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I HISTÓRIA DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO BRASILEIRO 1 INTRODUÇÃO A história do Direito Processual do Trabalho não se confunde com a do Direito Processual Civil. No caso do ordenamento processual trabalhista, a sua respectiva história se entrelaça com a da própria história da organização judiciária trabalhista. Assim, podemos dividir a história do Direito Processual do Trabalho em quatro fases: fase de institucionalização; fase de constitucionalização; fase de incorporação; fase atual. Passaremos a tecer comentários sobre as aludidas fases. 2 FASE DE INSTITUCIONALIZAÇÃO Esta fase de institucionalização compreende três períodos. O primeiro é marcado pelo surgimento dos Conselhos Permanentes de Conciliação e Arbitragem, delineados pela Lei n. 1.637, de 5 de novembro de 1907. Nessa época, os procedimentos referentes à conciliação eram disciplinados pelo regimento interno do próprio Conselho. De outra sorte, a arbitragem era disciplinada pelo Direito Comum. O segundo período apresenta como característica marcante o surgimento do Patronato Agrícola, em S ão Paulo, criado para solucionar as controvérsias entre proprietários rurais e camponeses (1911). Anos depois, surgem os Tribunais Rurais de São Paulo (Lei n. 1.869, de 10-10-1922), por influência das constituições mexicana, de 1917, e de Weimar, de 1919. Na época, competiam-lhes solucionar conflitos de interesses oriundos da interpretação e execução dos contratos de serviços agrícolas, cujo valor não poderia exceder a quinhentos mil-réis. A referida lei foi regulamentada pelo Decreto n. 3.548, de 12 de dezembro de 1922. Acrescente-se que os Tribunais Rurais apresentavam a peculiaridade de adotar um procedimento sumário: tomava-se o depoimento das partes, procedia-se à colheita das demais provas e proferia-se a sentença, uma vez que todo esse rito era consubstanciado no mesmo ato. Por fim, no terceiro período foram criadas as Comissões Mistas de Conciliação (Decreto n. 21.396, de 12-5-1932) e as Juntas de Conciliação e Julgamento (Decreto n. 22.132, de 25-11-1932). Essas comissões tinham competência para conciliar os dissídios coletivos. E as Juntas, para conciliar e julgar os dissídios individuais entre empregados e empregadores, desde que os obreiros fossem sindicalizados. Vale ressaltar que as Comissões Mistas detinham competência meramente conciliatória, tendo em vista que a decisão era de incumbência do Ministro do Trabalho, mediante laudo arbitral, consoante aduzia o Decreto n. 21.396/32. Outrossim, as decisões das Juntas de Conciliação e Julgamento eram executadas pelos juízes federais. Nesse diapasão, cumpre frisar que, nesse período, houve o surgimento das Juntas, que funcionavam no âmbito das Delegacias do Trabalho Marítimo (1933) e do Conselho Nacional do Trabalho (1934). 3 FASE DE CONSTITUCIONALIZAÇÃO Esta fase recebe essa denominação porque as Constituições Federais de 1934 e 1937 estabeleceram dispositivos concernentes à Justiça do Trabalho, não obstante ainda não inclusa como órgão do Poder Judiciário. Como exemplo, podemos citar o art. 122 da Constituição de 1934, que integrava o Título referente à Ordem Econômica e S ocial, que assim previa: “Para dirimir questões entre empregadores e empregados, regidas pela legislação social, fica instituída a Justiça do Trabalho, à qual não se aplica o disposto no Capítulo IV, do Título I” (destacamos). Esse Capítulo versava sobre o Poder Judiciário. Com efeito, o art. 139 da Constituição de 1937 (da mesma forma inserido na parte relativa à Ordem Econômica) referia-se à Justiça do Trabalho e à sua competência, ressalvando que a ela “não se aplicam as disposições desta Constituição relativas à competência, ao recrutamento e às prerrogativas da justiça comum”. Na mesma linha de raciocínio, o mencionado dispositivo constitucional asseverava que “a greve e o lock-out são declarados recursos antissociais, nocivos ao trabalho e ao capital e incompatíveis com os superiores interesses da produção nacional”. Ao interpretarmos essa regra, devemos contextualizá-la à luz do regime político que vigorava na época. Na mesma linha de entendimento, o Decreto-Lei n. 1.237, de 2 de maio de 1939, institucionalizou a Justiça do Trabalho nos parâmetros que conhecemos atualmente. Depois, o diploma foi alterado pelo Decreto-Lei n. 2.851, de 10 de dezembro de 1940, e este regulamentado posteriormente pelo Decreto-Lei n. 6.996, de 12 de dezembro. No dia 1º de maio de 1941, instala-se a Justiça do Trabalho sob o Governo Getúlio Vargas, em solenidade realizada no estádio do Clube de Regatas Vasco da Gama, no Rio de Janeiro, onde compareceram milhares de trabalhadores, especialmente convocados para a ocasião, marcada por pompa e destaque. Em 10 de novembro de 1943, entra em vigor a Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto-Lei n. 5.452, de 1º-5-1943), trazendo normas processuais trabalhistas, dentre muitas outras disposições. Inequivocamente, a entrada em vigor do Diploma Consolidado representou um divisor de águas, consubstanciando um marco inicial da história moderna do direito processual do trabalho. Basta lembrar que o período anterior ao advento da CLT foi representado por normas trabalhistas esparsas e escassas. 4 FASE DE INCORPORAÇÃO Como o próprio nome denota, é a fase marcada pela incorporação da Justiça do Trabalho como órgão do Poder Judiciário nacional. Essa integração foi efetivada pelo Decreto-Lei n. 9.777, de 9 de setembro de 1946, que dispunha sobre a organização da Justiça Laboral. Todavia, o marco de destaque foi o advento da Constituição Federal de 1946, que foi a primeira a integrar a Justiça do Trabalho ao Poder Judiciário (arts. 122 e 123). Com efeito, o antigo Conselho Nacional do Trabalho deu lugar ao Tribunal Superior do Trabalho, e os Conselhos Regionais do Trabalho foram substituídos pelos Tribunais Regionais do Trabalho. 5 FASE ATUAL Atualmente, temos como característica marcante a morosidade do Poder Judiciário Trabalhista na entrega da prestação jurisdicional, caracterizando uma verdadeira crise de efetividade. Pensamos que a morosidade do Poder Judiciário trabalhista na entrega da prestação jurisdicional é um assunto complexo, que resulta de diversos fatores: número insuficiente de juízes do trabalho e auxiliares da justiça, tendo em vista o elevado número de ações trabalhistas, o incremento veemente da população, a conscientização dos trabalhadores em relação aos seus direitos trabalhistas; estrutura dos órgãos da Justiça do Trabalho deficiente, diante do grande movimento jurisdicional; procedimentos internos burocráticos e arcaicos em relação às necessidades dos dias atuais; regras processuais e procedimentais não consentâneas com os ideários da efetividade e celeridade processual; comportamentos procrastinatórios do reclamado, sem consequências processuais realmente inibidoras etc. Entretanto, ainda que de forma paulatina, observam-se propostas de lei e formas alternativas de solução dos conflitos trabalhistas com o intuito de agilizar o judiciário trabalhista, como: procedimento sumaríssimo; comissão de conciliação prévia; mediação e arbitragem. Pensamos que possíveis saídas para a real efetividade do processo sejam as seguintes: criação de um Código de Processo do Trabalho, representando a modernização da legislação processual trabalhista; estruturação dos órgãos do Poder Judiciário Trabalhista em todos os graus de jurisdição, máxime nos locais onde possuem maior demanda; criação de um Juizado Especial Trabalhista, especializado nos procedimentos céleres trabalhistas.