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DIREITOS DO TRABALHADOR DOMÉSTICO1 Carmem Silvia Batisttela Geneci dos Santos2 Resumo O objetivo do presente artigo, é buscar o conceito de empregado doméstico, encontrado no artigo 7º, alínea “a” da Consolidação das Leis do Trabalho, bem como no artigo 1º da lei nº 5.859/72. É notável que o direito do empregado doméstico passou por mudanças consideráveis no decorrer de décadas, sendo que hoje seus direitos estão quase páreos aos demais empregados. O problema específico da pesquisa refere-se a conceituar o empregado doméstico, diferenciando-o do diarista, esclarecendo sobre a possibilidade de prestação de serviços a pessoa física. Ainda, é feito um breve levantamento sobre o direito ao FGTS e Seguridade Social, finalizando com o esclarecimento acerca das possíveis penalidades ao empregador doméstico que não proceder ao registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado doméstico. O trabalho se dará através da pesquisa na legislação pertinente, bem como em artigos e informações encontrados na Internet, com a pretensão de esclarecer sobre o assunto, sem intenção de se aprofundar no tema, mas de abrir leque para novas discussões. Palavras-chave: Empregado Doméstico, Diarista, INSS. 1 INTRODUÇÃO O presente artigo trata do empregado doméstico, bem como seu conceito, incidência tributária sobre seus proventos, diferenças entre empregado doméstico e diarista, bem como a penalidade aplicada em caso de empregador que não assina a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), do empregado doméstico. O objetivo é esclarecer os principais direito relativos ao empregado doméstico em nosso país, bem como os avanços vivenciados por esses trabalhadores. O empregado doméstico é aquele que preenche os requisitos do art. º, a’, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, e art. 1º da Lei n.º 5.859/72. Já a em relação a diferença entre diarista e empregado doméstico, será feita uma breve análise, entre os dois tipos de trabalhadores. Ainda, será feita uma breve análise quanto a prestação de serviços a pessoa jurídica, se configura ou não, o trabalho de empregado doméstico. 1 Trabalho apresentado para obtenção de nota na disciplina de Direito Previdenciário e o Custeio da Seguridade Social ministrada pelo Ms. Francisco Paludo. 2 Graduadas em Direito pela UNIARP – Univesidade Alto Vale do Rio do Peixe. Pós graduandas em Direito trabalhista e Previdenciário pela UNIARP. Analisar-se á o direito do trabalhador doméstico ao FGTS, se tem direito assegurado por lei, se é facultativo ou obrigatório. Quanto a Seguridade Social, será feito um estudo sobre os direitos do empregado doméstico junto ao INSS, e quais os requisitos para ter direitos. Por fim, será estudado sobre as possíveis penalidades aplicadas ao empregador que não assinar a Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado doméstico. Desta forma, percebe-se que estão surgindo novos direitos ao empregado doméstico, e o presente artigo tem o objetivo de esclarecer o possível sobre o tema abordado, sem a intenção de esgotar o assunto, e sim, abrir discussões para novas pesquisas. 2 CONCEITO DE EMPREGADO DOMÉSTICO O artigo 7º, alínea “a” da Consolidação das Leis do Trabalho considera empregados domésticos, “de um modo geral, os que prestam serviços de natureza não econômica à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas”.3 O artigo 1º da lei nº 5.859/72 esclareceu que: Art. 1º Ao empregado doméstico, assim considerado aquele que presta serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial destas, aplica-se o disposto nesta lei. 4 A Lei nº 5.859/72 não define expressamente o que vem a ser empregador doméstico. Apenas seu artigo 1º estabelece o que vem a ser empregado doméstico. Já o empregador doméstico é a pessoa física ou família que recebe a prestação de serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa por parte do empregado doméstico, para seu âmbito residencial. Conforme entendimento do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região: TÉCNICA DE ENFERMAGEM. ÂMBITO RESIDENCIAL. EMPREGADA DOMÉSTICA. Ainda que detenha a autora qualificação de técnica de enfermagem, em se tratando de trabalho realizado no âmbito residencial, no cuidado de pessoa idosa, em que inocorre atividade econômica com o 3 BRASIL. Decreto-Lei n.º 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm> Acesso em: 29. Ago. 2014 4 BRASIL. Lei nº 5.859, de 11 de dezembro de 1972. Dispõe sobre a profissão de empregado doméstico e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5859.htm > Acesso em: 29. Ago. 2014 objetivo de auferir lucro, configura-se relação de trabalho doméstico, nos termos do art. 1º da Lei n. 5.859/72. 5 Conforme jurisprudência colacionada, verifica-se que para configurar o trabalho doméstico, basta que o trabalho seja prestado no âmbito doméstico, sem o objetivo de auferir lucro. A partir desses conceitos se pode observar que não é a função exercida pelo empregado que o caracteriza como doméstico ou não, pois certas funções são desempenhadas tanto no âmbito doméstico, como em empresas comuns, isto pode ser observado em funções tais como, de cozinheiras, faxineira, enfermeira particular, etc. Assim, não é a natureza do trabalho do empregado que irá definir se ele é ou não doméstico, mas a existência de lucratividade na atividade do empregador. Se o empregado contratado para serviço doméstico, for designado para atividade cuja finalidade do empregador seja lucrativa, deixa o contrato entre as partes de ser doméstico, para ser regido pela Consolidação das Leis do Trabalho, por ser regra mais benéfica ao empregado. 3. DIFERENÇA ENTRE EMPREGADO DOMÉSTICO E DIARISTA Os serviços prestados por diarista que comparece para o trabalho, uma ou duas vezes na semana, não se confundem com o trabalho doméstico previsto na Lei 5.859/72, eis que ausentes os requisitos da continuidade na prestação de serviços e da subordinação. Os elementos identificadores para a caracterização do serviço como empregado doméstico, segundo a legislação, são os seguintes: a) pessoalidade (somente ele presta o serviço); b) onerosidade (recebe pela execução do serviço); c) continuidade (o serviço é prestado de forma não eventual); d) subordinação (o empregador dirige a realização do serviço, determinando, por exemplo, o horário, o modo de se executar os serviços, etc.). A diarista é a pessoa que presta serviços autônomos, a pessoa que frequenta até três vezes por semana a mesma residência, com o objetivo de prestar um 5 SANTA CATARINA. Tribunal Regional da 12ª Região. RO 0004008-55.2012.5.12.0029. Juiz Nelson Hamilton Leiria - Publicado no TRTSC/DOE em 01-07-2014 Disponível em: <http://www2.trt12.jus.br/juris/scripts/juris.asp> Acesso em: 28. Ago. 2014 serviço específico e não preenche os requisitos exigidos para o empregado doméstico, não se enquadra no caso de empregado doméstico – pois não há constituição de vínculo empregatício, necessário para que as leis estendidas pela emenda sejam aplicáveis, conforme se pode analisar da jurisprudências abaixo: VÍNCULO EMPREGATÍCIO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA IMEDIATIDADE. A existência do vínculo de emprego há de ser claramente demonstrada. Na hipótese em que o próprio coletor das provas não se convence da existência de vínculode emprego entre as partes, impõe-se levar em consideração o princípio da imediatidade. É no momento da oitiva dos depoimentos que se revela o controle imediato da audiência instrutória pelo Juízo, oportunidade em que acompanha as reações e as emoções das partes e das testemunhas diante dos questionamentos que lhes são feitos, para somente então formar o convencimento acerca dos fatos para proferir a sentença. DIARISTA QUE PRESTA SERVIÇOS DOMÉSTICOS, DOIS OU TRÊS DIAS NA SEMANA. INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. O reconhecimento do vínculo empregatício com o empregado doméstico está condicionado à continuidade na prestação dos serviços (art. 1º da Lei nº 5.589/1972), o que não se aplica quando o trabalho é realizado durante alguns dias da semana. (RR - 17676/2005-007-09-00, Rel. Ministro Pedro Paulo Manus, DEJT de 04.5.2006). 6 Ainda: DIARISTA X DOMÉSTICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONTINUIDADE. INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Nos termos do art. 1° da Lei 5.859/72 é necessária, para a configuração do vínculo de emprego como doméstico, existir continuidade da prestação de serviços a pessoa ou família. Não comprovada a continuidade, não há falar em vínculo empregatício. 7 Como se pode observar, a configuração do vínculo empregatício do empregado doméstico está na continuidade da prestação de serviços. 4. DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA No caso do trabalhador prestar serviço à pessoa jurídica, não se enquadra como empregado doméstico ou diarista, uma vez que o trabalho doméstico é aquele de natureza não econômica prestado à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas, desta forma, e diarista, não há a continuidade, porém, o trabalho é prestado 6 SANTA CATARINA. Tribunal Regional da 12ª Região. RO 0001071-80.2013.5.12.0015. Juíza Lília Leonor Abreu - Publicado no TRTSC/DOE em 28-07-2014. Disponível em: <http://www2.trt12.jus.br/juris/scripts/juris.asp> Acesso em: 28. Ago. 2014 7 SANTA CATARINA. Tribunal Regional da 12ª Região. RO 0001071-80.2013.5.12.0015. Juíza Lília Leonor Abreu - Publicado no TRTSC/DOE em 28-07-2014. Disponível em: <http://www2.trt12.jus.br/juris/scripts/juris.asp> Acesso em: 28. Ago. 2014 também no âmbito residencial, como pode ser analisado no entendimento jurisprudencial do Tribunal Regional da 12ª Região: FAXINEIRA DIARISTA. TRABALHO PRESTADO DUAS VEZES NA SEMANA. ÂMBITO RESIDENCIAL X ÂMBITO EMPRESARIAL. CONFIGURAÇÃO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Tratando-se de faxineira diarista, a circunstância de o trabalho ser prestado em apenas dois dias da semana assume relevância na análise do liame empregatício apenas nas hipóteses em que o labor é realizado no âmbito residencial ou doméstico, tendo em vista o entendimento pacificado no Tribunal Superior do Trabalho quanto ao requisito da continuidade previsto na Lei 5.859/72. Todavia, nos casos em que o trabalho de limpeza é realizado em prol de empreendimento econômico, categórica se torna a análise acerca da presença dos elementos constantes do art. 3º da CLT, os quais não são mitigados pelo simples fato de o trabalhador ativar-se em dois dias na semana. Constatado que o trabalho foi prestado de forma pessoal, onerosa, não eventual e mediante subordinação jurídica, impõe-se o reconhecimento do vínculo empregatício, independentemente da frequência semanal da sua consecução. 8 Conforme se pode analisar da jurisprudência colacionada, não se configura trabalho doméstico e nem diário, o serviço prestado a pessoa jurídica, devido ao fato de não ser prestado no âmbito residencial ou familiar. 5. FGTS DO EMPREGADO DOMÉSTICO A própria Lei do Trabalhador Doméstico (Lei n. 5.859/72) contém regulamentação quantos aos direitos ao FGTS. Neste particular, deve-se compreender que a EC n. 72/13, ao assegurar o direito ao FGTS, tornou obrigatório o seu recolhimento pelo empregador, ficando, assim, revogada a expressão “é facultada” constante do art. 3º-A da Lei n. 5.859/72. A PEC 066/2012, conhecida como a PEC dos domésticos, ampliou os direitos trabalhistas dos trabalhadores e trabalhadoras domésticas, dentre eles encontra-se o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, cujo recolhimento, antes facultado ao empregador, se tornou obrigatório.9 De acordo com informações prestadas na página da Caixa Econômica Federal: 8 SANTA CATARINA. Tribunal Regional da 12ª Região. RO 0001835-64.2013.5.12.0048. Juiz Amarildo Carlos De Lima - Publicado no TRTSC/DOE em 28-04-2014. Disponível em: <http://www2.trt12.jus.br/juris/scripts/juris.asp> Acesso em: 28. Ago. 2014 9 BRASIL. Caixa Econômica Federal. FGTS para trabalhador Doméstico. Disponível em: <http://www.caixa.gov.br/fgts/trabalhador_domestico.asp#> Acesso em: 29. Ago. 2014 A quitação da guia deve ser efetuada até o dia 7 do mês seguinte àquele em que a remuneração foi paga ou devida. Caso não haja expediente bancário no dia 07, o recolhimento deverá ser antecipado para o dia de expediente bancário imediatamente anterior. As guias geradas pelo e-Social ou pelo SEFIP são quitadas em qualquer agência da CAIXA, lotéricos ou banco da rede conveniada, inclusive por meio de Canais Alternativos como Internet Banking (verifique se o seu banco oferece essa opção). A Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP em papel, obtida sob autorização especial da CAIXA, pode ser quitada somente em agência da rede bancária conveniada. 10 Tem o FGTS natureza tributária. Só pode ser cobrado dos empregadores domésticos no primeiro dia útil do ano seguinte à publicação da lei, pois deve ser observada a alínea b do inciso III do artigo 150 da Constituição, isto é, o princípio da anterioridade da lei. Assim, publicada a norma em 2014, só pôde haver a exigência a partir de 1º/1/2015.11 A letra c do inciso III do artigo 150 da Lei Maior exige ainda que o tributo não pode ser exigido antes de decorridos 90 dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou. Isso significa que a lei que instituir o FGTS para o empregado doméstico deve ser publicada no Diário Oficial da União até aproximadamente 2.10.2014 para valer a partir de 1.1.15.12 6. SEGURIDADE SOCIAL – INSS O doméstico possui todos os direitos comuns junto ao INSS se estiver registrado e com o seu recolhimento em dia. Tais como, salário maternidade, auxílio doença, aposentadoria, pensão, etc. A lei que fundamenta o trabalhado assim define: Art. 4º Aos empregados domésticos são assegurados os benefícios e serviços da Lei Orgânica da Previdência Social na qualidade de segurados obrigatórios. 13 Para que os benefícios assegurados pelo INSS possam ser usufruídos pelo doméstico, é imprescindível o pagamento mensal pelo patrão. 10 BRASIL. Caixa Econômica Federal. FGTS para trabalhador Doméstico. Disponível em: <http://www.caixa.gov.br/fgts/trabalhador_domestico.asp#> Acesso em: 29. Ago. 2014 11 MARTINS, Sérgio Pinto. FGST do empregado doméstico. Disponível em: <http://www.cartaforense.com.br/conteudo/colunas/fgst-do-empregado-domestico/11274 > Acesso em: 28/08/2014, p. 2 12 Ibid., p. 2 13 BRASIL. Lei nº 5.859, de 11 de dezembro de 1972. Dispõe sobre a profissão de empregado doméstico e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5859.htm > Acesso em: 29. Ago. 2014 O empregador doméstico contribui de maneira diferenciada para a Previdência Social. Ele paga mensalmente 12% sobre o salário de contribuição de seu(s) empregado(s) doméstico(s), enquanto os demais patrõesrecolhem sobre a folha salarial. Cabe ao empregador recolher mensalmente à Previdência Social a sua parte e a do trabalhador, descontada do salário mensal.14 O desconto do empregado deverá seguir a tabela do salário de contribuição. O recolhimento das contribuições do empregador e do empregado domésticos deverá ser feito em guia própria (Guia da Previdência Social – GPS), observados os códigos de pagamento.15 Depois de assinar a Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado doméstico, o patrão deverá fazer inscrição do trabalhador na Previdência Social pela Internet ou em uma agência. Para fazer a inscrição é preciso apresentar a carteira de trabalho do empregado com o registro, documentos pessoais do trabalhador e do empregador.16 Quando a empregada doméstica estiver em licença maternidade, o empregador deverá pagar à Previdência Social somente a quota patronal. A contribuição dos segurados domésticos é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota, de forma não cumulativa, sobre o seu salário-de- contribuição mensal, de acordo com a seguinte tabela vigente a partir de 01.01.2014: Portaria Interministerial MPS/MF 19/201417 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (R$) ALÍQUOTA INSS até 1.317,07 8% de 1.317,08 até 2.195,12 9% de 2.195,13 até 4.390,24 11% 14 MARTINS, Sérgio Pinto. FGST do empregado doméstico. Disponível em: <http://www.cartaforense.com.br/conteudo/colunas/fgst-do-empregado-domestico/11274 > Acesso em: 28/08/2014, p. 3 15 MARTINS, Sérgio Pinto. FGST do empregado doméstico. Disponível em: <http://www.cartaforense.com.br/conteudo/colunas/fgst-do-empregado-domestico/11274 > Acesso em: 28/08/2014, p. 4 16 Ibid., p. 4 17 BRASIL. Ministério da Previdência Social. Disponível em: < http://www8.dataprev.gov.br/e- aps/servico/147 > Acesso em: 28. Ago. 2014 Notas: Sempre que ocorrer mais de um vínculo empregatício para os segurados empregado e doméstico, as remunerações deverão ser somadas para o correto enquadramento na tabela acima, respeitando-se o limite máximo de contribuição. Esta mesma regra se aplica às remunerações do trabalhador avulso;18 Quando houver pagamento de remuneração relativa a décimo terceiro salário, este não deve ser somado a remuneração mensal para efeito de enquadramento na tabela de salários-de-contribuição, ou seja, aplicar-se-á a alíquota sobre os valores em separado.19 7. DA PENALIDADE DO EMPREGADOR DOMÉSTICO EM NÃO ASSINAR A CTPS DO EMPREGADO DOMÉSTICO Foi publicado no Diário Oficial da União na quarta-feira, 9 de abril, a Lei Nº 12.964 que alterou a Lei Nº 5.859, de 11 de dezembro de 1972, incluindo nela o Art. 6º-E, que dispõe sobre a multa por infração à legislação do trabalho doméstico. De acordo com o art. 1º da nova lei: Art. 1º A Lei no 5.859, de 11 de dezembro de 1972, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 6º-E: “Art. 6º-E.As multas e os valores fixados para as infrações previstas na Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, aplicam-se, no que couber, às infrações ao disposto nesta Lei. § 1º A gravidade será aferida considerando-se o tempo de serviço do empregado, a idade, o número de empregados e o tipo da infração. § 2º A multa pela falta de anotação da data de admissão e da remuneração do empregado doméstico na Carteira de Trabalho e Previdência Social será elevada em pelo menos 100% (cem por cento). 20 Conforme a redação da Lei, a multa por falta de anotação da data de admissão e da remuneração do Empregado Doméstico na Carteira de Trabalho (CTPS) será elevada em pelo menos 100%. 18 BRASIL. Ministério da Previdência Social. Disponível em: < http://www8.dataprev.gov.br/e- aps/servico/147 > Acesso em: 28. Ago. 2014, p. 2 19 Ibid., p. 2 20 BRASIL. Lei nº 12.964, de 8 abril de 2014. Altera a Lei no 5.859, de 11 de dezembro de 1972, para dispor sobre multa por infração à legislação do trabalho doméstico, e dá outras providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L12964.htm> Acesso em: 29. Ago. 2014 Segundo Clóvis Alberto Leal Soika, em artigo escrito para o site guia trabalhista: Com a publicação da Lei 12.964/2014, houve a inclusão do parágrafo 6º-E na Lei 5.859/1972, fixando o prazo de 120 dias para o registro dos empregados domésticos, a partir da data de publicação da lei no Diário Oficial da União (09/04/2014). Desta forma os empregadores, sob pena de aplicação de multa, terão que fazer o registro de seus empregados domésticos a partir de 07/08/2014 - pois o período de “vacância da Lei” (prazo estabelecido entre a publicação no Diário Oficial da União e sua efetiva vigência) termina naquele dia. Data da publicação da Lei 12.964/2014: 09/04/2014. Contando-se 120 dias, a partir da data da sua publicação, o termo final recairá no dia 06/08/2014, tendo consequentemente início a vigência da Lei no dia seguinte, ou seja, em 07 de Agosto de 2014, conforme dispõe o art. 8º, §§ 1º e 2º da Lei Complementar 95/1998. 21 Desta forma, a lei já se encontra vigente no país a partir de 07/08/2014. Porém, conforme expõem Marta Vieira e Francelle Marzano: A imposição de multa aos patrões que não assinarem a carteira de trabalho do empregado doméstico entra em vigor sem expectativa sobre seu efetivo cumprimento, já que o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) não tem data definida para baixar as normas relativas à fiscalização do cumprimento da Lei 12.964, sancionada em abril deste ano. A medida não faz parte da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) das domésticas, aprovada há um ano e já parcialmente em vigor.22 Por enquanto, para o MTE, o direito só será garantido se os trabalhadores domésticos denunciarem a infração nas superintendências do trabalho e procurarem a justiça. 21 SOIKA, Clóvis Alberto Leal. Empregador doméstico que não registrar empregado está sujeito a multa a partir de 07/08/2014. Disponível em: < http://www.guiatrabalhista.com.br/tematicas/Emp- domesticos-registro-ctps.htm > Acesso em: 29. Ago. 2014 22 VIEIRA, Marta; MARZANO, Francelle. Punição para quem não assinar carteira de doméstica entra em vigor sem expectativa. Disponível em: <http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2014/08/07/internas_economia,555899/punicao-para- quem-nao-assinar-carteira-de-domestica-entra-em-vigor-sem-expectativa.shtml> Acesso em: 29. Ago. 2014 8. CONSIDERAÇÕES FINAIS As considerações emitidas estão sujeitas ao subjetivismo e ao relativismo inerentes à maneira pela qual as autoras acreditam descrever, com um grau aceitável de aproximação e veracidade, fatos atinentes à aos direitos dos empregados domésticos, consequências jurídicas e respostas pontuais atinentes ao tema. Desta forma, o presente artigo buscou conceituar o empregado doméstico, apontando as diferenças entre empregado doméstico e diarista, e trazendo alguns direitos que foram alcançados por essa classe de trabalhadores ao longo do tempo. O conceito de empregado doméstico é aquele encontrado no artigo 7º, alínea “a” da Consolidação das Leis do Trabalho e artigo 1º da lei nº 5.859/72, que considera empregados domésticos, de um modo geral, os que prestam serviços de natureza não econômica, ou seja, sem fins lucrativos à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas. A diferença entre trabalhador doméstico e diarista é que os serviços prestados por diarista que comparece para o trabalho, uma ou duas vezes na semana, nãose confundem com o trabalho doméstico previsto na Lei 5.859/72, eis que ausentes os requisitos da continuidade na prestação de serviços e da subordinação. No caso do trabalhador prestar serviço à pessoa jurídica, não se enquadra como empregado doméstico ou diarista, uma vez que o trabalho doméstico é aquele de natureza não econômica prestado à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas, desta forma, e diarista, não há a continuidade, porém, o trabalho é prestado também no âmbito residencial, no entanto, o serviço prestado a pessoa jurídica, não preenche o requisito de residência ou âmbito familiar, não podendo ser considerado como diarista a pessoa que a este prestar serviços. Em se tratando do FGTS, após a EC n. 72/13, ao assegurar o direito ao FGTS, tornou obrigatório o seu recolhimento pelo empregador, ficando, assim, revogada a expressão “é facultada” constante do art. 3º-A da Lei n. 5.859/72. O doméstico possui todos os direitos comuns junto ao INSS se estiver registrado e com o seu recolhimento em dia. Tais como, salário maternidade, auxílio doença, aposentadoria, pensão, etc. Para que os benefícios assegurados pelo INSS possam ser usufruídos pelo doméstico, é imprescindível o pagamento mensal pelo patrão e o desconto deve seguir a tabela do salário de contribuição, do INSS. Por fim, da análise das possíveis penalidades impostas ao empregador que deixar de assinar a CTPS do empregado, foi com a publicação da Lei 12.964/2014, que houve a inclusão do parágrafo 6º-E na Lei 5.859/1972, fixando o prazo de 120 dias para o registro dos empregados domésticos, a partir da data de publicação da lei no Diário Oficial da União (09/04/2014). Desta forma os empregadores, sob pena de aplicação de multa, terão que fazer o registro de seus empregados domésticos a partir de 07/08/2014, pois o período de “vacância da Lei” terminou naquele dia. Diante do risco de o patrão arcar com uma dívida de grande proporção na Justiça do Trabalho, a instituição da multa pelo descumprimento do registro do trabalhador doméstico deverá levar à formalização de muitos empregados domésticos no país, no entanto, o direito só será garantido se os trabalhadores domésticos denunciarem a infração nas superintendências do trabalho e procurarem a justiça. Desta forma, percebe-se que estão surgindo novos direitos ao empregado doméstico, e o presente artigo teve o objetivo de esclarecer o possível sobre o tema abordado, sem a intenção de esgotar o assunto, e sim, abrir discussões para novas pesquisas. 9 REFERÊNCIAS BRASIL. Caixa Econômica Federal. FGTS para trabalhador Doméstico. Disponível em: <http://www.caixa.gov.br/fgts/trabalhador_domestico.asp#> Acesso em: 29. Ago. 2014 ______. Caixa Econômica Federal. FGTS para trabalhador Doméstico. Disponível em: <http://www.caixa.gov.br/fgts/trabalhador_domestico.asp#> Acesso em: 29. Ago. 2014 ______. Decreto-Lei n.º 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto- lei/del5452.htm> Acesso em: 29. Ago. 2014 ______. Lei nº 12.964, de 8 abril de 2014. Altera a Lei no 5.859, de 11 de dezembro de 1972, para dispor sobre multa por infração à legislação do trabalho doméstico, e dá outras providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L12964.htm> Acesso em: 29. Ago. 2014 ______, de 11 de dezembro de 1972. Dispõe sobre a profissão de empregado doméstico e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5859.htm > Acesso em: 29. Ago. 2014 ______. Ministério da Previdência Social. Disponível em: < http://www8.dataprev.gov.br/e-aps/servico/147 > Acesso em: 28. Ago. 2014 MARTINS, Sérgio Pinto. FGST do empregado doméstico. Disponível em: <http://www.cartaforense.com.br/conteudo/colunas/fgst-do-empregado- domestico/11274 > Acesso em: 28/08/2014, p. 2 SANTA CATARINA. Tribunal Regional da 12ª Região. RO 0001071- 80.2013.5.12.0015. Juíza Lília Leonor Abreu - Publicado no TRTSC/DOE em 28-07- 2014. Disponível em: <http://www2.trt12.jus.br/juris/scripts/juris.asp> Acesso em: 28. Ago. 2014 ______. Tribunal Regional da 12ª Região. RO 0001071-80.2013.5.12.0015. Juíza Lília Leonor Abreu - Publicado no TRTSC/DOE em 28-07-2014. Disponível em: <http://www2.trt12.jus.br/juris/scripts/juris.asp> Acesso em: 28. Ago. 2014 ______. Tribunal Regional da 12ª Região. RO 0001835-64.2013.5.12.0048. Juiz Amarildo Carlos De Lima - Publicado no TRTSC/DOE em 28-04-2014. Disponível em: <http://www2.trt12.jus.br/juris/scripts/juris.asp> Acesso em: 28. Ago. 2014 ______. Tribunal Regional da 12ª Região. RO 0004008-55.2012.5.12.0029. 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