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Manual de Nutricao Parenteral e Enteral

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o estado nutricional; 
2) Reverter o quadro de desnutrição ou corrigir o peso magro ou condições de excesso de peso e 
obesidade; 
3) Oferecer condições favoráveis para o estabelecimento do plano terapêutico; 
4) Oferecer energia, fluidos e nutrientes em quantidades adequadas para manter as funções vitais e a 
homeostase; 
5) Recuperar a atividade do sistema imune; 
6) Reduzir os riscos da hiperalimentação; 
7) Garantir as ofertas proteica e energética adequadas para minimizar o catabolismo proteico e a perda 
nitrogenada. 
A TN, como um componente do tratamento médico, inclui a nutrição oral, enteral e parenteral. 
 
 
 
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3.1 TERAPIA NUTRICIONAL ORAL (TNO) 
 
A TNO consiste na administração de nutrientes por meio de suplementos nutricionais VO. O 
nutricionista é o responsável em fazer a avaliação e diagnóstico do estado nutricional, determinando o 
risco nutricional e quantificando a ingesta VO para comparar ao que é recomendado. Identificada a 
necessidade de uma TN, a melhor via de alimentação é a oral, que deve ser, sempre que possível, 
preservada. 
 A Resolução no 449, de 9 de setembro de 1999, define alimentos para suplementação de nutrição 
enteral como alimentos que se destinam a complementar com macro e micronutrientes a dieta de um 
indivíduo, nos casos em que sua ingestão, a partir da alimentação, seja insuficiente ou quando a dieta 
necessitar de suplementação, não podendo substituir os alimentos, nem serem utilizados como 
alimentação exclusiva. 
 Os alimentos para suplementação de nutrição enteral podem ser nutricionalmente completos ou 
incompletos e ainda podem constituir-se de módulos de nutrientes, ou seja, alimentos que apresentam 
insumos representados somente por um dos principais grupos de nutrientes: glicídios, lipídios, proteínas e 
fibras alimentares. 
 Para que ocorra a indicação da TNO é necessário que o trato digestivo esteja total ou 
parcialmente funcionante. Será candidato a TNO aquele paciente que, após avaliação da equipe, estiver 
em condições de alimentação por VO. 
 
3.1.1 Objetivos 
 
Os objetivos da TNO consistem em: 
 
• Completar e balancear os nutrientes em uma refeição; 
• Proporcionar, adequadamente, calorias, proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais; 
 
 
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• Incrementar a ingestão total de calorias e de nutrientes, sem a substituição dos alimentos por 
suplementos nutricionais; 
• Prevenir a perda de peso; 
• Ganho ou manutenção de peso; 
• Repor perdas por efeitos colaterais do tratamento (perda de fluidos e eletrólitos, diarreia, vômitos); 
• Beneficiar o balanço nitrogenado; 
• Favorecer o trofismo intestinal, o controle e o tratamento da mucosite; 
• Atuar no controle e tratamento do hipermetabolismo e do quadro inflamatório. 
 
3.1.2 Indicações 
• Grupos especiais: pacientes idosos, gestantes e crianças, quando necessário; 
• Pacientes que apresentam hiporexia ou anorexia; 
• Ingestão alimentar inferior a 67% das recomendações em até 5 dias consecutivos, com expectativa 
de melhoria da ingestão; 
• Pacientes com dentição insuficiente e com ingestão alimentar reduzida; 
• Doenças gastrointestinais, diabetes e insuficiência renal, quando necessário; 
• Pacientes em risco de desnutrição e que permanecerão por pelo menos 5 dias internados após o 
início da TNO; 
• Pacientes desnutridos que recusam alimentação por sonda; 
• Úlcera por pressão, feridas extensas e/ou fasciotomias, queimaduras 2o e 3o grau; 
• Pós-operatório de cirurgias gastrointestinais. 
 
3.1.3 Contraindicações da Terapia Nutricional Oral 
• Disfagia grave; 
• Fístula tráqueoesofágica; 
 
 
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• Rebaixamento do nível de consciência, delírium. 
 
3.2 TERAPIA NUTRICIONAL ENTERAL (TNE) 
 
 A TNE consiste na administração de nutrientes pelo trato gastrointestinal, através de um tubo, 
sondas ou ostomias, localizadas no tubo digestivo. É empregada quando o paciente não pode ou não deve 
se alimentar por via oral (via oral contra-indicada) ou quando a ingestão oral é insuficiente. 
 Para que ocorra a indicação da Terapia Nutricional Enteral (TNE) é necessário que o trato 
digestivo esteja total ou parcialmente funcionante e, de modo geral, utilizá-la por pelo menos 5 a 7 dias. 
 
3.2.1 Nutrição Enteral Precoce 
 
Nutrição enteral precoce é a introdução de Terapia Nutricional (TN) em até 48h após internação 
ou ocorrência de trauma ou cirurgia, idealmente nas primeiras 24 horas. 
Utilizando o conceito de Medicina Baseada em Evidências, a NE precoce é considerada 
recomendação de nível 1. No entanto, há dificuldades para a administração da TNE em pacientes críticos, 
principalmente no período inicial da internação (primeiras 72 horas). Nesse caso, deve-se avaliar a 
possibilidade de introdução da dieta enteral mínima (nutrição enteral trófica), utilizando o método de 
infusão contínua (bomba de infusão) de 10 a 30ml/h ou o método intermitente (gravitacional) com o 
volume de 50ml em cada etapa da dieta. 
 
3.2.2 Indicações 
 
• Pacientes com hiporexia ou anorexia, incluindo gestantes, que recusam a se alimentar pela boca; 
 
 
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• Pacientes em risco de desnutrição e desnutridos, incluindo gestantes, com ingestão oral inferior a dois 
terços (67%) das necessidades nutricionais diárias durante os 5 dias que antecederam a indicação, sem 
expectativa de melhoria da ingestão; 
• Pacientes clínicos e cirúrgicos com: neoplasias orofaríngeas, gastrointestinais, pulmonares, esofágicas, 
cerebrais; inflamação; trauma; cirurgias gastrointestinais; pancreatite; doenças inflamatórias 
intestinais; síndrome do intestino curto; 
• Pacientes não cirúrgicos com anorexia grave, faringite, esofagite, caquexia cardíaca, doença pulmonar 
obstrutiva crônica; 
• Paciente eutrófico com ingestão abaixo de 50% de suas necessidades e perda de peso >2% em 1 
semana; 
• Disfagia grave secundária a processos neurológicos e megaesôfago; 
• Pacientes com nível de consciência rebaixado; 
• Pacientes submetidos a cirurgia maxilo-facial (lesão de face e mandíbula); 
• Ressecção do intestino delgado; 
• Fístulas êntero-cutâneas de baixo débito; 
• Fístula traqueoesofágica; 
• Queimaduras > 30 % e de terceiro grau; 
• Depressão grave, anorexia nervosa; 
• Doenças desmielinizantes; 
• Trauma muscular extenso; 
• Má absorção, alergia alimentar múltipla; 
• Politraumatismo; 
• Insuficiência hepática e grave disfunção renal; 
• Doença inflamatória intestinal; 
• Pancreatite aguda grave com motilidade gastrointestinal preservada; 
 
 
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