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• De acordo com a RDC 585, biscoito ou bolacha é o produto obtido pela mistura de farinhas, amidos ou féculas com outros ingredientes, submetidos a processos de amassamento e cocção, fermentados ou não, podendo apresentar cobertura, recheio, formato e textura diversos; • O nome “biscoito” deriva do latim bis coctus, ou seja, massa duplamente cozida até atingir estrutura mais dura e quebradiça. • O biscoito se consolidou na cultura alimentar pela possibilidade de ser um alimento nutritivo, prático e de vida útil longa, devido a sua estabilidade microbiológica, e por ser versátil, permitindo novas criações e inovações. • Durante muito tempo, os biscoitos foram feitos apenas com farinha e água, sem fermento e sem sal e serviram como alimentos durante guerras, viagens de marinheiros e outros. • A produção em massa dos biscoitos que já faziam parte dos hábitos alimentares de muitos povos, se deu após o período da Revolução Industrial e foi após a Segunda Guerra Mundial que surgiram uma grande variedade de novos tipos de biscoitos, a partir do uso de novas tecnologias de ingredientes, processamento e embalagem. • Em 5000 a.C, no Egito antigo, os biscoitos serviam como alimento dos escravos e eram colocados nas tumbas para que o morto não passasse fome na jornada para o outro mundo. • Durante o século XV, o biscoito foi usado para alimentação das tripulações das grandes navegações. Há informações de que Biscotti era um dos biscoitos favoritos de Cristóvão Colombo. Biscotti é um biscoito italiano, com amêndoas, manteiga, ovos e baunilha, comumente servido com vinho ou chá. • Já o Macaron, espécie de biscoito recheado, muito conhecido e apreciado, relativamente caro, teve seus primeiros registros no século XVIII. • O biscoito Maria, tem Registros de seu uso, em 1874, para comemoração do casamento da nobreza russa. E é muito popular atualmente. • Os wafers começaram a ser fabricados na Áustria, em 1898. • O biscoito champagne, muito utilizado para fazer pavês, já existia na França desde o século XI, mas foi A partir de 1901, que se tornou o carro chefe da padaria Specialty Bakers, também na frança e ganhou notoriedade. • Em 1912, o biscoito recheado oreo é criado e a marca se torna mundialmente conhecida, estando hoje presente em mais de 100 países. • Durante a Primeira Guerra Mundial era necessário um alimento que sobrevivesse à longa jornada pelo correio até os campos de guerra, e esse era um biscoito utilizado na época pelas tropas da Austrália, sendo hoje considerado o biscoito nacional do país. • E a partir de 1930 é popularizado o famoso cookie. • A fabricação de biscoitos apresenta se dá pelas seguintes etapas: 1 Pesagem dos ingredientes da massa, cobertura e recheio. • 2 Mistura: este processo tem o objetivo de homogeneizar os ingredientes, dispersar as matérias-primas sólidas e líquidas nos líquidos, desenvolver o glúten na farinha de trigo e aerar a massa. E só após a mistura de todos os ingredientes que o fermento é acrescentado. • 3 Laminação e corte: a laminação é a etapa que prepara a massa para o corte, no qual o biscoito adquire o formato desejado. • 4 Cozimento: um dos objetivos desta etapa é retirar a água do produto, podendo ser retirado até 28% do peso. O cozimento provoca alterações químicas e físicas, que caracterizarão o produto final. As alterações físicas estão relacionadas à formação do filme, evaporação do álcool. Já as modificações químicas estão ligadas à ação do fermento, gelatinização do amido, coagulação do glúten, caramelização do açúcar. • 5 Resfriamento: quando o biscoito é retirado do forno ainda se apresenta mole e com umidade; para um efetivo resfriamento deve-se ter um ambiente quente e úmido para evitar que se formem trincas no produto e ele se quebre. Após o resfriamento, os biscoitos, caso sejam recheados, passam para a etapa de adição do recheio. • 6 Embalagem: A etapa de embalagem consiste em envolver o produto com o material escolhido, a fim de protegê-lo de impactos mecânicos e de contaminação microbiológica, evitar alteração de umidade e exposição à luz. • Por ano no Brasil, são consumidos cerca de 7 Kg de biscoito por habitante, com presença em mais de 90% dos lares no país. • Os tipos Recheado Doce, Água e Sal/Cream Cracker, Secos/Doces Especiais, Maria/Maisena, Rosquinha, Waffer, Salgado e Cookie representam quase 99% das vendas anuais. • Quanto a tendência, o que se verifica é uma elevação do padrão de consumo de alimentos na sociedade, com valorização de produtos com ingredientes nobres, mais saborosos, com sabores novos e diferentes, frescos e produzidos de forma mais artesanal. • Os consumidores estão mais exigentes e dispostos a pagar mais por itens de maior valor agregado, tanto devido à composição de ingredientes quanto pelos modos de processamento. As preferências do consumidor têm se voltado aos atributos de saudabilidade, naturalidade e sustentabilidade dos biscoitos. • Os consumidores estão buscando cada vez mais controlar o consumo de alimentos com teores mais elevados de sal, açúcares e gorduras. Isso tem impulsionado a reformulação de vários tipos de biscoitos, com aumento da oferta de produtos com teor reduzido de gorduras, redução de açúcar e menores quantidades de sódio. • Além de controlar calorias, gorduras, açúcar e sódio, os consumidores buscam consumir ingredientes mais saudáveis, havendo crescente demanda por produtos mais nutritivos e funcionais, com potencial de contribuir para aumento da performance, melhora de imunidade e prevenção de doenças. Então vem ocorrendo o desenvolvimento de novos produtos com incorporação de ingredientes reconhecidos pelo seu valor nutritivo como farinha integral, aveia, chia, quinoa, frutas secas etc. • Nota-se também uma valorização de opções de produtos percebidos como artesanais, naturais e sem aditivos artificiais, substâncias alergênicas e outros como lactose e glúten. As indústrias têm buscado cada vez mais o desenvolvimento de produtos com fórmulas mais simplificadas, com adição de aromas naturais, grãos integrais, castanhas, mel, especiarias etc. • Há uma preocupação também na forma como os alimentos industrializados são produzidos e a importância atribuída à responsabilidade social e ambiental dos fabricantes. Isso tem promovido o aumento da demanda por produtos orgânicos e com certificações ambientais. Por outro lado, os consumidores estão querendo informações claras sobre os ingredientes utilizados e os tipos de processos empregados na fabricação. • De modo geral, os biscoitos não são produtos de baixo valor calórico, uma vez que suas matérias-primas básicas são a farinha, gordura e, obviamente, açúcar no caso dos biscoitos doces. Mas isso não quer dizer que não há no mercado biscoitos ricos nutricionalmente falando, e há uma forte tendência no mercado de lançamento de novos produtos alternativos com menores conteúdos de CALORIAS, AÇÚCARES, GORDURAS SATURADAS e SÓDIO. O valor nutricional dos biscoitos disponíveis no mercado varia bastante, existindo muitos produtos contendo quantidades relevantes de PROTEÍNAS, FIBRAS, VITAMINAS e MINERAIS. E esse valor nutricional vai depender exclusivamente do biscoito que nós escolhemos comprar. • Os biscoitos no Brasil são produzidos basicamente a partir de farinhas, fermento, água, sal, açúcares, óleos e gorduras. E claro, pode ser acrescido dos mais diversos ingredientes. • A farinha de trigo serve como base e estrutura da massa e No Brasil, a legislação determina o enriquecimento da farinha de trigo com ferro e ácido fólico. • A farinha de trigo é a mais utilizada, mas pode ser substituída por outros tipos de farinhas que servem de Alternativas para produzir tipos diferentes de biscoitos, para Elaboração de biscoitos sem glúten e para o Enriquecimento de biscoitos feitos com farinha de trigo. Outrasfarinhas utilizadas são: Farinhas de arroz, arroz integral orgânico, aveia, aveia integral, centeio integral, cevada integral, milho, creme de milho, fubá de milho integral orgânico, soja, rosca, mesocarpo de babaçu, farinha de feijão branco, etc. • Também são comumente utilizados amido e fécula, para melhorar a textura, aparência e estrutura da massa. • Água também, que possibilita a fermentação (no caso dos biscoitos fermentados) e o desenvolvimento do glúten para os biscoitos laminados. • O fermento químico é o mais utilizado, mas também tem o fermento biológico. O fermento biológico usa como levedura a (Saccharomyces cerevisiae) que produz enzimas que promovem a fermentação da massa, transformando açúcares em gás carbônico e álcool, que evapora durante e após o cozimento da massa. Já o fermento químico são Substâncias que no ambiente úmido e ácido da massa provocam reações químicas e produzem gás carbônico. O mais utilizado é o Bicarbonato de Sódio. • O sal confere o gosto salgado e intensifica o sabor dos biscoitos de um modo geral e auxilia o controle da fermentação, os açúcares servem como substrato para desenvolvimento das leveduras e fermentação da massa. Auxiliam a retenção da umidade. Contribuem para o sabor e gosto doce. Contribuem para a coloração dourada, devido à caramelização dos açúcares e da reação de Maillard. São exemplos de açúcares: SACAROSE. AÇÚCAR MASCAVO. AÇÚCAR DEMERARA, MELADO. AÇÚCAR INVERTIDO. GLICOSE DE MILHO OU XAROPE DE GLICOSE. MEL. • OS óleos e gorduras Contribuem para a lubrificação, maquinabilidade e maciez da massa, para o sabor, cor e textura do biscoito. Exemplos de Óleos vegetais temos óleo de girassol, gergelim, azeite de oliva, palma, soja, palmiste e de gorduras vegetais: soja, palma, manteiga, margarina, além de gordura animal (leite, bovina, suína). • E existem aquelas matérias-primas que são acrescidas como Alternativas para produzir diferentes tipos de biscoitos. Enriquecimento nutricional de biscoitos. Atribuição de diferentes sabores, aromas e texturas. Incorporação de fibras e nutrientes. Exemplos são os grãos/cereais, sementes, amêndoas/castanhas e frutas e derivados. • Também são adicionados diferentes condimentos, que atribuem diferentes sabores e aromas, como a cebola, canela, cravo. • Ovos também podem ser adicionados, em forma de pó, contribuindo para a formação da estrutura da massa, sabor e cor do biscoito. E tem propriedade emulsificante. • A adição de leite contribui para o desenvolvimento da cor, sabor e textura do biscoito. Enriquecimento nutricional dos biscoitos. E a adição de extratos, principalmente o de malte também contribui para o desenvolvimento da cor, sabor e textura do biscoito. • E existe uma infinidade de matérias-primas que podem ser adicionadas com as mais variadas funções. • DERIVADOS DO CACAU que dão sabor e cor; QUEIJOS; IOGURTE EM PÓ; ENZIMAS: que substituem o uso de aditivos químicos e de emulsificantes; • DEXTRINAS, MALTODEXTRINAS E AMIDO MODIFICADO: utilizados para modificar a viscosidade da massa e a textura e aparência dos biscoitos.; • POLIDEXTROSE, SUCRALOSE, MALITOL: adoçante para produtos de baixa caloria; • GORDURA HIDROGENADA: que dá maciez e maleabilidade e a GORDURA INTERESTIFICADA que substitui a gordura hidrogenada, reduzindo a quantidade de gordura trans; • E ainda são adicionados para a produção de biscoitos os chamados aditivos, utilizados em quantidades muito pequenas em relação à totalidade da massa dos biscoitos industrializados. No Brasil, a Portaria Nº 540 - SVS/MS, de 27 de outubro de 1997, regulamenta e estabelece os princípios fundamentais para o uso de aditivos em alimentos. E são aditivos comumente utilizados: o EMULSIFICANTES / ESTABILIZANTES: tornam as emulsões mais estáveis e homogêneas, promovem melhora no processamento e conferem melhor textura. o ESPESSANTES: atuam estabilizando as emulsões e aumentando a viscosidade da massa. o ANTIOXIDANTES: são usados para prevenir a oxidação, tendo ainda ação de conservante. o MELHORADORES DE FARINHA: usados para atuar na rede de glúten, aumentar a extensibilidade, reduzir a elasticidade da massa, favorecer a produção de gás das leveduras, contribuir para uma textura mais fina e uniforme. o ACIDULANTES E REGULADORES DE ACIDEZ: utilizados para conferir ou intensificar o sabor ácido. Também funcionam como tampão, equilibrando o pH da massa. o UMECTANTES: para manter a umectância dos biscoitos. o ANTIUMECTANTE: para evitar que os biscoitos absorvam água e se tornem úmidos. o AROMAS OU AROMATIZANTES E REALÇADORES DE SABOR: aditivos alimentares definidos como toda substância que é utilizada para definir, realçar e/ou conferir sabor e aroma ao alimento. o CORANTES: aditivos alimentares definidos como toda substância que confere, intensifica ou restaura a cor de um alimento. Adicionados com o intuito de restituir a aparência original do produto após o processo de produção, tornar o alimento visualmente mais atraente e conferir ou reforçar as cores já presentes nos alimentos. o NÃO é previsto o uso de CONSERVANTES em biscoitos industrializados. Porém, a presença desses aditivos é permitida pelo princípio da transferência, já que alguns recheios utilizados nos biscoitos podem contê-los.