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AULÃO GRATUITO - SAQUAREMA
Consumo, cidadania e o desafio da sustentabilidade
O consumo, na contemporaneidade, cumpre diferentes funções e implica múltiplas referências
como construção social; porém, nos padrões atuais, é insustentável, tanto na perspectiva ambiental
quanto na da construção de direitos e da cidadania. Para compreender os desafios de renovar as
práticas de consumo, é preciso problematizar as respostas aos seus dilemas, construídas pela
sociedade civil, pelo Estado e pelo mercado.
O consumo sustentável configura-se como uma das possibilidades de tratamento dos impactos
do consumismo, pois envolve mudanças de atitude aliadas à necessidade de transformação do sistema
de valores dos cidadãos. Diversos autores identificam o consumo como forma de participação e de
convivência em sociedade, o que aproxima a esfera privada do consumidor da esfera pública do
cidadão.
Apesar de ainda não se observar a predominância de um novo modelo civilizatório capaz de
superar os dilemas da sociedade de consumo, existem alternativas para promover a sustentabilidade.
Entre os indicativos apresentados, em uma perspectiva de interdependência, destaca-se a educação –
ampliada, igualitária e de qualidade – como caminho para a mobilização cidadã rumo ao uso
responsável dos recursos.
1. Nas ocorrências "problematizar as respostas aos seus dilemas" e "superar os dilemas da
sociedade de consumo", o termo "dilemas", considerando o contexto e a orientação argumentativa
do texto, deve ser interpretado como designando:
A) impasses estruturais decorrentes da tensão entre consumo, sustentabilidade e cidadania, cuja
superação exige reflexão crítica e transformação de práticas sociais, valores coletivos e formas de
participação pública.
B) contradições internas do próprio discurso sobre sustentabilidade, cuja presença compromete
a coerência argumentativa do texto e inviabiliza a defesa de alternativas cidadãs.
C) obstáculos operacionais ligados à gestão dos recursos naturais, cuja solução decorre sobretudo
da aplicação eficiente de procedimentos técnicos já disponíveis nas instituições públicas.
D) escolhas individuais de consumo marcadas por incerteza subjetiva, cuja resolução depende
prioritariamente da decisão privada de cada consumidor diante das opções oferecidas pelo mercado.
2. Considerando a compreensão global do texto e o modo como a argumentação é modalizada
por expressões como "uma das possibilidades", "ainda não" e "apesar de", em relação ao consumo
sustentável é correto afirmar que o texto
A) sustenta uma perspectiva crítica e descrente, pois, ao afirmar que ainda não há novo modelo
civilizatório predominante, nega a existência de caminhos viáveis para transformar os padrões
contemporâneos de consumo.
B) adota uma orientação normativa e conclusiva, pois define o consumo sustentável como resposta
suficiente aos impasses atuais, atribuindo ao Estado, ao mercado e à sociedade civil a execução
imediata de medidas previamente determinadas.
C) desenvolve uma abordagem descritiva e contrastiva, pois apresenta o consumo sustentável como
uma prática social já predominante, cujos impactos sobre o meio ambiente e a cidadania já teriam sido
plenamente assimilados pela sociedade.
D) assume uma posição analítica e cautelosa, pois reconhece o consumo sustentável como alternativa
possível, mas não o apresenta como solução já consolidada, uma vez que sua efetivação depende de
mudanças de atitudes, valores e práticas sociais.
3. Com base nas normas de concordância, regência, crase e colocação pronominal aplicadas a frases
derivadas do conteúdo do texto, analise as afirmativas a seguir e registre (V) para as verdadeiras e
(F) para as falsas.
(__)Em "Aludiu-se a questões relativas ao consumo responsável", não há crase, pois a preposição
exigida por "aludir" antecede palavra no plural empregada sem artigo definido. (__)Em "À medida que
se ampliam os debates, intensifica-se a busca por soluções", o acento grave em "À medida que"
justifica-se por se tratar de locução conjuntiva proporcional consagrada com crase.
(__)Em "Far-se-ia necessária uma profunda mudança de valores", a mesóclise justifica-se pelo futuro
do pretérito sem palavra atrativa que imponha a próclise.
(__)Em "Grande parte dos cidadãos adotou práticas sustentáveis", é incorreta a variante "adotaram",
pois o núcleo do sujeito ("parte") está no singular e impõe concordância obrigatória no singular.
Assinale a alternativa com a sequência correta.
A) V, F, V, V.
B) F, V, V, F.
C) V, V, V, F.
D) V, V, F, V.
4. Sobre o emprego das classes de palavras e seus efeitos na construção do sentido, analise as
afirmativas.
I. Em "mudanças de atitude aliadas à necessidade de transformação", o termo "aliadas" é forma
nominal (particípio) de valor adjetival, concordando em gênero e número com "mudanças".
II. Em "existem alternativas para promover a sustentabilidade", o verbo "existir" flexiona-se para
concordar com "alternativas", diferentemente do que ocorreria com "haver" no mesmo sentido, que
permaneceria impessoal no singular ("há alternativas").
III. Em "não se observar a predominância de um novo modelo", o "se" indetermina o sujeito, razão
pela qual "observar" permaneceria invariável ainda que o termo seguinte estivesse no plural.
IV. Em “é preciso problematizar as respostas aos seus dilemas”, a forma verbal “é” encontra-se no
presente do modo indicativo, contribuindo para apresentar a necessidade expressa no enunciado
como válida no contexto atual.
Está correto o que se afirma em:
A) I, II e III apenas
B) I e II apenas.
C) II e III, apenas.
D) I, II e IV.
5. Considere o trecho: "Apesar de ainda não se observar a predominância de um novo modelo
civilizatório capaz de superar os dilemas da sociedade de consumo, existem alternativas para
promover a sustentabilidade". Assinale a reescrita que preserva o sentido original, a relação lógica
e a correção gramatical.
A) Visto que ainda não predomina um novo modelo civilizatório, inexistem alternativas viáveis
para promover a sustentabilidade na sociedade de consumo.
B) Embora ainda não predomine um novo modelo civilizatório apto a superar os dilemas da
sociedade de consumo, há alternativas para promover a sustentabilidade
C) Ainda que não predomine um novo modelo civilizatório, as alternativas para promover a
sustentabilidade já lograram superar os dilemas da sociedade de consumo.
D) Conquanto já predomine um novo modelo civilizatório, ainda não há alternativas capazes de
promover a sustentabilidade.
A moça tecelã
A moça acordava cedo e tecia com fios mágicos tudo o que precisava: luz, comida, água e até o clima.
Sua vida era tranquila, e o tear era sua única companhia. Com ele, criava dias ensolarados ou chuvosos,
conforme sua vontade, e vivia em paz.
Um dia, sentindo-se só, teceu um marido. No início, foi feliz, mas ele passou a exigir cada vez mais:
uma casa, depois um palácio, riquezas e luxos. A moça tecia sem parar, perdendo sua alegria e
liberdade. Presa à torre mais alta, ela percebeu que sua tristeza era maior que tudo o que havia criado.
Então, decidiu desfazer tudo. Desteceu o palácio, os cavalos, os criados e até o marido. Voltou à sua
casa simples, onde reencontrou a paz. Escolheu uma linha clara e recomeçou seu dia, livre, serena e
dona de si mesma.
Marina Colasanti, Texto Adaptado
6. Considerando os aspectos sintáticos e semânticos da pontuação empregada na frase "A moça
acordava cedo e tecia com fios mágicos tudo o que precisava: luz, comida, água e até o clima.",
assinale a alternativa correta.
A) As vírgulas entre os termos "luz, comida, água e até o clima" são obrigatórias, pois separam orações
coordenadas, e sua ausência comprometeria a estrutura sintática da frase.
B) A pontuação empregada compromete a coesão textual, pois os dois-pontosnão estabelecem
relação direta com o verbo "tecer", tornando a enumeração desconexa em relação ao sentido da
oração principal.
C) Os dois-pontos introduzem uma enumeração que funciona como aposto explicativo do termo "tudo
o que precisava", sendo seu uso justificado pela necessidade de detalhar os elementos mencionados
anteriormente.
D) O uso dos dois-pontos é inadequado, pois não há oração anterior completa, sendo mais apropriado
o uso de vírgula para manter a fluidez e evitar quebra sintática entre os termos.
7. Considere as afirmativas relacionadas à acentuação das palavras encontradas no texto. Registre
V, para verdadeiras, e F, para falsas:
( ) ATÉ e SÓ são acentuadas por serem oxítonas terminadas em E e O, respectivamente, conforme
regra geral de acentuação.
( ) As palavras ÁGUA e PALÁCIO podem ser consideradas proparoxítonas aparentes, pois a sílaba tónica
é seguida de um ditongo crescente.
( ) MÁGICOS é acentuada por ser uma proparoxítona, ou seja, tem a antepenúltima sílaba como sílaba
tônica, o que justifica o uso do acento gráfico.
Assinale a alternativa com a sequência correta:
A) V, V, V.
B) V, F, V.
C) V, V, F.
D) F, V, V.
A Infinita Fiadeira
A jovem aranha era diferente das outras: tecia sem parar, criando teias de beleza única, mas sem
nenhuma utilidade prática. Ignorava os costumes de sua espécie, que usava as teias para caçar ou se
reproduzir. Para ela, tecer era arte, não instinto. Seus pais, preocupados, tentaram fazê-la seguir os
caminhos tradicionais, mas ela continuava a criar por puro prazer.
Acreditando que o problema era falta de amor, os pais organizaram um encontro. A aranha se
apaixonou e mostrou ao namorado sua coleção de teias, oferecendo uma como prova de afeto. A
família, frustrada, apelou ao Deus dos bichos, pedindo que ela fosse transformada em humana. E assim
aconteceu: a aranha virou gente, mas continuou dizendo que fazia arte.
No mundo dos humanos, ninguém entendia o que era arte. Alguns lembravam vagamente de tempos
antigos em que isso existia, mas já haviam esquecido. Ironicamente, os poucos artistas que restavam
tinham sido transformados em bichos... talvez em aranhas. E assim, a fiadeira seguiu tecendo, agora
como humana, sua arte sem fim.
Mia Couto − Texto Adaptado.
COUTO, Mia. O fio das missangas: contos. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
8. Assinale a alternativa em que o termo "que" exerce, em relação à sua classe gramatical, papel
equivalente ao do termo destacado em "Ignorava os costumes de sua espécie, QUE usava as teias
para caçar ou se reproduzir":
A) E assim aconteceu: a aranha virou gente, mas continuou dizendo QUE fazia arte.
B) A família, frustrada, apelou ao Deus dos bichos, pedindo QUE ela fosse transformada em humana.
C) Acreditando QUE o problema era falta de amor, os pais organizaram um encontro.
D) Ironicamente, os poucos artistas QUE restavam tinham sido transformados em bichos... talvez em
aranhas.
9. No trecho "Alguns lembravam vagamente de tempos antigos em que isso existia, mas já haviam
esquecido", o pronome "isso" desempenha papel importante na coesão textual. Com base na
norma culta da língua portuguesa e nos mecanismos de referência textual, assinale a alternativa
correta.
A) O uso de "isso" está incorreto, pois o termo não possui referente claro no texto, sendo necessário
reescrever a oração para evitar ambiguidade.
B) O pronome "isso" está corretamente empregado com valor anafórico, retomando uma ideia
implícita anteriormente no texto, possivelmente relacionada à arte.
C) O uso de "isso" está inadequado, pois deveria ser substituído por "aquilo", já que se refere a algo
distante no tempo e no discurso, conforme exigência da norma culta.
D) O pronome "isso" está empregado de forma catafórica, antecipando a ideia de "tempos antigos",
e deveria ser substituído por "isto" para manter a correção formal.
10. No trecho “a fiadeira seguiu tecendo, agora como humana, sua arte sem fim”, a expressão “sem
fim” contribui para intensificar a ideia de continuidade da atividade artística da personagem.
Nesse contexto, identifica-se predominantemente a figura de linguagem denominada:
A) Eufemismo, pois suaviza a incompreensão enfrentada pela personagem.
B) Hipérbole, pois amplia expressivamente a ideia de continuidade do ato de criar.
C) Metonímia, pois substitui a artista pela obra produzida por ela.
D) Antítese, pois estabelece oposição direta entre arte e trabalho.
11. Com base em passagens do texto e nas regras de regência verbal da norma-padrão, assinale a
alternativa correta.
A) Em “A aranha se apaixonou”, o verbo apaixonar-se, quando acompanhado do elemento pelo qual
se desenvolve o sentimento, rege a preposição “por”, como em: A aranha apaixonou-se pela arte.
B) Em “ninguém entendia o que era arte”, o verbo entender exige obrigatoriamente a preposição
“de”, devendo-se escrever: ninguém entendia do que era arte.
C) Em “Alguns lembravam vagamente de tempos antigos”, o verbo lembrar, quando não pronominal,
exige obrigatoriamente a preposição “de”, razão pela qual a construção está de acordo com a norma-
padrão.
D) Em “apelou ao Deus dos bichos”, o verbo apelar é transitivo direto, de modo que a presença da
preposição “a” constitui desvio de regência.
12. Considerando a estrutura e a organização de “A Infinita Fiadeira”, assinale a alternativa correta
quanto à tipologia textual predominante.
A) Predomina a tipologia dissertativo-argumentativa, pois o narrador apresenta uma tese sobre a
função social da arte e desenvolve argumentos para comprová-la.
B) Predomina a tipologia injuntiva, pois o texto orienta o leitor sobre como romper padrões sociais e
desenvolver a criatividade artística.
C) Predomina a tipologia narrativa, pois o texto apresenta personagens e acontecimentos
encadeados temporalmente, envolvendo transformação e mudança na situação da protagonista.
D) Predomina a tipologia descritiva, pois a caracterização da aranha e das teias ocupa o centro da
construção textual, sem progressão de acontecimentos.
GABARITO
1A 2D 3C 4D 5B 6C 7D 8D 9B 10B 11A 12C
Material bônus
Dica!
Os temas da banca IBAM articulam problema social + educação + atuação docente + ação
concreta.
Estrutura no padrão IBAM: introdução com contextualização + tese + antecipação dos
argumentos; dois desenvolvimentos com posicionamento crítico, explicação e aplicação à realidade
escolar; conclusão com retomada da tese e proposta crítica de ação. Essa construção acompanha o
caráter educacional e propositivo observado nas propostas da banca em relação aos temas já
cobrados.
TEMAS PROPOSTOS
1. COMO A ESCOLA PODE CONTRIBUIR PARA O COMBATE À DESINFORMAÇÃO CIENTÍFICA?
Abordagens possíveis: alfabetização científica, pensamento crítico, Fake News, papel do professor de
Ciências e formação cidadã.
2. DE QUE FORMA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL PODE CONTRIBUIR PARA O ENFRENTAMENTO
DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS?
Abordagens possíveis: sustentabilidade, consumo consciente, preservação ambiental,
responsabilidade coletiva e práticas escolares.
3. COMO O ENSINO DE CIÊNCIAS PODE CONTRIBUIR PARA A PROMOÇÃO DA SAÚDE E DA
QUALIDADE DE VIDA DOS ESTUDANTES?
Abordagens possíveis: prevenção, alimentação saudável, atividade física, saúde coletiva,
conhecimento científico e autocuidado.
4. COMO O TURISMO SUSTENTÁVEL PODE CONTRIBUIR PARA A PRESERVAÇÃO DO
PATRIMÔNIO NATURAL E CULTURAL?
Abordagens possíveis: sustentabilidade, desenvolvimento econômico, preservação ambiental, cultura
local e responsabilidade dos visitantes.
5. DE QUE FORMA A VALORIZAÇÃO DA CULTURA LOCAL PODE FORTALECER O TURISMO E A
IDENTIDADE DE UMA COMUNIDADE?
Abordagens possíveis: memória, patrimônio material e imaterial, manifestações culturais,
pertencimento e desenvolvimento local. Esse tema dialoga diretamente com a proposta IBAM quepergunta quais ações a escola pode desenvolver para valorizar a cultura regional.
6. QUAIS SÃO OS DESAFIOS PARA CONCILIAR O CRESCIMENTO DO TURISMO COM A
QUALIDADE DE VIDA DA POPULAÇÃO LOCAL?
Abordagens possíveis: turismo de massa, geração de emprego e renda, impactos ambientais,
infraestrutura, participação comunitária e planejamento sustentável.
7. COMO A ESCOLA PODE SUPERAR AS BARREIRAS QUE DIFICULTAM A PARTICIPAÇÃO E A
APRENDIZAGEM DOS ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA?
Abordagens possíveis: inclusão, acessibilidade, barreiras atitudinais e pedagógicas, recursos de
acessibilidade, AEE e participação de toda a comunidade escolar.
8. DE QUE FORMA O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PODE CONTRIBUIR PARA
A AUTONOMIA E A PARTICIPAÇÃO DO ESTUDANTE COM DEFICIÊNCIA NA ESCOLA?
Abordagens possíveis: autonomia, recursos pedagógicos e de acessibilidade, eliminação de barreiras,
articulação com a sala comum e respeito às singularidades.
9. COMO A TECNOLOGIA ASSISTIVA PODE FAVORECER A INCLUSÃO E A APRENDIZAGEM DOS
ESTUDANTES PÚBLICO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL?
Abordagens possíveis: recursos de acessibilidade, comunicação, autonomia, participação, formação
docente e uso pedagógico da tecnologia.
10. COMO A ARTICULAÇÃO ENTRE PROFESSOR DO AEE, PROFESSOR DA CLASSE COMUM E
FAMÍLIA PODE FORTALECER A EDUCAÇÃO INCLUSIVA?
Abordagens possíveis: trabalho colaborativo, planejamento, acompanhamento do estudante, diálogo
com a família, respeito às diferenças e corresponsabilidade.
Tema: Como a escola pode contribuir para o combate à desinformação científica?
Em uma sociedade marcada pela circulação acelerada de informações nas redes digitais, o
acesso ao conhecimento tornou-se mais amplo, mas também mais suscetível à divulgação de
conteúdos falsos ou sem comprovação científica. Diante dessa realidade, a escola desempenha papel
fundamental no combate à desinformação científica, uma vez que deve preparar o estudante não
apenas para assimilar conteúdos, mas também para analisar criticamente as informações que recebe.
Assim, destacam-se a alfabetização científica como instrumento para o desenvolvimento do
pensamento crítico e a atuação do professor de Ciências na formação de cidadãos capazes de
reconhecer e enfrentar as Fake News.
Primeiramente, a alfabetização científica constitui um importante caminho para que os
estudantes compreendam como o conhecimento científico é produzido, analisado e validado. Em um
cenário no qual informações equivocadas sobre vacinas, alimentação, meio ambiente e saúde podem
alcançar milhares de pessoas rapidamente, conhecer conceitos científicos não é suficiente, é
necessário desenvolver a capacidade de questionar fontes, verificar evidências e diferenciar opiniões
pessoais de informações fundamentadas. Sob esse contexto, a Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) valoriza a argumentação baseada em fatos, dados e informações confiáveis, bem como a
utilização crítica e responsável das tecnologias digitais. Nessa perspectiva, a escola pode promover
pesquisas orientadas, análise comparativa de notícias e debates sobre temas científicos presentes no
cotidiano. Tais práticas favorecem a construção da autonomia intelectual e permitem que o estudante
adote uma postura mais crítica diante dos conteúdos que circulam nos meios digitais.
Além disso, o professor de Ciências exerce função essencial nesse processo, pois pode
aproximar o conhecimento científico das situações vivenciadas pelos alunos e transformar a sala de
aula em espaço de investigação e reflexão. Essa concepção aproxima-se do pensamento de Paulo
Freire, para quem a educação deve contribuir para a formação de sujeitos capazes de compreender
criticamente a realidade e atuar sobre ela. Para isso, o docente pode apresentar notícias divulgadas
nas redes sociais e orientar os estudantes a identificar autoria, fonte, evidências apresentadas e
possíveis distorções. Essa atuação torna-se ainda mais relevante, porque o enfrentamento às Fake
News ultrapassa a simples correção de informações falsas, já que exige ensinar o aluno a construir
critérios para avaliar aquilo que lê, compartilha e defende. Desse modo, o ensino de Ciências contribui
não somente para a aprendizagem dos conteúdos curriculares, mas também para uma formação
cidadã baseada na responsabilidade, na criticidade e no respeito ao conhecimento científico.
Portanto, combater a desinformação científica requer uma atuação escolar comprometida
com a formação crítica dos estudantes. Para que isso se concretize, as instituições de ensino, em
parceria com os professores de Ciências, devem desenvolver projetos permanentes de alfabetização
científica e educação midiática, por meio da análise de notícias, da investigação de fontes confiáveis,
de debates e de atividades de verificação de informações. Com essas ações, será possível formar
estudantes mais preparados para identificar conteúdos falsos, tomar decisões fundamentadas e
participar de maneira consciente e responsável da sociedade.
Tema: Como a articulação entre professor do AEE, professor da classe comum e família pode
fortalecer a educação inclusiva?
A educação inclusiva exige mais do que garantir o acesso do estudante público da Educação
Especial à escola regular, pressupõe assegurar sua participação e aprendizagem em condições de
equidade. Nessa perspectiva, a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) -Lei nº 13.146/2015- determina a
garantia de um sistema educacional inclusivo em todos os níveis e do aprendizado ao longo da vida.
Para efetivar esse direito, torna-se fundamental a articulação entre o professor do Atendimento
Educacional Especializado (AEE), o docente da classe comum e a família, especialmente por meio do
trabalho colaborativo e da corresponsabilidade.
Primeiramente, a atuação conjunta dos professores favorece a identificação de barreiras e a
elaboração de estratégias adequadas às necessidades do estudante. A Política Nacional de Educação
Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva estabelece que a Educação Especial integra a proposta
pedagógica da escola e que o AEE deve identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de
acessibilidade que eliminem barreiras à participação dos alunos. Nesse sentido, o diálogo e o
planejamento entre o professor especializado e o docente da classe comum possibilitam práticas mais
acessíveis, sem substituir a escolarização regular nem responsabilizar exclusivamente o AEE pelo
processo inclusivo.
Além disso, a participação da família fortalece o acompanhamento do estudante e amplia as
possibilidades de intervenção pedagógica. Nessa perspectiva, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (LDB) estabelece que a educação é dever da família e do Estado, evidenciando a importância
da cooperação no processo formativo. Nesse contexto, ao compartilhar informações sobre
potencialidades, dificuldades e necessidades do aluno, a família contribui para o planejamento escolar.
Ademais, cabe à escola manter diálogo contínuo com os responsáveis, apresentando avanços e
desafios e construindo estratégias de maneira corresponsável a fim de que o as necessidades do
estudante no centro das decisões.
Portanto, a educação inclusiva depende de uma atuação articulada entre escola, AEE e família.
Para isso, a gestão escolar deve garantir momentos sistemáticos de planejamento entre os
profissionais e canais permanentes de diálogo com os familiares. Tais ações contribuem para eliminar
barreiras, acompanhar o desenvolvimento do estudante e concretizar os princípios de inclusão
assegurados pela legislação educacional brasileira.