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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ TRABALHO ACADÊMICO SOBRE ANEMIA FERROPRIVA Isadora de Brito Rebello Ingrid Leal Silva Lindomara Oliveira Guimarães Natália Sousa Carvalho NITERÓI 2024 UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ TRABALHO ACADÊMICO SOBRE ANEMIA FERROPRIVA Apresentação de trabalho acadêmico sobre Anemia Ferropriva para avaliação e obtenção da nota na disciplina de Bioquímica Clínica ARA0189, da IES Niterói. Professora: Katherine Castro NITERÓI 2024 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO.......................................................................4 2. OBJETIVOS...........................................................................4 3. DESENVOLVIMENTO............................................................4 3.1 O que é Anemia Ferropriva?.......................................................4 3.2 Quais são as causas da Anemia Ferropriva?.............................5 3.3 Qual a função do ferro no nosso organismo?.............................6 3.4 Absorção e Armazenamento do ferro no organismo..................8 3.5 Sintomas e Sinais Clínicos.........................................................8 3.6 Diagnóstico Bioquímico e Hematológico....................................9 4. CONCLUSÃO......................................................................10 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................10 1. INTRODUÇÃO Definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma “condição na qual o conteúdo de hemoglobina no sangue está abaixo do normal”, a anemia é um problema ainda mais comum do que se imagina. Entre seus principais tipos, destaca-se a anemia ferropriva, causada pela deficiência de ferro, considerada a mais comum das carências nutricionais. Com maior prevalência entre mulheres e crianças, sobretudo em países em desenvolvimento, a anemia ferropriva pode ser facilmente diagnosticada com poucos exames laboratoriais. 2. OBJETIVOS: Este trabalho acadêmico tem como objetivo apresentar com clareza conteúdos acerca da Anemia Ferropriva. Os principais tópicos a serem abordados são: 1. Absorção e armazenamento do ferro no organismo. 2. Transporte e regulação do ferro. 3. Sintomas e sinais clínicos. 4. Diagnóstico bioquímico e hematológico. 3. DESENVOLVIMENTO 3.1 O QUE É ANEMIA FERROPRIVA? Para explicar a anemia, precisamos antes compreender um pouco sobre a estrutura do sangue. O sangue é composto por vários elementos, entre eles as hemácias ou glóbulos vermelhos, que contêm no seu interior uma proteína, a hemoglobina, que transporta o oxigênio para todo o corpo e é responsável pela cor vermelha do sangue. O ferro é um elemento importante para a formação da hemoglobina. Por isso, na deficiência de ferro, os valores de hemoglobina podem estar abaixo do normal, caracterizando um quadro de anemia. Assim se dá a anemia carencial ferropriva. 3.2 QUAIS SÃO AS CAUSAS DA ANEMIA FERROPRIVA? A principal causa da anemia ferropriva é a deficiência de ferro no organismo. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando há ingestão inadequada de ferro na dieta. No entanto, alguns distúrbios gastrointestinais, como doença celíaca e doença inflamatória intestinal, que prejudicam a absorção de ferro pelo intestino, levando à deficiência de ferro. Entre outras causas da anemia ferropriva estão: · Perda crônica de sangue, como no caso de menstruações intensas, úlceras, sangramentos anais. · Doenças crônicas que afetam o metabolismo do ferro, como insuficiência renal crônica, câncer e infecções. · Dietas restritivas que limitam grupos alimentares ricos em ferro, como carnes vermelhas. · Pacientes submetidos à ressecção gástrica, para o tratamento de úlcera péptica ou câncer gástrico, e à cirurgia bariátrica para o tratamento de obesidade. 3.3 QUAL A FUNÇÃO DO FERRO NO NOSSO ORGANISMO? O ferro é um mineral que desempenha várias funções importantes no organismo. A principal função do ferro é o transporte e armazenamento de oxigênio. Além disso, o ferro é necessário para o metabolismo celular e desempenha um papel na desintoxicação de radicais livres, evitando os danos às células. Por fim, ele é necessário para o funcionamento adequado do sistema imunológico, ajudando o corpo a combater infecções. 3.4 ABSORÇÃO E ARMAZENAMENTO DO FERRO DO ORGANISMO · ABSORÇÃO: O ferro é absorvido no duodeno e na parte superior do jejuno. A absorção de ferro é determinada por sua fonte e por quais outras substâncias são ingeridas com ele. A absorção de ferro é melhor quando o alimento contém ferro-heme (carne). O ferro não heme na dieta costuma estar na forma férrica (+3) e precisa ser reduzido para a forma ferrosa (+2) e liberado dos aglutinantes alimentares pelas secreções gástricas. A absorção de ferro não heme é reduzida por outros itens alimentares (p. ex., leite e laticínios, por fitatos de fibras de vegetais e polifenóis; tanatos de chás, incluindo fosfoproteínas; farelo de cereais) e alguns antibióticos (p. ex., tetraciclina). O ácido ascórbico é o único elemento alimentício comum que aumenta a absorção de ferro não heme. GEMFigura 1: Anemia por deficiência de ferro A alimentação americana média, que contém 6 mg de ferro elementar/1.000 kcal do alimento, é adequada para homeostase do ferro. De cerca de 15 mg/dia de ferro da dieta, apenas 1 mg é absorvido pelos adultos, que é a quantidade aproximada perdida diariamente pela descamação de células da pele e intestino. Na depleção de ferro, a absorção aumenta por supressão da hepcidina, regulador fundamental do metabolismo do ferro; entretanto, a absorção raramente aumenta para > 6 mg/dia, a menos que seja acrescentado suplemento de ferro. As crianças precisam de muito mais ferro e parecem absorver mais para atender a essa necessidade. · TRANSPORTE E USO DO FERRO: O ferro das células da mucosa intestinal é transferido para a transferrina, uma proteína transportadora de ferro sintetizada no fígado; a transferrina pode transportar o ferro das células (intestinal, macrófagos) aos receptores específicos em eritroblastos, células da placenta e células do fígado. Para a síntese de heme, a transferrina transporta ferro para as mitocôndrias do eritroblasto, que inserem o ferro na protoporfirina IX, para que esta se transforme em heme. A transferrina (meia-vida plasmática de 8 dias) é expelida para reutilização. A síntese de transferrina aumenta com a deficiência de ferro, mas diminui com qualquer tipo de doença crônica. · ARMAZENAMENTO E RECICLAGEM DE FERRO: O ferro não utilizado na eritropoese é transferido pela transferrina para ser reservado; o ferro é armazenado de 2 formas: · Ferritina · Hemossiderina A forma de armazenamento mais importante é a ferritina (um grupo heterogêneo de proteínas em torno de um núcleo de ferro), que é uma fração do armazenamento ativo e solúvel localizado no fígado (nos hepatócitos), na medula óssea e no baço (nos macrófagos); nos eritrócitos; e no soro. O ferro armazenado na ferritina está prontamente disponível para qualquer necessidade do corpo. Os níveis séricos de ferritina traçam um paralelo com o tamanho dos depósitos corporais (1 ng/mL = 8 mg de ferro no pool de armazenamento). O segundo depósito de ferro está na hemossiderina, que é relativamente insolúvel e é armazenada principalmente no fígado (nas células de Kupffer) e na medula óssea (nos macrófagos). Como a absorção de ferro é muito limitada, o corpo recicla e conserva o ferro. A transferrina se liga ao ferro disponível dos eritrócitos senescentes submetidos à fagocitose pelos fagócitos mononucleares e o recicla. Esse mecanismo fornece aproximadamente 90 a 95% do ferro diário necessário. 3.5 SINTOMAS E SINAIS CLÍNICOS O diagnóstico da anemia ferropriva depende da realização de exames laboratoriais. Suspeita-se que um paciente tem anemia avaliando suas queixas e examinando-o, mas é possível confirmar a suspeita diagnóstica quando temos o resultado do hemograma no qual a hemoglobina encontra-se abaixo do esperado para sua idade e sexo. Uma das principais suspeitas de anemia por deficiência de ferro é em pacientescom perda crônica de sangue ou anemia microcítica, em particular se houver vontade de ingerir substâncias não alimentares (picafagia). Assim, o primeiro passo é a análise do histórico do paciente por meio de uma conversa, uma anamnese, com ele ou com os responsáveis. Em seguida, o médico realiza o exame físico, no qual procura por sinais como a palidez nas mucosas e outros achados que podem corroborar ou não com a suspeita de anemia e até sugerir possíveis causas. Por fim, são solicitados exames laboratoriais. O exame padrão para o diagnóstico da anemia é o hemograma, um exame de sangue frequentemente realizado. Sinais e sintomas que podem ocorrer na anemia ferropriva: · palidez em pele e mucosas; · cansaço fácil; · dificuldade de concentração; · sono excessivo; · irritabilidade; · crescimento inadequado; · infecções recorrentes, como resfriados frequentes (devido às consequências da deficiência de ferro para a imunidade); · perversão do apetite; · palpitação, dificuldade respiratória (em casos mais graves de anemia intensa); · Partos prematuros. 3.6 DIAGNÓSTICO BIOQUÍMICO E HEMATOLÓGIO · DIAGNÓSTICO BIOQUÍMICO: O diagnóstico bioquímico avalia o nível das substâncias químicas presente no sangue e suas anormalidades. 1. Dosagem Bioquímica: Avalia os níveis de substâncias químicas presente no sangue, como a glicose, ureia, creatinina, lipídios (colesterol e triglicérides) e eletrólitos (sódio, potássio e cloro). 2. Ferritina: Mede os níveis de ferritina, uma proteína que armazena ferro no corpo. Valores baixos podem indicar ausência de ferro. 3. Ferro sérico: Mede a quantidade de ferro circulante no sangue. Valores baixos podem indicar anemia ferropriva. 4. TIBC (Capacidade Total de Ligação do Ferro): Mede a capacidade do sangue de transportar ferro. · DIAGNÓSTICO HEMATOLÓGICO: 1. Hemograma: Avalia os componentes no sangue, incluindo glóbulos vermelhos as (hemácias), os glóbulos brancos que são os (leucócitos) e as plaquetas. 2. Hemoglobina e Hematócrito: Avalia a concentração de hemoglobina e o volume de glóbulos vermelhos presente no sangue. 3. Leucograma: Mostra os diferentes tipos de glóbulos brancos. 4. Plaquetograma: Avalia o número e a função das plaquetas. · RESULTADOS E VALORES NORMAIS (REFERÊNCIA): 1. Ferritina: 15-200 ng/mL (mulheres) e 30-400 ng/mL (homens). 2. Ferro sérico: 50-150 μg/dL. 3. TIBC: 240-450 μg/dL. 4. Hemoglobina: 12-16 g/dL (mulheres) e 13,5-17,5 g/dL (homens). 5. Hematócrito: 40-54% (mulheres) e 45-57% (homens). · VALORES ANORMAIS: Baixos níveis de ferritina, ferro sérico e hemoglobina indica ausência de ferro ou anemia. Altos níveis de TIBC indica ausência de ferro. Anormalidades no hemograma indica doenças hematológicas. Para fazer exames as principais preparações são: · Jejum de 8 a 12 horas para exames bioquímicos. · Evitar atividade física. · Informar o médico se faz uso de algum medicamento. · Evitar álcool e alimentos muitos gordurosos. Esses exames ajudam avaliar a saúde geral, para detectar as anormalidades e assim conseguir monitorar as doenças crônicas. 4. CONCLUSÃO: Como podemos observar, a anemia ferropriva é um problema complexo que pode trazer muitos prejuízos para a saúde e é doença muito comum em locais com alto índice de pobreza (devido ao seu fator alimentar). Sendo assim, é necessário ter uma rotina de idas ao médico regularmente para acompanhamento da saúde como um todo já que identificar a doença precocemente é sempre o melhor prognóstico. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: DOR, Rede. Anemia Ferropriva. Rede Dor, 2018. Disponível em: https://www.rededorsaoluiz.com.br/doencas/anemia-ferropriva. Acesso em: 27 out. 2024. SOARES, Vinicius Araujo. Anemia Ferropriva. Sergio Franco, 2018. Disponível em: https://sergiofranco.com.br/saude/anemia-ferropriva. Acesso em: 27 out. 2024. MARTINS, Fran. Anemia Ferropriva. Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/agosto/anemia-ferropriva-deficiencia-de-ferro-e-um-dos-fatores-que-podem-estar-associados-a-mortalidade-materna. Acesso em: 27 out. 2024. FAHEL, Silvana. Anemia Ferropriva. Sabin, 2022. Disponível em: https://blog.sabin.com.br/saude/o-que-e-anemia-ferropriva/. Acesso em: 27 out. 2024. GROTTO, Helena Z. W.. Fisiologia e metabolismo do ferro. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbhh/a/DBW7X6wnFGpbLPmr6m63sGM/?lang=pt#. Acesso em: 27 out. 2024. GROTTO, Helena Z. W.. Metabolismo do ferro: uma revisão sobre os principais mecanismos envolvidos em sua homeostase. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, 2008. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1516-84842008000500012. Acesso em: 27 out. 2024. GERBER, Gloria F. . Anemia por deficiência de ferro. Manual MSD, 2023. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/hematologia-e-oncologia/anemias-causadas-por-eritropoese-deficiente/anemia-por-defici%C3%AAncia-de-ferro. Acesso em: 27 out. 2024. 2 image1.png image2.jpeg