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Letícia Neves Fonseca 2016/2 
 
1 Doenças do Sistema Tegumentar 
 
1. Doenças Parasitárias: 
 
Puliciose: 
 
É a dermatite causada por pulgas. A reação da pele é causada pela presença física da pulga ou ao trauma mecânico da 
picada. Não é uma reação imunomediada. 
 
TABELA 1 - Espécies de importância clínica: 
Agente Espécie(s) 
Ctenicephalides felis felis Cão e gato: 90% 
C. canis Cão 
Pulex irritans Homem 
Spilopsyllus cuniculi Coelhos 
Echidnophaga gallinacea Aves 
* Apesar da preferência por espécie, todos os agentes podem infectar diferentes hospedeiros 
 
Ciclo Evolutivo: as pulgas fazem um ciclo do tipo metamorfose completa. 
 
Pulga (40 oviposições/dia)  H1  Oviposição no animal (1-10 dias)  Larva (3 estágios no ambiente – 5-10 dias)  Ovos (3 
sem a 12 meses – resistentes aos inseticidas) 
 
- O período do ciclo no hospedeiro é menor do que no ambiente, por proteção e alimento. As larvas de pulga ficam escondidas 
em frestas (geotropismo positivo). 
- O Ctenocephalides spp: é hospedeiro intermediário do protozoário Dipylidium caninum (infecção por ingestão da pulga). 
 
Patogênese: 
A dermatite ocorre pela saliva da pulga. Onde, na pele, há liberação de histamina, compostos semelhantes à histamina 
e enzimas proteolíticas. Com isso, há inflamação transitória no local da picada. 
 
Histórico: 
Não há predileção por raça, sexo ou idade. O prurido pode ser ausente a severo. Normalmente a principal queixa ocorre 
por tratamento inadequado pelo proprietário, podendo causar infecções secundárias, como infestações por cestoides. O 
veterinário deve examinar a presença de pulgas ou de suas fezes na superfície da pele do paciente (para confirmar se os pontos 
pretos são fezes, pode-se fazer a manobra de Mackenzie, onde deposita-se as fezes numa gaze e após coloca-se água oxigenada 
que detectará a presença de sangue e borbulhará). 
 
Sinais Clínicos: 
 Em filhotes, pode ocorrer anemia grave em casos de infestações graves. A lesão primária é máculo-papular crostosa, 
principalmente no abdômen, dorso, cauda, períneo e pescoço. As fezes das pulgas aparecem como pequenos cistos pretos. Os 
pelos tornam-se quebradiços (áreas de falha), há eritema, disqueratose e, em alguns casos, há infecção bacteriana secundária. 
Como consequência da doença, a epiderme torna-se seca e com escamas e, em caso de infecção secundária, presença de 
pústulas. 
 
Diagnóstico: 
 Pela presença da pulga ou das excretas e lesões compatíveis com a doença. 
 
Controle da Doença: Principalmente com o controle do ambiente! 
 
 O controle da doença depende do nível de infestação parasitária, do tipo de ambiente, do modo de vida do animal e da 
condição financeira do tutor. Os objetivos devem estar bem delineados, onde é imprescindível eliminar as pulgas de TODOS os 
5% Pulgas 
10% Pupa 
35% Larvas 
50% Ovos 
 
Letícia Neves Fonseca 2016/2 
 
2 Doenças do Sistema Tegumentar 
animais da casa, assim como do ambiente. Após o êxito no tratamento, também é necessário medidas profiláticas para evitar 
possíveis futuras reinfestações nos animais infestados. 
 Primeiro, faz-se o controle ambiental com (1) Métodos Físicos, fazendo-se aspirações a cada 48h nas áreas de 
circulação animal e a cada 7 a 10 dias em outras áreas; fazer lavagem de carpetes e usar vaporizadores, se necessário. (2) 
Métodos Químicos, com piretróides (permetrina, deltametrina, cipermertrina), organofosforados (malation, fention, diazanon) 
cada duas semanas. Ou também pode-se optar por reguladores do crescimento dos insetos (RCI), que são substâncias análogas 
ao hormônio juvenil; exemplo: metopreno (1mg/m
2
), inativado pela luz UV, piriproxifeno (0.2 – 1.0 mg/m
2
). Os nomes 
comerciais podem ser Fleegard e Mypet ambientes. O uso é feito, dependendo do grau de infestação de 3 a 12 meses. 
 
TABELA 2 – Resumo do controle ambiental: 
Método Físico Método Químico 
Aspirações constantes Piretroides (permetrina, deltametrina, cipermetrina)/ cada 2 semanas 
Lavagem de carpetes Organofosforados (matation, fention, diazanon) / cada 2 semanas 
Usar vaporizadores RCIs: metopreno (1 mg/m
2
), piriproxeno (0,2-1,0 m/m
2
)/ cada 3 a 12 meses 
*RCI: regulador de crescimento de insetos (raio UV diminui a ação) 
 O controle no animal é feito com adulticidas ou com ovicidas/larvicidas. 
Adulticidas: piretrinas e permetrinas, imidacloprida, fipronil, selamectina, nitempiram, carbamatos e organofosforados. 
Ovicidas/larvicidas: metopreno, piriproxifeno, lufenuron. 
 
 O primeiro medicamento indicado é o Fipronil, que tem função de inibidor 
não competitivo do GABA. Resulta na morte do parasita por hiperexcitação. O efeito 
de queda e inibição da alimentação são moderados, o efeito residual prolongado e 
baixa toxicidade. Nome Comercial: Effipro, Frontline, Fiprolex, etc. 
 
 O segundo é o Nitempiram, que se liga e inibe os receptores nicotínicos, 
interrompendo a condução nervosa na pulga adulta. Esse medicamento possui um bom 
efeito de queda (em 15 a 30 minutos), não possuindo efeito residual. A dose é 1mg/kg 
VO. Nome comercial: Capstar. 
 
 O terceiro é o Selamectina, que é uma avermectina semi-sintética, sendo pouco tóxica aos pacientes e com bom efeito 
residual. A dose é de 6mg/kg tópico. Nome comercial: Revolution. 
 
TABELA 3 – Dose de Selamectina 
Cães (kg) Cor da embalagem Mg por tubo Vol. Adm (tamanho/mL) 
2,6-5,0 Púrpura 30 0,25 
5,1-10,0 Marrom 60 0,50 
10,1-20,0 Vermelha 120 1,0 
20,1-40,0 Verde azulado 240 2,0 
>40,0 Combinação apropriada dos tubos 
 
 O quarto é o Piriprol, um inseticida da classe dos Fenilpirazoles, causando o bloqueio não competitivo nos canais de 
cloro no GABA. Possui efeito residual prolongado, eliminando a pulga dentro de 24h. É um inseticida de contato, em soluão 
Spot-n. Nome Comercial: Prac-tic. 
O quinto é Indoxacarbe, um inseticida do grupo das oxadiazinas, a dose é de 15 mg/kg 
para cães e 25 mg/kg para gatos. Nome comercial é Activyl. 
O sexto Spinosad, derivado da Saccharopolyspora spinosa (bactéria), age no receptor 
nicotínico da acetilcolina, causando hiperexcitabilidade e paralisia da pulga. Evitar o uso 
concomitante com a ivermectina. A via é oral, tendo bom efeito de queda e bom efeito residual 
(dura 30 dias). Nome Comercial: Comfortis. 
O sétimo Piretrinas, composto natural usado em concentrações de 0,1-0,5%. Possui 
pouco efeito residual, inativado pela luz UV, bom efeito de queda. É considerado o medicamento mais seguro. 
 As Permetrinas, oitavo tipo de controle, é um composto sintético semelhante às piretrinas, usados em 
concentrações de 0,1 a 65%. Possui efeito residual mais estável que às piretrinas à luz UV. Tem bom efeito repelente, efeito de 
queda mais lento que às piretrinas. Jamais usar em felinos em concentrações acima de 2%. 
 
 
 
 
 
 
Letícia Neves Fonseca 2016/2 
 
3 Doenças do Sistema Tegumentar 
TABELA 4 – Apresentações das Piretrinas e Permetrinas. 
Formulações 
Pó Relativamente seguro e inerte, mas tem que ser aplicado frequentemente. 
Sprays Fácil de ser aplicado, mas pode ser irritante se tiver álcool na composição. Felinos detestam. 
Xampus Efetivos como adulticidas; remove as fezes das pulgas e possui curta ação. 
Spot-on Geralmente são permetrinas para melhor eficácia. 
 
 O Lufenuron, inibidor da síntese de quitina, usado em associação como adulticida e administrado por via oral (em 
desuso), atua mais no ambiente. Nome comercial: Program. 
 
Ixodidiose 
 
 Doença causada por carrapatos duros (Ixodídeos), que possuem escudo quitinoso dorsal, sendo o principal 
representante o Rhipicephalus sanguineus, que é o carrapato marrom ou carrapato do canil. 
 
Ciclo de Vida: 
 Todas as formas de vida fazem repasto sanguíneo em hospedeiros. 
 
 
Após a fêmea Adulto fazer o repasto no H1 Oviposição  Larva  repasto sanguíneo H2  Após a muda, vira Ninfa, que faz 
o repasto sanguíneo no H3  Ocorrendo a segunda muda e virando Adulto, que recomeça o ciclo no H1 
 
 
 Os aspectos clínicos associados incluem eritema em conjunto com o prurido moderado no local da picada. Nesse caso, 
pode ocorrer reações de hipersensibilidade por irritação após a picada, diferente do que ocorre na puliciose. As principais 
doenças que esses agentes são vetores incluem: Ehrlichia canis, Babesia canis e Hepatozoon canis. 
 O controle ambiental também compreendem métodos físicos e químicos. O controle físico é feito por limpeza e 
vassouras de fogo nos locais externos de infestação. Os métodos químicos são feitos com organofosforados, piretroides e 
carbamatos. 
 O controle no animal incluem Ivermectinas e milbemicinas. Ivermectina e Selamectina (Avermectina), Moxidectina 
(Milbemicina). Essas substâncias lipofílicas que agem sobre a transmissão nervosa dos parasitas, mimetizando a ação do GABA. 
As avermectinas possuem efeitos tóxicos, especialmente em certas raças, como Collie, Old English Sheepdog, Pastor Australiano 
e Bearded Collie. Os sinais de intoxicação compreendem ataxia, midríase, tremores, prostração, vômitos, hiperssalivação, coma 
e posteriormente morte. 
 
TABELA 5 – Doses de Ivermectina, Moxidectina e Selamectina: 
Substância Controle Dose mg/kg Via 
Ivermectina 0,2-0,4 IM, SC ou VO 
Moxidectina 0,2-0,5 SC ou VO ou tópico 
Selamectina 6 Tópico 
 
 Pode-se usar o Amitraz, que inibe a Monoaminaoxidase (IMAO) no SNC. Os efeitos colaterais dessa doença incluem 
sinais agonistas α2-adrenérgicos, como sedação, midríase, bradicardia, hipotensão e paralisia digestiva. A apresentação é tópica 
e coleiras. A dose é de 2 mL em 1 L de água. Alguns nomes comerciais: Triatox, Preventic, Certifect. Outras substâncias também 
podem ser usadas, como Fipronil, organofosforados e carbamatos. 
 
Demodicidose Canina: 
 
 É uma doença parasitária inflamatória. Ocorre quando os ácaros normais da pele dos cães aumentam de número por 
alguma predisposição genética e/ou diminuição da imunidade. A doença ocorre no folículo piloso e glândula sebácea. Doença 
mais comum em jovens. 
 
Etiologia: 
 A doença tem como agente 3 principais ácaros: 
- Demodex canis: faz parte da microbiota normal da pele de cães e habitam folículo 
piloso e glândula sebácea. Em cães saudáveis, estão presentes em pequeno número. 
- D. injai: habitam a glândula sebácea. 
- D. cornei: habitam a epiderme superficial. 
 
Letícia Neves Fonseca 2016/2 
 
4 Doenças do Sistema Tegumentar 
 
 A transmissão dos ácaros ocorre da cadela para o neonato, mas não ocorre infecção in útero. O que acontece é que 
fatores hereditários (predisposição genética) reduzem a função dos linfócitos T específicos e consequentemente os Demodex 
canis prolifera-se nos folículos e glândulas sebáceas da pele. 
 Os cães jovens são um importante fator de risco, especialmente àqueles com má nutrição, estado debilitado e 
endoparasitas. Em cães adultos, tratamentos como a quimioterapia, doenças como hiperadrenocorticismo e hipotireoidismo, 
cujos quais diminuem a imunidade e facilitam a proliferação dos ácaros. 
 Há dois tipos de classificação da doença, a localizada e generalizada. A forma localizada tem no máximo 4 lesões com 
2,5 cm. O início ocorre geralmente nos 3 a 6 meses de idade, sendo mais comum em animais jovens. Pode haver remissão 
espontânea após tratamento. Cerca de 10% dos pacientes progridem da localizada para a generalizada. A forma generalizada 
também ocorre principalmente em jovens, com início aos 3 a 6 meses de vida. As raças predispostas são: Shar pei, Collie, Old 
English Sheepdog, Pastor Alemão, Dobermann Pinscher, Bullgod Inglês, Boxer, entre outras. Quanto aos adultos, ocorre após 
imunossupressão, sendo então uma doença secundária a outra doença de base. 
 
 Os sinais clínicos da forma localizada incluem alopecia, eritema, descamação, comedos e a localização é principalmente 
cabeça e membros torácicos; da forma generalizada, ocorre alopecia, descamação, comedos, pápulas foliculares, foliculite, 
furunculose ou celulite (causam eritema, exsudação, fistulação, ulceração e crostas), infecções bacterianas secundárias e 
lonfoadenomegalia. Na secundária, o paciente pode ter bacteremia. 
Nem sempre coça! O prurido ocorre mais quando há infecção 
secundária associada! 
 
Diagnóstico: 
1. Raspado cutâneo: aparecimento de um grande número de 
ácaros em diferentes fases de desenvolvimento. 
2. Coleta de pelos por arrancamento. 
3. Fita adesiva. 
4. Citologia do exsudato. 
5. Biópsia cutânea (pododemodicidose, Shar pei). 
 
Tratamento: 
 A forma localizada pode ter remissão espontânea e 
10% progridem para a forma generalizada. Os adultos possivelmente têm doença de base que facilitou a proliferação dos ácaros, 
então é necessário tratar a doença antes ou concomitante ao tratamento da demodicidose. Pode-se castrar as fêmeas (reduz o 
risco de transmissão vertical). Os ácaros são comedolíticos. Pode-se ter infecção bacteriana secundária elas lesões causadas por 
lesão mecânica do prurido. 
 
TABELA 6 – Tratamento de democidose 
Medicamento Dose Via/Intervalo 
Milbemicina: Moxidectina 
Comercial: Cydectin 
0,5 – 1 mg/kg 
200 – 400 µk/kg 
VO/Cada 72h 
VO/Cada 24H 
Milbemicina: Moxidectina 
Comercial: Advocate 
2 a 4 aplicações Tópico (spot on)/ cada 4 semanas 
Ou app semanais (+ eficaz) 
Milbemicina: milbemicina oxima
1
 
Comercial: Interceptor 
0,5 a 2 mg/kg VO/ cada 24h 
Avermectina: Ivermectina
2
 
Comercial: Mectimax, Ivomec 
0,6 mg/kg (iniciar com 1,0 mg/kg no 1
º 
dia e ↑ 0,1 mg/kg por dia até 0,6 mg/kg. 
VO/ cada 24h 
Generalizado Localizado 
 
Letícia Neves Fonseca 2016/2 
 
5 Doenças do Sistema Tegumentar 
Avermectina: Doramectina 
Comercial: Dectomax 1% 
0,2 a 0,6 mg/kg SC / a cada 1 semana 
Amitraz: Triatox
3 
Comercial: Triatox 
Solução 0,025 a 0,06% Banhos/ Cada 1 ou 2 semana(s) 
1
 Os efeitos adversos são raros, mas incluem esturpor, ataxia e tremores. Reduzir a dose em Collies homozigotos para mutação 
no gene MDR1 e a taxa de cura é de 85 a 90%. 
2 
Não utilizar em Collie, Old English Sheepdog, Pastor de Shetland e Pastor Australiano. 
3
 O aumento da eficácia é em consequência do aumento da concentração com a diminuição dos intervalos. É importante fazer 
tosa prévia no animal e uso do shampoo ceratolítico previamente. A taxa de cura é de 50 a 86%. 
Tempo de tratamento: deve ser continuado por pelo menos 1 mês após o primeiro raspado cutâneo negativo. Após esse mês, 
faz-se um segundo raspado, que deve dar negativo novamente. É importante salientar que em alguns pacientes ocorre recidivas 
e, dependendo, precisam de tratamento por toda a vida. 
 
Escabiose Canina 
 
 Possui nome médico de Sarna sarcóptica. É uma doença que se 
caracteriza por ser altamente contagiosa e altamente pruriginosa. O agente 
responsável é o Sarcoptes scabiei var. canis, onde o ciclo reprodutivo é: 
 
Ovo  Larva  Ninfa  Adulto 
(2 a 3 semanas) 
 
Patogenia: inclui intenso prurido, com lesão mecânica e reação de 
hipersensibilidade. 
Transmissão: por contato direto e indireto. As espécies mais susceptíveis são cães, gatos, raposas e humanos, sendo portanto 
considerada uma zoonose (autolimitante). É muito contagioso e muito purulento (sempre coça!). O animal faz mais escoriações! 
O ácaro é do tipo escavador (faz galerias na epiderme). Os ovos eclodem e vão à superfície, onde há o contágio para outros 
animais. 
 
Sinais clínicos: O primeiro sinal é o prurido severo com escoriações. Sendo a lesão primária, então, pápulas 
eritematosas e crostosas. As lesões secundárias compreendem crostas, eritema, hiperqueratose e 
lignificação. Alguns animais, entretanto, são assintomáticos. *Cão que se coçaem “novo ambiente” 
demonstra prurido severo. O não tratamento da doença pode levar à generalização da doença. 
 
Diagnóstico: 
1. Raspado cutâneo: fazer raspados repetidos, onde a presença de um ácaro já é considerada diagnóstico (nem sempre ele 
aparece). 
2. Ocorrem reflexos oto-podais (o animal, ao coçar a orelha externa, mexe descontroladamente as patas posteriores) em 75 a 
90% dos pacientes. Para confirmar, o veterinário faz uma dobra em cada orelha e encosta as dobras, com isso, o animal deve se 
coçar. 
3. Diagnóstico terapêutico: inicia-se o tratamento antes da observação do agente, concluindo o laudo após verificar melhora nos 
sintomas. A cura se baseia em sinais clínicos! 
 
TABELA 7 – Resumo do tratamento de Escabiose canina 
Tratamento: Tópico Sistêmico Complemento* 
Medicamento 1. Selamectina 6. Ivermectina Prednisona 
 2. Moxidectina 7. Milbemicina oxima (desuso 
no mercado, mas funciona 
bem) 
ATB: se infec. Bacteriana 
3. Amitraz 
4. Monossulfiram 
5. Benzoato de benzila 
Dose 1. 6 mg/kg 6. 250-400 µg/kg 0,25-0,5 mg/kg 
2. 2,5 mg/kg 7. 2 mg/kg 
3. 0,05% 
Via Todos tópicos 6. VO, SC VO 
7. VO 
Intervalo 1. Cada 15 dias / 3 app 6. Cada 10-15 dias /2-3 app 2-3 dias 
2. Cada 7 dias/3-6 semanas 7. Semanal/ 3 app 
 
Letícia Neves Fonseca 2016/2 
 
6 Doenças do Sistema Tegumentar 
3. Banhos
1
 cada 15 dias /3app 
Observações 
1
 Tosa e banhos com shampoos ceratolíticos 
prévios. 
 * Fazer isolamento dos 
animais e desinfecção do 
ambiente. 
Considerações: Só associar o tratamento com prednisolona se precisar. Isolar o animal (evitar o contato direto com o cão!). 
Apesar do ácaro não durar muito no ambiente, fazer a desinfecção profilática. 
 
Escabiose Felina 
 
 Também chamada de Sarna Notoédrica, é altamente contagiosa. O agente etiológico é o Notoedres cati. A transmissão 
é por contato direto e as espécies susceptíveis são os gatos, os cães, coelhos e o homem, 
sendo também uma zoonose. 
 
Sinais Clínicos: 
 Como lesão primária, há pápulas eritematosas. As lesões secundárias compreendem 
hiperqueratose, descamação, escoriações e crostas amarelo-acinzentadas. A distribuição das 
lesões está nas orelhas, face, pálpebras, pescoço, membros e períneo. 
 
Diagnóstico: 
1. Raspado cutâneo (o agente é mais evidente que na canina) 
 
Tratamento: 
TABELA 8 – Tratamento de Escabiose felina 
Medicamento Dose Via Intervalo 
Ivermectina 200-400 µg/kg VO, SC Cada 15d/2-3 app 
Selamectina - Cada 2-4 sem/3 trat 
A amoxidectina também pode ser usada, assim como o Amitraz, mas esse último com muito cuidado pois é tóxico!!! 
Para tratamento, também pode-se fazer antibioticoterapia em caso de infecções secundárias, controle de prurido (prednisolona 
por +/- 3 dias) e isolamento do animal infectado. 
 
Otocaríase 
 
 Doença que cursa com prurido ótico, parasita cães e gatos que vivem na superfície da epiderme. O agente etiológico é o 
Otodectes cynotis. Altamente contagioso. Ácaro de superfície (não forma galerias). 
 
Sinais Clínicos: 
 Ocorre prurido ótico, e o principal sinal é a presença de secreção otológica parecida com grãos de café. As escoriações 
ocorrem próximas ao pavilhão auricular e podem ocorrer na cabeça, pescoço e cauda (dermatite politraumática). 
 
Diagnóstico: otoscopia (exame do cerúmen) 
 
Tratamento: 
 É importante fazer limpeza ótica, que pode ser com: 
1. Amitraz + óleo mineral, em solução de 1:9 
2. Selamectina: 6 mg/kg tópico, a cada 15 dias 
3. Fipronil 10%: 2 gotas, repetir a cada 30 dias (EXTRABULA – perigoso no conduto auditivo) 
4. Ivermectina: 400 µg/kg /SC, a cada 15 dias 
5. Moxidectina: 200 µg/kg/SC ,em intervalos de 10 dias 
6. Milbemicina oxima: 2 mg/kg/VO, semanal por 3 semanas 
 
 
2. Piodermites Bacterianas: 
 
 Piordermites são infecções da pele causadas por bactérias piogênicas ou produtoras de pus. Os principais agentes 
patogênicos primários são: 
1. ESTAFILOCOCOS: 
- Staphylococcus pseudointermedius: em cães e gatos em 90% dos casos. É uma gram +, aeróbica facultativa, β-hemolítica e 
produtora de coagulase. 
 
Letícia Neves Fonseca 2016/2 
 
7 Doenças do Sistema Tegumentar 
- S. schleiferischleiferi (cães) 
- S. schleifericoagulans(cães) 
- S.aureus(cães e gatos) 
- S. epidermidis(cães) 
 
 Os principais agentes patogênicos secundários são: E. coli, Proteus, Pseudonomas. 
 
 É uma doença mais comum em cães, pois o pH da pele dessa espécie é mais alta (alcalina) do que em humanos ou 
gatos. A camada córnea dos cães também é mais fina e os espaços intercelulares têm pequena quantidade de filme 
hidrolipídico. O óstio folicular é desprovido de proteção hidrolipídica. 
 Há duas classificações da doença, aquelas que são consideradas infecções primárias e as infecções secundárias. As 
primárias são mais raras e na maioria dos casos são as bactérias estafilocócicas que estão envolvidas. Já as secundárias, mais 
comuns, resultam de anormalidades cutâneas, metabólicas ou imunológicas do paciente. E o segundo tipo de classificação é 
quanto à localização da doença. São elas: 
- De superfície: está limitada à superfície da camada córnea, causando intertrigo, dermtite piotraumática e supercrescimento 
bacteriano. 
- Superficiais: afeta a porção infundibular dos folículos pilosos e epiderme. Causam impetigo, foliculie bacteriana superficial, 
foliculite difusa superficial (piodermite esfoliativa) e piodermite mucocutânea. 
- Profundas: causam diversas complicações, como foliculites e furunculoses profundas, podais e furunculose da ponte nasal, 
assim como pidermites dos calos de apoio, celulites (secundário a demodicidose e imunossupressão), piodermite do pastor 
alemão e abscessos. 
 
TABELA 9 – Fatores predisponentes de cães e gatos 
CÃES GATOS 
Doenças alérgicas parasitárias pruriginosas 
 Defeito na barreira epidérmica levando à 
penetração da bactéria e toxina 
 Aumento da adesão da bactéria nos corneócitos de 
cães alérgicos 
 Deficiências imunológicas nos atópicos (↓ de 
defensinas e outras) 
 Corticoesteroides podem diminuir a capacidade 
imune 
Doenças sistêmicas severas 
 Virais: FIV, FELV 
 Diabetes Mellitus 
 Hiperadrenocorticismo 
Umidade e temperatura alta Prurido e contaminações bacterianas/auto-trauma 
 Placas eosinofílicas, granulomas eosinofílico ulcerado 
e escoriações sobre a cabeça e pescoço 
Disqueratoses, pele excessivamente seca: alterações na 
camada córnea ou no filme hidrolipídico 
Afecções ceratoceborreicas (acne felina) 
Obstruções foliculares: demodicidose, dermatofitose e 
disqueratoses. 
 
Desequilíbrios hormonais: hipotireoidismo, 
hiperadrenocorticismo. 
Imunossupressão devido a doenças congênitas, adquiridas 
ou iatrogenismo 
 
Dermatite Piotraumática: também conhecida como dermatite úmida aguda ou “hot spot”. É uma infecção de superfície com 
traumatismos auto-induzidos por arranhaduras ou mordeduras. As principais causas são: pulgas, outros parasitas (como 
escabiose), doenças do saco anal, otite externa, foliculites (como a bacteriana, demodicidose) e traumas (feridas, corpo 
estranho, tosa). As características clínicas são lesões agudas, dor, lesões circunscritas e exsudativas, eritema grave e perda 
localizada de pelos. O local das lesões é: região lombossacra, MP, pescoço e proximidades das orelhas. O diagnóstico é feito por 
histórico da lesão aguda, o aspecto físico das lesões. Na citologia, aparece inflamação supurativa e bactérias. Associar a causa da 
dermatite com a doença primária. Um dos poucos casos que se indica corticóide. Pode-se usar solução adstringente, que seca a 
umidade. 
 
Intertrigo: é uma dermatite localizada entre as pregas cutâneas, sendo uma infecção de superfície causada 
por fricção e acumulação de secreções e excreções de urina, fezes , saliva, suor, lágrimas ou sebo. As 
característicasclínicas são odor fétido e eritema entre as pregas, sendo muito comum em raças como Bulldog 
Inglês e Shar pei, em cães, e em gatos Persas. O diagnóstico é feito pela história e características clínicas da 
doença. 
 
Letícia Neves Fonseca 2016/2 
 
8 Doenças do Sistema Tegumentar 
 
Impetigo: dermatite caracterizada por pústulas subcorneais não foliculares, causado principalmente pela 
Staphylococcus coagulase positiva. Acomete principalmente animais jovens, sendo não contagioso. É 
secundário a problemas nutricionais, parasitismo, infecções virais e ambientes sujos. As características clínicas 
incluem lesões primárias caracterizadas por pústulas subcorneais com borda eritematosa, que são facilmente 
rompidas, formando crostas melicéricas. Há também colaretes epidérmicos e prurido ocasional. O diagnóstico 
é por história clínica, aspecto das lesões e citologia e cultura bacterianas. 
 
Foliculite Bacteriana Superficial: causada pela Staphylococcus pseudointermedius, secundária a traumas, 
seborreia, alergias, doenças parasitárias (demodicidose) e endocrinopatias, entre outros. Há raças com 
predisposição genética à doença, são elas: Dogue alemão, Doberman, Irish terrier, Golden Retrievers e 
Labrador. Como característica clínica, o prurido pode ser ausente ou variável, sendo a lesão primária  
pápula  pústula, com pelo projetando-se do centro. Também pode ocorrer lesões pustulares transitórias: 
crostas, colaretes epidérmicos, hiperpigmentação, escoriação e alopecia focal. O animal apresenta a superfície da pele lesionada 
como roído de traça. É mais raros em gatos, mas quando ocorre a lesão é de “padrão miliar”. O diagnóstico é pelo histórico e 
aspecto das lesões. É necessário descartar outras causas comuns de foliculite (demodicidose, dermatofitose), fazendo-se 
raspado cutâneo e cultura fúngica. Na citologia das pústulas, há presença de cocos e neutrófilos (em vários estágios), 
evidenciando a fagocitose bacteriana. É importante fazer estudo histopatológico do tecido e procurar a causa de base. 
 
Complexo Foliculite Forunculose-celulite: Trata-se de uma doença que cursa com foliculite profunda, onde a infecção folicular 
rompe o folículo, causando furunculose e celulite. Inicia-se superficial. As bactérias presentes na doença são: S. 
pseudointermediu, Pseudomonas sp, Proteus sp e E. coli. Os fatores relacionados com a doença são traumas, imunossupressão, 
doenças parasitárias, fúngicas e alérgicas. 
 
 
 As características clínicas incluem: 
1. Papulas  Pústulas profundas  Ulceração  Recobrimento crostoso 
2. Fístulas  Exsudação 
3. Distribuição  em todas as regiões com pelos, principalmente tórax, focinho, membros e pontos de apoio. 
A dor e o prurido são variáveis. Alguns pacientes apresentam anorexia e letargia, hipertermia, lonfoadenopatia. 
Ocasionalmente, pode ocorrer bacteremia e septicemia. 
 O diagnóstico é feito por raspado de pele, culturas bacterianas, exame histopatológico e, em caso de envolvimento 
sistêmico, hemograma. 
 
Tratamento das Piodermites Bacterianas: 
 
As terapia escolhida deve considerar medicamentos tópicos, sistêmicos ou ambos, assim como a profundidade, 
extensão, e se é primário ou secundário. Como terapia tópica, usa-se shampoos, sabonetes, loções, géis e cremes, todos 
com efeito antisséptico e/ou antibiótico. O animal deve ser tosado anteriormente, as propriedades dos produtos usados 
devem ser condizentes, o período de ação e a frequência de utilização apropriadas. 
 
TABELAS 10 – Tratamento TÓPICO das Piodermites Bacterianas 
Nome Peróxido de Benzoíla 
Propriedade Antisséptico, ceratolítico, antipruriginoso e anti-seborreico 
Concentração 2 a 5%, com efeito em até 48h 
Efeitos Secundários Eritema no pós-app, ressecamento cutâneo, dor e prurido 
Apresentações Xampus (2 a 3%), sabonetes e géis (5%) 
Indicações Piodermites (furunculoses, celulites, acne, intertrigo), Demodicidose, seborreias oleosas e comedos 
Foliculite Furunculose Celulite 
 
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9 Doenças do Sistema Tegumentar 
Modo de Uso Banhos a cada 2 ou 3 dias, inicialmente. Não deve ser usado em gatos 
Nome Comercial Benzodek, Benzac Ac, Acnase creme, etc 
 
Nome Clorexidina (gliconato ou diacetato) 
Propriedade Antisséptico (Gram + e -, exceto pseudomonas) e anti-fúngica 
Concentração 2 a 4%, com efeito de 24h 
Efeitos Secundários Eritema, prurido e retardo da cicatrização 
Apresentações Xampus, loções 
Indicações Piodermites superficiais e profundas e Malassezia 
Modo de Uso Banhos a cada 2-3 dias 
Nome Comercial Clorexidina, Cloresten, Clorexiderm 
 
Nome Triclosan 
Propriedade Antisséptico Gram + e -, ineficaz contra Pseudomonas 
Concentração 0,5 a 1% 
Efeitos Secundários Irritação 
Apresentações Sabonete 
Indicações Piodermites 
Modo de Uso Banhos a cada 2-3 dias 
Nome Comercial Matacura, Soapex 
 
Nome Antibióticos Tópicos 
Propriedade Mupirocina e ác. Fusídico (estafilococos), pouca ação contra Gram – 
Neomicina, Gentamicina  Gram – 
Bacitracina + Polimixina B  Gram + e - 
Concentração - 
Efeitos Secundários - 
Apresentações - 
Indicações Infecções localizadas: acne, piodermite dos calos e apoio, otite externa 
Modo de Uso Tópico 
Nome Comercial Mupirocina, Verutex B, Bactroban, etc 
 
Tratamento SISTÊMICO das Piodermites bacterianas: 
 Pode ser um tratamento Empírico, onde se deduz que o animal está infectado pela S. pseudointermedius, usando-se um 
ATB de espectro restrito e resistente à β-lactamase. A duração é de 1 semana após a cura, em caso de piodermites superficiais, e 
de 2 semanas após a cura, em caso de piodermites profundas. 
 Também pode ser um tratamento Sistêmico, onde se faz uma cultura e antibiograma, especialmente após infecções 
crônicas e recidivantes ou infecções resistentes (p.e. Staphylococcus portadores do gene mecA, que confere resistência aos β-
lactâmicos e derivados – solicitar teste para oxalacina). Usar um antibiótico via oral, que pode ser bactericida ou bacteriostático. 
Doses: Em caso de ATB de pequeno espectro: 
a. Eritromicina: 15 mg/kg, cada 8h 
b. Clindamicina: 10 mg/kg, cada 12h 
c. Lincomicina: 22 mg/kg, cada 12h 
Em caso de ATB de amplo espectro: 
a. Cefalexina: 22-30 mg/kg, cada 12h 
b. Enrofloxacina: 5-15 mg/kg, cada 12h 
c. Difloxacina: 5-10 mk/kg, cada 12h 
d. Orbifloxacina: 2,5 mg/kg, cada 24h 
e. Amoxicilina + Clavulanato: 12,5-20 mg/kg, cada 12h 
f. Trimetropin + Sulfonamida: 15-30 mg/kg, cada 12h 
 
Outros ATB: 
Cefovecina sódica (Convenia): é uma cefalosporina sintética de longa duração. Pode permanecer por 4 a 5 semanas. Deve-se 
realizar antibiograma e cultura prévia. A dose é de 8 mg/kg, SC a cada 14 dias (cerca de 1mL/1m kg). Manter o medicamento na 
geladeira. 
 
 
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10 Doenças do Sistema Tegumentar 
 Em caso de Piodermites recidivantes: Deve ser feita uma terapia a longo prazo com shampoos, uma a duas vezes por 
semana, com duração indeterminada. 
 Há uma vacina chamada Staphage Lysate (SPL), que é usada em casos de animais com histórico de piodermite idiopática 
recorrente, que é responsiva a antibióticos. As doenças de base devem ser descartadas antes de iniciar o tratamento. A 
aplicação da vacina é subcutânea e há um índice de 77% de eficácia. 
 Outros profissionais indicam a Pulsoterapia, que consiste em tratamento contínuo por uma semana e interrupção do 
tratamento durante outra semana ou, então, tratamento apenas durante o final de semana. Os medicamentos usados são 
cefalexina, enrofloxacina, amoxicilina + clavulanato. 
 
3. Doenças Fúngicas: 
Dermatofitose 
 
 É uma infecção fúngica superficial. Estruturas queratinizadas (pelos, unhas, camada córnea). O fungo possui capacidade 
queratofílica e queratolítica. Os principais Microsporum sp, Trichophyton sp e Epidermophyton, estando envolvido em maisde 
95% o M. canis. 
 
TABELAS 11 – Características dos principais agentes da Dermatofitose 
Gênero Espécie Hospedeiro Habitat 
Microsporum Canis Gato, cão, equino, roedor, homem Zoofílico 
Gypseum Cão, gato, equino, homem Geofílico 
Tricophyson Mentagrophytes Gato, cão, roedor, homem Zoofílico 
 
Epidemiologia: O M. canis é o mais predominante em felinos (>90%) e em caninos (70-80%). As variações possíveis ocorrem por 
localização geográfica e ambiental. No Brasil, de 1998 até 2003 foram identificados 1089 cães com dermatoses no geral e 9,8% 
(ou 107 cães) tinham dermatofitose. Mais de 6% dos infectados era pelo M. canis e 3% pelo M. gypseum. 
 
Transmissão: Por contato direto com pelos e escamas infectados, fômites, meio ambiente (ficam viáveis por 18 meses), gatis, 
canis e abrigos e carreadores assintomáticos. Os fungos envolvidos, nesse caso, são zoofílicos. Em caso de fungos geofílicos, pelo 
contato com o solo contaminado. A parte infectante chama-se artrósporos, eles são carreados na poeira, correntes de ar, 
pulgas, etc. Sendo comprovado que 100 esporos são capazes de causar a doença. Um trauma prévio, aumentando a hidratação 
e a maceração da pele é a causa da infecção. 
 
Patogênese: 
 
 
 
 
Patogenia: Após a invasão do fungo, ocorre uma resposta imune, que pode solucionar o problema, especialmente em caso de 
pelo em fase telogênica. Em casos de infecção crônica, há uma inabilidade de gerar resposta imune curativa. 
 
Suscetibilidade dos Pacientes: Há organismos que têm uma composição e estrutura variável da queratina. Algumas espécies de 
dermatófitos produzem enzimas que são mais patogênicas que em outras espécies. Os mecanismos de defesa do organismo 
também deve ser levado em consideração, assim como genes que são responsáveis pela patogenicidade. 
 De modo geral, a dermatofitose é uma doença que atinge principalmente animais jovens e/ou imunossuprimidos. Entre 
as raças de gatos predispostas, têm-se os Persas e os Himalaios. No caso de cães, têm-se o Yorkshire Terrier e o Jack Russel. 
 
Sinais Clínicos CÃES: As lesões formam áreas anulares clássicas (10 a 40 mm), expandido para a 
periferia. Podem ser isoladas ou múltiplas, alopécicas, com bordas eritematosas, descamação farinácea 
e não pruriginosa. 
•Adesão dos 
artroconídeos 
aos corneócitos 
•Germinação dos 
conídeos 
Fase Folicular 
•Invasão à rede 
de queratina 
Fase Pilosa 
 
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11 Doenças do Sistema Tegumentar 
Os pacientes podem desenvolver foliculite furunculosa nasal ou facial. Os chamados Kerion Celsi, que são lesões circunscritas, 
exsudativas, nodular e supurativa, podem ocorrer e essas se caracterizam por apresentarem prurido e dor, principalmente na 
face. Outros desenvolvem onicomicose, causando onicodistrofia e perioniquia. 
 As lesões dermatofíticas extensivas e crônicas causam prurido, inflamação e alopecia generalizada, é um caso mais 
grave da doença e tem como causa doenças/estados que cursem com imunossupressão, como uso de corticoides (tópicos ou 
sistêmicos), hiperadrenocorticismo, diagnóstico tardio da dermatofitose aguda ou infecção por mais de uma espécie de 
dermatófito. 
 
Diagnósticos diferenciais CÃES: As áreas anulares clássicas também podem ocorrer na fuliculite bacteriana superficial e na 
demodicidose localizada. As lesões Kerion ocorrem em neoplasias (mastocitomas) e a Foliculite-furunculose e leucodermia nasal 
ocorrem no pênfigo foliáceo, uma doença autoimune. 
 
Sinais clínicos GATOS: As lesões formam áreas anulares ou irregulares de alopecia, havendo pouca evidência de inflamação. Nos 
gatos jovens, o local das lesões ocorre na ponte nasal, superfície convexa da orelha, margens auriculares, parte distal dos 
membros e cauda. O aspecto é de roído de traça e ocorre muito em gatos com pelo longo, onde os pelos ficam partidos (“barba 
curta”). A principal lesão dos gatos, não patognomônico, é a dermatite miliar, que é resultado da inflamação + prurido + eritema 
+ pápula + crosta, sendo identificada quando se passa os dedos por entre os pelos do animal. Os pacientes podem desenvolver 
onicomicose (oniquite, perioníquia), associada ou não à dermatofitose clássica e de difícil tratamento. Nos gatos Persa, pode 
ocorrer uma lesão chamada de pseudo micetoma dermatofítico, que são nódulos (único ou múltiplo), onde a pele fica com 
coloração azulada, ocorre fistulação. Essa lesão é firme e não dolorosa à palpação. Há liberação de secreção granulosa 
amarelado. Local: dorso e pescoço. Evolução crônica. 
 
FIGURA 1 – Pseudo micetoma dermatofítico do gato Persa 
 
FONTE: Pr. Mauro Machado 
 
Diagnóstico Diferencial GATOS: A dermatite miliar também ocorre em outras enfermidades, como as alergopatias e 
piodermites. O pseudomacetoma também é característico de neoplasias de pele. 
 
 É importante lembrar que a dermatofitose é uma Zoonose! Causada especialmente pelo M. canis e o T. 
mentagrophytes. 
 
Diagnóstico: É considerada a doença mais super e sub diagnosticada em cães e gatos. Há 4 principais formas de exames: 
- Lâmpada de Wood (Luz UV) 
- Tricograma ou Exame direto 
- Cultura 
- Biopsia 
 No tricograma, há a retirada dos pelos das bordas das lesões, colocado na lâmina diluído com KOH 10% e coberto por 
lamínula. Identifica-se os artrósporos (ectotrix ou endotrix) ou as hifas. Para fins de diagnóstico, os dermatófitos nunca formam 
macronídeos no tecido! A lâmpada de Wood, apesar de bastante eficaz, não pode ser o único diagnóstico, pois há grandes 
chances de falso positivo ou negativo (pouco sensível e específico). Como diagnóstico definitivo tem a cultura fúngica. Esse 
exame faz com limpeza dos pelos e, após, retirada dos pelos ou escamas (pode-se arrancar os pelos, raspar e usar escovas o 
carpetes para auxílio). Pode ser feito em Ágar Sabourad com glicose / Cicloheximidina / Cloranfenicol ou Penicilina/gentamicina. 
 O Ágar DTM é o meio teste para dermatófitos: é realizado em 5-14 dias (sem tratamento) ou 21 dias (em tratamento). 
São feitas inspeções diárias avaliando mudanças de cor, do amarelo para o vermelho (do meio) e a observação de colônias 
esbranquiçadas, pontuais e algodoadas. A mudança de cor ocorre juntamente com o surgimento da primeira colônia visível (a 
 
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12 Doenças do Sistema Tegumentar 
confirmação macroscópica aumenta a acurácia do diagnóstico). O diagnóstico diferencial é o fungo Scopulariopsis, que é um 
fungo não patogênico que também faz colônias semelhantes com as de dermatófitos e também altera a coloração do meio. 
Após 7 a 10 dias de crescimento, há produção de esporos (macroconídeos). 
 
Tratamento: Na maioria dos casos ocorre regressão espontânea. O tratamento pode acelerar essa resolução, diminuindo o risco 
de disseminação para outros animais e pessoas. 
Cetoconazol + Griseofulvina + Limpeza de roupas, camas, pentes (tudo o que entra em contato com os pelos do animal) 
 
 É importante que os animais de pelo curto sejam tosados ao redor das lesões. Os animais de pelo longo devem receber 
tosa completa. É possível que o quadro piore após a tosa, mas o ambiente torna-se mais fácil para desinfecção. 
 
Terapia Tópica de Dermatofitose e características dos Medicamentos 
 
 
TABELAS 12 – Terapia Sistêmica de Dermatofitose 
Medicamento Griseofulvina 
Propriedade Fungistático (espectro: dermatófitos). Ineficaz contra leveduras. 
Efeitos Adversos Teratogenicidade, náuseas, vômitos, supressão da medula óssea. 
Via VO (dietas com gordura) 
Dose Ultramicristalina: 30 mg/kg, cada 12 horas / Micronizada: 50 mg/kg, cada 24h 
Nome Comercial Griseoderm 
 
Medicamento Cetoconazol 
Propriedade Derivado de Imidazóis. Fungistático/Fungicida 
Efeitos Adversos Náuseas, vômito, anorexia, hepatite tóxica e/ou insuficiência, supressão dos esteroides 
Via VO (maior absorção em meio ácido, admjunto com alimentação) 
Dose 5 a 10 mg/kg, cada 12h 
Nome Comercial Cetoconazol 
 
Medicamento Itraconazol 
Propriedade Derivado triazol. Fungistático/Fungicida. Maior espectro. 
Efeitos Adversos Vômitos, Insuficiência hepática. Não recomendado a gestantes. Persiste nos tec. Queratinizados por 
semanas 
Via VO 
Dose 5 mg/kg, cada 12h | 10 mg/kg, cada 24h 
Nome Comercial ITL 
 
Medicamento Terbinafina 
Propriedade Derivado alilaminas. Fungicida. 
Efeitos Adversos Lipófila/Queratinófila (permanece nos tecidos por várias semanas), vômito, prurido facial intenso, ↑ ALT 
Via VO 
Dose 30-40 mg/kg, cada 24h 
Nome Comercial Cloridrato de Terbinafrina 
 
Medicamento Vacina 
Propriedade Indicada para cães e gatos. M. canis inativado. Primovacinação aos 3 meses. Imunidade 1 mês após 2ª dose. 
Terapia Tópica: creme, loção e spray: 
- Clotrimazol 
- Miconazol 
- Nistatina 
- Tiabendazol 4% Uso Limitado!
 
Terapia Tópica: Shampoo: 
- Shampoo de Miconazol 2% 
- Shampoo de Miconazol 2% + clorexidine 2% 
- Shampoo de Cetoconazol 20mg/g 
( Duas vezes por semana! 
 Forma tópica preferencial! 
 
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13 Doenças do Sistema Tegumentar 
Efeitos Adversos - 
Via Cães IM / Gatos SC 
Dose - 
Nome Comercial Biocan M 
 
Tempo de Tratamento: Pode-se acompanhar o desenvolvimento das lesões através de fotografias, monitorando também com 
lâmpadas de Wook. O veterinário deve fazer exame direto e culturas (com escova ou carpete) periodicamente, de preferência 
semanais. Deve-se parar o tratamento após duas ou três culturas negativas e após contagem de UFCs. 
 
 O controle ambiental da doença é através de limpeza física (aspiração, lavagem com água ou com alvejantes), assim 
como uso de produtos fungicidas (cloridrato de benzacônio, enilconadol 0,2%, formalina 1% e hipoclorito de sódio 5,25% - estes 
dois últimos são tóxicos). 
 
Malasseziose 
 
 Doença fúngica causada pelo agente Malassezia spp. Esse agente é na realidade uma levedura lipofílica, com 
reprodução assexuada por brotamento. A levedura está presente na pele normal e anormal, condutos auditivos e junções 
mucocutâneas. A espécie M. pachydermatis é a única etiologicamente considerada lipídeo independente. 
 
TABELA 13 – Agente x Hospedeiro na infecção por Malasseziose 
CÃES GATOS 
M. pachydermatis M. pachydermatis 
M. furfur 
M. sympodialis 
M. globosa 
M. slooffiae (unhas em gatos com seborreia) 
M. nana (orelha) 
 
 Por que a levedura comensal se torna patogênica? 
Patogenia: provavelmente as possíveis alterações que facilitam à Malasseziose são aquelas relacionadas ao microclima cutâneo, 
na imunidade do hospedeiro e na fisiologia epidérmica. Há também maior produção de enzimas, como as fosfolipases, que têm 
maior atividade em animais com lesões de pele e otite. Essas enzimas também participam da maior liberação de ácido 
aracdônico, um mediador inflamatório. Há também maior produção de lipases, aspartil proteases esfingomielinases. 
 Os cães sadios e com lesões produzem IgG Malassezia específicos, onde há maiores níveis do Ac nos cães com a doença. 
Em cães atópicos, há níveis elevados do IgE e apresentam reação positiva no teste de intradermorreação. 
FATORES PREDISPONENTES: Aumento do sebo ou cerúmen, como em doenças endócrinas (hipotireoidismo, 
hiperadrenocorticismo, etc) ou disqueratoses (displasia epidérmica, soborreia, etc), inflamação crônica (dermatite atópica, 
dermodicidose e piodermites) e imunissupressão. 
 
Epidemiologia: a forma cutânea é mais comum em cães, tendo várias raças com predisposição, são elas: Basset hound, Cocker 
spaniel, poodle, teckel, boxer, etc. Há associação da Malassezia com outras doenças, como alergopatias, disqueratose, 
endocrinopatias, dobras cutâneas, assim como com sexo, raça e idade. No caso dos gatos, a Malassezia é secundária a doenças 
virais imunossupressoras, como o FIV e FeLV, e síndromes paraneoplásicas. As principais raças de gatos acometidas é o Devon 
Rex e o Sphynx, associado com seborreia. 
 
Características Clínicas: 
Cães: pode ser localizado ou generalizado, afetando regiões úmidas e quentes (região interdigital, pescoço ventral, perrilabial, 
canal auditivo, axila, inguinal e dobras cutâneas). O prurido é moderado a severo, o animal adquire escoriações, liquenificação e 
alopecia das regiões afetadas. Em caso de exsudação gordurosa, também há presença de eritema (em regiões intertriginosas, 
com “cheiro de ranço”). Outros sinais clínicos são: paroníquia, úlcera de córnea e otite (cerúmen enegrecido). 
Gatos: os pacientes apresentam otite ceruminosa, sendo essa a apresentação mais comum, eritrodermia exfoliativa, exsudação 
gordurosa e prurido. 
 
Diagnóstico: Principalmente por observação dos sinais clínicos, presença de elevado número de leveduras nas lesões e resposta 
clínica e micológica à terapia antifúngica. 
 Na citologia, deve-se fazer imprints, suabes de orelha e pele, raspado de pele ou fita adesiva de celofane. A coloração é 
de panótipo. O veterinário também deve se ater ao local de coleta a técnica usada e qual a raça do paciente acometido. 
 
 
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14 Doenças do Sistema Tegumentar 
Quando considerar a citologia poitiva? Basicamente, em um zoom de 400 vezes no microscópio, é quando houver mais de 5 por 
campo; no de 1000 vezes, mais de 1 por campo. 
 O método de coleta é com suabes estéreis (coleta regional 25 cm
2
), carpete estéril (várias áreas) ou escova estéril. O 
resultado do exame é baseado nas unidades formadoras de colônia (UFC). Quando há 70 UFC para uma placa de 9 cm, o 
resultado indica quantidade normal de colônias. Quando há mais de 120 UFC numa placa de 6 cm, esse é considerado um 
resultado anormal. 
 
 
Tratamento: A primeira coisa a fazer é tratar a doença de base, já que a Malassezia quase nunca é doença primária. Tais 
doenças são: alergopatias, endocrinopatias e disqueratose. Como complemento, há fatores anatômicos que podem influenciar 
no tratamento, como as dobras cutâneas. 
 
 Tópico: Clorexidine 2% + Miconazol 2%: 2 x sem / 3 sem 
Xampu de clorexidine 3% : 3x /sem 
Xampu Cetoconazol 0,5 a 2% 
Xampu de Sulfeto de Selêniox 2,5% 
 Terapia Sistêmica: 
Medicamento Intraconazol Cetoconazol Fluconazol Terbinafrina 
Dose 5 mg/kg SID ou BID 
10 mg/kg SID ou 
Pulsoterapia (2 d 
consecutivos na semana) 
5-10 mg/kg SID 2,5 mg/kg BID 
5 mg/kg SID 
2 - 10 mg/kg BID 
 
Período 3-4 sem ou até resol. 3-4 sem ou até resol. 3-4 sem 4 sem 
Melhora Clínica Esperada > 60% > 50% Sem informação >50% 
Reações Adversas TGI Vômitos, anorexia e 
apatia (raros) 
Vômitos, anorexia e 
apatia (raros) 
Vômito, diarreia, dor 
abdominal, hepatotox. 
 
Distúrbios de Hipersensibilidade: 
 
Dermatite Alérgica à Picada de Pulga (DAPP) 
 
 Doença alérgica que acomete cães e gatos. Causada pelos alérgenos 
produzidos pela saliva das pulgas. É o distúrbio hipersensível mais comum em cães. 
 
Patogenia: é uma reação de hipersensibilidade mista, tipo I e IV, aos componentes da 
saliva da pulga. 
 
Características Clínicas: Não há predileção por sexo ou raça. O animal, ao se coçar, desenvolve 
lesões pápulo-crostosas pruriginosas. Com o prurido crônico, ocorre alopecia, lignificação, 
crostas e hiperpigmentação. Dependendo do quadro, pode haver infecção bacteriana 
secundária. Os cães apresentam prurido principalmente na região lombossacral, como na 
imagem ao lado. Já os gatos, é principalmente pescoço, dorso e lombrossacra. 
Diagnóstico: é pela história clínica do animal, exame físico, aspecto das lesões e presença de 
pulgas ou excretas. 
Tratamento: No primeiro momento se faz um controle completo de controle de pulgas já citado 
na Puliciose. Pode-se administrar glicocorticoides (prednislona – 1 mg/kg durante 5-7 dias,com redução gradual), anti-
histamínico e antibiótico-terapia em caso de infecções secundárias. 
 
Dermatite Trofoalérgica 
 
 Os trofoalérgicos podem ser as mais diversas substâncias/nutrientes. Normalmente são proteínas de alto peso 
molecular (10.000 a 70.000 dáltons), moléculas mais estáveis, resistentes ao cozimento e a digetão. Mas também podem ser 
carboidratos, preservantes, corantes e aromatizantes. 
 
 
 
 
 
 
 
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15 Doenças do Sistema Tegumentar 
TABELA 15 – Principais Trofoalérgicos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Hipersensibilidade e Intolerância: Na alergia há uma resposta 
imunológica imediata, isto é, o organismo cria anticorpos como se o 
alimento fosse um agente agressor e por isso os sintomas são 
generalizados. Já na intolerância alimentar o alimento não é digerido 
corretamente e, dessa forma, os sintomas surgem principalmente no 
sistema gastrointestinal. Por exemplo, há intolerância à lactose e alergia 
que pode ser ocasionada por alimentos ricos em histamina ou que 
liberam histamina (crustáceos, peixes, embutidos, certos queijos, 
tomate, chocolate, carne de porco, etc). 
 
Características Clínicas: Normalmente iniciam de 6 meses a 12 anos de 
idade, com média de 2 a 4 anos. O prurido pode ou não ter erupção 
primária. Os sintomas ocorrem o ano todo (não-sazonal), podendo ter 
problema digestivo associado. Os animais se auto-traumatizam e 
adquirem infecções secundárias. As lesões secundárias são: pápulas, 
placas, pústulas, eritema, alopecia, escoriações, úlceras, lignificação, 
descamação, etc... 
 
Raças predispostas: Labrador, Cocker Spaniel, Pastor Alemão, Golden 
Retriever, Rotweiller, Shar-pei e Poodle. 
 
Distribuição: orelhas, axilas, face, ventre, periorbital e membros. 
 
Diagnóstico: é feito por observação dos sinais clínicos e por terapia, com regime de privação. 
 Regime de privação: pode-se fazer a introdução de uma nova proteína (cavalo, ovelha, salmão, peixe, avestruz, pato, 
etc), dietas hipoalergênicas caseiras ou industriais. 
 Dietas industriais: Royal canin hipoallergic, Pharmina hipoalérgica e total hipoallergic. 
 O protocolo é fazer a dieta de privação hipoalergênica 8 a 10 semanas, proibir petiscos e outros alimentos e observar a 
intensidade do prurido. 
 Dieta do Desafio: é quando se testa os ingredientes individualmente. Se obter resultado positivo, selecionar dieta sem 
o alérgeno. 
 
Trofoalérgico % 
Carne Bovina 60 
Soja 32 
Carne de Frango 28 
Leite de Vaca 28 
Milho 25 
Trigo 24 
Ovo 20 
 
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16 Doenças do Sistema Tegumentar 
Dermatite Atópica 
 
 É uma doença alérgica da pele inflamatória e pruriginosa, onde há uma predisposição genética envolvida. Os sinais 
clínicos são característicos, associados com anticorpos IgE contra, na maioria das vezes, alérgenos ambientais. 
 
ATOPIA  DOENÇA ATÓPICA  RINITE ATÓPICA 
 ASMA ATÓPICA 
 CONJUNTIVITE ATÓPICA 
 DERMATITE ATÓPICA  DERMATITE SEMELHANTE À ATÓPICA 
 
 Atualmente, sabe-se que a dermatite trofoalérgica é ocasionada por defeitos na barreira epidérmica, com influência 
genética e ambiental, assim como disfunções imunológicas. Há presença de alérgenos e há importante papel das infecções 
cutâneas na severidade da doença. 
 Os defeitos da barreira cutânea incluem: 
 Defeitos estruturais no estrato córneo 
 Diminuição das ceramidas 
 Aumento dos espaços intercelulares 
 Desorganização das lamelas lipídicas 
 Diminuição da expressão da filagrina 
Fatores genéticos: há forte influência da predisposição racial, sendo 25% dos WHWT, com herdabilidade de 0,47 em Labradores 
Retrievers e Golden Retrievers. Há vários genes envolvidos, causando problemas: 
 Imunidade adaptativa e inata, inflamação 
 Ciclo celular/apoptose/reparo celular 
 Formação de barreira cutânea 
 Transcrição e regulação 
 Os pacientes também têm disfunções imunológicas, que incluem aumento da concentração de IgE alérgeno-específica, 
na histamina e nas células dendríticas. 
 A fase aguda da doença se caracteriza pela presença das células Th2 e a fase crônica, células Th1. As principais 
quimiocinas envolvidas são as IL-4 e a IL-31. As células T regulatórias e os ceratinócitos também participam dos mecanismos da 
dermatite atópica. 
 
TABELA 16 – Principais fonte dos alérgenos envolvidos na Dermatite Atópica: 
Alérgeno Espécies Observações 
Ácaros da poeira doméstica Dermatophagoides pterynossinus, D. 
farinae, Blomia tropicalis, D. microceras, 
D. siboney, Euroglyphus maynei 
- 
Ácaros do armazenamento Acarus siro, Glycyphagus destructor, 
Tyrophagus putrescentiae e 
Lepidoglyphus sp. 
- 
Baratas - - 
Pólen - Sazonal e perene 
Esporos fúngicos Alternaria, Aspergillus, Penicillium - 
Trofoalérgenos - - 
 
 As principais infecções secundárias são por antígenos e toxinas bacterianas, das espécies Staphylococcus 
pseudointermedius e do fungo Malassezia. 
 
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17 Doenças do Sistema Tegumentar 
 
 
 
Características Clínicas: a idade de surgimento da doença é entre 6 meses a 3 anos de idade em 75% dos cães afetados. Não há 
predisposição de sexo. 
Principais raças acometidas: WHWT, Boxer, Bulldogue inglês, Labrador retriever, Golden retriever, Shar-pei, Cocker spaniel, 
Schnauzer miniatura e Pug. 
 Os animais apresentam as regiões onde há maior prurido eritematosa, manchas de saliva (especialmente nas patas, de 
cor marrom), reflexo podal de prurido, alopecia e região escurecida (aumento da melanina) em casos crônicos , entre outros 
sinais. 
 
Histórico: Em 42 a 75% dos animais, o prurido inicialmente ocorre sazonalmente, perene. Em 61% dos casos, há o prurido 
chamado sine materia, que é quando não há um agente específico para ocasionar a doença. 43% dos animais apresentam otite 
externa e 78% têm histórico de resposta aos glicocorticoides. A maioria dos pacientes, 82%, vivem dentro de casa. 
 
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18 Doenças do Sistema Tegumentar 
 
Diagnóstico: Baseia-se primariamente nos SINAIS CLÍNICOS e no HISTÓRICO, não em testes laboratoriais. 
TABELA 17 – Critérios diagnósticos para dermatite atópica canina: Combinação de 5 critérios tem sensibilidade de 85% e 
especificidade de 79% para diferenciar cães com DA de cães com prurido crônico e recorrente sem DA. 
Critérios (combinação de 5 critérios – 85% sens/79% especif) 
Início dos sinais antes dos 3 anos de idade 
Cães que vivem principalmente dentro de casa 
Prurido responsivo aos corticoesteroides 
Prurido sem lesões no início 
Envolvimento das mãos 
Envolvimento do pavilhão auditivo 
Margens auriculares livres 
Área dorso-lombar livres 
Tratamento: por se tratar de uma doença crônica incurável, causa muita frustração ao tutor e ao veterinário, sendo as 
desistências por partes dos tutores bastante comuns, assim como mudanças de veterinários. 
 A primeira medida ideal é a identificação e remoção do alérgeno (insetos, aracnídeos, dípteros, mudança de dieta, 
ambientais – indoor e outdoor), sendo essa medida bastante difícil e às vezes impossível de se realizar, especialmente aos casos 
de alergias a agentes do ambiente. É necessário fazer a terapia antimicrobiana, como em casos de infecções secundárias 
(Malasseziose e Piodermite) e otites externas, pois essas enfermidades podem intensificar e dificultar muito na diminuição do 
prurido aos pacientes. 
 
TÓPICO: é necessário melhora a higiene e os cuidados com a pele e pelame, fazendo-se banhos com xampus não irritantes. Essa 
medida alivia o prurido temporariamente, remove os alérgenos e limita a colonização microbiana da pele. 
 
TABELA 18 – Terapia tópica*: 
Hidratante Emoliente Umectante 
Ureia 2 a 10% Extrato glicólico de aloe vera 2 a 6% Ureia 2 a 10%Glicerina 2 a 10% Óleo de abacate 2 a 10% Propilenoglicol 2 a 10% 
Óleo de Amendoas 0,5 a 5% Óleo de girassol 1 a 3% Ácido láctico 0,5 a 2% 
Silicone Volátil 2 a 10% Óleo de Macadâmia 0,5 a 5% 
Hidroviton 1 a 5% Manteiga de Karité 1 a 3% 
Extrato glicólico de germe de trigo 0,5 a 1,5% 
 
FITOESFINGOSINA*: é constituinte das ceramidas, proporcionando redução da perda de água transepidérmica e também tem 
ação antisséptica. 
 
 
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19 Doenças do Sistema Tegumentar 
 Para melhor tratamento, é necessário reduzir o prurido e consequentemente as lesões cutâneas. O tratamento a curto 
prazo com glicocorticoides tópicos é eficaz, principalmente nas lesões localizadas. A eficácia do tratamento depende do tipo de 
corticóide e do veículo. Os efeitos adversos é o adelgaçamento cutâneo, comedos e cistos foliculares superficiais. 
 Para redução do prurido e lesões cutâneas, o principal corticoide oral usado é a prednisona/prednisolona (0,5 mg/kg, 
SID OU BID até o desaparecimento dos sinais), usando a menor dose efetiva. É contra-indicado aos pacientes com piodermites 
superficiais disseminadas e profundas, assim como glicocorticoides injetáveis de longa duração (muito contra-indicado!). 
 Para redução do prurido, pode-se usar MALEATO DE OCLACITINIB, inibidor da JAK1 e JAK3 (0,4-0,6 mg/kg VO, a cada 
12h por 14 dias), fazendo-se a manutenção a cada 24h. Os efeitos colaterais do medicamento incluem: diarreia, vômitos, 
anorexia, letargia e nódulos cutâneos e subcutâneos. Pode-se usar também ANTI-HISTAMÍNICOS, bloqueando os receptores de 
histamina (H1), com eficácia em 10-40% dos casos, utilizando-se em complemento com os corticoides. 
 
TABELA 19 – Farmacos anti-histamínicos usados na redução do prurido: 
Fármaco Dose Eficácia 
Hidroxine 3 mg/kg/8h/VO 30% 
Clemastina 0,05 a 0,1 mg/kg/12h/VO 30% 
Clorfeniramina 0,2 a 0,5 mg/kg/8 ou 12h/VO 10% 
Difenidramina 2,2 mg/kg/8h/VO 11% 
Cetirazina 10 mg/cão (<10kg)/24h/VO 
10 mg/cão (>10kg)/12h/VO 
 
Loratadina 5 a 15 mg/kg/24h/VO 0% 
Prometazina 12,5 a 25 mg/kg/6h/VO 0% 
Efeitos Colaterais: sedação, ataxia, hiperestesia, hipersalivação e excitação 
 
 Há também o uso de ácidos graxos essenciais como complemento ao tratamento, especialmente o Omega 3 e 6. O 
ômega 3 diminui a formação de eicosanoides pró-inflamatórios (DOSE: 40 mg/kg, VO, SID). O ômega 6 ajuda a restabelecer a 
função de barreira cutânea (DOSE: 60 a 138 mg/kg). 
 Outro tratamento complementar é a administração de formulações lipídicas tópicas, como as ceramidas, AGEs e 
colesterol. Essas substâncias estimulam a produção e secreção de lipídeos endógenos do extrato córneo, melhorando a 
qualidade e a quantidade dos lipídeos intercelulares e auxiliando no reparo da camada lipídica. 
 Os imunomoduladores, como a Ciclosporina A, inibem a calcineurina, agindo como imunossupressor específico, 
suprimindo a transcrição de IL-2 e IFN-ϒ (DOSE: 5 mg/kg/24h/VO). Os efeitos da ciclosporina iniciam após 30 dias e os efeitos 
colaterais incluem: vômitos e diarreias, hiperplasia gengiva, papilomatose e neoplasias orais. 
 A imunoterapia alérgeno específica é indicada aos 
pacientes atópicos com prurido não-sazonal e que não respondem 
adequadamente à terapia e/ou com efeitos colaterais inaceitáveis. 
A eficácia de melhora ocorre em 50 a 59% dos cães tratados. A 
dessensibilização ocorre em doses crescentes a cada 1 ou 2 semanas 
e continuada por pelo menos 1 ano. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
*Legenda: 
SID: uma vez por dia 
BID: duas vezes por dia