento aquático em algumas situações. O nado costas rudimentar é muito utilizado para descanso e deslocamentos movimentado as pernas. A flutuação dorsal permite ao indivíduo manter todo o rosto fora da água sem gastar energia realizando movimentos para tirar a cabeça dela. Figura 9 Representação da evolução dos nados e dos nados utilitários Nado elaborado Cachorrinho Under-arm-side-stroke Over-arm-side-stroke Nado lateral Costas rudimentar ou peito invertido Fonte: Elaborada pela autora. De uma maneira geral, os nados utilitários são ensinados nas aulas, porém, apenas para demonstração, e não como conteúdo principal da aula. Os nados utilitários também são conhecidos por nos lembrar da evolução dos nados, conforme pudemos observar na Figura 9. O vídeo Nados utilitários permite a você visualizar a execução dos nado e apresenta informações adicionais. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=eqFyUnkmFEY. Acesso em: 10 dez. 2020. Vídeo http://www.sobrasa.org/new_sobrasa/arquivos/baixar/Manual_de_emergencias_aquaticas_2015.pdf http://www.sobrasa.org/new_sobrasa/arquivos/baixar/Manual_de_emergencias_aquaticas_2015.pdf https://www.youtube.com/watch?v=eqFyUnkmFEY https://www.youtube.com/watch?v=eqFyUnkmFEY https://www.youtube.com/watch?v=eqFyUnkmFEY Adaptação ao meio líquido 41 2.6 Princípios de adaptação ao meio líquido Vídeo A adaptação ao meio líquido (AML) é considerada a base para po- der evoluir nas modalidades aquáticas. O indivíduo precisa estar bem adaptado para poder aprender a nadar, a jogar polo aquático, a ter uma entrada na água nos saltos ornamentais e high diving e realizar os mergulhos autônomos, por exemplo. Os princípios da AML podem ser trabalhados com qualquer faixa etária, desde que as aulas sejam ade- quadas para a devida população. A AML é dividida em cinco pontos, não necessariamente trabalha- dos em sequência: PUWADON SANG/ Shutterstock Primeiro contato com a água Respiração Flutuação Deslizes Entradas e saídas da piscina Os primeiros contatos com a água (PCA) são relacionados a três as- pectos: 1) reconhecimento do ambiente; 2) conhecimento do professor; 3) deslocamentos na vertical. O PCA é o princípio mais tranquilo a ser trabalhado e remete bastante à segurança e à confiança que o aluno terá no professor. O reconhecimento do ambiente deve ser feito sempre que um alu- no começa a frequentar as aulas e o local deve ser apresentado ao aluno: escadas para entrada e saída da piscina, local onde o aluno per- manecerá, local dos materiais disponíveis e profundidade da piscina, por exemplo. Aqui estão três exemplos de atividades: a) pedir para o aluno se segurar na borda e ir se deslocando de um ponto a outro; b) mostrar ao aluno a profundidade da piscina; c) pedir ao aluno para se- gurar na raia e ir se deslocando de um ponto a outro. O conhecimento do professor é muito importante para a confiança da relação aluno x professor, pois sem confiança, a evolução será muito difícil. O professor precisa transmitir calma, tranquilidade e domínio do assunto. Se a aula for com crianças, o professor também precisa apresentar domínio de turma. Os deslocamentos na vertical são cami- nhadas na água e remetem à capacidade do aluno de se manter em pé (equilíbrio vertical) no ambiente aquático. Aqui estão três exemplos de 42 Metodologia do ensino das atividades aquáticas atividades: a) caminhar para frente na água; b) correr na água; c) cami- nhar para trás na água. A respiração, como o próprio nome diz, aborda os processos que devem ser realizados para acontecer uma respiração adequada no mundo aquático. A respiração nas modalidades aquáticas é diferente das atividades em solo de que estamos acostumados. Apesar de o pa- drão poder variar entre cada modalidade, o mais utilizado é aquele que devemos inspirar pela boca e expirar pelo nariz. A respiração é dividida em quatro aspectos: 1) conscientização; 2) coordenação; 3) ritmo respiratório; e 4) automatização. Esses domí- nios são realizados obrigatoriamente em sequência. A conscientização está relacionada à capacidade do aluno de compreender o instante de inspirar (fora da água) e de expirar (dentro da água). Nesse primeiro processo, deve-se apenas explicar como ocorre a respiração no am- biente aquático e realizar a mecânica respiratória fora da água. Já a coordenação diz respeito aos movimentos realizados no ambiente aquático. Nessa etapa, muitos alunos podem apresentar dificuldades por ter medo ou por apenas não conseguir. Caso o aluno apresente muita di- ficuldade, podemos solicitar a ele para realizar a expiração pela boca, e à medida que for evoluindo, pedir a ele que expire pelo nariz. Alguns exemplos de atividades: expirar o ar por um canudo e ver a quantidade de bolhas, cantar algumas músicas (depende da faixa etária) que envol- vam expiração, elevadores (inspirar fora da água e expirar dentro da água), brincar de morto-vivo (no “vivo”, o aluno fica em pé, enquanto no “morto” o aluno é obrigado a expirar pelo nariz). O ritmo respiratório está relacionado aos tempos de inspiração e expiração. Para iniciantes, comumente explicamos que é preciso inspi- rar em um ou dois segundos e expirar em três. As atividades podem ser as mesmas da coordenação, incluindo apenas a condição do tempo de execução. A automatização é a última etapa e o resultado dela é o alu- no executar a inspiração por um ou dois segundos e expirar pelo nariz por três segundos sem pedir. Embora a automatização da respiração seja importante, também devemos ensinar a apneia respiratória para que os alunos consigam realizar longos deslocamentos na água. Para treinos de apneia em crianças, pode-se estimular as buscas ao fundo: Adaptação ao meio líquido 43 colocar objetos no fundo da piscina e orientar as crianças a buscarem os materiais. A flutuação envolve três principais aspectos: 1) percepção da capa- cidade de flutuar; 2) equilíbrio estático na horizontal; e 3) mudanças de posição. A percepção da capacidade de flutuar é individual e de autoco- nhecimento. Os principais fatores que afetam a flutuação corporal são: composição e densidade corporal; e tipo de água. Se o aluno apresenta maior percentual de gordura, ele conseguirá flutuar com mais facilida- de. Isso também vale para águas salgadas (mar ou água tratada com sal), onde a densidade da água é maior, facilitando a flutuação. O equilí- brio estático na horizontal é considerado a própria flutuação. A flutuação pode ser dividia em ventral (em decúbito ventral ou olhando para o fundo) ou dorsal (decúbito dorsal ou olhando para cima). As mudanças de posição indicam a capacidade de o aluno sair da posição vertical para horizontal e retornar da posição horizontal para a vertical. Outro tipo importante de mudança de posição é dos decúbi- tos: do ventral para o dorsal ou do dorsal para o ventral. Os alunos que apresentam medo têm muita dificuldade em flutuar, pois a flutuação é considerada um movimento inseguro. A chave para realizar mudanças de posição com segurança é o movimento do quadril. Quando estamos em decúbito ventral, devemos inclinar o quadril para frente e colocaros dois pés no fundo. Quando estamos em decú- bito dorsal, devemos inclinar o quadril para trás e colocar os dois pés no fundo. Esses dois aspectos devem ser sempre explicados para os alunos, visto que eles podem executar de maneira incorreta e se dese- quilibrar na água. Os deslizes, ou deslizamentos, fazem parte de uma etapa um pou- co mais elaborada: o aluno já precisa ter os domínios da respiração e flutuação. O equilíbrio dinâmico na horizontal e o ajuste da posição hidrodinâmica são os dois aspectos que fundamentam os deslizes. Como vimos anteriormente, a posição hidrodinâmica é importante para reduzir o arrasto da água. Além disso, quando o aluno apresenta uma excelente posição hi- drodinâmica, ele também conseguirá realizar bons movimentos al- ternados de pernadas (tanto em posição ventral quanto em posição dorsal). Alguns exemplos de atividades são: a) passar pelos arcos e rea- 44 Metodologia do ensino das atividades aquáticas lizar a flechinha ou foguetinho; b) os alunos juntos na parede e, ao sinal do professor, todos devem empurrá-la na posição hidrodinâmica e ver quem vai mais longe; c) realizar deslizes de diferentes maneiras (braços abertos, joelhos flexionados no fundo e no raso), para que o aluno per- ceba em qual posição ele consegue se deslocar mais longe. As entradas e saídas da piscina são simples: as entradas podem ser realizadas por meio de saltos ou pela escada; e as saídas devem acon- tecer pela borda ou pela escada. Os saltos podem ser realizados de diversas maneiras, desde que cumpram as regras de segurança. Os sal- tos de pé frequentemente indicam que o aluno está adaptado, pois ele precisa dos princípios citados anteriormente (respiração e flutuação, principalmente) para realizar um salto com segurança. O Quadro 2 apresenta o resumo dos conteúdos sobre os processos de adaptação ao meio líquido. Quadro 2 Resumo dos processos de adaptação ao meio líquido Conhecimento da piscina Primeiros contatosConhecimento do professor Deslocamento na vertical Respiração Conscientização Coordenação Ritmo Automatização Mudança de posição FlutuaçãoPercepção da capacidade de flutuar Equilíbrio estático na horizontal Deslizamentos Equilíbrio dinâmico na horizontal Ajuste da posição hidrodinâmica Entradas e saídas da piscina de diferentes ma- neiras Entradas ou saídas Saltos para água em diferentes graus de difi- culdade Fonte: Elaborado pela autora. Por fim, as noções de propulsão devem ser estimuladas em grande parte das atividades, pois envolvem a realixzação de movi- mentos de braçadas e pernadas, tanto com materiais (pranchas, es- paguetes, tapetões etc.) ou sem materiais (deslocamentos livres). As No livro Natação para bebês, infantil e iniciação: uma estimulação para a vida, o autor apresen- ta dados e fotos que auxiliam o profissional quanto à segurança e re- percussão de seus atos. FIGUEIREDO, P. A. P. São Paulo: Phorte, 2011. Livro Adaptação ao meio líquido 45 noções de propulsões são muito importantes para que o aluno consi- ga ter a propriocepção na água e compreenda as diversas formas de locomoção. 2.7 Comportamento de um indivíduo não adaptado ao meio líquido Vídeo O comportamento de um indivíduo não adaptado varia entre cada faixa etária. Os bebês com medo, ao terem contato com água, choram bastante, apresentam reflexos de negação (viram o rosto, por exem- plo) e tendem a ficar muito próximos dos seus responsáveis (por prote- ção). Quando a criança já consegue falar e expressar seus sentimentos, o não está presente durante as aulas. “Não quero molhar o rosto; não quero entrar na piscina; não quero brincar disso” são frases que as crianças com medo falam constantemente. Com relação aos adultos, o diálogo e a comunicação também estão presentes: “não consigo realizar isso; estou com medo; não quero fazer essa atividade”. Embora existam diferenças, no geral, o comportamen- to é similar: medo de entrar na piscina, deslocamento cauteloso, incô- modo ao ter água no rosto, limpeza constante do rosto para tirar água, busca por um apoio fixo, tendência de bloquear a respiração ao tentar mergulhar e incapacidade de adotar a posição horizontal. O Quadro 3 apresenta o resumo de algumas características do com- portamento de um indivíduo não adaptado, de acordo com a faixa etária. Quadro 3 Resumo dos comportamentos típicos de um indivíduo não adaptado de acordo com a faixa etária Faixa etária Comportamentos Exemplos de atividades que o professor pode realizar Bebês (6 me- ses a 3 anos) Choro constante, olhar assustado, sempre se segurando no respon- sável e se irrita com água na face. Manter a criança em local afastado, de preferência sem outras crianças por perto; acalmá-la, oferecer brinquedos que acalmem e conversar com os res- ponsáveis com o objetivo de orientar as atividades que serão realizadas. Crianças I (3 a 6 anos) Não quer entrar na piscina, choro e grito constante. Quando entra, quer ficar muito próximo ao pro- fessor e se irrita com água na face. Conversar com a criança e explicar o que será rea- lizado; manter a criança o mais calma e tranquila possível; entreter com brinquedos e evitar realizar movimentos bruscos. (Continua) 46 Metodologia do ensino das atividades aquáticas Faixa etária Comportamentos Exemplos de atividades que o professor pode realizar Crianças e adolescentes (6 a 18 anos) Não quer entrar na piscina, e quando entra, permanece sem- pre com alguma parte do corpo na borda ou escada; irrita-se com água na face. Conversar com o indivíduo e explicar o que será reali- zado. O professor deve saber identificar de onde sur- giu o medo da água (afogamento, trauma, por exem- plo) e trabalhar com base nisso. O ideal é realizar os exercícios com atividades de que a turma goste, caso tenha algum jogo preferido, por exemplo, é possível elaborar as atividades com base nele. Adultos e idosos (acima de 18 anos) Busca por apoio fixo: borda ou es- cada. Fica incomodado com água no rosto, porém compreende a situação. Conversar com o indivíduo e explicar o que será fei- to. O professor deve saber identificar de onde surgiu o medo da água (afogamento, trauma, por exemplo) e trabalhar com base nisso. Fonte: Elaborado pela autora. Nesta seção vimos alguns comportamentos de um indivíduo não adaptado ao meio líquido. Em uma aula de natação é muito comum termos alunos com medo de água. É muito importante que o professor saiba identificar quem são esses alunos e realizar atividades parale- las e com nível de exigência menor, em comparação com os alunos adaptados. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, aprendemos sobre os princípios físicos da água e as forças atuantes. Como futuros profissionais de educação física, é preciso levar em consideração algumas questões físicas para elaborar os planeja- mentos de aulas. Estudamos também os afogamentos, a segurança e o salvamento aquático. Como futuros professores de Educação Física, devemos ensinar nossos alunos a prevenção de afogamentos, por meio de conversas ou práticas durante as aulas. Por fim, aprendemos sobre os princípios de adaptação ao meio líquido e suas características que podem ser trabalha- das com qualquer faixa etária. ATIVIDADES 1. Por que é importante o professor conhecer os princípios físicos da água? Cite dois exemplos. Adaptação ao meio líquido 47 2. Qual a definição de afogamento? 3. Cite três ações para aumentar a segurança aquática. 4. Cite duas atividades para o princípio de adaptação ao meio líquido primeiros contatos com a água. Você pode buscar outras atividades além das que estão no livro. 5. Cite duas atividades para o princípio de adaptação ao meio líquido respiração. Você pode buscar outras atividades além das que estão no livro. 6. Cite duas atividades para o princípio de adaptação ao meio líquido flutuação. Você pode buscar outras atividades além das que estão no livro. 7. Cite duas atividades para o princípio de adaptação ao meio líquido deslizes. Você pode buscaroutras atividades além das que estão no livro. 8. Cite duas atividades para o princípio de adaptação ao meio líquido entrada e saída da água. Você pode buscar outras atividades além das que estão no livro. REFERÊNCIAS DUARTE, M. Princípios físicos da interação entre ser humano e o ambiente aquático. São Paulo: Universidade de São Paulo. Escola de Educação Física e Esporte. 2004. SOBRASA. Boletim Brasil de Afogamentos, 2020. Disponível em: https://www.sobrasa.org/ new_sobrasa/arquivos/baixar/AFOGAMENTOS_Boletim_Brasil_2020.pdf. Acesso em: 16 dez. 2020. SOBRASA. Manual de Emergências Aquáticas, 2015. Disponível em: http://www.sobrasa.org/ new_sobrasa/arquivos/baixar/Manual_de_emergencias_aquaticas_2015.pdf. Acesso em: 16 dez. 2020. https://www.sobrasa.org/new_sobrasa/arquivos/baixar/AFOGAMENTOS_Boletim_Brasil_2020.pdf https://www.sobrasa.org/new_sobrasa/arquivos/baixar/AFOGAMENTOS_Boletim_Brasil_2020.pdf http://www.sobrasa.org/new_sobrasa/arquivos/baixar/Manual_de_emergencias_aquaticas_2015.pdf http://www.sobrasa.org/new_sobrasa/arquivos/baixar/Manual_de_emergencias_aquaticas_2015.pdf 48 Metodologia do ensino das atividades aquáticas 3 Estratégias de ensino da natação Neste capítulo iremos nos aprofundar nos conteúdos de natação para bebês e natação para crianças. Embora as etapas dos princípios de adaptação ao meio líquido sejam iguais para as faixas etárias, a estratégia de ensino é bem diferente, e esse é o foco do capítulo. Além disso, abordaremos a formação do professor de ati- vidades aquáticas, suas características e competências e a importância da ludicidade nas aulas. Por fim, trabalharemos com o processo de planejamento de aulas para bebês e crian- ças; teremos várias dicas de como ter uma aula de sucesso e em que as crianças tenham um excelente desenvolvimento aquático. 3.1 Formação do professor de atividades aquáticas Vídeo O professor de Educação Física que pretende atuar com as ativi- dades aquáticas terá várias oportunidades de atuação. Um ponto que chama a atenção, além do retorno financeiro e profissional, é que é muito perceptível o desenvolvimento das capacidades do aluno, resultando em um feedback positivo de sua evolução. Outro aspecto a ser levado em consideração é o vínculo que se cria com a criança e com seus pais/responsáveis. Tendo em vista que o am- biente aquático é propício a acidentes, essa confiança precisa exis- tir para que se possa dar início e continuidade ao trabalho com o aluno nesse meio. Importante Lembre-se, futuro professor: quando você estiver dando aula, esqueça seus problemas! Seus alunos não precisam saber sobre isso, portanto sorria e seja feliz durante suas aulas. Estratégias de ensino da natação 49 O professor de atividades aquáticas precisa se atualizar sempre, seja com cursos, tendências da área ou regras das modalidades. Além do conhecimento técnico, o professor necessita de uma pedagogia adequada à população com a qual vai trabalhar, sendo capaz de cons- truir um ambiente adequado às necessidades e possibilidades dos envolvidos. No contexto de cursos, o professor pode optar por fazer curso de natação para bebês, treinamento em natação, cursos de musicalização para as aulas, iniciação ao polo aquático e iniciação ao nado sincronizado. Além dos cursos volta- dos para as áreas de atividades aquáticas, também são interessantes os de áreas adjacentes, como psicologia do esporte, psicomotricidade e desenvolvimento hu- mano. Um grande aliado do professor é a plataforma de vídeos YouTube, na qual é possível encontrar diver- sos exemplos de atividades e modelos de aulas. Como em qualquer outra modalidade, o professor precisa ser muito proativo e saber agir em diversas situa- ções. A formação vai além da relação do indivíduo com o meio aquático e o ensino das modalidades; é necessário compreender as individualidades do próprio aluno. Os conhecimentos adquiridos nas outras disciplinas da graduação são de grande utilidade para os ensi- nos dessas atividades. Precisamos ter informação sobre desenvolvimento motor para saber as etapas do desenvolvimento do aluno. É necessário conhecer sobre aprendizagem motora para saber dar uma instrução efetiva e um feedback que o aluno compreenda. Com crianças, precisamos ter conhecimento so- bre psicologia e as teorias do desenvolvimento humano, bem como sobre características psicológicas da infância, adolescência e fase adulta. Figura 1 Professor e aluna reali- zando uma atividade na piscina GOLFX /Shutterstock A equipe da Double H oferece vários cursos a distância e gratuitos so- bre atividades aquáticas. Mais informações podem ser encontradas no site da empresa. Disponível em: https://www. oficialdoubleh.com.br/. Acesso em: 15 dez. 2020. Site 3.2 Natação para bebês (6 meses a 3 anos) Vídeo A natação para bebês contempla a faixa etária dos 6 meses até os 3 anos de idade. Os benefícios da natação são diversos, contribuindo para o desenvolvimento de valências físicas, motoras, cognitivas e afetivas, por exemplo (CICHON; AZEVEDO; SANTOS, 2019; SANTOS et al., 2020). https://www.oficialdoubleh.com.br https://www.oficialdoubleh.com.br 50 Metodologia do ensino das atividades aquáticas No entanto, um dos principais motivos que levam os pais a matricularem os bebês nas aulas de natação é para au- mentar a segurança aquática. Por mais que sejam bebês, a estimulação aquática deve ser realizada sempre, pois é nessas aulas que os bebês aprendem as noções de sobrevivência, como mergulhos, pe- quenos deslocamentos até um apoio fixo e respiração. As aulas para bebês apresentam um aspecto diferenciado das au- las para outras faixas etárias: cada criança da turma precisa estar com algum responsável (mãe, pai, tio, tia, dinda, vó, vô, babá etc.) para aju- dá-la nas conduções das atividades. O ideal é ter até cinco alunos por professor. Embora a ajuda do responsável facilite a execução das atividades com a turma, sua presença faz com que o professor necessite de uma desenvoltura mais elaborada durante as aulas. Nesse caso, o professor deve encantar o bebê, bem como o responsável, para ter resultados efetivos e a permanência do aluno nas aulas. As atividades a serem desenvolvidas devem proporcionar diver- sas vivências aos bebês. Alguns exemplos estão apresentados no Quadro 1. Quadro 1 Alguns exemplos de atividades para bebês Nome Desenvolvimento Músicas de roda Em roda, o professor deverá cantar duas ou três músicas (por exemplo: Dona Aranha, Roda cotia, Escravos de Jó). Meu animalzinho O aluno deverá escolher um animal e levá-lo até o responsá- vel. Para aqueles que já sabem mergulhar, o deslocamento deve ser mergulhando. Para aqueles que não mergulham, o deslocamento deve ser realizado com o professor, que esta- rá estimulando o aluno a movimentar as pernas e os braços. Como está o tempo? De costas e com ajuda do responsável, o aluno deverá se deslocar, olhar para o “céu” e, caso consiga, explicar como está o tempo. Fonte: Elaborado pela autora. Microgen/Shutterstock Confira uma aula de nata- ção para bebês no vídeo Natação bebê – Splash 29/06/2016, publicado no canal de Rosangela Moraes de Souza Rotermel. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=2pjLGJ6TOAY&t. Acesso em: 15 dez. 2020. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=2pjLGJ6TOAY&t https://www.youtube.com/watch?v=2pjLGJ6TOAY&t https://www.youtube.com/watch?v=2pjLGJ6TOAY&t O grande diferencial para que suas aulas ocorram com sucesso é saber as etapas do desenvolvimento infantil e quais habilidades deverão ser alcançadas em cada período de vida. O Quadro 2 apresenta alguns exemplos dos marcos motores dos bebês entre 6 meses e 3 anos. Quadro 2 Exemplos de marcos motores dos bebês de 6 meses a 3 anos Habilidades motoras A partir de (aproximadamente) Rolar 5 meses Sentar-se com apoio 5 meses Sentar-se sem apoio 6 meses Engatinhar 7 meses Caminhar com apoio 9 meses Caminhar sem apoio 12 meses Correr 18 meses Saltar com apoio 18 mesesSaltar sem apoio 24 meses Fonte: Elaborado pela autora. com base em Lopes, et al. 2020. Com relação às habilidades cognitivas e afetivas, as crianças nessa fase são muito curiosas e muitas vezes querem descobrir as novida- des por conta própria. Os bebês são muito visuais e buscam imitar o que os outros estão fazendo, portanto é muito importante que o pro- fessor ou algum aluno com mais autonomia demonstre a atividade para que ela seja bem-sucedida. O ambiente da piscina deve ser quente, com a temperatura da água variando entre 33 e 35 °C, e acolhedor e transmitir segurança ao aluno. Em uma turma, podemos ter bebês muito fe- lizes e brincando com a água e bebês assusta- dos e abraçados com o responsável, sem trocar qualquer tipo de contato com o professor. Figura 2 Aula de natação para bebês David Tadevosian /Shutterstock Cada criança apresenta suas próprias características, e seu desenvolvimento depende dos estímulos que recebe. Assim, em uma aula teremos crianças bem desenvolvidas e outras que precisam de mais tempo para se desenvolver. Atenção Jsnow my wolrd/Shutterstock Estratégias de ensino da nataçãoEstratégias de ensino da natação 5151 Outra característica importante é que, indepen- dentemente da faixa etária, as crianças demonstram quando não estão gostando da atividade, e devemos respeitar isso. O respeito deve prevalecer sempre; se uma criança não quer realizar determinada ativida- de, devemos levar isso em consideração e propor uma atividade semelhante em que a criança se sinta à vontade para realizá-la. Livro O livro Natação para bebês, infantil e iniciação: uma estimulação para a vida é um excelente material, bem ilustrado e que apresenta infor- mações, propostas e sugestões que facilitam o desenvolvimento e o domínio das habilidades aquáticas. FIGUEIREDO, P. A. P. São Paulo: Phorte, 2011. Curiosidade Muitos pais desejam que com pouco tempo de aula a criança já consiga ter autonomia aquática o suficiente para se divertir na piscina. Na realidade, o desenvolvimento da autonomia da criança depende de uma série de fatores, como vivências prévias e habilidades motoras e cognitivas. É esperado que quanto mais velha a criança for, mais rápido será o seu desenvolvimento aquático. 3.3 Natação para crianças (3 a 6 anos) A prática regular de natação para crianças apresenta inúmeros be- nefícios, como a melhora da capacidade cardiopulmonar, da autoeficá- cia, da qualidade do sono e de aspectos sociais (CORREIA et al., 2019). Embora a modalidade tenha inúmeros benefícios, o principal motivo que leva os pais a colocarem os filhos na natação é a segurança aquáti- ca. Muitas das crianças acima de 3 anos já tiveram algum contato com o ambiente aquático (praia, piscina, parque aquático), e os pais almejam que a criança tenha autonomia aquática. No ambiente escolar, as aulas de natação podem ser componentes das aulas de Educação Física ou ser realizadas como atividade extracurricular. As turmas da faixa etária de 3 a 6 anos apresentam uma peculiaridade: o wa ve br ea km ed ia /S hu tte rs to ck Figura 3 Aula de natação para crianças (entre 3 anos e 6 anos) 5252 Metodologia do ensino das atividades aquáticasMetodologia do ensino das atividades aquáticas Vídeo Estratégias de ensino da natação 53 professor precisa ter muita paciência e compreensão. Mas por que isso? Simples, nessa faixa etária as crianças estão criando sua identidade, e por isso, muitas vezes, querem fazer suas próprias vontades. Muitas vezes, é preciso ter lábia e saber acordar. Enquanto temos crianças extremamente agitadas e que querem mergulhar o tempo todo, também temos crianças calmas e tranquilas. Ainda, em uma mes- ma turma teremos crianças com medo de água e crianças com um bom nível de adaptação ao meio líquido. Nessas turmas, a todo momento, é preciso que fique claro: temos a hora de brincar e temos a hora de prestar atenção na aula. Crian- ças precisam de rotina e saber que devem respeitar o professor. Assim como os bebês, as crianças são muito visuais e buscam imitar os mo- vimentos; desse modo, a instrução visual é muito importante para que as crianças aprendam. Figura 4 Professora de natação realizando instrução visual para seu aluno M ic ro ge n/ Sh ut te rs to ck Nesta seção, aprendemos um pouco sobre natação para crianças. O que estudamos foram algumas características da turma e estratégias para um melhor andamento da aula. Conforme a experiência do pro- fessor for aumentando, melhores serão as estratégias adotadas para a aula. Nunca se esqueça de que o conhecimento da turma e de quem são seus alunos é fundamental para a elaboração das atividades e o progresso dos alunos. Professor, lembre-se de que devemos prestar total atenção nas crianças durante as aulas de natação, pois o ambiente é inseguro e acidentes podem acontecer. Importante Confira algumas ativi- dades de natação para crianças no vídeo Aula de natação infantil iniciante: passo a passo, publicado pelo canal Davi Assef: di- versão com aprendizado. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=q9CRueHt8ks. Acesso em: 15 dez. 2020. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=q9CRueHt8ks https://www.youtube.com/watch?v=q9CRueHt8ks https://www.youtube.com/watch?v=q9CRueHt8ks 54 Metodologia do ensino das atividades aquáticas 3.4 A importância da ludicidade nas aulas Vídeo Com crianças, a ludicidade é um fator-chave para o sucesso. O com- portamento lúdico tem como definição realizar atividades de prazer, não racionalizadas e sem competitividade (SELAU, 2000). Tal comporta- mento deve ser estimulado, tendo em vista as conexões criadas com o ambiente, os colegas e o professor. A ludicidade deve ser trabalhada desde o primeiro contato da criança com o ambiente aquático e deve respeitar os níveis cognitivos e sociais do indivíduo. Figura 5 Professora e alunos em um momento de diversão durante a aula wa ve br ea km ed ia /S hu tte rs to ck A brincadeira, o faz de conta e o uso da imaginação são componen- tes que estimulam a ludicidade. Além de trazer benefícios, essa estra- tégia consegue prender a atenção dos alunos, pois esses componentes são empolgantes e requerem atenção deles para que sejam executa- dos. O Quadro 3 apresenta alguns exemplos atividades lúdicas para serem desenvolvidas durante as aulas. Vídeo Confira o vídeo Materiais para aulas de natação in- fantil – faça você mesmo!, publicado pelo canal Prof. Andréia Natação por Amor, que apresenta materiais criativos para serem utilizados nas aulas de natação para crianças. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=waHtI93zqdk. Acesso em: 15 dez. 2020. https://www.youtube.com/watch?v=waHtI93zqdk https://www.youtube.com/watch?v=waHtI93zqdk https://www.youtube.com/watch?v=waHtI93zqdk Estratégias de ensino da natação 55 Quadro 3 Exemplos de atividades lúdicas para serem desenvolvidas durante as aulas Nome da atividade Desenvolvimento Hora da história dos animais Cada aluno deve escolher um animal. O professor irá contar uma história sobre uma chuva forte em que os animais estão sem suas casas. Os alunos deverão construir uma casa, do outro lado da piscina, para os animais utilizando os materiais disponíveis (prancha e halter). Morto-vivo Quando o professor falar morto, os alunos deverão mergu- lhar e soltar o ar pelo nariz. Quando o professor falar vivo, os alunos deverão dar um pulo e erguer os braços. Barco pirata Os alunos deverão estar sentados no tapete e o professor irá explicar que eles são piratas. Quando o professor cha- mar pela criança, ela irá dizer o que acontecerá com o barco. As possibilidades são: o barco afunda ou vira, ocorrência de chuva ou tsunami etc. Salvando as letras e os números Alguns alunos deverão buscar no fundo da piscina os obje- tivos (letras e números), enquanto outros os levarão até a casa imaginária, do outro lado da piscina (mergulhando ou com o auxílio do macarrão ou prancha). Fonte: Elaboradopela autora. Futuro professor, seja criativo na elaboração da sequência de aula. As atividades lúdicas mobilizam esquemas mentais e geram envolvi- mento emocional. A criança, por natureza, quer brincar e descobrir, mas ao mesmo tempo quer ser desafiada. Por isso, desafie seu aluno; assim, ele vai pensar, agir, aprender e se desenvolver em diversos cam- pos, além do ambiente aquático. As atividades lúdicas devem ter um objetivo a ser cumprido. Se não houver um objetivo claro por trás da atividade, ela não terá o resultado esperado. Atenção Para saber mais sobre ludicidade nas aulas de natação, acesse o canal Davi Assef: diversão com aprendizado, no qual são apresentadas diversas atividades, além de informações e dicas para transformar as aulas de natação em diversão. Disponível em: https://www. youtube.com/channel/ UCKppOL545hbpb2JclntJQyQ. Acesso em: 15 dez. 2020. Vídeo 3.5 Planejamento de aulas para bebês e crianças da educação infantilVídeo O planejamento de aulas é muito importante para identificar as fra- gilidades dos alunos e, por meio das atividades, fazer com que eles evo- luam. Como parte do planejamento, é necessário elaborar o plano de aula (Quadro 4). Cada faixa etária apresenta características de turma e aspectos a serem trabalhados de modo distinto. O planejamento das aulas pode ser realizado semanalmente, quinzenalmente ou mensal- mente, dependendo da demanda da escola, academia ou turma. https://www.youtube.com/channel/UCKppOL545hbpb2JclntJQyQ https://www.youtube.com/channel/UCKppOL545hbpb2JclntJQyQ https://www.youtube.com/channel/UCKppOL545hbpb2JclntJQyQ 56 Metodologia do ensino das atividades aquáticas Quadro 4 Modelo de plano de aula NOME MATERIAL OBJETIVO DESENVOLVIMENTO TEMPO ESTIMADO Nome da ativi- dade Material utilizado Objetivo a ser cumprido, de acor- do com os princí- pios de adaptação ao meio líquido. Passo a passo de como será realizada a atividade. Tempo estimado Fonte: Elaborado pela autora. A turma dos bebês apresenta as seguintes características: Bebês com pais/ responsáveis Nenhum/ quase nenhum tipo de autonomia aquática Características da turma Aspectos a serem trabalhados durante as aulas Primeiros mergulhos Posição dorsal Valências físicas e motoras Convívio social Noção de sobrevivência O ideal é propor um ambiente com diferentes experiências (mate- riais com cores, tamanhos, pesos e texturas diferentes, por exemplo), pois isso atrairá a atenção do bebê. Para tanto, inicialmente, deve-se organizar a piscina, a qual fica a critério do professor. Alguns exemplos de organização: • Na borda, pode-se colar letras, números e animais de EVA. Os ma- teriais que afundam geralmente são colocados nas plataformas. • As bolas ou balões são espalhados pela piscina. • Os macarrões e as pranchas são colocados na barra ou na borda. • Os bichos que esguicham água devem estar dispostos, sem água dentro, em uma prancha na piscina. Quando a piscina estiver organizada, os alunos já podem ser recepcio- nados. As aulas geralmente têm duração entre 30 e 45 minutos e podem ser divididas em três partes (lembre-se de que bebês precisam de rotina): Roda inicial Roda final Parte principal (atividades coletivas e atendimentos individuais + atividades de equilíbrio no tapetão) 11 22 33 Durante a roda inicial, deverão ser cantadas quatro ou cinco mú- sicas, as quais auxiliam nos aspectos de descontração fácil, socializa- ção e interações pais x alunos x professores. Músicas sugeridas: Dona Aranha, Roda cotia, Alecrim dourado, Bagunça na piscina, Baleia, Ciranda cirandinha, Peixinho etc. Após as músicas, informe sobre os brinquedos e que os alunos po- dem ficar livres pela piscina. A partir desse instante, são realizados os atendimentos individuais. Em geral, o ideal é mostrar aos pais o que eles podem fazer quando os professores não estão presentes. As ati- vidades realizadas individualmente depen- dem da capacidade de cada bebê, sendo que podem haver bebês adaptados e bebês que não mergulham. Figura 6 Hora da roda durante a aula de natação para bebês Da vid T ad ev os ia n/ Sh ut te rs to ck Estratégias de ensino da nataçãoEstratégias de ensino da natação 5757 58 Metodologia do ensino das atividades aquáticas Quadro 5 Exemplos de atividades Atividades Características Mergulhos conduzidos O professor conduz o mergulho. Mergulhos livres O aluno mergulha livremente. Equilíbrio na plataforma Envolve posições estáticas ou dinâmicas na vertical. Levar objetos coloridos de um local ao outro Compreensão das cores. Levar letras coloridas de um local ao outro Compreensão do alfabeto. Levar números coloridos de um local ao outro Compreensão dos números. Noções de sustentação Deslocamentos com macarrão e prancha. Noções de sobrevivência Conseguir chegar até um apoio fixo (como barra/borda, plataforma ou escada) ou instável (como macarrão, tape- tão ou prancha). Força Sustentação na barra ou nas argolas. Buscas ao fundo Buscar argolas ou bastão (precisam ser materiais fáceis de buscar). Escorregador com tapetão de EVA Colocar o tapete na borda como se fosse um escorrega- dor (é importante para as crianças mergulharem). Fonte: Elaborado pela autora. Quando eu sei que posso mergulhar o bebê ou não? Inicialmente, realize a descontração facial (água no rosto, chuveirinho) e observe como o bebê reage. Se ele reagir bem, explique aos pais/responsáveis que o bebê irá mergulhar. Sempre realize a contagem (1, 2, 3 e...) para que o bebê comece a realizar a conscientização da respiração. Os pri- meiros mergulhos devem ser laterais, conduzidos e com pouquíssimo tempo de duração. À medida que o bebê se aperfeiçoa, os mergulhos podem ter maior tempo de duração e começar a ser livres. Figura 7 Bebê mergulhando durante a aula de natação Ol ga S av in a/ Sh ut te rs to ck Até aproximadamente 12 meses, o bebê apresenta o reflexo da glote ou reflexo natatório. Esse reflexo permite que os bebês mergulhem por um curto pe- ríodo e não se afoguem. Ainda, faz com que os bebês tenham movimentos involuntários ao serem estimulados com água. Curiosidade Estratégias de ensino da natação 59 Independentemente das capacidades dos alunos, a estratégia é mantê-los sempre calmos e tranquilos, mostrando que estar naquele ambiente é legal e divertido. Lembre-se de que na natação para bebês a confiança dos pais é fundamental para que seja possível fazer um trabalho bem feito. Nesse contexto, o que pode aumentar a confiança entre professor e pai é explicar o que está sendo realizado e o porquê. Por exemplo: por que não utilizamos óculos nessa turma? Simples: um dos fundamentos da natação é a adaptação da visão subaquática; assim, é importante in- centivar o aluno a nadar sem óculos para que ele identifique pontos de apoio e acidentes sejam reduzidos. Quanto mais cedo o bebê/criança adaptar a visão, melhores serão os resultados. NOME DA ATIVIDADE MATE- RIAL OBJETIVO DESENVOLVIMENTO TEMPO ESTIMADO Receber os alunos - - Receber os alunos. 5 minutos Roda inicial - - Cantar duas ou três músicas de roda. 5 minutos Torre Eiffel Halteres Mergulhos e desloca- mentos Os alunos deverão ir de macaquinho até um apoio, dar um salto até o professor e receber o halter. Depois, os alunos deverão colocar o halter que receberam na axila e ir de costas até a outra borda, onde colocarão os halteres em formato de torre. Eles devem repetir esse processo até que acabem os halteres. 10-12 minutos Mergulhos dos peixi- nhos - Mergulhos Em fila, os alunos deverão mergulhar da pla- taforma até o professor ou responsável. 6 minutos Tapete Tapetão Equilíbrios e mergulhos Saltos do tapete. 5 minutos Saltos da borda - - Saltos da borda. 5 minutos Roda final - - Cantar duas ou três músicas de roda. 5 minutos Despedida dos alunos - - Despedir-se dos alunos na escada. 2 minutos Quadro 6 Modelo de plano de aula de natação para bebês Fonte: Elaborado pela autora.60 Metodologia do ensino das atividades aquáticas A turma das crianças da educação infantil apresenta as seguintes características: Características da turma Crianças com menor autonomia aquática. Crianças com baixa capacidade de flutuação. Crianças com pouca autonomia respiratória. Dependendo da piscina, as crianças não dão pé. Muitas delas usam boia de braço nas piscinas de casa e outros locais. O ideal é dividir a turma em dois grupos: alunos adaptados e alunos menos adaptados. Posição hidrodinâmica Flutuação dorsal Mergulhos Noções de sobrevivência Respiração Deslocamentos Início dos nados crawl e costas rudimentares Aspectos a serem trabalhados durante as aulas O ideal é manter o ambiente organizado e o mais lúdico possível. Sugerimos deixar na borda da piscina apenas os materiais que serão utilizados na aula, pois essa faixa etária se distrai muito facilmente. As crianças precisam de rotina! Estratégias de ensino da natação 61 Como parte da rotina, pode ser interessante utilizar a estratégia de lembrar quais atividades foram realizadas na aula anterior e enfatizar aspectos de segurança: 1) Não entrar na piscina sem que o professor permita. 2) Não correr no ambiente da piscina. 3) Os saltos só serão realizados quando o professor chamar pelo nome da criança. Observe a seguir um exemplo de rotina de aula. 1. Entrada na piscina: ao chegarem, todos os alunos devem se sentar na borda e aguardar o comando para entrar na piscina. Nesse momento, pode-se pedir para que batam pernas e se molhem. A entrada da piscina dever ser pela escada (pois muitos alunos não sabem como entrar na piscina) e deve ser realizada de costas, ou seja o com o aluno olhando para a escada e de costas para a água. 2. Encaminhamento das crianças para o local da aula: de macaquinho ou mergulhando. Figura 9 Crianças se deslocando de macaquinho até o espaço da aula se yo m ed o/ Sh ut te rs to ck Figura 8 Crianças na borda esperando para entrar na piscina seyomedo/Shutterstock 62 Metodologia do ensino das atividades aquáticas 3. Quando as crianças chegarem ao local da aula, elas estarão bem agitadas. O ideal é acalmá-las com atividades na borda ou brincadeiras como morto-vivo. Nesse momento, é sempre bom conversar com as crianças. 4. Aquecimento: elaborar uma atividade em que haja interação entre todos os alunos e que gaste muita energia, como o pega-pega. 5. Realização de duas ou três atividades que tenham como objetivo os princípios da adaptação ao meio líquido (respiração, flutuação e deslizamentos). Dependendo da turma, e se houver um auxiliar, nessa hora é interessante dividir os alunos entre mais adaptados e menos adaptados. • Exemplos de atividades para os menos adaptados: pequenos deslocamentos (da plata- forma até o professor e do professor até a pla- taforma, buscas ao fundo e na plataforma com auxílio do professor etc.) e atividades de respira- ção (elevador). • Exemplos de atividades para os mais adap- tados: pernada na prancha sem auxílio do profes- sor, crawl rudimentar na prancha e mudanças de posição. 6. Encerramento: atividade no tapetão ou saltos. Figura 12 Alunos na borda esperando o momento para saltar do ts ho ck /S hu tte rs to ck Figura 10 Crianças realizando atividade na borda do ts ho ck /S hu tte rs to ck Figura 11 Professora realizando atividade com os alunos M ic ro ge n/ Sh ut te rs to ck Estratégias de ensino da natação 63 Quadro 7 Modelo de plano de aula de natação para educação infantil NOME DA ATIVIDADE MATERIAL OBJETIVO DESENVOLVIMENTO TEMPO ESTIMADO Receber os alunos - - Receber os alunos. 5 minutos Morto-vivo - Respiração Morto: soltando bolinhas; vivo: braços levantados. 5 minutos Salvando o fundo do mar Mate- riais que afundam, macarrão e prancha Mergulhos e desloca- mentos Uma parte dos alunos deverá buscar os objeti- vos no fundo da piscina, enquanto a outra parte irá levá-los até o outro lado. Em um determina- do momento, os alunos trocam de posição. 10 minutos Mergulhos dos peixi- nhos - Mergulhos Em fila, os alunos deverão mergulhar da plataforma até o professor. 9 minutos Tapete Tapetão Equilíbrios e mergu- lhos Saltos do tapete. 7 minutos Saltos da borda - - Saltos da borda. 7 minutos Despedida dos alunos - - Despedir-se dos alunos na escada. 2 minutos Fonte: Elaborada pela autora. O que estudamos nesta seção foram algumas possibilidades de pla- nejamento de aulas para bebês e crianças. Na prática, teremos turmas muito distintas, por conta da personalidade de cada aluno. Existirão turmas calmas e turmas muito agitadas. Não existe receita de bolo, cada professor irá planejar suas aulas de acordo com sua experiência, seus conhecimentos de natação e as características da turma. O livro Natação infantil: uma explosão de ideias é uma excelente ferramen- ta para ter mais ideias de atividades. GRACCO, C; AQUINO, T. (org.). São Paulo: Supimpa, 2020. Livro 64 Metodologia do ensino das atividades aquáticas CONSIDERAÇÕES FINAIS Este capítulo teve como objetivo abordar as características do pro- fessor de atividades aquáticas e as diferentes estratégias de ensino e aprendizagem para aulas de bebês e de crianças da educação infantil. Aprendemos que o professor precisa estar sempre atualizado sobre os assuntos da modalidade. Ainda, o professor precisa ser proativo e saber agir em diversas situações, além de ter paciência e saber dialo- gar com as crianças. Estudamos sobre como são as aulas para bebês e o que é preciso para fazer um bom planejamento de aulas, o qual vale para bebês e para crian- ças de 3 a 6 anos. Acima de tudo, observamos que precisamos de cautela quando estamos no ambiente aquático, pois é um ambiente suscetível a acidentes. Por fim, compreendemos que quando se trata de crianças, devemos conduzir nossas aulas da maneira mais lúdica possível! ATIVIDADES 1. Por que o professor de atividades aquáticas precisa ter conhecimentos de outras disciplinas, como psicologia, aprendizagem motora e desenvolvimento motor? 2. Imagine a seguinte situação: uma data importante (natal, páscoa, dia das crianças, aniversário da escola, entre outras) está próxima e você pretende fazer uma aula temática. Após escolher a data, apresente uma atividade para executar durante sua aula. 3. Elabore um plano de aula de duração de 45 minutos para bebês. 4. Elabore um plano de aula de duração de 45 minutos para crianças de 3 a 6 anos. REFERÊNCIAS CICHON, A. C. M.; AZEVEDO, A. L. P. F.; SANTOS, K. B. Natação para bebês e seus benefícios. In: 14o EVINCI. Anais [...] Curitiba: UniBrasil, out. 2019. CORREIA, C. K. et al. Quais os efeitos da natação para crianças e adolescentes? Revisão sistemática de literatura. Arquivos de Ciências do Esporte, v. 7, n. 1, p. 13-17, 2019. LOPES, J. D. et al. Marcos motores nos primeiros anos de vida e o indicativo de Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação. BIUS-Boletim Informativo Unimotrisaúde em Sociogerontologia, v. 22, n. 16, p. 1-18, 2020. SANTOS, J. P. S. et al. Os benefícios da natação para faixa etária lactente. e-Revista Facitec, v. 11, n. 1, 2020. SELAU, B. O comportamento lúdico infantil em aulas de natação. Movimento. v. 7, n. 13, p. 52-60, dez. 2000. Aspectos técnicos da natação 65 4 Aspectos técnicos da natação Neste capítulo, aprofundaremos os conteúdos relacionados à natação. Em um primeiro momento, trabalharemos com o ensino dos nados e aprenderemos a determinar qual deverá ser o primei- ro nado a ser ensinado. Em seguida, adentraremos os aspectos de cada nado. São eles: crawl, costas, peito e borboleta. Na sequência, veremos os aspectos técnicos dos nados e seus principais erros. Veremos, também, os aspectos da natação voltados aos alunos de 7 a 18 anos e o planejamento necessário. Por fim, aprenderemos sobre aperfeiçoamento e natação competitiva. Esperamos que, ao final deste capítulo você, futuro professor, consiga compreender os quatroestilos da natação e como fun- cionam as etapas de preparação e desenvolvimento das aulas para os ensinos fundamental e médio. 4.1 Ensino dos quatro nados Vídeo O ensino dos nados ocorre no momento em que o aluno já está adaptado ao meio líquido. Sendo assim, os aspectos técnicos dos qua- tro estilos da natação – crawl, costas, peito e borboleta – devem ser aprofundados. Para determinar qual nado será ensinado primeiro, é necessário levar em consideração algumas situações. São elas: • O padrão coordenativo do nado: simétrico (nado peito ou borbo- leta) ou alternado (crawl e costas). • Demandas metabólicas dos nados. • Interesse particular do aluno. • Presença de lesões ou condições físicas/motoras especiais. Comumente, o nado crawl é ensinado primeiro pelas seguintes razões: 66 Metodologia do ensino das atividades aquáticas Nado mais veloz Gasto energético baixo Similar aos outros nados (costas e rudimentar) Padrão coordenativo relativamente fácil O segundo nado a ser ensinado é o nado costas. Embora seja similar ao nado crawl e apresente a respiração livre (sem estar com o rosto submerso), a dificuldade de se manter em flutuação e com bom alinha- mento corporal dificulta a aprendizagem. O nado peito é considerado o mais lento e apresenta menor se- melhança com os outros nados. Por conta da dificuldade técnica, ele pode provocar tensão elevada no joelho quando a ação for executada incorretamente. O nado borboleta, por sua vez, é uma das execuções com alto gasto energético; é indicado àqueles que já possuem uma boa capacidade cardiorrespiratória. Nesse caso, esse nado é ensinado por último, pois permite que o aluno adquira boas valências físicas. Embora já exista uma preferência quanto à sequência dos nados, nada impede que o professor inicie o ensino por outro tipo de nado. Essa questão está extremamente atrelada às vivências do aluno e às suas capacidades físicas. Alguns alunos, por exemplo, apresentam fa- cilidade ao realizar a pernada de peito. Desse modo, ensinar o peito primeiro pode ser uma boa opção. 4.1.1 Nado crawl No nado crawl, o nadador deve manter o corpo plano, horizontal e em decúbito ventral. Este é considerado um nado alternado, tanto nos movimentos dos membros superiores quanto dos inferiores. Durante as competições, o nado crawl, por ser considerado o mais veloz e econô- mico, é utilizado nas provas de nado livre nas piscinas e águas abertas. A sequência pedagógica do nado crawl deve seguir a seguinte ordem: Pernada Braçada Respiração Coordenação No vídeo Crawl: método básico | Natação,, publi- cado pelo canal Sikana Brasil, é possível visualizar os movimentos do nado crawl e as técnicas de respiração. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=IAKD5RIZBds. Acesso em: 19 jan. 2021. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=IAKD5RIZBds https://www.youtube.com/watch?v=IAKD5RIZBds https://www.youtube.com/watch?v=IAKD5RIZBds Aspectos técnicos da natação 67 A pernada, nesse nado, contribui para auxiliar o equilíbrio corporal do aluno e apresenta uma ação alternada e contínua por meio do qua- dril. Durante os movimentos, a ação para baixo é considerada a fase propulsora (mais forte), enquanto a ação para cima é relatada como a mais fraca. Tendo em vista que a pernada pode ser equiparada a um chute, o pé e o tornozelo apresentam um papel importante para uma boa eficiência. Quanto mais flexível for o tornozelo, mais forte será o chute final, contribuindo para uma pernada adequada. Figura 1 Pernada do nado crawl pi o3 /S hu tte rs to ck A braçada do nado crawl é responsável por grande parte da propul- são do nado e apresenta duas fases: submersa e aérea. A fase submersa é dividida em cinco componentes, que são: 1. entrada; 2. apoio ou varredura para baixo e agarre; 3. puxada ou varredura para dentro; 4. empurrada ou varredura para cima; 5. finalização ou liberação. A junção de todas essas etapas é similar a um “S”, por isso, muitas vezes, referimo-nos ao “S” da braçada quando queremos indicar a fase submersa. Já a fase aérea apresenta uma etapa: a recuperação. Maridav/Shutterstock Figura 3 Respiração no nado crawl 6868 Metodologia do ensino das atividades aquáticasMetodologia do ensino das atividades aquáticas Figura 2 Representação do nado crawl VAZZEN/Shutterstock A respiração é considerada lateral, e a inspiração ocorre pela boca durante a fase aérea da braçada; a expiração ocorre pela boca/nariz durante a fase submersa da braçada. Para uma inspiração eficaz, é ne- cessário que o corpo gire lateralmente até que o nadador consiga tirar a boca da água. A coordenação é o último item da sequência pedagógica e reflete pequenos ajustes do nado. Os tipos de coordenação podem ser obser- vados no Quadro 1. Quadro 1 Coordenação do nado crawl Coordenação Observação Perna x perna Deve ser sempre alternada; a frequência é proporcional à ve- locidade do nado. Braço x braço Em nado mais veloz, a braçada é considerada de oposição, en- quanto em nado mais lento o braço é em deslize. Braço x perna Em nado mais veloz, são utilizadas seis pernadas para um ciclo de braçadas. Em nado mais lento, são utilizadas duas pernadas para um ciclo de braçadas. Braço x respiração A respiração pode ser iniciada a cada ciclo de braçada (lateral) ou a cada ciclo e meio de braço (bilateral). Fonte: Elaborado pela autora. Aspectos técnicos da natação 69 Aprendemos, aqui, sobre o modo de se ensinar o nado crawl. Seguir a sequência pedagógica é muito importante, pois o nível de dificuldade é crescente, indo do fácil para o difícil. Nessa etapa de aprendizado, a instrução e o feedback visual são imprescindíveis para que o aluno visualize o que deve ser realizado. 4.1.2 Nado costas O nado costas, também chamado crawl ao contrário, é caracterizado por manter o corpo em decúbito dorsal, plano e horizontal. Embora uma das vantagens do nado costas seja o rosto não permanecer sub- merso, a orientação espacial é dificultada por não ter a visão do fundo da piscina para localização. Sobre os movimentos, tanto os membros superiores quanto os inferiores são alternados. A sequência pedagógica do nado costas deve seguir a seguinte ordem: Pernada Braçada Respiração Coordenação Durante a pernada, os joelhos devem permanecer ligeiramente abaixo da linha da água. A ação propulsiva da pernada ocorre ao mo- vimentar a perna para cima, durante a flexão do quadril e a extensão do joelho. Figura 4 Representação do nado costas VAZZEN/Shutterstock A braçada do nado costas é responsável por grande parte da pro- pulsão do nado. Nele, as fases da braçada são duas: submersa e aérea. A primeira fase apresenta cinco etapas: a) entrada; b) apoio; c) puxa- da; d) empurrada; e) desmanchamento. A segunda apresenta apenas Para saber mais sobre exercícios do nado crawl, confira o livro Natação: exercícios de técnica para melhoria do nado. GUZAM, R. Curitiba: Manole, 2008. Livro O vídeo Costas: método básico | Natação, publi- cado pelo canal Sikana Brasil, exemplifica o nado costas e apresenta técnicas de respiração que podem ser utilizadas ao aprender o estilo. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=9aEewSacB8s&t=35s. Acesso em: 19 jan. 2021. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=9aEewSacB8s&t=35s https://www.youtube.com/watch?v=9aEewSacB8s&t=35s https://www.youtube.com/watch?v=9aEewSacB8s&t=35s 70 Metodologia do ensino das atividades aquáticas a etapa de recuperação, na qual o braço sai com o polegar apontado para cima na região da coxa e entra na água com o dedo mínimo, rea- lizando rotação de ombro. Figura 5 Representação da braçada no nado costas Hawkmoth Graphics/Shutterstock A respiração durante o nado costas é relativamente fácil. A inspira- ção ocorre sempre pela boca; já a expiração, pelo nariz e/ou boca. O ritmo respiratório pode ser estabelecido pelo próprio aluno, que deve ter cautela nos momentos de inspiração. No início da aprendizagem do nado, é comum o alunose confundir nos mo- mentos de inspiração e expiração, tendo em vista que, ao realizar a braçada, um grande volume de água pode chegar ao rosto e causar um certo desconforto. Figura 6 Respiração do nado costas M ic ro ge n/ Sh ut te rs to ck Para executar melhor a braçada no nado costas, é necessário realizar uma rotação do corpo no eixo longitudinal. Importante Aspectos técnicos da natação 71 A coordenação do nado costas é muito importante para a execução correta do nado. O Quadro 2 apresenta os diferentes tipos de coorde- nação desse nado. Quadro 2 Coordenação do nado costas Coordenação Observação Perna x perna Deve ser sempre alternada; a frequência é proporcional à ve- locidade do nado. No nado costas, a frequência de pernada é muito maior do que a do nado crawl. Braço x braço Enquanto um braço está entrando na água, o outro está na fase submersa da empurrada. Braço x perna A cada ciclo de braçadas, são realizadas seis pernadas. Braço x respiração Estabelecida pelo próprio aluno. Fonte: Elaborado pela autora. Nesta seção, aprendemos sobre os processos pedagógicos para o ensino do nado costas e vimos como ocorre a mecânica da braçada, bem como as questões coordenativas que moldam o nado. 4.1.3 Nado peito O nado peito apresenta movimentos simultâneos de braços e per- nas. A posição do corpo tende a ser horizontalizada e plana, buscando a posição hidrodinâmica. Durante a respiração, que é frontal, o quadril abaixa, dificultando a manutenção da posição horizontal. Embora o nado peito seja tecnicamente muito diferente dos nados crawl e costas, a sequência pedagógica é a mesma. Pernada Braçada Respiração Coordenação No nado peito, a pernada é considerada simultânea e é, também, responsável por grande parte da propulsão. A execução da pernada é complexa e ocorre em três etapas: a) recuperação; b) varredura para fora; e c) varredura para dentro. Devido a esse movimento, a sobre- O vídeo Peito: aprender a técnica básica | Natação, publicado pelo canal Sikana Brasil, exemplifica o nado peito e apresenta dicas para desenvolver os movimentos e as técnicas de respiração. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=sBcmQI_6Yos. Acesso em: 19 jan. 2021. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=sBcmQI_6Yos https://www.youtube.com/watch?v=sBcmQI_6Yos https://www.youtube.com/watch?v=sBcmQI_6Yos 72 Metodologia do ensino das atividades aquáticas carga do joelho é grande. Durante todo o processo de recuperação e varredura para fora, os pés devem estar posicionados para fora, fun- cionando similarmente a uma hélice. Figura 7 Pernada do nado peito na etapa da varredura para fora Te am DA F/ Sh ut te rs to ck A braçada do nado peito é relativamente simples e sempre ocorre submersa. As etapas da braçada são: a) pegada; b) puxada; e c) recu- peração. Quanto à respiração, o processo de inspiração ocorre no ins- tante da pegada/puxada, e a expiração, no instante da recuperação. A Figura 8 apresenta os instantes de braçada, pernada e respiração. O vídeo Pernada no nado de peito: visão submersa, publicado pelo canal Natação Zen, apresenta a pernada no nado peito, quadro a quadro. Nele, é possível compreender como os movimentos devem ser executados. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=lfAS5I6ovGU. Acesso em: 19 jan. 2021. Vídeo M aq ui la do ra /S hu tte rs to ck Figura 8 Representação do nado peito A coordenação do nado peito é apresentada no Quadro 3. https://www.youtube.com/watch?v=lfAS5I6ovGU https://www.youtube.com/watch?v=lfAS5I6ovGU https://www.youtube.com/watch?v=lfAS5I6ovGU Aspectos técnicos da natação 73 Quadro 3 Coordenação do nado peito Coordenação Observação Perna x perna Simultâneas. Braço x braço Simultâneos. Braço x perna A braçada inicia quando as pernas estão unidas (recuperação). Fonte: Elaborado pela autora. Nesta seção, dedicamo-nos a explicar os processos de ensino do nado peito. Foi possível aprender sobre a posição do corpo, os movi- mentos de braçada e pernada e sobre coordenação. É importante que o professor tenha clareza desses conceitos e saiba explicá-los para o aluno, visando ao sucesso da execução do nado peito. 4.1.4 Nado borboleta O nado borboleta tem como característica apresentar movimentos simultâneos de braços e pernas. Por realizar sequências de mergulhos e ondulações, a posição do corpo varia de acordo com os movimentos de braços ou pernas. O nado borboleta apresenta uma sequência pedagógica diferente dos nados crawl, costas e peito. Por conta de o nado ser ondulante, é extremamente necessário que o aluno aprenda primeiramente como ondular na água. O esquema a seguir apresenta o processo pedagógico para o ensino do nado borboleta. Ondulação Braçada Respiração Pernada Coordenação A ondulação é um dos aspectos mais importantes a serem ensina- dos, tendo em vista que a não realização adequada do movimento pelo aluno pode acarretar a falta de sua evolução no nado. A ondulação é realizada principalmente pelo quadril, direcionando-o sempre para cima e para frente. Os movimentos da cabeça contribuem para com- plementar os movimentos do quadril, uma vez que: O vídeo Aprenda o nado borboleta | Natação (Raia 45), publicado pelo canal Raia 45, exempli- fica o nado borboleta e apresenta dicas para a melhor execução dos movimentos. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=dip5xJcKC-g. Acesso em: 19 jan. 2021. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=dip5xJcKC-g https://www.youtube.com/watch?v=dip5xJcKC-g https://www.youtube.com/watch?v=dip5xJcKC-g 74 Metodologia do ensino das atividades aquáticas • enquanto a cabeça levanta, o quadril desce; • enquanto a cabeça desce, o quadril sobe. Figura 9 Representação dos movimentos da ondulação durante o nado borboleta VAZZEN/Shutterstock Similar aos nados crawl e costas, o nado borboleta apresenta duas fases da braçada: submersa e aérea. A fase submersa é responsável por grande parte da propulsão do nado e apresenta cinco etapas: 1. entrada e deslize; 2. varredura para fora e agarre ou pegada/apoio; 3. varredura para dentro ou puxada; 4. varredura para cima ou empurrada; 5. finalização. A fase aérea apresenta uma única etapa: a recuperação. Em ambas as fases, os braços realizam sempre movimentos simultâneos. A Figura 10 ilustra as etapas da fase da braçada. Na primeira posi- ção, a nadadora realiza a varredura para fora e agarre; já na segunda, ela executa a varredura para dentro; na terceira, percebemos que ela faz a varredura para cima; e, por fim, na quarta, vemos a finalização. Nas posi- ções 5 e 6, a nadadora exerce a fase aérea da braçada, na qual os braços são levados para fora e ficam paralelos à água. Figura 10 Representação do nado borboleta M aq ui la do ra /S hu tte rs to ck A respiração pode ser frontal ou lateral e ocorre em duas fases: • a inspiração, que ocorre durante a varredura para cima ou empurrada; • a expiração, que ocorre na fase aérea da braçada. A pernada no nado borboleta é simultânea, com as pernas e os pés próximos uns dos outros. A ação para baixo é a propulsiva, resultado da flexão do quadril e do joelho, seguido da extensão deles. A ação exercida pelos pés e pernas é parecida com a de um chicote. A coordenação do nado borboleta é apresentada no Quadro 4. Quadro 4 Coordenação do nado borboleta Coordenação Observação Perna x perna Simultâneas. Braço x braço Simultâneos. Braço x perna Duas pernadas a cada braçada: uma pernada na entrada dos braços e outra na varredura para cima ou empurrada. Braço x respiração O ritmo respiratório pode ser estabelecido pelo próprio aluno. Fonte: Elaborado pela autora. Aprofundamos até aqui os conteúdos relacionados ao ensino do nado borboleta. Mesmo parecendo um nado simples, a complexidade ao se realizar as ondulações e pernadas, associada ao elevado gasto metabólico, faz com que seja um nado difícil de desempenhar. Nesse sentido, caso queira ensinar o nado borboleta para seu aluno, tenhaem mente que o processo de ondulação deve ser bem conduzido para que a atividade seja realizada com sucesso. O vídeo Nado borboleta (pernada e educativo básico), publicado pelo canal Prof. Rodrigo Araujo Natação Raia Certa, apresenta e exemplifi- ca a pernada do nado borboleta. Disponível em: https://www.you- tube.com/watch?v=4y0zVe4xZGw. Acesso em: 19 jan. 2021. Vídeo Sakdawut Smanbut/Shutterstock Figura 11 Respiração durante o nado borboleta Aspectos técnicos da nataçãoAspectos técnicos da natação 7575 https://www.youtube.com/watch?v=4y0zVe4xZGw https://www.youtube.com/watch?v=4y0zVe4xZGw 76 Metodologia do ensino das atividades aquáticas 4.2 Análise técnica dos nados Vídeo Na análise técnica dos nados, estudaremos os aspectos perti- nentes para a correção dos nados. Nos quatro estilos, a análise técnica é realizada da mesma maneira. Ela apresenta a seguinte ordem: Pernada Respiração CoordenaçãoBraçadaPosição do corpo A seguir, veremos os principais erros técnicos da posição do corpo de cada nado. Nado costasNado crawl Nado peito Nado borboleta • Quadril fundo • Cabeça elevada • Quadril fundo • Cabeça funda • Flexão exagera- da do quadril • Pouca posição hidrodinâmica • Pouca ondulação Para cada erro, existem exercícios corretivos, que são chamados educativos. Para a cabeça funda durante o nado crawl, por exemplo, o professor pode orientar o aluno a olhar para frente, com a água batendo na linha da touca. Para cabeça elevada no nado costas, o professor pode orientar o aluno a nadar com as orelhas alinhadas ao nível da água. Ainda, no nado borboleta, o professor pode orientar o aluno a realizar diferentes movimentos de ondulações no com- primento da piscina, para que consiga transferir esse movimento ao seu nado. Vejamos, agora, os principais erros técnicos da pernada durante os nados. Aspectos técnicos da natação 77 Nado costasNado crawl Nado peito Nado borboleta • Joelhos para fora da água • Joelhos muito flexionados • Joelhos muito afastados • Sem propulsão • Joelhos muito flexionados Em seguida, vejamos os principais erros técnicos da braçada duran- te os nados. Nado costasNado crawl Nado peito Nado borboleta • Finalização da braçada curta • Posicionamento incorreto do braço na fase de recuperação • Finalização da braçada curta • Arrastar o coto- velo na água • Passar os bra- ços da linha do quadril • Pouca alavanca de cotovelo • Arrastar os bra- ços na água • Fase submersa curta Por fim, vejamos os principais erros técnicos da respiração e da coordenação durante os nados. Nado costasNado crawl Nado peito Nado borboleta • Nado tipo espera braço • Nado tipo espera braço • Nado tipo estrela • Respiração atrasada • Respiração atrasada • Muitas pernadas para cada braçada Aprendemos, nesta seção, o modo de realizar a análise técnica dos nados. É muito importante identificar os erros e elaborar estratégias para correção, tendo em vista que, ao realizar exercícios inadequada- mente, lesões podem ocorrer. Sendo assim, a utilização de filmagens durante as aulas, exemplificando os movimentos, pode ser importan- te para que o aluno compreenda o que deve ser feito. Além disso, a filmagem dos próprios alunos pode ser interessante para verificar a evolução ou mostrar onde está o erro durante o nado. Para saber mais sobre exercícios de correção do nado, confira o livro Natação: 1000 exercícios. SOUZA, W. A.; CABRAL, F.; CRISTIANINI, S. Curitiba: Sprint, 1995. Livro 4.3 Natação para crianças e adolescentes (7 a 18 anos) Vídeo A turma de natação infantojuvenil, que engloba a faixa etária dos 7 aos 18 anos, pode ser conduzida durante as aulas de educação física ou como atividade extracurricular. Em algumas escolas, a prática de nata- ção pode ser escolhida como atividade da aula de Educação Física, e as aulas são similares àquelas desenvolvidas nos clubes e nas academias de natação. Por outro lado, algumas escolas não possuem espaço físico adequado e, por isso, realizam poucas aulas de natação durante o ano letivo. Nesse caso, essas atividades são voltadas à recreação. Nessa modalidade de ensino de natação, existem algumas caracte- rísticas a serem levadas em consideração. São elas: • O número de alunos é maior, em torno de dez alunos por professor. • Normalmente, o professor permanece fora da água. • Em uma mesma turma, possivelmente haverá alunos tanto no pro- cesso de adaptação ao meio líquido quanto na fase de aprendiza- gem dos nados. Os motivos que levam os adolescentes à natação são diversos, des- de praticar uma atividade física e/ou melhorar capacidade respirató- ria, até visando ao emagrecimento e/ou à solução de problemas de asma, por exemplo. Sabemos que a adolescência é uma fase de transformação e que muitos alunos podem apresentar mu- danças repentinas de humor, ansiedade ou até mesmo de- pressão. Cabe ao professor conduzir a aula com o intuito de auxiliar na redução desses transtornos surgidos nesse período. A prática de natação deve ser prazerosa e benéfi- ca para a saúde física e men- tal do praticante. Figura 12 Adolescentes durante aula de natação ES B Pr of es si on al /S hu tte rs to ck 7878 Metodologia do ensino das atividades aquáticasMetodologia do ensino das atividades aquáticas Aspectos técnicos da natação 79 4.4 Planejamento de aulas para ensino fundamental e médio Vídeo As aulas de natação para o ensino fundamental e médio pos- suem uma estrutura de aula diferenciada. Geralmente, as aulas possuem 45 minutos de duração e podem ser divididas em: • aquecimento, com algumas chegadas de nado livre em bai- xa intensidade; • técnica, com alguns exercícios para a melhoria da técnica de nado; • parte principal, na qual há series com palmar, velocidade, distância, pé de pato; • atividade final, com alguma brincadeira que envolva todos da turma. Caso tenha um quadro disponível, pode ser importante es- crever os momentos da aula nele. Além disso, ao iniciar a aula, o professor deve reunir a turma e explicar as atividades. Caso a turma seja mista (alunos que sabem nadar e alunos que não sabem nadar), a estratégia mais adequada possa ser a seguinte: • Aqueles que nadam: seguem a aula do quadro normal- mente. Para esse grupo, é importante ficar atento e corrigir a técnica. • Aqueles que não nadam: geralmente, são os menores e precisam de uma atenção maior. As aulas devem ser com volume menor e incluem chegadas apenas de pernadas, braçadas e nado completo. Para esses alunos, é ideal fazer aulas com alguns fatores lúdicos, como levar sorrisos para o outro lado, utilizar pranchas diferentes, realizar ativida- des com letras/números etc. É muito importante realizar, com os alunos dessa faixa etária, atividades cognitivas e que desenvolvam o raciocínio lógico. Al- guns exemplos são: • Matemática: antes de dizer quantas vezes o aluno deverá chegar até a borda da piscina, o professor colocará uma equação. A resposta da equação é o número de chegadas. • Português: o professor colocará diversas letras no fundo, e a cada chegada o aluno deverá buscar uma letra. Ao final da aula, ele deverá formar uma palavra. O vídeo Natação social: Aula de natação jovens no projeto social bandeira verde salvando vidas, pu- blicado pelo canal Mundo Ativo, é um exemplo de aula de natação para o público infantil. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=zPXW1oih4GA&t=46s. Acesso em: 19 jan. 2021. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=zPXW1oih4GA&t=46s https://www.youtube.com/watch?v=zPXW1oih4GA&t=46s https://www.youtube.com/watch?v=zPXW1oih4GA&t=46s 80 Metodologia do ensino das atividades aquáticas Nesta seção, estudamos sobre o planejamento de aulas. O plano de aula é um documento fácil de ser preenchido, porém requer bastan- te conhecimento de natação, bem como da turma, para selecionar as atividades. Em alguns momentos, será necessário elaborar planos de aulas individuais, no intuitode que, futuramente, o aluno consiga ser introduzido nas atividades da turma. Não se esqueça, professor, que a atividade final é muito importante e é um momento de descontração e diversão. É essencial, também, compreender a natação como um es- porte que exige muita repetição. 4.5 Aperfeiçoamento e treinamento em natação Vídeo O aperfeiçoamento em natação remete à fase em que o aluno já apresenta técnica dos quatro nados, porém precisa de algumas corre- ções. Nessa etapa do desenvolvimento, o aluno já possui conhecimentos sobre metragem de piscinas (número de voltas) e de diversos educativos. As saídas e viradas são ensinadas nessa etapa como parte do pla- nejamento. Tendo em vista que elas contribuem para reduzir o tempo de percurso, devem ser aperfeiçoadas também. Além disso, durante as aulas de natação voltadas ao aperfeiçoamento, o professor deve estar atento aos alunos com perfil para serem atletas de natação. Figura 13 Representação de uma virada olímpica do nado costas Ja co b Lu nd /S hu tte rs to ck Aspectos técnicos da natação 81 O treinamento em natação é realizado, muitas vezes, concomi- tantemente com o aperfeiçoamento. É a etapa em que ocorre a preparação do atleta para as competições. Na natação, muitas ve- zes, em uma seção de treino o atleta pode chegar a totalizar mais de dez quilômetros de nado, variando entre aquecimento, técnica e parte principal. No momento de treino, o professor precisa conhecer o calen- dário de provas anual e da especialidade do atleta. Desse modo, deve realizar o planejamento, com masociclos, macrociclos e mi- crociclos. Muitas vezes, o atleta chega a treinar duas vezes por dia, além de realizar o treinamento físico. Figura 14 Professor/técnico junto com seus atletas M on ke y B us in es s Im ag es /S hu tte rs tc ok Embora a natação seja considerada um esporte individual, o vínculo criado durantes os treinos é importante para socialização. Muitas vezes, o atleta se abdica de estar com os amigos e a famí- lia para treinar. Portanto, o professor/técnico representa um papel fundamental na manutenção do bem-estar físico e mental desse atleta. O vídeo Como estruturar seus treinos de natação, publicado pelo canal Ironguides Brasil, é um exemplo de treinamento em natação. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=xHdweHhrKAM. Acesso em: 19 jan. 2021. Vídeo O livro Nadando o mais rápido possível é um ótimo material para aprender mais sobre o treinamento de natação. MAGLISHO, E. W. Curitiba: Manole, 2010. Livro https://www.youtube.com/watch?v=xHdweHhrKAM https://www.youtube.com/watch?v=xHdweHhrKAM https://www.youtube.com/watch?v=xHdweHhrKAM 82 Metodologia do ensino das atividades aquáticas 4.6 Natação de alto rendimento Vídeo Na natação, a partir dos 6 anos a participação em competições esta- duais vinculadas às federações estaduais é permitida. As categorias da natação variam de acordo com a idade, conforme o Quadro 5. Quadro 5 Categorias da natação de acordo com a idade Categoria Faixa etária Pré-mirim 6 a 8 anos Mirim I e II 9 a 10 anos Petiz I e II 11 e 12 anos Infantil I e II 13 e 14 anos Juvenil I e II 15 e 16 anos Junior I e II 17 a 19 anos Sênior e Master Acima de 20 anos Fonte: Adaptado de CBDA (2020). O objetivo da natação competitiva é filtrar os melhores atletas, de- senvolvendo a melhor performance e representando a escola, cidade ou estado durante as competições. Geralmente, o treinamento dos atletas ocorre em um local diferente do ambiente escolar; é nessa fase, também, que a equipe de treino, juntamente ao treinador, é formada. As competições podem ser locais (dentro da própria escola/clu- be), regionais, estaduais, nacionais e internacionais. Cada compe- tição apresenta um regulamento diferente, e cabe ao professor/ técnico ter ciência disso. Com relação às regras, geralmente são uti- lizadas as regras FINA/CBDA. É obrigação do treinador saber das re- gras e explicá-las para os atletas durante o treinamento. Antes do início da competição, é realizado o congresso técnico, no qual são explicados para os treinadores os procedimentos, como horário de aquecimento, ordem das provas e demais informações. No dia da competição, o atleta deve estar atento ao horário de sua prova. Quando estiver próximo, ele deve se encaminhar para o banco de controle, onde o árbitro verificará o traje e confirmará se está de acordo com as regras estabelecidas. Após ser liberado, o atleta se di- reciona para a raia e aguarda o início da prova. O vídeo a seguir, publica- do pelo canal Futures- wim1, é do Campeonato Brasileiro Infantil de Natação, que ocorreu no ano de 2011 em João Pessoa – PB. Ele mostra a prova de 200 metros borboleta. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=rYDLPx9Y7dk. Acesso em: 19 jan. 2021. Vídeo O caderno de regras ofi- ciais da natação, produzi- do e disponibilizado pela FINA/CDBA, apresenta as regras do período de 2017 a 2021. Disponível em: https://cbda. org.br/_uploads/natacao/ RegrasOficiaisNatacao2017_2021. pdf. Acesso em: 19 jan. 2021. Leitura https://www.youtube.com/watch?v=rYDLPx9Y7dk https://www.youtube.com/watch?v=rYDLPx9Y7dk https://www.youtube.com/watch?v=rYDLPx9Y7dk https://cbda.org.br/_uploads/natacao/RegrasOficiaisNatacao2017_2021.pdf https://cbda.org.br/_uploads/natacao/RegrasOficiaisNatacao2017_2021.pdf https://cbda.org.br/_uploads/natacao/RegrasOficiaisNatacao2017_2021.pdf https://cbda.org.br/_uploads/natacao/RegrasOficiaisNatacao2017_2021.pdf Aspectos técnicos da natação 83 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, nosso objetivo foi descrever os aspectos técnicos dos nados, apresentar o planejamento de aulas de natação para ensino fun- damental e médio e discorrer sobre o aperfeiçoamento, o treinamento e a competição de natação. Estudamos sobre os processos pedagógicos de cada nado e seus principais erros técnicos. Com relação às crianças e adolescentes, aprendemos sobre as carac- terísticas das turmas e o modo correto de planejar as aulas. Foi possí- vel ver que em uma mesma turma poderemos ter alunos muito distintos quanto ao nível técnico. Compreendemos, ainda, que nessas aulas de na- tação o professor deve ter um olhar atento, para identificar os alunos com perfil de atleta e inclui-los nas equipes para competição. Por fim, tratamos da rotina de um atleta de natação, percebendo que ela pode ser muito puxada, sendo o professor/técnico elemento funda- mental para proporcionar bem-estar físico e mental a ele. ATIVIDADES 1. Explique em quais situações o crawl não deve ser ensinado primeiro. 2. Cite três características da turma de natação que inclui os alunos de 7 a 18 anos. 3. Qual é a finalidade da última atividade nas aulas de natação infantil? REFERÊNCIAS CBDA. Natação 2020. 2020. Disponível em: https://sge-aquaticos.bigmidia.com/_uploads/ boletim/o_1du5hgp7dnlthe9502gdtm9vc.pdf. Acesso em: 4 mar. 2021. FIGUEIREDO, P. A. P. de. Natação para bebês, infantil e iniciação: uma estimulação para a vida. São Paulo: Phorte, 2011. GOMES, W. D. F. Natação: erros e correções. 3. ed. Rio de Janeiro: Sprint, 2004. GUZAM, R. Natação: exercícios de técnica para melhoria do nado. Curitiba: Manole, 2008. MAGLISHO, E. W. Nadando o mais rápido possível. Curitiba: Manole, 2010. 84 Metodologia do ensino das atividades aquáticas 5 Estratégias de ensino das atividades aquáticas Neste capítulo, abordaremos os conteúdos de elaboração e de planejamento das aulas de atividades aquáticas, sendo elas: hidroginástica, polo aquático, salto ornamental, high diving, nata- ção artística e natação em águas abertas. É necessário, no entanto, compreender em um primeiro momento algumas características dessas modalidades. Elas serão a nossa base para realizar um bom planejamento das aulas. Esperamos que ao final deste capítulo você, futuro professor, consiga compreender as individualidades de cada modalidade, bem como as peculiaridades da elaboração e do planejamento das aulas. 5.1 Hidroginástica Vídeo A hidroginásticafoi originada de uma das áreas da fisioterapia, co- nhecida como hidroterapia. A modalidade é caracterizada por propor a realização de exercícios de caráter aeróbio na água e apresenta uma série de benefícios físicos e mentais, promovendo a melhora da quali- dade de vida dos praticantes (TEIXEIRA; PEREIRA; ROSSI, 2007). É consi- derado um campo de atuação muito amplo e as aulas são promovidas principalmente para idosos, porém não se descarta aulas para gestan- tes, adultos e crianças, por exemplo. No âmbito escolar, as aulas de hidroginástica podem ser realizadas de três maneiras: • Para alunos: durante as aulas de Educação Física. • Para alunos: horário extracurricular. • Público externo: horários durante o dia. Durante as aulas de Educação Física, a hidroginástica pode ocorrer regularmente ou esporadicamente. Quando se trata de atividade regu- lar, o professor pode escolher um período durante o ano letivo, plane- jar e executar as respectivas aulas. Em relação às aulas esporádicas, o professor deve escolher algumas aulas durante o ano letivo e apresen- tar a modalidade para os alunos. Nas modalidades horário extracurricular ou público externo, as aulas podem ser ofertadas de uma a três vezes na semana. Aqui, o pro- fessor deve realizar o planejamento regular das aulas. Para os alunos, o professor precisa respeitar a faixa etária, pensando nas capacidades mo- toras que eles possuem, além de incluir atividades lúdicas para motivá- -los. Para o público externo, é necessário ter conhecimento sobre quem o compõe e seus objetivos com a modalidade. Lembrando que a oferta de hidroginástica deve ser feita em esco- las com acesso à piscina, podendo ser do próprio local ou alugada. Em relação à piscina, a informação mais importante é que ela precisa ter a profundidade adequada à altura dos alunos. Além disso, é fundamen- tal incluir a modalidade de hidroginástica no planejamento das aulas de Educação Física, pois é importante que os alunos tenham essa vivência e, caso tenham interesse, busquem realizá-la de maneira extracurricular. Geralmente as aulas são conduzidas com o professor fora da água, facilitando a instrução dos exercícios. Apesar disso, nada impede de o docente eventualmente ministrar as aulas dentro da água para tornar a aula mais motivada e descontraída. O site Kids and swim- ming apresenta diversas matérias sobre esportes aquáticos e algumas particularidades da hidro- ginástica para crianças. Disponível em: http:// kidsandswimming.blogspot. com/2012/05/hidroginastica- para-criancas.html. Acesso em: 29 jan. 2021. Site Figura 1 Professor realizando exercícios fora da água para os alunos. fo to po ol /S hu tte rs to ck Estratégias de ensino das atividades aquáticasEstratégias de ensino das atividades aquáticas 8585 http://kidsandswimming.blogspot.com/2012/05/hidroginastica-para-criancas.html http://kidsandswimming.blogspot.com/2012/05/hidroginastica-para-criancas.html http://kidsandswimming.blogspot.com/2012/05/hidroginastica-para-criancas.html http://kidsandswimming.blogspot.com/2012/05/hidroginastica-para-criancas.html 86 Metodologia do ensino das atividades aquáticas É desejável que, conforme já mencionado, o professor inclua a mo- dalidade durante suas aulas para que os alunos ampliem o leque de possibilidades de prática de atividade física. Destacamos que o plane- jamento das aulas e a motivação do professor são fundamentais para permanência dos alunos. 5.1.1 Elaboração e planejamento de aulas O planejamento das aulas de hidroginástica depende de alguns fa- tores. No Quadro 1 podemos verificar alguns deles. Quadro 1 Elementos que influenciam o planejamento das aulas de hidroginástica Fatores Observação Materiais disponíveis Espaguetes, halteres, sorrisos, pesos, pranchas, elásticos, barra. Características da turma Número de alunos, objetivos e restrições dos alunos. Conhecimento dos exercícios Exercícios para membros superiores, inferiores e core. Fonte: Elaborado pela autora. O número de alunos depende do tamanho da piscina, mas nor- malmente são 20 por turma. Em alguns locais, ocorrem simultanea- mente aulas de hidroginástica e outras modalidades, como natação, por exemplo. Nesse caso, a piscina é dividida para contemplar as duas modalidades. As restrições são relacionadas às limitações dos alunos, como apresentar doenças articulares. A partir do momento em que um aluno relata possuir alguma condição especial, o professor tem total liberdade para realizar adaptações nos exercícios para ele. A quantidade de materiais disponíveis é relacionada à quantidade de alunos. Por exemplo, se uma turma possui 20 alunos e o professor quer realizar exercícios com halteres, espaguetes e sorrisos, ele vai precisar de 40 halteres (dois para cada aluno), 40 espaguetes (dois para cada aluno) e 40 sorrisos (dois para cada aluno). O conhecimento de diferentes exercícios torna a aula de hidroginás- tica mais dinâmica e motivante. O tempo de cada exercício é relativo, mas, em média, fica em torno de um minuto. Pensando nisso, uma aula Estratégias de ensino das atividades aquáticas 87 deve ter cerca de 30 exercícios diferentes, variando entre membros su- periores, inferiores e região abdominal. A Figura 2 apresenta um modelo de plano de aula para hidroginás- tica. No geral, a aula é dividia em três partes: • Aquecimento: aproximadamente cinco minutos. • Parte principal: aproximadamente 35 minutos. • Volta calma: aproximadamente cinco minutos. Figura 2 Modelo de plano de aula para hidroginástica PLANO DE AULA – HIDROGINÁSTICA Turma: Horário: Quantidade de alunos: Informações gerais: Exercício Tipo de exercício Característica do exercício Execução Material necessário Tempo de exercício Fonte: Elaborada pela autora. O item exercício é referente à ordem e ao nome do exercício. O tipo de exercício significa se é aquecimento, parte principal ou volta calma. A característica do exercício diz respeito ao objetivo e à região corporal, por exemplo, membros inferiores, superiores ou abdominal. A execu- ção é como deve ser realizado o exercício, bem como se necessita de matéria. Por fim, o tempo de exercício significa o tempo total despen- dido para realização dele. No aquecimento, são realizados exercícios para elevar a frequên- cia cardíaca e o fluxo sanguíneo, como corridas de um ponto ao outro ou estacionárias. Na parte principal, são realizados exercícios para os membros superiores e inferiores. Na volta calma, são realizados exercí- cios de alongamento e relaxamento. Confira o artigo Metodologia para o planejamento de aulas de hidroginástica, publicado em 2013 na revista Motricidade e escrito por Olkoski et al. Nele, é possível compreender um pouco mais sobre as metodologias utilizadas para a elaboração de planos de aula de hidroginástica. Acesso em: 29 jan. 2021. http://www.scielo.mec.pt/pdf/mot/v9n3/v9n3a06.pdf Artigo Confira no vídeo Hidro- ginástica, publicado por Kênia Paniago, uma aula completa dessa moda- lidade. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=OHWkSa0zQyQ. Acesso em 29 jan. 2021. Vídeo http://www.scielo.mec.pt/pdf/mot/v9n3/v9n3a06.pdf https://www.youtube.com/watch?v=OHWkSa0zQyQ https://www.youtube.com/watch?v=OHWkSa0zQyQ https://www.youtube.com/watch?v=OHWkSa0zQyQ 88 Metodologia do ensino das atividades aquáticas Existem alguns tipos de aulas que são interessantes de incluir no planejamento, como as coreografadas, as em circuitos e o treinamento intervalo de alta intensidade (OISHI et al., 2019). Além disso, os exer- cícios podem ser realizados de maneira individual, em duplas ou em trios. Lembre-se, professor: as aulas precisa ser motivantes! Nesta seção, aprendemos um pouco sobre hidroginástica e como elaborar aulas para essa modalidade. Contudo, além de conhecer so- bre a modalidade e os seus alunos, é muito importante que o professor também tenha conhecimento de biomecânica, cinesiologia e de fisiolo- gia do exercício (para realizar exercícios adequadose com intensidade e intervalo para recuperação corretos). 5.2 Polo aquático Vídeo Essa modalidade pode ser ensinada durante as aulas de Educação Física ou como atividade extracurricular. Não existe um consenso so- bre a idade mínima para começar a praticar, porém é pré-requisito que os alunos tenham domínio básico dos nados crawl, costas e peitos. Ain- da, por ser um esporte que envolve bastante agilidade, os alunos pre- cisam ter um bom desenvolvimento corporal e valências físicas, como potência muscular. Por conta disso, normalmente é ensinado a partir do ensino fundamental anos finais e as competições oficiais ocorrem para aqueles maiores de 15 anos. Embora a modalidade exija que a prática seja realizada em piscinas profundas, nada impede que a iniciação do polo aquático ocorra em uma piscina mais rasa. Os materiais necessários para aula são: bola, traves e touca de polo aquático. Por serem materiais caros, eles podem ser adaptados. A trave, pode ser construída com cano PVC. As bolas podem ser de outras modalidades, desde que as medidas e o peso sejam próximas das oficiais. As toucas podem ser toucas de natação, porém, se possível, deve- rão incluir a proteção auricular. Figura 3 Adolescente em uma com- petição de polo aquático Ivan K acar ov/ Shu tte rst oc k Estratégias de ensino das atividades aquáticas 89 Em cada time, são necessários sete jogadores (seis na linha e um no gol). Por ser um esporte coletivo, cada aluno precisa ter uma posição durante o jogo. É fundamental que as primeiras aulas da modalidade sejam realizadas de maneira teórica, nas quais pode ser explicado so- bre o histórico, as regras, as noções de segurança, o manejo de bola e as posições dos jogadores. Já nas aulas práticas, o professor consegue ir identificando qual é a melhor posição para cada aluno, sendo elas: • Goleiro: defende o gol. • Ponta direita e esquerda: auxiliam e realizam o ataque ao gol. • Alas laterais ou passadores: auxiliam na defesa do gol. • Central ou passador: auxilia nos deslocamentos da bola da defe- sa para o ataque. • Armador: auxilia organizando a defesa e o ataque. Embora o polo aquático seja um esporte coletivo muito interessan- te, no Brasil dificilmente é trabalhado durante as aulas de Educação Fí- sica. As dificuldades só aumentam por conta de os alunos necessitarem saber nadar, pelo espaço físico e materiais específicos. Muitas vezes, o polo aquático é ensinado apenas de maneira recreativa, sendo tra- balhado em poucas aulas, em vez de como um esporte propriamente dito. Existem algumas soluções para inclusão dessa modalidade no am- biente escolar, como realizar parcerias entre instituições que possuem a modalidade, ou criar projetos de iniciação ao polo aquático na escola. 5.2.1 Elaboração e planejamento de aulas A elaboração e o planejamento de aulas de polo aquático devem ser sempre pautados em um objetivo a ser cumprido. Por exemplo, se naquela aula o objetivo dos alunos é aprender a pernada do polo, a eggbeater, o professor deverá incluir uma série de exercícios para que, ao final da aula, os estudantes consigam realizar tal movimento. É fundamental que, durante as aulas, o professor ensine sobre as regras da modalidade, bem como os fundamentos. Dentre estes, po- demos destacar o controle de bola, os passes, os chutes a gol e as de- fesas, por exemplo. O vídeo Videoaula Esporte SESI-SP, publicado pelo canal Sesi São Paulo, apre- senta o programa SESI-SP Atleta do Futuro e uma videoaula completa da modalidade de polo aquá- tico para 11 e 12 anos. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=x_ Qbeh5iyX0. Acesso em 29 jan. 2021. Vídeo Confira, no link a seguir, como escolas do estado de São Paulo aderiram ao polo aquático e os benefícios da modalidade para os alunos. Disponível em: https://www. educacao.sp.gov.br/escolas-de-sao- carlos-aderem-ao-polo-aquatico/. Acesso em: 29 jan. 2021. Saiba mais O vídeo Técnicas Propulsi- vas (análise do eggbeater), publicado por Guilherme Tucher, apresenta uma análise sobre a pernada eggbeater do polo aquático. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=-UE_ A2CecfY. Acesso em: 1º fev. 2021. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=x_Qbeh5iyX0 https://www.youtube.com/watch?v=x_Qbeh5iyX0 https://www.youtube.com/watch?v=x_Qbeh5iyX0 https://www.educacao.sp.gov.br/escolas-de-sao-carlos-aderem-ao-polo-aquatico https://www.educacao.sp.gov.br/escolas-de-sao-carlos-aderem-ao-polo-aquatico https://www.educacao.sp.gov.br/escolas-de-sao-carlos-aderem-ao-polo-aquatico https://www.youtube.com/watch?v=-UE_A2CecfY https://www.youtube.com/watch?v=-UE_A2CecfY https://www.youtube.com/watch?v=-UE_A2CecfY 90 Metodologia do ensino das atividades aquáticas Figura 4 Atleta arremessando a bola no gol durante uma partida de polo aquático Br un oR os a/ Sh ut te rs to ck Geralmente, a aula de polo aquático é dividida em quatro partes e o plano de aula deve conter todos os itens apresentados na figura a seguir. Figura 5 Modelo de plano de aula para polo aquático PLANO DE AULA – POLO AQUÁTICO Turma: Horário: Quantidade de alunos: Informações gerais: Objetivo da aula: Exercício Material necessário Execução Objetivo Tempo de exercício Fonte: Elaborada pela autora. O item exercício se refere à ordem e ao nome; o material necessá- rio trata de quais recursos precisaremos para realizar o exercício; já a execução diz respeito ao desenvolvimento. Ademais, o professor deve elencar qual é o objetivo daquele exercício diante da pretensão geral da aula, além do seu tempo estimado. Estratégias de ensino das atividades aquáticas 91 A aula deve seguir a sequência de quatro etapas, as quais estão des- critas a seguir. AQUECIMENTO11 Exercícios que elevem a frequência cardíaca. Podem ser dentro ou fora da água. ENSINO DA TÉCNICA Exercícios voltados para os fundamentos e as técnicas da modalidade22 JOGO Simulação de um jogo.33 VOLTA CALMA Exercícios de relaxamento.44 O aquecimento deve ocupar uma pequena parcela da aula, e podem ser realizados exercícios de natação (nadar uma determinada metra- gem), ou exercícios de fortalecimento muscular (abdominais, prancha, polichinelos). A técnica é fundamental e nessa etapa da aula deve ser ensinada a pernada, deslocamentos, passes e arremessos. Ainda, de- vem ser explicados os aspectos táticos, como estratégias de jogo e po- sicionamentos. O jogo é muito importante para os alunos exercitarem o que foi aprendido na parte técnica da mesma aula e aulas anteriores. Por fim, a volta calma podem ser realizados exercícios de natação (por exemplo, nadar determinada metragem). Nesta seção, estudamos sobre como elaborar e planejar as aulas de polo aquático. Embora tenhamos apresentado uma sequência de aula, nada impede de realizarmos uma aula voltada apenas para o ensino da técnica ou de jogo. Se torna imprescindível que o professor tenha conhecimentos das regras e dos fundamentos da modalidade para ter um planejamento adequado. 92 Metodologia do ensino das atividades aquáticas 5.3 Saltos ornamentais e high diving Vídeo O salto ornamental e o high diving consistem em saltos do trampolim ou da parte fixa (plataforma), somados à realização de acrobacias no ar e queda na piscina (no caso do salto ornamental) ou no mar/lago/rio (no caso do high diving). Embora essas modalidades não requeiram sa- ber sobre a técnica dos nados, o aluno precisa apresentar respiração autônoma na água, noções de flutuação, deslizes e autonomia aquáti- ca, ou seja, ele precisa estar adaptado ao meio líquido. A realização dos saltos ornamentais necessita de uma estrutura es- pecífica: pelo menos 3 plataformas de salto (5 metros, 7,5 metros e 10 metros de altura) e 2 trampolins (1 e 3 metros de altura); além de pisci- na com profundidade ideal (5 metros). Por conta disso, é uma modali- dade dificilmente incluída no cronograma de aulas da Educação Física. Quando é possível incluí-la, primeiramente é abordada a teoria dentro da sala de aula,em que o professor explica sobre o histórico, as regras, os fundamentos e as acrobacias. Nessa aula, é fundamental que o docente apresente diversos vídeos sobre o assunto; e, em uma pis- cina adequada, ele pode apresentar a prática da modalidade aos alunos. Apesar da necessidade de uma estrutura específica, uma parte do treinamento da modalidade é realizada no solo. An- tes de o aluno progredir para a piscina, ele deve realizar os movimentos ginásticos em um ambiente adequado. Tais movimentos devem ser aprendidos e transferidos para as plataformas ou trampolins. Nesses locais, geralmente são identificados camas elásticas, trampolins e colchões para amortecer a queda. Caso a escola possua uma sala de ginástica com esses apa- relhos, o professor pode levar a vivência do salto ornamental apenas para a parte do solo. O importante é que os alunos tenham ciência da modalidade e, caso se interessem, busquem realizá-la fora do ambiente escolar. Figura 6 Atleta realizando a saída de costas em salto ornamenta Hobby Stock W orks/ Shu tter sto ck Estratégias de ensino das atividades aquáticas 93 5.3.1 Elaboração e planejamento de aulas O planejamento das aulas deve ser pautado nas capacidades e nas habilidades motoras dos alunos. Quando as crianças são menores (a partir de 7 anos), a iniciação aos saltos ornamentais deve ser realizada de maneira lúdica e o professor deve escolher atividades que as inte- ressem e as mantenham na modalidade. Durante o planejamento, os fundamentos dos saltos ornamentais devem estar sempre presentes: 1. Posição inicial: posição do aluno ao iniciar os movimentos. 2. Corrida: deslocamento até a ponta. 3. Saída: como o aluno sairá da plataforma/trampolim. 4. Voo: movimento realizado durante a queda. 5. Entrada na água: como o aluno irá entrar na água. O plano de aula deverá nortear os exercícios realizados durante aquela sessão. A Figura 7 apresenta um modelo de plano de aula e quais são os itens que devem estar presentes nele. Figura 7 Modelo de plano de aula para salto ornamental PLANO DE AULA – SALTO ORNAMENTAL Turma: Horário: Quantidade de alunos: Informações gerais: Objetivo da aula: Exercício Objetivo Execução Local de execução Material necessário Tempo de exercício Fonte: Elaborada pela autora. Além do ensino dos fundamentos, as noções de segurança e regras devem ser orientadas durante as aulas. Ainda, as aulas devem ser con- duzidas com diferentes níveis de progressões e dificuldades, indo dos movimentos mais fáceis para os mais difíceis. O vídeo Aprendizagem dos saltos ornamentais, publicado pelo canal Aqua Systems, apresenta elementos que auxiliam na elaboração de aulas dessa modalidade. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=ojiLP8Q6WqI. Acesso em: 1º fev. 2021. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=ojiLP8Q6WqI https://www.youtube.com/watch?v=ojiLP8Q6WqI https://www.youtube.com/watch?v=ojiLP8Q6WqI 94 Metodologia do ensino das atividades aquáticas 5.4 Natação artística Vídeo Esse esporte consiste em realizar diferentes coreografias em uma piscina. As modalidades podem ser solo, dueto, equipe e rotina de des- taque. Por ser no ambiente aquático, o aluno precisa ter um bom nível de adaptação ao meio líquido. Uma das características da natação ar- tística é que apresenta uma demanda fisiológica e biomecânica muito grande, por isso é recomendado que seja iniciada a partir do ensino fundamental anos finais. Os movimentos que os atletas realizam, chamados de elementos ou figuras, são previamente definidos e elaborados pela FINA. É imprescin- dível que o professor tenha conhecimento básico dos elementos para explicá-los e demonstrá-los para os alunos. No artigo Experiências de ensino dos esportes aquáticos na escola: a exemplo do nado sincronizado, dos autores Ricardo e Gonçalves, publicado nos Cadernos de Formação RBCE em 2018, é possível ler os relatos da experiência prática em adotar a natação artística em escolas, além dos desafios dessa prática. Acesso em: 1º fev. 2021. http://revista.cbce.org.br/index.php/cadernos/article/view/2341 Artigo No ambiente escolar, o professor pode introduzir a modali- dade por meio de aulas teóricas. Nessas aulas, pode explicar sobre o histórico, as regras e mostrar alguns vídeos de apre- sentações. Semelhante às outras modalidades aquáticas, é importante que os alunos tenham ciência do básico da natação artística. Se a escola proporciona piscina adequa- da, o professor pode planejar algumas aulas durante o calendário acadêmico para que os alunos tenham a vivên- cia. Caso o estudante tenha interesse, ele pode procurar a modalidade em horários externos às aulas, podendo ser na escola (caso ofereça no contraturno escolar) ou em clubes. Dessa forma, as aulas regulares de natação artística são orienta- das para serem conduzidas de maneira extracurricular (RICARDO; GONÇALVES, 2018), tendo em vista que as aulas de Educação Física de- vem proporcionar outras modalidades também. Figura 8 Dueto realizando o movi- mento de cancã na natação artística Microgen/Shutterstock http://revista.cbce.org.br/index.php/cadernos/article/view/2341 Estratégias de ensino das atividades aquáticas 95 5.4.1 Elaboração e planejamento de aulas O planejamento de aulas para a natação artística apresenta uma série de detalhes. A Figura 9 apresenta um modelo de plano de aula. Similar às outras modalidades, o plano de aula deve prescrever os exer- cícios a serem realizados naquela sessão, como é a execução, o local, se necessita de material e o tempo estimado de duração. Figura 9 Modelo de plano de aula para natação artística PLANO DE AULA – NATAÇÃO ARTÍSTICA Turma: Horário: Quantidade de alunos: Informações gerais: Objetivo da aula: (Continua) Exercício Objetivo Execução Local de execução Material necessário Tempo de exercício Fonte: Elaborada pela autora. As aulas devem ter duração aproximada de uma hora dividida em seis etapas, que devem estar explícitas no plano de aula: 1. Exercícios de mobilidade e flexibilidade no solo 2. Realização dos elementos no solo 3. Exercícios de natação na piscina 4. Realização dos elementos na piscina 5. Coreografia na piscina No início das aulas, o professor deve ter uma conversa com os alu- nos explicando os nomes dos elementos e seus respectivos movimen- tos. A todo momento, a instrução visual é extremamente necessária para os alunos compreenderem o que deverá ser feito. 96 Metodologia do ensino das atividades aquáticas Figura 10 Equipe realizando elemento da coreografia da natação artística si rtr av el al ot /S hu tte rs to ck O ensino dos elementos deve seguir uma sequência pedagógica, composta por quatro itens: 1. Movimentos propulsivos e rolamentos 2. Palmateios e flutuações 3. Movimentações submersas e cambalhotas 4. Elementos 5. Atividades coreográficas Nesta seção aprendemos como elaborar o planejamento de aulas para natação artística. Antes de iniciar as aulas dessa modalidade, o professor deve ter conhecimento aprofundando dos elementos e das regras da modalidade. Além disso, a prática de natação artística requer que o docente também saiba de outras áreas, como fisiologia do exer- cício, biomecânica e psicologia do esporte, por exemplo. 5.5 Natação em águas abertas Vídeo Essa modalidade, como o nome sugere, deve ocorrer em ambientes naturais e abertos: lagos, lagoas, rios ou mar. Apesar disso, grande par- te do ensino da técnica e das valências físicas é ensinada em piscina. Tendo em vista que muitas provas de travessia são de longas distân- O vídeo Centro de Treina- mento Esportivo da UFMG recebe equipes de natação artística, publicado pelo canal TV UFMG, apre- senta uma aula e explica um pouco mais sobre o treinamento dessa modalidade. Disponível em: https://www.youtube. com/watch?v=-EK6LOfWRsw. Acesso em: 1º fev. 2021. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=-EK6LOfWRsw https://www.youtube.com/watch?v=-EK6LOfWRsw Estratégias de ensino das atividades aquáticas97 cias, os alunos precisam ter excelente técnica de crawl e capacidade cardiorrespiratória. Ainda, muitos alunos que treinam para águas aber- tas são os mesmos que praticam o triátlon fora do ambiente escolar. Figura 11 Atletas realizando uma travessia Pa ve l1 96 4/ Sh ut te rs to ck Em algumas travessias, existem metragens menores para aqueles que estão iniciando, podendo ser 200, 500 ou 800 metros. Portanto, as aulas de natação voltadas para águas abertas apresentam longas metragens, além do ensino dos fundamentos pernada, braçada, res- piração e coordenação. Um ponto importante para ser incluído nessas aulas é o nado crawl polo, pois este ajuda na respiração e na localização. 5.5.1 Elaboração e planejamento de aulas A elaboração e o planejamento para aulas de natação em águas abertas são similares aos de natação em piscinas. A proposta das au- las deve ser baseada na individualidade dos alunos e seus respectivos objetivos. Embora seja ideal realizá-las em um ambiente com validade ecológica, muitas vezes isso se torna inviável e as aulas são ministradas em um ambiente controlado, como a piscina. Geralmente as aulas possuem 45 minutos de duração e as atividades devem ser apresentadas no plano de aula, conforme a figura a seguir. 98 Metodologia do ensino das atividades aquáticas Figura 12 Modelo de plano de aula para natação em águas abertas PLANO DE AULA – NATAÇÃO EM ÁGUAS ABERTAS Turma: Horário: Quantidade de alunos: Informações gerais: Objetivo da aula: Exercício Objetivo Execução Material necessário Quantidade de repetições Tempo de exercício Fonte: Elaborada pela autora. A aula pode ser dividida em quatro partes : 1. Aquecimento: algumas chegadas de nado livre em baixa intensidade. 2. Técnica: alguns exercícios para a melhoria da técnica de nado. 3. Parte principal: séries com palmar, velocidade, distância, pé de pato. 4. Volta calma ou atividade final: atividade recreativa que envolva a grande turma ou de relaxamento. Dentro a confecção do planejamento, alguns aspectos devem ser incluídos: • Simulação de travessias: retirar as raias da piscina e solicitar que os alunos nadem em círculo. • Técnica do nado crawl: pernada, braçada, respiração e coordenação. • Técnica do crawl polo e respiração. • Treinos de longa distância. • Treinos em diferentes zonas de intensidade. A aula deve apresentar características marcantes, como aquecimen- to, parte técnica, parte principal e volta calma. Como os alunos de nata- ção para águas abertas já apresentam domínio dos nados, a aula deve ter uma cobrança maior em relação ao desempenho deles. Caso seja possível, é extremamente recomendado que sejam realizadas algumas aulas em águas abertas. O site Samir Barrel apre- senta uma metodologia específica para ensino de nado em águas abertas, confira no link a seguir. Disponível em: http://www. samirbarel.com.br/metodologia/. Acesso em: 1º fev. 2021. Site O vídeo 5 dicas de nata- ção em águas abertas para iniciantes, publicado pelo canal Corre Pra Mudar, apresenta orientações para praticar essa modali- dade. Confira! Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=3IwDLQJ1Y-I. Acesso em: 1º fev. 2021. Vídeo http://www.samirbarel.com.br/metodologia http://www.samirbarel.com.br/metodologia https://www.youtube.com/watch?v=3IwDLQJ1Y-I https://www.youtube.com/watch?v=3IwDLQJ1Y-I https://www.youtube.com/watch?v=3IwDLQJ1Y-I Estratégias de ensino das atividades aquáticas 99 CONSIDERAÇÕES FINAIS Foi possível verificarmos, neste capítulo, elementos sobre a elaboração e o planejamento das atividades aquáticas. Percebemos a importância em se conhecer os fundamentos de cada modalidade, bem como suas regras, pois partindo disso é que podemos elaborar e planejar atividades para os alunos, levando sempre em consideração as individualidades que cada um pode apresentar. O planejamento é algo que deve ser realizado a curto, médio e lon- go prazo, visando aos objetivos a serem cumpridos. Ainda, para que ele seja eficaz, o professor também deve ter conhecimento de aprendizagem motora, fisiologia do exercício, biomecânica, cinesiologia e psicologia do esporte, por exemplo. Por fim, percebemos que algumas modalidades, como salto ornamen- tal e natação artística, requerem um ambiente específico e dificilmente são apresentadas de maneira prática na escola. Apesar disso, é impor- tante que o professor tenha conhecimento das modalidades para, ao me- nos, elaborar aulas teóricas aos alunos, as quais os deixem curiosos para buscar fora do ambiente escolar. Lembrando que quanto mais vivências esportivas o estudante tiver, melhor será seu repertório motor, contri- buindo, então, para uma melhora na qualidade de vida. ATIVIDADES 1. Quais são as dificuldades enfrentadas pela modalidade polo aquático no ambiente escolar? 2. Como deve ser a estrutura ideal para realizar saltos ornamentais? 3. Por que é importante realizar instrução visual para os alunos da natação artística? 4. Cite uma estratégia para simular a natação em águas abertas na piscina. REFERÊNCIAS CBDA; FINA. Regras oficiais de saltos ornamentais 2017-2021. Disponível em: https://cbda.org. br/_uploads/saltos/RegrasOficiaisSaltosOrnamentais2017_2021.pdf. Acesso em: 1º fev. 2021. CBDA; FINA. Regras oficiais de natação artística 2017-2021. Disponível em: https://cbda.org. br/_uploads/nado/RegrasOficiaisNadoArtistico2017_2021.pdf. Acesso em: 1º fev. 2021. DALL’AQUA, J. L.; DALL’AQUA, F. L. A aprendizagem do nado sincronizado. Curitiba: CRV, 2016. OISHI, L. M. et al. O treinamento intervalado de alta intensidade em ambiente aquático. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício, v. 18, n. 1, p. 32-37, 2019. https://cbda.org.br/_uploads/saltos/RegrasOficiaisSaltosOrnamentais2017_2021.pdf https://cbda.org.br/_uploads/saltos/RegrasOficiaisSaltosOrnamentais2017_2021.pdf https://cbda.org.br/_uploads/nado/RegrasOficiaisNadoArtistico2017_2021.pdf https://cbda.org.br/_uploads/nado/RegrasOficiaisNadoArtistico2017_2021.pdf 100 Metodologia do ensino das atividades aquáticas FARJADO, M.; TUCHER, G. Atividades aquáticas: um olhar dirigido ao ensino. Curitiba: Appris, 2020. RICARDO, J. C.; GONÇALVES, M. C. Experiências de ensino dos esportes aquáticos na escola: a exemplo do nado sincronizado. Caderno de Formação – RBCE, v. 9, n. 1, p. 33-44, 2018. SESI - SP. Natação, saltos ornamentais, polo aquático e nado sincronizado. São Paulo: Sesi, 2012. TEIXEIRA, C. S.; PEREIRA, E. F.; ROSSI, A. G.. A hidroginástica como meio para manutenção da qualidade de vida e saúde do idoso. Acta fisiátrica, v. 14, n. 4, p. 226-232, 2007. VIANA, E.; BENTLEY, D. J.; LOGAN-SPRENGER, H. M. A physiological overview of the demands, characteristics and adaptations of highly trained artistic swimmers: a literature review. Sports Medicine, v. 5, n. 16, p. 1-9, 2019. Natação adaptada 101 6 Natação adaptada Neste capítulo, iremos trabalhar um tema muito importan- te para as aulas de natação: a natação adaptada. Daremos foco ao transtorno do espectro autista (TEA), à síndrome de Down, às deficiências física, intelectual e visual, além de à obesidade e às comorbidades. Durante o nosso estudo, buscaremos compreender como a natação é benéfica para as pessoas que possuem alguma necessi- dade especial, conheceremos também as características das defi- ciências e como o professor deve conduzir as suas aulas. Além disso, conheceremos técnicas que ajudam a tornar as aulas de Educação Física adaptadas, ou seja, promovem oportuni- dades para que os alunos estejam realmente inclusos e possam se envolver sem dificuldades nas atividades propostas. 6.1 Transtorno do espectro autista (TEA) Vídeo O transtorno do espectro autista (TEA) é considerado um transtorno de neurodesenvolvimento e pode apresentar prejuízos na comunicação, na interação social e na regulação das emoções. O TEA inclui transtorno autista, síndrome de Asperger, transtorno invasivo do desenvolvimento não especificado e transtorno desintegrativoda infância. As primeiras características do TEA são visíveis logo nos primeiros anos de vida e perduram a vida toda, sendo que o diagnóstico é reali- zado exclusivamente por clínicos especialistas e pode ser feito a partir dos 18 meses de idade. Dentre as características que as crianças apre- sentam, segundo Silva e Mulick (2009), destacam-se a dificuldade de dialogar e de demonstrar emoções, a falta de interesse por atividades e de contato visual e repetições constantes de movimentos (estereoti- pias), por exemplo. 102 Metodologia do ensino das atividades aquáticas O TEA ainda não possui cura e o tratamento pode ser realizado por meio de medicamentos, terapias, fonoaudiólogos, psicólogos, fisiote- rapeutas e profissionais de educação física. É fundamental que a crian- ça inicie o tratamento a partir do momento que se constata o diagnóstico, pois isso minimiza os prejuí- zos e contribui para uma melhor qualidade de vida. Tendo em vista os inúmeros benefícios da prática regular de atividade física, a natação é uma das modalidades mais procuradas para crianças com TEA. Existe uma lei que permite a pre- sença de um professor auxiliar nas turmas das quais façam parte alu- nos com deficiência. Sendo assim, havendo necessidade, o estudante com TEA pode dispor desse pro- fissional (Lei n. 12.764/2012). Nas aulas de Educação Física, a presença de um segundo professor permite um atendimento mais individualizado e fo- cado nas necessidades do aluno. Caso essa possibilidade não exista, o professor precisa criar um ambiente acolhedor, que atenda às demandas e às particularidades do aluno. Em um primeiro momento, é primordial que o professor entre em contato com os responsáveis do aluno e agende uma conversa para então conhecê-lo. Nessa conversa, o docente pode questionar sobre a relação do estudante com outras crianças e a comunicação; além disso, ele pode identificar as estereotipias e quais situações podem agravar as crises, por exemplo. Com base nessa primeira avaliação, o professor pode elencar as principais dificuldades do aluno e planejar aulas de natação com ativi- dades que visem reduzi-las. Por exemplo, muitos estudantes com TEA apresentam prejuízo na fala e só começam a falar a partir dos 4 anos de idade; assim, podemos trabalhar com cores, solicitando que o alu- no selecione uma cor e fale qual é. Dessa forma, além da fala, incenti- vamos o raciocínio lógico e a questão de indicar o objeto. Figura 1 Símbolo do TEA Sew Crea m/S hutt erst ock O TEA possui um símbolo similar ao de um quebra-cabeça, o qual representa a complexidade do transtorno. O site da Associação de amigos do autista (AMA) apresenta mais informa- ções sobre definição e diagnóstico do TEA. Disponível em: https://www. ama.org.br/site/. Acesso em: 16 fev. 2021. Site Para obter informações mais detalhadas sobre os direitos que envolvem o TEA, recomendamos a leitura do arquivo oficial, a Lei n. 12.764/2012. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato2011-2014/2012/lei/l12764. htm. Acesso em: 16 fev. 2021. Leitura O vídeo Natação e Autismo: benefícios para o desenvolvimento, do canal Esporte e Inclusão, apresenta um bate papo sobre os benefícios da natação para o desenvol- vimento das crianças com autismo. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=JxpeCqM2qk0. Acesso em: 16 fev. 2021. Vídeo https://www.shutterstock.com/pt/g/ThitareeS https://www.ama.org.br/site https://www.ama.org.br/site http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htm https://www.youtube.com/watch?v=JxpeCqM2qk0 https://www.youtube.com/watch?v=JxpeCqM2qk0 https://www.youtube.com/watch?v=JxpeCqM2qk0 Natação adaptada 103 Nas aulas de natação, o professor precisa ter cuidado com algumas situações. Primeiramente, a rotina é fundamental para um aluno com TEA, isso significa que é recomendado a aula ocorrer sempre no mes- mo espaço da piscina e ter a mesma sequência. Por exemplo, se a aula inicia com as crianças sentadas na borda, torna-se necessário que to- das as outras aulas iniciem dessa maneira. Caso, no final da aula, o professor proponha a realização de saltos, deve fazer o mesmo nas aulas seguintes. Também é preciso ter cautela na escolha das atividades quando há um aluno com TEA na turma. Dependendo da severidade desse transtorno, pode ser necessário evitar ambientes com muito estímulo sensorial (com muito barulho e materiais com cores chamativas, dife- rentes formas e volumes) e atividades que envolvam alterações no sis- tema vestibular (diferentes tipos de equilíbrios), por exemplo. Para o estudante com TEA, essas atividades podem contribuir para alterações no comportamento e repercutir nas atividades da vida diária (POSAR; VISCONTI, 2018). O quadro a seguir apresenta dois modelos de ativida- des para aulas de natação com alunos com TEA. Quadro 1 Exemplo de duas atividades que podem ser realizadas com alunos com TEA Atividade Faixa etária Objetivo natação Objetivo TEA Desenvolvimento Tempo estimado Cada cor no seu quadrado 3-4 anos Deslocamentos e mergulhos • Desenvolver período de atenção • Estímulo da fala Espalhar os objetos coloridos pela piscina. Em uma borda, co- locar pranchas coloridas. Orien- tar os alunos a colocar as cores em suas respectivas pranchas. A atividade é finalizada quando os objetos são separados por cores em cada prancha. 15 minutos Alfabeto 5-6 anos Deslocamentos e mergulhos • Desenvolver período de atenção • Estímulo da fala • Compreensão do alfabeto Em uma borda, espalhar as letras do alfabeto. Solicitar às crianças que levem uma letra de cada vez e montem o alfabeto do outro lado. 15 minutos Fonte: Elaborado pela autora. Nesta sessão, estudamos sobre a natação e o TEA, e notamos que existem algumas estratégias a serem utilizadas para que o estudante consiga se desenvolver com o auxílio da natação e durante as aulas de Sabemos que cada criança é única, dessa forma, cada uma apresenta suas próprias características e devemos, como professores e futuros professores, compreender que os alunos com TEA também apresentam suas individualidades. ImportanteO TEA ainda não possui cura e o tratamento pode ser realizado por meio de medicamentos, terapias, fonoaudiólogos, psicólogos, fisiote- rapeutas e profissionais de educação física. É fundamental que a crian- ça inicie o tratamento a partir do momento que se constata o diagnóstico, pois isso minimiza os prejuí- zos e contribui para uma melhor qualidade de vida. Tendo em vista os inúmeros benefícios da prática regular de atividade física, a natação é uma das modalidades mais procuradas para crianças com TEA. Existe uma lei que permite a pre- sença de um professor auxiliar nas turmas das quais façam parte alu- nos com deficiência. Sendo assim, havendo necessidade, o estudante com TEA pode dispor desse pro- fissional (Lei n. 12.764/2012). Nas aulas de Educação Física, a presença de um segundo professor permite um atendimento mais individualizado e fo- cado nas necessidades do aluno. Caso essa possibilidade não exista, o professor precisa criar um ambiente acolhedor, que atenda às demandas e às particularidades do aluno. Em um primeiro momento, é primordial que o professor entre em contato com os responsáveis do aluno e agende uma conversa para então conhecê-lo. Nessa conversa, o docente pode questionar sobre a relação do estudante com outras crianças e a comunicação; além disso, ele pode identificar as estereotipias e quais situações podem agravar as crises, por exemplo. Com base nessa primeira avaliação, o professor pode elencar as principais dificuldades do aluno e planejar aulas de natação com ativi- dades que visem reduzi-las. Por exemplo, muitos estudantes com TEA apresentamprejuízo na fala e só começam a falar a partir dos 4 anos de idade; assim, podemos trabalhar com cores, solicitando que o alu- no selecione uma cor e fale qual é. Dessa forma, além da fala, incenti- vamos o raciocínio lógico e a questão de indicar o objeto. Figura 1 Símbolo do TEA Sew Crea m/S hutt erst ock O TEA possui um símbolo similar ao de um quebra-cabeça, o qual representa a complexidade do transtorno. O site da Associação de amigos do autista (AMA) apresenta mais informa- ções sobre definição e diagnóstico do TEA. Disponível em: https://www. ama.org.br/site/. Acesso em: 16 fev. 2021. Site Para obter informações mais detalhadas sobre os direitos que envolvem o TEA, recomendamos a leitura do arquivo oficial, a Lei n. 12.764/2012. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato2011-2014/2012/lei/l12764. htm. Acesso em: 16 fev. 2021. Leitura O vídeo Natação e Autismo: benefícios para o desenvolvimento, do canal Esporte e Inclusão, apresenta um bate papo sobre os benefícios da natação para o desenvol- vimento das crianças com autismo. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=JxpeCqM2qk0. Acesso em: 16 fev. 2021. Vídeo https://www.shutterstock.com/pt/g/ThitareeS https://www.ama.org.br/site https://www.ama.org.br/site http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htm https://www.youtube.com/watch?v=JxpeCqM2qk0 https://www.youtube.com/watch?v=JxpeCqM2qk0 https://www.youtube.com/watch?v=JxpeCqM2qk0 104 Metodologia do ensino das atividades aquáticas Educação Física. No ambiente escolar, é ideal realizar atendimentos in- dividualizados com o aluno até que ele se sinta preparado para realizar as aulas com o grande grupo. Com relação à instrução das atividades, essa deve ser a mais breve possível e, dependendo da faixa etária, pre- ferencialmente visual. Por fim, é fundamental que o professor tenha apoio da família e da instituição para planejar aulas que promovam melhoras nos processos cognitivos, habilidades motoras e autonomia aquática, além da qualidade de vida. 6.2 Síndrome de Down Vídeo A Síndrome de Down é ocasionada por uma alteração genética em que o indivíduo apresenta uma cópia a mais do cromossomo 21 (po- demos observar uma exemplificação na Figura 2). Sua identificação é realizada por meio de testes genéticos (DNA) e, atualmente, pode acon- tecer a partir da 10ª semana de gestação. Além disso, quem tem essa síndrome apresenta algumas características físicas marcantes, como olhos amendoados, membros mais curtos, baixo tônus muscular, ten- dência para ter sobrepeso/obesidade e instabilidade atlantoaxial (mo- bilidade da articulação C1-C2). Figura 2 Representação do cariótipo da Síndrome de Down Menino Menina Zu za na e/ Sh ut te rs to ck A Síndrome de Down é uma alteração no cromossomo 21. Além das características físicas, é possível que a pessoa apresente comprometimento no desenvolvimento motor, deficit de sono, dificul- dade de relacionamentos, transtornos de aprendizagem, deficiência Natação adaptada 105 intelectual e tendência a ter problemas respiratórios e cardíacos. Para minimizar os efeitos negativos da Síndrome de Down, bem como con- tribuir para uma melhor qualidade de vida e independência, é de extre- ma importância que a criança seja estimulada desde cedo, e isso inclui, por exemplo, participação em terapias fonoaudiológicas e prática de atividade física regular. Tendo em vista os benefícios da natação nos campos emocionais, cognitivos e motores, essa prática tem sido amplamente recomendada para a população Down (OLIVEIRA et al., 2019). Durante as aulas de Educação Física, o professor precisa ter cautela e uma série de conhe- cimentos. Primeiramente, ele deve realizar uma avaliação diagnóstica com o aluno e com sua família, buscando identificar quais serão as maiores dificuldades. O docente pode questionar sobre problemas osteoarticulares, atrasos cognitivos e a relação do estudante com a água; finalizada essa avaliação inicial, pode-se realizar o planejamento das aulas de natação. É importante consi- derar que o aluno com Down pode ter hipotonia muscular e excesso de peso, necessitando de atividades adaptadas. Um dos objetivos da prática de natação para alunos com Síndrome de Down é a adaptação ao meio líquido. Ge- ralmente eles gostam de água, mas acabam não participan- do de aulas regulares de natação. Por essa razão, o professor deve sempre lembrar que a aprendizagem dos fundamentos da adaptação ao meio líquido – primeiros contatos, respiração, flutua- ção, deslizamentos, entradas e saídas da piscina – deverá estar presen- tes em todas as faixas etárias. De maneira geral, as aulas devem ser prioritariamente lúdicas, pois a ludicidade contribui para criar esquemas neurais, estimula o campo cognitivo e promove conexões com os colegas e o professor. Para os alunos com Down, a construção de uma relação amigável é fundamen- tal para que eles se sintam seguros e consigam evoluir nas aulas. O Quadro 2 a seguir apresenta duas atividades que podem ser realiza- das com esses estudantes. Figura 3 Indivíduo com Síndrome de Down durante aula de natação BAZA Pro duct ion/ Shu tter sto ck O site Movimento Down apresenta diversas informações e curiosida- des sobre o universo da Síndrome de Down. Disponível em: http://www. movimentodown.org.br/. Acesso em: 19 fev. 2021. Site http://www.movimentodown.org.br http://www.movimentodown.org.br 106 Metodologia do ensino das atividades aquáticas Quadro 2 Exemplos de atividades que podem ser feitas com os alunos com síndrome de Down Atividade Faixa etária Objetivo natação Objetivo Síndrome de Down Desenvolvimento Tempo estimado Acerto ao alvo aquático 8-9 anos Pernada de crawl e mergulhos • Coordenação motora • Força • Concentração Em uma borda, posicionar objetos que possam ser derru- bados (ex. halteres). No outro lado, entregar uma bola para o aluno e sinalizar que ele deverá ir de pernada de crawl e, quan- do chegar perto, arremessar a bola ao alvo. A volta deve ser feita com mergulho. A atividade é encerrada quando todos os objetos forem derrubados. 15 minutos Torre de halter 10-11 anos Pernada crawl • Coordenação motora • Força • Concentração Em uma borda, os alunos irão posicionar o halter na prancha e deverão se deslocar de pernada de crawl até o outro lado. Deverá ser instruído que o estudante não poderá derru- bar o halter da prancha. Ele irá deixar o halter do outro lado e voltar realizando pernada de crawl até buscar outro halter. A atividade é encerrada quan- do a torre estiver pronta (pode ser feita com cinco halteres). 15 minutos Se o planejamento e a condução das aulas ocorrerem dentro do esperado, o aluno com Down será capaz de aprender os quatro estilos da natação. Se a escola e a família apresentarem as condições necessá- rias, ele poderá participar de competições de natação paradesportiva a nível regional, estadual e nacional. Para o atleta que irá competir, o treinamento deve ser realizado fora do ambiente escolar e com prepa- rador específico. 6.3 Deficiências física, intelectual e visual Vídeo A deficiência física é caracterizada por perda da função locomotora, e é classificada de acordo com o grau de comprometimento. Entre os ti- pos de deficiência física podemos, por exemplo, ter as seguintes clas- sificações: paraplegia, monoplegia, tetraplegia, triplegia, hemiparesia, Fonte: Elaborado pela autora. No vídeo Natação para pessoas com Síndrome de Down é possível conferir um trecho de uma aula voltada para esse público. Disponível em: https://www.youtube. com/watch?v=Y_XFjh73mtw. Acesso em: 19 fev. 2021. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=Y_XFjh73mtw https://www.youtube.com/watch?v=Y_XFjh73mtwNatação adaptada 107 amputação, paralisia cerebral. Já a deficiência intelectual é conhecida pelo baixo funcionamento cognitivo dos indivíduos. Um exemplo é a paralisia cerebral, pode ser considerada uma doença física (se compro- meter apenas a função motora) ou intelectual (se comprometer o cog- nitivo). Por último, a deficiência visual é definida como ausência total ou parcial, de maneira irreversível, da resposta visual. Figura 4 Amputado em uma aula de natação Fo cu sD zi gn /S hu tte rs to ck Para a prática de atividades físicas é possível que as pessoas com deficiência apresentem muitas barreiras e é por esse motivo que a na- tação pode ter caráter de reabilitação ou servir de atividade física. Para eles, a natação pode proporcionar sentimentos que muitos almejam e se sentem impedidos pelas limitações físicas como: liberdade, autono- mia e independência funcional. O auxílio que cada pessoa irá receber para as diversas atividades da vida diária depende do tipo de deficiência apresentada. Ao estar em contato com a água, é possível que o aluno conquiste autonomia aquá- tica e não precise de ajuda para nadar, o que resulta em benefícios psicológicos, como a elevação da autoestima e da imagem corporal. Apesar de as aulas de natação terem objetivos variados, o professor precisa incluir atividades específicas para que esse aluno consiga trans- ferir para as atividades da vida diária aspectos positivos, como a coor- denação e o controle corporal. O site Deficiente Online apresenta uma lista com todos os tipos de deficiências físicas e suas definições, além de infor- mações sobre acessibili- dade, leis e oportunida- des de trabalho. Disponível em: https://www. deficienteonline.com.br/deficiencia- fisica-tipos-e-definicoes___12. html. Acesso em: 19 fev. 2021. Site https://www.shutterstock.com/pt/g/FocusDzign https://www.deficienteonline.com.br/deficiencia-fisica-tipos-e-definicoes___12.html https://www.deficienteonline.com.br/deficiencia-fisica-tipos-e-definicoes___12.html https://www.deficienteonline.com.br/deficiencia-fisica-tipos-e-definicoes___12.html https://www.deficienteonline.com.br/deficiencia-fisica-tipos-e-definicoes___12.html 108 Metodologia do ensino das atividades aquáticas Durante as aulas de Educação Física, o professor precisa estar atento às limitações físicas do aluno e deve, num primeiro momento, identificar e compreender a deficiência apresentada para então elabo- rar um plano de ensino que seja compatível com as necessidades do estudante. Nesse momento, é muito importante que o docente tenha conhecimento da origem da deficiência (por exemplo: genética/heredi- tária, durante o nascimento, ou acidentes pós-natais), para saber o que pode trabalhar com aquele aluno. O estudante pode não apresentar acometimentos a nível cognitivo e intelectual, isso depende do grau de deficiência e da sua origem. Nessas situações, a instrução deve ser realizada da mesma maneira que às outras crianças da turma. Contudo, o professor precisa garantir certos cuidados ao aluno, como a acessibilidade em relação à entrada e à saí- da da piscina e também o auxílio durante a execução das atividades. Se o aluno for amputado de membro inferior, por exemplo, ao entrar na piscina, ele pode sentir desequilibro corporal e muita dificuldade para realizar os movimentos com o membro amputado. Em um primeiro momento, pode ser necessário utilizar flutuadores para que ele come- ce a ter a consciência corporal na água. Já os alunos com paralisia cerebral necessitam de atendimentos indi- viduais. Para eles, as aulas de natação vão além da adaptação ao meio líquido, elas devem trabalhar com o fortalecimento muscular, a coor- denação motora, as funções cognitivas e a interação social. Por conta das forças atuantes na água, os alunos com paralisia cerebral podem realizar movimentos que dificilmente executariam em um ambiente fora da piscina. Ainda, a prática regular auxilia no sistema respirató- rio do estudante, aspecto muito importante tendo em vista que a paralisia cerebral pode prejudicar a função respiratória. Para esses alunos, as atividades devem ser realizadas de maneira lúdica e sem complexidade, pois, dependen- do do grau da paralisia, apenas o ato de apontar para algo se torna complexo. A confiança entre docente e discente é fundamental para que este sinta-se à vontade e tenha progressões na modalidade. Já a natação para alunos com deficiência visual é uma das modalidades esportivas mais inclusivas e seguras. Os defi- cientes visuais dificilmente apresentam deficits cognitivos, portanto, Figura 5 Aluno com paralisia cerebral e seu professor de natação Jaren Jai Wicklund/Shutterstock Durante as aulas, um dos princi- pais fundamentos de adaptação ao meio líquido que deve ser estimulado são as flutuações. É de extrema importância que sejam realizadas atividades com mudanças de posição, principalmente da vertical para a horizontal. Essas atividades contribuem para a maior inde- pendência no meio líquido. Importante Natação adaptada 109 conseguem absorver as informações repassadas pelo professor. Para atender às demandas desses alunos, o local precisa estar acessível e o professor (caso não tenha um auxiliar) precisa ajudar no momento de chegada ao ambiente da piscina, na entrada e na saída da água e na saída do ambiente da piscina. Pela falta ou baixa visão, os deficientes visuais possuem outros sen- tidos mais aguçados, por exemplo, a audição e o tato, isso contribui para maior propriocepção na água. Assim como com os outros alunos, é necessário que o professor identifique o nível de adaptação ao meio líquido e, durante as aulas, auxilie no desenvolvimento de habilidades aquáticas e no ensino dos nados. Um dos principais cuidados que o professor deve ter é relacionado à instrução e ao feedback das atividades. Para os alunos sem deficiência visual, muitas vezes, a instrução é realizada de maneira demonstrativa, ou seja, visualizando o que deve ser feito no exercício. Para os alunos com deficiência visual, a instrução e o feedback devem ser realizados verbalmente e com o máximo de detalhes possível para que o aluno consiga compreender e executar a atividade. Nesta seção aprendemos sobre os diferentes tipos de deficiências e a sua relação com a natação. É importante que o docente tenha co- nhecimento da etiologia da deficiência e das capacidades físicas e cog- nitivas do aluno, para então planejar das aulas. Dependendo do tipo de deficiência que o estudante apresente, recomendamos que o professor tenha um auxiliar para ajudar nas atividades. Assim como as pessoas com Síndrome de Down, aqueles com defi- ciências físicas, intelectuais e visuais podem participar de competições oficiais. Nesses casos, é necessário um treinamento externo às aulas de Educação Física. De maneira geral, o professor deve elaborar estra- tégias para que os alunos com deficiências tenham as mesmas condi- ções de ensino daqueles sem deficiência. O vídeo Projeto de nata- ção para crianças com deficiência física e visual é desenvolvido em Campo Mourão, do canal TV Cara- jás, apresenta um projeto de aula de natação para alunos com deficiências visual e física. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=daUbWU6OQWs. Acesso em: 19 fev. 2021. Vídeo etiologia: A razão ou origem de alguma coisa. Glossário 6.4 Obesidade e comorbidades Vídeo A obesidade é caracterizada como o acúmulo de gordura corporal e o seu diagnóstico geralmente é realizado por meio do cálculo do ín- dice de massa corporal – IMC (kg / m²). Tal índice possui pontos de cortes diferentes para cada faixa etária. Em crianças e adolescentes, https://www.youtube.com/watch?v=daUbWU6OQWs https://www.youtube.com/watch?v=daUbWU6OQWs https://www.youtube.com/watch?v=daUbWU6OQWs 110 Metodologia do ensino das atividades aquáticas a prevalência da obesidade é considerada alta e apresenta uma série de prejuízos para a saúde mental e física. Dentre eles, destacam-seas comorbidades, que é a associação de duas ou mais doenças presentes no indivíduo. São exemplos de comorbidades: hipertensão, diabetes mellitus tipo II e dislipidemias (valores anormais de lipídeos). O sedentarismo, quando associado à alimentação inadequada, é o principal fator de risco para obesidade. É somente na aula de Educa- ção Física que, muitas vezes, a criança pratica uma atividade física. A natação é uma das modalidades mais recomendadas para os alunos com obesidade e comorbidades, pois tem caráter aeróbio, com baixo impacto e benefícios fisiológicos e psicológicos. É importante que o professor motive e incentive o aluno com obesidade e comorbidades para a reversão do quadro, fazendo com que o aluno pense sempre em sua saúde. Muitas vezes, o estudante com obesidade apresenta problemas com a imagem corporal e a autoestima. Sendo assim, pelo fato de a natação exigir que o aluno use sunga ou maiô, ele pode se sentir indis- posto ou envergonhado. Nessas situações, o docente precisa conversar com o aluno e transmitir tranquilidade, para que ele se sinta bem e pronto para participar da natação. Em relação ao desenvolvimento das aulas, não é necessário um planejamento especial, pois o aluno com obesidade e comorbidades é apto a participar da aula regular. O cuidado necessário para esses alunos está ligado a problemas como a baixa capacidade respiratória, fazendo com eles fiquem cansados facilmente e não consigam acom- panhar os outros. Nesses casos, o professor pode solicitar que o estu- dante realize uma metragem menor. Ainda, os alunos com obesidade podem apresentar algumas limi- tações de mobilidade corporal, tendo isso em vista, o professor pode adaptar algumas atividades e realizar exercícios para que melhorem esse componente muscular. Já para os estudantes com diabetes é pre- ciso atenção ao índice glicêmico antes das aulas de Educação Física, pois se os valores estiverem elevados podem ocasionar o pico glicê- mico e se estiverem muito baixos, podem ocasionar hipoglicemia. Em ambas as situações, a prática de natação deve ser evitada. A intensidade das atividades é um fator importante para esses alu- nos, a Sociedade Brasileira de Pediatria (2017) recomenda que crianças No vídeo Obesidade Infantil, do canal IAR Academia, é realizada uma contextualização da obesidade infantil e de como a natação pode ser uma aliada em seu combate. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=PkVnHZson34. Acesso em: 19 fev. 2021. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=PkVnHZson34 https://www.youtube.com/watch?v=PkVnHZson34 https://www.youtube.com/watch?v=PkVnHZson34 Natação adaptada 111 e os adolescentes se exercitem com intensidades moderadas ou vigo- rosas, diariamente, durante 60 minutos ou mais. Junto com a intensida- de do exercício, o intervalo de descanso também deve ser realizado de maneira adequada para alterações metabólicas efetivas. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este capítulo teve o objetivo de auxiliar você, futuro professor, a com- preender as noções gerais da natação para pessoas com deficiências, obesidade e comorbidades. Pudemos observar que o docente é muito importante, pois é ele quem oferece oportunidades para que os alunos consigam realizar atividades físicas. Percebemos, também, que a natação é uma modalidade inclusiva, a qual pode acolher todos os tipos de deficiên- cias, pois permite a realização de atividades adaptadas quando necessário. ATIVIDADES 1. Quais características uma criança com TEA pode apresentar? 2. Cite três estratégias para aulas de natação destinadas a alunos com TEA. 3. Por que é importante estabelecer vínculo com o aluno com Síndrome de Down? 4. Por que a natação é indicada para crianças e adolescentes com obesidade? REFERÊNCIAS GORGATTI, M. G. Natação adaptada: em busca do movimento com autonomia. Barueri: Manole, 2010. OLIVEIRA, G. T. et al. A natação como recurso no desenvolvimento motor em alunos com Síndrome de Down inseridos no ensino fundamental. Interação: revista de ensino, pesquisa e extensão, v. 17, n. 17, p. 24-48, 2019. POSAR, A.; VISCONTI, P. Alterações sensoriais em crianças com transtorno do espectro do autismo. Jornal de Pediatria, v. 94, n. 4, p. 342-350, 2018. SILVA, M.; MULICK, J. A. Diagnosticando o transtorno autista: aspectos fundamentais e considerações práticas. Psicologia: ciência e profissão, v. 29, n. 1, p. 116-131, 2009. SBP. Promoção da atividade física na infância e adolescência. 2017. Disponível em: https:// www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/19890e-MO-Promo_AtivFisica_na_Inf_e_ Adoles-2.pdf. Acesso em: 4 mar. 2021. 112 Metodologia do ensino das atividades aquáticas GABARITO 1 Introdução às atividades aquáticas 1. A criação da FINA (entidade internacional) e posteriormente da CBDA (entidade nacional) foi importante no processo de criação de regras para as modalidades aquáticas (natação, saltos ornamentais, high diving, natação artística, polo aquático e natação em águas abertas). Essas regras permitem que praticantes desses esportes tenham as mesmas condições durante as competições. 2. A evolução científica foi importante para o desenvolvimento da técnica das modalidades aquáticas (técnica dos nados na natação, técnica das piruetas no nado sincronizado, saltos ornamentais e high diving e técnica dos deslocamentos no polo aquático). Os avanços nas pesquisas também foram essenciais para criar um ambiente aquático com melhores condições de tratamento de água, iluminação e ventilação, por exemplo. 3. Porque reduziam o arrasto da água (propriedade física da água), resultando em uma velocidade maior de nado. 4. Sim, podemos. A natação foi considerada a primeira modalidade aquática, pois o homem precisava realizar deslocamentos na água para sobrevivência. A partir do momento em que a natação foi evoluindo, outras modalidades aquáticas foram surgindo, como por exemplo high diving e natação em águas abertas. O polo aquático e a natação artística tiveram sua origem posteriormente: o polo aquático foi considerado uma adaptação do jogo de polo com cavalos na água, enquanto a natação artística era praticada durante os intervalos da competição de natação. 2 Adaptação ao meio líquido 1. O professor precisa compreender seus efeitos sobre o corpo humano. Por exemplo, a condutividade térmica da água e a temperatura elevada provocam maior troca de calor corporal. Outro exemplo é a densidade corporal e do líquido, que influenciam na flutuação. 2. O afogamento tem por definição “aspiração de líquido por imersão ou submersão”. Gabarito 113 3. Incluir o botão de fácil acesso e que desligue rapidamente a sucção da piscina; manter 100% de atenção nas pessoas que estão com você; proteger a piscina com grades ou lonas para impedir o acesso de crianças; sempre que possível, permanecer sempre perto de um guarda-vidas; e saber agir sem se tornar uma vítima. 4. Apresentar o local ao aluno e solicitar a ele que se desloque na borda de um ponto ao outro. 5. Morto-vivo e elevadores. 6. Com o auxílio do professor ou material e mudanças de posição. 7. Em posição hidrodinâmica, os alunos deverão passar por um arco e empurrar a parede e ver qual aluno irá mais longe. 8. Saltos da borda e saídas pela borda. 3 Estratégias de ensino da natação 1. Além de saber como realizar uma boa instrução e feedback, o professor de atividades aquáticas precisa compreender os alunos como um todo – desde as etapas do desenvolvimento motor e humano –, além de suas características psicológicas. 2. Existem algumas opções, que irão depender de qual é a data, por exemplo: no natal, é possível montar uma árvore com os materiais disponíveis; na páscoa, peça aos alunos que encontrem os ovos (bolas) que o coelho da páscoa espalhou pela piscina; no dia das crianças, realize uma caça ao tesouro. 3. NOME DA ATIVIDADE MATERIAL OBJETIVO DESENVOLVIMENTO TEMPO ESTIMADO Receber os alunos - - Receber os alunos. 5 minutos Roda inicial - - Cantar duas ou três músicasde roda. 5 minutos Sorrisos malucos Sorrisos Desloca- mentos Os sorrisos estarão dispostos pela piscina e os alunos deverão os recolher e colocá-los empilhados na porta. 12 minutos (Continua) 114 Metodologia do ensino das atividades aquáticas NOME DA ATIVIDADE MATERIAL OBJETIVO DESENVOLVIMENTO TEMPO ESTIMADO Mergulhos dos peixi- nhos - Mergulhos Em fila, os alunos deve- rão mergulhar da plata- forma até o professor ou responsável. 5 minutos Tapete Tapetão Equilíbrios e mergulhos Saltos do tapete. 5 minutos Escorrega- dor Tapetão Mergulhos Escorregar pelo tapetão da borda. 5 minutos Roda final - - Cantar duas ou três músicas de roda. 5 minutos Despedida dos alunos - - Despedir-se dos alunos na escada. 3 minutos 4. NOME DA ATIVIDADE MATERIAL OBJETIVO DESENVOLVIMENTO TEMPO ESTIMADO Receber os alunos - - Receber os alunos. 5 minutos Alimen- tando os animais Sorrisos Desloca- mentos Contar uma história em que os animais estão com fome e os alunos devem alimentá-los. Os alunos deverão buscar os sorrisos e levá-los até os animais. 12 mintos Mergulhos dos peixinhos - Mergulhos Em fila, os alunos deverão mergulhar da plataforma até o professor. 10 minutos Tapete Tapetão Equilíbrios e mergulhos Saltos do tapete. 5 minutos Escorrega- dor Tapetão Mergulhos Escorregar pelo tape- tão da borda. 5 minutos Despedida dos alunos - - Despedir-se dos alunos na escada. 3 minutos Gabarito 115 4 Aspectos técnicos da natação 1. Isso dependerá das vivências do aluno e de suas capacidades físicas. Alguns alunos apresentam facilidade ao realizar a pernada de peito, por exemplo; nesse caso, ensinar o nado peito primeiro pode ser uma boa opção. 2. 1) O número de alunos é maior: cerca de dez alunos por professor. 2) Normalmente, o professor permanece fora da água. 3) Em uma mesma turma, podem existir tanto alunos nos processos de adaptação ao meio líquido quanto na fase do ensino dos nados. 3. A atividade final é muito importante; é um momento de descontração e diversão, tendo em vista que no esporte natação existe muita repetição. 5 Estratégias de ensino das atividades aquáticas 1. As dificuldades são diversas, como: alunos necessitarem saber nadar, o espaço físico e materiais específicos. 2. O ambiente deve ter pelo menos 3 plataformas de salto (5 metros, 7,5 metros e 10 metros de altura) e 2 trampolins (1 metro e 3 metros de altura); além de piscina com profundidade ideal de 5 metros. 3. A instrução visual é extremamente necessária para que os alunos compreendam qual elemento deverão realizar. 4. Retirar as raias e solicitar que os alunos nadem em círculo. 6 Natação adaptada 1. Dentre as características que as crianças apresentam, destacam-se a dificuldade de dialogar e de demonstrar emoções, a falta de interesse por atividades e de contato visual, e repetições constantes de movimentos (estereotipias). 2. É ideal realizar atendimentos individualizados com o aluno até que ele se sinta preparado para participar das aulas com o grande grupo. Já a instrução da atividade, ela deve ser a mais o breve possível e, dependendo da faixa etária, deve ser preferencialmente visual. É interessante que o professor tenha o apoio da família e da instituição para planejar aulas 116 Metodologia do ensino das atividades aquáticas que promovam melhoras nos processos cognitivos, nas habilidades motoras e na autonomia aquática, além da qualidade de vida. 3. A construção de uma relação amigável é fundamental para que o aluno com Down se sinta seguro e consiga evoluir nas aulas de natação. 4. Porque a natação é uma atividade física de caráter aeróbio, com baixo impacto e imprime benefícios fisiológicos e psicológicos. M ETO D O LOG IA D O EN SIN O D AS A TIVIDA D ES AQ U Á TICAS CLA R A K N IER IM CO R R EIA Código Logístico 59789 ISBN 978-65-5821-008-5 9 7 8 6 5 5 8 2 1 0 0 8 5