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Instruções Prova Obje�va § Ao receber este caderno de prova, confira inicialmente se os seus dados pessoais, transcritos acima, estão corretos e coincidem com o que está registrado na sua folha de respostas. § cinquenta questões de múl�pla escolha, Verifique atentamente se este caderno de prova contém 50 ( ) com 5 (cinco) alterna�vas de resposta para cada uma, correspondentes à prova obje�va. Caso o caderno esteja incompleto ou tenha qualquer defeito, solicite ao chefe de sala que tome as medidas cabíveis, pois não serão aceitas reclamações posteriores nesse sen�do. Quando autorizado pelo chefe de sala, no momento da iden�ficação, escreva, no espaço apropriado de sua folha de respostas, com sua caligrafia usual, a seguinte frase: ‘‘A medicina é a arte de ajudar a natureza.’’ § 3 (três)Você dispõe de horas para realização da prova. Na duração da prova, está incluído o tempo des�nado à entrega do material, à iden�ficação – que será feita no decorrer da prova – e ao preenchimento da de folha respostas. § Deixe sobre a carteira apenas o documento de iden�dade e a caneta esferográfica de �nta azul ou preta. § É proibido fazer anotações de informações rela�vas às suas respostas no comprovante de inscrição e(ou) em qualquer outro meio, que não os permi�dos. § Somente após decorridas 2 (duas) horas e 15 (quinze) minutos do início da prova, você poderá re�rar-se da sala, levando consigo apenas o material fornecido para conferência do gabarito da prova. § Ao terminar a prova, chame o chefe de sala, devolva-lhe seu caderno de prova e sua folha de respostas devidamente assinada e deixe o local de prova. § Não se comunique com outros candidatos nem se levante sem a autorização do chefe de sala. § A desobediência a qualquer uma das determinações constantes em edital, no presente caderno ou na folha de respostas poderá implicar a anulação da sua prova. MÉDICOS RESIDENTES 2018 PROGRAMAS COM PRÉ-REQUISITO EM CIRURGIA GERAL SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO – ISCMSP INFORMAÇÕES: § 20/11/2017, a par�r das 22 horas – Divulgação do gabarito preliminar e do caderno da prova obje�va. § Não serão conhecidos os recursos em desacordo com o estabelecido em edital norma�vo. § É permi�da a reprodução deste material apenas para fins didá�cos, desde que citada a fonte. SANTA CASA DE SÃO PAULO Aplicação: 2017 ISCMSP/2017 1 CIRURGIA GERAL QUESTÃO 1 Uma paciente de 52 anos de idade, com dor epigástrica em pontada há três meses, além de desconforto pós-prandial, fez endoscopia digestiva alta, que mostrou úlcera gástrica de 2,5 cm na parede posterior de corpo médio do estômago. Foi realizada biópsia cujo diagnóstico mostrou processo inflamatório crônico. O teste da Urease veio positivo. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada. (A) gastrectomia subtotal (B) gastrectomia total com linfadenectomia a DII (C) repetir a endoscopia dois meses após o tratamento com omeprazol 40 mg/dia por seis semanas e tratamento do H. pylori por sete dias (D) tratamento com omeprazol 40 mg/dia por doze semanas seguido de tratamento do H. pylori por sete dias e observação clínica dos sintomas (E) tratamento do H. pylori por catorze dias seguido de tratamento com omeprazol 20 mg/dia por mais quatro semanas QUESTÃO 2 Uma paciente de 23 anos de idade relata apresentar, há um ano, pirose, rouquidão e tosse seca. Já realizou dois exames de endoscopia com resultados normais durante esse ano. Nega uso de medicamentos recentemente. Considerando-se essa situação hipotética, é correto afirmar que a melhor conduta seja (A) realizar tomografia de abdome superior para pesquisar alterações hepatobiliares. (B) repetir a endoscopia digestiva, mas dessa vez com biópsia de esôfago distal. (C) encaminhá-la ao otorrinolaringologista para investigação de afecções laríngeas. (D) prescrever omeprazol 40 mg em jejum por dois meses e realizar reavaliação clínica. (E) pesquisar H. pylori por meio de teste respiratório. QUESTÃO 3 Um paciente de 52 anos de idade, relatando pirose, há quatro meses, que piora com a ingesta de gorduras, frituras e leite, procurou atendimento ambulatorial pela primeira vez. O quadro se repetiu diariamente neste período. Relata, também, apresentar dor retroesternal e disfagia há quinze dias. Apresenta índice de massa corpórea de 38. Nega alterações de peso nesse período e episódios prévios semelhantes. Nesse caso hipotético, a melhor conduta para o paciente será (A) endoscopia digestiva alta. (B) cirurgia de Nissen. (C) pHmetria esofágica. (D) manometria esofágica. (E) introdução de omeprazol 20 mg durante oito semanas. QUESTÃO 4 Um paciente de 68 anos de idade, com dor abdominal pós-prandial há três meses, além de perda de 7 kg neste período, realizou endoscopia digestiva alta, que mostrou lesão ulceroinfiltrativa de 3,7 cm em antro. A biópsia realizada mostrou diagnóstico de adenocarcinoma gástrico. O estadiamento pré-operatório mostrou estádio II. Nessa situação hipotética, a melhor conduta para o paciente será (A) quimioterapia exclusiva. (B) gastrectomia total com linfadenectomia. (C) radioterapia exclusiva. (D) radioterapia com quimioterapia. (E) gastrectomia subtotal com linfadenectomia. QUESTÃO 5 Um paciente de 45 anos de idade relata disfagia há cinco anos, que melhora com a ingestão de líquidos. Refere, ainda, piora progressiva neste período, além de emagrecimento de 3 kg. Realizou estudo contrastado do esôfago, que mostrou diâmetro de 6,5 cm. A manometria esofágica mostrou pressão de corpo de 17 mmHg. Nesse caso hipotético, a conduta mais efetiva a ser tomada para a resolução do quadro será (A) bloqueador de canal de cálcio. (B) esofagectomia total. (C) dilatação endoscópica. (D) cardiomiotomia de Heller. (E) cirurgia de Nissen. SANTA CASA DE SÃO PAULO Aplicação: 2017 ISCMSP/2017 2 QUESTÃO 6 Uma paciente de 34 anos de idade procurou o ambulatório com queixa de dor em hipocôndrio direito após ingerir alimentos gordurosos, frituras e ovos. Relatou alguns episódios de colúria e acolia, acompanhando as crises mais intensas. Ao exame físico, encontrava-se em bom estado geral, anictérica e com abdome plano, flácido e indolor à palpação. Levou consigo exames laboratoriais que mostravam bilirrubinas totais de 0,7 (normal até 1) e Gama GT de 756 U/L (normal até 115) e ultrassom que revelava múltiplos cálculos na vesícula biliar de diversos tamanhos, com vias biliares normais. Nessa situação hipotética, a melhor programação para a paciente será (A) colangiopancreatografia retrógrada endoscópica. (B) colecistectomia videolaparoscópica. (C) colecistectomia aberta com coledocotomia. (D) ecoendoscopia de vias biliares. (E) colangiografia transparieto-hepática. QUESTÃO 7 Um paciente de 85 anos de idade relatou apresentar disfagia, regurgitação e halitose há cinco anos e ter tido uma piora lenta do quadro. Negou emagrecimento. É hipertenso controlado e teve três internações devido à pneumonia no último ano. Considerando essa situação hipotética, assinale a alternativa correta. (A) Trata-se de um doente com megaesôfago que precisa de uma endoscopia para comprovar seu diagnóstico e decidir entre tratamento clínico ou cirúrgico. (B) O diagnóstico mais provável é de câncer de esôfago e a esofagectomia está indicada o mais cedo possível para evitar a progressão da doença. (C) O caso é característico de doença do refluxo gastresofágico e a manometria é o exame que tem a maior capacidade de comprovar o diagnóstico e definir a conduta. (D) Espasmo esofágico difuso é o provável diagnóstico e a pHmetria pode confirmá-lo e definir a conduta. (E) A principal hipótese diagnóstica é de divertículo deZenker e um estudo contrastado comprovaria sua presença e auxiliaria na definição entre tratamento endoscópico ou cirúrgico. QUESTÃO 8 Um paciente de 47 anos de idade, etilista, procurou o ambulatório com queixa de dor abdominal de forte intensidade, irradiada para o dorso e acompanhada de vômitos, há um dia. Relatou não ter tido episódios prévios semelhantes e realizou exames que mostraram: AST de 87 U/L (nL até 40); ALT de 82 U/L (nL até 40); amilase de 1.245 U/L (nL até 110); fosfatase alcalina de 450 U/L (nL até 250); gama GT de 283 U/L (nL até 65); e bilirrubinas totais de 0,9 U/L (nL até 1). Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o passo seguinte após a melhora do surto. (A) derivação pancreatojejunal (B) pancreatectomia cefálica (C) realização de ultrassom de abdome para avaliação da vesícula biliar (D) biópsia hepática e pancreática guiadas por tomografia (E) realização de colangiopancreatografia retrógrada endoscópica QUESTÃO 9 Uma paciente de 59 anos de idade, assintomática, sem antecedentes familiares, procurou o ambulatório com o resultado de uma colonoscopia de rotina, que mostrava vários divertículos no cólon descendente e sigmoide, além de dois pólipos de 0,5 e 0,7 cm no cólon ascendente, que foram ressecados e cujo anatomopatológico revelava adenoma tubular. Nega antecedentes familiares de doenças intestinais. Considerando essa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta para a paciente de acordo com os principais guidelines. (A) realização de colonoscopia em três anos (B) sigmoidectomia para reduzir as chances de complicações (C) colonoscopia anual (D) colectomia total (E) pesquisa de sangue oculto nas fezes a cada seis meses SANTA CASA DE SÃO PAULO Aplicação: 2017 ISCMSP/2017 3 QUESTÃO 10 Uma paciente de 26 anos de idade procurou o consultório com queixa de epigastralgia em peso, cansaço e fraqueza há três meses. Realizou endoscopia digestiva alta, que mostrou gastrite atrófica. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta quanto à importância do achado. (A) A deficiência de vitamina B12 é um achado comumente encontrado. (B) Não está associado com o H. pylori. (C) A presença de anemia hemolítica é frequente. (D) É uma indicação de gastrectomia parcial. (E) Indica o uso excessivo de inibidor de bomba de prótons. QUESTÃO 11 Uma paciente de 67 anos de idade procurou um consultório médico com queixa de alteração do ritmo intestinal há seis meses, caracterizada por diarreia. Ao exame físico, encontrava-se descorada ++/4+. Exame físico abdominal não apresentou alterações. Levou o resultado de um ultrassom de abdome, que mostrava quatro imagens nodulares arredondadas no fígado, de aproximadamente 2 a 3 cm cada, nos segmentos V, VII e VIII. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta. (A) A paciente não tem queixas relacionadas ao fígado e, por isso, deve-se pensar em hemangiomas hepáticos, com realização de novo ultrassom em seis meses. (B) Trata-se de um caso de lesões metastáticas hepáticas, sendo mandatória a realização de colonoscopia. (C) O caso sugere um hepatocarcinoma hepático, uma vez que a paciente possui várias lesões no fígado, devendo ser indicada a hepatectomia direita. (D) Uma tomografia de abdome deve confirmar a presença de hemangiomas, com indicação de nodulectomia videolaparoscópica. (E) As características epidemiológicas e clínicas sugerem a presença de glucagonoma, devendo ser realizada a ressecção com ultrassom intraoperatório para identificar outras lesões. QUESTÃO 12 Uma paciente de 25 anos de idade apresenta quadro de dor abdominal há oito meses. Procurou serviço médico e realizou um ultrassom de abdome, que mostrou cálculos na vesícula. Foi submetida à colecistectomia sem intercorrências. Após oito meses, voltou ao serviço com icterícia, colúria e acolia, que se iniciaram há duas semanas, e realizou outro ultrassom de abdome, que mostrou dilatação de vias biliares intra e extra-hepáticas, com presença de imagem arredondada no interior do colédoco distal. Nesse caso hipotético, o diagnóstico e a conduta mais adequados são, respectivamente, (A) lesão iatrogênica de vias biliares e drenagem transparieto-hepática. (B) coledocolitíase residual e laparotomia exploradora com coledocotomia. (C) tumor de colédoco distal e colangiopancreatografia retrógrada endoscópica. (D) lesão iatrogênica de vias biliares e ácido ursodeoxicólico. (E) coledocolitíase residual e colangiopancreatografia retrógrada endoscópica. QUESTÃO 13 Uma paciente de 32 anos de idade relata apresentar dor e empachamento pós-prandial há três meses, com dificuldade para se alimentar. Há oito meses, esteve internada no pronto-socorro por quinze dias devido à pancreatite aguda biliar, tendo feito tomografia, que mostrou Balthazar B, sem outras alterações no pâncreas, e sido submetida à colecistectomia. Levou consigo uma ressonância magnética de abdome realizada há duas semanas, que mostrava uma lesão cística no corpo pancreático de 6 cm x 7 cm, sem septações ou outras alterações pancreáticas. Considerando essa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a melhor maneira de conduzir o caso. (A) ressecção videolaparoscópica do cisto (B) derivação endoscópica para o estômago (C) drenagem por meio de pancreatografia endoscópica (D) pancreatectomia corporocaudal (E) punção e esvaziamento da lesão cística guiada por tomografia SANTA CASA DE SÃO PAULO Aplicação: 2017 ISCMSP/2017 4 QUESTÃO 14 Uma paciente de 33 anos de idade apresenta nodulação anal há dois anos, com piora progressiva, caracterizada por abaulamento em região anal, redutível apenas com manobras manuais. Relata alguns episódios de sangramento e de prurido anal. Ao exame físico, estavam presentes duas nodulações amolecidas, às duas e às cinco horas, de 3 cm cada. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta. (A) O diagnóstico mais provável é de condiloma anal e uma biópsia está indicada. (B) Trata-se de doença hemorroidária com indicação de hemorroidectomia. (C) Lesões adenomatosas são a principal hipótese e sua ressecção está indicada. (D) O diagnóstico é de hemorroidas grau II e o tratamento com crioterapia mostra os melhores resultados. (E) Abscessos anais devem ser considerados como possibilidades e a drenagem cirúrgica está indicada. QUESTÃO 15 Um paciente de 65 anos de idade procurou o pronto-socorro no último ano por dez vezes para realização de lavagem intestinal devido à obstipação intestinal. Apresenta ritmo de evacuação de uma vez a cada quinze dias. Tem reação positiva de Machado-Guerreiro. Realizou eletromanometria, que mostrou ausência do reflexo inibitório anal, e estudo contrastado, que mostrou dilatação de cólon sigmoide e descendente. Nesse caso hipotético, a melhor conduta para solucionar o problema do paciente será (A) colectomia esquerda ampliada com anastomose colorretal. (B) utilização de laxantes osmóticos com frequência regular. (C) cirurgia de Hartmann. (D) sigmoidectomia com anastomose primária e ileostomia em alça. (E) utilização de drogas procinéticas, como bromoprida, e orientação alimentar para aumento da ingestão de fibras. QUESTÃO 16 Um paciente de 61 anos de idade procurou o consultório médico com queixa de dor abdominal de forte intensidade há três meses, além de anorexia, astenia e prostração. Relatou ter perdido 6 kg neste período. Tem antecedente de tabagismo. Encontrava-se em regular estado geral, descorado ++/4+, anictérico e com abdome plano, flácido, pouco doloroso à calçãode epigastro e hipocôndrio direito e sem visceromegalias. Realizou tomografia computadorizada de abdome, que mostrou tumoração de 4,5 cm no processo uncinado, com envolvimento de 360 graus da artéria mesentérica superior e da veia mesentérica superior, além de duas lesões de 2 cm no lobo hepático esquerdo. Nessa situação hipotética, a conduta mais adequada será (A) gastroduodenopancreatectomia seguida de quimioterapia. (B) biópsia da lesão hepática guiada por ultrassom transparietal seguida de quimioterapia. (C) derivação biliodigestiva e gastrojejunal com radioterapia e quimioterapia. (D) radioterapia pré-operatória seguida de duodenopancreatectomia com preservação pilórica. (E) realização de colangiopancreatografia retrógrada endoscópica com passagem de prótese na via biliar. QUESTÃO 17 Uma paciente de quarenta anos de idade procurou o serviço médico devido a um achado de exame ultrassonográfico, que mostrou lesão cística de 5,5 cm na cauda pancreática. Realizou ecoendoscopia com punção, que mostrou amilase do líquido de 35 U/L (normal até 110) e CEA (antígeno carninoembriogênico) de 54 U/L (normal até 5), além de pesquisa de mucina positiva. Nesse caso hipotético, é correto afirmar que a recomendação mais adequada para a paciente seja (A) punção esvaziadora do cisto e acompanhamento com tomografia a cada seis meses. (B) derivação cistojejunal. (C) pancreatectomia corporocaudal. (D) derivação cistogástrica. (E) observação clínica e acompanhamento a cada três meses. SANTA CASA DE SÃO PAULO Aplicação: 2017 ISCMSP/2017 5 QUESTÃO 18 Um paciente de 28 anos de idade, maratonista, procurou o serviço médico devido a um abaulamento em regiões inguinais direita e esquerda que se iniciou há um ano, mas que vem aumentando progressivamente, o que foi demonstrado, ao exame físico, por meio da manobra de valsalva. Negava dor ou sinais de encarceramento. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta. (A) A herniorrafia inguinal com a técnica de Bassini é o método mais indicado atualmente para o tratamento do paciente. (B) A técnica de Lichtenstein é um método adequado para o paciente devido ao fato de não utilizar telas sintéticas que possam prejudicar sua performance como atleta. (C) A observação clínica é a orientação mais recomendada, pois o paciente se encontra assintomático. (D) A cirurgia laparoscópica com a técnica transabdominal traz vantagens principalmente relacionadas à menor dor pós-operatória e ao retorno precoce às atividades habituais. (E) A correção cirúrgica do saco herniário é o tratamento mais recomendado, sem a necessidade de se reforçar a parede posterior. QUESTÃO 19 Um paciente de cinquenta anos de idade, com queixa de dor em hipocôndrio direito há três anos, apresentou alguns episódios de icterícia, colúria e acolia. Realizou um ultrassom de abdome, que mostrou cálculo de 3 cm na vesícula, e uma colecistectomia videolaparoscópica, que mostrou Mirizzi grau III. Nessa situação hipotética, a melhor conduta intraoperatória para o paciente será (A) colecistectomia clássica e observação pós-operatória da evolução. (B) realização de colecistectomia parcial, deixando o leito hepático da vesícula intacto. (C) colecistostomia e melhor estudo do caso com ressonância no pós-operatório. (D) colecistectomia com derivação hepaticojejunal. (E) finalização da colecistectomia e realização de colangiopancreatografia retrógrada endoscópica no pós-operatório. QUESTÃO 20 Um paciente de 75 anos de idade, com antecedente de laparotomia há vinte anos devido a quadro de obstrução intestinal, evoluiu com hérnia incisional volumosa, com perda de domicílio, e procurou o consultório médico para uma solução, pois tem tido aumento progressivo. Relata ser diabético há dez anos, com controle adequado. Ao exame físico, apresentava-se em BEG, corado, hidratado, com índice de massa corpórea de 29 e com abdome mostrando volumosa hérnia de 30 cm de colo devido a uma cicatriz mediana supra e infraumbilical. Considerando essa situação hipotética, assinale a alternativa correta. (A) O procedimento cirúrgico deve ser evitado devido ao alto índice de complicações. (B) A ressecção do cólon direito é fundamental para o tratamento da hérnia. (C) O tratamento laparoscópico da hérnia tem vantagens nítidas sobre o método aberto, principalmente com relação à parte estética a longo prazo. (D) A redução intraoperatória da hérnia e a colocação de uma tela intraperitoneal constituem o método mais efetivo para seu tratamento. (E) A cirurgia aberta, com separação de componentes da parede abdominal e colocação de tela, é o procedimento padrão para a situação clínica do paciente. QUESTÃO 21 Um paciente de 47 anos de idade foi submetido à gastrectomia parcial com reconstrução à Billroth II e colocação de drenagem fechada junto ao coto duodenal. A cirurgia não apresentou intercorrências. Encontra-se no segundo dia pós-operatório com febre de 38,4 ºC, em regular estado geral, descorado +/4+, com abdome plano, flácido, pouco doloroso à palpação junto à incisão cirúrgica mediana, e com dreno apresentando débito de 40 mL e aspecto sero-hemático nas últimas 24 horas. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, o provável foco da febre e a conduta a ser realizada. (A) infecção da ferida operatória e ultrassom de parede abdominal (B) coleção intra-abdominal e tomografia de abdome total (C) deiscência da gastroenteroanastomose e laparotomia exploradora (D) pneumonia e fisioterapia respiratória e antibióticos (E) reação inflamatória ao trauma cirúrgico e anti-inflamatórios não esteroidais SANTA CASA DE SÃO PAULO Aplicação: 2017 ISCMSP/2017 6 QUESTÃO 22 Um paciente de 31 anos de idade relata apresentar pirose acompanhada de regurgitação há três anos. Faz uso de esomeprazol 40 mg com melhora dos sintomas, que voltam a piorar de dois a três dias após a suspensão do medicamento. Realizou endoscopia digestiva alta, que mostrou esofagite erosiva distal Los Angeles A. Fez ainda pHmetria, que mostrou DeMeester 18 (normal até 14), e manometria com hipotonia de esfíncter esofágico inferior. Considerando essa situação hipotética, assinale a alternativa correta. (A) O uso de esomeprazol deverá ser reduzido para 20 mg/dia, mesmo que o paciente volte a apresentar os sintomas, devido ao tempo prolongado de uso do inibidor de bomba de prótons. (B) O tratamento cirúrgico por meio do procedimento de Nissen laparoscópico está indicado para a resolução definitiva dos sintomas. (C) A troca do inibidor de bomba de prótons pode ser útil para a redução dos efeitos colaterais. (D) O tratamento cirúrgico deverá ser indicado apenas na presença de esôfago de Barrett. (E) O tratamento clínico deverá ser priorizado, deixando o tratamento cirúrgico para os casos que não respondam ao tratamento medicamentoso. QUESTÃO 23 Uma paciente de 22 anos de idade, que se encontra no décimo dia pós-operatório de gastroplastia redutora, procurou o consultório de seu médico, queixando-se de mal-estar e cansaço há dois dias. Ao exame, encontrava-se descorada +/4+, desidratada +/4+, com pulso de 120 bpm, PA de 120 x 80 mmHg e abdome globoso, flácido e indolor à palpação profunda. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a melhor orientação para a paciente. (A) solicitação de tomografia computadorizada de abdome total e internação (B) orientação de hidratação em casa e retorno em caso de piora (C) solicitação de ultrassom de abdome total e reavaliação com o resultado do exame em três dias (D) laparotomia exploradora para reexploraçãoda cavidade (E) endoscopia digestiva alta para avaliar a região da cirurgia QUESTÃO 24 Um paciente de 55 anos de idade encontra-se estável hemodinamicamente, extubado e sem drogas vasoativas no terceiro dia pós-operatório de duodenopancreatectomia com preservação pilórica devido a adenocarcinoma de pâncreas. Considerando esse caso hipotético, assinale a alternativa correta. (A) O paciente deverá permanecer em nutrição parenteral por sete dias para reduzir o estímulo pancreático. (B) O uso de enzimas pancreáticas deverá ser iniciado precocemente devido à potencial perda da função pancreática. (C) A mobilização do leito deverá ser evitada até o quarto dia pós-operatório devido ao trauma cirúrgico significativo. (D) O uso de heparina de baixo peso molecular não está indicado devido ao alto risco de hemorragia pós-operatória. (E) A dosagem da amilase do dreno no terceiro dia auxilia no diagnóstico de fístula pancreática. QUESTÃO 25 Sete dias após uma colectomia esquerda com anastomose primária devido a uma neoplasia de cólon descendente, uma paciente de 67 anos de idade apresenta febre e dor abdominal há um dia. Aceitou a dieta e teve dois episódios de evacuação líquida neste período. Encontra-se em bom estado geral, descorada +/4+, hidratada e com abdome plano, flácido e pouco doloroso à palpação profunda de fossa ilíaca esquerda. Realizou uma tomografia de abdome, que mostrou uma coleção de 3,5 x 2,5 cm na região pélvica. Apresentou hemograma com 12.000 leucócitos (normal até 10.000) e proteína c-reativa de 6,7 mg/dL (normal até 1). Nesse caso hipotético, a melhor conduta para a paciente será o(a) (A) reexploração cirúrgica para lavagem e drenagem da cavidade. (B) punção abdominal guiada por ultrassom. (C) introdução de antibióticos e a monitorização clínica e laboratorial. (D) jejum, a nutrição parenteral e a monitorização de exames laboratoriais. (E) solicitação de ressonância magnética para melhor avaliação da coleção. SANTA CASA DE SÃO PAULO Aplicação: 2017 ISCMSP/2017 7 QUESTÃO 26 Um paciente, vítima de acidente moto x carro, apresenta fratura de úmero à esquerda e lesão esplênica grau IV (classificação da AAST) com moderada quantidade de líquido periesplênico e goteira parietocólica E, sem sangramento ativo (“blush”) à TC de abdome. Está consciente, hemodinamicamente normal, referindo desconforto à palpação de hipocôndrio e flanco esquerdo, mas sem peritonite. O raio-X de tórax está normal. Foi indicada arteriografia, que não mostrou sangramento ativo, mas identificou imagens de pseudoaneurismas. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta. (A) A presença de fratura de úmero contraindica o tratamento não operatório dessa lesão esplênica. (B) Como não há “blush” à TC de abdome, não há risco de sangramento tardio da lesão esplênica em caso de tratamento não operatório. (C) Não é passível de tratamento não operatório, pois a lesão esplênica é grau IV. (D) A presença de dor à palpação do abdome contraindica o tratamento não operatório da lesão esplênica. (E) O tratamento não operatório pode ser feito, porém, em função da presença de vários pseudoaneurismas, o procedimento mais seguro seria a esplenectomia. QUESTÃO 27 Um paciente de 65 anos de idade, diabético e hipertenso, refere dor intensa em pé direito e sensação de formigamento, principalmente nos dedos, que se apresentam arroxeados (sic). Nega trauma e relata que, nos últimos meses, começou a ter dor intermitente na perna direita, principalmente no pé, à deambulação, sendo muitas vezes obrigado a parar a caminhada para aliviar a dor. Ao exame das extremidades inferiores, apresenta palidez e diminuição da perfusão em perna e principalmente em pé D, que apresenta cianose mais evidente em pododáctilos, principalmente hálux. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta. (A) A heparinização sistêmica está indicada para evitar a progressão da trombose secundária. (B) O quadro sugere vasculite, pois os pododáctilos estão mais comprometidos que o restante do pé. (C) O diagnóstico etiológico do paciente não é importante, pois não muda a conduta terapêutica nessa fase. (D) A arteriografia não está indicada, pois já há cianose em hálux. (E) Estão indicados o repouso no leito, em posição de Trendelemburg, e o aquecimento direto do membro para evitar a trombose venosa profunda secundária. QUESTÃO 28 Uma paciente de 86 anos de idade encontra-se no décimo quinto dia pós-operatório de laparotomia exploradora com lise de bridas por abdome agudo obstrutivo. Evoluiu com broncopneumonia aspirativa no pós-operatório imediato, necessitando de ventilação mecânica e cuidados de terapia intensiva. Há cinco dias, foi extubada e, no momento, já está sem drogas vasoativas, afebril, recebendo dieta enteral e com hemocultura negativa, mas swab positivo para cândida. O leucograma em queda está completando catorze dias de meropenem e vancomicina. Considerando esse caso hipotético, assinale a alternativa correta. (A) O swab positivo para cândida da paciente indica tratamento com antifúngico EV, pois, mesmo clinicamente melhor, trata-se de infecção grave em superidoso. (B) Em estando a hemocultura negativa, o swab positivo só indicará tratamento com antifúngico EV caso seja repetido em 72 h e se mantenha positivo em pelo menos duas amostras. (C) O swab positivo com hemocultura negativa não indica tratamento com antifúngico EV. (D) Por se tratar de paciente superidosa já em uso de meropenem e vancomicina, não estaria indicado o tratamento com antifúngico EV, mesmo se a hemocultura viesse positiva, devido à alta toxicidade do esquema terapêutico. (E) O swab positivo para cândida com hemocultura negativa indica tratamento com antifúngico tópico pelo risco de disseminação da infecção. QUESTÃO 29 Uma paciente de 28 anos de idade foi operada com hipótese diagnóstica de apendicite aguda complicada, com peritonite e sem comorbidades, tendo como antecedente apenas uma infecção de trato urinário tratada com quinolona há vinte dias. O achado cirúrgico mostrou grande quantidade de secreção purulenta na cavidade peritoneal e apêndice cecal com necrose e perfuração, estando parcialmente bloqueado por alças de intestino delgado. Nesse caso hipotético, é correto afirmar que o achado operatório corresponda a uma peritonite (A) primária, pois não tem antecedente de cirurgia abdominal prévia. (B) não classificável, pois o quadro está mascarado devido ao uso prévio de antibiótico pela paciente. (C) primária, pois a causa da infecção está no abdome. (D) secundária, pois ocorreu como evolução da apendicite aguda. (E) terciária, pois a paciente fez uso prévio de antibiótico. SANTA CASA DE SÃO PAULO Aplicação: 2017 ISCMSP/2017 8 QUESTÃO 30 Um paciente, vítima de espancamento, encontra-se consciente, mas com hálito etílico, gemente e agitado. Apresenta ferimento cortocontuso pequeno em região frontal, hematomas em parede anterior do tórax, com dor à palpação, pequeno enfisema de TCSC na parede lateral D do tórax, MV+ bilateralmente, FR de 26 ipm, saturação de hemoglobina por oxigênio de 93% em ar ambiente e FC de 98 bpm. Raio-X de tórax mostrou hemo ou pneumotórax ausente, mediastino superior medindo 6 cm transversalmente e fraturas de três costelas à D. FAST (ultrassonografia abdominal na sala de trauma) não disponível. Os demais exames clínicos estavam normais, exceto por algumas escoriações em extremidades, sem evidência de fraturas. Nesse caso hipotético, a melhor conduta de imediato será (A) intubação orotraqueal, pois a saturação de hemoglobina por oxigênio é de 93%, sendo necessária a estabilização pneumáticadas costelas. (B) máscara de O2 com 10 L/min, analgesia e tomografia computadorizada de corpo inteiro. (C) máscara de O2 com 10 L/min e drenagem de HTD, pois o paciente tem enfisema de TCSC à palpação, seguida da realização de TC de corpo inteiro. (D) realização de TC de corpo inteiro e fixação cirúrgica das costelas para evitar a expansão da contusão pulmonar. (E) videotoracoscopia, pois o paciente tem indicação de drenagem torácica e janela pericárdica. QUESTÃO 31 Um paciente, vítima de atropelamento, encontra-se na unidade de terapia intensiva no quarto dia pós-operatório de fixação externa de fratura de bacia e passagem de medida de pressão intracraniana (PIC) por trauma cranioencefálico grave (TCE). Segue ainda sob ventilação mecânica (VM) e droga vasoativa (DVA) em baixa dose. Evoluiu com importante distensão abdominal, mesmo após a suspensão da dieta enteral. Diante do quadro, o intensivista decidiu medir a pressão intra-abdominal (PIA) do paciente. Considerando essa situação hipotética, assinale a alternativa correta. (A) A PIA aumentada poderá interferir na evolução do TCE, pois poderá causar aumento da PIC. (B) A aferição da PIA não se justifica, pois o paciente está sob ventilação mecânica. (C) A medida da PIA entre 16 e 20 mmHg em pelo menos uma aferição é suficiente para caracterizar uma síndrome compartimental abdominal (SCA) e indicar a descompressão cirúrgica do abdome. (D) A medida da PIA não poderá ser feita por meio da bexiga, pois o paciente foi submetido à fixação cirúrgica da bacia. (E) Está indicada a punção abdominal de alívio de imediato para evitar o colapso hemodinâmico do paciente. QUESTÃO 32 Um paciente de 36 anos de idade, vítima de acidente moto x carro, encontra-se consciente, gemente, taquicárdico e descorado. Ao exame, não havia evidência de TCE. Apresentava MV+ bilateralmente, abdome com dor à palpação de hipogastro, principalmente junto ao púbis, extremidades sem lesões e FAST negativo. Durante o atendimento, teve diurese espontânea, mas com hematúria. O raio-X de tórax estava normal, mas o raio-X de bacia mostrava fratura com indicação cirúrgica pela ortopedia. Após reanimação inicial, houve estabilização hemodinâmica. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta. (A) Está indicada a laparotomia exploradora antes da fixação da bacia, pois o paciente já tem sinal maior de lesão abdominal, que é a hematúria. (B) Está indicada a arteriografia renal com embolização para tratar a hematúria antes da fixação da bacia. (C) A melhor forma de investigar essa hematúria é por meio de uma uretrografia retrógada. (D) Está indicada a cistostomia suprapúbica, pois a fratura de bacia com hematúria indica lesão de bexiga. (E) Está indicada a tomografia computadorizada com urografia excretora, mesmo com FAST negativo. QUESTÃO 33 Um paciente de 23 anos de idade foi admitido no pronto-socorro com ferimento cervical em zona II à esquerda. Apresentava hematoma volumoso em região cervical, rouquidão, PA de 120 x 70 mmHG e FC de 90 bpm. A sala cirúrgica estará disponível apenas em trinta minutos. Nesse caso hipotético, a conduta que deverá ser realizada de imediato será (A) intubação orotraqueal. (B) drenagem do hematoma por punção percutânea. (C) drenagem cirúrgica do hematoma por incisão local na sala de trauma. (D) reposição rápida de 2 L de Ringer-lactato aquecido. (E) cricotiroidostomia devido ao risco de aspiração. QUESTÃO 34 A respeito de tórax flácido, assinale a alternativa correta. (A) A drenagem de tórax é mandatória em pacientes com tórax flácido que necessitem de ventilação mecânica. (B) A intubação orotraqueal precoce está indicada, pois a estabilização pneumática melhora o prognóstico da contusão pulmonar. (C) Atualmente a fixação cirúrgica das costelas tem sido indicada precocemente, de forma sistemática, para evitar a progressão da contusão pulmonar. (D) O grau de hipóxia está intimamente relacionado à extensão da contusão pulmonar. (E) Em pacientes que necessitem de ventilação mecânica, deve ser evitada a técnica de ventilação conhecida como recrutamento alveolar devido ao risco de piorar a relação ventilação/perfusão desses pacientes. SANTA CASA DE SÃO PAULO Aplicação: 2017 ISCMSP/2017 9 QUESTÃO 35 Um paciente de 68 anos de idade foi submetido a uma cistostomia de urgência por quadro de retenção urinária com bexigoma após várias tentativas de sondagem vesical sem sucesso, inclusive com a utilização de fio-guia metálico. Apresentou saída de aproximadamente 1 L de urina, mas passou a referir desconforto em região anal. Foi realizado toque retal com identificação de uma lesão de 2 cm na parede anterior do reto a 5 cm da borda anal, fezes e um pouco de sangue. Ao exame físico, não apresentava dor abdominal ou outras alterações. Foi iniciada antibioticoterapia. Nesse caso hipotético, a melhor conduta para o paciente será (A) manter a cistostomia e fazer a sutura do reto via anal, a drenagem pré-sacral e uma colostomia em alça. (B) manter a cistostomia, lavar o reto distal e suturar a lesão retal via anal. (C) manter a cistostomia, suturar a lesão do reto via anal, lavar o reto distal e fazer uma drenagem pré-sacral. (D) fazer laparotomia exploradora para suturar a bexiga, manter a cistostomia de proteção e lavar e suturar o reto via anal. (E) manter a cistostomia e fazer a lavagem do reto distal e a drenagem pré-sacral. QUESTÃO 36 Um paciente, vítima de acidente de carro x anteparo, apresenta fratura de duas costelas, sem hemo ou pneumotórax, e alargamento de mediastino ao raio-X, sem evidência de lesão abdominal, mas com traço simples de fratura de tíbia direita. Hemodinamicamente normal. Realizou angiotomografia de tórax, que revelou lesão de aorta grau II a 3 cm da emergência da artéria subclávia. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta. (A) O reparo cirúrgico ou endovascular dessa lesão é mandatório, considerando-se o grau da lesão, mesmo em paciente hemodinamicamente normal. (B) Essa lesão pode ser tratada por reparo endovascular, não estando indicada a anticoagulação com heparina ou o uso de antiagregantes plaquetários no seguimento ambulatorial. (C) Caso seja feito reparo endovascular por meio da colocação de uma endoprótese, estará indicada a anticoagulação com heparina nas primeiras três semanas para evitar trombose secundária. (D) O uso de antiagregante plaquetário após o reparo endovascular da lesão deve ser mantido por aproximadamente seis meses, até a realização de exame de controle. (E) A localização dessa lesão não é anatomicamente favorável ao reparo endovascular se comparada às lesões de aorta ascendente e arco aórtico. QUESTÃO 37 Um paciente de 28 anos de idade refere dor anal de forte intensidade há três dias, com piora há um dia. Refere medo de evacuar devido à dor. Foi impossível o toque retal, assim como a realização de USG endoanal, devido à intensidade da dor. Não tem sinais flogísticos à inspecção e tem discreta enduração, sem flutuação, à palpação junto ao ânus. Considerando-se essa situação hipotética, o tipo mais provável de abscesso anorretal será o (A) submucoso. (B) interesfincteriano. (C) perianal. (D) ileorretal. (E) pelvirretal. QUESTÃO 38 Um paciente de dezenove anos de idade, vítima de ferimento por arma branca paraesternal E junto ao apêndice xifoide, foi admitido no pronto-socorro. Encontrava-se obnubilado, taquipneico e taquicárdico. Apresentava ainda, ao exame, distensão das veias do pescoço e sinais de má perfusão periférica. O MV estava presente bilateralmente e não havia dor abdominal nem outras lesões. Recebeu, durante o transporte, 700 mL de cristaloide, sem melhora hemodinâmica. Nessasituação hipotética, a sequência mais adequada de atendimento para o paciente será (A) máscara de oxigênio, acesso venoso central, tipagem sanguínea, raio-X de tórax e ultrassonografia para precórdio na sala de atendimento. (B) intubação orotraqueal, acesso venoso calibroso, tipagem sanguínea, ultrassonografia para precórdio e toracotomia exploradora. (C) máscara de oxigênio, acesso venoso central, aferição da pressão venosa central (PVC), raio-X de tórax e, se houver alargamento do mediastino, janela pericárdica. (D) intubação orotraqueal, raio-X de tórax, acesso venoso calibroso, com reposição volêmica agressiva com cristaloides até estabilização, janela pericárdica subxifoidea e videolaparoscopia. (E) intubação orotraqueal, acesso venoso calibroso, tipagem sanguínea, raio-X de tórax e laparotomia exploradora com janela transdiafragmática. SANTA CASA DE SÃO PAULO Aplicação: 2017 ISCMSP/2017 10 QUESTÃO 39 No que diz respeito a ferimentos penetrantes cardíacos, assinale a alternativa correta. (A) A clássica tríade de Beck está presente em 70% dos casos. (B) Apenas 30% de todos os ferimentos cardíacos estão na zona de Ziedler. (C) De todos os ferimentos da zona de Ziedler, 30% têm lesão cardíaca, ou seja, são considerados como ferimentos cardíacos. (D) Nos ferimentos penetrantes cardíacos, o átrio direito é a câmara cardíaca mais atingida devido a sua maior exposição. (E) Se o paciente tiver ferimento na zona de Ziedler e estiver hemodinamicamente estável, então esse ferimento não lesou o coração e, portanto, não é um ferimento cardíaco. QUESTÃO 40 Uma paciente de 68 anos de idade, diabética, no décimo sexto dia pós-operatório de retossigmoidectomia à Hartmann por diverticulite Hinchey IV, encontra-se na unidade de terapia intensiva, ainda sob ventilação mecânica, em uso de meropenem e vancomicina e recebendo dieta por sonda nasoenteral. Há dois dias, voltou a apresentar picos febris, teve pequena piora do leucograma e necessitou de dose baixa de noradrenalina (menor que 2 mcg/kg/min). Apresenta hemocultura positiva para Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC). Considerando-se essa situação hipotética, é correto afirmar que a conduta adequada para a paciente seja (A) acrescentar polimixina B e realizar tomografia computadorizada de abdome e pelve para avaliar possíveis coleções. (B) trocar o meropenem por piperacilina-tazobactama (tazocin) e realizar tomografia computadorizada de abdome e pelve para avaliar possíveis coleções. (C) acrescentar antifúngico, desconsiderar o resultado da hemocultura, pois a amostra está contaminada, e fazer ultrassonografia abdominal total para avaliar possíveis coleções. (D) manter o esquema antimicrobiano e fazer ultrassonografia abdominal total para avaliar possíveis coleções. (E) indicar reoperação de imediato para lavagem da cavidade abdominal. QUESTÃO 41 Um paciente psiquiátrico ingeriu vários objetos perfurocortantes, sendo encaminhado ao pronto-socorro. Na admissão, estava normocárdico, eupneico e sem dor à palpação do abdome, que estava flácido e sem peritonite. Raio-X de abdome mostrou imagens sugestivas de um clipe metálico em topografia de íleo terminal, uma pilha aparentemente em topografia de cólon transverso e uma moeda em projeção de fossa ilíaca esquerda. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta. (A) A laparotomia exploradora é mandatória de imediato pelo alto risco de perfuração intestinal. (B) A ressonância nuclear magnética é mandatória para definir a posição anatômica exata desses objetos. (C) Pode ser feito um raio-X seriado para se avaliar o deslocamento e a progressão dos objetos, assim como a possibilidade de sua eliminação sem cirurgia. (D) A tomografia computadorizada não deve ser feita, pois um dos objetos é uma pilha. (E) A melhor opção é a retirada cirúrgica imediata dos objetos por videolaparoscopia. QUESTÃO 42 Um paciente, vítima de ferimento por arma branca no 4.º espaço intercostal direito na linha hemiclavicular, foi admitido no pronto-socorro. Encontrava-se agitado, taquidispneico, taquicárdico e com MV abolido em hemitórax direito, sendo submetido à drenagem intercostal fechada, com saída de grande quantidade de ar e evidente melhora clínica. O raio-X de tórax de controle mostrou pulmão direito parcialmente expandido, mas ainda com pneumotórax moderado desse lado. O paciente refere melhora e saturação de hemoglobina por oxigênio de 94% com máscara de oxigênio, mantendo borbulhamento importante pelo dreno torácico. Nesse caso hipotético, a melhor conduta para o paciente será (A) fazer uma tomografia computadorizada de alta resolução para identificar bolhas pulmonares. (B) fazer uma toracocentese no 2.º espaço intercostal na linha hemiclavicular direita para reexpandir o ápice do pulmão. (C) fazer uma broncoscopia para mais bem avaliar a via aérea. (D) sedá-lo e intubá-lo para promover adequada reexpansão pulmonar por meio de ventilação mecânica temporária. (E) colocar um segundo dreno de tórax e conectá-lo a um sistema de alta pressão negativa a vácuo para reexpansão pulmonar. SANTA CASA DE SÃO PAULO Aplicação: 2017 ISCMSP/2017 11 QUESTÃO 43 Um paciente de 42 anos de idade, vítima de queimadura de segundo grau após explosão de um botijão de gás na cozinha, chegou ao pronto-socorro ansioso, agitado, um pouco taquicárdico, referindo muita dor e com discreta rouquidão, mas negando dificuldade respiratória. Apresentava áreas de hiperemia, edema e algumas bolhas distribuídas pela face, pelo tronco e pelos membros superiores. Tinha chamuscamento de sobrancelhas e cílios. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta. (A) Está indicada a gasometria arterial de imediato, pois a medida da PO2 arterial prevê, com segurança, a intoxicação por monóxido de carbono. (B) A ansiedade e a agitação do paciente decorrem, com certeza, de dor intensa, sendo resolvidas com analgésicos em altas doses. (C) Os métodos diagnósticos de imagem para avaliação do traumatizado não estão indicados. (D) As áreas afetadas devem ser lavadas exaustivamente com soro gelado para parar o processo de queimadura. (E) Está indicada a medida direta da carboxihemoglobina no sangue devido à possibilidade de lesão inalatória. QUESTÃO 44 Acerca da monitorização de oximetria de pulso no atendimento ao traumatizado, assinale a alternativa correta. (A) O oxímetro de pulso avalia diretamente a pressão parcial de oxigênio no sangue arterial (PaO2 ), por isso é fundamental durante o atendimento inicial. (B) A anemia não interfere nas leituras, por isso a precisão do oxímetro de pulso independe do estado hemodinâmico do paciente. (C) A oximetria de pulso não pode ser usada para avaliar os resultados das intervenções terapêuticas instituídas para melhorar a oxigenação do paciente. (D) O oxímetro de pulso mede e permite monitorar a saturação da hemoglobina por oxigênio, auxiliando no atendimento. (E) O padrão-ouro do atendimento inicial é manter a oximetria de pulso em torno de 90%. QUESTÃO 45 Um paciente, vítima de acidente de moto x carro, chegou ao pronto-socorro extremamente agitado, com hálito etílico e relato do pré-hospitalar de perda rápida de consciência no local. O atendimento inicial foi bastante difícil, pois ele não colaborava, gritando de dor na perna. Apresentava hematoma subgaleal pequeno em fronte e aumento de volume em perna direita, mas sem evidência de fratura ao exame clínico. Raio-X de tórax e bacia foram normais, sendo solicitados tomografia computadorizada e raio-X de perna para completar a investigação diagnóstica. Apesar da analgesia, o paciente mantinha-se agitado, quasecaindo da maca por duas vezes, mas respondendo quando alguém o interpelava. Nesse caso hipotético, a conduta mais adequada para o paciente será (A) manter máscara de oxigênio, fazer infusão de glicose hipertônica até controlar a agitação, que se deve a seu estado etílico, e depois levá-lo para a tomografia computadorizada. (B) fazer sedação e intubação endotraqueal de imediato para levá-lo para a tomografia computadorizada e, a seguir, submetê-lo à avaliação do neurocirurgião. (C) manter máscara de oxigênio, fazer restrição mecânica completa e aguardar a avaliação da psiquiatria, pois se trata de uma intoxicação exógena. (D) manter máscara de oxigênio, fazer um antipsicótico ou um benzodiazepínico para controlar a agitação e fazer, o quanto antes, a tomografia computadorizada, seguida do parecer do neurocirurgião. (E) manter máscara de oxigênio, sedá-lo, fazer sua imobilização completa, suspender a tomografia computadorizada, pois seu Glasgow era 14, e aguardar a avaliação da psiquiatria. QUESTÃO 46 No que se refere ao trauma fechado de pâncreas, é correto afirmar que o(a) (A) exame físico seja mais adequado que o mecanismo de trauma em caso de suspeita de lesão pancreática no trauma abdominal fechado (TAF). (B) colangiopancreatografia por ressonância nuclear magnética seja melhor que a tomografia computadorizada com contraste para avaliação do ducto pancreático no TAF. (C) amilasemia normal afaste o diagnóstico de lesão pancreática no TAF. (D) tomografia computadorizada abdominal normal afaste o diagnóstico de lesão pancreática no TAF. (E) pancreatografia (wirsungrafia) esteja indicada para todo paciente com diagnóstico de lesão pancreática por TAF. SANTA CASA DE SÃO PAULO Aplicação: 2017 ISCMSP/2017 12 QUESTÃO 47 Um paciente com trauma cranioencefálico e Glasgow 8 foi admitido no pronto-socorro e submetido à drenagem de hematoma subdural agudo. Encontra-se agora no décimo dia pós-operatório na unidade de terapia intensiva, sob ventilação mecânica, já sem droga vasoativa, mas em uso de antibioticoterapia por uma broncopneumonia aspirativa. Considerando essa situação hipotética, assinale a alternativa correta com relação aos cuidados intensivos para o paciente. (A) Por se tratar de um TCE grave, está indicado o uso de corticosteroides em altas doses para reduzir o edema cerebral. (B) A profilaxia de tromboembolismo venoso está contraindicada devido ao risco de sangramento. (C) Deve ser mantido controle glicêmico com glicemia entre 100 e 180 mg/dL. (D) O paciente deverá ser mantido com nutrição parenteral total exclusiva. (E) O paciente deverá ser mantido sob pressão expiratória final positiva (PEEP) elevada enquanto estiver no respirador. QUESTÃO 48 Com relação à utilização da ultrassonografia no atendimento e no tratamento do traumatizado, assinale a alternativa correta. (A) É um método seguro e eficaz que vem substituindo a tomografia computadorizada nos principais protocolos de tratamento não operatório de lesões abdominais. (B) O objetivo da avaliação da veia cava pela ultrassonografia (FAST) é identificar possíveis lesões que justifiquem o choque. (C) Uma das limitações do e-FAST é a impossibilidade de detectar pequenos pneumotórax. (D) O e-FAST representa uma nova modalidade de FAST, com maior poder de resolução, que visa a identificar lesões abdominais, e não apenas líquido livre na cavidade. (E) Na ultrassonografia estendida para trauma (e-FAST), a ausência de deslizamento entre as pleuras parietal e visceral é um fator preditivo da presença de pneumotórax. QUESTÃO 49 Um paciente de 52 anos de idade foi admitido no pronto-socorro com episódio de hematêmese há 3 h. Refere fazer acompanhamento ambulatorial por uma hérnia de hiato. Nega episódios anteriores. Após a estabilização clínica inicial, foi submetido à endoscopia digestiva alta, que mostrou estômago parcialmente herniado para o tórax e úlcera, com sinais de sangramento recente na câmara gástrica herniada. Considerando-se essa situação hipotética, é correto afirmar que o achado endoscópico se trate de úlcera de (A) Dieulafoy. (B) Amandy. (C) Cameron. (D) Gardner. (E) Litré. QUESTÃO 50 Uma paciente de 35 anos de idade foi admitida no pronto-socorro com quadro de abdome agudo obstrutivo baixo. Tem antecedente de neoplasia de útero (sic). Após avaliação pela equipe de cirurgia, foi indicada laparotomia exploradora. No intraoperatório, foi encontrada massa tumoral de origem uterina, sem plano de clivagem com estruturas pélvicas e invadindo o reto baixo, provocando distensão de alças a montante desse ponto. Com base nesse caso hipotético, é correto afirmar que a conduta adequada seja (A) histerectomia e amputação abdominoperineal do reto no mesmo tempo cirúrgico. (B) ressecção segmentar do reto acima do ponto de obstrução, colostomia à Hartmann, deixando a amputação do reto e a histerectomia para um segundo tempo. (C) amputação abdominoperineal do reto, deixando a massa uterina para citorredução por quimioterapia e posterior cirurgia de resgate. (D) encaminhar a paciente para a quimioterapia exclusiva, sem conduta intraoperatória, por se tratar de uma “pelve congelada”. (E) transversostomia em alça, só derivando o trânsito intestinal.