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Daniela Martins Pimenta 2023/2024 Faculdade de Farmácia de Universidade de Coimbra 4º ano 2º semestre 2 Registo de medicamentos Regulamentação europeia O registo e aprovação de medicamentos para o espaço comunitário obriga à definição de regras iguais para todos os estados-membros (EM). A vantagem é que todos os cidadãos têm acesso a medicamentos com a mesma qualidade. É necessário que haja: Uniformidade de critérios de submissão* e avaliação** (UE+ Islândia, Noruega e Liechtenstein); Calendários iguais/idênticos*** (calendários de autorização); Decisões iguais com possível recurso (por parte da empresa). *quando submetemos qualquer tipo de recomendação (ex: pedido AIM) as empresas sabem quais são as regras que devem seguir na UE. No entanto, pode haver algumas nuances: tamanho da embalagem, nome do produto, entre muitos outros. **há necessidade da existência de guidelines para que a avaliação seja feita de forma uniforme nos vários estados-membros. No entanto, a interpretação feita por pessoas diferentes pode ser diferente ou até mesmo a pessoa ter maior sensibilidade numa área do que a outra. Assim, por muito que se queira uniformidade da avaliação vão ocorrer situações em que isto não acontece. ***a partir do momento que uma empresa submete o pedido AIM sabe exatamente o calendário que vai ter, se não ocorrer clock stops (paragens na contagem do tempo, pedidas pela empresa) há um tempo limite para que haja a aprovação (tempo que tende a ser igual nos países membros). A Agência Europeia de Medicamento (EMEA, agora EMA) foi criada em 1995, em acordo ao Regulamento (CEE) Nº 2309/93 do Conselho, de 22 de julho de 1993. A EMA desenvolveu-se devido à criação do Sistema Europeu de Autorização de Medicamentos, em particular os Procedimentos Centralizados, Procedimentos Descentralizados (DCP) e Procedimentos de Reconhecimento Mútuo (MRP) – processos europeus. A sua principal responsabilidade é garantir a defesa da saúde pública e animal. As funções da EMA incluem: Coordenar os recursos científicos das AREM – Cada Estado Membro tem um regulador do medicamento, no caso de Portugal o INFARMED, que é responsável por coordenar os recursos científicos; Recomendar programas de ID; Dar informações a utentes e profissionais; Gerir os processos centralizados; Controlar a segurança dos medicamentos. A EMA funciona como uma rede que congrega os recursos científicos dos estados-membros da EU e do EEE-EFTA de maneira a assegurar o mais elevado nível de qualidade na avaliação e controlo de medicamentos na Europa. Funciona com comités, tal como, o CHMP (Committee for Medicinal Products for Human Use), sendo este comité a entidade científica perita na avaliação de medicamentos, com base na qualidade, segurança e eficácia. É o CHMP que permite: Avaliação inicial dos PC; Ligação a Working Parties; Referrals – situações diferentes de opinião entre estados-membros. Exemplo: para um EM o medicamento A têm um problema de qualidade, mas os outros estados informam que para eles está tudo bem (um EM não deve condicionar a opinião dos restantes). O CHMP é importante nestas situações; Avaliação de Alterações e Extensões (linha) centralizadas; Avaliação de Risk Assessment – consiste numa avaliação de risco. Exemplo: injetáveis que são colocados no mercado sem ensaios de esterilidade, mas em toda a sua produção foi garantida a esterilidade, assim garantimos o risco de 1 em 1 milhão. Em qualquer produto farmacêutico há a avaliação de risco. O CHMP divide-se depois em vários grupos de trabalho permanentes: 1) Quality Working Party (QWP); 2) Efficacy Working Party (EWP); 3) Safety Working Party (SWP); 4) Biotechnology Working Party (BWP). Enquanto farmacêuticos, o mais relevante para nós é o QWP, responsável por tudo o que é qualidade de medicamentos, nomeadamente: Preparação, revisão e atualização de Guidelines; Aconselhamento científico; Resolução de diferendos nacionais na avaliação; Ligação entre partes envolvidas; Ligação com partners europeus (ex: EDQM). Outras Agências Agências nacionais sediadas em cada um dos Estados-Membros, com articulação direta com a EMA. O INFARMED é a entidade responsável pela Autorização de Introdução no Mercado (AIM) nacional dos Medicamentos de Uso Humano. Como em Portugal é membro da UE, a aprovação de medicamentos rege-se pelas normas e procedimentos que compõem o sistema europeu de regulação desta área. INFARMED لا Em Portugal, o INFARMED é o responsável pelas várias fases do medicamento (incluindo AIM). A avaliação do dossiê, feita pelo INFARMED, tem em conta os mesmos aspetos que os restantes EM e, por isso, permite-nos “abrir a porta” ao reconhecimento do medicamento noutros países. Quando um medicamento vem, por exemplo da Índia, não é necessário enviar 1 pessoa de cada EM para lá. Normalmente há um país que fica responsável, e como a avaliação é feita seguido as normas da UE então essa avaliação é válida nos restantes países membro. As principais direções incluem: Direção de Avaliação de Medicamentos (DAM); Direção de Produtos de Saúde (DPS) (ex: medical advices); Direção de Inspeção e Licenciamentos (DIL); Direção de Comprovação da Qualidade (DCQ); Direção de Avaliação das Tecnologias de Saúde (DATS); Direção de Gestão de Informação e Comunicação (DGIC); Direção de Informação e Planeamento Estratégico (DIPE). Registo de Medicamentos na União Europeia I. Legislação aplicável A legislação Europeia (Eudralex), inclui informações acerca de instruções aos requerentes (site Infarmed), de guidelines, de boas práticas de fabrico (BPF), da legislação europeia (conforme indicado) e de Notice to Applicants. 5 Guidelines de qualidade As guidelines científicas da Agência Europeia de Medicamentos, sobre a qualidade dos medicamentos para uso humano, ajudam os requerentes a preparar os pedidos de autorização de introdução no mercado (AIM). Estas refletem uma abordagem harmonizada dos Estados-Membros da UE e da agência sobre a forma de interpretar e aplicar os requisitos para a demonstração da qualidade, segurança e eficácia estabelecidos nas diretivas comunitárias. A agência encoraja vivamente os requerentes e os titulares de autorizações de introdução no mercado (MHA) a seguirem estas guidelines. Os requerentes devem justificar integralmente os desvios às guidelines nos seus pedidos no momento da apresentação. Antes disso, devem procurar aconselhamento científico para discutir quaisquer desvios propostos durante o desenvolvimento do medicamento O Gabinete de Aconselhamento Regulamentar e Científico (GARC) presta aconselhamento regulamentar e científico aos setores farmacêutico (…), em matérias relacionadas com a conceção, o fabrico e a monitorização de medicamentos. A cooperação e o diálogo entre as empresas e o INFARMED constituem uma mais-valia quer para as empresas, quer para o INFARMED, permitindo a prestação de esclarecimentos essenciais para a otimização das submissões nacionais e europeias. A solicitação de Scientific advice previne erros de interpretação, particularmente em tipos de produtos mais específicos ou onde as dúvidas regulamentares são maiores*. Em casos de formas farmacêuticas mais complexas, a empresa pode aconselhar-se com a autoridade do estado-membro para evitar problemas no futuro. *exemplo de equivalência para um genérico tópico – a agência tem de dar informação para evitar ocorrência de erros. O parecer emitido pelo GARC não é vinculativo em relação às decisões finais dos processos em que o INFARMED está envolvido. A adoção das mesmas normas e protocolos por todos os EM, permitirá às AR pronunciar-se com base em ensaios harmonizados, evitando divergênciasde apreciação. 6 II. Procedimentos de registo Um medicamento apenas poderá ser comercializado na UE quando uma AIM tiver sido concedida pela autoridade sanitária competente (AR) de um EM (circulação nesse EM) ou pela EMA (circulação no espaço UE). NOTA: Atenção ao comercializado!! Não poderia estar utilizado, pois se for um medicamento experimental ele pode não ter AIM e também há exceções, tal como, o uso off laybel. As exceções (de acordo com a Diretiva 2001/83/EEC) incluem: Fórmula magistral; Fórmula oficinal (farmacopeia); Medicamentos para ID; Produto intermédio; Sangue total ou derivados. No entanto, existem casos específicos, nomeadamente: Medicamentos imunológicos; Radiofármacos; Derivados do sangue e plasma; Obtenção por “alta tecnologia”; Homeopáticos. Quem está autorizado a submeter um pedido de AIM? Apenas se pode conceder uma AIM a um requerente sedeado no EEE (Espaço Económico Europeu). Responsabilidade pela informação técnica – O requerente ou titular de AIM é responsável pela exatidão dos documentos e dos dados que apresenta. Exemplo: existe uma empresa brasileira que quer comercializar um produto em Portugal. Essa empresa não pertence ao EEE e como tal não está autorizada a submeter um pedido de AIM cá. A empresa brasileira tem de arranjar um partener, alguém que seja o seu requerente no EEE e é esse requerente que fica responsável perante o INFARMED. Isto é, o requerente no EEE é quem faz ligação entre o futuro detentor da AIM e a Agência Regulamentar. i. Processo Nacional No caso de se pretender que o medicamento seja aprovado para colocação no mercado de um Estado Membro será utilizado um procedimento puramente nacional. O registo nacional deve seguir as mesmas regras que qualquer outro procedimento, exceto no respeita aos Países envolvidos. 7 As especificações incluem: Aprovação rápida (nalguns EM); Não há decisões centrais da EU; RCM nacional; Alterações a nível nacional. Na avaliação estão envolvidos peritos de diferentes áreas, a CAM (sessão plenária), gestores do produto e a atualização técnico científica, através de subcomissões, QWP. Durante o pedido de AIM a DAM poderá notificar o requerente para que apresente esclarecimentos relativos à documentação de suporte ou documentação adicional. Relativamente ao indeferimento: a) O requerente é notificado; b) Dado conhecimento dos fundamentos; c) Início do procedimento de Audiência Prévia; d) No prazo de 10 dias úteis, o requerente apresenta argumentos; e) Não é aceite documentação adicional (imaginando que temos uma API com falhas detetadas, como por exemplo, presença de impurezas. A empresa pode argumentar a favor daquilo que colocou no pedido, mas não pode dizer que vai então optar por outro mecanismo de síntese para obter um valor de impurezas diferentes. ii. Reconhecimento Mútuo Quando uma empesa farmacêutica pretende comercializar um medicamento em mais de um EM pode recorrer ao Reconhecimento Mútuo, solicitando ao segundo EM ou seguintes, que no prazo de 90 dias, reconheçam mutuamente a AIM concedida pelo EMR. A empresa vai solicitar a outras agências que reconheçam aquilo que uma um dia já fez. Supondo que submeto em Portugal um pedido de AIM e que agora quero colocar o produto também na Espanha. Se quisermos registar esse mesmo produto na Espanha temos de optar por um Reconhecimento Mútuo, ou seja, a empresa vai solicitar à autoridade espanhola que reconheça aquilo que um dia o INFARMED aprovou. Existe, ainda, uma nuance. Supondo que temos o produto A aprovado em Portugal e, se quisermos manter o nome deste produto em Espanha (produto A) vamos obrigatoriamente seguir a via do reconhecimento mútuo. 8 Mas podemos também submeter em Espanha com outro nome, ou seja, em vez de chamar produto A passar a chamar produto B, apesar de ser igual ao A. Isto faz com que o produto B não tenha AIM em lado nenhum, ao contrário do A, e por isso não pode seguir o reconhecimento mútuo. Existem três diferentes passos: 1. Obtenção de AIM num EM da UE (esse EM passa a ser denominado por EMR); 2. Comunicação com EMR – supondo que o produto está em Portugal e que se quer submeter em Espanha então a empresa portuguesa tem de comunicar essa intenção ao INFARMED. 3. Reavaliação da documentação que sustenta a AIM do EMR – o INFARMED vai realizar uma reavaliação do documento. Apesar dos titulares da AIM serem obrigados a atualizar cientificamente a documentação, mas, no entanto, essa empresa demora mais algum tempo e, por isso, pode ter uma documentação que hoje já não é válida, mas já o foi. Como o INFARMED, ou outra agência qualquer, não pode ficar “mal vista” pela outra agência terá de haver esta reavaliação para garantir que a informação que segue para o outro país é a mais atual possível (às vezes em apenas 2/3 meses surge novas informações que têm de ser colocadas no AIM). Os objetivos incluem: • facilitar a autorização de um mesmo produto em 2 ou mais EM, sob as mesmas condições (mercado único com livre movimento de mercadorias); • obrigatório quando se pretende o mesmo registo em mais do que um EM. É possível também haver uma “second wave”, isto é, primeiro é feito o pedido para colocar em 4 países e depois é feito um outro pedido para colocar em mais 5 países (estes números são exemplos). Através do método do reconhecimento mútuo podemos colocar o produto nos 27 EM (+3) ou apenas em 1 (é quantos quisermos). Os pré-requisitos para RM são os seguintes: o Informar o EM que será EMR; o Solicitar ao EMR um Assement Report (90 dias): Este AR tem de ser positivo para seguir para a frente. 9 o O EMR envio o AR aos restantes CMS: Os locais onde queremos colocar o produto (CMS) vão avaliar a documentação do processo mais o AR. o Garantir documentação igual à aprovada ao EMR (ou incluir alterações aprovadas após primeira AIM elaborando documento consolidado): É normal que um produto que já esteja no mercado há 10 anos tenha uma AIM que já tenha sofrido algumas alterações feitas pela empresa. Nesses casos, para além da documentação inicial vai ser necessário submeter também todas as alterações que foram feitas (ex: métodos analíticos, especificações…). o Garantir igual RCM; o Indicar CMS envolvidos; o Provar que detém AIM no EMR; o Indicar pedidos noutros países. Em relação ao calendário: Dia -5: validação regulamentar; Dia 0: pedido válido, inicia-se o processo; Dia 50: comentários dos CMS: o As agências regulamentares dos países onde se quer colocar o produto vão avaliar a informação e vão formar questões, apesar do produto de já estar aprovado num país. Dia 65: resposta da querente às questões: o Resposta por parte do querente às questões feitas pelos CMS. Dia 75: resolução de questões; Dia 85: posição final dos CMS; Dia 90: aprovação ou rejeição dos CMS: o Teoricamente, se tudo correr como previsto, ao dia 90 o produto seria aprovado ou rejeitado nos CMS. Os calendários são seguidos por todos os EM, no entanto do -5 ao 0 pode demorar 1 ano, isto se houver clock stops (o mesmo pode acontecer entre outros dias). Estes dias incluem fins de semanas, feriados (exceto o Natal). No que consta à aprovação, quando a conclusão final é positiva, é emitida uma AIM nacional para o medicamento. Após a receção da notificação de finalização do procedimento emitida pelo EMR, o requerente deve submeter as traduções dos textos finais do RCM, Folheto Informativo e Rotulagem no prazo de 5 dias. 10 Por fim, falando da opinião negativa, o procedimento é remetido ao grupo Co-ordination Group for Mutual Recognition and Decentralised Procedures – Human, para o início de um procedimento de arbitragem. Da inexistência de consenso pode ocorrer várias situações: Cancelamento AIM inicial; “Eliminar” os CMS com problemas: o Vejamoso seguinte exemplo: estamos a tentar aprovar uma AIM em 10 países, mas 1 desses países começa a levantar muitas questões e problemas e, por isso, não quer muito aceitar este produto. Isto faz com que o produto tivesse de seguir um procedimento de arbitragem. Assim, para evitar o cancelamento da AIM inicial a empresa pode optar por “eliminar” os CMS problemáticos, ou seja, neste caso, em vez de submeter em 10 submete apenas em 9. “Commitments”: o Outra opção é a empresa se comprometer a fazer algo que foi pedido por outro local. iii. Processo descentralizado (DCP) Atualmente é dos mais utilizados pelas empresas: Não existe AIM em nenhum EM; Avaliação simultânea em todos os EM (envolvidos); Escolha do EMR pelo requerente (como optar); Fase de pré-procedimento. As funções do EMR, incluem: * 70 dias para elaborar o PrAR; * Circulação do PrAR, RCM, FI pelos EM. Não existe AIM em nenhum EM e, por isso, a empresa que quer submeter a AIM (ex: em 6 países) vai selecionar um país dos quais quer submeter e vai escolhê-lo para ser EMR. Muitas vezes este país escolhido para ser a “locomotiva” do processo tem características importantes (rapidez e qualidade da avaliação, taxas, rankings) e dos quais a empresa pode beneficiar. Assim, a empresa entra em contacto 9 com o EM e pede-lhe para ser o EMR. A este EMR é entregue uma cópia da documentação, assim como aos restantes CMS. Todos os CMS começam a avaliar independentemente a documentação. O EM tem aqui uma particularidade, pois para além de fazer essa avaliação vai ter de 11 realizar um PrAR (assement report preliminar), ou seja, colocar a sua avaliação num relatório. Este PrAR vai circular pelos EM envolvidos (mais o RCM, Folheto Informativo). O PrAR é formado por avaliações de cada uma das secções do CTD. Normalmente, surgem questões pelos vários EM, e são identificados 2 tipos de questões: questões major (PSRPH) e questões minor (points to clarification). A questões major, mesmo que um EM seja descartado, permanece. As funções dos CMS são as seguintes: Avaliação crítica do PrAR; Recomendações sobre RCM, FI; Testes de legibilidade: o Colocar um grupo de pessoas a ler e verificar se essas percebem o que está no folheto informativo. Caso não seja entendido os textos do FI têm de ser alterados. Entrega de comentários e questões ao EMR: o Cada CMS avalia a documentação e faz uma lista das suas questões. Como cada país faz esta lista de forma independente é normal que surgem questões semelhantes e por isso o EMR faz um triagem/fusão das questões vindas de todo os países. Adicionalmente as funções dos CMS/EMR são: Avaliação conjunta; Redação do AR final; Harmonização do texto público; Publicitação do AR: o Procedimento a adotar para centralizados e RM. Em relação ao faseamento, existem duas fases. Na Fase I ocorre a elaboração do AR final, e a Fase II é semelhante ao RM. iv. Processo centralizado “É efetuada uma avaliação única (CHMP). Se a eficácia, segurança e qualidade forem provadas, adota-se uma posição positiva que é endereçada à Comissão que transforma a decisão numa AIM única, válida para toda a UE”. É um procedimento que é da responsabilidade da EMA. Quem vai dar a AIM ao produto é a Comissão Europeia, ou seja, trata-se de uma autorização para os EM (27 +3). ✓ Vantagem: uma única AIM aparece em 27 + 3 países em simultâneo se for aprovada. × Desvantagem: caso seja reprovada a AIM não é aprovada em nenhum país. 12 Mecanismo de avaliação “É selecionado um perito relator e um co-relator, que procedem a uma avaliação independente. O relatório de avaliação é aprovado pelo comité científico, e com base nele a Comissão Europeia toma uma Decisão.” É escolhido um EM para ser o relator e outro para ser co-relator. A EMA decide quem vai ser o relator e co-relator. Supondo que a EMA nomeia a Alemanha como relator e Portugal como co-relator então estes países vão escolher um grupo de peritos para avaliar aquela informação de forma independente. Depois é nomeado um Peer review (outro EM) que vai avaliar os AR da Alemanha e de Portugal e vai chegar à conclusão que se há 200 questões de um lado e 200 outros há também algumas que podem ser fundidas e, por isso, passar de 400 questões para um valor inferior. Atualmente existe também um perito (Peer review) da EMA que atua neste procedimento. Processo centralizado O processo centralizado tem 2 vias, a obrigatória ou não obrigatória: Obrigatório para novas moléculas ou produtos obtidos por biotecnologia – O processo é obrigatório para os medicamentos órfãos e para qualquer medicamento que contenha uma substância ativa inteiramente nova e cujas indicações incluam SIDA, neoplasias, doenças degenerativas, diabetes, doenças autoimunes e outras disfunções imunitárias, doenças virais. Opção de requerente (para inovadores): o Alguns processos biotecnológicos; o Modo de administração inovador; o Indicação inteiramente nova; o Novos derivados do sangue; o Processo de fabrico inovador: o Substância ativa nova (inexistente em qualquer EM). Cada EM pode definir as indicações e o tipo de embalagem que farão parte do SNS para efeitos de comparticipação. Calendarização: a) Relatório de avaliação do Relator e do Co-relator até ao dia 70; b) Relatório de avaliação do CPMP até ao dia 120; 13 c) Relatório de avaliação sobre alterações até ao dia 180; d) Resultado da avaliação pelo CPMP até ao dia 210; e) Relatório de avaliação de acesso público. Resumindo: Centralizado: biotecnologia, medicamento órfão, indicação obrigatória. RM: 1º utilização, 2nd wave. Descentralizado: indicar CMS e EMR, 2nd wave. Nacional. 14 III. Tipos de registo Os registos podem ser processos completos (“stand alone”) ou processos resumidos. Processos completos – Apresenta resultados de ensaios próprios de: Ensaios clínicos; Farmacológicos e toxicológicos; Físico-químicos, biológicos e microbiológicos (qualidade). Tem “3 pegas” e por isso aguenta-se sozinho, daí a designação de “stand alone”. Aplica-se mais para produtos novos. Processos resumidos – Estes processos não exigem estudos farmacológicos e toxicológicos se se tratar de: genérico, uso bem estabelecidos, combinação fixa, consentimento informado, híbridos, biológico similar, medicamentos à base de plantas. – Estes processos como não exigem os estudos farmacológicos e toxicológicos não se aguentam sozinhos e, por isso, são dependentes de outros, caso contrário caem. Medicamento genérico “Um medicamento genérico é um medicamento com a mesma substância ativa*, forma farmacêutica**, dosagem e com a mesma indicação terapêutica*** que o medicamento original, de marca, que serviu de referência…” *é necessário indicar o sal, polimorfo, éster…pois têm de ter a mesma identidade físico-química. Por exemplo, o diclofenac de sódio não é igual ao diclofenac de etilamónio e, por isso, as propriedades físicoquímicas não são iguais. **pode não ser a mesma forma farmacêutica pois se tivermos perante formas farmacêuticas orais de libertação imediata podemos ter um genérico cuja forma farmacêutica é outra. Exemplo: se a minha forma farmacêutica for de administração oral de libertação imediata cuja substância ativa se dissolve 85% aos 15 minutos não há grande coisa a impactar a dissolução. Assim, podemos comparar uma cápsula a um comprimido. Assim, pode já estar no mercado sob a forma de comprimido e o genérico surgir na forma de cápsula. ***o genérico deve ter as mesmas indicações terapêuticas que o de referência ou menos. Nunca pode é ter mais indicações que o de referência. 15 Eurogenéricos – se quiser usar como referência um medicamento que está aprovado na Polónia, mas não em Portugal é possível. “Para o qual se demonstroubiodisponibilidade (BD), por estudos de bioequivalência (BE) adequados …” “ou, quando estes não forem adequados, equivalência terapêutica por meio de estudos de farmacologia clínica apropriados* ou outros (equivalência farmacêutica) a solicitar pelo INFARMED”. No caso dos tópicos não pode haver bioequivalência, uma vez que não estão na corrente sistémica, não apresentando absorção. Neste tipo de casos podemos fazer um estudo de equivalência terapêutica. Também pode haver situações em que é necessário realizar uma equivalência farmacêutica. Por exemplo, no caso de soluções orais de um API que é altamente solúvel, é possível optar pela equivalência farmacêutica (para isso é necessário que tenha a mesma viscosidade, mesmos componentes, é uma solução, substância classe I BD/BE…). Exceções BD/BE 1. Dosagens diferentes: BE demonstrada para uma das dosagens e biowaiver para as restantes: a. Mesmo processo de fabrico; b. Composição qualitativa das diferentes dosagens deverá ser a mesma; c. Composição quantitativa deverá ser isométrica entre dosagens (com exceção de excipientes não críticos) ou “look alike”); d. A equivalência das diferentes dosagens deverá ser devidamente comprovada in vitro para as restantes dosagens. Por lei, teríamos de fazer bioequivalência para 10,20, 40,80 mg. No entanto, se demonstrarmos que estas 4 dosagens são estequiométricas, ou seja, a 20 é o dobro da 10 e assim sucessivamente, temos uma exceção BD/BE. Devemos agarrar na que mostrou bioequivalência e vamos fazer estudos de dissolução comparativa com as outras dosagens. 2. Soluções orais: Se o medicamento de referência for uma solução podemos pedir a isenção da bioequivalência, desde que a concentração de API seja a mesma em ambas e a solução teste não pode conter nenhum 16 excipiente que altere. Por exemplo, o sorbitol é um dos excipientes com impacto. Se a formulação tiver sorbitol isso pode ter impacto no tempo de residência pois o sorbitol aumenta o peristaltismo, que por sua vez diminui a absorção. Assim, os tempos de residência são diferentes e, por isso, os medicamentos não podem ser considerados bioequivalentes. 3. Preparações parenterais (soluções**): Uma solução endovenosa tem de demostrar que as soluções são muito iguais ou parecidas. Aqui não há o problema da complexidade da formulação uma vez que muitas só contém água, API, soda caustica e ácido sulfúrico. No caso das soluções verdadeiras endovenosas não é necessário fazer bioequivalência. No entanto, se as soluções não forem verdadeiras, mas sim micelares (ou seja, para além das substâncias mencionadas em cima tiveram também surfactantes) já é necessário fazer bioequivalência pois o tamanho das micelas pode ter impacto na biodisponibilidade e bioequivalência. 4. Tópicos: demostração de identidade farmacêutica; 5. Gases para inalação. Exceções BD/BE – equivalência farmacêutica É necessário avaliar: Propriedades físico-químicas: o Não só do API, mas também dos excipientes. Propriedades tecnológicas: o Mesmo sendo soluções orais de libertação imediata as tecnologias utilizadas podem ter impacto. Atributos microbiológicos. Perfil de impurezas: o É necessário saber quais as impurezas e o máximo das mesmas que são detetadas no de referência e no genérico. Os testes podem ser diferentes pois a API pode vir de fabricantes diferentes e por isso as impurezas de síntese podem ser diferentes. As impurezas intrínsecas já serão semelhantes. 17 Especificidades de acesso ao mercado Genéricos – medicamentos genéricos relativos aos de referência, que está ou esteve no mercado há 6/10 anos. Um medicamento genérico pode apenas ser introduzido no mercado assim que todas as patentes e certificados complementares de proteção (SPCs) do produto originador tiverem expirado. Medicamento de referência – medicamento que foi autorizado com base em documentação completa, incluindo resultados de ensaios farmacêuticos, pré-clínicos e clínicos servindo de referência para efeitos de concessão de uma autorização de introdução no mercado de um medicamento genérico. Exclusividade de dados – um MG apenas pode ser submetido após 8 anos decorridos da data de AIM do medicamento de referência. Exclusividade de mercado – no entanto, apenas 10 anos após a AIM do medicamento de referência o MG pode entrar no mercado. Extensível por mais 1 ano – caso a referência tenha conseguido uma autorização, durante os 8 anos de exclusividade de dados, para uma ou mais indicações terapêuticas novas. Uso bem estabelecido Este medicamento não pode substituir o medicamento de referência. “…dispensado de apresentar os ensaios pré-clínicos e clínicos previstos na alínea i) do nº2 do artigo 15º se puder demonstrar que as substâncias ativas do medicamento têm tido um uso clínico bem estabelecido na Comunidade Europeia há, pelo menos, 10 anos, com eficácia reconhecida e um nível de segurança aceitável…”. No entanto, embora a guideline fala de substâncias ativas, os regulamentaristas querem mais o produto acabado o que torna muito complicado este processo. Exemplo: Há medicamentos que saíram para o mercado com apenas nomes diferentes. O uso bem estabelecido consiste em produtos que são muito bem conhecidos e, por isso, não são necessários estudos de bioequivalência. Se quisermos colocar o paracetamol no mercado como genérico somos obrigados a mostrar bioequivalência. No entanto, se quisermos colocar o paracetamol com um nome diferente no mercado podemos colocá-lo no mercado através do uso bem estabelecido. Assim, como esta SA é tão bem conhecido não é necessário realizar estudos de toxicologia. 18 O uso bem estabelecido obriga a: Uso terapêutico bem determinado; Eficácia reconhecida; Segurança aceitável. É necessária comprovação por documentação científica atualizada. Combinações fixas Consiste numa combinação de 2 ou mais API, já aprovados isoladamente, numa única forma farmacêutica. Uma combinação fixa deve demonstrar vantagens sobre a administração isolada de cada uma das substâncias ativas e ser sustentada em princípios terapêuticos válidos, ou seja, é necessário demonstrar: Eficácia superior ou igual eficácia e superior segurança; Compliance. Guideline on fixed combination Products O registo assenta em dois passos: 1. Quando correspondem a combinações já largamente usadas, pode submeter-se uma revisão bibliográfica sustentada em substituição dos Módulos 4 e 5 (ensaios pré-clínicos e clínicos, respetivamente). 2. Se a combinação é essencialmente nova (novas API’s ou composição quantitativa não usual), a documentação requerida é igual a um novo medicamento. Consentimento informado O titular da AIM do medicamento original consente a outra empresa que esta recorra à documentação farmacológica, toxicológica ou clínica constante do processo original. Assim uma empresa dá essa informação a outra empresa. É vantajoso pois a empresa que fornece a documentação pode exigir que a substância ativa seja comprada a eles. Caso a empresa que receba a documentação não o cumpra esta exigência vai ter impacto a nível do perfil das impurezas. 19 Híbridos O mercado de referência pode ter dosagens de 10,20,40 mg, mas nós podemos querer fazer um produto com 30 mg. Não pode ser considerado genérico pois não tem a mesma dosagem do medicamento de referência e passa a se denominar híbrido uma vez que depende, em parte, dos resultados dos ensaios de teste do medicamento de “referência” e, em parte, de dados novos apresentados. No entanto, se falássemos de uma dosagem de 60 mg já seria mais complicado. Para efetuar o pedido do híbrido é necessário indicar: Medicamento de “referência” na EU; Medicamento “referência” no País; Medicamento usado na BD/BE (se existir); Diferença relativamente ao de “referência”. Para além da dosagem podehaver outras diferenças, tais como: Alteração da via de administração: o O genérico tinha de ter a mesma via de administração e, por isso, nestes casos temos de lhes chamar híbridos. Alteração da forma farmacêutica: o Podemos transformar uma solução de aplicação tópica numa solução tópica em pulverizador. Neste caso também não podia ser genérico uma vez que a forma farmacêutica não é a mesma. Alterações na(s) substância(s) ativa(s); Alterações das indicações terapêuticas; Alteração da dosagem; BE não pode ser demonstrada por estudos de BD. Biossimilar A substância ativa de um medicamento biossimilar e a do seu medicamento biológico de referência é essencialmente a mesma, embora possam existir diferenças menores devido à sua natureza complexa e aos métodos de produção. 20 Tal como o medicamento biológico de referência, o medicamento biossimilar apresenta um grau de variabilidade natural. É basicamente um genérico de um biológico. Neste caso, é mais difícil mostrar bioequivalência. No entanto, o biossimilar pode ser submetido num processo mais resumido. Medicamentos Tradicionais à base de plantas Pode recorrer-se a informação consolidada baseada na experiência deste tipo de produtos. Extensão de linha Alteração de valor equivalente a uma nova AIM, pressupondo a apresentação de um novo pedido de AIM. ,Modificações na substância ativa (éster لا isómero). Dosagem, Forma farmacêutica, via de لا administração. Esta extensão em linha é para todo o tipo de produtos que já estejam no mercado, não estamos a submeter pela primeira vez. Exemplo: um produto que está no mercado em comprimidos e cápsulas e queremos meter agora em creme (tópico). Não podemos confundir com os híbridos, este aqui trata- se de extensão de linha que estão no mercado, não estamos a submeter a primeira vez. A extensão em linha é valida para qualquer produto que já tenha sido aprovado por qualquer procedimento, até para genéricos. Destes tipos de registos, os mais relevantes são: genéricos, os usos bem estabelecidos e os híbridos Caducidade Qualquer autorização não utilizada durante 3 anos consecutivos, que não tenha entrado no mercado dos EM, deve ser considerada caducada, salvo se razões de saúde pública o justificarem. Comercialização efetiva: disponibilização de medicamentos em locais de dispensa ao público, em quantidade suficiente para abastecer o mercado nacional durante um período contínuo não inferior a um ano. Exceções: razões não imputáveis ao titular AIM ou “motivo justificado” (exemplo: falta de alumínio no mercado para fazer os blisters). 21 Submissão AIM Toda a documentação relativa a pedidos de AIM deverá ser entregue em formato eletrónico (CD- Rom) e em ficheiros PDF, RTF, DOC ou EXEL. O formato da documentação de suporte ao pedido será apresentado sempre no formato CTD e em suporte eletrónico, de acordo com as instruções próprias. Casos particulares 1. AUE: Autorização de utilização especial A utilização Especial de Medicamentos reveste-se de caráter excecional e carece de autorização prévia a conceder pelo Instituto Nacional de Farmácia e do Medicamento (INFARMED). Exemplo: rapariga da fibrose quística. São considerados imprescindíveis, mediante justificação clínica, ao tratamento ou ao diagnóstico de determinadas patologias. Destinam-se exclusivamente à investigação e ensaios clínicos. Só pode ser concedida a instituições de Saúde com autorização de aquisição direta de medicamentos. 2. Medicamentos órfãos São medicamentos que se destinam ao diagnóstico, prevenção ou tratamento de uma patologia (lifetreatning ou debilitante crónica) que afeta até 5 por 10000 pessoas. Possui uma exclusividade de mercado de 10 anos. Têm apoio da EMEA na elaboração de protocolos/ensaios e isenção do pagamento de taxas. 3. Medicamentos para ensaios clínicos ou Medicamentos Experimentais a. Conceitos O medicamento experimental é uma forma farmacêutica de uma substância ativa ou placebo, testada ou utilizada como referência num ensaio clínico. i. Medicamentos com AIM Utilizados ou preparados, de modo diverso da forma autorizada. Utilizados para uma indicação não autorizada. Destinados a obter mais informações sobre a forma autorizada. ii. Medicamento comparador – Medicamento já autorizado ou placebo, que sirva de comparador para efeitos (clínicos, toxicológicos) que se queiram provar. 22 iii. Placebo – Placebo para ensaios cegos. iv. Medicação suporte – Medicamentos imprescindíveis aos elementos do grupo. b. Realização de Ensaios Clínicos A realização de ensaios clínicos em Portugal carece de autorização prévia do CD do INFARMED e é obrigatoriamente precedida de parecer favorável da CEIC. A autorização concedida pelo INFARMED e pela CEIC para a realização de um EC é apenas válida para realização desse ensaio em Portugal. c. Documentação – Procedimentos 1) DME completo O promotor deve submeter ao INFARMED um DME completo, sempre que não tenha submetido previamente qualquer informação sobre a substância química ou biológica em causa e sempre que não lhe seja possível fazer referência cruzada à informação submetida por outro promotor, relativamente à mesma substância. 2) DME simplificado É possível submeter um DME simplificado quando a informação relativa ao ME tiver sido avaliada previamente em qualquer dos seguintes contextos: AIM concedida num qualquer EM. Pedido de AEC ao INFARMED com o mesmo ME. 3) DME – Qualidade Organização – realizada pela CTD. Libertação de lotes – de acordo com o Anexo 13 às BPF relativo ao fabrico de ME. Através da verificação que o fabrico se efetuou em cumprimento com as BPF ou normas pelo menos equivalentes. Quem pode ser a pessoa qualificada? No caso do fabrico ou importação de países terceiros, será um licenciado em Ciências Farmacêuticas com título de especialista em Indústria Farmacêutica. Responsável pelo Certificado de Libertação dos Lotes (“Qualified Person”). No caso do controlo de qualidade de ME, será um licenciado em Ciências Farmacêuticas, com experiência em controlo de qualidade. Responsável pela emissão de Certificados de Análise dos Lotes. 23 d. GMP aplicadas a ME Os medicamentos experimentais são medicamentos, e, por isso, devem ser produzidos de acordo com as GMP. Razões pelas quais é mais complexo trabalho com ME’s: Ausência de rotinas fixas; Variedade design dos EC e embalagem primária; Necessidade de aleatorização e blinders; Risco aumentado de contaminação cruzada; Desconhecimento exato da potência e toxicidade; Falta de validação completa do processo. Relativamente às especificidades: ϟ Produção – Problemas semelhantes a outros produtos, com particularidades: o Falta de experiência prévia (um problema?); o Validação de esterilização (scale-up); o Acondicionamento primário (unbliding!). ϟ Caso particular dos comparadores – Produtos modificados: o Comparação de estabilidade, dissolução, BD/BE; o Prazo de validade pode já não ser aplicável; o Estabilidade in us. Documentação de registo de medicamentos International Conference on Harmonization Objetivos da harmonização Eliminação de atrasos inúteis no desenvolvimento dos medicamentos. Eliminação da duplicação de estudos para permitir uma utilização mais económica e mais ética dos recursos humanos, animais e materiais. Disponibilizar mais rapidamente os medicamentos para os doentes. Consequências da harmonização Um único dossier redigido numa única língua e formatação única – COMMON TECHNICAL DOCUMENT (CTD), ou seja, é uma documentação que vai ser igual para qualquer país aquando submissão de pedidos de AIM. 24 Uma avaliação que é (tende a ser) reconhecida entre os EM, e uma informação harmonizada em todos os tipos de registo. Organização da documentação A documentação vem, normalmente, dividida em 5 módulos:• Módulo 1 (Administrativos); • Módulo 2 (Resumos); • Módulo 3 (Qualidade); • Módulo 4 (Rel. não clínicos); • Módulo 5 (Estudos clínicos). Esta organização facilita muito a vida para as empresas que estão a construir o dossiê, mas também para quem o avalia. Cada módulo é depois dividido em várias secções que tornam fácil a procura de informação. Alguns pedidos de AIM podem não ter o módulo 5 e/ou o módulo 4 (ex: medicamentos a base de plantas, biossimilares…). Todos têm, obrigatoriamente, o módulo 1, módulo e o módulo 3 (este é o mais “farmacêutico”). Módulo 1 – informações administrativas 1. Índice geral (módulo 1 ao módulo 5). 2. Formulário do pedido. 3. Resumo das características do medicamento (RCM) Rotulagem e FI. 4. Informação dos peritos. 5. Requisitos adicionais. 6. Avaliação risco ambiental. 7. Exclusividade (órfãos). Anexos. O módulo 1 divide-se em várias secções e é também constituído por anexos. Módulo 1. Seção 1.2 : Formulário Neste módulo podemos encontrar informação sobre: Tipo de procedimento: centralizado, DCP, MRP, Nacional; Tipo de pedido: completo, abreviado (especificar); Referência: MR, medicamento usado nos estudos BE: o O medicamento de referência pode não ser o mesmo que foi usado nos estudos de BE. 25 Fabricantes: fabricante(s) granel, libertador de lote, acondicionamento primário e secundário, controlo de lotes, fabricante(s) API e intermédios/SM: o Normalmente, esta cadeia de fabrico pode envolver muitas empresas uma vez que podemos ter empresas para cada uma das etapas. Tipo de produto: API, forma farmacêutica, dosagem, via de administração, embalagens propostas - primária(s), nº unidade. Fluxograma: outros pedidos – aprovados, recusados, fora da EU. Módulo 1. Seção 1.3. – Textos Neste módulo encontramos: RCM – normalmente em língua nacional (PN) ou inglês (DCP); Folheto Informativo – proposta de texto a inscrever no FI; Rótulos – “Mock-ups” das embalagens: o As embalagens secundárias vão depender do país no qual o medicamento é comercializado uma vez que diferentes países têm exigências diferentes. o Avalia-se muitas vezes as cores das embalagens. Gravações – alumínio, ampolas: o As gravações que estão por trás do alumínio podem conter erros major. o Nos blisters com picotados, cada alvéolo deve conter, pelo menos, o nome e a dosagem do fármaco. Módulo 1. Seção 1.4. – Peritos Identificação dos peritos (CV). Relação contratual. Uma empresa é obrigada a ter um perito externo que avalie a sua documentação. Módulo 1. Seção 1.2. – Anexos É subdivida em várias seções: 1.5. Specific requirements for Different Types of Applications: ✓ No caso de estarmos a submeter um medicamento genérico é nesta seção que se deve deixar claro que a patente do medicamento de referência já acabou. 26 1.7. Information relating to Orphan Market Exclusivity: ✓ Nos termos do artigo 8.º do Regulamento (CE) n.º 141/2000 e do artigo 3.º do Regulamento (CE) n.º 847/2000 da Comissão, sempre que um medicamento órfão tenha sido autorizado para a condição que abrange a indicação terapêutica proposta requerida, e um período de a 23 exclusividade de mercado está em vigor, uma possível semelhança* deve ser discutida com o(s) medicamento(s) órfão(s) autorizado(s). ✓ Isto significa que um genérico de um medicamento aprovado com uma indicação órfã não pode reclamar essa indicação órfã enquanto não terminar o período da patente. Nessa altura, a empresa deve demonstrar que a molécula que está a submeter não tem nenhuma indicação órfã que já tenha sido aprovada. Isto é feito através de uma avaliação de não similaridade, ou seja, é necessário mostrar que a molécula não é igual no mecanismo de ação, na indicação terapêutica ou na estrutura química. Anexos Comprovativo do pagamento da taxa; Carta de consentimento informado do Titular de Autorização de Introdução no Mercado do medicamento autorizado; Prova de que o requerente está sedeado no EEE; Certificação GMP para cada um dos locais envolvidos; Autorização de fabrico requerida (EU, MRA): o Todas as empresas na cadeia de fabrico necessitam de autorização de fabrico ou então uma certificação GMP. o MRA – são acordos comerciais que visam facilitar o acesso ao mercado e incentivar uma maior harmonização internacional dos padrões de conformidade, protegendo a segurança do consumidor. Beneficiam as autoridades reguladoras pois reduz a duplicação das inspeções em cada território, permitindo maior foco em locais que podem ter um maior risco. Fluxograma indicando todos os locais envolvidos no processo de fabrico e controlo do medicamento e da substância ativa; Carta(s) de acesso ao(s) Active Substance Master File(s) ou cópia do(s) Certificado(s) de Conformidade da Farmacopeia Europeia: o A SA vem de um ou vários fabricantes. No entanto, esse fabricante não vende essa substância ativa apenas a uma empresa. Ao comprar a SA a esse fabricante este tem de 27 garantir que aquilo que está a vender é de qualidade. Isso é feito através de um dossiê técnico que contem toda a informação, exceto a confidencial, da SA (é dada a parte aberta). o A parte fechada do dossiê (informação confidencial) é entregue à autoridade regulamentar do país em causa. o No entanto, a empresa tem de ter uma confirmação de que o fabricante entregou realmente essa documentação, pelo que necessita de receber uma cópia da carta de acesso que deu à autoridade regulamentar. Cópia de declaração escrita do fabricante da substância ativa comprometendo-se a informar o requerente no caso de alteração do processo de fabrico ou das especificações, de acordo com o Anexo I da Diretiva 2001/83/CE. Módulo 2 – Resumos 1. Índice do CTD (módulos 2-5); 2. Introdução; 3. Sumário geral de qualidade (módulo 3); 4. Avaliação crítica pré-clínica; 5. Avaliação crítica clínica; 6. Sumário pré-clínico; 7. Sumário clínico. Módulo 3 – Qualidade O módulo 3 pode ser dividido em 4 grandes blocos: S: substância(s) ativa(s); P: produto acabado; R: informação regional; A: anexos. Cada módulo divide-se em várias seções. Assim, garante-se que a informação fica organizada e que se torna mais simples realizar a avaliação da documentação. 28 Substância ativa – Aspetos gerais Classificação (regulamentar) das substâncias ativas i. Novas substâncias ativas: As exigências para substâncias ativas novas constam da NfG Chesmistry of the active substance; A informação relativa a estas substâncias pode ser facultada como parte da documentação da AIM ou usando um ASMF. ii. SA existentes não incluídas na FE ou FEM: Muito comum com as SA com menos de 10 anos pois é o tempo que demoram a chegar à farmacopeia europeia; As exigências são iguais às descritas para SA novas; Particularidades: Informação relativa à prova de estrutura pode ser omitida; Conduzir ensaio de identificação por comparação a padrão de referência; Identificação de polimorfos baseado numa patente pública. iii. SA existentes incluídas na FE ou FEM: Possuem monografia na FE ou FEM; Conformar com as exigências da monografia. Uso de especificações farmacopeias: A monografia pode não ser suficiente Métodos analíticos farmacopeicos: Métodos podem ter de ser validados. Adoção “obrigatória” da monografia FE sempre que exista. Classificação consoante a origem i. Inorgânicas Deve ser demonstrado se o fabricante usa um processo que possa levar à presença de impurezas não adequadamente controladas na monografia. Neste caso devem ser anexados testes suplementares para a sua deteção e quantificação. Exemplos: cloreto de sódio, sais de alumínio, etc. 29 ii. Vegetais ou preparações vegetais Demonstrar que o fabricante utiliza um processo de cultivo que não leva ao aparecimentode impurezas não consideradas na monografia (resíduos de pesticidas, fumigantes). Nestas situações devem-se incluir metodologias analíticas (validadas) que permitam a deteção e quantificação destes resíduos iii. Orgânicas (extraídas de matéria animal ou humana) Informação detalhada sobre a recolha, tratamento e conservação do material biológico. Incluir metodologias para assegurar a ausência de microrganismos patogénicos. Dados de estabilidade a incluir de acordo com as exigências de um ASMF. iv. Orgânicas (sintetizadas ou extraídas) Poderão ocorrer impurezas não devidamente descritas na monografia, uma vez que se relacionam com o processo de síntese de um dado fabricante. Em todos os casos deve ser comprovada a adequação das especificações com as descritas na Farmacopeia. Como comprovar a qualidade? Existem várias maneiras de comprovar a qualidade: ASMF, COS, Monografia Farmacopeica/interna e dados do fabricante. ASMF (Active Substance Master File) A informação deve ser fornecida de acordo com a NfG European Drug Master File/ASMF procedures, isto é, respeitando os módulos 3.2.S do CTD. Os fabricantes de API que usem ASMF devem, pois, respeitar a organização CTD. A documentação da substância ativa tem duas vertentes. Contem uma parte fechada, mas também uma parte aberta. Pode-se impor aqui algumas especificações do produto. Exemplo: Para mim o meu paracetamol tem de vir com um grau de pureza muito elevado pois mais tarde vou utilizar isto em injetáveis. Como se trata de um medicamento de baixa dosagem tem de ter um tamanho de partícula adequado. Assim, o fabricante do produto acabado vai criar também um módulo 3.2.S com características próprias do API que se vai utilizar. 30 Parte do Requerente (Parte aberta ou AP – Applicant’s Part) Inclui todas as seções: informações gerais, fabrico (apenas 3.2.S.2.1 e parte de 3.2.S.2.2), caracterização, controlo de qualidade, padrões de referência, acondicionamento e estabilidade. O QOS discute a informação. Parte do fabricante (Parte Fechada ou RP – Restricted Part) Descrição detalhada do processo de fabrico. CQ durante o fabrico. Validação do processo. QOS separado avalia a informação constante da parte restrita. Módulo 3.2.S – Fabricante API (de 3.2.S.1 a 3.2.S.7) Aberto ou “OP” ou “AP”: 3.2.S.1; 3.2.S.2.1; 3.2.S.3; 3.2.S.4; 3.2.S.5; 3.2.S.6 e 3.2.S.7 – A parte aberta inclui todas as secções. Fechada ou “CP” ou “RP”: 3.2.S.2.2; 3.2.S.2.3; 3.2.S.2.4; 3.2.S.2.5 e 3.2.S.2.6 – A parte fechada está relacionada com a síntese química/fabrico. Módulo 3.2.S – Fabricante de produto acabado Secção 3.2. – Documentação 3.2.S Substância ativa ☆ 3.2.S.1 Informação geral Módulo a incluir mesmo que exista COS. Ɣ 3.2.S.1.1. Nomenclatura Ƞ Nome internacional recomendado, código interno (código quando a substância ainda estava em fase experimental ), outras designações, nº CAS. Ɣ 3.2.S.1.2. Estrutura Ƞ Fórmula molecular, peso molecular relativo e fórmula de estrutura (indicação sais/ésteres se for o caso). 31 Ɣ 3.2.S.1.3. Propriedades gerais Ƞ Solubilidade – este ensaio deve ser sempre feito a nível aquoso e outros meios. É importante para se obter o perfil de solubilidade. Ƞ Higroscopicidade – se a higroscopicidade for maior então mais tarde na fase de fabrico temos de escolher salas adequadas ao nível de humidade. Ƞ Polimorfismo – é necessário avaliar os polimorfos pois uns podem ser tóxicos e aí têm de estar em quantidades vestigiais para serem tratadas como impurezas. O polimorfo pode “vir” do método de fabrico. Ƞ Outras: pH, pKa, ponto de fusão, potencial isomerismo. ☆ 3.2.S.2. Fabrico A parte S2 inclui as informações dos fabricantes até ao desenvolvimento do processo de síntese: Ɣ 3.2.S.2.1.Fabricante(s); Ɣ 3.2.S.2.2.Descrição da síntese e controlo intermédios; Ɣ 3.2.S.2.3.Controlo de reagentes; Ɣ 3.2.S.2.4.Controlo de passos críticos; Ɣ 3.2.S.2.5.Validação do processo; Ɣ 3.2.S.2.6.Desenvolvimento do processo de síntese. Na descrição da síntese temos 2 documentos: 1 para quem está a comprar a SA (contem informação do género A+B = C) e outro para a autoridade regulamentar com mais dados (ex: A+B nas condições Y = C). Parte aberta: 3.2.S.2.1 Fabricante(s); 3.2.S.2.2. Descrição da síntese e controlo intermédios. Parte fechada: É feita uma descrição detalhada da síntese, controlo de reagentes, controlo de passos críticos, validação do processo, desenvolvimento do processo de síntese. Ɣ 3.2.S.2.1 Fabricante(s) Deve(m) ser indicado(s) o(s) fabricante(s). Nesta parte é necessário fazer: Indicação precisa do local de fabrico, endereço do responsável pelo fabrico, identificação dos locais لا onde ocorram os passos de síntese. ,Indicar os locais responsáveis por fases específicas (starting materials, micronização, esterilização لا etc): 32 Ƞ Se a substância for obrigatoriamente estéril, para poder ser usado no produto acabado, tem de vir obrigatoriamente estéril. Assim, o fabricante tem de indicar quais são os locais em que é feita a esterilização. Ɣ 3.2.S.2.2. Descrição da síntese e controlo intermédios Em S.2.2. vamos encontrar 2 partes: uma aberta e outra fechada. A parte aberta descreve a síntese como A+B=C, C+D=CD. A parte fechada, que é enviada para a agência, recebe outra informação. A informação é mais completa e, por isso, recebe informação do género: o reagente A com as características a, reagindo sob as condições xx e nas quantidades yy com B pode dar AB, sendo que AB tem um rendimento de fase na ordem dos 80%. Esta informação é muito mais pormenorizada que a informação dada na parte aberta, mas mesmo assim continua a haver algum segredo. Assim, nesta parte é necessário: Apresentar o fluxograma de síntese, narrativa detalhada de cada uma das fases, resultados de لا análise de lotes de fabrico, reprocessamentos, purificação. .Indicar a escala de produção e rendimento de fases لا .Descrever e justificar quaisquer processos de síntese alternativos (parciais ou totais) لا Ɣ 3.2.S.2.3. Controlo de materiais A seção 2.3. é uma seção na qual é feito o controlo dos materiais que entram na síntese, e é preciso distinguir os grandes tipos de materiais pois eles têm pesos e importância diferentes. Assim, por ordem decrescente temos: 1. Starting materials. 2. Outros materiais (caso dos intermediários). 3. Solventes e auxiliares de processo. Starting materials Parte totalmente fechada. Em termos regulamentares o que é um “starting material” e porque é tão importante? Qual a razão de tanta confusão que se gera na avaliação e submissão de dossiês? Um starting material é um componente estrutural complexo que faz parte da estrutura final da substância 33 ativa. A razão pela qual se coloca tanto enfase nesta definição advém do facto de já termos visto anteriormente que podemos fazer uma síntese com “pedaços” vindos de vários lados, assim, quando dizemos que na incluímos na síntese um starting material isso significa que a partir da utilização dele temos de respeitar GMP. Isto tem uma enorme relevância pois não podemos comprar “bocado de moléculas” a qualquer lado. Não podemos ter um fornecedor qualquer a entregar “bocados de molécula” pois na obtenção do starting material, sendo uma molécula complexa que faz parte da estrutura da molécula de API final, temos de garantir que esse material vem com um nível de exigência de produção muito elevado e que é trabalhado sobre o ambiente de GMP. Ao garantir que quem produziu o starting material fê-lo cumprindo as GMP podemos então ficar mais descansados e assim dizer “estas partes estruturais da molécula que eu vou comprar ao fabricante A e B e que depois vão justar foram feitas de acordo com aquilo que são os princípios básicos da produção em ambiente farmacêutico”. Embora não haja uma definição correta de startingmaterial podemos considerar que: Deve ser uma substância com propriedades químicas estruturalmente definidas e que entram como parte significa estrutural da substância ativa. Intermediários Os intermediários formam-se durante a síntese, e são estruturas que nos ajudam a avaliar e controlar o teor/perfil de impurezas. Avaliar as impurezas ao longo do processo é extremamente importante para garantir que no final obtemos o teor de impurezas mais baixo possível. Solventes e auxiliares do processo Os solventes orgânicos correspondem a todos os solventes. Um exemplo de um auxiliar de processo é o carvão atividade ou catalisadores. Para estes solventes devem ser identificados os fornecedores e as especificações. O problema surge exatamente aqui, pois o ser significante, ou não, varia consoante a visão de cada um. 34 Casos particulares: Starting material é uma API definida (que pode ter COS): Exemplo: Obtenção da desloratadina a partir da loratadina → neste caso o starting material é a loratadina que já tem AIM ou já está presente no mercado e, por isso, é uma situação diferente. Starting material é fabricado pelo próprio fabricante de API O problema surge exatamente aqui pois o ser significante ou não varia consoante a visão de cada um: Quando o próprio starting material é fabricado pelo fabricante de API (raro) o próprio fabricante do API é o responsável pelo fabrico do starting material. Possível SM para uma API/diferentes fabricantes. Um só fabricante/várias vias de síntese. Ɣ 3.2.S.2.4 Controlo de passos críticos Nesta seção é feito: Identificação e justificação dos parâmetros considerados críticos, especificações propostas para لا avaliação em processo, especificações dos intermédios e testes gerais. ,Relatório de análise de lotes em desenvolvimento (impurezas: orgânicas, inorgânicas, solventes لا genotóxicas, elementares). É uma parte mais restrita. Os passos críticos não são os mesmos para todos os produtos. A temperatura numa mistura pode ou não ser crítica. A temperatura a que é feita a mistura pode لا ser crítica se a SA for sensível a mais de 30⁰C. No entanto, para uma SA que não tem problema se a temperatura for de 60⁰C então esse passo já não é considerado crítico. A micronização pode ser crítica nos casos em que o aumento da área de superfície resulta em لا problemas de oxidações que não existiram se o produto não fosse micronizado. Outros exemplos de passos críticos: .Formação ou purga (eliminação) de impurezas chave لا .Inclusão de elementos estruturais (grupos funcionais críticos) لا .Passos que exigem controlo estrito de parâmetros de processo (temp, pH…) لا :Inclusão de estruturas genotóxicas لا 35 Ƞ O metanol e etanol formam facilmente metóxidos e etóxidos que são estruturas complexas em termos de genotoxicidade. No entanto, são necessários para a síntese, motivo pelo qual devem depois ser removidos .Reações químicas complexas لا :Purificação final لا Ƞ É uma fase crítica para obter a SA pura e é uma fase fundamental no controlo de qualidade da SA Nesta fase é também necessário definir as especificações. Ɣ 3.2.S.2.5 Validação de processos (de síntese) Os passos críticos necessitam de ser definidos e validados. É necessário incluir os limites de validação na descrição do processo. No caso de SA estéreis é necessário incluir a validação da esterilização e do processo estéril. Ɣ 3.2.S.2.6 Desenvolvimento do processo de fabrico Apresentar a descrição e a discussão das alterações significativas ao processo durante o desenvolvimento desde os estudos não clínicos até à produção. Prova de “conceito” entre lotes laboratoriais/piloto-industriais. Em medicamentos experimentais é muito comum. Muitas vezes estes até são as partes mais robustas do dossiê. Quando não foi feito nada coloca-se NA (not aplicate). ☆ 3.2.S.3 Caracterização Ɣ 3.2.S.3.1. Elucidação da estrutura e outras características Procede-se à evidência da estrutura química através de resultados como a identificação espectral (IV, UV, 1H NMR, 13C NMR, massa), XRD, TGA, análise elementar. Ɣ 3.2.S.3.2. Impurezas Nunca conseguimos obter uma SA que não contenha impurezas. Tendo por base isto o que temos de fazer é limitá-las. Assim, nesta temos parte de fazer: Identificação das potenciais impurezas de لا síntese, confirmação estrutural e espectral das mesmas, fase de síntese onde se utilizaram e limites admitidos. Demonstração de eliminação ou, se لا presentes, propor limites. A SA tem impurezas que são da própria substância, independentemente do método de fabrico. Existem também impurezas que aparecem ao longo do processo de síntese que é usado por cada fabricante. No final de uma síntese é impossível ter uma SA isenta de impurezas, ou seja, 100% puro. É a partir deste pressuposto que se pensa em quais são as fases em que as impurezas se formam, como é que as podemos eliminar e no caso de não ser possível é então necessário definir os limites de aceitação. Este é um motivo pela qual muitas das SA que já estão em fase final de desenvolvimento não conseguem passar para a fase dos ensaios clínicos. É necessário também fazer uma demonstração da eliminação ou se não se conseguir eliminar é necessário demonstrar que se tentou, mas não se conseguiu. Classificação de impurezas (Guidelines ICH) :Impurezas orgânicas (processo e substâncias relacionadas) لا Ƞ Matérias-primas (starting materials); Ƞ Produtos relacionados (by-products); Ƞ Produtos intermédios; Ƞ Produtos de degradação. :Impurezas inorgânicas لا Ƞ Reagentes e catalisadores; Ƞ Metais pesados; Ƞ Sais inorgânicos; Ƞ Outros materiais (auxiliares de filtração e carvão ativado). .Solventes residuais لا .Impurezas genotóxicas لا Impurezas elementares لا Caracterização de impurezas orgânicas £ Impurezas de teor igual ou acima do limite de identificação devem ser identificadas. £ Quando a impureza não pode ser caracterizada, descrevem-se os estudos realizados e os resultados obtidos. £ Abaixo dos limites de identificação não é necessário caracterizar, mas devem ser desenvolvidos métodos analíticos para as impurezas potentes capazes de produzir efeitos farmacológicos ou toxicológicos. 37 £ Apresentar justificação para a inclusão ou exclusão de impurezas nas especificações (caso particular de evidência de eliminação). £ As especificações devem incluir impurezas específicas conhecidas e impurezas específicas não conhecidas acima do limite de identificação e impurezas totais. £ Para as substâncias ativas farmacopeicas pode ser mencionado que o perfil é compatível ao das substâncias existentes no mercado (obriga a comparação de “perfil de impurezas”). £ Impurezas que sejam metabolitos significativos não necessitam de qualificação. A maior parte das matérias-primas que utilizamos são sintéticas e, por isso, as impurezas orgânicas são as que mais aparecem. Podem resultar do processo de síntese ou estarem relacionadas com a própria SA. As impurezas orgânicas são, normalmente, o somatório das 4 origens referidas acima e é necessário “olhar para trás” e pensar onde é que se pode atuar de forma a no final obter uma SA com o melhor perfil de impurezas possível. Existem 3 níveis para falar de impurezas orgânicas: ƴ Identificar uma impureza; ƴ Caracterizar uma impureza; ƴ Qualificar. O primeiro nível consiste em identificar uma impureza. A identificação da impureza pode não ser necessariamente a sua estrutura química, mas sim algo como “aparece um pico de HPLC aos 3:30”. Neste caso, estamos a identificar uma impureza que aparece sempre aos 3:30, mas não temos a estrutura dela, chamamos-lhe impureza identificada RTT 3:30 min. O segundo nível corresponde à caracterização da uma impureza. Nem sempre é possível caracterizar a impureza porque não a conhecemos e não podemos isolar. Quando é possível isolar a impurezapodemos fazer uma caracterização estrutural. Em primeiro lugar é necessário identificar a impureza, podendo dar-lhe um nome ou então tem RRT ou RF. De seguida, caracteriza-se estruturalmente a impureza. Quando conseguimos caracterizar a impureza, são aceitáveis valores até 0,10% (não inclusive), mas quando não é possível caracterizá- la então o seu teor deve ser inferior a 0,05%. 38 Percebe-se assim que se tivermos uma percentagem de 0,11% de uma impureza então não passa uma vez que de seguida seria necessário qualificar. Esta qualificação é importante quando embora a impureza está acima de 0,10% como não apresenta toxicidade o limite de aceitação pode ser maior. Impureza especificada: impureza que é referida nas especificações. A tabela das especificações é um parâmetro, é um limite e um método analítico. É possível que existam 33 impurezas, mas só sejam colocadas 4 nas especificações. Isto acontece, pois, só essas 4 é que são especificadas. As restantes não são colocadas pois sabemos que, em nenhuma dessas circunstâncias, essas impurezas se transformam em produtos de degradação e, por isso, nunca aumenta, ou seja, só se coloca na tabela das especificações as impurezas que podem aumentar. Para além de definir um limite máximo de uma dada impureza é necessário definir um valor total de impurezas. Métodos analíticos para identificação de impurezas orgânicas: Descrição dos métodos com indicação dos LOD e LOQ de cada impureza. Incluir cópias dos cromatogramas relevantes. O QOS deve justificar os limites das especificações, baseado nos resultados dos estudos de toxicologia, e os métodos de controlo em rotina. Caracterização de impurezas inorgânicas ʓ Deteção e quantificação de acordo com monografias farmacopeias: ¤ Através de técnicas como cinzas sulfúricas, metais pesados. ʓ Critérios de aceitação baseados nos padrões farmacopeicos ou em dados de segurança. ʓ Guideline de “Elemental impurities”: ¤ Refere que os elementos não são todos iguais. ¤ Há 4 grupos: Aa, Ab, 2 e 3. ¤ Grupo Aa: elementos mais tóxicos (chumbo, crómio): é necessário demonstrar que estes elementos não estão presentes em determinadas quantidades, que foram previamente determinadas. ¤ Grupo Ab: podem estar em limites superiores. ¤ Grupo 2: não têm grande problema pois muitas vezes até aparecem na água e alimentos (ex: cloro e fluor). 39 Caracterização de solventes residuais § Tentar remover o mais que possível. § Guideline ICH recomenda níveis de aceitação para os solventes residuais das substâncias ativas, se não for possível removê-los. § Carryover de solventes. É impossível fazer uma reação química sem utilizar solventes. No final, uma SA tem sempre solventes residuais, mesmo que tenham sido usados na primeira etapa de síntese e, por isso, é necessário olhar para o carryover de solventes, ou seja, para qual o solvente que foi usado nessas fases. Idealmente, ao longo do processo esse solvente teria sido removido, mas na verdade sabemos que não é removido 100% desse solvente. Assim, como forma de controlo é necessário seguir as guidelines que estabelecem os níveis em que o solvente pode estar presente e os níveis de perigosidade. Classes de solventes ¥ Classe 1 Conhecida ação carcinogénica, suspeita fundamentada de carcinogenicidade humana, contaminantes ambientais. Deve evitar-se. Particularidades: Uso como starting material (fases precoces). By-product de uma reação (Reação de Grignard). Contaminante de outros solventes. Demonstração de não contaminação: “Fate” de impurezas. Ensaio validade para teores abaixo de 2 ppm. Resultados em 6/3 lotes (valores < 30% do teor admitido). Nessa guideline os solventes são classificados em várias classes. Aqueles que pertencem à classe 1 são de evitar (é diferente de não utilizar). O benzeno é um exemplo de um solvente da classe 1 e o que a guideline refere é que quando este solvente tem de ser usado deve ser nas fases iniciais. Também pode acontecer ter de avaliar o benzeno sem nunca o ter de usar. Isto acontece, por exemplo, 40 quando é utilizado acetona ou tolueno uma vez que estes podem formar benzeno residual. Para a empresa demonstrar que não tem contaminação por algum solvente da classe 1 é necessário demonstrar como é que o solvente foi eliminado. Caso não seja possível eliminar temos então de garantir que no máximo existe 2 ppm de solvente (nível muito baixo). Caso use o benzeno ou algum contaminante do benzeno nas fases finais a empresa tem de fazer ensaios em todos os lotes e tem de demonstrar que não tem benzeno ou que esse se encontra a um nível inferior a 2 ppm. No entanto, poderá não ter de fazer em todos os lotes desde que, em 6 lotes pilotos em 3 indústrias se demonstre que os valores de 6 em 3 lotes estejam sempre 30% abaixo do valor admitido. Assim, se o valor admitido for de 100 ppm para aquele solvente, 30% são 30 ppm. Caso todos os lotes estejam abaixo dos 30% podemos solicitar o skipping test (teste que só é feito de x em x lotes). ¥ Classe 2 A maior parte dos solventes são deste tipo (ex: tolueno, acetato de etilo). São não genotóxicos, mas prováveis causadores de toxicidade irreversível (neurotoxicidade e teratogenicidade). Suspeição de outros significativos, mas reversíveis efeitos tóxicos. Particularidades: Muito usados em síntese química. Utilização precoce. Contaminante de outros solventes: Ex: solvente que é contaminante do etanol. Demonstração de não contaminação: Controlo efetivo em “n” lotes: ¤ É demonstrado em “n” lotes que os limites são respeitados. Se usado na fase final obriga a controlo de rotina em todos os lotes: ¤ Se forem usados na fase final (ex: cristalização com metanol) aí as empresas são obrigadas a demonstrar que não ficaram resíduos, ou os que ficaram são abaixo dos valores de aceitação. Fase anteriores: teores < 10% do limite admissível: ¤ Em fases anteriores, se o valor for 10% inferior ao limite admissível pode-se descartar a análise. 41 Fig.1 – estrutura base Os limites de aceitação são determinados em função das exposições diárias permitidas máximas, de modo que não tenham qualquer efeito teratogénico. Os testes consistem em avaliar até que ponto dado solvente é tóxico e, normalmente, faz-se um limite de 106 . Tendo em atenção isso determinam- se valores máximos para estes solventes. ¥ Classe 3 Possuem baixa toxicidade e um PDE > 50 mg/dia. Ex: etanol, acetona, isopropanol (os mais conhecidos). Particularidades: Não requerem métodos específicos de determinação (uso de LOD – perda por secagem, para quantificação, possível quantificação conjunta). Outras utilizações: Como “auxiliary aid” no fabrico do produto acabado. Muitas vezes são utilizados como ajudantes no fabrico do produto acabado. Limite inferior a 5 ppm. Impurezas genotóxicas São compostos com capacidade para alterar o DNA numa extensão que podem levar ao aparecimento de tumores (ex: reagents methylsulphonic acid ou toluene sulphonic acid, álcoois de baixo PM). Há impurezas orgânicas, inorgânicas e solventes residuais que são genotóxicos. É uma preocupação cada vez mais constante determinar que numa SA final não há impurezas genotóxicas ou, se as tiver, têm de estar em limites muito baixinhos. É importante saber olhar para as sínteses dessas impurezas, para alertas estruturais e, portanto, podemos assim tentar evitar que a SA tenha impurezas genotóxicas. Nitrosaminas Foram encontradas quantidades vestigiais de impurezas “nitrosamine”. Podem surgir do processo de fabrico das API que envolve, por exemplo, nitratos e nitritos. 42 As informações disponíveis indicam um alto risco de presença destas impurezas nas APIs e consequentemente no produto acabado. As autoridades da UE em conjunto com as empresas, estão a rever a informação disponível e a tomar medidas específicaspara evitar a presença de nitrosaminas nos medicamentos. Em 2020 foi dado o alerta do aparecimento de nitrosaminas em algumas SA, particularmente, o losartan. Verificou-se que não era uma impureza do fabricante, mas sim da SA. No entanto, normalmente, o losartan é vendido no mercado em conjunto com o hidroclotiazida. Assim, todos estes produtos tiverem de ser avaliados para verificar se os valores das impurezas estavam abaixo do nível de aceitação. Hoje, é obrigatório que todas as substâncias que são submetidas para um medicamento demonstram a avaliação do risco de nitrosaminas. Etapa 1: Avaliação de risco de nitrosaminas É necessário demonstrar que há ausência de nitrosaminas ou que a sua presença está num valor muito baixo (0,2-0,3 ppm). Envio de listagem tabular de todos os lotes de produto acabado no mercado e de todos os lotes que aguardam libertação, da EU por país incluindo: Número do lote do produto acabado e data de validade. País de distribuição. Stock atualmente estimado para cada país da UE/EEE. Taxa de consumo para cada país da UE/EEE. Número(s) de lote(s) API usado no fabrico de cada lote de PA. Para cada API, informação sobre CEP, ASMF ou 3.2.S (número e versão). Nome e endereço do fabricante da API usada para cada lote de PA. Detalhes sobre a via de síntese usada para cada AIM. A termoplasgem dos blisters pode levar ao aparecimento de nitrosaminas e, por isso, este não é um problema apenas da SA. Assim, é também obrigatório analisar estes processos e tudo o que pode levar ao aparecimento de nitrosaminas. 43 Etapa 2: Relatórios de avaliação Para cada lote do produto acabado que aguarda libertação ou já está no mercado, o TAIM deve fornecer a seguinte documentação: Resultados de testes de produtos acabados e APIs (em ppm ou ppb). Dados do método analítico usado (por exemplo, LOD/LOQ). Relatório de investigação, incluindo ações corretiva e preventivas. Planos de submissão de alterações à SA e às especificações de libertação do produto acabado para incluir testes para “nitrosaminas”. Planos para submissão de alterações ao processo de fabrico da API. Como surgem as impurezas? ☆ 3.2.S.4 Controlo da substância ativa Ɣ 3.2.S.4.1.Especificações Ɣ 3.2.S.4.2.Métodos analíticos Ɣ 3.2.S.4.3.Validação de métodos analíticos Ɣ 3.2.S.4.4.Análise de lotes Ɣ 3.2.S.4.5.Justificação de especificações Ɣ 3.2.S.4.1. Especificações Indicar listagem de especificações propostas* (ou farmacopeias), relativas a descrição, solubilidade, identificação, perda por secagem, cinzas sulfúricas, metais pesados, substâncias relacionadas, solventes residuais, doseamento, tamanho da partícula, etc. *se existir COS, pode indicar referência à FE e controlos adicionais. 44 O que é uma especificação? É um parâmetro ou conjunto de parâmetros, com um limite de aceitabilidade e método analítico correspondente. Dependo do método utilizado a especificação pode ser mais ao menos “apertada”. Por exemplo, para doseamento, se o método por gravimetria provavelmente a especificação é mais aberta do que se for por HPLC. Há algumas nuances. Se a SA estiver definida na farmacopeia, a lista de especificações será a da farmacopeia europeia, mais as especificações próprias que se aplicam tendo em conta a via de síntese. Se a SA não estiver na farmacopeia quem realiza a tabela de especificações é o fabricante da SA. Mais adiante, o fabricante tem de fazer a justificação dessas especificações. A tabela de especiações deve ser datada e codificada. Isto é importante no caso de haver alterações posteriores das especificações, sendo necessário saber as consequências dessas alterações para o produto final. Testes universais para todas as SA: Ƞ Descrição: Qualitativa (ex: sólido, líquido, coloração, etc); Dizer só “pó branco” não é suficiente porque pó branco e pó esbranquiçado são coisas diferentes e neste caso há impacto da opinião subjetiva de quem está a fazer a avaliação. Ƞ Identificação: Deve ser específico (ex IV); Se não for (ex: colorímetro, gravimetria) deve-se usar uma série preferencial da farmacopeia europeia ou outra proposta pelo fabricante (são necessários mais testes). Ƞ Doseamento: Deve ser específico e utilizável em estudos de estabilidade (“stability indicating”- significa que o método é adequado para dosear a substância quer ela esteja muito pura ou muito contaminada). Ƞ Impurezas (orgânicas, inorgânicas e solventes residuais): Orgânicas, inorgânicas e solventes residuais; Genotóxicas caso algum dos de cima tiver essa característica. 45 Outros testes devem ser considerados, caso a caso: Ƞ Propriedades físico-químicas (pH, ponto de fusão, etc): pH, ponto de fusão; Estas propriedades podem nem ser sempre mencionadas, depende da sua relevância para a substância que temos. Ƞ Tamanho da partícula: Dependendo da forma farmacêutica final/solubilidade pode ser ou não importante indicar o tamanho da partícula (ex: se for muito solúvel, classe 1, o tamanho da partícula basicamente não tem impacto). Ƞ Índice de Carr: Índice de compatibilidade dos pós. Ƞ Polimorfismo: Pode afetar a estabilidade, biodisponibilidade; Atualmente, é obrigatório determinar o polimorfismo da substância quando esta é recebida e após os estudos de estabilidade de forma ver se há alteração do polimorfismo durante o fabrico. Ƞ Teste de quiralidade se apenas for usado um enantiómero. Ƞ Teor de humidade: Importante se a substância for higroscópio e degradável pela humidade. Ƞ Limites microbiológicos, esterilidade, endotoxinas: Dependendo do uso final do produto; Nem sempre se aplicam à SA; É importante ter ideia sobre a pureza microbiológica (ausência de bactérias, fungos…) ou então demonstrar claramente que a substância é estéril. Nem sempre se justifica fazer todas estas menções, depende da substância que o fabricante está a produzir. Para além do que é mencionado na farmacopeia o fabricante pode mencionar outras características relacionados com o seu método de síntese e o próprio comprador da SA também pode exigir que o fabricante indica algumas características. Por exemplo, no caso da produção de uma pomada oftálmica é importante saber o tamanho da partícula e a solubilidade. 46 Ainda relativamente às especificações: Substâncias farmacopeicas referenciadas na farmacopeia europeia devem cumprir a monografia. Podem ser adicionados testes adicionais: £ Impurezas se a monografia não for adequada para as cobrir todas; £ Solventes residuais; £ Parâmetros físico-químicos que afetam a formulação e o desempenho (tamanho de partícula e solubilidade). £ Ɣ 3.2.S.4.2. Métodos analíticos Descrição dos métodos analíticos usados para avaliação de cada um dos parâmetros anteriores, que podem ser internos ou farmacopeicos. Devemos descrever os métodos analíticos se por acaso eles não tiverem completamente descritos na farmacopeia. Só vamos descrever um método se ele for específico para aquelas substâncias, não vale a pena estar a descrever um método de determinação do pH pois não depende da matriz, mas um ensaio 40 de doseamento já depende e, portanto, é necessário descrever os parâmetros analíticos de cada um, a não ser que sejam gerais ou que estejam descritos na farmacopeia. Ɣ 3.2.S.4.3. Validação dos métodos analíticos Os métodos farmacopeicos normalmente não requerem validação (não é preciso validar um método que está na farmacopeia desde que se demonstre “transferência analítica”). Habitualmente a validação reporta-se à deteção e quantificação de substâncias relacionadas e solventes, doseamento e outros ensaios específicos. Muitas vezes não é necessário validar os métodos analíticos que estão na farmacopeia, a não ser que não se tenha demonstrado transferência analítica para o nosso laboratório.Se conseguirmos demonstrar que o método que está na farmacopeia é adequado nas instalações da nossa empresa então não é necessário fazer uma validação. Também não é necessário fazer validação nos métodos triviais (ex: aspeto, validação do pH, cinzas sulfúricas…). Ɣ 3.2.S.4.4. Análise de lotes Deve incluir-se na documentação os resultados da análise de pelo menos 3 lotes de SA (poderá ser menos em alguns casos). O certificado típico apresenta o ensaio, resultados e especificações. Deve identificarse claramente o lote, data e local de fabrico, responsáveis. 47 Ɣ 3.2.S.4.5. Justificação das especificações Cada uma das especificações deve ser justificada quer no que respeita ao teste quer aos limites. Essa justificação pode ser geral (farmacopeica) ou específica de uma dada SA. Ƞ As especificações da farmacopeia são justificadas por isso mesmo. Ƞ As especificações que são muito particulares da SA devem ser mencionadas. Exemplo: se dissermos assim “a impureza conhecida existe numa percentagem de 0,3% temos de justificar o porquê dos 0,3%”. As impurezas não dependem só da SA ou do produto acabado, dependem também da água, dos contentores, dos métodos de fabrico. ☆ 3.2.S.6. Sistema recipiente-fecho Pode haver transferência de materiais do acondicionamento primário para a formulação. Assim, o material de acondicionamento deve ser mencionado sempre. O material secundário só deve ser justificado se for funcional, isto é, se tiver alguma função além do transporte (ex: proteger da luz, da humidade, conter sacos de sílica para diminuir a humidade). O acondicionamento primário deve estar de acordo com as Declarações de Conformidade (EU/FDA). Isto significa que o material de acondicionamento dá para o transporte de alimentos então dá também para os medicamentos. ☆ 3.2.S.7. Estabilidade da SA Divide-se em 3 subgrupos: Ɣ 3.2.S.7.1.Sumário dos estudos e conclusão Ɣ 3.2.S.7.2.Protocolo e compromisso pós- aprovação Ɣ 3.2.S.7.3.Resultados dos ensaios de estabilidade Ɣ 3.2.S.7.1. Sumário dos estudos e conclusão Indicar o nº (3) de lotes envolvidos nos estudos, data e local de fabrico, condições de conservação, tempos de armazenamento, condições especiais. É necessário mencionar os ensaios efetuados e limites de aceitabilidade. Perante as conclusões é proposto um período de reanálise e condições particulares de conservação. 48 Uma SA não tem prazos de validade. É referido um período de reanálise e não prazo de validade. Os estudos de estabilidade são necessários para saber este período de reanálise. O estudo de estabilidade também permite definir quais as condições particulares de conservação. Podem (e devem) incluir-se resultados obtidos após armazenagem em condições drásticas, para avaliação do comportamento da SA. Isto é, juntar a SA com soda caustica, água, luz… (o que estiver no protocolo). Isto permite saber as vias de degradação da SA e as potenciais impurezas que podem resultar destas condições drásticas. Pode haver casos em que não são feitos estudos de estabilidade. Isso obriga a que eles sejam feitos antes da utilização em cada lote. Isto acontece muito em medicamentos experimentais. Especificações As especificações da estabilidade devem refletir as especificações de libertação dos lotes, isto é, se a SA é sujeita a testes de reavaliação então as especificações devem ser sempre mantidas. As especificações a avaliar devem abranger as características que se alteram e que afetam a segurança e a qualidade (físicas, químicas, biológicas e microbiológicas). Condições de Stress Ŧ Ajuda a prever os produtos de degradação. Ŧ Realizados a elevadas temperaturas, hidrólise ácida/básica, oxidação, humidade. Ŧ Permite a seleção do método analítico mais adequado (Stability indicating). Ŧ Não é necessário testar em rotina os produtos de degradação específicos se for demonstrado que não se forma durante os estudos de estabilidade. Fotoestabilidade ∆ Aplica-se a SA novas. ∆ Pode ser necessário para as SA existentes, se não houver dados disponíveis. ∆ Determinar se a substância é fotolábil. ∆ Ɣ 3.2.S.7.2. Protocolo e compromisso pós-aprovação Indicação dos estudos a continuar, periodicidade e compromisso de submissão de resultados e de eventuais alterações. 49 Ɣ 3.2.S.7.3. Resultados dos ensaios de estabilidade Tabelas de resultados obtidos para cada um dos lotes, condições de armazenagem e material de embalagem usado. 3.2.S Substância ativa – Applicant´s Part ☆ 3.2.S.4. Controlo da substância ativa Ƞ 3.2.S.4.1. Especificações adicionais; Ƞ 3.2.S.4.2. Métodos analíticos; Ƞ 3.2.S.4.3. Validação dos métodos analíticos; Ƞ 3.2.S.4.4. Análise de lotes; Ƞ 3.2.S.4.5. Justificação das especificações. Ƞ ☆ 3.2.S.5. Substâncias de referência ou materiais Indicar padrão de referência para API. Identificar padrões para produtos de degradação conhecidos. Incluir certificados de análise. ☆ 3.2.S.6. Sistema recipiente-fecho Caso de “brokers”. Utilização após subdivisão de contentores. ☆ 3.2.S.7. Estabilidade da substância ativa Caso de transferência de contentores. Condições especiais de conservação. Definição do período de reanálise para fabricante PA. Substância ativa - COS Apresentação de um COS válido: O fabricante pode submeter documentação à FE por forma a vir a obter um COS (Certificado of Suitability). Na documentação deve incluir-se cópia do COS que inclui os ensaios complementares, metodologias analíticas para estes e declaração assegurando que qualquer modificação na síntese será de imediato comunicado à Autoridade Competente. 50 ʓ Aplica-se a SA, substância base ou excipiente que constem numa monografia da farmacopeia europeia. ʓ É conhecido pela Direção Europeia de Qualidade de Medicamentos (EDQM). ʓ Atesta a conformidade da substância com a Farmacopeia Europeia, podendo incluir especificações referente a impurezas ou outras não descritas na monografia. ʓ Para os solventes residuais, caso estejam presentes na substância, são preconizados os limites aceitáveis bem como apresentada a respetiva metodologia analítica. ʓ Podem ainda incluir informação sobre o período de reanálise, o tipo de acondicionamento e as condições de conservação. ʓ Os CEP são considerados como substitutos dos dados relevantes das seções correspondentes descritas no módulo “S”. Informação (não) coberta pelo CEP ϟ Teste adicional para o tamanho de partícula (3.2.S.4.2). ϟ Resultados analíticos de lotes (3.2.S.4.4). ϟ Validação de testes (3.2.S.4.3). ϟ Justificação de especificações não descritas na Farmacopeia Europeia (3.2.S.4.5). Aspetos críticos ф Existem testes complementares sujeitos a validação? ф Substância esterilizada? ф Definido um período de reanálise? ф O COS corresponde ao holder/fabricante/local de fabrico? ф Trata-se da última atualização? ф Verificar se a página 2 está preenchida (outorga a um MAH). Peças documentais que suportam a Secção 3.2.S 51 Documentação de registo de Medicamentos: Módulo 3.2.P ☆ 3.2.P.1. Descrição e composição do produto acabado Ɣ 3.2.P.1.1. Descrição Ƞ Descrição da forma farmacêutica final. Ƞ Descrição da forma farmacêutica na administração. Ɣ 3.2.P.1.2. Composição Ƞ Indicar a composição qualitativa e quantitativa dos componentes da formulação, funções e normas de análise (FE, USP, interna, fabricante). Ƞ Descrever diluentes para reconstituição, dispositivos médicos (3.2.R), etc. Ƞ Indicar componentes que não constem do produto acabado: £ Exemplo 1: para obtenção de comprimidos obtidos por granulação a húmido é usado o excipiente com função de granulador que é utilizado na granulação, mas depois é seco e, por isso, não faz parte da composição. £ Exemplo 2: quando enchemos ampolas por vezes é colocado o azoto e como está em contato com o produto acabado então tem de ser mencionado. £ Exemplo 3: nas soluçõesorais é necessária grande rotação das pás e forma espuma permanente. Para eliminar essa espuma usa-se vácuo e depois enche-se com o azoto. Casos particulares: Quando os excipientes são uma mistura (exceção de perfume e aromas) é necessária a composição detalhada. Aqueles são obrigatoriamente mencionados em 3.2.P.4. (exemplo: nas suspensões de revestimento comerciais, é necessário indicar a mistura). Exceção: quando se trata de misturas de perfumes/aromas é possível solicitar confidencialidade. As quantidades devem ser expressas por forma farmacêutica (ampola ou comprimido por exemplo) por unidade de volume ou de massa. É necessário mencionar as duas formas de quantidade. Ɣ 3.2.P.1.3. Acondicionamento Indicar o recipiente* e sistema de fecho usados no(s) acondicionamento(s). É feita uma descrição sumária da embalagem. *Lista de termos padrão para designar os contentores (supi Ph Eur). 52 Diluentes de reconstituição/placebos Submeter uma seção separada (3.2.P) referente ao diluente ou placebos (caso de embalagem calendário). Diluentes: podem ser aprovados separadamente com AIM, dependendo da autoridade nacional (exemplo: água ppi – a água para preparação de injetáveis tem AIM). ☆ 3.2.P.2. Desenvolvimento farmacêutico Os estudos de desenvolvimento devem mostrar que a forma farmacêutica, a formulação, o processo de fabrico, a embalagem, os atributos microbiológicos, a compatibilidade e a similaridade (se aplicável) foram convenientemente estudados. Constitui a base científica de conceção de um medicamento. No caso dos medicamentos genéricos queremos obter uma cópia do fármaco de referência e, por isso, o nosso objetivo nesse desenvolvimento é comprar amostras do produto de referência. Fundamentalmente existem 2 vias de desenvolvimento de produtos: ∆ Experimentação e erro. ∆ Quality by Design (QbD). Seja qual for a via para o desenvolvimento, algumas questões devem desde logo ser colocada. Trabalho experimental: 1. O que temos em mãos? 2. Existe alguma experiência prévia em API idênticos? ¤ Se tiver facilita a vida da empresa. Pode haver situações em que ficamos impedidos de realizar certas etapas na empresa (ex: pode não poder fazer hormonas). 3. Estamos a trabalhar produtos “look alike”? 4. Identifica-se desde logo um parâmetro crítico? ¤ Exemplo: esterilidade (pode ser preferível arranjar o material estéril de outro fabricante do que tem as instalações para os produzir). 5. A transposição de escala é possível? ¤ É necessário verificar se é possível passar de laboratorial para piloto e de piloto para industrial. 53 Quais as indicações terapêuticas? 1. Exigem-se formulações de libertação controlada? 2. A API é considerada “potente”? 3. A posologia requer mais que uma toma diária? 4. O produto é considerado “life-saving”? 5. O rigor de dosagem é crítico? Se for crítico já não se pode fazer os tópicos. O rigor de dosagem nos xaropes também não é. É rigoroso nos injetáveis e formas controladas. Qual a via de administração mais apropriada? Efeito terapêutico e “compliance” ligados com a vida de administração. 1. Estamos a lidar com uma cor pouco atraente? * As pessoas normalmente preferem medicamentos brancos em relação aos cinzentos ou castanhos. 2. Será melhor “cobrir” o cheiro? * Se o cheiro não for agradável há uma menor probabilidade de as pessoas quererem tomar esse medicamento. 3. O pH é relevante? * Por exemplo, nas soluções orais é relevante a nível da compliance. 4. Existe algum outro parâmetro que impacte na “compliance”? * Será possível trocar a pomada para um creme para ser mais agradável de aplicar? * Público-alvo: aspeto a considerar antes de uma decisão 1. É aconselhável o uso de edulcorantes? Não queremos criar um produto que depois as crianças fazem “birra” porque querem tomar mais. 2. A utilização de alguns excipientes deverá ser analisada? 3. O componente foi previamente avaliado? 4. Temos problemas de deglutição? 54 Forma farmacêutica – Seleção É necessário garantir a eficácia e assegurar a compliance. É necessário ter em conta: § Ação terapêutica. § Posologia: A posologia pode levar a que tenhamos de optar por uma determinada forma farmacêutico. § Dosagem. § Via de administração. § Biodisponibilidade. § Marketing. Documentação regulamentar Ɣ 3.2.P.2.1 Componentes do Produto Acabado. Ɣ 3.2.P.2.2 Produto Acabado: o 3.2.P.2.2.1 Desenvolvimento formulação; o 3.2.P.2.2.2 Sobredosagem; o 3.2.P.2.2.3 Propriedades Físico-Químicas e Biológicas. Ɣ 3.2.P.2.3 Desenvolvimento do processo de fabrico. Ɣ 3.2.P.2.4 Materiais de embalagem. Ɣ 3.2.P.2.5 Características microbiológicas. Ɣ 3.2.P.2.6 Estudos de compatibilidade. É necessário saber respeitar as várias secções existentes e colocar a informação no local correto. Ɣ 3.2.P.2.1. Componentes do Produto Acabado Informação geral Ƞ Identificar as propriedades físico-químicas da API. Ƞ Identificar os excipientes e mostrar o seu impacto nas características do produto acabado. Ƞ Estudos de compatibilidade da substância ativa com os excipientes e/ou com outras substâncias ativas. 55 Relativamente à substância ativa é feita a avaliação das propriedades físico-químicas que podem influenciar a performance do produto acabado. Alguns aspetos que têm de ser analisados são: Solubilidade: É importante mencionar a solubilidade aquosa e orgânica. Teor em água: Saber se a substância é anidra ou hidratada (mono, di, tri…) é relevante para os cálculos finais. Higroscopicidade: É importante para saber se é necessário colocar algo para atrair a água. Tamanho de partícula: O tamanho de partícula afeta vários aspetos da formulação para além da solubilidade. Permeabilidade. Solvatação ou hidratação. Densidade: Se a SA for pouco densa é necessário granular previamente; Se a SA for muito densa e fizermos um comprimido iria ficar com um tamanho muito pequeno. Fluidez: Influência o escoamento; Se não houver fluidez é difícil fazer o enchimento das matrizes. Compressibilidade: Quando temos um pó que não é fácil de comprimir (mesmo aplicandas forças de compressão elevado) é necessário adicionar algo à formulação para que seja possível realizar a compressão. pKa. Polimorfismo: Pode haver formação de polimorfos durante o processo de fabrico. “Estabilidade”: É necessário saber, por exemplo, se a SA é sensível há luz. Se o for é necessário realizar um revestimento. 56 Percebe-se assim que há um leque enorme de característica da SA que podem impactar as características da formulação. Informação particular: Explicação da função tecnológica dos excipientes. Avaliar potencial impacto na BD/BE. Justificar conservantes antimicrobianos e antioxidantes. Justificar o uso de gases inertes. Caso particular de genéricos: similaridade do perfil de impurezas entre o medicamento genérico e o inovador. Excipientes: É feita uma discussão dos excipientes escolhidos, sua concentração e características que podem influenciar a estabilidade e biodisponibilidade. Atividade: Avaliar o efeito tecnológico de antioxidantes (é normal que a quantidade de antioxidante diminua ao longo do tempo, isso significa que se colocou “à frente” da SA e a protegeu da degradação), “enhancers”, desagregantes, controladores de libertação. Ɣ 3.2.P.2.2 Produto acabado Desenvolvimento da formulação Ƞ Suportado pelo desenvolvimento clínico ou “cópia” de referência. Ƞ Discutir a BE entre formulação comercial e experimental (ME): £ Ao desenvolver um produto a forma que se usa nos ensaios clínicos não é, necessariamente, a mesma formulação do final. Por este motivo é necessário demostrar a BE entre a formulação comercial e experimental. Ƞ Avaliar fatores com impacto na compliance (aroma, odor, frequência de uso, modo de usar). ȠIdentificar e justificar quaisquer particularidades, por exemplo, comprimidos ranhurados (funcional ou não), marcados, mimetizar aspeto: £ Os comprimidos pode ser ranhurados para dividir as doses ou então pode ser necessário por uma questão de dissipação da energia da matriz. Ƞ Justificar as sobredosagens (API/excipiente). 57 Caso particular – formas sólidas: Apresentar o desenvolvimento do ensaio de dissolução. Confirmar poder discriminatório. Informação em função da forma farmacêutica: ʓ Líquidos e semi-sólidos – justificar a concentração de conservantes. ʓ Sólidos – justificar o método de dissolução para rotina. ʓ Formas farmacêuticas de libertação modificada – necessários estudos de correlação in vivo/in vitro, de forma a permitir que os testes de dissolução in vitro sejam um padrão com significado biológico e possam garantir a reprodutibilidade dos lotes. ʓ Injetáveis – processo de esterilização: o É necessário indicar o processo de esterilização pois há métodos que estão mencionados na farmacopeia e, por isso, não é preciso tanta justificação como se for um método alternativo. ʓ Liofilizados – condições operatórias. ʓ Sistemas transdérmicos – tipo de sistema e razão da sua utilização. ʓ Inaladores – atender às interações do propelente com a substância ativa, robustez do sistema de libertação. o 3.2.P.2.2.1. Desenvolvimento da formulação Justificação da formulação, incluindo a identificação de características consideradas críticas, atendo às posologias, via de administração, etc… Biodisponibilidade – justificação, com base nos estudos, da seleção de uma ou outra formulação (correlação in vitro/in vivo). A evolução da formulação deve ser considerada desde o início, incluído a identificação de atributos que são críticos para a qualidade. Devemos pensar nas seguintes questões: ϟ Porquê esta formulação? ϟ A escolha dos materiais foi racional? ϟ Vai permitir reprodutibilidade? ϟ É economicamente vantajosa? ϟ É considerada “time consuming”? 58 o 3.2.P.2.2.2 Sobredosagens Adequada justificação, já que a utilização com finalidade de compensação por degradação (SA) ou aumento do prazo de validade (PA), não é aconselhada. Qualquer sobredosagem deve ser plenamente justificada: ¥ Os materiais sofrem “mass reduction”? ¥ Estamos a trabalhar com pós muito pouco densos? ¥ Alguma fase de fabrico leva a perdas? ¥ Existe algum constrangimento de estabilidade? o 3.2.P.2.2.3 Propriedades físico-químicas e biológicas Avaliação de aspetos cruciais do fabrico/controlo do PA com potencial impacto no seu desempenho: Fração respirável de um DPI. Ensaio desagregação/dissolução. “Manufacturability” do produto. Exigência micronização. Devem ser pensadas as seguintes questões: O tamanho de partícula é relevante? Solubilidade/permeabilidade? Expectável formação de complexos ou precipitados? Problemas de sensibilização? Ɣ 3.2.P.2.3 Desenvolvimento do processo de fabrico Ƞ Explicar a escolha e a otimização do processo de fabrico. Ƞ Incluir eventuais diferenças entre os processos de fabrico usados nos lotes clínicos, biodisponibilidade, estabilidade, etc. Ƞ Indicar se o processo de fabrico modifica as propriedades físico-químicas da substância ativa (formas polimórficas). Deve ser considerada a seleção, controlo e qualquer melhoramento do processo com foco nos atributos críticos: Existem passos críticos? O processo é “linear”? A qualidade é reprodutível? Trata-se de um processo complexo? Existem “holding times” relevantes? Ɣ 3.2.P.2.4. Materiais de embalagens Deve ser feita uma discussão da adequabilidade: Ƞ Escolha dos materiais e tipo de contentor (segurança para crianças). Ƞ Detalhes sobre a embalagem de bulk. Ƞ Compatibilidade contentor/produto. Ƞ Nos sistemas de dosagem avaliar reprodutibilidade de dose. Ƞ Se possível adoção de materiais farmacopeicos. Ƞ Caso particular de auto-injetores. Deve ser feita uma discussão racional da escolha do acondicionamento e prova da sua adequabilidade para armazenagem e transporte: Alguma precaução contra exposição à luz? A permeação do O2 é relevante? Ensaios de migração são relevantes? O acondicionamento é multi dose? Exige-se algum dispositivo médico? Ƞ Ɣ 3.2.P.2.5. Características microbiológicas Ƞ Justificar a não realização de testes microbiológicos em não estéreis. Ƞ Demonstrar que os antioxidantes e antimicrobianos são adequados. Ƞ Nos estéreis demonstrar a integridade do sistema de fecho da embalagem para evitar contaminação. Ƞ Adoção de limites farmacopeicos. Quando relevantes, os atributos microbiológicos do produto acabado, devem ser discutidos: O produto é obrigatoriamente estéril? Garantir algum mínimo de pureza microbiológica? Pureza microbiológica após primeira abertura relevante? A estabilidade “in use” é relevante? Ɣ 3.2.P.2.6 Estudos de compatibilidade Compatibilidade do produto acabado com diluente de reconstituição* (informações no RCM) ou com dispositivos de dosagem. A realizar quando se pretende uma diluição ou dispersão prévia à administração: Porquê diluir? 60 As soluções diluídas são viáveis? Que “diluentes” são adequados? As soluções diluídas são estáveis (luz, temperatura)? A solução diluída requer um prazo de validade/condições de conservação específicos? ☆ 3.2.P.3. Fabrico Aspetos gerais Ŧ Incluir apenas informação específica referente ao medicamento e não aspetos gerais de garantia de qualidade. Ŧ Não incluir qualificações do pessoal. Ŧ Não incluir procedimentos de limpeza dos equipamentos nem das áreas de produção (exceção produtos biológicos/biotecnológicos ou casos específicos). Ŧ Evitar descrições muito detalhadas (exigências de submissões posteriores). Ŧ Ɣ 3.2.P.3.1 Fabricante(s) Ƞ Identificar o(s) fabricante(s) (nome e morada). Ƞ Indicar a responsabilidade de cada fabricante (granel, acondicionamento primário, secundário, etc). Ƞ Indicar responsável controlo de lote (mesmo que parcial). Ƞ Indicar o(s) libertador(es) de lote. Ɣ 3.2.P.3.2. Dimensão do lote Ƞ Indicar a dimensão dos lotes de fabrico ou faixas. Ƞ Mencionar a existência de lotes de bulk e unidades, se aplicável. Ƞ Indicar os nomes e as quantidades de todos os componentes, incluindo os solventes e as substâncias usados no ajusto de pH e gases (qualitativo). Ƞ Incluir informação sobre a eventual sobrecarga (API/excipientes). Ƞ Se a quantidade de API se basear no seu teor, a quantidade em cada lote deve basear-se na factorização calculada: £ No caso dos antibióticos semissintéticos não temos todos os lotes iguais em termos de substância ativa, uns são sobre-doseados e outros sub-doseados. Assim, é necessário aplicar um fator de factorização (ou seja, de correção). 61 Ɣ 3.2.P.3.3. Descrição do processo de fabrico e do controlo em processo Descrição do processo: Ƞ Descrever as etapas principais do processo de fabrico. Ƞ Apresentam fluxograma (indicar etapas, processo, ipc’s). A descrição do processo deve ser “qb”, ou seja, não devemos de dar demasiada informação que depois acaba por nos condicionar. Controlo em processo: Ƞ Indicar parâmetros a avaliar em cada etapa do processo. Ƞ Critérios IPC/controlo final – limites de aceitabilidade (dureza e friabilidade): £ A dureza e a friabilidade são colocadas no IPC, mas não no controlo final. Se tivermos comprimidos revestidos eles têm de ser duros e friáveis o suficiente para resistir ao revestimento. Assim, não faz sentido avaliar novamente no fim. £ O pH também pode não necessitar dessa avaliação. £ Tudo isto depende de produto para produto. £ Ɣ 3.2.P.3.4. Controlo das etapas críticas e dos produtos intermediários Ƞ Discutir e justificar as etapas críticas (mistura, dissolução, etc): £ A mistura dos pós pode ser crítica se a dosagem formuito baixa, o mesmo não acontece se a dosagem for maior. £ Deve-se olhar para as etapas críticas em função do produto que temos (ex: num injetável a esterilidade, numa emulsão as temperaturas de fase e tamanho das partículas). Ƞ Incluir os métodos de fabrico. Ƞ Incluir informação sobre a qualidade e o controlo dos produtos intermediários isolados (ex: núcleos). Ƞ Mencionar os holding times (todas as formas farmacêuticas e tempo total no caso dos estéreis). No caso dos estéreis, para além do total, indicar tempos de todas as fases, em particular entre filtração e enchimento. £ Os holding times têm de ser determinados através de estudos de estabilidade. 62 Ɣ 3.2.P.3.5. Validação do processo de fabrico e/ou validação Ƞ Descrever a validação do processo de fabrico (lotes, etapas críticas de fabrico, parâmetros avaliados, etc) e indicar os resultados obtidos. Ƞ Formas convencionais/ não convencionais (lotes piloto/industriais). Ƞ Possibilidade de submissão de “compromisso” (incluir Protocolo e indicar submissão posterior de Relatório). Podemos ser obrigados a: Fazer validação em 3 lotes industriais: Para processos ou produtos não triviais. Ex: produção de comprimidos por compressão direta → o processo de fabrico é trivial, mas se o comprimido tiver uma concentração de SA inferior a 2% a forma farmacêutica deixa de ser trivial → somos obrigados a fazer a validação com lotes industriais. Hot melting extrusing → processo não trivial → validação com lotes industriais. Fazer validação em 3 lotes piloto: Corresponde à grande maioria das formas farmacêuticas orais. Para o mesmo produto podemos ter dosagens que são não triviais (porque a concentração é inferior a 2%) e outros triviais. Vantagem: um lote piloto corresponde a 10% de um lote industrial. Não apresentar validação, mas fazer um compromisso: “ainda não tenho isto feito, mas vou fazer até ao final do procedimento” → funciona como um ganho de tempo. Isto acontece porque o fabricante sabe que os processos são triviais e então consegue assegurar que vai ter a documentação a tempo. Não fazer validação: É apresentado um protocolo de validação a dizer que não vai fazer a validação. Por exemplo, no caso das substâncias orais em que as substâncias ativas muito solúveis, com dosagens baixas, volumes de 50/100 mL pode optar-se por não fazer a validação. Questão: para fazer comprimidos por hot melting extrusing com uma dosagem superior a 2% necessito de lotes industriais? Sim. Embora a dosagem seja superior a 2% o hot melting extrusing é um método de fabrico não trivial e, portante, é necessário fazer os ensaios com os lotes industriais. 63 ☆ 3.2.P.4 Controlo de excipientes Ƞ 3.2.P.4.1. Especificações. Ƞ 3.2.P.4.2. Procedimentos analíticos. Ƞ 3.2.P.4.3. Validação dos procedimentos analíticos. Ƞ 3.2.P.4.4. Justificação das especificações. Estes 4 pontos são bastantes simples de fazer quando os excipientes utilizados estão inscritos na Farmacopeia Europeia ou noutras farmacopeias de referência. Para excipientes não descritos* (desde que não haja monografia oficial) apresentar informação completa. É esta informação completa que parece um dossiê do excipiente e aqui torna o processo bem mais complicado. Casos particulares (suspensões de revestimentos, outros** excipientes que “façam parte da API”). Percebe-se, assim, que esta etapa pode ser ou muito simples ou muito complexa. Pode haver excipientes dissimulados na SA. Ɣ 3.2.P.4.5. Excipientes de origem humana ou animal Ƞ Certificados de Conformidade da Farmacopeia Europeia para os produtos de origem animal (Apêndice A2): exemplos “tradicionais”. Ƞ Declarações TSE. Ex: estearato de magnésio (hoje já existe de origem vegetal), lactose, gelatina. É necessária documentação que refira a origem do excipiente. Ɣ 3.2.P.4.6. Novos excipientes Ƞ Para os excipientes usados pela primeira vez num produto acabado ou numa nova via de administração devem ser enviados detalhes de fabrico, caraterização e controlos e com indicação de dados de segurança. Ƞ Utilizar formato documental da substância ativa. Fabrico Água, tampões, soluções salinas: o A água está descrita na farmacopeia, mas nós temos de mencionar como é que foi obtida e como é que é conservada. 64 o É necessário referir como é que foram obtidos os tampões. o As soluções salinas, usadas por exemplo para o acerto da osmolaridade, e é necessário referir que tipo de soluções salinas são usadas. Gases (utilização normal): o No caso do azoto, utilizado para as ampolas, tem de ser filtrada. o No caso do azoto para basta só o colocar lá dentro. o Assim, o tratamento varia consoante a necessidade do produto. Tipo/grau Cadeia polimérica, grau de polimerização, hidrato/solvato, nº E: A cadeia polimérica e o grau de polimerização influenciam as características físicoquímicas. É necessário mencionar os hidratos. No caso da lactose há 5 tipos de hidratos e, por isso, é necessário mencionar com a lactose que está a ser usar. O nº E tem de ser colocado pois ajuda a saber do que se trata e a categoria a que pertence. Especificações adicionais: Tamanho de partícula, pureza microbiológica/esterilidade. Uma lactose usada para fazer um DPI (pó para administração inalatória) está mencionada na farmacopeia, mas lá não fala do tamanho de partícula. O fabricante deve mencionar. Demonstração qualidade CoA do fabricante ou fornecedor. CoA do fabricante de produto acabado. Certificação origem. Declarações: Ŧ Solventes, metais, nitrosaminas: o Tudo o que é polímero tem de ter uma certificação dos valores de solventes. o Há um limite de metais pesados, especialmente 1 e 2. o Nos excipientes também é necessário demonstrar a ausência ou a existência dentro dos limites das nitrosaminas. 65 ☆ 3.2.P.5 Controlo do produto acabado Ƞ 3.2.P.5.1. Especificações. Ƞ 3.2.P.5.2. Procedimentos analíticos. Ƞ 3.2.P.5.3. Validação dos procedimentos analíticos. Ƞ 3.2.P.5.4. Análise de Lotes. Ƞ 3.2.P.5.5. Caracterização das impurezas. Ƞ 3.2.P.5.6.Justificação das especificações. Aspetos gerais Ƞ Especificações na libertação de lote e no final da validade. Há 2 momentos em que são necessário fazer as especificações: na libertação do lote e no final da validade: £ É necessário fazer uma avaliação da presença da SA no momento da libertação de lote, mas não no final da validade. £ No caso da humidade, o limite na libertação de lote é diferente do limite no final da validade. Isto é, são feitos os ensaios nos dois momentos, mas os teores de aceitabilidade diferem. £ Há também alguns ensaios em que os limites de aceitação são iguais. Ƞ Indicação de métodos analíticos. Ƞ Indicação conjunta ou separada por dosagem. Ƞ Parâmetros farmacopeicos e “internos”: £ Um ensaio de dissolução para comprimidos está referido na farmacopeia, por isso, pode ser usado. £ Os valores de pH encontram-se dentro de uma gama de valores. £ Percebe-se, assim, que são parâmetros internos, ou seja, definidos pela empresa. Ƞ Indicação de limites de aceitabilidade. Ƞ Possível menção “para referência”. Ƞ Codificação e data. Ɣ 3.2.P.5.1 Especificações – testes universais Ƞ Descrição (comprimidos: incluir marcações, cor (padronizada), espessura, diâmetro): £ As marcações podem diferir de país para país e, por isso, tem de ser aprovadas. £ Atualmente existem padrões de cor. £ A espessura é importante devido ao tipo de enchimento, em blister ou frasco. £ O diâmetro é necessário para perceber se é ou não ingerível. 66 Ƞ Identificação: £ 1 método específico ou então 2 inespecíficos. Ƞ Doseamento: £ Valores mais abertos para API. Ƞ Impurezas: £ Da substância ativa e/ou do processo de fabrico. £ Não esquecer que as impurezas da SA já foram avaliadas e, por isso, aqui são mencionadas as impurezas que podemaumentar ao longo do processo de fabrico. Ƞ Solventes residuais: £ Depende do processo de fabrico. Aqui estamos a falar em solventes residuais utilizados no processo de fabrico (ex: isopropanol na preparação de comprimidos). Especificações – Formas sólidas Dissolução/desagregação: ¤ Ou se faz dissolução ou desagregação, não há necessidade de fazer-se os dois no final. Dureza, friabilidade, peso, espessura, desagregação: ¤ Para o mesmo peso, se tivermos menos espessura, temos maior dureza e menor desagregação. ¤ Se aumenta a espessura, para o mesmo peso, aumenta a desagregação. ¤ Se a dureza aumenta muito, diminui a espessura, mas aumenta a friabilidade. Uniformidade de teor. Teor de humidade: ¤ Dá uma noção da estabilidade. Identificação de corantes: ¤ NÃO HÁ doseamento de corantes. ¤ Mas é necessário identificar o corante. Contaminação microbiológicas (periódico de 10 lotes). Especificações – Produtos Parenterais £ Uniformidade. £ pH. £ Esterilidade. £ Endotoxinas bacterianas/pirógenios. £ Partículas. £ Distribuição do tamanho de partícula. £ Teor de conservante: o Normalmente só existe nos injetáveis de pequeno volume. £ Teor de antioxidante: o Normalmente só existe nos injetáveis de pequeno volume. £ Produtos de lixiviação (das rolhas e dos contentores não de vidro): o Produtos que são arrastados do acondicionamento primário para a solução. £ Osmolaridade: o Não é obrigatório que tenha de ser isotónico, mas se o poder ser é o ideal. o Se não for isotónico, geralmente, é hipertónico. £ Cor (padronizado): o Existe um fator de cores na farmacopeia (ex: existem vários tipos de amarelo). Especificações – Produtos Parenterais – casos particulares Teor de humidade (pós, liofilizados): Só faz sentido para produtos que são secos, ou seja, numa solução aquosa não faz sentido. Faz sentido fazer este ensaio nos pós e nos liofilizados. Funcionalidade dos sistemas de libertação (pistão, volume): Ver se funcionam como está previsto (ex: caneta de seringa é importante ver se o volume é constante, se a caneta não parte…). Redispersibilidade (suspensões). Tempo de reconstituição (com o solvente indicado): Nos pós destinados a suspensões é importante saber este tempo. Aspeto “cake”: Dá uma ideia se o produto foi bem realizado. Especificações – Produtos tópicos § pH. § Contaminação microbiológica. § Teor de conservantes. Contaminação microbiológica: todos têm um controlo apertado pois nestes produtos temos uma fase aquosa e uma fase oleosa o que é propicio para o desenvolvimento microbiano. Teor de humidade: é apropriado nas lipófilas. 68 Viscosidade: ter uma ideia da estabilidade. Se definirmos um determinado valor da viscosidade se ela se altera, no caso das emulsões, é porque deve ter havido separação das fases. Especificações – testes específicos Divisibilidade: Importante quando a ranhura dos comprimidos se destina a partir o comprimido em partes iguais, ou seja, se é funcional. Fecho de hemirecetáculos: Relevante nas cápsulas moles. Identificação de corantes: É necessário identificar os corantes (NÃO é preciso quantificar). Quantificação de conservantes: É necessário ter uma quantificação, pois temos de ter valores mínimos de conservante no final do prazo de validade. Peso unitário/volume extraível (quantidade que temos num frasco e conseguimos extrair). Teor em sais (sódio, potássio): Em formas líquidas pode ser encontrado no RCM estes teores de sais. Uniformidade gotas: Na teoria um conta-gotas liberta sempre uma gota do mesmo tamanho, no entanto, na prática nem sempre se verifica isto. Assim, é necessário mostrar que há uniformidade de gotas. “Priming” & “Repriming”: Temos um sistema de pulverização e vamos verificar quantas vezes é que é necessário pulverizar para que a dose seja certa → “descartar as primeiras 3 pulverizações”, podemos encontrar informação deste tipo no RCM. Pode ser também quando é deixado o produto sem usar durante alguns dias. “Biselagem” de agulhas: Um produto genérico pode não ter a mesma agulha que o produto de referência e isso pode ser um problema pois as pessoas podem preferir uma ou outra. Assim, há ensaios para mostrar que as agulhas são semelhantes (ex: espessura da agulha). 69 Ɣ 3.2.P.5.2 Procedimentos analíticos Ƞ Descrever os métodos de análise ou fazer referência cruzada: £ O teor de humidade pelo método de Karl Fischer é sempre o mesmo. Este ensaio não é afetado pela matriz e, por isso, podemos dizer que foi feito de acordo com o que está na farmacopeia. £ O doseamento da SA no produto final já não pode ir de acordo com a farmacopeia. Isto acontece porque na farmacopeia refere apenas o doseamento da SA isolada e, por isso, pode haver interferências. No máximo podemos fazer uma adaptação e, por isso, é necessário descrever os métodos de análise ou fazer referência cruzada. Ƞ Descrição suficiente para permitir repetição pelas autoridades: £ O método analítico deve ser descrito de tal forma que se a autoridade regulamentar precisar de fazer replicação tem informação suficiente na AIM. Ƞ Referir se estão ou não inscritos em Farmacopeias. Ƞ Adequada transferência analítica (vários locais de controlo/libertação): £ Acontece quando há vários locais que fazem controlo e libertação de lotes. Nestes casos é necessário mostrar que os dois locais têm os mesmos métodos de avaliação da qualidade dos ensaios. Ɣ 3.2.P.5.3 Validação dos procedimentos analíticos Ƞ Indicar os métodos analíticos que foram validados (não todos os métodos): £ Ex: doseamento, identificação, dureza, microbiologia, estabilidade, solventes, uniformidade de teor, solubilidade e substâncias relacionadas. Ƞ Validar de acordo com as guidelines ICH e justificar os eventuais desvios ocorridos nas validações. Ƞ Apresentar Relatórios de validação (admite-se Protocolo e Commitment). Ɣ 3.2.P.5.4 Análise de lotes Ƞ Lotes testados (2 industriais e/ou 3 piloto; admite-se Commitment). Ƞ Uso do lote (clínico, validação, estabilidade, comercial). Ƞ Número do lote (indicação da sequenciação interna): £ Tem de haver uma indicação da sequência interna do lote, ou seja, tem de ser explicada a lógica dessa ordem. 70 Ƞ Data de fabrico (atenção a lotes fora de prazo): £ Podemos encontrar aqui algumas fragilidades. Se a nossa empresa quiser comprar um dossiê a outra esta é uma das maneiras de ver as fragilidades desse dossiê, não queremos comprar uma coisa velha. Ƞ Local de fabrico (se houver mais que um local, dos vários locais – Commitment só aceitável dentro do calendário). Ƞ Tamanho do lote (diferentes tamanhos se houver mais que um proposto) – admite-se maior e menor: £ Quando existem as faixas de lotes é admissível fazer o tamanho maior e menor. Ɣ 3.2.P.5.5 Caracterização das impurezas Ƞ Descrever a caracterização das impurezas, se não tiverem sido apresentadas na secção 3.2.S.3.2 impurezas: £ Se forem produtos de degradação têm de ser avaliados nos dois locais. Ƞ Sumário dos produtos de degradação detetadas nos estudos de estabilidade. Ƞ Comparar os resultados dos lotes de desenvolvimento e dos comerciais (alteração do fabrico pode desencadear produtos de degradação). Ƞ Justificar a razão de cada uma das impurezas especificadas: £ Há impurezas que são especificadas. Para constar na tabela de especificações tem de haver uma justificação da sua existência. Ɣ 3.2.P.5.6 Justificação das especificações Os limites de aceitabilidade dependem muito do desenvolvimento farmacêutico. Ƞ Fazer a justificação das especificações, com particular destaque para aquelas que estão fora das preconizadas pelas farmacopeias (internas), tais como: £ Viscosidade de um creme. £ Osmolaridade para não isotónicos. £ pH para qualquer solução. £ Dissolução. Ƞ No caso dasimpurezas, devem indicar os produtos de degradação que aparecem no processo de fabrico e/ou durante o período de armazenamento. 71 Ƞ Risk Assessment on Elemental impurities. Ƞ Risk Assessment on Nitrosamines impurities: £ Para todos os produtos acabados é obrigatório a avaliação do risco das nitrosaminas. ☆ 3.2.P.6 Padrões ou materiais de referência Ƞ 3.2.P.6.1 Padrões de referência da API. Ƞ 3.2.P.6.2. Padrões de impurezas. Ƞ ☆ 3.2.P.7 Sistema recipiente-fecho. Ɣ 3.2.P.7.1. Descrição Ƞ Descrever o sistema de acondicionamento, incluindo a identificação de cada componente : £ É necessário das especificações dos materiais que fazem parte do acondicionamento (ex: alumínio). Ƞ Incluir as especificações para bluk. Ƞ Incluir as especificações a que devem respeitar. Ƞ Identificação (IV para os plásticos, alumínio). Ƞ Dimensões críticas (espessura, poros). Ƞ Desenhos técnicos (inscrições obrigatórias): £ O picotado pode ser relevante, pois aí temos de ter a informação necessária em cada zona dos picotados. £ Ɣ 3.2.P.7.2 Especificações Ƞ Indicar os métodos de controlo de qualidade. Ƞ Métodos não oficiais poderão ter de ser validados. Ƞ Os materiais de embalagem propostos para o armazenamento de rotina devem ser os utilizados nos ensaios de estabilidade (3.2.P.8): £ Temos de fazer os ensaios de estabilidade com os materiais que escolhermos. Ƞ Apresentar informação sobre a embalagem secundária funcional (efeito protetor ou ajuda à administração do produto). Ƞ No caso de embalagem secundária não funcional apresentar apenas breve descrição. 72 Ɣ 3.2.P.7.3 Certificados Ƞ Apresentar os Certificados de Análise de todos os componentes. Ƞ Certificação Conformidade com Diretivas EU (adequação ao uso em alimentos, solventes, TSE, etc). Ƞ Potencial presença de contaminantes “nitro” nos materiais de acondicionamento primário. ☆ 3.2.P.8 Estabilidade Ɣ 3.2.P.8.1 Sumário e Conclusões Estabilidade “formal”: Ƞ Definição de protocolo (Ensaios completos/reduzidos). Ƞ Condições/tempos de conservação. Ƞ Seleção de especificações (parâmetros/limites). Estabilidade: outras condições Justificar condições específicas; analisar resultados. Generalidades ʓ Avaliação do comportamento da forma farmacêutica quando no mercado. ʓ Análise da estabilidade física, química, tecnológica e microbiológicas. ʓ Análise do comportamento da embalagem (interação entre o produto e o recipiente). Protocolo Lotes testados (número, dimensão, data e local de fabrico). Tipo de embalagem (comercial ou numa simulação adequada). Especificações. Condições de conservação (condições ICH). Frequência dos testes. 73 Substâncias ativas novas ф 3 lotes da mesma formulação e forma farmacêutica na embalagem proposta para comercialização → situação ideal. ф Os resultados obtidos com lotes obtidos à escala laboratorial não são aceites como informação primária da estabilidade. ф Os 3 primeiros lotes produzidos à escala industrial destinados à comercialização deverão ser submetidos a estudos de estabilidade, segundo os protocolos utilizados no processo de AIM- Substâncias ativas existentes Todos os lotes devem ser testados na embalagem completa para comercialização. Opção A: formas convencionais e API estáveis: pelo menos 2 lotes piloto. Opção B: formas críticas ou API instáveis: 2 de 3 lotes são pelo menos de escala piloto, podendo um ser menor Condições de conservação Especificações As especificações a avaliar devem abranger as características que se alteram e que afetam a eficácia, segurança e qualidade (físicas, químicas, biológicas e microbiológicas). Os limites de aceitação das especificações do produto no final do prazo de validade podem ser diferentes das propostas para o produto no momento da sua libertação. 74 Particularidades: mass balance, preservative contente, functionality test. Mass balance: quando a diferença entre valores de doseamento e impurezas/degradantes não se justificar apenas com base em variabilidade analítica. Nesse caso devem fazer-se ensaios para demonstrar onde pode estar o erro. Preservative content: admitem-se valores muito abaixo dos encontrados na libertação. Funcitionality tests: ensaio na horizontal, vertical e upside down. Os desvios têm de ser justificados tendo em atenção a avaliação da estabilidade e as alterações ocorridas durante a armazenagem. Os limites máximo de produtos de degradação têm de ser justificados de acordo com os observados na análise de lotes e dados de estabilidade. Pode solicitar-se revisão de limites: .Para mais apertado: quando de início não havia dados suficientes لا .Para mais aberto: quando surgem valores não expectáveis لا Análise de resultado – “significant changes” 1. 5% de variação do ensaio em relação ao seu valor inicial; 2. Qualquer produto de degradação que exceda o seu critério de aceitação; 3. Incumprimento dos critérios de aceitação relativos ao aspeto, aos atributos físicos e ao ensaio de funcionalidade (por exemplo, cor, separação de fases, ressuspendibilidade, aglomeração, dureza, dose administrada por acionamento); Comprimidos: dissolução. Injetáveis: pH. Frequência dos testes Tempo real (substâncias ativas novas e existentes): § De 3 em 3 meses durante o os 3 o 1º ano; § 6 meses durante o 2º ano; § Posteriormente anualmente. 75 Envelhecimento acelerado requer mínimo 3 pontos (0,3 e 6 meses). Pode ser adicionado um quaro ponto (normalmente ao 1º mês). Condições intermédia requer 4 pontos, nos 12 meses do estudo. Métodos analíticos ʓ Métodos específicos e validados; ʓ Stability indicating. Estudos reduzidos – “Bracketing” O design do plano de estabilidade estabelece que só as amostras dos extremos são testadas. É assumido que a estabilidade das amostras com características intermédias é representada pelos extremos. Estudos reduzidos – “Matrixing” O design do plano de estabilidade estabelece que apenas uma fração do número total de amostras é testado para um determinado ponto de amostragem. É assumido que a estabilidade das amostras testadas representa a estabilidade de todas as amostras. Estudos específicos ¥ Fotoestabilidade – comportamento à luz, seleção de embalagem primária. ¥ Bulk – comportamento antes de embalagem primária, avaliação de transporte. ¥ Uso simulado – comportamento em condições “normais” de uso. ¥ Após reconstituição – estabilidade em solutos para perfusão, suspensões/soluções extemporâneas. 76 Fotoestabilidade Objetivo – serve para fazer a seleção da embalagem primária e condições de conservação (têm de ser sustentadas em ensaios). Protocolo – o tipo de fonte de luz, o processo, a conservação das amostras, a análise das amostras e a avaliação dos resultados estão referidos numa “guideline” própria. Condições de ensaio – embalagem aberta, embalagem comercialização. Bulk Objetivo – demonstrar a estabilidade em armazenagem e transporte, estabilidade dinâmica. Protocolo – tipo de embalagem “bulk” (pode ter a necessidade de injeção do azoto), local de fabrico/acondicionamento primário e/ou secundário, condições de transporte. Condições de ensaio – número de lotes, condições. Uso simulado Objetivo: ϟ Produtos estéreis multidose. ϟ Produtos contendo substâncias ativas sensíveis ao oxigénio. ϟ Produtos não estéreis quando o uso excede 1 mês. Protocolo: Lotes a usar. Condições ensaio. Tempos de amostragem. Após reconstituição Objetivo – os estudos devem demonstrar a estabilidade após a reconstituição ou diluição. Normalmente a avaliação é feita a 22⁰C e durante um longo período e à luz para mimetizar o que é feito a nível hospitalar. Protocolo – relação com a seção 3.2.P.2, solventes de reconstituição a estudar. 77 Estabilidade dinâmica Problema – efeito cumulativo desconhecidoem ambiente estático. Objetivo – estuda da influência das condições de transporte, em particular formas líquidas. Ensaios – temperatura, choque térmico, vibração, pressão, humidade, congelação, movimento. O transporte dos medicamentos pode ter grande impacto. A nível aéreo pode levar ao congelamento. Sumário e conclusões As conclusões devem fundamentar o prazo de validade proposto, estabelecer as condições de armazenagem, bem como as especificações no fim do prazo de validade, incluindo os limites de produtos de degradação. Inicia-se a partir da data de libertação desde que não passem os 30 dias após o fabrico. Nos outros casos é data do fabrico. Muitas vezes, no momento da submissão não temos os resultados completos dos estudos de estabilidade. Uma empresa tem todo o interesse que o prazo de validade seja o maior possível. Atualmente, os prazos de validade máximo são de 60 meses. No momento da submissão diz-se que o prazo deve ser de 12 meses. No entanto, este prazo seria “comido” pelo processo de fabrico, transporte, tempo que está na farmácia. A guideline permite “dobrar” o prazo de validade “máximo” em 12 meses. ɣ Se tivermos 6 meses de estudos de estabilidade a longo termo podemos pedir 12 meses de validade. ɣ Se tiver 12 meses de estudo de estabilidade concluídos, podemos pedir 24 meses. ɣ Se tiver 15 meses de estudo de estabilidade concluídos, não podemos dobrar para 30, mas sim para 27 (15 +12). Isto é muito útil porque assim durante este tempo os estudos podem continuar e ao final desse prazo vamos ter mais informação. Mesmo que não se tenha é admissível esta dobra de 12 meses. Propostas de condições de conservação – “não preciso de condições particular de conservação”: significa que foi estável a 20 e 40⁰C logo o medicamento é estável para as duas condições. 78 Se estiver instável a 40⁰C, nesta situação, tivemos de fazer estudos a 30⁰C (porque se estiver mal a 40 temos de fazer uma condição intermédia). Se for estável a condição acelerada a 30⁰C, deve-se dizer “conservar a temperatura inferior a 30⁰C”. Se for instável na temperatura intermedia colocar 25⁰C. Se estiver mal a 25⁰C vai-se para a condição anterior (2 a 8⁰C). Em suma, podemos ter várias propostas de conservação (temperatura): Se instável na acelerada – conservar abaixo de 30⁰C. Se instável na intermédia – conservar abaixo de 25⁰C. Se instável a longo termo – conservar entre 2º e 8⁰C. Se estável em todas – não requer condições particulares. Exemplo: Proposta de condições de conservação (humidade) – manter embalagem fechada. Proposta de condições de conservação (luz) – conservar na embalagem original. Proposta de uso após abertura – usar até 30 dias após abertura. Proposta de uso após diluição – a solução é estável por 12 horas 5± 3⁰C em NaCl 0,9% Condições especiais • Condições de conservação – a conservar no frigorífico: • Condições de conservação – a conservar no congelador: o Não são necessários estudos de envelhecimento acelerado. o Mínimo de 12 meses a -20C. Testar um teste a 5⁰C e a 25⁰/60% HR para avaliar do efeito quando expostos a temperaturas mais elevadas. o O prazo de validade baseia-se na extensão dos estudos de tempo real, podendo haver extrapolação. o Substâncias a ser conservadas abaixo de -20⁰C são avaliadas caso a caso. 79 Ɣ 3.8.P.8.2 Protocolo do estudo pós-aprovação e compromisso. Ƞ Apresentar o protocolo dos estudos a realizar pós-aprovação. Ƞ Declaração de compromisso em como são realizados e caso haja alterações significativas comunicar urgentemente às autoridades. Ƞ Descrição dos estudos de estabilidade em curso de acordo com protocolos previamente definidos e apresentação dos resultados já obtidos e eventuais comentários sobre a avaliação da estabilidade. Ɣ 3.8.P.8.3 Resultados Ƞ Apresentação dos resultados (formato tabular, gráfico ou narrativa). Ƞ Indicação dos métodos analíticos e respetiva validação (por referência cruzada, se aplicável, ao módulo 3.2.P.5.2.). Módulo 3.2.A ☆ 3.2.A.1 “Facilities” e equipamentos Aplica-se principalmente a produtos de origem biotecnológica. ☆ 3.2.A.2 Avaliação e segurança de agentes adventícios Apresentar informação sobre o risco da eventual contaminação por agentes virais ou não virais. ☆ 3.2.A.3 Novos excipientes Apresentar informação completa dos novos excipientes. Módulo 3.2.R ☆ 3.2.R Informação regional Ɣ 3.2.R.1 Esquema do processo de validação do produto acabado. Ɣ 3.2.R.2 Dispositivos médicos. Ɣ 3.2.R.3 Certificados de Conformidade. Ɣ 3.2.R.4 Produtos contendo ou que usaram no processo de fabrico materiais de origem animal ou humana. União Europeia (EU): Protocolo de Validação do processo de fabrico (cruzar com 3.2.P.3.5). Dispositivos médicos (cruzar com 3.2.P.1). 80 Certificados de Conformidade (cruzar com 3.2.S e 3.2.P.4). Produtos contendo ou que usaram materiais de origem animal ou humana (preencher formulários e apresentar certificados). A fase pós Autorização de Introdução no Mercado Fazer um pedido de AIM é um processo completo, contudo o processo pós-AIM é ainda mais complexo. São feitas: 1. Alterações à AIM. 2. Renovações de AIM. Exemplo: alteração do fabricante, alterações de acondicionamento primário (pode interferir com o prazo de validade e outras coisas subsequentes). As alterações normalmente não aparecem isoladas. Antigamente cada empresa podia efetuar as alterações que bem entendia, no entanto nos dias de hoje existem regulamentos. Deste modo na atualidade é necessário proceder a um pedido em caso de alteração. Alterações à AIM de medicamentos Surgiu um regulamento para harmonizar os procedimentos de pedidos de alteração aos termos da AIM de medicamentos. Houve esta necessidade para que todos os países seguissem a mesma tipologia. Regulamento 2013/C 223/01 – Procedimentos harmonizados para pedidos de alteração aos termos da AIM de medicamentos → permite um célere e eficiente processamento dos pedidos de alteração. Tipologia: ƴ Tipo IA e IB. ƴ Tipo II. ƴ Restrição urgente de segurança: quando é necessário tirar o medicamento do mercado. 81 Alteração tipo I Definições: Alteração menor do tipo IA ou IB: o Qualquer alteração menor. o Mas qual é o significado de menor?? Alteração de tipo II: o Qualquer alteração que não possa ser considerada uma alteração menor ou uma extensão de AIM. Prazos: £ Tipo IA: 14 dias após receção válida. £ Tipo IB: 30 dias após receção válida. A alteração tipo IA é considerada na verdade uma notificação. Não tem impacto na segurança e qualidade. Requer 14 dias após a receção válida. Se após 30 dias o INFARMED não der uma resposta essa alteração estaria à partida aprovada. Mas há sempre algum bom senso, a empresa pode sempre dar mais alguns dias ao INFARMED. As alterações IB requerem sempre um parecer, quer seja farmacêutico ou clínico, ou seja, o farmacêutico ou o médico tem de dar um parecer. Elegibilidade: Respeitar as condições impostas para elegibilidade. Documentação de suporte de acordo com os requisitos. Possibilitar classificação “z”. Alterações tipo IA Não exigem exame prévio pelas autoridades antes de poderem ser executadas pelo titular. Atuar e informar: Exemplos: Aumento até 10x tamanho de lote. Limites de especificação mais restritos. 82 Aditamento de um parâmetro de especificação novo com o correspondente método analítico. Atualização CEP. Certas alterações tipo IA exigem notificação imediata após a sua execução, a fim de garantir o controlo permanente do medicamento em questão (IAIN). Exemplos: Alterações das gravações, dos relevos ou de outras marcações. Substituição ou aditamento de um local de fabrico – acondicionamento secundário. Alteração do número de unidades de uma embalagem (intervalo aprovado). Redução prazo validade*.No prazo de 12 meses a contar da data de execução, o titular deve apresentar a notificação da(s) respetiva(s) alteração(ões). A redução do prazo de validade é feita quando temos um produto que tem vários prazos de validade devido ao facto de estar aprovado em vários estados. Assim, a empresa prefere reduzir o prazo de validade de forma a harmonizar os prazos em todos os locais → esta não se trata de uma questão de eficácia ou segurança e, por isso, é uma alteração do tipo IA. Caso contrário: upgrade para IB. Alterações tipo IB É obrigatória a notificação destas alterações menores antes da sua execução. O titular deverá aguardar 30 dias para se assegurar de que a notificação é considerada aceite pelas autoridades competentes antes de executar a alteração. Informar, aguardar, atuar. Exemplos: Inclusão de CEP. Alterações menor do processo de fabrico. Alteração de acondicionamento secundário. Alteração prazo validado Alterações tipo I: Documentação Carta de acompanhamento. Formulário de pedido. Referência ao código de alteração. Todos os documentos especificados. Existem alterações que podem ser consideradas IA ou IB o que depende, por exemplo: Forma farmacêutica (sólida, semi-sólida). Entendimento de “menor” (método analítico). Acontecimentos imprevistos (prazo de validade). Codificação: X.N.x.n X – refere-se à letra maiúscula correspondente ao capítulo no anexo do qual consta a alteração (por exemplo, A, B, C ou D). N – refere-se ao número romano correspondente à secção de um capítulo da qual consta a alteração (por exemplo, I, II, III,…). x – refere-se à letra correspondente à subsecção de um capítulo da qual consta a alteração (por exemplo, a, b, c,…). n – refere-se ao número atribuído no anexo a uma alteração específica (por exemplo, 1, 2, 3,…). Tipos de alterações A. Alterações administrativas: * Alteração do nome (de fantasia) do medicamento. B. Alterações de qualidade: * I – API. * II- PA. * III – Certificados de Conformidade. * IV – Dispositivos médicos. * V – Outras. Alterações tipo II Exemplos: Alterações não tipificadas anteriormente. Reformulação da documentação. Nova indicação terapêutica. Exemplo II – API: Introdução de um fabricante da substância ativa com base num ASMF. Alteração significativa do processo de fabrico da substância ativa. Alteração do peso do revestimento – fflp. Introdução de um método de esterilização final não normalizado. Alteração fora do âmbito dos limites das especificações aprovados. Exemplo II – PA Alteração sustentada por um estudo de bio-equivalência. Alterações significativas do processo de fabrico. Supressão de um parâmetro de especificação com um eventual efeito significativo na qualidade. Acondicionamento primário – Medicamentos esterilizados. Extensão do prazo de validade com base na extrapolação de dados de estabilidade. Medida urgente de segurança Definição: alteração transitória da informação sobre o medicamento constante da AIM que afeta as informações de segurança previstas no RCM. Exemplos: Alteração de indicações, posologia, contraindicações, advertências e reações adversas, em virtude de novos dados relacionados com a segurança da utilização do medicamento. Renovações da AIM A autorização é válida por cinco anos a contar da data indicada no Certificado de AIM, devendo ser solicitada a respetiva renovação nove meses antes do termo daquele período. Uma vez renovada, a AIM será válida por um período ilimitado, exceto se a autoridade competente decidir, por motivos justificados relacionados com a farmacovigilância. Renovação única ao fim de 5 anos e por um período indeterminado (exceto por razões de farmacovigilância). 85 Renovação – baseada sobre dados de farmacovigilância e razão benefício/risco. Na renovação é feita uma análise global dos dados dos vários Relatórios Periódicos de Segurança (RPS) submetidos, que sumariam os dados de segurança do medicamento. Verificar se a relação entre o benefício da utilização do medicamento relativamente aos riscos a ele associados contínua a ser favorável e, assim, se deve manter a AIM. Para medicamentos registados por RM: Acordo de data comum de renovação para os EM envolvidos. Manter uma sincronização dos PSUR (Periodic Safety Update Report) com data europeia de nascimento. Dados a apresentar: ¥ Formulário: ¤ Apresentado pelo responsável da comercialização, pelo menos, 9 meses antes do termo da AIM, sem o que esta caducará. ¥ PSUR. ¥ Posição do perito clínico. ¥ RCM usado. ¥ Proposta de RCM. ¥ Taxas. Outros requisitos: Incluir, quando for caso disso, documentação complementar atualizada, que demonstre a adaptação ao progresso técnico e científico.