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Remuneração e Salário

Material sobre remuneração e salário: define salário e remuneração, aborda gorjetas e gueltas, enumera características do salário (forfetário, alimentar, crédito privilegiado) e inclui sumário sobre classificação, composição, meios, tempo e local de pagamento e bibliografia.

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REMUNERAÇÃO E SALÁRIO
SUMÁRIO
1.	REMUNERAÇÃO E SALÁRIO	3
2.	CARACTERÍSTICAS DO SALÁRIO	4
3.	CLASSIFICAÇÃO DO SALÁRIO	5
4.	COMPOSIÇÃO DO SALÁRIO E DA REMUNERAÇÃO	6
5.	MEIOS DE PAGAMENTO DO SALÁRIO	7
6.	SALÁRIO IN NATURA OU UTILIDADE	9
7.	TEMPO DE PAGAMENTO DO SALÁRIO	15
8.	LOCAL E FORMA DE PAGAMENTO DO SALÁRIO	17
9.	DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO	17
10.	BIBLIOGRAFIA	17
ATUALIZADO EM 20/08/2023
1. REMUNERAÇÃO E SALÁRIO
Salário é toda contraprestação ou vantagem, concedida em pecúnia ou em utilidade, paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da prestação do serviço. Já a remuneração é a soma dos pagamentos diretos (isto é, aqueles feitos pelo empregador) e dos pagamentos indiretos (feitos por terceiros) ao empregado em virtude do contrato de trabalho.
A remuneração é, pois, o gênero do qual o salário é uma espécie.
Art. 457, CLT. Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber.
Pela redação do art. 457 da CLT, remuneração é o salário, acrescido da gorjeta, enquanto que salário e a contraprestação devida e paga diretamente pelo empregador em face do contrato de trabalho.
Por sua vez, gorjeta é a importância paga por terceiro, de forma espontânea ou cobrada pela empresa na nota de serviço.
Súmula nº 354 do TST. GORJETAS. NATUREZA JURÍDICA. REPERCUSSÕES. As gorjetas, cobradas pelo empregador na nota de serviço ou oferecidas espontaneamente pelos clientes, integram a remuneração do empregado, não servindo de base de cálculo para as parcelas de aviso-prévio, adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado.
· Observe-se, todavia, que as gorjetas não são a única forma de pagamento indireto, como exemplo, podem os empregados também receber glueltas[footnoteRef:1], que são prêmios pagos pelos fornecedores ou distribuidores dos produtos aos empregados da empresa a título de incentivo de vendas. [1: Na prova da DPU 2015 CESPE, foi considerada correta a seguinte alternativa: “Configura-se a guelta quando, em uma relação empregatícia, o empregado recebe retribuição para estimular a venda ou a comercialização de um produto ou serviço”.] 
A diferença é que as gorjetas são pagas pelos clientes, ao passo que as gueltas são pagas por fornecedores do empregador, com o consentimento deste.
O objetivo das gueltas é incentivar a venda de produtos ou de serviços de determinado fornecedor. Exemplo: farmácias e drogarias, cujos laboratórios fornecedores oferecem determinada quantia ou comissionamenyo aos vendedores para que comercializem seus produtos.
Entende-se, de forma majoritária, que as gueltas integram a remuneração, assim como ocorre com as gorjetas.
2. CARACTERÍSTICAS DO SALÁRIO
São características do salário:
a) caráter forfetário: o salário é definido previamente, independentemente do resultado da atividade do empresário, ou seja, o empregado tem a certeza do quanto deverá receber, não assumindo os riscos do negócio;
b) caráter alimentar: em regra o salário é a fonte de subsistência do trabalhador e de sua família, razão pela qual lhe é reconhecido o caráter alimentar. Em razão desta característica, o salário merece ampla proteção legal, sendo impenhorável, irredutível e irrenunciável;
c) crédito privilegiado: em caso de falência do empregador, os créditos trabalhistas gozam de preferência, exatamente em razão de sua natureza alimentar. Nesse sentido, a CF/88 dispôs que, nos precatórios judiciais, os créditos de natureza alimentícia devem ter prevalência sobre os demais (art. 100);
Art. 100, CF. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim.
§ 1º Os débitos de natureza alimentícia compreendem aqueles decorrentes de salários, vencimentos, proventos, pensões e suas complementações, benefícios previdenciários e indenizações por morte ou por invalidez, fundadas em responsabilidade civil, em virtude de sentença judicial transitada em julgado, e serão pagos com preferência sobre todos os demais débitos, exceto sobre aqueles referidos no § 2º deste artigo. 
[...]
d) indisponibilidade: significa que o salário não pode ser objeto de renúncia ou de transação prejudicial ao trabalhador, no contexto da relação de emprego. Alguns autores associam esta característica à irrenunciabilidade da verba salarial;
e) periodicidade: como o contrato de é de trato sucessivo, logicamente também o salário terá esta característica, de forma que é devido periodicamente, normalmente em módulo temporal não superior ao mês, conforme o art. 459 da CLT. A exceção fica por conta do salário pago à base de comissões, gratificações e percentagens, que também é periódico, mas não se limita ao parâmetro mensal;
Art. 459, CLT. O pagamento do salário, qualquer que seja a modalidade do trabalho, não deve ser estipulado por período superior a 1 (um) mês, salvo no que concerne a comissões, percentagens e gratificações.
f) persistência ou continuidade: o salário é pago, reiteradamente, ao longo de todo o contrato de trabalho, pelo que se pode dizer que o pagamento não é intermitente, e sim persistente, contínuo;
g) natureza composta: o salário é composto não só do salário-base, mas também de outras parcelas acessórias, como adicionais, gratificações etc.;
h) pós-numeração: como regra, o salário é pago somente após a prestação dos serviços, conforme a modalidade contratada (por mês, por quinzena, por semana etc.). A característica é mitigada pelos adiantamentos geralmente previstos em instrumento coletivo, bem como pelo fornecimento de utilidades, cuja fruição normalmente se dá antes ou concomitantemente com a prestação dos serviços;
i) tendência à determinação heterônoma: na lição de Maurício Godinho Delgado, “o salário fixa-se, usualmente, mediante o exercício da vontade unilateral ou bilateral das partes contratantes, mas sob o concurso interventivo de certa vontade externa, manifestada por regra jurídica”. Mencione-se como exemplo o salário mínimo, cuja fixação é estranha à vontade das partes contratuais.
3. CLASSIFICAÇÃO DO SALÁRIO
Pode-se classificar o salário:
a) Quanto a forma de pagamento: salário por unidade de tempo, salário por unidade de obra ou por produção e salário por tarefa (combina o tempo e a produção);
b) Quanto a espécie: salário-utilidade ou salário in natura, salário simples (pago em dinheiro) e salário composto (salário pago em dinheiro e em utilidades);
c) Quanto a forma de cálculo: salário mínimo (art. 7º, IV, CF/88 e art. 76 da CLT), salário profissional (fixado especificamente para determinada categoria através de lei (ex. médicos – Lei 3.999/61; engenheiros – Lei 4.950-A/66); salário normativo (fixado por meio de sentença normativa).
OJ 71, SDBI-II, TST. AÇÃO RESCISÓRIA. SALÁRIO PROFISSIONAL. FIXAÇÃO. MÚLTIPLO DE SALÁRIO MÍNIMO. ART. 7º, IV, DA CF/88. A estipulação do salário profissional em múltiplos do salário mínimo não afronta o art. 7º, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, só incorrendo em vulneração do referido preceito constitucional a fixação de correção automática do salário pelo reajuste do salário mínimo.
Súmula nº 143 do TST. SALÁRIO PROFISSIONAL. O salário profissional dos médicos e dentistas guarda proporcionalidade com as horas efetivamente trabalhadas, respeitado o mínimo de 50 (cinqüenta) horas.
Súmula nº 358 do TST. RADIOLOGISTA. SALÁRIO PROFISSIONAL. LEI Nº 7.394, DE 29.10.1985. O salário profissional dos técnicos em radiologia é igual a 2 (dois) salários mínimos e não a 4 (quatro).
	Há ainda o salário complessivo, que corresponde ao valor fixado para o pagamento do salário básico e todas as demais prestações devidas ao empregado sob um único título.
Súmula 91, TST: Nula é a cláusula contratual que fixa determinadaimportância ou percentagem para atender englobadamente vários direitos legais ou contratuais do trabalhador.
 	Conforme disposto na súmula acima, a cláusula será considerada nula, o que implica concluir pela vedação ao salário complessivo em nosso ordenamento. Nessa esteira, acaso o empregador proceda ao pagamento do empregado desta forma - pague, em um único título, diversas parcelas trabalhistas, estará pagando apenas o salário básico, sendo consideradas devidas as demais parcelas.
Observe-se que o salário pode ser ajustado livremente entre empregado e empregador, desde que respeitado, no mínimo, o pagamento do salário mínimo ou piso salarial da categoria. Diante disso, o ajuste pode implicar pagamento de salário fixo ou variável. É possível, então, que haja o pagamento de parcelas salariais, como fossem indenizatórias, com o fito de evitar a sua integração ao salário. São figuras denominadas, por Maurício Godinho, de "parcelas dissimuladas". 
4. COMPOSIÇÃO DO SALÁRIO E DA REMUNERAÇÃO
O salário do empregado é formado não apenas pelo seu salário básico (ou salário fixo), mas também por todas as demais parcelas habituais pagas pelo empregador, que gravitam em torno do salário básico, formando o sobressalário (são os adicionais, comissões, gratificações etc).
Art. 457, CLT. Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber.
§ 1º Integram o salário a importância fixa estipulada, as gratificações legais e as comissões pagas pelo empregador. 
§ 2º As importâncias, ainda que habituais, pagas a título de ajuda de custo, auxílio-alimentação, vedado seu pagamento em dinheiro, diárias para viagem, prêmios e abonos não integram a remuneração do empregado, não se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem base de incidência de qualquer encargo trabalhista e previdenciário.
#CUIDADO A MP 808/2017 havia alterado a redação do §1º para “Integram o salário a importância fixa estipulada, as gratificações legais e de função e as comissões pagas pelo empregador”, mas a Medida provisória não foi convertida em lei, perdendo sua eficácia.
Como se observa, os §§1º e 2º não estabelecem as percentagens, as gratificações não previstas em leis, a ajuda de custo, o auxílio-alimentação (vedado seu pagamento em dinheiro), as diárias para viagens, prêmios e os abonos com integrantes do complexo salarial.
As parcelas de natureza não salarial integram tão somente a remuneração, são parcelas, em regra, de natureza indenizatória, ressarcitória ou instrumental.
	COMPLEXO SALARIAL = SALÁRIO BASE + SOBRESSALÁRIOS
Conforme a sua natureza, algumas parcelas repercutem no cálculo das demais. Esta repercussão é também denominada integração ou projeção.
São três os requisitos para que uma parcela integre o cálculo de outra:
· 1°) a parcela deve ter natureza salarial (caráter de retribuição ou contraprestação);
· 2°) a parcela deve ser concedida habitualmente;
· 3°) a parcela não pode ter sido projetada anteriormente no cálculo da parcela a integrar, sob pena de bis in idem, e mesmo de um ciclo vicioso interminável, com integrações sucessivas.
OJ-SDI1-394. Repouso semanal remunerado – RSR. Integração das horas extras. Não repercussão no cálculo das férias, do décimo terceiro salário, do aviso prévio e dos depósitos do FGTS 
A majoração do valor do repouso semanal remunerado, em razão da integração das horas extras habitualmente prestadas, não repercute no cálculo das férias, da gratificação natalina, do aviso prévio e do FGTS, sob pena de caracterização de bis in idem.
A exceção aos dois primeiros requisitos é o FGTS, cuja base de cálculo é formada pela soma de todas as parcelas que tenham natureza remuneratória. Inclui, portanto, não só as gorjetas, como também qualquer parcela que tenha sido paga mesmo uma única vez, salvo se indenizatória. Prescinde, desse modo, da habitualidade. Neste sentido, o art. 15 da Lei n° 8.036/1990.
Situação diferente se dá com a incorporação de determinada parcela. Incorporar parcelas significa somá-las ao patrimônio jurídico do empregado, de forma que as mesmas não possam mais ser suprimidas ao longo do contrato de trabalho, nos termos do art. 468 da CLT.
O que distingue a mera integração da incorporação é que esta última exige que a parcela tenha sido concedida incondicionalmente.
5. MEIOS DE PAGAMENTO DO SALÁRIO
Dispõe o art. 458, caput, da CLT: Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas.
O salário dos obreiros pode ser pago em dinheiro e parte em utilidades. No salário-utilidade, também chamado in natura ocorre substituição de parte paga em dinheiro por utilidades que seriam adquiridas pelo empregado, como, por exemplo, moradia e alimentação.
Com efeito, o art. 463 da CLT determina seja o pagamento do salário efetuado em moeda corrente do país, sob pena de ser considerado não pago. Assim, é vedado o pagamento em moeda estrangeira.
Também é vedado o chamado truck system (sistema de troca), que consiste na contraprestação pelo trabalho apenas em bens, sem que uma parte seja paga em moeda corrente. Marcelo Moura observa que no Brasil a figura chegou a ser denominada sistema de barracão, em que o empregado trabalhava em troca de alimentação e moradia.
Tendo em vista que limita a liberdade de disposição do salário pelo trabalhador, bem como que propicia inclusive a servidão por dívidas, o truck system é ilícito, inclusive nos termos expressos do art. 462, §§ 2° e 3°, da CLT:
Art. 462. § 2° É vedado à empresa que mantiver armazém para venda de mercadorias aos empregados ou serviços estimados a proporcionar-lhes prestações in natura exercer qualquer coação ou induzimento no sentido de que os empregados se utilizem do armazém ou dos serviços.
§ 3° Sempre que não for possível o acesso dos empregados a armazéns ou serviços não mantidos pela Empresa, é lícito à autoridade competente determinar a adoção de medidas adequadas, visando a que as mercadorias sejam vendidas e os serviços prestados a preços razoáveis, sem intuito de lucro e sempre em benefício dos empregados.
Quanto à parte do salário paga em pecúnia, dispõe o art. 464, parágrafo único, da CLT, in verbis:
Art. 464. Parágrafo único. Terá força de recibo o comprovante de depósito em conta bancária, aberta para esse fim em nome de cada empregado, com o consentimento deste, em estabelecimento de crédito próximo ao local de trabalho.
Portanto, é lícito ao empregador pagar o salário devido ao empregado através de depósito bancário, desde que abra conta específica para este fim, com o consentimento do empregado, em estabelecimento bancário próximo ao local de trabalho.
Finalmente, o pagamento em cheque é admitido no meio urbano, desde que o empregador garanta ao empregado condições de descontar o cheque até o dia do vencimento.
6. SALÁRIO IN NATURA OU UTILIDADE
Consiste em bens, serviços ou produtos, suscetíveis de apreciação econômica, fornecidos pelo empregador para o empregado, em virtude do contrato de trabalho, de forma contraprestativa e com habitualidade. Dada a necessidade de ser contraprestativo, apenas se insere no conceito de salário utilidade o bem, serviço ou produto fornecido PELO trabalho e não PARA o trabalho.
	Analiticamente, pode-se dizer que a utilidade terá natureza salarial somente se:
a) for habitual, ou seja, for prestada ou fornecida repetidamente, de forma que o empregado crie expectativa em relação àquela parcela, passando a contar com o fornecimento da utilidade em seu cotidiano. 
b) for benéfica ao empregado: o fornecimento de bebida alcoólica, drogas, cigarro, entre outros agentes nocivos à saúde, não constituirá salário in natura, nos termos do art. 458, caput, da CLT, c/c a Súmula 367, II, do TST.c) tiver natureza de contraprestação: será salário in natura a utilidade fornecida PELO trabalho, e não aquela fornecida PARA o trabalho.  Diz-se que não tem natureza salarial a utilidade de uso híbrido.
Súm. 367. Utilidades in natura. Habitação. Energia elétrica. Veículo. Cigarro. Não integração ao salário. 
I – A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares.
d) a natureza salarial não for afastada por lei: em alguns casos o legislador, visando estimular a concessão de utilidades, retirou expressamente a sua natureza salarial. Neste sentido, o art. 458, § 2°, da CLT:
Art. 458. § 2° Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador:
I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço;
II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático;
III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público;
IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante seguro-saúde;
V – seguros de vida e de acidentes pessoais;
VI – previdência privada;
VII – (VETADO)
VIII – o valor correspondente ao vale-cultura.
Aqui, cumpre ressaltar a inclusão do parágrafo 5º ao artigo 458 pela Reforma trabalhista.
§ 5o  O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio ou não, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, próteses, órteses, despesas médico-hospitalares e outras similares, mesmo quando concedido em diferentes modalidades de planos e coberturas, não integram o salário do empregado para qualquer efeito nem o salário de contribuição, para efeitos do previsto na alínea q do § 9o do art. 28 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. 
Com a inserção desse dispositivo, o legislador da Reformista estabelece que todos os valores referentes à assistência prestada por serviço médico ou odontológico não integram o salário do empregado, inclusive no tocante ao reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, próteses, órteses, despesas médico-hospitalares e outras similares.
Esclarece-se que a modalidade de plano de saúde e as coberturas previstas não influenciam para a natureza da parcela que não integrará o salário do trabalhador. Com a nova previsão, é possível a concessão de plano de saúde cuja cobertura é parcial ou ainda que exija complementação do valor, ou seja, mesmo se necessário o pagamento em coparticipação, a parcela não será considerada salário in natura.
Além disso, o § 5° do art. 458 da CLT foi além e previu que o valor pago não deve ser considerado nem mesmo para o cálculo do salário de contribuição do trabalhador para fins previdenciários.
e) for gratuita: este requisito é extremamente polêmico na doutrina. A exemplo de alguns outros doutrinadores, a professora Vólia Bomfim Cassar defende a tese de que, se o empregado sofre desconto (desde que não seja em valor desprezível), em razão do fornecimento da utilidade, esta não terá natureza salarial.
Por outro lado, Maurício Godinho Delgado observa que este requisito seria apenas impróprio (e, portanto, não essencial), tendo em vista a dificuldade de se aferir, no caso concreto, se o valor do desconto é módico (mera simulação trabalhista) ou não. Outro argumento contrário seria a possibilidade de contingenciamento da vontade do empregado, quando da adesão ao fornecimento da utilidade subsidiada.
A relação de utilidades, constante do art. 458, caput, da CLT (alimentação, habitação, vestuário ou outras parcelas in natura), é meramente exemplificativa, admitindo-se o fornecimento de qualquer bem ou serviço (p. ex., viagem anual) que seja útil ao empregado, desde que atendidos os demais requisitos configuradores do salário-utilidade.
Contudo, não é possível pagar o empregado exclusivamente em utilidade, o empregador tem o dever de observância de pagamento de 30% do salário mínimo em pecúnia.
Art. 82 da CLT- Quando o empregador fornecer, in natura, uma ou mais das parcelas do salário mínimo, o salário em dinheiro será determinado pela fórmula Sd = Sm - P, em que Sd representa o salário em dinheiro, Sm o salário mínimo e P a soma dos valores daquelas parcelas na região, zona ou subzona.
Parágrafo único - O salário mínimo pago em dinheiro não será inferior a 30º/o (trinta por cento) do salário mínimo fixa do para a região, zona ou subzona.
OJ 18, SDC, TST: Os descontos efetuados com base em cláusula de acordo firmado entre as partes não podem ser superiores a 70% do salário base percebido pelo empregado, pois deve- se assegurar um mínimo de salário em espécie ao trabalhador.
A Consolidação das Leis Trabalhistas estabelece que devem ser respeitado os percentuais de 20% para alimentação e 25% para moradia, do salário contratual do empregado, para os trabalhadores urbanos.
Art. 458, § 3° - A habitação e a alimentação fornecidas como salário-utilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25°/o (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do salário-contratual.
	Para os empregados rurais (art. 9º, Lei 5.889/73) os percentuais são de 25% para alimentação e 20% para moradia, do salário mínimo.
Ademais, somente poderão ser descontadas as utilidades fornecidas mediante autorização expressa do empregado. As hipóteses legais de fornecimento de utilidade como parte do salário, ao contrário do que ocorre com o trabalhador urbano, são taxativas, limitando-se a moradia e alimentação “sadia e farta”.
Os percentuais sempre incidirão sobre o salário mínimo, ainda que o empregado ganhe mais que este valor.
	Vejamos como essa questão foi prevista para o empregador doméstico (LC 150/15):
Art. 18.  É vedado ao empregador doméstico efetuar descontos no salário do empregado por fornecimento de alimentação, vestuário, higiene ou moradia, bem como por despesas com transporte, hospedagem e alimentação em caso de acompanhamento em viagem. 
§ 1o  É facultado ao empregador efetuar descontos no salário do empregado em caso de adiantamento salarial e, mediante acordo escrito entre as partes, para a inclusão do empregado em planos de assistência médico-hospitalar e odontológica, de seguro e de previdência privada, não podendo a dedução ultrapassar 20% (vinte por cento) do salário. 
§ 2o  Poderão ser descontadas as despesas com moradia de que trata o caput deste artigo quando essa se referir a local diverso da residência em que ocorrer a prestação de serviço, desde que essa possibilidade tenha sido expressamente acordada entre as partes. 
§ 3o  As despesas referidas no caput deste artigo não têm natureza salarial nem se incorporam à remuneração para quaisquer efeitos. 
§ 4o  O fornecimento de moradia ao empregado doméstico na própria residência ou em morada anexa, de qualquer natureza, não gera ao empregado qualquer direito de posse ou de propriedade sobre a referida moradia. 
A utilidade, em regra, integra o salário do empregado pelo seu valor de mercado, ressalvadas as hipóteses em que o empregado é remunerado com o valor do salário mínimo nacional, hipótese na qual deverão ser observados os percentuais de lei.
Art. 458. § 1° Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário-mínimo (arts. 81 e 82).
Súmula 258 do TST: “Os valores atribuídos às prestações in natura deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário mínimo (arts. 81 e 82)” (art. 458, § 1°, da CLT), mas “os percentuais fixadosem lei relativos ao salário in natura apenas se referem às hipóteses em que o empregado percebe salário mínimo, apurando-se, nas demais, o real valor da utilidade”.
Tratando-se especificamente quanto à alimentação temos que nos termos da nova redação do art. 457, § 2°, da CLT, o auxílio-alimentação é parcela de natureza indenizatória. Além disso, o dispositivo veda seu pagamento em dinheiro. Em resumo: se o empregador conceder auxílio alimentação, não haverá integração ao salário, desde não seja realizado o pagamento em dinheiro. Quando concedida por meio de auxílio-alimentação, não integrará o salário. Contudo, mantém natureza salarial quando concedido o valor em dinheiro ou quando o empregador oferecer em contraprestação pelos serviços.
Diante de tal modificação, doutrina ressalta que a inclusão do auxílio-alimentação como verba de natureza indenizatória, faz com que a alimentação deixe, na maioria dos casos, de ser considerada salário in natura.
Anteriormente à Reforma Trabalhista o entendimento que prevalecia era no sentido de que o auxilio-alimentação fornecido através do Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT, não detinha natureza salarial. Nesse sentido:
OJ SDI 1 – Nº 413. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. ALTERAÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA. NORMA COLETIVA OU ADESÃO AO PAT. A pactuação em norma coletiva conferindo caráter indenizatório à verba “auxílio-alimentação” ou a adesão posterior do empregador ao Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT — não altera a natureza salarial da parcela, instituída anteriormente, para aqueles empregados que, habitualmente, já percebiam o benefício, a teor das Súmulas 51, I, e 241 do TST.
Entendimento em desconformidade com a Reforma Trabalhista: Súmula nº 241 do TST - SALÁRIO-UTILIDADE. ALIMENTAÇÃO. O vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais.
Nesse prisma, de acordo com posicionamentos doutrinários iniciais após a reforma, não será mais necessária a adesão ao PAT para a concessão do auxílio-alimentação, pois em todas as suas modalidades o auxílio-alimentação não terá natureza salarial. Dessa forma, o empregador pode conceder tíquete-refeição, tíquete-alimentação, alimentação in natura, vale-refeição, sem que essa parcela integra o salário e reflita nas demais verbas do contrato de trabalho.
ATENÇÃO: Parcelas que não são salário utilidade ou in natura:
1) Pela sua nocividade: Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas - art. 458 da CLT -; assim como o cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde - súmula 367, lI, do TST.
2) Pela finalidade principal do bem ou serviço: Habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho (ou seja, são fornecidos PARA o trabalho), não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares - Súmula 367, 1 do TST.
3) Por determinação legal: o legislador quis incentivar a concessão de determinadas utilidades pelo empregador. O art. 458, §2°, da CLT retira a natureza salarial dessas parcelas.
	OBSERVAÇÕES ACERCA DO VALE-TRANSPORTE:
Em relação ao transporte destinado ao percurso casa/trabalho/casa do empregado, também constitui hipótese de fornecimento para o trabalho. Assim, o vale-transporte não tem natureza salarial.
O vale-transporte é direito do trabalhador urbano, rural e doméstico, e visa custear as despesas de deslocamento no percurso residência/trabalho e trabalho/residência, através de transporte coletivo público urbano, intermunicipal ou interestadual, consoante dispõe o art. 1° da Lei n° 7.418/1985. O empregador, entretanto, não é obrigado a custear o transporte do trabalhador em transporte seletivo ou especial (art. 3°, parágrafo único, do Decreto n° 95.247/1987).
Caso o empregador forneça diretamente o transporte ao empregado (seja através de veículo próprio, seja por meio de fretamento), fica naturalmente desobrigado de fornecer o vale-transporte.
Para que faça jus ao benefício o empregado deve optar pelo recebimento do vale-transporte, bem como declarar que satisfaz os requisitos legais, ou seja, que realmente precisa utilizar transporte coletivo público para chegar ao local de trabalho (art. 7° do Decreto n° 95.247/1987).
Tem predominado na jurisprudência a atribuição ao empregador do ônus de provar que o empregado não satisfaz os requisitos legais para recebimento do vale-transporte.
Em consonância com esse entendimento, o seguinte julgado recente do TST:
Recurso de revista. Vale-transporte. Ônus da prova. 1. A SBDI-1 do TST vem decidindo que, em razão do princípio da aptidão da prova, impõe-se ao empregador, diante da inequívoca condução do contrato de trabalho, a comprovação de que o empregado não preenche os requisitos necessários à obtenção do vale-transporte. Precedentes. 2. Recurso de revista de que se conhece e a que se dá provimento (TST, 4a Turma, RR-24331-97.2013.5.24.0066, Rel. Min. João Oreste Dalazen, DEJT 26.09.2014).
O art. 5° do Decreto n° 95.247/1987 dispõe que “é vedado ao empregador substituir o vale-transporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento (…)”. Assim, em princípio não é válida a prática de conceder o vale-transporte em dinheiro ao empregado, mas a jurisprudência o tem admitido, sem que a parcela passe, por isso, a ter natureza salarial. Neste sentido, os seguintes arestos:
Agravo de instrumento. Recurso de revista. Vale-transporte. Pagamento em dinheiro. Natureza jurídica. Contribuição previdenciária. Incidência indevida. A decisão do Tribunal Regional não enseja recurso de revista, por estar de acordo com a jurisprudência iterativa e atual desta Corte no sentido de que o vale-transporte pago em dinheiro não tem natureza salarial tampouco constitui base de incidência de contribuição previdenciária. Agravo de instrumento a que se nega provimento (TST, 4aTurma, AIRR-63700-53.2008.5.02.0465, Rel. Min. Fernando Eizo Ono, DEJT07.03.2014)
Admite-se, da mesma forma, e sem maiores controvérsias, a prestação em dinheiro ao empregado doméstico, dadas as peculiaridades da relação de emprego, inclusive a maior dificuldade do empregador doméstico para adquirir os vales.
O empregador pode descontar do salário do empregado até 6% de seu salário-base, a título de participação no custeio do vale-transporte (art. 4°, parágrafo único, da Lei n° 7.418/1985). Significa que, se os vales-transportes custaram menos de 6% do salário-base do empregado, cabe a ele custear toda a despesa. Se, ao contrário, custaram mais de 6%, o desconto é limitado a este percentual, e o empregador deve pagar a diferença. 
Advirta-se que o vale-transporte é uma opção do trabalhador, que pode preferir não recebê-lo, até porque participará de seu custeio através de desconto salarial.
Finalmente, prevê o art. 7°, § 3°, do Decreto n° 95.247/1987, que a declaração falsa, seja em relação ao endereço, ou ainda acerca da necessidade do uso do vale-transporte, bem como o uso indevido do benefício, constituem falta grave, que pode ensejar a dispensa motivada.
#ATENÇÃO Quanto à possibilidade de a norma coletiva, além de estipular a obrigatoriedade de concessão de determinada utilidade, estabelecer a natureza indenizatória desta prestação, ou seja, retirar-lhe a natureza salarial e os reflexos daí decorrentes, o TST tende a aceitá-la, notadamente em relação à alimentação. Neste sentido, a OJ 123, da SDI-1:
OJ-SDI1-123. Bancários. Ajuda alimentação. A ajuda alimentação prevista em norma coletiva em decorrência de prestação de horas extras tem natureza indenizatória e, por isso, não integra o salário do empregado bancário.
7. TEMPO DE PAGAMENTO DO SALÁRIO
O PAGAMENTO DO SALÁRIO pode ser ajustado sob diversas formas, seja por módulo de tempo, por produção, ou por tarefa.
O salário é pago por unidade de tempo quando se refere ao período trabalhado pelo empregado (ou em que este se colocou àdisposição do empregador). Pode o salário por unidade de tempo ser objeto de estipulação por mês (mais comum), por quinzena, por semana, por dia, ou por hora. Excepcionalmente, como no caso do pagamento por comissões, pode o salário ser pago por módulo temporal superior ao mês.
Nesta modalidade, não interessa a produtividade do empregado, e sim apenas o passar do tempo, colocando-se o empregado à disposição do empregador ao longo desta unidade de tempo predeterminada.
O salário por produção (ou por unidade de obra) é calculado a partir do número de unidades produzidas pelo empregado. Não interessa quanto tempo o empregado gastou para produzir x peças, e sim o número de peças produzidas, sendo que seu salário resultará da multiplicação do total da produção pelo valor unitário da peça produzida. Tal valor fixo estipulado por peça produzida é denominado tarifa.
Ao estipular o pagamento do salário por produção o empregador se submete a dois limites, a saber:
a) Deve garantir o salário mínimo mensalmente ao empregado, independentemente do resultado da produção.
b) O empregador não pode, na prática, reduzir drasticamente a quantidade de trabalho oferecida ao empregado, provocando redução importante no seu patamar salarial.
O salário por tarefa é pago pela combinação do critério de unidade de tempo com o critério de unidade de obra (produção), de forma que o empregado tem determinada tarefa para cumprir em uma dada unidade de tempo. Cumprida a tarefa neste tempo, das duas, uma: ou o empregado é dispensado do serviço até o fim da unidade de tempo; ou continua trabalhando e é remunerado destacadamente por este acréscimo de produção.
A estipulação do salário, qualquer que seja a modalidade empregada (por unidade de tempo, por unidade de obra ou por tarefa), deve obedecer ao disposto no art. 459 da CLT:
Art. 459. O pagamento do salário, qualquer que seja a modalidade do trabalho, não deve ser estipulado por período superior a 1 (um) mês, salvo no que concerne a comissões, percentagens e gratificações.
§ 1° Quando o pagamento houver sido estipulado por mês, deverá ser efetuado, o mais tardar, até o quinto dia útil do mês subsequente ao vencido.
As comissões e percentagens devem, em princípio, ser pagas mensalmente, mas poderão as partes, mediante acordo individual (ou seja, entre empregador e empregado), estipular outra periodicidade, que será, no máximo, trimestral, nos termos do disposto no art. 4° da Lei n° 3.207/1957. 
Súm. 381. Correção monetária. Salário. Art. 459 da CLT. O pagamento dos salários até o 5° dia útil do mês subsequente ao vencido não está sujeito à correção monetária. Se essa data limite for ultrapassada, incidirá o índice da correção monetária do mês subsequente ao da prestação dos serviços, a partir do dia 1°.
Portanto, se o salário for pago no prazo legal, não há se falar em correção monetária. Esta incidirá, entretanto, caso houver atraso no pagamento, a partir do dia em que o salário é “adquirido”, ou seja, a partir do primeiro dia do mês subsequente àquele em que os serviços foram prestados.
O empregador que deixa de pagar o salário no prazo legal encontra-se em débito salarial, conforme dispõe o art. 1°, parágrafo único, do Decreto-Lei n° 368/1968. 
Por sua vez, considera-se em mora contumaz o empregador que deixa de pagar os salários por período igual ou superior a três meses, sem motivo grave e relevante (art. 2°, § 1°).
O objetivo do Decreto-Lei n° 368/1968 é imputar ao empregador que se encontra em débito salarial ou mora contumaz restrições de direitos, ante a gravidade do ato de sonegar aos seus empregados parcelas cuja natureza é alimentar. Assim, o art. 1° dispõe sobre os efeitos do débito salarial:
Art. 1° A empresa em débito salarial com seus empregados não poderá:
I – pagar honorário, gratificação, pro labore ou qualquer outro tipo de retribuição ou retirada a seus diretores, sócios, gerentes ou titulares da firma individual;
II – distribuir quaisquer lucros, bonificações, dividendos ou interesses a seus sócios, titulares, acionistas, ou membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos;
III – ser dissolvida.
Em relação à empresa que se encontra em situação de mora contumaz, além das proibições do art. 1°, não poderá ser favorecida com qualquer benefício de natureza fiscal, tributária ou financeira, por parte de órgãos da União, dos Estados ou dos Municípios, ou de que estes participem (art. 2°, caput).
Há que se esclarecer, por fim, que a mora salarial constitui hipótese de rescisão indireta do contrato de trabalho, nos termos do art. 483, “d”, da CLT. Consoante a Súmula 13 do TST, “o só pagamento dos salários atrasados em audiência não ilide a mora capaz de determinar a rescisão do contrato de trabalho.”.
8. LOCAL E FORMA DE PAGAMENTO DO SALÁRIO
As regras quanto à forma e ao local de pagamento do salário constam dos arts. 464 e 465 da CLT:
Art. 464. O pagamento do salário deverá ser efetuado contra recibo, assinado pelo empregado; em se tratando de analfabeto, mediante sua impressão digital, ou, não sendo esta possível, a seu rogo.
Parágrafo único. Terá força de recibo o comprovante de depósito em conta bancária, aberta para esse fim em nome de cada empregado, com o consentimento deste, em estabelecimento de crédito próximo ao local de trabalho.
Art. 465. O pagamento dos salários será efetuado em dia útil e no local do trabalho, dentro do horário do serviço ou imediatamente após o encerramento deste, salvo quando efetuado por depósito em conta bancária, observado o disposto no artigo anterior.
9. DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO
	DIPLOMA
	DISPOSITIVO
	CLT
	82, 457, 458, 459 462, 463, 464 e 465
	Sumulas TST
	91, 143, 354, 358, 258, 367, 381
	CF
	7º
	OJ´s
	71 (SDI-II), 123 (SDI-I)
	OJ´s SDC
	18
	Decreto n° 95.247/1987
	Integralmente
10. BIBLIOGRAFIA
CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018.
CORREIA, Henrique. Direito do Trabalho. São Paulo: Editora Juspodvim, 2017.
CORREIA, Henrique; MIESSA, Élisson. Manual da Reforma Trabalhista: comentários artigo por artigo. São Paulo: Editora Juspodvim, 2018.
DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: LTr Editora, 2019.
LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de direito do trabalho. 11. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019.
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