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Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy – HEMATOLOGIA – MEDICINA P8 – 2011.1 115 MED RESUMOS 2011 NETTO, Arlindo Ugulino. HEMATOLOGIA HEMOGRAMA (Professora Angelina Cartaxo) O hemograma definido como o estudo qualitativo e quantitativo das clulas sanguneas, objetivando ajudar o mdico no diagnstico ou no controle das doenas. O uso do hemograma por praticamente quase todas as especialidades da medicina pode ser explicado pelo fato de que, alm de ser um exame barato e bastante acessvel, capaz de avaliar o paciente de uma forma global, nos dando uma idia mais especfica do estado sanguneo do paciente. A anlise do hemograma se faz importante no s para as especialidades clnicas, como tambm para as cirrgicas: avaliar se um paciente est anmico antes de um procedimento bastante pertinente, partindo-se do ponto de vista que h um risco iminente de sangramento em tal procedimento, o que poderia complicar ainda mais o quadro do mesmo. Avaliar o estado plaquetrio – o que tambm possvel por meio do hemograma – tambm essencial, uma vez que ela a clula responsvel pela hemostasia primria. Um outro exemplo importante mostra o papel do hemograma para o diagnstico e segmento das infec es: um paciente que apresente um determinado quadro infeccioso tende a apresentar uma leucometria elevada (leucocitose). O diagnstico de uma anemia em uma criana tambm se faz importante, uma vez que ela pode interferir de maneira negativa no seu desenvolvimento. Portanto, vrios dados clnicos e cirrgicos importantes podem ser levantados a partir de uma anlise do hemograma, uma vez que ele disponibiliza ao mdico informa es relacionadas aos seguintes parmetros: Eritrograma: estuda as altera es quantitativas e morfologia dos eritrcitos, as altera es na hemoglobina , no hematcrito e nos ndices globulares. Leucograma: estuda a contagem (leucometria) em valor absoluto e em percentual dos leuccitos e sua morfologia. Plaquetograma: estuda a contagem e morfologia das plaquetas. RESUMO DA HEMATOPOIESE Como vimos a propsito do primeiro captulo deste material, a hematopoiese consiste processo de formao, desenvolvimento e maturao dos elementos do sangue (eritrcitos, leuccitos e plaquetas) a partir de uma clula-tronco percursora, conhecida como clula hematopoitica pluripotente. Ela d origem a pelo menos dois tipos de clulas: a clula comissionada de tecido mielide e a clula comissionada de tecido linfide. A primeira d origem a clulas do tecido mielide (eritrcitos, basfilos, eosinfilos, neutrfilos, moncitos e plaquetas). A segunda, da origem a clulas da linhagem linfide (linfcitos, clulas NK, etc.). Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy – HEMATOLOGIA – MEDICINA P8 – 2011.1 116 Desta forma, temos, em resumo: O eritroblasto, derivado da clula comissionada mielide, d origem ao pr-eritroblasto, eritroblasto basfilo, eritroblasto policromtico, eritroblasto ortocromtico e, por fim, reticulcito, que constitui a ltima fase de diferenciao das clulas vermelhas antes da hemcia. possvel encontrar, alm das hemcias, determinadas porcentagens de reticulcitos no sangue perifrico normal. A sua dosagem (solicitada a parte, e no analisada diretamente no hemograma) se faz importante pois eles refletem a atividade da medula ssea. O mieloblasto, tambm derivado da clula comissionada mielide, d origem ao pr-mielcito, mielcito, metamielcito (com ncleo j em formato de feijo) e, por fim, em clula com ncleo em basto (bastonete). Este, por sua vez, dar origem as clulas com ncleo segmentado, que so basfilos, eosinfilos e neutrfilos. O monoblasto, tambm originado a partir da clula comissionada mielide, d origem ao pr-moncito e ao moncito, o qual, a depender de estmulos quimiotxicos inflamatrios, migra para o tecido e forma o macrfago. O megacarioblasto, derivado da clula comissionada mielide, converte-se em pr-megacaricito e, por fim, em megacaricito, cujos fragmentos membranosos d origem s plaquetas. J a clula comissionada de tecido linfide d origem ao linfoblasto, que por sua vez dar origem ao pr-linfcito e, por fim, ao linfcito B (se for maturado na medula ssea) e T (se for maturado no timo). Destas clulas, o hemograma normal capaz de visualizar e de trazer dados quantitativos e qualitativos referentes s hemcias, basfilos, eosinfilos, neutrfilos, moncitos, plaquetas e linfcitos. COLETA DE SANGUE E MTODOS DE ANLISE O sangue perifrico do indivduo colhido em tubo de ensaio de vidro contendo anticoagulante (EDTA) e que dever ser rotulado, contendo o nome do paciente e lacrado com tampa. A identificao do paciente deve conter, pelo menos, os seguintes dados: Nome completo; Sexo; Idade; Endereo completo, telefone; Nome do mdico que solicitou o hemograma; Nmero do registro do paciente no laboratrio. Os mtodos de anlise do sangue podem ser automatizado ou no-automatizado (manual). Obviamente, o primeiro mais utilizado na prtica atual. Mtodo no-automatizado: consiste na contagem manual do nmero de hemcias, plaquetas e leuccitos. Os instrumentos utilizados so: microscpio, centrfuga e espectrofotmetro ou fotocolormetro. Automatizada: so utilizados aparelhos que usam uma pequena quantidade de sangue. Neles, h dois sensores principais: um detector de luz e um de impedncia eltrica. A contagem baseada nas diferenas de tamanho das clulas. Em relao a srie vermelha, o aparelho mede a quantidade de hemoglobina, o nmero de hemcias e o tamanho destas, realizando clculos para chegar ao valor do hematcrito e os outros ndices hematimtricos. As plaquetas tambm so contadas por aparelhos. ERITROGRAMA O eritrograma o estudo da srie vermelha (eritrcitos ou hemcias). Ao microscpio, as hemcias tem colorao acidfila (afinidade pelos corantes cidos que do colorao rsea) e so desprovidos de ncleo. As hemcias apresentam colorao central mais plida e colorao um pouco mais escura na periferia, sendo clulas bicncovas. Em indivduos normais, possuem tamanho mais ou menos uniforme. Quando uma hemcia tem tamanho normal ela chamada de normocítica; quando ela apresenta colorao normal chamada de normocrômica. O estudo da srie vermelha revela algumas altera es relacionadas como por exemplo anemia, eritrocitose (aumento do nmero de hemcias). Os resultados a serem avaliados so: hematometria, hematcrito, hemoglobina, VCM (volume corpuscular mdio), HCM (hemoglobina corpurscular mdia), CHCM (concentrao de hemoglobina corpuscular mdia) e RDW (Red Cell Distribution Width). Destes parmetros, a hemoglobina um dos mais importantes – at mais que a hematometria. Isso porque o indivduo pode ter 5 milh es de hemcias mas, mesmo assim, ter anemia (definida por nveis reduzidos de hemoglobina), o que se mostra como um quadro mais importante pois a hemoglobina a principal responsvel pelo transporte dos gases respiratrios. Desta forma, os principais valores a serem avaliados, com mais detalhes, so: Hematometria (contagem do nmero de hemcias): os valores normais variam de acordo com o sexo e com a idade. Valores normais: Homem de 5.000.000 - 5.500.000 e Mulher de 4.500.000 - 5.000.000. Seu resultado dado em nmero por mililitro (ml). Hemoglobina – g/dl: segundo a Organizao Mundial de Sade, os valores normais de Hb so: >13g/dl para homens; >12g/dl para mulheres; >11g/dl para grvidas e crianas. Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy – HEMATOLOGIA – MEDICINA P8 – 2011.1 117 Hematcrito – % : um ndice, calculado em porcentagem, definido pelo volume de todas as hemcias de uma amostra sobre o volume total desta amostra (que contm, alm das hemcias, os leuccitos,as plaquetas e, claro, o plasma, que geralmente representa mais de 50% do volume total da amostra). Os valores variam com o sexo e com a idade. Valores: Homem de 40 - 50% e Mulher de 36 - 45%. Recm-nascidos tem valores altos que vo abaixando com a idade at o valor normal de um adulto. VCM (Volume Corpuscular Mdio) – fl: o ndice que ajuda na observao do tamanho das hemcias e no diagnstico da anemia: se pequenas so consideradas microcíticas (< 80fl, para adultos), se grandes consideradas macrocíticas (> 100fl, para adultos) e se so normais, normocticas (80 - 100fl). A anisocitose denominao que se d quando h alterao no tamanho das hemcias. As anemais microcticas mais comuns so a ferropriva e as sndromes talassmicas. As anemias macrocticas mais comuns so as anemia megaloblstica e perniciosa. O resultado do VCM dado em fentolitro (fl). HCM (Hemoglobina Corpuscular Mdia) – pg: o peso da hemoglobina na hemcia. Seu resultado dado em picogramas. O intervalo normal 26-34pg CHCM (concentrao de hemoglobina corpuscular mdia) – %: a concentrao da hemoglobina dentro de uma hemcia. O intervalo normal de 32 – 36%. Como a colorao da hemcia depende da quantidade de hemoglobina elas so chamadas de hipocrômicas (< 32), hipercrômicas (> 36, embora seja um termo que no to utilizado) e hemcias normocrômicas (no intervalo de normalidade). importante observar que na esferocitose o CHCM geralmente elevado. RDW (Red Cell Distribution Width): um ndice que indica a anisocitose (variao de tamanho), sendo o normal de 11 a 14%, representando a percentagem de variao dos volumes obtidos. Nem todos os laboratrios fornecem o seu resultado no hemograma. Normalmente realiza-se uma anlise estatstica em testes realizados em um grande grupo de indivduos normais para se chegar aos lmites estabalecidos para hemoglobina, hematcrito e nmero de hemcias, isto quer dizer que cada regio possui um lmite de normalidade. RELA ES MATEMTICAS Por meio de frmulas matemticas, possvel obter as rela es entre alguns dos parmetros analisados no eritrograma. Desta forma, temos: Em um indivduo normal, a hematimetria pode ser empiricamente estipulada somando-se 4 ao valor absoluto do hematcrito. Ao resultado, podemos multiplicar por 100.000. Ex: Ht=40%. No de hemácias = (40% + 4) x 100.000 No de hemácias = 44 x 100.000 No de hemácias = 4,4 milhões. Em um indivduo normal e sem anemia, o Hematcrito cerca de 3 vezes o valor absoluto da hemoglobina. Seu valor de referncia : 40 – 50% no homem; 36 – 45% na mulher. Antigamente, o hematcrito era muito utilizado como parmetro. Atualmente, entretanto, no mais to utilizado devido s disparidades das compara es entre os resultados dos mtodos automatizados e no-automatizados. Ex: Hb = 14,8. Hematócrito = 3 x 14,8 = 44,4% O VCM ndice que ajuda na observao do tamanho das hemcias (Valor de referncia: 80 – 100fl). Se a hemcia for maior que esta faixa, diz-se que ela macroctica; se for menor que esta faixa, diz-se que microctica. Seu valor pode ser estipulado a partir da relao entre o hematcrito sobre a hematimetria. Desta formulao, conclui-se que: o VCM diretamente proporcional ao hematcrito e inversamente proporcional hematimetria. Desta forma, se o paciente analisado tem um valor fixo de hematcrito (constante e igual a um outro paciente com hematcrito e hemcias normais), mas apresenta uma hematimetria aumentada (com relao ao outro paciente), quer dizer que suas hemcias so menores (pois para ocupar uma mesma proporo calculada no hematcrito em um tubo de ensaio, mas com um nmero maior de hemcias, elas devem ser menores); o contrrio tambm verdadeiro. Ex: Ht = 35%; Hematimetria: 3,8 milhões de hemácias. VCM = 35 x 100/38 = 92fl. Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy – HEMATOLOGIA – MEDICINA P8 – 2011.1 118 A HCM diz respeito ao peso de hemoglobina em cada hemácia (VR = 26 – 34pg). Seu valor pode ser estimado a partir da relação entre a hemoglobina sobre a hematimetria. Sua análise poderá determinar se a eventual anemia é normocrômica ou hipocrômica. Contudo, é uma prova com menor valor do que o CHCM. Ex: Hb = 11g/dl; Hematimetria = 3,8 milhões de hemácias. HCM = 11 x 100/38 = 28,9 A CHCM calcula a concentração da hemoglobina dentro de uma hemácia (VR = 32 – 36%). Seu valor é obtido através da relação entre a hemoglobina e o hematócrito. Sua análise tem mais valor clínico do que o HCM. Ex: Hb = 11g/dl; Ht = 35%. CHCM = 11/35 (x 100) = 31,4% VALORES DE REFERNCIA DO ERITROGRAMA Parmetros hematimtricos em adultos normais Parmetro laboratorial Homens Mulheres Hematimetria 4.400 000 a 5.900 000/mm3 3.800 000 a 5.200 000/mm3 Hematcrito 40 a 52% 34 a 47% Hemoglobina 13 a 18g/dl 12 a 16g/dl(grávida = 11 a 16g/dl) VCM 80 a 100 fl 80 a 100 fl HCM 26 a 34 pg 26 a 34 pg CHCM 32 a 36% 32 a 36% RDW 11,5,a 14,5 11,5 a 14,5 OBS2: Note que existem diferenças importantes entre alguns valores de referência da mulher e do homem. Estas diferenças podem ser explicadas por, pelo menos, dois fatores: (1) presença da menstruação no sexo feminino; (2) nas amostragens, a mulher se mostra menor (no que diz respeito a massa corporal) do que o homem. ANLISE DO ESFREGA O E ESTUDO MORFOLGICO DAS HEMCIAS A coloração do esfregaço da amostra de sangue é efetuada com corantes que têm em sua composição o azul de metileno, a eosina e o metanol. Os principais métodos de coloração são: Leishman, Giemsa, May-Grunwald, Wright, panótico. O esfregaço ideal deve conter três áreas de distribuição regular (como mostra a figura ao lado). A análise microscópica da lâmina deve ser feita no ponto médio, onde as células se mostram bem distribuídas, em número proporcional. A análise da lâmina de esfregaço é importante pois existem informações obtidas através desta análise que não são possíveis de serem levantados através da análise dos valores numéricos dos demais parâmetros do eritrograma, como a morfologia da hemácia. A sequência de análise da morfologia consiste em: Tamanho: microcítica, normocítica ou macrocítica. Forma: presença de poiquilocitose ou pecilocitose (alteração na forma da hemácia) Coloração celular: hipocromia, normocromia, policromasia. Inclusões A morfologia das hemcias (ou estudo da forma das hemácias) é feita em microscópio, analisando o esfregaço de sangue. As formas encontradas são: Drepanócitos (forma de foice): aparece somente nas síndromes falciformes (não aparecendo no traço falciforme). Esferócitos (forma esférica, pequena e hipercrômica): em grande quantidade é comum na anemia esferocítica (esferocitose), em menores quantidades podem estar presentes em outros tipos de anemias hemolíticas. Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy – HEMATOLOGIA – MEDICINA P8 – 2011.1 119 Eliptócitos (forma de charuto): em grandes quantidades comum na eliptocitose. Em menores quantidades podem aparecer em qualquer tipo de anemia. Hemácias em alvo (células cujas membranas são grandes havendo uma palidez e um alvo central mais corado): aparece em hemoglobinopatias C, E ou S, nas síndromes talassêmicas e em pacientes com doença hepática. Dacriócitos (forma de lágrima): em grande quantidade na mielofibrose. Em pequena quantidade podem aparecer em qualquer tipo de anemia. Hemácias policromáticas (forma normal mas com coloração azul devido a presença de RNA residual): são reticulócitos, formas imaturas dos eritrócitos. Aparece quando grandes quantidades de hemácias novas estão sendo produzidas. Comuns em anemias hemolíticas. Esquizócitos (hemácias fragmentadas): aparecem quando nas hemácias há uma lesão mecânica, em casos de hemólise, ou em casos de pacientes que sofreram queimaduras. Hemáciasmordidas: quando ocorre a formação um precipitado de hemoglobina nas hemácias (chamados de Corpúsculos de Heinz) ocorre remoção destes precipitados pelo baço formando um aspecto de hemácia mordida. Acantócitos (hemácias com pontas de diversos tamanhos): nas hepatopatias, hipofunção esplênica, esplenectomizados. Crenadas (hemácias com várias pontas pequenas): na uremia, quando o paciente faz tratamento com heparina, deficiência de piruvatoquinase. Hemácias normais. Reticulócitos. São as células precursoras imediatas das hemácias, sendo elas o último ponto da diferenciação do pró-eritroblasto. Sua análise na decorrência de uma anemia determina o grau de produção das células na medula óssea: se ela estiver presente, significa dizer que a anemia é regenerativa (anemia decorrente de uma hemorragia; anemia hemolítica, etc.) e, com isso, há produção normal de células na medula óssea; se ela estiver ausente, significa dizer que a anemia é arregenerativa (tumores de medula óssea, etc.), indicando uma produção deficiente de células na medula. Microcitose com hipocromia. A lâmina mostra hemácias pequenas e hipocoradas, mas sem anisocitose (alterações entre as dimensões das hemácias analisadas) e sem poiquilocitose (alterações na forma das hemácias). Macrocitose. Lâmina mostrando hemácias aumentadas (VCM > 110), como ocorre na anemia megalobástica. Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy – HEMATOLOGIA – MEDICINA P8 – 2011.1 120 Anisocitose. Ocorre diferenças entre os tamanhos das hemácias, mas sem alteração da forma. Poiquilocitose. Lâmina mostrando alterações na forma das hemácias. Policromasia, caracterizada por alterações na coloração no interior da hemácia, podendo caracterizar uma anemia hemolítica (hereditária ou adquirida). Drepanócitos. Lâmina mostrando hemácias em forma de foice, característico da anemia falciforme. Eliptócitos ou ovalócitos. Defeito hereditário da membrana (Eliptose hereditária ou adquirida: anemia ferropriva, anemia megalobástica. Esferócitos. Defeito de membrana por alteração genética da espectrina (caracterizando a esferocitose, uma anemia hemolítica hereditária na qual existe um defeito na produção da membrana plasmática da hemácia, a qual se torna mais frágil, formando células pequenas com grande concentração de hemoglobina) ou agressão por anticorpos (anemia hemolítica auto-imune - AHAI). Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy – HEMATOLOGIA – MEDICINA P8 – 2011.1 121 Dacriócitos, que so hemcias em forma de lgrima. Comum na mielofibrose e na anemia mieloblstica. Hemácias em alvo. Achado caracterstico nas hemoglobinopatias e na Talassemia. Equinócitos ou hemácias crenadas. So hemcias com vrias pontas pequenas comuns nas hepatopatias, mas pode ser encontrada em caso de uso de heparina ou artefatos em lminas por substncia alcalina. Acantócitos. Hemcias com pontas de diversos tamanhos. Podem ser vistas nas hepatopatias e em pacientes esplenectomizados. Esquizócitos ou hemcias fragmentadas. So hemcias com forma irregular, de formato “esquisito”. comum na anemia microangioptica e na coagulao intravascular disseminada (CIVD). Eritroblastos. So clulas jovens que, quando presentes na circulao perifrica, podem indicar uma produo medular exageradamente aumentada (como ocorre na anemia hemoltica). Isso ocorre pela maior liberao de clulas jovens pela medula na medida em que as hemcias so destrudas. Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy – HEMATOLOGIA – MEDICINA P8 – 2011.1 122 OBS2: Outros achados não relacionados a forma: Hemácias aglutinadas (agrupamentos de hemácias): quando a hemlise causada por um anticorpo contra hemcias, elas acabam se agrupando (crioaglutininas). Hemácias em Roleux (hemácias em rolos, formam pilhas de rolos de hemácias): aparece em alta concentrao de globulinas anormais, mieloma mltiplo e macroglobulinemia. OBS3: Inclusões nas hemácias: Corpúsculos de Howell-Jolly: aparecem como se fossem um boto azul escuro junto membrana da hemcia, por fragmento nuclear ou DNA condensado. So comuns aps esplenectomia, anemias hemolticas severas. Hemácias com pontilhados basófilos: caracterizadas por vrios pontos roxos dentro da hemcia, pela precipitao dos ribossomos ricos em RNA. Aparecem na talassemia beta, intoxicao por chumbo, anemia hemoltica por deficincia de pirimidina-5-nucleotidase. Anel de Cabot: caracterizada pela forma de uma anel ou em oito dentro da hemcia, por restos nucleares. Ocorrem em em anemias hemolticas severas. APLICAÇÕES PRÁTICAS Com o que foi visto at ento, o hemograma, atravs da anlise do eritrograma, nos permite avaliar as seguintes situa es no que diz respeito aos valores de hemoglobina: Hemoglobina diminuída (♂ < 13g/dl; ♀ < 12g/dl; ♀ grvidas < 11g/dl) indica a presena de anemia. Esta pode ser classificada em: Microctica e hipocrmica a) Reticulcitos diminudos: anemia ferropriva. b) Reticulcitos aumentados: talassemia, anemia falciforme, esferocitose. Normoctica e normocrmica a) Reticulcitos diminudos ou normais: doenas crnicas (diabetes, hipotireoidismo, insuficincia renal crnica, cncer, etc.). b) Reticulcitos aumentados: anemia hemoltica auto-imune (AHAI) Macroctica e normocrmica (anemia megalobstica) a) Reticulcitos diminudos: deficincia de cido flico e/ou deficincia de vitamina B12 (ingredientes fundamentais na constituio do material gentico). A deficincia destas duas vitaminas tambm gera um quadro de pancitopenia. b) Reticulcitos aumentados: AHAI. Hemoglobina normal (♂ 13 - 18g/dl; ♀ 11 - 16g/dl) Hemoglobina aumentada (♂ > 18g/dl; ♀ > 16g/dl) indica poliglobulia, que pode ser funcional (comum em indivduos que residem em grandes altitudes) como tambm pode sugerir doenas, como a DPOC (desencadeada por deficincias de trocas gasosas por problemas nos alvolos) e policitemia vera (causa primria na medula ssea caracterizada por uma alterao gentica que faz com que ela produza hemcias em grandes quantidades, fazendo com que o sangue se torne mais viscoso e aumente chances de doenas cardiovasculares, como AVCs e infartos). A B C Analisando os dados laboratoriais da tabela, podemos chegar s seguintes conclus es: O paciente A apresenta um eritrograma normal. necessrio, contudo, avaliar o esfregao da lmina para avaliar a morfologia das hemcias. O paciente B se apresenta com anemia (Hb de 10 g/dl), normoctica (VCM normal = 95fl) e normocrmica (HCM = 34pg) O paciente C apresenta uma poliglobulia (Hb = 19g/dl). Hb g/dl 12,9 10 19 Ht % 37 30 57 VCM 93 95 85 HCM 32,4 34 36 CHCM 34,9 36 37 D E F Analisando os dados laboratoriais da tabela, podemos chegar s seguintes conclus es: O paciente D apresenta uma anemia (Hb = 9,0g/dl), microctica (VCM = 68,3fl) e hipocrmica (HCM = 21,6pg). O paciente E apresenta uma anemia (Hb = 10g/dl), normoctica (VCM = 90fl) e normocrmica (HCM = 32pg). O paciente F apresenta uma anemia severa (Hb = 5,7g/dl), macroctica (VCM = 124fl) e normocrmica (HCM = 36), sugerindo uma anemia megaloblstica. Hb g/dl 9,0 10 5,7 Ht % 28,4 30 18,7 VCM 68,3 90 124 HCM 21,6 32 36 CHCM 15,7 33 36 Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy – HEMATOLOGIA – MEDICINA P8 – 2011.1 123 LEUCOGRAMA O leucograma é o estudo da série branca (ou leucócitos), em que se faz uma contagem total dos leucócitos e uma contagem diferencial contando-se 100 células. O adulto normalmente apresenta de 5.000-10.000 leucócitos por mm³ de sangue aproximadamente. Como vimos a propósito de capítulos anteriores, as células da linhagem linfóide formadas até o mielócito inclusive (mieloblasto, pró-mielócito e mielócito) são agrupadas no chamado compartimentomitótico medular (em comum, todas estas células se formam por mitose e não realizam fagocitose de agentes estranhos). Já as células que vão desde os metamielócitos até os segmentados são células do chamado compartimento de reserva medular (CRM), e que existem na medula óssea com o objetivo de suprir uma necessidade na vigência de um processo infeccioso, por exemplo. Isso se faz importante pois, diferentemente das hemácias, os granulócitos vivem apenas poucas horas: o segmentado neutrófilo, por exemplo, vive apenas 6 horas. Além disso, os leucócitos, quando chegam ao sangue periférico, podem se comportar de duas maneiras: podem integrar o compartimento circulante (ocupando a circulação sanguínea propriamente dita) ou integrar o compartimento marginal (quando se encontra aderido às paredes dos vasos). Nesta forma, os leucócitos não são determinados ou mensurados pelo hemograma, mas na presença de uma infecção, eles podem retornar ao compartimento circulante. Estes compartimentos sempre estão em renovação constate: assim que um leucócito passa a integrar o compartimento marginal, outro leucócito ocupa seu lugar no compartimento circulante. Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy – HEMATOLOGIA – MEDICINA P8 – 2011.1 124 OBS4: Quando os leucócitos ocupam o compartimento marginal na circulação sanguínea, eles não podem ser mensurados no leucograma. Eles assim permanecem em situações de jejum e repouso, podendo interferir nos resultados dos exames, mostrando-se como uma leucopenia distributiva. Ao contrário disso, alguns fatores podem fazer com que o leucograma de um indivíduo normal apresente uma leucocitose fictícia: alimentação, exercício físico, estresses orgânicos ou psicológicos, etc. Estas situações cursam, de um modo geral, com a liberação de ACTH e adrenalina, que impedem a marginação dos leucócitos, podendo promover este viés no leucograma, CONTAGEM DIFERENCIAL DE LEUCÓCITOS Em um paciente normal, as células encontradas (e seus respectivos valores de referência) são: Monócitos (120 a 1.000/ml; 3 a 10%): uma das maiores células da série branca, têm citoplasma azulado, núcleo irregular (indentado, lobulado, em C ou oval) podem ter vacúolos (pela recente fagocitose). Quando estão aumentados usa-se o termo monocitose e ocorre em infecções virais, leucemia mielomonocítica crônica e após quimioterapia. Linfócitos (880 a 4.000/ml; 22 a 40%): se pequenos têm citoplasma escasso, núcleo redondo; se grandes têm citoplasma um pouco mais abundante. Podem ter grânulos. É a célula predominante nos hemogramas de crianças (70% em crianças, contra 30% em adultos, em condições normais). Seu aumento é chamado de linfocitose. Em adultos, seu aumento pode ser indício de infecção viral ou leucemia linfocítica crônica. Eosinófilos (40 a 500/ml; 1 a 5%): citoplasma basofílico que não é visualizado por causa da presença de grânulos específicos (de coloração laranja-avermelhada), com núcleo com 2-3 lóbulos. Quando seu número aumenta é chamado de eosinofilia, e ocorre em casos de processos alérgicos ou parasitoses. Basófilos (0 a 200/ml; 0 a 2%): citoplasma cheio de grânulos preto-purpúreos que cobrem o citoplasma. Em um indivíduo normal, só é encontrado até uma célula (em termos percentuais); seu aumento ocorre em processos alérgicos. Neutrófilos Segmentados (1.800 a 7.500/ml; 45 a 75%): citoplasma acidófilo (róseo), núcleo com vários lóbulos (2-5 lóbulos) conectados com filamento estreito. É a célula mais encontrada em hemogramas de adultos. Seu aumento pode indicar infecção bacteriana, mas pode estar aumentada em infecção viral. Neutrófilos. O neutrófilo é o leucócito segmentado mais abundante no sangue periférico de adultos (aproximadamente 70% do leucograma). Consiste na principal célula fagocítica e microbicida das defesas imunes, sendo produzidas na medula óssea a partir de células progenitoras pluripotenciais sob a ação de vários mediadores G-CSF e GM-CSF, sendo a primeira linhagem de células a alcançar o foco infeccioso. Os leucócitos são liberados da medula óssea para o sangue periférico, onde sua vida média é de 6 - 7 horas. No que diz respeito ao comportamento dos neutrófilos, temos: Neutrofilia verdadeira: corresponde ao aumento real do número de neutrófilos, que ocorre quando a medula óssea é solicitada para produção de neutrófilos, passando a enviar células inclusive imaturas. As principais causas de neutrofilia verdadeira são: Infecções bacterianas diversas: estafilococos, estreptococos, pneumococos, meningococo, gonococo, E. coli, P. aeruginosa; Alguns vírus (vírus da raiva, vírus da poliomielite, herpes zoster). Pseudoneutrofilia: acontece na vigência de um estímulo adrenérgico, que faz com que os neutrófilos da zona marginal tornem-se circulantes, aumentando o leucograma sem que haja, necessariamente uma infecção. Também há indução pelo uso de glicocorticóides. Neutropenia: a diminuição do número de neutrófilos pode ocorrer na vigência das seguintes situações: Algumas infecções bacterianas: febre tifóide e paratifóide, etc; Infecções virais: a maioria dos vírus causa leucopenia, tais como: vírus da influenza, sarampo, mononucleose (esta cursa com leucocitose as custas de linfócitos atípicos), hepatite infecciosa, dengue (que costuma cursar com leucopenia e plaquetopenia). Protozoários: malária, calazar (leishmaniose). Infecções graves, como a tuberculose miliar e a sepse. Doenças hematológicas: anemia aplástica, anemia megalobástica, anemia ferropriva. Doenças auto-imunes: LES, artrite reumatóide, síndrome de Sjöegren. Alguns produtos químicos tóxicos à medula óssea (como derivados de petróleo) Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy – HEMATOLOGIA – MEDICINA P8 – 2011.1 125 Medicamentos: analgésicos e antiinflamatórios (Dipirona, Tributazona), antibióticos (Cloranfenicol, Clindamicina, Gentamicina, Vancomicina), anticonvulsivantes (Carbamazepina, Imipramida, Fenitoína), anti-hipertensivos (Propanolol, Captopril, etc.). Ao contrário dos macrófagos, os neutrófilos não residem em tecidos saudáveis ou não se apresentam circulando livremente no sangue. Eles só migram para estes locais na presença de danos teciduais, sendo os tecidos o local de consumo. A principal função dos neutrófilos é impedir ou retardar a introdução de agentes infecciosos ou material estranho no ambiente do hospedeiro. Essa função é realizada através da fagocitose e digestão do material. A interleucina 8 aumenta a capacidade dos neutrófilos de destruir bactérias pela intensificação fagocitose, liberação de grânulos, que desencadeia assim uma firme adesão dos neutrófilos a célula endotelial, migração para os tecidos e ativa seu mecanismo efetor. Os neutrófilos são atraídos pelo estímulo quimiotáxico por produtos bacterianos e componentes do complemento. Isso é o início da resposta imediata que ocorre em menos de uma hora. A cinética dos neutrófilos caracteriza-se pelas seguintes etapas: (1) Adesão, rolamento e diapedese; (2) Ingestão do agente infeccioso; (3) Desgranulação; (4) Destruição do organismo. Eosinófilos. Assim como os neutrófilos, os eosinófilos são produzidos e armazenados na medula óssea. Eles são atraídos para tecidos, onde exista invasão por parasitas ou sítios de reação alérgica. Três citocinas têm um papel importante na diferenciação dos eosinófilos: IL-3, IL-5 e o fator estimulador de granulócitos e macrófagos (GM-CSF). Os eosinófilos têm atividade proinflamatória e citotóxica, participando da reação e patogênese de numerosas doenças alérgicas, parasitárias e neoplásicas. As alterações na contagem dos eosinófilos são: Eosinofilia: doenças alérgicas (asmas, doenças cutâneas como escabiose, pênfigo, etc.), infecções por parasitas, doenças hematológicas (ateroembolismo), Síndrome de Churg-Strauss, algumasformas de leucemia mielóide aguda, leucemia mielóide crônica, Linfoma de Hodgkin, Doença de Addison, etc. Eosinopenia: não existe uma condição patológica que cause eosinopenia, uma vez que o seu valor normal vai desde 1 a 5%. Basófilos. Os grandes grânulos dos basófilos são ricos em histamina, serotonina e leucotrienos. São, portanto, a principal fonte de histamina na circulação, que é liberada pela desgranulação determinada pela interação de seus receptores Fc com IgE. A histamina, liberada pelos basófilos, é um pontente agente quimiotático para os eosinófilos. As alterações na contagem dos basófilos são: Basofilia: mixedema, câncer, infecções virais como a varicela e influenza, infecções crônicas (tuberculose), neopaslias pulmonares, estados inflamatórios (como na artrite reumatóide e colite ulcerativa), deficiência de ferro, doenças mieloproliferativas, leucemias. Basopenia: é rara assim como a eosinopenia. Monócitos. Os monócitos são células originadas na medula óssea, onde encontramos as formas imaturas, monoblastos e promonócitos. Os monócitos são as células circulantes efetivas no sangue; contudo, quando ativadas, elas migram para os tecidos, se transformam em macrófagos e fagocitam antígenos para processamento e apresentação celular. Eles apresentam uma meia vida de 8,4 horas e daí vai para os tecidos. Nestes sobrevivem por alguns anos como macrófagos tissulares. Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy – HEMATOLOGIA – MEDICINA P8 – 2011.1 126 Elas so clulas ricas em enzimas como fosfatase alcalina, lisozimas e β- glicuronidases. So importantes tambm pois possuem uma capacidade maior de fagocitose sem um prvio conhecimento do invasor, exercendo a funo de digesto e apresentao de antgeno processado ao linfcitos CD4 (base da resposta imune). So, portanto, as clulas envolvidas na ativao de clulas T virgens especficas para o antgeno. A monocitose pode ocorrer nas seguintes condi es: tuberculose, endocardite bacteriana, sflis, linfomas e leucemias, doenas do colgeno, sarcoidose, etc. Linfócitos. Os linfcitos so produzidos a partir de uma clula-tronco progenitora da medula ssea que d origem a linhagem linfide com linfcitos B e T. Os linfcitos B, amadurecidos na medula ssea, podem se diferenciar em plasmcitos e produzirem anticorpos; os linfcitos T amadurecem no timo. impossvel, microscopicamente, diferenciar os linfcitos B e T. Os tecidos linfides dividem-se em dois tipos: Tecido linfóide primário: so os rgos onde ocorre o amadurecimento dos linfcitos (medula ssea e timo) Tecidos linfóides secundários: onde os linfcitos maduros se tornam estimulados para responder a patgenos via apresentao antignica (linfonodos, bao e tecido linfide associado ao intestino). Os linfcitos podem participam de dois tipos de respostas: Inata ou imediata: a primeira defesa do organismo, mas nem sempre consegue eliminar a infeco. Adaptativa (tardia): iniciada nos tecidos linfides (bao e linfonodos), onde os linfcitos patgenos especficos encontram os antgenos e so ativados por eles. As altera es na contagem de linfcitos podem ocorrer nos seguintes casos: Linfocitose: infec es como mononucleose (linfcitos atpicos), hepatite infecciosa, tuberculose, leucemias. Linfopenia: LES, AIDS, uso de corticoesterides. Outras células que podem ser encontradas. Blasto: o Linfoblasto: L1: clula pequena, citoplasma basoflico e escasso. Encontrada nas leucemia linfide aguda tipo L1. L2: clula de tamanho mdio, citoplasma de tamanho e basofilia variada. Encontrada na leucemia linfide aguda tipo L2. L3: clula grande ou mdia, citoplasma com intensa basofilia e com vacolos. Aparece no linfoma de Burkitt. o Mieloblasto: possui citoplasma escasso, azulado (basoflico), ncleo redondo ou oval, com um ou mais nuclolos evidentes. Pode apresentar grnulos no seu citoplasma e basto de Auer (forma de agulha). Os mieloblastos aparecem em casos de leucemia mielide e podem aparecer na sndrome mielodisplsica ou na reao leucemide (infeco grave). o Monoblasto: similar a outros blastos mas com ncleo mais contorcido ou irregular que o mieloblasto. Aparece na leucemia mielomonoctica aguda ou na leucemia monoctica aguda. Promielcitos neutroflico: O mieloblasto evolui para promielcito, clula maior que o mieloblasto, citoplasma basfilo, grnulos de colorao vermelho-prpura (grnulos primrios), ncleo oval com uma pequena identao. Mielcitos neutroflico: O promielcito evolui para mielcito, clula com citoplasma acidfilo (rosa), mais abundante que o promielcito e com poucos grnulos e j no so mais visualizados os nuclelos. Metamielcitos neutroflico: citoplasma acidfilo, ncleo identado com forma de feijo, poucos grnulos. Bastonetes Neutroflico: citoplasma acidfilo, ncleo em forma de S ou C. No comum seu achado em sangue de pacientes normais, mas aparecem em nmero aumentado em casos de infeco. Linfcitos atpicos: citoplasma mais basoflico que o linfcito normal, ncleo irregular. Aparece em infec es virais. Em grande nmero na mononucleose infecciosa, na infeco por citomegalovrus, na toxoplasmose. Clulas plasmticas: citoplasma basoflico, tamanho moderado e ncleo excentrico. Pode aparecer no mieloma mltiplo. Clulas linfomatosas: citoplasma em quantidade variada, ncleo dobrado, convoluto, clivado ou dobrado. Com um ou mais nuclelos. Aparece em linfomas. Hairy cells: citoplasma azul plido, com proje es citoplasmticas. Aparece somente na leucemia das clulas cabeludas. Clula cerebriforme: ncleo escuro contendo fendas e dobras (aparncia de crebro). Aparece na sndrome de Szary. Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy – HEMATOLOGIA – MEDICINA P8 – 2011.1 127 INCLUSES CITOPLASMTICAS QUE PODEM SER ENCONTRADAS EM NEUTRFILOS Granulações Tóxicas: quando há um aumento na produção dos granulócitos, há uma diminuição no tempo da maturação das células precursoras dos neutrófilos. Por isso os neutrófilos aparecem no sangue com os grânulos primários. Estão presentes em casos de infecções. Vacuólos: resultandes da fagocitose. Podem aparecer nos neutrófilos e monócitos. Seu relato só é importante quando aparece nos neutrófilos. Aparece em casos de infecções graves. FUNDAMENTOS DO LEUCOGRAMA O Leucograma fornece a contagem total e diferencial dos leucócitos no sangue periférico. A contagem global e diferencial varia de acordo os seguintes parâmetros: Idade, Estado fisiológico e Etnia. Idade Estado fisiolgico Etnia Recém- nascido: predomínio de neutrófilos. Primeiro mês: predomínio de linfócitos. A partir dos 4 anos: predomínio de neutrófilos. O envelhecimento não altera o número dos leucócitos, mas acompanha um déficit funcional Normalmente, a gestante apresenta neutrofilia com desvio a esquerda A alimentação e o exercício físico liberam normalmente os leucócitos do compartimento marginal para a corrente sanguínea, podendo aumentar a contagem A raça negra tem 20% a menos de leucócitos que a raça branca As etapas da coleta de sangue para realização do leucograma devem obedecer a seguinte sequência: coleta do sangue periférico com EDTA; confecção do esfregaço sanguíneo; coloração de escolha; aparelho de contagem eletrônica de células; microscopia. Os valores de referência para leucometria estão na faixa entre 3600 – 11000 leuccitos: abaixo de 3600, tem- se leucopenia; acima de 11000, tem-se leucocitose. Os valores de referência para cada componente do leucograma (utilizando-se uma faixa entre 5000 e 10000 células) podem ser encontrados na tabela a seguir: Leucometria 5000 a 10.000 Relativo Absoluto Bastes 0 a 5 % 0 a 500 Neutrfilos 54 a 74%1.500 a 6.500 Eosinfilos 0 a 5% 80 a 500 Basfilos 0 a 1% 0 a 100 Linfcitos 18 a 44% 900 a 3.600 Moncitos 2 a 9% 100 a 900 Alteraes quantitativas dos neutrfilos e leuccitos Neutrofilia Leucopenia Aumento reacional: infecção, inflamação crônica, necrose Redistribuição do compartimento de reserva (estresse, adrenalina, exercício, corticosteróides) Doença mieloproliferativa, neoplasias. Infecções: Estafilococo, Estreptococo, Pneumococo, Meningococo, Gonococo, E. coli, P. aeruginosa, Vírus da raiva, Vírus da Poliomielite, Zoster, Catapora e Varíola. Deficit de produção medular: anemia Aplástica, deficiência de vitamina B12 e ácido fólico; Mielodisplasia; Hemoglobinúria paroxística noturna. Consumo aumentado: infecções bacterianas (por gram negativas); maioria das infecções virais (Vírus da Dengue, Mononucleose, Citomegalovírus, Vírus hepatite B e C, Vírus HIV). Parasitose: Toxoplasmose e esquistossomose (Hiperesplenismo) Doenças auto-imunes: L.E.S, artrite reumatóide, Sjoegren, tireoidopatias. Exposição a produtos tóxicos: Benzeno, tíner, solventes Drogas: analgésicos e antiinflamatórios (dipirona), indometacina, fenilbetazona, antibióticos (Cefalosporina, Clorafenicol, Clindamicina, Gentamicina, Isoniazida, Vancomicina, SMT-TMP), Anticonvulsivantes e anti-depressivos (Carbazepina, Fenitoína, Amitriptilina, Imipramida, Clorpromazida), drogas cardiovasculares e diuréticos (Captopril, Metildopa, Propranolol, Clortalidona, Hidroclorotiazida). Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy – HEMATOLOGIA – MEDICINA P8 – 2011.1 128 APLICAÇÕES CLÍNICAS A B C D E Com relao ao leucograma ao lado, temos: O paciente A apresenta um leucograma aparentemente dentro do espectro normal para um adulto (com 7000 leuccitos, predominando os netrfilos segmentados sobre os linfcitos). Contudo, ele apresenta uma eosinofilia (10% de eosinfilos), o que pode sugerir uma reao alrgia ou parasitose, em primeira instncia. O paciente B apresenta uma leucocitose (20000 leuccitos) com discreto desvio a esquerda (ver OBS5), com a presena de metamielcitos e mielcitos (clulas precursoras) no sangue perifrico (sem a presena de mieloblastos). Isso fala a favor de uma infecção bacteriana. O paciente C apresenta uma leucocitose (40000 leuccitos), mas com linfopenia as custas de uma neutrofilia (chamada de linfopenia reativa). H tambm um importante desvio esquerda, com aparecimento de mieloblastos na circulao, sugerindo o diagnstico de uma leucemia mielóide crônica (condio em que h aumento na produo de clulas blsticas, mas que no perdem a capacidade de se diferenciar). Contudo, pode tambm sugerir um quadro de infeco grave – da a necessidade de avaliar o estado clnico do pacinte, que pode se encontrar muito comprometido na vigncia de uma infeco de tamanha escala. A confirmao pode ser obtida atravs do miolograma. O paciente D apresenta uma leucocitose importante (100000 leuccitos), com predomnio de neutrfilos, linfcitos e mieloblastos (assim como no paciente C, toda vez que encontrarmos blastos na circulao sangunea, devemos sugerir o diagnstico de leucemia). Neste caso, devemos pensar em leucemia aguda (mielide ou linfde). No h, neste caso, um desvio a esquerda, porque s os blastos podem ser vistos na circulao perifrica. O paciente E apresenta uma leucocitose (7000 leuccitos) com linfocitose (70% de linfcitos) e neutropenia (30% de segmentados). Esta seria a proporo que deveria ser encontrada na criana, mas no com tamanha leucocitose. Muito provavelmente, este quadro caracteriza uma leucemia linfóide crônica (devido ao predomnio de linfcitos maduros, sem a presena de linfoblastos). Leuc 7000 20.000 40.000 100.000 70000 BL 0 0 3 20 0 Pro 0 0 2 0 0 Mielo 0 2 3 0 0 Meta 0 5 4 0 0 Bt 2 10 8 0 0 Seg 60 70 68 50 30 Eo 10 0 4 2 1 baso 0 0 5 0 0 Linf 25 13 3 26 70 mono 2 0 0 2 0 OBS5: O termo “desvio a esquerda” significa a liberao e aumento das clulas do compartimento de reserva medular. Isso ocorre porque, em situa es normais, as clulas encontradas no sangue perifrico sero apenas segmentados neutrfilos (cerca de 75%) e, no mximo, bastonetes (1 – 5%). Quando h “desvio a esquerda” (esquerda com relao ao esquema da granulocitopoese apresentado no esquema a seguir), quer dizer que mais clulas do compartimento de reserva esto alcanando o compartimento vascular perifrico no intuito de atender melhor emergncia infecciosa. OBS6: Tambm pode ocorrer desvio para direita. O termo "desvio para direita" significa um aumento das formas maduras de neutrfilo, ou seja, maior percentual de segmentados (polimorfonucleares) e menor percentual de bast es. O "desvio para direita" caracterstico da anemia megaloblstica (muito embora a ausncia deste desvio jamais poder descartar o diagnstico da anemia megaloblstica). Quando presente em um paciente com anemia macroctica, passa a ser um dado sugestivo. Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy – HEMATOLOGIA – MEDICINA P8 – 2011.1 129 Portanto, depois da análise do leucograma apresentado anteriormente, além das informações vistas na OBS5, podemos concluir o seguinte: A neutrofilia, associada ao desvio a esquerda sem a presença de blastos, fala a favor de infecção grave, principalmente na presença de um quadro clínico infeccioso exuberante. A neutrofilia com a presença de desvio a esquerda associada à presença de blastos sugere uma leucemia mielóide crônica. A clínica e a fosfatase alcalina diminuída auxiliam a afastar a hipótese de infecção. A presença de blastos na circulação periférica (sem que haja desvio a esquerda), sugere uma leucemia aguda, seja mielóide ou linfóide. A diferenciação entre as duas só pode ser feita através da análise clínica ou do mielograma, e não pela proporção entre neutrófilos e linfócitos (uma vez que, por ser um quadro agudo, pode não ter dado tempo para formação das células predominantes). A clínica do paciente pode ajudar a excluir uma eventual hipótese de infecção (que deve ser remota, diante do achado de blastos sem desvio a esquerda). A linfocitose com predomínio sobre os neutrófilos pode sugerir: (1) um leucograma de criança, se a contagem geral de leucócitos for normal; (2) uma leucemia linfóide crônica em adultos. SRIE PLAQUETRIA Plaquetas são observadas em relação à quantidade e a seu tamanho. Seu número normal é de 150.000 à 400.000 por microlitro de sangue. O tamanho de uma plaqueta varia entre 1 a 4 micrometros. A contagem de plaquetas é feita pelo método automático. A maioria dos laboratórios usam aparelhos cuja contagem de plaquetas se faz no mesmo canal de contagens de hemácias, sendo que a diferenciação de ambas se dá pelo volume (plaquetas são menores que 20 fl e hemácias maiores que 30 fl). Devido ao grande volume de exames feito por um laboratório ficou inviável a contagem manual de todas as plaquetas, mas a contagem manual não foi totalmente abandonada sendo que a contagem automática pode ser confirmada pela observação das plaquetas no esfregaço ou pela contagem manual feita em câmara de Neubauer. Os erros mais comuns em uma contagem automática são: aparelhos mal calibrados e problemas na coleta do sangue. A coleta correta é muito importante. Uma coleta muito lenta, agitação errada do sangue colhido, entre outros problemas, podem fazer com que as plaquetas se agrupem e, ao realizar a contagem em aparelhos, seu número se torne diminuído. O agrupamento de plaquetas não é um sinal clínico. SUMRIO DE TERMOS UTILIZADOS Leucocitose: aumento no número total de leucócitos. Leucopenia: diminuição do número total de leucócitos. Plaquetopenia: diminuição do número total de plaquetas Eritrocitose ou policitemia: aumento do númerode hemácias no sangue. Eritroblastemia: diminuição do número dos precursores das hemácias. Trombocitopenia: diminuição do número normal de plaquetas. Bicitopenia: diminuição em número de duas populações celulares. Pancitopenia: diminuição em número das três populações celulares. Desvio à esquerda: aumento do número de bastões acima de 5/mm³, ou presença de formas mais imaturas como mielócitos e metamielócitos no sangue periférico Linfocitose: aumento do número de linfócitos. Linfopenia: diminuição do número de linfócitos. Neutrofilia: aumento do número de neutrófilos. Neutropenia: diminuição do número de neutrófilos. Eosinofilia: aumento do número de eosinófilos. Monocitose: aumento do número de monócitos. Basofilia: aumento do número de basófilos. VALORES DE REFERNCIA POR FAIXA ETRIA