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Artrite Reumatóide Doença Reumatóide www.traumatologiaeortopedia.com.br Artrite reumatóide Definição: Artrite reumatóide (AR) é um distúrbio crônico, sistêmico e inflamatório de etiologia desconhecida caracterizado por um padrão de envolvimento articular simétrico e aditivo. Tem a sinóvia das articulações com seu principal foco de agressão. Ocorre inflamação crônica da membrana sinovial, que sofre metaplasia, proliferando-se e formando o PANNUS. Este por sua vez invade a cartilagem, o osso subcondral e os ligamentos resultando em lesão definitiva e deformidades. Artrite reumatóide: critérios Critérios de classificação da AR Rigidez matinal > 60 minutos* Artrite de 3 ou mais articulações* observadas por médico* Artrite das IFPs, MCFs, ou punhos* Artrite simétrica* Nódulos subcutâneos Fator reumatóide + Alterações radiológicas com erosões e osteopenia periarticular em mãos e punhos Mais de 6 semanas de duração ACR – 1987 revisado 1988 Artrite reumatóide: critérios AR definida > 4 critérios AR: sensibilidade 92 %, especificidade 89% AR: 5 primeiros critérios são obtidos pela história e exame físico Portanto: diagnóstico é CLÍNICO. Maioria: poliartrite simétrica acometendo mais de 4 articulações, geralmente IFPs, MCFs, punhos, MTFs. Fre + está presente em mais de 85% pacientes ( > 1/160 ) Látex Waaler Rose Artrite reumatóide: diagnóstico diferencial Espondiloartropatias seronegativas Doenças do tecido conjuntivo: LES, esclerodermia, polimiosite, vasculites, DMTC, polimialgia reumática. Gôta ( formas poliarticulares ) Artropatias microcristalinas ( doença por deposição de cristais de pirofosfato de cálcio , hidroxiapatita ) Osteoartrose Infecções virais – rubéola, hepatite B Fibromialgia Hipotireoidismo Endocardite bacteriana sub-aguda Hemocromatose Osteoartopatia hipertrófica pnêumica Hiperlipoproteinemias Hemoglobinopatias Policondrite recidivante Febre reumática Sarcoidose Artropatia amilóide Artrite reumatóide: considerações Considerar outros diagnósticos antes da AR quando: Artrite predominando em grandes articulações Doença lombar Doença renal Fator reumatóide negativo Leucopenia Hipocomplementenemia Ausência radiológica de lesões após vários meses de doença artrite assimétrica www.traumatologiaeortopedia.com.br Artrite reumatóide: epidemiologia Raça: multi-racial Distribuição por sexo: 3 F / 1 M Idade: entre 35 e 45 anos 1% da população adulta nos EUA Prevalência aumenta com a idade Artrite reumatóide: etiologia Componente genético: associada ao HLA DR4 e DR1 DR4 ou DR1: em mais de 90% Maior associação nos casos mais graves, poliartriculares, acometimento extra-articular e que evoluem para ARTROPLASTIAS. DR4 – 20/30% da população geral, tornando a explicação da patogênese da AR, somente do ponto de vista genético, incompleta. Fatores que provavelmente interferem na patogênese: Hormônios Virus Sexo Psicológicos Artrite reumatóide: evolução Evolução subaguda: 20% Incidiosa: 70% 10% apresentam péssima evolução % variável pode entrar em remissão por meses ou anos. Sintomas articulares: Poliartrite de caráter aditivo ( há formas oligo e monoarticulares ) Evolução: semanas a meses Sintomas gerais constitucionais podem estar presentes: Febrícula Clafrios Mialgias Artralgias Artrite reumatóide: clínica Início pode ser mono ou oligoartricular evoluindo na maioria das vezes para formas poliarticulares Articulações mais acometidas: IFPs, MCFs, MTFs – envolvimento de grandes articulações costuma ser mais tardio MCFs: 90-95% Punhos: 80-90% IFPs: 65-90% Joelhos: 60-80% MTFs: 50-90% Ombros: 50-60% Coluna cervical: C1-C2: 40-50% Coxofemorais: 40-50% ATMs: 20-30% Artrite reumatóide: patologia PANNUS Primeiro local acometido: membrana sinovial Infiltrado inflamatório mononuclear (LyT), macrófagos ativados ( IL1 ) e células plasmáticas ( produtoras de imunoglobulinas com atividade de fator reumatóide ) Sinoviócitos proliferam-se e a sinóvia inflamada torna-se edemaciada e sofre metaplasia desenvolvendo projeções vilosas = PANNUS. O PANNUS invade o osso subcondral, a cartilagem e os ligamentos levando ao desarranjo anatômico e funcional da arquitetura articular. Artrite reumatóide: deformidades mais comuns nas mãos Edema fusiforme – sinovite nas ifps Deformidade em botoeira – flexão da IFP e hiperext. da IFD, devido ao enfraquecimento da bainha de deslizamento central do tendão extensor e deslocamento palmar das bandas laterais Deformidade em pescoço de cisne – conseqüência da contração dos flexores na MCF, resultando na contratura em flexão da MCF, hiperextensão da IFP e flexão da IFD. Desvio ulnar dos dedos e radial do carpo com subluxação das MCFs Artrite reumatóide: deformidades mais comuns nos pés Pé em garra Pé em martelo – decorrentes da subluxação da cabeça do metatarseanos, secundário ao processo de inflamação crônica das MTFs. O envolvimento reumatóide das articulações do tarso e da subtalar podem determinar uma queda do arco longitudinal e transverso levando ao desenvolvimento de pés valgos. Artrite reumatóide: aspectos radiológicos Aumento de partes moles Porose juxtaarticular ( sem periostite ou osteófitos ) Pseudocistos marginais ( erosões marginais ) Redução do espaço articular de forma simétrica Perda do alinhamento normal da articulação Anquilose ( fibrosa ) Nódulos em superfícies de extensão articular www.traumatologiaeortopedia.com.br Artrite reumatóide: diferenças radiológicas entre AR e OA ( osteoartose ) AR AO Esclerose +/- ++++ Osteófitos +/- ++++ Osteopenia +++ 0 Simetria +++ + Erosões +++ 0 Cistos ++ ++ Redução espaço +++ +++ Artrite reumatóide: líquido sinovial Tipo II: inflamatório Lo: entre 5000 e 50.000/mm3 Diferencial: predomínio de PMN > 50% Níveis de proteínas elevados Glicose: 70% glicemia sérica Viscosidade diminuída Cristais: ausentes Cultura: negativa Característica específica que permita o diagnóstico: não existe Artrite reumatóide: envolvimento da coluna cervical 30-50% - conforme os diferentes grupos C1-C2 nível mais acometido Instabilidade pode ocorrer Cuidados dobrados em procedimentos cirúrgicos que necessitem de entubação orotraqueal Padrões: 20-40% C1-2 Subluxação atlantoaxial anterior: resultando em espaço maior que 3 mm entre o arco de C1 e o processo odontóide de C2 Sinovite em torno da articulação do processo odontóide com o arco anterior de C1 – enfraquecendo e rompendo os ligamentos transverso e alar responsáveis pelo contato entre o proc. odontóide e o arco de C1 Subluxação atlantoaxial vertical – devido ao colapso da articulação lateral entre C1 e C2 (à doença mais grave – quadros sistêmicos, incremento na mortalidade Anti corpos citrulinados - ac anti-citrulina: predictivos em poliartrites simétricas com menos de 6 semanas de duração. Artrite reumatóide: fatores antinucleares/complemento FAN + em 25 % ( não ssa, ssb, dna, sm, rnp ) Doença mais grave que os portadores de AR, FAN – Complemento: C3,C4,CH50: normais ou elevados Diminuição: assoc. à vasculite reumatóide + síndorme de hiperviscosidade + mononeurite múltipla Artrite reumatóide: manifestações extra-articulares Gerais: febre, adinamia, linfadenopatia, perda de peso, fadiga Cardíacas: pericardite, miocardite, vasculite coronária, nódulos reumatóides em válvulas Dermatológicas: eritema palmar, nóduloas subcutâneos , vasculites Neuromusculares: mialgias, neuropatias de encarceramento, neuropatia periférica, mononeurite múltipa Oculares: episclerite, esclerite, nódulos coróides e retinianos Hematológicas: síndrome de Felty, síndrome do Ly granular grande, linfomas Pulmonares: fibrose intersticial, pleurite, nódulos pulmonares, bronquiolite obliterante Outras: síndorme de Sjogren, amiloidose Artrite reumatóide: Síndrome de Felty Neutropenia incidência de artrite séptica ( S. aureus ) Artrite reumatóide: fatores predictivos de má evolução Poliartrite generalizada envolvendo pequenas e grabdes articulações (>10-20 articulações) Doença articular: nódulos e vasculites Vhs ou pcr persistentemente elevados + sinovites ativas FR + Erosões radiológicas dentro dos primeiros 2 anos de evolução DR4 Baixo nível educacional Health assesment questionaire com score > 1 Artrite reumatóide: terapêutica Terapia agressiva logo nos primeiros anos Sintomático: AINH Baixas doses de prednisona 5-10 mg Fisioterapia Terapia ocupacional Repouso Educação do paciente e da família Suplementação de CA/Vit D DMARDs Antimaláricos de síntese ( dfcloroquina/hidroxicloroquina ) Sulfassalzina Methotrexate v.o. ou i.m. Ouro IM D-penicilamina Azatioprina/Ciclofosfamida/Ciclosporina Poliquimioterapia Cirurgias: osteotomias, tenotomias, artroplastias, artrodeses, osteossínteses, correção de deformidades em coluna cervical, correção de instabilidades segmentares e da coluna cervical. Artrite reumatóide: terapêutica Leflunomida ação imunomoduladora: inibe a DIIDRATO DESIDROGENASE, impedindo a síntese “de novo” das pirimidinas >> levando à inibição da síntese do DNA e RNA. Possui significativo efeito inibitório na proloferação e na ativação dos Ly. Metaólito ativo A771726 ou M1 atinge o pico plasmático em 6 a 12 hs, sendo altamente conjugado à proteínas plasmáticas (99%). T1/2 2 semanas. Dose de ataque 100 mg por 3 dias. Metabolismo renal e hepática. Colestiramina reduz acentuadamente seus níveis séricos. Não há interação farmacocinética com o MTX, mas pode aumentar a hepatotoxicidade. Toxicidade: hipertensão, rash, diarréia e perda de peso. Artrite reumatóide: terapêutica Agentes Biológicos grupo de ação inibitória sobre o fator de necrose tumoral (TNF) - INFLIXIMABE, ADALIMUMABE, ETANERCEPTE. Antagonistas da Interleucina 1 - Anaquinra. Artrite reumatóide: terapêutica TNF - é uma citocina pró-inflamatória que apresenta papel chave na mediação da sinovite inflamatória , degradação da matriz articular e erosão óssea na AR. Tornou-se assim, importante ALVO molecular para a intervenção biológica direta. Ação: ligam-se a dois tipos de receptores: TNF tipo 1 - p55 TNF tipo 2 - p75 www.traumatologiaeortopedia.com.br Artrite reumatóide: terapêutica Os Biológicos Artrite reumatóide: terapêutica Etanercepte Proteína de fusão solúvel - 2 dímeros 1 extracelular cuja porção ligante de maior afinidade é o receptor tipo 2 - p75 que se liga a porção Fc da IgG1 humana. Parece que a associação com MTX otimiza a resposta terapêutica nos pacientes que não responderam a monoterapia com MTX. Trabalhos evidenciam resposta mais rápida nos primeiros 12 meses igualando-se com o MTX após 24 meses. Artrite reumatóide: terapêutica Infliximabe Aprovado inicialmente para o trato. Da Dça de Cröhn Anticorpo quimérico anti IgG 1 cuja região de ligação ao antígeno é um anticorpo murínico e a região contante um ac humano. Impede a ligação da citocina ao seu receptor a partir de sua ligação ao TNF solúvel e com o de membrana com alta afinidade. Mata as células que expressam o TNF em sua superfície através de um mecanismo citotóxico anticorpo e complemento dependente. Há descrição na literatura de formação de anticorpos anti Infliximabe, inviabilizando a monoterapia. Artrite reumatóide: terapêutica Adalimumabe É um anticorpo monoclonal humano recombinante IgG1 que se liga ao TNF alfa com alta afinidade: impede a ligação dessa citocina com seu receptor promove a lise celular. ACR 20 : taxas de melhora semelhantes ao MTX. Artrite reumatóide: terapêutica Considerações sobre o uso clínico dos anti-TNF Infecções bacterianas graves. Tuberculose: reativação de foco / geralmente nos primeiros 3 a 5 meses de tratamento - forma extrapulmonar, forma disseminada, formas atípicas. Aspergilose,Histoplasmose,Criptococose. infecção por Pneumocistis carinii. Linfomas: 2,3 a 6,4x mais chances. Anti corpos anti Etanercepte em 3% com significado desconhecido, 53% anti Infliximabe, 12% anti Adalimumabe. Surimento de anticorpos antinucleares: anti DNA, mas LES droga induzido foi raro. Artrite reumatóide: terapêutica Anaquinra - Antiinterleucina 1 IL1 é produzida por macrófagos, monócitos e células da linhagem sinovial - age induzindo a IL6 e a cicloxigenase 2 estimulando o processo inflamatório. Seus níveis estão elevados na AR e seus receptores estão diminuídos que uma vez antagonizados minimizam os efeitos da IL1. Anaquinra é uma forma recombinante de antagonista dos receptores de IL1. Meia vida curta, tornando necessária a administração diária. Es. Cs.: irritação cutânea, infecções oportunísticas, neutropenia. Artrite reumatóide: mortalidade Causas cardiovasculares Infecções Neoplasias sólidas e não sólidas Hemorragia digestiva por ainh Artrite reumatóide soronegativa Pacientes dentro do conceito diagnóstico de AR mas que não possuem FR+ Bom prognóstico Manifestações extra-articulares são leves e raras Boa sobrevida Parte destes pacientes evoluirão para outras patologias: LES Artrite psoriásica Artrite microcristalina ( pirofosfato de cálcio ) www.traumatologiaeortopedia.com.br Droga Ação primária Via de admi nistra ção Dose usual T1/2 Etanercepte Ligação aos TNF alfa e beta SC 25 mg / 2x por semana ou 50 mg / semana 4 dias Adalimumabe Ac anti TNF alfa humano SC 40 mg a cada 2 semanas 2 sema nas Infliximabe Ac anti TNF alfa quimérico IV 3 mg/ kg de peso nas semanas 0,2 e 6, depois a cada 8 semanas. 9 dias Ananquinra Antagonista s de receptor IL- 1 SC 100 mg diários 6 horas