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Prévia do material em texto

Professor Me. Cleber Henrique Sanitá Kojo
ACE: CULTURAL
REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira
DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença 
DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima
DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto 
DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini
DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel
COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Ma. Luciana Moraes
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa. Ma. Luciana Moraes
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Me. Jeferson de Souza Sá
COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa. Ma. Sônia Maria Crivelli Mataruco
COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas
REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling 
 Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
 Caroline da Silva Marques 
 Eduardo Alves de Oliveira
 Jéssica Eugênio Azevedo
 Marcelino Fernando Rodrigues Santos
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos
 Hugo Batalhoti Morangueira
 Vitor Amaral Poltronieri
ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz 
DE VÍDEO Carlos Firmino de Oliveira 
 Carlos Henrique Moraes dos Anjos
 Kauê Berto
 Pedro Vinícius de Lima Machado
 Thassiane da Silva Jacinto 
 
As imagens utilizadas neste material didático 
são oriundas dos bancos de imagens Shutterstock .
2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie.
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva
dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da 
obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la 
de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
3
Professor Me. Cleber Henrique Sanitá Kojo
• Mestre em Educação e Novas Tecnologias – Must University – Miami University 
of Science and Technology.
• Especialista em História e Geografia - ESAP - Instituto de Estudos Avançados 
e Pós-Graduação;
• Especialista em Gestão Escolar, Supervisão e Orientação - ESAP - Instituto de 
Estudos Avançados e Pós-Graduação;
• Especialista em Educação de Jovens e Adultos- ESAP - Instituto de Estudos 
Avançados e Pós-Graduação;
• Licenciatura Plena em História - UNESPAR - PR;
• Licenciatura Plena em Sociologia - UNAR - Centro Universitário de Araras “Dr. 
Edmundo Ulson”;
• Licenciatura Plena em Pedagogia - UNIFATECIE;
• Licenciatura Plena em Educação Física - UNIFATECIE;
• Bacharelado em Biblioteconomia - UNIFATECIE;
• Docente da educação básica (Fundamental e Médio) da SEED, PR.
• Docente do ensino superior;
• Coordenador de cursos na EAD;
• Coordenador do núcleo de ciências humanas, sociais e naturais da EAD.
Atualmente sou acadêmico do Mestrado em Educação e Novas Tecnologias; Tenho 
ampla experiência como docente da educação básica (Fundamental e Médio), Professor 
de cursinhos pré-vestibulares em história, sociologia e filosofia. Além de prática docente na 
educação à distância. 
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7716876167354361.
AUTOR
4
Seja muito bem-vindo(a)!
Prezado(a) aluno(a), é com um prazer imenso fazer parte de sua formação em sua 
ACE (Atividade Curricular Extensionista) com o Tema Cultural. Trilharemos uma jornada re-
pleta de desafios sobre as questões que envolvem a cultura em diversas áreas. Proponho, 
junto com você, construir um conhecimento sobre os aspectos que envolvem a questão 
cultural e levá-la à comunidade em que se encontra. Viajaremos sobre esse conteúdo abor-
dando oito tópicos importantes. Vamos conhecer o que estudaremos em cada um?
No Tópico I, faremos uma breve introdução à cultura e debateremos as perspectivas 
de análise sobre a cultura. Abordando ainda o universalismo, relativismo e multiculturalismo. 
Já no Tópico II, ampliaremos nossos conhecimentos através da busca das experiên-
cias culturais abordando os processos culturais, além da difusão cultural, aculturação e endo-
culturação. Concluiremos essa etapa conhecendo um pouco da cultura e identidade brasileira. 
Seguindo nossos estudos, voltaremos nossos olhos para o Tópico III, que aborda-
rá um conteúdo encantador da cultura popular, cultura de massa e o pensamento social. 
Posteriormente analisaremos o Indivíduo e sociedade para compreendermos a influência.
O Tópico IV, é totalmente cativante, pois aqui você irá trilhar sua jornada nas manifesta-
ções e na cultura popular, com os festejos, folguedos e tradições populares do folclore brasileiro.
Então, seguiremos nossos estudos com o Tópico V, com uma abordagem clássica 
sobre as culturas e as particularidades de um referencial brasileiro. Conhecendo ainda os 
mecanismos municipais, estaduais e federais que incentivo à cultura. 
O Tópico VI, está reservado para conhecermos a relação entre cultura e turismo, 
abordando o patrimônio cultural, o tombamento. Analisaremos ainda a importância dos 
museus e centros culturais.
Chegamos ao Tópico VII, ou seja, estamos quase no final de nossa jornada. Então 
faremos uma relação da cultura com a saúde, através da análise dos fatores culturais em 
epidemiologia com a cultura e farmacologia das drogas, álcool e tabaco. Finalizando com 
uma das mais importantes abordagens da atualidade que são os aspectos culturais do 
estresse e do sofrimento.
Em nosso último tópico, ou seja, no Tópico VIII, faremos uma breve relação entre 
cultura e poder. 
Por fim, desejamos que este material possa fortalecer ainda mais seu desenvolvimen-
to acadêmico, através da absorção do conhecimento. Norteando sua prática extensionista. 
Muito obrigado e bom estudo!
APRESENTAÇÃO DO MATERIAL
5
Plano de Estudo:
• Tópico 1: Introdução à cultura, perspectivas de análise sobre a cultura, Univer-
salismo, relativismo e multiculturalismo;
• Tópico 2: Processos culturais: difusão cultural, aculturação e endoculturação. 
Cultura e identidade brasileira;
• Tópico 3: Cultura popular, de massa e pensamento social. Indivíduo e socieda-
de. Cultura de massa e indústria cultural;
• Tópico 4: Manifestações e Cultura popular: festejos, folguedos e tradições 
populares do folclore brasileiro;
• Tópico 5: As culturas e as particularidades de um referencial brasileiro. Meca-
nismos municipais, estaduais e federais de incentivo à cultura;
• Tópico 6: Cultura e Turismo: Patrimônio cultural. Patrimônio e tombamento. 
Museus e centros culturais;
• Tópico 7: Fatores culturais em epidemiologia. Cultura e farmacologia: drogas, 
álcool e tabaco. Aspectos culturais do estresse e do sofrimento;
• Tópico 8: Cultura e Poder. 
Objetivos de Aprendizagem:
• Realizar uma introdução à cultura. Perspectivas de análise sobre a cultura. 
Universalismo, relativismo e multiculturalismo;
• Conhecer os processos culturais: difusão cultural, aculturação e endocultura-
ção. cultura e identidade brasileira;
• Relacionar-se com a cultura popular, de massa e pensamento social. Além de o 
Indivíduo e sociedade e indústria cultural;
• Reconhecer as manifestações e a cultura popular com os festejos, folguedos e 
tradições populares do folclore brasileiro;
• Conscientizar-se da cultura e as particularidades de um referencial brasileiro. 
Comos mecanismos municipais, estaduais e federais de incentivo à cultura; 
• Conhecer a cultura e turismo: Patrimônio cultural. Patrimônio e tombamento. 
Museus e centros culturais;
• Identificar os fatores culturais em epidemiologia. Cultura e farmacologia: drogas, 
álcool e tabaco. Aspectos culturais do estresse e do sofrimento;
• Relacionar a Cultura e Poder.
6
Cultura popular, de massa e pensamento social. Indivíduo e 
sociedade. Cultura de massa e indústria cultural;
TÓPICO 3
Processos culturais: difusão cultural, aculturação e 
endoculturação. Cultura e identidade brasileira;
TÓPICO 2
Introdução à cultura, perspectivas de análise sobre a cultura, 
Universalismo, relativismo e multiculturalismo;
TÓPICO 1
SUMÁRIO
Manifestações e Cultura popular: festejos, folguedos e 
tradições populares do folclore brasileiro;
TÓPICO 4
As culturas e as particularidades de um referencial brasileiro. 
Mecanismos municipais, estaduais e federais de incentivo à cultura;
TÓPICO 5
Cultura e Turismo: Patrimônio cultural. Patrimônio e 
tombamento. Museus e centros culturais;
TÓPICO 6
Fatores culturais em epidemiologia. Cultura e farmacologia: drogas, 
álcool e tabaco. Aspectos culturais do estresse e do sofrimento;
TÓPICO 7
Cultura e Poder
TÓPICO 8
INTRODUÇÃO À CULTURA, 
PERSPECTIVAS DE ANÁLISE SOBRE 
A CULTURA, UNIVERSALISMO, 
RELATIVISMO E MULTICULTURALISMO.1
TÓPICO
7INTRODUÇÃO À CULTURA, PERSPECTIVAS DE ANÁLISE SOBRE A CULTURA, UNIVERSALISMO, 
RELATIVISMO E MULTICULTURALISMO.
TÓPICO 1
Para iniciar nossos estudos, temos que conceituar a definição de cultura. Fazer 
uma reflexão sobre o tema. Mas o que é cultura para você? Todos os povos têm cultura? 
Ao refletirmos sobre essas perguntas, somos levados a crer que a cultura existe em todos 
os lugares e todos os povos, pois a cultura é transmitida pelos povos, mesmo que seja de 
boca em boca, de progênie para progênie. Vale ressaltar que essa herança norteará as 
atitudes, regras e modos de agir de um determinado povo. Ou seja, é uma herança social 
que promove a convivência harmoniosa entre um determinado povo. Podemos acrescentar 
que não é apenas pela socialização que se adquire a cultura, mas através de símbolos e 
linguagens que são entre os membros de uma localidade.
A definição de cultura pode variar de sociólogo, antropólogo e outros estudiosos. 
Mas neste momento, utilizaremos o conceito de Barroso, Bonete e Queiroz (2018, p. 38), 
afirmando que cultura é “aquele todo complexo que inclui conhecimento, crença, arte, mo-
ral, direito, costume e outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro 
de uma sociedade”.
Salientando que a cultura fica evidente quando observamos os valores e comporta-
mentos dentro de uma região específica e que isso fica mais aparente nas ações sociais de 
um determinado grupo. Portanto, podemos dizer que a cultura é exclusiva das sociedades 
humanas, já que, a partir dela, se pode traçar a diferenciação entre o homem e o animal 
(BARROSO; BONETE e QUEIROZ, 2018, p. 39). Ou seja, somente o homem tem a capa-
cidade de construir e disseminar a cultura.
8INTRODUÇÃO À CULTURA, PERSPECTIVAS DE ANÁLISE SOBRE A CULTURA, UNIVERSALISMO, 
RELATIVISMO E MULTICULTURALISMO.
TÓPICO 1
Ainda sobre a definição de cultura, podemos abordá-la através de alguns pontos 
específicos como a visão humana. Vale ressaltar que os homens agem de acordo com 
os padrões e regras instituídas por um determinado grupo e quando um age de maneira 
contrária é considerado um desviado, um infrator. Então, o estigma de ser rotulado como 
infrator acaba por resultar em atos discriminatórios dentro de uma determinada sociedade. 
Por isso, ocorre a coerção social, no qual as pessoas são condicionadas a agir de acordo 
com as normas e expectativas protegidas por aquela cultura.
Barroso, Bonete e Queiroz (2018), acrescentam ainda dizendo que:
Dentro das sociedades, cada um pode ocupar um papel social diferente, 
determinado pelo convívio entre os membros da comunidade. Por isso, a 
aprendizagem cultural não se dá como herança biológica e sim como heran-
ça social através da imitação e reprodução, consciente e inconsciente, dos 
aspectos culturais que permeiam o ambiente social no qual os indivíduos 
estão mergulhados (BARROSO; BONETE e QUEIROZ, 2018, p. 40).
Você já observou que a cultura de um povo passa pela alimentação? Vale ressal-
tar ainda que os padrões determinados por uma sociedade também podem ser vistos na 
alimentação, ou seja, tem grupos sociais que mantém uma boa alimentação no qual a po-
pulação é saudável, enquanto outros consomem comidas pesadas, gordurosas que afetam 
a qualidade de vida daquela localidade cultural. Gerando alteração do sono, obesidade e 
diminuição da expectativa de vida. 
Outro ponto importante sobre a cultura é que nem todos os indivíduos dentro de 
uma realidade cultural específica participam de todos os momentos e recortes existentes. 
Pois existem condicionantes que podem alterar a participação dos indivíduos nas ativida-
des, como a questão da idade, papel social, entre outros. Vale destacar que com o passar 
do tempo e conhecendo as regras e normas existentes, a pessoa escolhe onde participar 
no leque do arcabouço cultural de uma sociedade. Um exemplo que podemos apresentar é 
a participação religiosa, ou seja, pode conhecer o catolicismo, mas com o passar do tempo 
pode se tornar evangélico ou até mesmo o exercendo o ateísmo.
Já Barroso, Bonete e Queiroz (2018), nos agrega ainda dizendo que:
É importante que os indivíduos conheçam e participem de alguns aspectos 
culturais que possibilitem a comunicação e articulação com os outros mem-
bros da sociedade. Saber como agir e se comportar em determinadas si-
tuações faz parte da convivência, ainda que essa seja uma aprendizagem 
processual e nem sempre se aja como deveria (BARROSO; BONETE e 
QUEIROZ, 2018, p. 40).
9INTRODUÇÃO À CULTURA, PERSPECTIVAS DE ANÁLISE SOBRE A CULTURA, UNIVERSALISMO, 
RELATIVISMO E MULTICULTURALISMO.
TÓPICO 1
Assim, podemos afirmar que podemos escolher no leque cultural o que faremos, 
mas precisamos entender e respeitar outras regras sociais para vivermos em comunidade 
de maneira harmoniosa.
Podemos demonstrar ainda que, a cultura pode ser modificada em alguns pontos 
com o passar do tempo. Talvez você tenha ouvido: “- Na minha época não tinha essa pouca 
vergonha!”, ou visto as mudanças temporais nas fotografias quando observamos as roupas, 
cortes de cabelo, músicas, gírias, e outros componentes culturais de um determinado povo. 
Sobre essas mudanças, Barroso, Bonete e Queiroz (2018), diz que:
As mudanças culturais ocorrem de modo endógeno ou exógeno. O modo en-
dógeno pode ser decorrente do próprio sistema cultural, a partir dos membros 
que participam dessa sociedade. O modo exógeno se dá por meio de um con-
tato cultural, com outros povos, que acaba interferindo em práticas culturais es-
tabelecidas antes do contato (BARROSO; BONETE e QUEIROZ, 2018, p. 43).
 
Outro ponto que devemos entender em relação à cultura, é a rapidez que podemos 
conhecê-las e entendê-las na atualidade, pois observamos as mudanças e conhecemos 
muitas culturas ao redor do mundo. Salientando que é observável a linguagem, músicas, 
danças, vestimentas e podemos nos deparar com pré-conceitos entre as diferenças cultu-
rais. Por exemplo, podemos achar estranho em uma sociedade islâmica o uso da burca, 
enquanto eles acham estranho o uso de biquíni. Talvez você ache estranho o homem poder 
se casar com várias mulheres, mas a cultura pode ser poligâmica ou monogâmica. Assim, 
nasce as diferenças culturais e nasce o etnocentrismo. Pois achamos que o nosso é o cor-
reto, superior, melhor, entre outras coisas. Visto que o meu certo e errado não é o do outro.
Após a Segunda Guerra Mundial, com o advento dos direitos humanos, nasce o 
que chamamos de universalismo cultural, ou seja, temos que proteger o homem e sua 
dignidade independente da diferença cultural. Isso, se torna perigoso,pois alguns países 
decidem fatos culturais de outros como inferiores, resultando até mesmo no imperialismo 
ou neocolonialismo, promovendo a aculturação.
Outro ponto seria o relativismo cultural, ou seja, devemos respeitar a autonomia 
cultural de cada povo. Assim, podemos afirmar que se torna uma oposição ao universalis-
mo, não podendo aplicar um princípio universal entre diferentes culturas.
Existe também a ideia do multiculturalismo, ou seja, essa corrente propõe a exis-
tência de uma harmonia na convivência da pluralidade cultural.
Deste modo, deve-se levar em consideração os princípios de igualdade e 
reconhecimento das diferenças, para pensar em uma concepção de direitos 
humanos aglutinadora, híbrida e agregadora. Assim, não se deseja opor uni-
versalismo e relativismo, mas compor um diálogo entre essas teorias para 
defesa dos direitos humanos, sem descaracterizar as particularidades das 
diversas culturas (BARROSO; BONETE e QUEIROZ, 2018, p. 53).
10PROCESSOS CULTURAIS: DIFUSÃO CULTURAL, ACULTURAÇÃO E ENDOCULTURAÇÃO. CULTURA 
E IDENTIDADE BRASILEIRA
TÓPICO 2
PROCESSOS CULTURAIS: DIFUSÃO 
CULTURAL, ACULTURAÇÃO E 
ENDOCULTURAÇÃO. CULTURA E 
IDENTIDADE BRASILEIRA2
TÓPICO
Quando pensamos em mudanças que as culturas passam, nos voltamos a uma de-
finição chamada processos culturais. Essas mudanças podem ser por meio de assimilação 
ou abandonando alguma característica cultural. Destacando ainda que os processos cultu-
rais podem ocorrer por fatores internos ou externos, também conhecido como endógeno ou 
exógenos da cultura de um povo. 
Em um mundo globalizado é comum ocorrer o contato entre pessoas, que mesmo 
sem perceber tem contato com outra cultura, adquirindo uma absorção ou não, parcial 
ou total dela. Como exemplo, podemos apresentar um brasileiro que mora por anos em 
Portugal e acaba absorvendo sotaques, gírias, trejeitos, vestimentas, hábitos de lá. Mas 
continua sendo torcedor do Flamengo, Corinthians ou Santos. Esses “ajustes” culturais, 
estão inseridos em todo o processo cultural.
Todas essas mudanças culturais, são influenciadas também pelas relações de 
poder entre as trocas culturais, ou seja, um grupo dominante pode impor sua cultura ao 
dominado. Como exemplo podemos citar a presença dos Estados Unidos no Afeganistão, 
pois os hábitos como a vestimenta feminina, o papel das mulheres na sociedade, a alimen-
tação que existia acabou por ser retirados e impostos o modelo americano. Vale ressaltar 
que os encontros entre diferentes povos permitem uma autoavaliação cultural influenciando 
as regras e valores de uma sociedade.
Outro ponto importante é a difusão cultural, que pode ser explicada quando se 
encontra um padrão cultural transmitida de uma sociedade para outra, mesmo sem existir 
um contato direto entre elas. Barroso, Bonete e Queiroz (2018), afirmam que:
11PROCESSOS CULTURAIS: DIFUSÃO CULTURAL, ACULTURAÇÃO E ENDOCULTURAÇÃO. CULTURA 
E IDENTIDADE BRASILEIRA
TÓPICO 2
Esse conceito busca compreender como um elemento cultural se difunde 
através das culturas ainda que não haja proximidade constante e direta entre 
elas. Ou seja, ao longo dos tempos, algumas sociedades podem se aproxi-
mar e se afastar de outros povos, carregando os elementos culturais trocados 
adiante, ainda que depois se afastem em definitivo (BARROSO; BONETE e 
QUEIROZ, 2018, p. 62).
Assim, podemos nos indagar sobre como ocorrem os aspectos culturais de uma 
cultura com a outra. O exemplo clássico disso seria o ato de criarem ferramentas seme-
lhantes ou a questão religiosa comum entre diferentes sociedades. Destacando ainda que 
essa difusão cultural ocorre por meio de elementos culturais que não são basicamente 
relacionando a evolução da humanidade e sim uma difusão de elementos culturais sem 
ameaçar culturas paralelas. Pois, não seria possível uma cultura substituir a outra. O que 
ocorre é uma assimilação ou imitação cultural, seja de maneira total ou incompleta.
Outro ponto que deve ser abordado é a aculturação que pode ser definida como a 
união de culturas diferentes que através do contato frequente acaba por ter padrões iguais 
em sua cultura. Ou seja, a aculturação é a junção de duas culturas diferentes que ao se 
encontrarem criam mudanças nos padrões culturais que envolvem o comportamento, a 
língua e valores. Vale ressaltar ainda que o tempo de absorção é longo e a assimilação cul-
tural ocorre naturalmente, mas nem sempre de maneira pacífica, pois alguns povos lutam 
contra a aculturação e a perda de seu caminho. Outro ponto da aculturação é o sincretismo 
religioso, ocorrendo então a miscigenação cultural e a absorção de diferentes religiões. Um 
exemplo é as religiões afro-brasileiras.
Além da aculturação, encontramos em nossos estudos a endoculturação que tem 
como definição básica o aprendizado de uma cultura no qual o indivíduo está inserido desde 
sua infância. Ou seja, é o processo em que o indivíduo convive e é condicionado a uma 
conduta que se estrutura em uma determinada cultura. Podemos exemplificar de maneira 
clara, que uma criança aprende o que é certo e errado de acordo com a cultura em que vive.
No Brasil, temos um exemplo de endoculturação em nosso dia a dia, principalmente 
quando nos sentimos pertencentes a identidade brasileira. Pois segundo Barroso, Bonete 
e Queiroz (2018), a identidade é:
fonte de significados e experiências de um povo, de uma nação, de uma 
etnia, de um grupo social que se arquitetam por meio de atributos culturais 
partilhados, como, por exemplo: língua, dança, música, alimentação, cren-
ças, valores, entre outros. Todos esses elementos configuram o modo de 
um grupo social ser e se apresentar para o mundo, podendo ter algumas 
características específicas os quais caracterizam ou ainda mesmo dividem 
alguns desses elementos com outras sociedades (BARROSO; BONETE e 
QUEIROZ, 2018, p. 70).
12PROCESSOS CULTURAIS: DIFUSÃO CULTURAL, ACULTURAÇÃO E ENDOCULTURAÇÃO. CULTURA 
E IDENTIDADE BRASILEIRA
TÓPICO 2
Assim, podemos dizer que a endoculturação está na construção do brasileiro. Na 
própria identidade cultural de nosso país. Salientando que nossa história, lutas, conquis-
tas das memórias coletivas, ajudam na formação de nossa cultura nacional. A identidade 
brasileira não é diferente, pois ao longo da história fomos vivendo com a miscigenação 
cultural e enfrentando desafios que moldaram nosso sentimento de pertencimento. Vale 
destacar que, em nossa colonização recebemos influências da cultura indígena, africana, 
europeia e enfrentamos momentos de lutas que nos moldaram e criaram o sentimento de 
pertencimento e assim gerando uma identidade nacional. 
Caso nasce a pergunta: Por que você gosta de ser brasileiro? E sua resposta 
foi: amo futebol, carnaval, caipirinha, feijoada, vatapá, festa do boi bumbá entre outras 
respostas, como “brasileiro é diferente! Amigável! Acolhedor! Assim, podemos perceber 
uma identidade nacional, seja consciente e inconsciente, vamos nos tornando patriotas e 
participando de nossa cultura.
CULTURA POPULAR, DE MASSA E 
PENSAMENTO SOCIAL. INDIVÍDUO 
E SOCIEDADE. CULTURA DE MASSA 
E INDÚSTRIA CULTURAL3
TÓPICO
13CULTURA POPULAR, DE MASSA E PENSAMENTO SOCIAL. INDIVÍDUO E SOCIEDADE. CULTURA 
DE MASSA E INDÚSTRIA CULTURAL
TÓPICO 3
A cultura de um povo, independentemente da aculturação, endoculturação e outros 
aspectos, está presente em todas nossas atitudes. Inclusive nesse momento, você está 
exercendo sem saber essa etapa da cultura digital. Mas a vivência de um povo também pro-
move um aspecto cultural importante que podemos chamar de cultura popular. Mas o que é 
cultura Popular? Conseguimos defini-la como um conjunto de manifestações culturais que 
são criadas e compartilhadas entre um grupo com características de sua tradição comum. 
Ressaltando que sempre respeitando o conhecimento popular e buscando a manutenção 
de sua cultura e promovendo a transmissão de sua cultura entre gerações e deixando um 
legado social que àsvezes é intitulado de folclore. Ou seja, tanto a cultura popular e o 
folclore são legados repletos de elementos culturais.
Já a cultura de massa apareceu com o advento da industrialização, pois a divisão do 
trabalho e o aumento da produção, promoveu a busca incessante de novos mercados con-
sumidores e de novas estratégias de encantamento e de consumo. Promovendo a ideia de 
necessidade do produto. Salientando que o aumento de produção ocasionou uma redução 
de preço e maior acesso aos produtos, que passaram a adotar em seu cotidiano slogans de 
propagandas publicitárias que tornaram a marca no produto. Ou seja, conhecemos amido 
de milho como “Maizena”, palha de aço como “bombril”, entre outros. Percebemos isso, 
quando Barroso, Bonete e Queiroz (2018), nos dizem que:
(...) a publicidade também se desenvolveu bastante nessa época, de modo 
a enfatizar a liberdade da escolha individual do consumo, ao mesmo tempo 
em que evidenciava esse discurso na exposição de certa cultura. Logo, não 
eram consumidos produtos em si, mas bens simbólicos representativos de 
14CULTURA POPULAR, DE MASSA E PENSAMENTO SOCIAL. INDIVÍDUO E SOCIEDADE. CULTURA 
DE MASSA E INDÚSTRIA CULTURAL
TÓPICO 3
uma condição superior do indivíduo em relação ao restante da população. 
Ainda que muitos não pudessem acessar esses produtos, eles se tornam 
objeto de desejo de grande parte da população que veem as propagandas e 
são atraídos pelo discurso expresso no seu conteúdo (BARROSO; BONETE 
e QUEIROZ, 2018, p. 94).
A cultura de massa é fruto da propaganda e do consumo que é refletida no poder 
econômico das empresas, empresários que vão ditar a cultura consumida pelas pessoas. 
Um exemplo clássico seria os modelos de roupas que aparecem em novelas e se tornam 
moda e consequentemente consumo da cultura.
Podemos perceber isso recentemente em nosso país com a estreia do filme da “Barbie”, 
que foi uma referência para o consumo de um determinado período quando se fala em boneca. 
Com a chegada do filme, ocorreu um frenesi pelas roupas cor de rosa que remete a boneca, 
propagandas de supermercados e grandes empresas fazendo propagandas com cardápios 
adaptados utilizando-se do amor por uma boneca que muitos fãs nunca tiveram acesso pelo 
preço em sua infância, mas que ouviu falar e entra na exploração da cultura de massa.
A cultura de massa, reflete no que a escola de Frankfurt nos apresenta, ou seja, na 
chamada indústria cultural. Segundo Souza (2017):
A Escola de Frankfurt é o nome dado a um amplo grupo de pesquisadores 
que atuaram no Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Frankfurt, 
na Alemanha. Os investigadores que ali trabalharam partiram de referenciais 
neomarxistas, isto é, correntes teóricas que revisaram a teoria marxista e pu-
blicaram uma série de artigos e livros, sobretudo durante a segunda metade 
do século XX. Os pesquisadores desse grupo construíram conceitos e refle-
xões de extrema influência para o pensamento social, principalmente para os 
estudos no campo da cultura (...) (SOUZA, 2017, p. 72).
Os membros da Escola de Frankfurt, buscavam uma reflexão com uma visão mar-
xista em relação às propagandas e a ideia de progresso capitalista pregada pelos slogans 
de consumo. Vale ressaltar que, buscavam relacionar as práticas culturais ao processo de 
exploração e dominação através do consumo desenfreado. Salientando que o indivíduo, ao 
executar uma reflexão sobre o tema, poderia apresentar o que os pensadores de Frankfurt 
chamavam de emancipação social. 
É justamente no tema da possibilidade de emancipação que reside uma das 
principais críticas aos pensadores que compõem a escola de Frankfurt. O 
foco que esses pensadores dão para as limitações individuais ante o sistema 
acaba por barrar as possibilidades de desenvolvimento de um pensamento 
crítico (SOUZA, 2017, p. 104).
Por fim, podemos dizer que a indústria cultural nos leva a alienação em relação ao 
verdadeiro papel cultural, pois nos limita a pensarmos em manada e não por si mesmo.
MANIFESTAÇÕES E CULTURA POPULAR: 
FESTEJOS, FOLGUEDOS E TRADIÇÕES 
POPULARES DO FOLCLORE BRASILEIRO4
TÓPICO
15MANIFESTAÇÕES E CULTURA POPULAR: FESTEJOS, FOLGUEDOS E TRADIÇÕES POPULARES DO 
FOLCLORE BRASILEIRO
TÓPICO 4
Saindo do assunto da cultura de massa, somos levados a debater uma nova vertente 
sobre a vivência do termo cultura. Pois, quando pensamos em cultura propriamente dita, 
precisamos entender que não estamos somente ligados a tradições e alienação quando pen-
samos em cultura de massa. Salientando ainda que, a cultura também está presente no meio 
ambiente de um povo, ou seja, em sua localidade, incluindo a diversidade da cultura local. 
Sant´ana (2013), nos apresenta uma visão clara quando afirma que devemos 
manter fortemente o contato e reprodução dessa cultura local nomeando-a como folclore. 
Afirmando que:
(...) a importância da manutenção das culturas tradicionais ou populares, que 
reconhecemos como nosso patrimônio imaterial. Os termos “cultura tradicio-
nal” ou “cultura popular” são considerados, hoje em dia, sinônimos da palavra 
“folclore” (SANT´ANA, 2013, p. 31).
O folclore apresentado por Sant´ana (2013), pode ser definido como um conjunto de 
criações culturais de uma localidade que apresenta suas tradições locais. Vale ressaltar que:
Constituem-se fatores de identificação da manifestação folclórica: aceitação 
coletiva, tradicionalidade, dinamicidade, funcionalidade. Ressaltamos que 
entendemos folclore e cultura popular como equivalentes, em sintonia com o 
que preconiza a Unesco (SANT´ANA, 2013, p. 31).
 
Podemos acrescentar ainda que a terminologia da palavra folclore foi criada pelo 
arqueólogo inglês William John Thoms e publicada na revista The Athenaeum. Salientando 
que o significado vem da raiz “Folk-Lore”, ou seja, sabedoria de um povo. Assim, a palavra 
se tornou conhecida em várias nações do mundo quando se apresenta uma cultura Local. 
16MANIFESTAÇÕES E CULTURA POPULAR: FESTEJOS, FOLGUEDOS E TRADIÇÕES POPULARES DO 
FOLCLORE BRASILEIRO
TÓPICO 4
Cascudo (2012), afirma que precisamos entender que o homem deve valorizar 
a cultura local para desenvolver a manutenção e vivência do folclore. Percebemos isso, 
quando ele diz que é:
Essencial é deduzir que o folclore é uma cultura mantida pela mentalidade 
do homem e não determinada pelo material manejado. O material é que será 
modelado, elevando-se a um motivo criador. Para que desapareça é preci-
so que sucumba à própria função. Sempre foi assim, na história do mundo 
(CASCUDO, 2012, p. 32).
Um dos pontos importantes do folclore é que o mesmo se apresenta em todos os 
cantos no mundo, reforçando a cultura popular de cada povo. Aqui no Brasil, presenciamos 
o folclore através da cultura popular de nosso país, pois ela é repleta de festejos que mo-
bilizam cidades com muitas manifestações nos folguedos. Podemos exemplificar quando 
observamos as festas juninas no nordeste do país, repleta de músicas, danças, relacionada 
a religiosidade e a São João. 
O cuidado que devemos ter é se a cultura popular passa a ser vista como cultura de 
massa. Isso pode ser visto quando debatemos em consumir o “maior São João do Brasil”, 
de Campina Grande ou “o melhor São João do Brasil”, de Caruaru. Ou seja, o folclore pode 
ser utilizado para promover o consumo e a alienação também.
Mas voltando ao folclore como tradição, podemos conhecer mais quando Barroso, 
Bonete e Queiroz (2018), nos diz que:
folclore é o conjunto da cultura popular e não pode ser limitado a uma mar-
gem normativa que congele as expressões populares no espaço-tempo. A 
riqueza das expressões culturais está, sem dúvida, na tradição, contudo, ela 
também se apresenta na capacidade criativa que o povo carrega consigo, na 
constante transformação da própria tradição (BARROSO; BONETE e QUEI-
ROZ, 2018, p. 212).
Já a tradição nos leva a visualizar o que podemos chamar de festejos populares. 
Vale ressaltar que boa parte dos festejos de nosso país é voltadapara a religiosidade ou 
ao caráter profano, pode ser São João, a festa do Divino Espírito Santo, o Círio de Nazaré 
ou o profano com o carnaval. Mesmo assim, podemos encontrar tanto o sagrado quanto 
o profano nesses festejos populares. Barroso, Bonete e Queiroz (2018), nos apresentam 
isso, quando analisa a festa do Círio de Nazaré:
A berlinda e a corda são extensões da própria imagem da Santa. Trata-se da 
tríade insubstituível da procissão. Trata-se de patrimônio imaterial da cultura 
brasileira, em que os valores simbólicos representam significados bem diver-
sos que perpassam do sagrado ao profano (BARROSO; BONETE e QUEI-
ROZ, 2018, p. 210).
17MANIFESTAÇÕES E CULTURA POPULAR: FESTEJOS, FOLGUEDOS E TRADIÇÕES POPULARES DO 
FOLCLORE BRASILEIRO
TÓPICO 4
As festividades populares de nosso país, demonstram a tradição local aqui encon-
trada. Destacando que é muito evidente a presença do sagrado e do profano alinhados a 
alegria e sofrimento. Afirmando que está presente em todo o nosso país.
Já os folguedos se encontram quando identificamos três características básicas 
que são a música, dança e o teatro. Além de estar interligado a religiosidade, seja cristã, de 
matriz africana ou dos povos originários. Entre os folguedos que podemos apresentar está 
a folia de reis, congada e a festa do bumba meu boi.
AS CULTURAS E AS PARTICULARIDADES 
DE UM REFERENCIAL BRASILEIRO. 
MECANISMOS MUNICIPAIS, ESTADUAIS 
E FEDERAIS DE INCENTIVO À CULTURA 5
TÓPICO
18AS CULTURAS E AS PARTICULARIDADES DE UM REFERENCIAL BRASILEIRO. MECANISMOS 
MUNICIPAIS, ESTADUAIS E FEDERAIS DE INCENTIVO À CULTURA 
TÓPICO 5
A reprodução e produção cultural em nosso país passa por um ponto importante em 
seu desenvolvimento. Que seria a parte financeira para cobrir o investimento. Vale ressaltar 
que há algum tempo são utilizados incentivos fiscais para solucionar esse tema.
Infelizmente, nem todos os cidadãos dão valor à produção cultural, se não for a 
que ele vive regionalmente ou ideologicamente. A partir do momento que os indivíduos 
perceberem a importância da produção cultural, respeitarão os incentivos fiscais fornecidos 
para sua execução. Vale destacar que a grande mudança de chave para produção cultural 
foi o renascimento artístico e cultural com grandes artistas como Leonardo Da Vinci, Rafael 
Sanzio entre outros. Um ponto de extrema importância que precisa ser relembrado é que 
mesmo esses artistas precisavam de apoio para sua produção artística. Esse apoio vinha 
com os “Mecenas”, que eram os grandes burgueses que patrocinavam toda produção cul-
tural, começando pelos artistas e seguindo com construções de igrejas, bibliotecas entre 
outros. E hoje? Como são os incentivos à produção cultural?
Atualmente, a base para apoio financeiro para produção cultural são os incentivos fiscais 
fornecidos pelo governo que na maioria dos casos são através de isenção fiscal a empresas.
A isenção tem como principal efeito a exclusão do crédito tributário, impe-
dindo a prática administrativa do lançamento. Nesse sentido, estabelece o 
art. 175 do Código Tributário Nacional que “excluem o crédito tributário: I – a 
isenção”. Isso acontece, pois com a isenção temos o congelamento dos efei-
tos do fato gerador do tributo (vide arts. 113 e 114 do CTN) e nenhum crédito 
tributário pode nascer desse evento (CESNIK, 2012, p. 12).
19AS CULTURAS E AS PARTICULARIDADES DE UM REFERENCIAL BRASILEIRO. MECANISMOS 
MUNICIPAIS, ESTADUAIS E FEDERAIS DE INCENTIVO À CULTURA 
TÓPICO 5
Vale ressaltar ainda que uma das funções do governo é realizar a promoção da 
otimização dos recursos, mesmos que escassos para o desenvolvimento da cultura. Pois 
nossa constituição, o Estado possui pontos importantes em seu papel como órgão institu-
cional dirigente que é ser fiscalizador, incentivador e planejador. Nesse caso, precisamos 
voltar nossos olhares como incentivador.
Um ponto a ser salientado é que os estímulos fiscais destinados ao desenvolvimen-
to da cultura são efetivados através da emissão de recibos que comprovam a transferência 
dos recursos para o responsável pelo projeto cultural. Destacando que esses recibos podem 
ser emitidos pela própria entidade governamental ou quando o responsável pelo projeto 
cultural age com uma autorização concedida pela entidade governamental, respeitando os 
limites estabelecidos para a renúncia fiscal.
Podemos afirmar que o incentivo cultural promovido em nosso país deve ser orga-
nizado de tal maneira que respeite os órgãos municipais, estaduais e federais. Mas quais 
são os mecanismos de cada esfera? 
Para iniciarmos a apresentação de cada esfera, temos que seguir uma hierarquia 
básica. Por isso, iniciaremos com a esfera Federal. Vamos lá?
Na esfera Federal encontramos um grande mecanismo de incentivo à cultura que é 
a lei Rouanet. Cesnik (2012), nos diz que:
Para o pleito de incentivos concedido pela União Federal, o Ministério da 
Cultura e a Agência Nacional de Cinema (Ancine) colocaram à disposição do 
público formulários ou programas específicos para apresentação de projetos 
culturais. A partir desse formulário o produtor pode apresentar projetos à Lei 
Rouanet (FNC ou mecenato) ou aos mecanismos de fomento ao audiovisual 
(CESNIK, 2012, p. 19).
Vale ressaltar que dentro do Ministério da Cultura existem órgãos e secretarias 
adjuntas que auxiliam na distribuição de verbas e fomento à cultura. Tudo organizado e de 
fácil acesso para que ocorra o pedido de incentivo. O exemplo simples e ágil de pedido está 
no “SalicWeb”, sistema que recebe os projetos culturais para análise via internet. Assim, os 
propositores dos projetos podem galgar fundos pela lei “Rouanet”. Mas o que é essa lei? 
Segundo Cesnik (2012):
A lei n. 8.313, de 23 de dezembro de 1991, mais conhecida como Lei Rouanet, 
institui o chamado Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), que tem 
por objetivos fomentar e promover a produção cultural brasileira em suas mais 
diferentes áreas. Tem como princípio a priorização do produto cultural originá-
rio no país. Priorizar não quer dizer excluir outras atividades: a Lei Rouanet re-
cebe projetos de espetáculos ou produtos estrangeiros que venham a ser apre-
sentados no Brasil, além de incentivar produções brasileiras que aconteçam no 
país ou que desejem se apresentar em outras nações (CESNIK, 2012, p. 20).
20AS CULTURAS E AS PARTICULARIDADES DE UM REFERENCIAL BRASILEIRO. MECANISMOS 
MUNICIPAIS, ESTADUAIS E FEDERAIS DE INCENTIVO À CULTURA 
TÓPICO 5
Salientando que não seria simplesmente um fomento desordenado, sem regras 
como foi espalhado através de “Fake News” durante esses últimos anos. Pois, essa lei é de 
extrema importância para levar a cultura as pessoas e espaços que não possuem acesso às 
mesmas. Uma reflexão que podemos fazer é relacionar o pensamento de Walter Benjamim 
da escola de Frankfurt, que mesmo conhecendo as ideias de Adorno e Horkheimer, destaca 
o acesso à cultura dentro da ideologia da Indústria Cultural.
A Lei Rouanet utiliza-se de três mecanismos diferentes para fornecer apoio aos 
projetos apresentados ao ministério da cultura. Pois, temos o Fundo Nacional de Cultura, 
o Fundo de Investimento Cultural e Artístico e o incentivo a projetos culturais (Mecenato).
Cesnik (2012), afirma que Fundo Nacional de Cultura tem o papel de:
I – estimular a distribuição regional equitativa dos recursos a serem aplicados 
na execução de projetos culturais e artísticos; II – favorecer a visão interes-
tadual, estimulando projetos que explorem propostas culturais conjuntas, de 
enfoque regional; III – apoiar projetos dotados de conteúdo cultural que en-
fatizem o aperfeiçoamento profissional e artístico dos recursos humanos na 
área da cultura, a criatividade e a diversidade cultural brasileira; IV – contri-
buir para a preservação e proteção do patrimônio cultural e histórico brasileiro 
(CESNIK, 2012, p. 23).
Um ponto importante a ser destacado sobre o Fundo Nacional de Cultura é sobre 
a não utilização dosrecursos em custeio de despesas de manutenção administrativa. No 
entanto, o recurso poderá ser gasto com a aquisição de equipamentos que se julgar ne-
cessário para desenvolver as finalidades do Fundo. Para que isso ocorra, é necessário a 
análise de peritos para análise e pareceres dos projetos.
Já o Fundo de Investimento Cultural e Artístico foi criado sem toda burocracia jurí-
dica, podendo ser caracterizado como um conjunto de recursos específicos para aplicação 
e incentivo aos projetos. Pode ser verificado e produzido através do chamado “Mecenato”, 
por uma instituição financeira ou patrocinador que recebe incentivo fiscal com o abatimento 
de valores no imposto de renda. Destacando ainda que existe limites para esse incentivo. 
Entre eles podemos afirmar que:
Há dois limites de abatimento, levando-se em conta o IR devido pelo inves-
tidor: 6% para pessoa física e 4% para pessoa jurídica. Na empresa, o limite 
de abatimento do IR devido é de 4%, não considerando o adicional do im-
posto sobre o lucro e incidindo tão somente sobre a primeira alíquota de 15% 
paga sobre o lucro real (CESNIK, 2012, p. 23).
Vale ressaltar que o incentivo é atrelado a entregas de ingressos gratuitos à po-
pulação garantindo o papel do “Mecenato”. Salientando ainda que o termo “mecenato” é 
uma alusão aos patrocinadores dos artistas durante o período da história conhecido como 
“renascimento artístico e cultural”. 
21AS CULTURAS E AS PARTICULARIDADES DE UM REFERENCIAL BRASILEIRO. MECANISMOS 
MUNICIPAIS, ESTADUAIS E FEDERAIS DE INCENTIVO À CULTURA 
TÓPICO 5
Já na esfera estatal encontramos projetos e leis diversificados de estado para esta-
do. No entanto, podemos destacar alguns que compõem um eixo norteador para explicar o 
papel dos estados para posteriormente falarmos dos municípios.
Se na esfera federal temos incentivos ligados ao imposto de renda, na esfera 
estatal, o incentivo é através do ICMS, ou seja, do imposto sobre operações relativas à 
circulação de mercadorias e sobre prestação de serviços de comunicação de transporte 
interestadual e intermunicipal. Podendo ser modificado com a proposta de reformulação 
tributária aprovada recentemente pela câmara dos deputados de nosso país.
Podemos afirmar que na esfera municipal, também temos como fonte o ICMS, mas 
ocorre a necessidade de uma criação de projetos detalhados que desenvolvam a cultura 
em seu município de origem.
CULTURA E TURISMO: 
PATRIMÔNIO CULTURAL. 
PATRIMÔNIO E TOMBAMENTO. 
MUSEUS E CENTROS CULTURAIS6
TÓPICO
22CULTURA E TURISMO: PATRIMÔNIO CULTURAL. PATRIMÔNIO E TOMBAMENTO. MUSEUS E 
CENTROS CULTURAIS
TÓPICO 6
Após conhecermos as formas de incentivo à cultura, chegou a hora de relacioná-la 
à questão turística. Talvez você se pergunte o porquê desse tema? Para responder essa 
pergunta de uma maneira baseada empírica, iremos debatê-la logo abaixo.
Podemos pensar a questão do turismo como algo relacionado a uma sociedade 
que envolve geograficamente todo o mundo. Isso ocorre devido à questão da globalização 
e suas relações. Vale ressaltar que existem influências culturais em toda a sociedade e esse 
processo de mundialização, nos levou a conhecer várias culturas e procurar conhecê-las 
turisticamente, levando a região geográfica a crescer economicamente com a exploração 
turística, mesmo que de forma cibernética na rede mundial de computadores.
A cultura também não foge do turismo e está atrelada a outros pontos de uma 
sociedade, por isso, Barreto (2015, apud HUTNYK, 2006, p. 357) afirma que:
A cultura é parque de diversões e mercadoria, é o refinado e profundo e o 
mundano e extremo. Está cruzada, simultaneamente, pela identidade, pela 
tradição e pela mudança; é recurso, muralha, disputa. É a canção de ninar e 
a sinfonia em CD, assim como o olhar de um usuário de drogas quando se 
injeta. É a coleção de tigelas e panelas... e todo o mencionado está à venda. 
É o que nos faz humanos (...) não é algo separado da política, do comércio, 
da religião ou do ódio (...) que é cultura também (BARRETO, 2015, apud 
HUTNYK, 2006, p. 357).
Assim, podemos dizer que a relação da cultura e do turismo é algo visível e que se pode 
tornar algo comercial, ser explorada, observada e até mesmo estudada. Isso ocorre quando o 
turismo é algo cultural e temos uma companhia de pessoas que conhecem do que está falando 
e apresenta as pessoas que ali estão visitando, consumindo aquela cultura através do turismo.
Outro ponto a ser debatido em relação à cultura e turismo é o impacto que têm 
tanto nas pessoas que a consomem turisticamente ou na própria sociedade que recebe 
23CULTURA E TURISMO: PATRIMÔNIO CULTURAL. PATRIMÔNIO E TOMBAMENTO. MUSEUS E 
CENTROS CULTURAIS
TÓPICO 6
essas pessoas. Pois vale ressaltar que ambos provocam efeitos, exercendo influências ou 
conflitos entre o que se conhece ou se vive culturalmente, para realidade conhecida. 
Com o turismo cultural sendo aplicada e explorada praticamente em todas socieda-
des no mundo globalizado. Nasce a demanda por cuidados extremos nos lugares históri-
cos, sobrevivendo um sentimento nostálgico desses lugares, buscando uma ligação com o 
passado e o presente. Em vários locais e momentos de diversas sociedades, apresentam 
a ideia do “heritage tourism”, ou seja, “turismo patrimonial”. Nascendo a necessidade da 
preservação do patrimônio histórico, cidades, monumentos, todas fontes históricas de uma 
determinada sociedade. Mas quais são os tipos de patrimônio existentes?
Precisamos compreender que formalizar a definição dos tipos de patrimônio não 
é uma tarefa fácil, pois existem muitas coisas que diferenciam cada um deles. Por isso, 
podemos afirmar que existem muitos, mas os principais são: patrimônio cultural, patrimônio 
histórico, patrimônio material e patrimônio imaterial.
Partindo do princípio que a palavra “patrimônio” significa “herança paterna”, Souza, 
Bauer e Freitas (2021), afirmam que:
Patrimônio tem a ver, portanto, com a preservação de algo preexistente e que 
foi recebido. Nesse contexto, ao falarmos em patrimônio cultural estamos nos 
referindo a aspectos da cultura que foram legados pelas sociedades preté-
ritas e nos dias de hoje devem ser protegidos e valorizados como herança 
(SOUZA; BAUER e FREITAS, 2021, p. 12).
Podemos salientar ainda que a ideia de patrimônio cultural pode ser separada em 
muitas outras categorias que também são relacionadas a definição de patrimônios mate-
riais e imateriais ou até mesmo o patrimônio histórico. Pois um é o outro e o outro é um. 
Como assim? Basicamente todo patrimônio cultural é patrimônio histórico e todo patrimônio 
histórico é patrimônio cultural. Com isso, Souza, Bauer e Freitas (2021), nos dizem que:
O patrimônio histórico pode ser compreendido nas conexões que existem entre 
a rememoração e a contemporaneidade. A primeira relaciona-se com o passado 
e com a memória; a segunda liga-se ao presente. O patrimônio histórico, dessa 
forma, realiza a mediação entre passado e presente, tendo como perspectiva 
sempre a construção do futuro. (SOUZA; BAUER e FREITAS, 2021, p. 14).
Assim, podemos concluir que o patrimônio histórico é aquilo que devemos preservar 
para preservar a história de uma sociedade através da arte, da arquitetura, de monumentos 
e muitos outros aspectos que norteiam historicamente uma sociedade. Vale ressaltar que o 
IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, tem a função de cuidar e regis-
trar o patrimônio histórico, respeitando a ideia de patrimônio material e imaterial do Brasil. 
Mas como podemos definir patrimônio material? Segundo Souza, Bauer e Freitas (2021):
O patrimônio material pode ser definido brevemente como aquele “[...] volta-
do para os testemunhos físicos do passado [...]”. Isto é, o objeto patrimonial 
material sempre será algum bem cultural tangível, passando por edificações 
24CULTURA E TURISMO: PATRIMÔNIO CULTURAL. PATRIMÔNIO E TOMBAMENTO. MUSEUS E 
CENTROS CULTURAIS
TÓPICO 6
e monumentos, que remetam a aspectos históricos eculturais relevantes 
para uma determinada sociedade (SOUZA; BAUER e FREITAS, 2021, p. 14).
 
O patrimônio imaterial, é um pouco mais difícil de definir, e precisa-se entender sua 
importância na vida cotidiana, nas memórias individuais ou coletivas. Vale ressaltar que 
Souza, Bauer e Freitas (2021), apresentam uma diferença básica para entendermos sua 
diferença. Assim, 
no patrimônio material, o mais importante são as coisas e no patrimônio ima-
terial, o principal são as pessoas”. Ou seja, se no primeiro tratamos de bens 
culturais e históricos tangíveis, no segundo verificamos aqueles bens his-
tórico-culturais intangíveis, como as formas de expressão, as celebrações 
religiosas, os saberes, etc (SOUZA; BAUER e FREITAS, 2021, p. 15).
Após conhecermos definições básicas de patrimônio material e imaterial, preci-
samos compreender que a preservação é necessária para que a cultura de um povo seja 
lembrada como foi e como se construiu. Vale ressaltar que uma das formas de preservação 
é o que chamamos de tombamento. Pires (2022), nos apresenta uma definição clara sobre 
o que podemos definir por “Tombamento”:
o ato do Poder Executivo que, reconhecendo o valor cultural (histórico, arqueoló-
gico, etnográfico, artístico ou paisagístico) de um bem, mediante sua inscrição no 
livro próprio, subordina-o a um regime especial que lhe impõe vínculos de des-
tinação, de imodificabilidade e de relativa inalienabilidade (PIRES, 2022, p. 58).
Vale ressaltar que para que ocorra um tombamento de um “objeto” histórico cultural 
passa por várias etapas, sendo realizada através de etapas rigorosas verificadas IPHAN, 
dentro das leis vigentes de nosso país.
Além do tombamento histórico, outro ponto em que se destaca a questão cultural 
são os museus. Mas como podemos definir um museu? É sabido de todos que na atualida-
de existem espaços voltados para preservação de obras que nos remetem a cultura, tanto 
que existe uma parte específica para estudar esse espaço denominado museologia. Ainda 
sobre esse espaço conhecido como museus, Souza, Bauer e Freitas (2021), afirmam que:
“[...] são instituições permanentes, sem fins lucrativos, à serviço da sociedade e 
do seu desenvolvimento, abertas ao público, que adquirem, conservam, inves-
tigam, comunicam e expõem o patrimônio material e imaterial da humanidade e 
do seu meio com fins de educação, estudo e deleite.”. A origem da palavra reme-
te à antiguidade grega, Mouseion, nome do templo das nove musas que repre-
sentavam as artes e as ciências. Esses templos eram espaços de contemplação 
e estudos artísticos e científicos (SOUZA; BAUER e FREITAS, 2021, p. 76).
Assim, podemos dizer que o museu é um espaço que ocorre a tentativa de se man-
ter a memória de um povo, a cultura de uma sociedade, no qual pode-se ser compartilhado 
com outros indivíduos, povos, as identidades, histórias e memórias construídas ao longo 
do tempo por um povo!
FATORES CULTURAIS EM EPIDEMIOLOGIA. 
CULTURA E FARMACOLOGIA: DROGAS, 
ÁLCOOL E TABACO. ASPECTOS CULTURAIS 
DO ESTRESSE E DO SOFRIMENTO7
TÓPICO
25FATORES CULTURAIS EM EPIDEMIOLOGIA. CULTURA E FARMACOLOGIA: DROGAS, ÁLCOOL E 
TABACO. ASPECTOS CULTURAIS DO ESTRESSE E DO SOFRIMENTO
TÓPICO 7
Em todo nosso estudo até o momento foi voltado simplesmente para a cultura 
em si e seus principais pontos. No entanto, chegou a hora de voltarmos ao termo cultura 
relacionados à questão de saúde em vários sentidos, desde a saúde pública até a própria 
saúde do indivíduo. Para iniciarmos nosso estudo, abordaremos a cultura farmacológica 
das drogas, álcool e tabaco.
Em mundo globalizado, cheio de desafios e de correria a todo momento, o indivíduo 
passa a não suportar toda essa realidade moderna e muitos acabam por utilizar substân-
cias que influenciam seu agir em sociedade. Vale ressaltar que além do estado emocional, 
outros fatores podem auxiliar para ocorrer a ingestão de substâncias químicas como a 
origem social e a até mesmo origem cultural.
Para Helman (2009), o efeito de uma droga envolve alguns fatores que sua própria 
ação química. Podemos destacar então: 
Os atributos da droga em si (como o sabor, a forma, a cor, o nome). 2. Os atri-
butos de quem recebe a droga (como a idade, a experiência, a escolaridade, a 
personalidade, a origem sociocultural). 3. Os atributos de quem prescreve ou for-
nece a droga (como a personalidade, a idade, a atitude, o status profissional ou o 
senso de autoridade). 4. O ambiente físico em que a droga é prescrita ou admi-
nistrada – a “situação da droga” (como um consultório médico, uma enfermaria 
hospitalar, um laboratório ou uma ocasião social) (HELMAM, 2009, p. 178).
Para que nossa discussão seja ampliada, temos que observar os fatores acima 
e definir o contexto em que essa substância se encontra na sociedade. Incluindo o meio 
cultural. Pois Helman (2009), nos diz que: 
Em cada caso de uso de drogas (independentemente do tipo de droga), os 
valores culturais e as realidades econômicas do contexto vão sempre, de 
26FATORES CULTURAIS EM EPIDEMIOLOGIA. CULTURA E FARMACOLOGIA: DROGAS, ÁLCOOL E 
TABACO. ASPECTOS CULTURAIS DO ESTRESSE E DO SOFRIMENTO
TÓPICO 7
certa forma, se impor. Por exemplo, esses valores e essas realidades podem 
ajudar a validar um determinado tipo ou aparência de droga, um modo espe-
cífico de usá-la ou os atributos do indivíduo que a fornece (como um médico 
ou enfermeiro) (HELMAM, 2009, p. 178).
Podemos salientar que a afirmação acima, nos leva a compreender que os valo-
res culturais de uma sociedade, pode explicar a droga lícita ou ilícita em uma sociedade. 
Pode apontar como será o comportamento a utilizá-la em seu cotidiano. O exemplo claro 
disso, foi o uso da “Hidorxicloroquina” durante a pandemia. Pois, mesmo sabendo que 
o medicamento tem comprovação científica para tratar reumatismos, Artrite e Lúpus, foi 
utilizado discriminadamente em nosso país, receitadas por médicos para o tratamento na 
hora do sufoco. No entanto, mesmo com comprovação científica, foi absorvido cultural-
mente, necessitando de intervenções humanas e farmacológicas para que a utilização do 
medicamento volte a ser comprovada cientificamente.
Ainda relacionando medicamentos a questões culturais, podemos afirmar que o 
uso de fármacos psicotrópicos está relacionado à questão de valores sociais e na questão 
das expectativas de relacionamentos sociais. Ou seja, seu uso está relacionado à questão 
da inserção e controle de comportamentos considerados socialmente normais. Helman 
(2009), nos explica dizendo que: 
(...) as drogas psicotrópicas eram vistas como um meio (tanto farmacológico 
quanto simbólico) de atender às expectativas sociais, quer no trabalho ou 
dentro da família. Essas expectativas incluem a visão cultural do que constitui 
o comportamento “normal” e aceitável e como este deve ser obtido. (HEL-
MAM, 2009, p. 184).
Vale ressaltar que ao observar os valores sociais que norteiam a normalização do 
uso farmacológico é apresentado pela indicação de certos medicamentos por médicos, 
que são influenciados por propagandistas das empresas farmacêuticas que apresentam 
seus medicamentos como a solução para o convívio social perfeito. Levando a normaliza-
ção cultural do uso de medicamentos. Salientando que ao prescrever os remédios como 
solução de problemas pessoais, é, como se os médicos estão apresentando uma solução 
para conviver com esses problemas, não pela luta frente a frente com os problemas, mas 
simplesmente pelo uso de um remédio.
Um ponto importantíssimo destacado por Helman (2009) é de modo geral:
(...) a aceitação difundida na sociedade industrializada ocidental da “estrada 
química para o sucesso” e o uso crescente de “reconfortantes químicos” (le-
gais ou ilegais) significa que, na sociedade ocidental, a fórmula cultural para 
o “sucesso” (HELMAM, 2009, p. 184).
Assim, podemos afirmar que a fórmula cultural para o sucesso é o indivíduo mais 
uma substância química é igual ao sucesso físico com o emagrecimento, mental com a 
27FATORES CULTURAIS EM EPIDEMIOLOGIA.CULTURA E FARMACOLOGIA: DROGAS, ÁLCOOL E 
TABACO. ASPECTOS CULTURAIS DO ESTRESSE E DO SOFRIMENTO
TÓPICO 7
ansiedade e depressão, sexuais com estimulantes como o “citrato de sildenafila” que ajuda 
os homens na disfunção erétil. Os medicamentos buscam uma convivência social nos rela-
cionamentos públicos e privados, ou seja, no esporte, lazer e no casamento.
No entanto, essa busca pela satisfação social ou pela inclusão social com o uso de 
medicamentos, leva o indivíduo a se tornar dependente das drogas farmacológicas lícitas 
ou ilícitas. Desde simples cafeína a cocaína. Do álcool ao cigarro e à nicotina.
Quem busca um relaxamento natural no fim de semana, no fim do expediente, 
buscando o consumo de bebidas alcoólicas. Um exemplo clássico disso seria a cerveja 
que o próprio lúpulo que está em sua composição apresenta componentes da família da 
“cannabaceae”, que provoca o relaxamento, mas não seus efeitos psicotrópicos, alucinóge-
nos. Esse efeito do relaxamento é percebido ao se tomar um belo copo de cerveja gelada, 
tornando-se um ponto cultural de uma determinada sociedade. Sobre essa questão cultural 
do uso de álcool é apresentado por Helman (2009), quando afirma que em:
Diferentes regiões do mundo produzem diferentes formas de álcool, depen-
dendo do clima, das colheitas e da vegetação locais. O uísque, a vodca, o 
gim e a cerveja são todos derivados principalmente de grãos, o saquê japo-
nês é feito de arroz fermentado, o rum, da cana-de-açúcar, assim como a 
bebida brasileira cachaça, e centenas de tipos de vinho podem ser obtidos a 
partir de uma variedade de espécies de uva (HELMAM, 2009, p. 184).
Após encontrarmos diferentes bebidas alcoólicas em diferentes culturas que a con-
somem, podemos afirmar que existem casos do abuso do mesmo para se sentir pertencente 
ao modelo ideal imposto pela sociedade. Tornando-se um grande problema de saúde pública 
nesse mundo globalizado, provocando milhões de mortes em torno de nosso planeta. Vale 
acrescentar que o uso indiscriminado de bebidas alcoólicas promove alterações de seu 
estado emocional levando ao surgimento de problemas sérios como a depressão.
Em uma pesquisa rápida no “Google Trends” na data de 21/09/2023, encontramos 
um aumento considerável sobre o termo “Depressão”, destacando os estados do Maranhão, 
Minas Gerais e Acre com o maior número de pesquisas na internet sobre o tema. Sabemos 
que esses números não refletem o número de indivíduos que encontramos com depressão, 
mas demonstra a grande preocupação com o assunto por parte da população do Brasil. 
Vale ressaltar que os fatores culturais desempenham uma importante função na 
resposta ao estresse e à depressão. Portanto, podemos dizer que sua função pode ser 
pensada como protetora. E ainda, a cultura auxilia diretamente nas respostas ao estresse 
e à depressão, pois observam em grupos diferentes de indivíduos suas características 
culturais auxiliando na identificação de sintomas perceptíveis que podem causar sofrimento 
nas pessoas por não estar incluso na sociedade em questão.
Por fim, podemos afirmar que o uso indiscriminado de drogas farmacológicas aliada 
à questão cultural de uma determinada sociedade pode gerar problemas com difícil solução. 
CULTURA E PODER8
TÓPICO
28CULTURA E PODERTÓPICO 8
Quando pensamos na relação da cultura com o poder, imaginamos o quanto existe 
de força quando pensamos de fato, ou quando as ideias são fortes em uma determinada 
sociedade. Vale destacar que as ideias são a força que impulsiona o processo cultural, 
dando consistência em sua verdadeira essência. Podemos ressaltar também as ideias de 
poder, conforme no diz Martins (2007):
É certo que as culturas interagem, mas o jogo da interação na história hie-
rarquizou culturas de facto, sem levar em conta nem a igualdade fundamen-
tal das pessoas humanas nem a equanimidade na distribuição de forças. O 
pragmatismo contemporâneo tende a considerar o processo de hierarquiza-
ção política e econômica como natural, nem necessário nem injusto, e re-
corre a uma concepção clássica de poder que entende esse jogo como uma 
concorrência com ponto de partida igualitário (MARTINS, 2007, p. 24).
Então podemos dizer que as culturas estão relacionadas à questão hierárquica de 
poder, sendo dominada pela classe dominante. Gerando a ideia de poder. 
Em resumo, a cultura está relacionada aos valores, crenças, normas, entre outras 
características compartilhadas por uma sociedade. Moldando assim a identidade coletiva e 
individual das pessoas, interferindo na maneira como pensam e se relacionam. Já o poder é a 
capacidade de influenciar e até mesmo manter o controle sobre o comportamento das pessoas 
através da força, da coerção, da persuasão ou autoridade. Assim, muitas sociedades utilizam-
-se de elementos culturais como ferramenta para dominar e exercer o poder sobre o povo.
Salientando que a cultura desempenha um papel fundamental na legitimação e 
manutenção do poder. As normas culturais muitas vezes refletem e sustentam as posições 
29CULTURA E PODERTÓPICO 8
sociais existentes. Assim como o poder que também molda a cultura de um povo, influen-
ciando o que deve ser valorizado ou reprimido em uma determinada sociedade.
Um dos pontos importantes para que o poder seja executado relacionado a cultura 
é a ideologia. Mas o que é a ideologia? Podemos dizer que é um conjunto de ideias que 
envolve a forma de enxergar o mundo. Orientando a forma de viver, agir e pensar de um 
indivíduo ou um grupo de indivíduos. Em uma visão marxista de ideologia podemos relacio-
nar a questão de dominantes e dominados, ou seja, ideologia burguesa contra a ideologia 
proletária, dos operários. A primeira com ideologia do lucro enquanto a outra se apresenta 
como uma ideologia de luta de classes. Martins (2007, p. 66), nos diz que “(...) ideologia 
incorpora todos os sistemas de ideias, opiniões, imagens e valores que se formam no 
interior dos grupos sociais ou são por eles assumidos com o fito de legitimar sua ação e de 
julgar a ação alheia”.
A partir do momento que visualizamos essa definição de ideologia, perceberemos que 
a questão ideológica em uma sociedade, seja ela burguesa ou de luta de classes, molda a forma 
cultural do agir social. Fazendo com que se construa a ideia da importância para existência de 
uma causa, de uma luta na sociedade. Nascendo por exemplo representantes de comunidade, 
como líderes comunitários que exercerão o poder para lutar pelos direitos das pessoas. 
Se pensarmos em uma comunidade nas periferias das grandes cidades de nosso 
país, seus líderes têm a função de lutar pela superação dos problemas ali encontrados. 
Vale ressaltar que se utilizam da cultura como maneira de tentar igualar-se aos que pos-
suem “privilégios sociais”. Ou seja, a questão ideológica está presente na luta por direitos, 
utilizando da cultura, seja com arte, música, dança, entre outros pontos que norteiam o agir.
Martins (2007), nos diz que:
Com efeito, cada pessoa, ao nascer em um mundo pleno de história, de início 
é inserida formal e sistematicamente na cultura dominante. A transformação 
das opções recebidas em opções próprias de pensar e de agir, mesmo quan-
do a delimitação do campo de atuação obedece a regras consagradas, por 
exemplo, no ordenamento jurídico, é um indício claro da emergência e da con-
solidação da densidade política de poder da cultura (MARTINS, 2007, p. 60).
Assim, podemos finalizar, afirmando que os indivíduos ou sociedades não são 
frutos do determinismo histórico. Pois, a modificação cultural não é estática, ela é “viva”, 
que demonstra a escolha do que fazer e agir do indivíduo, tornando constante a utilização 
da relação cultura e poder em uma sociedade.
30
Caro acadêmico(a)!
Chegamos ao final da jornada de sua ACE (Atividade Curricular Extensionista) 
com o Tema Cultural. Trilhamos uma jornada repleta de desafios sobre as questões que 
envolvem a cultura em diversas áreas. Construímos juntos um conhecimento sobre osaspectos que envolvem a questão cultural e espero que tenha levado esse conhecimento 
a comunidade em que se encontra. Viajamos sobre esse conteúdo abordando oito tópicos 
importantes. Entre eles estão:
No Tópico I, realizamos uma breve introdução à cultura e debatemos as perspectivas 
de análise sobre a cultura. Abordamos ainda o universalismo, relativismo e multiculturalismo. 
Já no Tópico II, ampliamos nossos conhecimentos através da busca das experiên-
cias culturais abordando os processos culturais, a difusão cultural, aculturação e endocul-
turação. Concluímos essa etapa conhecendo um pouco da cultura e identidade brasileira. 
Seguimos nossos estudos no Tópico III, abordando a cultura popular, cultura de 
massa e o pensamento social. Também analisamos o indivíduo e a sociedade, compreen-
dendo ainda sua influência.
Conhecemos no Tópico IV as manifestações e a cultura popular, com os festejos, 
folguedos e tradições populares do folclore brasileiro.
Então, seguimos nossos estudos com o Tópico V, com uma abordagem clássica 
sobre as culturas e as particularidades de um referencial brasileiro. Conhecemos ainda os 
mecanismos municipais, estaduais e federais que incentivam a cultura. 
No Tópico VI, conhecemos a relação entre cultura e turismo, abordamos o patrimônio 
cultural e o tombamento. Analisamos ainda a importância dos museus e centros culturais.
Chegamos ao Tópico VII, fazendo uma relação da cultura com a saúde, através da 
análise dos fatores culturais em epidemiologia com a cultura e farmacologia das drogas, 
álcool e tabaco e finalizamos abordando os aspectos culturais do estresse e do sofrimento.
Em nosso último tópico, ou seja, no Tópico VIII, conhecemos a relação entre cultura 
e poder. 
A partir de agora acreditamos que você já está preparado para seguir em frente 
desenvolvendo ainda mais suas habilidades e exercendo sua profissão com notoriedade e 
levando seu conhecimento junto à sua comunidade.
Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigado!
CONCLUSÃO GERAL
31
BARRETO, Margarida. Cultura e Turismo: Discussões contemporâneas. Campinas – SP: 
Papirus, 2015. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/205767. 
Acesso em: 19 jul. 2023.
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CESNIK, Fábio de S. Guia do Incentivo à Cultura. São Paulo: Editora Manole, 2012. 
E-book. ISBN 9788520443392. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/
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e Patrimônio Cultural. São Paulo: Grupo A, 2021. E-book. ISBN 9786556902319. Disponí-
vel em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786556902319/. Acesso em: 19 
jul. 2023.
SOUZA, Milena Costa de. Sociologia do consumo e indústria cultural. Curitiba: InterSa-
beres, 2017. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/114803. 
Acesso em: 25 jul. 2023.
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