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<p>AO JUÍZO DA VARA ÚNICA DA COMARCA DE ARRAIAL DO CABO – RJ</p><p>JOHNNY CARDOSO RIBEIRO, brasileiro, solteiro, músico, portador da carteira de identidade n° 08.891.112-8, expedida pelo DIC/RJ, inscrito sob o CPF n° 015.116.307-36, residente e domiciliado à Rua Abiud Alves de Andrade, nº 12, Centro, Arraial do Cabo/RJ, CEP 28930-000, telefone de contato 22 99848-5051, endereço eletrônico: johnny.gm.ambiental@gmail.com, vem, por intermédio da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, com fulcro no Art. 386 do Código Civil e na Lei n. 8.245/91, respeitosamente perante Vossa Excelência, propor a presente</p><p>AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE PAGAR QUANTIA CERTA (COBRANÇA DE ALUGUÉIS) C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E DANOS MORAIS</p><p>Em face de NADIENE DE NICOLO ÁVILA, brasileira, residente e domiciliada na Rua Frei Henrique de Coimbra, nº 5, Praia Grande, Arraial do Cabo, CEP 28.930-000, telefone de contato: 22 99909-8945, endereço eletrônico: nadi.avila@hotmail.com, demais dados desconhecidos pela parte autora, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos.</p><p>I - DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA</p><p>Inicialmente, afirma, à luz do que dispõe o artigo 98, caput, c/c artigo 99, caput e § 3º, todos do CPC, não possuir recursos suficientes para arcar com as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios, fazendo jus à gratuidade de justiça.</p><p>Por oportuno, informa que exercem neste ato o direito constitucionalmente assegurado à assistência jurídica integral e gratuita com o patrocínio da Defensoria Pública, nos termos do inciso LXXIV do artigo 5º e caput do artigo 134, ambos da CRFB/88 c/c artigo 185 do CPC.</p><p>II – DOS FATOS</p><p>Em 2022, as partes firmaram contrato de locação verbal, tendo como objeto o imóvel localizado na Rua José Pinto de Macedo, nº 268, Prainha, Arraial do Cabo/RJ, CEP 28.930-000, cujo aluguel restou acordado no valor de R$ 900,00 (novecentos reais), com vencimento todo dia 10 (dez) de cada mês, pelo prazo de 01 (um) ano a contar de outubro de 2022, devendo o pagamento ser realizado através de transferência bancária.</p><p>O autor se comprometeu a entregar o imóvel em perfeito estado de uso, ao passo em que a requerida assumiu a obrigação de adimplir o pagamento regular do aluguel, bem como os valores cobrados a título de consumo pessoal de energia elétrica.</p><p>Ocorre que a requerida passou a descumprir as obrigações assumidas, tendo o locador por diversas vezes cobrado uma justificativa para inadimplemento do aluguel. Em todas as oportunidades, a requerida se limitou a dizer que estava providenciando os pagamentos. Cumpre pontuar que o autor acreditou na boa-fé da requerida e acabou permitindo que a locatária permanecesse no imóvel até que encontrasse outro para morar – o que aconteceu apenas no mês de XXXXX de 2023.</p><p>Contudo, a espera se estendeu por tempo superior ao estimado pelo requerente, considerando que a ré apresentava constantes desculpas e alegava não encontrar um imóvel dentro de suas exigências de conforto.</p><p>Em fevereiro de 2023 o requerente solicitou a desocupação do imóvel no prazo de 30 dias, pois a privação da renda decorrente dos aluguéis estaria comprometendo o sustento de sua família. Releva esclarecer que o autor pagava o aluguel do imóvel aonde reside com o valor proveniente da locação do imóvel objeto da presente. Não fosse o bastante, a ré não arcava com o valor integral acordado desde o mês de dezembro de 2022.</p><p>Assim, a parte requerida encontra-se inadimplente até a presente data. O débito referente aos alugueis assoma o valor de R$ 3.257,65 (três mil, duzentos e cinquenta e sete reais e sessenta e cinco centavos), devidamente atualizado e corrigido com juros legais, conforme tabela abaixo discriminada:</p><p>PERÍODO</p><p>ALUGUEL</p><p>ENERGIA</p><p>DÉBITO TOTAL</p><p>Dezembro/2022</p><p>R$ 100,00</p><p>R$140,93</p><p>R$ 240,93</p><p>Janeiro/2023</p><p>R$ 700,00</p><p>R$ 46,64</p><p>R$746,64</p><p>Fevereiro/2023</p><p>R$ 900,00</p><p>R$ 228,47</p><p>R$ 1.128,47</p><p>Março/2023</p><p>R$ 900,00</p><p>156,69</p><p>R$1.056,69</p><p>Total do débito: R$ 3.172,73</p><p>DÉBITO ATUALIZADO CONFORME PLANILHA ANEXA = R$ 3.257,65</p><p>Releva esclarecer que o requerente se comprometeu a fornecer conexão com internet à locatária mediante o pagamento do aluguel, razão pela qual o serviço ficou suspenso pelo inadimplemento dos meses mencionados anteriormente.</p><p>Além disso, temendo a inscrição do nome de sua companheira (até então, titular na fatura de energia elétrica) nos cadastros de inadimplentes, o autor alterou a titularidade para seu nome, bem como realizou o pagamento das faturas em aberto (caracterizando danos emergentes).</p><p>Não fosse o bastante, o perfil da requerida na rede social Instagram revela que a mesma é conhecedora da matéria, vez que se apresenta como pós graduanda em Direito Imobiliário e especialista em imóveis de Alto Padrão no litoral Brasileiro, inclusive com a realização de consultorias e Workshops. Tais informações revelam a inegável má-fé e demonstram que a requerida dispunha de condições para arcar com as prestações acordadas.</p><p>Por fim, o link abaixo contém áudios que comprovam a existência da relação jurídica de locação celebrada, bem como as diversas tentativas de contato do autor para tentar solucionar consensualmente o conflito:</p><p>https://drive.google.com/drive/folders/1meQ0iN0Hdq9aqtF6rDUMhVLtQv6pM1gE?usp=drive_link</p><p>Em conclusão, considerando frustrada a autocomposição, não restou alternativa ao autor se não a propositura da presente ação.</p><p>III – DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS</p><p>a) DO DIREITO AO RECEBIMENTO DOS ALUGUÉIS E DÍVIDAS PESSOAIS DE CONSUMO – DANOS EMERGENTES E LUCROS CESSANTES:</p><p>A Lei n. 8.245/1991 prevê em seu Art. 23, I, como dever do locatário o pagamento pontual dos aluguéis. Ademais, o inciso VIII do mesmo artigo dispõe sobre o pagamento das despesas próprias do imóvel, como água, esgoto, luz e gás, tudo nos seguintes termos:</p><p>Art. 23. O Locatário é obrigado a:</p><p>I – pagar pontualmente o aluguel e os encargos da locação, legal ou contratualmente exigíveis, no prazo estipulado ou, em sua falta, até o sexto dia útil do mês seguinte ao vencido, no imóvel locado, quando outro local não tiver sido indicado no contrato;</p><p>[...]</p><p>VIII - pagar as despesas de telefone e de consumo de força, luz e gás, água e esgoto;</p><p>O artigo 62, I, da referida Lei permite que, ao pedido de rescisão da locação, se cumule o pedido de cobrança dos alugueis e acessórios da locação, senão vejamos:</p><p>Art. 62. Nas ações de despejo fundadas na falta de pagamento de aluguel e acessórios da locação, de aluguel provisório, de diferenças de aluguéis, ou somente de quaisquer dos acessórios da locação, observar-se-á o seguinte:</p><p>I – o pedido de rescisão da locação poderá ser cumulado com o pedido de cobrança dos aluguéis e acessórios da locação; nesta hipótese, citar-se-á o locatário para responder ao pedido de rescisão e o locatário e os fiadores para responderem ao pedido de cobrança, devendo ser apresentado, com a inicial, cálculo discriminado do valor do débito; (Redação dada pela Lei nº 12.112, de 2009)</p><p>O contrato verbal celebrado entre as partes está devidamente demonstrado através da prova acostada à presente, assim como o inadimplemento da requerida, caracterizando os danos emergentes.</p><p>Para além do valor dos alugueis acordados, a requerida também descumpriu o dever de custear as despesas pessoais referentes ao consumo de energia elétrica, o que deve ser assomado a título de danos emergentes. Conforme faturas em anexo, os débitos perante a ENEL totalizaram o montante de R$ ________, já custeado pelo autor, o qual deverá ser integralmente ressarcido pela requerida.</p><p>No mais, o acordo celebrado entre as partes englobou a locação do imóvel até o mês de outubro de 2023. Considerando que a requerida desocupou o bem em XXXXXXX, portanto Y meses antes do término acordado, o autor vem suportando o referido prejuízo a título de lucros cessantes. Tal situação se torna ainda mais grave pelo fato de que o custeio da locação do imóvel aonde o autor reside com sua família era proveniente da locação do imóvel objeto da presente, que restou frustrada em razão do inadimplemento da demandada.</p><p>Resta então devido</p><p>o valor dos alugueis até a data do termo final avençado no contrato, considerando que o autor organizou suas economias (e o próprio custeio da locação da residência na qual reside com sua família) em torno do contrato celebrado com a requerida, que restou frustrado por conduta exclusiva desta.</p><p>b) DA CARACTERIZAÇÃO DOS DANOS MORAIS:</p><p>O dano ensejador do dever de indenizar (dano indenizável) deve importar na violação de um interesse jurídico; ser certo e determinado, vez que não se indeniza dano hipotético, improvável ou que não esteja devidamente comprovado; e, por fim, ser subsistente, ou seja, no momento em que se demanda o agressor, não deve ter ocorrido ainda a reparação.</p><p>Os danos morais correspondem às lesões a direitos da personalidade ou direitos existenciais. Segundo o Enunciado 445 do Conselho da Justiça Federal, “o dano moral indenizável não pressupõe necessariamente a verificação de sentimentos humanos desagradáveis como dor ou sofrimento”.</p><p>Em algumas hipóteses a prova do dano moral é dispensada, porque de difícil produção. Assim, embora não se indenize o dano moral incerto, se presume a sua existência em determinadas situações. Trata-se do chamado dano moral in re ipsa, que dispensa a prova em juízo por ser presumido. São exemplos a inscrição indevida em cadastro negativo (com a ressalva da existência de prévia inscrição legítima, segundo a Súmula 385 do STJ) e o uso não autorizado de imagem com fins econômicos (Súmula 403 do STJ).</p><p>O Enunciado 411 do Conselho da Justiça Federal dispõe que “o descumprimento de contrato pode gerar dano moral quando envolver valor fundamental protegido pela Constituição Federal de 1988”. No presente caso, a frustração da legítima expectativa do autor, decorrente da conduta desleal da requerida, ocasionou ofensas à integridade psíquica não apenas do demandante, como de todo o seu núcleo familiar, sobretudo diante do abalo direto ao custeio dos alugueis do imóvel no qual residem.</p><p>No mais, o valor indenizatório dos danos morais deve ser fixado judicialmente tendo por parâmetro a lógica do razoável, sendo o melhor critério para estabelecer o quantum debeatur o da proporcionalidade entre a punição e o benefício, o que desde já se requer, na forma do Art. 944 do Código Civil.</p><p>Em conclusão, deve a requerida ser condenada à indenização pelos danos morais provocados no autor, na proporção de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), montante este razoável ante as peculiaridades do caso concreto.</p><p>IV - DOS PEDIDOS</p><p>Ante o breve exposto, requer o autor:</p><p>a) A concessão dos benefícios da gratuidade de justiça, na forma dos Arts. 98 e seguintes do CPC;</p><p>b) A citação da requerida para, no prazo legal, responder os termos da presente, pena de revelia;</p><p>c) A integral procedência dos pedidos, para fins de condenar a requerida ao pagamento: 1- dos danos materiais emergentes, consistentes nos valores inadimplidos a título de aluguel, devidamente atualizados e com a incidência dos juros legais, assomando o montante de XXXXXXX; 2- dos danos materiais emergentes, consistentes nos valores decorrentes do consumo pessoal de energia elétrica, já custeados pelo autor e que deverão ser ressarcidos pela requerida, no montante de XXXXXXXXX; 3- dos lucros cessantes devidos pelo inadimplemento do prazo de vigência contratual, os quais englobam o período restante do contrato celebrado, no montante de XXXXXXXX; 4- dos danos morais ocasionados pela conduta ilícita descrita, na proporção de R$ 5.000,00 (cinco mil reais);</p><p>d) A condenação a parte ré ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios, sendo estes últimos recolhidos em favor do Centro de Estudos Jurídicos da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, indicando, desde já, os dados bancários pertinentes: Banco do Brasil, Agência 2234-9, Conta 292.014-X, 31443526/0001-70.</p><p>Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente documental superveniente, testemunhal e depoimento pessoal das partes, dando-se à presente o valor de R$3.257,65 (três mil duzentos e cinquenta e sete reais e sessenta e cinco centavos) – SOMATÓRIO DOS PEDIDOS.</p><p>Nestes termos, pede deferimento.</p><p>Arraial do Cabo, 02 de agosto de 2023.</p><p>CAROLINA DE AZEVEDO TATAGIBA LANNES</p><p>DEFENSORA PÚBLICA</p><p>MAT.: 3095505-8</p><p>1</p><p>1</p><p>image1.jpeg</p><p>image2.jpeg</p>