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ÁGUA CERVEJEIRA • Mais de 90% da cerveja é água. • Ajudou a definir estilos consagrados - Perfis de água de estilos consagra- dos (Burton, Dusseldorf, Munich, Pilsner...) não foram pré-definidos de acor- do com o estilo produzido na região. As águas utilizadas na produção des- tas cervejas eram as que estavam disponíveis em cada uma destas regiões. • A água influencia: • sabor • estabilidade sensorial • espuma • drinkability • cor AJUSTES DE ÁGUA • Cálculo de quantidade de água • Ajuste do pH • Adição de sais PRINCIPAIS FONTES DE ÁGUAS CERVEJEIRAS • Superfície • Subterrânea • Rede municipal ÁGUA DE SUPERFÍCIE • Lagos, rios, barragens... • Alterações de clima alteram sua composição • Pobres em minerais • Alta carga orgânica (contaminação) • Demandam tratamentos químicos ÁGUA SUBTERRÂNEA • Fonte • Mais estável (protegida) em relação ao ambiente • Composição depende do solo • Baixa contaminação • Menos turva • Pouco O2 • Potável ÁGUA DE REDE MUNICIPAL • Necessita de processo para eliminação do cloro (filtro de carvão ativado) • Recomendação: realizar análise da água (sais e pH) * • Potável * Lamas faz análise da água: http://loja.lamasbrewshop.com.br/servicos/analise-quimica-de-agua PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÁGUA CERVEJEIRA • pH • Dureza • Alcalinidade • Alcalinidade residual • Íons (sais) pH DA ÁGUA • pH - potencial hidrogeniônico • relação entre íons de hidrôgênio (cátion hidrônio x ânion hidróxido) • capazes de aumentar ou reduzir o pH • Ácida (pH 7) • pH influencia: • cor da cerveja (reação de maillard) • extração de componentes adstringentes das cascas (durante lavagem) • ações enzimáticas (proteases, amilases e outras) • coagulação proteica durante a fervura • conversão de alfa-ácidos em iso-alfa-ácidos (impacta no IBU) • proteção microbiológica (elimina microorganismos patogênicos) DUREZA DA ÁGUA • Reflete a concentração total de sais de Ca e Mg (Cálcio e Magnésio) • Dureza temporária: carbonatos e bicarbonatos ligados ao Ca e Mg • Dureza permanente: cloreto, sulfato e nitrato ligados ao Ca e Mg • Unidade de dureza mais comum: ppm (equivalente a mg/L) • Classificação (quanto a presença de CaCO3 na água): • dureza baixa: 70 a 135 ppm • dureza média: 135 a 200 ppm • dureza alta: 200 a 350ppm • dureza muito alta: + 350ppm DUREZA VERSUS pH DA ÁGUA • Dureza: concentração total de Ca e Mg • pH: íons que neutralizam íons de hidrogênio (capazes de baixar o pH) • Alcalinidade: • mede a capacidade da água de resistir à mudança do pH • determinada pela presença de hidróxido, carbonato e bicarbonato • Alcalinidade residual: • diferença entre dureza temporária e dureza permanente • resultado da competição entre os íons que influenciam a diminuição do pH e os íons que influenciam o aumento do pH. POSSÍVEIS TRATAMENTOS PARA A ÁGUA CERVEJEIRA • Eliminação de microrganismos • Eliminação de oxigênio • Correção de pH (sais, ácido láctico, ácido fosfórico, ácido cítrico, maltes ácidos e torrados) • Correção de dureza (adição ou remoção de íons) • Correção de alcalinidade (adição ou remoção de íons ou ácidos) FAIXAS DE pH IDEAIS • Mostura: entre 5,4 e 5,6 • Fervura: entre 5,1 e 5,2 • Utiliza-se um pHmetro (atenção: fita de pH não é muito precisa) CORREÇÕES DE SAIS • Adição de Ca, Mg, Cl- (Cloreto) e SO4 (Sulfato) na mostura e Zn na fervura • Ajuste da relação entre sulfatos e cloretos PRINCIPAIS ÍONS PRESENTES NA ÁGUA CERVEJEIRA • Íons que podem ser adicionados: • Ca (cálcio) • Mg (magnésio) • Zn (zinco) • Cl- (cloreto) • ZN (sulfato) • Íons que devem ser evitados: • Cl (cloro) • Fe (ferro) • Cu (cobre) INFLUÊNCIA DE CADA ÍON • Cálcio: Ca • referência de dosagem: 50 a 150 ppm • redução do pH • proteção térmica da alpha-amilase (resite mais a altas temperaturas) • estimula e melhora o desempenho de enzimas (protease e amilase) • promove a coagulação proteica durante a fervura • precipita oxalato (principal causador de gushing) • nutrição da levedura (melhora o desempenho da levedura) • floculação da levedura (auxilia a decantação) • formas comuns de entrega: Cloreto de Cálcio (CaCl-) ou Sulfato de Cálcio (CaSO42-) • Zinco: Zn • referência de dosagem: 0,1 a 0,5 ppm • nutrição da leveduras • atenção: evitar excesso (acima de 0,5ppm). Pode intoxicar a levedura • formas comuns de entrega: Sulfato de Zinco (ZnSO42-) • Cloreto: Cl- • referência de dosagem: 0,0 a 100 ppm • ressalta o caráter de malte • paladar encorpado e suave • atenção: o excesso afeta o sabor e a ação das leveduras • formas de entrega: cloreto de cálcio (CaCl-) • Sulfato: SO42- • 0,0 a 250 ppm • ressalta o caráter de lúpulo • melhora a qualidade do amargor • atenção: o excesso pode produzir adstringência • formas de entrega: os sais sulfato de magnésio (MgSO42-) ou sulfato de cálcio (CaSO42-) RELAÇÃO SULFATO x CLORETO • 1 : 2 - acentua o caráter de malte, paladar mais suave • use cloreto de cálcio: CaCl- • 2 : 1 - acentua o caráter do lúpulo e a presença do amargor • use sulfato de cálcio: CaSO42- ATENÇÃO: As relações podem ser maiores do que 1:2. Por exemplo, uma cerveja bem lupulada poderá ter uma relação sulfato : cloreto igual a 3:1 ou ainda 4:1 AJUSTE DO pH • A fim de ajustar o pH do mosto e da água de lavagem (aumentando ou reduzindo) comece com a remoção (fervura) ou adição de sais con- forme o estilo da cerveja e o perfil da água • Considere a relação cloreto x sulfato conforme explicado anteriormente. • A adição dos grãos baixa o pH (quanto mais escuro mais o pH baixa) • Fosfatos presentes nos grãos ajudam a baixar o pH • Caso ainda seja necessário reduzir após a adição dos grãos (mosto) e dos sais (mosto e água de lavagem), adicione algumas gotas de ácido fosfórico ou ácido láctico. AJUSTE COM GRÃOS (referências) • 10% crystal: - pode baixar até 0,3 pH • 20% crystal: - pode baixar até 0,5 pH AJUSTE COM SAIS • ppm = mg/L • concentração de íons é diferente de concentração do sal. Ou seja, peso do sal em gramas não corresponde ao peso do íon presente no sal • é importante considerar o peso da cada íon que compões o sal • Alguns sais podem ser hidratados (receber H2O em sua formula). Neste caso fique atento pois o peso de cada íon vai variar. PESO DO ÍON X PESO DO SAL • Exemplo de sal 1: sulfato de cálcio (gypsum) di-hidratado • Fórmula: CaSO4.2H2O • Peso molecular: 172 • Peso do cálcio (Ca): 23% • Peso do sulfato (SO4): 56% • Peso da água (2*H2O): 21% (duas vezes H2O pois é di-hidratado) • Exemplo de sal 2: carbonato de cálcio (chalk) não hidratado • CaCO3 • Peso: 100 • Peso do cálcio (Ca): 40% • Peso do carbonato (CO3): 60% EXEMPLO DE CÁLCULO DE ADIÇÃO DE SAIS • adição de 100 ppm de cálcio em 34 litros • Sais possíveis: sulfato de cálcio (CaSO4) e cloreto de cálcio (CaCl-) • Sal escolhido: CaSO4 (para uma cerveja mais lupulada) • 100 ppm x 34 litros = 3.400 ppm • 3.400 ppm • Peso do Ca (Cálcio) no sal CaSO4 (Sulfato de Cálcio) = 23% • Quantidade = total de ppm desejado / peso do íon no sal (%) • 3.400 ppm / 0,23 (%) = 14.782 gramas (aproximadamente 15 gramas) ATENÇÃO: este cálculo mediu a quantidade de Ca encontrada em 15 gramas de Sulfato de Cálcio (CaSO4). É importante medir a quantidade de Sulfato (SO4) usando a mesma fórmula. • Calculadora de massa molecular e composição elementar dos ele- mentos nas fórmulas: http://pt.webqc.org/mmcalc.php Dicas: • Use * antes do H2O para indicar que o sal foi hidratado • Antes do H2O indique quantas vezes o sal foi hidratado Exemplo: sulfato de cálcio di-hidratado (CaSO4*2H2O) VOLUME TOTAL DE ÁGUA CERVEJEIRA UTILIZADA NO PROCESSO Há algumas maneiras de se calcular as quantidades de água que serão utilizadas nas diferentes etapas do processo. Algumas utilizam formulas que relacionam a quanbtidade de água ao peso total de grãos. Porém, é importante estimar o vol- ume total de água utilizada durante todo o processo. Faremos isso da seguintemaneira: • Volume total de água = Volume total de cerveja + perdas de processo • Perdas de processo: • água retida nos grãos • água evaporada • água residual em equipamentos (trub quente, mangueiras) • encolhimento/contração do mosto • Água retida nos grãos: • casca representa 40% do peso original • peso do bagaço: 20% casca + 80% água EXEMPLO: 5Kg de grãos de malte peso da casca = 2 Kg (40%) 2 Kg de casca = 20% do peso total do bagaço (após a mostura) água do bagaço = 80% (se 2Kg é 20%; 80% é igual a 8 Kg) água do bagaço = 8 Kg (8 Kg de água é igual a 8 litros de água) água retida em 5Kg de grão após a mostura é aproximadamente 8 litros • Cálculo de água cervejeira total (aproximado): • exemplo: produção de 20 litros (com lavagem) • volume pós-fervura desejado: 21,5 litros (considere trub quente) • encolhimento do resfriamento (acrescente 4%): 21,5/0,96 = 22,40 • taxa de evaporação (exemplo: 8%)*: 22,40/0,92 = 24,35 • volume pré-fervura: 24,35 • perda no sistema: 24,35 + 1,5* (fundo de panela, mangueira...) • perda nos grãos (ex.: 5Kg): 25,85 + 8 (cálculo no item anterior) • total de água: 33,85 (primária + lavagem) ATENÇÃO: taxa de evaporação e quantidade de perda no sistema pode variar de acordo com o equipamento de cada um. Cada cervejeiro deverá observar os números corretos para o seu equipamento. VOLUME DE ÁGUA PRIMÁRIA E ÁGUA DE LAVAGEM Em geral, criamos uma relação entre peso total de grãos e volume de água, que podem variar de acordo com o estilo e o resultado desejado • Mostura espessas: • 2,0 - 2,5 litros de água para cada quilo de grãos • oferece maior proteção térmica as alfa amilases • útil para mosturas que previlegiam em rampas mais elevadas • Mostura média: • 3,0 - 3,5 litros de água para cada quilo de grãos • mostos com adjuntos (trigo, aveia) e rampas mais equilibradas • Mostura diluída: • 4,0 - 5,0 litros de água para cada quilo de grãos • mostos com mais adjuntos como trigo, aveia (pouco utilizado) Para o cálculo de água de lavagem pode-se utlizar a equação: água de lavagem = água primária x 1,5 Porém, isso não é uma regra e poderá variar ou sofrer correções de acordo com a performance da brassagem que poderá afetar a OG esperada, ou volume final da cerveja, por exemplo. Outro fator que influencia os volumes de água e de mostura é a utilização de diferentes grãos (maltes, adjuntos). Outra maneira simples de realizar o cálculo de água de lavagem é subtraindo o total de água calculado (página anterior) pelo volume da água primária já calcu- lado de acordo com o item anterior. água de lavagem = água total - água primária ADICIONANDO SAIS A ÁGUA CERVEJEIRA Para calcular as quantidades necessárias de sais a serem adicionadas é im- portante considerar nos cálculos a quantidade de sais presentes da água escolhida para a produção da cerveja. Os cálculos podem ser realizados por meio de: • fórmulas (apresentadas anteriormente) • softwares • Beer Smith • http://www.ezwatercalculator.com/ • http://nomograph.babbrewers.com/ • http://www.brewersfriend.com/water-chemistry/ (básico) • http://www.brewersfriend.com/mash-chemistry-and-brew- ing-water-calculator/ (avançado) OXIGÊNIO NO PROCESSO CERVEJEIRO • Utilizado apenas no momento anterior a inoculação da levedura para fa- vorecer a vitalidade e multiplicação de células antes da fermentação • Provoca: • oxidação de alcoóis superiores • oxidação de iso-a-ácidos • oxidação de ácidos graxos • oxidação de polifenóis PERFIS DE ÁGUA CERVEJEIRA • Sugestões de perfis de água (valores aproximados). Cálcio Cloreto Sulfato Magnésio Burton Bitter, IPA 350 15 820 25 Dublin Stout 120 20 50 5 Londres Bitters 50 35 30 30 Munique Lagers amber/escuras 110 35 80 20 Pilsen Pilsner 10 5 0 3 Lupuladas Pale Ale / IPA 80 60 175 15 Maltadas Red, Amber 80 150 75 15 MALTE BASE • American Pale Ale 2-row (1-20L): Malte de cor clara. Pode ser utilizado sem adição de outros maltes na elaboração de cervejas claras ou como fonte de extrato para qualquer estilo de cerveja. Sabor mais neutro do que maltes europeus. Deve-se ter atenção com relação à temperatura e ao pH da água durante a lavagem para não extrair polifenóis de sua casca. • American Pale Ale 6-row (1-20L): Parecido com o malte acima, porém com mais casca e com teor de proteína mais alto. Pode produzir cervejas mais turvas. Muito usado em cervejas que levam adição de milho e arroz. Descanso proteico pode ser recomendado. • British Pale Ale (3-40L): Apresenta diversas variedades, sendo Maris Oter a mais reconhecida por possuir um sabor mais acentuado de malte, bem como Golden Promisse, um malte escocês muito usado em Scottish Ales. • Pilsen (10L): Malte mais claro dentre todos os outros. Normalmente utiliza- do como malte base na produção de cervejas alemãs como Kölsch e Helles. Em alguns casos, pode ser utilizado como único malte na composição de estilos como o estilo Pilsner. • Viena (40L): Realça o paladar e aroma do malte. Pode ser utilizado em 100% da receita, produzindo uma cerveja mais dourada e com sabor mais acentuado do malte. • Munique (6-80L): Apresenta cor dourada / avermelhada e intenso sabor de malte, quando utilizado exclusivamente. Pode ser usado como malte comple- mentar em estilos como IPA e Brown Ales para dar maior complexidade. Tradicio- nalmente utilizado em estilos lager alemães, como Bock, Dunkel e Märzenbier. MALTE ESPECIAL • Acidificado: Processo natural onde ácido láctico é produzido. Promove a redução de pH, aumenta o rendimento e melhora a fermentação. • Defumado: Produz sabor e aroma defumado (fenóis). Há algumas varie- dades como Peat-Smokes, extremamente forte e mais comum nos estilos escoceses (até 3%); Beecwood-Smoked, tradicionalmente utilizado no estilo Rauchbier (cerca de 40%); Cherrywood-Smoked ou Oak-Smoked (até 50%- 60%). • Arome (250L): Contribui com intenso aroma e sabor de malte (até 10%). Presente em IPA para contribuir com uma coloração alaranjada e a presença de malte no aroma e no sabor. • Melanoidina (25-300L): Parecido com o malte arome, porém, menos in- tenso. Contribui com corpo e estabilidade. Muito usado para simular o efeito da decocção (5-10%). • Biscuit (250L): Levemente tostado, ajuda a tornar o paladar mais seco e amendoado (5-10%). • Diastático: Potencializa a conversão do amido (adjuntos). • Caramelo ou Crystal (10-1600L): Grãos malteados que foram submetidos a um processo de mostura e aquecimento sem moagem. Apresentam açú- cares dentro dos grãos e são usados para realçar o corpo e conferir paladar de malte e sabor adocicado. Conferem também cores que variam do doura- do ao amber escuro, dependendo do processo de caramelização. Podem ser definidos como light, medium ou dark e variam em qualidade, dependendo de sua origem. São usados nos mais variados estilos de cerveja como Bock, Bitter e nos estilos Trappistas mais comuns. Alguns exemplos são Caraa- rome, Caramunich, Carahell, Special B. (3% a 20%). • Torrado (300-6000L): Cor escura, redução de pH, paladar e aromas que lembram café, chocolate amargo, cacau. Há diversos estilos com diferentes intensidades como: chocolate malte, black malt, roasted malt e carafa (3-8%). OUTROS GRÃOS MALTADOS • Trigo maltado: Contribui com viscosidade, deixando a sensação de boca mais suave. Pode tornar a cerveja mais turva por conta do alto teor de proteí- na. Normalmente, utiliza-se até 50% de trigo para evitar que o mosto fique muito viscoso, o que dificulta a lavagem dos grãos. Recomenda-se descan- so proteico por cerca de 15 minutos. • Centeio maltado: Contribui com alguma picância e, principalmente, certa viscosidade e a sensação de corpo. Por esta característica, pode ser útil em cervejas do estilo session (até 15%). GRÃOS NÃO MALTADOS • Trigo: Usado em Witbier (40-50%), lambics (30%) e em outros estilos. Oferece um sabor mais rústico e picante do que a versão maltada. Pode ser apresentado em formatos diferentes,como flocos e versões torradas. • Centeio: Normalmente é apresentado como farinha. Parada para be- ta-glucan (400-450) é recomendado. Em flocos contribui muito pouco. • Cevada: Pouco utilizado na maioria dos estilos por não acrescentar muito diferencial, exceto a sensação de corpo, por conta do teor de beta-glucan. Mais comum em estilos como Irish Stout (5%-10%). • Arroz: Ajuda a tornar a cerveja mais clara e leve, diminuindo o seu cor- po. Antes de adicioná-lo a mostura deve ser cozinhado para para sofrer o processo de gelatinização. Pode ser encontrado na forma de flocos tam- bém. Neste caso, pode ser adicionado diretamente no mosto, não sendo necessário ser gelatinizado antes (10%-20%). • Milho: Ajuda a tornar a cerveja mais clara e leve, diminuindo o seu corpo. Antes de adicioná-lo à mostura, deve ser cozinhado para sofrer o processo de gelatinização. Pode ser encontrado na forma de flocos também. Neste caso, pode ser adicionado diretamente no mosto, não sendo necessário ser gelatinizado antes (10%-20%). TAXA DE POTENCIAL DE EXTRAÇÃO DOS GRÃOS • PPG - valor medido em libras/galão • quantidade de açúcares (SG) que uma libra (lbs) de grão adicionará a um galão de água. • Exemplo (valores aproximados): • malte base (2-row, pale ale, pilsen): 36 a 38 PPG • malte base (munich, vienna): 33 a 36 PPG • malte crystal: 30 a 35 PPG • malte chocolate (3000L - 4000L): 28 a 32 PPG • malte black (+4000L): 25 a 32 PPG Atenção: para saber o PPG correto de cada malte é importante verificar na ficha técnica do fabricante do malte • Exemplo prático: • fórmula: peso do grão x PPG do grão / volume de água • volume de água utilizada: 6 galões • 9 lbs malte base: 36 PPG • 9 x 36 / 6 = 54 • 1 lbs. malte munich: 33 PPG • 1 x 33 / 6 = 5,5 • 1 lbs. malte crystal: 30 PPG • 1 x 30 / 6 = 5 • 0,5 lbs. malte chocolate: 28 PPG • 0,5 x 28 / 6 = 2,32 • 0,5 lbs. malte black: 25 PPG • 0,5 x 25 / 6 = 2,08 TOTAL: 69 (aproximadamente) OG esperada: 1.069 RODA DE AROMAS DE MALTE • Cada tipo de malte apresenta a sua própria roda de aromas que ajuda o mestre cervejeiro a elaborar um receita com base nas características mais importantes de cada malte, conforme apresentado na roda de aroma. • Note que a roda de aromas abaixo mostra que o malte caraaroma da mal- taria alemã Weyermann possui caráter maltado com enfase em aromas de pão (pão), passas ou ameixas secas (raisin = 2.5), notas de chocolate amargo (dark chocolate = 3) e no sabor um toque de amargor médio (bitter = 3) . Leve nota de cacau (cocoa = 2), frutas secas (dried fruit = 1.5) e dulçor de malte ( (malty sweet = 2). Outros aromas como baunilha (vanilla qualidade • controle do tempo de mostura (máximo de 90 minutos) • controle da temperatura da água de lavagem (máximo 780 - 800C) • controle da pH do mosto e da água de lavagem (abaixo de 6 pH) TÉCNICAS DE CORREÇÃO DE DENSIDADE DURANTE A FERVURA • Exemplo de cálculo para aumentar SG (adição de açúcares) em lbs/galão • volume na panela de fervura = 6 gallons • SG pré fervura esperada = 1.068 SG (68 GU) • GU total = 408 (6 galões x 68) • SG pré-fervura alcançada - 1.059 • GU obtida após lavagem = 354 (6 galões x 59) • GU adicional necessária = 54 • Se usar DME considerar 44 GU (ou PPG) • DME = 54 (GU necessária) / 44 (GU do DME) • DME = 1,23 lbs (0,56 Kg de DME) • Exemplos de açúcares para correção e as respectivas GU (PPG) • Extrato líquido = 1.036 (36 PPG) • DME = 1.044 (44 PPG) • Açúcar refinado = 1.046 (46 PPG) • Mel = 1.033 (33 PPG) • Aproximações: • 1lbs DME acrescenta 1.008 SG em 5 gallons • 1lbs Extrato acrescenta 1.007 SG em 5 gallons • aumenta o corpo • eleva OG • confere maior dulçor residual • reduz a percepção de amargor • eleva o teor alcoólico • 1lbs açúcar acrescenta 1.009 SG em 5 gallons • reduz o corpo da cerveja e a torna mais seca • aumenta a percepção de amargor • reduz nutrientes da levedura • eleva o teor alcoólico TÉCNICAS DE CORREÇÃO DE DENSIDADE DURANTE A FERVURA • Exemplo de cálculo para reduzir SG (adição de açúcares) em lbs/galão • volume = 6 gallons • SGesperada = 1.068 SG (68 GU) • GU total = 6 x 68 • GU total = 408 • volume pré-fervura = 6,5 gallons • SGobtida = 1.072 SG (72 GU) • GU total = 6 x 72 • GUpré-fervura= 432 • (Volumepré-fervura x GUobtida) / Volumefinal = GUesperada • 6,5 x 72 / volume final = 68 • 468 / Volumefinal = 68 • Volumefinal = 6,9 gallons • Adicionar = 0,9 gallons (3,4 litros) EXEMPLOS DE RAMPAS • Esta APA usa uma rampa que trabalha mais a beta amilase ao ficar maior tempo na faixa entre 600C e 650C • É uma rampa ideal para cervejas puro malte que não utilizam adjuntos com alto teor de proteínas como trigo ou aveia, uma vez que não trabalha as rampas mais baixas como a rampa proteica (entre 500C e 550C) • A rampa da alfa amilase dura apenas 10 minutos a fim de garantir a to- tal conversão de amidos em açúcares e garantir um percentual seguro de açúcares não fermentáveis (açúcares residuais), responsáveis por promover corpo, aroma e sabor a cerveja. EXEMPLOS DE RAMPAS • A rampa desta Dubbel trabalha aumenta o tempo de alfa amilase (cerca de 20 minutos), uma vez que se trata de um estilo mais encorpado e que oferece uma percentual maior de açúcares residuais do que as Pale Ales. • A rampa da beta amilase atua por cerca de 50 minutos. Porém, é impor- tante entender que durante os minutos iniciais, ocorrre o processo de ge- latinização e de solubilização, antes que a beta amilase comece a realizar a conversão dos amidos em açúcares fermentáveis propriamente dita. • É uma rampa ideal para cervejas puro malte que não utilizam adjuntos com alto teor de proteínas como trigo ou aveia, uma vez que não trabalha as rampas mais baixas como a rampa proteica (entre 500C e 550C)maior tempo na alfa. EXEMPLOS DE RAMPAS • A Weiss é uma cerveja de corpo médio e, portanto precisa trabalhar a alfa amilase a fim de garantir os açúcares residuais necessários que irão conferir este corpo a cerveja. • Há um equilíbrio de tempo entra a beta amilase e alfa amilase, consid- erando os tempos de gelatinização e solubilização que ocorrem durante a rampa da beta-amilase. • É uma rampa ideal para cervejas que utilizam adjuntos com alto teor de proteínas e beta-glucans como trigo ou aveia, uma vez que trabalha em temperaturas mais baixas como a rampa glucan (entre 400C e 450C) e a ram- pa proteica (entre 500C e 550C). • Esta rampa garante também a produção de um caráter fenólico durante a fermentação, responsável pelo aroma de cravo, comum nas cervejas deste estilo. EXEMPLOS DE RAMPAS DE DECOCÇÃO • Alguns cervejeiros utilizam este método por razões que vão de tradição até a busca por aromas e sabores com caráter de malte, em especial esti- los alemãs como pilsners, bocks, doppelbocks e oktoberfests que outros métodos não são capazes de reproduzir. A pilsner Urquell é um exemplo clássico. • Isso se deve a produção de melanoidinas durante a fervura da porção retirada do mosto principal. • Melanoidinas são compostos aromáticos de colocarção avermelhada/ marron formados por meio de uma reação que ocorre entre amino ácidos e açcúcares, conhecida como reação de Maillard. • O graus de produção de melanoidina depende do tempo de fervura das porções retiradas antes que sejam retornadas ao mosto principal e do teor e degradação das proteínas em amino ácidos durante a parada proteica. • Em geral, cerca de 1/3 do total de grãos são retirados para cada de- cocção. Durante a fervura as enzimas alfa e beta amilase são denaturadas. Porém, o mosto principal preserva as enzimas necessárias para garantir a conversão do amido em açúcares. • Deve ser evitado quando se utiliza maltes bem modificados, sob o risco de trabalhar com pH mais elevado, níveis mais altos de compostos sulforo- sos, e geração de esteres e álcoois superiores que irão impactar no sabor e aroma final da cerveja. • Maltes bem modificados: pale ale da Beeston, Muntons, Pauls, Hugh- Baird, Crisp (ingleses), Briess, Great Western, Schreier (americanos), De- Wolf-Cosyns (belga). • Maltes moderadamente modificados: Weyermann, Weisheimer and Durst (alemães). • Maltes pouco modificados: Budvar (americano). Próprio para rampas de decocção. • Cervejarias alemãs costumam utilizar o método de decocção simples, en- quanto as cervejarias tchecas preferem, em geral, decocção dupla que faz a retirada de duas porções durante o processo que serão fervidas antes de retornar para a panela principal. Em alguns casos, como o da cerveja Pilsner Urquell utiliza o método de decocção tripla. • É possivel combinar decocção com rampas de temperatura EXEMPLOS DE RAMPAS DE DECOCÇÃO Decocção tripla Decocção dupla LÚPULO • Confere estabilidade microbiológica, protegendo contra microorganismos pa- togênicos. • Confere estabilidade coloidal (referente ao teor de proteínas) a medida que ajuda a reduzir a presença excessiva de proteína (na medida certya, a proteína é muito importante) • Melhora a estabilidade na espuma. COMPOSIÇÃO DO LÚPULO (valores aproximados) • Água: 10 % • Resinas: 10% - 25% (exemplos de resinas: alfa-ácidos e beta-ácidos) • Óleos essenciais: 0,2% - 3% (mais de 250 tipos diferentes) • Ceras e Lipídios: 3% • Proteínas: 12% - 22% • Polifenóis: 4% - 14% • Carboidratos: 2% - 44% • Minerais: 7% - 10% • Celulose: 10% - 17% Os compostos em vermelhos são os mais importantes com relação ao re- sultado final da cerveja RESINAS DO LÚPULO Há diferentes tipos de resinas no lúpulo. As mais importantes são: • Alfa-ácido • humulona • cohumulona (algumas fontes creditam ao cohumulona a geração de amargor menos agradável e preferem usar lúpulos com baixa concen- tração de alfa ácido deste tipo). • adhumulona • Beta-ácido • lupulona • colupulona • adlupulona RELAÇÃO ALFA ÁCIDOS E BETA ÁCIDOS • Amargor • alfa contribui com a maior parte do amargor • beta-ácidos contrinuem com cerca de apenas 1/9 • Beta-ácidos atuam com maior ação bacteriostática LUPULAGEM NO PROCESSO CERVEJEIRO • Fatores que influenciam o resultado da lupulagem: • variedade do lúpulo (teor de alfa-ácidos e de óleos essenciais) • tipo de produto (pallets, flor, extrato) • quantidade de lúpulo (peso) • tempo de contato com o mosto: momento da adição • tempo de contato com a cerveja (dry hop) • temperatura do mosto durante a fervura • temperatura da cerveja (dry hop durante fermentação ou maturação) • método de adição (hop bag, infusão, randall) • cepa da levedura utilizada pode interferir o resultado do dry hop • composição química da cerveja (sais, nutrientes, densidade) • densidade do mosto (fase quente) ou da cerveja (dry hop) LIGHT STRUCK • Olúpulo contido na cerveja sofre reação à luz, provocando um defeito (off flavour) no aroma e sabor da cerveja conhecido como light struck. • O light struck ocorre rapidamente em garafas transparentes e garrafas verdes. Garrafas ambar protegem por mais tempo a cerveja. • Algumas marcas conhecidas utilizam um extrato especial de lúpulo (tetra hop), resistente à luz, alterando o processo tradicional, protegendo a cerve- ja dos efeitos provocados pela luz. ÓLEOS ESSENCIAIS • Mais de 250 compostos (até o momento) • Linalol, geraniol, mirceno, humuleno são alguns exemplos • Aromas são formados pela combinações destas substâncias presentes nos óleos • Improvável prever com exatidão o resultado da combinação de diferentes óleos. Dependendo das proporções de cada componente (linalol, geraniol, mirceno dentre outros, cada combinação pode gerar diferentes resultados. • Quando oxidados conferem aroma ruim ALTERAÇÕES NO AROMA • Safra do lúpulo • Momento da adição na fase quente: solubilidade e volatilidade • Fermentação: ocorrem transformações químicas • Maturação: adsorsão (combinação com outros compostos como por ex- emplo proteínas), temperatura, duração VARIEDADES MAIS COMUNS DE LÚPULO • Americano: cítricos, resinosos e frutados • Inglês: terrosos e herbáceos • Alemão: florais e condimentados UTILIZAÇÃO DO LÚPULO • Combinação de diferentes espécies • Perfil aromático único • Uso em diferentes etapas do processo • Excesso: provoca saturação olfativa • Combinação de lúpulos com perfis semelhantes intensificação o aroma • Combinação de lúpulos com perfis diferentes promove harmonização OS POLIFENÓIS • Lúpulos contém polifenóis (taninos) que são antioxidante natural • Inibem presença de microrganismos patogênicos • Conservam a cerveja promovendo sua estabilidade sensorial, ou seja, sua capacidade de não perder suas características organolépticas. IMPACTO NA QUALIDADE DA CERVEJA • Conserva as qualidades sensoriais (amargor, aroma e sabor) • Em excesso (especialmente com alfa ácido elevado) pode promover adstringencia. • Impacta na qualidade da formação e estabilidade da espuma • Oferece proteção microbiologica (inibe a ação de bactérias) • Propriedades antioxidante (polifenóis) promovem estabilidade sensorial • Complexam com proteínas e decantam, evitando o excesso e promoven- do estabilidade coloidal (redução da turbidez a frio - chill haze) ISOMERIZAÇÃO DO LÚPULO • Isomerização é a conversão dos álfa ácidos em iso-alfa-ácidos que contém as propriedade de amargor. O potencial de isomerização pode variar de acordo com: • o tipo de lúpulo utilizado • o tempo de fervura (quanto maior o tempo maior o amargor conferido) • a temperatura da fervura (isomerização ocorre melhor a partir de 1000C) • o pH do mosto (ideal entre 5,1 e 5,3) • a concentração do mosto (quanto mais denso menor a isomerização) • a concentração do amargor (quanto maior a quantidade de iso-al- fa-ácido já diluído no mosto, menor o potencial de diluição) FORMAS DE LÚPULO • Extratos, Pallets ou Flor APROVEITAMENTO • Apenas um percentual pequeno de alfa-ácidos são diluídos no mosto. Damos a este percentual o nome de taxa de utilização do lúpulo (hop utilization). • Veja mais adiante a tabela que mostra a taxa utilização de lúpulo de acor- do com o momento da adição. PROPORÇÃO Formula para determinar a contribuição de amargor em uma determinada quantidade de lúpulo (em gramas) U% x A.A.% x Pesogramas x 1000IBU = ————————————— Volumelitros x Cgravity* Exemplo: Quanto de IBU 32 gramas de um lúpulo com 11% de alfa ácido (A.A.), adicionado faltando 60 minutos (taxa de conversão de 28%) irá con- tribuir em uma barassagem de 20 litros de cerveja? IBU = (0,28 x 0,11 x 32 x 1000) ÷ 20 = 985,6 ÷ 20 = 49,28 IBU Formula para encontrar a quantidade necessária de um determinado tipo de lúpulo para atingir certo valor de IBU Vlitros x IBU x CgravityQuantidade do lúpulo (gramas) = ————————— U% x A.A.% x 1000) Exemplo: Brassagem de 20 litros de cerveja com 50 IBU com lúpulo de 11% de alfa ácido (A.A.) que será adicionado faltando 60 minutos (taxa de con- versão de 28%): (10 x 50) ÷ (0.28 x 0.11 x 1000) = 1000 ÷ 30,8 = 32,46 gramas TAXA DE CONVERÇÃO DO LÚPULO DURANTE A FERVURA (U%) Dependendo do momento da adição do lúpulo, ou seja, do tempo de contato com o mosto durante a fervura o percentual de conversão aumenta ou diminui. Esta tabela mostra o valor que deve ser aplicado nas fórmulas acima na variável U% TEMPO DENSIDADE DO MOSTO 1.032 1.042 1.052 1.062 1.072 1.082 1.092 5’ 6% 6% 5% 5% 4% 4% 3% 15’ 15% 15% 14% 14% 13% 13% 11% 30’ 22% 21% 21% 20% 19% 18% 16% 45’ 26% 26% 25% 24% 23% 22% 21% 60’ 29% 28% 28% 27% 26% 25% 23% 90’ 35% 34% 33% 32% 31% 29% 27% PROPORÇÃO • Dependendo do estilo a proporção de lúpulos utilizados podem ser defini- dos por meio de frações (amargor/sabor/aroma). Alguns exemplos são: • Pale ale - 1 / 0,5 / 1 • Helles - 1 / 0,25 / 0,5 • American IPA - 1 / 0,5 / 1,5 TÉCNICAS DE LUPULAGEM PARA AROMA E SABOR Há diferentes momentos em que a adição do lúpulo irá contribuir com aro- ma e sabor. Ao final da fervura, durante o resfriamento do mosto, durante a transferência do mosto para o fermentador, ao final da fermentação, na maturação e, até mesmo durante o serviço do chopp (randall). Veja algumas destas técnicas: • First Wort Hopping (FWH): Adição do lúpulo na panela de fervura no início da lavagem. O lúpulo entra em contato com o mosto mais concentrado gerando reações químicas que garante além do amargor um novo perfil de aroma. Dar preferencia para lúpulos aromáticos, nobres e com baixo teor de álfa ácidos. Em geral, a proporção utilizada é equivalente a 30% do total de lúpulos aromáticos. • Adição durante a fervura: Dependendo do momento em que o lúpulo for adicionado haverá maior contribuição de amargor, sabor ou aroma. Quanto maior o tempo de contato, maior o amargor. Quanto menor o tempo de conta- to maior o sabor ou aroma • Hop Bursting (hop stand ou steep): Adição do lúpulo no momento em que a fervura é encerrada (boil off ou flame out). A ideia é obter diferentes perfis de aromas e sabores do lúpulo e ainda um pouco de amargor mais “redondo”. • Hop Back: hop back é um equipamento localizado entre a panela de fer- vura e o chiller, onde é adicionado lúpulo e por onde o mosto ainda quente passa, antes de chegar ao chiller, extraindo os óleos aromaticos antes de chegar ao fermentador. Adiciona muito pouco amargor. Seu objetivo é ex- trair aroma e sabor. • Dry Hop (diversas técnicas): Adição do lúpulo em diferentes momentos da fase fria como por exemplo, final da fermentação ou diferentes momentos da maturação. Cada técnica resultará em um resultado diferente. Evitar contato por mais de 3 dias. DRY HOP • Fatores que influenciam o resultado final e o perfil de aroma são: • a variedade do lúpulo (óleos essenciais) • o tipo de produto (pallets, flor, extrato) • a quantidade • a temperatura no momento da adição • tempratura alta (final da fermentação) • maior extração • influencia da levedura (arrasta aromas, altera perfil aromático) • temperatura baixa (maturação) • menor extração • menor influencia da levedura • o tempo de contato com a cerveja • o meio de adição • hop bag • infusão direta na cerveja • randall (filtro localizado entre o barril e a chopeira, usado no mo- mento do serviço do chopp para adicionar aroma a cerveja) • a cepa da(s) levedura(s) utilizadas (algumas podem absorver mais) DRY HOP • Quantidades • Usualmente adicionamos 1 a 2 gramas de lúpulo por litro. para cervejas mais lupuladas o valor pode chegar a 5 gramas por litros. Esta calculadora mostra a composição de óleos dos lúpulo: http://scottjanish.com/hop-oils-calulator/ Esta calculadora mostra a composição total de óleos e resinas e de- scrição dos lúpulos:http://scottjanish.com/hop-oil-and-acid-composition-and-rankings/ Esta calculadora oferece opções de substituição de lúpulos com base na quantidade de óleos do lúpulo http://scottjanish.com/hop-replacement-calculator/ ÓLEOS ESSENCIAIS E TERPENOS • Os óleos essenciais do lúpulo são mais voláteis (ao contrário daqueles encontrados em amendos e castanhas) e são constituidos por substâncias conhecidas como terpenos. Alguns destes terpenos possuem propriedades aromáticas. • Alguns dos terpenos mais conhecidos dos cervejeiros são: o mentol, lina- lol e citral, também presentes na hortelã, alfazema e no capim-limão re- spectivamente. Dentre os mais conhecidos estão o humuleno, cariofileno, farneseno, mirceno, que representa 80% do total dos óleos encontrados na maioria do lúpulos, além do limoneno e pineno, encontrados respectiv- amente nas essências de limão e do pinheiro. • Alguns terpenos como linalol and geraniol possuem em sua composição alcoóis. Outros como o geraniol possuem ésters que contribuem, por ex- emplo com aromas de frutas como grapefruit e abacaxi. • Os óleos mais procurados são mirceno, linalol, cariofileno, e humuleno. Estes terpenos são os mais utilizados em estilos como IPA devido as suas características ideais para o estilo. DRY HOP • Não há uma relação direta entre a quantidade total de óleos e a intensidade do sabor ou aroma final da cerveja. O resultado e sua intensidade dependem da combinação dos óleos e das proporções de terpenos presentes em sua composição final Esta tabela descreve alguns óleos importantes: http://scottjanish.com/common-hop-oil-aroma-and-taste-descriptors/ DICAS IMPORTANTES PARA DRY HOP • Cuidado com saturação olfativa • Não deixe o lúpulo por muito tempo em contato com sua cerveja, pois, as chances de se extrair alguns aromas indesejáveis, que reme- tem a gramíneos e vegetais, são muito grandes. • Dose média gira em torno de 0,5 a 1 grama por litro • Para aroma marcante entre 1,5 a 3 gramas por litro de cerveja. • Em alguns casos, pode chegar a 6 gramas por litro • Trocar de balde para fazer o dry hopping pode ser positivo a fim de evitar o contato com leveduras decantadas, especialmente se for feito em temperatura mais elevada • Para Ales médias, calcule a quantidade de lúpulo de amargor utili- zando a fórmula mostrada anteriormente, use a metade desta quan- tidade para lúpulo de sabor e a mesma quantidade utilizada para amargor para a fração do aroma. • Para cervejas menos lupuladas como Helles, 1/4 da quantidade útilizada para o lúpulo de amargor e cerca de metade desta quanti- dade para o aroma. • Para uma IPA ou Pilsner (Tcheca), estilos que tendem a oferecer um aroma mais forte de lúpulo e amargor presente, use a proporção de uma Pale Ale, porém aumente em 50% a dose de lúpulos aromáticos. DRY HOP 13 principais componentes aromaticos de lúpulos (terpenos) • cariofileno » amadeirado • citronelo » citrico, frutas • farnesene » floral • geraniol » floral, rosas, geranio • humulene » amadeirado, pinho • limonene » citrico, laranja • linalol » floral, laranja • mirceno » verdes, resinoso, pinho • nerol » rosase, citrico • pinene » condimentado, pinho • 3-mercaptohexanol » goiaba, frutas tropicais • 3 mercaptoheyl acetate » uva, maracujá • 4-mercapto-4-methyl-pentan-2-one » groselha, frutas tropicais Exemplos de lúpulos ricos em geraniol, linalol e 4MMP • lúpulos ricos em geraniol: Aurora, Bravo, Cascade, Centennial, Chinook, Citra, Mosaic, Motueka, Styrian Golding • lúpulos ricos em Linalol: Amarillo, Cascade, Centennial, Citra, Glacier, Millennium, Mount Hood, Nugget, Pacifica, Willamette • lúpulos ricos em 4-mercapto-4-methylpentan-2-one (4MMP): Apollo, Cascade, Centennial, Citra, Chinook, Cluster, Equinox, Mosaic, Simcoe, Summit Características comuns a lúpulos de aroma • Baixo teor de álfa ácido • baixo cohumulone • Concentração de óleo entre 0,5% e 1,5% • alto indice de humuleno e cariofileno • baixo teor de mirceno • Exemplos: Cascade, Hallertau, Saaz, Golding, Fuggles, Tettnanger COMO DEFINIR E CALCULAR LÚPULOS DA RECEITA • A maneira correta de definir as adições de lúpulo começa pela decisão de quais lúpulos aromáticos serão utilizados na receita. As etapas a serem seguida são: • Defina o IBU da cerveja • Defina as variedades e quantidades dos lúpulos de aroma e sabor • Calcule a quantidade de IBU que será gerado pelos lúpulos de aroma e sabor, a partir das quantidade definidas, utilizando a formula de cálculo de IBU conforme demonstrado anteriormente • Utilize a formula de cálculo de peso para definir a quantidade de lúpulo de amargor necessária para atingir o IBU total da receita (descon- tando o IBU que está sendo gerado pelos lúpulos de aroma e sabor) Exemplo: Informações da receita • Cascade • Alfa ácido: 5,2% • Adições: “x” gramas (60’) / 15 gramas (20’) / 15 gramas (5’) • Volume total: 20 litros • OG: 1.050 • IBU: 45 IBU • Cgravity = 1 Informações da receita Fórmulas utilizadas: IBU = U% x A.A.% x Pesogramas x 1000 / Volumelitros x Cgravity Pesogramas = Vlitros x IBU x Cgravity / U% x A.A.% x 1000 • Cálculo do IBU gerado pelo lúpulo de sabor com adição faltando 20’ IBU = 0,18 x 0,052 x 15 x 1000 / 20 x 1 IBU = 7 • Cálculo do IBU gerado pelo lúpulo aromático com adição faltando 5’ IBU = 0,05 x 0,052 x 15 x 1000 / 20 x 1 IBU = 1,95 • Cálculo do peso do lúpulo de amargor com adição faltando 60’ Peso = 20 x (45 - 7 - 1,95) x 1 / 0,28 x 0,052 x 1000 Peso = 49,68 gramas • Resultado final: 50 gr (60’) / 15 gramas (20’) / 15 gramas (5’) Escolhendo o lúpulo de amargor: • Principais alfa ácidos de amargor: humulone, adhumulone, cohumulone • Quanto maior o teor de alfa ácido, maior o potencial de amargor por grama e menor a quantidade de lúpulo necessária para atingir um deter- minado IBU • Alguns defendem que o tipo de lúpulo pode alterar o qualidade do amargor (adstringência) • Cervejas alemãs clássicas costumam usar lúpulos de baixo teor de alfa ácidos mesmo para contribuir com o amargor • Alguns defendem a ideia de que dependendo dos teores dos diferentes tipos de alfa áciso (humulone, adhumulone, cohumulone) a qualidade do amargor pode ser afetada. Neste caso, o alfa ácido Cohumulone seria o responsável por gerar um amargor mais adstringente • Por outro lado, o Cohumulone é o alfa ácido com a utilização mais alta dentre todos os alfa ácidos, podendo ficar menos tempo em contato e ser utilizado em menor quantidade • Considere as quantidades de cada tipo de alfa ácido presente no lúpu- lo (humulone, adhumulone, cohumulone) TIPOS DE LEVEDURAS • Lager • saccharomyces ovarum (pastoranus) ou carlsberguensis • leveduras de baixa fermentação (atuam na parte baixa do tanque) • aromas: limpo, neutro, floral, malte • faixa de temperatura de atuação mais comum: 90 - 140 C • Ale • saccharomyces cerevisiae • leveduras de alta fermentação (atuam na parte de alta do tanque) • aromas: mais complexos, frutados, fenólicos • faixa de temperatura de atuação mais comum: 160 - 240 C • Brettanomyces • saccharomycetaceae • aromas: mais complexos e acéticos que remetem a couro, fenólicos. • faixa de temperatura de atuação mais comum: 180 - 260 C RESULTADO DA FERMENTAÇÃO E DA RESPIRAÇÃO DE LEVEDURAS • Respiração • levedura na presença de glicose e oxigênio (O2): • 1 molécula glicose + 6O2 = 6CO2 + 6H2O + 38 ATP + Biomassa • ATP: energia produzida • Fermentação • levedura na presença de glicose e SEM a presença de oxigênio (O2): • 1 molécula glicose = 2CO2 + 2 H6OC2 (etanol) + 2 ATP • ATP: energia produzida AROMAS DE FERMENTAÇÃO • Ésteres: • banana (weiss), frutado, solvente (fermentação primária) • Fenol: • cravo (weiss), solvente, plástico, band-aid (fermentação primária) • Compostos sulfurosos SO2: • fósforo queimado, ovo (fermentação primária) • Alcoóis superiores: • alcoólico, solvente (fermentação primária) • Diacetil: • manteiga, iogurte (fermentação primária ou alpha-aceto-lactato)FASES DA FERMENTAÇÃO • 8-18 horas: produção de CO2 • formação de camada fina de espuma) • 24 horas: multiplicação das leveduras • início da atividade fermentativa • 48 horas: máximo da atividade fermentativa • + 48 horas: pH entre 4,0 e 4,5 UTILIZAÇÃO DO FERMENTO • Possíveis consequências de baixa dosagem: • maior tempo de fermentação • maior risco de contaminação • maior produção de diacetil • Possíveis consequências de alta dosagem: • fermentação muito rápida • produção excessiva de CO2 • rápido envelhecimento da cultura de leveduras • maior número de células mortas (autólise) • espumamento CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DA(S) LEVEDURA(S) • Ale x lager x outras • Floculação (grau de turbidez e reabsorção de subprodutos) • Risco de produzir muito diacetil • Performance • velocidade de fermentação • graus de atenuação • Resitência ao álcool • Resitência à densidades • Perfis aromáticos (cravo, banana, fenólico...) • Redução de pH AGENTES DE CONTAMINAÇÃO DA CERVEJA • Bactérias GRAM + (15 - 30 graus) • Lactobacillus sp. • Fermentação láctica: elevada acidez, diminuição de espuma, cheiro de leite azedo, manteiga, lácteos em geral. • Pediococcus sp. • Fermentação láctica: elevada acidez e viscosidade. • Bactérias GRAM - (15 a 40 graus) • Pictinatus • Ácido acético, ácido butírico, isovalérico, capróico, acetoína • Acetobacter • Ácido acético Atenção: De uma forma geral, estas bactérias são evitadas são evitadas na produção de cerveja. Porém, algumas destas bactérias podem ser usadas durante a fermentação para ajudar a construir o perfil sensorial de alguns estilos como por exemplo, as Sour Beers e as Wood Aged Beers. AERAÇÃO E OXIGENAÇÃO DO MOSTO CERVEJEIRO • Ajuda no metabolismo celular. • Ajuda na multiplicação das leveduras. • Dosagem mínima pretendida: 8 - 15 ppm (3 a 10 litros por hL). DICAS IMPORTANTES PARA A AERAÇÃO OU OXIGENAÇÃO DO MOSTO • Caso use bomba de aquário (aeração): • utilizar filtro microbiológico para evitar contaminação • utilizar pedra de aço sinterizado (2 micras) na ponta da mangueira para produção bolhas pequenas • aerar por cerca de 15 minutos (mostos com OG 1.055) • Caso use cilindro de O2 (oxigenação): • não é necessário utilizar filtro microbiológico (O2 hospitalar puro) • utilizar pedra de aço sinterizado (0.5 micras) na ponta da mangueira para produção bolhas menores (mais eficiente) • aerar por cerca de 2 minutos (mostos com OG 1.055) • Em ambos os casos: • mais eficiente com temperatura do mosto mais baixa • quanto menor a OG, mais eficiente é a aeração ou a oxigenação do mosto DOSAGEM CORRETA DE O2 • Baixa dose de oxigênio: • demora para iniciar a fermentação (risco de contaminação) • demora para acabar a fermentação (altera produção de sub produtos) • baixo grau de fermentação (baixa atenuação) • alta produção de diacetil (difícil reabsorção do mesmo) • Baixa dose de oxigênio: • fermentação muito rápida (alta produção de sub produtos) • excesso de leveduras (maior quantidade de leveduras mortas) • perda de extrato (menor corpo) • espumamento (risco de vazamento e contaminação) TÉCNICAS DE INOCULAÇÃO DA LEVEDURA • Levedura seca (liofilizada): • adição direto no mosto • maior praticidade (boa opção para iniciantes) • menor risco de contaminação • menor aproveitamento do total de leveduras viáveis inoculadas (isto ocorre devido ao choque osmótico provocado pela diferença entre a densidade do mosto e do interior das células) • hidratação da levedura antes da inoculação • risco de contaminação durante a hidratação • ajuda a levedura a se adaptar a densidade do mosto • hidratação e starter da levedura • risco de contaminação durante a hidratação e starter • ajuda a levedura a se adaptar a densidade do mosto • prepara a levedura para a ação aumentando sua performance • reduz o lag period e o risco de contaminação após a inoculação • certificar-se de que a quantidade de céluas viáveis atende a ne- cessidade do mosto de acordo com a OG e o tipo de levedura ou se será necessário realizar propagação. Caso contrário, adicionar mais levedura ou realizar propagação da mesma. • Levedura líquida (sem necessidade de hidratação): • adição direto no mosto • maior praticidade • menor risco de contaminação • certificar-se de que a quantidade de céluas viáveis atende a ne- cessidade do mosto de acordo com a OG e o tipo de levedura ou se será necessário realizar propagação. Caso contrário, adicionar mais levedura ou realizar propagação da mesma. TÉCNICAS DE INOCULAÇÃO DA LEVEDURA • Levedura líquida (sem necessidade de hidratação) - continuação • starter da levedura • maior risco de contaminação durante o processo • prepara a levedura para a ação aumentando sua performance • reduz o lag period e o risco de contaminação após a inoculação • certificar-se de que a quantidade de céluas viáveis atende a ne- cessidade do mosto de acordo com a OG e o tipo de levedura ou se será necessário realizar propagação. Caso contrário, adicionar mais levedura ou realizar propagação da mesma. • starter com propagação da levedura • maior risco de contaminação durante o processo • prepara a levedura para a ação aumentando sua performance • garante a quantidade de leveduras necessária para a fermentação COMO REALIZAR A HIDRATAÇÃO (20 litros de mosto) • Ferva em um erlenmeyer com cerca de 200 ml de água mineral ou água da rede sem cloro por 10 minutos. • Tampe a entrada do erlenmeyer com um papel alumínio e aguarde até que a temperatura esteja por volta de 350 C. • dica: utilize um termômetro em um copo com água fervida como referência) • Acenda uma vela próxima do erlenmeyer, retire o papel alumínio e inocule o fermento seco dentro do erlenmeyer, sem agitar o fermento e aguarde por cerca de 10-15 minutos enquanto o fermento decanta na água. • Após este período, caso ainda haja fermento seco na superficie da água, agite suavemente, em círculo, o erlenmeyer, criando um vortex e trazendo para baixo a levedura que permaneceu na superfície, formando uma mistura homogênea. • Após obter uma mistura homogênea, adicione a levedura ao mosto a uma temperatura de 20 C abaixo da temperatura de fermentação. • Retorne o galão ou o balde fermentador para a geladeira, já configurada para a temperatura de fermentação. • Proceda normalmente com a fermentação. STARTER DE LEVEDURA LÍQUIDA OU HIDRATADA (20 litros de mosto) • Observar a data de empacotamento, a viabilidade e a vitalidade (quando constar) para determinar a taxa de inóculo de leveduras necessária para fermen- tar o mosto de acordo com o tipo de levedura (ale ou lager) e a sua densidade. O PROCESSO • Prepare mosto esterelizado com 1.040 (SG) misturando 200 gramas de ex- trato seco de malte (DME) em 2 litros de água mineral ou filtrada e ferva por, aproximadamente, 20 minutos em um erlenmeyer. • Resfrie e, em seguida, inocule a levedura líquida ou hidratada no mosto a temperatura de 350 C (acenda uma vela próxima para evitar contaminação). • Deixe descansando por cerca de 24 horas (período em que a quantidade de células deve dobrar) e use um stir plate (ou agite manualmente a cada hora) para homogenizar a levedura e incorporar o ar que está dentro do er- lenmeyer. • Inocule a levedura no mosto cervejeiro. CALCULANDO A TAXA DE INÓCULO • Taxa de inóculo é a quantidade de leveduras que devem ser inoculadas em um mosto com determinada densidade, considerando o tipo de levedura que será utilizada (ale ou lager), onde o fator ale é 0,5 a 0,75 e o fator lager é 1,0 a 1,5. • ale: 0P x 0,5 x 106 cel/ml/0P • lager: 0P x 1 x 106 cel/ml/0P • grau plato: 0P (para converter aproximadamente uma medida em SG para grau plato basta pegar as duas casas decimais do valor em SG e dividir por 4) • Exemplo: 1.048 SG = 48/4 = 120P • Exemplo de cálculo 1: mostocom 120P para levedura ale • 12 x 0,5 x 106 = 6 x 106 cel/ml (60 bilhões de células) • Exemplo de cálculo 2: mosto com 120P para levedura lager • 12 x 1 x 106 = 12 x 106 cel/ml (120 bilhões de células) CALCULANDO A QUANTIDADE DE CÉLULAS VIÁVEIS EM UM TUBO • Procure na embalagem as seguinte informações sobre o lote: • viabilidade (V) (ex.: 95%) • quantidade inicial (QI) (ex.: 100 bilhões) • verifiuque o tempo após a data de fabricação (T) (ex.: 30 dias) • Cálculo de quantidade de células viáveis (QV): • utilize o fator (F) de acordo com o tipo de levedura (ex.: Ale=0,5) • fórmula: V - F x T • exemplo: 95 - 0,5 x 30 = 80% • QV = QI x Viabilidade • QV = 100 bilhões x 80% (ou seja, 80% de 100 bilhões) • QV = 80 bilhões Ou seja, o tubo que tinha 100 bilhões de células viáveis quando saiu da fábri- ca, possou a conter 80 bilhões de células viáveis após 30 dias. CALCULANDO ATENUAÇÃO, ABV, EXTRATO REAL • extrato original = OG convertido para 0Plato • extrato final aparente = FG convertido para 0Plato • extrato final real = FG corrigida e convertido para 0Plato • atenuação aparente = diferença entre OG e FG em percentual (%) • atenuação real = diferença corrigida entre OG e FG em percentual (%) Medindo a atenuação aparente em SG • atenuação aparente % = (OG-FG)/ OG x 100 Medindo a atenuação aparente em 0P • atenuação aparente % = 1 - AE / OE Exemplo: • OG = 1.062 medido no densímetro • FG = 1.014 medido no densímetro • Atenuação aparente = ((62-14) / 62) x 100 • Atenuação aparente (AA) = 77,4% Medindo a atenuação real • atenuação real (RA) (%) = atenuação aparente (%) x 0,814 • atenuação real (RA) (%) = 77,4 x 0.814 • atenuação real (RA) = 63% Medindo o extrato final real • extrato final real (RE) = (0.188 * extrato original) + (0.8192 * extrato final aparente) Exemplo: • OG = 1.062 medido no densímetro • extrato original (OE) = 15,5 0Plato (OG em oPlato) • FG = 1.014 medido no densímetro • extrato final aparente (AE) = 3,5 0Plato • extrato final real (RE) = (15,5 x 0,188) + (3,5 x 0,8192) • extrato final real (RE) = 5,77 0Plato CALCULANDO ATENUAÇÃO, ABV, EXTRATO REAL Medindo o ABV aparente em SG • ABV aparente = (OG - FG) x 0,1315 Example • (62 - 14) x 0,1315 = 6,3% Medindo o ABV aparente em 0P • ABV aparente = (OE - RE) x 0,516 Example • 15,5 0P - 3,5 0P= 12 • 12 x .516 = 5.16% ABV • ABV = 6,2% Medindo o ABV real em 0P (usando fórmula) • ABVreal = (OE - RE) x 0,4226 / 0,79 • ABVreal = 5,2% Medindo o ABV usando a atenuação real (usando lógica) • OG = 1.062 • Atenuação real = 63% • FGreal = 62 - 63% • FGreal = 22,9 • FGreal = 1.023 • ABVreal = (OG - FGreal) x 0,1315 • ABVreal = 5,2% ESCOLHA DA CEPA DE LEVEDURA • Fermentos de alta atenuação geralmente apresentam baixa floculação e produzem cervejas mais secas, neutras, e com final menos maltado. Levam mais tempo para concluir do trabalho. • Fermentos de alta floculação geralmente apresentam alta floculação e tendem a decantar antes que todo do açúcar fermentável tenha sido con- sumido resultando em uma cerveja mais doce, encorpada e complexa, uma vez que não consomem açúcares mais complexos. Levam menos tem- po para concluir do trabalho. • Geralmente, lagers atenuam mais do que Ales, pois estas, ao contrário das leveduras do tipo lager, não fermentam completamente algumas for- mas de açúcar de maltose como por exemplo maltotriose. • fatores que influenciam a atenuação real: • composição do mosto • condições de fermentação • viabilidade da levedura. Sedimentação (floculação) • Leveduras de alta floculação poderão sedimentar antes de consumir todos os açúcares, deixando para trás grande quantidade de subprodutos da fermentação, como diacetil. • Leveduras de baixa floculação podem permanecer em suspensão por muito tempo e serem levadas para a garrafa. Lag time • Um atraso maior que 24hs pode ser um indicativo de aeração inadequa- da, inoculação insuficiente de leveduras saudáveis ou até mesmo, contami- nação ALGUMAS CEPAS DE LEVEDURA IMPORTANTES S-04 • Fermentação acelerada. Ideal para ESB, IPA, Pale Ales, Porters por conta de seu caráter frutado, porém deixando espaço para maltes e lúpulos apa- recerem. Temperatura ideal: 15-20°C. • Atenuação: Média (75%). • Floculação: Alta. • Tolerância: até 10% (ideal 8,0%) US-05 • Levedura muito limpa no sabor e pode ser usado em vários estilos. Fun- ciona como um curinga Levedura americana que produz cervejas equili- bradas, com aroma bem neutro e paladar crisp. Produz pouco diacetil e é amplamente utilizado em estilos americanos e ingleses. Temperatura ideal: 15-20°C. • Atenuação: Média (75%). • Floculação: Média. • Tolerância: até 10% (ideal 8,0%) T-58 • Levedura belga que proporciona sabores picantes, aromas de especia- rias e bem frutados. • Deixa um certo residual adocicado e uma bela turbidez nas cervejas. Temperatura ideal: 15-20°C. • Atenuação: Baixa (70%). • Floculação: Média. • Tolerância: até 11,5% (ideal 8,5%) WB-06 • Levedura especialmente desenvolvida para cervejas alemãs de trigo. Pro- duz sutis notas esterificadas (banana) e fenólicas (cravo). • Atenuação: Média (75%) • Floculação baixa • Tolerância alta para do alcool (até 10%) ALGUNS EXEMPLOS DE DECISÕES SOBRE CEPA, INOCULAÇÃO E TEMPERATURA DE FERMENTAÇÃO • Para estilos belgas (esterificadas) usar uma dosagem um pouco mais baixa para esterificar mais. Baixa dosagem provoca maior produção de es- teres. Porém deve-se tomar cuidado com risco de contaminação. O mosto deve ser bem aerado para compensar a baixa inoculação. • Para cervejas mais claras e leves como Pilsners e Helles, usar dosagem um pouco mais alta para reduzir produção de diacetil e outros off flavours como enxofre e acetaldeído gerados no inicio da fermentação e em quan- tidades maiores quando há baixa taxa de inoculação. Gera menos esteres. • No caso de cervejas de trigo como Weiss, usar dosagem mais baixa para incentivar a produção de esteres importantes na formação de aromas como o de banana • Para Weiss, realizar parada felúrica (entre 350C e 450C) afim de incentivar precursores geradores de fenois com aroma de cravo • Temperatura de fermentação mais baixa favorece a formação de aromas de cravo (fenóis) • Temperatura de fermentação mais alta favorece a formação de aromas de bana (esteres) ESTABILIDADE COLOIDAL • Evitar geração de turbidez na cerveja: • parada proteica durante mostura caso utilize adjuntos ricos em proteína • garantir perfeita formação de trub quente • resfriamento rápido (choque térmico) • whirlpool • whirfloc (atenção: dosagem deve ser adequada) • forçar a formação do complexos PT (polifenóis + taninos) na maturação • chill haze • reduzir taninos na maturação (adsorção) • utilização de gelatina • redizir proteínas na maturação (adsorção) • utilização de gelatina DICAS E FATORES PARA AUMENTAR A ESTABILIDADE DA ESPUMA • Utilização de adjuntos ricos em proteínas como aveia, trigo, centeio... • Somente realizar descanso proteico quando utilizar adjuntos citados aci- ma, preservando assim proteínas de médio peso molecular, importantes para a boa formação e estabilidade da espuma. • Utilizar finnings (whirfloc, gelatina...) com cautela. • Evitar fervuras muito longas (acima de 90 minutos). • O lúpulo ajuda na retenção da espuma. • Utilização de tetra hop (extrato de alfa-ácido). • Perfil de cerveja com baixo teor alcoólico. • Controle de temperatura da cerveja (quanto mais gelada menor formação e estabilidade da espuma). • Copo limpo (gorduras, inclusive do batom, e outras sujidades comprome- tem a formação e estabilidade da espuma). LINKS IMPORTANTES • http://www.brewersfriend.com/hydrometer-temp/ • http://pt.webqc.org/mmcalc.php • http://www.brewersfriend.com/refractometer-calculator/ • http://onebeer.net/refractometer.shtml • http://seanterrill.com/2012/01/06/refractometer-calculator/ • http://www.northernbrewer.com/learn/resources/refractometer-calculator/ CALCULANDO O TEOR ALCOÓLICO • ABV = (og – fg) * 131.25