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Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Unidade 1 Tendências e inovação na área educacional Aula 1 Inovação educacional Introdução da Unidade Objetivos da Unidade Ao �nal desta Unidade, você será capaz de: debater o signi�cado de inovação e educação a �m de compreender o que é Inovação Educacional; identi�car as tendências da área educacional; analisar como as inovações educacionais, por meio dos recursos tecnológicos digitais ou não, são necessárias para promover a formação de seus estudantes. Introdução da Unidade Estudar as Tendências e Inovação na Área Educacional, título dessa unidade, é muito instigante porque signi�ca perceber o mundo em que vivemos hoje e projetar o futuro. E nós temos tudo a ver Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL com isso, a�nal nós, docentes, estamos sempre produzindo o futuro, mudando a vida das pessoas e da sociedade. É nessa linha de pensamento que desejamos que mergulhe nos estudos propostos nas três aulas dessa unidade. Iniciaremos pensando sobre o que é Inovação Educacional, mas antes visitando os signi�cados de inovação e educação e depois entendendo o quanto ela esteve sempre presente ao longo de toda a história da educação. A partir disso, vamos re�etir sobre as tendências da área educacional e perceber que ela está totalmente vinculada às tendências da sociedade. Por �m, na última aula, vamos nos apropriar das inovações as quais nós, educadores, estaremos envolvidos para sermos ao mesmo tempo inovadores. Ao �nal desta unidade, você terá um entendimento mais elaborado de como as inovações educacionais, por meio dos recursos tecnológicos digitais ou não, são necessárias para promover a formação de seus estudantes a �m de que construam seus conhecimentos por meio da produção e acesso de informações de maneira criativa, crítica e, principalmente, ética. Esse seu entendimento sobre as Inovações Educacionais é essencial para a sua prática docente, envolvendo o planejamento, o desenvolvimento e a avaliação de projetos educacionais, que necessariamente deverão ser inovadores. A inovação deverá fazer parte de seus projetos para que eles possam cumprir o objetivo de garantir a aprendizagem de seus estudantes, em um processo de ensino que seja mais signi�cativo, interativo e colaborativo. A interação e a colaboração devem ser promovidas nas atuais estratégias de ensino que você adotará, e os recursos tecnológicos estão disponíveis para isso. Daí a importância de seu conhecimento sobre essas inovações tecnológicas para que você possa incorporá-las em suas aulas e, assim, favorecer a integração entre conteúdos e problemas reais, respeitando o ritmo e as potencialidades de seus estudantes. Aproveite! Introdução da Aula Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Qual é o foco da aula? Nesta aula, você estudará sobre a inovação educacional. Objetivos gerais de aprendizagem Ao �nal desta aula, você será capaz de: investigar o conceito de educação e inovação; debater o que é Inovação Educacional; discutir o papel da mediação do educador e o protagonismo do estudante. Situação-problema Atualmente, quando você ouve falar em inovação, é provável que venha à sua cabeça situações modernas com imagens de telas de computadores, celulares ou artefatos relacionados à inteligência arti�cial. E quando se fala em inovação educacional, é igualmente provável que você imagine aulas com computadores, celulares e internet ou alguma outra tecnologia. Mas por que será que são essas imagens que vêm imediatamente à cabeça e não outras? Será, então, que as inovações educacionais só existem com esses recursos e artefatos tecnológicos? É importante lembrar que tecnologia não é sinônimo de artefato tecnológico. É comum as pessoas a�rmarem que usam a tecnologia, quando estão usando computadores ou celulares. Isso é um equívoco. Por exemplo: o computador e o celular são artefatos tecnológicos. A tecnologia é todo conhecimento conceitual e de técnicas para a produção de computadores ou celulares. A melhora da performance dos computadores ou dos celulares é fruto dos avanços da tecnologia. Para respondermos a essas perguntas devemos ter em mente que aquilo que é pensado como inovação em uma época, depois de implementada, logo se torna algo comum. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Por exemplo: o uso de lousas brancas e das canetas com tinta, no lugar dos quadros negros e do giz, são ou foram considerados como uma inovação educacional por alguns, mas não por outros. Já a invenção da máquina de impressão tipográ�ca pelo alemão Johann Gutenberg, na década de 1430, propiciou uma inovação educacional. Esses exemplos deixam claro que a relação entre os recursos tecnológicos e a inovação educacional deve ser marcada pelo momento histórico em que ela ocorreu. Ou seja, essas imagens que vêm à nossa cabeça nos dias de hoje, quando falamos em inovação, estão atreladas ao momento presente e jamais ocorreriam em outros momentos da história ou do futuro. Agora, imagine que você está participando de um processo seletivo para uma vaga de educador. O entrevistador faz o seguinte comentário: “o mundo mudou muito e continua a mudar cada vez mais rápido. Antes, era possível trabalhar com os estudantes sentados em �las, e o objetivo do ensino, em geral, era fazer com que os estudantes memorizassem aquilo que o educador dizia que estava ensinando. E após as provas quase tudo era esquecido pelos estudantes. Hoje isso não é mais possível. Temos que inovar! ”. Em seguida ele pergunta: “o que é Inovação Educacional para você e quais seriam as maneiras possíveis de inovarmos na educação? ”. O que você responderia? Essa é uma situação hipotética, mas, na verdade, está presente na cabeça de educadores, gestores educacionais, decisores de políticas públicas, editores de material didático, ou seja, está na cabeça de todo mundo que trabalha com educação e percebe que ela precisa se atualizar para garantir maiores chances de os estudantes aprenderem. Nesta aula você terá acesso a informações que ajudarão a responder às perguntas feitas pelo entrevistador na situação hipotética apresentada. Nela você vai re�etir sobre o que é inovação educacional, sobre as muitas possibilidades de inovar na área educação e quando um avanço deve ou não ser considerado uma inovação pedagógica. Conceito de Educação Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Falar sobre Inovação Educacional é sempre muito prazeroso, porque está implícita a ideia de que ela vai melhorar a realidade que vivemos em um determinado momento. Falar de inovação signi�ca olhar para o futuro com a esperança e convicção de que o mundo será melhor. A Inovação Educacional é um assunto muito amplo porque buscar e construir esse sonhado futuro implica reconhecer algo e fazer algo agora, que é resultado do que aconteceu no passado. Essa noção de encadear o passado e o presente é essencial, mas muitas vezes ela não é considerada na prática. Além da questão do tempo (presente, passado e futuro), você vai perceber nesta aula que se trata de uma temática interessante porque tem muitas conexões com outras áreas da Educação e, também, com outras áreas do conhecimento, como economia, tecnologia, política educacional. E para começar vamos re�etir um pouco. ______ Re�ita Muitas vezes, a inovação é confundida com o que é novo. Será que sempre a inovação traz algo de novo? E o que é uma o que Inovação Educacional? Antes de continuar a ler esse texto, pare um pouco e pense sobre a seguintes questões que parecem ser básicas: para você, o que é inovação e o que é educação? O que você entende por esses dois termos é o mesmo entendimento das pessoas que estão ao seu lado? Será que o que entendemos atualmente sobre inovação e educação é o mesmo entendimento dado ao longo da história? ______ Muitas são as de�nições encontradas para ambos. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Nós teríamos que recorrer à história da humanidade para constatar que o próprio surgimento da ideia de Educação foi uma inovação. Também deveríamos percorrer a história da educação para compreender que desde o seu surgimento elavem sendo modi�cada por inovações. A de�nição de educação é muito diversa, variando de pensador para pensador (para não falar de pessoa para pessoa, de pesquisador para pesquisador, de educador para educador, de �lósofo para �lósofo), de época para época e, também, da intenção que se tem quando se busca essa de�nição. Para Durkheim, sociólogo francês, que viveu entre 1858 e 1917, A educação não é, pois, para sociedade, senão o, meio pelo qual ela prepara, no íntimo das crianças, as condições essenciais da própria existência. […] A educação é a ação exercida, pelas gerações adultas, sobre as gerações que não se encontram ainda preparadas para a vida social; tem por objeto suscitar e desenvolver, na criança, certo número de estados físicos, intelectuais e morais, reclamados pela socie- dade política, no seu conjunto, e pelo meio especial a que a criança, particularmente, se destine. (FILLOUX, 2010, p. 49) ______ Exempli�cando Brandão (2007, p. 62) apresentou diferentes de�nições de educação de acordo com seus principais teóricos: “A educação não é mais do que o desenvolvimento consciente e livre das faculdades inatas do homem. ” (Sciacca) “A educação é o processo externo de adaptação superior do ser humano, física e mentalmente desenvolvido, livre e consciente, a Deus, tal como se manifesta no meio intelectual, emocional e evolutivo do homem. ” (Herman Horse) “O �m da educação é desenvolver em cada indivíduo toda a perfeição de que ele seja capaz. ” (Kant). “É toda a espécie de formação que surge da in�uência espiritual. ” (KRIECK) Além dos teóricos citados por Brandão, cabe destacar, também, a de�nição do �lósofo John Dewey: “A educação é um método fundamental do progresso e da reforma social. ” (DEWEY, 1897b, p. 93 apud WESTBROOK; TEIXEIRA, 2010, p. 21). ______ Essas diferentes de�nições para educação mostram que as dadas por Durkheim foram selecionadas para mostrar o quanto ela está associada ao desenvolvimento de conhecimentos e valores que provocarão mudanças na sociedade no futuro. Ao mesmo tempo, permitem perceber o quanto a de�nição de educação que temos hoje é in�uenciada por conhecimentos e valores construídos no passado. Saviani (1991) a�rma que a “educação contemporânea” tem estreita relação com a consciência que o ser humano tem de si mesmo, e que essa consciência se modi�ca em função da época, do lugar e de acordo com o modelo que se tem de sociedade. É importante aqui perceber o quanto a educação in�uencia e é, ao mesmo tempo, in�uenciada pela sociedade, e por isso está sempre em constante mudança. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL A BNCC (BRASIL, 2018) discorre sobre educação integral. Nessa perspectiva, estão relacionadas à formação integral do indivíduo, na qual estariam envolvidos o direito da formação e desenvolvimento global do estudante. Esse desenvolvimento seria pleno, não linear e compreendendo o desenvolvimento cognitivo como o socioemocional de modo inseparável. Conceito de Inovação Vamos agora buscar entender o que vem a ser inovação, e para isso vamos nos remeter à área da administração e da indústria para depois fazer um paralelo com a área educacional. Cabe destacar que, assim como ocorre com o termo educação, há diferentes entendimentos para o termo inovação. O Manual de Oslo, uma das publicações da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), traz as diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação. Nesse documento, inovação está de�nida como sendo: […] a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou signi�cativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas. (OECD, 2005, p. 55) Para Christopher Freeman (1982), um dos maiores estudiosos sobre o tema, a inovação é o processo que coloca novas ideias em uso e que não precisa ser de natureza tecnológica. Peter Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Drucker (1986), um dos autores mais reconhecidos da administração moderna, a inovação não pode ser confundida com invenção. Para ele, a inovação vem da área econômica, enquanto invenção vem da tecnologia; e a inovação não precisa ser técnica, tampouco ser necessariamente algo concreto, porque poucas delas são tão impactantes quanto aquelas que ocorrem no âmbito social. ______ Exempli�cando Um exemplo é a rede de saneamento básico – tratamento de água, canalização e tratamento de esgotos, limpeza pública de ruas e avenidas, coleta e tratamento de resíduos orgânicos (em aterros sanitários regularizados) e materiais (através da reciclagem) – comum em boa parte dos centros urbanos, uma inovação na história recente. O direito humano à água potável e ao saneamento foi reconhecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) em 2010. O saneamento básico é uma das prioridades de desenvolvimento global e é objeto do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável. ______ Jannuzzi, Falsarella e Sugahara, em suas pesquisas sugerem que, em função do impacto que provocam, uma inovação pode ser incremental, semirradical e radical. Segundo esses autores, A primeira, denominada incremental, se caracteriza pela variação de um produto e/ou serviço já existente, no qual novos atributos são adicionados a este. A segunda, designada como inovação semiradical, se caracteriza pela modi�cação nos produtos e/ou serviços, porém mantendo a continuidade dos padrões já existentes. Por �m, a inovação radical que se distingue das demais pela proposição de produtos e/ou serviços totalmente novos, incidindo na construção de uma nova infraestrutura. Toda inovação, independente da classi�cação, traz em sua essência a geração, uso e assimilação de conhecimentos. (JANNUZZI; FALSARELLA; SUGAHARA, 2016, p. 104) Conceito de Inovação Educacional Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Se nos inspirarmos nessa classi�cação proposta por esses autores, poderíamos arriscar a dizer que uma Inovação Educacional poderia ser classi�cada em: Agora temos uma noção de que os termos educação e inovação podem assumir diferentes signi�cados e de�nições, a depender de quem os de�ne, de quando e para que são de�nidos. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Assim, neste momento, com o objetivo de compreendermos o que é Inovação Educacional, nós vamos assumir que: educação pode ser entendida como o conjunto de ações tomadas pelo ser humano para a constante construção dos conhecimentos, visando sua integração na sociedade e relação com a natureza; inovação é colocar em uso algum conceito ou artefato tecnológico para resolver algum problema ou aprimorar algum processo ou produto. Juntando essas duas de�nições, �nalmente podemos propor o entendimento de que Inovação Educacional é a implementação de um conceito, procedimentos ou objeto, que leva ao cumprimento de algum novo objetivo educacional. Desse entendimento deve estar claro que: a inovação signi�ca implementação ou a colocação em uso de algo; aquilo que é colocado em uso na inovação pode ser um conceito, um procedimento ou um objeto. Esses três itens podem ser novos (uma invenção) ou não; será o novo objetivo educacional que de�nirá a �nalidade e o impacto da inovação. Com esse entendimento, �ca claro que as inovações educacionais estão a serviço da melhoria da qualidade educacional oferecido pelo sistema educacional, que ocorre por meio da escola e do educador. Esperamos que você perceba, então, que a qualidade educacional é um dos fatores que determinam a inovação. Veja esse exemplo dado por Cury (2001), quando se referia à nova organização da estrutura do sistema educacional brasileiro. A educação básica é um conceito mais do que inovador para um país que, por séculos, negou, de modo elitista e seletivo, a seus cidadãos, o direito ao conhecimento pela ação sistemática da organização escolar. Resulta daí que a educação infantil é a raiz da educação básica, o ensino fundamental é o seu tronco e o ensino médio é seu acabamento. É dessa visão holística de “base”, “básica”, que se podeter uma visão consequente das partes. (CURY, 2008, p. 294-295) Nesse exemplo você pode perceber que havia um problema educacional (e social, político e econômico) a ser resolvido, e a inovação educacional foi uma reestruturação que trouxe grande impacto à sociedade. Inovação Educacional ao longo do tempo Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Se mergulharmos um pouco na história da educação, vamos perceber que inovações educacionais ocorrem o tempo todo, como já vimos no início desta aula. A enciclopédia, cuja elaboração foi iniciada em 1744 e demorou 22 anos para ser concluída, foi produzida pelo francês Juan Diderot e contou com a ajuda de grandes �lósofos como Rousseau, D’Lambert e Montesquieu. Ela foi inovadora porque até então existiam apenas dicionários, e a enciclopédia permitiu o relacionamento de diversos conhecimentos de forma racional. Certamente, com seus mais de 60 mil artigos, ela foi um dos livros mais importantes no Iluminismo. Mas era muito caro e, por isso, só os nobres e burgueses tinham acesso a ela (GUINSBURG, 2000). No âmbito das metodologias de ensino, também há inúmeras inovações educacionais. Exemplos dessas inovações podem ser as propostas feitas por Célestin Freinet (que defendeu a dimensão social da escola, vendo o estudante como um sujeito ativo para as mudanças da comunidade), David Ausubel (defendeu a aprendizagem signi�cativa), Henri Wallon (destacou a importância no processo de aprendizagem de se observar as reações internas e externas do estudante), Jean Piaget (destacou que o estudante é quem constrói sua própria aprendizagem e de uma maneira distinta em cada idade), John Dewey (defendeu a democracia e a liberdade nas escolas para o melhor desenvolvimento dos estudantes), Lev Vygotsky (defendeu as relações sociais no processo educativo), Maria Montessori (valorizava a educação para a vida , colocando no centro o estudante, que deve ser considerado sujeito e objeto de ensino, respeitando sua atividade, individualidade e liberdade), Paulo Freire (defende que o estudante precisa ter consciência do mundo que o cerca, para poder interpretá-lo e nele intervir), dentre muitos outros. ______ Assimile Perceba que estes são apenas alguns personagens da história de educação, dentre muitos outros, que em diferentes momentos da história propuseram mudanças para melhorar a educação. Perceba também que a educação, tal como a conhecemos e a entendemos hoje, tem uma ou outra característica de cada uma das propostas feitas por esses pesquisadores ao longo do tempo. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Ou seja, qualquer que seja a inovação, ela sempre é in�uenciada, positiva ou negativamente, por outras que já existiram. Uma inovação nunca parte do nada, sempre há algo que ela tem o propósito de aprimorar ou evitar. ______ Até o momento vimos algumas inovações educacionais que ocorreram no passado. Foram dados exemplos de inovação que ocorreu com uma estruturação da educação (LDB/96), um artefato tecnológico (a enciclopédia) ou com propostas metodológicas de ensino. Muitos outros exemplos poderiam ser dados como mudanças de espaços físicos, home schooling (proposta em que os pais podem educar seus �lhos em casa), entre outros. ______ Re�ita Vamos deixar o passado para trás e começar a pensar no presente. Pense em algumas coisas boas e ruins que acontecem nas escolas hoje em dia. Quais delas você acha que deveriam continuar e quais você acha que deveriam mudar? Diante desses elementos que pensou, quais seriam os propósitos das inovações educacionais necessárias para hoje? ______ Desse seu pensamento, é provável que você tenha se lembrado de muitas formas de ensinar que hoje não são mais adequadas. Podemos observar que nas escolas se perde muito tempo em atividades que não levam à aprendizagem, e o resultado é o baixo desempenho e o desinteresse. Para Moran (2018), Muitas formas de ensinar hoje não se justi�cam mais. Perdemos tempo demais, aprendemos muito pouco, nos desmotivamos continuamente. Tanto professores como alunos temos a clara sensação de que muitas aulas convencionais estão ultrapassadas. Mas para onde mudar? Como ensinar e aprender em uma sociedade mais interconectada? Avançaremos mais se soubermos adaptar os programas previstos às necessidades dos alunos, criando conexões com o cotidiano, com o inesperado, se transformarmos a sala de aula em uma comunidade de investigação. Ensinar e aprender exigem hoje muito mais �exibilidade, espaço temporal, pessoal e de grupo, menos conteúdos �xos e processos mais abertos de pesquisa e de comunicação. Uma das di�culdades atuais é conciliar a extensão da informação, a variedade das fontes de acesso, com o aprofundamento da sua compreensão, em espaços menos rígidos, menos engessados. Temos informações demais e di�culdade em escolher quais são signi�cativas para nós e conseguir integrá-las dentro da nossa mente e da nossa vida. (MORAN, 2018, p.1) Esse texto é bastante contemporâneo e re�ete algo que será usado frequentemente ao longo desta disciplina: as Tecnologias de Informação e Comunicação, que já são usadas fora da escola. Todos nós as usamos de forma até intuitiva, e parece ser natural. Até mesmo os mais idosos, que foram sempre apontados como pessoas avessas ou com di�culdade para lidar com tecnologia, as usam com bastante destreza. Com as Tecnologias da Informação e Comunicação – conhecidas como TICs – muitas informações são produzidas de maneira formal ou informal, com o uso de imagens (fotos, vídeos, realidade virtual), com uma estética bastante peculiar e agradável, e todos nós consumimos essas informações, muitas vezes de boa qualidade, mas em outras, nem tanto. Nessa produção e consumo de informações, nós nos tornamos ativos no processo que vira conhecimento. Nosso desa�o e responsabilidade é colocar esses recursos tecnológicos e essas Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL habilidades já disponíveis a serviço da educação, ou seja, nos ambientes escolares. Nós usamos o termo responsabilidade junto com o desa�o porque caso a educação não volte a assumir sua participação na construção do conhecimento, quem o fará? Todos sabemos que essa democratização na produção e acesso de informações é bastante positiva e ao mesmo tempo perigosa, porque há questões éticas em jogo. Propostas feitas por Eduardo Chaves e Valdemar Setzer (1988), Bacich e Moran (2018), Manuel Castells (1999a,1999b,1999c), Pierre Lévy (1995, 2000, 2003) e Saymour Papert (1986) têm as mesmas características daquelas feitas em outros momentos da história, porém incorporam a tecnologia digital como um recurso para a inovação educacional. A mediação da tecnologia e o protagonismo Esses recursos tecnológicos permitem uma maior interação entre todos em uma comunidade de aprendizagem, colocando os estudantes como protagonistas principais na produção dessas informações e, consequentemente, na construção de seus conhecimentos. Esses recursos, com as plataformas adaptativas, podem também resolver o problema do desempenho dos estudantes que têm ritmos diferentes de aprendizagem e, por isso, requerem formas particulares de ensino. Tais recursos aumentam as potencialidades formativas do ensino, mas requerem que o educador e a escola, pro�ssional e instituição responsáveis pela educação sejam mediadores pro�ssionais nesse processo. Esse tipo de mediação não é algo simples de ser realizado porque requer uma nova forma de relação entre educador, estudante e conhecimentos. Isso implica mudar nossa forma de ver o mundo e rever nossos valores e alterar nossas crenças, isto é, requer outra mentalidade (mindset) sobre a educação. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Todas as decisões que tomamos são in�uenciadas por nossos valores, que vamos construindo ao longo da vida na interação com outros, com os contextos que estamos inseridos. Nossa mentalidade sobre a educação, por consequência, é que orienta os nossos passos futuros. De acordo com Dweck (2017), podemos encontrar pessoas com mentalidade �xa ou mentalidade de crescimento. As pessoas com mentalidades �xas secaracterizam por ser pessoas inertes, isto é, aceitam o sistema, conformam-se com o contexto em que vivem e não se arriscam a mudar por não con�arem em si mesmas. Do lado oposto estão as que têm mentalidade de crescimento, que acreditam nas mudanças, e que são con�antes em suas capacidades de fazer ou aprender a fazer. As pessoas com pensamento de crescimento sabem que diante de algo novo erros são cometidos, e que eles são importantes para aprender cada vez mais. Essa mentalidade de crescimento é importante para aqueles que acreditam nas inovações educacionais. Esperamos que com esse texto, você mantenha a sua mentalidade de crescimento. Usamos apenas o verbo manter nessa oração porque temos a convicção de que, se você está lendo esse material, é porque você é uma pessoa com mentalidade de crescimento. Pessoas assim como você são importantes para a implementação das inovações educacionais que já estão propostas e aquelas que estão por vir. Conclusão Como candidato à vaga de educador, diante da pergunta “o que é inovação para você? ”, sua resposta poderia ser “para mim, uma inovação educacional é aquela proposta que traz algo de Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL novo em relação ao que se tem para melhorar a qualidade da aprendizagem dos estudantes na escola”. Para completar essa resposta e tentar conquistar a con�ança do entrevistador, seria interessante complementar a resposta da seguinte maneira: “Mas toda inovação educacional só é possível se o educador tiver uma mente aberta para o novo e a responsabilidade de estudar e conhecer esse novo, porque a sala de aula não pode ser um laboratório e nem os educandos são cobaias. Além disso, as expectativas a serem colocadas sobre a inovação educacional devem ser bem dimensionadas, porque uma proposta nunca se tornará uma inovação educacional se não for exequível. Por isso, junto com os educadores, os demais pro�ssionais da educação que estão na escola e no sistema educacional precisam ter as mesmas atitudes de abertura para o novo e responsabilidade para garantir as condições mínimas necessárias para a proposta de se tornar uma inovação. Ou seja, a inovação educacional começa em todos que trabalham com a educação, e somos responsáveis por ela. ” Qualquer inovação coloca o educador diante de uma tensão que, por um lado, está o seu desejo pelo novo e, ao mesmo tempo, o medo pelo desconhecido associado à preocupação sobre se terá condições de corresponder e acertar com seus estudantes. Implementar uma inovação na educação pode parecer inadequado para algumas pessoas que defendem que a escola não deve ser vista como um laboratório, onde os estudantes seriam cobaias para testes. De fato, essas pessoas estão certas em suas preocupações, a�nal, escola não deve ser vista mesmo como local de testes. Mas, ao mesmo tempo, muitos estudos mostram que de maneira geral a aprendizagem dos estudantes não está em um patamar desejado. Por isso as inovações são necessárias. Além disso, implementar uma inovação não signi�ca fazer testes. O texto aqui apresentado mostrou alguns exemplos de pesquisas que indicam o que deve ser feito e também o que deve ser evitado. Esse conhecimento acumulado precisa chegar às escolas para que os educadores não mais ensinem da mesma maneira como a que foram ensinados. Para que seja possível dar esse passo para a implementação de inovações, é necessário planejamento, estudo e formação e boa gestão dos espaços e tempos escolares. Com a �exibilização presente na legislação educacional vigente, novos currículos já podem ser colocados em ação para que a aprendizagem dos discentes seja garantida como um direito que eles têm. Diante desse desa�o, em que os papéis do docente e do discente são rede�nidos e as escolas passam por uma reorganização, o acesso dos novos recursos digitais se torna um grande aliado. É difícil prever com detalhes como serão as aulas diante dessas inovações. No entanto, é certo que suas características centrais para esse momento perpassam por tornar o educando responsável por sua aprendizagem, devidamente orientada e monitorada pelo educador, e também o uso das tecnologias digitais em projetos. Tais projetos deverão fazer com que os educandos se sintam capazes de intervir no mundo que os cercam. Em uma etapa inicial, docentes e gestores devem se juntar aos estudantes para elaborarem um diagnóstico para identi�car qual é o problema que deverá ser superado na escola, estabelecerem os objetivos a serem atingidos e os recursos necessários. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Aula 2 As tendências na área educacional Introdução da Aula Qual é o foco da aula? Nesta aula, você estudará as tendências na área educacional. Objetivos gerais de aprendizagem Ao �nal desta aula, você será capaz de: esclarecer a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1996 (LDB/96); apontar a importância da gestão democrática das escolas e da �exibilização dos conteúdos, dos tempos e dos espaços escolares; identi�car alguns aspectos da organização curricular prevista na BNCC. Situação-problema Vimos, na aula anterior, o que são as inovações educacionais e como elas podem ter diferentes tipos de impacto na sala de aula, na escola e no sistema educacional. Muitas vezes, elas são induzidas pelas demandas existentes na sociedade e sempre vêm com um determinado propósito de aprimoramento ou resolução de um problema. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Nesta aula, aprofundaremos uma das mais recentes inovações educacionais brasileiras, que foi a implementação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1996 (LDB/96), a qual, induzida por inúmeras demandas sociais, econômicas, política, culturais e tecnológicas, abriu terreno para a indução de outras inovações, como a gestão democrática das escolas e a �exibilização dos conteúdos, dos tempos e dos espaços escolares. Não se trata mais de uma lei tão recente, mas, desde sua promulgação, vem sendo aprimorada com novas leis e regulamentações e orientando quase todas as ações educacionais, desde a de�nição e políticas públicas até sua ação na sala de aula. Uma dessas ações é a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Na aula anterior, criamos uma situação hipotética, na qual você estava participando de um processo seletivo para o cargo de educador. Agora, imaginemos que você foi convocado para a segunda etapa desse processo seletivo. Nessa segunda etapa, você recebeu um texto com a seguinte escrita: “A universalização do ensino, isto é, a possibilidade de acesso ao ensino por crianças e jovens, tornou-se uma realidade no Brasil, que vem se consolidando desde a década de 1970. Essa consolidação passa pela permanência dos estudantes na escola, diminuindo a evasão durante o processo de escolarização e, posteriormente, pela melhoria da qualidade educacional oferecida, a�nal, além de acessar e permanecer nas escolas, os estudantes têm direito à educação de boa qualidade. A LDB/96 e as regulamentações que a seguiram deram o suporte legal para essas evoluções, e o acesso aos recursos tecnológicos digitais têm potencial para ajudar em suas consolidações. No entanto, essas inovações educacionais se consolidam apenas quando as mudanças são implementadas. Um exemplo dessas mudanças seria a efetivação de processos de ensino e aprendizagem que superaram a distância entre o ensino centrado no conhecimento e o ensino centrado no estudante. Enquanto a primeira perspectiva desses processos valoriza a reprodução do conhecimento cientí�co, cultural e artístico produzido ao longo da história, a segunda propõe que a escola deve promover a construção desse conhecimento pelo estudante.” Após a leitura desse texto, o responsável pela seleção pergunta: qual é a relação que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) tem com a superação da distância mencionada no texto? Qual seria sua resposta? Nesta aula, re�etiremos sobre os elementos conceituais e suas aplicações no ensino, que, certamente, ajudarão você a construir uma resposta para essa situação hipotética, assim como auxiliarão em sua práticadocente real. A LDB/96 determina ações a serem tomadas em muitas frentes educacionais, mas, nesta aula, nos ateremos às questões ligadas à concepção educacional que ela trouxe, em particular, à organização curricular, que desloca a unidade curricular de disciplinas para competências. Esse deslocamento implica a �exibilização curricular e outra organização dos espaços no contexto escolar. Ao �nal desta aula, você poderá compreender os signi�cados desses termos. Espera-se que com isso você consiga ter mais critérios para a escolha do sentido que dará às suas ações docentes. Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional e a Constituição Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Para cumprir os objetivos dessa disciplina e, particularmente, desta aula, analisaremos a concepção educacional e a organização curricular que podem ser implementadas nas escolas a partir da Constituição de 1988 e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional ocorrida em 1996. Também, abordaremos alguns aspectos da organização curricular prevista na BNCC (BRASIL, 2018). A Constituição da República Federativa do Brasil (CF/88), promulgada em 1988 e conhecida como “Constituição cidadã”, é uma referência básica, uma vez que ela especi�ca que a educação é um direito de todos os cidadãos, aliás, esse é o primeiro dos direitos sociais elencados em seu art. 6º, o qual diz: “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição” (BRASIL, 1988, [s.p.]). No entanto, isso não signi�ca apenas acesso à educação, mas também a permanência com princípios de ensino especi�cados em seu art. 206: Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos o�ciais; V - valorização dos pro�ssionais do ensino, garantido, na forma da lei, plano de carreira para o magistério público, com piso salarial pro�ssional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, assegurado regime jurídico único para todas as instituições mantidas pela União; VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade. (BRASIL, 1988, [s.p.]) A LDB/96 é o documento jurídico que complementa a CF/88, estabelecendo as diretrizes e bases da educação nacional. Nela, a �exibilização dos currículos e o deslocamento do foco do ensino para a aprendizagem dos discentes são elementos que favorecem a implementação de inovações educacionais que podem ser materializadas nas salas de aula. Com a promulgação dessa lei, a aprendizagem passa a ser vista como um direito. A �exibilização signi�ca que as escolas ou redes de escolas, sejam elas públicas ou não, podem se organizar em séries ou por ciclos de formação (composto por um ou mais anos de escolarização) e, ainda, optar por tempos letivos, como semestres, bimestres ou trimestres, para fecharem o ciclo de avaliação somativo, decidindo sobre a continuidade dos estudos de seus estudantes e adotando como critérios aqueles que melhor atendam às suas necessidades locais e dos estudantes. Como você sabe, cada estudante aprende em tempos diferentes e todos aprenderão aquilo que é desejado se tiverem o tempo adequado e estiverem inseridos em um contexto de aprendizagem igualmente adequado. Mas, o que é esperado que os estudantes aprendam? Com a LDB/96, isso passou a ser especi�cado por meio da descrição das competências e habilidades que eles precisam desenvolver no processo de escolarização. A presença das competências e habilidades pode ser percebida claramente nas diretrizes educacionais e os documentos que orientam a elaboração dos currículos escolares, como a BNCC. ______ Lembre-se Este artigo da LDB é o dispositivo legal central que abre os caminhos para as inovações: Art. 23. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não-seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar. (BRASIL, 1996, [s.p.]) ______ Uma das decorrências dessa opção de associar o que se espera que o estudante aprenda às competências e habilidades é a centralidade que elas passaram a ocupar no monitoramento da qualidade de ensino oferecido pelas escolas e redes de ensino, uma vez que os desempenhos dos estudantes são medidos por meio das habilidades, as quais demonstram ter nos exames de larga escala, como ocorre, por exemplo, na Prova Brasil e no ENEM. Diante disso, de maneira ainda que super�cial, é importante que as competências sejam reveladas em nossas ações e que mobilizem os recursos e conhecimentos que temos em situações especí�cas diante de um fenômeno da vida, sejam eles no âmbito social, natural ou, Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL provavelmente, de ambos concomitantemente. Já as habilidades estão mais no âmbito do saber fazer eminentemente imediato e prático. Diferentes habilidades, quando articuladas, decorrem de competências ou constituem competências, mas sempre envolvendo algum conhecimento aplicável a algum contexto. Competências e habilidade na organização do currículo escolar Você deve ter claro que, ao organizar um currículo escolar, se coloca o desenvolvimento das competências e habilidades como um eixo norteador no lugar daquela organização que relacionava conteúdos. Isso não signi�ca, em hipótese alguma, que os conteúdos estão sendo desvalorizados, ao contrário, o propósito dos espaços escolares é a construção de conhecimentos, e a proposta dessa organização curricular por competências e habilidades tem por �nalidade atribuir signi�cado a esses conteúdos. Com essa proposta, esse conhecimento é aplicável e problematizado para a construção de outro conhecimento. Logo, pensar em uma escola com uma organização curricular que considera o desenvolvimento de competências e habilidades implica o abandono da crença que conhecimentos podem ser transmitidos, e a substituição desse conhecimento é construído e aplicado pelos próprios estudantes em seu processo de aprendizagem. ______ Re�ita Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL O parágrafo anterior do texto evidencia uma aparente contradição em relação à inovação educacional proposta na LDB. Por um lado, ela valoriza a �exibilização reconhecendo as individualidades dos estudantes e os contextos onde estão inseridos; por outro lado, quando monitora a qualidade de ensino oferecido pelas escolas e redes de escolas, regula e, indiretamente, engessa o mínimo ou essencial que os estudantes aprendam de forma generalizada e padronizada. Diante desse contexto, você acha que essa contradição é aparente ou é real? Seja ela aparente ou real, qual proposta faria para superá-la? O que você entenderia como mínimo ou desejável em um currículo escolar? ______ Sabemos que a opção por um currículo que privilegia o desenvolvimento de competências e habilidades tem como pano de fundo uma concepção educacional e adere a uma tendência pedagógica. Já em sua origem, o termo competência foi associado à aptidão e capacidade de analisar e resolver problemas. Mas, associar competência à mera capacidade seria tornar simples algo muito complexo, podendo levar a um entendimento equivocado. A competência implica a articulação de diferentes conhecimentos e a aplicação deles em determinados contextos com ações pautadas em valores individuais ou coletivos. Segundo Perrenoud (1999, p. 7), “para enfrentar uma situação da melhor maneira possível, deve-se, via de regra, pôr em ação e em sinergia váriosrecursos cognitivos complementares, entre os quais estão os conhecimentos”. Em entrevista, Perrenoud discorre sobre o conceito de competência, a qual, segundo ele: (...) é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações etc.) para solucionar com pertinência e e�cácia uma série de situações. Três exemplos: Saber orientar-se em uma cidade desconhecida mobiliza as capacidades de ler um mapa, localizar-se, pedir informações ou conselhos; e os seguintes saberes: ter noção de escala, elementos da topogra�a ou referências geográ�cas. Saber curar uma criança doente mobiliza as capacidades de observar sinais �siológicos, medir a temperatura, administrar um medicamento; e os seguintes saberes: identi�car patologias e sintomas, primeiros socorros, terapias, os riscos, os remédios, os serviços médicos e farmacêuticos. Saber votar de acordo com seus interesses mobiliza as capacidades de saber se informar, preencher a cédula; e os seguintes saberes: instituições políticas, processo de eleição, candidatos, partidos, programas políticos, políticas democráticas, etc. Esses são exemplos banais. Outras competências estão ligadas a contextos culturais, pro�ssionais e condições sociais. Os seres humanos não vivem todos as mesmas situações. Eles desenvolvem competências adaptadas a seu mundo. A selva das cidades exige competências diferentes da �oresta virgem, os pobres têm problemas diferentes dos ricos para resolver. Algumas competências se desenvolvem em grande parte na escola. Outras não. (BENCINI; GENTILE, 2000, [s.p.]) ______ Assimile Na BNCC, a competência é de�nida como a Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL “mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho” (BRASIL, 2016, p. 8). ______ As competências são, portanto, capacidades complexas que envolvem o conhecimento, as ações e os valores de uma pessoa para analisar ou resolver um problema em um determinado contexto. Essas ações requerem habilidades que são desenvolvidas ao mesmo tempo que as competências, por isso, as competências são mais gerais, e as habilidades são mais especí�cas. ______ Assimile Na BNCC, as “habilidades expressam as aprendizagens essenciais que devem ser asseguradas aos alunos nos diferentes contextos escolares” (BRASIL, 2016, p. 29). ______ Para você entender por que a proposta da LDB pode ser considerada uma inovação, consolidada na BNCC, de especi�car o que precisa ser aprendido pelos estudantes por meio da descrição de competências e habilidades, é preciso reconhecer o movimento ocorrido na organização curricular em função daquilo que foi valorizado no ensino. ______ Exempli�cando É importante que você conheça a forma como são expressas as competências e habilidades da BNCC. A imagem a seguir apresenta a forma pela qual a BNCC é organizada e como as competências e habilidades são agrupadas. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Organização da BNCC. Fonte: Brasil (2018, p. 24). ______ A seguir, um exemplo de como algumas delas podem ser desencadeadas em um primeiro ano dos anos iniciais do ensino fundamental: competência geral: valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva; competência especí�ca de matemática: reconhecer que a Matemática é uma ciência humana, fruto das necessidades e preocupações de diferentes culturas, em diferentes momentos históricos, e é uma ciência viva, que contribui para solucionar problemas cientí�cos e tecnológicos e para alicerçar descobertas e construções, inclusive, com impactos no mundo do trabalho; habilidade especí�ca de matemática: (EF01MA01) utilizar números naturais como indicador de quantidade ou de ordem em diferentes situações cotidianas e reconhecer situações em que os números não indicam contagem nem ordem, mas, sim, código de identi�cação. Os novos papéis do discente e do docente Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Diante do exposto, é importante deixar claro que a humanidade, ao longo da história, vem acumulando uma série de conhecimentos e que há muito tempo a escola tem tido o propósito de levá-los aos estudantes, por meio da mera transmissão. Apesar de ser uma característica muito antiga, ela é muito comum nas aulas atualmente, as quais são marcadas por um ensino expositivo, tendo o educador e os livros como fonte exclusiva de informações. Nesse modelo de ensino (e de escola), o estudante tem o papel de receptor durante suas atividades de estudo e de reprodutor nos momentos de avaliação. Nessa lógica, a prática docente se caracteriza pela frequente apresentação oral das informações, apoiada em escritas na lousa ou em projeções e cópias de textos, seguidas de exercícios para a sistematização e aplicação de conceitos. O �nal do processo era marcado por uma prova escrita individual, na qual quanto mais �el a reprodução das informações apresentadas ou copiadas na aula, maiores eram os indícios da boa aprendizagem. Em geral, ao �nal dessa prova, as informações eram esquecidas, uma vez que não tinham signi�cado ou qualquer relação com a vida, sendo sua �nalidade apenas obter um bom resultado na prova escrita. Buscando a oposição às características de ensino desse primeiro momento, o conhecimento acumulado na história continua a ser valorizado, porém, como algo que deve ser construído e reconstruído pelos próprios estudantes, atribuindo, assim, signi�cado com base em seus valores culturais. Nessa lógica, o discente passa a ser o construtor de seu conhecimento, e o docente assume o papel de mediador e facilitador, colocando-se entre o estudante e o conhecimento. Na lógica que coloca o estudante como o protagonista na construção de seu conhecimento, ele faz conexões em uma inserção crítica à realidade que vive, analisando e propondo intervenções. Se você comparar os papéis do educador e do estudante nesses dois contextos, perceberá que eles se modi�cam signi�cativamente, assim como a organização e a dinâmica da sala de aula e da Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL escola. Nessa nova lógica, ao assumir o papel de docente, você deixará de ser um apresentador de informações e passará a ser um mediador da aprendizagem dos estudantes, não se limitando mais a dar as informações para eles, mas orientando-os sobre como encontrá-las e sistematizá-las a serviço da construção e do compartilhamento do conhecimento. Esse compartilhamento não deverá se restringir apenas à divulgação, mas abranger também a sua problematização. Os recursos tecnológicos digitais vêm se revelando um recurso pedagógico potente para o desenvolvimento de competências e habilidades, não só por facilitar o ensino baseado em projetos e a organização de situações-problema, mas também por ser facilmente adaptável às possibilidades de �exibilização do ensino. Com a proposta de organizar os currículos com a especi�cação de competências e habilidades, o conhecimento deve ser problematizado para que outros sejam construídos e, quando necessário, sejam aplicados nas intervenções sobre a realidade vivida. Por isso, os propósitos da ação do estudante ganham força e suas competências e habilidades se tornam necessárias para a análise e resolução de problemas em situações que requerem intervenções. Diante disso, o papel do educador passa a ser facilitador da reconstrução do conhecimento, e o estudante, o principal agente. Para que o discente seja agente, suas ações dependerão de suas competências e habilidades e, por isso, um currículo escolar com essa lógica pode ser denominado como currículo referenciado em competências. Nessa lógica, o desempenho do estudante é medido por meio do que ele é capaz de fazer. A construção e reconstrução desses conhecimentos têm se tornado mais e�cientes e e�cazesà medida que os recursos tecnológicos digitais têm tido o seu acesso facilitado. ______ Vocabulário E�ciência e e�cácia não são sinônimos. O conceito de e�ciência está atrelado ao adequado uso dos recursos disponíveis para uma determinada �nalidade, enquanto o de e�cácia está associado ao cumprimento dos objetivos. Assim, um processo pode ser classi�cado como: e�ciente e e�caz quando usou os recursos disponíveis de maneira adequada e cumpriu os objetivos; e�ciente e ine�caz quando usou os recursos disponíveis de maneira adequada, mas não cumpriu os objetivos; ine�ciente e e�caz quando os objetivos foram atingidos, mas sem a adequada utilização dos recursos; ine�ciente e ine�caz quando os objetivos não foram atingidos e tampouco a utilização dos recursos foi adequada. ______ Você deve ter percebido que a mudança de foco sobre o que deve ser ensinado e a sua respectiva forma podem ser consideradas inovações educacionais, porém, quando elas não são implementadas, �cam apenas no estágio de ser uma proposta. Pensar em tudo o que precisa ser ensinado, de�nir objetivos pedagógicos e escolher as estratégias que serão propostas para que esses objetivos sejam cumpridos são ações inerentes à prática docente. No entanto, adequar-se a essas novas demandas que colocam o desenvolvimento de competências e habilidades nos estudantes se consolida como a mais recente tendência Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL pedagógica. Essa adequação é um novo desa�o para você e seus colegas. Trata-se de uma inovação educacional! ______ Dica Conheça e se reconheça! É muito interessante que você conheça as diferentes tendências pedagógicas existentes para que possa reconhecer em sua própria prática docente qual delas você tem maior aproximação e possa avaliar se é realmente a sua opção preferida. Uma referência disponível é Democratização da escola pública, de José Carlos Libâneo. Lembre-se de que, raramente, qualquer ação educacional segue exclusivamente uma das tendências. ______ Como você viu ao longo desta aula, a LDB/96 é um dispositivo legal que possibilita a implementação de inovações pedagógicas. Será na sala de aula que seus propósitos se materializarão, e isso ocorrerá se o foco do educador passar a ser a aprendizagem dos estudantes. A opção por uma organização curricular que expressa as aprendizagens por meio da descrição das competências e habilidades a serem desenvolvidas nesse processo é uma oportunidade de atribuir signi�cado a essas aprendizagens, e ela será aproveitada por todos se os papéis ocupados por estudantes e educadores, assim como a organização curricular, forem rede�nidos. Conclusão Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL As inovações educacionais sempre têm uma �nalidade. Atualmente, apesar de todos os avanços tecnológicos e das possibilidades abertas pela legislação, a educação parece estar muito estagnada. Está bastante evidente que as aulas, em geral, ainda aderem aos modelos que valorizam a reprodução do conhecimento, nos quais o estudante tem di�culdade em entender para que serve tudo aquilo que estuda e faz na escola. Ele frequenta as aulas, em geral, para cumprir o tempo letivo e ser aprovado no processo. As escolas e suas aulas precisam ser mais valorizadas e, para isso, precisam rever os modelos atuais e valorizar a construção do conhecimento. Você deve ter percebido a importância da estreita relação existente entre a Constituição de 1988, a LDB/96 e a BNCC para a implementação de inovações educacionais no sistema de ensino e, em particular, nas salas de aula, onde elas efetivamente tomam forma para cumprir com os propósitos a que foram propostas. A concepção educacional presente na LDB/96 favorece a implementação das tendências pedagógicas que valorizam a aprendizagem dos estudantes, colocando-os como os principais construtores de conhecimento de uma maneira muito contemporânea, isto é, usando os recursos didáticos que foram aprimorados graças aos avanços tecnológicos digitais e mudando as relações entre os estudantes e, mais notadamente, entre o docente e os discentes. A própria BNCC, como um documento orientador para a elaboração de matrizes curriculares, diretrizes metodológicas, produção de materiais e recursos didáticos e formação de docentes, já não mais se organiza por uma relação de conteúdos; ela de�ne competências e habilidades que precisam ser desenvolvidas a cada período da escolarização e, em particular, em cada área de conhecimentos. Se você �zer uma retrospectiva em sua memória, remetendo aos momentos que era estudante, certamente, as situações mais frequentes são aquelas nas quais estava ouvindo o educador e se preocupando em anotar para, depois, estudar para tirar boas notas na prova. Essas práticas docentes, nas quais os educadores e seu conhecimento �cam no centro do processo e os estudantes ocupam o papel de receptores, ainda são frequentes. Isso acontece porque somos propensos a ensinar da mesma maneira que aprendemos. Além disso, a forma de organização escolar, os livros didáticos e os planos de ensino já feitos são fatores que colaboram para a manutenção dessas práticas. As inovações educacionais devem romper com isso e, para isso, pensar nos currículos escolares tomando a BNCC como referência, e não como currículo pronto, é uma grande oportunidade. Esse rompimento passa pela mudança da prática docente. Antigamente, os estudantes com di�culdades em aprender evadiam das escolas. Hoje, eles permanecem e devem permanecer para que o seu direito de aprender seja garantido. Para a garantia desse direito, devemos mudar nossa prática docente, e essa mudança começa com nossa participação na elaboração ou no aprimoramento da proposta educacional da escola e com a busca por atender, de forma crítica, àquilo que está especi�cado na LDB/96 e na BNCC. Esse processo continua a acontecer quando incorporamos inovações educacionais em nosso plano de ensino para o ano letivo e quando planejamos cada aula usando metodologias de ensino que respondam positivamente a perguntas, como: estou colocando foco nas aprendizagens dos estudantes? Estou propondo uma dinâmica diferente nas aulas em relação à forma que eu aprendi? Estou usando adequadamente os recursos disponíveis? Se você responder positivamente a essas questões, terá dado grandes passos, mas não su�cientes. Precisará, ainda, implementar e avaliar o desenvolvimento dessas aulas. Para esse olhar avaliativo, basta se perguntar: os objetivos estabelecidos estão sendo cumpridos? As Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL estratégias de ensino estão permitindo o uso adequado dos recursos disponíveis? As dez competências propostas na BNCC estão sendo desenvolvidas? Será dessa maneira que você estará aproveitando as possibilidades de �exibilização e de reorganização dos espaços e das interações que a Constituição de 1988 e a LDB/96 trouxeram para aprimorar a qualidade da educação. Será dessa maneira que estará ajudando seus estudantes a desenvolver as competências e habilidades especi�cadas na BNCC. Aula 3 As inovações na educação Introdução da Aula Qual é o foco da aula? Nesta aula, você estudará sobre as inovações na educação. Objetivos gerais de aprendizagem Ao �nal desta aula, você será capaz de: empregar propostas metodológicas que poderão ser incorporadas em suas aulas, tornando- as inovadoras; Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL traçar os aspectos gerais que podem estar presentes no plano de ensino para que a aula desperte o interesse dos estudantes, tornando-os protagonistas críticos e éticos; esclarecer o que signi�ca um ensino equânime que requer a �exibilização curricular e a personalização do ensino. Situação-problema Até agora, nós desenvolvemos a ideia e exemplos de inovação educacional. Vimos que as propostas de inovações educacionais sempre são ações tomadas que aprimoram o processo de ensino para atender determinados propósitos. Às vezes elas são induzidas por demandas sociais (universalização do ensino) e por avanços tecnológicos (tecnologia digital) ou, também, podem induzir mudanças desejadas (LDB/96).De qualquer forma, essas propostas só podem ser consideradas como inovações quando efetivamente mudam uma realidade anterior resolvendo problemas identi�cados ou cumprindo objetivos preestabelecidos. Tais mudanças podem ocorrer desde o nível da política educacional até ao do trabalho em sala de aula. Para pensar nesse contexto, imagine que você foi aprovado no processo seletivo para uma vaga de docente e foi convidado para uma entrevista individual que será a última etapa desse processo. Ao chegar lá, você foi agradavelmente acolhido pela direção e pela coordenação pedagógica da escola em uma sala que tinha poltronas confortáveis e onde estava sendo oferecido um delicioso café da manhã. Elas pediram para você se sentar e disseram: “Queremos inovar nessa escola. Precisamos de modernidades, mas nada com esses modismos. Nossos alunos já não são os mesmos. Antes, eles �cavam mais quietos e atentos. Atualmente, são desinteressados, mas não param de mexer no celular e parecem ter uma energia que nunca se esgota. Nós queremos que essa escola seja reconhecida pela inovação educacional em um ano, e tem que começar pela sala de aula”. Como você caracterizaria seu plano de ensino para atender essas expectativas manifestadas pela direção da escola? Há muitos elementos que precisam ser analisados nessa fala da diretora que ocorre em um ambiente acolhedor. Um desses elementos se refere ao per�l do estudante. Segundo a direção, antes era desejado que os estudantes fossem quietos e atentos, hoje, eles têm interesse pelas relações estabelecidas por meio dos recursos digitais e não por aquelas propostas da escola. O outro elemento está associado à necessidade de modernizar com ações e recursos mais permanentes. Nesta aula, vamos analisar propostas metodológicas que poderão ser incorporadas em suas aulas e as tornem inovadoras. Você poderá notar que essas inovações perpassam pelo uso adequado dos recursos digitais para facilitar e potencializar a mudança do papel do estudante no processo da construção de seu conhecimento. Uma mudança que implica mudar o papel do docente, da organização do tempo e do espaço escolar, das relações na sala de aula e na escola. Essa mudança é justi�cada diante da heterogeneidade dos per�s dos discentes presentes nas escolas que têm necessidades educacionais distintas e necessitam de intervenções educacionais distintas. Dessa maneira, para que todos aprendam e atinjam os mesmos objetivos educacionais, a escola precisa de equidade, e não apenas de igualdade. Uma vez que quando o ensino é Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL caracterizado pela igualdade, todos os estudantes são submetidos aos mesmos tempos de ensino e com os mesmos recursos didáticos. Em contrapartida, um ensino com equidade é aquele que cada estudante aprende com ritmo e formas diferentes, tem acesso a oportunidades particulares de aprender, com tempos e recursos distintos, mais adequados à sua forma individual de aprender. Um ensino equânime é aquele que personaliza o ensino permitindo que os discentes criem sua rota alternativa de aprendizagem (DEMO, 2014). Por isso, um ensino equânime requer a �exibilização curricular (de conteúdos e de tempos e espaços escolares) e a personalização do ensino (rotas individuais de aprendizagem). Quando associados às metodologias ativas, os recursos digitais disponíveis se tornam muito potentes e auxiliam nessa �exibilização e personalização (BACICH; TANZI NETO; TREVISANI, 2015). Propostas metodológicas que exploram adequadamente o ensino com recursos digitais e aqueles do ensino presenciais caracterizam o chamado ensino híbrido e melhoram a e�ciência e a e�cácia de outras propostas de metodologias ativas, propiciando, assim, a implementação de inovações educacionais que atendam às demandas contemporâneas. Pois é, você perceberá que mudar o papel do estudante implica mudar a organização curricular, signi�ca mudar a escola! En�m, ao �nal desta aula você poderá elencar os aspectos gerais que podem estar presentes em seu plano de ensino para que sua aula desperte o interesse dos estudantes, tornando-os protagonistas críticos e éticos. Inovações na sala de aula Para que você possa ter uma ação inovadora em educação, principalmente na sala de aula, é necessário antes ter clareza sobre as características de um determinado contexto, sobre o que se deseja modi�car e sobre o que será feito para que essa modi�cação ocorra. Depois disso, algo Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL igualmente importante e mais difícil é avaliar em que medida a ação é inovadora, prevendo realmente quais são os impactos que ela trará. Nesta aula, vamos sair das questões mais gerais sobre as inovações educacionais e aterrissar na sala de aula, lugar onde as inovações ocorrem concretamente. Para isso, vamos focar nas inovações educacionais no ensino. As inovações educacionais, como já visto, sempre existiram na história da educação. Algumas delas são muito remotas, outras já podem ser classi�cadas como seculares, e outras têm acontecido em maior número nas últimas décadas. ______ Re�ita Diferentes linhas metodológicas podem ser identi�cadas como propostas inovadoras no ensino, por exemplo, elas poderiam ser classi�cadas em Tradicional, Escolanovista (Movimento da Escola Nova), Libertadora, Tecnicista e Histórico-crítica. Cada uma delas representou propostas de melhoria em relação ao que era vigente, dando a ideia de uma substituir a outra em uma linha do tempo, como se uma substituísse a outra de fato. No entanto, isso não acontece na prática e nem teoricamente. Como temos a forte tendência de ensinarmos como aprendemos, é importante você parar e re�etir: quais dessas tendências marcou sua formação na escola básica? ______ A história da educação formal do Brasil começa em seu descobrimento, com a vinda do modelo de ensino adotado pelos jesuítas que, por sua vez, carregaram as inovações que ocorreram em tempos anteriores. Curiosamente, muitos dos traços característicos desses modelos de ensino ainda estão presentes na sala de aula, apesar de toda a mudança social e avanço tecnológico ocorrido desde então. ______ Re�ita A descrição a seguir caracteriza um modelo inovador para a arquitetura escolar, proposto para atender aos princípios da conveniência, comodidade e saúde dos estudantes, em 1849 por Henry Barnard, responsável pelo sistema educacional americano. As carteiras devem ser adequadas ao tamanho dos estudantes e deve permitir que o docente se aproxime deles. A sala de aula deve ter um tablado para que o professor possa com apenas um olhar inspecionar e transmitir seus ensinamentos, com metáforas cientí�cas, nas quais as leis naturais eram aplicadas à situação educacional. O docente não deve �car permanentemente em uma mesma posição, pois os estudantes travessos adaptariam suas próprias posições conforme a posição do professor para enganar ou se esconder; e uma posição no fundo da classe, exceto por usa inconveniência para discursar, é melhor para detectar do que para prevenir a transgressão. Os componentes didáticos necessários para uma sala de aula são o quadro-negro, lousas, lanterna mágica (um tipo de projetor para ilustrar as aulas), relógio para controlar a justa distribuição dos tempos entre as aulas, livros e recursos didáticos (DUSSEL; CARUSO, 2003). Atente-se não apenas pelos objetos presentes na sala de aula e sua distribuição, mas também imagine como era a relação entre educador e estudantes, entre os estudantes e o papel de cada um deles na sala de aula. Quais são as semelhanças que você reconhece entre esse modelo proposto em meados do século XIX e o que observamos nas salas de aula hoje? Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL ______ Esperamos que você esteja percebendo que é muito difícil falar em inovação sem olhar e compreender as propostas passadas, conhecer o que temos disponível hoje, compreender os contextos atuais e identi�car, nesse contexto, quais são os desa�os que temos que enfrentar para formar adequadamente o estudante para um futuro que apenas podemos vislumbrar. Equidadena sala de aula Na construção dessa disciplina vamos arriscar a assumir dois pressupostos já declarados anteriormente, mas que são explicitados mais clara e objetivamente agora. O primeiro pressuposto se refere ao contexto escolar. Nesse contexto temos no Brasil uma oferta praticamente universalizada de vagas para a Educação Básica, mas com uma alta taxa de evasão ao acesso ao Ensino Médio, e ainda com um número menor de discentes conseguindo concluí-los. Esse contexto é ainda marcado pela falta de equidade. O desempenho médio dos estudantes com níveis socioeconômico-culturais menores é inferior ao dos demais. O segundo pressuposto está relacionado à disponibilidade dos recursos tecnológicos digitais que podem tornar o ensino mais equânime. Ao longo do tempo, muitos autores, pesquisadores, sociólogos e �lósofos trazem por meio de seus estudos propostas que podem garantir a aprendizagem dos estudantes que tornariam o ensino mais equânime. Mas, para colocarmos o foco necessário para esta disciplina, vamos usar essa síntese feita por Freitas (2005), que une esses dois pressupostos e que devemos considerar em nossas aulas para poder implementar uma inovação. Há pelo menos quarenta anos com J. Carroll e há mais de trinta anos com Bloom, Hastings e Madaus (1971): (…) dado su�ciente tempo e apropriadas formas de ajuda, Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL 95% dos estudantes podem aprender a matéria com um alto grau de domínio, já diziam eles, ou seja, como dirão, a uni�cação dos tempos é responsável pela diversi�cação dos desempenhos. Vale dizer que, se submetermos os diferentes ritmos dos alunos a um único tempo de aprendizagem, produziremos a diferenciação dos desempenhos dos alunos. (FREITAS, 2005, p. 19) É importante você perceber com essa citação que uma das possíveis inovações a serem implementadas na sala de aula se caracteriza por permitir a diferentes estudantes terem tempos de aprendizagem particulares e com acesso a recursos pedagógicos distintos e diversi�cados. A universalização do acesso ao ensino e a busca pela não evasão dos estudantes são dois fatos que aumentam a heterogeneidade do per�l desses estudantes dentro da sala de aula e da escola, implicando turmas que requerem maior número e diversidade de rotas de aprendizagem, com tempos e recursos distintos. Perceba, então, que a inovação na sala de aula consiste na adoção de metodologias de ensino que levem à equidade, ou seja, oferta de tempos didáticos e recursos pedagógicos ajustados a cada tipo de estudante. ______ Exempli�cando Para você melhor entender as propostas dessa aula, que serão mais bem detalhadas ao longo dessa disciplina, é importante que você tenha claro a diferença entre igualdade e equidade. Imagine que um casal tem dois �lhos e ainda os ajuda �nanceiramente. O mais velho, de 17 anos, está no Ensino Superior e mora em outra cidade, logo precisa pagar aluguel, transporte e alimentação. O mais novo, com 14 anos, estuda no Ensino Médio, ainda mora com os pais e tem que se deslocar para outra cidade para estudar. Se a família perceber que as necessidades desses �lhos são diferentes e os ajudar com aquilo que cada um deles precisa, ela estará usando o conceito de equidade para ajudar aos �lhos. Eles recebem ajudas diferentes. Se a família, independentemente das necessidades de cada um deles, oferece os mesmos recursos, essa família estará usando o conceito de igualdade para ajudar os �lhos. Equidade em educação signi�ca reconhecer as diferenças existentes entre os estudantes no início do processo educacional e oferecer os adequados e necessários recursos pedagógicos e as condições de acesso a esses recursos para que todos tenham, ao �nal do processo, as mesmas aprendizagens esperadas. Igualdade em educação signi�ca oferecer os mesmos recursos aos estudantes. ______ Para cumprirmos os objetivos estabelecidos para essa disciplina, esperamos que você considere que esse é um dos contextos para pensar em inovações em sua sala de aula, quando o uso dos recursos digitais não só permite, mas potencializa essa personalização do ensino, porque permite ao estudante construir a sua trajetória de construção de conhecimentos, com a adequada exploração de recursos e tempos necessários para ele. ______ Atenção É importante que você perceba que a universalização do acesso ao ensino e a não evasão de estudantes foram resultados desejáveis de inovações propostas que apenas cumprirão o seu papel quando as metodologias de ensino adotadas nas salas de aula também forem inovadoras para tornar o ensino equitativo. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL O novo modelo da Educação Nessa aula é importante você estar atento ao fato de que o uso dos recursos digitais é algo potente, mas que ele não é su�ciente. Ele precisa ser complementado com outro que está associado a outra característica do atual contexto: a atribuição de signi�cado ao que precisa ser aprendido e, portanto, ao que deve ser ensinado para despertar o interesse do estudante. Para isso, é importante que aquele modelo de aula na qual os conteúdos são transmitidos pelo educador e pelos livros, os recursos didáticos são ilustrativos e aos estudantes cabe apenas memorizar esses conteúdos precisam ser abandonados. E, em seu lugar, precisam entrar aqueles modelos nos quais os estudantes têm a oportunidade de acessar os conhecimentos acumulados pela humanidade, não com a �nalidade de memorizar, mas sim contextualizar, problematizar e aplicar na leitura dos fenômenos naturais e sociais, propondo soluções para os problemas identi�cados. A implementação crítica e consciente da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é uma oportunidade de colaborar com a implementação desse novo modelo. Ela expressa o que deve ser aprendido e ensinado por meio da especi�cação de competências e habilidades que precisam ser desenvolvidas e, ao mesmo tempo, devendo ser entendidas como objetivos pedagógicos e um direito das crianças e jovens. Para que essas prerrogativas sejam cumpridas em sua sala de aula, suas propostas de ensino devem levar estudantes a construírem os conhecimentos, habilidades, atitudes e valores. Para os estudantes serem os construtores dessa sua aprendizagem, você deve ter percebido que nessa proposta a inovação está na mudança do papel do educando, quando ele deixa de ser um receptor e reprodutor de conhecimentos e se torna construtor do próprio conhecimento. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Mais uma vez, muitas propostas foram feitas nessa perspectiva ao longo da história da educação e a inovação pode estar no uso dos recursos digitais que permitem o acesso, produção e divulgação de informações está em ser implementada. O interesse dos estudantes existirá quando a escola e a sala de aula os acolhem, promovendo o seu autoconhecimento e o conhecimento do mundo que o cerca, tendo a vivência que os possibilita se sentirem potentes na intervenção desse mundo. Eles precisam se tornar protagonistas nessa intervenção e isto estará ligado ao seu projeto de vida. Um projeto de vida que é único a cada um. ______ Assimile Uma das possíveis propostas inovadoras a serem implementadas na sua sala de aula pode ser caracterizado por quatro desa�os: o primeiro é implementar propostas de ensino que efetivamente colocam os estudantes como agentes principais na construção de seus conhecimentos, reconhecendo, problematizando, recriando e aplicando o conhecimento acumulado pela sociedade. O segundo está em tornar essas propostas equânimes que, por reconhecer a diversidade do per�l e necessidades pedagógicas dos estudantes, disponibilizem tempos e recursos especí�cos para cada um deles, personalizando o processo de ensino. O terceiro, decorrente dos dois primeiros, é rede�nir os papéis do estudante e do educador, da organização curricular e dos tempos e espaços da escola. Finalmente o quarto, que consiste na exploração dos recursos digitais, aproveitando a cultura digital já existente fora da escola, para facilitar o cumprimento do terceiro desa�o. ______ Muitos dos recursos necessários para venceresses desa�os já são vigentes em muitos espaços escolares e não escolares, restando-nos, então, apenas termos o conhecimento sobre esses recursos e usá-los em propostas educacionais aplicáveis em salas de aula. Metodologias Ativas Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Você já deve ter ouvido falar em metodologias ativas. Elas nada mais são do que propostas de ensino que colocam a atividade do estudante no centro e é por meio dessa atividade que ele, ao buscar soluções para problemas reais que identi�ca em um contexto, também constrói o seu conhecimento. Alguns exemplos de metodologias ativas são: Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Aplicar cada uma dessas metodologias requer a reorganização do currículo, mudanças na postura do educador e dos estudantes, mudança nas tarefas propostas e rede�nição dos tempos e espaços escolares. A sala de aula, delimitada em seu espaço físico e pelo tempo em que os estudantes estão nelas, torna-se sem con�guração, com a crescente facilidade de acesso e uso das ferramentas digitais. Comunidades Virtuais de Aprendizagem são constituídas por pessoas com um interesse comum que trocam informações, permitindo que os estudantes se tornem coautores e coaprendentes. Essa participação pode ser ampliada e aprofundada com as plataformas adaptativas, que permitem aos estudantes a colocar foco em determinados conhecimentos. Esse hibridismo no ensino, que mescla o encontro presencial e o acesso, produção e divulgação de informações, permitem a personalização do ensino e estimulam a atividade do estudante. De acordo com o modelo proposto pelo Clayton Christensen Institute, o ensino híbrido é um programa de educação formal no qual um estudante aprende por meio do ensino on-line, com algum elemento de controle do estudante sobre o tempo, o lugar, o modo e/ou o ritmo do estudo, e por meio do ensino presencial, na escola. (BACICH; TANZI NETO; TREVISANI, 2015). São recursos que estão disponíveis. Inove trazendo-os para a sua aula! ______ Dica Escolha um tema que seja de seu interesse e que não seja ligado à educação, como maquiagem, artes, carros, cinema, hortas domiciliares, pets, esportes etc. Procure por blogues, canais do YouTube, fóruns, salas de chat, aplicativos e redes de compartilhamento de vídeos, imagens e textos. Isso não signi�ca que você deva se esquecer dos documentários, textos acadêmicos e reportagens disponibilizados no mundo digital. Mergulhe nesse mundo digital e tente começar a produzir e compartilhar informações. Comece a construir – se ainda não tiver – seus conhecimentos, habilidades, atitudes e valores acerca desse mundo digital, a�nal, você não pode ajudar os outros a aprenderem se você não Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL aprender também. Conclusão Como um pro�ssional da educação, é necessário pensar em como inovar as aulas para que a escola seja inovadora de uma forma constante e duradoura, fugindo dos modismos. Vamos nos dar o direito de simpli�car um pouco o processo que é bastante complexo, a�nal temos que começar por algum lugar. Para fugirmos do modismo, ou seja, algo que é feito agora e em um breve período do tempo não terá mais qualquer valor, teremos que nos referenciar em algo mais permanente. Então, um começo é estudar as dez competências propostas na BNCC. Desse estudo, você perceberá que tornar o estudante capaz de entender o mundo que o cerca, identi�cando e resolvendo problemas de maneira individual e coletiva, por meio dos recursos digitais poderia ser uma síntese dessas dez competências, certo? Logo, perceba que o que foi abordado nesta aula traz os elementos necessários para que o plano de ensino ou um plano de aula, ou até mesmo uma tarefa seja inovadora. Comece pelo mais simples possível. Perceba que na situação problema apresentada no início da aula, a forma pela qual você foi hipoteticamente entrevistado foi diferente daquela que normalmente acontece. O uso dessa imagem na apresentação da situação-problema é para explicitar a �gura de que uma inovação não é feita isoladamente na sala de aula. É necessária toda uma mudança nos valores da instituição escolar. São esses valores que orientam as atitudes. O Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL respeito ali representado não se limita à preocupação de acolher bem o pro�ssional, mas sim em dar as devidas condições para que o educador seja também criativo, crítico e ético. De�na um objetivo de aprendizagem que queira contemplar, visite a BNCC e identi�que qual seria a habilidade que estaria associada a esse objetivo. Atribua signi�cado a todos os termos presentes na descrição dessa habilidade. Elabore uma tarefa que torne o estudante o principal agente na construção da habilidade selecionada. Na elaboração dessa tarefa você já poderá usar os recursos digitais para pesquisar, mas evite a tentação de replicar uma tarefa proposta. A ideia de que boa prática é replicável é um equívoco. Uma boa prática em um contexto pode levar a uma má experiência em outro. Você deve analisar quais foram as condições do contexto que levaram à prática ser boa e identi�car as condições de seu contexto. Você deve estar percebendo que uma inovação começa no seu planejamento, escolhendo a forma – os digitais ou não –, leve seus estudantes a serem produtores de conhecimento, protagonistas no processo, de maneira crítica, criativa e ética. Dessa maneira, seu projeto de ensino será inovador e desenvolverá conteúdos por meio de tarefas e com uso de recursos que promovam aprendizagem de maneira signi�cativa, interativa e colaborativa, com respeito ao o ritmo e individualidade de cada estudante. Videoaula: tendências e inovações na área educacional Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Assista à videoaula sobre "tendências e inovações na área educacional". Referências Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL BACICH, L.; MORAN, J. Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. 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Introdução da Unidade Nesta unidade vamos nos aproximar da sala de aula e estudaremos as metodologias ativas, para que você tenha os conhecimentos necessários a �m de implementá-las em sua prática docente. A proposição do uso das metodologias ativas não é nova e a busca de sua implementação tem sido meta há pouco mais de um século, o que permitiu um grande avanço teórico na didática e na psicologia educacional, dentre outras áreas da Educação. Atualmente, os resultados desse avanço teórico têm sido usados no aprimoramento de diversas técnicas, que associadas aos recursos tecnológicos, sobretudo os digitais, permitem a implementação dessa metodologia de maneira inovadora. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Na aula 1, você perceberá que a implementação das metodologias ativas quebra alguns paradigmas educacionais porque o papel do estudante é rede�nido, tendo como implicação direta a rede�nição do papel do educador e de toda a escola, recon�gurando os tempos e espaços escolares. Nessa aula você perceberá de forma prática a relevância do uso dos recursos digitais. Na aula 2, você terá a oportunidade de conhecer e analisar as potencialidades e limitações de alguns exemplos dessas técnicas: sala de aula invertida, modelos híbridos de ensino, Design Thinking, Metodologia STEAM, Cultura Maker, Gami�cação na Educação e Jogos Digitais. Na aula 3, você poderá perceber as diferenças existentes entre as propostas que tornam a aprendizagem ativa daquelas que promovem e desenvolvem o protagonismo. Essas diferenças podem ser percebidas mais recentemente com os avançosteóricos e são requisitadas com as demandas atuais que a sociedade faz para a Educação, provocando a necessidade de desenvolver no estudante uma visão empreendedora, exigindo que ele seja criativo e tenha atitudes colaborativas no processo educacional. Será nesta unidade que você terá a oportunidade de desenvolver seu conhecimento para usar em sua sala de aula a cultura digital já presente fora da escola. En�m, nesta unidade você reconhecerá a importância da �exibilização curricular e das culturas digitais a �m de que suas aulas sejam su�cientemente inovadoras para resgatar o interesse do estudante pela escola. Quando interessado, a despeito das adversidades existentes na vida do estudante fora da escola, você perceberá que ele é capaz de modi�car o mundo que o cerca, porque ele é modi�cado com o conhecimento e com os valores que constroem na escola. Essa formação na escola é importante porque será nela que a criticidade e a ética poderão se tornar ingredientes no acesso, análise, produção e compartilhamento de informações produzidas, não só no mundo digital, mas também no mundo acadêmico, no qual o conhecimento cientí�co pode e deve ser desenvolvido para que o estudante supere sua relação apenas com o conhecimento comum. As inovações, que contemplam esses propósitos, permitirão que os estudantes vislumbram projetos futuros e se sintam estimulados, promovendo, assim, um maior compromisso e responsabilidade. A atribuição de signi�cado ao que os estudantes fazem na escola e ao que é proposto para eles aprenderem é um dos possíveis caminhos para erradicar o desinteresse, quando manifestado pelos estudantes na escola. Com essa atribuição de signi�cado, os estudantes darão sentido a suas ações dentro – e, principalmente – fora da escola. Introdução da Aula Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Qual é o foco da aula? Nesta aula, você estudará sobre os modelos centrados na aprendizagem ativa. Objetivos gerais de aprendizagem Ao �nal desta aula, você será capaz de: analisar a proposta de usar as metodologias ativas no processo de ensino para reverter o desinteresse manifestado pelos estudantes em suas atividades escolares; debater o modelo das aulas que evita aquele no qual o estudante é um mero receptor e reprodutor de informações; discutir os elementos conceituais e práticos relacionados às metodologias ativas associadas à cultura digital existente fora da escola em um contexto em que o estudante se torna protagonista. Situação-problema Agora você tem noção do que vem a ser uma inovação educacional e sabe que ela tem sua importância justi�cada por seus propósitos. Também já sabe que ela não precisa ser necessariamente uma ideia nova ou usar recursos novos, mas deve mudar algo que anteriormente era feito antes de sua implementação. Considerando os modelos centrados na aprendizagem ativa, suponha que você, depois de um exaustivo processo de seleção, �nalmente foi contratado e assumiu uma turma na escola, e que a direção chamou você para uma conversa antes da semana de planejamento do início do ano letivo. Imagine que nessa conversa a diretora disse que sua contratação foi feita por sua crença de que as aulas em que impera a mera transmissão de conhecimentos, nas quais o estudante é um Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL expectador, não mais funciona, e que uma inovação educacional na sala de aula é aquela que faz o estudante ter maior participação. Ainda na mesma conversa, ela disse também que durante o processo seletivo o aspecto que mais chamou a atenção dos entrevistadores foi sua seguinte fala: “uma das inovações educacionais se caracterizaria por aulas que envolveriam tarefas as quais os estudantes precisariam ler, pesquisar, criar hipóteses e validá-las, fazer sínteses e tomar decisões para resolver problemas reais e assim, efetivamente, participariam ativamente do processo da construção de seu próprio conhecimento”. Diante desse contexto, ela pediu para você elaborar uma apresentação a ser feita para toda a equipe, mostrando suas crenças sobre as mudanças que mencionou durante as entrevistas de seleção e como você trabalharia em sua sala de aula para torná-las concretas. Que aspectos deveriam aparecer na sua apresentação? Nesta aula vamos analisar a proposta de usar as metodologias ativas no processo de ensino para reverter esse quadro de desinteresse manifestado pelos estudantes em suas atividades escolares, um quadro que infelizmente é recorrente e que se intensi�ca ao passar dos anos de escolarização. A análise dessa proposta envolve sua relação na organização curricular no âmbito dos conteúdos e dos tempos e espaços escolares, assim como na mudança das atitudes do educador, ou seja, a organização do currículo e a postura do educador também serão problematizados. Reconheceremos que, em geral, a escola é desinteressante porque os estudantes não veem signi�cado naquilo que aprendem e menos ainda no que fazem. Diante disso, vamos assumir que um dos possíveis propósitos para uma inovação educacional contemporânea é a implementação de práticas escolares que atribuam signi�cado ao que o estudante deve aprender e às suas atividades. Ao �nal desta aula, você verá que o modelo das aulas busca evitar aquele no qual o estudante é um mero receptor e reprodutor de informações, que em geral, não o ajuda a fazer conexão entre os conteúdos e suas experiências fora da escola. Ao �nal dela você terá os elementos conceituais e práticos relacionados às metodologias ativas associadas à cultura digital existente fora da escola em um contexto em que o estudante se torna protagonista. Trabalhar com modelos de aulas com essas características se con�gura em mais um desa�o para o docente, porque implica mudança de suas crenças e valores, requerendo muito conhecimento e o rompimento daquilo que ele esteve, em geral, acostumado a ver como método de ensino. Romper não é fácil, gera inseguranças no início, mas depois os frutos são bons! Metodologias ativas: o papel ativo do estudante Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Tornar a escola interessante para os estudantes é, certamente, um dos principais desa�os atuais, e por isso deve ser tema motivador para as atuais inovações educacionais. Todos sabemos que o desinteresse estudantil em suas atividades escolares é comum e que se intensi�ca ao passar dos anos de escolarização. Uma vez que ele é in�uenciado por fatores de dentro e de fora da escola, deve ser visto como um sintoma e não uma causa dos problemas educacionais. Certamente você presenciou muitas situações que exempli�cariam essa situação. Em geral, a escola é desinteressante porque os estudantes não veem signi�cado naquilo que aprendem e menos ainda no que fazem. Portanto, um dos possíveis propósitos para uma inovação educacional contemporânea é a implementação de práticas escolares que atribuam signi�cado ao que o estudante deve aprender e às suas atividades. Para essa atribuição de signi�cados, não basta o educando deixar de ser um mero receptor e reprodutor de informações totalmente sem sentido para sua vida. Além de ser ativo no processo, é também necessário que ele seja capaz de resolver problemas reais que identi�ca em seu cotidiano. Será em práticas escolares que desempenham essas duas dimensões que ele se formará como cidadão e se preparará para as exigências do mercado de trabalho. Diante disso, você deve ter claro que uma metodologia ativa não é apenas aquela que o educador coloca um desa�o para o estudante, mas sim aquela que se sinta desa�ado a fazer. Assim, uma metodologia ativa começa a partir de uma tarefa que o estudante efetivamente queira cumprir. A sua motivação interna está no fato de ele se sentir realizado em cumprir aquela tarefa, de maneira diversa do que ocorre em relação aos motivadores externos, como uma nota a ser dada pelo educador. Educadores que desenvolvem a postura investigativa consideram que, ao participarem de comunidades investigativas, trabalham a favor e contra o sistema, problematizam hipóteses Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL fundamentais sobre os propósitos dosistema educacional existente; sendo esse trabalho realizado a partir do levantamento de questões difíceis sobre os recursos educacionais, processos e resultados. Conjuntamente, os educadores com postura investigativa questionam o efeito do currículo existente, a instrução e as práticas de avaliação e as políticas. Sendo assim, consideram como as organizações do ensino e da liderança escolar desa�am ou sustentam as desigualdades profundas inscritas no status quo. Como podemos ver, o propósito �nal da investigação como postura – sempre e em todos os contextos – é aprimorar a aprendizagem do educando e as suas chances na participação e contribuição para uma sociedade diferente e democrática (COCHRAN-SMITH; LYTLE, 2009). Por sua vez, a motivação interna ocorrerá quando o educando perceber que aquilo que ele faz na escola está conectado aos seus sentimentos, seus desejos e suas expectativas. Ou seja, a escola deve ser um local onde o per�l dos estudantes e o contexto onde vivem sejam considerados e colaborem para a elaboração de seus projetos de vida. Nos modelos tradicionais de ensino há a crença de que os estudantes são capazes de aplicar os conhecimentos memorizados ao longo do processo de escolarização quando se depararem com os problemas reais da vida, fora da escola. Essa crença torna o papel da escola uma preparação para a vida, e por isso raras são as vezes que os estudantes sabem para que servem e o porquê dos conteúdos e tarefas escolares. ______ Exempli�cando Uma tarefa que tira o estudante do papel de receptor de informações não signi�ca necessariamente que seja uma metodologia ativa. Por exemplo, tarefas como aquelas que levam o estudante a realizar um experimento cientí�co para registrar os resultados obtidos, ou aquelas em que a ele é solicitado a resolução de um problema matemático de forma inédita, ou ainda aquela em que ele escreve sua opinião sobre algum evento social ocorrido, a depender do desenvolvimento podem não ser consideradas pertencente às metodologias ativas, apesar de o educando não ter tido o papel de mero receptor de informações. A ideia com esses exemplos foi mostrar que, mesmo com tarefas diferenciadas do copiar da lousa, os estudantes continuam passivamente a cumprir o que foi determinado a eles. Metodologias ativas: a resolução de problemas Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Essa centralidade do estudante no processo de ensino, no lugar da centralidade do educador existentes nos métodos tradicionais, foi inicialmente pensada no século XVIII por Rousseau, um �lósofo iluminista, mas que começa a se con�gurar no início do século XX. A principal inovação da prática pedagógica foi formulada por Jean-Jaques Rousseau (1712-1778). Esse autor deslocou o centro do processo de aprendizagem do docente e dos conteúdos, para as necessidades e interesses dos educandos. […] Entretanto, essa mudança só teve repercussão em �ns do século XIX e início do XX, com o movimento escolanovista. Representando uma pedagogia renovada frente à tradicional, esse movimento fundamentou a criação de novas escolas e métodos educacionais, orientados à aprendizagem ativa frente aos problemas do cotidiano. (LIMA, 2017, p. 423) Tarefas pertencentes às metodologias ativas pressupõem que os estudantes também decidam sobre os caminhos que trilharão para resolver os problemas e que, de forma paralela, construam seus conhecimentos. Essa ideia de que os processos de ensino requerem um problema a ser resolvido da vida real, não bastando, portanto, a não passividade do estudante, toma corpo também no movimento Escolanovista ocorrido no início do século XX, tendo John Dewey como um dos seus principais pensadores. Para Dewey, um �lósofo francês, a educação era um importante recurso da sociedade para a consolidação da democracia, e por isso suas propostas educacionais valorizam a formação mais ampla do estudante, com forte viés social. Ele defendia que a democracia é aprendida ao mesmo Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL tempo em que é exercitada e praticada. Logo, a escola deve ser uma instituição social que deve garantir aos estudantes a oportunidade de tomar iniciativas e de cooperar com os demais colegas para o estabelecimento de uma nova ordem social. Anísio Teixeira foi um educador brasileiro que trouxe as ideias de Dewey para o Brasil nas primeiras décadas do século XX. À época, ele já a�rmava que a escola foi se separando da vida real, tornando-se sem signi�cado ao longo do tempo, com o aumento da complexidade da sociedade. Além disso, falava da necessidade de a escola padronizar os seus objetos de ensino. Segundo ele, já naquela época Tornam-se necessárias escolas, estudos e professores: todo um mecanismo especializado e sistemático, para fornecer aquilo que a vida, diretamente, não pode ministrar. Qual o perigo imediato dessa organização? Que se esqueça na escola a sua função substitutiva e, ao invés de educação, se esteja aí a obrigar a criança a deveres insípidos e contra-producentes. Que a escola, deslembrada da sua função, se torne um �m em si mesma, fornecendo aos alunos um material de instrução que é da escola, mas não da vida. As escolas passam a constituir um mundo dentro do mundo, uma sociedade dentro da sociedade. Isto, no melhor dos casos, que, no pior, elas se tornam simplesmente livrescas, atulhando a cabeça da criança de coisas inúteis e estúpidas, não relacionadas com a vida nem com a própria realidade. (TEIXEIRA, 2010, p. 41) Você, ao ler essa citação, deve ter tido a sensação de que a fala de Anísio Teixeira parece ser atual, mesmo se referindo à organização e valores presentes nas escolas do início do século passado. Mas é dessa época que vem a proposta de problematizar o contexto real, uma das características das metodologias ativas. As metodologias ativas trazem problemas reais para os momentos de escolarização para que, durante a busca da solução, os conhecimentos sejam construídos e reconstruídos. Ou seja, a solução do problema e a construção do conhecimento são processos desenvolvidos ao mesmo tempo, constantemente diante do desenvolvimento das tarefas que têm como propósito resolver os problemas. Por isso, a crença válida quando as metodologias são aplicadas é que a escola é o espaço para a vida estar presente, de maneira que o signi�cado é inerente às práticas escolares, e assim, desperte e mantenha o interesse dos estudantes. Esse processo de construção da solução do problema e da construção do conhecimento rompe com a ideia de um currículo organizado, no qual os conteúdos são alinhados sequencialmente, em uma relação ordenada, um após o outro, e coloca o entendimento que essa conexão de um conteúdo é relacionado ao mesmo tempo com diversos. Ou seja, a organização curricular deixa de ser linear e passa a ser concebida na forma de uma rede. Esperamos que, com esse muito breve e super�cial resgate histórico, você perceba que para trabalhar com as metodologias ativas, as atividades de estudantes devem ocorrer em meio a suas inserções sociais, refutando qualquer proposta simpli�cadora e reducionista, evitando, assim, a perda das potencialidades dessa metodologia de ensino. Nessa perspectiva de ensino, a rede�nição do papel dos estudantes é uma consequência inevitável e desejada, porque suas atividades, em meio às tarefas que precisa cumprir, são orientadas por ações por eles também planejadas em uma etapa anterior, em parceria com o educador. Esse planejamento pode envolver tarefas com diferentes abrangências e profundidades, a depender de seus objetivos pedagógicos (cujo foco é a aprendizagem) e seus objetivos operacionais (cujo foco é o resultado da tarefa que devem cumprir). Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL As Metodologias ativas na construção do conhecimento Para construir as competências, a incorporação das metodologias ativas deve permitir que os estudantes se apropriem dos dados e os transformem em conhecimentos durante o processo. Para Machado (2000), acumular dados não é su�ciente para gerar informações. É necessário que as pessoas e seus interesses selecionemos dados que são relevantes para seus propósitos, e quando são atribuídos signi�cado e �nalidade para esses dados é que eles se transformam em informações. Já o conhecimento é o resultado da densa rede de interconexões entre as informações, usada em uma ação dentro de um contexto. Essa relação proposta por esse autor nos permite entender a importância das metodologias ativas para a construção do conhecimento, pois essa signi�cação dos dados e a articulação de informações só podem ser feitas pelos estudantes a partir de seus interesses, nunca algo que se faz de maneira externa a eles. Conhecer esse processo epistemológico é importante para que as potencialidades das metodologias ativas sejam devidamente aproveitadas, assim como sejam colocadas em seu devido lugar, que é o meio para levar à aprendizagem, �nalidade última da educação. Muitas vezes, o encantamento com as metodologias ativas leva as práticas escolares a colocarem-na equivocadamente como �nalidade. É com essa participação dos educandos não só nas ações, mas também nas decisões, que seu conhecimento e competências serão desenvolvidos. Nessa dinâmica, há subjacente um processo de engajamento que pode gerar maior sentido e compromisso do educando, tendo em vista que ele terá maior clareza de onde deve chegar, o que promove a melhora em seu desempenho individual e também do coletivo. ______ Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Lembre-se De acordo com a Base Nacional Comum Curricular, as competências são entendidas como sendo a […] mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho. (BRASIL, 2018, p. 8) ______ Com a facilidade de acesso aos recursos tecnológicos digitais e por suas potencialidades terem grande aderência ao ensino com metodologias ativas, um detalhe que merece ser explicitado é que as metodologias ativas podem ser usadas sem os recursos digitais. Há também metodologias ativas que podem ser aplicadas em uma tarefa, e outras que são compostas por diversas tarefas. Ou seja, cada metodologia ativa tem suas características especí�cas e devem ser aplicadas segundo o objetivo pedagógico e suas possibilidades e limitações, assim como qualquer recurso pedagógico. Muitos são os exemplos de metodologias ativas que surgiram ao longo de todo esse tempo e que guardam entre si muitas semelhanças. Em geral, a diferenciação entre elas está naquilo que priorizam como propósito, nas técnicas ou recursos que usam ou no tipo de conhecimento que abarcam. Essas últimas você poderá conhecer melhor na próxima aula. As Metodologias ativas na resolução de con�itos Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Até agora falamos da importância do papel do estudante no processo da construção de seu conhecimento e de como as características das metodologias ativas são aderentes e potentes a esse processo. Mas, diante desse novo papel do estudante, o papel do educador é obrigatoriamente rede�nido. O docente deixa de ser aquele que transmite os conhecimentos acumulados pela humanidade, seja escrevendo na lousa, projetando imagens, textos e vídeos ou contando histórias. Ele passa a ter, como papel principal, despertar o interesse dos estudantes por meio de propostas que conciliam as competências a serem desenvolvidas ao projeto de vida dos estudantes. No trabalho com metodologias ativas o estudante precisa fazer pesquisas, levantar hipóteses, testar essas hipóteses para veri�car se são válidas, argumentar e ouvir, debater para defender sua ideia e ver aplicação dela, e isso faz com que a escola seja um lugar de produção e divulgação do conhecimento. O educador precisa inicialmente propor tarefas que permitam aos estudantes fazerem tais atividades e, depois disso, ele precisa monitorar o desenvolvimento para que possa fazer as intervenções adequadas. Essas intervenções do educador não signi�cam dar as respostas certas aos problemas, tampouco, mostrar qual seria o melhor caminho para chegar a elas. Ao educador cabe fazer os apontamentos para que os estudantes elenquem quais são os possíveis caminhos e os critérios que deverão ser usados para escolher, dentre eles, qual será aquele que ele escolherá. Nesse contexto �ca bem exempli�cado o real papel do educador, que não deixa de ter a responsabilidade sobre o processo de ensino, mas também não se torna aquele que decide ou julga pelos estudantes o que é a melhor opção. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL No processo de identi�car os possíveis caminhos e os critérios a serem usados para a escolha, um debate consistente precisa ser estabelecido entre os estudantes. O educador precisa estar muito atento tanto à forma quanto ao conteúdo dos debates para que possa manter os estudantes motivados e apresentar suas ideias, hipóteses e argumentações. E é nesses momentos que surgem os con�itos. Ser um mediador de con�itos é outro papel importante do educador no desenvolvimento do trabalho com as metodologias ativas. Os con�itos estão presentes em qualquer grupo social e sua superação requer o desenvolvimento de recursos no âmbito pessoal, para que aspectos comuns sejam reconhecidos e diferenças sejam devidamente tratadas com negociação e não imposição. Esse exercício permite que os estudantes aprendam a conviver uns com os outros e formem suas identidades, reconhecendo os seus traços de personalidade. É dessa maneira que as competências socioemocionais são desenvolvidas e vão ao encontro de uma cultura da paz, inseparável dos valores e princípios democráticos. Diferentemente do que é comum acreditar, os con�itos não devem ser evitados, uma vez que é diante deles que relações são estabelecidas, valores são questionados e os conhecimentos, habilidades e atitudes são desenvolvidas. Esse é o momento do exercício e da aprendizagem da democracia. Democracia é o conjunto de relações humanas enredado em uma convivência na qual todos possam aprender a cuidar de si e do outro, sendo o outro de qualquer um dos três reinos presentes neste planeta: animal, vegetal e mineral. Pode-se considerar ainda, se assim o desejar nosso leitor, um quarto reino, o espiritual. Democracia é um modo de estar entre outros, entre muitos, entre diversos. Entender a escola como uma oportunidade de estar junto e como um lugar privilegiado para aprender a viver junto, eis o que interessa de imediato a quem se interessa pela construção do espaço escolar. […] O lugar da experi- ência democrática é o lugar de estar junto com outros e de entrar em contato. Lugar de receber o outro e de ser recebido. Exige mais que aceitar, tolerar, reconhecer e dominar. Exige entrega ao outro. A entrega exige ver no outro a possibilidade do próprio fortalecimento. (CHRISTOV, 2012, p. 5) Assim, desenvolver competências socioemocionais signi�ca aprender a controlar as emoções, saber ouvir e falar com assertividade. Signi�ca usar o diálogo diante do con�ito para que ele seja fonte de aprendizagem, uma vez que se apoia na consciência e no autocontrole. Quando o grupo de educandos se torna capaz emocionalmente, é estabelecido um ambiente de aprendizagem, trazendo o bem-estar pessoal, abrindo espaço para a criatividade imperar. Muitas são as discussões acadêmicas em torno da identi�cação e da mensuração das competências socioemocionais e quais deveriam ser desenvolvidas no espaço escolar. São inúmeras pesquisas delimitando inúmeras habilidades - a amplitude das características de personalidade humana é enorme! É necessário realizar uma taxonomia que permita recortes e afunilamentos para de�nir e organizar focos de trabalhos pedagógicos. (ABED, 2014, p. 15) Com o uso das metodologias ativas, espaço para a produção coletiva são abertos ao mesmo tempo em que as trocas de ideias levam a um aprimoramento da solução encontrada. E diante das argumentações e contra argumentações, novas relações entre as informações são estabelecidas e, como visto anteriormente, conhecimentos são construídos e consolidados.Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Esperamos que você perceba o quanto os diferentes elementos presentes nas metodologias ativas são interconectados e convergem para um resultado comum: o conhecimento. ______ Assimile O desenvolvimento das competências socioemocionais de maneira mais objetiva ainda é muito incipiente e depende da interação entre os estudantes que têm per�s e comportamentos diferentes. Cada um tem a sua individualidade, por isso é importante conhecer os cinco traços de personalidades que pesquisadores identi�caram em diferentes culturas para entender melhor como desenvolver as competências socioemocionais. abertura a novas experiências: indica disposição e habilidade para lidar com novas vivências. O seu oposto é a rigidez, associada às di�culdades em se adaptar a novos contextos; conscienciosidade: implica a facilidade de conviver com as regras e convenções estabelecidas nos grupos sociais e que levam à objetividade e e�cácia; extroversão: relaciona-se à capacidade e à preferência de interagir facilmente com as pessoas. amabilidade: está associada à empatia e à preocupação com o outro; estabilidade emocional: vincula-se à capacidade de controlar as reações emotivas. Rede�nição dos espaços e tempos escolares Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Você, a essa altura do texto, está tomando consciência do quão complexo é trabalhar com as metodologias ativas. Deve ter percebido que para resgatar o interesse do estudante é importante colocá-lo de forma ativa no centro do processo de aprendizagem, diante de um contexto real para que ele desenvolva seu conhecimento e competências, incluindo aquelas de natureza socioemocional para uma vida republicana e democrática. Com essa sua rede�nição de papel, o papel do educador também é rede�nido, mas as rede�nições não param por aí: é necessária a rede�nição dos espaços e tempos escolares também. As escolas têm uma organização marcada por tempos de forma correspondente à fragmentação historicamente construída dos conhecimentos. Há um tempo reservado para as Linguagens, outro para a Matemática e um outro para cada um dos demais componentes curriculares ou áreas de conhecimento. Com as metodologias ativas, a depender dos projetos educacionais em que forem envolvidos, esses tempos e essa divisão dos tempos se tornam inadequados e podem requerer uma reorganização. Quando isso não é possível, os tempos e a organização do trabalho pedagógico precisam ser rede�nidos no interior das aulas, e os recursos digitais devem ser utilizados. O que a tecnologia traz hoje é integração de todos os espaços e tempos. O ensinar e aprender acontece numa interligação simbiótica, profunda, constante entre o que chamamos mundo físico e mundo digital. Não são dois mundos ou espaços, mas um espaço estendido, uma sala de aula ampliada, que se mescla, hibridiza constantemente. Por isso a educação formal é cada vez mais blended, misturada, híbrida, porque não acontece só no espaço físico da sala de aula, mas nos múltiplos espaços do cotidiano, que incluem os digitais. O professor precisa seguir comunicando- se face a face com os alunos, mas também digitalmente, com as tecnologias móveis, equilibrando a interação com todos e com cada um. (MORAN, 2015, p. 16) As próximas aulas serão dedicadas para a exploração desses recursos nesse contexto de metodologias ativas. Nelas, você poderá perceber outras potencialidades que atendem a outras demandas necessárias à educação e que os modelos tradicionais não conseguiam atender. ______ Re�ita Há uma forte tendência de ensinarmos da mesma maneira que fomos ensinados e, em geral, as práticas de ensino a que fomos submetidos tinham uma organização linear e bastante modular, um módulo após o outro. Nesta aula você pôde perceber a riqueza e a necessidade do uso das metodologias ativas, mas também de sua complexidade. Como você precisaria se organizar para conseguir trabalhar com essas novas demandas educacionais? Quais seriam os valores que você teria que repensar? Conclusão Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Na hipotética situação-problema desta aula, você foi provocado a apresentar suas crenças acerca da necessidade de mudar as práticas escolares para despertar o interesse dos estudantes e para descrever como você faria em suas aulas. Obviamente a sua formação, experiência e contexto onde a sua prática seria desenvolvida levaria você a fazer uma apresentação bastante particular. Ainda nessa situação hipotética, você propôs que esse desinteresse do estudante era provocado por sua passividade diante do seu próprio processo de aprendizagem. Diante disso, para romper com essa passividade, uma das possíveis soluções seria usar metodologias ativas em suas aulas. Com essa opção, em sua apresentação seria importante que você também demonstrasse a forma que estruturaria seu trabalho. Os procedimentos a seguir podem ser usados para exempli�car essa estrutura. Na fase de planejamento: 1. adote uma organização curricular em rede em detrimento daquela linear, na qual em geral as escolas se organizam; 2. de�na um objetivo pedagógico a cumprir. Para isso, é adequado consultar o projeto pedagógico da escola, o plano de ensino previsto para o ano letivo que trabalha, as orientações metodológicas e veri�car a adequação desses documentos às atuais diretrizes curriculares e à BNCC. Atente-se às competências e habilidades que devem ser desenvolvidas. Se necessário, proponha as adequações nesses documentos; 3. delimite o trabalho, assim que estiver de�nido o objetivo, especi�cando se será necessária a participação de outros educadores, quem será impactado pelo trabalho (se o estudante, a turma, a família, a escola ou a comunidade), o tempo que será dedicado ao desenvolvimento da proposta e os recursos que seriam necessários; Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL 4. pense em um desa�o que motive os estudantes, propondo que eles estudem um determinado contexto e encontrem um problema que eles consigam resolver dentro dos limites estabelecidos; 5. especi�que, em parceria com os estudantes, quais são os resultados esperados, tanto na aprendizagem quanto na solução do problema; �. subdivida o desenvolvimento do trabalho em etapas e de�na os resultados parciais para o melhor monitoramento e avaliação; 7. selecione qual ou quais metodologias ativas pretende propor para o desenvolvimento do trabalho ou de cada uma de suas etapas; �. organize, em parceria com os estudantes, a sala de aula, construindo normas de convivência e regras para o trabalho coletivo, criando, assim, um ambiente de aprendizagem; 9. planeje o processo avaliativo, que não deve ter como meta a mera atribuição de notas. A avaliação a ser realizada nas metodologias ativas deve ser usada para reorientar o caminho percorrido e dar as devolutivas para que os estudantes possam desenvolver processos de autoavaliação e, assim, melhor desenvolver suas aprendizagens. As notas e conceitos devem ser apenas para representar o desenvolvimento geral do estudante em um determinado instante do trabalho. O importante é que esse conceito ou nota tenha um signi�cado para a turma e esteja a serviço da aprendizagem; 10. elabore, quando o trabalho com a metodologia ativa requerer um tempo letivo maior que uma semana, um esquema grá�co contendo as tarefas que deverão ser desenvolvidas ao longo do tempo. Na fase de execução: 1. comece com uma avaliação diagnóstica, para que os próprios estudantes saibam quais conhecimentos, competências e habilidades têm para o desenvolvimento de um trabalho com essas características. Para esse diagnóstico, não basta apenas a aplicação de provas escritas, mas a observação e registro diante de atividades como dinâmicas de grupo. Coloque atenção também nas competências socioemocionais dos estudantes e no mapeamento da personalidade de cada estudante (use os Big5); 2. registre as evidências do desenvolvimento do trabalho para elaborar devolutivas adequadas para os estudantes e indicar o desenvolvimento individual e coletivo; 3. promova, sempre que necessário e adequado,um processo de autoavaliação individual, em grupos e com a turma toda; 4. avalie, diante desses mesmos registros, o desenvolvimento do trabalho, e faça as intervenções necessárias para que os objetivos sejam cumpridos; 5. compartilhe com os estudantes sua avaliação e reoriente os trabalhos quando necessário; �. compartilhe sua experiência com outros educadores para que eles possam sugerir melhorias. Logo após a conclusão: 1. oriente os estudantes a fazerem uma boa apresentação dos resultados do trabalho, principalmente das conexões que estabelecem com o seu desenvolvimento pessoal e projeto de vida; 2. promova exercícios de metacognição para que os estudantes percebam sua evolução e se sintam capazes de enfrentar os desa�os do mundo. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Também ao �nal de sua apresentação seria interessante explicitar: 1. os aspectos que distinguem sua aula com metodologias ativas das aulas convencionais, sobretudo as quais os estudantes se tornam produtores de conhecimento e não reprodutores; 2. a forma pelas quais os recursos digitais podem colaborar, sobretudo em relação à �exibilização do tempo e espaço, uma vez que os estudantes podem fazer pesquisas e estudar a qualquer momento e lugar que for adequado a ele; 3. a oportunidade para o desenvolvimento do pensamento crítico e das competências cognitivas e de natureza socioemocionais, orientados pela postura responsável, republicana e ética; 4. a ressigni�cação e seleção dos conteúdos trabalhados em função dos interesses dos estudantes, do projeto pedagógico da escolar e das diretrizes curriculares o�ciais, incluindo a BNCC; 5. a necessidade de o trabalho do estudante ser interativo, coletivo e colaborativo, despertando e mantendo o seu interesse. Aula 2 Alguns modelos de metodologias ativas Introdução da Aula Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Qual é o foco da aula? Nesta aula, você estudará alguns modelos de metodologias ativas. Objetivos gerais de aprendizagem Ao �nal desta aula, você será capaz de: esclarecer as potencialidades e limitações de alguns modelos de metodologias ativas; identi�car a metodologia da sala de aula invertida, modelos híbridos de ensino, Design Thinking; aplicar a Metodologia STEAM, Cultura Maker, Gami�cação na Educação e Jogos Digitais. Situação-problema Você, como um futuro educador, deve estar atento ao ritmo acelerado em que as mudanças na sociedade ocorrem e a como tais mudanças podem estimular a participação dos estudantes no envolvimento em seu próprio processo de construção de conhecimento. Ao compararmos os processos de comunicação e de pesquisa na sociedade fora da escola com aqueles dentro dela em diferentes momentos do passado, constatamos que fora da escola o ritmo das mudanças é bem mais célere do que aquelas ocorridas dentro dela. Apesar disso, será que à medida que os estudantes – mesmo aqueles pertencentes às classes populares com maiores di�culdades �nanceiras – trazem em mãos seus celulares, eles não estão de algum modo transformando o espaço escolar? Será que eles, mesmo com proibições ao uso dos celulares (tão comuns observadas nos ambientes escolares), não estariam inserindo o uso das tecnologias nas escolas nas mais diversas perspectivas? Será que, mesmo não sendo de Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL maneira adequada, os estudantes não utilizam os recursos tecnológicos na escola da mesma forma que fora dela? Para melhor entendimento dessas questões, analisemos como exemplo as situações em que os educadores possam ter suas aulas gravadas, mesmo que de maneira não adequada e autorizada: já não seria uma mudança? Sabemos que essa postura não é adequada pelos mais diversos motivos, no entanto, essa possibilidade já não representaria uma mudança no interior da escola? Nesta aula veremos que essas perguntas são exemplos de pressões que os avanços tecnológicos impõem sobre a escola, mas que não são incorporadas para a construção do conhecimento. E como não são incorporadas nas práticas escolares a serviço da aprendizagem acabam sendo vistas como in�uências antagônicas às �nalidades da escola. Nosso propósito é que, ao �nal desta aula, você esteja apto a sintonizar o ritmo dos avanços tecnológicos ao ritmo das mudanças necessárias em suas aulas, a serviço da aprendizagem. Como você verá nesta aula, a implementação dessas mudanças dependerá de seu domínio não só dos objetos de conhecimento propriamente ditos, mas também dos conhecimentos de natureza didático-pedagógica. A resolução da situação-problema desta aula requer os conhecimentos sobre modelos que articulam as metodologias ativas e os recursos digitais disponíveis. Por isso, os modelos aqui apresentados têm por �nalidade mostrar suas estruturas e conceitos inerentes para que você, quando assumir a função de educador, seja capaz de adaptá-los ao contexto em que serão usados. Esse cuidado em não compreendê-los como estruturas �xas e imutáveis é necessário porque esses modelos foram aplicados em contextos tão diversos e adversos quanto o brasileiro, em condições e com recursos especí�cos de cada região. Para conseguir explorar adequadamente as potencialidades dessas metodologias, você deve se posicionar de maneira a poder acompanhar o desenvolvimento dos estudantes do processo, identi�cando suas necessidades (de diferentes dimensões – cognitivas, sociais e emocionais) para melhor planejar as intervenções que proporcionem maior aprendizagem dos estudantes. No papel de educador, você terá a central importância na condução do processo porque, a�nal, será quem melhor poderá criar soluções para os desa�os que sua escola enfrenta cotidianamente. A inovação educacional, como visto anteriormente, começa com uma postura inovadora de quem vai implementá-la, tendo claro o propósito das futuras ações. O propósito está na busca da forma de tornar a escola interessante para os estudantes, e alcançaremos esse objetivo se conseguirmos fazer com que atribuam signi�cado ao que devem aprendem e ao que fazem para aprender. Para isso, nossa estratégia é usar uma metodologia em que eles identi�quem um problema que queiram e se sintam capazes de resolver, fazendo pesquisas, levantando e testando hipóteses e debatendo com quem necessário, em um constante exercício de argumentar e ouvir. Para tudo isso, os recursos digitais disponíveis se tornam uma grande ferramenta para os estudantes, que permitem e requerem a �exibilização dos tempos e espaços escolares. Imagine que você já tenha se formado e foi contratado por uma escola, estando no momento de elaborar o seu plano de ensino. Você está desenvolvendo esse trabalho em conjunto com outros educadores que lecionam no mesmo ano em que você trabalhará. Nesse dia, no início dos trabalhos, a coordenação pedagógica da escola solicitou que os planos de ensino contemplem o uso de recursos digitais. Segundo ela, esse cuidado seria importante por conta dos avanços tecnológicos digitais e a democratização do acesso a esses recursos, e principalmente por favorecerem a ampliação dos limites da sala de aula. Após essas instruções, seu grupo conversou brevemente, concordando que o plano de ensino contivesse pelo menos um projeto de ensino envolvendo cada uma das seguintes metodologias de Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL ensino: sala de aula invertida (ou outro modelo de ensino híbrido), jogo digital, gami�cação, Design Thinking e Metodologia STEAM. Essas foram algumas das muitas outras possibilidades que incorporam os recursos digitais às metodologias ativas que seu grupo elegeu. Como você bem sabe, essas metodologias devem ser selecionadas em função dos objetivos pedagógicos a serem cumpridos e de sua possibilidade de ser executável, por isso você precisa conhecê-las muito bem. Nesta aula, você conhecerá as potencialidades e limitações de cada uma dessas opções metodológicas, para que sejam implementadas em suas futuras aulas. Modelos de ensino híbrido Você encontrará, nesta aula, a descrição de alguns modelos de metodologias ativas selecionadas que valorizam o uso de recursos virtuais com o potencialde inovar o ensino nas salas de aula. Essa inovação se con�rma por tornar inevitável a �exibilização dos tempos e espaços escolares e a possibilidade do estabelecimento de rotas individuais de aprendizagem. Mas lembre-se de que não é o uso de recursos digitais que torna a metodologia ativa, apesar de eles colaborarem bastante para isso. Você observará que muitos desses modelos podem ser usados como uma etapa de outro. Você deve ter ouvido com certa frequência o termo “híbrido” em seu dia a dia e percebeu que, de certa forma, ele vem associado aos objetos que incorporam os avanços tecnológicos em sua produção. Pesquisas em dicionários indicam que o híbrido é algo que resulta do cruzamento de progenitores de diferentes raças ou espécies. Quando nos referimos a carros híbridos, estamos falando dos Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL veículos cujos motores usam fontes de energia de diferentes naturezas, como motores de combustão e álcool. Em educação, o ensino híbrido (muito conhecido também por sua nomenclatura original em inglês, Blended Learning) é aquele que explora adequadamente os potenciais do ensino presencial e do ensino on-line, em que os estudantes podem acessar os recursos digitais como computadores, tablets ou os próprios celulares, extrapolando os tempos e espaços da sala de aula. Para Bacich (2016, p. 5): O Ensino Híbrido con�gura-se na oferta de diferentes espaços de ensino-aprendizagem no contexto escolar, promovendo a autonomia dos alunos para que possam trabalhar em grupos e compartilharem conhecimentos. Sendo assim, esses espaços se tornam complexos sistemas de interações entre aluno-conhecimento, aluno-professor, aluno- aluno, no qual o professor não assume mais o papel de detentor do conhecimento, mas todos os envolvidos no processo são responsáveis por essa construção, assim como as diferentes ferramentas digitais. Essa metodologia foi implementada em muitas escolas americanas há pelo menos duas décadas com o objetivo de despertar o interesse do estudante, colocando-o como agente principal de sua aprendizagem diante de uma proposta que permite resolver coletivamente um problema real, rompendo com o ensino convencional. Ou seja, escolas que buscavam uma forma de metodologia ativa. As experiências dessas escolas foram analisadas por muitas instituições de pesquisa interessadas no ensino com essas características. Heather Staker e Michael B. Horn são pesquisadores de uma dessas instituições e foram uns dos primeiros a sistematizar as experiências dessas escolas. Em seus estudos, eles identi�caram as experiências com o hibridismo presente nos métodos de ensino dessas escolas americanas, com características que permitiriam a elas uma classi�cação, e então criaram uma taxonomia para os modelos de ensino híbrido (STAKER; HORN, 2012). Essa taxonomia, que passou a ser bastante difundida no Brasil por Bacich, Tanzi Neto e Trevisani (2015), mostra que os modelos de ensino híbrido podem ser classi�cados em Modelos de Rotação, Modelos Flex, modelos à La Carte e Modelos Virtuais Enriquecidos. Classi�cação dos Modelos de ensino híbrido Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Os Modelos de Rotação são aqueles em que os estudantes alternam entre diferentes tarefas, sendo que em pelo menos uma delas são envolvidos recursos digitais e que levem à aprendizagem on-line. Essas alternâncias ocorrem em momentos previamente �xados ou determinados pelo educador. As outras tarefas podem ser desenvolvidas em projetos em grupos, aulas em pequenos grupos ou na própria sala de aula; en�m, qualquer tarefa que é desenvolvida sob a responsabilidade dos estudantes e de forma autônoma. Diante dessas diferentes possibilidades, os modelos de rotação podem ser subdivididos em: Modelo de rotação por estação: essa estruturação se constitui por estações de trabalho, cujo número pode variar. Deve haver pelo menos uma delas que requeira o uso de recursos digitais, não importando sua �nalidade – se para pesquisa, simulação, jogo ou comunicação. Assim como o número de estações, o número de estudantes por estação também pode variar, dependendo dos objetivos pedagógicos e o contexto em que a tarefa é desenvolvida. É desejável que cada uma das estações tenha alguém, mesmo que seja o estudante mais experiente, para apoiar o desenvolvimento da atividade (BAILEY et al., 2013); Laboratório Rotacional: nele, os estudantes usam os recursos independentemente do local pelo qual acessam os recursos digitais. Nesses espaços os estudantes recebem tarefas para que, de forma autônoma, cumpram os objetivos previamente determinados pelo educador. No laboratório rotacional, enquanto alguns estudantes trabalham sozinhos, o educador acompanha outra turma. Esse modelo se difere do modelo de estações pela necessidade do uso dos espaços que tenham os recursos digitais disponíveis; Sala de Aula Invertida: nesse modelo o educando deve se preparar para a aula explorando todas as potencialidades dos recursos digitais. Mas isso não signi�ca facilitar o entendimento sobre a aula que o educador dará, como seria no modelo convencional. Essa preparação deve ocorrer para que tempo e espaço da sala de aula seja usado para debates, resolução coletiva de problemas e desenvolvimento de experimentos. Com a proposta de sala de aula invertida, o processo é otimizado porque os estudantes desenvolvem as tarefas Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL individuais, que não requerem interação, antes da aula, deixando para a aula as tarefas que requerem interação. Não se trata, portanto, de se preparar para aproveitar melhor o que o educador apresentará, mas sim se preparar para quali�car o trabalho coletivo. Por exemplo: imagine uma aula em que será usada a dinâmica do juízo, quando a turma é dividida em três grupos. Um grupo defenderá uma ideia ou uma posição em um dilema, o outro grupo defenderá o oposto e o terceiro grupo fará o julgamento. Todo o trabalho preliminar, como a leitura, pesquisa, levantamento de hipóteses e proposição de argumentos pode ser feito antes das aulas, com orientações on-line. Diante disso, o momento da aula é reservado para o debate, sistematização dos conteúdos do debate e para o debate propriamente dito; Rotação individual: Para Staker e Horn (2012, p. 11), os modelos de rotação individual são uma implementação do modelo de Rotação na qual “os alunos alternam em um horário �xo personalizado individualmente entre as modalidades de aprendizagem, pelo menos uma delas é o aprendizado on-line”. Neste modelo cada estudante recebe um conjunto de tarefas a serem cumpridas durante a aula. Para o cumprimento dessas tarefas, cada estudante passa por uma estação especí�ca, segundo suas necessidades de aprendizagem. Por ter essa característica de individualizar as tarefas, a avaliação tem um papel ainda mais importante neste modelo, porque será por meio dela que o educador poderá propor caminhos particulares para cada educando. Os Modelos Flex são aqueles que as atividades educacionais são feitas predominantemente por meio dos recursos digitais. Neles, “o ensino on-line é a espinha dorsal da aprendizagem do aluno, mesmo que às vezes direcione os estudantes para atividades presencias” (HORN; STAKES, 2015, p. 47). Nesse modelo de ensino, os estudantes recebem um roteiro de estudo com ou sem propostas de tarefas para realizar, preparado pelo educador. Esse roteiro é personalizado e nele cada estudante tem a sua trajetória de aprendizagem delineada previamente, podendo esta ser adaptada com o seu desenvolvimento. Os horários de estudo dos educandos são �exíveis e acompanhados remotamente. Outros educadores e tutores �cam à disposição dos discentes para as devidas assessorias, sejam individuais, em pequenos ou grandes grupos. Os estudos realizados por Staker e Horn (2012) mostram que há experiências em que os educadores complementam o aprendizado on-line diariamente, enquanto há outros que fornecem pouco treinamento presencial. O Modelos à La Carte, originalmente chamados em inglês de Self-Blend model, são aqueles em que os estudantes selecionamcursos totalmente on-line para a devida complementação de seu curso tradicional. Escolas que disponibilizam cursos organizados dessa maneira permitem que seus estudantes desfrutem de cursos que elas não oferecem. Essa possibilidade está aberta com a legislação em vigor no Brasil, como nos incisos IV e VI do Art. 8º da Resolução Nº 3, de 21 de novembro de 2018, que atualizou as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. IV - organizar os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliação, por meio de atividades teóricas e práticas, provas orais e escritas, seminários, projetos e atividades on-line […] VI - considerar que a educação integral ocorre em múltiplos espaços de aprendizagem e extrapola a ampliação do tempo de permanência na escola. (BRASIL, 2018, [s.p.]) Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Último modelo da taxonomia proposta por Staker e Horn (2012) é o Modelo Virtual Enriquecido. Esse modelo consiste em um curso integralmente virtual, em que todas as interações burocráticas e pedagógicas são feitas por meio dos recursos digitais, mas que disponibilizam tarefas que podem ser complementadas em cursos ou vivências de maneira presencial. Esse modelo difere do da Sala de Aula Invertida porque os estudantes raramente encontram-se pessoalmente com o professor todos os dias da semana. Ela também difere de um curso totalmente on-line porque as experiências presenciais são obrigatórias; elas não são meramente horas de expediente operacionais ou eventos sociais. (HORN; STAKER, 2015, p. 50) É importante lembrar de que esses pesquisadores apenas classi�caram os modelos, com o cuidado de não os avaliar. Segundo eles, não é pelo fato de um carro ser e�ciente ou não que ele deixa de ser híbrido. Há propostas com ensino híbrido boas e ruins, há aquelas de alta qualidade e outras de baixa qualidade. Algumas delas usam conteúdos dinâmicos, enquanto que, em outras, os conteúdos são mais estáticos (STAKER; HORN, 2012). Ou seja, mesmo com toda essa possibilidade do uso de recursos digitais, as metodologias ativas deverão ser consideradas boas quando elas cumprirem seus objetivos pedagógicos. ______ Assimile A taxonomia dos modelos híbridos proposta pode Staker e Horn (2012) é a seguinte: Modelos de Rotação (Rotation model); Modelo de Rotação de Estações (Station-Rotation model); Modelo de Rotação Laboratorial (Lab-Rotation model); Modelo de Sala de Aula Invertida (Flipped-Classroom model); Modelo de Rotação Individual (Individual-Rotation model). Modelos Flex (Flex model); Modelos à La Carte (Self-Blend model); Modelo Virtual Enriquecido (Enriched-Virtual model). Design Thinking e Metodologia STEAM Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Design Thinking é uma metodologia que veio da área de Design e consiste em uma abordagem coletiva e colaborativa para solucionar algum problema real. Sua origem está nas áreas da Administração, da Engenharia e do Design. O design aqui deve ser entendido como uma forma de pensar ou visualizar caminhos para solucionar problemas. À época, uma boa solução de problemas seria considerada uma inovação se a solução atendesse às expectativas dos bene�ciários da solução, sendo desejada por eles; se fosse exequível e tivesse viabilidade �nanceira para sua execução. Ao escrever Design Thinking, tive em mente dois objetivos. O primeiro, convencer o leitor de que os métodos e habilidades desenvolvidas pelos designers ao longo de muitas décadas podem e devem ser usados para resolver os problemas mais importantes e mais desa�adores. O segundo, persuadi-lo, independentemente de sua pro�ssão ou da função que desempenha, de que Design Thinking pode ser aplicado aos desa�os de negócios que todos nós enfrentamos todos os dias […]. (BROWN, 2010, p. 4) Na área educacional, o Design Thinking é implementado nas aulas com maior aproximação à tendência cognitivista, seguindo as etapas de descoberta, interpretação, ideação e evolução. A seguir estão descritas cada uma dessas etapas. 1. Na primeira etapa, a da descoberta, o foco deve estar na observação e descrição do problema e no levantamento de dados. Nessa fase o educador, além de ajudar seus estudantes a conhecerem bem o problema que terão de resolver, deve deixar claro seus objetivos pedagógicos e conhecimentos basicamente necessários para a busca da solução; 2. Na segunda etapa dessa metodologia, a da interpretação, é a hora da busca das soluções, da criação de soluções que devem ser múltiplas e negociadas internamente aos grupos para a escolha daquela mais adequada em função dos recursos disponíveis. É nessa etapa que os Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL critérios para a seleção dos problemas da vida real são usados: solução desejada, exequibilidade e viabilidade; 3. Na terceira fase, a da ideação, as propostas de solução devem começar a ganhar materialidade, é o momento em que o planejamento e a descrição dos recursos necessários ganham notoriedade; 4. Na quarta fase, a da experimentação, é quando efetivamente as soluções ganham forma e os conhecimentos são usados nas explicações. Nesta fase, os protótipos são construídos e as aprendizagens são reveladas; 5. Na quinta e última etapa, a da evolução, é quando, a partir da avaliação da solução construída, novas ideias são dadas para o seu aprimoramento. Mas essa avaliação não deve ser feita apenas por meio da observação, mas também da experimentação da solução, que deve ser aplicada na solução de algum problema para o qual ela foi criada. Para o processo avaliativo nessa metodologia, o educador deve negociar com os estudantes indicadores, tanto no que se refere ao desenvolvimento da solução quanto da aprendizagem. Esses indicadores, associados às evidências que todos podem coletar, ajudam no constante aprimoramento do processo e da aprendizagem dos discentes. A metodologia STEAM permite uma abordagem interdisciplinar ou interdisciplinar de Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática. As denominações dessas áreas em inglês compõem o nome da metodologia STEAM (Science, Technology, Engineering, Art e Mathematics). Sua aplicação pressupõe a busca de soluções reais para problemas também reais, requerendo deles pensamento crítico e criativo, com atitudes cientí�cas. Nessa busca é que os conhecimentos são construídos. Enquanto metodologia, suas fases também colocam os discentes como os principais agentes de todo o processo e o docente assume os papéis de mediador, organizador, planejador e consultor, assim como deve ser em todas as metodologias ativas. Suas etapas, também comuns a metodologias ativas, são: Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Como é um processo que envolve ações individuais e coletivas, a mediação de con�itos é bastante importante para que eles se tornem algo desejável, pois será na interação entre os estudantes e entre eles e a vida real que os conhecimentos são construídos, com ou sem o uso de recursos digitais. O trabalho com o STEAM requer um cuidado bastante especial para que a diferença de desempenho relacionada à diferença de gênero, que vem sendo observada há décadas, seja eliminada. As diferenças de gênero na participação na educação em STEM em detrimento das meninas já são visíveis na educação infantil, e se tornam ainda mais visíveis nos níveis de ensino mais altos. Aparentemente as meninas perdem interesse em STEM com a idade, e baixos níveis de participação já são vistos em estudos avançados do nível secundário. Na educação superior, as mulheres representam apenas 35% de todos os estudantes matriculados nos campos de estudo relacionados a STEM. Também existem diferenças de gênero nas disciplinas de STEM, com os menores números de matrículas de mulheres observados nas áreas de tecnologias da informação e comunicação (TIC); engenharia, produção industrial e construção; e ciências naturais, matemática e estatística. As mulheres abandonam as disciplinas de STEM em quantidades desproporcionais durante seus estudos na educação superior, em sua transição para o mundo do trabalho e até mesmo durante sua carreira pro�ssional. (UNESCO, 2018, p.11) Outra potencialidade do trabalho com a metodologia STEAM está no desenvolvimento do pensamento computacional, bastante associado ao pensamento lógico e algébrico, que por sua vez favorece o desenvolvimento da abstração, visualização, generalização e uso de estratégias algorítmicas. A importância desse pensamento não está no fato de preparar as pessoas para trabalharem com computação, mas sim para que consigam viver em ambientes onde os computadores e automação estão presentes. Muitas vezes a Metodologia STEAM é confundida com outra metodologia ativa chamada Aprendizagem Baseada em Problemas, uma vez que ambas usam o problema para desencadear todo o trabalho, motivando e focando a construção dos conhecimentos. A diferença entre elas está especi�camente em escolher um problema cuja resolução passe principalmente pelas áreas da Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática. Obviamente, sempre conhecimentos das áreas de Linguagem e Ciências Humanas serão envolvidas. Cultura Maker e Gami�cação na Educação e Jogos Digitais Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL O desenvolvimento da Cultura Maker como uma metodologia ativa consiste na valorização da aprendizagem por meio da experimentação bastante concreta. Os projetos nessa perspectiva de trabalho se caracterizam pela presença de o�cinas repletas de ferramentas para que estudantes efetivamente construam objetos e equipamentos. Um exemplo para o uso de espaço maker seria a construção de recursos manipuláveis para o ensino das representações grá�cas das principais funções matemáticas. O material necessário seria uma tábua, pregos para representar cada um dos pares ordenados em um eixo cartesiano, pedaços de arame para serem �xados para a representação de eixo e arames no formato das curvas (retas, parábolas). Esse material, produzido pelos próprios discentes, poderia ajudar no ensino de cegos ou de�cientes visuais. Outros exemplos mais complexos, envolvendo a automação (que tem sido explorada nas escolas com mais recursos �nanceiros há algumas décadas por meio da robótica digital, envolvendo até linguagens de programação, como o Arduíno), o uso de impressoras 3D e equipamentos de corte a laser podem ser desenvolvidos. Há tantos projetos desenvolvidos no âmbito internacional que comunidades virtuais foram geradas, criando uma rede mundial na qual perguntas podem ser feitas, soluções podem ser desenvolvidas coletivamente e projetos e soluções são compartilhados graciosamente. A cultura maker permite o desenvolvimento de tarefas nas quais os erros podem ser percebidos imediatamente pelos próprios discentes, uma ideia presente no construcionismo defendida por Papert (1986). Segundo esse autor, à medida que os discentes experimentam e constroem, se deparam com erros que os levam imediatamente a buscar novos caminhos. É uma oportunidade em que os discentes, via tentativa e erro, deparam-se constantemente com sucessos e fracassos, que ao serem explicados e justi�cados constroem seu conhecimento. Os discentes chegam a criar teorias sobre suas práticas. Há muitas comunidades virtuais existentes no mundo, nas quais os discentes podem buscar soluções e compartilhar aquelas que encontraram. Ao ser explicado, esse método é relacionado ao constructo teórico. Na abordagem “tradicional”, apresenta-se a teoria e depois os problemas a ela associados. Um cuidado especial com a segurança física dos discentes deve ser tomado quando essa metodologia é usada. A conscientização para o uso do Equipamento de Proteção Individual (EPI) é bastante importante; algo que os discentes devem desenvolver na escola e que hoje é um dos principais desa�os das indústrias. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Blikstein (2013) aponta que a essência do maker está no fazer, na observação direta dos fenômenos relacionados, na re�exão e problematização dessas observações, que levam à aprendizagem. Segundo esse autor, trata-se de uma prática que cria a teoria e a usa para orientar a prática, em ações que promovem a criatividade e inventividade. O uso dos jogos como recursos didáticos não é novidade na educação. Propostas pedagógicas que envolvem o jogo são estudadas há muitas décadas, e seus resultados positivos são constatados desde então. A abordagem metodológica com jogos estimula os discentes a compreenderem e memorizarem os conceitos e procedimentos, desenvolvem as competências e habilidades socioemocionais e estimulam a criação de diferentes estratégias. Além disso, durante todo o jogo, a cada aplicação de seu conhecimento ou hipótese, o discente é provocado a planejar e avaliar suas ações e a dos colegas. Trazem uma dinâmica para as aulas que tornam os discentes plenamente ativos. Gami�car o ensino implica de�nir uma trajetória de aprendizagem, por desa�os, em que os discentes se sintam desa�ados a vencê-los a cada vez. A gami�cação traz uma nova roupagem para essas mesmas potencialidades graças aos avanços dos recursos tecnológicos digitais e ao advento dos jogos digitais. Sua aplicação na educação tem a mesma lógica usada em práticas sociais de outras áreas, requerendo apenas a boni�cação quando determinadas etapas de uma trajetória previamente estabelecida são cumpridas. ______ Exempli�cando Um exemplo bastante comum da gami�cação no cotidiano das pessoas está nos programas de �delidade. A pontuação que os consumidores acumulam com suas compras permite que eles recebam níveis diferentes de status, fornecendo vantagens em outras compras ou benefícios. Outro exemplo está em um aplicativo de deslocamento no qual você pode ser um simples usuário, mas as colaborações com o envio de informações atribuem a você um status diferente. ______ Mas a gami�cação não deve ser confundida com o uso de jogos. A gami�cação é o uso de elementos e técnicas de projeto do jogo para estimular as pessoas a permanecerem em um determinado contexto (ZICHERMANN; CUNNINGHAM, 2011). Na educação, os elementos do jogo são suas características e lógica que permitem aos jogadores conhecerem sua situação para avançarem em sua aprendizagem. Logo, usar um jogo em uma aula não signi�ca que um docente gami�cou o ensino. Para gami�car o ensino, é necessário que no jogo existam elementos pedagógicos que constituam trilhas de aprendizagem. Nesta aula, você teve a oportunidade de perceber que os recursos tecnológicos efetivamente �exibilizaram o tempo escolar do discente. Ele pode, a qualquer momento, acessar, analisar e aplicar as informações. Pode perceber também que, com propostas de ensino conduzidas por ele, com o uso do tempo e de recursos que lhe são particularmente necessários, isso também se torna possível. No entanto, em todos os caminhos percorridos pelo estudante, do educador é requerido um adequado planejamento prévio e um acompanhamento constante e individual dos discentes (avaliação e intervenção). Como salientado em aulas anteriores, a rede�nição do papel do estudante requer a rede�nição do papel dos educadores. Ou seja, diante dessa nova realidade, novos tempos de trabalho e de formação do docente também são requeridos. ______ Re�ita Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Diante das demandas atuais para a adoção de metodologias ativas e a �exibilização dos tempos propiciadas pelos recursos digitais, uma nova relação se estabelece com o tempo de trabalho do trabalho docente. Alguns teóricos falam “desterritorialização” da escola proporcionada pela nova lógica de comunicação proporcionada pelos avanços tecnológicos, uma vez que o ensino e a aprendizagem podem ocorrer em diferentes espaços e tempos. Como você organizaria sua aula e sua vida para dar conta dessas novas demandas da sociedade e da Educação? ______ Saiba mais: Comunidades virtuais de aprendizagem As metodologias ativas têm em comum o protagonismo do estudante. Para isso, comunidades de aprendizagem podem ser criadas. A criação de comunidades está no cerne da missão do Facebook. Conheça os elementos básicos necessários para de�nir a estratégia para sua comunidade e começar a desenvolver sua comunidade online no curso De�nir e Estabeleceruma Comunidade, que ajudará você a identi�car sua missão, metas e critérios de sucesso e a desenvolver os princípios norteadores para dar melhor apoio à comunidade. Conclusão A situação-problema desta aula pede que sejam apresentadas as potencialidades e limitações da implementação das metodologias ativas associadas ao uso de recursos digitais. É uma situação https://www.facebookblueprint.com/student/path/197564-definir-e-estabelecer-uma-comunidade https://www.facebookblueprint.com/student/path/197564-definir-e-estabelecer-uma-comunidade Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL hipotética, na qual o docente precisa conhecer as características de algumas das propostas já existentes em diversos locais, para que essas propostas sejam colocadas em seu plano de ensino com o propósito de inovar na educação. Como você deve ter percebido ao longo da aula, cada metodologia tem suas características peculiares, mas todas ela requerem um planejamento mais elaborado por conta da alocação dos recursos físicos (como acesso à internet, disponibilização e acesso aos equipamentos e recursos digitais como computadores, tablets e celulares, espaços físicos, organização do tempo e dos espaços). São todas as situações que colocam o estudante como protagonista no processo, e o educador precisa ser muito criativo e organizado para acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos e melhor orientar os estudantes nesse processo. Trata-se de uma tarefa difícil, uma vez que as potencialidades e limitações dependem diretamente do contexto. Mas colocando um distanciamento desse entrave, falar das potencialidades das metodologias ativas não é um exercício complicado. As metodologias ativas levam os estudantes à proatividade, uma vez que precisam planejar, agir e avaliar suas próprias ações, assim como as dos colegas. Elas favorecem a criatividade, quando permitem que os estudantes, diante de um problema, busquem diferentes estratégias de solução. Com as metodologias ativas o motivador para o trabalho do estudante não é a nota que ele vai tirar, mas sim a busca da solução de um problema e o seu prazer em aprender. As metodologias ativas incorporam tarefas de ensino que motivam os estudantes pelos desa�os que eles próprios se colocam e o caminho que escolhem para vencer o desa�o, construindo seu conhecimento. Essa construção de conhecimento é um processo concomitante ao da solução do problema, porque as metodologias ativas exigem processos mais avançados de re�exão e de reelaboração de novas práticas, desenvolvendo, assim, as competências cognitivas, socioemocionais e pro�ssionais. O uso dos recursos digitais minimiza o problema da in�exibilidade dos tempos e espaços escolares, geralmente caracterizados pela fragmentação dos conteúdos e dos momentos de aula. Com os recursos digitais, a aprendizagem pode ocorrer nos mais diferentes espaços e momentos. Além disso, os recursos digitais oferecem ferramentas que permitem o desenvolvimento do pensamento computacional, aproximando a escola da vida existente fora dela. Cotidianamente estamos expostos a processos automatizados, com inteligência arti�cial e processos gami�cados. Por último, uma terceira potencialidade está na possibilidade de desenvolvimento de rotas individuais de aprendizagem, uma vez que cada estudante aprende de uma forma e em um ritmo bastante particulares. Indiscutivelmente, as metodologias ativas e do uso dos recursos digitais são potentes para atender às demandas atuais colocadas para a educação, mas, para implementá-las, recursos de diferentes naturezas são necessários e a ausência deles representam limitações. O educador, ao escolher alguma metodologia ativa, deve pensar nas seguintes questões: quais são os recursos �nanceiros, materiais e humanos necessários? Para trabalhar com recursos digitais, equipamentos e acesso à internet são indispensáveis, por vezes, o espaço físico. O trabalho com a Cultura Maker menos dispendiosa possível requer sucatas, ferramentas básicas e espaço físico. Em algumas metodologias – com ensino híbrido, por exemplo – monitores são necessários. Em todas as metodologias ativas, o envolvimento do docente é diferente e requer uma carga horária diferentes dos métodos tradicionais de ensino; Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL quais são os conhecimentos, competências e habilidades necessários para a adequada implementação de todos os envolvidos na implementação dessas propostas? Trabalhar com a metodologia diferente signi�ca algo novo, seja no campo especí�co dos objetos de conhecimento, seja em outros de natureza técnica, pedagógica, comunicacional e relacional; qual é a organização e organicidade institucional necessária? Rotinas minimamente diferentes são implementadas nas escolas e geram diferentes demandas de trabalho, que por vezes têm relação com aspectos administrativos e até jurídicos; qual é a forma de tratar as questões intersubjetivas que surgem entre os diferentes envolvidos? Trabalhar com metodologias ativas pressupõe a explicitação das subjetividades. Diferentes interesses, expectativas e preocupações surgem nos coletivos que terão conduções diferentes em função dos diferentes valores e crenças individuais. Falar em metodologias ativas e do uso dos recursos digitais requer falar de suas potencialidades e limitações para que sua implementação seja profícua. Mas, nesse contexto, as limitações não devem representar obstáculos que imobilizam, mas que sejam vistos como desa�os e oportunidades para o novo e inovador. São essas potencialidades e limitações que deverão orientar a elaboração dos planos de trabalho docente. Curiosamente, a implementação das metodologias ativas nas salas de aula requerem sua implementação também no âmbito escolar, para que as di�culdades sejam superadas. Aula 3 Aprendizagem ativa e protagonismo Introdução da Aula Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Qual é o foco da aula? Nesta aula, você estudará sobre a aprendizagem ativa e protagonismo. Objetivos gerais de aprendizagem Ao �nal desta aula, você será capaz de: identi�car as diferenças existentes entre as propostas que tornam a aprendizagem ativa daquelas que promovem e desenvolvem o protagonismo; empregar seu conhecimento para usar em sua sala de aula a cultura digital já presente fora da escola; esclarecer os preceitos da cultura digital e da educomunicação. Situação-problema Nesta aula, você compreenderá a relevância da ideia de protagonismo ao perceber a centralidade e enraizamento deste conceito nas propostas que devem ser consideradas como inovadoras no atual contexto educacional. Você deve se lembrar de que uma proposta só pode ser considerada inovadora se ela efetivamente alterar algo vigente e cumprir o propósito que justi�cou sua implementação. Na perspectiva do cumprimento dos objetivos dessa unidade, o nosso propósito é fazer com que a escola deixe de ser considerada desinteressante pelos nossos estudantes e, para isso, defendemos o uso de metodologias ativas associadas ao uso dos recursos digitais para colocar os estudantes no centro do processo no qual ele mesmo constrói seu conhecimento, de maneira a atribuir signi�cado ao que aprende na escola (e até fora dela) e às atividades que desenvolve para essa aprendizagem. Por isso, o tema protagonismo é central. Para que o protagonismo seja um vetor que leve a proposta a ser inovadora, ele dependerá do enraizamento que tem com outros conceitos e com os procedimentos que os discentes fazem no processo. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Um desses enraizamentos é a relação existente entre o protagonismo e o empreendedorismo. Nesta aula, a relação entre esses dois conceitos é estabelecida e detalhada para que as propostas de ensino sejam efetivamente inovadoras, não caindo no senso comum no qual o empreendedorismo se tornaria mais uma ação conservadora. Outro enraizamento está na proposta de trazer a prática social de produção e compartilhamento de informações já existente fora da escola para as práticas escolares. Você poderá entender que na linguagem presente World Wide Web (www), que aquinos referiremos simplesmente como internet, é de responsabilidade dos pro�ssionais da educação (educadores, gestores escolares, gestores educacionais, produtores de materiais didáticos e decisores de políticas públicas) que essa produção seja crítica, ética e atenda aos critérios cientí�cos para que essas informações tenham a veracidade necessária e favoreçam a produção de conhecimentos. Essas práticas sociais a que nos referimos são aquelas que reconhecemos nas diferentes formas de comunicação presentes na internet ,como canais YouTube e podcasts (arquivos de áudios digitais compartilhados via internet e facilmente acessíveis por qualquer dispositivos como celulares, computadores e aparelhos de televisão), ambos abrangendo os mais diversos temas, de maneira que os interessados podem se inscrever e receber constantemente informações sobre atualizações. A temática e a linguagem usada na produção desses vídeos e áudios os tornam muito atraentes e eles se mostram, de alguma forma, como entretenimento e transmissão de informação, e em geral ambos ao mesmo tempo. Por isso, associada à facilidade de acesso, essas práticas têm se tornado muito populares. Na linguagem presente na internet todos nós somos creators, a�nal, todos nós somos produtores e usuários desses áudios e vídeos. O jornalismo e o comércio (propaganda e marketing) já incorporaram tais práticas em seus campos de atividade, e o mesmo deve fazer a Educação. Este é mais um caminho que pode tornar a escola mais interessante para os discentes. A situação-problema que envolve os conhecimentos desenvolvidos na aula requer que você coloque suas crenças em ação. Imagine que você precisa preparar uma sequência didática na qual precisa promover a troca de informações por meio de textos, imagens e vídeos, e assim por diante. Nessa sequência didática, você precisa tornar claro para seus estudantes que qualquer pessoa, a qualquer instante e independentemente de onde ela estiver, poderá produzir e compartilhar informações. Ao mesmo tempo, o estudante precisa ter a noção de que, da mesma forma, qualquer um poderá compartilhar, criticar, modi�car e aprimorar as informações por eles produzidas, gerando, assim, um ciclo de produção de novas informações. A sequência didática deverá mostrar que esse processo de acesso, produção e compartilhamento de informações é muito veloz e ocorre de maneira muito interativa. Além disso, essas informações podem representar um resultado bom ou ruim, trazendo benefícios ou malefícios para as pessoas e para a sociedade. Você, como educador, precisa trazer esse processo para dentro da sala de aula ou da escola, porque favorece a con�guração de um ambiente de aprendizagem criativo, crítico e colaborativo. A sequência didática deve ajudar seus estudantes a construírem essas competências e habilidades, de maneira ética e responsável. Protagonismo do estudante Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL A democratização do acesso à internet favoreceu a grande troca de informações por meio de textos, imagens e vídeos, e tem se tornado uma prática social cada vez mais frequente fora do ambiente escolar, in�uenciando as opiniões, decisões e ações das pessoas. O desa�o das escolas é mediar essas práticas sociais para a produção de conhecimentos, competências, habilidades e valores. As propostas de ensino devem ser uma oportunidade de potencializar, dando maior abrangência, profundidade e diversidade às ações dos estudantes durante a resolução dos problemas e a construção de seus conhecimentos. Mas como inserir na escola essas práticas comunicativas existentes fora da escola? Quais elementos você traria para esse debate para que as propostas de ensino possam contribuir para que os estudantes construam essas competências e habilidades de maneira ética e crítica, diferenciando o conhecimento comum do conhecimento cientí�co, que é um dos papéis da escola? Vamos agora nos aprofundar um pouco mais sobre uma das muitas dimensões educacionais presentes em qualquer proposta de inovação educacional nas práticas escolares, que é o protagonismo. Em geral, quando ouvimos o termo protagonista, associamos ao artista que faz o papel principal em uma novela, �lme ou teatro. No sentido �gurado, ser protagonista signi�ca desempenhar o papel principal em um acontecimento e, por isso, na área educacional, quando se diz que o estudante deve ser o protagonista em seu processo de aprendizagem, signi�ca que deve ser dele o papel principal. Mas a ideia de protagonismo, no contexto das inovações educacionais que incorporam os princípios das metodologias ativas e o uso dos recursos digitais disponíveis, demanda uma visão um pouco mais abrangente e detalhada, sobretudo na forma como esse protagonismo deve ser exercido. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL ______ Re�ita O termo protagonista tem sua origem no teatro grego, em que cabia a ele as ações em defesa do bem. Por isso, não fazia sentido existir o protagonista sem a existência do antagonista. O antagonista é importante para justi�car a existência do protagonista – lembrando de que o antagonista é aquele que o protagonista deve combater. As tramas se desenvolvem, até hoje, em situações em que um tenta impedir que o outro cumpra com seus objetivos. Nesse contexto, o antagonista não necessariamente precisa ser uma pessoa, mas pode ser representado por um ambiente com relações sociais adversas, um fenômeno natural, sentimentos, doenças ou um objeto. Logo, não faz sentido falar em protagonista sem a existência do antagonista. Assim, quando falamos que um estudante é protagonista, o que ou quem assume o papel de antagonista? ______ Agora vamos pensar na seguinte situação: a situação-problema desta aula requer a explicitação dos elementos necessários para o planejamento de propostas de ensino, tarefas, sequências didáticas ou projeto, que incorporem essa visão mais abrangente e detalhada sobre o protagonismo. Assim, nessas propostas de ensino você deverá considerar o fenômeno da democratização do acesso à internet, que facilitou e estimulou a grande troca de informações entre as pessoas por meio de textos, imagens e vídeos. Você sabe que, com esse fenômeno, qualquer pessoa em qualquer momento, independentemente de onde ela estiver, pode acessar, produzir e compartilhar informações. Deve saber também que, ao mesmo tempo, qualquer outra pessoa do mundo poderá compartilhar, criticar, modi�car e aprimorar essas informações. Trata-se de um processo dinâmico, altamente veloz e interativo. É um processo que produz conhecimentos. ______ Re�ita Qual é a con�abilidade dos conhecimentos produzidos nesses processos em que não há qualquer critério cientí�co ou de crítica que valide esses conhecimentos produzidos? ______ Esse questionamento explicita a relevância de as escolas se abrirem para a colocar em suas práticas escolares esses processos de produção de informações e conhecimentos que já ocorrem frequentemente fora dela. Nesses processos escolares – em que as informações produzidas terão a necessária validação cientí�ca, sejam elas de natureza técnica ou política – os conhecimentos serão construídos de forma crítica e ética. São processos escolares que colocam o estudante como o agente central e responsável pela solução ou proposição de soluções de problemas que identi�ca no contexto real no qual ele está inserido. Essa centralidade do estudante e enraizamento na realidade é que caracterizam o protagonismo dos estudantes no contexto das metodologias ativas. O seu desa�o – em uma atual situação hipotética na qual ocupa a função de docente, mas que ocorrerá em breve – seria planejar ações que constituiriam um ambiente de aprendizagem criativo, crítico e colaborativo na sala de aula, na escola e possivelmente fora dela, que torne o discente em um protagonista. Diante dessa situação-problema, nesta aula você encontrará os elementos que permitirão incorporar nas práticas escolares o protagonismo do estudante com o uso das metodologias Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL ativas, trazendo para dentro da escola a produção deinformações já existente fora dela, propiciando que ela cumpra sua �nalidade. ______ Lembre-se Lembre-se de que entendemos a metodologia ativa na educação como sendo uma proposta de ensino na qual a atividade do estudante seja o centro do processo de busca por soluções ou sugestão de soluções para problemas reais que ele identi�ca no contexto em que está inserido, de maneira que ao mesmo tempo ele atribua signi�cado aos dados, gerando informações e, ao relacionar essas informações, construa o seu próprio conhecimento, dando signi�cado ao conhecimento construído ao longo da história da humanidade. Além disso, consideramos que o uso dos recursos digitais é potente para a pesquisa, comunicação ou simulação da realidade. Além disso, os diferentes modelos híbridos de ensino permitem a �exibilização dos conteúdos, tempos e espaços escolares e a personalização do ensino, isto é, permite que cada estudante tenha acesso ao recurso, durante o tempo que lhe é particularmente necessário. Desenvolvimento de competências, habilidades e formação cidadã Nessas práticas escolares devemos incorporar os conhecimentos que os estudantes precisam desenvolver e que minimamente estão expressos na Base Nacional Comum Curricular na forma de Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL competências e habilidades. Minimamente porque outras, determinadas pelo contexto do estudante e da escola, deverão ser especi�cadas. ______ Lembre-se Entendemos competências como sendo a […] mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho. (BRASIL, 2018, p. 8) e habilidades como as possíveis formas de […] conhecimentos em ação, com signi�cado para a vida, expressas em práticas cognitivas, pro�ssionais e socioemocionais, atitudes e valores continuamente mobilizados, articulados e integrados. (BRASIL, 2018, p. 21) Na especi�cação dessas competências e habilidades estão inseridos os propósitos da formação necessária para o exercício da cidadania e de atender às demandas do mercado de trabalho. Agora, vamos colocar a atenção no propósito da formação para o mercado de trabalho, mas sem perder de vista que isso também é inerente à formação cidadã. ______ Exempli�cando Estas são, respectivamente a quinta e sexta competências gerais descritas na BNCC: compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, signi�cativa, re�exiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva; valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade. (BRASIL, 2017, p. 9) ______ Por muito tempo, quando as escolas se preocupavam em formar bons pro�ssionais, estavam de maneira implícita formando-os para as pro�ssões clássicas como médicos, educadores, engenheiros ou advogados. Atualmente, como a mídia tem frequentemente mostrado, algumas pro�ssões deixarão de existir ao mesmo tempo em que outras serão necessárias, sobretudo aquelas relacionadas aos avanços tecnológicos, envelhecimento da população e preocupações ambientais. Diante dessa diversidade de pro�ssões e do contexto futuro, não há como as escolas não manterem seus propósitos de dar acesso à formação básica necessária para essas pro�ssões, mas deverão se preocupar também em formar políticos e empreendedores. Ou seja, não basta que as escolas preparem seus estudantes para serem médicos, educadores, engenheiros ou qualquer Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL outra pro�ssão, elas devem preparar esses educandos para serem, acima de tudo, políticos e empreendedores. Deve ser político porque todo ser humano vive em comunidade, o que signi�ca conviver com o outro e com o ambiente. E conviver é o mais político dos atos, como a�rmam Cortella e Ribeiro (2012). As escolas, assim como as famílias, clubes, igrejas; en�m, toda instituição social permite o exercício da política, não se restringindo aqui à partidária, mas à mais ampla possível, e que não será nosso foco neste momento. Deve ser empreendedor porque o empreendedorismo na formação dos estudantes não deve se restringir apenas à ideia de aproveitar oportunidades e gestar empresas, mas eles devem desenvolver atitudes críticas, estimular a construção do projeto de vida, a iniciativa e a perseverança, sempre orientados pela ética. Garantir que o estudante aprenda a ser político e empreendedor pressupõe desenvolver metodologias de ensino em que ele desenvolva suas competências, habilidades e valores interferindo, individual ou coletivamente, de maneira criativa e propositiva, na superação dos problemas que encontra no meio em que vive. Por isso, nessa perspectiva, o primeiro passo para ser empreendedor é a tomada de consciência do ambiente, relacionando-o ao seu projeto de vida. A conscientização tem neste sentido, um teste da realidade. Quanto mais conscientização, mais “dês-vela” a realidade, mais se penetra na essência fenomenológica do objeto, frente ao qual nos encontramos para analisá-lo. Por esta mesma razão, a conscientização não consiste em “estar frente à realidade” assumindo uma posição falsamente intelectual. A conscientização não pode existir fora das “práxis”, ou melhor, sem o ato de ação re�exão. Esta unidade dialética constitui, de maneira permanente, o modo de ser ou de transformar o mundo que caracteriza os homens. Por isso mesmo, a conscientização é um compromisso histórico. É também consciência história: é inserção crítica na história, implica que os homens assumam o papel de sujeitos que fazem e refazem o mundo. Exige que os homens criem sua existência com um material que a vida lhes oferece… A conscientização não está baseada sobre a consciência, de um lado e o mundo do outro; por outra parte, não pretende uma separação. Ao contrário está baseada na relação consciência-mundo. (FREIRE, 1980, p. 26) Por isso, o tema empreendedorismo precisa ser desenvolvido nas salas de aula com essa perspectiva, para não se limitar à ideia de combate ao desemprego juvenil e à produção de um consenso acerca da possibilidade de criação de formas alternativas de trabalho e geração de renda. Se a formação para o empreendedorismo se limitar a isso, seria mais um exemplo de uma ação apontada como inovação, mas, na prática, mais uma nova roupagem de propostas conservadoras a serviço apenas da adaptação dos indivíduos à sociedade e não à sua modi�cação (DREWINSKI, 2009). ______ Assimile Preparar o estudante para o empreendedorismo requer desenvolver propostas em que ele construa os seus conhecimentos, incluindo aqueles necessários ao exercício pro�ssional, ao mesmo tempo em que desvela a realidade em que vive. Além disso, identi�car e resolver os problemas, individual e coletivamente, de maneira que ele seja proativo no processo, com iniciativa e criatividade, e com perseverança e resiliência para implementar as necessárias mudanças na sociedade. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL ______ De acordo com Hasan e Marion (2018), para sua efetivação, o empreendedorismo deve estar associado à inovação, para que sejam criadas oportunidades para envolver outras pessoas com preocupações sociais e ambientais. Segundo esses autores, é necessário buscar pessoas que […] possam adquirir novas habilidades empreendedoras e aprimorá-las, o que exige formação de indivíduos com uma visão diferenciada e preparados para os desa�os encontrados atualmente no que diz respeito ao mundo dos negócios […] O empreendedorismo e a inovação podem impulsionar a economia de um país, mas eles devem estar aliados a uma análise do mercadointernacional e de suas tendências, […] No mundo, diversas empresas procuram renovar-se e, de alguma maneira, contribuir para um mundo mais sustentável. Isso se dá pela formação de um mercado e de consumidores cada vez mais exigentes, que não se satisfazem mais somente com bom preço e qualidade, mas, sim, com produtos que bene�ciem a sociedade e os recursos naturais. (HASAN; MARION, 2018, p. 47) A cultura digital e a Educomunicação Nesse contexto, até mesmo o uso dos recursos digitais para a troca de dados e informações tem sofrido muitas modi�cações. Até recentemente, as chamadas Tecnologias de Informações e Comunicação (TICs) já permitiam a �exibilização curricular (conteúdos, tempos e espaços) em Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL tarefas de simulação, pesquisa e comunicação, mas se caracterizavam por serem textos predominantemente escritos, devido à baixa velocidade e capacidade da internet. No entanto, com o avanço tecnológico nessa área, a velocidade e capacidade de processamento e armazenamento dos equipamentos, aparelhos e da própria internet, está permitindo o uso de imagens e sons. Com isso, a transmissão de vídeos e fotos tem se popularizado em detrimento de textos escritos. Como consequência, a produção, armazenamento e compartilhamento de informações também se popularizou, mudando os canais de comunicação e suas características, estabelecendo uma nova cultura digital. Antes a comunicação ocorria por meio de e-mails, quando muito por fóruns (ou chats), caracterizando a comunicação como assíncrona (quando a interação não ocorre ao mesmo tempo) e síncrona (quando a interação ocorre ao mesmo tempo), respectivamente. Atualmente, há espaços virtuais (plataformas) que armazenam vídeos e áudios (podcasts), salas de aulas virtuais, em que virtualmente é estruturada uma sala igual à convencional, para postagens de tarefas a serem cumpridas pelos discentes e as produções por eles realizadas. En�m, há uma diversidade incrível de possibilidades de acesso, produção e compartilhamento de informações de uma forma nada linear. Segundo Kellner e Share (2008), já foram geradas diversas listas de conceitos também bastante diversi�cados, mas que convergem para no mínimo cinco elementos básicos: 1. o reconhecimento da construção da mídia e da comunicação como um processo social, em oposição a aceitar textos como transmissores isolados de informações, neutros ou transparentes; 2. algum tipo de análise textual que explore as linguagens, gêneros, códigos e convenções do texto; 3. uma exploração do papel das audiências na negociação de signi�cados; 4. a problematização do processo da representação para revelar e colocar em discussão questões de ideologia, poder e prazer, e; 5. a análise da produção, das instituições e da economia política que motivam e estruturam as indústrias de mídia como negócios corporativos em busca de lucro. (KELLNER; SHARE, 2008, p. 691) Todas elas são importantes para a escola, uma vez que são esses elementos que sustentam a cada vez maior produção e o acesso a informações disponíveis na internet. Aqueles que produzem, criam e acessam essas informações são denominados creators. Os produtores e criadores de informações na internet, atualmente responsáveis pela quebra de paradigmas da área da comunicação, têm estilo próprio de interação, que a despeito de já existir uma grande pro�ssionalização na área, fazem questão de, mesmo assim, manter a aparência na produção para manter a audiência e �delização. Essa não necessidade de pro�ssionalização é a oportunidade de inserir esse movimento de produção de informações para as práticas escolares, com conteúdos que mantêm a aparência de entretenimento, geração de polêmicas sobre um assunto ou emissão de opiniões, mas de maneira ética e cientí�ca. Esse seria um caminho para o combate ou desprezo das fake news (publicações com informações inverídicas). Essa seria a área da Educomunicação. ______ Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Assimile Segundo Soares, a Educomunicação […] designa um campo de ação emergente na interface entre os tradicionais campos da educação e da comunicação, apresenta-se, hoje, como um excelente caminho de renovação das práticas sociais que objetivam ampliar as condições de expressão de todos os segmentos humanos. (SOARES, 2011, p. 15) ______ A Educomunicação é uma área que tem por objetivo desenvolver as competências e habilidades para uma melhor comunicação entre as pessoas, entre as pessoas e instituições e até entre instituições, cada uma delas com características próprias. Há teóricos que defendem até uma pedagogia para a comunicação, mas aqui não chegaremos a tanto. Vamos apenas nos preocupar em reconhecer como tais conhecimentos, competências e habilidades são construídas, para que sejam feitas de maneira crítica e ética. A Educomunicação explora as potencialidades de toda a produção midiática,digital ou não, e valoriza a expressão por meio das várias formas de linguagem das artes. Além disso, tem também a preocupação em fazer a gestão da produção de informações e dos espaços de armazenamento e disponibilização dessas informações. É importante que você perceba que nesse processo de produção de informações por meio de textos ou imagens, ocorrem muitas interações entre os discentes e, assim, é estabelecida a experiência social da linguagem, que por sua vez, é apontada por Vygotsky (1984) como sendo um dos fatores com maior in�uência na aprendizagem dos discentes. Mais uma vez a inovação está na implementação de uma prática escolar, mesmo que seja sem novidades em relação aos recursos tecnológicos e à teoria da aprendizagem. No contexto das metodologias ativas, a produção coletiva e compartilhamento de vídeos, blogs, sites, registrando os passos dados no processo de resolução de problemas, os resultados parciais e �nais obtidos e a aprendizagem ocorrida, motivam os discentes a desenvolver as competências e habilidades de natureza cognitivas e as socioemocionais. Por ser um processo coletivo, a aprendizagem é colaborativa e criativa, em que todos aprendem e são responsáveis pelas aprendizagens dos outros. É um trabalho de aprendentes e coaprendentes e, concomitantemente, autores e coautores. Para a adequada produção de um vídeo, o processo deve ter: Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Você deve �car ciente que a proposição de práticas escolares que tenham aderência à cultura digital requer que os docentes tenham a mesma disponibilidade em aprender que eles esperam que seus estudantes tenham. ______ Saiba mais: Gestão de comunidades virtuais de aprendizagem Os professores podem utilizar as comunidades do Facebook para compartilharem informações com os estudantes. Na condição de criadores e gestores da comunidade, eles têm o poder de cultivar uma cultura acolhedora. Saiba como engajar e moderar sua comunidade online integrando novos membros, incentivando conexões entre os membros e usando os Padrões da Comunidade do Facebook para mantê-la segura, no curso Engajar e moderar uma comunidade. Conclusão https://www.facebookblueprint.com/student/path/197566-engajar-e-moderar-uma-comunidade Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Para uma análise sobre como inserir nas práticas escolares as práticas comunicativas existentes fora da escola, de maneira análoga como já é feito em outras áreas como o jornalismo e a propaganda, o ponto inicial é conhecer as características dessas práticas e estabelecer propósitos aderentes à �nalidade da educação: construir conhecimentos, agora com a preocupação de compartilhar esses conhecimentos produzidos. Quando associados às metodologias ativas, que pressupõem a resolução de algum problema ou de propostas de sua solução, o compartilhamento deve contemplar também informações sobre o processo desenvolvido e seus resultados. Além de blogs e sites, os vídeos e áudios devem ser considerados como formas dessa divulgação e compartilhamento. Como se trata de uma área em constante inovação – e apesar de os vídeos terem por opção manter a aparência de produções amadoras –, competência e habilidadessemelhantes àquelas exigidas no mercado de trabalho são requeridas, como a produção, as fases preliminares de planejamento e obtenção de recursos, e aquelas pós-produção, que seriam o re�namento da produção e a manutenção da clientela. Esse contexto leva à necessidade de envolver os temas empreendedorismo e educomunicação. Assim como no jornalismo, que ao se apropriar dessas técnicas para o cumprimento de seus objetivos, manteve os critérios de produção e divulgação de notícias existentes nos meios convencionais, a educação precisa fazer o mesmo, para que o conhecimento comum não seja divulgado como um conhecimento cientí�co. Quando vídeos e podcasts são produzidos com base em crenças populares ou individuais, sem serem analisadas sob uma perspectiva teórica, crítica e com algum rigor cientí�co em experimentações, muitas vezes são estabelecidas relações entre causas e efeitos que não são totalmente verdadeiras. Na escola, a produção e compartilhamento de informações, associada à Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL resolução de problemas identi�cados pelos discentes, deve passar por essa análise e por esses critérios, propiciando informações verdadeiras. Para isso, docentes e discentes devem estar sempre se atualizando para �carem pari passu com os avanços tecnológicos – e não somente os digitais –, para que possam juntos, cada um em seu papel, praticar atividades educacionais que levem os discentes a desenvolver e assumir atitudes autônomas, criativas, críticas, éticas e responsáveis. Dessa maneira, discentes e docentes, ao produzirem atividades em que os discentes individualmente constroem seu conhecimento na interação com os outros, criam na escola um ambiente de aprendizagem colaborativo e criativo. Nesse processo, os docentes conseguem colocar plataformas como o YouTube, que não é apenas um portal que armazena vídeos, mas que disponibiliza muitas ferramentas para aumentar sua audiência, a serviço da educação. Na internet, docentes que fazem isso chegam a ser denominados Edutubers. Uma mudança na sociedade e na educação pode ser observada pelo estrangeirismo, em especial ao anglicismo (o uso de palavras de origem inglesa como YouTube, podcast, creators, web, site, blog) presente nesta aula, e docentes e discentes devem estar atentos para os seus signi�cados e, principalmente, ao o uso que é feito desses termos e recursos. Não são poucos os exemplos fora das escolas em que pessoas de diferentes idades e diferentes níveis socioeconômicos desenvolvem ações junto a comunidades locais, envolvendo intervenções nas áreas ambientais, educacionais, de saúde pública, de esportes e tecnológicas. Uma breve consulta na internet trará muitos desses exemplos, cujas ações têm impactos positivos, sendo adequadamente compartilhadas. Diante de tudo isso, será o resultado do uso desses recursos nas propostas educacionais que de�nirá se elas efetivamente serão inovações educacionais ou apenas novas formas conservadoras de educar. Videoaula: as metodologias ativas Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Assista à videoaula sobre "as metodologias ativas". Referências Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL ABED, A. 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E isso com o propósito de efetivamente melhorar a aprendizagem na sala de aula – em particular porque será ela que permitirá o efetivo ensino adaptado aos ritmos e necessidades de cada pessoa, título desta aula. No decorrer desta primeira aula, você perceberá que enquanto as metodologias ativas têm sua importância em um aspecto mais abrangente, permitindo a interrelação de vários elementos de natureza pedagógica para uma inovação educacional na sala de aula, como se fosse um guarda- chuva que acolhe todos esses elementos, a temática personalização do ensino é igualmente importante por se tratar de um desses elementos, relacionando-se com os demais. A segunda aula desta unidade, Possibilidades de aprendizagem individualizada, terá como foco a exploração dos recursos tecnológicos que permitem à escola romper com as amarras da igualdade, graças às possibilidades que esses recursos oferecem para a personalização do ensino e à criação de uma nova cultura de aprendizagem. Por �m, na última aula, serão analisados Projetos educativos personalizados, título da aula, para que a relação entre complexidade e individualidade dos estudantes sejam percebidas a �m de que eles, a partir de suas personalidades particulares e peculiares, possam maximizar suas competências e habilidades para lidar com o mundo que os cerca. Ao �nal da unidade, você estará apto não só a distinguir as inovações educacionais atreladas às tecnologias digitais ou não, para incluí-las no planejamento das tarefas educacionais, mas principalmente para identi�car os valores e crenças presentes na cultura educacional vigente. Essa identi�cação é um primeiro passo, essencial para o estabelecimento de uma nova cultura de aprendizagem para que os estudantes sejam protagonistas de seu processo de construção de conhecimento, e sejam críticos, criativos e éticos na produção e compartilhamento de seus conhecimentos. Ao romper com a cultura igualitária vigente, que em geral mantém, ao �nal do período de formação, os diferentes níveis de conhecimentos identi�cados no início desse período, você estará apto a elaborar projetos educativos realmente inovadores, criando tarefas que promovam aprendizagem signi�cativa, interativa e colaborativa. Será com propostas de ensino adaptadas aos ritmos e necessidades de cada estudante que você promoverá a personalização do ensino equânime e inovador, a�nal, sua prática educativa respeitará o ritmo e individualidade de cada educando, assim como o trabalho coletivo e colaborativo. Introdução da Aula Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Qual é o foco da aula? Nesta aula, você estudará sobre o ensino adaptado aos ritmos e necessidades de cada estudante. Objetivos gerais de aprendizagem Ao �nal desta aula, você será capaz de: descrever as metodologia ativas em um aspecto mais abrangente; articular vários elementos de natureza pedagógica para uma inovação educacional na sala de aula; aplicar a personalização do ensino que permite o efetivo ensino adaptado aos ritmos e necessidades de cada pessoa. Situação-problema Esta é uma aula muito importante para que as práticas em sala de aula sejam efetivamente inovadoras, considerando o propósito de melhorar a aprendizagem dos estudantes. Nela você perceberá que é pelas ações docentes que a personalização do ensino ocorrerá e, da mesma forma, a melhoria da qualidade da aprendizagem. Personalizar o ensino signi�ca romper estruturas educacionais vigentes, demandando a reconstrução de muitos valores e crenças consolidados há muito tempo e que de�nem a cultura educacional vigente. Para você entender, vamosdiscordar da a�rmação de que devemos oferecer o mesmo ensino para todos os estudantes, independentemente de seu contexto de vida, mesmo sabendo que poucos discordariam dela. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Imagine que você está participando de uma mesa redonda de um seminário a convite de uma faculdade de educação, que conta com a presença de muitos educadores de diversas escolas, incluindo a que você trabalha. Uma das participantes pede a palavra e a�rma: “Com tantos ambientes de livre acesso que podem produzir conhecimentos de forma colaborativa, nos quais a autogestão e autorregulação dos espaços são primordiais, a autonomia dos membros que compõem esses ambientes é inevitável.” E em seguida ela faz duas perguntas a você, diante do auditório: “Em suas aulas, como você consegue desenvolver as competências e habilidades dos estudantes para que os espaços virtuais estejam a serviço da aprendizagem ética e responsável?” e “Como você poderia garantir a interação e os feedbacks sem que estes ocupem o lugar central nos ambientes virtuais, uma vez que essa centralidade no processo deve ser dos estudantes, a�nal eles são os principais protagonistas?” Você percebe que essas perguntas são feitas com base na cultura vigente e que, para respondê- las, é preciso falar de todas as implicações que levam à personalização do ensino. Quais seriam os elementos da sua resposta? Para desvelar as relações da personalização do ensino com esses diversos elementos conceituais, é necessário, antes de tudo, identi�cá-los e depois problematizá-los, a �m de que os valores sejam revistos – para sua con�rmação ou modi�cação e para a criação e manutenção de uma nova cultura de aprendizagem. Algumas dessas problematizações perpassam pela re�exão de como o tempo letivo é um dos elementos que de�nem o desempenho dos estudantes; pela assimilação de uma realidade em que geralmente – as escolas oferecem um ensino igualitário enquanto uma das possibilidades inovadoras deveria ser o ensino para a equidade; pela mudança radical da cultura de avaliação, em que ela deixa de apontar o certo e o errado e passa a propor negociações de signi�cados para dar sentido às ações dos estudantes; pelo compreensão de que as aprendizagens individuais se estabelecem com a aprendizagem criativa e colaborativa e; por �m, pelo entendimento de que tudo isso tem como base a certeza de que cada estudante aprende de uma forma e em um ritmo diferente dos demais. Todos esses elementos serão visitados nessa aula, que é seu conteúdo. Com isso, você poderá compreender que somente com a personalização do ensino será possível a personalização da aprendizagem de forma autônoma e, portanto, protagonista. Personalização do ensino Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Nesta aula nos aprofundaremos na temática da personalização do ensino, cuja efetiva implementação representa uma inovação educacional. Essa temática visa favorecer os estudantes, reconhecendo que eles têm diferentes conhecimentos e que estão em estágios diferentes do desenvolvimento de suas competências e habilidades. O objetivo é que, assim, todos possam atingir, após um determinado tempo escolar, um mesmo patamar da formação prevista anteriormente. Esperamos que você perceba a grande aproximação conceitual entre personalização e equidade presente nesse primeiro parágrafo. ______ Assimile Para a personalização do ensino é muito importante que você compreenda o conceito de equidade, diferenciando-o do conceito de igualdade. A equidade está presente nas práticas escolares quando elas são planejadas partindo do reconhecimento, a priori, de que os estudantes têm conhecimentos, habilidades, competências, valores, crenças, desejos e necessidades diferentes e, por isso, é caracterizada por oferecer aos estudantes oportunidades para que aprendam de formas e em ritmos diferentes. A igualdade é uma marca presente nas práticas escolares quando as mesmas oportunidades de aprendizagem são oferecidas aos estudantes. ______ Em uma pesquisa realizada entre os anos de 2005 e 2009 (DALBEN, 2014) foi medida a pro�ciência em Leitura e em Matemática de estudantes ao longo das quatro primeiras séries do Ensino Fundamental (à época, os estudantes entravam na primeira série aos sete anos de idade) que permaneceram na mesma escola. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Participaram dessa pesquisa os estudantes de escolas municipais, estaduais, privadas e especiais (escolas militares e federais, que apresentam processos seletivos para sua entrada) escolhidas por amostragem estatística de cinco grandes cidades brasileiras. Para a análise, esses estudantes foram dispostos em dez grupos em função de seu nível socioeconômico, e foi calculada a média de suas pro�ciências obtidas em cinco coletas. A primeira foi feita no início da primeira série (Onda 1) e as demais ao �nal de cada uma das séries subsequentes (Ondas 2 a 5). O resultado é mostrado na �gura a seguir. Média de pro�ciências em matemática e leitura. Fonte: adaptada de Dalben (2014, p. 29). Como esses grá�cos mostram a pro�ciência média de cada um dos grupos de estudantes, cada uma das linhas mostram a evolução dessa pro�ciência média para cada um desses grupos. Assim, a primeira linha, de cima para baixo, no Grá�co 1A, mostra esse grupo de estudantes de nível socioeconômico mais alto. A primeira série (Onda 1) apresenta pro�ciência média de 140 e termina, ao �nal da 4ª série (Onda 5), com 320. Já o grupo de estudantes com nível socioeconômico mais baixo tem na primeira onda um valor de 90 e, na última, 205. Note, então, que a diferença entre esses dois grupos extremos na primeira onda é de 50, enquanto que na última é de aproximadamente 115. Essa breve interpretação dos grá�cos permite que você perceba que as curvas de desenvolvimento da pro�ciência média seguem a mesma ordenação de�nida inicialmente pelo nível socioeconômico. Ou seja, em média, as escolas não são equânimes, uma vez que a diferença de pro�ciência dos estudantes permanece ao longo dos anos de escolarização. Além disso, ao contrário, em Matemática, a diferença entre as pro�ciências médias dos discentes aumenta. Nesse contexto, é importante que você perceba que esse grá�co traz os resultados médios de diversas escolas, obtidos também pela média das pro�ciências conquistadas pelos estudantes nos exames aplicados. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Essa percepção é importante porque essa média oculta escolas que são equânimes, em relação àquelas que não o são. Ou seja, existem escolas que recebem estudantes com baixa pro�ciência e, graças ao seu trabalho, conseguem fazer com que seus estudantes tenham, ao �nal do processo, uma pro�ciência média maior do que a comum. Essas escolas têm como resultado de seu trabalho um alto valor agregado nas pro�ciências iniciais de seus estudantes. Escolas com alto valor agregado são escolas que promovem um ensino com equidade. Desempenho médio da escola em função do valor agregado. Fonte: National Research Council and National Academy of Education (2010, p. 7). Esperamos que, com a análise desses grá�cos, você perceba o motivo da importância da personalização do ensino, que em muito colabora para que as práticas escolares levem à equidade, sendo uma inovação educacional importante e necessária. A personalização do ensino se torna ainda mais relevante nas escolas das redes públicas porque, por acolherem e manterem seus estudantes vindos das mais diferentes classes socioeconômicas (o que não ocorria há algumas décadas), nelas estão as turmas de estudantes com maior heterogeneidade de per�s. Outro aspecto importante a ser considerado para a personalização do ensino e que muitas vezes passa despercebido é o tempo letivo. ______ Atenção Por tempo letivo entende-se o período de um ciclo de formação, composto por mais de um ano de escolarização, em cujo �nal o estudante recebe um parecer, resultado de uma avaliação que o autoriza ou não a continuar seus estudos. Pode ser o período de um ano letivo, quando a escola opta por uma organização seriada e, ao �naldesse ano, o estudante recebe o mesmo parecer com a mesma �nalidade. Por tempo letivo também se compreende o bimestre ou trimestre como sendo tempo em que, ao �nal dele, o estudante recebe os mesmos pareceres, porém parciais. Além disso, Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL o tempo letivo pode ser entendido como aquele que o estudante tem para desenvolver uma determinada tarefa. Fatores para a personalização do ensino Uma vez que os discentes aprendem de forma e com ritmos diferentes, a �xação do tempo letivo acaba sendo o fator que de�ne o desempenho do discente. De acordo com Freitas (2003), Cada um caminhará a seu ritmo dentro de um mesmo tempo único – logo, uns dominam tudo e outros, menos. Caso queira uni�car desempenhos (Nível elevado de domínio para todos), há que se diversi�car o tempo de aprendizagem. Para tal, é preciso permitir que cada um avance a seu ritmo usando todo o tempo que lhe seja necessário. (FREITAS, 2003, p.19) Ainda segundo esse mesmo autor, Note-se que não basta dar ao aluno todo o tempo necessário: é preciso que ele tenha ajuda igualmente diferenciada para aprender (materiais diversi�cados, ajuda pontual durante o processo de aprendizagem), de forma que esse tem adicional necessário possa ser suportável pela escola e para o próprio aluno em sua aprendizagem. “estava também identi�cado o elemento-chave para tornar a diversi�cação do tempo e�caz – Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL existência de ‘apropriadas formas de ajuda disponíveis’ para lidar com diferentes alunos”. (FREITAS, 2003, p. 20) O esquema a seguir representa essa relação entre a �xação do tempo letivo, os diferentes ritmos e formas de aprendizagem e a necessidade de rotas personalizadas para que o estudante aprenda. Demonstração do aprendizado personalizado. Fonte: elaborada pelo autor. Nessas proposições apresentadas por Freitas (2003) e representadas nesse esquema estão os elementos essenciais à personalização do ensino (�exibilização dos tempos de aprendizagem e a diversidade de recursos para a aprendizagem). Isso para que a construção dos conhecimentos e desenvolvimento das competências e habilidades especi�cadas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) sejam atingidas por todos os estudantes, independentemente da heterogeneidade do per�l dos estudantes e da diversidade cultural e contextos de vida, características potencializadas nas escolas graças à universalização do acesso ao sistema de ensino e à diminuição da evasão observadas nas escolas ao longo das últimas décadas. Vale a pena lembrar que, segundo Madaus, Russel e Higgins (2009), 95 em cada 100 estudantes terão desempenho desejado se tiverem seu ritmo e forma de aprender respeitados. No Brasil, a universalização do acesso ao sistema de ensino se inicia na década de 1970, com propostas para mudanças nas concepções acerca dos sistemas de avaliação, re�etindo na aprovação e na retenção. São criados os ciclos de formação e progressão continuada e feitas propostas de melhoria na qualidade de ensino, com a implementação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, ocorrida na década de 1980. Também são implementadas políticas educacionais orientadas pelos resultados das avaliações externas, que necessitam de matrizes de avaliação organizadas por competências e habilidades. A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação foi implantada no decorrer da década de 1990 e, agora, Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL na década de 2010, ocorreram a publicação da Base Nacional Comum Curricular e a atualização da legislação educacional. ______ Re�ita Você notou, pelo que está exposto nos dois últimos parágrafos, um processo em que uma inovação educacional acarreta a necessidade de outra, e o tempo que decorre desse processo? Essas são algumas de muitas outras inovações educacionais ocorridas nos últimos 40 anos e que são propícias para a melhoria da aprendizagem. Mas, mesmo com todas as fragilidades técnicas e políticas que circundam as avaliações externas com itens padronizados (prova Brasil, SAEB, ENEM), mostram que poucos são os avanços constatados no desempenho dos estudantes. O que ainda falta para que esse quadro seja superado? ______ Como está exposto, dois vetores nesse contexto estão colocados para a implementação da personalização do ensino. Um deles é a necessidade, que o justi�ca, e o outro é todo o aparato normativo jurídico que o possibilita. Assim, a questão está em como implementá-lo nas salas de aula. Mas além deles há dois outros que são fortes aliados nessa implementação: a disponibilização e o acesso aos recursos digitais, que serão tratados mais adiante, e o uso das metodologias ativas. Você já sabe que para trabalhar com as metodologias ativas, os papéis de discente e do docente foram rede�nidos. O discente é o protagonista (inovador, empreendedor e comunicador) no processo de solução de problemas reais e na construção de seu conhecimento, e o docente, o pro�ssional da educação responsável pela criação desse ambiente de aprendizagem, que deve ser colaborativo e criativo. ______ Exempli�cando De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, publicados em 1996, no trabalho em que o discente é esse protagonista, o docente precisa ser: organizador da aprendizagem: para desempenhá-la, além de conhecer as condições socioculturais, expectativas e competência cognitiva dos estudantes, precisará escolher o(s) problema(s) que possibilita (m) a construção de conceitos/procedimentos e alimentar o processo de resolução, sempre tendo em vista os objetivos a que se propõe atingir; consultor: para fornecer as informações necessárias, as quais o estudante não tem condições de obter sozinho; mediador: promover a confrontação das propostas dos estudantes, ao disciplinar as condições em que cada estudante pode intervir para expor sua solução, questionar, contestar. Nesse papel, o educador é responsável por arrolar os procedimentos empregados e as diferenças encontradas, promover o debate sobre resultados e métodos, orientar as reformulações e valorizar as soluções mais adequadas. Ele também decide se é necessário prosseguir o trabalho de pesquisa de um dado tema ou se é o momento de elaborar uma síntese, em função das expectativas de aprendizagem previamente estabelecidas em seu planejamento; controlador: ao estabelecer as condições para a realização das atividades e �xar prazos, sem esquecer de dar o tempo necessário aos estudantes; incentivador da aprendizagem: ao estimular a cooperação entre os estudantes, tão importante quanto a própria interação adulto/criança. A confrontação daquilo que cada criança pensa com o que pensam seus colegas, seu educador e demais pessoas com quem Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL convive é uma forma de aprendizagem signi�cativa, principalmente por pressupor a necessidade de formulação de argumentos (dizendo, descrevendo, expressando) e a de comprová-los (convencendo, questionando). Estratégias avaliativas Com esses novos papéis e com a intenção de personalizar o ensino, o planejar, executar e avaliar se tornam um processo cíclico constante, vivenciado por educador e educando. Esse ciclo deve ser bem cuidado para que diante da �exibilização dos tempos e espaços escolares e da diversi�cação de estratégias, os objetivos pedagógicos sejam cumpridos. Por isso, as práticas dos educadores devem ser inovadoras (e não apenas diferentes). Serão essas práticas que efetivamente provocam – ou não – as inovações educacionais. Dentre essas práticas escolares, a avaliativa é uma das que mais explicitam os valores e as crenças dos docentes. Por esse motivo, daremos uma atenção especial à avaliação nesta aula, pois estamos cientes de que em nossa cultura ela está consolidada, e é desa�ador ressigni�cá-la. Essa ressigni�cação deverá ocorrer sem perder de vista que, na perspectiva que propomos a inovação educacional, a personalização do ensino está atrelada ao uso das metodologias ativas, em que a aprendizagem individual ocorre na interação entre os estudantes e o contexto em que desenvolvem o seu trabalho educacional.Nessa perspectiva, devemos romper com a lógica já naturalizada nos espaços escolares há séculos e que está a serviço do mero controle, da classi�cação e da seleção de estudantes. Essa Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL lógica indesejada tem como principal característica o uso de notas (ou conceitos), usadas como moedas de troca mediante a apresentação adequada do trabalho do estudante (cujo critério principal é a reprodução daquilo que lhe foi apresentado). É também instrumento de coerção, para impor os comportamentos desejados e controle da disciplina, estabelecendo uma relação de mando e subordinação. Essa lógica de avaliação se conforma no período da industrialização, quando o currículo escolar foi fragmentado, fazendo com que as práticas escolares afastassem os processos de aprendizagem da vida real (arti�cializando a aprendizagem e tornando-a sem signi�cado). Essa avaliação era realizada em momentos pontuais e dava o veredicto sobre a possibilidade ou não de os estudantes avançarem em seus processos de escolarização. É nesse contexto que surge o processo de avaliação, cujas marcas permanecem até hoje (FREITAS, 1991; FREITAS, 2003). Para a personalização do ensino, assim como qualquer processo de ensino que envolva as metodologias ativas, essa lógica de avaliação visa, em detrimento da mera atribuição de notas e conceitos, ao aprimoramento das ações que levam à melhor resolução de problemas e maior aprendizagem. Mesmo assim, ela pode ser considerada diagnóstica, formativa e somativa (HADJI, 1994). A avaliação na modalidade diagnóstica fornece informações importantes para as ações e tomada de decisões em relação aos estudantes, nas fases iniciais do trabalho (e até mesmo em cada uma das diferentes etapas que requerem informações diferentes). Essas informações são importantes para que o educador possa evitar que alguns estudantes dominem o trabalho em grupo, enquanto outros se submetem a esse domínio. Perceba que a personalização do ensino perpassa pelas relações no trabalho em grupo, para que o ensino seja equitativo. Os alunos criam suas próprias hierarquias de status à medida que brincam e interagem uns com os outros, inclusive fora da escola. Aqueles que possuem posição social elevada apresentam um status perante aos seus colegas e tendem a dominar os grupos em sala de aula. Entre os alunos, o status pode ser basear na competência atlética ou na atratividade e popularidade. […] Aqueles com uma posição social mais baixa tendem a ser participantes menos ativos. Desse modo, um grupo no interior de uma sala de aula pode re�etir o mundo do pátio da escola, embora a tarefa seja acadêmica e não tenha nada a ver com brincadeiras ou com a vida social. (COHEN; LOTAN, 2017, p. 31) A modalidade formativa deve fornecer os dados para que estudantes e educadores possam constantemente aprimorar o processo de aprendizagem e de ensino. Ela vai se caracterizar pelas constantes devolutivas (feedback) que o educador dá aos estudantes, não no sentido de apontar o certo ou o errado, mantendo no educador o status de que ao �nal do período letivo ele vai aprovar ou não. Esse feedback deve ser feito com o valor de diálogo, para que o estudante re�ita e decida pelos próprios caminhos: somente assim ele permanece como protagonista. Por isso, os papéis destacados anteriormente são importantes. O papel do educador como avaliador é subjacente aos papéis de organizador, consultor, mediador, controlador e incentivador, distanciando-se do papel de quem aprova ou reprova. Seu principal objetivo é […] contribuir para melhorar a aprendizagem em curso, informando o professor sobre as condições em que está a decorrer essa aprendizagem, e instruindo o aprendente sobre seu próprio percurso, os seus êxitos e as suas di�culdades. (HADJI, 1994, p. 63) Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL A avaliação somativa, aquela que se justi�ca pela necessidade organizacional da escola e do sistema educativo, pode também ser usada, desde que seja entendida com um indicador que sintetiza o processo até um determinado momento. É um registro válido para aquele momento, e pode também ser usado para dar as devolutivas aos discentes, e dos discentes para os docentes. Nessa perspectiva, as devolutivas dos docentes, com base em suas observações, tanto nas ações dos estudantes quanto em suas produções, deve ser mais para negociar os signi�cados sobre o que foi realizado do que o apontamento do que está certo ou errado. A avaliação nesse processo está a serviço da atribuição de signi�cado e negociação dos novos caminhos. En�m, a avaliação nesse processo de personalização do ensino deve ser usada para que o educador possa ajustar o ritmo de ensino ao ritmo da aprendizagem dos educandos e, ao mesmo tempo, ajudar o educando a conseguir trilhar sua rota pessoal de aprendizagem, ao ritmo de ensino do docente e ao de aprendizagem do grupo no qual está inserido. A observação do educador pode ser feita sobre as tradicionais provas escritas e individuais, a�nal ela é uma produção do estudante, mas podem ser usadas com instrumento de avaliação quaisquer práticas pedagógicas como as pesquisas, estudos de casos, resolução de exercícios ou de problemas, assim como também dramatizações e dinâmicas de grupos, que podem fornecer preciosas informações sobre os aspectos cognitivos e socioemocionais dos estudantes. Você deve ter percebido as implicações de uma inovação educacional que leve os estudantes a efetivamente aprender. O uso das metodologias ativas é essencial para uma inovação educacional que tem como propósito a aprendizagem dos estudantes. No entanto, por ela abarcar um conjunto de elementos que se unem formando uma complexa rede, a aprendizagem criativa e colaborativa levará ao desenvolvimento das competências e habilidades desejadas somente se os estudantes conseguirem de forma autônoma se responsabilizar pelo seu processo de aprendizagem individual. É nesse elemento que a personalização do ensino se mostra como um traço essencial nesse processo e que depende também da ação avaliativa do educador e da forma como ele dá o feedback a seus estudantes. Você deve ter percebido que está nas relações entre educador, educando e ambiente de aprendizagem a possibilidade do estabelecimento de uma nova cultura de aprendizagem. Conclusão Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL A situação-problema desta aula traz um contexto bastante provocador. Começa com a a�rmação de que com tantos ambientes de livre acesso que podem produzir conhecimentos de forma colaborativa, em que a autogestão e autorregulação dos espaços são primordiais, a autonomia dos membros que compõem esses ambientes é inevitável. Mostrando a pressão existente da sociedade sobre a escola graças à mudança cultural alavancada pelos avanços das tecnologias digitais que democratizaram o acesso aos recursos digitais. Em seguida, as perguntas: "Em suas aulas, como você consegue desenvolver as competências e habilidades nos estudantes para que os espaços virtuais estejam a serviço da aprendizagem ética e responsável?” e “Como você poderia garantir a interação e os feedbacks sem que ocupem o lugar central nos ambientes virtuais, uma vez que essa centralidade no processo deve ser dos estudantes, a�nal eles são os principais protagonistas?” lançam o desa�o de como as escolas (na verdade, discentes e docentes) podem trazer isso para dentro da escola, com o propósito de melhorar a aprendizagem, com o desenvolvimento de competências e habilidades compatíveis com o atual momento. Basicamente, são dois os caminhos possíveis que serão levados ao extremo para facilitar as análises. O primeiro seria o uso desses recursos orientados pelos valores da cultura de aprendizagem vigentes, em que todos os discentes devem cumprir as mesmas tarefas, no mesmo tempo, usando esses recursos e, ao �nal, seriam avaliados segundo os mesmos parâmetros, tendo implícito e sendo o certo aquilo que o docente, a priori, considera certo. Esse caminho representa apenas uma Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL nova roupagem do ensino convencionaldada pelos novos recursos, de tal maneira que os valores são conservados. O segundo traz a possibilidade da negociação entre docente e discente, que começa com a especi�cação do objetivo pedagógico do trabalho seguido de seu planejamento e execução do plano elaborado. A avaliação feita pelo docente não é usada para apontar o certo e o errado, com propósito conclusivo e de �nalização. Ao contrário, a avaliação é feita para que docente e discente possam aprimorar os processos pelos quais são responsáveis, nos quais o erro é tido como uma oportunidade de re�exão para a melhora, e um objetivo não cumprido não será visto como “objetivo não cumprido”, mas sim “objetivo não cumprido ainda”. Dessa maneira, o erro não será demarcado como “está errado, o certo é assim”. O erro será demarcado como “por que não deu certo ainda? O que seria o certo? O que deve ser feito para esse certo ser atingido?” Obviamente, quando o certo foi mais brevemente atingido, não signi�ca que a tarefa educacional foi cumprida. Ela pode ser ainda aprimorada, ou indicar um problema, pois alguns a cumpriram e outros não. A escola deve ser vista como sendo um lugar em que a tarefa educacional é cumprida somente quando todos os estudantes da turma conseguiram chegar ao mesmo objetivo. Serão essas duas frentes que levarão ao ensino equânime. E sendo a equidade a palavra-chave nesse processo, o ensino não pode ser igual para todos. Deve ser ofertado um ensino que, como dito anteriormente, respeite os ritmos e as necessidades de cada estudante. A oferta de um ensino com essas características representa a sua personalização. Para isso, os recursos digitais, com a adoção do ensino híbrido, permitem a necessária �exibilização do tempo e do acesso aos recursos necessários a cada estudante. Escolas que conseguem �exibilizar seu currículo (conteúdos, tempos, espaços e metodologias) poderão ser reconhecidas como escolas inovadoras nessa perspectiva. No entanto, as que não conseguirem essa �exibilização, com os recursos digitais disponíveis, educadores com a devida formação e acesso a esses recursos, também poderão ter suas práticas consideradas inovadoras. Ainda que não sejam tecnológicas, pensar em personalização do ensino envolve romper com as metodologias tradicionais, tendo como foco o ritmo de aprendizagem e os interesses de cada um de seus estudantes. Como exemplo podemos citar as escolas que se baseiam no desenvolvimento curricular, em projetos de pesquisa. Os estudantes possuem um currículo a ser cumprido, no entanto, a gestão do tempo e a de�nição dos projetos nos quais estarão engajados envolve uma negociação entre estudantes e educadores. Aula 2 Possibilidades de aprendizagem individualizada Introdução da Aula Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Qual é o foco da aula? Nesta aula, você estudará sobre as possibilidades de aprendizagem individualizada. Objetivos gerais de aprendizagem Ao �nal desta aula, você será capaz de: demonstrar o entendimento do letramento digital e suas relações no campo educacional; examinar o uso das plataformas adaptativas; identi�car os conceitos da aprendizagem adaptativa e do design de aprendizagem. Situação-problema Nesta aula, focaremos em dois conceitos importantes, os quais permitem a operacionalização da personalização do ensino no âmbito dos recursos digitais e a exploração do ensino on-line, que são a aprendizagem adaptativa e o design de aprendizagem. A aprendizagem adaptativa ocorre quando o estudante percorre uma determinada rota personalizada de aprendizagem, composta por tarefas previamente elaboradas, de�nidas em função de seu per�l e de suas necessidades para o cumprimento de determinados objetivos pedagógicos. Dentro desses conceitos, as tarefas selecionadas para as rotas personalizadas de aprendizagem podem ou não ser desenvolvidas nos próprios momentos das aulas, assim como em período complementar. Da mesma forma, podem ou não usar recursos digitais. No entanto, é importante lembrar que os recursos digitais são potentes para o cumprimento dos propósitos associados à personalização do ensino, uma vez que eles favorecem a �exibilização do tempo, dos espaços e dos objetos de conhecimento necessários para cada estudante, ou para um grupo especí�co e particular de estudantes. Esses recursos digitais facilitam a pesquisa e Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL melhoram a qualidade, a comunicação e a publicação de informações, além da possibilidade de serem feitas simulações e exploração de jogos digitais, entre muitas outras alternativas metodológicas. Assim, nosso propósito é ampliar o seu conhecimento acerca dessas possíveis formas de se trabalhar com a personalização do ensino, por meio das ideias relacionadas à aprendizagem adaptativa, aos sistemas adaptativos (plataformas adaptativas) e ao design de aprendizagem, as quais, mesmo sendo comumente usadas em cursos eminentemente on-line, podem ser transpostas para o ensino presencial ou para aqueles que usam um dos modelos do ensino híbrido. Porém, antes de trabalharmos com esses dois conceitos, outro muito importante para você, que em breve será pedagogo, é o entendimento do letramento digital e suas relações no campo educacional. Em seguida, as plataformas adaptativas serão exploradas, para que você conheça, assim como todo recurso didático, suas potencialidades e limitações nesse contexto da personalização do ensino. Infográ�co da aula. Fonte: elaborada pelo autor. Certamente, ao �nal desta aula, você estará ainda mais apto para ser um docente inovador e criativo. A seguir, encontra-se uma situação-problema criada para elucidar uma hipotética situação que todo docente, mesmo com pouca experiência, já viveu, ou que, certamente, depois de formado, vivenciará. Imagine-se em uma sala de aula, na qual você observou poucos estudantes com um desenvolvimento da aprendizagem em um nível inadequado, isto é, o desempenho das habilidades cognitivas e socioemocionais deles está aquém do patamar previsto para o momento. Em uma conversa com a coordenação pedagógica da escola, vocês reconheceram que eles têm um ritmo de aprendizagem diferenciado em relação aos demais e concluíram que o uso de alguns Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL recursos digitais permitiria, diante das facilidades e di�culdades de cada um, estabelecer rotas alternativas e individuais de aprendizagem. Então, a coordenadora pediu para que você elaborasse alguma proposta, para que esses estudantes estabelecessem uma rota personalizada de aprendizagem, usando a ideia da aprendizagem adaptativa. Diante desse contexto, você se viu na necessidade de compreender como desenvolver esse projeto de maneira que os estudantes saibam quais seriam essas rotas e como poderiam saber quais conteúdos são adequados, considerando que eles ainda não têm o conhecimento para a devida avaliação do que lhes seria apropriado. Perceba que, nesta situação-problema, você está diante de uma situação que requer a aplicação da personalização do ensino, e o uso das plataformas adaptativas pode ser um recurso bastante pertinente. Letramento Para a sua melhor compreensão de tudo que será abordado nesta aula, é importante que você se lembre de que, nesta disciplina, a personalização do ensino é importante para que os estudantes, em um contexto de ensino em que metodologias ativas estão sendo usadas, possam trilhar caminhos especí�cos, os quais os permitam aprender de forma individualizada, complementando o caminho que a turma, em comum, deve percorrer. A personalização do ensino é uma das estratégias para que ele seja equitativo, isto é, estudantes com diferentes per�s e inseridos em contextos de vida diferentes possam atingir o mesmo nível de aprendizado esperado para sua turma em um determinado período letivo. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Rotas personalizadas de aprendizagem. Fonte: elaborada pelo autor. Antes de pensarmos sobre o letramento digital e, posteriormente, sobre a importância desse conceito para as inovações educacionais, é necessário delimitarmos o que é letramento e, somente depois,as implicações de adicionar o termo digital. O conceito de letramento tem sido desenvolvido em forte conexão com o de alfabetização, mas sempre se buscando o discernimento entre eles. Atualmente, buscar uma de�nição para o conceito de letramento é uma tarefa minimamente inadequada, uma vez que são diversas as de�nições existentes, sobretudo diante do número de áreas de pesquisa e de aplicação existentes, mesmo no interior daquelas inerentes à educação e relacionadas às práticas de leitura e escrita. Para o nosso trabalho, entendemos que uma pessoa deixa de ser analfabeta quando ela passa a saber ler e escrever, independentemente da forma com que ela aprendeu e da forma como o faz. É uma de�nição muito simplista de entender a alfabetização, que deixa de lado, para os nossos propósitos aqui, as implicações no analfabetismo funcional. Com essa ideia sobre alfabetização, a pessoa que sabe ler e escrever domina as técnicas de leitura e escrita, mas esse fato não signi�ca que ela será capaz de compreender textos mais complexos, como um contrato, da mesma maneira que compreende uma placa de sinalização. Logo, uma pessoa que lê um contrato tem um nível de letramento maior do que aquela que é capaz de apenas ler a placa de sinalização. O nível de letramento que uma pessoa se encontra determina o quanto ela pode atuar na sociedade e o quanto esta pode in�uenciá-la. Além disso, reconhecer que a evolução desse nível de letramento ocorre de maneira contínua, e não em degraus, permite compreender a maneira pela qual esse desenvolvimento ocorre e que é in�uenciado pela inserção social e cultura dessa pessoa. Uma consequência importante dessa in�uência para nós está no fato de que o letramento está sempre em desenvolvimento, porque a sociedade está sempre expandindo e diversi�cando suas Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL formas de ler e escrever, assim como modi�cando ou substituindo os meios por onde a leitura e a escrita ocorrem. Letramento digital Os avanços tecnológicos e digitais e a facilidade de acesso aos recursos digitais tornaram a leitura e a escrita presentes em e-mails, fóruns, chats, blogs, páginas de internet, sites de busca, entre outros, que seguem uma lógica diferente dos livros e das cartas, como ocorria até meados da década de 1990 no Brasil. Diante desse contexto, os desa�os educacionais se limitavam a alfabetizar e melhorar o nível de letramento, porém, agora, é necessário também melhorar o nível de letramento digital. Freitas (2010) traz duas diferentes modalidades de de�nição para o letramento digital, classi�cando-as em restritas e amplas. Ela entende que as de�nições restritas são aquelas mais instrumentais, porque desconsideram o contexto sociocultural, histórico e político inerente ao conceito e ao processo, enquanto que as de�nições amplas consideram, além do processo de apropriação das técnicas de uso dos recursos digitais, o pensamento crítico sobre essa apropriação e uso, tornando o letramento digital semelhante ao desenvolvimento da aprendizagem sobre o discurso ou sobre uma nova língua. Reconhecer essas duas modalidades sobre a de�nição de letramento digital permitirá a você, enquanto educador, reconhecer se sua ação pedagógica está se limitando ao ensino do uso das ferramentas ou está também permitindo que seus discentes desenvolvam o uso crítico e ético dessas ferramentas. ______ Exempli�cando Para Freitas (2010), são exemplos de: Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL De�nições restritas: letramento digital é de�nido como “usar a tecnologia digital, ferramentas de comunicação e/ou redes para acessar, gerenciar, integrar, avaliar e criar informação para funcionar em uma sociedade de conhecimento” conforme a de�nição do relatório Digital Transformation (apud FREITAS, 2010, p. 214). letramento digital é entendido como uma série de habilidades que requer dos indivíduos reconhecer quando a informação faz-se necessária e ter a habilidade de localizar, avaliar e usar efetivamente a informação necessária, de acordo com a de�nição elaborada pela Association of College & Research Libraries (2000). De�nições amplas: letramento digital se constitui como “uma complexa série de valores, práticas e habilidades situados social e culturalmente envolvidos em operar linguisticamente dentro de um contexto de ambientes eletrônicos, que incluem leitura, escrita e comunicação" (SELFE, 1999, p. 11 apud FREITAS, 2010, p. 238). indicando as competências básicas para o processo de letramento digital, Gilster (1997 apud FREITAS, 2010, p. 247) formula a de�nição: “habilidade de entender e usar informação em formatos múltiplos de uma vasta gama de fontes quando esta é apresentada via computadores”. ______ É importante que você compreenda a importância dessas de�nições, para que perceba que alguns se apropriaram das técnicas necessárias para acessar esses novos recursos digitais de comunicação, os quais requerem práticas de leitura e escrita, além do desenvolvimento ou não de uma crítica, favorecendo um maior nível de letramento e de letramento digital. Entretanto, também há outros sem acesso a esses recursos, sendo excluídos da sociedade contemporânea, porque muitas das práticas sociais são mediadas por tais recursos. No quadro desse conceito de letramento, o momento atual oferece uma oportunidade extremamente favorável para re�ná-lo e torná-lo mais claro e preciso. É que estamos vivendo, hoje, a introdução, na sociedade, de novas e incipientes modalidades de práticas sociais de leitura e de escrita, propiciadas pelas recentes tecnologias de comunicação eletrônica – o computador, a rede (a web) e a Internet. É, assim, um momento privilegiado para, na ocasião mesma em que essas novas práticas de leitura e de escrita estão sendo introduzidas, captar o estado ou condição que estão instituindo: um momento privilegiado para identi�car se as práticas de leitura e de escrita digitais, o letramento na cibercultura, conduzem a um estado ou condição diferente daquele a que Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL conduzem as práticas de leitura e de escrita quirográ�cas e tipográ�cas, o letramento na cultura do papel. (SOARES, 2002, p. 143) ______ Re�ita Imagine estes diferentes ambientes cotidianos: 1. escolas ou instituições de Ensino Superior já disponibilizam ambientes virtuais de aprendizagem (AVA), sistemas on-line para a organização pedagógica e administrativa; 2. quase podem ter e-mails ou outros aplicativos para se comunicar, acessar blogs ou sites de buscas para a realização de pesquisas, consultar livros e revistas cientí�cas disponibilizados em bibliotecas virtuais; 3. para se tornar cliente de um banco, fazer uma viagem de avião ou ônibus, solicitar um carro em uma grande cidade, efetuar uma compra e-commerce gratuitamente na internet. Como você avalia o seu nível de letramento em cada um desses contextos? ______ Não menos importante é perceber três outros possíveis fenômenos. O primeiro se refere àqueles que, mesmo tendo um bom nível de letramento, podem ser incluídos nessa categoria de excluídos digitais; o segundo se refere àqueles que não dominam as técnicas de letramento, são os duplamente excluídos, formando outra categoria; e o terceiro fenômeno pode ser observado quando um determinado nível de letramento digital não necessariamente melhora o nível de letramento. ______ Assimile Uma criança ou uma pessoa analfabeta pode não saber escrever, mas sabe, por exemplo, que há algo em destaque nas manchetes dos jornais ou sobre o que um site se refere. Tal como ocorre no uso de escrita em livros para crianças pequenas ou receitas culinárias, a linguagem imagética ou iconográ�ca pode comunicar. As pessoas podem, mesmo não sabendo ler e escrever, reconhecer a diferença entre um manual e uma bula. ______ A identi�cação dessas três categorias é importante, porque elaborar para e com o estudante uma rota personalizada de aprendizagem, que conte com o uso dos recursos digitais, requer identi�car em qual nível de letramento digital (e de letramento) ele se encontra, paraque os objetivos pedagógicos estabelecidos sejam atingidos. Além disso, qualquer trabalho com as metodologias ativas, sendo ou não nas rotas personalizadas de aprendizagem, requer o letramento digital, quando o ensino on-line for requisitado nas práticas escolares. ______ Re�ita Com base em sua experiência pessoal, qual é o seu nível de letramento digital? E em qual nível você colocaria as escolas pela qual você tem ou teve alguma relação, seja ela direta ou indireta? Aprendizagem adaptativa Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Dentro desse escopo que estamos analisando nesta aula, o qual olha para a personalização de ensino, a aprendizagem adaptativa pode ser entendida como sendo aquela que ocorre quando a metodologia de ensino adotada utiliza os recursos digitais, visando às necessidades educacionais de cada estudante. A aprendizagem adaptativa é uma abordagem inerente aos ambientes virtuais via web. Ela está associada a sistemas de ensino adaptativo (plataformas adaptativas), nos quais a apresentação dos conteúdos é feita de maneira personalizada, para que cada estudante tenha acesso às tarefas mais adequadas ao seu per�l, nível de conhecimentos, competências e habilidades. Assim, essa proposta substitui aquela na qual o educador seleciona tarefas padronizadas e iguais a todos os seus estudante. Para a mais adequada adaptação dessas tarefas, esses sistemas adaptativos se caracterizam pelo constante processo de avaliação, de maneira que ele possa selecionar, quase que constantemente, a tarefa ou um conjunto de tarefa que será proposto aos estudantes. Segundo Dorça et al. (2011), o processo de personalização desses sistemas considera os objetivos de aprendizagem, o nível de conhecimento, os interesses, as preferências, os estereótipos, as preferências cognitivas e os estilos de aprendizagem como as principais características dos estudantes. Como você pode observar, são os mesmos critérios que são usados (ou deveriam ser) em qualquer método de ensino que considera as individualidades dos estudantes. No entanto, nesses sistemas adaptativos, a seleção é previamente de�nida por aqueles que o projetam e o produzem. Não se pode deixar de considerar que, apesar de esses sistemas garantirem uma signi�cativa personalização, eles têm uma limitação no número de rotas personalizadas de aprendizagem Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL imposta pelo inevitável limite de tarefas. Tal limitação também ocorre pelo possível número de questões presentes nos instrumentos que buscam identi�car as características dos estudantes, e ela tem sido diminuída graças à aplicação de processos estocásticos e de sistemas com inteligência arti�cial. Apesar de tais limitações, não se pode deixar de considerar que a correlação entre o estilo de aprendizagem do estudante e a metodologia de ensino selecionada em função desse estilo têm forte in�uência na aprendizagem (COFFIELD et al., 2009) e, por isso, é importante conhecer os limites e as possibilidades desses sistemas adaptativos. Design de aprendizagem O design de aprendizagem, ou learning design, como é conhecido na literatura internacional, nada mais é do que um método bastante prescritivo de realizar o planejamento de uma sequência de tarefas para o cumprimento de um objetivo pedagógico. Consiste em de�nir cada uma das partes de um projeto educacional e, depois, elas podem ser subdivididas ou detalhadas. É importante ter em mente que o design de aprendizagem é um termo trazido do learning design, o qual, por sua vez, possui muitas de�nições. Para Phillip e Dalziel (2004), é um conjunto de conceitos inerentes às pesquisas e aos trabalhos realizados na corrente teórica do e-learning, ou seja, ele tem suas raízes na aprendizagem que ocorre por meio da internet. No entanto, as técnicas existentes no design da aprendizagem também têm sido muito usadas na elaboração de programas de treinamento corporativos e técnicos quando se tem um objetivo de Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL formação claro e objetivo, mas tem sido no campo da produção de cursos on-line que esse conceito encontrou um terreno fértil para sua aplicação, dadas suas características eminentemente algorítmicas. ______ Vocabulário De acordo com Polya (1945 apud POZO, 1998, p. 24), após termos compreendido o problema, devemos conceber um plano que nos ajude a resolvê-lo. Em outras palavras, devemos nos perguntar qual é a distância entre a situação da qual partimos, a meta que pretendemos chegar e quais são os procedimentos mais úteis para diminuir essa distância. Polya e outros autores distinguem entre procedimentos “estratégicos” ou “heurísticos” e outros procedimentos de solução de problemas, tais como “regras”, “algoritmos” ou “operadores”. Enquanto esses últimos procedimentos se constituem em conhecimentos adquiridos que permitem transformar a informação de maneira �xa, e�caz e concreta, embora possam ser utilizados num grande número de situações, as “estratégias” ou procedimentos “heurísticos” guiam a solução de problemas de uma forma muito mais vaga e global. Geralmente, os planos, as metas e as submetas que o discente pode estabelecer em sua busca durante o desenvolvimento do problema são denominados estratégias, e os procedimentos de transformação da informação requeridos por eles são denominados regras, algoritmos ou operações. ______ Além dessa característica algorítmica, o uso dessas metodologias em cursos de educação a distância, graças à sua escalabilidade, viabilidade �nanceira e facilidade de acesso, tem sido considerada uma inovação educacional por alguns, mas questionada por outros. Apesar desse impasse, o design de aprendizagem é importante para aqueles que desejam projetos de ensino personalizados, com ou sem sistemas adaptativos, porque fornece uma estrutura para o seu planejamento. Há muitos modelos diferentes, mas, em geral, possuem técnicas de elaboração muito semelhantes, pois consideram, durante a elaboração das propostas didáticas (ou soluções de aprendizagem, no jargão usado nessa área), o objetivo pedagógico a ser atingido (performance desejada), a experiência e o conhecimento do discente. Basicamente, o design de aprendizagem pode ser considerado um roteiro para a elaboração de cursos que requerem uma prede�nição de sequências de ensino, e ele consiste em: 1. um diagnóstico, o qual permite analisar as características do estudante, o que ocorre pela de�nição de indicadores de performance que se desejam alcançar, também usados para orientar a avaliação inicial. Outros indicadores são de�nidos para obter as características dos estudantes. Nessa fase, é importante conhecer o que eles pensam e sentem em relação ao projeto que estão envolvidos; 2. de�nição do objetivo de aprendizagem, tomando como referência a distância entre onde o educando está e onde se deseja estar ao �nal do curso em que o design de aprendizagem esteja sendo usado; 3. de�nição das tarefas, explicitando o conhecimento necessário para a sua realização e aquele que se pretende construir durante sua realização; 4. para cada tarefa, deve ser feito: o dimensionamento do tempo necessário para sua realização; a relação dos recursos e materiais necessários; Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL a descrição das estratégias de ensino que serão empregadas, tanto para resgatar ou rever os conhecimentos necessários quanto para o desenvolvimento dos novos conhecimentos; a descrição das estratégias para a sistematização dos conhecimentos construídos e para o exercício de metacognição. Como você percebeu, essa estrutura pode ser usada em cursos presenciais, semipresenciais (ensino híbrido) ou puramente virtuais, em sistemas adaptativos ou não. Plataforma adaptativa A plataforma adaptativa surgiu para oferecer o conteúdo necessário para cada estudante, mas eliminando aquilo que é desnecessário para ela. Assim, possui uma oferta de conteúdos e informações muito mais �exível do que, por exemplo, um livro didático ou um documentário em vídeo, cujos conteúdos são �xos e iguais para todo corpo discente. Logo, são sistemasadaptativos, também conhecidos, que tornam possível a aprendizagem adaptativa. Quando discentes entram em plataformas desse tipo, tudo aquilo que é feito, assim como a forma pela qual eles progridem nos cursos que estão acessando, elas rastreiam e armazenam todas as Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL informações, permitindo identi�car suas características. Essas características serão usadas pela equipe do design da aprendizagem, para que ela possa elaborar, propor e produzir as tarefas mais adequadas a eles em função de suas necessidades e metas pedagógicas. Portanto, torna possível um ensino personalizado ou a elaboração de uma rota personalizada de aprendizagem. Essas tarefas podem ser simples e de curta duração, assim como mais complexas e que demandam mais tempo para sua elaboração. O grau de complexidade e o período necessário para sua elaboração são de�nidos em função das características do estudante, identi�cadas pelo sistema e complementadas por instrumentos de avaliação. Algumas plataformas têm recursos que as permitem, diante de um mesmo conteúdo, diversi�car as estratégias de ensino, por exemplo, sugerir uma lista de perguntas para orientar a leitura de um texto ou a sugestão de um jogo digital. A seleção dessa estratégia é feita não apenas com base no conteúdo ou nos conhecimentos do discente, mas pela forma que ele mais aprende. Outra possibilidade encontrada nas atuais plataformas adaptativas é a apresentação, para cada estudante, dos resultados conseguidos nas avaliações, de maneira que ele pode decidir sobre quais tópicos ou conteúdos deve dedicar maior tempo e atenção. Essas informações sobre os resultados e o desempenho dos discentes durante os processos por eles desenvolvidos são disponibilizadas para os educadores, para que eles saibam quais foram os conhecimentos e as habilidades não desenvolvidos. Quando os educadores identi�cam que alguns estudantes têm as mesmas di�culdades ou precisam desenvolver os mesmos conhecimentos, podem também sugerir o trabalho em grupo nessas plataformas. Em algumas plataformas, é possível encontrar recursos que oferecem tarefas para que os familiares possam desenvolver com seus �lhos em suas próprias casas. É possível existir inovação sem criatividade? Como você deve ter percebido, os avanços nas tecnologias digitais e as técnicas de organização e planejamento desenvolvidas para possibilitar o trabalho educacional têm o potencial para se tornarem grandes inovações educacionais, mas, ao mesmo tempo, podem se tornar uma mera roupagem de práticas conservadoras. Historicamente, as práticas educacionais foram se adaptando às demandas sociais, de�nidas predominantemente pelos vieses econômicos, tal como ainda acontece atualmente. Todos esses recursos digitais, cada vez mais aprimorados pelos ainda constantes e rápidos avanços tecnológicos, têm o potencial para dar conta da complexidade inerente aos processos educacionais (sobretudo, os de ensino e aprendizagem), mas, ao mesmo tempo, por conta dos processos algorítmicos, podem tender a eliminar essa complexidade, levando a uma rede de tarefas muito simpli�cadas, caracterizando, assim, uma nova aparência para um ensino ainda prescritivo. Feito esse alerta, é importante salientar o outro lado dessa moeda: os recursos podem também ajudar como também podem adquirir um sentido contrário ao de um ensino meramente prescritivo, tal como ocorre nas propostas de ensino que usam as metodologias ativas. En�m, cada vez mais, há maiores possibilidades de uso dos recursos digitais, os quais, quando confrontados com as di�culdades, permitem e exigem o uso da criatividade para que as inovações ocorram. Conclusão Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL O desa�o colocado na situação-problema proposta nesta aula consiste, basicamente, na transposição de conceitos ligados à aprendizagem adaptativa, inerentes aos cursos realizados de maneira on-line, para uma sala de aula, a �m de garantir que discentes com algumas di�culdades especí�cas possam ter um desempenho equivalente aos demais estudantes de sua turma. Caso você tivesse lido esse parágrafo anterior fora do contexto desta aula, certamente falaria que se trata de uma proposta de recuperação, algo muito comum nas salas de aulas e nas escolas há muito tempo. Essa sua sensação é plenamente legítima, quando fora do contexto proposto, que é a personalização do ensino, até mesmo pelo fato do propósito ser o mesmo. É pertinente reconhecer que, quando um educador, ao perceber alguma di�culdade especí�ca de um de seus estudantes, propõe um conjunto especí�co de tarefas que considera as suas particulares características e que o permita conseguir atingir o mesmo desempenho dos demais discentes, ele desenvolveu um processo que pode e deve ser classi�cado como uma personalização de ensino. Também poderia ser considerado um processo de personalização de ensino uma situação na qual o educador, após sua observação sobre atividades dos discentes durante a realização de uma tarefa, percebeu que eles tiveram di�culdades, as quais poderiam classi�cadas em quatro diferentes grupos. Diante disso, ele organizou a sala em grupos, tomando como critério as habilidades do corpo discente, e escolheu o modelo de rotação de estações, uma para cada di�culdade. O educador, portanto, usou de uma estratégia que pode ser considerada uma proposta de recuperação desenvolvida no próprio momento de aula. Esses dois exemplos podem ser entendidos como possíveis respostas à situação-problema hipoteticamente criada, mas que nada tem de semelhante com aqueles modelos de recuperação nos quais o educador relaciona os estudantes que não atingiram uma determinada nota ou Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL conceito, convoca-os para uma aula em período complementar no mesmo modelo da aula regular e solicita a todos a resolução de uma mesma lista de exercícios. Esse exemplo é também considerado por muitos uma forma de recuperação, e como todos provavelmente sabem, com base em sua experiência, tem sido pouco e�caz. Mas, por que essa forma de proposta de recuperação tem sido pouco e�caz? Há muitas respostas possíveis, uma vez que são diversos os fatores que interferem nesta e�cácia. No entanto, uma das possíveis respostas é porque, nesta última situação utilizada como exemplo, não houve um processo de personalização do ensino, o qual pode ser notado nas duas primeiras situações. Analisando-as, percebemos que as tarefas foram escolhidas tomando como referência as di�culdades especí�cas dos estudantes e as suas características pessoais, visando ao cumprimento de um objetivo pedagógico. Logo, podemos considerar que esse foi um processo adaptativo e que propiciou uma aprendizagem adaptativa. Além disso, em ambas as situações, o educador identi�cou as necessidades do estudante, estabeleceu um objetivo pedagógico, de�niu estratégias especí�cas, determinou um tempo e alocou os recursos necessários para o cumprimento de tarefas previamente estabelecidas. Então, podemos dizer que, de alguma forma, esse educador usou de uma técnica de design de aprendizagem. As duas primeiras situações foram escolhidas para que você perceba que, muitas vezes, são atribuídos novos termos a práticas que não são tão novas assim, logo, por si só, o uso de novas nomenclaturas não deve determinar uma inovação educacional. Ao mesmo tempo, caso a implementação dessas técnicas leve a resultados diferentes e desejados, uma inovação ocorreu, independentemente da técnica ou nomenclatura aplicadas. De fato, a possibilidade do uso dos recursos digitais amplia consideravelmente o leque de opções para o docente e para o discente, e dentre esses recursos estão as plataformas adaptativas, as quais estão se popularizando e �cando cada vez mais so�sticadas, graças aos constantes avanços tecnológicos. Como vimos nesta aula, o uso dos recursos digitais requer um adequado nível de letramento digital de docentes e discentes, sendo, portanto, um conhecimento necessário, que, quando não está consolidado, deve ser construído. O letramento digital deve superar o limitedo conhecimento, do uso e da aplicação das técnicas ou recursos digitais. É fundamental que uma crítica sobre ele seja feita. Além disso, será com o adequado nível de letramento que a criatividade de estudantes e educadores poderá consolidar propostas de inovação, para que a �nalidade maior da educação seja cumprida: a aprendizagem dos discentes. Aula 3 Projetos educativos personalizados Introdução da Aula Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Qual é o foco da aula? Nesta aula, você estudará sobre os projetos educativos personalizados. Objetivos gerais de aprendizagem Ao �nal desta aula, você será capaz de: expressar o quanto os avanços das tecnologias digitais já inovaram em inúmeras práticas sociais, graças à intermediação dos recursos digitais; identi�car como a user experience (UX) e os novos gêneros digitais podem ser exemplos de um contexto em que se tornaram inovações e devem ser ensinadas na sala de aula, para garantir um uso criativo, empático, crítico e ético; analisar projetos educativos personalizados para que a relação entre complexidade e individualidade dos estudantes sejam percebidas a �m de que eles, a partir de suas personalidades particulares e peculiares, possam maximizar suas competências e habilidades para lidar com o mundo que os cerca. Situação-problema Nesta aula, além de mostrar como você pode se atualizar para acompanhar os avanços das tecnologias digitais, temos o objetivo de explicitar o quanto os avanços das tecnologias digitais já inovaram em inúmeras práticas sociais, graças à intermediação dos recursos digitais e, com isso, garantir sua percepção da importância em incorporá-las nas práticas escolares. Imaginamos que já esteja muito claro para você que, na atual sociedade da informação, os recursos digitais fazem a mediação em quase todas as suas práticas sociais. No entanto, mesmo Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL com essa inovação, os processos comunicacionais continuaram presentes, a�nal, não há interações sem eles. Mas, lembre-se de que os passos iniciais da migração para essa cultura digital não foram tranquilos para todos. Os computadores, sobretudo com sua popularização vinda com a microinformática e com a internet, mudaram nossa forma de organização e até mesmo nossa noção de tempo. Tudo isso deve ser objeto de ensino e de aprendizagem, considerando que, provavelmente, nosso maior tempo de leitura é em telas, e não mais em papel. Outro aspecto a ser considerado está no fato de que, da mesma maneira que é muito fácil entrar em alguma plataforma, independentemente de nossa �nalidade – pesquisa, compra ou fazer uma reclamação de um produto ou serviço –, é igualmente fácil desistir desse acesso. Por isso, todos os pro�ssionais que trabalham no planejamento e na produção dessas plataformas ou páginas de internet, incluindo aquelas ligadas à educação, devem se preocupar em garantir que o usuário tenha interesse em acessar o objeto digital, seja ele qual for, e concluir a tarefa que o levou ao seu acesso. Como fazer isso? Alguma vez você já se percebeu hipnotizado, ou minimamente atraído, para permanecer em algumas dessas páginas de internet ou aplicativos? Se isso aconteceu, você acha que esse fenômeno é uma mera coincidência ou é o resultado esperado por alguém que pensou em estratégias e as implementou para que isso acontecesse? É isso mesmo! Essas estratégias são elaboradas por uma área ligada à administração de empresas, ou ao marketing, mas têm sido aprimoradas graças aos avanços dos recursos tecnológicos. Trata-se de uma área igualmente interessante para a educação, como pretendemos mostrar neste espaço. Para concretizar nossa pretensão, imagine uma situação-problema, na qual você foi contratado por uma escola, onde todas as turmas deverão desenvolver projetos que usem os avanços dos recursos tecnológicos digitais, promovendo interações multimodais ou multimídias. Nesse projeto, seus estudantes terão que modernizar seus registros com textos escritos e falados e com imagens estáticas e dinâmicas, tal como já fazem muitos repórteres, pesquisadores, discentes e docentes. Você sabia que, para as produções serem reconhecidas nesses meios digitais, elas precisam ter reputação, autoridade e popularidade? Como conseguir isso, reconhecendo a complexidade e a individualidade dos futuros leitores dessas produções? Os meios usados na internet, muitas vezes, parecem colocar os aspectos normativos da linguagem em segundo plano, dado o fato de usarem outras formas semióticas ou adotarem uma forma abreviada para a escrita. Nesta aula, você encontrará informações que permitirão saber se esses aspectos normativos realmente estão sendo colocados em segundo plano, se isso deve acontecer e, ainda, se isso é apenas mais uma das formas de evolução da linguagem que sempre existiu na história da humanidade. Nela, você perceberá que muitas das propostas feitas atualmente, apesar de não serem novidade, tornaram-se inovadoras por estarem associadas aos recursos tecnológicos digitais, permitindo seu uso inovador em muitas das práticas sociais, graças ao vertiginoso aumento da capacidade de armazenamento e processamento de dados, assim como da taxa de velocidade de transmissão desses dados. Este material mostra como a user experience (UX) e os novos gêneros digitais podem ser exemplos de um contexto em que essas não novidades se tornaram inovações e devem ser ensinadas na sala de aula, para garantir um uso criativo, empático, crítico e ético. Com a UX, tendo maiores informações sobre o corpo discente, as propostas de ensino feitas pelo autor (seja ele educador ou produtor de material ou recurso didático) têm uma tendência de ser mais criativas, porque é necessária a produção de algo diferente e especí�co; empático, porque é Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL preciso estar no lugar do estudante; crítico, para efetivamente romper com as propostas já existentes; e ético, para que as ações sejam condizentes ao que é proposto. Todos esses adjetivos levam as propostas a maiores níveis de personalização de ensino em busca do ensino com equidade. User experience (UX) O termo UX tem sua origem no termo em inglês user experience, que coloca foco na experiência desenvolvida por um usuário na interação que estabelece com a prestação de algum serviço ou com um produto. Trata- se, portanto, de um termo inerente à área de marketing. Ele foi cunhado na década de 1990, pelo americano Donald Norman, um pesquisador da ciência cognitiva e da ciência da computação, muito conhecido por ser o design thinker que inaugurou essa área. O que Don Norman, o inventor do termo experiência do usuário, comentou há cerca de 15 anos, ainda é válido hoje: ‘Inventei o termo porque achava que a interface e a usabilidade humanas eram muito estreitas. Queria cobrir todos os aspectos da experiência da pessoa com o sistema, incluindo design industrial, grá�cos, interface, interação física e manual. Desde então, o termo se espalhou amplamente, tanto que está começando a perder seu signi�cado [...] As pessoas costumam usá-los sem ter ideia do porquê, o que a palavra signi�ca, sua origem, história ou o que é’. (HELLWEGER; WANG, 2015, p. 1) Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL A UX pode ser compreendida como uma área resultante do aprimoramento das técnicas de melhoria do que há tempos é conhecido como o setor que busca melhorar o atendimento ao cliente. Como você bem sabe, quando se consegue a satisfação do cliente com o serviço ou o produto, é uma forma de agregar valor a ele, além de aumentar a �delidade. ______ Exempli�cando Quando você deseja comprar um produto, você o escolhe por quais critérios, além do preço e de sua �nalidade? Uma empresa que consegue atender aos critérios que você, enquanto consumidor, escolhe, terá maiores chances de tê-lo como cliente. ______ Apesar de esse conceito existir há muito tempo, a UX tem ganhado relevância devido ao fato de que essas interações têm sido cada vez mais mediadas por meios virtuais, facilmente acessados por celulares ou computadores, trazendo uma grande volatilidadea elas. Essa volatilidade acontece porque, diante de alguma insatisfação qualquer, basta um clique sobre um ícone para interromper a interação. Por exemplo, antes, no momento de fazer o check-out em um hotel, o recepcionista fazia algumas perguntas ou entregava um questionário a ser respondido pelo hóspede. Hoje, quando você chega em sua casa, recebe um e-mail fazendo inúmeras perguntas, permitindo o melhor aprimoramento dos serviços. Muitas vezes, essa insatisfação é decorrente, por exemplo, de alguma demora (que agora signi�ca aguardar alguns poucos segundos) ou uma relação com a leitura, que se torna longa ou entediante (por isso, a importância da linguagem imagética ou iconográ�ca). Diante de qualquer acesso à internet, qualquer que seja sua �nalidade, o usuário espera que ele seja rápido e fácil. Essa facilidade depende da lógica interna da organização do site, que permite o usuário navegar de forma intuitiva para chegar ao ponto que resolve e permita cumprir seu objetivo, por exemplo, fazer uma compra, um agendamento ou uma pesquisa. Logo, a UX coloca os critérios de satisfação do usuário no centro das preocupações no desenvolvimento de um produto ou de um serviço, podendo chegar a impactar toda a cadeia de suprimentos (também conhecida como cadeia logística, ou supply chain) associada a esse produto ou serviço. Ou seja, a principal meta é fazer com que a experiência do cliente nessa interação permita que ele cumpra o seu objetivo de maneira agradável e, com isso, continue a usar o meio selecionado para futuras interações e o indique para outros. No entanto, o termo do UX não deve se limitar aos sites e aplicativos, tampouco ao trabalho de web designers. Segundo Nielsen e Norman (2014), para que a experiência do usuário seja aquela desejada por ele, é necessário um trabalho envolvendo diferentes áreas, como mostra o diagrama a seguir. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Diagrama sobre a experiência do usuário. Fonte: Saffer (2007, p. 20). Essa abordagem da UX é também bastante interessante para a educação, mas não só para aqueles que produzem cursos e tarefas on-line, mas também para educadores e estudantes. Para aqueles que querem se tornar creators, ou seja, que desejam produzir seus canais no YouTube ou applets, por exemplo, os cuidados que a UX revela são evidentemente interessantes. No entanto, com tais cuidados, educadores conseguirão melhores experiências de seus estudantes, como tem sido desejado há muito tempo, em seus cursos presenciais, semipresenciais ou que adotam algum modelo do ensino híbrido. A inovação, neste contexto, seria a possibilidade de um trabalho coletivo, no qual as novas experiências de ensino e de aprendizagem fossem vivenciadas. Para estudantes, a UX se torna pertinente quando eles colocam o compartilhamento dos processos, os resultados e os aprendizados por algum meio virtual, como blogs, como objetivos de seus projetos. Todavia, em todas essas possibilidades de aplicação, não se pode deixar de considerar os conceitos centrados no humano, na pesquisa e no projeto, para que a UX esteja presente. Você deve perceber o quanto a complexidade e a individualidade estão presentes nesta proposta, porque ambas são inerentes aos seres humanos e, portanto, as interações entre eles não são menos complexas, mediadas ou não por meios virtuais, por isso, a UX permite perceber a diferença entre os diversos estilos de personalidade, uma vez que eles estão associados aos estilos de aprendizagem e à forma como os discentes interagem diante das diferentes metodologias de ensino (MYERS; MYERS, 1997). Trata-se, portanto, de um exercício de empatia, outro viés da implementação de propostas pedagógicas que usam a UX que é importante estar ciente. Na comunicação interpessoal, a empatia é entendida como elemento central para o bom relacionamento entre as pessoas, uma vez que ela promove a compreensão e aceitação do outro (CALDEIRA; VEIGA, 2011). Isso é fundamental para os sistemas educacionais, porque a empatia surge em condições pré- Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL determinadas, como a intenção de orientar a satisfação do outro. A importância da UX nesse processo é conhecer e elaborar essas condições predeterminadas. Levar em consideração essas questões permite otimizar as possibilidades de aprendizagem de estudantes e, consequentemente, implica mais uma forma de implementar a personalização do ensino. Numa perspectiva de uso da UX em propostas de trabalho que envolvem as metodologias ativas, suas etapas de desenvolvimento do trabalho, que são bastante semelhantes às do design thinking, podem ajudar estudantes e educadores a melhor identi�car as soluções de um problema. Por isso, podem também ajudar quando o maker space ou a metodologia STEAM forem usados. De certa forma, estas etapas de uso da UX podem ser descritas da seguinte forma: 1. pesquisa: identi�car e descrever o problema que se deseja resolver após uma detalhada análise do contexto em que ele está inserido; 2. ideação: de�nir alternativas para resolver o problema selecionado; 3. prototipação: desenvolver um modelo para a resolução do problema; 4. validação: veri�car se o modelo desenvolvido é e�ciente e e�caz a ponto de gerar uma experiência agradável aos que se bene�ciaram com a solução proposta. Diante disso, independentemente se a UX estiver sendo usada de maneira associada a uma metodologia ativa ou em uma proposta para a personalização do ensino, a pesquisa para a coleta de dados sobre o per�l das pessoas que interagem com tudo aquilo que está sendo feito sempre é de fundamental importância para orientar as ações e decisões. Gênero Digital Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Ainda considerando os conceitos da UX e o contexto em que os recursos digitais têm mediado inúmeras das práticas sociais, como informar e pesquisar, ou comprar e vender, os textos usados para estabelecer as formas de comunicação também têm se modi�cado. Basicamente, essa modi�cação permite dizer que os textos de gênero digital têm se tornado cada vez mais comuns em detrimento do uso dos convencionais ou tradicionais. ______ Re�ita Pense em fazer qualquer coisa agora. Se ela não for mediada por algum recurso digital, ela não poderia ser aprimorada com o uso deles? Se você conseguiu chegar a uma reposta positiva, percebe a importância da UX e da presença de gêneros textuais para facilitar a comunicação e a interação? ______ Diante dessa modi�cação, é inevitável re�etir sobre a forma pela qual os autores desses textos se comunicam com os seus pretensos leitores. Assim, estabelece-se, então, uma signi�cativa correlação entre a UX e a escrita desses textos. Por isso, esses diferentes gêneros textuais precisam ser conhecidos pelos educadores, não para produzir textos que serão compartilhados por meio desses recursos digitais, mas para que possam ensinar em suas aulas quando for necessário. Duas características principais desses textos estão associadas às características desses recursos, que é a celeridade e o dinamismo, não só em sua transmissão mas também no tempo de leitura. O dinamismo, em geral, é dado aos textos veiculados por meio de recursos digitais por sua possibilidade de inserir sons e imagens �xas e de movimento a eles . ______ Assimile Textos, sons e imagens são diferentes formas semióticas do texto, e os gêneros digitais são todos aqueles que se desenvolveram e constantemente se desenvolvem em função de sua aplicação nos recursos digitais. ______ Entretanto, essa mudança não deve retirar, seja na produção de textos ou no ensino, a valorização da crítica e da ética, ao contrário, ambas devem estar presentes nessas interações, que são multimodais e multimidiáticas, sobretudo por estarem se popularizando muito rapidamente. Você pode pensar que, por se tratar de gêneros textuais, a responsabilidade de seu ensino deva recair sobre a área de linguagem. Esse seria um pensamento equivocado, uma vez que eles estão presentes em qualquer processo de resolução de problemas e, portanto, presentes em qualquer proposta que envolvametodologias ativas. Por suas características, de celeridade e dinamismo, os gêneros digitais despertam o interesse de estudantes e, logo, tem um potencial que precisa ser explorado pelos docentes, tanto de maneira formal quanto de maneira informal, para que os discentes aprimorem suas habilidades de escrita e leitura. É importante ressaltar que o uso informal ou formal dos textos, seja no momento da escrita ou da leitura, depende de sua �nalidade e do contexto onde está inserido. Assim, os gêneros digitais, por serem curtos, por vezes com ortogra�a peculiar (fugindo da normalização), incluindo aspectos da fala, precisam ser trabalhados nas salas de aula com atenção, com muito critério de discernimento acerca da função social da escrita, pois não signi�ca que um gênero social deva substituir o outro, e sim adequar o seu uso, assim como está especi�cado na BNCC: Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL A vivência em leitura a partir de práticas situadas, envolvendo o contato com gêneros escritos e multimodais variados, de importância para a vida escolar, social e cultural dos estudantes, bem como as perspectivas de análise e problematização a partir dessas leituras, corroboram para o desenvolvimento da leitura crítica e para a construção de um percurso criativo e autônomo de aprendizagem da língua. (BRASIL, 2018, p. 244) Essa orientação implica incorporar os gêneros digitais nas práticas escolares, uma vez que eles já estão presentes na cultura juvenil fora da escola, mas não em um sentido de reprodução acrítica. O foco deve ser sempre valorizar e diversi�car os caminhos metodológicos que levem à aprendizagem. Alguns exemplos de gêneros digitais que permitem a interação multimodal ou multimidiática são os famosos posts ou postagens: gifs: talvez tenha sido o primeiro gênero digital usado pela internet após o convencional texto. Trata-se de uma �gura que pode ser �xa ou animada. Os emojis, tão comuns nas atuais trocas de mensagens, são formas de gifs usadas para representar sentimentos e reações emotivas; blog, ou blogue: é uma página na internet, cuja característica é a constante atualização de informações de forma acumulativa. Seus autores mais comuns são pessoas conhecidas como blogueiros, que usam esse espaço virtual para expressar suas opiniões, fundamentadas cienti�camente ou não; transmitir informações; fazer diários; dar dicas técnicas. É um espaço com possibilidades de natureza mais eclética quanto a criatividade e a intencionalidade dos seus autores permitirem. É usado também por empresas e empresários para �ns comerciais, informacionais e institucionais. É marcado pela presença predominante de textos; vlog: é uma derivação do blogue, no qual vídeos são usados no lugar de textos escritos. A plataforma mais usada é o YouTube, mas há outras também gratuitas. Como esses vídeos podem ser editados por seus autores, eles têm sido os escolhidos pelos grandes in�uenciadores digitais e também para �nalidades educacionais; podcasts: são mensagens de áudio que abordam um assunto especí�co. Muitos deles são jornalísticos e instrucionais, mas há aqueles que são para emitir opiniões. Muitas rádios convencionais, que passaram a transmitir sua programação jornalística, tem produzido os podcasts; memes: são mensagens na forma de textos muito curtos ou imagens, ou ainda a combinação de ambos, que são usadas para satirizar algum fato ocorrido, por vezes até distorcendo o próprio fato, para colocar a perspectiva do humor. Um meme de sucesso é aquele que circula rapidamente pela internet ou, na linguagem dos internautas, viralizou. Há outros gêneros digitais que dependem da plataforma onde os textos circulam, como os e-mails, chats, fóruns e salas virtuais. Conclusão Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Na situação-problema desta aula, você foi contratado por uma escola, na qual todas as turmas deverão desenvolver projetos que usem os avanços dos recursos tecnológicos digitais, promovendo interações multimodais ou multimídias. Nesse projeto, seus estudantes terão que modernizar seus registros com textos escritos e falados e com imagens estáticas e dinâmicas, tal como já fazem muitos repórteres, pesquisadores, educandos e educadores. Além disso, você sabe que, para as produções serem reconhecidas nesses meios digitais, elas precisam ter reputação, autoridade e popularidade. Como conseguir isso, reconhecendo a complexidade e a individualidade dos futuros leitores dessas produções? Muitas são as possibilidades de aplicação dos dois conceitos centrais desta aula: a user experience (UX) e os novos gêneros digitais. Apesar de eles estarem mais associados aos cursos virtuais e à educação a distância, podem ser facilmente aplicáveis em qualquer uma das metodologias ativas. Por exemplo, a identi�cação de um problema é uma das primeiras etapas de qualquer proposta de metodologia ativa. Imagine que, para isso, seus estudantes apliquem um questionário para a identi�cação desses problemas. Pronto! Uma porta para o uso da UX está aberta para eles. Como as soluções que eles encontraram efetivamente solucionam o problema encontrado, ou qual das soluções encontradas é a mais adequada? Pronto, outra porta aberta. Mas, como seus estudantes poderão melhor aproveitar essas portas? Que tal você, como futuro educador, aplicar um questionário, seguido de uma entrevista individual e, depois, por outra coletiva, para encontrar respostas para essa pergunta? Pronto, uma porta da UX está aberta para você. Todas essas informações devem ser devidamente relacionadas em uma planilha eletrônica e, posteriormente, cruzadas e analisadas para os devidos encaminhamentos, seja pelos discentes, Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL seja pelos educadores. Essas informações permitem o reconhecimento e uma modelagem sobre a complexidade e individualidade dos indivíduos envolvidos no projeto, sejam eles produtores ou usuários dessa plataforma, docentes e discentes. Evidentemente, essa modelagem é sempre uma aproximação da realidade. Quanto mais �el a ela, maiores serão as possibilidades de maximizar as capacidades de todos os envolvidos. A apropriação crítica dos diversos gêneros digitais (e-mails, mensagens em chats, discussões em fóruns, postagens de toda natureza em redes sociais ou blogs, vlogs, podcasts) é uma forma de fazer os estudantes acessarem diferentes dados das mais diversas fontes. A atribuição de signi�cados a esses dados faz com que eles os transformem em informações e, depois, com a relação dessas informações, com criatividade, crítica e ética para a solução de problemas, são caminhos para a construção de conhecimentos. O compartilhamento desses conhecimentos, dos processos desenvolvidos e dos resultados encontrados durante o desenvolvimento dos projetos que envolvem as metodologias ativas deve ser feito também por meio de textos nos diferentes gêneros digitais, sem excluir os demais, que são igualmente importantes de serem aprendidos pelos discentes. Estas produções, envolvendo os recursos digitais em todas as etapas, são formas de promover as interações multimidiáticas e multimodais, as quais colocam o estudante no centro, quando o processo é de ensino e aprendizagem, ou os bene�ciários da solução do problema, quando o processo se refere a ela. Entenda que elaborar projetos de ensino que envolvem essa perspectiva e, por isso, assumem essas características que os tornam inovadores também requer práticas de planejamento e uso de recursos também inovadores. Videoaula: personalização do ensino Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Assista à videoaula sobre "personalização do ensino". Referências Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL ALMEIDA, L. C.; DALBEN, A.; FREITAS, L. C. O Ideb: limites e ilusões de uma política educacional. Educação & Sociedade, v. 34, n. 125, p. 1153-1174, 2013. ASSOCIATION OF COLLEGE AND RESEARCH LIBRARIES. Information literacy competencyfor higher education. Chicago: ALA, 2000. Disponível em: <http://www.ala.org/acrl/ilcomstan.html>. Acesso em: 20 abr. 2020. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2018. Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/>. Acesso em: 22 ago. 2021. CALDEIRA, S. N.; VEIGA, F. H. Intervir em situações de indisciplina, violência e con�ito. Lisboa: Fim de Século, 2011. COFFIELD, F. et al. 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O primeiro é para que possamos utilizá-las de maneira mais e�ciente em nossas práticas docentes, seja em nossos afazeres pro�ssionais, seja na aplicação no ensino propriamente dito. O segundo é para que consigamos tornar nossos estudantes também aptos a utilizá-las como recursos para a construção de sua aprendizagem e para o exercício de sua cidadania. Essas tecnologias aprimoraram signi�cativamente as interações e as formas de comunicação entre as pessoas. E essas mudanças têm grande potencial para levar a uma maior justiça social, assim como para aprofundar os abismos que marcam as diferenças sociais. Interação e comunicação são palavras-chave também na educação. Há pouco tempo, o conhecimento estava apenas nos educadores e nos livros, agora não mais. Ele era registrado em formas que se caracterizavam pela estática e, por vezes, em textos enfadonhos, sem signi�cado. Com a inserção das novas tecnologias digitais, ele pode ser acessado de forma extremamente dinâmica e atraente. Logo, se a escola nada �zer, ela correrá o risco de ser colocada à margem da produção do conhecimento, e a sociedade precisa da instituição de ensino para que essa construção seja feita de forma criativa, crítica e ética. Se ela não se modernizar para a devida orientação dos processos de construção de conhecimento, pode �car do lado diametralmente oposto daquilo que a quali�caria como dinâmica e atraente, perdendo seu signi�cado e importância social. Para que isso não aconteça, os pro�ssionais da educação que nela desenvolvem suas práticas precisam também se tornar conhecedores dessas tecnologias e, assim, se tornarem aptos a usarem os recursos digitais de modo criativo, crítico e ético. Será por meio dessa formação que esses pro�ssionais da educação, em especial, educadores, serão os efetivos agentes sociais que colocam a escola como referência na sociedade do conhecimento, a qual ainda precisa caminhar muito para que seja também uma sociedade de justiça social. Por isso, nesta unidade, na primeira aula, aprenderemos sobre as inovações tecnológicas e sua interação com a realidade. Abordaremos as linguagens de programação, a realidade virtual e a realidade ampliada, a hiper-realidade e a inteligência arti�cial. Na segunda aula, trataremosespeci�camente da aprendizagem nos ambientes virtuais e os cuidados necessários para que o ensino seja um potencializador desses aprendizados. Finalmente, na última aula, compreenderemos mais a respeito das normativas relacionadas ao uso dos recursos digitais e dos conteúdos neles colocados. Diante desse contexto, você, enquanto futuro educador, será o agente potente para essa adequação da escola a esse mundo cheio de inovações tecnológicas digitais que oferecem inúmeras possibilidades de acesso e produção de informações. Seu desa�o é garantir que estudantes produzam conhecimentos e os divulguem de maneira responsável e ética, reforçando que, nesse processo, você tem sua notoriedade reforçada. Esperamos que você perceba a presença de uma proposta de letramento digital ampliada, na qual o ensino não garanta apenas o conhecimento para o uso dos recursos e das tecnologias digitais. Além disso, enquanto você estiver no exercício da docência, seja capaz de olhar para todas as limitações impostas como obstáculos a serem superados, e não como motivos para voltar a práticas conservadoras. Finalmente, reconheça sua potencialidade e responsabilidade enquanto educador, comprovando que quanto mais recursos tecnológicos existirem, maior será a sua importância e da escola. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Introdução da Aula Qual é o foco da aula? Nesta aula, você estudará sobre inovação, tecnologia e realidade. Objetivos gerais de aprendizagem Ao �nal desta aula, você será capaz de: analisar sobre as inovações tecnológicas e sua interação com a realidade; esclarecer os conceitos de realidade virtual, realidade ampliada e hiper-realidade; de�nir os conceitos de linguagens de programação e a inteligência arti�cial; Situação-problema Nesta unidade, teremos a oportunidade de trabalhar com algumas tecnologias que, há alguns anos, eram consideradas �cção cientí�ca. Para tornar isso mais claro, seria interessante você convidar alguns amigos para assistir a �lmes como De volta para o futuro e 2001: Uma odisseia no espaço. Vocês ririam muito com eles ao comparar como algumas das coisas consideradas “futurísticas” foram concebidas e funcionam bem atualmente. São exemplos dessas coisas “futurísticas” as possibilidades de interação com as imagens, fazendo com que leitores se tornem também usuários, porque podem trocar informações e, em alguns casos, acessá-las de maneira que tenham a sensação de estarem em um espaço como se fosse real, ou seja, podem ver e ouvir explorando as três dimensões. Com os recursos digitais, esses espaços tridimensionais podem apenas divulgar informações, como também podem ser um espaço de aprendizagem. No entanto, para ter interação, é Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL necessário que o usuário responda às ações propostas pelo sistema, e que este responda às ações do usuário. Isso já é possível graças à inteligência arti�cial. Pois é, você conhece esses avanços tecnológicos, mas de que maneira conseguirá usá-los em sua sala de aula? Nesta aula, abordaremos alguns dos mais avançados recursos desenvolvidos com as tecnologias digitais, que são a realidade virtual, a realidade aumentada e a inteligência arti�cial. Essas tecnologias precisam ser inseridas nas práticas desenvolvidas nas salas de aula com cuidado, para que o resultado de sua implementação na sociedade (não só na escola) seja o esperado. Trata-se de tecnologias bastante avançadas e, por isso, aqui, serão vistos também alguns conceitos e procedimentos mais elementares, para que possam ser melhor apropriadas, a�nal, elas fazem a mediação direta na interação e na comunicação entre as pessoas. Assumimos o pressuposto de que o trabalho com os novos recursos e tecnologias digitais representa um grande desa�o para que sejam efetivamente inovadores. Esse desa�o se coloca porque entendemos que o ensino com essas tecnologias não deve tornar estudantes meros usuários ou consumidores, e sim, garantir o seu pleno exercício de cidadão e em suas futuras práticas pro�ssionais. Devemos ter em mente que nosso propósito com o ensino é tornar estudantes capazes de, diante da tensão, se perceberem tanto como meros consumidores como precisando se formar e conquistar espaços cidadãos. Há uma nova cultura digital se constituindo no confronto entre o que a realidade lhe impõe e aquilo que lhe é disponibilizado pelas tecnologias. Qual é o papel da educação diante das novas formas de comunicação e interação propiciadas pelas novas tecnologias? Esta é a pergunta central que orienta a elaboração desta aula. A criação da imprensa, do rádio e da televisão foi um avanço tecnológico que inovou todas as práticas sociais, incluindo a educação, em outros momentos da história. Já temos, portanto, algumas experiências para pensarmos como esses novos recursos digitais podem impactar em nossas vidas. Ao longo de toda esta disciplina, surgiu o seguinte questionamento: essas mudanças representam ou podem representar uma inovação ou apenas uma nova roupagem para práticas conservadoras? E nesta aula devemos continuar a nos fazer a mesma pergunta. Diante dela, para sermos mais especí�cos e objetivos, temos de ter a clareza de que inovar na educação requer ultrapassar os limites de incorporar as novas tecnologias e aprender a usar os recursos digitais que estão cada vez mais acessíveis. Requer desnaturalizar as lógicas conservadoras que estão incorporadas em nossa cultura e favorecer a nossa emancipação e desenvolvimento enquanto sociedade. Você deve ter clareza de que os avanços tecnológicos são motivados por aspectos políticos e econômicos, cujos valores nem sempre podem ser os mesmos daqueles que os implementam nas escolas. Daí a importância do conhecimento mais amplo do docente, para que o letramento digital ou a construção da cultura digital não sejam restritos. Para tornar essas re�exões mais práticas, imagine uma situação na qual você seja educador de uma turma de 4º ano do ensino fundamental de uma escola inserida em uma comunidade com alguma vulnerabilidade social. Em uma reunião de educadores, �cou acertado que durante o segundo semestre do ano letivo uma turma deveria desenvolver um projeto que envolva o uso de linguagens de programação e que os discentes acessem recursos de realidade virtual e realidade aumentada. Quais seriam os possíveis recursos que você poderia usar? Qual problematização você colocaria em suas aulas para que os discentes desenvolvessem um trabalho criativo, crítico e ético frente ao uso dessas tecnologias digitais? Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Diante desse contexto �ctício criado aqui, mas que é a efetiva realidade para muitas escolas e educadores, coloca-se o desa�o de como trabalhar com os recursos que não estão acessíveis para todos. Essa situação, por si só, já mostra que o uso dos resultados dos avanços tecnológicos nem sempre é igual para todos, ele é altamente dependente da realidade de onde pode ser usado. Logo, novas tecnologias podem resultar, desde sua concepção, quando não utilizadas com valores que levam à justiça social, na exclusão e inclusão de outros. O desa�o de driblar essa característica inerente aos avanços educacionais é que determina a ação criativa, responsável, crítica e ética do educador. Diante disso, construir os valores de uma sociedade democrática e justa socialmente é um dos mais nobres trabalhos a serem desenvolvidos pela educação, ou seja, pela escola e pelo docente que estão diante do mesmo confronto. Hardware e Software Nesta aula, abordaremos três recursos digitais que têm tecnologias muito avançadas e cujo desenvolvimento requer conhecimentos computacionais igualmente avançados, mas, enquanto educadores, precisamos conhecer, como sempre, suas potencialidades e limitações, visando ao seu uso didático. Esses três recursos são a inteligência arti�cial, a realidade aumentada e a realidade virtual. Além disso, não podemos nos esquecer que, assim como ocorre em outras áreas dos mais diversos campos de atividade humana, o desenvolvimento de conhecimentos avançados deve ter suas noções básicas desenvolvidasna educação básica, sempre associadas ao desenvolvimento Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL do pensamento computacional, aos conceitos e aos procedimentos a ele relacionado e, é claro, ao letramento digital. Para iniciarmos, é importante diferenciar hardware de software e entender um pouco sobre sistemas robóticos. Enquanto o hardware se refere a toda a parte física dos computadores ou celulares, a qual permite a circulação da corrente elétrica, o armazenamento e a transmissão de informações transformadas em códigos binários (representados por 0 ou 1, que �sicamente representa ligado ou desligado, energizado ou não energizado, magnetizado ou não magnetizado), o software são os programas colocados nesses equipamentos. O programa de computador é um conjunto de procedimentos e de critérios de decisão colocados em uma determinada ordem lógica para cumprir uma �nalidade, que descreve uma tarefa a ser realizada por um computador. Para escrever esse conjunto de procedimentos é usada uma linguagem de programação. Existem muitas linguagens de programação, sendo que muitas delas são criadas enquanto outras são aprimoradas, conforme os recursos digitais também evoluem. O Logo é uma das primeiras linguagens de programação desenvolvidas para aplicação em escolas da educação básica. Ele, basicamente, consiste em ter na tela uma pequena tartaruga que hipoteticamente tem um lápis em sua barriga, o qual faz traços por onde ela se movimenta (para acessar esse programa gratuitamente, consulte o box “Saiba mais” desta aula). A seguir, um exemplo dos comandos dados e movimentos feitos pela tartaruga na tela do computador. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Principais comandos do SLogo. Fonte: elaborado pelo autor. Atualmente, o Geogebra é uma aplicação que permite o uso interativo. Uma construção qualquer usa uma série de comandos com sua linguagem de programação para diversas aplicações em todos os ramos da matemática de forma dinâmica. A �gura abaixo mostra uma tela do Geogebra, na qual foi desenhado um triângulo. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Interface do Geogebra. Fonte: elaborada pelo autor. Atualmente, também existem linguagens de programação bastante amigáveis e eminentemente imagéticas (não escritas), que permitem às crianças produzirem histórias, jogos digitais e animações. Nos programas de computadores, os procedimentos e as decisões segundo critérios preestabelecidos precisam ser ordenados de acordo com uma lógica adequada, uma vez que essa sequenciação é �xa. Um programa é, portanto, um processo algorítmico. Caso essa sequência seja feita de maneira equivocada, o resultado será errado. ______ Exempli�cando A seguir, apresentam-se dois programas feitos em Logo para desenhar o triângulo equilátero, mas o segundo tem um erro na quinta linha, que indicou o lado errado para fazer o giro. Programação SLogo. Fonte: elaborado pelo autor. ______ Cada um desses procedimentos é descrito por comandos que podem indicar uma ação, como calcular, acessar ou gravar um dado e imprimir. Os comandos de decisão têm uma estrutura, na qual é colocada uma condição e, se ela é satisfeita, deve ser tomada uma ação, caso contrário, se existir, outra ação. Esses algoritmos podem ser representados por meio de esquemas chamados �uxogramas, como é exempli�cado a seguir. ______ Assimile Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Associado ao pensamento computacional, cumpre salientar a importância dos algoritmos e de seus �uxogramas, que podem ser objetos de estudo nas aulas de Matemática. Um algoritmo é uma sequência �nita de procedimentos, que permite resolver um determinado problema. Assim, ele é a decomposição de um procedimento complexo em suas partes mais simples, relacionando- as e ordenando-as, e pode ser representado gra�camente por um �uxograma. A linguagem algorítmica tem pontos em comum com a linguagem algébrica, sobretudo em relação ao conceito de variável. Outra habilidade relativa à álgebra que mantém estreita relação com o pensamento computacional é a identi�cação de padrões para se estabelecer generalizações, propriedades e algoritmos. (BRASIL, 2017, p. 269) Robótica A associação dos computadores, com hardware e software, a sensores que enviam sinais ao computador, o qual, por sua vez, emite sinais que ligam ou desligam equipamentos, cria o campo da automação, ou campo da robótica, como é mais conhecido. ______ Exempli�cando Imagine a proposta para o desenvolvimento de um carrinho elétrico que seja capaz de percorrer automaticamente uma trajetória sinuosa. É uma proposta de automação que, quando desenvolvida nos ambientes escolares, se torna uma aplicação de robótica educacional. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Possível trajetória de um percurso de robótica educacional. Fonte: elaborada pelo autor. Esse carrinho precisa ter rodas ligadas a motores, os quais transformam a energia elétrica em energia mecânica, movimentando-o para frente ou para trás; também precisa ter hastes pneumáticas, que fazem algumas dessas rodas virarem para um lado ou para outro. Esses são exemplos de equipamentos ligados ao computador, que, segundo sua programação, indica se os motores e as hastes devem ou não ser acionadas. Esse carrinho deve ter sensores óticos, os quais indicam se ele está se movimentando sobre a linha preta ou se está se desviando dela. Quando o sensor lê a cor preta, indica que o carrinho deve ir para a frente; caso leia a cor branca, indica que ele está saindo da trajetória desejada. Esses são exemplos de sensores. As informações coletadas por eles são levadas ao computador, o qual, em função do programa computacional previamente inserido, indicará quais rodas e hastes devem ser acionadas para manter o carrinho sobre a linha preta. Nesse exemplo, podemos reconhecer que a parte física do computador é o hardware, e o programa computacional nele colocado é o software. Ainda nesse exemplo podemos reconhecer um sistema robótico com a presença da conexão do computador a motores e outros equipamentos e também a sensores. ______ A robótica educacional é uma metodologia de ensino que deve ser incluída como um exemplo de metodologia ativa, um campo fértil para a Metodologia STEAM, que permite trabalhar competências e habilidades de diferentes componentes curriculares e áreas de conhecimento desde os anos iniciais do ensino fundamental até o ensino superior. O uso dela requer um kit composto por um processador, capaz de receber sinais de sensores e de emitir sinais para o acionamento de equipamentos, como motores. A programação nesse processador é feita por uma linguagem de programação. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Um dos pacotes mais difundidos mundialmente, devido ao seu baixo custo e à facilidade na programação, é o projeto Arduíno. Trata-se de uma proposta desenvolvida na Itália, em 2005, que teve por objetivo desenvolver um pacote computacional acessível às pessoas não especializadas tanto em técnicas de programação em informativa quanto em eletrônica, mas com potencial para desenvolver soluções automatizadas. É também muito interessante por poder associar tecnologias digitais e analógicas, empregando as devidas interfaces. Porém, o seu uso requer conhecimentos de linguagem de programação e orientações sobre o uso de dispositivos de eletrônica e microeletrônica. Há inúmeras comunidades virtuais de aprendizagem que disponibilizam informações, projetos e soluções para problemas envolvendo o Arduíno. ______ Dica Faça uma pesquisa na Internet usando os termos: “Comunidade Arduíno”. Você encontrará inúmeras sugestões sobre como trabalhar com a robótica educacional. ______ A imagem a seguir mostra uma placa do Arduíno, na qual podem ser feitas as conexões elétricas de sensores e equipamentos elétricos, eletrônicos, mecânicos ou pneumáticos. Placa do Arduíno. Fonte: Pixabay. Você deve ter percebido que os programas de computadores, os softwares, são �xos e predeterminados pelos analistas e programadores que os fazem. Com isso, uma vez colocado em funcionamento, o computador segue �elmenteos comandos e a ordem na qual foram especi�cados no programa. Se o programa estiver errado, o resultado será indesejado. Com o avanço das tecnologias associadas tanto ao hardware (aumento da velocidade e capacidade de processamento, armazenamento e transmissão de dados) quanto ao software (processamento de Big Data), viabilizou-se também o avanço na área da inteligência arti�cial, Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL rompendo com a limitação da pre�xação de programas. Com ela, os algoritmos podem aprimorar os programas, alcançando, assim, resultados mais adequados para a tarefa proposta. Em muitas situações do dia a dia, a inteligência arti�cial é aplicada, por exemplo, nos assistentes de voz presentes em muitas das plataformas digitais, quando ações são tomadas com um simples comando de voz; no reconhecimento facial em aeroportos e rodoviárias (e no seu próprio celular); nos jogos digitais; e na produção de imagens na realidade virtual ou realidade aumentada. Sobre a inteligência arti�cial e sua aplicação na educação Com os avanços tecnológicos digitais, as teorias da ciência da computação têm também avançado na superação dos desa�os assumidos pela área de inteligência arti�cial, que pretende possibilitar atribuir comportamentos inteligentes aos sistemas computadorizados. Essa atribuição consiste na emulação de algumas habilidades cognitivas, para que os computadores consigam tratar dados considerados desestruturados geralmente. Muitas vezes, um conjunto de informações pode parecer desestruturado devido à falta da capacidade do ser humano em encontrar uma organização e semântica. No entanto, graças à capacidade de processamento e armazenamento de dados dos computadores, seria possível encontrar uma regularidade e padrões semânticos e conceituais na enorme quantidade de textos produzidos nas redes virtuais, em produções cientí�cas, em processos judiciais ou em banco de dados de toda natureza. Alguns exemplos de aplicações da inteligência arti�cial mais recentes são: simulações: com a capacidade de antecipar o comportamento das pessoas, com base nas informações que têm sobre elas, os sistemas são usados para simular situações futuras, prevendo o resultado segundo determinadas decisões, projetando, assim, diferentes cenários futuros. Esses sistemas para desenvolver simulações são usados para fazer a previsão do tempo, quando as informações sobre o comportamento das pessoas são substituídas pelas informações das condições climáticas; Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL atendimentos cadastrais: nessa aplicação, os sistemas são capazes de, ao reconhecer os nomes das pessoas e seus respectivos números de telefones, desenvolver conversas com elas como se fosse um ser humano. Com essa capacidade, fazem automaticamente a inclusão, alteração e exclusão de informações nos bancos de dados, mas, com a incorporação dos conceitos e procedimentos de UX (user experience), estabelecem uma interação com o usuário de maneira que personalizam o atendimento; assistência pessoal: para essa �nalidade, os sistemas com inteligência arti�cial são capazes de identi�car a voz das pessoas em comandos dados para a execução de tarefas cotidianas. Com essa capacidade, eles acumulam informações desses indivíduos e passam a se antecipar a esses comandos, ajudando-os a organizar sua rotina de trabalho, ou na prestação de serviços de atendimento, direcionam as pessoas para os �uxos mais adequados; ferramentas de gestão: nesta aplicação, os sistemas colhem dados de processos complexos e que envolvem �uxos de dados simultâneos, os quais, quando associados às características das pessoas envolvidas nesse processo, utilizam-se de modelos estocásticos (estatísticos) para otimizar o funcionamento desses �uxos, diminuindo o tempo de processamento e desperdícios e aprimorando a qualidade do produto ou serviço constantemente; procedimentos de segurança digital: neste caso, os sistemas com inteligência arti�cial reconhecem os inúmeros acessos aos sistemas informatizados, sobretudo os bancários e de empresas de alta tecnologia, que visam ao acesso indevido de informações sobre os projetos ou usuários, criando, automaticamente, rotinas, que evitam esse indesejado acesso; procedimentos de segurança em geral: aqui, os sistemas são capazes de fazer o reconhecimento facial, e são usados para fazer o rastreamento de pessoas e acusar sua identi�cação diante de algum ato ilícito. O mesmo pode ocorrer com o reconhecimento de veículos. Em seu cotidiano, você já deve ter acesso a sistemas com inteligência arti�cial, por exemplo, quando usa aplicativos que orientam no trânsito, assiste à previsão do tempo na TV, dá comando de voz para televisões, videogames e computadores, ou entra em contato telefônico com grandes empresas de telefonia e do sistema bancário. Com essa possibilidade, a incorporação da inteligência arti�cial aos sistemas computadorizados pode aumentar as potencialidades das plataformas adaptativas e os processos de personalização do ensino. ______ Re�ita A inteligência arti�cial é uma área em plena expansão tecnológica e tem favorecido mudanças em muitas das práticas sociais, dada a possibilidade dessa interação ser feita por meio de recursos digitais. No campo da educação, essas mudanças também estão presentes graças à produção de novos recursos e formas de ensino, remodelando também os processos de aprendizagem. Um exemplo de aplicação da inteligência arti�cial na educação pode ser o processo de personalização do ensino na educação a distância. Associada ao Big Data e ao UX, ela permite que o estudante, diante das respostas que fornece ao sistema, seja direcionado para as tarefas que lhe são mais pertinentes. Mas, essas mudanças estão vindo para inovar ou são novas formas de conservação? Elas vêm para bene�ciar poucos ou para ajudar na necessária equidade da educação? Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Sobre a realidade aumentada, a realidade virtual e a hiper-realidade As realidades virtual e aumentada, apesar de serem diferentes, são recursos digitais que também foram viabilizados graças aos avanços tecnológicos, porque dependem do processamento multissensorial em tempo real. A realidade aumentada permite a interação entre o mundo virtual e o mundo real, sobrepondo imagens do primeiro sobre o segundo. Com isso, as informações do mundo real podem ser aumentadas com as informações do mundo digital. Muitos são os exemplos de aplicações da realidade aumentada: quando você faz a leitura do QR Code de um produto com seu celular e imediatamente são apresentadas todas as informações sobre esse produto; em lojas de cosméticos, a imagem produzida com diferentes sugestões de maquiagem de uma pessoa que se coloca diante de um espelho; em um evento tecnológico, quando você focaliza um motor elétrico em funcionamento com seu celular, mas observa as diferentes partes internas dele também em funcionamento. Especi�camente na área educacional, a realidade aumentada propiciou a ampliação de recursos para buscar o maior interesse dos discentes e a ampliação de informações por meio de imagens estáticas e dinâmicas (LOPES et al., 2019). Alguns exemplos de aplicação da realidade aumentada na educação são: na produção e no uso de jogos digitais; em livros didáticos, ao mirar uma imagem bidimensional, você consegue visualizar uma imagem tridimensional; Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Exemplo de realidade aumentada. Fonte: captura de tela do vídeo Live Texturing of Augmented Reality Characters from Colored Drawings elaborada pelo autor. na produção de cenários; Exemplo de realidade aumentada. Fonte: captura de tela do vídeo Live Augmented Reality-National Geographic elaborada pelo autor. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL na apresentação de objetos virtuais. Exemplo de realidade aumentada. Fonte: captura de tela do vídeo Augmented Reality – Anatomy elaborada pelo autor. A realidade virtual é um recurso digital que permite a uma pessoa interagir com um espaço tridimensional virtual em tempo real. A interação dessa pessoa com o mundo virtualpode ocorrer por meio de uma tela de computador ou celular, salas com múltiplas projeções simultâneas, óculos especiais ou capacetes. Ela pode ser considerada imersiva quando a pessoa é inserida totalmente no domínio das imagens, fazendo com que se sinta plenamente imersa no mundo virtual, independentemente da direção que olha e se movimenta. E será considerada não imersiva quando essa inserção é parcial ou totalmente externa. Apesar de a realidade virtual estar sendo mais desenvolvida nos campos do entretenimento, de treinamentos por simulação (pilotos de avião, soldados, cirurgias, etc.) e da divulgação comercial de produtos e serviços, ela também pode ser útil no campo educacional, simulando: locais inacessíveis pelos mais diversos motivos; movimentos ou fatos históricos; o corpo humano internamente; estruturas celulares de animais e vegetais; estudos geográ�cos e meteorológicos; experimentos químicos, físicos ou biológicos; funcionamento mecânico, elétrico e pneumático de máquinas. Uma evolução prevista para essa área é a hiper-realidade, que consiste no incremento da interação entre os mundos real e virtual, com informações sobre os comportamentos do usuário, incorporando os recursos da inteligência arti�cial. Com essa nova tecnologia é previsto que uma Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL pessoa possa interagir com outra localizada remotamente ou, em outra possibilidade, observar apenas os elementos do mundo real que somente lhe interessa (KIRNER; SISCOUTTO, 2007). ______ Assimile A realidade virtual e a realidade aumentada, apesar de explorarem os sentidos humanos por meio de mundos virtuais, são recursos distintos. Enquanto a realidade virtual simula o real, a realidade aumentada amplia a disponibilização de informações sobre objetos do mundo real. A hiper- realidade é um aprimoramento dessas tecnologias, melhorando a interação em tempo real entre o mundo digital gerado e o mundo virtual, por meio da combinação da inteligência humana e da inteligência arti�cial. O pensamento computacional e o letramento digital O pensamento computacional é associado ao pensamento lógico e ao pensamento algébrico, como é indicado na Base Nacional Comum Curricular, e seu ensino deve ter como objetivo, além de preparar as pessoas para trabalharem com computadores, formar para a convivência em uma sociedade em que muitas das interações presentes nas práticas são mediadas por meios virtuais. E ainda que os computadores, atualmente, sejam considerados instrumentos absolutamente imprescindíveis para jornalistas e escritores em geral, é no terreno da Matemática que se abrem as mais naturais e promissoras possibilidades de Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL assimilação consciente dos inúmeros recursos que as tecnologias informáticas podem oferecer no terreno da Educação. Ainda que as tais tecnologias estejam presentes e representem um papel importante em todas as áreas do conhecimento, a natureza algorítmica dos computadores aproxima-os especialmente dos conteúdos matemáticos. Se uma máquina, no sentido da Revolução Industrial do século XVIII, era essencialmente um transformador de energia de um tipo em energia de outro tipo, um computador é essencialmente um transformador de mensagens. E o processo de composição e decomposição das mesmas, para viabilizar sua inserção ou sua extração dos computadores, tem muitos elementos comuns com os objetos matemáticos e sua manipulação. (MACHADO, 2019, p. 60) O quadro a seguir, proposto por Pedro et al. (2019), sintetiza uma visão acerca das competências e normas associadas às tecnologias digitais necessárias para que os docentes possam enfrentar o desa�o do ensino em uma sociedade da informação e do conhecimento em todo esse contexto. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Competências associadas às tecnologias. Fonte: Pedro et al. (2019, p. 19). ______ Assimile Os processos matemáticos de resolução de problemas, de investigação, de desenvolvimento de projetos e da modelagem podem ser citados como formas Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL privilegiadas da atividade matemática, motivo pelo qual são, ao mesmo tempo, objeto e estratégia para a aprendizagem ao longo de todo o ensino fundamental. Esses processos de aprendizagem são potencialmente ricos para o desenvolvimento de competências fundamentais para o letramento matemático (raciocínio, representação, comunicação e argumentação) e para o desenvolvimento do pensamento computacional. (BNCC, 2017, p. 264) ______ Diante de tantas possibilidades abertas para a área educacional, ocorrem questionamentos acerca da incorporação ou não desses recursos e tecnologias digitais e da forma pela qual essa incorporação deve ocorrer. E você já é, como cidadão, e continuará sendo, como docente, um dos agentes dessa incorporação. Conclusão Nesta aula, o objetivo foi tratar sobre a realidade virtual e a realidade aumentada, perpassando pelas linguagens de programação e pela inteligência arti�cial, não perdendo o foco do contexto do letramento digital e da cultura digital. Em síntese, a situação-problema proposta requer que seja desenvolvido o ensino com recursos digitais resultantes de alguns dos mais avançados recursos tecnológicos digitais disponíveis em um contexto escolar que, provavelmente, tem pouco acesso a eles. Como pano de fundo dessa proposta está o fato de que o ensino precisa ser equitativo, para que estudantes que não têm fácil acesso aos recursos tecnológicos desenvolvam seu pensamento Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL computacional da mesma maneira que os demais estudantes, cujo acesso, por condições socioeconômicas e culturais, é facilitado. Para começar a desenvolver um projeto que atenda a essa situação-problema, cujo objetivo está bem delineado, é necessário o reconhecimento da aderência à quinta competência geral para o ensino fundamental, especi�- cada na BNCC: 5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, signi�cativa, re�exiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. (BRASIL, 2017, p. 9) Para inserir estudantes na problemática, uma tarefa interessante seria, por meio do uso de vídeos, revistas e reportagens jornalísticas ou de divulgação cientí�ca, que estudantes elenquem essas tecnologias, descrevendo as características de cada uma delas, onde são aplicadas, onde poderiam ser aplicadas para a melhoria da qualidade de suas vidas e quais são as condições mínimas necessárias para o seu uso. As fontes de pesquisa, a depender dos recursos disponíveis, podem ser aquelas disponíveis em mídias digitais, analógicas ou impressas. As produções dos estudantes podem ser registradas, da mesma maneira, de acordo com os recursos disponíveis, em cartazes, relatórios, blogs ou vlogs. Para o desenvolvimento da tarefa, alguma metodologia ativa pode ser selecionada e, dependendo das condições da escola, um problema pode ser selecionado, focando na melhoria da própria instituição de ensino ou de outra, para que todos os estudantes tenham acesso aos recursos digitais nas práticas escolares. Visitas a espaços que tenham acesso à internet (essencial para essas tecnologias) ou que tenham os recursos disponíveis são interessantes para que os discentes tenham vivência com essas tecnologias. Aula 2 Aprendizagens por meio das tecnologias digitais Introdução da Aula Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Qual é o foco da aula? Nesta aula, você estudará sobre aprendizagens por meio das tecnologias digitais. Objetivos gerais de aprendizagem Ao �nal desta aula, você será capaz de: de�nir os conceitos de m-learning e aprendizagem ubíqua; discutir o fenômeno das redes sociais e comunidades virtuais de aprendizagem; explicar a aprendizagem nos ambientes virtuais e os cuidados necessários para que o ensino seja um potencializador desses aprendizados. Situação-problema Nesta aula, colocaremos ofoco em uma das inúmeras rami�cações que os avanços tecnológicos digitais provocaram em todas as nossas práticas sociais: o uso do celular, o qual será usado, aqui, como sinônimo de smartphone. Já não temos mais dúvidas que, em todas as práticas sociais, dos mais diversos campos de atividade humana, a comunicação e a interação entre as pessoas estão modi�cadas pelos recursos digitais que fazem a mediação. Por muito tempo, os diversos tipos de computadores foram os elementos centrais das mudanças nessas duas áreas. As características físicas deles determinavam também a forma como as práticas sociais se desenvolviam. Considerando que eles eram signi�cativamente grandes, pesados, caros e até requeriam a obrigatoriedade da instalação em espaços climatizados (devido ao aquecimento que provocavam), as pessoas deveriam se dirigir até onde eles estavam, geralmente, em uma quantidade pequena em relação ao número de usuários. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Certamente, você se lembra dos laboratórios de informática nas escolas que conseguiram tê-los. Para o uso desses laboratórios, era necessário um agendamento e, por vezes, a divisão e subdivisão das turmas. Com a evolução tecnológica, os computadores foram substituídos pelos notebooks, a partir dos quais, devido ao menor custo, à diminuição do tamanho e do peso e à facilidade de acesso à internet, percebeu-se certa mobilidade para o acesso aos recursos digitais. Logo, as práticas sociais, inclusive nas escolas, foram novamente modi�cadas. Atualmente, com a grande capacidade de processamento, armazenamento e transmissão de dados e com o barateamento do acesso sem �o à internet banda larga que os celulares têm, essa mobilidade se alterou radical e de�nitivamente. Agora, quase tudo que antes era feito apenas em computadores – que é muito pouco, quando comparado com o que foi e vem sendo produzido – pode ser realizado por meio de celulares. Essa acessibilidade modi�ca a forma de perceber, agir, pensar e, portanto, de sentir. Evidentemente, tais modi�cações individuais têm impactos no coletivo, ou seja, desde o surgimento do computador até o uso atual do celular, há modi�cações nas esferas social, política, econômica, cultural e, consequentemente, educacional. É importante que você perceba que pensar em uma educação que desconsidera essa outra potencialidade de comunicação e interação pode ser um grande equívoco e impedir que essas tecnologias não sejam usadas para inovar efetivamente. Outro elemento ligado aos avanços tecnológicos que está associado a este contexto são as redes sociais. Elas já se consolidaram como uma malha de comunicação, que permite estabelecer desde pequenos grupos até uma esfera mundial, envolvendo pessoas no âmbito local ou distribuídas pelo mundo todo. Esse fato de�ne uma nova geogra�a e uma possibilidade de acesso a diversas culturas e conhecimentos relacionados a elas. Conforme descrito na BNCC, As novas ferramentas de edição de textos, áudios, fotos, vídeos tornam acessíveis a qualquer um a produção e disponibilização de textos multissemióticos nas redes sociais e outros ambientes da Web. Não só é possível acessar conteúdos variados em diferentes mídias, como também produzir e publicar fotos, vídeos diversos, podcasts, infográ�cos, enciclopédias colaborativas, revistas e livros digitais etc. Depois de ler um livro de literatura ou assistir a um �lme, pode-se postar comentários em redes sociais especí�cas, seguir diretores, autores, escritores, acompanhar de perto seu trabalho; podemos produzir playlists, vlogs, vídeos-minuto, escrever fan�cs, produzir e-zines, nos tornar um booktuber, dentre outras muitas possibilidades. Em tese, a Web é democrática: todos podem acessá-la e alimentá-la continuamente. Mas se esse espaço é livre e bastante familiar para crianças, adolescentes e jovens de hoje, por que a escola teria que, de alguma forma, considerá-lo? (BRASIL, 2017, p. 68) Essa re�exão nos ajuda a pensar na seguinte situação, a qual podemos usar para contextualizar sua aprendizagem na temática tratada nesta aula: imagine que estudantes de uma de suas turmas pediram para você desenvolver um projeto com eles que envolvesse as comunidades virtuais de aprendizagem que tratassem sobre maker space. Eles justi�caram esse pedido a partir de um vídeo que assistiram, no qual o youtuber mostrava o quanto essa seria uma forma bastante e�ciente de colocar em prática tudo que aprendem. Disseram, também, que essa nova forma de ensinar e aprender requereria as diferentes habilidades e competências que eles achavam que já tinham e queriam experimentar essa proposta. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Diante do pedido deles, você reconheceu que os estudantes não precisam mais produzir cartazes para, logo depois de usados, serem jogados no lixo. Você também percebeu que o pedido deles tinha o potencial para gerar novas interações nas diversas redes on-line, algo que já vem ocorrendo fora da escola. Diante disso, você sugeriu a eles pensarem sobre como fazer um sistema de irrigação automático para a horta coletiva já existente na escola. A eles caberia não só projetar e construir o sistema mas também conseguir os recursos necessários para a produção e educação da comunidade que usa a horta. Para isso, eles deveriam produzir blogs, nos quais registrariam todo o processo que desenvolveriam, assim como as aprendizagens que resultariam desse projeto. Com essa proposta, os estudantes teriam que se inserir em comunidades virtuais de aprendizagem e se preocupar em fazer a curadoria das informações que produziriam. Para atender a esse pedido dos estudantes, você pensa em focar as habilidades e competências que permitem a eles gestarem as informações que disponibilizam nos espaços virtuais, isto é, você precisa saber planejar e produzir informações para que sejam descobertas e usadas por quem tiver interesse nas produções de seus estudantes. A�nal, já é realidade que um conhecimento produzido nas aulas não precisa, necessariamente, �car restrito a ela. Ao contrário, deve ser compartilhado. Você está preparado para isso? Diante disso, �ca evidente como a preocupação e a responsabilidade com a ética e a crítica nesse processo de comunicação e de interação devem estar presentes nas práticas docentes que aproveitam essa oportunidade de explorar os recursos tecnológicos digitais, o que torna o papel do educador cada vez mais importante. Comunicação e interação na construção do conhecimento Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Nesta aula, ao reconhecer as características do m-learning (de mobile learning), da aprendizagem ubíqua, das redes sociais e das comunidades virtuais de aprendizagem, você terá a oportunidade de, de�nitivamente, convencer-se da necessidade de superar os atrasos que as práticas escolares estão em relação a outras oportunidades de aprendizagem existentes fora da escola e o que fazer para resolver isso. Desde já, é importante lembrar que a escola tem uma inegociável importância nos processos de aprendizagem. Aliás, ela surgiu enquanto instituição social com essa �nalidade, ultrapassando o campo da ciência e se fazendo presente também nos campos da política, da cultura e da economia. No entanto, é importante lembrar que a escola nunca foi um espaço exclusivo para que a aprendizagem ocorra. Muitas aprendizagens sempre ocorreram fora desse ambiente, de outra forma e com maior intensidade. ______ Re�ita A recente crise mundial provocada pela COVID-19 mostra não só as possibilidades de aprendizagens que podem ocorrer fora da escola, mas também as suas potencialidades. Fazer ou não fazer isolamento social? Usar ou não máscaras para ir ao supermercado? O vírus é ou não um ser vivo? Como fazer para achatar a curva exponencial? Acreditar em um político ou em um cientista? E em qual político e em qual cientista? Para tomar uma posição individual diante dessas perguntas, é inevitável optar pelas crenças que evidenciam valores, e ambos são construídos, reconstruídos e, por vezes, destruídos em função do processo de aprendizagem trilhado porcada um. Com o isolamento social, �cou evidente quantos são os conhecimentos construídos fora da escola. Mas, qual é a qualidade dessa aprendizagem? Antes dessa crise, também não havia outros aprendizados? Eles estavam levando a quê? Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL ______ Com os tópicos a serem tratados nesta aula, mais uma vez, você perceberá o quanto os tempos e espaços, assim como as formas de ensinar e aprender, podem e precisam ser ajustados a uma cultura digital já existente fora da escola. Para iniciar as descrições e re�exões sobre esses tópicos especí�cos, partiremos da noção de que todo ato educacional é marcado pela interação e pela comunicação, sempre mediadas por algum recurso. Os processos de ensino e de aprendizagem, independentemente da abordagem teórica que os sustenta, sempre requerem a interação entre pessoas e entre as pessoas e o conhecimento (construído ou a ser construído). Os atos comunicacionais estão sempre presentes nessas interações e em constante modi�cação em sua forma, meio e conteúdo, expressando valores e conhecimentos. Por muito tempo, no âmbito escolar, os livros e as lousas (quadros-negros) tiveram a sua centralidade no processo de ensino. Neles, há um determinado tipo de interação e comunicação. Mais recentemente, os computadores e notebooks foram anunciados de maneira que tenderiam a assumir essa centralidade. No entanto, em geral, esse fenômeno não ocorreu, e os computadores permaneceram em um papel coadjuvante devido ao seu alto custo de aquisição, conservação e manutenção. Em muitos casos, mais notadamente, poucas escolas tiveram a oportunidade de disponibilizar esses recursos aos seus estudantes e educadores de maneira adequada. Com isso, durante esse período, nos ambientes escolares, a comunicação e a interação presentes nos processos de construção de conhecimento seguiram a lógica presente nos livros e, em particular, nos livros didáticos. Quando possível, os computadores eram usados de forma complementar e, em geral, as próprias propostas para o seu uso, assim como dos próprios programas e aplicativos educacionais, seguiram a mesma lógica. M-learning ou aprendizagem móvel Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Atualmente, essa lógica presente nas interações e comunicações presentes nas práticas sociais fora da escola foi signi�cativamente alterada devido à mobilidade do acesso e da produção de conhecimento propiciada pelos dispositivos digitais móveis, como os tablets, laptops e, principalmente, os smartphones (celulares). Com a alta capacidade de processamento, armazenamento e transmissão de dados dos dispositivos móveis e a popularização do acesso à internet banda larga, incluindo a diminuição signi�cativa dos custos de ambos, as práticas sociais desenvolvidas fora da escola já incorporam novas formas de interação e comunicação, criando e sustentando novos ambientes virtuais de relacionamento em uma complexa rede social. Nesse contexto, vem ocorrendo o desenvolvimento de um determinado nível de letramento digital e de uma nova cultura digital. A lógica presente nas formas de interação e de comunicação com esses ambientes virtuais e redes sociais é in�uenciada pela mobilidade que transformou as noções de tempo e espaço, de comunidade e a forma do discurso. Com essa transformação surgiram também novas possibilidades de pesquisa e compartilhamento de conhecimento, favorecendo o uso personalizado dos recursos e, ao mesmo tempo, o aprendizado colaborativo (TRAXLER, 2005). As aprendizagens ocorridas nesse contexto são conhecidas como m-learning, ou aprendizagem móvel. Os dispositivos móveis estão se tornando um componente viável e imaginativo do suporte e provisão institucional (Griswold et al, 2002), (Sariola, 2003), (Hackemer & Peterson, 2005). Em muitos desses casos, eles fornecem experiências de aprendizado exclusivas ‘situadas’ e ‘conscientes do contexto’, mas em outros casos podem estar alcançando aprendizes remotos ou inacessíveis e apoiar o aprendizado convencional ou o e-learning convencional. (TRAXLER, 2005, p. 262) Essas novas possibilidades de aprendizagem já presentes fora da escola requerem que ela ocupe o seu espaço nessa evolução, porque essas transformações exigem cuidados éticos e críticos. Se Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL as escolas não assumem processos que levem às aprendizagens que tenham aderência à construção de uma sociedade com maior justiça social, ocorrerão apenas aquelas que atendem às expectativas de quem as controla e que podem não ser a mesma da escola. Para isso, as práticas sociais propostas ou desenvolvidas nas escolas não podem permanecer naquela lógica presente até hoje, que desconsidera essa facilidade de acesso e mobilidade promovida pelos avanços tecnológicos, e a torna, em geral, desinteressante e enfadonha por não ter signi�cado. Como sintetiza Moran (2012, p. 7), “a escola é pouco atraente”. A manutenção dessa indesejada percepção sobre a escola pode colocar em xeque os motivos de mantê-la como instituição produtora e de compartilhamento de conhecimento, uma vez que, fora dela, tais produção e compartilhamento são feitos. Sibília (2012a) explicita a tensão que estudantes �cam entre toda uma vida dinâmica e interessante presente fora da escola, acessível a eles com simples toques, e as vivências limitadas às paredes da sala de aula, quando muito aos muros escolares. Nessa tensão, em geral, os estudantes, dentro dos ambientes escolares, se sentem mais convidados a burlar as proibições em relação ao uso dos dispositivos móveis do que explorar as oportunidades de aprendizagem por eles oferecidos. Na mesma perspectiva, as pesquisas desenvolvidas por Santaella (2014), compartilhando as preocupações com esse atraso das práticas escolares em relação àquelas desenvolvidas fora dela, constatam que essas novas formas de aprendizagem incorporam as transformações cognitivas, perceptivas, sensoriais e motoras promovidas pela facilidade e mobilidade do acesso, produção e compartilhamento de informações pelos usuários nas redes sociais. Traxler (2005) a�rma que as características mais emergentes do m-learning permitem dizer que ela é espontânea, privada, portátil, situada, informal, leve, conectada, personalizada, interativa e revestida de conhecimento do contexto. ______ Re�ita No parágrafo anterior, Traxler (2005) apresenta inúmeras características do m-learning. Compare- as com as características daquela que você considera existente nas escolas que você passou. Quais são as consequências das principais semelhanças e diferenças entre elas que você encontrou? O esquema a seguir, proposto por Koole (2009), mostra as relações existentes entre alguns elementos que estruturam o m-learning. ______ Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Elementos envolvidos na aprendizagem móvel. Fonte: Koole (2009, p. 27). Aprendizagem ubíqua Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Os dispositivos móveis favorecem ainda mais que toda informação pode ser disponibilizada de qualquer lugar do mundo e que pode ser igualmente acessada de qualquer outro lugar, de maneira instantânea ou não, permitindo a sua modi�cação, quando autorizada, em tempo real, por indivíduos ou coletivos. É dessa onipresença da informação e dessa conectividade que surge a possibilidade de dizer que a informação é ubíqua. ______ Vocabulário Do dicionário on-line Michaelis (2012, [s.p.]), ubíquo signi�ca “o que está ou pode estar em toda parte ao mesmo tempo; onipresente”. ______ Diante dessa informação ubíqua e de um acesso igualmente ubíquo, a construção do conhecimento se torna também ubíquo. Se a aquisição do conhecimento implica a aprendizagem, o que brota aí é aquilo que venho chamando de aprendizagem ubíqua e o tipo de aprendizado que se desenvolve é aberto, individual ou grupal, podendo ser obtido em quaisquer ocasiões, eventualidades, circunstâncias e contextos. Sua característica mais marcante encontra-se na espontaneidade. Em qualquer lugar que o usuário esteja, brotando uma curiosidade ocasional, esta pode ser instantaneamente saciadae, se surgir uma dúvida a respeito de alguma informação, não faltam contatos pessoais também instantâneos para resolvê-la, criando-se assim um processo de aprendizagem colaborativa. Sem Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL restrições de tempo e espaço, sem pressões externas, coloco ênfase na espontaneidade livre que aciona todo esse processo. Trata-se de uma busca e de uma aquisição de informação a céu aberto e fora de quaisquer planejamentos e sistematizações, portanto, o que se tem aí é uma forma de aprendizagem imprevisível, dispersiva, fragmentária e ao mesmo caótica, nem sempre incorporada à memória. (SANTAELA, 2014, p. 19) A aprendizagem ubíqua tem muita aderência à m-learning, estando, portanto, muito próxima das possibilidades de construção de conhecimento por meio das tecnologias digitais e da mobilidade. Ela tem também estreitas relações com os diferentes modelos híbridos de ensino e de ensino a distância, mas não se limita a eles. Segundo Santaella (2014), a aprendizagem ubíqua é aquela que ocorre quando, a qualquer momento e estando em qualquer lugar, uma informação é processada pelo discente (ou pessoa qualquer) diante de uma dúvida ou curiosidade e, além disso, essa informação é incorporada a outros usos. Uma aprendizagem dessa natureza é viabilizada por meio dos dispositivos móveis conectados em rede. Para Sibília (2012b), há um perigo a ser considerado, que é a dispersão e a dissipação das informações, que podem tornar o conhecimento efêmero, ou seja, volátil, e para “domar minimamente essa evanescência é preciso desenvolver estratégias ativas de apropriação, o que é tarefa precípua da escola, pois sua realização individual seria sumamente lenta e árdua” (SANTAELA, 2014, p. 22). Ainda segundo a autora, O mais importante, contudo, que me levou a prestar atenção a esse fenômeno inteiramente novo que chamo de aprendizagem ubíqua, é notar o quanto esse tipo de aprendizagem, embora dispersivo, fragmentário e pulverizador, transforma cognitivamente o ser humano no seu papel de potencializador da aprendizagem. O professor precisa �car alerta a essa transformação de modo a estar minimamente preparado para os sobressaltos das surpresas que o aguardam nas interações com seu suposto aprendiz. (SANTAELA, 2014, p. 22) ______ Assimile A aprendizagem ubíqua é aquela desenvolvida por meio de recursos digitais móveis e que se caracteriza pela alta conectividade e dissipação dinâmica de conhecimentos. Ela é a aprendizagem móvel que considera as características, as quais podem se modi�car dependendo do contexto em que os discentes estão inseridos. Redes sociais e Comunidades virtuais de aprendizagem Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL É impossível falar em aprendizagem ubíqua sem entender que ela está totalmente vinculada às redes sociais e aos ambientes virtuais, os quais permitem a construção e o compartilhamento coletivo de conhecimentos. Como já evidente para todos, estudantes têm grande capacidade de desenvolver interações por meio das redes sociais, assim como elas também ocorrem na maior parte das práticas sociais, incluindo aquelas pertencentes ao campo do lazer e da cultura. Para melhor pensarmos sobre a importância das aprendizagens oblíquas, é importante reconhecermos o papel das redes sociais, que estiveram presentes ao longo de todo o desenvolvimento da humanidade. Relacionar-se em rede é uma das características mais subjacentes ao ser humano. É por meio dela que ele se desenvolve, se con�gura e se conforma, uma vez que é nela que as relações afetivas e de trabalho se estabelecem e, até mesmo, se desfazem. Certamente, a mais elementar das redes sociais é a família, porém, depois, pode se expandir para escolas, igrejas, equipes esportivas ou comunidades de bairro. ______ Re�ita Uma vez que a constituição do homem é feita por meio das redes sociais que ele estabelece, uma mudança na amplitude e nos valores dessas redes, assim como a forma pela qual ele interage com elas, não modi�ca sua constituição? ______ Com os dispositivos móveis, as redes sociais tomam outro formato e outra geogra�a, antes local, agora igualmente fácil, global, no entanto mais volátil. Com um único clique, você passa a fazer Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL parte de uma rede social, e com outro clique, sai dela. Essa possibilidade pode trazer benefícios da mesma maneira que malefícios. ______ Exempli�cando Buscando estabelecer relações entre uma rede social antes do advento dos dispositivos móveis e depois deles, podemos exempli�car como benefícios o acesso a informações e conhecimentos de diferentes e remotas partes do mundo. Como malefício, a facilidade de praticar bullying por meio das redes sociais, o famoso cyberbullying. ______ Assim, no contexto da aprendizagem, é importante considerar que as redes sociais devem ser tomadas como recursos pedagógicos nas práticas escolares, para que as escolas, de�nitiva e efetivamente, façam a mediação crítica e ética necessária na produção e no compartilhamento de conhecimento. Diante dessa nova con�guração das redes sociais, a mediação não deve (tampouco é possível) voltar àquela lógica de comunicação e interação vigente antes do advento dos dispositivos móveis. As práticas escolares devem incorporar as características do m-learning ou da aprendizagem oblíqua. Isso não signi�ca também confundir práticas escolares com práticas de lazer, mas apenas explorar essas características que permitam as aprendizagens necessárias. As práticas escolares devem também se distanciar das formas prescritivas de ensinar, que se caracterizam pelos processos de memorização de conceitos e fatos e pela valorização dos conhecimentos procedimentais. Em detrimento dessas práticas mais prescritivas, devem ser valorizadas aquelas com per�l mais construtivista, que problematizam os fenômenos sociais e naturais, os quais buscam a identi�cação e resolução de problemas reais e propiciam, ao mesmo tempo, as aprendizagens individuais e coletivas. Para colaborar com práticas de ensino com essas características, existem muitos ambientes virtuais, os quais, associados às redes sociais mediadas pelos recursos digitais, se constituem como comunidades virtuais de aprendizagem. Elas são integradas por interessados em alguma temática ou propósito comum e estimulam o compartilhamento de conhecimentos e tecnologias. Curiosamente, as comunidades virtuais de aprendizagem trazem a oportunidade de que o ensino e a aprendizagem não sejam individualizados, porque têm como um dos princípios centrais justamente o compartilhamento, que traz, de forma subjacente, a ideia de coletivo. Por isso, elas devem: estimular o número de participantes por meio da oferta de recursos que estimulem a colaboração e o compartilhamento; facilitar o compartilhamento de projetos, dúvidas, conhecimentos e tecnologias e a colaboração na busca de soluções; fomentar o desenvolvimento de soluções para problemas de impacto social; fornecer dados relevantes e facilidades para a sua visualização sistemática; dar visibilidade às atividades e aos projetos desenvolvidos relevantes e vias de participação ativa. cuidar da curadoria dos conteúdos disponibilizados; estimular a participação de educadores, pesquisadores e membros mais experientes, para fomentar os debates inerentes à temática ou aos propósitos da comunidade e orientar nos encaminhamentos necessários para a solução dos problemas enfrentados pelos participantes; Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL prover recursos, para permitir que educadores ocupados acompanhem – e participem – de discussões e atividades em andamento no site. ______ Assimile Em uma comunidade virtual de aprendizagem, a socialização de seus membros ocorre por meio da colaboração e do compartilhamento, garantindo aprendizagens coletivas. Nela, seus próprios participantes de�nem responsabilidades, gerando práticas de autolegislação e autocontrole, contemplando, assim, as dimensões éticas e políticas necessárias a qualquer atividade coletiva. Curadoria digital e repositório digital Um cuidado muitoimportante que tem sido tomado nas comunidades virtuais é a curadoria digital das informações e todo objeto digital nelas produzido e compartilhado. Apesar de ser com menor abrangência e rigor, tal cuidado é também válido para páginas de internet, blogs, vlogs, podcasts, en�m, para quaisquer outros espaços virtuais que acumulam publicações digitais. Esse cuidado implica a gestão intencional das informações de toda natureza publicadas nos ambientes virtuais. Isso visa minimizar as possíveis di�culdades de essas informações serem acessadas, assim como de que elas sejam compartilhadas. O propósito maior da curadoria é colaborar para dar um alto padrão de qualidade às pesquisas. ______ Assimile Segundo a BNCC, Curadoria é um conceito oriundo do mundo das artes, que vem sendo cada vez mais utilizado para designar ações e processos próprios do universo das redes: conteúdos e informações abundantes, dispersos, difusos, complementares e/ou contraditórios e passíveis de múltiplas seleções e interpretações que precisam de ordenamentos que os Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL tornem con�áveis, inteligíveis e/ou que os revistam de (novos) sentidos. Implica sempre escolhas, seleção de conteúdos/ informação, validação, forma de organizá-los, hierarquizá-los, apresentá-los. Nessa perspectiva, a curadoria pode dizer respeito ao processo envolvido na construção de produções feitas a partir de outras previamente existentes, que possibilitam a criação de (outros) efeitos estéticos e políticos e de novos e particulares sentidos. (BRASIL, 2017, p. 550) ______ Com essa abrangência que envolve a cultura digital e os ambientes virtuais imbricados em redes sociais digitais, a curadoria digital de conteúdos se constitui como uma nova área, com atuação interdisciplinar, encarregada de gerenciar todo o ciclo de produção e compartilhamento digital do conhecimento e de objetos digitais. Subjacente ao advento dela está o conceito dos repositórios digitais, que nada mais são do que sistemas de armazenamento, preservação, divulgação e oferta de acesso à produção de conhecimentos e elaboração de projetos em comunidades virtuais. As curadorias digitais, em seu processo de gestão, estimulam que as publicações para o devido compartilhamento dessas informações e projetos sejam feitas pelos próprios autores nesses repositórios digitais. Segundo Leite (2009), os repositórios digitais abertos, aqueles que podem ser acessados por qualquer pessoa sem qualquer restrição, principalmente �nanceira, se dividem em: repositórios temáticos ou disciplinares, destinados aos conhecimentos e objetos digitais de uma área especí�ca do conhecimento (por exemplo, a plataforma com objetos digitais de toda natureza, mantida pelo Ministério da Educação (MEC)); repositório de teses (por exemplo, o catálogo de teses e dissertações disponibilizado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), fundação do Ministério da Educação (MEC)); repositório institucional destinado a toda produção de instituições de pesquisa, incluindo universidades (por exemplo, comunidade que trabalha os conhecimentos sobre o Geogebra). ______ Assimile As práticas de linguagem contemporâneas não só envolvem novos gêneros e textos cada vez mais multissemióticos e multimidiáticos, como também novas formas de produzir, de con�gurar, de disponibilizar, de replicar e de interagir. [...] Ser familiarizado e usar não signi�ca necessariamente levar em conta as dimensões ética, estética e política desse uso, nem tampouco lidar de forma crítica com os conteúdos que circulam na Web. A contrapartida do fato de que todos podem postar quase tudo é que os critérios editoriais e seleção do que é adequado, bom, �dedigno não estão ‘garantidos’ de início. Passamos a depender de curadores ou de uma curadoria própria, que supõe o desenvolvimento de diferentes habilidades. (BRASIL, 2017, p. 68) ______ Finalizando, perceba que muitas das práticas virtuais são bastante análogas àquelas que devemos fazer no mundo real, porém não eram exequíveis justamente por limitações de recursos que Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL garantiriam a celeridade, a organização e o controle necessários, e que agora estão superadas graças aos avanços das tecnologias e dos recursos digitais e o acesso facilitado que temos a eles. Conclusão Apesar de toda uma nomenclatura usada, os tópicos tratados nesta aula devem ser vistos como elementos que sempre estiveram presentes na pedagogia, porém, com a incorporação que os avanços tecnológicos propiciaram, novas formas de interação e comunicação foram estabelecidas. Supondo que os estudantes tenham acesso aos dispositivos móveis e à internet, toda a preocupação em ensiná-los a dominar as técnicas para o uso desses recursos digitais é desnecessária. Aliás, provavelmente, ocorrerá o contrário em sua sala de aula: serão eles quem nos ajudarão a ter acesso a essas técnicas. Com essa proposta, o educador precisará fazer um planejamento envolvendo as etapas de uma metodologia ativa, por exemplos, a STEAM ou Aprendizagem Baseada em Projetos, inserindo o ensino das etapas da curadoria digital nas etapas desse plano. O letramento digital restrito (aquele associado à mera aprendizagem do recurso), certamente, não será necessário, uma vez que os estudantes já tenham esse conhecimento construído fora da escola. O desa�o está no letramento digital ampliado, no qual os conhecimentos sobre o uso dos recursos digitais e os conhecimentos por meio deles construídos precisam ser devidamente mediados, incluindo o desenvolvimento do pensamento crítico e da ética no processo. Para isso, os Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL “fenômenos e práticas relacionadas às redes sociais também devem ser tematizados, assim como devem ser vislumbrados usos mais colaborativos das redes” (BRASIL, 2017, p. 519). A curadoria entra em cena por conta da “viralização” das informações produzidas e compartilhadas, correndo o risco de tornar opiniões mais importantes que os conhecimentos construídos em base cientí�ca, tornando as redes sociais digitais um campo fértil para a proliferação de informações falsas, as chamadas fake news. “Nesse contexto, torna-se menos importante checar/veri�car se algo aconteceu do que simplesmente acreditar que aconteceu (já que isso vai ao encontro da própria opinião ou perspectiva).” (BRASIL, 2017, p. 68). Para que uma curadoria obtenha bons resultados, deve passar pelas seguintes etapas, propostas Higgins (2008): conceituar: conceber e planejar a criação de dados sobre as informações e os objetos digitais que estarão sob os cuidados da curadoria, incluindo os métodos de captura e opções de armazenamento; criar e receber: criar registros administrativos, que sejam descritivos, estruturais e técnicos. Estes são os chamados metadados das informações e dos objetos digitais, que devem ser recebidos segundo as políticas de coleta; avaliar e selecionar: avaliar as informações e os objetos digitais, selecionando e encaminhando para a curadoria, seguindo diretrizes e políticas prede�nidas e com o devido cuidado com a documentação e os quesitos legais. transferência: transferir as informações e os objetos digitais para outros repositórios ou espaços virtuais quando não forem mais usados, seguindo diretrizes e políticas prede�nidas e com o devido cuidado com a documentação e os quesitos legais; preservação: preservar, por longo prazo, as informações e os objetos digitais, incluindo os metadados, de maneira que permaneçam íntegros, autênticos, con�áveis e utilizáveis. As ações incluem a limpeza, a validação, a autenticação e a autoria. armazenamento: armazenar as informações e os objetos digitais, incluindo os metadados, de maneira segura e em acordo com os padrões e as diretrizes preestabelecidos; acesso: garantir que as informações e os objetos digitais estejam acessíveis diariamente para todos que desejam acessá-los; transformação: Criar novos dados a partir do original, migrando para um formato diferente do original ou criando um subconjunto, porseleção ou consulta, para gerar resultados, talvez para publicação. Os objetivos descritos em cada uma dessas etapas, para que a curadoria seja bem-sucedida, poderiam ser interpretadas como habilidades a serem desenvolvidas em suas aulas. Será dessa maneira que a Competência 5, da BNCC (BRASIL, 2017, p. 9), será plenamente desenvolvida. Aula 3 Recursos e conteúdos digitais Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Introdução da Aula Qual é o foco da aula? Nesta aula, você estudará sobre recursos e conteúdos digitais. Objetivos gerais de aprendizagem Ao �nal desta aula, você será capaz de: explicar o conceito de Recursos Educacionais Abertos (REA); discutir a respeito das normativas relacionadas ao uso dos recursos digitais e dos conteúdos neles colocados; aplicar os avanços tecnológicos digitais, com o objetivo de mostrar as possibilidades de uso desses recursos nas propostas de ensino presencial, presentes na educação a distância e, portanto, naquelas que querem incorporar o ensino híbrido. Situação-problema Nesta última aula, estudaremos outros recentes avanços tecnológicos digitais, com o objetivo de mostrar as possibilidades de uso desses recursos nas propostas de ensino presencial, presentes na educação a distância e, portanto, naquelas que querem incorporar o ensino híbrido. Estes produtos englobam todas as possibilidades de recursos educacionais, tais como livros didáticos, produções literárias ou de divulgação cientí�ca, artigos que apresentam pesquisas acadêmicas e seus resultados, cursos completos ou parte deles, aulas ou propostas de aulas, áudios, vídeos, �lmes ou programas de computadores. No entanto, todos eles possuem uma Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL concessão especial sobre os direitos autorais que os permitem ser chamados de Recursos Educacionais Abertos (REA). No documento do 10º aniversário da Declaração de Educação Aberta da Cidade do Cabo, na África do Sul, realizada em março de 2017, com o objetivo de compreender os desa�os e inspirar e focar no movimento para os próximos dez anos, consta o seguinte relato, pertencente à Declaração: Estamos à beira de uma revolução global em educação e aprendizagem. Educadores em todo o mundo estão desenvolvendo um amplo conjunto de recursos educacionais disponíveis na internet, abertos e gratuitos para a utilização de todos. Esses educadores estão criando um mundo onde cada pessoa no planeta pode acessar e contribuir com a soma de todos os conhecimentos humanos. Eles estão, ainda, plantando a semente de uma nova pedagogia na qual educadores e aprendizes criam, moldam e evoluem o conhecimento juntos, aprofundando suas habilidades e compreensões conforme progridem. Esse movimento de educação aberta que está emergindo combina a tradição estabelecida de compartilhamento de boas ideias com os colegas educadores e a cultura colaborativa e interativa da cultura da internet. Ele é constituído na crença de que todos devemos ter liberdade de utilizar, personalizar, melhorar e redistribuir os recursos educacionais sem restrições. Educadores, aprendizes e outros que compartilham dessa crença estão se unindo como parte de um esforço global para fazer da educação algo acessível e efetivo. (DECLARAÇÃO DE EDUCAÇÃO ABERTA DA CIDADE DO CABO, 2007, [s.p.]) Este excerto mostra a importância desta aula, desta unidade e desta disciplina, pois demarca o momento que estamos e mostra que, pelo que tudo indica, em breve, todas essas inovações serão consideradas ultrapassadas. Mas, para chegarmos a esse futuro e projetá-lo melhor, teremos que estar bastante cientes e conscientes do presente que vivemos. A Educação, um direito constitucional de qualquer brasileiro, de certa forma, vem recebendo cada vez mais atenção nas últimas cinco décadas; ganhando força com a promulgação da Constituição de 1988 e de todo o aparato jurídico que a sucedeu. No entanto, o contexto econômico e social brasileiro traz algumas di�culdades para que esse direito seja plenamente atendido. Essa restrição é concretamente observável na escassez de pelo menos um ou outro recurso. O Plano Nacional do Livro Didático (PNLD), apesar de ser apontado como bené�co para a indústria editorial, pode ser tomado como um exemplo bem-sucedido do esforço estatal para suprir essa carência de recursos. Diante dessa realidade, o movimento da Educação Aberta no país, em sintonia com o que ocorre em outras partes do mundo, se propõe a oferecer soluções alternativas e sustentáveis que possam superar as di�culdades não só materiais, como também metodológicas. A Educação Aberta utiliza-se e propõe o uso de Recursos Educacionais Abertos. Ela busca fomentar e estimular o ensino por meio da oferta de sugestões de práticas e recursos metodológicos abertos, para que as mais variadas opções existentes possam ser adaptadas para os distintos contextos educacionais. Apesar da di�culdade referente aos custos e ao alcance livre dos materiais educacionais usados nas escolas, a internet facilita o acesso a eles, mas sem perder de vista a re�exão sobre a autoria e a permissão de uso e adequação dos materiais disponibilizados. Para concretizar esse contexto, imagine que sua escola está em um evento aberto para a comunidade escolar para estimular e difundir o uso dos Recursos Educacionais Abertos que usa Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL em suas práticas. Suponha, também, que um repórter da cidade, que fará uma matéria, cujo título é “Inovações educacionais e o uso dos Recursos Educacionais Abertos”, fez as seguintes perguntas: 1. hoje, qualquer pessoa, a qualquer momento, pode acessar artigos cientí�cos, livros, manuais, simuladores, etc., como também muitas informações não con�áveis. Da mesma maneira, pode produzir informações com boa qualidade, assim como de má qualidade. Qual é o papel da escola e do educador nesse novo contexto? 2. por que vocês, na escola, estão estimulando o uso dos Recursos Educacionais Abertos? 3. como você está usando os Recursos Educacionais Abertos em suas aulas? Perceba que as possíveis respostas a essas perguntas sintetizam o conhecimento necessário para que você, docente ou futuro docente, possa usar os REA e justi�car seus usos. Será esse o conhecimento que permitirá ter a �exibilidade necessária para adaptar suas propostas de trabalho em qualquer parte da área educacional: na sala de aula, na produção de materiais didáticos, na elaboração de orientações metodológicas ou propostas curriculares ou no desenvolvimento de Recursos Educacionais Abertos ou não. Conhecer bem esse presente e as tendências educacionais, com pensamento crítico e ético, em busca de uma sociedade com maior justiça social, é o nosso atual desa�o, e esta aula pretende ajudar na produção desse conhecimento. Recursos Educacionais Abertos (REA) Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Nesta aula, você perceberá que os Recursos Educacionais Abertos (REA) são resultados de processos que devem ser considerados inovações educacionais, porque permitem que praticamente todos possam criar, modi�car, experimentar e compartilhar novas ideias a qualquer momento e de qualquer lugar, sem a necessidade de um �nanciamento ou de uma restrição de direitos autorais para o seu uso. Os REA são objetos de aprendizagem, como material para palestras, referências e leituras, simulações, experimentos e demonstrações, além de programas de estudos, currículos e guias de educadores. Em geral, são disponibilizados gratuitamente na internet para que educadores, instituições de ensino e discentes os usem em suas práticas escolares. Além disso, esses objetos educacionais podem ser modi�cados e novamente compartilhados (WILEY, 2006). Na obra de Butcher (2010, p. 36), encontramos uma de�nição da Unesco/ Commonwealth of Learning (2011) sobre os Recursos Educacionais Abertos: Materiais de ensino, aprendizado, e pesquisa em qualquer suporte ou mídia, que estão sob domínio público, ou estão licenciados de maneira aberta, permitindo que sejam utilizados ou adaptados por terceiros. O uso de formatos técnicos abertos facilita o acesso e o reuso potencialdos recursos publicados digitalmente. REA podem incluir cursos completos, partes de cursos, módulos, livros didáticos, artigos de pesquisa, vídeos, testes, software, e qualquer outra ferramenta, material ou técnica que possa apoiar o acesso ao conhecimento. Antes de continuar, você deve estar atento ao fato de que, no primeiro parágrafo, foi usado o termo “praticamente todos” e não “todos” (que seria desejável) para indicar a relação dos REA com os usuários, como mostram os quadros a seguir. Estudantes de escolas urbanas que já acessaram a internet, por último acesso. Fonte: Comitê Gestor da Internet no Brasil (2019, p. 277). Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Estudantes de escolas urbanas, por local de acesso à internet. Fonte: Comitê Gestor da Internet no Brasil (2019, p. 277). Esse cuidado foi tomado porque você, ao ter acesso a inúmeras informações sobre os REA, não deve perder de vista que o uso e o acesso a esses produtos e aos seus conceitos requerem uma infraestrutura mínima, composta por equipamentos ou dispositivos digitais e acesso à internet, como também um mínimo de letramento digital e outros conhecimentos. Infelizmente, esses dois condicionantes reduzem signi�cativamente o número de discentes e cidadãos que têm acesso ao REA. Diante dessa limitação, cresce a importância da escola e dos educadores inserirem, em suas práticas, o uso do REA, cujo acesso é gratuito. O termo aberto é por esse motivo. Com essa abertura, a possibilidade de compartilhamento de invenções abertas e livres e a oferta desses itens têm se ampliado bastante. Softwares livres e objetos de aprendizagem (REA) Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Certamente, o REA mais frequente e impactante tem sido programas e aplicativos de computadores e dispositivos móveis, os chamados softwares livres. ______ Exempli�cando Existem inúmeros softwares livres disponíveis e em uso muito populares, como o sistema operacional GNU-Linux, muitos navegadores (browsers) usados cotidianamente na internet e plataformas, como o YouTube. Mas não há apenas software livre para uso popular, há também aqueles especializados, por exemplo, a linguagem R, inicialmente criada na década de 1970, mas que se consolidou como um programa de código aberto a partir da década de 1990. É frequentemente usada por cientistas e estatísticos para manipulação e análise de dados. O Arduíno é um exemplo de programa especializado na área educacional. No Brasil, o Ministério da Educação disponibiliza um portal (plataforma) que reúne e disponibiliza, em um único lugar, os Recursos Educacionais Digitais dos principais portais do Brasil, para facilitar a busca desses recursos. ______ Outro exemplo bastante comum para os REA são os chamados objetos de aprendizagem, os quais consistem, basicamente, em cursos, de qualquer área de conhecimento, preparados para serem acessados por meio de computadores e dispositivos móveis. A lógica adotada nesses cursos é caracterizada por uma trajetória a ser percorrida pelos estudantes, composta por uma sequência de telas que apresentam os conteúdos por meio de textos e desenhos, mas também incorporam outros recursos digitais, que permitem a interação de estudantes por meio de perguntas. Em cada Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL uma dessas telas, podem conter opções que permitem aos estudantes o acesso a questionários, vídeos, áudios e grá�cos. ______ Assimile O uso dos REA é terreno fértil, principalmente, por conta dos verbos utilizar e criar, presentes na quinta competência geral Base Nacional Comum Curricular, que diz: Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, signi�cativa, re�exiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. (BRASIL, 2018, p. 9) ______ Os objetos de aprendizagem com essas características são comumente aplicados na educação a distância e nos ambientes virtuais de aprendizagem, que buscam simular a organização de salas de aulas presenciais. A elaboração desses objetos de aprendizagem é feita com ferramentas de autorais especí�cas, que permitem a incorporação de inúmeros recursos multimídias. Como são muitas ferramentas, cada uma delas segue um padrão de códigos, uma vez que elas podem ser diferentes em função da linguagem de programação especí�ca. Essa diversidade de padrões de linguagem de programação, associada ao também diverso padrão usado nos navegadores de internet (browsers), apresentam muitos problemas de apresentação e de funcionamento quando os objetos de aprendizagem virtual eram acessados. Esses problemas eram agravados e raramente resolvidos por conta da característica inerente do REA, que coloca uma distância geográ�ca e temporal entre o seu autor e aquele o acessa. Para superar esses problemas, a solução desenvolvida foi um procedimento chamado empacotamento de conteúdo, o qual signi�ca que o autor, após concluir a elaboração do objeto de aprendizagem, usa um determinado aplicativo para sua compactação. Esse produto só será descompactado pela plataforma no momento que será acessado, de acordo com os padrões dos códigos dessa plataforma, evitando os problemas anteriormente encontrados na apresentação e no funcionamento dos objetos de aprendizagem. Para elaborar um objeto de aprendizagem, assim como de qualquer outro recurso digital, na concepção da Educação Aberta, em geral, cada uma das etapas tem os seguintes objetivos: coletar as informações e outros REA disponíveis, sempre se preocupando com as informações inerentes a eles, os chamados metadados (para fazer isso, basta você procurar um dos endereços eletrônicos que disponibilize os REA. No endereço eletrônico da Wikipédia, você poderá conhecer seis diferentes tipos de projetos); veri�car a integridade dessas informações e dos REA coletados, assim como também de seus metadados; guardar de maneira organizada e sistemática cada um deles, para facilitar o estudo e o planejamento das futuras intervenções necessárias para a adaptação ao propósito educacional do novo objeto de aprendizagem que está sendo elaborado (esse procedimento consiste, basicamente, em você guardar os arquivos e seus projetos em um local de seu controle, como um pen drive ou nuvem); desenvolvimento da produção do novo objeto de aprendizagem, seguindo as etapas planejadas; testar e veri�car a qualidade do objeto de aprendizagem criado. É hora de aplicar os procedimentos da Curadoria Digital, para veri�car se o conteúdo, a trajetória metodológica e a Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL funcionalidade estão adequados ao propósito educacional estabelecido; compartilhar o novo objeto de aprendizagem desenvolvido por meio de algum software livre. ______ Exempli�cando O RELOAD Editor (Reusable E-Learning Object Authoring and Delivery) é um dos muitos exemplos de software livre usado para criar, descrever metadados e empacotar conteúdos digitais. Outros programas semelhantes comumente usados são o CourseLab e o Hotpotatoes. REA e Creative Commons Como você deve ter percebido, todo o processo de elaboração de um objeto de ensino digital, de um REA ou não, requer um grande cuidado desde o momento que a decisão de fazer é tomada. Esse processo é bastante semelhante ao de uma Curadoria Digital. Porém, na opção por ser ou não um REA, há uma diferença e uma semelhança extremamente signi�cativas que estão ligadas à questão dos direitos autorais. A opção por desenvolver um objeto de aprendizagem como um REA permite o uso de muitas informações e de muitos outros REA já elaborados, incluindo, nesse escopo, a possibilidade de modi�cá-los, o que requer, ao mesmo tempo, o cuidado com os metadados tanto do REA que está sendo desenvolvido quanto daqueles que foram usados. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL A opção por desenvolver um objeto de aprendizagem não aplicável à Educação Aberta permite o uso de informações já existentes, porém estas nãopodem ser modi�cadas e devem ser criteriosamente referenciadas. Além disso, o recurso desenvolvido não pode estar associado a qualquer outro já desenvolvido e que esteja com os direitos autorais salvaguardados. Ou seja, nesse processo, a Curadoria Digital precisa estar atenta, em ambos os casos, a essa diferença de poder ou não modi�car, e com as precauções em relação ao licenciamento dos recursos ou objetos de aprendizagem que se pretendem produzir. Todos os REA são criados e disponibilizados seguindo cuidados com os seus conteúdos, com as licenças de uso e com o uso de formatos técnicos abertos para facilitar as modi�cações necessárias. Dessa maneira, os usuários dos REA têm autorização, ou no jargão usado pelas comunidades responsáveis por sua disponibilização, têm as seguintes liberdades: usar o REA original como quiser, para qualquer �nalidade e em distintos contextos; estudar, adaptar e melhorar o REA para melhor adequá-lo para o seu novo propósito; combinar e misturar diferentes REA, gerando novos REA; compartilhar os novos REA produzidos ou outros originalmente encontrados; armazenar uma cópia do REA em seu próprio poder. No entanto, essas liberdades não implicam a ausência dos direitos autorais. Os REA mantêm o direito autoral, garantindo o reconhecimento do autor e, ao mesmo tempo, oferecem essas liberdades. Nesse contexto, os REA permitem a gestão do direito autoral, isto é, que o autor de�na quais das liberdades deseja disponibilizar aos usuários de sua produção. ______ Assimile Com o propósito de proteger as relações entre o autor e quem se utiliza de suas produções, existe a Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro 1998, a qual altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências. Nessa lei, os direitos são divididos em morais e patrimoniais. O direito moral garante a autoria da produção, considerando-a intransferível e irrenunciável, enquanto o direito patrimonial assegura o aproveitamento econômico da produção ao autor, permitindo a sua transferência ou cessão a outras pessoas ou instituições. ______ O registro da informação sobre quais das liberdades o autor selecionou sobre sua produção é feito por meio de licenças e termos �exíveis de uso. As licenças comumente usadas no âmbito nacional e internacional são aquelas emitidas e controladas pela Creative Commons (CC), a qual é uma organização internacional sem �ns lucrativos, que foi a criadora de um instrumento legal padronizado, de fácil acesso e utilização, que garante a autoria e as liberdades para cada um dos REA. ______ Assimile O simples uso de uma licença aberta não chega a caracterizar um recurso disponibilizado como REA. A licença apenas torna claros quais são os usos possíveis do recurso por outras pessoas que não sejam o próprio autor. Para um recurso ser considerado um REA, o autor precisa escolher como atribuição as licenças do tipo CC-BY, CC-BY-SA, CC-BY-NC CC-BY-NC-SA, uma vez que elas permitem que sejam misturadas, revistas, modi�cadas, adaptadas e novamente disponibilizadas. ______ Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL As licenças da CC consideram as atribuições da autoria, a utilização não comercial, o compartilhamento pela mesma licença, e não as obras derivadas. A combinação desses critérios resulta em diferentes licenças, as quais podem ir desde as mais livres até aquelas mais restritivas. O quadro a seguir sintetiza as seis possíveis licenças disponibilizadas pela CC. Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL Tipos de licença Creative Commons. Fonte: adaptado de (SOBRE..., [s.d.]). Perceba que esses recursos podem ajudar educadores na mudança de suas aulas, pois essas tecnologias induzem os discentes a serem ativos no processo, tornando-os responsáveis pelos seus próprios processos de aprendizagem. A possibilidade e a necessidade de incorporação dos recursos e das tecnologias digitais para melhorar a qualidade das práticas escolares não permitem mais que os docentes sejam os Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL mesmos de alguns anos atrás. De certa forma, a cultura digital já constituída e, mesmo assim, ainda em constante modi�cação, presente fora da escola, força que as práticas desenvolvidas em seu interior sejam inovadoras. Conclusão A situação-problema criada para esta aula propõe três perguntas feitas hipoteticamente por um repórter durante um evento escolar, no qual o uso de REA é defendido. Antes de respondê-las, mais uma vez, devemos perceber que suas respostas podem não apenas sintetizar e justificar esta aula, mas também resgatar as ideias centrais desta disciplina. A primeira pergunta: “Hoje, qualquer pessoa, a qualquer momento, pode acessar artigos científicos, livros, manuais, simuladores, etc., como também muitas informações não confiáveis. Da mesma maneira, pode produzir informações com boa qualidade, assim como de má qualidade. Qual é o papel da escola e do educador nesse novo contexto?” evidencia o fato de os avanços tecnológicos terem mudado as formas de comunicação e interação nas mais diversas práticas sociais, trazendo, atualmente, não apenas a potencialidad Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL dos computadores, mas, principalmente, a mobilidade possível no acesso, na produção, no armazenamento e no compartilhamento de informações e de recursos. Esse questionamento evidencia também a importância de as escolas, em geral, precisarem incorporar essas mudanças em suas práticas escolares, para que possam cumprir o seu papel enquanto instituição social, que é possibilitar aos seus estudantes o acesso ao conhecimento acumulado pela sociedade e usá-lo para produzir novos conhecimentos e comportamentos, a fim de identificar e resolver os atuais problemas, tanto sociais quanto naturais, que a sociedade enfrenta e prevenir aqueles que podem surgir no futuro. Como a própria pergunta informa, atualmente, qualquer um, de qualquer lugar e a qualquer momento, desde que possa usar computadores ou dispositivos móveis com acesso à internet, pode acessar uma incomensurável quantidade de informações e recursos já disponíveis, Por isso, o papel da escola e, consequentemente, do educador e de todos que com ele trabalham direta ou indiretamente é orientar para que o acesso a informações e recursos, a identificação a solução de problemas e o compartilhamento dessas soluções e dos conhecimentos construídos sejam feitos orientados em princípios éticos e permitam o desenvolvimento do pensamento crítico. Todas as etapas da Curadoria Digital possuem muita aderência a qualquer uma das propostas de metodologias ativas, que permitem não apenas tornar o estudante responsável pela construção de seu conhecimento, suas competências, suas habilidades, seus valores e suas atitudes, mas definir se essas mudanças serão efetivamente inovações educacionais ou apenas ações conservadoras revestidas de novas tecnologias. Esse contexto mostra que, com os avanços tecnológicos, o papel dos profissionais do magistéri e do sistema educacional (não apenas do docente ou da escola) ganha importância para combater um das patologias que a ubiquidade pode gerar devido à falta da crítica e da ética, que é a sobreposição do conhecimento comum sobre o conhecimento científico. Ou seja, quanto maiores forem os avanços tecnológicos digitais sobre a comunicação e a interação presentes nas práticas sociais dos mais diversos campos de atividade humana, maior será a importância da educação, porque um de seus desafios está em não apenas dominar o manuseio dos aparatos tecnológicos, mas no domínio sobre a finalidade desse manuseio. Outro desafio da educação está na diferença existente entre os contextos dos discentes, não só no acesso a essas tecnologias, mas também no conhecimento que têm e em suas condições de vida. A educação será equânime quando conseguir dar um tratamento equitativo tanto nas salas de aula como nesse background do estudante e sua família, ampliando a ideia da personalização do ensino, interferindo não apenas nas questões metodológicas de ensino e de aprendizagem,mas também em outros fatores que influenciam na aprendizagem que ocorre fora da escola. Portanto, a educação precisa mostrar que a equidade educacional depende Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL também de outras áreas sociais e fazer demandas sobre elas. Dito de outra maneira, a equidade não precisa existir dentro e fora dela. A disponibilização dos REA tratados de forma licenciada nas mais diversas comunidades virtuai de aprendizagem é exemplo real dessa possibilidade para as práticas educacionais. Estudantes desde que tenham os equipamentos e o acesso à internet, podem, respeitando os direitos autorais e critérios da curadoria, se tornar excelentes autores de novos REA, despertando interesse pelo que aprendem e pela forma que aprendem nas escolas, uma vez que tudo o que fazem passa a ter significado real. Esses são os motivos pelos quais as escolas devem usar os REA, respondendo, assim, à segunda pergunta do hipotético repórter da situação-problema proposta nesta aula. Para responder à terceira pergunta, a qual questiona sobre a forma de usar nas salas de aula, basta retomar os procedimentos para usos de metodologia ativas, ou da curadoria digital, visto em aulas anteriores, ou ainda retomar os procedimentos descritos nesta aula como objetivos de cada uma das etapas para trabalhar com REA, que começa com a coleta de informações. Essas informações podem ser encontradas em repositórios disponibilizados por diversas universidades ou instituições (públicas ou privadas sem fins lucrativos) nacionais e internacionais. Opções não faltam, mas duas excelentes referências para iniciar essa coleta podem ser: Banco Internacional de Objetos Educacionais (BIOE). Plataforma MEC de Recursos Educacionais Digitais. Videoaula: inovações pedagógicas ancoradas em tecnologias digitais Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Assista à videoaula sobre "inovações pedagógicas ancoradas em tecnologias digitais". Referências Disciplina INOVAÇÃO EDUCACIONAL AUGMENTED REALITY - ANATOMY. [S.l.: s.n.], 2015. 1 vídeo (2min8s). Publicado pelo canal DAT Studio. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=2iFe76keP9g>. Acesso em: 24 ago. 2021. BRASIL . Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC. Versão entregue ao CNE em 3 de abril de 2018. Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versao�nal_site.pdf>. Acesso em: 24 ago. 2021. BUTCHER, N. Open educational resources and higher education. Retrieved July, v. 29, p. 2012, 2010. CENTRO DE INOVAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO BRASILEIRA. Inovação Aberta em Educação: conceitos e modelos de negócios. São Paulo: CIEB, 2019. Disponível em: <https://estudocieb.educadigital.org.br/wp-content/uploads/2017/02/CIEB-Estudos-2-Inovacao- Aberta-em-Educacao.pdf>. 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