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APRENDIZAGEM E AVALIAÇÃO Lindaura Ferreira Vaz Barreto Uniube EAD Lindaura Ferreira Vaz Barreto APRENDIZAGEM E AVALIAÇÃO Catalogação elaborada pelo Setor de Referência da Biblioteca Central UNIUBE Barreto, Lindaura Ferreira Vaz. B275a Aprendizagem e Avaliação [livro eletrônico] / Lindaura Ferreira Vaz Barreto. – Uberaba: Universidade de Uberaba, 2018. 62 p. : il. color. Pró-Reitoria de Educação a Distância – Universidade de Uberaba. ISBN 978-85-7777-618-4 1. Aprendizagem. 2. Avaliação. 3. Avaliação educacional. 4. Políticas públicas. I. Universidade de Uberaba. Pró-Reitoria de Educação a Distância. II. Título. CDD 371.26 © 2018 by Universidade de Uberaba Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Universidade de Uberaba. Universidade de Uberaba Reitor Marcelo Palmério Pró-Reitor de Educação a Distância Fernando César Marra e Silva Coordenação de Pós-Graduação a Distância Renata Maria de Almeida e Borges Editoração e Arte Produção de Materiais Didáticos-Uniube Revisão ortográfica, gramatical, textual e de estilos Stela Maria Queiroz Dias Márcia Regina Pires Editoração Eletrônica Eduardo Estevam Araujo Projeto da capa Roberto Silva Araújo Assis Edição Universidade de Uberaba Av. Nenê Sabino, 1801 – Bairro Universitário Lindaura Ferreira Vaz Barreto Mestre em Educação pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Graduada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ituverava. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Políticas Públicas Educacionais, atuando principalmente na gestão e avaliação. Docente na Educação Básica e nos cursos de pós-graduação, com produção de material didático na área de avaliação educacional. Sobre a autora Sumário Capítulo 1 Aprendizagem Escolar – Sujeitos e Agentes Educacionais ...................................................................... 1 1.1 Os sujeitos do processo educacional: papel dos Supervisores no planejamento da aprendizagem para todos ...................................................................................... 3 1.2 Qual é o tempo certo para aprender nos diversos espaços? ................................ 7 1.3 O tempo de aprender na Educação Infantil ............................................................. 9 1.4 O tempo de aprender no Ensino Fundamental ..................................................... 11 1.5 O tempo de aprender no Ensino Médio ................................................................ 12 1.6 Educação Profissional e Ensino Superior ............................................................. 13 Capítulo 2 Avaliação – Revisão Conceitual - Um novo olhar ........ 17 2.1 Avaliação: fenômeno humano presente no cotidiano ........................................... 18 2.2 Conceitos de Avaliação.......................................................................................... 20 2.3 Educação Escolar e o processo avaliativo ............................................................ 21 2.4 Sentido e significado da avaliação: consensos na literatura ................................ 21 2.5 O ato de avaliar no ambiente escolar .................................................................... 23 2.6 Função da avaliação na prática educativa, nas diferentes tendências pedagógicas 26 Capítulo 3 Prática avaliativa a serviço da aprendizagem: o que, como, quando e para que se avalia? ............................. 29 3.1 Práticas avaliativas nos espaços formais de educação ........................................ 30 3.2 O que se avalia ...................................................................................................... 32 3.3 Como se avalia ...................................................................................................... 35 3.4 Quando se avalia ................................................................................................... 38 3.5 Para que se avalia ................................................................................................. 39 3.6 Avaliações: diagnóstica, formativa e somativa ...................................................... 40 3.7 Referência .............................................................................................................. 43 Capítulo 4 Políticas públicas educacionais de avaliação .............. 45 4.1 Avaliação da aprendizagem dos alunos: avaliação interna .................................. 46 4.2 Avaliação do desempenho escolar: avaliação sistêmica ou avaliação externa ... 47 4.3 Política Nacional da Avaliação Educacional .......................................................... 51 4.4 Papel do Supervisor na implementação da política ............................................ 52 4.5 Comunidade escola e implantação da política ...................................................... 54 4.6 Política Nacional de Avaliação Externa ................................................................ 57 4.7 Reflexão Final ........................................................................................................ 60 4.8 Referências ............................................................................................................ 61 Prezado(a) aluno(a). Historicamente, a prática educativa perpassa por diversos aspectos na direção do alcance dos objetivos educacionais. Para contribuir com o sucesso de todos os alunos no processo ensino e aprendizagem é imperioso que os articuladores da prática pedagógica – Supervisor/Gestor – transitem com segurança em cada aspecto, especialmente no tripé: currículo, planejamento e avaliação. Assim, com um olhar direcionado para a função social da escola, no Capítulo 1 estabelecemos uma relação de proximidade entre a avaliação na vida e na escola. O Capítulo 2 é um momento ímpar para revisitação do processo evolutivo do conceito de avaliação no âmbito escolar. No Capítulo 3, tematizamos sobre as características de uma avaliação a serviço da aprendizagem de todos os alunos, conforme definição contida nas políticas educacionais, revisitadas no Capítulo 4. Para que possamos desenvolver uma linha de pensamento coerente e coeso com o tema Avaliação, apresentamos a seguinte sequência de estudos: Capítulo 1 - Aprendizagem Escolar – Sujeitos e agentes educacionais Capítulo 2 - Avaliação – Revisão Conceitual - Um novo olhar Capítulo 3 - A prática avaliativa no cotidiano das instituições de ensino e pesquisa Capítulo 4 - Políticas Públicas Educacionais de Avaliação Desejamos que a aprendizagem ressignifique os conceitos da avaliação em sua prática de Supervisor. Estude atenciosamente o material que preparamos para você e, sempre que necessário, tire suas dúvidas no AVA. Bons estudos! Profa. Lindaura Ferreira Vaz Barreto Apresentação 1 Aprendizagem Escolar – Sujeitos e Agentes Educacionais UNIUBE 3 1.1 Os sujeitos do processo educacional: papel dos Supervisores no planejamento da aprendizagem para todos Pensar nos sujeitos do processo educacional direciona nosso olhar para o processo evolutivo da humanidade, e pode nos remeter à Declaração Universal dos Direitos do Homem, da ONU, de 1948, reconhecendo o homem como tendo direito a ter direitos. Você é um ser humano de direito! O nosso Brasil é constituído de sujeitos de direitos definidos no Art. 6º da Constituição Federal de 1988, o nosso Brasil é constituído de sujeitos com direitos: • à educação; • à saúde; • à alimentação; • aolevantados na avaliação diagnóstica. Comunidade escola e implantação da política4.3.2 UNIUBE 55 Fonte: Acervo Depositphotos/EAD Uniube. Assim Supervisor, não podemos esquecer que no chão da sala de aula de qualquer instituição de ensino existem alunos matriculados nas etapas/ anos que precisam ser avaliados. As informações obtidas na avaliação diagnóstica inicial subsidiará o professor na elaboração das atividades escolares em consonância com o Plano de Ensino e o Projeto Político Pedagógico da escola. E novamente, você, Supervisor, é o agente especial que orienta, apoia, indica correção de rumos em relação aos instrumentos da avaliação diagnóstica, análise das informações sobre os alunos e plano de aula dos professores. Para exemplificar estas ações, reportamos à realidade da maioria das instituições educacionais: as salas de aula são constituídas por alunos “dito ideais” e por alunos “reais”. O aluno “dito ideal” é aquele cujos conhecimentos correspondem ao ano de escolaridade, enquanto que o aluno “real” é aquele cujos conhecimentos correspondentes ao ano de escolaridade, ainda não foram consolidados. As informações identificadas pela avaliação diagnóstica representam o ponto de partida dos Planos de Aula do Professor comprometido com O supervisor e o professor: parceiros da política4.3.3 56 UNIUBE garantia de avanço com aprendizagem para todos os alunos. É papel do Supervisor orientar a definição do Plano de Ensino de cada professor da Escola – base para avaliação dos conhecimentos construídos pelos alunos, em relação a Educação Básica. Esteja atento durante a orientação do Plano de Aula dos professores quanto às demandas dos alunos em cada nível de ensino, considerando que: - na Educação Infantil é essencial criar situações em que o brincar, em suas diversas manifestações, seja contexto promotor do conhecimento de si, do outro e do mundo, em interações amistosas e nas quais se cultivem os cuidados consigo mesmo e com o outro, se estabeleçam atitudes de curiosidade, questionamento, investigação e encantamento. (BNC, 2015). - nos Anos iniciais do Ensino Fundamental, em continuidade à Educação Infantil, a orientação curricular para essas etapas precisa integrar as muitas áreas do conhecimento, centradas no letramento e na ação alfabetizadora. (BNC, 2015). - nos Anos Finais do Ensino Fundamental, há a inserção de novos componentes curriculares, a cargo de diversos professores, o que requer que sejam compartilhados os compromissos com o processo de letramento em suas dimensões artísticas, científicas, humanísticas, literárias e matemáticas. - no Ensino Médio, a articulação interdisciplinar é igualmente importante, no interior de cada área do conhecimento ou entre as áreas, como ao tratar questões econômicas e sociais, a obtenção e distribuição da energia ou a sustentabilidade socioambiental, envolvendo, por exemplo, história, sociologia, geografia e ciências naturais. Em relação às avaliações internas, não podemos nos esquecer da avaliação formativa que alimenta a prática educativa, pois: • traz informações que possibilitam conhecer os avanços e as dificuldades que acontecem ao longo do processo da aprendizagem; • mostra ao professor os caminhos percorridos pelo aluno e a necessidade de novas propostas de trabalho; • possibilita o uso de diversos instrumentos como provas objetivas, provas operatórias, observação e registro, autoavaliação, dentre outros. UNIUBE 57 O ciclo da avaliação interna fecha com a avaliação somativa que fornece informações sintetizadas que se destinam ao registro e à publicação do que parece ter sido assimilado pelos alunos no final de uma sequência didática, de um bimestre ou ano letivo. Ou seja, seus resultados servem para verificar, classificar, situar, informar e certificar. (CAED/2016). As ações desenvolvidas no âmbito da escola por todos agentes educacionais têm como horizonte os avanços dos alunos com a aprendizagem e as avaliações externas cumprem o papel de aferir o desempenho geral da escola. Também denominadas diagnósticas, as avaliações externas, alocadas no contexto das avaliações somativas, têm como foco a escola, sendo sua unidade de medida o desempenho dos alunos, geralmente em Língua Portuguesa e Matemática. Essas avaliações são aplicadas de forma padronizada por meio de instrumentos de coleta de dados – cognitivos e contextuais. Os instrumentos cognitivos, utilizados nas avaliações externas, são testes de conteúdos específicos, também chamados de testes de proficiência que verificam o desempenho dos alunos em processos de ensino e aprendizagem. Esses testes são construídos a partir de Matrizes de Referência, isto é, um conjunto de descritores representativos de um recorte das propostas curriculares dos sistemas de ensino, bem como uma amostra do que é contemplado nos currículos vigentes no país. Política Nacional de Avaliação Externa 4.4 Matrizes de referência4.4.1 58 UNIUBE As Matrizes de Referência trazem no bojo o que é avaliado em cada área do conhecimento e etapa de escolaridade, informando as competências e habilidades esperadas, em diversos níveis de complexidade. Para o exercício do cargo de Supervisor/Gestor em instituições de ensino e pesquisa, é importante o conhecimento das demais Matrizes de Referência das avaliações externas nacionais disponíveis site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP. A partir das Matrizes de Referência, compostas pelos descritores que descrevem cada uma das habilidades passíveis de aferição, são elaborados os testes que trazem wos itens compostos pelo enunciado, suporte, comando e alternativas de respostas. Fonte: http://www.simave.caedufjf.net/proeb/colecao/contextual-2015/ Teste de Proficiência e questionários contextuais4.4.2 http://portal.inep.gov.br/educacao-basica/saeb/matrizes-e-escalas http://portal.inep.gov.br/educacao-basica/saeb/matrizes-e-escalas UNIUBE 59 A Revista Contextual produzida pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação – CAED é um exemplo de análise dos dados levantados a partir de questionários contextuais. Em suma, os fatores associados ao desempenho escolar devem ser compreendidos para a escola estabelecer ações e políticas pedagógicas mais precisas para alcançar o sucesso escolar. Portanto, o envolvimento da comunidade escolar no processo é imprescindível, bem como as ações necessárias para um clima organizacional adequado durante a aplicação das avaliações – funções do Supervisor. Para conhecer essa Revista, acesse o endereço: http://www.seape. caedufjf.net/revista-contextual/ De acordo com Gatti (2009) o impacto dessas avaliações começa a ser sentido na educação básica como estímulos à mudança em processos educacionais, e, não como punição. Podemos exemplificar essa afirmação com a iniciativa o INEP de criar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) impacto da Prova Brasil na educação pública. O IDEB é um índice nacional aplicável a cada turma do 5º e do 9º ano de cada escola pública e de cada município brasileiro. O objetivo do IDEB é afinar a percepção do nosso desenvolvimento educacional e inclusive subsidiar a formulação de políticas públicas e estratégias pedagógicas mais eficazes e equitativas no Brasil. O IDEB representa a combinação do fluxo (taxa média de aprovação – Censo Escolar) e desempenho dos alunos (pontuação média na PROVA Brasil). O sistema ideal de educação deve combinar a universalidade Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB4.4.3 http://www.seape.caedufjf.net/revista-contextual/ http://www.seape.caedufjf.net/revista-contextual/ 60 UNIUBE do acesso, um alto grau de aprendizado e um fluxo normal, sem altos índices de repetência e abandono. Neste cenário, o IDEB permite o monitoramento do sistema de ensino no Brasil na perspectiva do cumprimento das metas pactuadas no Termo de Adesão ao Compromisso Todos pela Educação/Plano deDesenvolvimento da Educação – do patamar de 3,8 (2005) para 6,0 em 2022. Reflexão Final4.5 Nesses quatro capítulos, fomos compreendendo que o direito social à educação para todos tem uma relação direta com a função social da escola: alunos aprendendo no ano correspondente à sua escolaridade. Ficou evidenciado que o aluno é o centro do processo de ensino e de aprendizagem e que o articulador desse processo é o supervisor, alicerçado no saber teórico e prático. Revisitamos o fazer do supervisor por meio do recorte na prática educativa do tripé que a sustenta: avaliação/ currículo/ planejamento. De forma dialogada, identificamos as práticas avaliativas no interior das escolas e a avaliação externa do desempenho das instituições, sempre na perspectiva de localizar necessidades para intervenção na direção do sucesso do aluno. Por fim, podemos concluir que a educação se desenvolve em diversos espaços sociais, entretanto, é na escola que ocorre a aprendizagem formal dos alunos em um processo dialógico entre os saberes construídos e as demandas de aprendizagem de cada um, identificadas pela avaliação, cujas informações alimentam o planejamento da prática docente que operacionaliza o desenvolvimento do currículo na promoção da aprendizagem. Nossa expectativa é de ter despertado em você o desejo de aprender a aprender sempre mais sobre a educação. UNIUBE 61 BRASIL, Base Nacional Comum - BNC. Disponível em: . Acesso em: 24 dez. 2015. BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica / Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013. BRASIL. INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira. Disponível em: . Acesso em: 24 jan. 2017. BRASIL. INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira. IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Disponível em: . Acesso em: 24 jan. 2017. BRASIL. Lei 9394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, 20 de dezembro de 1996. Disponível em . Acesso em: 22 jul. 2016. BRASIL. Constituição Federal (1988) . Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Emendas e Atos. Disponível em:. Acesso em: 22 jul. 2016. Brasil. Ministério da Educação. PDE: Plano de Desenvolvimento da Educação : SAEB : ensino médio: matrizes de referência, tópicos e descritores. Brasília: MEC, SEB; Inep, 2008. CAED - Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação. Disponível em: . Acesso em: 22 jul. 2016. CONDÉ, E.S. Abrindo a Caixa – Elementos para melhor compreender a análise das Políticas Públicas, 2011. Material de Apoio da Disciplina Temas de Reforma da Educação II. Plataforma do Mestrado Profissional em Gestão e Avaliação da Educação Pública. Disponível em: . Acesso em: 21 ago. 2016. GANDIN, Danilo. Projeto Político Pedagógico. 2015. Disponível em: . Acesso em: 24 jan. 2017. GATTI, Bernadete A. Avaliação de sistemas educacionais no Brasil. SÍSIFO / Revista Referências4.6 http://basenacionalcomum.mec.gov.br/#/site/inicio http://basenacionalcomum.mec.gov.br/#/site/inicio http://ideb.inep.gov.br/ http://ideb.inep.gov.br/ http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm http://institucional.caed.ufjf.br/ http://www.ppgp.caedufjf.net/ https://www.youtube.com/watch?v=rTC6wY-MTRs https://www.youtube.com/watch?v=rTC6wY-MTRs 62 UNIUBE de Ciências da Educação n.º 9 mai /ago 2009. Issn 1646‑ 4990. Disponível em: . Acesso em: 22 jul. 2016. REVISTA Nova Escola. Disponível em: . Acesso em: 22 jul. 2016. SEAPE. Sistema Estadual de Avaliação Escolar. Revista Contextual. Disponível em:. Acesso em: 24 jan. 2017. Secretaria de Estado da Educação do Estado de Minas Gerais. Disponível em: . Acesso em: 22 ago. 2016. Secretaria de Estado da Educação do Estado do Ceará. Disponível em: . Acesso em: 22 jun. 2016. Secretaria de Estado da Educação do Estado do Rio Grande do Sul. Disponível em: . Acesso em: 22 ago. 2016. TODOS pela Educação. Educação: uma agenda urgente. Disponível em: . Acesso em: 24 jan. 2017. VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento: Projeto de Ensino- Aprendizagem e Projeto Político Pedagógico – elementos metodológicos para elaboração e realização. 10 ed. São Paulo: Libertad, 2002. http://sisifo.fpce.ul.pt/pdfs/Revista 9 PT d1.pdf http://revistaescola.abril.com.br/ http://revistaescola.abril.com.br/ http://www.seape.caedufjf.net/revista-contextual/ https://www.educacao.mg.gov.br/ http://www.ceara.gov.br/?secretaria=SEDUC http://www.ceara.gov.br/?secretaria=SEDUC http://www.educacao.rs.gov.br/pse/html/educa.jsp https://www.youtube.com/watch?v=km6QzRE5AA0 https://www.youtube.com/watch?v=km6QzRE5AA0 Pró- Reitoria de Pesquisa, Pós Graduação e Extensão PROPEPEtrabalho; • à moradia; • ao transporte; • o lazer; • à segurança; • à previdência social; • à proteção à maternidade e à infância; • a assistência aos desamparados. Clique no Link e leia o Capítulo II dos Direitos Sociais. Portanto, você e todos os brasileiros e brasileiras têm direito a educação, que de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB/9394 (1996, p. s/n) Art. 1º: abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. http://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/avaliacao_e_aprendizagem/Capitulo_Direitos_Sociais.pdf 4 UNIUBE A educação – direito de todos e dever do Estado e da família – resulta da pressão histórica de movimentos sociais e de trabalhadores e visa ao pleno desenvolvimento da pessoa e seu preparo para o exercício da cidadania. Na atualidade, a conquista do direito a “educação para todos” é comemorada, mas não é realidade para muitos brasileiros. Você concorda? As respostas a essas indagações nos remete ao início da vida do ser humano. Para sobrevivência, desde o nascimento, todo ser humano aprende, num processo flexível quanto ao espaço, tempo e conteúdo. Aprende nos diversos espaços formais e informais: em casa, no trabalho, no convívio com amigos, nas conversas com familiares e inclusive nas instituições educacionais que frequenta. Os teóricos da educação como Piaget, Vygotsky, Wallon, Sara Pain, Alicia Fernandes, dentro de seus princípios norteadores do desenvolvimento do sujeito, seja cognitivo, afetivo/emocional e/ou outros, mostram um ponto comum: o ato de aprender é individual. (PEREIRA, 2010). Para favorecer a aprendizagem dos sujeitos, ao longo da história foram criadas as instituições formais de ensino, cujo papel social é de organizar os processos de aprendizagem dos alunos, de forma que desenvolvam as competências necessárias para serem cidadãos plenos e contribuam UNIUBE 5 para melhorar nossa sociedade. (MORAN, 2005). Neste contexto, escola é lugar de aprender. Para ampliarmos mais o nosso olhar para o sujeito de aprendizagem – o aluno, assista a vídeoaula a seguir. No processo de aprendizagem, as pesquisas educacionais destacam a necessidade da contextualização dos saberes escolares de forma aproximada com a vida e mostram que muitos alunos aprendem pouco do muito que devem aprender em relação aos conteúdos escolares como a leitura, escrita e outros. Delval (2001) propõe a busca de uma educação de qualidade, que não estabeleça uma ruptura entre o conhecimento Videoaula 1 6 UNIUBE científico e o conhecimento trazido pelos escolares. Segundo ele, é preciso permitir a reflexão, o levantamento de hipóteses e suas verificações, contextualizar o conhecimento voltado para a resolução de problemas. Em síntese, é preciso vincular a escola com a vida. Essa realidade nos convida a conhecer mais a participação dos atores do processo de ensino e de aprendizagem no desenvolvimento do tripé: Nosso diálogo, até este momento, aponta para o ato de aprender como ação individual nas relações estabelecidas no meio, constituído de espaços informais e nas instituições escolares. Ressalta, inclusive, a importância no ato de aprender na relação estabelecida entre o aluno e os demais integrantes da comunidade escolar. Nessa relação, Paulo Freire (1997, p. 25) afirma que “quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”, direcionando o nosso olhar para as relações dialógicas na aprendizagem com foco no aluno e destaque para o professor, como responsável pela aprendizagem dos alunos. Fica evidente que no exercício da docência é função do professor ensinar no tempo certo, o que todos os seus alunos precisam aprender, inclusive ensinar os alunos com deficiência, conforme definido no Art. 27 da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência - Estatuto da Pessoa com Deficiência (BRASIL, 2015, p. s/n): UNIUBE 7 A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurado o sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem. 1.2 Qual é o tempo certo para aprender nos diversos espaços? O tempo de aprender de cada ser humano é ao longo de toda sua existência. Portanto, na vida, aprendemos nos espaços informais e no âmbito escolar. A organização do tempo de aprender nas instituições educacionais está definida no calendário escolar em conformidade com as determinações contidas na LDBEN/1996 em relação a cada nível de ensino, a saber: Art. 21. A educação escolar compõe-se de: I – a educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II – educação superior A temporalidade escolar caminha com a espacialidade. Ambas são administradas pelos atores da comunidade escolar, com destaque para o professor que, no exercício da docência, norteia a interlocução entre currículo, planejamento e avaliação, com foco no desenvolvimento físico, biológico, psicológico e cognitivo de cada aluno. Nesse cenário, é imprescindível a compreensão do tripé: PLANEJAMENTO/CURRÍCULO /AVALIAÇÃO. Em relação ao Planejamento Educacional, Coaracy (1972, p. 26) o define como processo contínuo que se preocupa com o “para onde ir” e “quais as maneiras adequadas para chegar lá”, tendo em vista a situação presente e possibilidades futuras, para que o desenvolvimento da educação atenda tanto as necessidades do desenvolvimento da sociedade, quanto as do indivíduo. 8 UNIUBE No artigo “PLANEJAMENTO EDUCACIONAL: CONCEPCÕES E FUNDAMENTOS”, a autora Izabel Alcina Soares Evangelista nos proporciona oportunidade de aprofundar um pouco mais nossos conhecimentos sobre planejamento educacional. Clique no título, para acessar o texto. Portanto, as demandas de aprendizagem dos alunos passam necessariamente pelo exercício do planejamento. Devemos entender que o planejamento envolve diversos atores: • no nível macro do Sistema Educacional, os responsáveis pela definição das políticas educacionais são gestores e supervisores educacionais e auxiliares; • no nível intermediário, os responsáveis pela orientação e monitoramento dessas políticas são gestores e supervisores e auxiliares; • no nível micro, os integrantes das comunidades escolares: gestor, supervisor, professor, auxiliares, pais ou responsáveis e alunos. Portanto, você, ALUNO / ALUNA é muito importante para a educação brasileira! Clique no título e leia mais sobre as Atribuições Supervisor Educacional. As políticas educacionais, definidas no nível macro do sistema educacional e orientadas no nível intermediário, representam o pano de fundo do processo de elaboração do Projeto Político Pedagógico nas escolas, cuja alma é o currículo em ação. Moreira e Candau (2007, p.22) definem currículo, a partir da concepção de cultura como prática social, ou seja, como: [...] experiências escolares que se desdobram em torno do conhecimento, permeadas pelas relações sociais, buscando articular vivências e saberes dos alunos com os conhecimentos historicamente acumulados http://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/avaliacao_e_aprendizagem/planejamento_educacional_concepcoes.pdf http://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/avaliacao_e_aprendizagem/planejamento_educacional_concepcoes.pdf http://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/avaliacao_e_aprendizagem/formacao_e_a_atribuicoes.pdf http://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/avaliacao_e_aprendizagem/formacao_e_a_atribuicoes.pdf UNIUBE 9 e contribuindo para construir as identidades dos estudantes. As Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica reforçam que na elaboração do projeto político-pedagógico, a concepçãode currículo e de conhecimento escolar deve ser enriquecida pela compreensão de como lidar com temas significativos que se relacionem com problemas e fatos culturais relevantes da realidade em que a escola se inscreve. Portanto, é no “chão da escola” que o currículo é transformado em aprendizagem pela mediação do professor e ação individual de cada aluno na relação com os pares, durante a realização das atividades direcionadas, metódicas e sistematizadas contidas no Plano de Aula, num processo dialógico de ação, reflexão e ação. Assim, o terceiro elemento do tripé – a avaliação – mostra sua importância enquanto momento de reflexão que possibilita comemorar avanços e indicar necessidade de correção dos rumos na perspectiva de garantir a todos as condições para que aprendam no tempo certo. Em síntese, segundo Luckesi (2012), a sequência de mediações de PPP, currículo e planejamento de ensino, configura os contornos da prática avaliativa, nos permitindo concluir que planejamento, currículo e avaliação são práticas educativas interligadas. Nesse cenário, é importante conhecer o currículo oficial previsto para cada tempo de aprendizagem da educação. O tempo de aprender na Educação Infantil1.3 O primeiro tempo de aprender no espaço escola é na Educação Infantil, que compreende a creche, englobando as diferentes etapas do desenvolvimento da criança até 3 (três) anos e 11 (onze) meses e a Pré-Escola, com duração de 2 (dois) anos. 10 UNIUBE Vamos revisitar juntos o universo mágico do tempo de aprender na educação infantil? Você sabe qual é o objetivo da Educação Infantil? Fonte: Acervo Depositphotos/EAD Uniube. Com certeza você acertou quando disse que a Educação Infantil tem por objetivo complementar a ação da família e da comunidade no desenvolvimento integral da criança nos aspectos físico, afetivo, psicológico, intelectual e social. As crianças de zero a cinco anos vivem o tempo de aprendizagem em que a curiosidade deve ser estimulada, a partir da brincadeira orientada pelos adultos, responsáveis pela educação, respeitados os limites e as potencialidades de cada uma. Nessa etapa, o cuidar e o educar devem caminhar juntos na oferta de atividades lúdicas em situações de aprendizagem. De acordo com as DCN/2013, o currículo para Educação Infantil deve representar um conjunto de experiências em que se articulam saberes da experiência e socialização do conhecimento em seu dinamismo, depositando ênfase: I – na gestão das emoções; II – no desenvolvimento de hábitos higiênicos e alimentares; III – na vivência de situações destinadas à organização dos objetos pessoais e escolares; IV – na vivência de situações de preservação dos recursos da natureza; V– no contato com diferentes linguagens representadas, predominantemente, por ícones – e não apenas pelo desenvolvimento da prontidão para a leitura e escrita –, como potencialidades indispensáveis à formação do interlocutor cultural. UNIUBE 11 Clique no título para conhecer na íntegra as Diretrizes Curriculares para a Educação Infantil (BRASIL, 2013). O tempo de aprender no Ensino Fundamental1.4 O tempo de aprender no Ensino Fundamental, com duração de 9 (nove) anos, é organizado em duas fases: • a dos 5 (cinco) anos iniciais: 6 a 10 anos; • a dos 4 (quatro) anos finais: 11 a 14 anos. Fonte: Acervo Depositphotos/EAD Uniube. No Ensino Fundamental, a formação básica nos aspectos físico, afetivo, psicológico, intelectual e social deve se ofertada de forma ampliada e intensificada, complementando a ação da família e da comunidade, mediante: I – o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo; II – foco central na alfabetização, ao longo dos três primeiros anos; III – a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da economia, da tecnologia, das artes e da cultura dos direitos humanos e dos valores em que se fundamenta a sociedade; IV – o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores; V – o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de respeito recíproco em que se assenta a vida social. (DCNG, 2013, p. 38). http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=9769-diretrizescurriculares-2012&category_slug=janeiro-2012-pdf&Itemid=30192 http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=9769-diretrizescurriculares-2012&category_slug=janeiro-2012-pdf&Itemid=30192 12 UNIUBE Nessa fase o professor, apoiado pelo supervisor e gestor educacional, deve propiciar ao aluno situações que estimulem a necessidade e o desejo do aprendiz de pesquisar e experimentar situações de aprendizagem como conquista individual e coletiva, de forma contextualizada e significativa. O tempo de aprender no Ensino Médio1.5 Fonte: Acervo Depositphotos/EAD Uniube. O tempo de aprender no Ensino Médio, com duração mínima de 3 (três) anos: 15 a 17 anos, prevê a preparação para a conclusão do processo formativo da Educação Básica (artigo 35, da LDBEN): I – a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no Ensino Fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos; II – a preparação básica para o trabalho, tomado este como princípio educativo, e para a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de enfrentar novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores; III – o aprimoramento do estudante como um ser de direitos, pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico; IV – a compreensão dos fundamentos científicos e tecnológicos presentes na sociedade contemporânea, relacionando a teoria com a prática. (BRASIL,1996, p. 1). UNIUBE 13 Portanto, o currículo do Ensino Médio deve organizar-se de modo a assegurar a integração entre os seus sujeitos, o trabalho, a ciência, a tecnologia e a cultura, tendo o trabalho como princípio educativo, processualmente conduzido desde a Educação Infantil. DCNG (2010). Educação Profissional e Ensino Superior1.6 Fonte: Acervo Depositphotos/EAD Uniube. Não podemos nos esquecer do tempo de aprender na Educação Profissional e no Ensino Superior. De acordo com a LDBEN (1996), Art. 43, a educação superior tem por finalidade: I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo; II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua; III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive; IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação; V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração; EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 14 UNIUBE VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade; VII - promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição. VIII - atuar em favor da universalização e do aprimoramento da educação básica, mediante a formação e a capacitaçãode profissionais, a realização de pesquisas pedagógicas e o desenvolvimento de atividades de extensão que aproximem os dois níveis escolares. Nesse cenário, convidamos você, para juntos ampliarmos os conhecimentos das práticas avaliativas, enquanto instrumento que perpassa o currículo e alimenta o planejamento das ações promotoras da aprendizagem no ambiente escolar. Assista, então, à vídeoaula 2. Videoaula 2 UNIUBE 15 Referências BRASIL. Base Nacional Comum. 2016. Disponível em: . Acesso em: 10 set. 2016. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, Brasília, DF: Senado Federal - Centro Gráfico, 1988. Disponível em:. Acesso em: 23 jan. 2017. BRASIL. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Disponível em: . Acesso em: 27 nov. 2016. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica. Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013. BRASIL. Lei 9394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, 20 de dezembro de 1996. Disponível em:. Acesso em: 22 jan. 2013. COARACY, Joanna. O planejamento como processo. Revista Educação, Ano I, no. 4, Brasília, 1972. DELVAL, J. Aprender na vida e aprender na escola. Tradução de: Jussara Rodrigues. Porto Alegre: Artmed, 2001. EVANGELISTA, Izabel Alcina Soares. Planejamento Educacional: concepções e fundamentos. Perspectiva Amazônica - Santarém - PA. Ano I. Vol. 2 p. 54-67 ago. 2011. Disponível em: . Acesso em: 17 jan. 2016. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1997. LUCKESI, Carlos Cipriano. Avaliação da aprendizagem escolar: Estudos e Proposições. São Paulo: Cortez, 2011. LUCKESI, Carlos Cipriano. Avaliação da aprendizagem na http://basenacionalcomum.mec.gov.br/#/site/inicio http://basenacionalcomum.mec.gov.br/#/site/inicio http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm 16 UNIUBE escola. In: LIBÂNEO, José Carlos (Org.). Temas de Pedagogia: Diálogos entre didática e currículo. São Paulo: Cortez, 2012. MORAN, José. Aprender e colaborar. 2005. Disponível em: . Acesso em: 28 abr. 2016. MOREIRA, Antônio Flavio B.; CANDAU, Vera Maria. Indagações sobre currículo: currículo, conhecimento e cultura. Brasília: MEC, Secretaria de Educação Básica, 2007. PEREIRA, Débora Silva de Castro. O ato de aprender e o sujeito que aprende. Construção Psicopedagógica. v.18 n.16. São Paulo. jun. 2010. Disponível em: . Acesso em: 24 jan. 2017. UNIUBE 17 2 Avaliação – Revisão Conceitual - Um novo olhar “O valor da avaliação não está no instrumento em si, mas no uso que se faça dele” Juan Manuel Álvarez Méndez, 2002. 18 UNIUBE Avaliação: fenômeno humano presente no cotidiano2.1 Neste capítulo nos propomos a discutir sobre conceitos de avaliação e os processos avaliativos em diferentes espaços educativos. Acesse a vídeoaula 3, para aprofundar esses conceitos Sendo um assunto amplo, não pretendemos aqui esgotá-lo. Pensamos numa abordagem que contemple aspectos que possam contribuir com a prática profissional dos Supervisores Educacionais. Dessa maneira, vamos compreender: Qual é a relação da atuação do Supervisor no processo de avaliação? Videoaula 3 UNIUBE 19 Para contribuir com a prática avaliativa desenvolvida na escola e em outros espaços educacionais, é necessário dialogar com esse tema. Então vamos lá! O que é avaliar? Avaliar é um fenômeno humano presente nos atos rotineiros do cotidiano como observar, apreciar e julgar. Portanto, é um ato da natureza humana, que nasce com o homem e perpassa sua trajetória de vida. Essa compreensão permite o resgate de experiências informais da prática do ato avaliativo em nossa vida. Acesse o link e acompanhe a entrevista com a Profa. Jussara Hoffmann. A avaliação está presente em nossas ações rotineiras. Ao despertar, realizamos frente ao espelho uma autoavaliação da nossa aparência, justificando a higiene matinal. A apreciação do tempo precede nossa decisão sobre a escolha de trajes adequados a serem usados. Também, nas relações estabelecidas no trabalho, a execução de tarefas muitas vezes é precedida do julgamento das urgências. Enfim, os processos avaliativos integram nossa vida. http://www.youtube.com/watch?v=FL3gjVUWs2M http://www.youtube.com/watch?v=FL3gjVUWs2M 20 UNIUBE Portanto, avaliar não é um bicho de sete cabeças! Léo Davi - Dragão de sete cabeças - . Conceitos de Avaliação2.2 Para além das experiências pessoais, no latim, avaliar é “dar valor” e, na forma dicionarizada, é apreciar, estimar, reconhecer a grandeza, a intensidade, a força de, determinar valia ou valor, fazer apreciação. Convivemos com a avaliação nos processos formativos formais e não formais, como podemos visualizar na imagem a seguir. A educação informal é a grande responsável pela maior parte de tudo o que uma pessoa constrói no percurso de uma vida. https://www.behance.net/gallery/19845263/Dragao-de-Sete-Cabecas_1 https://www.behance.net/gallery/19845263/Dragao-de-Sete-Cabecas_1 https://www.behance.net/gallery/19845263/Dragao-de-Sete-Cabecas_1 UNIUBE 21 Educação Escolar e o processo avaliativo2.3 Na educação formal, também identificada como educação escolar, o processo avaliativo surgiu junto com a instituição escolar – espaço de desenvolvimento das atividades de ensino e de aprendizagem. A ação de verificar a aprendizagem sempre integrou o processo educacional formal. Segundo Perrenoud (1999), a avaliação é uma invenção nascida com os colégios, por volta do século XVII, que se tornou indissociável do ensino de massa que conhecemos desde o século XIX, com a escolaridade obrigatória. Clique no título e leia o texto Avaliação da Aprendizagem: compreensão e prática. Nesse texto, Cipriano Luckesi nos apresenta um histórico da avaliação no Brasil 2.4 Sentido e significado da avaliação: consensos na literatura No curso da história, a avaliação escolar, realizada por meio de exames e provas, ficou associada à ideia de aprovar ou reprovar o aluno. A avaliação foi sendo utilizada como aferição, atribuindo-se valores que, supostamente, medem o que o aluno aprendeu, ou não. Fonte: Acervo Depositphotos/EAD Uniube. http://www.educacaopublica.rj.gov.br/oficinas/ed_ciencias/avaliacao/avaliacao_historia01.html http://www.educacaopublica.rj.gov.br/oficinas/ed_ciencias/avaliacao/avaliacao_historia01.html 22 UNIUBE Tais práticas têm sido veementemente criticadas por inúmeros autores, como Luckesi (2002, 2005, 2011, 2012); Melchior (1999); Perrenoud (1999); Hoffmann (2003); Hadji (2001); Mendez (2002); dentre outros. Seus questionamentos acerca do sentido e do significado da avaliação têm levado à revisão de conceitos. Para Hoffmann (2001), é consensual a necessidade de rever e atualizar os conceitos e as práticas avaliativas tradicionais, normativas e classificatórias, substituindo-as por outras mais voltadas para a dimensão política e social da avaliação. Alerta para as diferenças entre pesquisar e avaliar em educação, pois, enquanto a pesquisa tem por objetivo a coleta de informações e a análise e compreensão dos dados obtidos, a avaliaçãoestá predominantemente a serviço da ação, colocando o conhecimento obtido, pela observação ou investigação, a serviço da melhoria da situação avaliada. Nesta linha de raciocínio, Luckesi (2002) afirma que a avaliação exige decisão do que fazer antes ou com o objeto avaliado numa trilha dinâmica de ação. Já, Melchior (1999) ressalta que a avaliação é elemento do processo de ensino e de aprendizagem com características que a tornam importante para melhorar a qualidade do referido processo. Complementando esses conceitos de avaliação, Perrenoud (1999, p.13) a coloca entre duas lógicas: UNIUBE 23 Aquela estabelecendo hierarquias de excelência (resultantes das medidas de rendimento) e estas subsidiando o processo decisório em favor de pedagogias de intervenção diferenciada, que valorizem os apoios de que alunos e professores necessitam. Aquelas referidas a normas ou a critérios e estas com caráter eminentemente formativo defendem que a avaliação não é um fim em si, mas uma engrenagem no funcionamento didático e, mais globalmente, na seleção e na orientação escolar. Ela serve para controlar o trabalho dos alunos e, simultaneamente, para gerir os fluxos. É consenso entre esses e outros autores o entendimento da avaliação como parte integrante do projeto pedagógico da escola, como um de seus elementos constitutivos e não como procedimento técnico referente aos desempenhos dos aprendizes, apenas. Também é consensual que avaliar é preciso, bem como o entendimento da afirmativa de Hadji (2001) de que o erro seria uma fonte de informação, tanto para o professor, como para o aluno, e as funções da avaliação devem ir além do enfoque na aferição e na classificação. O ato de avaliar no ambiente escolar2.5 As distinções no ato de avaliar merecem ser revisitadas por você, supervisor. 24 UNIUBE ATO DE AVALIAR Pontual: visa uma verificação aqui e agora, sem se preocupar com o antes ou o depois. Não Pontual: conhece as condições apresentadas pelo aluno no início do trabalho; acompanha-o durante todo o processo e verifica o seu resultado, ou seja, a sua autossuperação. Classificatório: o exame compara o desempenho do candidato em função de um padrão previamente estabelecido. Dinâmico: diagnostica e acompanha o aluno verificando as mudanças acontecidas no decorrer de todo o processo, por meio das intervenções propostas, evitando a sua rotulação em um dado momento e a sua classifi- cação em relação aos outros. Seletivo: o exame seleciona aque- les que são considerados “aptos” para uma determinada situação, pois, ele sempre acontece em fun- ção de um limite determinado de vagas, quando alguns candidatos precisam ser excluídos. Inclusivo: “acolhe” o aluno no está- gio de desenvolvimento em que se encontra e, através de intervenções adequadas, nutre e promove a sua au- tossuperação e, consequentemente, a sua inclusão. Ampliando a discussão acerca do ato avaliativo, assista à vídeo aula 4. UNIUBE 25 As práticas avaliativas, direcionadas ao futuro, acompanham com atenção e seriedade todas as etapas vividas pelo estudante para favorecer a evolução da sua trajetória e aproximam os conceitos dos autores citados. O conceito de avaliação de Mendez (2002) representa bem essa aproximação de conceitos. Segundo ele, a avaliação constitui o procedimento pedagógico que deve condu- zir o educando à descoberta, por isso precisa ser formativo, em que o professor acompanhe, conheça e mensure a qualidade tanto dos processos como dos resultados. Avaliar, então, “é conhecer, é contrastar, é dialogar, é indagar, é argumentar, é deliberar, é racio- cinar, é aprender. [...] quem avalia quer conhecer, valorizar, ponde- rar, discriminar, discernir, contrastar o valor de uma ação humana” (MENDEZ, 2002, p. 66) seja uma atividade, um processo, seja um resultado. Veja, a seguir, o que pensa cada um dos autores que citamos an- teriormente. Clique no nome para acessar o texto de cada um. Videoaula 4 26 UNIUBE • Charles Hadji • Juan Manuel Álvarez Méndez • Cipriano Carlos Luckesi • Jussara Maria Lerch Hoffmann • Philippe Perrenoud 2.6 Função da avaliação na prática educativa, nas diferentes tendências pedagógicas Diante do processo evolutivo da prática avaliativa presente nos atuais conceitos de avaliação, que visitamos neste texto, fica evidente a importância do Supervisor apropriar-se para fundamentar seu apoio, orientação e acompanhamento da prática educativa. É importante, também, contextualizar “seu fazer” na relação com os diversos aspectos da prática educativa, ao longo da história da educação. Assim, convido você, Supervisor, enquanto articulador da prática educativa, para revisitar a transformações ocorridas no ato de avaliar nas últimas décadas. É importante inter-relacionálas com as práticas dos sujeitos e os elementos presentes nas tendências pedagógicas do século XX, lembrando que muitas delas ainda estão presentes no cotidiano das escolas. Marinez Fulgêncio Murta (2006) sintetiza, no quadro a seguir, a relação das tendências pedagógicas x práticas educativas, descrevendo, de forma clara, a função da avaliação em cada contexto, que muito contribuirá para você compreender as práticas existentes nas escolas e, assim, orientá-las na perspectiva das concepções atuais da avaliação. http://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/avaliacao_e_aprendizagem/charles_hadji.pdf http://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/avaliacao_e_aprendizagem/juan_manuel_alvarez_mendez.pdf http://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/avaliacao_e_aprendizagem/cipriano_carlos_luckesi.pdf http://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/avaliacao_e_aprendizagem/jussara_maria_lerch_hoffmann.pdf http://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/avaliacao_e_aprendizagem/philippe_perrenoud.pdf UNIUBE 27 TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS X PRÁTICAS EDUCATIVAS TENDÊN- CIAS PAPEL DO PROFES- SOR PAPEL DO ALUNO CONTEÚ- DOS ESCO- LARES METODOLO- GIA DIDÁTI- CA FUNÇÃO DA AVA- LIAÇÃO Tradicio- nal Implementar ações / Vigiar / Corrigir / Aconselhar Memorizar conheci- mento / Ouvir com atenção / Fazer exer- cícios Fatos e conceitos científicos das disciplinas escolares Exposição oral pelo pro- fessor Selecionar / Classifi- car / Con- tabilizar Renovada / Nova Facilitar a aprendiza- gem / Coordenar atividade / Apoiar Participar ativamente / Pesquisar / Demons- trar curiosi- dade Temas de interesse do aluno / Temas da vida Descoberta pelo aluno / Passos do método cien- tífico Acom- panhar o processo de desen- volvimento do aluno Tecnicista Implementar ações / Apli- car materiais instrucionais / Controlar Dar respos- tas pro- gramadas / Reagir a estímulos externos Fatos / Conceitos / Princípios científicos fragmentados Aplicação de materiais ins- trucionais pelo professor Medir / Controlar Libertado- ra Crítico- social Mediar a construção do conhe- cimento / Provocar, desafiar, problema- tizar / Criar situações de aprendiza- gem Pensar, refletir / Interpretar expe- riências, vivências / Buscar in- formações Pensar, refle- tir, interpretar experiências, vivências / Buscar in- formações / Processar informações, fatos, con- ceitos, princí- pios, normas, procedimen- tos, valores, atitudes / Co- nhecimentos científicos e experiências socioculturais vistos de forma globali- zada. Diálogo / Construção coletiva do conhecimento / Interações entre os sujei- tos no proces- so de conheci- mento Diagnos- ticar e regular as aprendi- zagens / Orientar as inter- venções pedagó- gicas / Acom- panhar o desenvol- vimento do aluno Fonte: Murta (2006, p.1) 28 UNIUBE Para bem compreender o tema avaliação, sugerimos a você uma maior aproximação dos processos avaliativos que ocorrem nos espaços formais e não formais de aprendizagem. Assim, no próximo texto, buscaremos respostas para as questões: o que avaliar? Como avaliar? Quando avaliar? Para que avaliar? Referências D’AMBROSIO, Ubiratan. Educação para uma sociedadeem transição. 2. ed. Campinas: Papirus, 2001. HADJI, Charles. Avaliação Desmistificada. Porto Alegre: Artmed, 2001. HOFFMANN, Jussara. Avaliação mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade. 20 Ed. revista, Porto Alegre: Mediação, 1993 e 2003. LUCKESI, Cipriano C. Avaliação da aprendizagem escolar. 14. ed. São Paulo: Cortez, 2002. LUCKESI, Cipriano. Avaliação Formativa. . Acesso em: 24 jan. 2017. MELCHIOR, M. C. Avaliação pedagógica: função e necessidade. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1999. MÉNDEZ, J. M. A. Avaliar para conhecer, examinar para excluir. Porto Alegre: Artmed, 2002. MURTA, M.F. Tendências Pedagógicas. 2006. Disponível em : . Acesso em: 02 out. 2016. PERRENOUD, Philippe. Avaliação: Da Excelência à Regulação das Aprendizagens entre Duas Lógicas. 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Para iniciarmos o nosso diálogo, clique no título e leia a Fábula da Avaliação. Fonte: Acervo Depositphotos/EAD Uniube. Essa fábula evidencia o impacto da avaliação em nossas vidas: nossas perguntas, nossas opções. Os caminhos escolhidos envolvem, necessariamente, movimentos de avaliação e de tomada de decisão. As perguntas do espelho situam a avaliação no nível micro da sala de aula, como também no nível macro do desempenho do sistema educacional, com destaque para os diferentes instrumentos avaliativos e as diversas nuances de utilização. A fábula nos incentiva a alterar nossas respostas e condutas avaliativas. Na fábula, o espelho mostra sua coragem quando altera o estabelecido e institui a dúvida que gera o questionamento com implicações na prática concreta: http://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/avaliacao_e_aprendizagem/espelho_meu.ppsx http://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/avaliacao_e_aprendizagem/espelho_meu.ppsx UNIUBE 31 Minha rainha, os tempos estão mudados. Esta não é uma resposta assim tão simples. Hoje em dia, para responder a sua pergunta eu preciso de alguns elementos mais claros. É preciso compreender com clareza a função das avaliações. As críticas vazias não contribuem para o sucesso dos nossos alunos. Porque não mudar nossas práticas pedagógicas, nosso envolvimento, nossa percepção para a avaliação? (Fala do Espelho). (PATTON, 1997, p.2). O Supervisor Educacional, nas instituições de ensino e pesquisa, depara-se com a relação indissociável entre as práticas pedagógicas e as avaliativas no exercício de suas atribuições de planejamento e implementação do Projeto Pedagógico – apoio, orientação, acompanhamento e avaliação da prática docente. Nesse campo, ressaltamos a importância do investimento de mão dupla na relação de corresponsabilidade entre o Gestor e o Supervisor Educacional na liderança da gestão pedagógica. A prática dessa liderança demanda conhecimentos dos aspectos da prática educativa, definida no Projeto Pedagógico da instituição. Nesse momento, vamos nos ater ao processo avaliativo que perpassa os demais aspectos contidos no Projeto, pontuando com clareza a rotina da relação Supervisor/Gestor e docentes nas práticas avaliativas das instituições de ensino e pesquisa. Para Medina (1997, p.31), “o supervisor tem como objeto de trabalho a produção do professor – o aprender do aluno – e preocupa-se de modo especial com a qualidade dessa produção”. O quadro, a seguir, apresenta a co-construção da prática avaliativa no processo educativo. 32 UNIUBE No cotidiano do processo educativo, em curso nas instituições de ensino e pesquisa, os agentes educacionais em foco – Supervisor/ Gestor Educacional e Docentes – devem estar atentos aos objetivos da avaliação. Para D’Ambrosio (2001), o objetivo da avaliação é a aprendizagem: avaliação deve ser uma orientação para o professor na condução de sua prática docente e jamais um instrumento para reprovar ou reter alunos na construção de seus esquemas de conhecimento teórico e prático. Reprovar, selecionar, classificar, filtrar indivíduos não é missão do educador. Outros setores da sociedade devem se encarregar dessa missão. O que se avalia3.2 Antes de iniciar a leitura desse tópico, assista à vídeoaula 5. UNIUBE 33 O professor, ao eleger a avaliação como o fio condutor da sua prática, deve ter claro: O que se avalia? Parafraseando o professor Mares Guia, podemos afirmar que o professor que sabe avaliar, sabe ensinar o que os alunos precisam conhecer e saber fazer ao longo da escolaridade. Portanto, o professor que sabe o que ensinar e avaliar é capaz de verificar em tempo real, o progresso acadêmico dos seus alunos. Nas instituições de ensino e pesquisa, o Supervisor desempenha o papel de orientador do docente na sua ação de ensinar e avaliar o “currículo em ação”, desenvolvido no processo ensino e aprendizagem que traz no seu Videoaula 5 34 UNIUBE bojo os princípios e valores definidos no Projeto Pedagógico. O professor avalia como ensina. Assim na prática do Supervisor/Gestor Educacional, a reflexão sobre como o professor ensina ganha relevância: O professor avalia o que trabalha na escola currículo materializado no plano anual de curso, operacionalizado no plano de aula que deve contemplar: ou Fonte: Zabala, (1998). UNIUBE 35 Acesse o endereço, a seguir, disponível no Centro de Referência Virtual do Professor-SEE-MG e leia, na íntegra, o artigo sobre avaliação de conteúdos: https://novaescola.org.br/conteudo/356/a-avaliacao- deve-orientar-a-aprendizagem Como se avalia3.3 Tão importante quanto saber o que se avalia, é saber: Como se avalia? Para responder à questão, trazemos a contribuição de Luckesi: https://novaescola.org.br/conteudo/356/a-avaliacao-deve-orientar-a-aprendizagem https://novaescola.org.br/conteudo/356/a-avaliacao-deve-orientar-a-aprendizagem 36 UNIUBE Fonte: Luckesi (2005) website de Cipriano Luckesi: www.luckesi.com.br A postura pedagógica da escola tem uma relação próxima com seu contrato de avaliação. Nessa linha de pensamento, Perrenoud (1999) afirma: [...] enquanto a escola der tanto peso à aquisição de conhecimentos descontextualizados e tão pouco à transferência e à construção de competências, toda avaliação correrá o risco de se transformar em um concurso de excelência. Pode-se dizer, para concluir, que não se poderia separar a reflexão sobre as finalidades da escola, das disciplinas, do contrato http://www.luckesi.com.br UNIUBE 37 pedagógico e didático e dos procedimentos de ensino e de aprendizagem. (PERRENOUD, 1999, p.168). Depresbiteris (1989) defende que o professor só avalie o que foi ensinado. Exemplifica afirmando quenão adianta exigir que um grupo que não foi orientado sobre as técnicas de seminário se saia bem nesse modelo de apresentação. Afirma também ser inviável exigir a aplicação prática da tabuada na prova se, em classe, foi exigida apenas sua memorização. Podemos concluir que para a coleta de dados essenciais sobre o processo de ensino e de aprendizagem dos alunos, o Supervisor/ Gestor e o professor precisam investir na construção de um sistema de observação, de interpretação e de intervenção em função das suas concepções pessoais de ensino, dos objetivos, do contrato didático, do trabalho escola, (PERRENOUD, 1999). Devem, inclusive, conhecer e saber utilizar diferentes instrumentos de avaliação, como: 38 UNIUBE Para ter segurança durante a orientação e/ou discussão com o professor sobre os tipos e usos dos instrumentos de avaliação que subsidiam a prática docente, recomendamos a leitura no texto Avaliação nota 10: Os nove jeitos mais comuns de avaliar. Clique no título para acessar o texto. Quando se avalia3.4 Quando se avalia? O ato de avaliar, entendido como construtivo da prática educativa, está presente em todo o processo de ensino e de aprendizagem e possui funções e características diferentes, conforme o momento em que é praticado. Perrenoud (1999, p. 67) assim caracteriza os procedimentos habituais de avaliação tradicional dos alunos: • após ter ensinado uma parte do programa (...), o professor interroga alguns alunos oralmente ou faz uma prova escrita para toda a turma. • em função de seus desempenhos, os alunos recebem notas ou apreciações qualitativas, que são registradas e eventualmente levadas ao conhecimento dos pais. • ao final do trimestre, do semestre ou do ano, faz-se, de uma maneira ou outra, uma síntese das notas ou das apreciações acumuladas sob a forma de uma média, de um perfil, de um balanço qualquer. • combinado a apreciações sintéticas de mesma natureza para o conjunto das disciplinas ensinadas, esse balanço contribui para uma decisão no final do ano (...). https://novaescola.org.br/conteudo/1410/avaliacao-nota-10 https://novaescola.org.br/conteudo/1410/avaliacao-nota-10 UNIUBE 39 A avaliação, na perspectiva de uma “pedagogia ativa e diferenciada”, a favor da aprendizagem do aluno não deve ser somente pontual, eventual e/ou realizada no final de uma sequência didática ou de um período escolar. A compreensão do tempo e dos motivos para avaliar estão presentes na vídeoaula 6, que preparamos para você. Para que se avalia3.5 A avaliação deve sim possibilitar a identificação dos progressos e dificuldades dos alunos, de modo que os dados coletados retroalimentem o plano de trabalho do professor, já começando a responder à questão: Videoaula 6 40 UNIUBE Para que se avalia? Com base nos conceitos estudados, podemos afirmar que avaliamos para tomar decisões. Mas, que decisões os agentes educacionais tomam após o julgamento de valor? Parece ainda estarem muito presos à dimensão burocrática de uma avaliação tradicional e pensam: devemos realizá- la, pois a legislação em vigor e o sistema exigem que, ao final de dado período, geralmente um bimestre, afixemos, numa ficha, determinada nota e/ou conceito para cada aluno e ponto final! Entretanto, sabemos que, no contexto do “para quê avaliar”, as funções da avaliação variam. Avaliações: diagnóstica, formativa e somativa3.6 Na relação Supervisor/Gestor e Docentes, a perspectiva de contribuir, orientar e/ou implementar uma prática educativa eficaz mostra a urgência do conhecimento das modalidades de avaliações realizadas nas instituições de ensino e pesquisa. Deparamo-nos, nas instituições de ensino e pesquisa, com o uso das seguintes modalidades de avaliação interna, isto é, realizadas pelos professores: UNIUBE 41 AVALIAÇÃO DIAGNÓS- TICA AVALIAÇÃO FOR- MATIVA AVALIAÇÃO SOMA- TIVA O QUE É? Ação realizada no início de um processo de aprendi- zagem, com a função de obter informações sobre os conhecimentos, aptidões e competências dos estu- dantes, com vista à orga- nização dos processos de ensino e aprendizagem, de acordo com as situações identificadas. Avaliação com cará- ter especificamente pedagógico e foco no processo ensino- -aprendizagem. Sem finalidade probatória, está incorporada no ato de ensinar, integrada na ação de formação. Modalidade avaliativa pontual que ocorre ao fim de um processo educacional (ano, semestre, bimestre, ciclo, curso etc.). Propõe a realizar um balanço somatório de uma ou várias sequên- cias de um trabalho de formação. QUAIS SÃO SEUS OBJETI- VOS? Identificar as característi- cas de aprendizagem do aluno com a finalidade de escolher o tipo de traba- lho mais adequado a tais características. Melhorar o processo de ensino-aprendi- zagem mediante o uso de informações levantadas sobre o desenvolvimento do aluno para o ajuste da prática docente às necessidades discentes durante o processo. Fazer um balanço somatório de uma ou várias sequências do trabalho de formação que sintetizam as aprendizagens dos alunos tendo por base critérios gerais. QUAIS AS SUAS CARACTERÍSTI- CAS? Característica preventiva – o conhecimento das dificul- dades dos alunos no início do processo educativo, possibilita: - prever suas reais neces- sidades e trabalhar em prol de seu atendimento; - determinar as causas das dificuldades de apren- dizagens persistentes em alguns alunos. Gera informações úteis sobre etapas vencidas e dificul- dades encontradas, estabelecendo um feedback contínuo so- bre o andamento do processo de ensino e aprendizagem. Ofe- rece subsídios para a busca de solução dos problemas e dificul- dades apresentadas pelo aluno. Favorece o conhecimento mú- tuo e o diálogo entre professor e aluno. Capacidade de infor- mar, situar e classificar o avaliado, tendo a perspectiva de con- clusão em evidência, pois acontece no final de um processo edu- cacional. PARA QUE SER- VEM OS SEUS RESULTADOS? Para auxiliar o Supervisor/ Gestor e o Professor na definição das intervenções iniciais que levem os alu- nos a atingir novos pata- mares de conhecimento. Para explorar, identificar, adaptar e predizer acerca das competências e apren- dizagens dos alunos. Para identificar como o processo de aprendizagem vem acontecendo. As informações levanta- das permitem o pla- nejamento, o ajuste, o redirecionamento das práticas pedagógicas no intuito de aprimo- rar as aprendizagens dos alunos. Para o registro e publi- cação do que parece ter sido assimilado pelos alunos. Servem para verificar, classifi- car, situar, informar e certificar. 42 UNIUBE A avaliação da aprendizagem nessas três modalidades não é um julgamento de valor só sobre o aluno, mas sobre a própria prática docente, que resultou no desempenho do aluno. É bom lembrar, como sugere Paulo Freire (1997) , que a avaliação não é um ato pelo qual A avalia B, mas sim um processo pelo qual A e B avaliam uma prática educativa. Com foco no acompanhamento e diagnóstico, seguido de decisões e ações que ajudem os alunos a aprender mais e melhor, apresentamos, a seguir, os quadros elaborados por Azzi (2001) que sintetizam referências de situações comuns a todo processo de ensino e aprendizagem: (Clique nos títulos a seguir). AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA INICIAL As informações obtidas na avaliação diagnóstica, associadas aos conhecimentos do professor, possibilitam a tomada de decisões consubstanciadas no seu plano de trabalho. No curso do desenvolvimento do plano de trabalho, são realizadas a avaliação formativa e a avaliação diagnóstica decorrente da avaliação formativa. Os dados levantados na avaliação formativa é que nos dirão da necessidade ou não de fazermos mudanças no plano de trabalho. (AZZI, 2001). AVALIAÇÃO FORMATIVA Para finalizar, apresentamos a avaliação somativa que traz no seu bojo informações dos resultados parciais e finais. AVALIAÇÃO SOMATIVA http://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/avaliacao_e_aprendizagem/avaliacao_diagnostica_inicial.pdfhttp://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/avaliacao_e_aprendizagem/avaliacao_formativa.pdf http://sga.uniube.br/aulas/ftp/ebook/avaliacao_e_aprendizagem/avaliacao_somativa.pdf UNIUBE 43 Acesse o texto Avaliar para ensinar melhor. Este texto sintetiza o que abordamos nesta aula. Ele subsidiará sua atuação enquanto articulador da reflexão junto ao professor em relação a sua prática. No próximo capítulo, faremos uma retomada dos principais aspectos da prática avaliativa, abordados com foco nas políticas públicas educacionais de avaliação, enquanto prática recorrente nas instituições de ensino, de forma articulada com o currículo e o planejamento. AZZI, Sandra. Avaliação Escolar: desafio da educação. 2001. Disponível em: Acesso em: 09 jan. 2013. BRASIL.Constituição Federal (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Emendas e Atos. Disponível em: Acesso em: 22 jan. 2013. BRASIL. Lei 9394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, 20 de dezembro de 1996. Disponível em Acesso em: 22 jan. 2013. Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação. Disponível em: . Acesso em: 22 jan. 2013. D’AMBROSIO, Ubiratan. Educação para uma sociedade em transição. 2. ed. Campinas: Papirus, 2001. DEPRESBITERIS, L. O desafio da avaliação da aprendizagem; dos fundamentos a uma proposta inovadora. São Paulo, EPU, 1989. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1997. GENTILE, Paola. Avaliação nota 10: Os nove jeitos mais comuns de avaliar. Disponível em: . Acesso em: 24 jan. 2017. Referência3.7 https://novaescola.org.br/conteudo/395/avaliar-para-ensinar-melhor http://crv.educacao.mg.gov.br/sistema_crv/index.aspx?id_projeto=27&ID_OBJETO=31802&tipo=ob&cp=000000&cb http://crv.educacao.mg.gov.br/sistema_crv/index.aspx?id_projeto=27&ID_OBJETO=31802&tipo=ob&cp=000000&cb http://crv.educacao.mg.gov.br/sistema_crv/index.aspx?id_projeto=27&ID_OBJETO=31802&tipo=ob&cp=000000&cb http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm http://institucional.caed.ufjf.br/ 44 UNIUBE LUCKESI, Cipriano. Avaliação da aprendizagem: visão geral. 2005. Disponível em: . Acesso em: 30 jan. 2013. MEDINA, Antônia da Silva. Supervisão Escolar: da ação exercida à ação repensada. Porto Alegre : EDIPUCRS, 1995. PATTON, Michael Quinn.Tradução de Clarisa Sousa. Uma Fábula sobre Avaliação. 1997. Disponível:. Acesso em: 24 jan. 2017. PELLEGRINI, Denise. Avaliar para ensinar melhor. Disponível em http://revistaescola.abril.com.br/planejamento-e-avaliacao/avaliacao/ avaliar-ensinar-melhor-424538.shtml, acessado em 30 jan 2013. PERRENOUD, Philippe. Avaliação: Da Excelência à Regulação das Aprendizagens entre Duas Lógicas. Porto Alegre: Artmed, 1999. ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998. http://www.luckesi.com.br/textos/art_avaliacao/art_avaliacao_entrev_paulo_camargo2005.pdf http://www.luckesi.com.br/textos/art_avaliacao/art_avaliacao_entrev_paulo_camargo2005.pdf http://revistaescola.abril.com.br/planejamento-e-avaliacao/avaliacao/avaliar-ensinar-melhor-424538.shtml http://revistaescola.abril.com.br/planejamento-e-avaliacao/avaliacao/avaliar-ensinar-melhor-424538.shtml UNIUBE 45 4 Políticas públicas educacionais de avaliação 46 UNIUBE Avaliação da aprendizagem dos alunos: avaliação interna4.1 Neste capítulo, vamos retomar os aspectos do processo educacional estudados anteriormente, com foco nas Políticas Públicas Educacionais de Avaliação, enquanto prática recorrente nas instituições de ensino, de forma articulada com o currículo e com o planejamento. A prática avaliativa, presente no cotidiano das instituições de ensino e pesquisa desde a sua emergência no mundo moderno, está relacionada à produção de informações sobre determinada realidade, numa perspectiva de intervenção para sua transformação. Assim, a avaliação é parte integrante e fundamental do processo educativo e deve ser entendida como uma prática interna construtiva, realizada a favor da aprendizagem do aluno. A avaliação como processo é contínua, ou seja, acontece em vários momentos e de várias formas. Ela antecede, acompanha e sucede a prática docente. UNIUBE 47 4.2 Avaliação do desempenho escolar: avaliação sistêmica ou avaliação externa A esse procedimento de avaliação educacional interna, soma-se, no período mais recente, a avaliação do desempenho escolar avaliação em larga escala, também conhecida como avaliação sistêmica ou avaliação externa. No cenário da educação para todos, transitamos em dois universos avaliativos que envolvem diretamente os alunos, sendo um o da avaliação interna e o outro da avaliação externa. Resguardadas as especificidades de cada um desses universos, temos como horizonte a intenção clara de garantir a todos uma educação de qualidade. O quadro, a seguir, sintetiza as especificidades da avaliação educacional nas instituições formais de ensino e aprendizagem da educação básica à educação superior. Quadro CAED/UFJF, 2014 48 UNIUBE É superimportante, Supervisor, que tenhamos clareza da especificidade das avaliações interna e externa. Para aprofundar os seus conhecimentos assista às videoaulas 7 e 8. Videoaula 7 Videoaula 8 UNIUBE 49 A segurança do conhecimento do supervisor na esfera da avaliação educacional passa necessariamente pelo trânsito no universo da avaliação interna e externa de forma articulada, no cotidiano da escola, com a relação estabelecida no tripé planejamento/currículo/avaliação que materializa a formação integral do aluno. Nesse cenário, vamos dirigir nosso olhar para o Sistema Nacional da Educação, alimentado pelos anseios, expectativas e necessidades da sociedade na definição das Políticas Educacionais implementadas pelos atores da prática educativa nas inúmeras instituições educativas do nosso pais, conforme reflexão feita no capítulo 1. Fonte: http://www.paebes.caedufjf.net/wp-content/ uploads/2014/05/Oficina_Paebes-2013_-Ci%C3%AAncias.pdf Para transitar com segurança nesse campo de atuação é imprescindível que o Supervisor conheça o desenho do ciclo da política pública – Educação: uma agenda urgente – do cenário social do problema incluído na agenda, passando pela formulação, decisão, implementação, até a proposta de sua avaliação. Clique no título para acessar o vídeo. O movimento mundial em torno da avaliação externa remete ao início do século passado (1960), enquanto o final da década de 1980 representa a entrada da avaliação em larga escala na agenda brasileira. Essa iniciativa foi precedida pela luta da sociedade por acesso a educação – hoje praticamente universalizada no ensino fundamental –, apesar da existência de forte demanda de investimento na sua qualidade, inclusive para a população pobre e tradicionalmente excluída do sistema escolar. http://www.paebes.caedufjf.net/wp-content/uploads/2014/05/Oficina_Paebes-2013_-Ci%C3%AAncias.pdf http://www.paebes.caedufjf.net/wp-content/uploads/2014/05/Oficina_Paebes-2013_-Ci%C3%AAncias.pdf https://www.youtube.com/watch?v=km6QzRE5AA0 50 UNIUBE E é o acesso de todos a uma educação de qualidadeem todos os níveis, bem como a equidade, entendidos como direito sociais dos alunos, que representa o pano de fundo da criação de Sistemas de Avaliação do Desempenho – União, Estados e Municípios. O compromisso do Supervisor com a qualidade e equidade no campo educacional passa necessariamente pela análise do ciclo das políticas. Nunca é demais recordar que toda política pública tem relação com problemas coletivos de espectro amplo e emanam de uma autoridade pública que tem legitimidade para sua implantação. Entretanto, o teste da realidade, o lugar da ação de uma política é sua implementação – campo de atuação do Supervisor/Gestor Educacional. (CONDÉ, 2011). Portanto, é importante no processo cíclico da agenda da avaliação interna e externa, revisitarmos os preceitos legais da educação, materializados na Constituição Brasileira (1988), passando pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (1996) e pelas legislações estaduais e municipais. O acesso aos links sugeridos a seguir é uma oportunidade para você, Supervisor/Gestor, entender a avaliação externa como direito dos estudantes e dever da União, Estados e Municípios. Cabe aos gestores desses sistemas educacionais prover meios e verificar regularmente se cada aluno da educação básica/ e ou educação superior está tendo esse direito garantido. Esse DIREITO LEGAL do aluno, que visa garantir a qualidade da educação, está assegurado no Artigo 9º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Com o firme propósito de propiciar uma reflexão sobre a avaliação, convidamos você para ampliar os conhecimentos no campo das Políticas Públicas Educacionais de fomento ao desenvolvimento sistematizado http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm UNIUBE 51 do currículo, permeado pela avaliação interna, por ser esta a avaliação intencional e sistemática que é realizada pelo professor com o objetivo principal de avaliar a aprendizagem dos alunos. O foco da avaliação interna, portanto, é o próprio aluno e é a arena diária de atuação do gestor/especialista educacional. Política Nacional da Avaliação Educacional4.3 A Política Nacional da Avaliação Educacional tem como pano de fundo o direito constitucional de todos à educação, organizada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB 9394/1996 que traz no Art. 24 as regras comuns de avaliação interna para os níveis fundamental e médio: I - a carga horária mínima anual será de oitocentas horas, distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver; II - a classificação em qualquer série ou etapa, exceto a primeira do ensino fundamental, pode ser feita: a) por promoção, para alunos que cursaram, com aproveitamento, a série ou fase anterior, na própria escola; b) por transferência, para candidatos procedentes de outras escolas; c) independentemente de escolarização anterior, mediante avaliação feita pela escola, que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada, conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino; III - nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série, o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial, desde que preservada a sequência do currículo, observadas as normas do respectivo sistema de ensino; IV - poderão organizar-se classes, ou turmas, com alunos de séries distintas, com níveis equivalentes de adiantamento na matéria, para o ensino de línguas estrangeiras, artes, ou outros componentes curriculares; V - a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: 52 UNIUBE a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais; b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar; c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado; d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito; e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos; VI - o controle de frequência fica a cargo da escola, conforme o disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino, exigida a frequência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação; VII - cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares, declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de conclusão de cursos, com as especificações cabíveis. (BRASIL, 1996). É no nível micro da educação formal – instituição de ensino e aprendizagem – que o papel Supervisor mostra a sua urgência na implementação das ações previstas no ciclo dessa política pública de melhoria da educação. Você é muito importante na operacionalização da logística de Fonte: Acervo Depositphotos/EAD Uniube. cumprimento das normas legais, que inicia com a matrícula do aluno, passa pela oferta de aulas no período letivo, permeadas de avaliações internas que alimentam o planejamento, subsidiam a recuperação paralela, bem como a emissão de documentação comprobatória dos Papel do Supervisor na implementação da política 4.3.1 UNIUBE 53 dos conhecimentos adquiridos por cada aluno. Em relação à Política Educacional das avaliações do desempenho das instituições, aferidas nos testes de proficiência, você, Supervisor, é a ponte entre os resultados e as mudanças no âmbito da sala de aula para a melhoria da educação. É chamado a organizar desde a aplicação das avaliações externas, bem como a análise e a definição coletiva do uso pedagógico dos resultados pela comunidade escolar. Para o desempenho desse papel, é imprescindível conhecer as técnicas do planejamento participativo estratégico, disponibilizado por diversos autores como Gandim (2015), Vasconcelos (2002) e outros. Clique no nome, a seguir, assista ao vídeo e aprenda com o mestre do planejamento participativo: Danilo Gandim. Também é imprescindível conhecer a Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais já discutida no primeiro capítulo e ir além, aprofundando os saberes sobre os princípios norteadores da Base Nacional Comum Curricular, em processo nacional de construção, sob a coordenação do https://www.youtube.com/watch?v=rTC6wY-MTRs http://basenacionalcomum.mec.gov.br/#/site/inicio http://basenacionalcomum.mec.gov.br/#/site/inicio 54 UNIUBE Ministério de Educação/Brasil. E a prática avaliativa que permeia todas as ações que ocorrem no desenvolvimento do Plano Curricular? Relembramos como foi dito no capítulo 3, a avaliação precede o planejamento, pois é a partir das demandas de aprendizagem que o professor tem condições de transformar em Plano de Aula as diretrizes contidas no Plano Curricular. Para contribuir com sua atuação segura e competente nesse processo de implementação da Política de Avaliação nas instâncias educacionais, vamos aprofundar nossa discussão retomando o tripé que sustenta a aprendizagem. A Política de Avaliação é implementada pela comunidade escolar a partir das discussões sobre os anseios e expectativas da comunidade escolar que devem ocorrer no processo participativo do planejamento da prática educativa em que a cada um tem direito a voz na elaboração e execução do Projeto Político Pedagógico. Para transformar o PPP em realidade, é necessário elaborar coletivamente o Plano de Ensino, de cada componente curricular, representando o horizonte para todos os alunos. O início da caminhada na direção desse horizonte é um momento impar da avaliação da aprendizagem, pois os passos a serem dados precisam do alicerce que se refere aos saberes já consolidados pelos alunos, bem como suas demandas de aprendizagem que são