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Assédio moral Fonte: Dicionário Houaiss Assédio - insistência impertinente, perseguição, sugestão ou pretensão constantes em relação a alguém, sitiar, cercar, perseguir com propostas. Moral - disposição de espírito que uma pessoa apresenta para agir com maior ou menor vigor diante de circunstâncias difíceis, espírito de luta, denota bons costumes, boa conduta, segundo os preceitos socialmente estabelecidos pela sociedade ou por determinado grupo social, conjunto de valores como a honestidade, a bondade, a virtude, entre outros, considerados universalmente como norteadores das relações sociais e da conduta dos homens. Dano - qualquer perda moral ou material causada a uma pessoa. Assédio moral no trabalho O verbete “trabalhar” é oriundo do latim vulgar tripaliare, que significa torturar, derivado do latim clássico tripalium, antigo instrumento de tortura. O vocábulo “trabalho” desde o seu surgimento traz a conotação de fadiga, esforço, sofrimento, cuidado, encargo. Trabalhos que ficaram conhecidos como inúteis Sísifo – a tarefa que envolve esforços inúteis passou a ser chamada “trabalho de sísifo”. Os deuses condenaram Sísifo a rolar um rochedo, incessantemente, até o cume de uma montanha, de onde a pedra voltava a cair por seu próprio peso, recomeçando sempre a mesma tarefa. Sísifo, considerado o herói do absurdo, ficou conhecido por executar um trabalho rotineiro e cansativo. Os deuses achavam que não existia punição mais terrível do que o trabalho inútil e sem esperança. O tonel das Danaides Alcançar algo que ao mesmo tempo em que se consegue se vai perdendo, uma memória que nada guarda, um coração que nada satisfaz, caracterizam ações consideradas como inúteis, costuma- se dizer que é como encher “o tonel das Danaides”. Assédio moral no trabalho Segundo Heinz Leymann, assédio moral é a deliberada degradação das condições de trabalho através do estabelecimento de comunicações não éticas (abusivas) que se caracterizam pela repetição por longo tempo de duração de um comportamento hostil que um superior ou colega(s) desenvolve(m) contra um indivíduo que apresenta, como reação, um quadro de miséria física, psicológica e social duradoura. Assédio moral no trabalho Toda e qualquer conduta abusiva (gesto, palavra, comportamento, atitude) que, por sua repetição ou sistematização, atente contra a dignidade ou a integridade psíquica ou física de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou deteriorando o clima de trabalho. Para Hirigoyen o assédio moral “é um fenômeno destruidor do ambiente de trabalho, não só diminuindo a produtividade, como também favorecendo ao absenteísmo, devido aos desgastes psicológicos que provoca”. Fonte: www.assediomoral.org.br Assédio moral no trabalho É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego. Fonte: www.assediomoral.org.br Assédio moral no trabalho De acordo com Margarida Barreto, o assédio moral é revelado por atos e comportamentos agressivos que visam a desqualificação e desmoralização profissional e a desestabilização emocional e moral do(s) assediado(s), tornando o ambiente de trabalho desagradável, insuportável e hostil. O assédio moral é caracterizado pelo abuso de poder de forma repetida e sistematizada. Fonte: www.assediomoral.org.br A noção de assédio moral é extensiva a qualquer um no ambiente de trabalho. Assédio vertical – praticado pelo servidor hierarquicamente superior para com os seus subordinados Assédio horizontal – praticado entre colegas de serviço de mesmo nível hierárquico Assédio ascendente – praticado pelo subordinado, que possui os conhecimentos práticos inerentes ao processo produtivo, sobre o chefe Atitudes hostis Deterioração proposital das condições de trabalho Isolamento e recusa de comunicação Atentado contra a dignidade Violência verbal, física ou sexual Assediados por sexo Assediados por área de atuação Assediados por faixa etária Quadro comparativo de denúncias sobre assédio, em 2004 e 2009 Legislação Não há, ainda, uma legislação federal específica para o assédio moral. Fontes legislativas de proteção ao empregado: - Constituição da República Federativa do Brasil - Código Civil (2002) - Regime Jurídico Único: Lei nº. 8.112/90 - Código de Ética Profissional do Serviço Público Civil do Poder Executivo Federal - Decreto nº 1.171, de 22 de junho de 1994 Constituição da República Federativa do Brasil Em seu artigo 1º, a CRFB/88 fixa os fundamentos da República, entre eles: cidadania, dignidade da pessoa humana e os valores sociais da livre iniciativa. (BRASIL, 1988, art. 1º, incisos II, III e IV). Em seu artigo 3º, a CRFB/88 lista os objetivos fundamentais da República: a construção de uma sociedade livre, justa e solidária e a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. (BRASIL, 1988, art. 3º, incisos I e IV). Constituição da República Federativa do Brasil O artigo 5º da CRFB/88 prevê que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; III – ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante.” (BRASIL, 1988, art. 5º, incisos I e II). “São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrentes de sua violação.” (BRASIL,1988, art. 5º, inciso X) Código Civil (2002) “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.” (BRASIL, 2002, art. 186). “Aquele que por ato ilícito (BRASIL, 2002, arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.” (BRASIL, 2002, art. 927, caput). Parágrafo Único – haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. (BRASIL, 2002, art. 927, parágrafo único). No Serviço Público A Lei nº. 8.112/90 não aborda claramente a questão do assédio moral, entretanto, a conduta do assediador é passível de ser punida, já que afronta o dever de moralidade. Relativamente aos deveres impostos aos servidores, a prática do assédio moral viola o dever de manter conduta compatível com a moralidade administrativa (art. 116, inciso IX), de tratar as pessoas com urbanidade (art.116, inciso II) e de ser leal às instituições a que servir (art.116, inciso XI). A Lei nº 8.112/90 prevê a proibição do servidor promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição (art.117, inciso V). No Serviço Público O Decreto nº 1.171, de 22 de junho de 1994, que aprova o Código de Ética Profissional do Serviço Público Civil do Poder Executivo, também, prevê vedações às condutas dos servidores. XV – É vedado ao servidor público: f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias,caprichos, paixões ou interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o público, com os jurisdicionados administrativos ou com colegas hierarquicamente superiores ou inferiores. (BRASIL, 1994, cap. I, seção III – Das Vedações ao Servidor Público). Responsabilidade Se o assediador for servidor público, o Estado (União, Estado ou Município) pode ser responsabilizado pelos danos morais e materiais sofridos pela vítima (responsabilidade objetiva). Comprovado o fato e o dano, o Estado deverá indenizar a vítima, podendo processar o assediador, visando à reparação dos prejuízos que sofrer. Sanções No âmbito das relações administrativas, ou seja, no serviço público, o assediador pode receber punições disciplinares, de acordo com leis próprias. No artigo 127, incisos seguintes, da Lei 8.112/90 são estabelecidas as penalidades disciplinares que podem ser aplicadas aos servidores, entre elas: advertência; suspensão; demissão; cassação de aposentadoria ou disponibilidade, destituição de cargo em comissão; destituição de função comissionada. A lei dispõe, ainda, que na aplicação das penalidades deverão ser consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos que dela provierem para o serviço público, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes funcionais (art. 128, caput). Indenizações Os danos sofridos pela vítima podem gerar direito a indenizações por danos de caráter material e moral. Os servidores públicos podem requerer indenizações que contemplem: Danos emergentes – englobam o que a vítima efetivamente perdeu, por ex., servidor que fica doente em função do assédio, e passa a efetuar gastos com tratamento médico e medicamentos Lucros cessantes – o que a vítima deixou de ganhar, por ex, o servidor que pediu exoneração porque foi assediado e deixa de receber os seus vencimentos Como deve proceder o assediado Reunir provas para comprovar o assédio Anotar com detalhes todas as humilhações sofridas (dia, mês, ano, hora, local ou setor, nome do agressor, colegas que testemunharam, conteúdo da conversa e o que mais achar necessário) Dar visibilidade, procurando a ajuda dos colegas, principalmente daqueles que presenciaram o fato ou que já sofreram humilhações do agressor Evitar conversar com o agressor, sem testemunhas Procurar o seu representante sindical Procurar a ouvidoria da instituição e relatar os fatos Não é assédio O estresse profissional, eventuais picos de trabalho ou convocações para o trabalho fora do horário O conflito quando há igualdade entre os debatedores A gestão por injúria – tipo de comportamento despótico de certos administradores, despreparados, que submetem os empregados a uma pressão terrível ou os tratam com violência, injuriando-os e insultando-os com total falta de respeito. Uma agressão pontual, a menos que tenha sido precedida de múltiplas pequenas agressões, é um ato de violência Não é assédio Más condições de trabalho somente caracterizam o assédio moral se estiverem dirigidas a um único trabalhador A sobrecarga de trabalho passa a ser assédio moral quando traz em si a intenção de prejudicar alguém Mudanças ou transferência de função, desde que não apresentem caráter punitivo ou configurem perseguição Críticas construtivas e avaliações sobre o trabalho executado desde que explicitadas Exigência de produtividade Não é assédio Reprimendas normais dos chefes e o controle sobre os empregados, desde que o poder disciplinar do superior hierárquico seja exercido de maneira adequada Denúncia caluniosa No tocante à denunciação caluniosa, aquele que for falsamente denunciado tem, além da ação cabível no âmbito penal, a possibilidade de ajuizar ação cível relativa aos danos morais sofridos contra quem o acusou falsamente. A ação deve ser proposta contra quem promoveu a ação indevida. A empresa ou a administração não responde pelos danos causados. Caso a denúncia seja manifestamente improcedente, podem ser aplicadas as penalidades destinadas ao litigante de má-fé, de acordo com o Código de Processo Civil. Art. 17 – Reputa-se ao litigante de má-fé aquele que: II – alterar a verdade dos fatos; III – usar do processo para conseguir objetivo ilegal. Denúncia caluniosa Art. 18 – O juiz ou tribunal, de ofício ou a requerimento, condenará o litigante de má-fé a pagar multa não excedente a um por cento sobre o valor da causa e a indenizar a parte contrária dos prejuízos que esta sofreu mais os honorários advocatícios e todas as despesas que efetuou. § 2º O valor da indenização será desde logo fixado pelo juiz, em quantia não superior a 20% (vinte por cento) sobre o valor da causa, ou liquidado por arbitramento. Isto sem considerar as ações penais, por calúnia, injúria e difamação, e a cobrança civil dos danos morais e materiais contra quem alegou falsamente o assédio. Projeto de Lei N.º 5972, de 2001 – (ARQUIVADO em 31/01/2007) Art. 1º. Acrescente-se o inciso XX ao art. 117 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, com a seguinte redação: “Art. 117. Ao servidor é proibido: (Vide Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001) XX - coagir moralmente subordinado, através de atos ou expressões reiteradas que tenham por objetivo atingir a sua dignidade ou criar condições de trabalho humilhantes ou degradantes, abusando da autoridade conferida pela posição hierárquica.” Conclusão Combater o assédio moral no âmbito da Administração Pública é preservar o servidor de toda e qualquer forma de tratamento desumano e constrangedor; é despertar nos servidores públicos o dever de observarem os princípios constitucionais; é estimular a prática do diálogo, a convivência e o cuidado, o respeito ao companheirismo e à consciência dos limites; é conter o assediador de práticas desrespeitosas que possam causar descontentamento aos seus pares e, consequentemente, prejuízos aos cofres públicos e à sociedade em geral. O respeito ao trabalhador é fundamental em qualquer ambiente de trabalho, seja no serviço público, seja na iniciativa privada. Conclusão Sugerimos, como prática cotidiana, a adoção dos 8 “C’s”, visando a permanente humanização do ambiente de trabalho, para transformarmos o círculo vicioso em círculo virtuoso: + cooperação + civilidade + compaixão + conhecimento + confiança + convivência + cuidado - consumo Conclusão Ainda como sugestão: - Aplicação de pesquisas internas sobre ética, assédio moral, estresse e violência no trabalho - Palestras pedagógicas de conscientização - Trabalho conjunto e permanente da Área de Recursos Humanos, do Departamento de Saúde do Trabalhador e da Ouvidoria visando a adoção de ações propositivas, para identificar, tratar e prevenir o problema de assédio moral e de qualquer forma de violência na instituição Conclusão - Criação de ouvidoria na instituição - Instituir a mediação como procedimento alternativo, para solução de conflitos internos que envolvam assédio moral - Os mecanismos da mediação são diferentes, já que está voltada a propiciar maior harmonia no relacionamento entre as partes, conferindo-lhes a necessária dignidade, pelo exercício da cidadania, isso porque não há vencedores ou vencidos quando uma solução pacífica é encontrada pelos próprios interessados Conclusão “O papel educativo da mediação além de conscientizar a parte da sua própria situação, conduz à compreensão da outra pessoa, seus valores, desejos e necessidades, na busca de soluções que envolvam respeito e aceitação mútua, compatibilizando interesses e gerando afinidades. É a mediação uma realidade em construção, na busca do abrandamento dos conflitos existenciais e sociais, por meio do diálogo.” Ministra Nancy Andrighi / STJ“A liberdade e a igualdade dos homens não são um dado de fato, mas um ideal a perseguir; não são uma existência, mas um valor; não são um ser, mas um dever-ser.” (Norberto Bobbio) “Agora eu era o rei, era bedel e era também juiz, e pela minha lei a gente era obrigado a ser feliz” (Chico Buarque de Holanda, João e Maria) Obrigada! cristinariche@ouvidoria.ufrj.br Conclusão Fontes Bibliográficas BARRETO, M. Uma jornada de humilhações. São Paulo: Fapesp; PUC, 2000. HIRIGOYEN, Marie France. Mal-estar no trabalho: redefinindo o assédio moral. São Paulo: Ed Bertrand do Brasil, 2009 Jornal O Globo, caderno Boa Chance, domingo, 7 de março de 2010, RJ / Brasil "Site Assédio Moral no Trabalho” www.assediomoral.org "Site Assédio Moral no Trabalho IESC/UFRJ" http://www.iesc.ufrj.br/assediomoral/ "P@rtes - a sua revista virtual" http://www.partes.com.br/capaassedio.htm Revista Âmbito Jurídico http://www.ambito-juridico.com.br/pdfsGerados/artigos/6219.pdf