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CAPÍTULO 6. PERMEABILIDADE PROF. DANIEL ARTHUR NNANG METOGO, DSC 1. INTRODUÇÃO Em muitos casos o engenheiro se defronta com situações em que é necessário controlar o movimento de água através do solo e, evidentemente, proporcionar uma proteção contra os efeitos nocivos deste movimento. A água pode ser considerada incompressível e sem nenhuma resistência ao cisalhamento, o que lhe permite, sob a ação de altas pressões, penetrar em micro fissuras e poros, e exercer pressões elevadas que levam enormes maciços ao colapso. 1. INTRODUÇÃO 1.1. OCORRÊNCIA DE ÁGUA SUBTERRÂNEA. A água subterrânea é originada predominantemente da infiltração das águas das chuvas, sendo este processo de infiltração de grande importância na recarga da água no subsolo. • A recarga depende do tipo de solo, cobertura vegetal, topografia, precipitação e da ocupação do solo. • A utilização desta água é feita através de poços caseiros e profundos, conforme a profundidade alcançada. 1. INTRODUÇÃO 1.1. OCORRÊNCIA DE ÁGUA SUBTERRÂNEA. 1. INTRODUÇÃO 1.1. OCORRÊNCIA DE ÁGUA SUBTERRÂNEA. Problemas relativos às águas subterrâneas são encontrados em um grande número de obras de Engenharia. A ação e a influência dessas águas têm causado numerosos imprevistos e acidentes, sendo os casos mais comuns verificados em cortes de estradas, escavações de valas e canais, fundações para barragens, pontes, edifícios, etc. As obras que necessitam de escavações abaixo do lençol freático pode ser executado um tipo de drenagem ou rebaixamento do lençol freático. 1. INTRODUÇÃO 1.2. FENÔMENO DE CAPILARIDADE. A posição do lençol freático no subsolo não é, entretanto, estável, mas bastante variável. Isso representa dizer que, em determinada região, a profundidade do lençol freático varia segundo as estações do ano. A ocorrência de leitos impermeáveis (argila, por exemplo) ocasiona aprimoramento localizado de certas porções de água, formando um lençol freático ou nível d’água suspenso, que não corresponde ao nível d’água principal. 1. INTRODUÇÃO 1.2. FENÔMENO DE CAPILARIDADE. Em consequência da infiltração, a água precipitada sobre a superfície da terra penetra no subsolo e através da ação da gravidade sofre um movimento descendente até atingir uma zona onde os vazios, poros e fraturas se encontram totalmente preenchidos d’água. Esta zona é chamada zona saturada ou freática. Essa zona é separada por uma linha conhecida como nível freático ou lençol freático, abaixo da qual estará o solo na condição de submersão (se em condição de água livre), e acima estará o solo saturado até uma determinada altura. 1. INTRODUÇÃO 1.2. FENÔMENO DE CAPILARIDADE. Nos solos, por capilaridade, a água se eleva por entre os interstícios de pequenas dimensões deixados pelas partículas sólidas, além do nível do lençol freático. A altura alcançada depende da natureza do solo. A altura capilar é calculada pela teoria do tubo capilar, que considera o solo um conjunto de tubos capilares. 1. INTRODUÇÃO 1.3. FLUXO DE ÁGUA NOS SOLOS O estudo de fluxo de água nos solos é de vital importância para o engenheiro, pois a água ao se mover no interior de um maciço de solo exerce em suas partículas sólidas forças que influenciam o estado de tensão do maciço. • Os valores de pressão neutra (da água) e com isso os valores de tensão efetiva (na estrutura granular) em cada ponto do maciço são alterados em decorrência de alterações de regime de fluxo. De uma forma geral, os conceitos de fluxo de água nos solos são aplicados nos seguintes problemas: 1. INTRODUÇÃO 1.3. FLUXO DE ÁGUA NOS SOLOS • Estimativa da vazão de água (perda de água do reservatório da barragem), através da zona de fluxo; • Instalação de poços de bombeamento e rebaixamento do lençol freático; • Problemas de colapso e expansão em solos não saturados; • Dimensionamento de sistemas de drenagem; • Dimensionamento de “liners” em sistemas de contenção de rejeitos. 1. INTRODUÇÃO 1.3. FLUXO DE ÁGUA NOS SOLOS • Previsão de recalques no tempo (adensamento de solos moles – baixa permeabilidade); • Análise da influência do fluxo de água sobre a estabilidade geral da massa de solo (estabilidade de taludes); • Análise da possibilidade da água de infiltração produzir erosão, arraste de material sólido no interior do maciço, “piping”, etc. 1. INTRODUÇÃO 1.3. FLUXO DE ÁGUA NOS SOLOS O estudo dos fenômenos de fluxo de água em solos se apoia em três pilares: i - Conservação da energia (Bernoulli), ii - Permeabilidade dos solos (Lei de Darcy) e iii - Conservação da massa. 2. CONSERVAÇÃO DA ENERGIA – EQUAÇÃO DE BERNOULLI A água ocupa a maior parte ou a totalidade dos vazios do solo e quando submetidas a diferenças de potenciais, ela se desloca no seu interior. A água pode atuar sobre elementos de contenção, obras de terra, estruturas hidráulicas e pavimentos, gerando condições desfavoráveis à segurança e à performance destes elementos. O conceito de energia total de um fluido, formulado por Bernoulli, é apresentado nas disciplinas de Fenômenos dos Transportes e Mecânica dos Fluidos. 2. CONSERVAÇÃO DA ENERGIA – EQUAÇÃO DE BERNOULLI De acordo com a Equação de Bernoulli, a carga total de um ponto na água em movimento pode ser dada pela soma das cargas piezométrico, cinética e altimetria. ℎ𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 𝑧 + 𝑢 𝛾𝑎 + 𝑣2 2𝑔 Onde: htotal = Energia (carga) total do fluido. z = diferença (cota) entre ponto considerado e nível de referência (referencial padrão). u= valor da pressão neutra (da água). v= velocidade de fluxo da partícula de água. g= valor da aceleração da gravidade. 2. CONSERVAÇÃO DA ENERGIA – EQUAÇÃO DE BERNOULLI Para a maioria dos problemas envolvendo fluxo de água nos solos, a parcela referente à energia cinética pode ser desprezada. Logo tem-se a equação de cargas: ℎ𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 𝑧 + 𝑢 𝛾𝑎 Para que haja fluxo de água entre dois pontos é necessário que a energia total em cada ponto seja diferente. A água fluirá sempre de um ponto de maior energia para o ponto de menor energia total. 3. PERMEABILIDADE – LEI DE DARCY Permeabilidade: É a propriedade que o solo apresenta de permitir o escoamento da água através dele, sendo o grau de permeabilidade expresso numericamente pelo “coeficiente de permeabilidade”. A determinação do coeficiente de permeabilidade é feita tendo em vista a lei experimental de Darcy (proposta em 1856 por esse engenheiro francês). 3. PERMEABILIDADE – LEI DE DARCY Darcy realizou um experimento com um arranjo similar ao mostrado na figura abaixo para estudar as propriedades do fluxo de água através de uma camada de filtro de areia: 3. PERMEABILIDADE – LEI DE DARCY Os níveis de água h1 e h2 são mantidos constantes e o fluxo de água ocorre no sentido descendente através do corpo-de-prova. Medindo o valor da taxa de fluxo que passa através da amostra (vazão de água) q, para vários comprimentos de amostra (L) e de diferença de potencial (∆h), Darcy descobriu que a vazão “q” era proporcional à razão ∆h/L (ou gradiente hidráulico da água, i). 3. PERMEABILIDADE – LEI DE DARCY A vazão (q) dividida pela área transversal do corpo-de-prova (A) indica a velocidade com que a água percola pelo solo. O valor da velocidade de fluxo da água no solo (v) é dado por: 𝑞 = −𝑘 ∆ℎ 𝐿 . 𝐴 = 𝑘. 𝑖. 𝐴 𝑣 = −𝑘 ∆ℎ 𝐿 = 𝑘. 𝑖. Onde: k = coeficiente de permeabilidade i=gradiente hidráulico. 3. PERMEABILIDADE – LEI DE DARCY Validade da Lei de Darcy: A lei de Darcy é válida para um escoamento “laminar”, tal como é possível e deve ser considerado o escoamento na maioria dos solos naturais. Um escoamento se define como laminar quando as trajetórias das partículas d’água não se cortam; em caso contrário, denomina-se turbulento. 3. PERMEABILIDADE – LEI DE DARCY Coeficiente de permeabilidade O valor de k é comumente expresso como um produto de um número por uma potência negativa de 10. Exemplo: k = 1,3 x 10-8 cm/seg, valor este, aliás, característico de solosconsiderados como impermeáveis para todos os problemas práticos. 3. PERMEABILIDADE – LEI DE DARCY Coeficiente de permeabilidade O valor de k é comumente expresso como um produto de um número por uma potência negativa de 10. 3. PERMEABILIDADE – LEI DE DARCY Coeficiente de permeabilidade 4. FATORES QUE INFLUENCIAM A PERMEABILIDADE 4.1. Índice de vazios A equação de Taylor correlaciona o coeficiente de permeabilidade com o índice de vazios do solo. Quanto mais fofo o solo, mais permeável ele é. Conhecido o k para um certo tipo de solo, pode-se calcular o k para o outro solo pela proporcionalidade da equação apresentada (mais utilizada para areias). 4. FATORES QUE INFLUENCIAM A PERMEABILIDADE 4.2.Temperatura Quanto maior for a temperatura, menor a viscosidade da água e, portanto, mais facilmente ela escoa pelos vazios do solo com correspondente aumento do coeficiente de permeabilidade. Logo, k é inversamente proporcional à viscosidade da água. 4. FATORES QUE INFLUENCIAM A PERMEABILIDADE 4.2.Temperatura Segundo Helmholtz, a viscosidade da água em função da temperatura é dada pela fórmula empírica: 4. FATORES QUE INFLUENCIAM A PERMEABILIDADE 4.3. Estrutura do solo A combinação de forças de atração e repulsão entre as partículas resulta a estruturas dos solos, que se refere à disposição das partículas na massa de solo e as forças entre elas. 4. FATORES QUE INFLUENCIAM A PERMEABILIDADE 4.4. Grau de saturação O coeficiente de permeabilidade de um solo não saturado é menor do que o que ele apresentaria se estivesse totalmente saturado. 4. FATORES QUE INFLUENCIAM A PERMEABILIDADE 4.5. Estratificação do terreno Em virtude da estratificação do solo, os valores de k são diferentes nas direções horizontal e vertical. 4. FATORES QUE INFLUENCIAM A PERMEABILIDADE 4.5. Estratificação do terreno a- Permeabilidade paralela à estratificação: b- Permeabilidade perpendicular à estratificação: