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Curso Técnico em Agronegócio FORMAÇÃO TÉCNICA SENAR - Brasília, 2015 Gestão da Produção e Logística S474c SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. Curso técnico em agronegócio: gestão da produção e logística / Serviço Nacional de Aprendizagem Rural ; Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, Rede e-Tec Brasil, SENAR (Organizadores). – Brasília : SENAR, 2015. 140 p. : il. (SENAR Formação Técnica) ISBN: 978-85-7664-101-8 Inclui bibliografia. 1. Administração da produção. 2. Logística. 3. Agroindústria - ensino. I. Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego. II. Rede e-Tec Brasil. III. Título. IV. Série. CDU: 658.5 Sumário Introdução à Unidade Curricular –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 6 Tema 1: Administração da produção e operações –––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 Tópico 1: Conceitos iniciais ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1 0 1. O que é administração da produção? –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1 0 2. Evolução da administração da produção ––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1 2 3. Dimensões dos processos produtivos ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1 6 Tópico 2: Sistemas de produção –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1 9 1. Modelo de transformação –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1 9 2. Projeto de processos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––2 2 3. Projeto de produtos e serviços ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––2 2 Tópico 3: Estratégias de produção ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––2 4 1. Função produção ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––2 5 2. Objetivos da produção –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––2 6 3. Aplicação das estratégias de produção ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––2 8 Encerramento do tema –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––3 0 Atividades de aprendizagem ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––3 2 Tema 2: Planejamento e controle da produção (PCP) –––––––––––––––––––––––––––––––3 4 Tópico 1: A função do planejamento e controle ––––––––––––––––––––––––––––––––– 3 5 2. Suprimento e demanda ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––3 8 3. Atividades de planejamento ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––3 9 Tópico 2: Planejamento e controle da capacidade –––––––––––––––––––––––––––––– 4 1 1. Conceitos de capacidade de produção –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––4 2 2. Como planejar a capacidade de produção? –––––––––––––––––––––––––––––––––– 4 5 Tópico 3: Planejamento e controle de estoque –––––––––––––––––––––––––––––––––4 8 1. Conceito de estoque –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––4 8 2. Tipos de estoque e materiais armazenados ––––––––––––––––––––––––––––––––––4 9 3. Gestão e controle de estoque ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 5 2 Encerramento do tema ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 5 3 Atividades de aprendizagem –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 5 5 Tema 3: Gestão da cadeia de suprimentos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 5 7 Tópico 1: Cadeias de suprimentos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––5 8 1. Cadeia de suprimentos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––5 8 2. Gestão da cadeia de suprimentos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 6 0 3. Cadeias de suprimentos versus cadeias produtivas––––––––––––––––––––––––––––6 2 Tópico 2: Elementos nas cadeias de suprimentos e cadeias produtivas –––––––––––6 4 1. Produtor rural –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––6 4 2. Agroindústrias ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––6 4 3. Varejo ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––6 5 4. Intermediários (transportadores, traders e fornecedores de insumos) ––––––––––6 6 Tópico 3: As principais cadeias produtivas do agronegócio ––––––––––––––––––––––6 8 1. Cadeia da carne –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––6 9 2. Cadeia do leite ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––7 9 3. Cadeia de grãos ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 8 1 4. Cadeia sucroenergética ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––8 5 Encerramento do tema –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––8 8 Atividades de aprendizagem ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––8 9 Tema 4: Sistemas logísticos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 1 Tópico 1: Conceitos fundamentais da logística ––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 1 1. O que é logística? ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––9 2 2. Evolução da logística –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––9 3 3. Atividades da logística –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––9 5 Tópico 2: Sistemas estratégicos da logística no agronegócio –––––––––––––––––––––9 8 1. Transporte ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––9 8 2. Armazenagem e conservação –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––104 Encerramento do tema ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 109 Atividades de aprendizagem ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––111 Tema 5: Tópicos especiais sobre produção e logística ––––––––––––––––––––––––––––– 113 Tópico 1: Os desafios da produção no agronegócio –––––––––––––––––––––––––––– 114 1. Os gargalos nas operações agroindustriais –––––––––––––––––––––––––––––––––– 114 2. O papel da mão de obra ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 116 3. Desafios da produção no agronegócio ––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 117 Tópico 2: Os desafios logísticos da produção do agronegócio ––––––––––––––––––– 119 1. Os gargalos logísticos ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 119 2. A competição internacional –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 121 3. Desafios da logística no agronegócio –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––122 Encerramento do tema ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––123 Atividades de aprendizagem –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––124 Encerramento da unidade curricular –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 125 Referências ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––126 Gabarito ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––129 Introdução à Unidade Curricular Gestão da Produção e Logística 7 Introdução à Unidade Curricular Bem-vindo à Unidade Curricular Gestão da Produção e Logística. Aqui, você entenderá a importância estratégica da gestão da produção rural nas cadeias produtivas. A compreensão das cadeias produtivas e da aplicação dos conhecimentos da gestão de operações ao agronegócio permitirá que você estabeleça as estratégias mais adequadas para cada segmento de produção rural com base no perfil da região produtiva em que você se encontra. ` Objetivos de aprendizagem Ao final desta Unidade Curricular, você deverá ser capaz de: • Entender o funcionamento dos sistemas de produção rural. • Conhecer os métodos de planejamento da produção rural. • Conhecer os tipos de produtos agropecuários. • Compreender o conceito e a caracterização dos principais componentes da cadeia logística do agronegócio. • Descrever e analisar as áreas de atuação da logística. • Conhecer os diferentes processos da logística e aplicá-los ao negócio rural. • Identificar as principais estratégias para armazenagem, manuseio, acondicionamento e transporte de produtos em agronegócios. • Empregar ações de controle de estoques, aquisição e programação de produção. Como futuro técnico em agronegócio, é importantesaber que de nada adiantaria produzir as mais diversas culturas agrícolas sem eficiência e sem ter como entregar esses produtos nos diversos mercados consumidores. Portanto, após o estudo desta unidade, você terá desenvolvido os conhecimentos essenciais para a gestão de operações produtivas e de logística no que se refere ao agronegócio. Bom aprendizado! Administração da produção e operações 01 Gestão da Produção e Logística 9 Tema 1: Administração da produção e operações A administração é fundamental em todas as atividades da nossa vida. Uma pessoa que não administra o seu orçamento poderá ter problemas financeiros. Uma pessoa que não administra seu tempo poderá ter problemas para cumprir prazos e realizar todas as atividades programadas. Da mesma forma, uma empresa que não administra seus negócios tenderá ao fracasso. Administrar é a arte de gerenciar as diversas situações que acontecem na vida e tomar decisões que permitam alcançar os objetivos pretendidos. A administração não é apenas algo voltado à vida das pessoas, mas se refere também à vida das organizações. As organizações são organismos vivos, compostas de um conjunto de pessoas com diferentes culturas, hábitos, conhecimentos, habilidades que precisam ser organizadas, alinhadas ao interesse da organização e gerenciadas. Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 10 Portanto, é comum a criação de departamentos nas empresas de produção ou serviços de forma a organizar e distribuir atividades comuns e específicas aos seus setores internos, tomar decisões que compreendam o seu objetivo e resolver todas as situações e problemas a que estão sujeitas. ` Atenção Este conceito de administração se aplica às organizações em geral, tanto do meio urbano como rural, tanto de produção como de operações. Para as cadeias produtivas do agronegócio, isso não é diferente. Decisões sobre o quanto e como produzir e em que período são essenciais para que não se produza mais ou menos do que se necessite ou não se comprometa toda a cadeia. Assim, é preciso analisar o mercado e saber em que época plantar, o quanto plantar, de acordo com as exigências do consumidor, e quem efetivamente pagará a conta de todo o processo de produção. Neste primeiro tema você aprenderá os conceitos fundamentais de administração da produção e operações e como se relacionam ao agronegócio. No final, você será capaz de entender melhor o funcionamento dos sistemas de produção rural. Bom estudo! Tópico 1: Conceitos iniciais A seguir estudaremos os conceitos iniciais sobre a administração da produção e operações, entendendo sua definição, sua origem e sua relação com os sistemas de produção rural. O objetivo é que, ao final deste tópico, você seja capaz de compreender os fundamentos e as principais teorias da administração da produção, assim como promover ideias e ações inovadoras na propriedade. Siga em frente e bom estudo! 1. O que é administração da produção? Na introdução desta unidade, começamos a discutir algumas ideias sobre o conceito de administração. Agora, vamos entender um pouco mais e definir o que chamamos de administração da produção e operações, ou simplesmente administração da produção. A administração da produção, segundo os professores Slack, Brandon-Jones e Johnston (2013, p. 1), “trata da maneira como as organizações projetam, entregam e melhoram seus produtos e serviços”. Assim, todos os produtos que compramos, como roupas, televisores, celulares, e serviços que utilizamos em hospitais, salões de beleza, escolas, etc. só chegam até nós devido aos gerentes de produção e operações. Para entender um pouco mais a respeito, vamos ver duas definições de administração da produção e operações. Slack, Brandon-Jones e Johnston (2013, p. 3) explicam que “Administração Gestão da Produção e Logística 11 da Produção é atividade de gerenciar recursos que criam e entregam serviços e produtos”. Já para os professores Gaither e Fraizer (2002, p. 5), a administração da produção e operações “é a administração do sistema de produção de uma organização, que transforma insumos nos produtos e serviços da organização”. Insumos Insumo é o elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços (máquinas, equipamentos, trabalho humano, etc.); fator de produção (FERREIRA, 2000). A partir dessas definições, podemos entender que a administração de todos os recursos, como matéria-prima, máquinas e equipamentos que visam produzir determinado tipo de produto ou serviço, vêm a ser a administração da produção e operações. Assim, quando se trata de um produto, dizemos que é administração de produção; quando se trata de um serviço, gestão de operações. Você poderá encontrar apenas o termo “administração da produção” para indicar os dois conceitos, uma vez que uma operação nada mais é do que a produção de um serviço. Para entender melhor esses conceitos aplicados ao agronegócio, acompanhe o exemplo a seguir. Exemplo Imagine que uma empresa ou pessoa adquiriu uma propriedade rural para produzir soja. Essa empresa precisará administrar a quantidade de sementes necessárias, a gestão dos trabalhadores, a gestão das semeadeiras e colheitadeiras, a gestão do processo de plantação e colheita e tudo que se refere à produção do grão em si. O que essa empresa está fazendo é o que chamamos de administração da produção. Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 12 Em uma nova situação, imagine que uma das colheitadeiras apresentou algum problema e será preciso chamar um técnico. O serviço que gerencia a assistência técnica dessas colheitadeiras, como atendimento telefônico, reposição de peças, entre outros, também precisa ser gerenciado pela administração de operações. Podemos concluir que o controle da produção de um produto é feito pela administração da produção; e o controle de uma operação de serviço, pela administração de operações. Portanto, no agronegócio, na maior parte das vezes, o que temos é a administração da produção, controlada pelo gerente de produção. Porém, em algumas atividades, como transporte e armazenagem, o que temos são serviços e, consequentemente, a administração de operações, controlada pelo gerente de operações. 2. Evolução da administração da produção Na história da humanidade, a primeira maneira de se alimentar consistia em caçar ou colher frutos. Posteriormente, a reunião do homem em determinados grupos possibilitou o surgimento da agricultura e da pecuária. Assim, começou o plantio e a criação de animais para subsistência, que, além de fornecer a carne em si, poderiam fornecer o leite, como foi o caso das ovelhas em um primeiro momento e, depois, das vacas. O resultado do plantio e da criação de animais, além servir de alimentação para a unidade familiar, também era utilizado como “moeda de troca” por produtos produzidos por outras unidades familiares. Esse tipo de produção pouco foi alterado durante os séculos, exceto com o surgimento das rotas comerciais e das grandes navegações. Entretanto, não era possível a produção de determinados produtos em algumas regiões, apenas naquelas favoráveis à agricultura e pecuária. Assim, muitas vezes, o que se fazia era levar sementes para semear em outras regiões ou a simples comercialização e troca de mercadorias em pequenas quantidades. Com o descobrimento da América e o surgimento das colônias, algumas culturas começaram a ser produzidas em grandes quantidades e depois comercializadas nos mercados europeus, como é o caso da produção do açúcar no Brasil. Durante a era das grandes navegações, o potencial econômico estava nos domínios dos mares e das regiões de produção na América. Franceses, espanhóis, holandeses, portugueses e ingleses disputam a soberania no mar e o domínio das terras na América e na Ásia. Gestãoda Produção e Logística 13 Somente no ano de 1776 o escocês Adam Smith (1723-1790) lançou o livro “A riqueza das nações”, no qual mostrou que os países deveriam dominar os meios de produção e vender o excedente. Desse modo, em sua obra, tratava de questões como a divisão do trabalho, o valor, a divisão da renda, o acúmulo de capitais. Por fim, defendia a não influência do governo nos mercados, dizendo que os mercados se autorregulavam por meio de uma mão invisível que controlava a oferta e demanda. Ao mesmo tempo que Adam Smith revolucio- nava o pensamento econômico, outro escocês inventava uma máquina que revolucionaria o mundo e permitiria que as ideias de Adam Smi- th fossem levadas adiante. James Watt (1736-1819) inventou em 1776 a máquina a vapor, que deu origem a um dos marcos mais importantes da humanidade, conhecido como Revolução Industrial. Essa invenção permitiu o surgimento das primeiras unidades fabris com a indústria da tecelagem. Legenda: Motor a vapor Fonte: Shutterstock Legenda: Adam Smith Fonte: Shutterstock Legenda: James Watt Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 14 A máquina a vapor, depois de impulsionar o processo industrial, revolucionou o transporte com o surgimento do navio movido a vapor e dos sistemas de transporte ferroviário. Estavam formadas as bases para o desenvolvimento do capitalismo moderno. A criação de Watt permaneceu como a grande inovação da humanidade até o surgimento da energia elétrica e dos motores a combustão no fim do século XIX. Legenda: Navio a vapor Fonte: Shutterstock A Revolução Industrial e suas unidades fabris fizeram com que a produção manual fosse substituída pelo uso de máquinas e equipamentos, fomentando o surgimento do processo de industrialização de produtos que ficaria conhecido como manufatura. ` Atenção Durante a Revolução Industrial, pouca ou nenhuma mudança aconteceu na produção agrícola, que permanecia rudimentar. Mudanças nessa área só começaram a surgir no século XIX. O início do século XX trouxe mudanças significativas no processo de produção com a tecnificação e administração dos processos produtivos. Henry Ford (1863-1947) revolucionou a produção industrial com inovações como a intercambialidade de peças, que consistia em um sistema de medidas padrões que reduzia o retrabalho na fabricação de seus carros, e a linha de montagem, diminuindo o tempo de fabricação de um carro de 12 horas e 8 minutos para apenas 1 hora e 33 minutos. Gestão da Produção e Logística 15 Ao mesmo tempo, em 1911, Frederick Taylor (1856- 1915), lançou seu livro “Princípios de Administração Científica”, que visava dar base científica ao processo produtivo, tentando identificar a melhor produtividade de um trabalhador. Nasceu, assim, a administração da produção, para organizar a produção em massa a fim de atender a uma população mundial crescente. Entretanto, foram as duas grandes guerras mundiais que mudaram o cenário da produção mundial e da agropecuária. A guerra consumiu recursos de todos os meios, como pessoas, ve- ículos, aviões, armamentos, alimentos e desen- volvimento tecnológico, para produzir em gran- des quantidades, com rapidez e qualidade. Isso afetou toda a estrutura de produção mundial. Surgiram os grandes complexos industriais e, na agricultura, a produção em larga em escala. d Comentário do autor A produção agroindustrial se diversificou em uma quantidade de produtos jamais imaginada e se tornou extremamente tecnificada, desde a qualidade das sementes ou da genética dos animais até a produção agroindustrial em si. Atualmente, podemos rastrear a carne que chega ao mercado até o animal da qual ela foi originada. É possível determinar os pesos desejados pela nutrição animal e produzir agricolamente em escalas inimagináveis. Produtores brasileiros têm alcançado de 70 a 80 sacas de soja por hectare, por exemplo, o que só foi possível pelo intenso desenvolvimento tecnológico de sementes, agroquímicos, adubos, corretivos e da logística de transporte. A evolução da administração da produção foi fundamental não somente para os produtos fabricados industrialmente como também para agricultura e pecuária e no processamento desses por meio das agroindústrias. j Atividades práticas Agora que você aprendeu um pouco sobre a evolução da produção e o papel de alguns homens importantes nesse desenvolvimento, conseguiria imaginar como seria a nossa vida sem a produção agroindustrial? Será que teríamos alimentos para os mais de sete bilhões de pessoas no mundo? Qual a importância da tecnificação na agricultura e pecuária? Legenda: Henry Ford Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 16 3. Dimensões dos processos produtivos Os processos produtivos são administrados considerando quatro dimensões: volume, variedade, variação e visibilidade. O administrador da produção deve ter em mente quais são os objetivos do seu processo produtivo para atender adequadamente cada uma dessas dimensões. Vamos agora entendê-las um pouco e como se relacionam no agronegócio. Dimensões dos processos produtivos Variedade Variação VisibilidadeVolume A dimensão volume talvez seja a mais fácil de compreender das quatro dimensões. O volume nada mais é do que a capacidade de produção de uma instalação fabril ou produtiva. ' Dica Por exemplo, o volume de produção de uma agroindústria processadora de frangos é a capacidade que essa fábrica tem de processar frangos durante um determinado período de tempo (dia, mês e ano). No agronegócio, muitos dos processos de produção estão atrelados à dimensão volume. Com a soja, por exemplo, todos os anos os produtores tentam conseguir maior produtividade por área plantada, de modo a obter maiores volumes de produção e, consequentemente, aumentar os seus lucros. Fonte: Shutterstock Essa condição faz com que seja interessante para o produtor investir em máquinas, sementes e equipamentos que aumentem o volume produzido de soja, pois seus ganhos estão ligados ao volume produzido. Gestão da Produção e Logística 17 A dimensão variedade consiste na diversidade de serviços ou produtos oferecidos por determinado tipo de produção ou operação. Se formos utilizar os serviços de uma companhia aérea que voa para 100 destinos no Brasil, teremos uma variedade considerável dentro da operação. Da mesma forma, se pudermos produzir diferentes itens numa mesma instalação produtiva, teremos uma variedade muito grande de produtos. Fonte: Shutterstock Atualmente, as agroindústrias têm procurado aumentar a variedade de suas operações, seja convertendo a soja em óleo e depois em diversos produtos, como o óleo comestível e a margarina, seja vendendo etanol e açúcar e a energia que é conseguida pela queima do bagaço da cana-de-açúcar. Para entendermos a dimensão variação, um excelente exemplo é o transporte de grãos. Como a variação consiste na diferença entre demanda máxima e mínima, essa influencia diretamente a administração da operação. Durante os períodos de safra, faltam caminhões para transportar os grãos; na entressafra, no entanto, sobram caminhões. Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 18 Então, como os transportadores lidam com essa dimensão de variação da demanda? Geralmente eles utilizam veículos multifuncionais, ou seja, que transportam diferentes tipos de carga, como é o caso do caminhão graneleiro. Legenda: Caminhão graneleiro Fonte: Shutterstock Por fim, a dimensão visibilidade refere-se a quanto uma atividade de produção ou operação é percebida pelo cliente final. Geralmente, as atividades de produção rural são pouco visíveis. d Comentário do autor Quando vamos ao supermercado, dificilmente verificamos como são criados e transportados os suínos que servem dematéria-prima para os pernis e presuntos. O mesmo ocorre dentro da agroindústria em si, nos frigoríficos e processadores. A visibilidade é muito maior no varejo, quando efetivamente o cliente tem contato com o produto. Os professores Slack, Brandon-Jones e Johnston (2013, p. 3) explicam que “as dimensões da produção têm custos e implicações para se criar produtos e serviços, onde podemos resumir que alto volume, baixa variedade, baixa variação e baixo contato ajudam a manter os custos de processamento baixos”. Assim, para sabermos o quanto a produção ou operação é eficiente, podemos avaliá-la considerando as essas quatro dimensões. Para exemplificarmos melhor, vamos ver como a produção de soja se enquadraria em termos das dimensões. Observe o quadro a seguir. Gestão da Produção e Logística 19 Quadro 1 – Comparação dimensões da produção versus produção de soja Dimensão Ideal Soja Volume Alto Alto Variedade Baixa Baixa Variação Baixa Alta Visibilidade Baixa Baixa Do ponto de vista de administração de produção, a soja é um sistema perfeito, uma vez que o volume de produção é alto, não tem quase nenhuma variedade, pois se planta soja normal ou transgênica, porém a variação de oferta é alta em razão da safra e a visibilidade perante o consumidor é baixa. Tópico 2: Sistemas de produção Agora que você aprendeu um pouco sobre a administração da produção e operações, vamos entender o que chamamos de sistemas de produção, que são essenciais para melhorar a gestão dos processos de produção no agronegócio. O objetivo é que, ao final deste tópico, você seja capaz de compreender os processos de produção, assistir o técnico em agronegócio ou o produtor nas suas atividades de gestão da propriedade rural, aplicar técnicas modernas de produção animal e vegetal e identificar custos de produção para viabilizar novos investimentos. Siga em frente e bom estudo! 1. Modelo de transformação Para entendermos um sistema de produção, precisamos compreender o conceito e o funcionamento de sistema. Gaither e Freizer (2002) indicam que o pioneiro na teoria de sistemas foi Russel Ackoff, o qual havia estabelecido que: “Um sistema é um todo que não pode ser separado sem que ocorra a perda de suas características essenciais, necessitando ser estudado como um todo.” Uma avaliação do nosso dia a dia permite afirmar que convivemos e interagimos com muitos tipos de sistemas. Por exemplo, o nosso próprio corpo é um sistema, a placa principal do computador, um refrigerador, ou seja, podemos considerar um sistema tudo aquilo que, para funcionar, precise que suas partes estejam integradas, desenvolvendo uma atividade específica. Curso Técnico em Agronegócio 20 De maneira geral podemos representar um sistema graficamente da seguinte forma: Processamento Retroalimentação SaídaEntrada Um sistema é composto de determinada entrada, um processamento e uma saída, que pode retroalimentar uma nova entrada. Exemplo Vamos exemplificar melhor. Imagine que você necessita pagar uma conta no banco, então você vai até a agência. Nesse momento, você está na entrada do sistema. Quando o caixa bancário chama para atendimento, você está na fase de processamento do sistema. Quando realiza o pagamento e finaliza a operação, você entra no estágio de saída do sistema. Agora, suponha que você esqueceu o cartão do banco e necessita voltar a sua casa. Nesse momento, você entra no processo de retroalimentação do sistema, pois precisará novamente retornar ao banco para pagar a conta, passando novamente por todo o sistema. Com base nessa ideia é que a administração da produção e operações criou o que denominamos de modelo de transformação. Esse modelo nada mais é que uma forma gráfica de representar o processo de produção por meio de um sistema, daí o nome sistema de produção. Um sistema de produção, segundo Gaither e Freizer (2002), recebe insumos na forma de materiais, pessoas, dinheiro e informação, e esses insumos são modificados formando os produtos ou serviços que desejamos. Para compreender melhor, vamos visualizar um modelo de transformação genérico. Modelo de transformação Processamento SaídaRecursos Processo de transformação Produtos e serviços Materiais Informações Clientes Instalações físicas Funcionários Gestão da Produção e Logística 21 Podemos observar pela figura anterior que tudo o que pode ser transformado ou é responsável por essa transformação é chamado de recursos. Assim, materiais, informações e clientes são recursos a serem transformados, pois se modificam no processo de transformação. Já as instalações físicas e os funcionários são os recursos transformadores, responsáveis pela transformação dos recursos no processamento. O processo de transformação, por sua vez, dá a saída de um produto ou serviço. Vamos ver alguns exemplos. Salão de beleza – recursos a serem transformados são os clientes que desejam um corte de cabelo. Recursos transformadores são o cabelereiro, o pente e a tesoura, utilizados para efetuar o corte. O processamento é o corte em si, e a saída é o cliente com o cabelo cortado, resultado do serviço executado. Montagem de um carro – recursos a serem transformados são o metal, as peças e os acessórios. Os recursos transformadores são os empregados, as máquinas e equipamentos. O processo de transformação é a montagem do carro em si. A saída é um produto denominado carro, que pode ser comercializado ao consumidor final. E, no agronegócio, como vemos o modelo de transformação? Vamos ver um exemplo de agroindústria: em uma usina de cana-de-açúcar, por exemplo, o recurso a ser transformado é a cana, os recursos transformadores são as máquinas e os empregados e as saídas são produtos como o etanol e o açúcar. ' Dica No campo podemos também verificar os sistemas, por exemplo, na produção de carne por meio da engorda: os recursos a serem transformados são os bezerros, os recursos transformadores são o vaqueiro, a ração, o pasto, as instalações da fazenda. O processo de transformação é o crescimento e a engorda do animal. A saída é o bovino pronto para ser abatido. Os sistemas de produção são, geralmente, ligados à entrada de outro sistema. No caso apresentado anteriormente, a saída do bovino pronto para o abate do sistema da fazenda fornecerá o recurso a ser transformado na entrada do sistema do frigorífico. Por essa razão, é importante criar esses modelos de transformação para entender cada sistema de produção. Com isso, você pode analisar cada operação na fazenda, na agroindústria, no mercado consumidor e tomar decisões mais adequadas quanto ao processo de produção ou operação existente. Curso Técnico em Agronegócio 22 2. Projeto de processos Os sistemas de produção são compostos essencialmente de processos e produtos. Os processos são a forma como pessoas, máquinas, equipamentos etc., combinados e utilizados para a produção de produtos e serviços. Os produtos e serviços são resultados dos processos. Processo X Produto e serviço Combinação de pessoas, máquinas e equipamentos que resulta na produção de produtos e serviços. Resultados do processo. Vamos inicialmente entender o que é projeto de processos. Imaginemos que você deseja iniciar uma criação de suínos para comercialização da carcaça com os frigoríficos da região em que mora. Certamente você precisará de galpões, divididos em baias, com corredores. Necessitará, ainda, de um sistema de alimentação dos animais, de um para lavar as pocilgas e de um de aspersão de água para os dias mais quentes, precisará de tratadores, de rampas para embarque dos suínos, entre tantos outros itens. Além disso, terá de projetar como esses suínos chegarão às baias e sairão destas. Quando estamos pensando em todas essas questões, estamos, na verdade, projetandoum processo – que, no caso, é o de produção de suínos. 3. Projeto de produtos e serviços Os professores Slack, Chambers e Johnston (2009) explicam que todos os produtos e serviços possuem um conceito, que é o entendimento da natureza, do uso e do valor do serviço e produto. Esse conceito surge do atendimento de necessidades dos clientes, que podem ser implícitas e explícitas. A necessidade implícita ocorre quando o cliente não sabe que tem essa necessidade. O desenvolvimento da telefonia móvel é um exemplo disso. O telefone celular foi criado para facilitar a comunicação pessoal, mas, no momento do seu surgimento, não havia uma demanda explícita, pois a necessidade de comunicação era devidamente atendida pela telefonia fixa. Gestão da Produção e Logística 23 Fonte: Shutterstock Nos dias atuais, percebemos uma clara necessidade por alimentos prontos devido à falta de tempo que as famílias urbanas enfrentam no seu cotidiano, preferindo alimentos fáceis e rápidos de serem preparados. A demanda explícita é a demanda clara por determinado tipo de produto, por exemplo, alimentos. Ao contrário das cadeias produtivas industriais, as cadeias produtivas agroindustriais possuem, na maior parte das vezes, uma demanda explícita. As pessoas precisam de alimentos para si e para os animais que produzem proteína, carne, leite, mel etc. ' Dica Um exemplo recente de desenvolvimento de produto a partir da produção rural são os biocombustíveis, que surgem da necessidade de uma energia, limpa e renovável, em substituição ao petróleo. Dessa forma, podemos concluir que os produtos primários do agronegócio não precisam ser inventados, pois geralmente são produzidos há muito tempo para atender a demandas explícitas da sociedade. Todavia, na sociedade contemporânea, os produtos devem estar associados a um conjunto de serviços que garanta que o produto chegue ao mercado consumidor de maneira adequada ou possa ser retornado sem transtornos ao consumidor. Nesses serviços podemos listar o transporte, a armazenagem e assistência técnica. Curso Técnico em Agronegócio 24 Exemplo Você já percebeu como o desenvolvimento agrícola, com sementes melhoradas, adubos e agroquímicos, máquinas e equipamentos, tem permitido o surgimento de produtos semi- industrializados e industrializados com alto valor agregado? Um exemplo disso é o café! O café tem o seu valor aumentado à medida que se desenvol- ve uma estratificação de seus grãos, formando misturas altamente customizadas, ou seja, adequadas aos diferentes tipos de consumidores e suas preferências. Fonte: Shutterstock Além disso, sistemas como o encapsulamento do café permitem um aumento de valor de até 70 vezes em relação ao seu preço in natura. Esses são processos pelos quais a agricultu- ra tenta gerar novos produtos e soluções que lhe permita aumentar os seus ganhos. Tópico 3: Estratégias de produção Neste tópico você estudará como são estabelecidas as estratégias de produção e de que modo afetam as empresas rurais e a agroindústria. Ao final, você será capaz de buscar alternativas de produção, identificando oportunidades de negócio, enfrentar desafios e buscar solucionar situações-problema com criatividade e inovação, avaliar mercados e analisar produtos a fim de propor estratégias inovadoras de comercialização. Siga em frente e bom estudo! Gestão da Produção e Logística 25 1. Função produção A função produção corresponde à parte das organizações que é responsável pela administração da produção. Nenhuma organização que tenha um produto ou serviço pode funcionar sem a função produção. ' Dica A função produção de uma companhia aérea consiste na operação de transporte. Já a de uma usina de cana-de-açúcar, responde pelo processo de transformação da cana em etanol e açúcar. A função produção de uma empresa de sementes é o processo de plantio, manutenção e colheita das sementes, e assim por diante. De acordo com Slack, Chambers e Johnston (2009), a função produção é essencial para as organizações porque produz bens e serviços, porém não é a única; existem também a função marketing, a função desenvolvimento de produto/serviço e as funções de apoio. 100% LEITE NATURAL LEITE LEITE LEITE LEITE LEITE Fonte: Shutterstock A função marketing é responsável por apresentar os produtos aos mercados e comercializá- los. No caso da empresa de sementes, é responsável por produzir sementes modificadas geneticamente – por exemplo, apresenta aos produtores e às empresas de produção de grãos as vantagens da semente transgênica e as comercializam entre os interessados. A função desenvolvimento de produto e serviço cria novos produtos e serviços de modo a gerar solicitações futuras de consumidores. Tratando-se da empresa de sementes, por exemplo, quando esta lança um novo tipo de semente modificada, ela está criando um novo produto ou serviço. Curso Técnico em Agronegócio 26 As funções de apoio envolvem funções que dão suporte à produção, como recursos humanos, serviços financeiros e contábeis. 2. Objetivos da produção Para determinar qual o tipo de arranjo mais adequado ao seu processo produtivo, é preciso estabelecer qual o seu objetivo de produção. Segundo Slack, Chambers e Johnston (2009), os objetivos de produção são cinco: Qualidade Velocidade Confiabilidade Flexibilidade Custo A qualidade refere-se à ausência de erros ou vício de fabricação. Na produção agropecuária podemos desejar determinadas condições como certo grau de umidade nos grãos ou eliminação de escoriações na carcaça dos animais. O projeto de processo deve ser capaz de oferecer recursos para atender a essas especificações de qualidade. Para o objetivo de velocidade do processo, devemos projetá-lo de modo a estabelecer um tempo mínimo de processamento e uma taxa de saída adequada à demanda envolvida. Para o objetivo da confiabilidade da produção, precisamos garantir que os produtos sejam produzidos e entregues dentro dos tempos esperados. Assim, é necessário projetar o processo com recursos confiáveis e que permitam um volume de saída confiável e dentro do esperado pela demanda. A flexibilidade consiste em ter capacidade de mudar o tipo de produto utilizando o mesmo processo com pouca perda de tempo ou alterar o processo para a produção do mesmo produto, sem perda de qualidade. Por fim, para o objetivo custo, devemos deixar o processo produtivo o mais enxuto possível, sem desperdícios de capacidade, atrasos no processamento, erros e entradas de matérias- primas inadequadas. Para melhor entendimento, vamos pensar na produção de soja e ver como se comportaria de acordo com os objetivos da produção. Veja o quadro seguinte.Fonte: Shutterstock Gestão da Produção e Logística 27 Quadro 2 – Objetivos de produção no contexto do agronegócio Objetivo de produção Produção de soja Qualidade O processo de produção e colheita deveria ser capaz de atender as características de qualidade da soja, como taxa de umidade, taxa de impureza, avarias, propriedades do grão. Velocidade O processo deveria ser capaz de processar a soja em ciclos cada vez mais curtos entre o plantio e o consumo Confiabilidade O processo deveria garantir que a produção de soja seja entregue nas quantidades contratadas e no tempo estabelecido, com a classificação e as propriedades contratadas. Flexibilidade O processo deveria garantir a produção de diversos tipos de grãos de soja de acordo com a demanda, bem como plantações complementares, como o milho. Custo O processo deveria garantir que a produção de soja custasse o menos possível, com eliminação de perdas e desperdícios, reduzindo os custos de produção. Exemplo Fonte: Shutterstock Para você compreender ainda melhor essa questão dos objetivos da produção, vamos analisaro caso do frango. A avicul- tura de corte sempre foi um dos principais produtos agropecuários produzidos na re- gião Sul do Brasil. Entretanto, nos últimos anos, temos observado uma migração para outras regiões, como a região Cen- tro-Oeste. Segundo o Embrapa (2013), as principais microrregiões produtoras de carne de frango estão no Centro-Sul (Chapecó, To- ledo, Concórdia, Passo Fundo, sudoeste de Goiás e Alto Teles Pires). O restante da Curso Técnico em Agronegócio 28 produção está dividido entre as cidades de Caixas do Sul, Lajeado-Estrela, Cascavel, Londri- na, Joaçaba, Dourados e Brasília. Assim, o sudoeste de Goiás, Dourados e Brasília estão entre as microrregiões maiores produ- toras e todas se localizam na região Centro-Oeste. A explicação para essa mudança geográfica da produção está no que você acabou de apreender, ou seja, nos objetivos de produção. A carne de frango tem um baixo valor de comercialização, por isso seu objetivo de produção é a redução máxima de custo – precisa ter custos baixos de produção para conseguir obter lucro. Como o preço do milho, principal insumo da produção de frangos, é menor na região Centro- Oeste, a produção vem se deslocando para a região, que é grande produtora de milho, buscando reduzir o principal custo de produção para manter a competitividade. 3. Aplicação das estratégias de produção A estratégia da função produção tem papel importante na implementação da estratégia empresarial, visto que é o grande impulsionador de todo o comércio envolvido com o produto ou serviço oferecido. Os produtores brasileiros podem querer vender sua produção de soja para os chineses, mas se, por alguma razão, natural ou não, não tiverem a soja produzida para entregar na data combinada, sofrem as sanções do contrato e podem ter de fazer pagamento de indenizações. ` Atenção Infelizmente, na agricultura brasileira é muito comum vender a produção antes mesmo do plantio (mercado futuro). Essa estratégia é arriscada, pois não leva em conta a função produção, e sim projeções mercadológicas. A estratégia da função produção pode apoiar a estratégia empresarial. Uma organização produtora de milho pode desejar fornecer um milho de alta qualidade a preços mais baixos. Para isso, necessita conseguir reduzir os riscos de pragas e os efeitos do clima e aumentar a produtividade da terra. Portanto, precisa de uma função produção que apoie a estratégia empresarial. Se a empresa não possui os equipamentos necessários, a equipe técnica adequada, sementes melhoradas, dados de estações meteorológicas da região e um estudo da região de produção, certamente a estratégia da função produção não conseguirá apoiar a estratégia empresarial e a empresa caíra em descrédito perante o mercado. As ações estratégicas da produção, segundo Slack, Chambers e Johnston (2009), são adotadas a partir de quatro perspectivas. Gestão da Produção e Logística 29 Estratégias de produção Baseadas em recursos Baseadas no mercado De cima para baixo Estratégia de produção De baixo para cima As estratégias de produção podem ser estabelecidas de baixo para cima quando a função produção é tão importante para organização que define a estratégia de comercialização adotada. ' Dica A produção de pernil artesanal, por exemplo, é composta de uma técnica toda especial, desde a criação do suíno até o processo de abate, salgamento e armazenagem, que dura em média quatro anos. A estratégia de produção aqui é tão importante que define como será comercializado o pernil. Nesse caso, não é possível modificar o processo produtivo e nem o tempo de armazenagem, porque são diretamente responsáveis pelo resultado final do produto e seu resultado comercial. As estratégias de produção podem ser estabelecidas de cima para baixo quando a direção da empresa toma as decisões que devem ser acatadas pela função produção. ' Dica As usinas de etanol, por exemplo, têm adotado uma estratégia de diversificação da matéria-prima utilizada na produção de etanol. Curso Técnico em Agronegócio 30 Devido à entressafra da cana-de-açúcar, que pode deixar uma usina parada por até quatro meses, uma decisão da direção das usinas pode flexibilizar o processo produtivo para produzir o etanol também a partir do milho, usando a mesma estrutura produtiva. Essa é uma típica decisão de cima para baixo, na qual a produção tem de se adaptar às estratégias empresariais adotadas. As estratégias de produção podem ser estabelecidas baseadas em recursos. ' Dica Um exemplo são as fazendas de produção de soja na região de Mato Grosso: na entressafra plantam milho ou algodão. Isso acontece porque essas plantas são de ciclos curtos e não interferem no ciclo de produção da soja, que é o produto principal; ou seja, a decisão é baseada na capacidade dos recursos, que, no caso apresentado, é a disponibilidade de terra para cultivo por um curto período. As estratégias de produção podem, ainda, ser estabelecidas com base no mercado. Nesse tipo de estratégia de produção, são produzidos os itens que o mercado demanda. ' Dica Alguns povos do Oriente Médio, por exemplo, demandam produtos que devem seguir preceitos religiosos. As aves não devem sofrer no abate, e o sangue precisa ser drenado por meio de lavagem e salgamento. Assim, produtores de aves adaptam sua produção para atender uma necessidade de um mercado que pode ser bem rentável. Nesse caso, a estratégia de produção foi baseada no mercado. Encerramento do tema Neste tema estudamos os principais conceitos de produção, seus objetivos e suas estratégias. Agora, é possível compreender o quão importante a função produção é para as organizações e como influencia no desenvolvimento de suas estratégias, inclusive no agronegócio. Dessa forma, conseguimos alcançar os objetivos de expor e exemplificar o funcionamento dos sistemas de produção rural. c Leitura complementar No seu material complementar, você poderá ver como funciona uma usina de açúcar e etanol. Procure relacionar os conceitos e exemplos que apresentamos neste tema com as atividades na usina. Gestão da Produção e Logística 31 No próximo tópico, vamos entender como funciona o planejamento e controle da função produção e por que essa atividade é tão importante para as empresas, inclusive aquelas ligadas ao agronegócio. Siga em frente e bom estudo! Atividades de aprendizagem 1. Para que serve a administração da produção em uma fazenda produtora de trigo? a) Para determinar quais são os melhores mercados para comercializar o trigo. b) Para manter os registros da quantidade de horas que os empregados trabalharam, para pagamento de horas extras. c) Para negociar com as agroindústrias compradoras de trigo. d) Para gerenciar as atividades da fazenda que envolvem plantio, manutenção, colheita, uso de equipamentos e empregados. e) Para tornar a empresa mais competitiva. 2. Se você fosse contratado para gerenciar a produção de uma usina de açúcar e etanol, como você consideraria as dimensões da produção volume, variedade, variação e visibilidade da usina? a) Volume alto, variedade baixa, variação alta e visibilidade baixa. b) Volume baixo, variedade alta, variação baixa e visibilidade alta. c) Volume baixo, variedade baixa, variação baixa e visibilidade baixa. d) Volume alto, variedade alta, variação alta e visibilidade alta. e) Volume alto, variedade baixa, variação baixa e visibilidade baixa. Curso Técnico em Agronegócio 32 3. Uma empresa agroindustrial de presuntos decidiu que, a partir do próximo ano, irá comercializar um produto com baixo teor de gordura. Para tanto, exige-se uma melhoria no processo de fabricação do presunto e a criação de um suíno diferenciado, com uma ração especial. Da perspectiva de produção, você considera quea estratégia de produção que está sendo estabelecida é: a) de baixo para cima. b) baseada em recursos. c) de cima para baixo. d) baseada no mercado. e) um mix de todas as anteriores. 4. A agroindústria depende de duas variáveis importantes para funcionar, que envolvem a matéria-prima a ser processada e os insumos para processar a matéria-prima. O mesmo ocorre na produção agrícola. Veja se entendeu as diferenças abaixo indicando I para insumo e M para matéria-prima e escolha alternativa que classifica todas corretamente. ( (( Luz ( (( Fertilizante ( (( Semente ( (( Água a) I, I, I, M b) M, I, I, I c) M, M, M, I d) I, I, I, M e) I, I, M, I 5. Sobre processos, escolha a alternativa correta. a) Consistem em adaptar algo as preferências do usuário. b) Referem-se a quanto uma atividade de produção ou operação é percebida pelo cliente final. c) São a forma como pessoas, máquinas, equipamentos etc. são combinados e utilizados para a produção de produtos e/ou serviços d) São todos os produtos e serviços que possuem um conceito que é o entendimento da natureza, do uso e do valor do serviço e produto. e) São elementos que entram na produção de mercadorias ou serviços. Planejamento e controle da produção (PCP) 02 Curso Técnico em Agronegócio 34 Tema 2: Planejamento e controle da produção (PCP) No Tema 1 aprendemos os conceitos básicos sobre administração da produção. Neste novo tema que se inicia, vamos conhecer como se planeja a produção e de que modo devemos controlá-la. Você já parou para pensar onde quer estar daqui a cinco ou dez anos? Pretende ter uma renda melhor, estar aposentado, ter seu próprio negócio? O planejamento é fundamental para tudo o que fazemos, e nas organizações isso não é diferente. Planejar consiste em estabelecer objetivos que queremos alcançar e indicar de que modo faremos isso. Já controlar serve para verificar se as coisas estão acontecendo de acordo com o planejado. Ambos são fundamentais para toda e qualquer pessoa ou empresa, seja esta última de varejo, fabricação ou produção agrícola. Neste tema você aprenderá a elaborar planejamento considerando os processos de execução, controle e avaliação. Saberá como assistir o produtor nas suas atividades de gestão da propriedade rural. Fonte: Shutterstock Gestão da Produção e Logística 35 Aprenderá também como utilizar os conhecimentos da matemática básica, financeira e contábil nas atividades de comercialização, produção e gestão. Você irá identificar custos de produção para viabilizar novos investimentos. Por fim, saberá como aplicar o raciocínio lógico- matemático nas diferentes atividades de gestão: cálculo, análise, informática, dentre outros. Siga em frente e bom estudo! Tópico 1: A função do planejamento e controle Neste primeiro tópico você compreenderá a natureza da função do planejamento e controle e suas diferenças. Entenderá como o suprimento e a demanda afetam o processo de planejamento e controle. Além disso, verá mais detalhadamente as atividades de planejamento e como influem na gestão da produção agrícola e pecuária. Ao final deste tópico, você será capaz de elaborar um planejamento considerando os processos de execução, controle e avaliação e de assistir o técnico em agronegócio ou o produtor nas suas atividades de gestão da propriedade rural. Siga em frente e bom estudo! 1. O que é o planejamento e controle da produção? O planejamento e controle são atividades essenciais, seja na indústria, na agroindústria ou na fazenda. Toda e qualquer operação precisa ser planejada e controlada para ter sucesso e permitir que as organizações obtenham os resultados desejados. Para exemplificar, pense em uma fazenda que comercializa suínos e bovinos para frigoríficos na região Centro-Oeste e Sudeste. A produção de suínos é feita em alguns galpões, próximos uns aos outros, com ligações internas. Já os bovinos são criados na pastagem e, no processo final de engorda, ficam em um espaço de confinamento. Fonte: Shutterstock A gestão do processo de produção é feita pelos zootecnistas, que, além de cuidarem da produção, devem vender os animais para os frigoríficos. A saúde dos animais é controlada pelos médicos veterinários; e o trabalho operacional, por trabalhadores contratados. Além Curso Técnico em Agronegócio 36 disso, existe o pessoal que trabalha com as operações de gestão da fazenda, como compra de insumos, controle dos veículos de transporte, saída dos animais etc. Entre as atividades da fazenda, estão as transferências dos animais entre os diversos estágios de produção (maternidade, creche, terminação), embarques dos animais para o abate, limpeza das baias de suínos e da área de confinamento de bovinos, divisão do trabalho em turnos entre os trabalhadores e rotação dos empregados no caso de ausências, programação dos embarques e movimentações, conferência de entrada de insumos e saída de animais. ` Atenção Essas atividades são algumas entre tantas que servem para a administração da produção agropecuária. Da mesma forma que na fazenda do exemplo, milhares de outras têm de lidar todos os dias com um conjunto enorme de decisões, planejar as atividades futuras e controlar para que tudo ocorra de acordo com o planejado. Agora que você percebeu a importância do planejamento e controle por meio do exemplo, vamos entender melhor os seus conceitos. Os professores Slack, Brandon-Jones e Johnston (2013, p. 214) explicam que “planejamento e controle dizem respeito à conciliação entre o que o mercado requer e o que os recursos de operação podem fornecer”. Concluem, ainda, que “as atividades de planejamento e controle fornecem os sistemas, os procedimentos e as decisões que mostram os diferentes aspectos do suprimento e demanda” (SLACK; BRANDON- JONES; JOHNSTON, 2013, p. 214). Mas como podemos definir o que é planejamento? Planejar é entender como a consideração conjunta da situação presente e da visão de futuro influencia as decisões tomadas no presente para que se atinjam determinados objetivos futuros. Planejar é projetar o futuro diferentemente do passado, por causas sob nosso controle (CORRÊA; CORRÊA, 2004). O planejamento, então, pode ser visto como uma visão de futuro que se pretende alcançar. Esse planejamento pode ser dividido no curto, médio e longo prazo. Planejamento de curto prazo É aquele cujas decisões têm efeito direto no processo produtivo e consistem em ações que serão executadas no curto prazo, como programar a produção da próxima semana, quinzena ou mês. Como exemplo, pense em um frigorífico que define que em determinada semana fará abate de suínos e que na semana seguinte somente de bovinos; o que está sendo feito é o plano de ação ou o planejamento de curto prazo. Gestão da Produção e Logística 37 Planejamento de médio prazo Abrange decisões mais intermediárias, com períodos maiores que o planejamento de curto prazo, geralmente ações que envolvem de um semestre até um ano. Nesse caso, um exemplo pode ser o de determinar os meses em que a produção irá parar para manutenção de equipamentos, processos que serão modificados ou melhorados. Planejamento de longo prazo Envolve ações que afetam as empresas num período acima de um ano, sendo geralmente dividido por etapas, como três, cinco ou dez anos. A decisão de uma agroindústria de ampliar sua capacidade de produção ou de uma fazenda que deseja inserir uma nova cultura produtiva são exemplos de planejamento de longo prazo. Qual a diferença entre planejar e controlar? Veja na próxima caixa de destaque. d Comentário do autor Então, podemos compreender que planejamento é a formalização do que se pretende que aconteça em determinado momento no futuro e controle é o processo de lidar com variações que podem levar os planos decurto prazo a serem refeitos. Para facilitar seu entendimento, pense que planejamento é uma programação que se pretende que aconteça. Por exemplo, ao fazer o plantio da soja em agosto/setembro, temos a expectativa de colhê-la entre janeiro e março do ano seguinte. Entretanto, se não ocorrerem chuvas para o plantio, temos de realizar ajustes no planejamento de curto prazo, pois provavelmente teremos contratos de entrega futura a serem prorrogados. Essa correção no planejamento só é possível se tivermos a atividade sob controle. Assim, podemos concluir que, no agronegócio, o planejamento é tudo que fazemos em relação a estabelecer um processo de plantio, colheita e entrega. Já o controle serve para verificar se conseguiremos atingir o planejado ou não. Atualmente, as grandes empresas que atuam no ramo de produção rural têm um planejamento e controle da produção rigorosos para evitar quebras ao longo da cadeia de suprimentos, conforme você estudará a seguir. c Leitura complementar Para saber mais sobre o planejamento e controle e sua importância para o agronegócio, estude o item 2 do material complementar. Curso Técnico em Agronegócio 38 2. Suprimento e demanda Todas as atividades de produção dependem do fluxo de suprimento e demanda para operarem. A finalidade de um produto qualquer é a de atender uma demanda do consumidor, que, como vimos anteriormente, pode ser implícita ou explícita. Se produzirmos acima da demanda, formaremos estoques. Se produzirmos abaixo da demanda, não atenderemos os clientes e perderemos faturamento. Esses dois fatores precisam ser balanceados para alcançarmos resultados positivos. Exemplo Imagine que você necessite organizar uma festa, em que muitas questões de planejamento e controle precisam ser determinadas, como número de convidados, bebidas necessárias, quantidade de salgados, de pessoas para servir durante a festa, quais entretenimentos serão disponibilizados aos convidados, como eles serão recebidos e acomodados, quais músicas tocar, entre outros. Fonte: Shutterstock Evidentemente, no dia do evento poderão ocorrer problemas, como excesso de convidados, falta de comida e bebidas, algum dos entretenimentos não aparecer como combinado e surgirem diversos outros transtornos que, muitas vezes, podem ser irreparáveis para o sucesso da festa. Realmente, um gerente de produção e operações deve ter em conta que o planejamento e controle é algo muito sério e que a sua função básica consiste em conseguir regular suprimento e demanda de maneira equilibrada. Gestão da Produção e Logística 39 Se um produtor rural plantar uma área extensa de milho e a safra mundial for muito grande, ele perderá dinheiro, porque a oferta será maior que a demanda e os preços da commodity cairão. Contrariamente, se a oferta internacional for baixa, certamente terá uma boa lucratividade, pela escassez do produto no mercado e pelo consequente aumento de preços. Por que essas coisas acontecem? Simplesmente porque coordenar oferta e demanda é uma atividade difícil que necessita de muito planejamento e controle. A demanda pode ser vista a partir de alguns aspectos: Demanda dependente Aquela gerada a partir do histórico de produção que temos. A demanda de caminhões necessárias na safra de grãos pode ser calculada mediante a previsão de colheita esperada. Demanda independente Aquela que não depende de nenhum fator histórico, e sim apenas da previsão do planejador da produção. Uma agroindústria que crie um novo tipo de suco sem igual no mercado não tem como prever quanto desse suco conseguiria vender no varejo. Nesse caso, a demanda é independente e o sucesso da estratégia depende da experiência do planejador que fará a previsão de consumo e fabricação. Demanda conhecida Aquela gerada a partir dos pedidos dos clientes. No ramo industrial, é muito comum empresas que produzem seus produtos sob encomenda. Já na agricultura e pecuária, isso não é tão comum, pois são produções de ciclo longo. 3. Atividades de planejamento Para fazer o planejamento da produção, a primeira condição é saber qual o tipo de produção que a organização executa ou irá executar. A produção é para estoque? É sob encomenda? Siga em frente para conhecer os tipos de produção. Produzir para estoque consiste na produção em grandes quantidades e no estoque em armazéns para entrega conforme o surgimento da demanda. Os produtos do agronegócio seguem muito essa tendência, daí a necessidade de áreas de armazenagem, que, às vezes, são escassas. Curso Técnico em Agronegócio 40 ' Dica Por exemplo, imagine que uma fabricante de sementes de soja compra os insumos, programa a produção, semeia, colhe, processa, ensaca e envia para o varejo. Todos esses processos ocorrem antes de o cliente fazer o pedido. Nesse caso, o tempo de fazer é máximo e o tempo de demanda é mínimo. Os custos do estoque são todos da empresa, e, se a semente estragar porque não vendeu, a sementeira assume o prejuízo. Produzir sob encomenda significa que a produção só será entregue após a encomenda do cliente. Um frigorífico pode abater os suínos apenas depois da entrada do pedido do cliente, indicando a quantidade de carcaças que deseja comprar. ' Dica Aqui o tempo de demanda ocorre no início da produção, quando as empresas já possuem os recursos, porém eles não foram processados. Obter recursos sob encomenda é o ciclo máximo entre tempo de demanda (pedido) e tempo de fazer (execução). Nessa situação, usando ainda o exemplo do frigorífico, este só vai obter os suínos para abate depois do pedido do cliente. No caso anterior, o frigorífico já tinha um pedido de suínos que seriam processados e direcionou para o cliente. ' Dica Neste caso, o frigorífico irá adquirir os suínos com o produtor rural após o pedido do cliente. Assim, dentro do planejamento de produção, uma das atividades é regular o tempo de demanda com o tempo de fazer. E essa atividade é chamada de determinação do tempo de atravessamento. As atividades de planejamento e controle da produção são: Carregamento da produção Consiste em alocar os recursos de acordo com a operação a ser realizada. Por exemplo, para semear um campo, precisamos alocar máquinas e homens, pois esses recursos estarão ocupados por um espaço de tempo. Para estabelecer o tempo de carregamento, devemos dividir o tempo de produção necessário pelo número de horas diárias que as máquinas e os homens estarão disponíveis. Gestão da Produção e Logística 41 Sequenciamento Toda atividade de produção tem uma sequência de operações que deve ser seguida para gerar o produto final. Assim, para um produto agrícola, geralmente a sequência é a preparação do solo, o plantio, a manutenção, a colheita, a distribuição. Programação Depois de sequenciada a produção é necessário efetuar a programação detalhada, indicando os movimentos e os tempos de início e final. Algumas características importantes da programação. Monitoramento e controle da operação Depois de estabelecido o carregamento, o sequenciamento e a programação, a operação precisa ser monitorada e controlada. Assim, deve ser comparado o programado com o que está sendo executado para garantir que os prazos serão atendidos. Monitoramento e controle da produção Replanejar Controle Entrada Processamento Saída Fonte: Slack, Brandon-Jones, Johnston (2013). c Leitura complementar Para saber mais sobre as atividades de planejamento para suprimento e demanda, estude o conceito de tambor e pulmão no material complementar, item 2. Tópico 2: Planejamento e controle da capacidade O planejamento e controle da capacidade de produção é fundamental para uma organização conseguir avaliar sua capacidade de atender a demanda e calcular a sustentabilidade do negócio. Na produção agrícolaisso nem sempre é levado em conta no momento da produção e o resultado são diversos gargalos de armazenagem, transporte, portos etc. Outro problema oriundo da falta de planejamento da capacidade é a redução dos lucros por perdas e excesso de produção no mercado. Neste tópico vamos conhecer os conceitos fundamentais do planejamento e controle da capa- cidade e como fazer esse planejamento. Ao final, você será capar de utilizar os conhecimentos Curso Técnico em Agronegócio 42 da matemática básica, financeira e contábil nas atividades de comercialização, produção e gestão, assim como identificar custos de produção para viabilizar novos investimentos. Siga em frente e bom estudo! 1. Conceitos de capacidade de produção Slack, Chambers e Johnston (2009) estabelecem que o “planejamento e controle da capacidade é a tarefa de determinar à capacidade efetiva da operação produtiva, de forma que ela possa responder pela demanda”. Desse modo, podemos entender que toda organização deve identificar qual a sua capacidade produtiva mediante as estruturas disponíveis. Em uma indústria isso é mais fácil, pois depende da capacidade das máquinas e dos equipamentos instalados, bem como da área. Na produção agrícola, a restrição à capacidade atualmente está condicionada, em especial, ao tamanho da área. Além disso, como iremos discutir, a produção agrícola tem muitos gargalos logísticos. J Reflexão A capacidade de produção agrícola está atrelada a fatores como área, infraestrutura viária, transporte, áreas de armazenagem. Entretanto, essas diversas atividades estão vinculadas a setores diferentes, como produtores rurais, transportadores, governo, associações, cooperativas, empresas de comercialização. Como você acha que essas empresas deveriam lidar com o planejamento e controle da capacidade da produção agrícola brasileira? Os objetivos do planejamento e controle de capacidade podem afetar os custos e as receitas, o capital de giro, a qualidade e a confiabilidade. Veja a seguir como o planejamento e controle interferem nesses fatores. Custos e receitas – a capacidade produtiva deve estar alinhada à demanda existente do mercado consumidor. Portanto, produzir mais do que o que pode ser vendido resulta em estoques e queda de preços. Ao contrário, produzindo abaixo da capacidade, você tem custos de subutilização de mão de obra, equipamentos e uso da estrutura, o que aumenta o custo do produto e reduz a competitividade. É o chamado custo de oportunidade. Custo de oportunidade Consiste no custo econômico que temos quando optamos por determinada ação, e não por outras. O retorno que dariam as atividades não realizadas com os recursos é o custo de oportunidade, ou seja, são as oportunidades perdidas por aplicar os recursos no seu negócio. Gestão da Produção e Logística 43 Exemplo Imagine que você decida cursar uma faculdade. O seu custo de oportunidade consiste em tudo que você terá de abrir mão para fazer o curso de graduação, como: o dinheiro pago pelas mensalidades, o tempo não despendido com a família, o valor que poderia ganhar se estivesse trabalhando nas horas que está estudando, os juros que deixou de ganhar se tivesse aplicado o dinheiro. Tudo isso compõe o seu custo de oportunidade por estudar. Capital de giro – uma das soluções para coordenar a oferta e demanda é produzir para estoque. A lógica é que se mantém, ao longo do tempo, a mesma produção, produzindo para estoque no período de baixa demanda, que servirá para cobrir o período de alta demanda. Entretanto, produzir para estoque indica que a empresa deve financiar a produção e, portanto, precisa de capital de giro. Fonte: Shutterstock Qualidade – o planejamento da capacidade também pode afetar a qualidade de bens e serviços. Para produzir mais, precisa contratar funcionários temporários, que, pela falta de experiência, podem afetar a qualidade dos itens. ` Atenção Máquinas e equipamentos produzindo por muitas horas seguidas também podem interferir na qualidade do que está sendo produzido. Confiabilidade – é afetada pelo alto uso de capacidade. Quanto mais a produção estiver próximo da capacidade, menor a margem para eventuais paradas destinadas a manutenção, o que afeta a confiabilidade de que o produto será entregue no prazo. Curso Técnico em Agronegócio 44 Etapas para gestão da capacidade A seguir, confira as etapas para a gestão da capacidade. Etapa 1 - Medir a demanda e a capacidade agregada Etapa 2 - Identificar os planos de capacidade alternativos Etapa 3 - Escolher o plano de capacidade adequado Tempo Estimativa da capacidade atual Pr od uç ão a gr eg ad a Etapas para gestão da capacidade Previsão da demanda Fonte: Slack, Brandon-Jones, Johnston (2013). A gestão da capacidade depende de uma sequência de decisões. Quando precisamos lidar com o planejamento da capacidade, a primeira etapa é entender os números referentes à demanda, se teremos mercado para nossos produtos. ' Dica Numa produção agrícola, o primeiro passo seria verificar se vamos ter demanda para o milho que pretendemos plantar, por exemplo, e o quão confiáveis são esses números. A segunda etapa é verificarmos se conseguiremos ter planos alternativos que podem ser adotados em caso de flutuação da demanda. Se produzirmos demais, teremos onde estocar o milho caso a demanda flutue para baixo? Desse modo, estamos validando se temos condições de soluções alternativas se necessário. Na terceira etapa escolheremos o plano de capacidade que iremos adotar, o quanto produziremos. A seguir vamos aprender como fazer o planejamento da capacidade. Gestão da Produção e Logística 45 2. Como planejar a capacidade de produção? Como vimos anteriormente, para planejarmos a capacidade, devemos, em primeiro lugar, determinar a demanda e a capacidade produtiva. A demanda precisa ser calculada em valores que são mensuráveis para a produção; não adianta saber quantos milhões de reais venderei de soja, e sim quantas toneladas poderão ser vendidas. ` Atenção A demanda deve ser o mais precisa possível, para evitar excesso de carga de produção, ou seja, alocação de mais máquinas, empregados e área do que necessário. Outro fator que pode interferir no planejamento da capacidade é a flutuação da demanda. Para alguns produtos a demanda é constante, porém, para outros setores é flutuante, o que dificulta o processo de planejamento. A sazonalidade também é um fator importante para o planejamento da capacidade. Ela interfere tanto na demanda como no suprimento. Assim, alguns produtos têm períodos de produção altos e outros de escassez, bem como a demanda também. d Comentário do autor Para facilitar seu entendimento, vamos pensar sobre o caso dos famosos ovos de chocolate comercializados na Páscoa. Eles têm uma demanda sazonal, ou seja, só são vendidos durante um curto período de tempo. Essa sazonalidade interfere diretamente no planejamento da capacidade de uma indústria de chocolates, tendo de dimensionar a produção e os estoques que serão demandados no curto período sazonal. Na agricultura também encontramos sazona- lidade na produção. A soja é plantada em um período e colhida em outro; o milho, o café etc. seguem esse mesmo ciclo. Desse modo, uma usina de açúcar e etanol, como vimos anteriormente, tem um período de produção sazonal de cana-de-açúcar que influencia nos períodos de safra com preços menores para o combustível e os alimentos. A demanda, como podemos perceber, não é uma variável simples de calcular; depende de fatores externos inerentes ao perfil de con- Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 46 sumo. Entretanto, um gestor de produção precisa tomar decisões com base na demanda estimada e na sua capacidade produtiva. Oestabelecimento da capacidade produtiva depende do mix de atividades, do tempo disponível de mão de obra e de máquinas e equipamentos. Num transporte de passageiros, calculamos a capacidade em passageiros/hora; num hospital, em pacientes/médicos/hora; num processo de fabricação, em produtos/hora, e assim por diante. j Atividade prática Calculando a capacidade I: Um frigorífico de frangos pode produzir frangos inteiros, cortes ou miúdos para comercialização. O processamento de um frango inteiro consiste no abate, na limpeza, no corte dos pés, na retirada de miúdos e na embalagem, o que pode ser feito em dez minutos. Já o frango em cortes exige 20 minutos, pois as partes precisam ser cortadas e embaladas separadamente de acordo com o tipo de produto (peito, coxa, asa etc.). O departamento de vendas informou que os cortes vendem duas vezes mais do que o frango inteiro. Portanto, temos a proporção de produção de 1:2 (um frango inteiro para dois frangos em cortes). O gerente de produção, com base nesses dados, pretende organizar sua produção de oito horas. Qual a capacidade produtiva de frangos inteiros e em cortes? O primeiro passo consiste em calcular o tempo de produção na proporção da demanda: tempo de produção = (1 × 10) + (2 × 20) = 50 minutos Desse modo, sabemos que, para produzir três unidades de acordo com a proporção da demanda apresentada, o tempo é de 50 minutos por ciclo (é importante observar que estamos considerando o corte como apenas uma unidade, ou seja, como se todos os cortes do frango fossem uma única peça, para efeito de capacidade de produção). Se sabemos que a jornada é de oito horas, logo temos: capacidade de produção = (8 x 60 minutos) 50 x 3 = 28,8 = unidades/dia[ ] Isso significa que o frigorífico tem capacidade de produzir 28,8 unidades/dia, somando frangos inteiro e cortes. Caso queira saber a produção em uma semana, considerando uma jornada de trabalho de cinco dias, o cálculo seria: 28,5 × 5 = 142,5 unidades/semana Gestão da Produção e Logística 47 É importante diferenciarmos agora que, para o gestor de produção, existem três tipos de capacidade: a efetiva, a de projeto e a real de produção. A capacidade de projeto é aquela estabelecida no momento do planejamento da planta de produção. Definimos a quantidade de máquinas e equipamentos, bem como a mão de obra desejada para produzir determinada quantidade máxima que esses bens e essas pessoas podem produzir. Contudo, todo equipamento necessita de manutenção e paradas técnicas de ajustes e alteração do processo. Essas perdas por paradas técnicas independem do gerente de produção; portanto, quando deduzidos os tempos dessas paradas, temos a capacidade efetiva da instalação. Evidentemente, alguns outros problemas podem ocorrer, como falta de empregado, quebra da máquina, problemas de qualidade. Quando essas perdas são descontadas da capacidade efetiva, o que nos sobra é capacidade real de produção. Essas três variáveis podem ser descritas por meio do cálculo de utilização e eficiência do sistema. j Atividade prática Calculando a capacidade II: utilização e eficiência Suponha que uma usina de açúcar e etanol tem capacidade de projeto de 10 mil litros de etanol por hora e que a produção trabalhe 7 dias por semana e 16 horas por dia (7 x 16 = 112 horas/semana). Para calcular a capacidade de projeto, temos: capacidade de projeto = 10.000 × 16 × 7 = 1.120.000 de litros por semana Agora suponha que, durante a semana, a usina ficou parada 10 horas para manutenção, houve investigação por falhas de qualidade em mais 12 horas e interrupção de mais 10 horas na produção do etanol para produção de outros produtos. Isso alterou a capacidade efetiva: capacidade efetiva = 112 - 10 = 102 horas capacidade real de produção = 112 - 12 - 10 - 10 = 80 horas ... Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 48 j Logo: 10.000 × 80 = 800.000 litros por semana Desse modo, podemos calcular a utilização: utilização = volume de produção real / capacidade de projeto utilização= 800.000 1.120.000 = 0,71 = 71% E a eficiência: eficiência = volume de produção real / capacidade efetiva utilização= 800.000 (102 x 10.000) = 0,784 = 78,4% Tópico 3: Planejamento e controle de estoque Agora que você entendeu o que é o planejamento e controle da produção e aprendeu como calcular a capacidade de uma planta de produção, vamos estudar um pouco os estoques, que, como vimos, têm o papel de regular oferta e demanda e manter o fluxo nas operações, mesmo com a existência de gargalos de produção. Ao final deste tópico, você será capaz de aplicar o raciocínio lógico-matemático nas diferentes atividades de gestão: cálculo, análise, informática, entre outros. Siga em frente e bom estudo! 1. Conceito de estoque Imagine que você tenha acordado cedo para capinar o jardim. Trabalha sob sol forte até o meio-dia, quando decide ir almoçar. Entra em casa todo feliz, abre a geladeira e descobre que não tem nada. Olha a despensa, e o cenário é o mesmo. Antes que entre em desespero, a primeira solução é ligar para um restaurante e pedir comida ou, se preferir, ir até um. Existe também a solução de ir até o supermercado e comprar novos alimentos. Agora, todo o problema poderia ser facilmente resolvido se tivesse guardado temporariamente alguns alimentos na sua despensa e na geladeira ou planejado a reposição da despensa antes de acabarem os mantimentos existentes. Assim, podemos concluir que é fundamental o estoque de materiais para manutenção do fluxo de produção e consumo. Precisamos de alimentos guardados para poder preparar o almoço, o supermercado precisa de alimentos estocados para repor nas prateleiras; nós, para repor nossas despensas. Os fornecedores dos supermercados devem ter produtos estocados para atender rapidamente a esses estabelecimentos. Gestão da Produção e Logística 49 Imagine o caos que seria se, toda vez que precisássemos de deter- minado alimento, tivéssemos de encomendá-lo ao supermercado e este, por sua vez, somente então encomendar ao seu fornecedor. Para evitar essas falhas é que os sistemas dependem de estoques. Estoques nada mais são do que a guarda temporária de produtos. Na produção eles estão espalhados por diversas operações. Se eles forem grandes demais, trarão risco para empresa por excesso de capital investido parado e risco de ficarem ultrapassados. Se faltarem, colocarão em risco toda a operação da empresa e levarão à perda de clientes. Uma boa definição de estoques é dada por Slack, Brandon-Jones e Johnston (2013, p. 188): “Estoque é a cumulação armazenada de recursos materiais em um sistema de transformação.” Assim, todo sistema pode ser visto como um modelo de transformação, ou sistema de transformação, e, portanto, está sujeito aos estoques. A produção de grãos seria inviável se não houvesse estruturas de armazenagem ao longo da cadeia produtiva que permitissem que esses estoques se acumulassem, regulando a oferta e demanda e viabilizando o processo de comercialização e distribuição. 2. Tipos de estoque e materiais armazenados Os estoques, do ponto de vista de produção, são classificados em: de segurança, de ciclo, de antecipação, de distribuição. • Estoque de segurança – toda operação tem uma oferta e demanda que são muito difíceis de serem reguladas. O ideal seria que a quantidade produzida fosse a vendida. ` Atenção O estoque de segurança é a quantia mínima existente em um sistema para que este não pare de funcionar. As cadeias de armazenagem e distribuição de grãos são obrigadas a manter um estoque de segurança que minimize o risco da falta destes, que pode ocorrer pela diminuição da produção devido aos problemas climáticos, por exemplo. • Estoque de ciclo – suponha que estejamuito calor e que, perto da sua residência, exista uma fábrica de picolés. Quando você vai à fábrica, que sabiamente tem uma pequena sorveteria na entrada, você deseja um picolé de coco, um de chocolate e outro de morango. Curso Técnico em Agronegócio 50 ` Atenção Isso só será possível se a fábrica de sorvete trabalhar com estoques de ciclo, afinal os picolés são produzidos na mesma linha de produção. Assim, a fábrica de sorvetes produz uma quantidade de certo sabor e armazena, faz outro sabor e armazena, e assim por diante. Esses estoques que permitem atender uma demanda dos mais variados sabores são conhecidos como estoques de ciclo, ou seja, armazenam os lotes de produção. Na agricultura um exemplo é a produção de soja e depois milho na mesma terra: ciclo da soja e ciclo do milho. • Estoque de antecipação – muito comum em operações sazonais, como os ovos de chocolate na Páscoa, que são produzidos o ano inteiro e colocados no estoque de antecipação para serem comercializados nesse curto período. • Estoque de distribuição – esse tipo de estoque existe porque não é possível fabricar e entregar um produto imediatamente. Então são gerados estoques ao longo do canal de distribuição para facilitar a entrega dos produtos aos clientes finais nos prazos adequados. Os materiais armazenados podem ser: • Matéria-prima – são os insumos básicos para a maioria dos produtos industrializados e onde se encontram muitos produtos do agronegócio. A matéria-prima pode estar no seu estado original ou ter passado por um processo de transformação. Como exemplo podemos citar produtos agrícolas, minério de ferro, chapas de aço, polímeros etc. Legenda: Algodão utilizado como matéria-prima na fabricação de tecidos. Fonte: Shutterstock Gestão da Produção e Logística 51 • Materiais em processo – são aqueles que aguardam serem novamente processados: o processo de envelhecimento de um vinho, uma peça aguardando ser montada ou um produto agrícola esperando ser processado. A soja, por exemplo, quando armazenada em silos para aguardar o processo industrial de produção de óleo bruto, é considerada um material em processo. Legenda: Silos em planta industrial. Fonte: Shutterstock • Produtos acabados – são aqueles conside- rados prontos para serem consumidos. São conhecidos também como produtos finais. Nesta categoria podemos incluir desde ele- trônicos até produtos de primeira necessi- dade, como o arroz. Como você percebeu, os produtos agrícolas podem estar localizados em todas as categorias de produtos estocados. O que diferencia o tipo de produto é a parte do processo em que se encontra e a característica de comercialização. Legenda: Produto acabado (arroz). Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 52 3. Gestão e controle de estoque Uma das atividades mais importantes do planejamento e controle da produção é o planeja- mento e controle de estoque, aqui denominado apenas de gestão e controle de estoque. Os estoques são inerentes ao processo produtivo; podemos reduzi-los, mas dificilmente eliminá-los. É o caso, por exemplo, do processo conhecido como Just-in-Time. Este é voltado para a redução de estoque, pois acredita que o dinheiro da empresa não deve ficar retido em materiais no início, no meio e no fim do processo, mas sim servir para gerar investimentos e lucratividade aos acionistas. Just-in-Time Sistema de produção que visa à redução de estoques, uma vez que o fornecimento é realizado no momento da produção e os produtos são fabricados sob encomenda e com rigoroso controle do tempo de entrega à indústria. As razões a favor de se manter estoques, segundo Ballou (2006), consistem no fato de que os estoques melhoram a qualidade do serviço prestado, pois permitem uma disponibilidade imediata do produto para atendimento da demanda. ' Dica No setor agroindustrial, os estoques possibilitam reduzir custos de operação. Uma agroindústria de esmagamento de soja, por exemplo, que compra grãos no período de safra e armazena durante o ano produtivo, paga um valor bem menor do que se comprasse apenas no momento da produção. Entretanto, existem alguns fatores negativos de se manter estoques, como apresentam Slack, Brandon-Jones e Johnston (2013): • vinculam o dinheiro como capital de giro, que fica indisponível para outros usos; • representam custo de armazenamento (aluguel de área e equipamentos de estocagem); • podem se tornar obsoletos, ultrapassados e impróprios para o consumo; • podem trazer perigos no armazenamento, como produtos inflamáveis e defensivos agrícolas; • consomem espaços que poderiam ter outra destinação; • têm custos de administração. Gestão da Produção e Logística 53 c Leitura complementar Você sabe fazer o planejamento de estoque? No item 4 do material complementar, você encontra tudo o que precisa saber para calcular e planejar estoques. Encerramento do tema Neste tema vimos os principais conceitos do planejamento e controle da produção, seus objetivos e suas estratégias. O planejamento e o controle são essenciais para o processo de produção nas diversas áreas do agronegócio. Durante este estudo, você conheceu duas atividades muito importantes do controle da produção, que são: o planejamento e controle da capacidade e o planejamento e controle dos estoques. Atingimos, assim, os objetivos de conhecer os métodos de planejamento da produção rural e empregar ações de controle de estoques, aquisição e programação de produção. c Leitura complementar O processo de planejamento e controle deve integrar os principais setores de uma empresa, não importa o tamanho desta. O mesmo vale para empresas ligadas ao agronegócio. No item 3 do material complementar, você encontra mais informações sobre o assunto. Desse modo, finalizamos a parte dos conceitos de gestão da produção. A partir da próxima unidade, vamos estudar os conceitos de cadeias de suprimentos e de logística com foco no agronegócio. Atividades de aprendizagem 1. Das alternativas a seguir indique aquela que NÃO corresponde a uma das atividades do planejamento e controle da produção. a) carregamento da produção b) sequenciamento c) programação d) monitoramento e controle da operação e) gestão de estoque Curso Técnico em Agronegócio 54 2. Um produtor de milho precisa fazer o planejamento da capacidade de produção da sua propriedade. Qual o primeiro fator que ele deve considerar para fazer esse planejamento? a) Calcular o custo de oportunidade. b) Conhecer a demanda. c) Estabelecer a área de armazenagem necessária. d) Contratar capital de giro. e) Fazer a alocação dos recursos homem e máquina para saber qual a capacidade que tem de produção. 3. Suponha que uma indústria de esmagamento de soja tenha capacidade de projeto de esmagar 2 mil litros de óleo por hora e que a produção trabalhe sete dias por semana e oito horas por dia. Calcule a capacidade de projeto. a) 560.000 litros de óleo/semana. b) 950.000 litros de óleo/semana. c) 120.000 litros de óleo/semana. d) 1.112.000 litros de óleo/semana. e) 112.000 litros de óleo/semana. 4. O sistema Toyota de produção foi um importante modelo de produção, desenvolvido pelos japoneses da montadora de automóveis Toyota. Entre tantos procedimentos, um deles se destacava pela redução dos itens em estoque. Os ocidentais adaptaram o sistema para as características das suas empresas, e hoje esse modelo é amplamente difundido com outra nomenclatura. Esse sistema primeiramente foi utilizado nas indústrias e hoje também está presente nas agroindústrias. Sua definição é dada como “um sistema de produção que visa à redução de estoques, uma vez que o fornecimento é realizado no momento da produção e os produtos são fabricados sob encomenda e com rigoroso controle do tempode entrega pela indústria”. Desse modo a sua nomenclatura utilizada no Ocidente ficou conhecida como: a) estoque de segurança. b) capacidade de projeto. c) Just-in-Time. d) sequenciamento. e) STP. Gestão da Produção e Logística 55 5. Leia atentamente os aspectos negativos de se manter estoques indicados, indique V para verdadeiro e F para falso e, posteriormente, escolha a alternativa correta. ( (( Estoques vinculam o dinheiro como capital de giro, que fica indisponível para outros usos. ( (( Estoques representam reduzido custo de armazenamento e aumentam a competitividade das empresas. ( (( Estoques nunca se tornam obsoletos, ultrapassados e impróprios para o consumo. ( (( Estoques podem trazer perigos no armazenamento, como produtos inflamáveis e defensivos agrícolas. a) V, F, F, V b) V, F, F, F c) V, V, V, F d) F, F, V, V e) F, V, V, F Gestão da cadeia de suprimentos 03 Gestão da Produção e Logística 57 Tema 3: Gestão da cadeia de suprimentos Nos dois primeiros temas, você estudou o processo produtivo dentro das organizações. Agora, vamos cruzar essas fronteiras e aprender como as organizações modernas funcionam em rede. Fonte: Shutterstock Você sabia que as suas ações como técnico em agronegócio vão muito além do campo? Elas têm influência em todo o sistema, e, portanto, precisamos analisar as atividades em um sistema de rede, mais conhecido como cadeias de suprimentos. Mas, afinal, o que são essas cadeias? Como podemos defini-las? De que maneira elas influenciam seu trabalho como técnico em agronegócio? Curso Técnico em Agronegócio 58 Para responder a essas perguntas, vamos começar a estudar, neste novo tema, as cadeias de suprimentos e como seu comportamento de rede afeta todas as atividades, seja no campo, na indústria ou no varejo. Neste tema você conhecerá alguns tipos de produtos agropecuários em suas cadeias produtivas e compreenderá o conceito e a caracterização dos principais componentes da cadeia logística do agronegócio. Siga em frente e bom estudo! Tópico 1: Cadeias de suprimentos O objetivo deste tópico é apresentar o que é uma cadeia de suprimentos, como funciona a gestão desta e a diferença entre cadeia de suprimentos e cadeia produtiva. Ao final deste tópico, você será capaz de incentivar o associativismo e o cooperativismo como oportunidades de desenvolvimento econômico e social, promover ideias e ações inovadoras na propriedade e avaliar mercados e analisar produtos a fim de propor estratégias inovadoras de comercialização. Siga em frente e bom estudo! 1. Cadeia de suprimentos Para entendermos a cadeia de suprimentos, vamos compreender melhor a definição de cada uma dessas palavras. Cadeia 1. Sucessão de anéis ou de elos de metal ligados uns aos outros; corrente. 2. Figurativo: sequência de pessoas, objetos, palavras etc. 3. Local de prisão de contraventores da lei. (FERREIRA, 2000). Suprimento 1. Ação ou efeito de suprir; acrescentamento, adição, suplemento. 2. Coisa que remedeia ou serve para satisfação de necessidades. (MICHAELIS, 2015). Como você pode perceber, o primeiro conceito para cadeia é o de corrente, na qual os elos são unidos com a finalidade de prover um sistema de força e tração. Assim, correntes são fortes devido à união dos seus elos. Quando analisamos o segundo significado de cadeia, Gestão da Produção e Logística 59 percebemos que o termo é utilizado por sequências. Dessa forma, podemos estabelecer o primeiro paralelo com as cadeias de suprimentos: O termo “cadeia” corresponde aos elos ou à sequência de empresas que operam em atividades sequenciais, em que cada uma depende de algo fornecido pelo elo anterior e fornecido ao elo subsequente. Agora, analisando mais a fundo o termo “suprimentos”, este pode ser definido como uma ação de suprir algo, ou seja, fornecer. Assim, podemos traçar o paralelo, em que as cadeias devem suprir as necessidades. Por muito tempo essas necessidades eram vistas como o atendimento aos clientes diretos, mas atualmente temos considerado que não suprimos apenas o cliente direto, mas participamos de uma cadeia que tem o objetivo de suprir o consumidor final. Podemos definir que a cadeia de suprimentos é formada por orga- nizações que trabalham em conjunto com a finalidade de suprir o consumidor final com os produtos e serviços desejados. Portanto, não podemos ver a atividade agropecuária e agroindustrial como simples fornecimento ao cliente imediato, ou seja, para aqueles que vendemos diretamente os produtos, e sim como parte de um sistema que visa garantir o abastecimento alimentar e energético do consumidor final. Podemos complementar essa definição com a dos professores Francischini e Gurgel (2002), os quais explicam que cadeias de suprimentos integram processos que formam determinado negócio e envolve desde os fornecedores originais até o usuário final, proporcionando produtos, serviços e informações que agregam valor. Observe a seguir o fluxo básico de uma cadeia de suprimentos. Fornecedores Fabricantes Atacadistas VarejistasConsumidores/Clientes Legenda: Cadeia de suprimentos. A cadeia de suprimentos é composta de empresas que podem ser divididas em fornecedores, fabricantes, distribuidores/atacadistas e varejistas, que têm como finalidade o suprimento dos consumidores finais. Todos esses agentes deveriam trabalhar em colaboração para que possamos ter os produtos de que necessitamos. Essa colaboração pode ocorrer por parcerias ou simples relação de compra e venda. Curso Técnico em Agronegócio 60 ` Atenção O papel do agronegócio, portanto, é fundamental nas cadeias de suprimentos, pois fornecem matérias-primas para a agroindústria transformar em outros produtos necessários aos consumidores e fornecem o alimento para as pessoas se manterem todos os dias. Siga em frente para compreender o conceito de gestão da cadeia de suprimentos. 2. Gestão da cadeia de suprimentos Uma vez que compreendemos a ideia de cadeia de suprimentos, é possível discutirmos a gestão desta, conhecida pelo seu termo em inglês supply chain management. De acordo com Handfield e Nichols (1999), a gestão da cadeia de suprimentos envolve todas as atividades relacionadas com o fluxo e a transformação de mercadorias, desde o estágio da matéria-prima (extração) até o usuário final, bem com os respectivos fluxos de informações. ` Atenção O gerenciamento da cadeia de suprimentos é a integração dessas atividades mediante relacionamentos aperfeiçoados na cadeia de suprimentos, com o objetivo de conquistar uma vantagem competitiva sustentável. O que os autores querem dizer é que as cadeias de suprimentos precisam ser administradas e o relacionamento entre empresas aperfeiçoado, para que possam ter uma vantagem competitiva. O Informação extra Você sabia que a vantagem competitiva nada mais é do que obter uma vantagem em relação ao concorrente que lhe permita vencer a competição no mercado em que atua? Na produção de grãos, por exemplo, a vantagem competitiva da cadeia de suprimentos brasileira está na alta produtividade por hectare obtida em vários produtos. Para saber mais, confira o vídeo da professora Martha Savastano (FGV-Eaesp) disponível em: <https://endeavor.org.br/vantagem-competitiva-valor-do-negocio-como- diferencial>. A vantagem competitiva se torna sustentável quando as organizações conseguem obter uma vantagem que não se perde ao longo do tempo, ou seja, geralmente são aquelas conseguidas por desenvolvimentos de longo prazo. Gestão da Produção e Logística 61 A gestão da cadeia de suprimentos envolve, portanto, o conceito de estabelecer uma gestão entre os elos da corrente. Essa gestão é organizada pela empresa mais importante da cadeia ou a que tenha o maior conhecimentodo mercado ou a que possua maior força na rede. j Atividades práticas O Brasil é um grande produtor de frangos e, além de abastecer o mercado interno, atende também o mercado externo por meio de exportações. Geralmente, os frangos são produzidos em aviários em propriedades rurais que são remunerados pelas agroindústrias em ciclos, ou seja, período de crescimento e engorda dos frangos para abate. As agroindústrias fornecem a ração e as aves. Passado o ciclo de produção, as aves são coletadas pelo transporte contratado pelas agroindústrias e encaminhadas para o frigorífico destas a fim de serem abatidas e processadas. Com o processo de transformação das aves em carne, os diversos produtos são encaminhados ao varejo para serem comercializados ou para exportação, via distribuidor que atua no país de destino, e, posteriormente, encaminhados ao varejo local. Pensando sobre o conceito de coordenação das cadeias de suprimentos, quem você acha que é o concentrador dessa cadeia? Justifique. A competição contemporânea tem obrigado as empresas a gerirem suas cadeias de suprimentos devido à competição cada vez mais ocorrer entre cadeias, e não mais entre empresas. Assim, os conceitos de gestão das cadeias de suprimentos estão presentes nas diversas cadeias industriais e agora começam a fazer parte do agronegócio e de suas cadeias agroindustriais. Exemplo A concorrência não é mais com o Aviário do Vizinho! Por exemplo, o aviário do Sr. João não está mais concorrendo com o aviário do Sr. Pedro, pois ambos, dentro da cadeia de suprimentos avícola, estão concorrendo com a cadeia de suprimentos de suínos e bovinos. Eles estão concorrendo, em amplo sentido, por insumos e recursos transformadores (mão de obra, terra, ração, aplicação de tecnologia, consultoria, veterinários etc.) e pelo mercado consumidor interno e externo, oferecendo diversos produtos e subprodutos (buscando atender as exigências dos consumidores quanto a bem-estar animal e sustentabilidade). A seguir, confira a diferença entre cadeia de suprimentos e cadeia produtiva. Curso Técnico em Agronegócio 62 3. Cadeias de suprimentos versus cadeias produtivas Agora que você sabe o que é cadeia de suprimentos e por que é importante gerenciá-la, talvez esteja se perguntando o motivo pelo qual esse termo não é comum no agronegócio, já que o mais comum nesse setor é “cadeia produtiva”. Você sabe o que é uma cadeia produtiva? E qual a diferença em relação à cadeia de suprimentos? O termo “cadeia produtiva” é geralmente utilizado para nos referirmos ao conjunto de atividades que representam genericamente determinado setor industrial. Como exemplo, podemos citar a cadeia produtiva da indústria automobilística, da qual participam vários fornecedores de produtos. Já uma cadeia de suprimentos pode fazer parte de uma ou de várias cadeias produtivas, mas seu conceito privilegia a relação entre as empresas (ou elos). As cadeias produtivas envolvem um conjunto de empresas e atividades que trabalham para entregar determinado conjunto de produtos. A cadeia produtiva do leite, por exemplo, é composta de um conjunto de organizações e atividades que visam entregar um grupo de produtos, que envolve o leite, o iogurte, o queijo, a manteiga etc. Mas isso não é a cadeia de suprimentos? De certo modo sim, porém a diferença está no conceito. Nas cadeias de suprimentos, o foco está no relacionamento entre as empresas e no produto único em si (o leite), e não no conjunto de produtos. ' Dica Imagine que determinado produtor de leite entregue a sua produção às segundas, quartas e sextas-feiras para um laticínio e nas terças, quintas e sábados para outro. O que temos são duas cadeias de suprimentos, uma ligada ao laticínio A e outra ao laticínio B, porque o foco está no relacionamento entre os agentes. Já a cadeia produtiva é mais o conceito com foco no grupo de produtos, ou seja, a cadeia produtiva do leite envolve todos aqueles que participam da produção dos laticínios independentemente de ter um relacionamento entre as partes ou não, ou seja, participantes da mesma cadeia de suprimentos ou não. A seguir, compare os trechos para compreender melhor essa diferença. Gestão da Produção e Logística 63 Cadeia de suprimentos X Cadeia produtiva Grupo de empresas que atuam em conjunto para entregar determinado tipo de produto. Grupo de empresas que produzem determinado grupo de produtos e possuem relação direta. É por isso que você irá observar que, quando tratamos sobre cadeias de suprimentos, o foco está nas organizações: fornecedor, fabricante, distribuidor, varejista etc. Por sua vez, quando tratamos da cadeia produtiva, o foco está no processo, nas atividades necessárias para entregar os diversos tipos de produtos que relacionam as empresas. Compare a seguir o fluxo da cadeia de suprimentos e da cadeia produtiva (no caso, do frango). Cadeia de suprimentos Fornecedores Fabricantes Varejista Cadeia produtiva de frango Avozeiro Matrizeiro Aviário VarejoFrigorífico(abate e corte)Incubatório Pensando na gestão da produção, qual dos dois tipos de cadeias precisamos conhecer? A resposta é ambos, porque o conceito de cadeia de suprimentos nos ajuda entender quem são os fornecedores e clientes e o nosso papel dentro daquela cadeia. Isso ajuda as organizações a negociarem melhor os contratos e desenvolverem parcerias de ganhos múltiplos. Já a cadeia produtiva nos auxilia a entender o que e como fazemos. Só melhorando a qualidade de cada processo é que seremos mais competitivos. Para concluir esse assunto, perceberemos que essas cadeias são tratadas como iguais pelos profissionais de campo, mas você, como técnico em agronegócio, sabe a diferença e isto pode ajudá-lo a planejar melhor as atividades em que está ou estará em atuação. Siga para o próximo tópico e bom estudo! Curso Técnico em Agronegócio 64 Tópico 2: Elementos nas cadeias de suprimentos e cadeias produtivas As cadeias de suprimentos e as cadeias produtivas são compostas de agentes que se relacionam buscando entregar determinado bem ou grupo de bens. Assim, essas cadeias são divididas em grupos bem definidos de atores que desempenham um importante papel, conforme vamos estudar a seguir usando como base a produção do agronegócio. Ao final deste tópico, você será capaz de distinguir os diversos atores que compõem essas cadeias, por exemplo, o produtor rural, as agroindústrias, o varejo e os intermediários. Siga em frente e bom estudo! 1. Produtor rural O produtor rural tem um importante papel em várias cadeias produtivas, como leite, carne, grãos e diversos produtos alimentícios. Mas não é só nessas cadeias que o produtor rural atua. Por exemplo, um produtor de algodão fornece matéria-prima para a indústria de tecido, e esse material pode ser usado para fabricação de roupas e até estofamentos automotivos. Fonte: Shutterstock Quando pensamos em cadeias de suprimentos, o papel do produtor rural é o de fornecedor, ou seja, atende às indústrias e agroindustriais responsáveis por transformar a matéria-prima que ele fornece em produtos que terão relevância ao consumidor. 2. Agroindústrias No que tange às cadeias produtivas, o papel das agroindustriais é de processar produtos a partir da matéria-prima fornecida pelo produtor rural. Exemplos de agroindústrias são os laticínios, as usinas de açúcar e álcool, os frigoríficos etc. Gestão da Produção e Logística 65 Quando nos referimos ao papel das agroindústrias na cadeia de suprimentos, elas são consideradas os fabricantes, pois transformam a matéria-prima fornecida em um produto que tenha valor ao cliente final e que será comercializado pelos varejistas. Legenda: Agroindústria – usina de produção de etanol. Fonte: Shutterstock 3. Varejo É no varejo que os consumidoresfinais têm acesso aos produtos fornecidos pelas diversas cadeias produtivas e de suprimentos. Exemplo de varejo são os supermercados, as mercearias, os açougues, as padarias etc. Legenda: Varejo – supermercado. Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 66 4. Intermediários (transportadores, traders e fornecedores de insumos) Para os produtos chegarem à mesa dos consumidores, existem importantes agentes que desempenham um papel fundamental nas cadeias produtivas e de suprimentos: os intermediários. Eles têm funções distintas, mas sem elas não seria possível que as cadeias funcionassem. A seguir, analise quem são e a função de cada um desses intermediários. Transportadores São responsáveis pelas movimentações de matérias-primas entre os fornecedores (produtor rural) até os fabricantes (agroindústrias) e dos fabricantes até os varejistas (supermercados). Geralmente, são formados por operadores autônomos (caminhoneiros), que operam seu próprio veículo, ou por empresas dedicadas à prestação do serviço de transporte. ` Atenção Em alguns casos, esses transportadores podem pertencer a algum dos elos da cadeia. Traders São as empresas responsáveis por negociar a produção nos mercados de grandes volumes. Esses traders produzem ou compram grandes quantidades de produtos agrícolas e revendem para outros mercados, onde serão comercializados no varejo. ' Dica As traders desenvolvem um importante papel na cadeia, pois ligam o produtor rural aos grandes mercados, inclusive no exterior. Imagine como seria para o produtor rural ter de buscar mercados para distribuir sua produção agrícola. Se pensarmos bem, a produção por si só já é um grande desafio. Essas empresas atuam de duas formas: a primeira e mais tradicional é comprando e vendendo produtos adquiridos de terceiros, como a soja; a segunda é produzindo em fazendas próprias parte de suas necessidades para comercialização. Fornecedores de insumos Sem os insumos, nenhuma cadeia poderia existir. A produção agropecuária necessita de componentes/elementos que garantam o sucesso da atividade, como fertilizantes (nitrogênio, fósforo, potássio), defensivos (herbicidas, inseticidas, fungicidas, acaricidas), máquinas e equipamentos agrícolas (tratores, colheitadeiras), rações (alimentação para avicultura de corte e postura, suinocultura, pecuária de corte e leite). Gestão da Produção e Logística 67 Fonte: Shutterstock Precisam, muitas vezes, de agentes para combater as pragas. Necessitam de sementes ou matrizes. A produção de insumos para a agropecuária conta com a participação de grandes grupos nacionais e, principalmente, internacionais. Outros intermediários Dentro das cadeias produtivas, pode haver mais ou menos intermediários, dependendo das características de cada cadeia. Por exemplo, a cadeia de produção de grãos conta com a intermediação de cerealistas, que também servem como apoio logístico ao produtor, com a armazenagem do grão, ou apoio mercadológico, com a classificação e compra do grão junto ao produtor para revender no mercado. Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 68 Na cadeia de fruticultura, existem agentes que viabilizam diversos tipos de frutas para os mercados. Comumente esses agentes são chamados, pejorativamente, de atravessadores, pois não produzem, apenas têm acesso aos mercados e compram dos produtores para revender aos varejistas. Entretanto, a cadeia de produção de alimentos é algo complexo. Os grandes produtores visam mercados de exportação e desejam vender em grandes volumes. Pequenos produtores têm produção inconstante e mudam ou interrompem a produção de acordo com suas necessidades, preço de mercado, problemas internos. Portanto, esses agentes intermediários ou atravessadores têm um importante papel na economia e no agronegócio atual (veja o quadro exemplo a seguir). Exemplo A região metropolitana de São Paulo tem mais de 20 milhões de habitantes. Imagine a quantidade de alimentos que são consumidos diariamente por essa população. E um dos frutos populares para os consumidores da região é o abacaxi. Então, como garantir o abastecimento do fruto durante todo o ano? O abacaxi pode ser produzido, por exemplo, no Triângulo Mineiro ou em Tocantins. Admi- nistrar isso a partir de São Paulo não seria tarefa fácil. Daí o papel do intermediário (ou atravessador) que viabiliza, entre os diversos produtores de abacaxi do país, o acesso ao mercado da região metropolitana de São Paulo. Se uma região apresenta falta do produto, o intermediário é especializado em adquirir em outras regiões, e isso facilita a comercialização, bem como garante a presença do abacaxi durante o ano inteiro em diversos mercados. Evidentemente, esse serviço precisa ser remunerado para que possa mobilizar o interesse dos intermediários. À medida que as cadeias agroindustriais compreendem a importância de se atuar em rede e que o lucro deve ser distribuído adequadamente entre todos os seus elos, ganha importância e consistência o papel positivo dos intermediários. Agora que você já conhece alguns dos atores envolvidos na cadeia de suprimentos e na cadeia produtiva, siga em frente para conhecer as principais cadeias produtivas do agronegócio. Bom estudo! Tópico 3: As principais cadeias produtivas do agronegócio Neste tópico você conhecerá algumas das principais cadeias produtivas do agronegócio e outras atividades agropecuárias e agroindustriais. Gestão da Produção e Logística 69 Ao final, você será capaz de reconhecer cadeias produtivas do agronegócio, como a cadeia produtiva da carne, do leite, de grãos e a sucroenergética, buscando, assim, alternativas de produção e identificando oportunidades de negócio. Siga em frente e bom estudo! 1. Cadeia da carne A cadeia da carne pode ser dividida em três tipos principais: avicultura, bovinocultura e suinocultura. Avicultura de corte A avicultura de corte consiste na produção de aves com a finalidade de fornecer o frango inteiro ou em cortes para consumo. Faz parte da avicultura também a produção de ovos, por meio das galinhas poedeiras. Neste item vamos nos concentrar na produção de frangos para corte. De acordo com Mendes (2014), a avicultura representa 1,5% do produto interno bruto (PIB) brasileiro, gera um total de 5 milhões de empregos diretos e indiretos, 8,5 bilhões de dólares em exportações, sendo o Brasil o maior exportador mundial, com 3,9 milhões de toneladas vendidas em 155 países, o que representa 40% da produção mundial. O consumo de frango per capita (por pessoa) no Brasil é alto, alcançando 42 kg por pessoa/ ano. A carne de frango é também a mais presente na mesa dos brasileiros e tem o menor preço entre as carnes. Podemos dividir a cadeia do frango da seguinte forma: Cadeia do frango • Engorda nos galpões • Envio para o frigorífico Produção rural • Aves • Ração • Medicamentos Insumos • Abate • Processamento • Cortes Processamento • Transporte e comercialização para varejo • Exportação Distribuição • Frango inteiro • Cortes Varejo Curso Técnico em Agronegócio 70 A seguir, conheça cada uma dessas etapas da cadeia do frango. Insumos Itens necessários para criação de frangos, como os equipamentos e utensílios para avicultura, pintainhos, rações, premix, vacinas e medicamentos. Nesta cadeia produtiva os insumos geralmente são fornecidos pelo integrador, que é o frigorífico/empresas que compram as aves para abate e comercialização. Produção de frangos Consiste na criação das aves para abate, o que leva, em média, 45 dias. Cabe ao produtor garantir a engorda desses animais, recebendo pelo ciclo de produção, ou seja, um valor fixo por ave. Os frangos são enviados para o frigorífico em caminhões específicos, e os custos do frete geralmente sãopagos pelo frigorífico. Fonte: Shutterstock Processamento Etapa de processamento é feita na agroindústria/frigorífico e consiste no processo de abate e corte do frango para comercialização, de acordo com as características de cada mercado. O abate das aves passa pelas etapas de recepção das aves, pendura, insensibilização, sangria, escaldagem, depenagem, evisceração, cortes, empacotamento e refrigeração da carne. Fonte: Shutterstock Gestão da Produção e Logística 71 Distribuição Uma vez processados os cortes de frango, a ave inteira e os miúdos são enviados para distribuição em embalagens específicas. A distribuição é feita pelo próprio frigorífico ou por distribuidores que levam esses itens ao mercado consumidor. Varejo São os açougues, mercados e supermercados responsáveis pela comercialização final dos produtos. Bovinocultura de corte A bovinocultura de corte consiste na produção de gado de corte, no abate, na preparação e na comercialização da carne. Para entender a importância dessa cadeia para o Brasil, vamos observar o volume de animais abatidos por região. Bovinos Animais abatidos 2014 (cabeças) % Produção nacional 33.906.799 100,0 Principais estados produtores Mato Grosso 5.352.226 15,8 Mato Grosso do Sul 3.955.764 11,7 São Paulo 3.523.974 10,4 Goiás 3.409.851 10,1 Minas Gerais 3.222.761 9,5 Pará 2.624.231 7,7 Rondônia 2.004.591 5,9 Rio Grande do Sul 1.883.488 5,6 Total 25.976.886 76,6 Legenda: Número de abates de bovinos por região. Fonte: MAPA (2015). Podemos perceber que as regiões Centro-Oeste, com 37,5% da produção, e Sudeste, com 19,5%, são as responsáveis por quase 60% dos animais de corte abatidos em 2014. Curso Técnico em Agronegócio 72 ` Atenção A produção brasileira é extensiva, ou seja, os bovinos são criados em pastagens. A carne bovina é a preferida pelos brasileiros, entretanto, devido ao preço de comercialização ser maior do que o do frango e dos suínos, seu consumo ocupa o segundo lugar no mercado de carnes. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, 2015), o consumo de carne bovina cresce 2,1% ao ano, alcançando 8,5 milhões de toneladas em 2015. O órgão estima, ainda, que os 3 milhões de toneladas exportadas atualmente devem crescer 37,5% até 2025. O Brasil possui o segundo maior rebanho bovino do mundo, ficando atrás apenas da Índia. A cadeia produtiva da bovinocultura de corte é bem similar à do frango. Podemos dividi-la da seguinte forma: Cadeia da bovinocultura de corte • Engorda pasto ou confina- mento • Envio para o frigorífico Produção rural • Ração • Medicamentos • Material genético Insumos • Abate • Processamento • Cortes Processamento • Transporte e comercialização para varejo • Exportação Distribuição • Carne in natura • Carne embalada a vácuo • Derivados Varejo Confira a seguir o que acontece em cada uma das etapas da cadeia produtiva da bovinocultura de corte. • Insumos – diferentemente das aves, na bovinocultura de corte o produtor determina a sua base genética com touros próprios, inseminação artificial e embriões. Outros insumos de produção envolvem máquinas e equipamentos, vacinas e medicamentos, sal mineral, rações e volumosos. • Produção rural – no Brasil a maior parte do gado ainda é criado em pastagens. Cabe ao produtor rural o manejo e o acompanhamento da engorda dos animais. Após atingirem Gestão da Produção e Logística 73 o peso adequado, os animais são comercializados com frigoríficos. Pode haver contratos de compra antecipada pelo frigorífico e produção dedicada a determinada agroindústria. • Processamento – o processamento dos animais é realizado nos frigoríficos, onde são feitos os abates e os cortes para serem distribuídos/comercializados. Algumas agroindústrias podem processar essas carnes para serem utilizadas em outros subprodutos. • Distribuição – consiste em colocar o produto no varejo, o que pode ser feito pela própria agroindústria ou por distribuidor. • Varejo – a carne bovina também é comercializada em açougues e supermercados. Suinocultura Globalmente, entre as cadeias da carne, a da carne suína é a mais relevante e a que mais se destina aos produtos industrializados. De acordo com os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, em 2014 a produção mundial de carne suína foi de 110,47 milhões de toneladas. A suinocultura brasileira compete mundialmente com as cadeias chinesa (51,1%), europeia (20,2%) e norte-americana (9,3%), representando 3% da produção mundial (FAS/USDA, 2015). O Brasil é o quarto maior produtor e exportador de carne suína do mundo. O Informação extra No Brasil, a cadeia da carne suína moderna teve início com os imigrantes europeus, que se concentraram principalmente na região Sul (EMBRAPA, 2013). Esse fato não só contribuiu para o desenvolvimento da suinocultura brasileira como fez da região Sul a principal área de concentração da atividade no país. Atualmente, a atividade está se deslocando para outras regiões, como a Sudeste e a Centro-Oeste, em razão da produção de milho e soja nessas regiões. As regiões Norte e Nordeste mantêm a sua produção de suínos, porém sem apresentar crescimento como nas demais. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2013) mostram que o rebanho suíno brasileiro corresponde a 38,4 milhões de cabeças, distribuído entre as cinco regiões: Sul, com 48,7%; Sudeste, com 18,8%; Nordeste, com 15,2%; Centro-Oeste, com 13,9%; e Norte, com 3,4%. A cadeia da carne suína é composta de fornecedores de matéria-prima (segmento rural), indústria de transformação (segmento industrial) e distribuição do produto final (segmento varejista). A seguir, analise a cadeia produtiva de carne suína. Curso Técnico em Agronegócio 74 Cadeia produtiva de carne suína • Criação • Manejo • Transporte para o frigorífico • Pode ser integrado ou independente Produção rural • Animais • Rações • Medicamentos • Máquinas e equipamentos Insumos • Processamento 1ª transforma- ção: abate, carne in natura, embutidos • Processamento 2ª transforma- ção: ração, cortes, alimen- tos pré-prontos • Exportações • Distribuição Processamento • Açougues • Mercados • Feiras • Restaurantes Varejo Fonte: Perez, Castro, Furnols (2009); Batalha (2012). Confira a seguir o que acontece em cada uma das etapas da cadeia produtiva da carne suína. • Insumos – as empresas especializadas comercializam o material genético para inseminação das porcas diretamente na fazenda, independentemente do sistema de produção adotado (intensivo, semi-intensivo ou extensivo). ` Atenção Vacinas e medicamentos, máquinas e equipamentos e rações também fazem parte dos insumos. A produção é realizada em confinamento. • Produção rural – os suínos são produzidos em granjas em sistemas de confinamento. Na produção rural é feito o manejo entre as diversas fases do ciclo de produção e a engorda (terminação) dos animais. Finalizado a engorda, os animais são enviados para os frigoríficos. ` Atenção Na produção suína, observa-se tanto a presença de grandes produtores independentes quanto a de agroindústrias processadoras que mantêm uma rede de produtores integrados. Se o produtor é independente, em geral o transporte até o abatedouro é feito por ele com veículos próprios ou terceirizados. Em caso de produtor integrado, esse transporte é responsabilidade da agroindústria. Gestão da Produção e Logística 75 Legenda: Granja de suínos. Fonte: Shutterstock • Processamento – o processamento dos animais é realizado nos frigoríficos/agroindústrias, onde são feitos o abate e obtida a carcaça principal. As sobras do processo vão para a fabricação de embutidos,por exemplo, linguiças. O restante dessas sobras e as carcaças são direcionadas a uma segunda agroindústria de transformação, que faz os cortes, os prontos e semiprontos congelados e a ração animal. Esta pode também exportar as carcaças. Na suinocultura, a distribuição para o varejo é realizada diretamente pelas agroindústrias. Legenda: Abatedouro de suínos. Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 76 • Varejo – a carne suína é comercializada em açougues, supermercados, feiras e por meio dos restaurantes. Agora que você conhece cada uma das etapas da cadeia produtiva da suinocultura, conheça a seguir um pouco mais sobre os sistemas de produção da carne suína. Sistemas de produção da carne suína Podemos dividir os sistemas de produção aplicados à suinocultura em intensivo, semi- intensivo e extensivo. A produção agroindustrial de suínos no Brasil basicamente segue o sistema intensivo, sendo o extensivo mais utilizado pela produção familiar. O tipo de produção adotado está relacionado ao espaço oferecido ao animal, que, no caso do suíno criado em sistema intensivo, são galpões (granjas) com espaços padronizados de 1,2 m² por animal, equipados e monitorados com objetivo de obter níveis altos de produtividade, consequentemente, otimizando custos e maximizando lucros. Fonte: Shutterstock No território nacional podemos encontrar basicamente três principais modelos de produção primária: 1. Sistemas de ciclo completo (CC). 2. Unidades de produção de leitão (UPL). 3. Unidades de terminação (UT). Gestão da Produção e Logística 77 O primeiro modelo diz respeito a granjas completas que realizam todas as fases da produção do cevado, desde a reprodução, a gestação, a maternidade, a creche e o crescimento, até a terminação. Nesse tipo de sistema, é preciso ter profissionais especializados para cada fase de produção. No segundo caso, as chamadas UPL, onde trabalham especialistas voltados para o crescimento e desenvolvimento dos leitões, geralmente recebem os animais desmamados aos 21 dias e tratam dos leitões até a fase de terminação, idade aproximada de 60 dias. Assim, após a passagem pelas UPL, os leitões com 60 dias de idade são encaminhados para as UT, que é o terceiro modelo de produção. Nesta fase, os leitões são tratados por especialistas de engorda e terminação, permanecendo nas unidades por aproximadamente 90 a 100 dias, dependendo do tipo de produto que se pretende obter. Fonte: Shutterstock Assim como na avicultura, a suinocultura tem a vantagem de trabalhar com ciclos de produção mais curtos do que a bovinocultura, o que favorece a produção de suínos e reduz os custos de produção. Atualmente, o ciclo de produção do cevado padrão corresponde de 155 a 160 dias, dependendo do tipo de produto que o produtor deseja oferecer à indústria. Quando o produto é diferenciado, como tender e parma, este ciclo pode variar para menos ou mais. Diferentemente do que muitos pensam sobre a cadeia da carne suína, esta pode oferecer diversos produtos ao mercado, o que chamamos de produtos diferenciados, ou seja, o produtor pode oferecer um produto tender, padrão, parma e orgânico. Curso Técnico em Agronegócio 78 O Informação extra A produção de suínos em sistemas intensivos requer cuidados especiais no que se refere às questões de ambiência, bem-estar, biossegurança e sanidade animal. Existem diversas normas de biossegurança estabelecidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), para garantir a qualidade do produto e adequação ao consumo, assim como proteção à saúde, contribuindo para o controle de doenças de origem animal. Para garantir o controle de produtos de origem animal, o Serviço de Inspeção Federal (S.I.F.) vinculado ao Mapa, atua em praticamente quatro mil estabelecimentos, para garantir a inocuidade dos produtos, bem como o cumprimento da legislação (MAPA, 2015). Sistema integrado Surgido na década de 1950, o sistema de integração teve início na região Sul e hoje já abrange 65% dos produtores do país. O restante mantém o regime independente de comercialização entre produtor e indústria (DIAS, 2011). Fonte: Shutterstock O sistema de integração entre produtor e indústria representa um contrato de compra e venda da produção de suínos. Em outras palavras, o sistema de integração garante ao produtor que os suínos produzidos por sua granja serão absorvidos pela indústria com a qual mantém contrato. Gestão da Produção e Logística 79 Esse tipo de sistema traz vantagens e desvantagens para o produtor. A sua principal vantagem está associada à redução do risco, da incerteza do mercado com relação à absorção dos animais produzidos, ou seja, todos os animais produzidos pelo produtor serão absorvidos pela indústria; logo o produtor terá a sua garantia de venda. E sua principal desvantagem está relacionada à tomada de decisão sobre sua produção, ou seja, não cabe mais ao produtor decidir o tamanho do seu lote de produção ou o tipo de suíno que irá produzir, a genética utilizada, as práticas empregadas e o segmento de mercado que pretende atender. Essas decisões estratégicas da produção ficam em poder da agroindústria. O produtor não precisará mais se preocupar com o mercado, para quem irá vender, contudo seguirá as decisões adotadas pela indústria. Neste tipo de sistema, o produtor compartilha com a indústria o risco da produção. Diferentemente do produtor integrado, o produtor independente assume todos os riscos que envolve a sua produção e a venda de suínos. Claro que, se os riscos são maiores, os seus rendimentos também serão. Essa é uma característica que permeia o produtor independente, pois este não quer deixar nas mãos da indústria a decisão de sua produção, assim como não deseja obter rendimentos menores do que está acostumado. Entretanto, está sujeito às variações do mercado, assumindo todos os riscos da atividade. Siga em frente para conhecer a cadeia do leite! 2. Cadeia do leite A cadeia do leite é uma importante cadeia produtiva brasileira. Ela também é conhecida como bovinocultura de leite. A produção prevista de leite para 2015 é de 37,2 bilhões de litros (MAPA, 2015). produtor indústria mercado consumidor Legenda: Cadeia produtiva do leite. Fonte: Mato Grosso do Sul (2015). O leite é produzido nas fazendas por meio de sistemas manuais e automatizados e armazenado em tanques de refrigeração nas próprias fazendas. No momento da coleta, é feito um teste para classificar o leite e verificar sua qualidade. Caso esteja dentro das especificações estabelecidas pela agroindústria, esse leite é coletado. Curso Técnico em Agronegócio 80 Legenda: Retirada mecanizada do leite. Fonte: Shutterstock Posteriormente, o leite é pasteurizado e processado em diversos tipos de classificação: integral, desnatado, semidesnatado etc. Também são gerados subprodutos como queijos, manteiga e iogurtes. Na cadeia produtiva do leite temos, basicamente, quatro etapas. Etapas da cadeia produtiva do leite • Criação do gado leiteiro • Ordenha • Separação do leite Produção rural • Ração • Medicamentos • Material genético Insumos • Coleta do leite • Pasteurização • Classificação e industrialização • Produção dos derivados Processamento • Comercialização em supermer- cados, mercea- rias, padarias • Produtos: leite, queijos, iogurtes Varejo A seguir, conheça cada uma dessas etapas da cadeia de produção do leite. • Insumos – os insumos da cadeia do leite são produtos veterinários, ração, equipamentos de ordenha e refrigeração, outras máquinas e equipamentos. • Produção rural – os animais são cuidados de modo a permitir a maior produção de leite possível, e, em fazendas de alta produção, mais de uma ordenha por animal é feita por dia. • Processamento –o processamento do leite é feito em laticínios e tem a finalidade de padronizar o leite, pasteurizar e transformar nos principais produtos de comercialização. Geralmente, as empresas envolvidas são grandes (muitas são multinacionais), cooperativas, grupos nacionais, pequenos e médios laticínios e miniusinas. Gestão da Produção e Logística 81 Fonte: Shutterstock • Varejo – o leite e seus derivados possuem uma ampla rede de comercialização que envolve supermercados, padarias, mercearias etc. Entretanto, seu maior desafio está em lidar com um produto altamente perecível, ou seja, que tem prazo de validade curto. ` Atenção Por ser um produto muito perecível, a logística tem um papel essencial na cadeia produtiva do leite. Geralmente, o que ocorre nos grandes centros é que os veículos que entregam também recolhem o material vencido para o devido descarte, aumentando, assim, significativamente os custos dessa cadeia produtiva. O Informação extra Para saber mais sobre o processo de coleta do leite, assista ao vídeo “Produção e coleta de leite”, disponível no AVA. 3. Cadeia de grãos O Brasil produz diversos tipos de grãos como milho, soja, feijão, arroz, café, entre outros. Os grãos têm particularidades em seus processos de acordo com o tipo de plantio e cuidados de produção. Curso Técnico em Agronegócio 82 De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, 2015), a estimativa de produção de grãos para a safra de 2015/2016 é de 223,5 milhões de toneladas. Os cinco principais tipos de grão são o arroz, o milho, a soja, o trigo e o feijão. Para ilustrar um pouco da cadeia de grãos, vamos estudar em mais detalhes a cadeia do milho e da soja, que são os principais grãos brasileiros. Além disso, essas cadeias são complementares, pois se utilizam do mesmo sistema, ou seja, compartilham terra, armazenagem e transporte. Milho Ano Safra do 2014/2015 (mil toneladas) % Produção nacional 78.595 100,0 Principais estados produtores Mato Grosso 17.782 22,6 Paraná 14.726 18,7 Mato Grosso do Sul 8.159 10,4 Goiás 8.073 10,3 Minas Gerais 6.785 8,6 Rio Grande do Sul 6.117 7,8 São Paulo 3.957 5,0 Santa Catarina 3.189 4,1 Bahia 2.818 3,6 Total 71.605 91,1 Legenda: Produção brasileira de milho. Fonte: Mapa (2015). A região Centro-Oeste produz 43,3% da produção de milho brasileira e outros 30% são produzidos na região Sul. A produção do Centro-Oeste baseia-se no sistema de primeira safra e segunda safra, conhecida como “milho safrinha”, na qual o milho é plantado após a safra da soja, permitindo, assim, duas safras de grãos por ano. Analise a figura seguinte para também conhecer a dimensão da produção de soja, a qual funciona de forma muito similar à do milho. Gestão da Produção e Logística 83 Soja grão Ano Safra do 2014/2015 (mil toneladas) % Produção nacional 95.070 100,0 Principais estados produtores Mato Grosso 27.869 29,3 Paraná 17.136 18,0 Rio Grande do Sul 14.688 15,4 Goiás 8.703 9,2 Mato Grosso do Sul 7.040 7,4 Bahia 4.239 4,5 Total 72.674 83,8 Legenda: Produção brasileira de soja. Fonte: Mapa (2015). A produção brasileira de soja está concentrada nas regiões Centro-Oeste, com 45,9%, e Sudeste, com 34,4%. Quase metade da produção brasileira de soja e milho está no Centro- Oeste brasileiro, o que torna a região estratégica dentro do cenário do agronegócio. De um modo geral, podemos estabelecer ambas as cadeias no esquema apresentado a seguir. Cadeia produtiva de milho e soja • Plantio • Cultivo • Colheita • Armazenagem • Transporte Produção rural • Sementes • Fertilizantes • Defensivos agrícolas • Máquinas e equipamentos Insumos • Esmagamento e industrialização da soja • Produção de ração animal • Industrialização do milho • Produção de biocombustíveis Processamento • Transporte e comercialização para o varejo • Exportação Distribuição • Comercialização de grãos, produtos derivados e ração Varejo A seguir, conheça cada uma das etapas das cadeias produtivas de milho e soja. Curso Técnico em Agronegócio 84 • Insumos – como toda produção agrícola, os insumos da produção de milho e soja são sementes, fertilizantes, corretivos, defensivos agrícolas, máquinas e equipamentos. Essas duas cadeias produtivas compartilham esses materiais, variando apenas a semente de plantio e as quantidades recomendadas. • Produção rural – a produção de milho e soja tem ciclos que envolvem etapas como plantio, colheita, armazenamento e transporte para exportação ou para as indústrias de processamento. Os ciclos de plantio e colheita do milho e da soja por estado e por período do ano pode ser visualizado nas figuras seguintes. JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ RO TO MA PI BA MG ES RJ SP PR SC RS MS MT GO DF Plantio Colheita Legenda: Milho – 1.ª safra. Fonte: IBGE (2013). JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ BA MG SP PR MS MT Plantio Colheita Legenda: Milho – 2.ª safra. Fonte: IBGE (2013). Gestão da Produção e Logística 85 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ RO TO MA PI BA MG SP PR SC RS MS MT GO DF Plantio Colheita Legenda: Soja. Fonte: IBGE (2013). • Processamento – apenas parte do processamento da soja e do milho é feita no Brasil. Grande volume da produção vai para a exportação in natura. No caso da soja, o processamento é feito por meio do esmagamento do grão, o que gera óleo bruto e farelo de soja. O óleo bruto é posteriormente refinado, gerando o óleo de cozinha, biodiesel ou lecitina. Esse processamento geralmente é dividido em agroindústrias de primeira e segunda transformação. Parte é usada para a produção de farelo destinada à ração animal. O principal processamento do milho é para produção de ração animal e para indústria de alimentos em geral. • Varejo – no Brasil os principais produtos consumidos no varejo são os óleos de cozinha e o fubá de milho. 4. Cadeia sucroenergética Um setor muito importante da economia agrícola brasileira é o de sucroenergia. Esse setor é composto da produção de açúcar e álcool de cana e produção de energia elétrica por meio da queima do bagaço de cana. O Informação extra Esse setor movimentou, na safra 2013/2014, cerca de 107 bilhões de dólares americanos (NEVES; TROMBIN, 2014). Curso Técnico em Agronegócio 86 O açúcar tem sido um dos principais produtos brasileiros desde o período colonial. E o cultivo da cana-de-açúcar, que, durante essa época, era feito na região Nordeste brasileira, atualmente está nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do país. Desde os anos 1970, o Brasil tem desenvolvido biocombustíveis à base da cana-de-açúcar. O etanol foi utilizado como combustível para automóveis já na década de 1980. Entretanto, devido a problemas com a tecnologia e os preços, os anos 1990 viriam o quase desaparecimento desse tipo de combustível, que voltou com toda força neste século XXI, graças aos veículos com tecnologia flexível e preços competitivos com a gasolina. O Informação extra De acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, 2015), cerca de 70% da cana-de-açúcar processada é utilizada para produção de açúcar. Isso se deve aos preços do açúcar no mercado internacional, que atualmente são mais vantajosos. Recentemente as usinas começaram a utilizar o bagaço da cana-de-açúcar para queimar e gerar energia elétrica por meio de termoelétricas, gerando uma fonte de renda adicional. A seguir, conheça as etapas da cadeia produtiva sucroenergética. Cadeia produtiva sucroenergética Hidrólise De toda energia da cana Indústria de insumos Produção ruralIndústria processadora 1/3 no caldo de cana para produzir açucar e etanol 1/3 no bagaço Mercado do açúcar Mercado do etanol Mercado da energia 1/3 na palha Cultivares de cana Agroquímicos Máquinas e implementos No de usinas no Brasil: aproximadamente 350 No estado de São Paulo estão localizadas 59% desse total Produtores com contratos, produtores arrendatários e produção integrada de usinas Agentes fomentadores Indústria de bens de capital Produção de cana (2008-2009): 569 milhões de toneladas (SP = 60%) Aproximadamente 35% consumo doméstico e 65% exportado Bagaço de cana representa 10,8% da matriz energética nacional Aproximadamente 80% consumo doméstico e 20% exportado 3,7% da matriz energética nacional Fonte: Santini, Pinto, Queiróz (2011). Gestão da Produção e Logística 87 A seguir, conheça mais detalhadamente as etapas da cadeia produtiva da cana-de-açúcar. • Insumos – envolvem adubos, corretivos, máquinas e equipamentos, defensivos agrícolas, ou seja, os mesmos requisitos de qualquer produção agrícola moderna. • Produção rural – a produção de cana-de-açúcar é feita diretamente pelas usinas, em suas propriedades ou, o que é mais comum, por meio do arrendamento de terras com pagamento de aluguel mensal aos proprietários. Fonte: Shutterstock A produção sucroenergética é uma cadeia integrada verticalmente, em que a usina responde por toda atividade até chegar ao distribuidor. Entretanto, algumas usinas podem cuidar do processo até o varejo, inclusive. • Processamento – o processamento da cana é feito por usinas, que produzem o açúcar, o etanol e, ainda, geram energia para seu funcionamento e a comercialização do excedente. • Distribuição – a distribuição do açúcar é feita pelas usinas ao varejo nos diversos tipos: refinado, cristal, mascavo etc. Parte significativa da produção nacional de açúcar é exportada. Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 88 A energia excedente comercializada é feita por leilões regulados pelo governo e encaminhadas via rede de transmissão para as concessionárias de energia. • Varejo – a venda do açúcar é feita em estabelecimentos como supermercados e mercearias e a do etanol por meio de postos de combustíveis, adicionados à gasolina ou como combustível puro. Encerramento do tema Neste tema estudamos os principais conceitos de cadeias de suprimentos e cadeias produtivas. Entendemos quem são os agentes pertencentes a essas cadeias e como se relacionam e estão envolvidos com a produção agroindustrial. Conhecemos também diversos tipos de cadeias produtivas que nos permitiram entender um pouco mais sobre a importância do agronegócio brasileiro. Conseguimos, assim, alcançar os objetivos de conhecer os tipos de produtos agropecuários por meio de suas cadeias de suprimentos e compreender o conceito e a caracterização dos principais atores envolvidos na cadeia produtiva e logística do agronegócio. No próximo tema vamos nos concentrar nos estudos dos sistemas logísticos e como estes se relacionam ao que aprendemos neste tema. Siga em frente e bom estudo! Atividades de aprendizagem 1. Como você definiria a cadeia de suprimentos? a) Grupo de empresas que atuam em conjunto para entregar determinado tipo de produto. b) Grupo de empresas que produzem determinado tipo de grupo de produtos e que possuem relação direta ou não. c) Sucessão de anéis ou elos de metal ligados uns aos outros. d) Ação ou efeito de suprir; acrescentamento, adição, suplemento. e) Processo de gestão de uma rede de negócios por um dos seus agentes. 2. Os transportadores têm um importante papel nas cadeias de suprimentos e produtivas. Qual a denominação deles nessas cadeias? a) Agroindústria. b) Produção rural. Gestão da Produção e Logística 89 c) Varejista. d) Intermediário. e) Consumidor. 3. Qual das cadeias produtivas a seguir possui o maior grau de integração vertical de suas operações? a) Avicultura. b) Suinocultura. c) Sucroenergética. d) Bovinocultura de corte. e) Grãos. 4. A agroindústria tem buscado formas de diversificar sua produção, e uma delas vem a ser a geração de bioenergia. Qual das alternativas seguintes apresenta uma cadeia produtiva que pode gerar bioenergia oriunda dos dejetos de sua produção? a) Grãos. b) Sucroenergética. c) Suinocultura. d) Piscicultura. e) Apicultura. 5. Entre os intermediários na cadeia de suprimentos, os agentes responsáveis pela comer- cialização dos produtos agrícolas entre os produtores rurais e os mercados internacionais são conhecidos como: a) traders. b) elementos de produção. c) prestadores de serviço. d) terceirizados. e) varejistas. Sistemas logísticos 04 Gestão da Produção e Logística 91 Tema 4: Sistemas logísticos Você sabia que é o sistema logístico que garante o bom funcionamento da cadeia de suprimentos? De nada adiantaria produzir se não conseguíssemos entregar os produtos aos clientes, não é mesmo? Não importa em que elo da cadeia de suprimentos a empresa esteja, ela depende da logística. Um produtor de milho precisa escoar sua produção do campo para o cerealista ou trader, a agroindústria necessita distribuir seus produtos no varejo. Portanto, sem os sistemas logísticos, as cadeias de suprimentos não poderiam funcionar. Neste tema você compreenderá a logística, como ela funciona e de que modo influencia o agronegócio. Fonte: Shutterstock Ao final deste tema, você será capaz de descrever e analisar as áreas de atuação da logística, conhecer os diferentes processos da logística e aplicá-los ao negócio rural e identificar as principais estratégias para armazenagem, manuseio, acondicionamento e transporte de produtos do agronegócio. Siga em frente e bom estudo! Tópico 1: Conceitos fundamentais da logística Neste tópico você estudará os conceitos fundamentais da logística a partir da análise de três aspectos: conceito, evolução e o que compõe a logística. Ao final você será capaz de compreender a importância da logística para as cadeias de suprimentos. Siga em frente e bom estudo! Curso Técnico em Agronegócio 92 1. O que é logística? Muito tem sido tratado sobre logística, mas você saberia identificar ou conceituar o que é a logística? O Conselho de Profissionais de Supply Chain Management (CSCMP) é um dos mais importantes órgãos mundiais e que agrega profissionais e empresas de logística. Essa instituição definiu que logística é a parte do supply chain (cadeia de suprimentos) que planeja, executa e controla a movimentação e o armazenamento de matérias-primas, materiais semiacabados e materiais acabados, desde a sua origem até o seu local de consumo, de modo a atender as exigências do cliente final (CSCMP, 2015). Fonte: Shutterstock A primeira coisa que precisamos entender são as palavras “planejar”, “executar” e “controlar”. Como vimos nos dois primeiros temas, planejar é projetar as metas que queremos alcançar e definir os passos que devemos seguir para atingir os objetivos. Feito o planejamento, devemos colocá-lo em execução e controlar essa execução para verificar se tudo está sendo realizado Gestão da Produção e Logística 93 adequadamente conforme o planejado. O planejamento e controle também se relacionam com a movimentação e o armazenamento de cargas, que são duas atividades comuns no dia a dia do agronegócio. A movimentação corresponde ao transporte das mercadorias, e a armazenagem consiste na guarda temporária de produtos. Essa movimentação e armazenagem devem acontecer de forma eficiente e dentro do prazo e a custos que permitam que as cadeias de suprimentos sejam competitivas. Essas atividades vão desde a primeira matéria-prima até o último produto acabado. Por fim, o objetivo da logística é atenderas exigências dos clientes. Confira, a seguir, a definição de logística no agronegócio. A logística no agronegócio é o processo de planejar e controlar o transporte e a armazenagem dos produtos agropecuários, de forma eficiente e economicamente viável, desde a produção rural, passando pelas agroindústrias até o varejo, onde se encontra o mercado consumidor. Assim, devemos entender que o transporte de uma fazenda de grãos até a trading (empresa de comercialização), o armazenamento pelas tradings, a movimentação do óleo bruto gerado a partir do esmagamento dos grãos e todas as atividades que envolvam o transporte e a armazenagem de produtos agrícolas e pecuários in natura, em processo ou processados, estão relacionados à logística no agronegócio. 2. Evolução da logística Onde e como surgiu a logística? A logística se originou na área militar e se aperfeiçoou ao longo dos séculos. A história da humanidade é repleta de guerras, e foi nesse contexto que a logística se desenvolveu. Alexandre, rei da Macedônia entre 336 a.C. e 323 a.C., assumiu o trono com apenas 20 anos e conquistou um império que se estendeu da Europa à Ásia, passando pelo Egito, no continente africano. Entre as suas inovações estava um planejamento logístico no qual soldados viajavam com pouco peso, e os recursos necessários para alimentação eram conseguidos à força por cavaleiros que invadiam as cidades por onde passavam seus exércitos. Isso permitiu que suas tropas marchassem 32 km por dia, em vez dos 5 km comuns à época. A logística militar da forma que conhecemos é tratada pela primeira vez como definição no reinado de Luiz XV, na França, onde desenvolveu o cargo do marechal de Logis, que tinha como função organizar a logística das tropas francesas. A independência de países na América, como Brasil e Estados Unidos, só ocorreu devido à dificuldade de portugueses e ingleses, respectivamente, em enviarem tropas que pudessem vencer os povos americanos: a logística complexa e cara inviabilizou manter a guerra para que os países se mantivessem como colônias. Curso Técnico em Agronegócio 94 ' Dica Fonte: Shutterstock O contêiner, uma das grandes invenções utilizadas nas guerras, hoje é utilizado para movimentar mercadorias. Criados originalmente para servirem de instalações médicas durante as guerras, atualmente são usados na navegação marítima e também em cargas aéreas. Você sabia que a logística que conhecemos é chamada de logística empresarial e tem nos norte-americanos seus grandes desenvolvedores? Nos anos 1950 e 1960, as universidades de Michigan e Ohio desenvolveram os primeiros cursos sobre logística. A logística chegou ao Brasil na década de 1970, com o desenvolvimento da administração de materiais nas indústrias. Nos anos 1980 surgiam inovações, como o palete-padrão brasileiro, que mede 1 m por 1,2 m. Legenda: Palete. Fonte: Shutterstock Gestão da Produção e Logística 95 Os primeiros cursos efetivamente sobre logística no Brasil começaram no início da década de 2000 e se tornaram muito comuns nas universidades e nos cursos técnicos de todo o país. Os problemas logísticos nunca foram tão evidentes e discutidos como nos dias atuais. 3. Atividades da logística A logística é composta de diversas atividades. Aqui vamos discutir aquelas que são importantes para o agronegócio. A logística envolve quatro atividades principais: gestão de estoque, gestão de transporte, gestão de armazenagem e gestão de pedidos. Gestão de estoques Gestão de transporte Gestão de armazenagem Gestão de pedidos Legenda: Atividades principais da logística. A seguir, conheça a função de cada uma dessas atividades da logística. Gestão de estoques Os materiais podem estar armazenados ou em processo. A gestão de estoque consiste na gestão da matéria-prima, dos materiais em processo e dos produtos acabados ao longo das cadeias de suprimentos. As decisões logísticas relacionadas à gestão de estoque envolvem: a determinação dos lotes de compra e produção, a quantidade de material armazenado e em processo, os índices de renovação de estoque, o tamanho do estoque de segurança necessá- rio etc. Curso Técnico em Agronegócio 96 Fonte: Shutterstock Gestão de transporte Sem o transporte, os materiais e os produtos não poderiam chegar ao cliente. É uma atividade- chave da logística, pois, sem o transporte, ela não existiria. A gestão de transporte envolve todo um conjunto de decisões logísticas como: quando transportar, como transportar, tempo de transporte, equipamento a ser utilizado etc. Fonte: Shutterstock Gestão da Produção e Logística 97 Gestão dos pedidos Todo o processo logístico só existe se houver um pedido. Por isso, a gestão dos pedidos é uma atividade-chave da logística. Ela envolve o controle de todo o sistema informacional, desde a entrada do pedido, passando pelo seu processamento nos armazéns, pelas operações de transporte, até a entrega. Fonte: Shutterstock Gestão de armazenagem Envolve decisões de como guardar e movimentar os produtos nas áreas de estocagem. As decisões em logística que a envolvem são como armazenar e movimentar, de que modo fazer a separação dos pedidos, definir os tipos de estrutura e embalagens a serem utilizadas etc. Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 98 O Informação extra Para saber mais sobre a logística, como equipamentos, inovação, estudos de caso de empresas e novidades, você pode acessar o portal da revista “Tecnologística”, em www.tecnologistica.com.br Tópico 2: Sistemas estratégicos da logística no agronegócio Neste tópico vamos estudar dois sistemas fundamentais para a produção agroindustrial: transporte e armazenagem e conservação. Ao final, você será capaz de identificar as principais estratégias para armazenagem, manuseio, acondicionamento e transporte de produtos em agronegócios. Siga em frente e bom estudo! 1. Transporte O transporte, como vimos, interliga os diversos elos em uma cadeia de suprimentos e produtiva. Tem a função de interligar os agentes e permitir que as trocas aconteçam entre um e outro ator da rede. O transporte no agronegócio pode ser essencialmente de cinco tipos: aéreo, dutoviário, ferroviário, rodoviário e aquaviário (marítimo e navegação interior). Transporte aéreo O transporte aéreo é realizado por meio de aviões de carga e de passageiros. As aeronaves transportam cargas de alto valor agregado. Esse tipo de transporte é caro devido aos seus altos custos operacionais e de investimento, o que inviabiliza o transporte de grandes volumes, como é o caso dos grãos. Geralmente é utilizado no agronegócio para o transporte de frutas de alto valor e que têm vida útil curta, pelas quais os clientes pagam valores maiores. Legenda: Avião de carga. Fonte: Shutterstock Gestão da Produção e Logística 99 Transporte dutoviário O transporte dutoviário é realizado por meio de dutos. Esse tipo de transporte nada mais é do que o uso de tubulações especiais que permitem a movimentação de produtos entre dois lugares. Geralmente, são empregados para o transporte de líquidos e gases, como petróleo e gás natural. Commodities agrícolas não costumam utilizar esse tipo de transporte. Existem projetos no Brasil que pretendem usá-lo para o transporte de etanol. Legenda: Dutovia. Fonte: Shutterstock Transporte ferroviário O transporte ferroviário foi inventado no século XVIII e é realizado por locomotivas e vagões em dois trilhos paralelos. O trem tem como diferencial sua grande capacidade de carga, afinal cada vagão pode transportar o equivalente a dois caminhões bitrem com capacidade de 80 toneladas de carga. No agronegócio é muito utilizado para o transporte de grãos, quando disponível na região. No Brasil, além desse uso, é empregado para o transportede minério de ferro, combustíveis e alguns tipos de materiais semiprocessados, como bobinas de aço. Legenda: Trem de carga. Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 100 De acordo com a Confederação Nacional do Transporte (CNT, 2013), o transporte ferroviário é vantajoso para cargas com volume maior que 40 toneladas em qualquer distância, porém, entre 27 e 40 toneladas, compete ao transporte rodoviário, sendo esse de uso ideal para distâncias superiores a 500 km. Abaixo desse peso e distância, o transporte rodoviário é mais interessante. Entretanto, é importante destacar que a disponibilidade e o preço por tonelada por km são os fatores decisivos para definir qual sistema de transporte utilizar. Transporte rodoviário O transporte rodoviário é o sistema mais tradicional empregado no agronegócio brasileiro, sendo realizado por rodovias e estradas. Esse tipo de transporte é realizado por caminhões, que podem ser de dois tipos: Caminhões rígidos X Caminhões combinados Possuem a carroceria fixa sobre o chassi do veículo. São compostos de um caminhão chamado de cavalo mecânico e um equipamento de reboque. Esse conjunto recebe o nome de carreta, mas pode ter variações conhecidas como bitrem (dois reboques) e treminhão (três reboques ou mais). Legenda: Caminhão rígido. Fonte: Shutterstock Como podemos observar na imagem anterior, o caminhão rígido tem a sua carroceria fixada sobre o chassi, portanto não é possível modificar o tipo de carroceria. Esse caminhão é usado mais para o transporte dentro das cidades devido a seu menor comprimento. Um caminhão Gestão da Produção e Logística 101 rígido geralmente transporta de 6 a 10 toneladas de carga se tiver um eixo apenas na traseira e de 10 a 14 toneladas se possuir dois eixos na traseira, sendo conhecido popularmente como caminhão “trucado’. No agronegócio, percebemos o uso de caminhões rígidos a médias distâncias para o transporte de suínos, aves, bovinos, além de produtos de hortifruticultura. Legenda: Caminhão combinado – carreta. Fonte: Shutterstock No caminhão combinado, conforme imagem anterior, a carroceria é independente do chassi do veículo, sendo estes ligados por um engate especial. A vantagem desse veículo é que o cavalo mecânico pode ser acoplado a diferentes tipos de carroceria, conforme a necessidade de transporte, conferindo flexibilidade. ` Atenção Praticamente, todos os tipos de transporte dentro do agronegócio são feitos por carretas, que podem transportar 27 toneladas com um eixo simples na traseira do cavalo mecânico e 31 toneladas se o cavalo mecânico for trucado. Nesse tipo de combinação, os chassis das correrias têm sistemas de freio que podem ser acoplados ao cavalo mecânico, por isso são chamados de semirreboques. Entretanto, alguns transportes, como o da cana-de-açúcar, usam reboques tradicionais. Esses reboques e semirreboques são conhecidos comercialmente como implementos rodoviários. O grande volume de grãos que precisa ser escoado tem levado ao surgimento de outras combinações de veículos de transportes nas estradas, como os bitrens. Curso Técnico em Agronegócio 102 Legenda: Caminhão combinado – bitrem. Fonte: Shutterstock Os caminhões do tipo bitrem são compostos de dois semirreboques articulados, que permitem altas capacidades de carga, de 40 a 46 toneladas, dependendo do comprimento, de 21 ou 25 metros aproximadamente. Os produtores de grãos têm preferido a utilização desse tipo de veículo em suas operações de transporte. Transporte aquaviário O transporte aquaviário é dividido em dois tipos: marítimo, realizado por meio dos mares por navios, geralmente interligando dois países; e navegação interior, ou transporte hidroviário, que é realizado por barcaças e trafega por hidrovias. O transporte marítimo também pode ser na costa de um país e, muitas vezes, adentrar os rios, como é o caso dos navios que adentram o Porto de Manaus (AM). ' Dica Quando a viagem é feita na costa de um único país, o transporte marítimo fica conhecido como cabotagem. Esse tipo de modal é utilizado para o transporte de produtos agrícolas em grandes quantidades, daí o principal uso para grãos. O transporte marítimo é o principal meio de transporte para exportação de produtos, pois tem o menor custo por tonelada transportado. Em geral, as cargas de produtos industrializados são transportadas em contêineres; já os grãos in natura são transportados a granel em navios dedicados, conhecidos como navios graneleiros. Gestão da Produção e Logística 103 Legenda: Navio de carga – transporte marítimo. Fonte: Shutterstock Legenda: Barcaça de carga – transporte hidroviário. Fonte: Shutterstock Legenda: Navio graneleiro. Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 104 Os navios graneleiros têm seus porões enchidos de grãos in natura. Alguns produtos, porém, podem ser transportados ensacados em sacos tradicionais ou em bags especiais para o transporte marítimo, conforme imagem a seguir, podendo ser transportados, dessa forma, grãos, areia, minério de ferro etc. O transporte hidroviário ainda é pouco utilizado no Brasil, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, porém é muito econômico, embora leve mais tempo. Cada silo de transporte de uma barcaça transporta 1.100 toneladas de carga, ou seja, o equivalente a 24 caminhões bitrens de 25 metros. Considerando que uma barcaça tem em média oito silos, isso dá uma capacidade de carga de 8.800 toneladas, o que equivale 192 caminhões bitrens. Impressionante, não? Para se ter uma relação do custo, estudos realizados durante os anos de 2014 e 2015 definem que, em média, o custo da tonelada de grão transportada da região Centro-Oeste por km por caminhão até o porto é de 11 centavos de reais, enquanto em hidrovia é de apenas 1 centavo Porém, devido aos investimentos públicos insuficientes em hidrovias, ao reduzido número de vias em condições de navegação, o sistema é pouco utilizado no Brasil, mesmo o país tendo a maior bacia hídrica do mundo (POMPERMAYER; CAMPOS NETO; PAULA, 2014; REIS; TOLOI; FREITAS, 2015). c Leitura complementar Conheça os principais equipamentos utilizados para o transporte de cargas do agronegócio no item 5 do material complementar. 2. Armazenagem e conservação No agronegócio, não basta cultivar e melhorar a produtividade. É necessário conservar e armazenar o que está sendo colhido com a finalidade de adequar suprimento e demanda, como vimos anteriormente. Legenda: Big bag. Fonte: Shutterstock Gestão da Produção e Logística 105 ` Atenção A armazenagem dos produtos geralmente é realizada em silos, como no caso dos grãos. Já produtos de origem animal são armazenados em câmeras frias após o processo de industrialização. Os silos são grandes estruturas metálicas que podem armaze- nar os produtos a granel ou em sacas, podendo ser horizontais ou verticais. Devido aos custos de montagem dos silos e ao ex- cesso de produção, atualmente produtores têm usado silos bol- sas (bags), que são colocados diretamente sobre a área de produção. Legenda: Silo vertical. Fonte: Shutterstock Legenda: Silo horizontal. Fonte: TGG (2015). Curso Técnico em Agronegócio 106 Legenda: Silo bolsa. Fonte: Shutterstock Por que devemos armazenar? A armazenagem é um processo muito importante para todas as cadeias produtivas do agronegócio, por isso é fundamental que você tenha conhecimento técnico do que está armazenando. Produtos como café, trigo, milho, soja, carnes etc. têm características diferenciadas que devem ser levadas em consideração no momento da armazenagem, independentemente da etapa. Para entender um pouco mais sobre a importância da armazenagem, leia o texto a seguir. Exemplo A armazenagem como estratégia na produçãode grãos Durante muito tempo, o produtor rural de grãos acreditava que o seu papel era apenas pro- duzir os grãos que o mercado necessitava e o cliente deveria se responsabilizar pelo escoa- mento do produto que comprou. Com o aumento da oferta e profissionalização no setor, os produtores começaram a se deparar com algumas mudanças, como: aumento da produtividade, competitividade de mercado, variação de preços de compra e padrões de qualidade requeridos. Gestão da Produção e Logística 107 Fonte: Shutterstock Assim, a soja comercializada antes da safra tinha um preço, durante a safra outro preço e no decorrer da entressafra um terceiro preço. Se o produtor não tivesse onde estocar o pro- duto, teria de vender pelo menor preço na safra para garantir que o produto não perecesse. Como os produtores não tinham áreas de armazenagem, os grandes traders passaram a comprar a soja, descontar do produtor e utilizarem suas grandes áreas de armazenagem para padronizar os grãos nos níveis aceitos internacionalmente, de 14% de umidade e, con- sequentemente, aumentar a sua lucratividade. Alguns produtores começaram a perceber a importância de terem áreas de armazenagem que reduzissem o tempo de fila que passavam nos armazéns dos traders e possibilitassem fazer a padronização da soja e, também, que permitissem estocar para vender no melhor momento, ou seja, quando o preço é maior. Você pode ver a reportagem sobre esse assunto no site: <http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2015/03/agricultores-investem-na- construcao-de-armazens-coletivos-no-parana.html>. Como são muitos os tipos e as características de armazenagem e conservação, é importante que você conheça bem os tipos de armazenagem referentes às produções da empresa em que atua. Basicamente, a conservação de produtos agrícolas e pecuários requer atendimento de algumas características, conforme listado a seguir. • Classificação – essa é uma importante atividade que existe nos armazéns; sua finalidade é verificar as características dos produtos armazenados. ' Dica O que se pretende saber na classificação é se o produto está de acordo com as especificações combinadas (padrão de qualidade exigido pelo mercado). Curso Técnico em Agronegócio 108 As amostras são retiradas por sondas pneumáticas ou manuais nos caminhões e enviadas para classificação em laboratório ou especialistas presentes dentro das plantas industriais e dos armazéns. • Limpeza – grãos possuem muitas impurezas, então, antes do processo de armazenagem, é preciso fazer uma limpeza dessas impurezas usando equipamentos específicos. • Secagem – outra atividade que pode ocorrer em armazéns é a secagem. Muitos grãos têm alta taxa de umidade e, durante o processo de armazenagem, precisam passar por um pro- cesso de redução dessa. Muita umidade pode estragar os grãos durante o período em que ficam armazenados. A secagem, geralmente, é feita por secadores industriais. • Movimentação – cada vez mais os grãos têm sua movimentação realizada por sistemas au- tomatizados, sendo possível controlar o car- regamento e a vazão por sistemas computa- cionais, esteiras e elevadores de caneca que são usados nesse processo. Elevadores de caneca Sistema para elevação vertical de cargas. Recebe esse nome por ser composto de recipientes móveis que coletam o material e despejam a carga automaticamente ao alcançarem o nível superior. Legenda: Exemplo de esteira de transporte. Legenda: Secador de grãos. Fonte: Shutterstock Gestão da Produção e Logística 109 • Conservação – depende das características do produto. As carnes, por exemplo, requerem câmeras frias para manter a refrigeração necessária para assegurar a inocuidade e qualidade do produto. Ao encerrar este assunto de armazenagem e conservação, é fundamental que você, como técnico em agronegócio, aperfeiçoe-se sobre as características e necessidades dos produtos com que vier a trabalhar. j Atividades práticas Você saberia dizer o que é mais importante para o produtor rural: produzir ou distribuir? Pense bem sobre o que aprendeu até aqui e relacione a importância dos sistemas de produção e da logística para o agronegócio. Encerramento do tema Neste tema, estudamos os sistemas logísticos do agronegócio. Aprendemos um pouco sobre logística, como esta evoluiu ao longo dos anos e quais são as suas principais atividades. Também tivemos a oportunidade de conhecer os principais sistemas de transporte no agronegócio, bem como os equipamentos utilizados. Por fim, vimos a importância da armazenagem e os tipos de equipamentos empregados para esse fim. Fonte: Shutterstock Legenda: Elevador de caneca. Curso Técnico em Agronegócio 110 Buscamos, assim, atingir os objetivos de descrever e analisar as áreas de atuação da logística, conhecer os diferentes processos da logística e saber como aplicá-los ao negócio rural e de que modo identificar as principais estratégias para armazenagem, manuseio, acondicionamento e transporte de produtos do agronegócio. Dessa maneira, finalizamos a parte de sistemas logísticos e vamos agora discutir um pouco sobre os desafios da produção e da logística agroindustriais. Siga em frente e bom estudo! Atividades de aprendizagem 1. Indique a seguir qual das atividades não corresponde a uma atividade da logística no agronegócio. a) gestão de pedidos b) gestão de estoques c) gestão de armazenagem d) gestão de transportes e) gestão de equipamentos 2. Você precisa escoar uma produção de 100 mil toneladas de grãos. De uma forma geral, se você pudesse escolher qualquer modo de transporte, qual você utilizaria, considerando a capacidade de carga? a) Aéreo. b) Rodoviário. c) Dutoviário. d) Ferroviário. e) Hidroviário. Gestão da Produção e Logística 111 3. Por que você precisa de um secador para a armazenagem de grãos? a) Para misturar os grãos. b) Para aumentar o volume dos grãos. c) Para eliminar a umidade dos grãos. d) Para reduzir a umidade dos grãos. e) Para eliminar o pó presente nos grãos. 4. Os transportadores, visando aumentar a capacidade de transporte no agronegócio, têm aumentado o número de semirreboques utilizados. Os caminhões mais comuns usados no transporte rodoviário possuem quantos semirreboques? a) Zero. b) Um. c) Dois. d) Três. e) Quatro. 5. O transporte realizado por embarcações na costa de um mesmo país é conhecido como: a) marítimo. b) rodoviário. c) aquaviário. d) dutoviário. e) cabotagem. Tópicos especiais sobre produção e logística 05 Gestão da Produção e Logística 113 Tema 5: Tópicos especiais sobre produção e logística Neste último tema vamos tratar alguns aspectos importantes sobre a produção e o processo logístico que precisarão ser enfrentados por você, técnico em agronegócio, caso venha a trabalhar com operações de produção e logística. O objetivo dessa temática é fazer com que você entenda melhor o funcionamento dos sistemas de produção rural diante da ótica dos desafios enfrentados pelo setor. Fonte: Shutterstock Siga em frente e bom estudo! Curso Técnico em Agronegócio 114 Tópico 1: Os desafios da produção no agronegócio Quando tratamos do agronegócio, muitos desafios têm sido enfrentados diariamente por empresas, produtores, profissionais, equipes de assistência técnica. Infelizmente, como a maioria das operações, o agronegócio tem sido centrado no custo em vez de na melhoria de processo. Quando pensamos em custo, temos a tendência de querer gastar o menos possível no processo e repassar responsabilidades. Atualmente, o agronegócio tem se concentrado em como produzir mais gastando menos e repassando as responsabilidades. Assim, o que se considera responsabilidade de outros, como financiamentoe infraestrutura logística, fica aguardando respostas que, na maioria das vezes, não são dadas. Esse tipo de postura faz com que o agronegócio seja cada vez mais produtivo da porteira para dentro e cada vez menos eficiente da porteira para fora. Você, como técnico em agronegócio, terá de pautar suas ações num ambiente comercial como esse. Se o agronegócio fosse mais orientado à melhoria de processos, poderia conseguir ganhos de escala e eficiência logística e de produção ao mesmo tempo, portanto, mesmo que isso indicasse um custo maior, no futuro haveria ganhos de competitividade logística e de produção, que tornariam o agronegócio brasileiro altamente competitivo. Nesse contexto, vamos inicialmente discutir um pouco mais essa problemática no cenário da produção agroindustrial. Siga em frente e bom estudo! 1. Os gargalos nas operações agroindustriais As atividades de produção geralmente são controladas na operação, quando podem ocorrer restrições ou gargalos. O gargalo nada mais é do que a restrição ao fluxo da operação. Suponhamos a seguinte operação: Produção de soja: 1.000.000 t Capacidade de transporte: 800.000 t Capacidade de armazenagem: 500.000 t Capacidade de esmagamento de soja: 1.000.000 t Legenda: Operação de produção. j Atividades práticas Antes de continuar, faça uma análise da operação anterior e responda: Você conseguiria saber qual o gargalo da operação? Se observar atentamente, verá que a capacidade de armazenagem restringe o sistema, uma vez que se resume apenas à metade do que o sistema precisa fluir. Isso faz com que o sistema se torne lento e só consiga processar 500 mil toneladas de soja, que é a capacidade Gestão da Produção e Logística 115 de armazenagem, mesmo tendo capacidade de produzir 1 milhão de toneladas e esmagar 1 milhão de toneladas. ` Atenção Esse gargalo afeta a operação de esmagamento, que trabalha apenas com 50% da capacidade de produção. A solução para o problema seria o gerente industrial decidir dobrar a capacidade de armazenamento da esmagadora. Isso requer investimentos, e o gerente industrial precisaria saber se haveria demanda para toda a produção de óleo de soja e farelo que produziu. Por sua vez, se esse problema fosse resolvido, o gargalo também seria resolvido, mas criaria um novo gargalo, que é a operação de transporte, em que o gerente industrial poderia contratar mais veículos de transporte para resolver esse novo gargalo. Em síntese, a ideia de redução de gargalo é simples, mas as implicações nem sempre. Para toda ação, você gera o que chamamos de trade-off, ou seja, para cada solução geramos um novo problema para solucionarmos. Trade-off É uma expressão inglesa que indica uma situação na qual você deve escolher entre duas coisas opostas ou que você não pode ter ao mesmo tempo. Isso acontece porque as soluções nem sempre são lineares e precisamos tomar uma série de decisões que afetam custo e produtividade. Vamos exemplificar um pouco: Exemplo Imagine que você fez um investimento para aumentar a capacidade de armazenagem, mas houve redução da demanda ou da produção agrícola e você ficará com área ociosa e talvez não tenha o retorno do investimento ou, pior, terá capital preso a custos fixos. No início da década de 2000, a General Motors acreditou que a demanda de automóveis brasileira seria muito grande nos anos seguintes e fez alguns investimentos em unidades fabris. Entretanto, o cenário foi bem menos otimista e a empresa teve prejuízos. Consegue perceber a importância da demanda no efeito investimento? Portanto, é preciso ter cuidado na tomada das decisões que visem reduzir esses gargalos. É necessário entender que existe um conjunto de várias decisões que devem ser levadas em consideração ao mudarmos a capacidade de processo. Curso Técnico em Agronegócio 116 2. O papel da mão de obra Uma função que tem um papel importante na produção agroindustrial é a mão de obra. Sem esta, as operações não poderiam ocorrer. Na produção em larga escala, a quantidade de mão de obra tem diminuído devido à automatização. ` Atenção O plantio e a colheita deixaram de ser manuais em grande parte das cadeias produtivas. Por outro lado, passou a exigir uma mão de obra mais qualificada, com capacidade de operar os novos equipamentos e tecnologias. Algumas agroindústrias são muito automatizadas, como as usinas de açúcar e etanol, que têm pouca influência da mão de obra no processo. Nos frigoríficos, entretanto, embora tenham um grande número de sistemas automatizados, existe uma grande quantidade de mão de obra na linha de produção. Fonte: Shutterstock O processo de gestão agrícola ou agroindustrial precisa conseguir adequar a sua mão de obra para atender os novos requisitos da produção moderna. No entanto, a baixa remuneração em algumas atividades e/ou baixo grau de instrução dos empregados ainda afeta em muito a competitividade das cadeias agroindustriais. d Comentário do autor O que podemos compreender é que o resultado que se vê, na prática, é um conjunto de operações sem oferta de mão de obra qualificada, por não atenderem as condições exigidas ou pela competição com outras cadeias que, muitas vezes, remuneram melhor. Gestão da Produção e Logística 117 Esse trade-off de gestão precisa ser enfrentado pelos gestores e você, como técnico em agronegócios, pode vir a atender tanto a necessidade dessa mão de obra qualificada como vir a trabalhar como gestor de processo e ter de lidar com esses problemas. 3. Desafios da produção no agronegócio Quando analisamos a perspectiva da produção no agronegócio, muitos desafios precisam ser enfrentados. Embora o Brasil tenha uma alta produtividade em diversas cadeias produtivas, enfrenta desafios enormes no processo produtivo. “[...] o agronegócio brasileiro enfrenta o desafio de manter-se competitivo e ao mesmo tempo corresponder às expectativas acerca de sua capacidade de auto-sustentação” (SANTIAGO, 2013, p. 58). Assim, o primeiro desafio que precisa ser enfrentado é a grande dependência de insumos importados. Embora o Brasil tenha solos férteis, a produção em larga escala não permite que a produção seja feita considerando apenas a natureza do solo. Diversos componentes químicos são adicionados ao solo para que possa aumentar a produtividade e resistir ao um plantio continuo ano após ano. ` Atenção Esses componentes, muitos importados, principalmente componentes de adubos e defensivos, encarecem o processo produtivo, sendo preciso encontrar maneiras para reduzir essa influência. Existe um movimento para redução dessa dependência. Segundo a Sociedade Nacional de Agricultura (SNA, 2015), houve uma redução da importação de fertilizantes intermediários nos cinco primeiros meses de 2015 se comparado com o mesmo período de 2014, sendo as importações da ordem de 7.255 mil toneladas. Entretanto, afirmam que o Brasil deve continuar a depender de fertilizantes internacionais, pois a produção de fertilizantes demanda um alto investimento não disponível no país no momento. Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 118 Outro desafio é a redução do uso de pesticidas. Os defensivos agrícolas são necessários para permitir a produção em larga escala. As lavouras estão sujeitas a diversas pragas que podem comprometer toda a produção. O uso de sementes geneticamente modificadas pelos produtores de milho e soja foram adotadas como uma solução, mas é difícil saber efetivamente seus impactos e se são menores do que o dos defensivos agrícolas. ` Atenção Assim, grupos de ambientalistas fazem pressões para a redução de seu uso, ao mesmo tempo em que grupos interessados pressionam pelo maior uso desses produtos. Esse enorme desafio precisa ser superado, uma vez que a sustentabilidade é a palavradesse novo século, mas a produção crescente para atender a demanda também é indispensável. A alteração climática é outro desafio para a produção agroindustrial. O mundo vem sofrendo com o aquecimento global, e as variações climáticas afetam diretamente a agricultura, que depende de chuva em quantidades exatas e nos períodos certos e de temperaturas adequadas a cada tipo de plantio. Assim, o tempo cada vez mais desempenha um papel essencial no agronegócio. Na pecuária, a qualidade das carnes será o grande desafio da produção agroindustrial. A exigência por produtos mais saudáveis, com baixo teor de gordura, rastreamento dos animais do nascimento até a chegada da carne no varejo, o bem-estar animal e a condição do produto servido ao consumidor são desafios e correspondem à qualidade exigida nos mercados, que precisam ser enfrentados. A qualificação da mão de obra também é um desafio a ser encarado. Como reduzir a rotatividade de empregados? Como obter empregados mais qualificados? Como aumentar a produtividade desses empregados, que está muito abaixo dos países do Primeiro Mundo? Além disso, como fazer com que esses empregados tirem o máximo proveito de todas as inovações e equipamentos de última geração utilizados na produção agrícola e agroindustrial? São perguntas a que precisamos responder e equacionar. Portanto, os desafios da produção no agronegócio são diversos, na maioria das vezes interdependentes, mas é de extrema importância que os envolvidos no processo unam forças para resolvê-los em prol de uma produção mais viável e sustentável. Siga em frente e bom estudo! Gestão da Produção e Logística 119 Tópico 2: Os desafios logísticos da produção do agronegócio A logística tem sido apontada como a grande vilã da falta de competitividade das cadeias agroindustriais brasileiras. Todos os dias diversas matérias são colocadas nos jornais indicando os muitos problemas logísticos e como eles afetam o agronegócio. O que de fato podemos perceber é que existe uma série de problemas logísticos que parecem se repetir ao longo dos anos, sem uma solução aparente, e os projetos parecem caminhar a passos de “tartaruga”. Neste tópico vamos ver mais a fundo essa questão e tentar entender o papel da logística no agronegócio. 1. Os gargalos logísticos Como vimos no tópico anterior, o gargalo nada mais é do que a restrição ao fluxo da operação. O primeiro gargalo logístico que temos é a falta de transporte, a má distribuição da matriz de transporte para fazer o escoamento das safras. No Brasil, cerca de 60% do transporte é realizado por caminhões (IPEA, 2010) e, como vimos, eles têm capacidade de carga inferior à dos trens, das barcaças e dos navios. A figura seguinte apresenta um comparativo entre as capacidades de cada modal de transporte. Comparativo modais de transportes 2,9 comboios Hopper 86 vagões de 70 t Ferroviário 172 carretas de 35 t Rodoviário 1 comboio - 6.000 t (4 chatas e empurrador) Navegação interior Fonte: CNT (2013b). Curso Técnico em Agronegócio 120 Enquanto um comboio tem capacidade de 6 mil toneladas, as carretas trabalham com 35 toneladas e, mesmo com a adoção de caminhões do tipo bitrem, o modal hidroviário é mais competitivo. O ideal para o Brasil seria equilibrar sua matriz de transporte em relação aos países de primeiro mundo, conforme podemos ver na figura a seguir. Embora o caminhão não vá desaparecer do processo, isso traria uma redução dos custos da logística interna. Comparativo - matriz de transporte Fonte: CNT (2013b). Rússia Canadá Ferrovia Estados Unidos Brasil Austrália México 80 60 40 20 0P ar tic ip aç ão d os m od ai s de tr an sp or te Comparativo - matriz de transporte Rodovia Hidrovia Os Estados Unidos, por exemplo, nosso principal competidor no agronegócio, possui uma matriz de transporte muito mais equilibrada, e isso se reflete nos custos de transporte interno. O Informação extra Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, enquanto um transporte da soja do país, no ano de 2012, de Champaign, no estado norte- americano do Illinois, era transportado por 1.200 km por barcaças a um custo médio de 28 dólares, um transporte similar no Brasil, na mesma faixa de distância, tinha um custo de aproximadamente 70 dólares por caminhão (SALIN, 2013; USDA/AMS, 2014). De acordo com Salin (2013), os Estados Unidos transportam por ferrovia e hidrovia cerca de 96% da sua produção de grãos. O segundo gargalo logístico é a quantidade de infraestrutura logística. O Brasil tem 1.580.964 km de rodovias, e apenas pouco mais de 10% é pavimentada, ou exatamente 212.798 km Gestão da Produção e Logística 121 Legenda: Hidrovia Tietê–Paraná. Fonte: Paraná Trade (2015). (WORLD FACT BOOK, 2015). O país carece de infraestrutura para suas hidrovias. Segundo a CNT (2013b), o Brasil dispõe de uma bacia hidro- gráfica de 63 mil quilômetros. Entre- tanto, apenas pouco mais de 20.000 km são de vias navegáveis. Em 2012 foram transportados por hidrovia cerca de 80,9 milhões de toneladas, o que é pouco comparado com a necessidade de transporte brasileira. Em 2014, a Hidrovia Tietê–Paraná interrompeu suas operações devido à estiagem ocorrida na região Sudeste (SNA, 2015b). O transporte ferroviário de cargas e passageiros opera oficialmente em 28.000 km (IPEA, 2010), mas muitos trechos são não operacionais. As obras em andamento ocorrem a passos lentos devido aos entraves burocráticos, à falta de dinheiro e de mão de obra. Além disso, o investimento enfrenta resistência de ambientalistas e processos de auditoria de contas que atrasam ainda mais essas obras e geram mudanças que, muitas vezes, tornam inviáveis a sua execução. Um terceiro gargalo logístico é a falta de estruturas de armazenagem. Isso causa um colapso da estrutura logística durante o período de safra e faz com que os grãos se percam por falta de áreas de armazenagem ou mesmo que sejam vendidos a preços baixos por não haver capacidade de armazenagem necessária para escolher um melhor momento de venda. Vencer esses gargalos é fundamental para o bom desenvolvimento do país. 2. A competição internacional As cadeias de suprimentos estão sujeitas a competição internacional. O custo do transporte brasileiro de grãos é cinco vezes maior do que o norte-americano. Como resultado, sobra mais dinheiro no bolso do produtor americano do que no do produtor brasileiro, mesmo com o valor da soja no porto sendo o mesmo. A competição internacional pressiona o Brasil na direção de buscar investimentos e os agentes da cadeia produtiva a buscarem soluções para reduzirem seus custos. A competitividade brasileira passa por investimentos maciços em logística e pela conscientização dos atores nas cadeias de suprimentos do agronegócio de que todos são responsáveis pelo processo logístico, e não somente os governos. Curso Técnico em Agronegócio 122 3. Desafios da logística no agronegócio Basicamente, são quatro os desafios da logística no agronegócio: Melhorar o processo de escoamento da produção. É preciso utilizar modais de transporte de grande capacidade, como ferrovias e hidrovias, e ao mesmo tempo melhorar a infraestrutura rodoviária. Preparar a mão de obra para o boom logístico de que o Brasil precisa. É necessário ter profissionais que entendam a competitividade internacional e conheçam as soluções utilizadas por outros países de sucesso. Melhorar a rede de armazéns ao longo das cadeias de suprimentos. É um desafio que deve ser enfrentado e que não virá somente por meio de ação do governo. Algumas cooperativas e produtores rurais começam a entender a importância dessas áreas de armazenagem para os negócios e a investir na atividade. Melhorar a infraestruturaportuária. A competitividade começa na capacidade de escoamento na saída dos produtos para o comércio internacional. Como os navios são de operadores privados, estes preferem transportar cargas para portos eficientes, que reduzem o tempo de atracação e, por consequência, aumentam o retorno. Assim, modernizar os portos brasileiros a padrões internacionais é um desafio essencial da logística. O Informação extra Se você quiser saber mais sobre os desafios da logística e como isso influencia no agronegócio, pesquise o site do Instituto de Logística e Supply Chain. Lá você encontrará diversos materiais e artigos que tratam sobre o tema: <http://www. ilos.com.br/web/artigos-2>. Gestão da Produção e Logística 123 Encerramento do tema Neste tema estudamos os desafios da produção agroindustrial e da logística. Aprendemos quais são os principais gargalos que afetam a produção rural e o agronegócio. Além disso, pudemos evidenciar os desafios que temos de enfrentar em relação ao agronegócio brasileiro se quisermos continuar sendo competitivos no mercado. Fonte: Shutterstock Siga em frente para realizar a atividade de aprendizagem deste tema e, na sequência, siga para o encerramento desta unidade curricular. Atividades de aprendizagem 1. Qual dos gargalos seguintes NÃO corresponde a um gargalo logístico? a) Infraestrutura. b) Falta de mão de obra especializada. c) Falta de áreas de armazenagem. d) Falta de hidrovias. e) Excesso de insumos vindos de mercados internacionais. Curso Técnico em Agronegócio 124 2. A operação a seguir apresenta um gargalo. Indique qual e justifique a sua resposta, apre- sentando uma solução para o problema. Produção de frango: 8.000 aves mês Processamento na agroindústria: 7.000 aves mês Capacidade de congelamento: 5.000 aves mês Capacidade de venda 10.000 aves mês 3. Entre os diversos problemas relacionados com a mão de obra que afeta a competitividade no agronegócio, qual é o mais importante/preocupante? a) Alta remuneração. b) Baixo grau de instrução. c) Desconhecimento dos equipamentos. d) Falta de comprometimento do empregado. e) Dificuldade de encontrar trabalhadores que queira viver no campo. 4. Na exigência por produtos mais saudáveis, com baixo teor de gordura, o rastreamento será um desafio para quem? a) Pecuária. b) Agricultura. c) Indústria. d) Varejo. e) Distribuidor. 5. Complete a frase com a alternativa correta: “Melhorar o processo de escoamento da produção é um desafio _____________”. a) da produção b) agrícola c) logístico d) rural e) do varejo Gestão da Produção e Logística 125 Encerramento da unidade curricular Chegamos ao final da Unidade Curricular Gestão da Produção e Logística. No decorrer dos cinco temas, tivemos a oportunidade de estudar os fundamentos da produção, compreender mais sobre as atividades de planejamento e controle e como se relacionam à produção agroindustrial. Descobrimos o que são cadeias de suprimentos e cadeias produtivas e como as organizações se relacionam e competem em redes. Entendemos o papel da logística no agronegócio, compreendendo suas atividades e a sua função no agronegócio. No final, estudamos os desafios da produção agroindustrial e da logística. Esperamos que, dentro da sua formação de técnico em agrone- gócio, os conhecimentos aqui apresentados possam tornar o seu trabalho mais eficiente e colaborar para o desenvolvimento das cadeias produtivas do agronegócio brasileiro. Os seus estudos não devem parar por aqui, e você deve buscar novos materiais e desafios que lhe permitam tornar-se um profissional cada vez mais capacitado para enfrentar os desafios atuais e futuros do agronegócio. Desejamos muito sucesso em sua caminhada! Curso Técnico em Agronegócio 126 Referências Básicas BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento, organização e logística empresarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. CAIXETA-FILHO, J. V.; GAMEIRO, A. H. Transporte e logística em sistemas agroindustriais. São Paulo: Atlas, 2001. CORRÊA, H. L.; CORRÊA, C. A. Administração da produção e operações: manufatura e serviços: uma abordagem estratégica. São Paulo: Atlas, 2004. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da produção. Revisão técnica de Henrique Côrrea e Irineu Gianesi. São Paulo: Atlas, 2009. Complementares ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA PRODUTORA E EXPORTADORA DE CARNE SUÍNA (ABIPECS). Estatística: destinação: principal destinação da carne suína brasileira, 2006-2014. Disponível em: <http://www.abipecs.org.br/uploads/relatorios/ingles/destinations/main- destinations>. Acesso em: 9 set. 2015. BATALHA, M. O. (Coord.). Gestão agroindustrial. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2012. 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Livestock and poultry: world markets and trade. October 2011. United States Department of Agriculture. Disponível em: <http://www.minagri. gob.ar/new/0-0/programas/dma/usda/livestock_and_poultry-world_markets_and_trade/dlp- 2011-2_octubre.pdf>. Acesso em: 9 set. 2015. ______. Livestock and poultry: world markets and trade. April 2015. United States Department of Agriculture. Disponível em: <http://apps.fas.usda.gov/psdonline/circulars/livestock_poultry. pdf>. Acesso em: 9 set. 2015. FRANCISCHINI, P. G.; GURGEL, F. do A. Administração de materiais e do patrimônio. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002. GAITHER, N.; FRAZIER, G. Administração da produção e operações. 8. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2002 HANDFIELD, R. B.; NICHOLS, E. L. Introduction to supply chain management. New Jersey: Prentice Hall, 1999. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATISTICA (IBGE). Levantamento sistemático da produção agrícola. 2013. 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Disponível em: <https://www.cia.gov/library/publications/the- world-factbook/geos/br.html>. Acesso em: 4 nov. 2015. Gestão da Produção e Logística 129 Gabarito Tema 1 Questão 1 a) A alternativa A está incorreta. Comercializar o trigo é uma função de marketing, como vimos no tópico 3, que engloba o departamento de vendas. Cabe à administração da produção informar as quantidades em estoque e a previsão de produção. Reveja os tópicos 1 e 3. b) A alternativa B está incorreta. Controlar a quantidade de horas de trabalho para o pagamento de horas extras é uma função de apoio relacionada aos recursos humanos. Cabe à produção utilizar a mão de obra respeitando a jornada de trabalho e horas extras da empresa de acordo com as necessidades da produção. Reveja os tópicos 1 e 3. c) A alternativa C está incorreta. As agroindústrias negociam com a função marketing e seu departamento comercial. Cabe à produção entregar as quantidades vendidas de acordo com o seu fluxo de produção e disponibilidade do cliente. Reveja os tópicos 1 e 3. d) A alternativa correta é a D. A administração da produção gerencia os insumos, o processo produtivo e a entrega dos produtos. Assim, envolve controlar máquinas, equipamentos e o processo produtivo. e) A alternativa E está incorreta. Tornar a empresa mais competitiva é função de todos os departamentos da empresa, e não apenas da produção. Reveja o capítulo para perceber como os conceitos apresentados contribuem para competitividade das empresas. Questão 2 a) A alternativa correta é a A. O volume de uma usina de produção de açúcar e etanol é alto para o maior aproveitamento da unidade produtiva. A variedade é baixa, visto que só se usa como matéria-prima a cana-de-açúcar e os produtos são essencialmente o etanol e o açúcar. A variação é alta porque, como vimos no texto, as usinas chegam a ficar quatro meses sem operação. A visibilidade é baixa haja vista o consumidor final ter pouco acesso às usinas de açúcar e etanol. b) A alternativa B está incorreta. O volume de uma usina de produção de açúcar e etanol não é baixo, visto que, para o maior aproveitamento da unidade produtiva, deve-se produzir em larga escala. A variedade não é alta porque só se usa como matéria-prima a cana- de-açúcar e os produtos são essencialmente o etanol e o açúcar. A variação não é baixa, porque as usinas não funcionam durante todo o ano. A visibilidade não é alta porque o consumidor final tem pouco acesso às usinas de açúcar e etanol. Reveja o tópico 1 e o material complementar. c) A alternativa C está incorreta. O volume de uma usina de produção de açúcar e etanol não é baixo, pois, para o maior aproveitamento da unidade produtiva, deve-se produzir em larga escala. A variedade realmente é baixa, pois só se usa como matéria-prima apenas Curso Técnico em Agronegócio 130 a cana-de-açúcar e os produtos são essencialmente o etanol e o açúcar. A variação não é baixa, porque, se assim fosse, as usinas deveriam funcionar próximo da plena capacidade durante todo o ano, o que não acontece na prática. A visibilidade realmente é baixa porque o consumidor final pouco tem acesso às usinas de açúcar e etanol. Você identificou corretamente duas das quatro situações, o que significa que ainda precisa estudar mais. Reveja o tópico 1 e o material complementar. d) A alternativa D está incorreta. O volume de uma usina de produção de açúcar e etanol realmente é alto para o maior aproveitamento da unidade produtiva. A variedade é baixa, e não alta, pois só se usa como matéria-prima a cana-de-açúcar e os produtos são essencialmente o etanol e o açúcar. A variação também é alta porque, como vimos no texto, as usinas chegam a ficar quatro meses sem operação. Porém, a visibilidade não é alta visto que o consumidor final não tem acesso às usinas de açúcar e etanol. Você identificou corretamente duas das quatro situações, o que significa que ainda precisa estudar mais. Reveja o tópico 1 e o material complementar. e) A alternativa E está incorreta. O volume de uma usina de produção de açúcar e etanol é alto para o maior aproveitamento da unidade produtiva. A variedade realmente é baixa, pois só se usa como matéria-prima a cana-de-açúcar e os produtos são essencialmente o etanol e o açúcar. Entretanto, a variação não é baixa, porque, se assim fosse, as usinas deveriam funcionar próximo da plena capacidade durante todo o ano, o que não acontece na prática. A visibilidade realmente é baixa haja vista o consumidor final ter pouco acesso às usinas de açúcar e etanol. Você identificou corretamente duas das quatro situações, o que significa que ainda precisa estudar mais. Reveja o tópico 1 e o material complementar. Questão 3 a) A alternativa A está incorreta. A estratégia de produção só poderia ser considerada de baixo para cima se o novo presunto fosse oferecido mediante a capacidade de produção em desenvolver um presunto de baixo teor de gordura. Nesse caso, essa capacidade ainda não existe. Reveja o tópico 3. b) A alternativa B está incorreta. Da mesma forma que a estratégia de baixo para cima, a estratégia de produção só seria baseada em recursos se a função produção descobrisse que possui os empregados habilitados para o trato dos animais e a criação de suínos com pouca gordura.Além disso, precisaria ter os recursos industriais adequados, que não é o caso aqui também. c) A alternativa correta é a C. A estratégia de produção foi baseada numa decisão de cima para baixo, ou seja, os administradores decidiram que iriam oferecer um produto diferenciado a partir do próximo ano e vão alterar a estratégia produtiva para atender a estratégia empresarial. d) A alternativa D está incorreta. A estratégia de produção só se basearia no mercado se fosse identificado pela função marketing um mercado que deseja comprar o presunto de baixo teor de gordura e pudesse adaptar a estratégia de produção para atender esse mercado específico. Gestão da Produção e Logística 131 e) A alternativa E está incorreta. Se você respondeu essa alternativa, não compreendeu de forma satisfatória o tópico 3. Sugerimos rever todo o tópico e discutir as dúvidas com seu tutor e nos fóruns de estudo. Questão 4 a) Alternativa incorreta. Luz e fertilizante são insumos, mas a semente é uma matéria-prima, pois será transformada, e a água também é um insumo. b) Alternativa incorreta. Luz é um insumo, e não uma matéria-prima. Fertilizante e água são insumos, mas as sementes não. c) Alternativa incorreta. Luz, água e fertilizante são insumos, e não matéria-prima, pois são complementares ao processo produtivo. d) Alternativa incorreta. Luz e fertilizante são insumos, porém sementes são matéria-prima e a água é insumo. e) Alternativa correta. Luz, fertilizante e a água são insumos; e as sementes, matéria-prima. Questão 5 a) Alternativa incorreta. Conceito de customização, e não de processo. b) Alternativa incorreta. Conceito de visibilidade, e não de processo. c) Alternativa correta. Essa é a definição de processo apresentada. d) Alternativa incorreta. Conceito de valor e serviço de Slack, e não de processo. e) Alternativa incorreta. Conceito de insumo, e não de processo. Tema 2 Questão 1 a) A alternativa A está incorreta. O carregamento da produção é essencial para o planejamento e controle da produção, pois permite alocar recursos nas operações, como hora-máquina e hora-homem no processo de colheita. Se você errou, releia o tópico 1 do tema 2. b) A alternativa B está incorreta. O sequenciamento é uma atividade do planejamento e controle da produção que objetiva estabelecer uma sequência de operações que deve ser seguida para gerar o produto final, por exemplo, um produto agrícola que exige a preparação do solo, o plantio, a manutenção, a colheita, a distribuição, nessa sequência. Se você errou, releia o tópico 1 do tema 2. Curso Técnico em Agronegócio 132 c) A alternativa C está incorreta. A programação é a atividade do planejamento e controle da produção que programa detalhadamente os movimentos e os tempos de início e final de cada atividade na produção. Se você errou, releia o tópico 1 do tema 2. d) A alternativa D está incorreta. O monitoramento e controle da operação também é uma atividade do planejamento e controle da produção responsável por monitorar e controlar as operações produção em andamento. Se você errou, releia o tópico 1 do tema 2. e) A alternativa correta é a E. Como vimos anteriormente, a gestão de estoques trata das atividades de planejamento e controle de estoques, e não das atividades do planejamento e controle da produção. Questão 2 a) A alternativa A está incorreta. Como estudamos, o custo de oportunidade é custo econômico que temos quando optamos por determinada ação e, embora seja importante para uma a tomada de decisão do gestor, este não é o primeiro fator a se considerar no planejamento de capacidade. Reveja o tópico 2 desse tema. b) A alternativa correta é a B. Como vimos, quando precisamos lidar com o planejamento da capacidade, a primeira etapa é entender os números referentes à demanda, se teremos mercado para os produtos. Assim, numa produção agrícola o primeiro passo seria verificar se vamos ter demanda para o milho que pretendemos plantar, por exemplo, e o quão confiáveis são esses números. c) A alternativa C está incorreta. Como vimos, a atividade de armazenagem muitas vezes não é pensada no processo de produção agrícola, entretanto, deveria ser um dos itens importantes no planejamento da capacidade. Reveja o tópico 2 desse tema. d) A alternativa D está incorreta. O capital de giro é aquele que a empresa utiliza para financiar sua produção. Entretanto, esse não deve ser o primeiro fator a ser levado em conta para o planejamento da capacidade, e sim para a manutenção das operações. Reveja o tópico 2 desse tema. e) A alternativa E está incorreta. Alocar os recursos com a operação a ser realizada é uma atividade de carregamento da produção, que se trata de uma atividade do planejamento e controle de produção. Faça uma revisão dos tópicos 1 e 2 desse tema e tente novamente. Questão 3 A alternativa correta é a E. Os passos para calcular a capacidade do projeto são: 1. Calcule o tempo de produção semanal. Semana = 7 dias Horas trabalhadas por dia = 8 horas 7 X 8 = 56 horas/semana Gestão da Produção e Logística 133 2. Calcule a capacidade de projeto. 2.000 litros de óleo por hora X 56horas/semana = 112.000 litros de óleo/semana Questão 4 a) Alternativa incorreta. Toda operação tem uma oferta e demanda que são muito difíceis de serem reguladas. O ideal seria que a quantidade produzida fosse a vendida. Assim, estoque de segurança é a quantia mínima existente em um sistema para que este não pare de funcionar. b) Alternativa incorreta. A capacidade de projeto é aquela estabelecida no momento do planejamento da planta de produção. c) Alternativa correta. O Just-in-Time é um sistema de produção que visa à redução de estoques, uma vez que o fornecimento é realizado no momento da produção e os produtos são fabricados sob encomenda e com rigoroso controle do tempo de entrega pela indústria. Além disso, foi a nomenclatura utilizada pelos ocidentais para adaptar o sistema Toyota de produção. d) Alternativa incorreta. Toda atividade de produção tem uma sequência de operações, conhecida como sequenciamento, que deve ser seguida para gerar o produto final. Assim, para um produto agrícola, geralmente a sequência é a preparação do solo, o plantio, a manutenção, a colheita e a distribuição. e) Alternativa incorreta. A sigla STP é utilizada para designar o sistema Toyota de produção, ou seja, é reconhecida como sinônimo do sistema de produção japonês. Questão 5 a) Alternativa correta. Estoques vinculam o dinheiro como capital de giro, reduzindo a capacidade de investimento da empresa (verdadeiro); estoques representam custo de armazenamento e não aumentam necessariamente a competitividade da empresa (falso); estoques se tornam obsoletos com o passar do tempo (falso); estoques realmente podem trazer perigos no armazenamento, como é o caso dos inflamáveis (verdadeiro). b) Alternativa incorreta. Estoques vinculam o dinheiro como capital de giro, reduzindo a capacidade de investimento da empresa (verdadeiro); estoques representam custo de armazenamento e não aumentam necessariamente a competitividade da empresa (falso); estoques se tornam obsoletos com o passar do tempo (falso); entretanto, estoques realmente podem trazer perigos no armazenamento, como é o caso dos inflamáveis (verdadeiro), e não é falso como na alternativa. c) Alternativa incorreta. Estoques vinculam o dinheiro como capital de giro, reduzindo a capacidade de investimento da empresa (verdadeiro); estoques representam custo de armazenamento e não aumentam necessariamente a competitividade da empresa (falso), não sendo verdadeiro como está na alternativa; estoques se tornam obsoletos com o passar do tempo (falso), não sendo verdadeiro como está na alternativa; estoques realmente Curso Técnico em Agronegócio 134 podem trazer perigosno armazenamento, como é o caso dos inflamáveis (verdadeiro), não sendo falso como está na alternativa. d) Alternativa incorreta. Estoques vinculam o dinheiro como capital de giro, reduzindo a capacidade de investimento da empresa (verdadeiro), não sendo falso como está na alternativa; estoques representam custo de armazenamento e não aumentam necessariamente a competitividade da empresa (falso); estoques se tornam obsoletos com o passar do tempo (falso), não sendo verdadeiro como está na alternativa; estoques realmente podem trazer perigos no armazenamento, como é o caso dos inflamáveis (verdadeiro). e) Alternativa incorreta. Estoques vinculam o dinheiro como capital de giro, reduzindo a capacidade de investimento da empresa (verdadeiro), não sendo falso como está na alternativa; estoques representam custo de armazenamento e não aumentam necessariamente a competitividade da empresa (falso), não sendo verdadeiro como está na alternativa; estoques se tornam obsoletos com o passar do tempo (falso), não sendo verdadeiro como está na alternativa; estoques realmente podem trazer perigos no armazenamento, como é o caso dos inflamáveis (verdadeiro). Tema 3 Questão 1 a) A alternativa A está correta. A cadeia de suprimentos é um conjunto de empresas que estão interligadas como elos em uma corrente que objetivam entregar determinado tipo de produto a partir de sua atuação em conjunto. b) A alternativa B está incorreta. Como vimos detalhadamente, essa definição corresponde à cadeia produtiva e, embora muitos a tratem como igual à cadeia de suprimentos, você aprendeu que existem diferenças de conceitos. Se não percebeu, estude novamente o tópico 1 deste tema. c) A alternativa C está incorreta. Essa é a definição do dicionário sobre corrente, que nos ajuda a chegar ao conceito de cadeia de suprimentos. Faça uma revisão do tópico deste tema antes de prosseguir. d) A alternativa D está incorreta. Essa é a definição do dicionário sobre suprimentos que nos ajuda a chegar ao conceito de cadeia de suprimentos. Faça uma revisão do tópico deste tema antes de prosseguir. e) A alternativa E está incorreta. A gestão da rede de negócios é a gestão da cadeia de suprimentos, ou seja, um conceito que visa apresentar às organizações que operam em rede a importância de gerenciá-la. Sugerimos rever todo o tópico 1 antes de prosseguir. Questão 2 a) Alternativa incorreta. A agroindústria é responsável pelo processamento dos produtos agrícolas e pecuários. Ela pode até contratar o transporte, mas essa atividade é realizada por um intermediário dentro dessas cadeias. Gestão da Produção e Logística 135 b) Alternativa incorreta. A produção rural é etapa de produção de matéria-prima para as agroindústrias. Da mesma forma que as agroindustriais, o produtor rural pode contratar uma operação de transporte, entretanto esse permanece sendo um intermediário. c) Alternativa incorreta. O varejo é responsável pela comercialização dos produtos agrícola e pecuários processados. d) Alternativa correta. O transportador é um intermediário na cadeia de suprimentos e produtiva e tem a finalidade de ligar dois elos da cadeia. Assim, pode atuar entre a fazenda e a agroindústria e entre a agroindústria e o distribuidor ou varejista. e) Alternativa incorreta. O consumidor é o elo final da cadeia de suprimentos e/ou de produção. É aquele que adquire um produto ou serviço e remunera toda a cadeia. Questão 3 a) Alternativa incorreta. A avicultura possui também um elevado grau de integração, em que a agroindústria fornece os pintainhos e a ração para o produtor. Depois realiza o abate e os cortes e, finalmente, a distribuição dos produtos ao varejo. Todavia, entre as cadeias apresentadas na alternativa, essa não apresenta o maior nível de integração vertical. b) Alternativa incorreta. A suinocultura possui elevado grau de integração para os produtores integrados, mas não com os independentes, que podem comercializar com o frigorífico que preferirem. A suinocultura apresenta uma agroindústria diversificada com processos de primeira e segunda transformações. c) Alternativa correta. A cadeia sucroenergética é a mais integrada de todas, pois a agroindústria é responsável pelo plantio e pela colheita, pelo processamento e, em alguns casos, até pela comercialização. d) Alternativa incorreta. A bovinocultura possui um grau de integração menor. O gado geralmente é produzido por produtores independentes que fornecem as agroindústrias. Essas, por sua vez, fazem processamento e encaminham para o varejo, que também é independente. e) Alternativa incorreta. As cadeias de grãos possuem baixo índice de integração e são mais distribuídas como redes de parceiros que produzem, distribuem e processam esses grãos. Questão 4 a) Alternativa incorreta. Nos grãos, a soja, por exemplo, pode ser usada apenas para a produção de biodiesel, sendo gerada a partir do óleo, mas não é dejeto. b) Alternativa incorreta. As usinas sucroenergéticas, além do açúcar, podem produzir o etanol a partir da cana-de-açúcar e a energia elétrica a partir do bagaço da cana, produzindo, assim, dois tipos de bioenergia, mas não são dejetos. Curso Técnico em Agronegócio 136 c) Alternativa correta. A suinocultura produz biogás a partir dos dejetos dos suínos que geralmente é transformado em energia elétrica e, quando realizada a gestão correta dos dejetos, a energia gerada é suficiente para garantir a produção dos animais. d) Alternativa incorreta. A piscicultura não produz bioenergia. Pesquisas têm sido realizadas para analisar a possibilidade e viabilidade da geração de biogás dos dejetos oriundos da piscicultura, porém os resultados ainda são tímidos e não garantem a produção suficiente. e) Alternativa incorreta. A apicultura também não produz bioenergia. Questão 5 a) Alternativa correta. As traders, como o próprio nome diz, são empresas especializadas, intermediárias, responsáveis pelo processo de comercialização da produção rural com os mercados internacionais, principalmente de grãos. b) Alternativa incorreta. A produção é o processo de transformação em si e composta apenas de insumos e matéria-prima, não se relacionando com a comercialização. c) Alternativa incorreta. As traders não são prestadoras de serviço, pois compram a produção dos produtores rurais e revendem a preços mais altos nos mercados, obtendo, assim, lucratividade. d) Alternativa incorreta. Terceirização é o processo de contratar empresa para prestação de serviços, entretanto, como dissemos anteriormente, as traders não são terceirizadas, pois não prestam serviço, e sim são intermediárias no processo de compra e venda. e) Alternativa incorreta. Os varejistas são supermercados, restaurantes etc. e responsáveis por comercializar produtos processados em quantidades pequenas. Tema 4 Questão 1 a) A alternativa A está incorreta. Como vimos, a gestão de pedidos é processo inicial da cadeia logística. Sem pedido não há produto, e sem produto não existe necessidade da logística. Faça uma revisão do tópico 1 do tema 4. b) A alternativa B está incorreta. Como estudamos, a gestão de estoques controla toda a produção disponível, seja no plantio, na produção, nos armazéns ou no varejo. Faça uma revisão do tópico 1 do tema 4. c) A alternativa C está incorreta. Como vimos, a gestão de armazenagem é responsável pela guarda das matérias-primas, dos produtos acabados e semiacabados na cadeia logística. Faça uma revisão do tópico 1 do tema 4. Gestão da Produção e Logística 137 d) A alternativa D está incorreta. Como estudamos, a gestão de transportes é essencial à cadeia logística, pois é responsável pelo escoamento da produção. Faça uma revisão do tópico 1 do tema 4. e) A alternativa E está correta. Os equipamentos, embora sejam importantes para a produção,não correspondem a uma atividade logística. Questão 2 a) A alternativa A está incorreta. Se você está transportando produtos em grandes volumes e de baixo valor agregado, certamente o transporte aéreo não é para você, pois este é indicado para cargas de alto valor agregado. Faça uma revisão do tópico 2 antes de prosseguir. b) A alternativa B está incorreta. Se você pensasse do ponto de vista rapidez e flexibilidade, talvez estivesse certo, mas, se todos os sistemas de transporte estiverem disponíveis, o modo rodoviário não será uma boa escolha, pois tem pouca capacidade de carga e você tem um alto volume a transportar. Faça uma revisão do tópico 2 antes de prosseguir. c) A alternativa C está incorreta. O sistema dutoviário tem sido usado com sucesso para combustíveis e gases, mas grãos têm características peculiares de umidade e necessitam de impulso, fazendo do transporte dutoviário uma forma não recomendada. Faça uma revisão do tópico 2 antes de prosseguir. d) A alternativa D está incorreta. O transportador ferroviário é uma alternativa muito boa, devido ao volume de carga que pode transportar e aos baixos custos, a não ser que o modal hidroviário esteja disponível, e por isso esse não seria a nossa escolha. Faça uma revisão do tópico 2 antes de prosseguir. e) A alternativa E está correta. Se o modal hidroviário estiver disponível, este será sua escolha. O seu grande volume torna os custos da operação do modal hidroviário pequenos e aumenta sensivelmente a competitividade da sua carga de grãos. Questão 3 a) Alternativa incorreta. A função do secador, como o próprio nome diz, é secar, reduzir a umidade. b) Alternativa incorreta. A secagem não aumentará o volume de grãos; pelo contrário, reduzirá seu tamanho. c) Alternativa incorreta. O objetivo não é eliminar a umidade do grão, pois ele precisa de um pouco de umidade, sendo este um dos requisitos da qualidade do grão: a taxa de umidade. d) Alternativa correta. A função da secagem é reduzir a umidade do grão para padrões adequados e possibilitar a padronização dentro do armazém. Curso Técnico em Agronegócio 138 e) Alternativa incorreta. Embora impurezas precisem ser eliminadas dos grãos, a secagem está relacionada à umidade. Questão 4 a) Alternativa incorreta. Embora os caminhões possam ser rígidos, ou seja, sem um semirreboque, apenas com a carroceria sob o chassi. Esse tipo de veículo é cada vez mais raro devido à baixa capacidade de carga disponível e aos altos volumes do agronegócio. b) Alternativa incorreta. Os caminhões com um semirreboque reinaram por muito tempo nas estradas e no transporte rodoviário, mas passaram a ser substituídos por veículos com maior capacidade de carga. c) Alternativa correta. Os caminhões com dois semirreboques são os mais comuns utilizados no transporte no agronegócio, pela sua capacidade de carga e operação um pouco mais cara para o transporte, porém mais barata para o transporte de grandes volumes, principalmente das traders. d) Alternativa incorreta. Os caminhões com mais três semirreboques, conhecidos como treminhões, têm pouco uso pela dificuldade operacional, podendo ser encontrados na produção agroindustrial da cana para o transporte em pequenas distâncias. e) Alternativa incorreta. Caminhões com quatro ou mais semirreboques não são viáveis operacional e comercialmente. Questão 5 a) Alternativa incorreta. É o transporte realizado por embarcações (navios) entre dois ou mais países, conhecido também como navegação de longo curso. b) Alternativa incorreta. O transporte rodoviário é realizado por veículos automotores em estradas e rodovias. c) Alternativa incorreta. O transporte aquaviário inclui o transporte marítimo e o transporte hidroviário realizado por rios e lagos. d) Alternativa incorreta. É o transporte de líquidos e gases utilizando tubulações. e) Alternativa correta. É termo utilizado quando o transporte é realizado na costa de um país tendo ou não a origem em um rio no interior deste. Tema 5 Questão 1 a) A alternativa A está incorreta. A infraestrutura é um dos gargalos logísticos enfrentados no agronegócio. Revise o tema 5. Gestão da Produção e Logística 139 b) A alternativa B está incorreta. A mão de obra especializada é um problema em diversas áreas produtivas, e o mesmo ocorre na logística, portanto também é um gargalo logístico. Revise o tema 5. c) A alternativa C está incorreta. A falta de áreas de armazenagem é um problema crônico no agronegócio, sendo também um gargalo logístico. Revise o tema 5. d) A alternativa D está incorreta. Os sistemas de transporte utilizados atualmente são gargalos logísticos, portanto a falta de hidrovias é um gargalo principalmente para o transporte de grãos. Revise o tema 5. e) A alternativa E está correta, pois a importação de insumos é um gargalo de produção que encarece o agronegócio brasileiro, e não um gargalo logístico. Questão 2 • A resposta a essa questão é que o gargalo está na capacidade de congelamento, pois é a atividade com menor capacidade de processamento. A solução seria ampliar a área de congelamento. Como a demanda é maior do que a oferta, a ampliação não apresenta risco de investimento para a empresa. Questão 3 a) Alternativa incorreta. Embora altas remunerações gerem problemas de caixa e competitividade, a remuneração no operacional do agronegócio ainda é baixa. b) Alternativa correta. O baixo grau de instrução dos trabalhadores dificulta a realização de operações complexas e tem reflexos diretos na competitividade. c) Alternativa incorreta. O desconhecimento dos equipamentos é decorrência da falta de conhecimento gerada pelo baixo grau de instrução. d) Alternativa incorreta. A falta de comprometimento do empregado está relacionada a fatores culturais e econômicos. e) Alternativa incorreta. Essa é uma realidade, mas, com as máquinas modernas no campo, diminui muito a interação do homem. Questão 4 a) Alternativa correta. O desafio na pecuária será produzir produtos mais saudáveis, com baixo teor de gordura, possibilitar rastreamento dos animais do nascimento até a chegada da carne ao varejo, o bem-estar animal e a condição do produto servido ao consumidor. b) Alternativa incorreta. A agricultura enfrenta desafios semelhantes, mas não relacionados à produção animal. c) Alternativa incorreta. A indústria tem enormes desafios, mas a qualidade da matéria-prima é essencial para produzir itens diferenciados, logo o desafio é da pecuária. Curso Técnico em Agronegócio 140 d) Alternativa incorreta. O varejo é responsável pela comercialização e por transmitir as exigências dos consumidores aos fabricantes e produtores rurais. e) Alternativa incorreta. A função dos distribuidores, como o nome indica, é distribuir os produtos aos mercados, não influenciando na qualificação dos produtos. Questão 5 a) Alternativa incorreta. A produção acontece dentro das fazendas ou das agroindústrias, logo o melhoramento do escoamento da produção não envolve a produção, pois é externo a essa. b) Alternativa incorreta. A agricultura enfrenta desafios que se relacionam aos problemas ocorridos dentro da porteira, que não influenciam, por sua vez, a distribuição. c) Alternativa correta. O melhoramento do escoamento da produção é um desafio logístico importantíssimo e afeta diretamente os produtores rurais e as agroindústrias. d) Alternativa incorreta. O melhoramento do escoamento da produção é um problema rural e industrial no que tange ao aspecto logístico. e) Alternativa incorreta. O varejo é responsável pela comercialização e por transmitir as exigências dos consumidores aos fabricantes e produtores rurais. Em geral a mercadoria é enviada diretamente ao varejo. Introdução à Unidade Curricular Tema 1: Administração da produção e operações Tópico 1: Conceitosiniciais 1. O que é administração da produção? 2. Evolução da administração da produção? 3. Dimensões dos processos produtivos Tópico 2: Sistemas de produção 1. Modelo de transformação 2. Projeto de processos 3. Projeto de produtos e serviços Tópico 3: Estratégias de produção 1. Função produção 2. Objetivos da produção 3. Aplicação das estratégias de produção Atividades de aprendizagem Encerramento do tema Tema 2: Planejamento e controle da produção (PCP) Tópico 1: A função do planejamento e controle 2. Suprimento e demanda 3. Atividades de planejamento Tópico 2: Planejamento e controle da capacidade 1. Conceitos de capacidade de produção 2. Como planejar a capacidade de produção? Tópico 3: Planejamento e controle de estoque 1. Conceito de estoque 2. Tipos de estoque e materiais armazenados 3. Gestão e controle de estoque Atividades de aprendizagem Encerramento do tema Tema 3: Gestão da cadeia de suprimentos Tópico 1: Cadeias de suprimentos 1. Cadeia de suprimentos 2. Gestão da cadeia de suprimentos 3. Cadeias de suprimentos versus cadeias produtivas Tópico 2: Elementos nas cadeias de suprimentos e cadeias produtivas 1. Produtor rural 2. Agroindústrias 3. Varejo 4. Intermediários (transportadores, traders e fornecedores de insumos) Tópico 3: As principais cadeias produtivas do agronegócio 1. Cadeia da carne 2. Cadeia do leite 3. Cadeia de grãos 4. Cadeia sucroenergética Atividades de aprendizagem Encerramento do tema Tema 4: Sistemas logísticos Tópico 1: Conceitos fundamentais da logística 1. O que é logística? 2. Evolução da logística 3. Atividades da logística Tópico 2: Sistemas estratégicos da logística no agronegócio 1. Transporte 2. Armazenagem e conservação Atividades de aprendizagem Encerramento do tema Tema 5: Tópicos especiais sobre produção e logística Tópico 1: Os desafios da produção no agronegócio 1. Os gargalos nas operações agroindustriais 2. O papel da mão de obra 3. Desafios da produção no agronegócio Tópico 2: Os desafios logísticos da produção do agronegócio 1. Os gargalos logísticos 2. A competição internacional 3. Desafios da logística no agronegócio Atividades de aprendizagem Encerramento do tema Encerramento da unidade curricular Referências Gabarito _GoBack