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PEÇA 01 - Reclamação trabalhista I 
 
AO JUÍZO DA VARA DO TRABALHO DA COMARCA DE SUZANO/SP 
 
ED SHEERAN, britânico, estado civil, metalúrgico, portador da cédula de 
identidade RG n°, inscrito no CPF/MF sob n°, portador da CTPS n°, inscrito no 
PIS n°, residente e domiciliado no endereço, Carapicuíba/SP, vem, 
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência por seu advogado que a 
esta subscreve (procuração anexa – doc. 1), com fulcro no artigo 840, §1° da 
CLT, c/c o art. 319 do CPC, propor a presente 
RECLAMAÇÃO TRABALHISTA em face de SOCIEDADE EMPRESÁRIA 
CACHOS RUIVOS S.A, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ/MF 
sob n°, sediada no endereço, Suzano/SP, pelos fatos e fundamentos que a 
seguir expõe: 
 
DOS FATOS 
 
O reclamante ED SHEERAN, foi contratado pela reclamada SOCIEDADE 
EMPRESÁRIA CACHOS RUIVOS S.A em 01/02/2020, para exercer a função 
de metalúrgico na sede da empresa, em Suzano/SP, com funções padrões da 
profissão. Recebia mensalmente, para tanto, a quantia de R$ 1.200,00 (mil e 
duzentos reais) a título de salário. 
Entretanto, o reclamante foi dispensado por justa causa em 12/07/2021, em 
virtude de um único fato isolado, por ter supostamente comparecido 
embriagado no serviço, mesmo sem qualquer desabono do empregado durante 
o contrato de trabalho. Em virtude da justa causa, recebeu apenas o saldo de 
salário a título de verba rescisória. 
Portanto, considerando os argumentos jurídicos a seguir apresentados, 
interpõe-se a presente Reclamação Trabalhista de intuito de serem satisfeitos 
todos os direitos do reclamante. 
DO DIREITO 
 
 
Inicialmente, requer-se a concessão ao reclamante dos benefícios da 
gratuidade de justiça, nos termos do artigo 5°, LXXIV, da CF, e do artigo 790, 
§4°, da CLT, pois a parte autora, o reclamante, declara que em face de sua 
atual situação econômica, encontra-se com insuficiência de recursos para 
pagar as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios no 
presente processo judicial, uma vez que não tem como arcar com qualquer 
despesa extra sem prejuízo do sustento familiar, tudo conforme declaração de 
hipossuficiência anexa (doc.02). 
DA DISPENSA POR JUSTA CAUSA 
Como podemos verificar nos relatos o reclamante, laborava suas atividades 
para a reclamada desde fevereiro de 2020, atuando como metalúrgico. Sendo 
demitido por justa causa em julho de 2022, quando percebia o salário de R$ 
1.200,00 (mil e duzentos reais). 
Ficando o reclamante perplexo com sua demissão por justa causa, pois sempre 
desempenhou suas funções diligentemente, sem jamais realizar qualquer ação 
que manchasse sua reputação ou desempenho no trabalho. 
Por mais que tenha se apresentado em estado supostamente de embriaguez, 
conforme alegado pela reclamada, não houve proporcionalidade entre o 
suposto ato faltoso e a punição, visto todo histórico profissional do reclamante. 
Portanto, a reclamada poderia aplicar uma pena mais branda, como por 
exemplo, advertência ou suspensão, privilegiando o princípio da 
proporcionalidade e da razoabilidade, caso estivesse em estado de embriaguez 
pontual. Visto que não houve prejuízo acarretado à reclamada, a pena máxima 
imposta (demissão por justa causa) é desproporcional. 
Além disso, não houve qualquer elemento probatório da suposta situação de 
embriaguez do Reclamante. Ele meramente fora chamado ao RH da 
Reclamada e ali, dispensado, com alegação de justa causa. 
Desta forma, requer que seja desconsidera a demissão realizada por justa 
causa, devendo o reclamante ter reconhecida a dispensa imotivada, ou ao 
menos reintegrado, com consequente pagamento das verbas rescisórias 
correspondentes. 
DAS VERBAS RECSISÓRIAS 
O reclamante ao ser dispensado recebeu apenas o saldo de salário referente 
a quantia de R$ 1.200,00 (mil e duzentos reais) em sua rescisão. Não sendo 
pago pela reclamada as vernas rescisórias devidas ao reclamante, devido a 
dispensa por justa causa. Desta forma, requer a condenação da reclamada ao 
pagamento das verbas trabalhistas não adimplidas e devidas ao reclamante, a 
saber: 
a) Do Aviso Prévio Indenizado. 
Tendo em vista a inexistência de justa causa para a rescisão do contrato de 
trabalho, surge para a Reclamante o direito ao Aviso Prévio indenizado, tendo 
o direito ao salário correspondente ao prazo do aviso, e garantia a integração 
desse seu tempo de serviço nos termos do artigo § 1ºdo art. 487, da CLT, c/c 
o art. 7°, XXI, da CF. 
Dessa forma, o período de aviso prévio indenizado, corresponde a mais de um 
ano de tempo de serviço (consoante art. 1, parágrafo único da Lei 12506/11) 
tem direito a 33 (trinta e três) dias referentes ao aviso prévio, inclusive para 
efeito de férias, 13° salário e FGTS acrescidos de multa de 40%. 
b) Das férias proporcionais acrescidas de 1/3. 
De acordo com o artigo 146° parágrafo único da CLT, c/c o 7°, XXVII da CF, o 
reclamante tem direito a receber as férias proporcionais acrescidas de 1/3, 
referente ao período em que trabalhou para a reclamada, incluindo o período 
do aviso prévio indenizado. 
c) Do 13° salário proporcional. 
 
Bem como, com base no artigo 3° da Lei n° 4.090/1962 c/c o artigo 7°, VIII da 
CF, o reclamante tem direito ao recebimento do 13° proporcional (7/12 avos) 
do período correspondente a 2024, considerando o período de aviso prévio 
indenizado. 
 
d) Da liberação do FGTS e multa do art. 18 da Lei nº 8.036, de 11 de 
maio de 1990. 
 
Além disso, por conta da rescisão injusta do contrato de trabalho, Vossa 
Excelência deverá condenar a reclamada ao complemento dos depósitos 
correspondentes ao valor de FGTS da rescisão trabalhista, bem como a 
reclamada, deverá ser paga uma multa de 40% sobre o valor total a ser 
depositado, referente ao tempo de serviço prestado a título de FGTS, de acordo 
com § 1º do art. 18 da lei 8036/90 c/c art. 7º, I, CF/88 e liberação para o saque 
para o reclamante do que lhe é devido. 
Ainda, vale ressaltar que quando ocorre a rescisão do contrato devem as partes 
se atentarem aos prazos determinados para pagamento e quitação das verbas 
rescisórias e demais procedimentos pertinentes, sendo este prazo 
descumprido acarretará multa a favor do empregado, conforme artigo 477 §8° 
da CLT. 
 
E) Liberação da Guia do Seguro Desemprego 
O benefício do seguro-desemprego é de suma importância para o trabalhador, 
que é dispensado sem a justa causa, pois garante o seu sustento e de sua 
família por um período até que este venha a ser realocado no mercado de 
trabalho. Quando ocorre deste trabalhador, deixar de receber o benefício por 
culpa exclusiva do empregador, este deverá arcar com uma indenização 
substitutiva. Desta maneira, visto a injusta demissão por justa causa, não lhe 
foi entregue as guias do seguro-desemprego, o reclamante preenche todos os 
requisitos conforme artigo 3° da Lei n° 7.998/1990, ainda com fulcro no artigo 
4° §2°, I, ‘a’, da Lei n° 7.998/1990, c/c o artigo 7°, II da CF. 
DOS PEDIDOS 
Diante das considerações expostas, requer: 
a) Que seja deferido o benefício da assistência judiciária gratuita, devido à 
difícil situação econômica do Reclamante, que não possui condições de 
custear o processo, sem prejuízo próprio. 
b) Julgar ao final TOTALMENTE PROCEDENTE a presente Reclamação, 
reconhecendo a nulidade da dispensa por justa causa, a fim de retificá-
la para dispensa sem justa causa, condenando a empresa Reclamada a 
reconhecer: 
c) Dispensa sem justa causa e o pagamento de todas as verbas rescisórias 
supracitadas devidas ao reclamante, acrescido de correção monetária e 
juros moratórios, sendo elas: 
- Aviso prévio indenizado de 33 dias; 
- Férias proporcional acrescidas de 1/3; 
- 13° salário proporcional (7/12 avos); 
- FGTS sobre o aviso prévio, liberação dos valores, bem como a multa 
de 40% sobre o saldo do FGTS. 
d) Condenar a reclamada ao pagamento de multa devido ao não 
pagamento das verbas, conforme artigo467 da CLT e quanto ao atraso, 
conforme artigo 477, §, 8°, da CLT 
e) Liberação das guias de seguro-desemprego ao reclamante, ou na 
ausência o pagamento das parcelas do seguro-desemprego. 
f) Ainda como o pagamento de honorários advocatícios, sucumbência no 
importe de 15% sobre o valor da ação, conforme determina artigo 791-
A, §2°, da CLT. 
NOTIFICAÇÃO 
Por fim, requer a notificação da reclamada para que possa contestar os itens 
supracitados, sob pena de serem admitidos como verdadeiros, conforme 
súmula 74 do TST. 
Dá-se à causa o valor de R$, para efeitos fiscais. 
Nestes Termos, 
Pede deferimento 
Local, data 
Advogado, OAB n°.

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