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GESTÃO DE VENDAS E NEGOCIAÇÃO Cristiane Kessler de Oliveira Técnicas e táticas de negociação Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever um processo de negociação. Analisar as principais técnicas de negociação. Identificar as etapas de um processo de negociação. Introdução Negociar é algo que todo indivíduo faz em diversas fases da vida, seja na esfera pessoal ou profissional. No ambiente de negócios, faz-se isso o tempo todo, seja com clientes, fornecedores, colaboradores, acionistas ou qualquer outro ator de quem possamos necessitar de algo. Compreender o processo de negociação, suas técnicas e táticas é, portanto, fundamental para qualquer gestor, especialmente se a sua área de atuação for comercial. As técnicas de negociação permitem que o negociador obtenha resultados melhores e mais rápidos nas suas atividades, qualquer que seja o ramo de atuação. Neste capítulo, você vai compreender o que é o processo de nego- ciação. Também vai estudar as técnicas e táticas de negociação mais utilizadas e como elas podem ajudar a obter melhores acordos. Ao final, você vai verificar quais são as etapas do processo de negociação. O que é negociação Um dos principais mitos relacionados à negociação é de que se trata de uma arte praticada por pessoas em um nível superior às demais. Na verdade, a negociação acompanha você e qualquer outro indivíduo em sua rotina diária. Negocia-se o tempo todo, seja para comprar ou alugar um imóvel, para pleitear um aumento no trabalho ou para decidir um programa em família. Negociar não é um dom ou algo que o indivíduo nasce apto a fazer ou não. Trata-se de uma prática que possui sustentação em técnicas e táticas, as quais podem ser desenvolvidas com preparação, conhecimento e prática. Para Young (1991 apud REZENDE, 2005, p. 238), negociação é: […] um processo de tomada de decisão conjunta. É comunicação, direta ou implícita, entre indivíduos que estão tentando chegar a um acordo para bene- fício mútuo. O significado original da palavra é simplesmente fazer negócios, mas negociação é também a atividade central na diplomacia, na política, na religião, no direito, e na família. A negociação engloba conversações de controle de armas, a interpretação de textos religiosos e disputas de guarda de crianças. Todos negociam. Muitos autores apresentam conceitos complementares de negociação. Para Junqueira (2014, documento on-line), trata-se de um processo por meio do qual os indivíduos buscam a: […] aceitação de ideias, propósitos ou interesses visando ao melhor resul- tado possível, de tal modo que as partes envolvidas terminem a negociação conscientes de que foram ouvidas, tiveram oportunidade de apresentar toda a sua argumentação e que o produto final seja maior do que a soma das contribuições individuais. A negociação pode ser entendida como um processo por meio do qual as partes envolvidas fixam, ou têm a intenção de fixar, um acordo entre si, em vez de tomar uma atitude unilateral. Esse processo tem início quando as partes percebem que, embora tenham interesses comuns, divergem em algum momento ou estão em posições opostas a respeito de um tema, conforme Carvalho (2016). Dessa forma, as partes, em geral, percebem que precisam uma da outra para atingir determinado objetivo, o que leva à decisão de iniciar a negociação. Segundo Carvalho (2016, p. 17): Aquela decisão, ou a aceitação de uma solução englobada num acordo, envolve um sistema de comunicação que pode oscilar entre a negociação formal e a negociação informal, mas com objetivo assente na satisfação das necessidades, de uma forma vantajosa para todas as partes, e na obtenção de um consenso que satisfaça os múltiplos interesses em jogo. A formação do conceito de negociação, como compreendido atualmente, passa pela defesa dos interesses de ambas as partes envolvidas, no intuito Técnicas e táticas de negociação2 de obter um acordo que seja bom para ambos e, consequentemente, para o relacionamento como um todo. Embora seja esse o conceito mais moderno de negociação, ainda existem outras formas de se exercer essa atividade, como você verá mais à frente. Características de uma negociação Existem algumas características comuns entre os principais conceitos de ne- gociação existentes na literatura. Essas características ajudam a compreender a negociação de modo mais global, conforme descrito abaixo. Negociação é um processo, não uma competência ou capacidade. Trata- -se de algo que as pessoas podem desenvolver, isto é, aprender a fazer. As negociações normalmente envolvem duas ou mais partes, que podem ser pessoas, grupos de pessoas ou mesmo organizações. A negociação trata de um conflito de interesse entre as duas ou mais partes envolvidas, que desejam coisas diferentes e precisam encontrar uma forma de solucionar o conflito que envolve esse assunto. Negociação é uma interação entre pessoas, em que o que é tangível, como a lógica e os fatos disponíveis, é fundamental. No entanto, o intangível, como as emoções, a atitude e as características de personalidade dos envolvidos, é também relevante. Em geral, as partes envolvidas em uma negociação o fazem por vontade própria, “[…] porque acreditam que podem obter os resultados esperados por meio de uma negociação, em vez de apenas aceitar o que a outra parte oferece ou concede”, conforme apontam Lewicki, Saunders e Barry (2014, p. 7). Ao negociar, as partes esperam certa flexibilidade uma da outra, de modo a obter um bom acordo. “A expectativa é que ambas as partes alterem ou abandonem suas propostas, exigências ou demandas iniciais”, ainda de acordo com Lewicki, Saunders e Barry (2014, p. 7). Esse mo- vimento normalmente ocorre buscando-se uma posição intermediária, de comprometimento. Ambas as partes acreditam que a negociação é uma solução melhor do que as alternativas, como lutas e coerção. Cada uma das partes envolvidas na negociação entende que existe a possibilidade de persuadir a outra a alterar a sua posição inicial. Caso contrário, o esforço de tentar a negociação com essa outra parte seria inútil. 3Técnicas e táticas de negociação Ambos os envolvidos também consideram que cada um está disposto a alcançar um compromisso que possa ser honrado por todos, sendo que ambas desejam um resultado favorável. Modelos de negociação Existem diferentes formas e modelos de negociação, cada um deles com características próprias e relacionado a um determinado perfi l de negociador ou a uma situação em particular. Dentre os principais modelos existentes, dois se destacam: o modelo distributivo e o modelo cooperativo. Modelo distributivo: também conhecido como negociação posicional. Trata-se de uma negociação perde-ganha, em que uma parte precisa perder para a outra ganhar. Essa forma de negociação se caracteriza pela tomada e cedência de posições acerca do tema que rege a negociação. Um dos lados normalmente inicia com a sua oferta, que é rejeitada pela outra parte, e ambos os lados vão alterando as suas exigências até se chegar a um acordo, normalmente porque uma das partes fi nalmente conseguiu driblar a outra. Nesse tipo de negociação, as concessões são vistas como fraqueza, e não há interesse em buscar uma solução que seja boa para ambas as partes. Pelo contrário: o interesse é em destruir os argumentos do outro, enfraquecendo a sua posição para obter sucesso na negociação. Normalmente, o resultado dessa negociação é um acordo bom para somente uma das partes. Isso ocorre porque não há, no modelo distributivo, a preocupação das partes em descobrir quais eram os reais interesses envolvidos na negociação. Pelo contrário, as partes focam apenas e tão somente nos números colocados na mesa de negociação ou na posição acerca do tema discutido. Modelo cooperativo: também conhecido como negociação por princípios. Nesse modelo, o foco é em um resultado ganha-ganha, ou seja, umacordo que seja benéfi co para ambas as partes envolvidas. O objetivo, portanto, está voltado para a manutenção do relacionamento entre os envolvidos. Em negociações pautadas por esse modelo, ambas as partes são fl exíveis e fazem concessões em prol de um acordo de benefício mútuo. É comum, nesses casos, as partes trabalharem juntas em um esforço para encontrar soluções criativas para o tema da negociação. O Quadro 1 a seguir ilustra as principais diferenças entre os dois modelos de negociação. Técnicas e táticas de negociação4 Fonte: Adaptado de Daychoum (2016). Característica Negociação Distributiva Cooperativa Resultado Ganha-perde Ganha-ganha Motivação Ganho individual Ganho comum Ganho individual Interesses Opostos Diferentes, mas nem sempre opostos Relacionamento Curto prazo Longo prazo Curto prazo Questões envolvidas Únicas Múltiplas Habilidade de compatibilização Não flexível Flexível Solução Não criativa Criativa Quadro 1. Modelos de negociação Para saber mais sobre táticas e técnicas de negociação específicas para os modelos distributivo e cooperativo, leia os capítulos 2 e 3 do livro Fundamentos da Negociação, de Lewicki, Saunders e Barry (2014). Técnicas de negociação Obter sucesso em uma negociação requer preparação e planejamento. É preciso conhecer a si mesmo, a outra parte e o assunto em questão. A partir disso, é preciso planejar ações e estratégias adequadas à situação encontrada e ao perfi l da outra parte. 5Técnicas e táticas de negociação Tática por perfil Uma das formas de se preparar para uma negociação é conhecer a fundo a outra parte. Para isso, algumas ferramentas podem contribuir de modo signifi cativo, como o chamado modelo de classifi cação Myers-Briggs de comportamento. Esse modelo classifi ca os indivíduos em quatro perfi s de comportamento: pragmático, analítico, expressivo ou afável. Para cada perfi l, algumas ações específi cas podem ser a garantia de melhores resultados na negociação. Perfil pragmático O perfi l pragmático normalmente age movido mais pela razão do que pela emoção e é mais rápido para a tomada de decisão e realização de tarefas em ambiente profi ssional. Segundo Daychoum (2016, p. 258): As pessoas pragmáticas costumam ser organizadas, mas não excessivamente metódicas, até porque isso lhes tomaria tempo em demasia e um esforço intelectual sem propósito claro. Diante de uma situação de problema, possi- velmente buscarão uma avaliação bastante precisa e concisa a fim de orientar sua decisão. Para lidar com esse perfil, é importante ir direto ao ponto, sem muitos rodeios, sob pena de perder a atenção e, inclusive, despertar a irritação do interlocutor. Segundo Daychoum (2016, p. 156), “[…] o cumprimento pon- tual e eficaz dos acordos estabelecidos é a melhor maneira de assegurar o relacionamento com esse tipo de negociador, mas sempre é bom apresentar lembretes e registros formais dos pontos a seu favor, segundo a visão dele”. Por ser movido mais pela razão, também é importante para esse perfil utilizar argumentos mais racionais. Dados estatísticos, planilhas e resultados obtidos por outros em situação semelhante podem impressionar e definir a situação. Perfil analítico O perfi l analítico também é movido pela razão, embora seja mais lento nas decisões e realização de tarefas. Pessoas desse perfi l demandam uma grande quantidade de informações (pesquisas, relatórios, catálogos), mas são muito organizadas. Segundo Daychoum (2016, p. 258), o indivíduo de perfi l analítico, “[...] diante de uma proposta, procura sempre descobrir e entender quais as Técnicas e táticas de negociação6 vantagens e as desvantagens, assim como todas as possíveis consequências. Tem a preocupação de ser justo e agir com base em princípios, às vezes rígidos”. Para lidar com esse perfil de negociador, portanto, é preciso estar preparado com muita informação e saber que será necessário fornecer dados, pesqui- sas, relatórios e tudo mais a respeito da solução proposta. Para estabelecer vínculo com esse perfil, é interessante permitir que ele exerça o seu papel de especialista, fazendo as perguntas que considerar necessárias. Essa pode ser uma maneira interessante de conhecê-lo melhor, analisando seus interesses e suas prioridades. Para conquistar e convencer um analítico, são necessárias provas incon- testáveis (dados, testemunhos, depoimentos), as quais ele provavelmente vai verificar quanto à veracidade. Conforme aponta Daychoum (2016, p. 157), “Padrões e controles especificados de acompanhamento, manutenção e garantia de cumprimento do acordo, tudo por escrito e cronometrado, é o que ela [a outra parte] espera para ter um relacionamento duradouro”. Perfil afável Por sua vez, pessoas com o perfi l afável são movidas mais pela emoção do que pela razão e tendem a ser mais lentas na tomada de decisão e na realização de tarefas. São pessoas tranquilas e gentis, que buscam a manutenção de relacionamentos de longo prazo. São elementos importantes no ambiente organizacional, pois trabalham muito bem em equipe, têm grande facilidade de lidar com pessoas e têm grande empatia, o que é importante na hora de ponderar a respeito de uma decisão que envolva pessoas. No entanto, têm difi culdade em tomar decisões, podendo requerer a ajuda de outros para isso. Para negociar com um afável, deve-se enfatizar soluções que sejam boas para o grupo e que não afetem negativamente nenhum dos envolvidos, uma vez que isso é muito relevante para esse perfil. Também é importante estar próximo durante toda a negociação, pois pessoas desse perfil valorizam a proximidade e o relacionamento. Trata-se de um perfil que, mais do que os outros três, tem nos testemunhos e depoimentos um ponto importante para a tomada de decisão. É bastante afetado por esse tipo de tática, portanto, se houver depoimentos favoráveis ao produto ou à solução propostos, estes podem ser definitivos na negociação. 7Técnicas e táticas de negociação Perfil expressivo O perfi l expressivo também é mais emocional do que racional, mas é rápido para tomar decisões e executar tarefas. Pessoas desse perfi l gostam de falar e falam muito, utilizando esse recurso para estabelecer vínculo em suas relações. Segundo Daychoum (2016, p. 259): Algumas vezes a pessoa do perfil expressivo pode parecer um pouco disper- siva, saltando de um assunto a outro. Na verdade, raras atividades dão mais prazer ao expressivo do que explorar novos mundos e, como poucos, ele é capaz de antecipar tendências e perceber os inúmeros ângulos e soluções para uma situação. Para tocar um expressivo, deve-se utilizar estratégias e argumentos que enfoquem questões relacionadas ao prestígio e à repercussão que determinada solução pode ter na sua imagem. Ele valoriza muito o fato de ser admirado por outras pessoas. Por isso, também é importante ouvi-lo com atenção e demonstrar interesse em suas conquistas e histórias. Com esse tipo de perfil, é importante relacionar-se de modo mais informal e amigável, pois ele gosta de estabelecer relações – elas lhe transmitem segurança e satisfação. Táticas generalistas Existem também algumas táticas que independem do perfi l do interlocutor com quem se vai negociar. Estas servem para qualquer tipo de negociação e oferecem segurança ao negociador, potencializando as chances de se obter um bom acordo. A primeira tática é conhecer profundamente a si mesmo e à outra parte. Dessa forma, pode-se explorar pontos fortes e encontrar soluções que sejam de interesse de ambos. Quanto mais se conhece a respeito do que move ou outro — seus interesses, seus valores e suas prioridades —, maiores são as chances de obter boa vontade a respeito da negociação em si. Isso é importante desde o início, para se fazer ouvir, por exemplo. Saber comunicar-se de modo assertivo também é fundamental. Bons comunicadores tendem a obter maior atenção e participação a respeito do diálogo proposto. Além disso, a comunicação assertiva é uma competênciaque diminui as falhas de comunicação, servindo para a manutenção de um bom relacionamento também após a negociação. Técnicas e táticas de negociação8 Ouvir mais do que falar é muito importante. Muitas vezes, as pessoas pensam que um bom negociador, ou mesmo um bom vendedor, é aquele que fala muito, ao ponto de fazer com que o seu interlocutor fique confuso a respeito do que está sendo dito e acabe dizendo sim. Na verdade, uma boa negociação se dá a partir da compreensão do ponto de vista e das necessidades da outra parte, e isso só é possível se o negociador estiver disposto a ouvir e prestar atenção no que está sendo dito. Mais do que isso, ele deve estar atento também aos sinais não verbais dados pela outra parte, como olhares, postura e tom de voz. Planejar a negociação com antecedência também garante bons resultados. Antecipar ações da outra parte, com base na pesquisa realizada a seu respeito, diminui a chance de ser pego de surpresa em alguma situação. Isso também permite que você construa uma argumentação adequada para a situação e o perfil do negociador. Negociadores que têm a capacidade de construir bons argumentos obtêm resultados superiores. Por fim, deve-se ser ético e transparente — essa é a base de qualquer relacionamento. Tendo em vista que os profissionais que atuam nesse ramo vivem da sua credibilidade, a honestidade e a ética são elementares. Além disso, se, em algum momento, você mentir ou omitir algum dado importante, certamente isso será descoberto e comprometerá toda a negociação. Etapas do processo de negociação É importante compreender o processo de negociação como um todo, para não ser pego de surpresa em nenhuma situação. São sete as etapas que compõem o processo de negociação, as quais ocorrem antes, durante e depois da negociação em si, conforme mostra a Figura 1 a seguir. 9Técnicas e táticas de negociação Figura 1. Etapas da negociação. Preparação Essa etapa corresponde ao planejamento inicial da negociação e ocorre antes da negociação propriamente dita, quando o outro negociador ainda não está presente. Nesse momento, é feito um histórico das relações entre as partes, em que são retomados alguns pontos importantes que precisam ser levados em consideração. Por exemplo, se, em um encontro anterior, algo que o negocia- dor fez provocou uma reação negativa na outra parte, isso é um aprendizado importante; ao fazer essa retomada do relacionamento, o negociador poderá recordar momentos como esse e se preparar para que não ocorram novamente. Durante a preparação, o negociador também lista os seus objetivos, que incluem, em se tratando de valores, o máximo desejável — aquilo que ele gostaria de obter — e o mínimo aceitável — uma barreira que ele não gosta- ria de ultrapassar. Isso serve para que o negociador se sinta mais seguro no momento da negociação em si, pois tem melhor conhecimento de seus limites e suas ambições. Essa etapa também inclui um levantamento das necessidades, motivações e expectativas da outra parte, quando o negociador vislumbra a situação sob a ótica do outro, planejando também as concessões que terá de fazer para chegar a um resultado satisfatório para ambos. Planeja-se também a solução para os eventuais conflitos e impasses que possam surgir, finalizando com o planejamento do encontro que se dará na etapa seguinte. Técnicas e táticas de negociação10 Abertura Essa etapa é bastante praticada pelo negociador brasileiro, que se sente muito à vontade nesse momento. Trata-se do primeiro contato entre as duas partes que farão a negociação. Portanto, a abertura tem como objetivo principal “quebrar o gelo”, criar um clima que seja propício à negociação, em que ambas as partes estejam confortáveis. Esse é o momento para conversas amenas, para falar sobre assuntos coti- dianos, que, além de aliviar a tensão, ajudam a estabelecer um relacionamento entre as partes. Pode-se falar sobre o clima, os resultados do futebol, ou mesmo sobre algo referente ao ambiente, como um quadro ou uma foto. Nessa etapa, também se define o objetivo da negociação e como as partes vão trabalhar. Pode ser mencionado algo a respeito do que será apresentado à frente; por exemplo: “soube que você está em busca de uma solução para o departamento de marketing e acho que podemos ajudá-lo”. Exploração Essa é a etapa mais esquecida pelo negociador brasileiro. Muitas vezes, no Brasil, os negociadores vão direto ao ponto, esquecendo essa etapa tão im- portante para auxiliar na compreensão das necessidades do outro, o que, consequentemente, ajuda na busca de uma solução que seja boa para ambos. Na exploração, o objetivo é exatamente o de captar as necessidades e expectativas da outra parte. Assim, na etapa da apresentação, o negociador saberá que palavras usar, quais serão os argumentos com melhores resulta- dos ou mesmo qual produto ou solução será a mais eficaz para atender aos interesses do outro negociador. Dessa forma, o negociador consegue também conquistar a boa vontade da outra parte, o que é um elemento importante para uma boa negociação. Nessa etapa, mais até do que nas outras, é fundamental saber ouvir com atenção, deixando o outro falar o máximo possível. Quanto mais se ouve, mais informações é possível obter. Apresentação Nessa etapa, o negociador apresenta efetivamente a sua proposta. No entanto, é importante que ele faça isso levando em conta as informações obtidas na etapa anterior a respeito das necessidades e expectativas da outra parte. Dessa forma, certamente o resultado será mais satisfatório. 11Técnicas e táticas de negociação Durante a apresentação, o negociador descreve detalhadamente a solução trazida, seja ela um produto, um serviço ou uma ideia. Em seguida, é importante mostrar claramente os benefícios que a proposta trazida oferece à outra parte. Esse é o momento em que o vendedor tem a oportunidade de argumentar em favor da sua solução, de “vender o seu peixe”. Dessa forma, muitas técnicas e táticas de venda são pensadas com foco exclusivo nessa etapa. Clarificação Para que uma negociação corra bem e, principalmente, termine bem, é impor- tante que não haja falhas de comunicação. Essa é a etapa, portanto, em que o negociador verifi ca se há algo que foi dito que não tenha fi cado sufi cientemente claro, ou se surgiu alguma dúvida a partir do que foi apresentado na etapa anterior. Em alguns casos, pode ser interessante retomar o que foi dito, ou solicitar à outra parte que o faça, para verificar se não houve mal-entendidos. Mui- tas negociações já fracassaram depois do sim porque uma parte entendeu a proposta como sendo diferente do que o outro apresentou; somente na hora de assinar o contrato é que a situação foi identificada, gerando um grande mal-estar entre as partes. Ação final No caso de todas as fases anteriores terem sido bem desenvolvidas, é nessa etapa que ocorre o fechamento do negócio. De qualquer forma, é importante que o negociador tenha sensibilidade para identifi car quando a outra parte está dando sinais de que gostaria de realmente fechar o acordo. Muitas vezes, só falta uma palavra ou um incentivo. Nessa etapa, o negociador pode recapitular algo que tenha considerado importante para a outra parte. Também é interessante relembrar vantagens e desvantagens da solução trazida, preferencialmente dando ênfase nas vanta- gens. Ao final, o negociador, então, propõe uma data para uma demonstração ou simulação, se for esse o caso, ou para o fechamento efetivo do negócio. Em algumas situações menos complexas, o negócio é fechado nesse mesmo momento. Técnicas e táticas de negociação12 Controle e avaliação Essa etapa, assim como a da preparação, também é desenvolvida de modo individual, sem a presença da outra parte. Em muitos casos, no entanto, os negociadores deixam essa etapa de lado, considerando que a negociação esteja concluída na ação fi nal. Porém, a etapa de controle e avaliação oferece uma oportunidade de crescimento ao negociador,que poderá analisar seu próprio trabalho e aprender com ele. Assim, em negociações futuras, ele não fi cará nas mesmas situações delicadas, pois terá analisado reações e saberá o que fazer caso ocorra novamente. Nessa etapa, portanto, o negociador poderá comparar o que foi planejado para a negociação com o que foi efetivamente realizado. Em caso de grandes diferenças, ele poderá analisar se havia algo que pudesse ter feito diferente. Também poderá analisar as concessões feitas e as consequências delas para o resultado, além de fazer anotações e observações que poderão ser utilizadas em uma próxima negociação. Essa etapa também possibilita ao negociador controlar o que foi acertado, verificando custos, prazos ou condições, de modo que possa tomar as medidas necessárias ao cumprimento do que foi negociado. Isso garante que aquilo que foi decidido será honrado, trazendo resultados positivos para o relacionamento entre as partes. CARVALHO, J. M. C. Negociação. 5. ed. Lisboa: Edições Sílabo, 2016. DAYCHOUM, M. Negociação: conceitos e técnicas. Rio de Janeiro: Brasport, 2016. JUNQUEIRA, L. A. C. Negociação: inverdades perigosas. Instituto MVC, 2014. Disponível em: http://www.institutomvc.com.br/artigos/post/negociacao-inverdades-perigosas. Acesso em: 24 set. 2019. LEWICKI, R. J.; SAUNDERS, D. M.; BARRY, B. Fundamentos de negociação. 5. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. REZENDE, S. Sistemas inteligentes: fundamentos e aplicações. São Paulo: Manole, 2005. 13Técnicas e táticas de negociação