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MUSICOTERAPIA E ARTETERAPIA AULA 3 Prof. José Augusto Pereira Navarro Lins 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula, iremos conhecer um pouco mais as áreas de atuação da musicoterapia de acordo com a natureza de sua prática. Tudo isso partindo das contribuições trazidas pelos textos anteriores, que abordaram essa profissão de uma maneira geral, e, na sequência, descrevendo um pouco como a musicoterapia compreende a música, a experiência musical e seus efeitos. Agora, compreenderemos de que maneira essa profissão se enquadra no mercado de trabalho conforme suas práticas. No Tema 1, conheceremos um pouco sobre as definições de práticas musicoterapêuticas num contexto geral; no Tema 2, adentraremos no campo das práticas didáticas, envolvendo a educação especial e a reabilitação cognitiva; no Tema 3, conheceremos mais sobre as práticas médicas e de cura, direcionando nosso olhar para o meio hospitalar, entre outros. No Tema 4, observaremos as práticas psicoterapêuticas e suas múltiplas relações. Finalizaremos com o Tema 5, que trará as práticas recreativas e ecológicas. Novamente, vale lembrar que a base teórica deste material é o livro Definindo Musicoterapia, do musicoterapeuta Kenneth Bruscia, livro no qual o autor procura aborda a profissão em todos os seus aspectos conceituais, filosóficos e práticos. TEMA 1 – CRITÉRIOS E DEFINIÇÕES BÁSICAS Descrever e definir as áreas de atuação da musicoterapia é um projeto bastante ousado. Como acompanhamos nas aulas anteriores, os efeitos da música e as possibilidades de implicações musicoterapêuticas são de uma diversidade enorme. É tão complicado conceber todas as possibilidades quanto definir seus limites para diferenciá-las. Por exemplo, quando um musicoterapeuta atua em uma escola, suas práticas estarão relacionadas tanto com o processo de aquisição de conhecimentos, comportamentos e habilidades para uma vida funcional independente, pode promover adaptação social e implicar na qualidade de vida. Percebemos aspectos que se relacionam com o pedagógico, como o psicológico e o emocional, os aspectos das relações sociais e culturais. De acordo com Kenneth Bruscia (2016, p. 183), “uma área da prática é definida pelo seu foco primário, ou pelo que está em primeiro plano no que 3 concerne ao cliente, ao terapeuta e à instituição”. Segundo o autor (p. 183-184), para a definição desse foco e dessa área, temos quatro questões mais relevantes: • Qual é a questão de saúde prioritária para o paciente, cliente ou participante? Pois quando um cliente procura uma instituição, o faz devido a uma preocupação particular, há um propósito do paciente ao buscar os serviços da musicoterapia, e também, quando profissionais encaminham clientes para a musicoterapia, isso normalmente acontece para tratar alguma situação específica. • Qual é a o foco prioritário de saúde da instituição, programa ou terapeuta no tratamento dos seus clientes? Da mesma maneira que as pessoas buscam a musicoterapia. Assim como os clientes chegam à musicoterapia com enfoques específicos, as instituições, clínicas, programas e terapeutas focam em uma clientela ou tratamento em particular e definem sua missão de acordo com esse enfoque. Quando a musicoterapia é um serviço prestado por uma instituição, a prática musicoterapêutica alinha- se, de alguma maneira, a essa missão ou enfoque institucional (p. 183). • Qual é o objetivo do musicoterapeuta? Cada profissional concebe suas metas de acordo com sua orientação teórica e metodológica, a partir de sua experiência e suas ferramentas. Podemos imaginar um musicoterapeuta usa os métodos improvisacionais dentro de uma orientação psicodinâmica tendo práticas diferentes de um musicoterapeuta que atua com métodos receptivos em uma maternidade. • Qual é a natureza de relação entre paciente-terapeuta? Isso diz respeito ao enfoque clínico, por exemplo, em um ambiente escolar, cliente e terapeuta provavelmente irão possuir uma relação com ressonâncias da relação professor-estudante, enquanto, em um hospital, a relação se caracterizará pelos termos de terapeuta e paciente. Foi sobre esses critérios que Bruscia (2016) definiu seis áreas distintas: área didática; área médica; área de cura; área psicoterapêutica; área recreativa; área ecológica. Essas áreas de prática musicoterapêutica serão abordadas nos próximos quatro temas, mas antes de adentrar nessas especificidades, o autor comentou a respeito dos níveis de prática, descrevendo a amplitude, profundidade e significância do processo musicoterapêutico e suas 4 transformações. Todos esses aspectos têm impacto direto sobre o nível exigido de treino do musicoterapeuta (p. 184). Bruscia (2016) ainda comenta que os critérios que definem esses níveis de prática não são universais, não se aplicam a todas as áreas e em todas as situações. Isto quer dizer que “nem todo critério é totalmente relevante para todas as áreas [...], um critério pode ser relevante em determinados níveis de prática em certa área (p.ex., didática), mas não em outra (p. ex., médica)” (p. 185). Podemos conceber as práticas com níveis auxiliares, quando a prática não tem objetivos musicoterapêuticos relacionados diretamente à saúde, não qualificada como terapia, seja por meta, conteúdo, método ou relação entre o prestador do serviço e o consumidor. Por exemplo, o uso da música como fundo musical para melhorar o ambiente de aprendizagem; uso pessoal da música para relaxamento, afastar a solidão, mobilizar emoções etc. Também podemos conceber os níveis aumentativos, quando já se define como terapia e as práticas visam aumentar os esforços de outras modalidades de tratamento, ou apoio a saúde do cliente. Geralmente, acontecem em ambientes transdisciplinares, como abordar questões e necessidades de desenvolvimento do cliente, usar a instrução musical como contexto para a terapia verbal, o uso de atividades musicais na abordagem dos comportamentos e habilidades adaptativas etc. Também existe o nível intensivo, que inclui práticas em que o processo musicoterapêutico, assumindo um papel significativo no trato das questões prioritárias da saúde do cliente e promovendo transformações significativas à condição atual do cliente. O uso da musicoterapia para melhorar os relacionamentos familiares, ter a música como linguagem em um processo psicoterapêutico, entre outros, podem ser exemplos de ações dessa natureza. Por fim, o nível primário, que e acontece quando a musicoterapia assume função principal ou singular no cuidado das principais demandas terapêuticas do cliente. Percebe-se que suas ações promovem grandes transformações em sua saúde e sua vida. TEMA 2 – PRÁTICAS DIDÁTICAS As práticas didáticas são ações musicoterapêuticas cujos objetivos são ajudar os clientes nos processos de aquisição de conhecimentos, 5 comportamentos e habilidades necessários para uma vida funcional e independente, também pode ter o foco na adaptação social desse cliente e sua qualidade de vida. Ou seja, o aprendizado e o desenvolvimento estão no primeiro plano do processo musicoterapêutico (Bruscia, 2016, p. 189). Na área da educação, a musicoterapia está inserida na escola de ensino regular como especial, locais onde o musicoterapeuta poderá ter por objetivo a estimulação do desenvolvimento de habilidades cognitivas, motoras, sociais e emocionais dos alunos, ampliando suas possibilidades de aprendizado. Nesse sentido, o processo musicoterapêutico poderá incidir sobre o desenvolvimento individual do aluno com vistas a também colaborar com os objetivos gerais da escola (Cunha; Volpi, 2008, p. 88). Kenneth Bruscia (2016, p 189) considera ainda os clientes institucionalizados que precisam desenvolver habilidades adaptativas. Geralmente, essas aplicações são realizadas dentro de salas de aula,em ateliês particulares e outros settings terapêuticos, como hospitais, clínicas de repouso etc. Assim, alguns pesquisadores consideram que as práticas musicoterapêuticas didáticas, por mais musicais que sejam, promovem ganhos e contribuições extramusicais como disciplina, concentração, desenvolvimento das funções cognitivas e criativas, expressão de sentimentos, desenvolvimento da vida afetiva e social, sendo favoráveis tanto do ponto de vista acadêmico e intelectual, como também sob a perspectiva de que os aspectos musicais, artísticos e estéticos inerentes à arte musical aproximam os alunos da produção cultural enriquecendo suas vidas (Costa-Giomi, 2006; Sekeff, 2002 apud Cunha; Volpi, 2008, p. 88). Nas escolas brasileiras, os professores e gestores escolares estão com uma demanda por atendimentos especializados cada vez maior já que cada dia mais estudantes que se matriculam nas instituições de ensino apresentam questões e distúrbios de naturezas diversas. São os aspectos da psicomotricidade, de atenção, da percepção, emocionais e psicolinguísticos que constituem a problemática existente no cotidiano do ambiente ensino-aprendizagem. A criança que apresenta dificuldades no processo de aprender pode mostrar sinais como a dispersão da atenção, baixo limiar de concentração na fala do outro, no seu próprio pensamento ou numa tarefa específica. São lapsos de atenção e de memória que acontecem seguidamente. Esse comportamento gera problemas no relacionamento social, na organização do cotidiano, na aprendizagem e execução de cumprimento de metas e prazos. (Silva, 2003, citado por Cunha; Volpi, 2008, p. 89) 6 Nesta complexa rede de relações terapêuticas, Bruscia (2016) nos faz refletir acerca de algo muito importante que são as distinções entre as práticas didáticas sob um prisma educacional e as práticas didáticas sob um prisma terapêutico. O autor também diferencia as práticas didáticas com enfoque terapêutico das práticas didáticas que tenham um enfoque de autoaperfeiçoamento. 2.1 Distinção entre educação e terapia Apesar de possuírem semelhanças no sentido da ajuda às pessoas no processo de aquisição de conhecimento e outras habilidades, a educação e a terapia distinguem-se em diversos aspectos cruciais de suas práxis. O fundamental é saber que o objetivo é claramente distinto, enquanto na educação, adquirir conhecimento e habilidades é o objetivo primário, na terapia, esse processo é um meio para alcançar alguma faceta da saúde do cliente, paciente ou participante. Bruscia (2016) descreve da seguinte maneira: “a educação enfoca a aquisição de conhecimento e habilidades por seu próprio benefício, enquanto a terapia trabalha para abordar os déficits educacionais ou os problemas da aprendizagem que afetam diretamente a saúde ou o bem estar de uma pessoa” (p. 190). Enquanto na educação, a disciplina, matéria ou área do conhecimento é o objeto da aprendizagem, na terapia, o objeto é sempre pessoal ou autobiográfico, promovendo insights e novas percepções a respeito de si mesmo. Na educação, são construídas habilidades que todos os seres humanos necessitam para uma adaptação, enquanto na terapia, são tratadas questões específicas e distúrbios pontuais que um indivíduo tenha em relação a essa adaptação. 2.2 Distinção entre terapia e autoaperfeiçoamento As práticas voltadas ao autoaperfeiçoamento, autoatualização ou desenvolvimento relacionado ao crescimento pessoal não visam aspectos da saúde, em contrapartida, as práticas didáticas com enfoque na terapia sempre têm por objetivo abordar questões da saúde dos clientes. Além disso, a terapia sempre envolve intervenção na presença de uma relação cliente-terapeuta. No autoaperfeiçoamento, autoatualização e desenvolvimento relacionado ao 7 crescimento, pode haver ou não a intervenção de outra pessoa e, quando há, a pessoa não é necessariamente um terapeuta (Bruscia, 2016, p. 191). 2.3 Tipos de práticas didáticas Bruscia (2016, p 191-193) descreve diferentes naturezas de práticas didáticas, com base nos níveis de prática (já descrito no Tema 1): • Práticas didáticas auxiliares: pode envolver diferentes nichos de ação, desde a educação musical especial (quando o terapeuta usa técnicas adaptativas ou compensatórias para facilitar ou maximizar o aprendizado musical de alunos com necessidades especiais num setting escolar regular); desenvolvimento e música (quando as experiências musicais apropriadas por faixa etária são usadas para estimular o desenvolvimento geral de lactentes e pré-escolares sem deficiências ou necessidades especiais no desenvolvimento); instrução musical terapêutica (quando o terapeuta trabalha com alunos sem necessidades especiais que experimentam obstáculos ou problemas pessoais no que diz respeito à autoexpressão musical ou ao próprio processo de aprendizado da música); música didática (quando as experiências musicais são utilizadas funcionalmente em um ambiente de formação ou educativo para ajudar ou enriquecer o aprendizado não musical). • Práticas didáticas aumentativas: também pode envolver diferentes propostas de ação, desde a musicoterapia na educação especial (quando o terapeuta usa a música para ajudar alunos especiais a ganhar conhecimentos e habilidades não musicais que são essenciais ou que fazem parte da sua educação, desenvolvimento ou adaptação); a musicoterapia educativa (quando um musicoterapeuta, trabalhando no contexto de uma aula particular, usa as experiências do aprendizado musical para abordar as necessidades terapêuticas do cliente); a musicoterapia comportamental (quando o terapeuta utiliza a música para aumentar ou modificar comportamentos adaptativos ou apropriados, bem como para extinguir comportamentos desadaptados ou inapropriados); a terapia com atividade musical (quando o terapeuta utiliza atividades ou tarefas musicais para ajudar o cliente a desenvolver 8 conhecimentos, habilidades ou comportamentos necessários à adaptação). • Práticas didáticas intensivas: práticas que podem envolver a musicoterapia do desenvolvimento (quando o foco está em ajudar o cliente a ultrapassar obstáculos e problemas em seu desenvolvimento em mais de uma área, como aspectos do desenvolvimento sensório-motor, cognitivo, afetivo, interpessoal); também a musicopsicoterapia educacional (se caracteriza pelo uso de aulas particulares de música como contexto para psicoterapia individual, assim, o aprendizado musical fornece o contexto para o processo terapêutico). • Práticas didáticas primárias: quando estas assumem o nível primário de terapia sob duas condições: quando o trabalho leva a transformações significativas e profundas nas áreas de aprendizagem sendo abordadas e quando os objetivos e os processos ultrapassam as questões pedagógicas e educacionais para incluir as de outras áreas da prática, por exemplo, médica, psicoterapêutica, ecológica). Prática 1 – Palmas e pés. TEMA 3 – PRÁTICAS MÉDICAS E DE CURA As práticas médicas têm por objetivo auxiliar a resolução de alguma necessidade terapêutica de uma pessoa. Esta pode advir, ou acontecer durante, ou como resultado de uma condição médica aguda ou crônica e/ou de seu tratamento. São as aplicações da música e da musicoterapia que fornecem tratamento direto dessas condições e seus sintomas, esse suporte pode ser necessários durantes exames médicos, cirurgias ou procedimentos e processos terapêuticos que lidam com as necessidades emocionais, interpessoais, sociais, espirituais e ecológicas, do cliente e de sua família (Bruscia, 2016, p. 194). Portanto, é comumente presente em hospitais e outros settings clínicos. Cunha e Volpi (2008, p. 90) apontam que quando as práticas musicoterapêuticas estão inseridas em um ambiente hospitalar, ela poderá atender às necessidades das pessoas que se encontram internadas, em atendimento ambulatorial,em situações pré ou pós-cirúrgicas, em coma ou em estado terminal. Esta área também contempla a abordagem de pessoas que apresentam transtornos mentais, geriátricos e agravos de saúde agudos ou crônicos. 9 As autoras comentam que essa abordagem ainda pode ter o objetivo de “estimular a expressão de sentimentos oferecer acolhimento e presença, colaborar com a recuperação física, mental e emocional dos participantes”. Bruscia (2016, p. 194) aponta que os níveis da prática dentro da área médica variam de acordo com “as funções diferenciais da música e da relação cliente-terapeuta; se as metas da musicoterapia têm importância médica primária ou secundária; se o tratamento médico é de curto ou longo prazo; qual é o setting clínico (p. ex., hospital, clínica, centro de reabilitação, hospital psiquiátrico, casa)”. 3.1 Tipos de práticas médicas Bruscia (2016, p. 194-196) descreve as práticas médicas como: • Práticas médicas auxiliares: podem estar relacionadas à musica terapêutica (quando uma pessoa utiliza a música para manter sua própria saúde, para prevenir doenças ou enfermidades e/ou para reforçar suas resistências contra ameaças à saúde física de diversos tipos, por exemplo, o uso pessoal da música para relaxar o corpo, reduzir o estresse, manejar a dor, suportar exercícios físicos ou terapêuticos, monitorar funções autônomas, melhorar o desempenho em atividades esportivas, dentre outras); ou à música funcional em medicina (quando o pessoal médico – não musicoterapeutas – usa música ambiente em diferentes cenários, como salas de espera, consultórios, quartos privados, centros cirúrgicos, tudo para tentar melhorar a atmosfera e reduzir o estresse, ansiedade ou desconforto do paciente). • Práticas médicas aumentativas: seriam a musicoterapia em medicina (quando um musicoterapeuta utiliza experiências musicais dentro de uma relação cliente-terapeuta de apoio para fornecer aos pacientes alívio imediato dos sintomas de alguma doença ou das reações a um procedimento médico), pode ter como objetivos: reduzir ansiedade, estresse e desconforto durante e imediatamente após um procedimento ou durante uma breve estada; facilitar anestesia e o recobrar da consciência; fornecer divertimento e distração durante um procedimento ou uma breve estada; melhorar os efeitos da medicação para dor; facilitar o sono, sedação e excitação; facilitar o relaxamento durante o trabalho de 10 parto; assistir o monitoramento e controle de respostas fisiológicas durante um procedimento ou breve estada; aumentar o consumo de alimentos e o ganho de peso em unidade de cuidado neonatal intensivo; melhorar a qualidade de vida durante os estágios finais antes da morte. • Práticas médicas intensivas: podem estar relacionada à musicoterapia médica (quando as experiências musicais e as relações formadas através destas são utilizadas para tratar demandas importantes dos pacientes em longos períodos de tempo, isto é, entre um procedimento de curto prazo a longas internações); com a musicoterapia reabilitativa (definida como o uso de experiências musicais e as relações formadas através destas como meio para ajudar clientes debilitados por doenças, lesões e traumas a recuperarem os níveis anteriores de funcionalidade ou adaptação ao máximo possível); ou a musicoterapia paliativa (quando o terapeuta e o cliente trabalham juntos, utilizando experiências musicais e suas relações concomitantes para ajudar clientes e suas famílias a encararem e trabalharem as questões que surgem nos estágios finais da vida e como um meio para ajudar o cliente a obter o senso de fechamento e significado). • Práticas médicas primárias: apresentam-se sob duas condições, quando o trabalho leva a transformações significativas e profundas no quadro de saúde específico sendo abordado e quando as metas e os processos ultrapassam a preocupação focal da medicina para incluir aquelas outras áreas da prática (por exemplo, psicoterapêutica). Assim, quando inserido em um ambiente hospitalar, os processos musicoterapêuticos acompanham certas peculiaridades do cotidiano da instituição: em internamentos de curta duração é possível que se realizem um ou dois encontros, perfazendo um processo de atendimento breve. Nos casos de internação mais longa, há chances do desenvolvimento de um processo composto por vários encontros (Cunha; Volpi, 2008, p. 90). Kenneth Bruscia (2016) ainda traz reflexões sobre o que chama de práticas de cura, que, segundo ele, podem ter inúmeras definições teóricas: “um processo positivo, subjetivo, imprevisível envolvendo transformação para um novo sentido de totalidade, transcendência espiritual e reinterpretação da vida” ou “a experiência pessoal de transcender o sofrimento e transformar em uma 11 plenitude que resulta em serenidade, interconectividade e um novo senso de significado” (p. 197). Mas qual seria a diferença entre cura e terapia? Para o autor, existem pelo menos dois aspectos importantes que a distinguem: a terapia, na maioria, das vezes se concentra em eliminar, minimizar ou adaptar a um problema específico ou fonte de sofrimento, ou o que na medicina particular é chamado de “tratamento”. Em contraste, o processo de cura se concentra na transcendência do problema e/ou sofrimento relacionado, independentemente de qualquer cura. Além disso, “na terapia, os recursos do setting são utilizados em seu máximo potencial para intervir de alguma forma, enquanto no processo de cura, os recursos externos ao setting são utilizados para assistir e apoiar a pessoa em se tornar uma totalidade mais harmoniosamente ligada ao universo” (p. 198). 3.2 Práticas de cura A seguir alguns aspectos que distinguem a natureza das práticas de cura, de acordo com Bruscia (2016, p. 200): • Cura sonora vibracional: o uso de vibrações sonoras sem música como agente primário em um processo de cura que envolve o curador e/ou a relação curador-paciente apenas como uma presença de apoio. • Cura sonora musical: o uso de vibrações sonoras com música como os agentes primários em um processo de cura que envolve o curador e/ou a relação curador-paciente enquanto presença de apoio. • Cura musical: o uso de todas as facetas da música como agentes primários em um processo de cura que envolve o curador e/ou a relação curador-paciente enquanto presença de apoio. • Musicoterapia na cura: o uso de todas as facetas da música e todas as facetas da relação cliente-terapeuta no processo de cura. TEMA 4 – PRÁTICAS PSICOTERAPÊUTICAS As práticas psicoterapeutas na musicoterapia podem ser chamada de musicopsicoterapia e, de maneira geral, tem o enfoque na ajuda aos clientes a encontrar um significado em suas vidas. Desde o autoconhecimento, resolução de conflitos internos, liberação emocional, a autoexpressão, transformações nas emoções e atitudes. Pode também visar uma melhoria nas habilidades 12 interpessoais, ou resolução de problemas interpessoais, proporcionando um desenvolvimento de relacionamentos saudáveis. Além disso, essas práticas podem atuar como agentes de cura para traumas emocionais, compreensão interna mais profunda, orientação à realidade, reestruturação cognitiva ou mudança de comportamento etc. (Brusia, 2016, p. 206) Nas clínicas, hospitais psiquiátricos e gerais, bem como nos demais settings musicoterapêuticos, é comum encontrarmos indivíduos com distúrbios psiquiátricos com graus de severidade bastante diversificados, bem como indivíduos, grupos ou comunidades com uma problemática abrangente em termos de relacionamentos, que, por sua vez, implicam na saúde psíquica de suas vidas. Com isso, Bruscia (2016) comenta que: O musicoterapeuta pode engajar o cliente na música e/ou nas palavras em quatro níveis, variando em um continuum do exclusivamente musical ao exclusivamente verbal [...]. Estes níveis de engajamento podemser utilizados em uma interação cliente-terapeuta isolada, em uma parte da sessão, em uma sessão inteira ou em diversas sessões, dependendo da demanda do cliente. Muitas vezes a musicoterapia muda de um nível a outro na mesma sessão. Estes níveis podem também ser implementados na maioria dos modelos e métodos de musicoterapia. (p. 206-207) Da mesma forma que as práticas didáticas e médicas, Kenneth Bruscia (2016, p. 207-210) classifica as práticas psicoterapêuticas foram classificadas de acordo com os níveis de ação: • Práticas psicoterapêuticas auxiliares: pode ocorrer quando uma pessoa usa a música para manter sua própria saúde psicológica ou para aprimorar o crescimento pessoal e autorrealização. Podemos considerar desde apresentações musicais, aprendizado, composição, improvisação ou audição musical, tanto a sós como em grupos. O importante é notar que essas atividades não são parte de um programa de tratamento, estão fora da relação terapeuta-cliente. • Práticas psicoterapêuticas aumentativas: podemos compreendê-la como a musicopsicoterapia de suporte que ocorre quando o terapeuta utiliza experiências musicais para estimular ou dar suporte à retificação ou ao crescimento psicológico, contando largamente com os recursos já possuídos pelo cliente. Neste caso, a relação estabelecida entre cliente e terapeuta pode facilitar a experiência musical e aprimorar o valor 13 terapêutico do processo terapêutico como um todo. Pode acontecer em atendimentos individuais, casais, famílias, grupos ou comunidades. • Práticas psicoterapêuticas intensivas: podemos encontrar essas práticas com diferentes naturezas, desde a musicopsicoterapia reeducativa (acontece quando o terapeuta utiliza experiências musicais e as relações que se desenvolvem através delas como meio para trazer aos clientes maiores insights sobre si mesmos e suas vidas, enquanto também alimentam aí as transformações psicológicas necessárias); musicopsicoterapia instrucional (quando o musicoterapeuta utiliza experiências musicais e suas relações concomitantes dentro do contexto de aulas particulares de música como um meio para a psicoterapia); como supervisão com musicopsicoterapia (quando um supervisor-terapeuta utiliza experiências musicais e suas relações concomitantes como um meio para ajudar seus supervisionados a elaborarem questões pessoais que impactem seus trabalhos clínicos como terapeutas); a psicoterapia expressiva (acontece com o uso integrado de diferentes modalidades de artes expressivas ou criativas e suas relações concomitantes como meio de trazer ao cliente insights sobre sua vida emocional e de nutrir aí as transformações desejadas); por fim, a musicoterapia familiar (o terapeuta trabalha para aprimorar os relacionamentos entre os membros de uma família e no processo aprimora a saúde desta como um todo). • Práticas psicoterapêuticas primárias: o autor comenta a respeito da musicopsicoterapia reconstrutiva, que está voltada para a descoberta das raízes e causas dos problemas de vida ou psicológicos do cliente e, assim, fazer as transformações estruturais e profundas necessárias na personalidade do cliente. Essas práticas auxiliam o cliente a acessar e utilizar seus recursos, ganhar maior autoconsciência e insight, aprimorar os relacionamentos interpessoais e ajustar, adaptar ou resolver problemas em seu viver. Prática 2 – A música e como ela nos mobiliza. 14 TEMA 5 – PRÁTICAS RECREATIVAS E ECOLÓGICAS 5.1 Práticas recreativas As práticas recreativas abrangem todas as aplicações da música, de atividades musicais e da musicoterapia em que o foco recaia sobre o divertimento, o brincar, a recreação, as atividades ou o entretenimento. Neste caso, o objetivo primário, tanto em settings terapêuticos institucionais, quando em comunidades, é ajudar os indivíduos a se engajarem na música ou em outras formas de arte como atividade de lazer ou social que irão trazer aproveitamento e descanso (Bruscia, 2016, p. 212). No entanto, não podemos desconsiderar a natureza dessas ações em diferentes contextos, podendo ter efeito sobre a qualidade de vida e a saúde dos indivíduos. Basta refletir, por exemplo, nas práticas musicoterapêuticas recreativas em hospitais infantis, atendendo às crianças internadas ou em outras situações. De toda maneira, podemos classificá-las novamente de acordo com os níveis de práticas (Bruscia, 2016, p. 212-214): • Práticas recreativas auxiliares: práticas que acontecem como recreação musical terapêutica (quando atividades musicais são fornecidas com o objetivo de entretenimento, para aprimorar a qualidade geral de vida, e ajudar a desenvolver atividades de lazer prazerosas); como música comunitária (são atividades musicais oferecidas a grupos de pessoas com interesses musicais em comum ou pessoas que vivem em uma comunidade de qualquer tipo). Neste caso, o objetivo pode ser alcançar metas musicais (aprendizado musical, performances) ou desenvolver laços entre os membros da comunidade (social). • Práticas recreativas aumentativas: acontecem como musicoterapia recreativa (quando o terapeuta utiliza a música, o aprendizado musical e/ou atividades relacionadas para ajudar o cliente a desenvolver habilidades recreativas e a usar suas horas de lazer para aumentar sua qualidade de vida. Esta é uma prática aumentativa porque se foca nas metas da recreação terapêutica e porque é uma forma de terapia de suporte); como brincadeira musical terapêutica (quando o terapeuta utiliza a música, jogos, atividades recreativas e outras artes como formas breves ou ocasionais de diversão para crianças passando por períodos 15 ou situações difíceis. Esta prática é particularmente relevante com crianças traumatizadas ou hospitalizadas. • Práticas recreativas intensivas: ocorre como ludo-musicoterapia (quando o terapeuta utiliza do repertório de brincadeiras musicais, jogos e artes relacionadas para ajudar uma criança ou um grupo de crianças a explorar e elaborar questões terapêuticas). Neste caso, os objetivos podem variar de acordo com o contexto em que ocorrem, por exemplo, quando ela é utilizada em setting médico, o objetivo compreende ajudar a uma criança a entender e lidar com sua doença, hospitalização ou tratamento; já quando é utilizada num setting psicoterapêutico, o foco está em ajudar essa criança a entender, a expressar e a lidar com seus sentimentos sobre si mesma e seus entes queridos. • Práticas recreativas primárias: ocorre quando essas práticas recreativas assumem um caráter terapêutico, provocando transformações significativas na qualidade de vida do cliente. Tais processos podem ultrapassar o objetivo primário de recreação e relacionam-se inclusive com outras áreas da prática musicoterapêutica (psicoterapêuticas, médica, didática, ecológica etc. 5.2 Práticas ecológicas Para Bruscia (2016, p. 215), a área ecológica da prática inclui todas as aplicações da música e da musicoterapia em que o foco primário é a promoção de saúde dentro e entre as diferentes camadas da comunidade sociocultural e/ou do meio ambiente físico. Nesta área, o cliente pode ser um indivíduo ou grupo, o qual é considerado em termos dos vários contextos, tais como a família, o local de trabalho, uma instituição, a comunidade, o governo, a sociedade, a cultura ou o meio ambiente. No Brasil, a musicoterapia na área social é área de atuação musicoterapêutica que tem muita similaridade com esta forma entender a prática musical. A abordagem musicoterapêutica social e comunitária abrange o ambiente vivencial no qual a cultura, aqui traduzida pelos códigos simbólicos e objetos concretos comuns a um determinado agrupamento social (Ruud, 1998, apud Arendt et al, 2016, p. 390). Assim, é importante compreender as interações sociais como um dos aspectos centrais da vida humana. A vida cotidiana se caracterizapela 16 teia das relações humanas que existe onde quer que as pessoas vivam juntas. Essa teia relacional se dá pela mediação da ação e do discurso, ou seja, pela presença de componentes objetivos e simbólicos que propiciam o relacionamento interpessoal. (Arendt, 2007 apud Cunha, 2016, p. 96) Enfim, as práticas ecológicas diferem-se das demais áreas, pois não apenas a terapia se estende para além do consultório, mas também se estende para além da relação cliente-terapeuta para incluir muitas camadas de trocas entre cliente e comunidade, terapeuta e comunidade, membros da comunidade e entre as próprias comunidades. Assim, podemos pensar nos diferentes níveis dessa prática: • Práticas ecológicas auxiliares: podem ocorrer como música funcional (quando a música é utilizada como elemento de fundo para influenciar ambientes físicos, estados físicos, comportamentos, humores, atitudes etc., isto, fora de um contexto terapêutico, em settings comerciais, industriais, organizacionais, educacionais ou residenciais); também como música cerimonial (quando a utilização de músicas para acompanhar eventos públicos como cerimônias militares ou de Estado, eventos esportivos ou cerimônias de premiação, num geral são músicas selecionadas levando em consideração seu contexto e objetivos); pode ocorrer como música inspirada (quando a utilização da música para estimular experiências espirituais, facilitar a meditação religiosa e para aprimorar atividades de prece e adoração). • Práticas ecológicas aumentativas: podem ocorrer como musicoterapia organizacional (quando a música é aproveitada pelo seu potencial para o desenvolvimento e suporte do quadro de funcionários e para aprimorar as relações no ambiente de trabalho ou grupos profissionais); como programas artísticos (quando o objetivo é ajudar pessoas com problemas de saúde a se tornarem consumidoras das principais tendências artísticas de sua cultura, como qualquer outro membro da comunidade); ou rituais musicais de cura (quando incluem formas de terapia e cura que utilizam músicas e rituais que fazem parte da cultura do cliente ou que formam uma parte importante de seu passado coletivo); a musicoterapia sociocultural (quando um terapeuta utiliza a música para desenvolver o entendimento e aprimorar as relações entre os clientes que podem diferir na raça, cultura, nacionalidade, afiliação 17 política, religião, gênero, orientação sexual e assim por diante); como musicoterapia na valorização comunitária (quando o terapeuta importa os recursos de uma comunidade para dentro do setting tradicional e os utiliza para aprimorar o processo terapêutico dos clientes, ou o terapeuta cria comunidades transitórias dentro da escola, agência ou hospital para aperfeiçoar o processo terapêutico com os clientes). • Práticas ecológicas intensivas: esse nível inclui a musicoterapia comunitária (quando o terapeuta trabalha com clientes em um setting musicoterápico tradicional individual ou em grupo, enquanto também trabalha com a comunidade na qual os clientes vivem, trabalham ou brincam). A musicoterapia comunitária possui uma abordagem social e, “nesses casos o musicoterapeuta entra em contato com as necessidades da população e procura potencializar o grupo para agir em prol de modificações, dentro das possibilidades oferecidas pela realidade institucional (Cunha, 2008, p. 92) Prática 3 – Pesquisa musical: quais são as músicas de seu grupo? NA PRÁTICA Prática 1 – Palmas e Pés. Esta é uma prática de leitura musical e percussão corporal simples. O objetivo é acompanharmos a contagem dos tempos dos compassos quaternários, percutindo com os pés no chão ou palmas quando estiver marcado na partitura. 1. Tente executar a sequência de percussão corporal sugerida pela partitura abaixo; procure repetir algumas vezes. 2. Agora, tente acelerar o andamento dessa prática, fazendo com que a contagem fique mais rápida. 3. Após ter passado por essa experiência musical, proponha uma reflexão ao grupo, ou a si mesmo: qual a natureza dessa experiência musical? 4. Imagine essa prática sendo feita nos seguintes contextos: • Em uma escola regular com estudantes do primeiro ano do ensino fundamental. Quais os objetivos essa proposta poderia ter? 18 • Em uma casa de repouso com indivíduos idosos, de mobilidade limitada por condições geriátricas. É importante lembrar que essa prática não pretende e não habilita o leitor a aplicá-la com pessoas sob o prisma musicoterapêutico ou de educação musical. O objetivo desta prática é levar o leitor a refletir a respeito de como uma mesma prática didática pode ter funções diferentes de acordo com o contexto em que ela é aplicada, com quem ela é praticada e por quem ela é aplicada. Figura 1 – Prática 1 Prática 2 – A música e como ela nos mobiliza. Esta é uma proposta de audição musical, relaxamento e reflexão. O objetivo não é provocar um processo de introspecção e de reflexões terapêuticas, mas, sim, perceber como a música no mobiliza internamente. Como nos provoca sensações e nos desperta pensamentos distintos. Iremos apreciar duas obras com ambientes musicais diferentes. Para isto, é interessante você possuir um bom sistema de som ou usar fones de ouvido para que a qualidade do som reproduzido seja o mais fiel à produção musical. Além disso, tenha em mãos um papel e uma caneta ou lápis para anotar algumas informações. A primeira é uma obra de Reynard Seidel intitulada In the Enemy’s Eyes. Esse vídeo pode ser acessado por meio de Reynard Seidel – Tema (2019). A 19 segunda é uma obra intitulada Voice of the moon, de Anoushka Shankar, disponível em Anoushka Shankar (2019). 1. Posicione-se confortavelmente em um local seguro e silencioso; procure manter pouca iluminação. 2. Escute a primeira música (In the enemy’s eyes), lembre-se de que o objetivo não é julgar a qualidade, mas sim perceber o que ela provoca em você. 3. Ao término, anote as sensações e pensamentos que foram mobilizados em você. 4. Escute a segunda música (Voice of the moon) e, novamente, lembre-se de que o objetivo não é julgar a qualidade, mas sim o que ela provoca em você. 5. Ao término, anote as sensações e pensamentos que foram mobilizados em você. 6. Agora reflita sobre a natureza das sensações, sentimentos e pensamentos que cada música mobilizou. Tente compreender o motivo dessas sensações e desses pensamentos. Qual a relação com a música? O objetivo dessa proposta é percebermos a capacidade que diferentes músicas têm de mobilizar diferentes sensações e pensamentos em quem se coloca disponível a ouvi-las. Dentro de um contexto musicoterapêutico com práticas psicoterapêuticas, podemos imaginar as implicações que uma “simples” proposta de audição musical pode ter em um processo terapêutico. Mesmo que seja uma experiência receptiva, a ação da música pode gerar relaxamentos ou tensões, resoluções ou conflitos, pensamentos construtivos ou não, boas lembranças ou más lembranças. Enfim, percebemos novamente que, para lidar com música dentro de um prisma terapêutico, é necessário que o profissional tenha responsabilidade sobre o que propõe para o seu cliente. Essa responsabilidade é construída em formação acadêmica profissional, leituras específicas, prática musical, treinamento auditivo, conhecimentos musicais, médicos, psicológicos, educacionais, entre outros. 20 Prática 3 – Pesquisa musical: quais são as músicas de seu grupo? Esta é uma proposta de pesquisa. Sugerimos que os estudantes escolham um grupo ao qual fazem parte (grupos religiosos, grupo de amigas e amigos, grupo de futebol, grupos de vizinhos, grupos de colegas, de professores, etc.) e pesquisem quais músicas estas pessoas gostam de ouvir. Note que a natureza da pergunta que será feita irá determinar a natureza da resposta, por exemplo, se você perguntarque tipo de música o entrevistado gosta de ouvir, será diferente de perguntar qual musicista ou conjunto ele prefere. Sugerimos as seguintes perguntas: 1. Qual o seu nome? 2. Qual sua idade? 3. Onde você nasceu? 4. Onde você cresceu? 5. Com qual frequência você ouve música? 6. Como você ouve música? Fazendo outras atividades simultâneas ou somente escutando a música? 7. Você toca algum instrumento musical ou canta? 8. Qual ou quais gêneros musicais (estilo de música) você gosta de ouvir? Com as entrevistas em mãos, procure encontrar relações entre as respostas do entrevistado com ele mesmo (por exemplo, gênero musical versus idade; gênero musical versus local onde nasceu e cresceu); procure relações entre as respostas dos entrevistados entre si, observando o grupo (Que grupo é este? Que gênero musical se destacou?). Note que, ao fazer esse tipo de avaliação, não estaremos aplicando a musicoterapia, mas sim buscando relações culturais e sociais que entre a música e os indivíduos. Será que, se perguntássemos para um grupo de estudantes de ensino médio em uma comunidade rural, teríamos as mesmas relações que um grupo urbano? Será que um grupo de idosos em uma casa de repouso teria as mesmas relações que um grupo de crianças em uma escola especial? Ou que um grupo de enfermeiros intensivistas (que trabalham em UTIs)? São questionamentos que nos remetem à cultura, aos grupos sociais, às comunidades, aos costumes, a educação, ao meio ambiente em que esse grupo habita. Aspectos que influem nos processos musicoterapêuticos, bem como 21 estão relacionados aos objetivos e metas terapêuticas da musicoterapia social e comunitária, por exemplo. FINALIZANDO Nesta aula, conhecemos mais sobre a natureza da prática profissional musicoterapêutica, compreendendo as dimensões didáticas, médicas e de cura, psicoterapêuticas, recreativas e ecológicas (social e comunitária). Cada uma dessas classificações demanda profissionais especializados, que além da musicoterapia, se envolvem com outros contextos profissionais. Isso nos remete ao que foi dito sobre a transdisciplinaridade da ação musicoterapêutica. Lembramos que os efeitos e possibilidades da experiência musical nos indivíduos que a vivenciam transcendem os limites dos territórios profissionais e, justamente por esse motivo, o uso da música no contexto terapêutico deve ser realizado por profissionais habilitados e que passaram por um treinamento no olhar, ou no ouvir. Assim, os musicoterapeutas podem lançar mão das técnicas, métodos e intervenções musicoterapêuticas, bem como de práticas de cunho musical para que as demandas específicas de seus pacientes, clientes e participantes. 22 REFERÊNCIAS ARNDT, A. D.; CUNHA, R.; VOLPI, S. Aspectos da prática musicoterapêutica: contexto social e comunitário em perspectiva. Psicol. Soc., Belo Horizonte, v. 28, n. 2, p. 387-395, Aug. 2016. BRUSCIA, K. Definindo Musicoterapia. Tradução de Marcus Leopoldino. 3. ed. Dallas: Barcelona Publishers, 2016. CUNHA, R. Musicoterapia social e comunitária: uma organização crítica de conceitos. Revista Brasileira de Musicoterapia, ano XVIII, n. 21, 2016. CUNHA, R.; VOLPI, S. A prática da musicoterapia em diferentes áreas de atuação. Revista Científica/FAP, Curitiba, v. 3, p. 85-97, jan./dez. 2008.