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CURSO DE BIOMEDICINA Apostila de aulas Práticas HEMATOLOGIA Professora: Gisele Santos Gonçalves 2025 2 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO NORMAS DE CONDUTA E SEGURANÇA NO LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS OBJETIVO: Instituir normas de conduta e segurança que oriente os alunos que frequentam a aula de hematologia clínica. Uma vez que será realizada a coleta e a manipulação de sangue nas aulas práticas, é preciso respeitar determinadas regras para evitar contaminação pessoal. NORMAS 1. Usar obrigatoriamente o JALECO. O aluno pode ser convidado a se retirar caso não esteja vestido adequadamente. Não é permitido assistir aulas de chinelos e shorts. 2. Manter sempre os cabelos amarrados. 3. Colocar livros e outros objetos de uso pessoal, não necessários ao trabalho prático, nos armários apropriados, localizado no laboratório. 4. Não comer, beber ou fumar no laboratório. 5. Não levar à boca o material de trabalho (lápis, canetas, etc.) e evitar colocar as mãos na boca, nos olhos e no nariz. 6. Lavar cuidadosamente as mãos antes e depois do trabalho prático. 7. Limpar as bancadas de trabalho com álcool 70% antes e depois do trabalho prático. 8. Não pipetar produtos com a boca, usar sempre os dispositivos mecânicos. 9. Não levar o material usado nas aulas práticas para fora do laboratório. 10. Evitar a contaminação das bancadas de trabalho, chão e cestos de papéis. O material biológico nunca deve ser esquecido em locais desapropriados, nem colocado inadvertidamente em cima das bancadas de trabalho. 11. Colocar o material (ponteiras, lâminas e lamínulas) após a sua utilização em recipientes próprios contendo solução desinfetante (hipoclorito de sódio a 1%). 12. Relatar imediatamente ao professor qualquer acidente. 13. Caso ocorra quebra de algum material, o mesmo deve ser colocado no DESCARTEX (recipiente para coleta de resíduo de serviço de saúde e material perfurocortante, rígido, impermeável, resistente a perfurações). 3 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO 14. Observar a separação dos LIXOS. As LUVAS não podem ser colocadas no lixo comum. 15. No final da prática, o local de trabalho deve ficar devidamente limpo e arrumado. Após as técnicas de coloração, verificar a bateria de corantes e organizá-las em suas respectivas bandejas; 16. Cada aula possui uma ATA de AVALIAÇÃO. A mesma será preenchida pelo professor EM TODAS AS AULAS. EM RELAÇÃO AOS MICROSCÓPIOS ÓPTICOS No início: 1. Verificar a ligação do fio do Microscópio Óptico à tomada; 2. Limpar as objetivas com lenço de papel ligeiramente umedecido com ÉTER-ÁLCOOL; 3. Centrar a estrutura a observar na abertura da platina; 4. Colocar a lente de menor ampliação ou a adequada à observação; 5. Baixar a platina para a posição mais baixa; 6. Aproximar a objetiva à lâmina sob controle visual externo e proceder à focagem como acima descrito, sempre cuidando para não quebrar as lâminas; 7. Usando o diafragma, procurar a melhor iluminação; 8. Na imersão, colocar uma pequena gota de óleo de imersão e observar lateralmente se a objetiva está bem mergulhada no óleo. * Nota: ao utilizar as objetivas de maior ampliação, subir o condensador e abrir o diafragma, assim não danificando o foco. Ao final: 1. Limpar as oculares; 2. Limpar as objetivas com lenço de papel ligeiramente umedecido com ÉTER-ÁLCOOL. 3. Colocar a objetiva de menor ampliação. 4. Desligar o microscópio. 5. Colocar a capa de proteção no microscópio. 6. Desinfetar o microscópio com álcool 70%, especialmente macrometro e micrometro. Não limpar as lentas com esta solução!!! Todos os procedimentos de limpeza devem ser realizados utilizando- se EPI. 4 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO LEMBRE-SE: A “utilização e manutenção correta” destes instrumentos por outros alunos permitiu que você os utilizasse hoje. Não quebre esta cadeia. ATENÇÃO E SERIEDADE DURANTE OS PROCEDIMENTOS PRÁTICOS. ORGANIZAÇÃO, LIMPEZA E ORDEM SÃO PRIMORDIAIS DENTRO DE UM LABORATÓRIO. 5 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO ROTEIROS DE AULA PRÁTICA Aula 1: Coleta, confecção esfregaço e coloração lâminas A. Procedimento para coleta de sangue venoso a vácuo. 1. Verificar se a cabine de coleta está limpa e guarnecida para iniciar a coleta. 2. Solicitar ao paciente que diga seu nome completo para confirmação do pedido médico e etiquetas. 3. Conferir e ordenar todo o material a ser usado no paciente de acordo com o pedido médico e etiquetas. Esta identificação deve ser feita na frente do paciente. 4. Informá-lo sobre o procedimento. 5. Higienizar as mãos. 6. Calçar as luvas. 7. Posicionar o braço do paciente e fazer a anti-sepsia. 8. Garrotear o braço do paciente. 9. Abrir o lacre da agulha de coleta em frente ao paciente. 10. Retirar a proteção que recobre a agulha múltipla de sangue á vácuo. 11. Fazer a punção numa angulação de 30º, com o bisel voltado para cima. 12. Inserir o primeiro tubo á vácuo. 13. Quando o sangue começar a fluir para dentro do tubo, desgarrotear o braço do paciente e pedir para que ele abra a mão. 14. Homogeneizar imediatamente após a retirada de cada tubo, invertendo-o suavemente de 5 a 10 vezes. 15. Após a retirada do último tubo, remover a agulha e fazer a compressão no local da punção com algodão. 16. Exercer a pressão no local, evitando a formação de hematomas e sangramentos. 17. Descarte a agulha imediatamente após sua remoção do braço do paciente, em recipiente para materiais perfurocortante. 18. Fazer o curativo oclusivo no local da punção. 6 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO 19. Orientar o paciente para não dobrar o braço, não carregar peso ou bolsa a tiracolo e não manter a manga dobrada, que pode funcionar como torniquete. 20. Certificar-se das condições gerais do paciente e liberá-lo. 7 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO Confecção esfregaço sanguíneo A avaliação do esfregaço sanguíneo faz parte da rotina do laboratório de hematologia. Quando os corantes são aplicados aos esfregaços sanguíneos, os elementos figurados (eritrócitos, leucócitos, plaquetas) podem ser examinados, identificados e avaliados utilizando o microscópio, como na contagem diferencial. Além de examinar os componentes das células, um esfregaço sanguíneo, preparado corretamente, permite estudar a morfologia dos componentes celulares. O esfregaço de sangue é pedido principalmente para avaliar as populações de células quando o hemograma com diferencial realizado por um contador automático indica a presença de células anormais ou imaturas. A leitura cuidadosa de um esfregaço examinado adequadamente fornece ao médico informações valiosas para diagnosticar e tratar doenças tão diversas como mononucleose infecciosa, leucemia, anemia falciforme e malária. O médico ainda pode solicitar colorações específicas para novos estudos, as quais são utilizadas para identificar componentes específicos das células, como grânulos de ferro ou ácidos nucleicos. Os esfregaços podem ser realizados à mão, com apoio em mesa, e são utilizadasintrínseca da coagulação com exceção dos fatores plaquetários. É um teste bastante utilizado para diagnóstico de hemofilias e para controle da dose de diferentes agentes terapêuticos. É um teste obrigatório na investigação de doenças hemorrágicas e pode ser empregado no controle da heparinização, substituindo o tempo de coagulação. Os plasmas controle e teste, empregados no tempo de tromboplastina parcial devem ser colhidos com o anticoagulante citrato de sódio. Técnica 1. Realizar o teste utilizando tubos de vidro rigorosamente limpos. 2. A temperatura do banho-maria deve estar entre 36 - 38 °C. 3. Pré-aquecer o Reagente 2 (cloreto de cálcio) (20 mmol/L) a 37 °C. 4. Incubar a 37 °C, 0,1 mL do plasma a ser medido (controle ou paciente) por no mínimo um minuto e no máximo 10 minutos. 5. Adicionar 0,1 mL do Reagente 1 (cefalina), homogeneizar e incubar a 37 °C por 3 a 5 minutos (tempo de ativação). Para obter resultados reprodutíveis o tempo de ativação deve ser padronizado para todas as amostras. 42 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO 6. Adicionar 0,1 mL do Reagente 2 (previamente aquecido a 37 °C) e disparar simultaneamente o cronômetro. Misturar suavemente e manter no banho-maria a 37 °C por 15 a 20 segundos. 7. Remover o tubo, incliná-lo sucessivamente em intervalos menores que 1 segundo e observar a formação de um coágulo que interrompe a movimentação do líquido. Parar imediatamente o cronômetro e registrar o tempo. Resultado Os intervalos devem ser usados apenas como orientação. Recomenda-se que cada laboratório estabeleça, na população atendida, seus próprios intervalos de referência. Idade Intervalo (segundos) 2 meses 26,3 - 46,9 5 meses 26,1 - 45,9 Crianças a partir de 6 meses e adultos 26,7- 37,6 1. Valor referência: Analisando várias técnicas, pode-se concluir que o valor de referência depende da metodologia e dos reagentes empregados. De modo geral, os valores estão compreendidos entre 30 a 45 segundos. Os resultados obtidos com o emprego do plasma do paciente devem ser comparados com os do plasma normal (pode ser adquirido no comércio ou empregar um pool de plasma de indivíduos comprovadamente normais). Segundo informações contidas na bula do kit de Tempo de Tromboplastina parcial da Biolab Merieux diferenças, de pelo menos 10 minutos devem alertar o clínico. 2. Interpretação O tempo de tromboplastina parcial poderá estar prolongado nas deficiências dos fatores envolvidos no mecanismo intrínseco da coagulação: fatores XII, XI, VIIIAula 7: Hemossedimentação 2. Técnica Aula 8: Índices hematimétricos Aula 9: Contagem reticulócitos Azul de cresil brilhante a 1% Aula 12: Contagem de plaquetas 1. Técnica 2. Líquido Diluidor de plaquetas H2O destilada qsp................................................. 100,0 ml 3. Diluiçãouma lâmina (limpa, sem resquícios de gordura ou outros materiais) e uma distensora de vidro transparente (lamínula ou lâmina). O esfregaço ideal deve ser livre de falhas e paradas, não muito espesso, nem fino demais, e sem falhas na cauda. Na observação ao microscópio, as duas bordas onde são realizadas as contagens devem apresentar os eritrócitos mais separados e os leucócitos bem distribuídos 8 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO Figura: Distribuição das células no esfregaço. Fonte: Vários métodos de distensão sanguínea em lâmina podem resultar em bons esfregaços. O mesmo pode ser preparado depositando-se uma gota de sangue na extremidade direita da lâmina (ou esquerda, para os canhotos) colocada em uma superfície. A extremidade de uma segunda lâmina “distensora” é posicionada na frente da gota de sangue, formando um ângulo de 30 a 35°. A distensora é recuada até tocar a gota. Assim que o sangue tenha se espalhado ao longo de sua borda posterior, a distensora é empurrada para a esquerda (ou direita, para os canhotos), com um movimento rápido e uniforme de modo que uma fina camada de sangue seja distendida sobre a lâmina. A distensão deve cobrir aproximadamente da metade até três quartos da lâmina e mostrar uma transição gradual de espessa a mais fina. Além disso, deve ter aparência uniforme, sem sulcos ou bolhas, e ter uma borda com extremidade fina. 9 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO B. Técnica: 1. Utilizar preferencialmente sangue sem anticoagulante, imediatamente após a coleta. 2. Utilizar lâmina limpa e desengordurada. 3. Esfregadeira sem ranhura com borda uniforme. 4. Ângulo de 45º. 5. Comprimento do esfregaço não pode atingir a extremidade da lâmina. C. Técnica: Coloração lâminas Corantes hematológicos: mistura de sais ácidos e básicos que permitem a coloração das estruturas nucleares e citoplasmáticas das células. Técnica May Grünwald – Giemsa 1- Cobrir a lâmina com May Grünwald, deixar 3 minutos. 2- Adicionar 10 a 20 gotas de água, pH 6,6 - 7,0 deixar 1 minuto. 3- Escorrer a solução. 4-Cobrir a lâmina com o Giemsa diluído, deixar 15 minutos. 5-Escorrer a solução e lavar a lâmina em água corrente. 6-Limpar o verso da lâmina e deixar secar. 10 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO Técnica de coloração rápida A extensão hematológica é submetida a ação de um fixador e duas soluções corantes, por meio de imersões de 5 segundos em cada, e ao final da última imersão encontra-se pronta para leitura. Reagentes 1. Panótico rápido nº 1: compõe-se por uma solução de triarilmetano a 0,1%. 2. Panótico rápido nº 2: compõe-se por uma solução de xantenos a 0,1%. 3. Panótico rápido nº 3: compõe-se por uma solução de tiazinas a 0,1%. PROCEDIMENTO TÉCNICO 1. Preparar as extensões sanguíneas e deixar secar em temperatura ambiente; 2. Preencher 3 recipientes com o as soluções n 1, 2 e 3 respectivamente; 3. Submergir as lâminas na solução n° 1 mantendo-se um movimento contínuo de cima para baixo ou para os lados durante 5 segundos (5 imersões de 1 segundo cada) e deixar escorrer bem; 4. Submergir as lâminas na solução n° 2 mantendo-se um movimento contínuo de cima para baixo ou para os lados durante 5 segundos (5 imersões de 1 segundo cada) e deixar escorrer; 5. Submergir as lâminas na solução n° 3 mantendo-se um movimento contínuo de cima para baixo ou para os lados durante 5 segundos (5 imersões de 1 segundo cada) e deixar escorrer bem; 6. Lavar com água deionizada recente (de preferência tamponada a pH 7,0), secar ao ar na posição vertical e com o final da extensão voltado para cima. Observação: Os tempos de imersão sugeridos podem ser alterados conforme critério do usuário para ajustes necessários. 11 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO Perguntas: 1- Quais são os erros da fase pré-analítica que devemos evitar em uma coleta de sangue? 2- Quais são os erros da fase analítica que devemos evitar em uma preparação e coloração de um esfregaço sanguíneo? Contagens Manuais de Hemácias e Leucócitos A contagem de células vermelhas (RBC) e de células brancas (WBC) faz parte da rotina de contagem global de células (CGC) do sangue. A contagem de RBC se aproxima do número de células vermelhas circulantes e assim fornece a estimativa indireta da capacidade de transporte do oxigênio no sangue. É útil no diagnóstico e tratamento de muitas doenças, especialmente a anemia, condição na qual há redução na contagem normal de RBC ou no nível de hemoglobina. A contagem RBC pode estar aumentada com a produção excessiva e com a perda de líquidos devido à diarreia, desidratação, queimaduras. Já a contagem de WBC dá informação geral sobre a capacidade de o paciente lutar contra uma infecção, já que as células brancas desempenham papeis importantes na imunidade e na 12 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO capacidade do organismo de resistir a doenças. A contagem pode aumentar com infecções, inflamação, leucemia; e diminuir com alguns fármacos (tais como metotrexato), algumas doenças autoimunes, infecções agressivas, insuficiência da medula óssea e aplasia congénita da medula. As contagens de células do sangue costumam ser executadas usando instrumentação. Contudo, quando os contadores automatizados não estão trabalhando, ou em situações de contagens muito baixa de células do sangue, as contagens manuais devem ser feitas. As contagens manuais são executadas preenchendo o sangue diluído em um hemocitômetro, examinando e contando as células usando o microscópio. Hemocitômetro, também referido como Câmara de Neubauer, é uma lâmina grossa de uso microscópico, com formato retangular e normalmente de vidro, com uma depressão no centro, utilizada para fazer contagem de células por unidade de volume de uma suspensão. No centro desta lâmina existem várias linhas perpendiculares com marcações em quadrantes. Ao analisar em microscópico com a objetiva de imersão, pode-se perceber que existem três tipos de quadrantes, que juntos formam um quadrado maior. Estes quadrantes são usados para fazer as contagens e assim determinar a concentração de células em um determinado volume de fluido, para poder calcular a concentração de células no líquido global. Aula 2: Contagem global de leucócitos 1. Técnica 1. Em um tubo pipetar 0,4 mL de líquido diluidor. 2. Pipetar 20 uL de sangue (sangue colhido com EDTA) e transferir para o tubo contendo líquido diluidor, lavando com este a pipeta. 3. Esperar 20 minutos para que haja destruição das hemácias. Homogeneizar. 4. Com o auxílio de uma pipeta de Pasteur ou de um tubo capilar, encher os retículos da câmara de Neubauer, tendo o cuidado de homogeneizar antes da pipetagem, evitando excesso de líquido e formação de bolhas de ar. 13 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO 5. Levar a câmara de Neubauer ao microscópio para efetuar a contagem com o aumento de 40 X usando para contagem os 4 retículos lateraisda câmara. Ler os retículo e somar as parcelas. A, B, C e D = contagem de leucócitos. 1, 2, 3, 4 e 5 = contagem de hemácias. 2. Líquido Diluidor Azul de metileno a 1% ......................................... 1,0 mL CH3 COOH (Ácido Acético Glacial) ........................ 2,0 mL H2O destilada .........qsp...........................................100,0 mL 3. Diluição 0,02 ml de sangue ................................................ 0,4 mL líquido diluidor 1 ml sangue .......................................................... X Portanto a diluição usada para a contagem de leucócitos é 1: 20 4. Cálculos Área do retículo central = 1mm2 Área usada para a contagem =1 mm2 X 4 = 4 mm2 (são utilizados 4 retículos) Altura entre câmera e lâmina =0,1 mm Diluição do sangue = 1 : 20 Temos então: 4 mm2 x 0,1mm = 0,4 mm3 0,4 mm3 ....................................... Y leucócitos 1 mm3 .......................................... X leucócitos 14 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO X = 1 x Y = 2,5 Y 0,4 Como a diluição é 1/20, temos X = 2,5 x 20 x Y. X = 50 x Y X = nº de leucócitos por mm3 Y = nº de leucócitos na área de 4 mm2 Sendo: X = nº de leucócitos p/ mm3 Y = nº de leucócitos contadas na área de 4 mm2 5. Resultado: X leucócitos p/ mm3 6. Valor referência: Adultos: 4.000 – 11.000 /mm3 de sangue RN: 10.000 – 26.000 /mm3 de sangue Crianças: (1 ano): 6.000 – 18.000 /mm3 de sangue (4 a 7 anos): 5.000 – 15.000 /mm3 de sangue (8 a 12 anos): 4.500 a 13.500 /mm3 de sangue 7. Interpretação Valores aumentados: Leucocitose: É o aumento do número global de leucócitos por mm3. Este aumento ocorre à custa de uma ou mais das variedades de leucócitos. A leucocitose pode ser fisiológica ou patológica. Fisiológica: no RN, na gravidez, durante o parto, variações dependentes da postura do corpo, em decorrência de exercícios físicos, massagens, convulsões, etc. Patológicas: Pode apresentar muito elevada em certas patologias. Geralmente, o aumento de leucócitos se deve ao predomínio de uma variedade, quase sempre o neutrófilo. Os outros tipos de células (eosinófilo, linfócitos, etc) em geral resultam em pequenos aumentos. Entretanto, os diversos tipos de leucemias apresentam aumentos segundo o tipo de célula em uma neoplasia. 15 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO Leucocitoses infecciosas: Quanto mais agudo for o processo infeccioso, maior será a leucocitose, a qual está na dependência de fatores tais como resistência individual, grau de virulência do agente agressor, localização do processo e presença de certas complicações. A presença da leucocitose é quase uma constante em todos os processos infecciosos, com exceção de alguns que serão mencionados em leucopenias. Valores diminuídos: Leucopenia: É a diminuição do número global de leucócitos por mm3. A redução faz-se em geral à custa de neutrófilos, trazendo, em consequência, linfocitose relativa. A leucopenia pode ocorrer: - Por produção diminuída de leucócitos. A causa pode decorrer de depressão dos tecidos leucopoiéticos por intoxicação ou infecção, de substituição da medula óssea por outras células e ainda por deficiência de vitamina A. - Por alteração na distribuição dos leucócitos na corrente sangüínea. Ex: moléstias parasitárias. Destruição aumentada dos leucócitos (provavelmente por anticorpos). Perguntas: 1. Faça uma contagem de leucócitos, desenhe a câmara e assinale os campos contados. 2. Interprete o resultado encontrado, baseando-se nos valores de referência. 16 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO Morfologia das Células do Sangue Os técnicos de hematologia devem ser experientes na identificação de células do sangue, bem como no reconhecimento de células anormais. Muitas informações são obtidas pela observação dos componentes celulares do sangue em um esfregaço. O laudo sobre a morfologia das células, combinado com os resultados das contagens das hemácias e a contagens dos leucócitos, fornece informações que ajudam o médico no diagnóstico e no tratamento do paciente. Para realizar um estudo sobre a morfologia das células do sangue, deve-se utilizar um esfregaço sanguíneo corado. A margem do esfregaço deve ser localizada usando a objetiva de 10x de um microscópio, pois nessa área as células não ficam sobrepostas. Então, a margem é examinada no maior aumento. É importante que os esfregaços sejam corretamente preparados e corados, a fim de facilitar a identificação da morfologia das células, dentre elas: eritrócitos, leucócitos e plaquetas. Figura: células do sangue em um esfregaço sanguíneo. Fonte: A morfologia pode ser estudada a partir de uma avaliação das características da coloração adquirida pelas células no esfregaço. As hemácias e plaquetas são fáceis de identificar em um esfregaço corado. As hemácias maduras coram-se de rosa, devido à presença de hemoglobina. 17 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO Como são estruturas mais delgadas ao centro, a área central cora-se menos, sendo denominada “área de palidez central”. Já as plaquetas são ainda menores que as hemácias; seu citoplasma cora- se de azulado e normalmente contém pequenos grânulos purpúreo-avermelhados. Os leucócitos são mais difíceis de identificar; seu tamanho é estimado comparando-os ao tamanho das hemácias, o núcleo é observado quanto à forma, tamanho, estrutura e cor; o citoplasma é avaliado observando cor, quantidade e tipo de grânulo. Tipos: Neutrófilos: são granulares, com grânulos citoplasmáticos de cor neutra. O núcleo costuma ser segmentado, com 2 a 5 lóbulos unidos por um filamento e cora-se de púrpura-escuro com aparência grosseira e agregada (quando o núcleo não está segmentado e apresenta um formato curvo, o neutrófilo é mais conhecido como bastão). O citoplasma varia de rosa- pálido a castanho-claro e contém grânulos cor de rosa. É o leucócito mais numeroso no sangue de um adulto normal. Eosinófilo: apresentam-se do mesmo tamanho que os neutrófilos, mas em menor número. Seus grânulos têm afinidade pela eosina presente no corante. O núcleo também se divide em 2 ou 3 lóbulos e cora-se de cor púrpura. O citoplasma é cor de rosa, mas pode ser visto com dificuldade, pois está preenchido por grânulos cor vermelho-alaranjada (eosinofílico). Basófilo: possuem grânulos que têm afinidade pela porção básica do corante. Seu núcleo é segmentado e cora-se de uma cor púrpura leve; sua visualização é dificultada pela presença numerosa de grânulos grosseiros azul-escuros que obscurecem o núcleo e o citoplasma. Linfócitos: são os menores leucócitos. Seu núcleo apresenta forma arredondada ou oval, com manchas púrpuras e aparência regular. O citoplasma é basofílico (azul) e varia em quantidade. Monócitos: são os maiores leucócitos. Seu núcleo pode ser oval, indentado, em forma de ferradura. O citoplasma é azul-acinzentado com traçados irregulares Avaliação do Esfregaço Sanguíneo A contagem diferencial de leucócitos é a classificação dos diferentes tipos de leucócitos do sangue e a determinação dos seus números relativos. O procedimento da contagem diferencial implica a contagem de 100 a 200 leucócitos em um esfregaço corado e o registrode quanto cada um dos cinco tipos dessas células é visto. A informação também é obtida acerca das hemácias e plaquetas. As hemácias são avaliadas quanto ao conteúdo de hemoglobina e à morfologia. As plaquetas são avaliadas quanto à morfologia e à estimativa do seu número. A contagem diferencial de leucócitos avalia a resposta do organismo a muitas doenças, em especial infecções bacterianas ou virais. Também avalia reações alérgicas e a parasitas, a resposta a quimioterapia e identifica diversos tipos de leucemias e anemias. Por exemplo, a infecção que causa a mononucleose infecciosa produz um diferencial de leucócitos característico; na anemia por 18 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO deficiência de ferro observa-se uma morfologia característica das hemácias, que se apresentam pequenas e com quantidade reduzida de hemoglobina. O resultado indica a proporção dos diferentes tipos de leucócitos. A proporção de neutrófilos aumenta com infecções bacterianas e reações inflamatórias. Em alguns casos, o aumento pode ser devido a distúrbios da medula óssea, como leucemia mieloide crônica. Ocorre redução de neutrófilos em infecções graves e em respostas a medicamentos, em especial quimioterapia. O número de eosinófilos aumenta em resposta a reações alérgicas, inflamação da pele e infecções por parasitas. A proporção de linfócitos aumenta principalmente em infecções virais. Números reduzidos são observados em doenças que afetam o sistema imunológico, como lúpus eritematoso disseminado e estágios avançados da infecção por HIV. Monócitos podem estar aumentados em muitas infecções ou distúrbios inflamatórios. O objetivo da contagem diferencial é determinar a porcentagem de cada tipo de leucócito no sangue periférico. Isso é realizado a partir da contagem e da identificação de 100 leucócitos, além da informação do percentual de cada célula. O esfregaço sanguíneo corado deve ser examinado usando óleo de imersão na lâmina e a objetiva de 100x. A borda da distensão é examinada na área onde as hemácias tocam-se lado a lado e as células são mais facilmente identificadas. O número de cada tipo de leucócito encontrado deve ser registrado usando um contador diferencial. Qualquer anormalidade das células também deve ser observada. A contagem na lâmina deve ser feita conforme a Figura abaixo. Geralmente, é importante correlacionar a contagem diferencial com a contagem de leucócitos. Isso é feito calculando-se a contagem absoluta, o número de um tipo de célula branca por L ou µL de sangue. As contagens absolutas são obtidas multiplicando-se a contagem de leucócitos pela porcentagem diferencial de cada tipo de célula. Por exemplo, um paciente que tem uma contagem de leucócitos de 9.000/ µL e 60% de neutrófilos tem contagem absoluta de neutrófilos de 5.400 neutrófilos/µL. Depois que a contagem diferencial for concluída, as hemácias e plaquetas devem ser observadas e avaliadas. As hemácias podem ser classificadas de acordo com o tamanho, como normocíticas, microcíticas ou macrocíticas. O conteúdo de hemoglobina também pode ser previsto. Hemácias 19 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO com quantidade normal de hemoglobina são chamadas de normocrômicas e coram-se de mofo uniforme, com uma pequena área pálida ao centro. Uma hemácia hipocrômica apresenta conteúdo de hemoglobina menor que o normal, com um anel de hemoglobina mais externo e uma grande área pálida central. As plaquetas são observadas quanto a qualquer anormalidade em sua morfologia, sendo feita uma estimativa do seu número. O número total de plaquetas presentes em 10 campos é dividido por 10 para dar o número médio por campo. De 7 a 20 plaquetas por campo indicam uma contagem normal. Sistematização de análise microscópica: Antes de fazer a contagem diferencial do hemograma, que em última estância é a informação mais desejada da microscopia, devemos seguir sistematicamente uma sequência visando a coleta racional de informações, para melhor conclusão final. Em primeiro, devemos observar o sexo e a idade do paciente e a indicação do exame. Uma pista do que encontraremos já é adiantada. Em segundo, observamos a concentração de hemoglobina e o volume corpuscular médio. A anemia forma esfregaços longos com hemácias separadas e distantes, visualizadas já a olho nu e no menor aumento. Ao contrário, a poliglobulia forma esfregaços curtos com hemácias próximas e sobrepostas. O VCM alterado corresponde a micro ou macrocitose, quando comparamos hemácias e linfócitos, onde a hemácia normal cabe dentro do núcleo do linfócito com uma pequena folga. Concomitante a isto, observa-se todo esfregaço avaliando-se a qualidade deste em fornecer bons campos para microscopia, dando ênfase aos agrupamentos de hemácias (“rouleaux” e aglutinação), leucócitos (aglutinação) e plaquetas (aglutinação e satelitismo plaquetário), cujas presenças podem invalidar a contagem realizada pelo aparelho. Observa-se o resultado da coloração, baseando-se principalmente nas hemácias, eosinófilos e núcleos dos leucócitos. Tudo checado, passa-se à avaliação morfológica das hemácias, morfológica e numérica dos leucócitos e finalmente, morfológica e numérica das plaquetas. A morfologia das células do sangue As hemácias: As hemácias são células anucleadas de aproximadamente 8 um de tamanho e com formato de disco bicôncavo. Seu formato, altamente funcional, é mantido à custa de energia para manutenção do ambiente interno e dependente da composição da membrana citoplasmática. A hemácia de forma alterada não circula no sangue pelos 120 dias usuais, sendo precocemente removida pelos macrófagos do baço. A principal função da hemácia é conter a hemoglobina que foi sintetizada pelo eritroblasto, célula precursora da hemácia residente na medula óssea. 20 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO A hemácia normal apresenta-se de forma redonda ou levemente ovalada com tonalidade rósea, tendo o tamanho um pouco menor que o núcleo do linfócito, com uma região mais clara central pouco demarcada que não ultrapassa 1/3 do seu diâmetro. Alterações do tamanho As hemácias de tamanho normal são ditas normocíticas. A variação mais perceptível do tamanho das hemácias é definida como anisocitose. As hemácias pequenas, microcíticas, são de tamanho bem inferior ao núcleo de um linfócito, ao passo que, as hemácias grandes, macrocíticas, são de tamanho bem superior ao núcleo de um linfócito. Frequentemente a hemácia macrocítica é também ovalada. Descreve-se ainda o megalócito, uma hemácia de proporções imensas. É importante comparar estes achados de lâmina com os dados hematimétricos: micrócitos - VCM diminuido, macrócitos - VCM aumentado e anisocitose - RDW aumentado. A microcitose está presente na anemia ferropênica e Talassemia. A macrocitose está presente na anemia megaloblástica. Alterações da forma As hemácias de forma normal são ditas discócitos. A evidência de formas diferentes é definida como poiquilocitose. As formas anormais mais comuns possuem denominação específica e sua presença no sangue pode ter relação direta com algumas doenças. Sua importância também reside no fato de que a análise automatizada do sangue não é capaz de definir a forma poiquilocítica, cabendo apenas à microscopia fazê-lo. Denominação Descrição Associação diagnóstica frequente Esferócito esfera esferocitose hereditária e anemia hemolítica auto-imune Esquizócito fragmento micro-angiopatia (CIVD, síndrome hemolítico- urêmica, PTT) e próteses vasculares Acantócito projeções digitiformes irregulares dislipemiasEquinócito (crenada) protuberâncias curtas e regulares uremia e artefato Codócito (alvo) conteúdo de hemoglobina central hepatopatias, Talassemia, HbC 21 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO Ovalócito ovalada ou elíptica ovalocitose hereditária e anemia ferropênica Dacriócito (lágrima) uma saliência ponteaguda metaplasia mielóide com mielofibrose Drepanócito (falciforme) elíptica com pontas afiladas anemia falciforme Estomatócito depressão central reta e funda estomatocitose hereditária e artefato Queratócito pequena invaginação da membrana hemoglobinopatias instáveis e enzimopatias Alterações da cor As hemácias de cor normal são ditas normocrômicas. A hemácia é dita hipocrômica quando há evidente aumento da região central clara. Descreve-se o anulócito quando a região corada limita- se a uma estreita borda. Apenas a hemácia esferocítica é hipercrômica pois, sua concentração de hemoglobina é aumentada, sendo melhor denominadas hemácias hipercoradas aquelas que se apresentam mais róseas. A hemácia é dita policromática quando tem tonalidade levemente basofílica sendo geralmente macrocítica e ovalocítica correspondendo a hemácias jovens em circulação. Se o sangue é corado com o azul de cresil brilhante, observa-se a presença de muitos reticulócitos que são hemácias igualmente jovens que precipitam uma rede de ribossomos corados pelo azul de cresil brilhante. É importante comparar estes achados de lâmina com os dados hematimétricos: hipocromia - HCM e CHCM diminuídos e hipercromia - CHCM aumentado. A hipocromia está presente na anemia ferropênica. A policromasia está presente nas anemias hemolíticas. Inclusões e outros achados nas hemácias Se procurarmos com atenção atendo-nos a detalhes dentro das hemácias, em certas doenças podemos encontrar inclusões de diferentes origens e significados. Um dos mais importantes é o hemoparasita plasmódio, cuja presença faz diagnóstico de malária. Denominação Descrição Associação diagnóstica frequente Pontilhado basófilo pontos escuros dispersos de tamanho variável talassemia, intoxicação por chumbo e mielodisplasia Anel de Cabot filamento circular, às vezes torcido anemias hemolíticas e mielodisplasia Corpúsculos de Howell - Jolly esferas basófilas de tamanho variável anemias hemolíticas e anemia megaloblástica Eritroblasto hemácias nucleadas anemia hemolítica, metástase medular e fibrose medular Considerações gerais 22 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO O exame minucioso do esfregaço sanguíneo bem feito pode fornecer importantes informações para o diagnóstico clínico. A contagem diferencial não deve ser realizada com a objetiva de 40X, pois muitos detalhes importantes para o diagnóstico passarão despercebidos. O ideal é a utilização da objetiva de 100X para o estudo. Um esfregaço sanguíneo feito sob condições ótimas e analisado por profissional competente, constitui o melhor meio para estudar as alterações das hemácias, plaquetas, leucócitos e presença de parasitas no sangue. Aula 3: Contagem diferencial de leucócitos É a contagem diferencial de 100 leucócitos diferenciando-os segundo as suas variedades, em um esfregaço sanguíneo devidamente preparado. 1. Técnica da contagem diferencial As células nem sempre se distribuem de maneira uniforme no esfregaço. Por isso, usamos normalmente 2 métodos para contagem diferencial, os quais visam reduzir o erro, devido ao fato citado acima. Os 2 métodos são mostrados no desenho abaixo; Numa contagem diferencial, devemos desprezar a cabeça e a cauda do esfregaço, utilizando-se apenas o corpo para contagem como mostra abaixo. 23 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO 1.1 De acordo com o exposto anteriormente, localizar o local do esfregaço para iniciar a contagem. 1.2 Com a objetiva de imersão contar 100 leucócitos, usando um dos métodos citados, fazendo a diferenciação entre os tipos de leucócitos. 1.3 Anotar os diferentes tipos de leucócitos e os valores encontrados na contagem em %. 1.4 Baseando-se na contagem global de leucócitos e nos valores percentuais encontrados na contagem diferencial, calcular os valores absolutos para cada tipo de leucócitos. Ex: Contagem global de leucócitos = 10.000 p/ mm3 Contagem diferencial de leucócitos valor absoluto Bastonetes 2% 200/ mm3 Segmentados 60% 6.000/ mm3 Eosinófilos 4% 400/ mm3 Basófilo 1% 100/ mm3 Monócito 5% 500/ mm3 Linfócito 28% 2.800/ mm3 Total 100% 10.000/ mm3 Se em 100 leucócitos 2 bastonetes Em 10.000 leucócitos x bastonetes OBS: terminada a contagem diferencial, é recomendável percorrer a lâmina mais um pouco em busca de alterações das hemácias ou dos leucócitos ou ainda das plaquetas. 2. Resultado É expresso em número relativo e absoluto, conforme já citado anteriormente no exemplo. 3. Valor referência: (Segundo Dacie & Lewis, 1984) Adultos % Valor absoluto por mm3 Neutrófilos 40 a 75 2.000 a 7.500 Eosinófilo 1 a 6 40 a 400 Basófilo5% Total 100% Como neste caso, os eritroblastos têm que ser contados em paralelo à contagem dos 100 leucócitos foram observados 200 eritroblastos nos campos percorridos até atingir o número necessário de leucócitos. O cálculo da correção da contagem global é feito assim: Em 300 células contadas 200 eritroblastos Em 30.000 células contadas (global) X eritroblastos Global real de leucócitos: 10.000 / mm3 Ao final do leucograma, deve-se registrar a seguinte observação: Presença de 200 eritroblastos para cada 100 leucócitos contados. Perguntas: Estudo de caso: João é técnico no laboratório de um consultório médico que tem um contador de células para executar as contagens de hemácias e leucócitos. O médico solicitou uma contagem de leucócitos e uma contagem diferencial de um paciente com queixa de dor e febre. João realizou a contagem usando um contador de células e preparou o esfregaço sanguíneo corado para ser enviado a um laboratório de referência, para a execução do diferencial. A contagem total de leucócitos foi de 16 x 109/L. Verificando a qualidade do esfregaço e da coloração antes de enviá-lo ao laboratório de referência, João observou poucas células no esfregaço. 25 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO 1. A contagem de leucócitos do paciente está baixa, normal ou alta? 2. João esperaria encontrar muitos leucócitos no esfregaço? 3. A contagem de leucócitos ou o esfregaço deveriam ser repetidos? 4. Dê sua interpretação desta situação e indique qual deveria ser o próximo passo de joão. Aula 4: Contagem de Hemácias 1. Técnica 1.1. Em um tubo pipetar 4 mL de líquido diluidor 1.2. Pipetar 20 uL de sangue (sangue colhido com EDTA) e transferir para o tubo contendo líquido diluidor, lavando com este a pipeta. 1.3. Esperar 5 minutos. Homogeneizar 1.4. Com o auxílio de uma pipeta de Pasteur ou de um tubo capilar, encher os retículos da câmara de Neubauer, tendo o cuidado de homogeneizar antes da pipetagem, evitando excesso de liquido e formação de bolhas de ar. 1.5. Levar a câmara de Neubauer ao microscópio para efetuar a contagem com o aumento de 40 X usando o retículo central da câmara. Ler os retículos numerados de 1 a 5 e somar as parcelas. A, B, C e D = contagem de leucócitos. 1, 2, 3, 4 e 5 = contagem de hemácias 26 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO Ler os retículos numerados de 1 a 5 e somar as parcelas. Exemplo: 1 ---------- 100 2 ---------- 88 3 ---------- 90 4 ---------- 95 5 ---------- 92 --------- 465 x 10.000 = 4.650.000 p/mm3 2. Líquidos Diluidores 2.1 Líquido de Glover Na2SO4 p.a ............................................................. 12,5 g CH3 COOH (Ácido Acético Glacial) ......................... 33,3 ml H2O destilada ........................................................ 200,0 ml 2.2 Líquido de Dacie Citrato de Sódio ................................................... 31,3 g Formol a 40% ....................................................... 10,0 mL H2O Destilada ....................................................... 1000 mL 3. Diluição 0,02 mL de sangue ................................................ 4 ml líquido diluidor 1 mL sangue .......................................................... X Portanto a diluição usada para a contagem de hemácias é 1: 200 27 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO 4. Cálculos Área do retículo central = 1mm2 Área usada para a contagem = 1/5 mm2 Altura entre câmera e lâmina = 0,1 mm Diluição do sangue = 1 : 200 Temos então: 1 mm2 x 0,1mm = 0,1 mm3 0,1 mm3 ....................................... y hemácias 1 mm3 .......................................... X hemácias X = 1 x y = 10 x Y 0,1 Como o retículo é dividido em 25 quadrados e apenas cinco destes são contados, ou seja, usamos apenas 1/5 da área total para a contagem, multiplicamos o nosso resultado anterior por 5 e em seguida por 200 (diluição 1 : 200). Assim temos: X = 10 x 5 x 200 x Y X = 10.000 Y Sendo: X = nº de hemácias p/ mm3 Y = nº de hemácias contadas (1/5 da área do retículo central). 5. Resultado: x hemácias p/ mm3 6. Valor referência: Homem: 4.500.000 – 5.500.000 /mm3 Mulher: 3.800.000 – 4.800.000 /mm3 7. Interpretação Valores aumentados: o aumento do número de glóbulos vermelhos se conhece com o nome de poliglobulia ou policitemia. É um caso relativamente raro. Pode ocorrer nas diarréias graves (desidratação), queimaduras (grandes extensões), na Policitemia Vera, em algumas cardiopatias crônicas, em casos de intoxicações por álcool etílico ou drogas, fibroses pulmonares, diabetes, etc. 28 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO Valores diminuídos: a baixa de glóbulos vermelhos está presente em diversas anemias que podem ser discretas ou intensas. Nestes casos haverá necessidade de outros exames para o diagnóstico das anemias a partir da anamnese. Estão também diminuídos nas leucemias, após hemorragias ou hemólises intensas e nas infecções severas. Perguntas: 1- Desenhe a câmara de Neubauer e assinale os campos utilizados para contagem de hemácias. 2- Faça e interprete uma contagem de hemácias, baseando-se nos valores de referência. Aula 5: Microhematócrito O hematócrito é um teste comumente executado que fornece ao clínico uma estimativa do volume das células vermelhas do paciente, e assim, da capacidade de transporte de oxigênio do sangue. O valor é expresso em percentagem ou fracção dos glóbulos no sangue. Por exemplo, um hematócrito com o valor de 40% significa que existem 40 mililitros de glóbulos vermelhos em 100 mililitros de sangue. O hematócrito aumenta quando o número de glóbulos vermelhos aumenta, ou quando o volume de plasma é reduzido, como nos casos de desidratação. O hematócrito diminui para um valor mais baixo do que o normal, indicando anemia, quando o organismo diminui a produção ou aumenta a destruição de glóbulos vermelhos, ou quando se perde sangue devido a uma hemorragia. Por isso, a medida do hematócrito é útil na triagem da anemia, na avaliação da terapia da anemia, na estimativa de perda de sangue depois de uma hemorragia. É utilizado para avaliar também policitemia e a resposta ao tratamento, desidratação, a decisão de efetuar uma transfusão de sangue em anemias graves sintomáticas e a eficácia dessas transfusões. 29 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO Existem dois métodos para determinar o hematócrito. O método manual é às vezes denominado de micro hematócrito, porque necessita de um pequeno volume de sangue. É um procedimento simples no qual o sangue total é centrifugado em tubos capilares delgados. Pode também ser determinado usando um analisador hematológico. A contagem global de células (CGC) inclui o hematócrito que é eletronicamente calculado a partir da contagem e da medida do volume de células vermelhas. O teste do hematócrito baseia-se no princípio de separar por centrifugaçãoos elementos celulares sanguíneos do plasma. Depois que o sangue é centrifugado em um tubo capilar, as células vermelhas ficam no fundo do tubo, as células brancas e as plaquetas formam uma fina camada sobre as células vermelhas, e o plasma fica na porção superior. Essa disposição em camadas depois da centrifugação é chamada volume globular, ou hematócrito. O hematócrito é determinado comparando o volume das células vermelhas ao volume total da amostra de sangue. Isso é informado como uma porcentagem. Figura: Tubo de micro hematócrito mostrando a separação das células e do plasma após a centrifugação. Fonte: Centrífugas de micro hematócrito Várias centrífugas de micro hematócrito estão disponíveis para executar o teste manual. Algumas são multifuncionais e podem centrifugar além de tubos de micro hematócrito, amostras para análise de urina, para coagulação e para testes de bioquímica clínica do sangue. Outras centrífugas são usadas apenas para micro hematócrito e centrifugam somente tubos capilares . 30 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO Figura: centrífuga de micro hematócrito. Fonte: Tubos para micro hematócrito Vários tipos de tubos capilares estão disponíveis para a determinação do hematócrito manual. Os tubos heparinizados, com um anel vermelho, são usados para sangue capilar; os tubos não heparinizados são usados para sangue venoso, que já contém um anticoagulante adicionado (Fig. 3). Tubos de vidro com revestimento especial ou tubos capilares plásticos flexíveis devem ser usados pela menos probabilidade de quebrar. Os tubos com extremidade autos selante estão disponíveis e eliminam a necessidade de selar o capilar. Figura: tubos capilares para micro hematócrito. Fonte: Realização de um teste de hematócrito manual Lavar as mãos e colocar as luvas; 31 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO Coletar uma amostra de sangue, obtida de uma punção capilar ou de um tubo de sangue venoso adicionado de EDTA; Homogeneizar o tubo de sangue venoso por inversão ou com auxílio de um homogeneizador mecânico por 2 minutos; O sangue capilar deve ser coletado em tubos capilares. O sangue preenche os tubos de micro hematócrito pela ação da capilaridade (preencher pelo menos três quartos) os quais, posteriormente, são vedados, por isso, preferem-se tubos com extremidade auto selante; Colocar os tubos no rotor da centrífuga de micro hematócrito, com as extremidades vedadas em direção à borda externa; Verificar as tampas da centrífuga, seguindo as precauções de segurança do fabricante e do laboratório; Fechar as tampas e não abri-las até que o rotor tenha parado por completo; O tempo de centrifugação é determinado pelo modelo da centrífuga, por sua calibração e pelo manual de procedimento de cada equipamento. OBS: a velocidade de centrifugação e o tempo afetam diretamente os valores de hematócrito. As amostras que giram em velocidades menores do que a especificada ou durante um tempo mais curto têm valores de hematócrito falsamente aumentados. As amostras que giram em velocidades mais altas do que a especificada ou durante tempo mais prolongado podem ter valores falsamente reduzidos. Cada amostra deve ser processada em duplicata; os dois resultados devem concordar dentro de +/- 2%. Se os resultados não concordarem, repetir o teste após uma nova homogeneização da amostra venosa anticoagulada; Descartar apropriadamente os materiais contaminados e perfuro cortantes. 32 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO 4. Valor de Referência: (segundo Dacie & Lewis, 1984) Homens: 40 – 54% Mulheres: 37- 47% 5. Interpretação 5.1 Valores aumentados: ocorrem quando há hemoconcentração como nas policitemias decorrentes, geralmente, de diminuição da tensão de O2 no sangue, bem como nas desidratações produzidas por choques cirúrgicos, queimaduras, traumatismos, diarréias intensas e vômitos ou suares profusos. 5.2 Valores diminuídos: ocorrem quando há redução do número de eritrócitos, como acontece nos vários tipos de anemias, bem como nas condições acompanhadas de hidremia provenientes de descompensação cardíaca, gravidez e administração excessiva de líquidos. Podem ocorrer também nas leucemias e infecções severas. Perguntas: Estudo de caso: Um hematócrito foi solicitado, pelo médico, para um paciente de ambulatório, homem, de 52 anos, durante consulta de rotina. Seguindo a técnica, Stephen, o técnico do laboratório, preparou o hematócrito em duplicata, e o resultado do hematócrito restante no tubo foi lido como 38% (0,38 L/L). Stephen repetiu o procedimento do hematócrito, rapidamente buscando o tubo de sangue do paciente e enchendo dois tubos capilares. Depois da centrifugação, Stephen leu o valor do hematócrito em ambos os tubos como 32% (0,32 L/L). 1- Qual das seguintes afirmações é, provavelmente, verdadeira? a. Não houve nenhuma necessidade de repetir o teste, o hematócrito de 38 estava correto e deveria ter sido informado. b. Somente um tubo deveria determinar e informar o valor do hematócrito. c. A repetição dos hematócritos foi realizada com sangue homogeneizado de forma insuficiente e, assim, provavelmente, estava incorreto. 2- O que Stephen deve fazer depois? a. Informar o hematócrito de 32%. b. Informar o hematócrito de 38%. c. Executar o procedimento uma terceira vez depois de misturar bem a amostra de sangue. 3- Que conclusões Stephen pode fazer sobre o paciente a partir das informações que estão disponíveis? Explique sua resposta. 33 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO Aula 6: Determinação da Hemoglobina A hemoglobina é o principal constituinte das células vermelhas do sangue, compondo mais de 98% de seu conteúdo proteico. É a responsável pela cor vermelha característica dos eritrócitos e do sangue. Sua principal função é transportar oxigênio no organismo para realização das trocas gasosas. A medida da hemoglobina do sangue é um dos testes clínico-laboratoriais mais comuns que existem. O teste da hemoglobina é usado, de forma indireta, para avaliar a capacidade do sangue de transportar oxigênio. A hemoglobina é pedida, em geral, como parte do hemograma, que é solicitado por muitas razões, incluindo uma avaliação geral de saúde. O exame é feito a intervalos regulares para acompanhar um sangramento, anemias crônicas ou policitemia. A determinação da hemoglobina pode ser realizada usando tanto sangue capilar como venoso. O teste é preciso, simples de ser realizado e padronizado com facilidade. Pode ser feito manualmente ou usando um instrumento específico para a dosagem de hemoglobina ou um analisador hematológico. Dentre os vários métodos de determinação da hemoglobina existentes, os mais atuais incluem a técnica de gravidade específica e métodos químicos, como o cianometa-hemoglobina e o azidameta-hemoglobina O ferricianeto transforma o ferro da hemoglobina do estado ferroso (bivalente) ao estado férrico (trivalente), formando metahemoglobina que, por sua vez, combina com o cianeto de potássio para produzir um pigmento estável, a cianometahemoglobina, que é lida em 540nm ou em filtro verde. Reação: - Hemoglobina (Fe 2+) + Ferricianeto Metahemoglobina (Fe 3+) - Metahemoglobina (Fe 3+) + Cianeto de potássio pigmento estável (cianometahemoglobina) 2. Técnica: 1. Em um tubo de ensaio pipetar 5,0 mL do reagente de cor. 2. Pipetar 20uL de sangue (sangue colhido com EDTA) e transferi para o tubo contendo reagente de cor, lavando com este a pipeta. 3. Esperar 5 minutos. Homogeneizar. Fazer a leitura em 540 nm. 4. Acertar o zero com água destilada. 34 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO Hemoglobina (g/dL) = Absorbância do teste X 10 Absorbância do padrão 3. Expressão dos resultados É expresso em g% ou g/dL 4. Valores de referência (segundo Dacie & Lewis, 1984) Homens: 13 – 18 g% Mulheres: 11,5 – 16,5 g% Recém-nascidos: 13,5 – 19,5 g% Crianças (3 meses): 9,5 – 13,5 g% Crianças (1 ano): 10,5 – 13,5 g% 5. Interpretação Valores aumentados e diminuídos estão presentes praticamente em todas as condições que determinam aumento e diminuição de hemácias, respectivamente. Perguntas: Estudo de caso: Jennifer foi transferida do escritório da sua companhia Virginia Beach para o Colorado. Antes da mudança, ela foi para o Colorado, durante uma semana, para receber orientações do novo empregador. Depois de alguns dias no Colorado, necessitou de atendimento médico, sentindo uma fadiga extrema e dificuldade na respiração. O médico solicitou uma dosagem de hemoglobina junto com outros exames. 1- Qual das seguintes hipóteses é a mais provável? a. Jennifer está depressiva porque está afastada da família. b. Jennifer não teve descanso suficiente por causa do estresse do novo emprego. c. Jennifer está tendo problemas de adaptação à altitude. d. Jennifer não gosta de seu novo trabalho. 2- Explique sua resposta. Aula 7: Hemossedimentação A hemossedimentação consiste na medida da velocidade de sedimentação das hemácias, a qual está relacionada com a agregação das hemácias em grumos maiores e a queda destes, devido à gravidade, para o fundo da pipeta de Westergreen. À medida que as hemácias caem, forma-se uma corrente de plasma que sobe e que detém as hemácias. Esta corrente ressuspende hemácias isoladas, mas não as agregadas. Logo a hemossedimentação mede indiretamente a capacidade de 35 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO formação dos aglomerados ou “rouleaux” depende de uma resultante de forças. Sabe-se que as hemácias possuem carga elétrica negativa (-) mantendo-se normalmente afastadas entre si. As macromoléculas plasmáticas são capazes de neutralizar esta força induzidas pelas cargas negativas, sendo que as macromoléculas maiores e mais assimétricas têm maior capacidade neste sentido. Assim o fibrinogênio tem maior responsabilidade pela hemossedimentação que a gamaglobulina. A albumina praticamente não tem importância. De uma forma mais grosseira, podemos considerar a hemossedimentação proporcional à quantidade de fibrinogênio e alfa globulina, haptoglobina, ceruloplasmina e proteína C reativa no plasma. Sabe-se que o sangue desfibrinado e o sangue Com microcoágulos fornecem hemossedimentação nula ou muito baixa. A velocidade de hemossedimentação possui as seguintes utilidades: a) acusar moléstias ocultas, b) acompanhar o curso de uma determinada moléstia (tuberculose, febre reumática, infarto do miocárdio), c) confirmar um diagnóstico e fazer um diagnóstico diferencial (por exemplo, entre infarto agudo do miocárdio e angina de peito, entre carcinoma gástrico e úlcera péptica). 2. Técnica 2.1. Colher 5 mL de sangue do paciente em jejum. 2.2. Levar o sangue a um frasco com anticoagulante EDTA e por inversão ou movimentos circulares, promover a mistura do anticoagulante com o sangue. 2.3. Com a pipeta de Westergreen pipetar o sangue até a marca zero. 2.4. Colocar a pipeta no suporte apropriado, certificando-se de que ela está na posição vertical. 2.5. Marcar o tempo. 2.6. Fazer a leitura do plasma, após uma hora, considerando-se o numero limite entre plasma e hemácias. 3. Valor de referência (Segundo Dacie & Lewis, 1984) Homens............................................... após 1 hora 17-50 anos........................................... 1 a 7 mm > 50 anos........................................... 2 a 10 mm Mulheres............................................. após 1 hora 17-50 anos........................................... 3 a 9 mm > 50 anos............................................. 5 a 15mm 4. Interpretação Clínica 4.1 Valores aumentados 36 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO Segundo Clement (1983), a velocidade de hemossedimentação pode estar aumentada nos seguintes casos: - aumento das gamaglobulinas. Ocorre geralmente devido à elevação de imunoglobulinas policlonais - aumento das alfa-2 e das gamaglobulinas. Constitui quadro clássico das afecções inflamatórias sub agudas e crônicas. - aumento do fibrinogênio. Geralmente devido a um estado inflamatório, freqüentemente associado à elevação das alfa-2 e/ou das gama-globulinas. Etiologicamente, velocidades de hemossedimentação aceleradas podem ser resumidas em 3 grandes grupos: a) Estados inflamatórios - infecções agudas (abcessos, broncopneumonia, tuberculoses, etc). - infecções crônicas (colecistites, pielonefrite, tuberculose, etc). - necroses tissulares. - reumatismos agudos e crônicos. - colagenoses (Lúpus eritematoso disseminado, principalmente). - afecções hepáticas: hepatite, cirroses, etc). - Linfadenopatias. - Afecções neoplásicas: carcinomas e hemopatias. b) Disproteinemias monoclonais Além das condições citadas anteriormente, pode-se encontrar a velocidade de hemossedimentação acelerada nos seguintes casos: infarte agudo de miocárdio, no hipertireoidismo, após as hemorragias agudas, nas síndromes nefróticas e nas intoxicações por chumbo e arsênio. Fisiologicamente, a velocidade de hemossedimentação está acelerada na gravidez e durante o período menstrual. 4.2. Valores diminuídos O retardamento da hemossedimentação pode ocorrer na Policitemia Vera, na caquexia grave, muitas cardiopatias nas quais há eritrocitose e nos estado de choque e nas afecções hepáticas extensas. Perguntas: 1. Em que consiste o exame de hemossedimentação? Descreva o seu fundamento. 37 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO 2. Interprete o resultado encontrado. Aula 8: Índices hematimétricos Volume Corpuscular Médio (VCM): Ht x 10/nº eritrócitos. Avalia a média do tamanho (volume) das hemácias, que podem estar em seu tamanho normal, quando são ditas normocíticas, diminuídas (microcíticas) ou aumentadas (macrocíticas). O achado de microcitose é comum em anemias por deficiência de ferro, nas doenças crônicas e nas talassemias. O aparecimento de macrocitose pode estar associado à presença de um grande número de reticulócitos, ao tabagismo e à deficiência de vitamina B12 e de ácido fólico. Hemoglobina Corpuscular Média (HCM): Hb x 10/nº eritrócitos Índice hematimétrico que corresponde à média de hemoglobina por eritrócito. Pode estar elevado na presença de macrocitose e diminuído na presença de hemácias microcíticas. Concentração da Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM): Hb x 100/Ht É a avaliação da hemoglobina encontrada em 100 mL de hemácias. Esse índice permite a avaliação do grau de saturação de hemoglobina no eritrócito. A saturação da hemoglobina normal indicaa presença de hemácias ditas normocrômicas. Quando diminuída, teremos hemácias denominadas hipocrômicas e, quando aumentadas,hemácias hipercrômicas. Valor de Referência (segundo Carvalho, 1986) MCV = 82 – 92 fL (fentolitros) MCH = 27 – 31 pg (picogramas) MCHC = 32-36 % Perguntas: Quais são os resultados dos índices hematimétricos para os seguintes casos: a) RBC: 2.840.000 mm3 Hgb: 8,2 g/dl HCT: 23,5 % 38 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO b) RBC: 4.470.000 mm3 Hgb: 12,8 g/dl HCT: 37,2 % Aula 9: Contagem reticulócitos É a contagem percentual ou absoluta (por mm3) de eritrócitos jovens, cujo estágio de maturação antecede à hemácia anucleada. Os reticulócitos, como são chamados, contém restos de RNA, que está presente em grande quantidade no citoplasma dos precursores nucleados. Este material tem a propriedade de reagir perante certos corantes, como a azul de cresil brilhante ou a azul de metileno, formando um precipitado azulado granuloso ou filamentoso. Normalmente, as contagens de reticulócitos são expressas em %. No entanto, é mais informativo expressar a contagem em números absolutos por mm3, mas para isto é necessário o conhecimento da contagem de hemácias. O número de reticulócitos na circulação periférica constitui índice do grau de regeneração dos eritrócitos na medula óssea. A contagem de reticulócitos apresenta grande importância clínica, como meio diagnóstico e prognóstico e na orientação do terapeuta. 2- Técnica 2.1- Colher 5 mL de sangue colocando em frasco com EDTA. 2.2- Colocar 0,5 mL em tubo de hemólise. 2.3- Adicionar 0,5 mL de azul de cresil brilhante. 2.4- Colocar em banho maria 37°C por 15 minutos. 2.5- Homogeneizar, fazer esfregaço e focalizar com objetiva de imersão. 2.6- Contar no mínimo 1000 hemácias, anotando os reticulócitos encontrados em cada campo. 3- Resultado: expresso em % e em mm3 4- Reativo: Azul de cresil brilhante a 1% Azul de cresil brilhante 1,0 g Citrato de sódio 0,4g NaCl (0,85%) 100 mL 39 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO Misturar bem o azul de cresil brilhante com o citrato de sódio e, em seguida, dissolver com a solução fisiológica. Esperar 48 horas e filtrar em papel de filtro. 5- Valor de Referência: (segundo Dacie & Lewis, 1984) Adultos e crianças 0,2 – 2% ou 25.000 a 85.000/mm3 Recém nascido 2,0- 6,0% ou 150.000/mm3 6- Interpretação: Valores aumentados: indicam hiperatividade da medula óssea, Anemia hemolítica, intoxicação pelo chumbo. Valores diminuídos: indicam hipoatividade da medula óssea (reticulopenia). A reticulocitose alta e persistente milita a favor do diagnóstico de anemia hemolítica e de intoxicação pelo chumbo. A crise reticulocitária é bom indicativo da eficácia de uma terapêutica no decurso das anemias: vitamina B12 na anemia perniciosa, ferro na anemia hipocrômica, vitamina C na anemia do escorbuto. Perguntas: 1. Faça uma contagem de reticulócitos e interprete o resultado encontrado. 2. Quais são os erros da fase analítica mais comum em uma contagem de reticulócitos? Aula 10: Tempo de Protombina – (TP) O teste é baseado na ativação do mecanismo extrínseco da coagulação, através da adição de tromboplastina tissular e cálcio ao plasma a ser testado. 1. Técnica 1. Preparar o plasma de referência através da mistura (pool) de plasmas citratados obtidos de, no mínimo, 3 indivíduos sadios. Não usar plasmas de portadores de doenças hepáticas ou de mulheres grávidas ou em uso de contraceptivos orais. Deve-se obter o tempo do plasma de referência para cada lote de PT. 40 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO 2. Realizar o teste em tubos de vidro rigorosamente limpos. 3. A temperatura do banho-maria deve estar entre 36,0 - 38,0 C. 4. Incubar 0,1 mL do plasma a ser medido (referência, controle ou paciente) por no mínimo um minuto e no máximo 10 minutos. 5. Adicionar 0,2 mL do Reagente 1 (tromboplastina tissular e cálcio) (previamente aquecido a 37 °C) e disparar simultaneamente o cronômetro. Misturar suavemente e manter no banho-maria por 9 segundos. 6. Remover o tubo incliná-lo sucessivamente em intervalos menores que 1 segundo e observar a formação de um coágulo que interrompe a movimentação do líquido. Parar imediatamente o cronômetro e registrar o tempo. Resultado Relação dos tempos de Protrombina (R). O cálculo da R permite padronizar os resultados, com eliminação das variáveis introduzidas pela coleta da amostra e execução metodológica. R = Tempo em segundos do plasma do paciente Tempo em segundos do pool de referência Atividade de Protrombina e Relação Normalizada Internacional (RNI) Os resultados podem ser obtidos na “Tabela de Conversão em Atividade de Protrombina (A%) e Relação Normalizada Internacional (RNI)”. Localizar na coluna R o valor que mais se aproxima do valor da R calculada. Mantendo-se na mesma linha, obter a Atividade % e a RNI. O RNI também pode ser calculado usando a seguinte equação: RNI = RISI Intervalo de Referência Atividade de Protrombina: maior que 70%. Valores acima de 100% não têm significado patológico devendo ser relatados como 100%. A RNI em pessoas sadias encontra-se entre 1,0 e 1,08. Este deve ser expresso em tempo de % de atividade de Protrombina em relação ao plasma normal Ex: TP plasma normal = 12seg TP plasma paciente = 12 seg. 3. Valor referência: Em média de 11 a 15 segundos. No entanto deve ser consultada a bula do fabricante do produto empregado. 4. Interpretação 41 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA CURSO DE BIOMEDICINA – Hematologia eS BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO Valores diminuídos Podem ocorrer pela ação de certos medicamentos, como barbitúricos, os diuréticos, a vitamina K e os anticoncepcionais orais. Valores aumentados Podem ocorrer nas deficiências congênitas ou adquiridas dos fatores de coagulação pertencentes à via extrínseca e à comum: VII,V, II, I. Como estes fatores são deprimidos pelos anticoagulantes orais, o tempo de Protrombina é a prova de escolha para controle da terapia por anticoagulantes orais. Todos estes fatores são proteínas plasmáticas sintetizadas pelo fígado. Assim sendo, um tempo de protrombina prolongado também pode surgir na hepatite grave ou cirrose, bem como em pacientes com obstrução biliar crônica. Como tal prolongamento pode depender também de má absorção intestinal de vitamina K, que é indispensável à produção de certos fatores a coagulação, um prolongamento isolado do tempo de Protrombina não pode ser interpretado como sinal decisivo de insuficiência hepática. Entretanto, a persistência de um tempo de Protrombina prolongado 24 a 48 horas após a administração parenteral de vitamina K, advoga a favor de dano hepato celular. O tempo de Protrombina pode estar elevado também na presença de anticoagulantes circulantes, inclusive a heparina, os produtos de degradação da fibrina e a antitrombina. Obs: o anticoagulante de escolha é o citrato de sódio. Aula 11: Tempo de Tromboplastina parcial – (TTP) O teste é baseado na ativação do mecanismo intrínseco da coagulação, através da adição de um substituto plaquetário (cefalina) e de cálcio ao plasma a ser testado. O tempo de tromboplastina parcial é um exame bastante sensível aos fatores da via