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C E N T R O U N I V E R S I T Á R I O D O N O R T E — U N I N O R T E C U R S O D E D I R E I T O · U N I D A D E C E N T R O FUNDAMENTOS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Conceito e autonomia · Fontes · Interpretação e integração · CLT × CPC · Soluções de conflito · Organização da Justiça do Trabalho · Princípios · Competência Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho. D E C L A R A Ç Ã O U N I V E R S A L D O S D I R E I TO S H U M A N O S · 1 9 4 8 · A R T. X X I I I Direito declarado é promessa; direito exigível é processo. É do caminho entre um e outro que trata esta disciplina. D I S C I P L I N A Processo de Conhecimento Trabalhista D O C E N T E Profa. Ivena Guimarães SUMÁRIO Cap. 1 Conceito, natureza jurídica e autonomia Cap. 2 Fontes do Direito Processual do Trabalho Cap. 3 Interpretação, integração e aplicação · CLT × CPC · lei processual no tempo Cap. 4 Formas de solução dos conflitos trabalhistas UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES Cap. 5 Organização da Justiça do Trabalho Cap. 6 Princípios processuais Cap. 7 Competência da Justiça do Trabalho — art. 114 da CF e art. 651 da CLT C A P Í T U L O 1 CONCEITO, NATUREZA JURÍDICA E AUTONOMIA E S S E N C I A L P A R A A A U L A 1 . 1 C O N C E I TO E F I N A L I DA DE O Direito Processual do Trabalho é o ramo do direito público que disciplina o exercício da jurisdição nos conflitos decorrentes das relações de trabalho: organiza os órgãos da Justiça do Trabalho, define sua competência, estrutura o processo e regula os atos das partes e do juiz até a satisfação do direito reconhecido. Sua finalidade não é declarar direitos novos, mas tornar efetivo o direito material do trabalho. Daí uma consequência que percorre toda a disciplina: as regras processuais trabalhistas são estruturalmente voltadas à celeridade e à simplicidade, porque o crédito discutido tem, em regra, natureza alimentar. N Ã O C O N F U N D A — D I R E I T O M A T E R I A L × D I R E I T O P R O C E S S U A L CRITÉRIO DIREITO MATERIAL DO TRABALHO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Objeto A relação de trabalho em si (salário, jornada, férias, dispensa) O instrumento de solução do conflito (ação, competência, procedimento) Pergunta A quem pertence o direito? Como se obtém a tutela desse direito? Sede típica CLT, arts. 1º a 642 (e legislação esparsa) CLT, arts. 643 a 910; CF, arts. 111 a 116; CPC subsidiário 1 . 2 N AT U R E Z A J U R Í D I CA Trata-se de ramo do direito público. Ainda que o litígio verse sobre interesse patrimonial disponível entre particulares, a relação jurídica processual se estabelece com o Estado-juiz, que exerce poder soberano; as normas processuais são, em regra, UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES cogentes, e sua observância não fica à disposição das partes. A relação processual é trilateral (autor — juiz — réu), dinâmica (progride por atos encadeados) e complexa (gera ônus, deveres, faculdades e sujeições recíprocas). 1 . 3 A U TO N O M I A A autonomia de um ramo jurídico costuma ser aferida por quatro critérios. Aplicando-os ao Processo do Trabalho: CRITÉRIO EM QUE CONSISTE DEMONSTRAÇÃO Legislativa Corpo normativo próprio CLT, Título X (arts. 643 e ss.), com procedimento, recursos e execução próprios Jurisdicional Estrutura judiciária especializada CF, art. 92, IV, e arts. 111 a 116: Varas do Trabalho, TRTs e TST Científica Institutos e princípios informadores próprios Jus postulandi (art. 791 da CLT), conciliação obrigatória (art. 764), competência territorial pelo local da prestação (art. 651) Didática Ensino e sistematização autônomos Disciplina própria nos cursos de Direito e nos concursos da magistratura do trabalho N Ã O C O N F U N D A — A U T O N O M I A × I S O L A M E N T O Autonomia significa ter princípios, institutos e estrutura próprios — não significa autossuficiência normativa. O próprio legislador trabalhista pressupõe o diálogo com o processo comum: o art. 769 da CLT o convoca como fonte subsidiária, e o art. 15 do CPC/2015 confirma a via de mão dupla. Um ramo isolado não precisaria de regra de integração. 1 . 4 D O U T R I N A — S Í N T E SE DAS P O S I Ç Õ E S Na sistematização apresentada por Carlos Henrique Bezerra Leite, o Processo do Trabalho é tratado como ramo autônomo, mas lido a partir da teoria geral do processo e, sobretudo, dos direitos fundamentais processuais da Constituição — a autonomia é afirmada sem romper a unidade científica do processo. Mauro Schiavi trabalha a autonomia do Processo do Trabalho a partir de seus princípios peculiares e da função instrumental de efetivar créditos de natureza alimentar, defendendo uma leitura evolutiva do art. 769 da CLT que permita absorver do processo comum o que amplie a efetividade. UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES Sergio Pinto Martins e Manoel Antonio Teixeira Filho sustentam igualmente a autonomia, com ênfase, no segundo, na resistência à importação acrítica de institutos do processo civil quando a CLT não é omissa. O Q U E V O C Ê P R E C I S A L E M B R A R Ramo do direito público, de natureza instrumental. Autonomia em quatro planos: legislativo, jurisdicional, científico e didático. Autonomia ≠ isolamento: arts. 769 da CLT e 15 do CPC provam o diálogo. C O M O C A I E M P R O VA OAB: costuma testar a instrumentalidade — afirmar que o Processo do Trabalho “cria” direitos ao trabalhador é erro; ele os efetiva. Concurso: cobra os quatro planos da autonomia nominalmente, e a armadilha é a assertiva que conclui pela autossuficiência normativa da CLT — os arts. 769 da CLT e 15 do CPC a desmentem. M A P A M E N T A L — C A P Í T U L O 1 CONCEITO E AUTONOMIA CONCEITO Disciplina o exercício da jurisdição nos conflitos de trabalho NATUREZA Direito público · instrumental · relação trilateral QUATRO AUTONOMIAS Legislativa · jurisdicional · científica · didática LIMITE Autonomia ≠ isolamento (arts. 769 CLT / 15 CPC) FINALIDADE Efetivar o direito material · crédito alimentar → celeridade DOUTRINA Bezerra Leite · Schiavi · S. P. Martins · Teixeira Filho C A P Í T U L O 2 FONTES DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO E S S E N C I A L P A R A A A U L A 2 . 1 C O N C E I TO · F O N T E S M AT E R I A I S E F O R M A I S Fonte material é o fator que provoca a criação da norma: o conflito social, a pressão sindical, a sobrecarga do Judiciário, a decisão política de acelerar a prestação jurisdicional. Não é norma — é causa. UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES Fonte formal é a forma pela qual a norma se exterioriza e se torna obrigatória. É o que o aluno cita em prova. FONTE FORMAL REFERÊNCIA PAPEL NO PROCESSO DO TRABALHO Constituição Art. 5º; art. 92, IV; arts. 111 a 116 Fonte de primeiro grau: garantias processuais, estrutura da JT e competência (art. 114) CLT Decreto-Lei 5.452/1943, Título X Núcleo do procedimento trabalhista CPC Lei 13.105/2015, art. 15; CLT, art. 769 Fonte subsidiária e supletiva — nunca fonte primária Legislação esparsa Lei 5.584/1970; Lei 7.701/1988; Lei 6.830/1980 (via art. 889 da CLT); Lei 9.307/1996 Regem temas específicos (assistência judiciária, dissídios coletivos, execução, arbitragem) Tratados internacionais CF, art. 5º, §§ 2º e 3º Convenções da OIT ratificadas; tratados de direitos humanos podem ter estatura supralegal ou de emenda Regimentos internos RITST, regimentos dos TRTs Organizam competência interna dos órgãos; não criam direito processual novo Jurisprudência e precedentes CPC, arts. 926 e 927; CLT, art. 896, §§ Força variável — ver quadro 2.2. Não confundir todos entre si A T E N Ç Ã O O art. 8º, § 2º, da CLT (redação da Lei 13.467/2017) dispõe que súmulas e outros enunciadosde jurisprudência não poderão restringir direitos legalmente previstos nem criar obrigações não previstas em lei. É um limite expresso à função criativa da jurisprudência — e cai em prova como afirmação isolada. 2 . 2 Q UA D R O — S Ú M U L A × O J × P R E C E DE N T E N O R M AT I VO × P R E C E DE N T E Q UA L I F I CA D O Este é o quadro que separa o aluno que decorou do aluno que entendeu. Nem toda súmula é vinculante. Vinculação, no sentido técnico, é atributo excepcional, previsto em norma. UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES INSTITUTO ÓRGÃO / ORIGEM FINALIDADE FORÇA JURÍDICA Súmula Vinculante STF (CF, art. 103- A) Uniformizar matéria constitucional controvertida Vincula os demais órgãos do Judiciário e a Administração direta e indireta; cabe reclamação Decisão em controle concentrado STF (ADI, ADC, ADPF) Controle abstrato de constitucionalidade Eficácia erga omnes e efeito vinculante Repercussão geral / recurso repetitivo STF e STJ Fixar tese para casos idênticos Precedente qualificado: observância obrigatória (CPC, art. 927, III) IRR / IAC TST (IRR: CLT, art. 896-C) e tribunais (IAC: CPC, art. 947) Resolver multiplicidade / relevante questão de direito Precedente qualificado, de observância obrigatória no respectivo âmbito Súmula do TST Pleno do TST Consolidar jurisprudência iterativa do próprio tribunal Não é vinculante no sentido do art. 103-A da CF; tem forte eficácia persuasiva e função de uniformização recursal Orientação Jurisprudencial (OJ) Subseções (SBDI- 1, SBDI-2) e SDC do TST Registrar entendimento reiterado ainda não sumulado Persuasiva; grau de consolidação menor que o da súmula. Pode ser convertida em súmula ou cancelada Precedente Normativo (PN) SDC do TST — matéria de dissídio coletivo Orientar o julgamento do poder normativo Persuasiva, e restrita ao campo coletivo. Não se confunde com súmula nem com OJ C O M O C A I — A P E G A D I N H A C L Á S S I C A “As súmulas do TST têm efeito vinculante sobre os TRTs.” Errado. Efeito vinculante em sentido técnico decorre de súmula vinculante do STF ou de decisão em controle concentrado. A súmula do TST orienta e uniformiza — e é decisiva no cabimento do recurso de revista — mas não vincula no sentido do art. 103-A da CF. “Precedente Normativo é espécie de OJ.” Errado. PN é da SDC e diz respeito ao poder normativo em dissídio coletivo; OJ é registro de entendimento das subseções. UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES O Q U E V O C Ê P R E C I S A L E M B R A R Fonte material é causa; fonte formal é veste. CF → CLT → leis esparsas. O CPC entra depois, e só pelas portas dos arts. 769 da CLT e 15 do CPC. Vinculação é excepcional: SV e controle concentrado vinculam; súmula do TST, OJ e PN, não. Súmula vem do Pleno; OJ, das Subseções; PN, da SDC. C O M O C A I E M P R O VA OAB: a assertiva mais frequente atribui efeito vinculante à súmula do TST. Guarde a régua do art. 103-A da CF. Concurso: pede o órgão de origem de cada enunciado e cobra o art. 8º, § 2º, da CLT — súmula não cria obrigação nem restringe direito previsto em lei. M A P A M E N T A L — C A P Í T U L O 2 FONTES MATERIAL × FORMAL Causa da norma × veste da norma TOPO CF: art. 5º · art. 92, IV · arts. 111 a 116 NÚCLEO CLT, Título X · leis esparsas (5.584/70; 7.701/88; 6.830/80) APOIO CPC — subsidiário e supletivo, nunca primário ESCALA DE FORÇA SV e controle concentrado → precedente qualificado → súmula TST → OJ → PN LIMITE Art. 8º, § 2º, CLT: súmula não cria nem restringe direito C A P Í T U L O 3 INTERPRETAÇÃO, INTEGRAÇÃO E APLICAÇÃO 3 . 1 I N T E R P R E TAÇÃO Interpretar é atribuir sentido a uma norma que existe. Os métodos clássicos — gramatical, lógico, sistemático, histórico e teleológico — convivem; nenhum é excludente. Duas notas próprias do processo do trabalho: (i) a interpretação constitucional impõe filtrar toda regra da CLT pelos direitos fundamentais processuais do art. 5º; (ii) a interpretação sistemática é indispensável porque a CLT convive com o CPC, com leis esparsas e com a Constituição — ler o art. 651 sem o art. 114 da CF produz erro. UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES N Ã O C O N F U N D A — I N T E R P R E T A Ç Ã O × I N T E G R A Ç Ã O Interpretação: a norma existe e se busca o seu sentido. Integração: a norma não existe (há lacuna) e se busca colmatá-la por analogia, equidade, princípios, costumes ou direito comparado. A pergunta de controle é simples: existe dispositivo aplicável? Se sim, interpreta-se. Se não, integra-se. 3 . 2 I N T E G R AÇÃO — A R T. 8 º DA C LT O art. 8º, caput, da CLT determina que as autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão conforme o caso pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e ainda de acordo com os usos e costumes e o direito comparado, sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. O § 1º estabelece que o direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho. Observe o alcance: o art. 8º é regra de integração do direito do trabalho como um todo. Para a lacuna especificamente processual, a regra própria é o art. 769. 3 . 3 C LT × C P C — O P O N TO C E N T R A L Art. 769 da CLT: nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas do Título X. Art. 15 do CPC/2015: na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições do Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Art. 889 da CLT: na execução, aplicam-se subsidiariamente os preceitos que regem o processo dos executivos fiscais (hoje, a Lei 6.830/1980) — regra especial que precede o recurso ao CPC. S U B S I D I Á R I A Há lacuna: a CLT não trata do tema. O CPC entra para preencher o vazio. Exemplo: a CLT não disciplina exaustivamente a produção da prova pericial; recorre-se ao CPC no que for compatível. S U P L E T I VA Há disciplina incompleta: a CLT trata do tema, mas de modo insuficiente. O CPC entra para complementar. Exemplo: a CLT prevê a sentença, mas o detalhamento dos requisitos e do dever de fundamentação vem completado pelo CPC. UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES O teste de admissão do CPC no processo do trabalho é sempre duplo, e nessa ordem: (1) omissão — a CLT é silente ou insuficiente? (2) compatibilidade — a regra do CPC convive com os princípios e a estrutura do processo trabalhista? Falhando qualquer das duas etapas, o CPC não se aplica. A T E N Ç Ã O — I N 3 9 / 2 0 1 6 D O T S T A Instrução Normativa 39/2016 do TST (aprovada pela Resolução 203/2016) foi editada para indicar quais normas do CPC/2015 se aplicam e quais não se aplicam ao processo do trabalho. Sua natureza é de ato interno de orientação: não é lei, não cria competência e não vincula como precedente qualificado. Ela deve ser lida em conjunto com a IN 41/2018 (Resolução 221/2018), que trata da aplicação das alterações da Lei 13.467/2017, e sempre confrontada com alterações legislativas posteriores: ato normativo interno cede diante de lei superveniente. 3 . 4 A P L I CAÇÃO DA L E I P R O C E S S UA L N O T E M P O Art. 14 do CPC/2015: a norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada. O dispositivo positiva o tempus regit actum na sua versão de isolamento dos atos processuais: o processo não recomeça nem se “congela” na lei antiga;a lei nova alcança os atos ainda não praticados, preservando os já praticados e os efeitos já consolidados. E X E M P L O Lei processual nova entra em vigor quando já encerrada a instrução e pendente apenas a sentença. Os depoimentos colhidos sob a lei antiga permanecem válidos — foram atos processuais já praticados. Mas o recurso a ser interposto depois da vigência segue o regime novo, salvo regra de transição expressa. UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES O Q U E V O C Ê P R E C I S A L E M B R A R Art. 8º da CLT → integração do direito do trabalho. Art. 769 da CLT → lacuna processual. Art. 15 do CPC → confirmação, do lado do Código. Teste duplo: omissão + compatibilidade. Subsidiária = preenche vazio. Supletiva = completa o insuficiente. Art. 14 do CPC: aplicação imediata, sem retroação, respeitados atos praticados. C O M O C A I E M P R O VA OAB: a pergunta clássica troca subsidiária por supletiva, ou apresenta o CPC como aplicável sempre que “for mais favorável ao trabalhador” — não é o critério. O critério é omissão somada a compatibilidade. Concurso: cobra a IN 39/2016 como se fosse lei, e cobra o art. 14 do CPC pedindo que o candidato reconheça que os atos já praticados sob a lei revogada permanecem válidos. M A P A M E N T A L — C A P Í T U L O 3 CLT × CPC E LACUNAS INTERPRETAR A norma existe → buscar o sentido INTEGRAR A norma falta → art. 8º CLT: analogia, equidade, princípios, costumes PORTA DO CPC Art. 769 CLT + art. 15 CPC · execução: art. 889 CLT TESTE DUPLO 1. omissão · 2. compatibilidade SUBSIDIÁRIA × SUPLETIVA Preencher o vazio × completar o insuficiente NO TEMPO Art. 14 CPC · tempus regit actum · atos praticados preservados C A P Í T U L O 4 FORMAS DE SOLUÇÃO DOS CONFLITOS TRABALHISTAS 4 . 1 PA N O R A M A A U TO T U T E L A Imposição da vontade de uma parte sobre a outra. Excepcional no direito brasileiro. Na trabalhista, A U TO C O M P O S I ÇÃO As próprias partes resolvem: renúncia, reconhecimento do pedido, transação, negociação HE T E R O C O M P O S I ÇÃO Um terceiro decide: jurisdição (Estado-juiz) ou arbitragem (árbitro privado, nos limites legais). UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES sua manifestação legítima mais visível é a greve (CF, art. 9º; Lei 7.783/1989). coletiva, conciliação e mediação. Pode ser extra ou endoprocessual. N Ã O C O N F U N D A — C O N C I L I A Ç Ã O × M E D I A Ç Ã O Na conciliação, o terceiro é ativo: sugere soluções, aponta riscos, formula propostas. Na mediação, o terceiro é catalisador do diálogo: restabelece a comunicação para que as próprias partes construam a solução. Em ambas, quem decide são as partes — por isso as duas são autocomposição, e não heterocomposição. 4 . 2 C O N C I L I AÇÃO T R A BA L H I STA A conciliação não é etapa acessória do processo do trabalho: é estruturante. Art. 764 da CLT: os dissídios individuais e coletivos submetidos à Justiça do Trabalho serão sempre sujeitos à conciliação; o § 1º impõe aos juízes o emprego permanente dos bons ofícios para conciliar; o § 3º autoriza acordo a qualquer tempo, mesmo depois de encerrado o juízo conciliatório. Há dois momentos obrigatórios de proposta na audiência: art. 846 — aberta a audiência, o juiz proporá a conciliação; art. 850 — encerrada a instrução e apresentadas as razões finais, o juiz renovará a proposta. A T E N Ç Ã O — C O N C I L I A Ç Ã O ≠ D I R E I T O A U T O M Á T I C O À H O M O L O G A Ç Ã O Propor a conciliação é dever do juiz. Homologar o acordo apresentado não é. O juiz exerce controle de legalidade e pode recusar a homologação — por exemplo, diante de indício de fraude, de simulação ou de renúncia a direito indisponível. Súmula 418 do TST (redação alterada pela Res. 217/2017): a concessão de liminar ou a homologação de acordo constituem faculdade do juiz, inexistindo direito líquido e certo tutelável pela via do mandado de segurança. 4 . 3 C O M I S S Õ E S DE C O N C I L I AÇÃO P R É V I A Instituídas pela Lei 9.958/2000, que inseriu na CLT os arts. 625-A a 625-H. São comissões paritárias, de composição empresarial e sindical, com atribuição de tentar conciliar conflitos individuais do trabalho. O termo de conciliação firmado é título executivo extrajudicial e, na literalidade do art. 625-E, parágrafo único, teria eficácia liberatória geral, salvo quanto às parcelas expressamente ressalvadas — leitura hoje restringida pelo STF, como se vê a seguir. UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES J U R I S P R U D Ê N C I A Ao julgar em conjunto as ADIs 2.139, 2.160 e 2.237, o STF deu interpretação conforme a Constituição a dois dispositivos, e não apenas a um. 1. Art. 625-D — a submissão prévia é facultativa. O texto dispunha que a demanda seria submetida à Comissão quando existente na localidade. O Supremo afastou a obrigatoriedade: passar pela CCP é faculdade do trabalhador, sob pena de ofensa ao art. 5º, XXXV, da CF. A falta de tentativa conciliatória prévia não autoriza extinguir a reclamação. 2. Art. 625-E, parágrafo único — a eficácia liberatória não é geral. O Supremo assentou que a “eficácia liberatória geral” do termo alcança apenas as parcelas e os valores efetivamente discutidos no procedimento conciliatório, não operando quitação geral e indiscriminada do contrato de trabalho. Os Ministros Edson Fachin e Rosa Weber foram além e votaram pela inconstitucionalidade da própria expressão, mas ficaram vencidos: o dispositivo permanece no ordenamento, lido nesses limites estreitos. 4 . 4 A R B I T R AG E M Regida pela Lei 9.307/1996, é heterocomposição privada, restrita a direitos patrimoniais disponíveis. No plano coletivo, a Constituição a prevê expressamente: art. 114, § 1º — frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger árbitros. No plano individual, a Lei 13.467/2017 inseriu o art. 507-A da CLT: nos contratos individuais cuja remuneração seja superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social, poderá ser pactuada cláusula compromissória de arbitragem, desde que por iniciativa do empregado ou mediante sua concordância expressa, nos termos da Lei 9.307/1996. A T E N Ç Ã O — D O I S R E Q U I S I T O S C U M U L A T I V O S O art. 507-A exige patamar remuneratório (mais do que o dobro do teto do RGPS) e manifestação qualificada do empregado. Alternativa de prova que menciona apenas um dos dois requisitos está errada. Também está errada a alternativa que afirma caber arbitragem “em qualquer contrato de trabalho”. 4 . 5 J U R I SD I ÇÃO Jurisdição é a função estatal de aplicar o direito ao caso concreto, em caráter substitutivo à vontade das partes, com aptidão para a coisa julgada. É una: não existem “jurisdições” distintas, mas distribuição de competência entre órgãos. A Justiça do Trabalho não tem “uma jurisdição própria” — exerce a jurisdição nacional dentro da competência que a Constituição lhe atribui. UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES Características: substitutividade, imparcialidade, inércia (provocação da parte, com exceções legais), definitividade. O Q U E V O C Ê P R E C I S A L E M B R A R Autotutela é excepcional; conciliação e mediação são autocomposição; jurisdição e arbitragem, heterocomposição. Propor a conciliação é dever (arts. 764, 846 e 850); homologar é faculdade (Súm. 418/TST). Nas ADIs 2.139, 2.160 e 2.237 o STF decidiu duas coisas: passar pela CCP é faculdade, e a eficácia liberatória do termo não é geral — alcança só as parcelas e valores conciliados. Arbitragem individual: dois requisitos cumulativos no art. 507-A da CLT. C O M O C A I E M P R O VA OAB: caso concreto com acordo irrisório e pergunta se o juiz é obrigado a homologar. Não é. Concurso: exige a literalidade do art. 507-A — o patamar remuneratórioe a iniciativa ou concordância expressa do empregado. Mencionar só um dos dois torna a assertiva falsa. M A P A M E N T A L — C A P Í T U L O 4 SOLUÇÃO DOS CONFLITOS AUTOTUTELA Excepcional · greve (CF, art. 9º; Lei 7.783/89) AUTOCOMPOSIÇÃO Renúncia · transação · negociação · conciliação · mediação CONCILIAÇÃO NA JT Arts. 764, 846 e 850 CLT · dois momentos obrigatórios HOMOLOGAÇÃO Faculdade do juiz — Súm. 418/TST CCP Arts. 625-A a 625-H · passagem facultativa e quitação restrita ao conciliado (ADIs 2.139, 2.160 e 2.237) HETEROCOMPOSIÇÃO Jurisdição · arbitragem (Lei 9.307/96; art. 507-A CLT) C A P Í T U L O 5 ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES A Justiça do Trabalho é órgão do Poder Judiciário da União (CF, art. 92, IV). Sua estrutura está nos arts. 111 a 116 da Constituição. TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO CF, art. 111-A — 27 Ministros · sede em Brasília · jurisdição em todo o território nacional TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO CF, art. 115 — compostos de, no mínimo, sete juízes · segundo grau JUÍZES DO TRABALHO — VARAS DO TRABALHO CF, art. 116 — jurisdição exercida por juiz singular · primeiro grau 5 . 1 O S G R A U S E S UAS F UN Ç Õ E S ÓRGÃO BASE CONSTITUCIONAL FUNÇÃO TÍPICA Vara do Trabalho Arts. 112 e 116 Julgar originariamente os dissídios individuais; instruir e executar. Juiz singular TRT Art. 115 Julgar recursos das Varas de sua região e causas de competência originária regional (p. ex., dissídio coletivo de âmbito regional, ação rescisória de seus julgados, mandado de segurança contra ato de juiz) TST Art. 111-A Uniformizar a interpretação da legislação trabalhista em âmbito nacional (recurso de revista, embargos, IRR) e julgar causas de competência originária nacional Duas notas do art. 112: a lei criará varas do trabalho, e nas comarcas não abrangidas por jurisdição de vara a lei poderá atribuir a competência aos juízes de direito. Nesse caso, o recurso cabível é dirigido ao respectivo TRT — o juiz de direito atua investido de competência trabalhista, sem que a causa deixe de ser trabalhista. O art. 111-A, § 2º, situa junto ao TST a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho e o Conselho Superior da Justiça do Trabalho, este com atuação de supervisão administrativa, orçamentária, financeira e patrimonial da Justiça do Trabalho de primeiro e segundo graus. UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES 5 . 2 P O R DE N T R O D O T ST — C O M P O S I ÇÃO E Ó R GÃO S I N T E R N O S A Constituição fixa apenas o essencial: o TST compõe-se de 27 Ministros, escolhidos entre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de setenta anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, nomeados pelo Presidente da República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal. Desses 27, um quinto provém da advocacia e do Ministério Público do Trabalho, e os demais, de juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho oriundos da magistratura da carreira (CF, art. 111-A, I e II). A divisão interna de trabalho, contudo, não está na Constituição: vem do Regimento Interno do TST e da Lei 7.701/1988. Saber quem julga o quê é o que permite entender por que um mesmo processo pode subir da Turma para a Subseção — e é matéria recorrente em concursos. ÓRGÃO SIGLA PARA QUE SERVE Tribunal Pleno — Reúne os 27 Ministros. É o órgão máximo: edita, revisa e cancela súmulas, aprecia a arguição de inconstitucionalidade e delibera sobre as matérias de maior relevo institucional. Foi o Pleno que deu à Súmula 392 sua redação atual Órgão Especial — Colegiado reduzido, previsto no art. 93, XI, da CF, que exerce por delegação atribuições administrativas e jurisdicionais do Pleno, desafogando-o Seção Especializada em Dissídios Coletivos SDC Campo coletivo: dissídios coletivos de competência originária do TST e recursos ordinários em dissídios coletivos julgados pelos TRTs. É dela que emanam os Precedentes Normativos Subseção I de Dissídios Individuais SBDI- 1 Uniformiza a jurisprudência interna do próprio TST: julga os embargos contra decisões das Turmas que divergirem entre si ou da SBDI-1 (CLT, art. 894, II). É a instância que pacifica o dissenso entre Turmas Subseção II de Dissídios Individuais SBDI- 2 Ações e recursos de natureza não ordinária: ação rescisória, mandado de segurança, habeas corpus, conflitos de competência e recursos ordinários em processos de competência originária dos TRTs Turmas 1ª a 8ª Oito Turmas, de três Ministros cada. São a porta de entrada do julgamento colegiado: apreciam os recursos de revista e os agravos correspondentes. Oito Turmas × três Ministros = 24, que somados ao Presidente, ao Vice-Presidente e ao Corregedor-Geral perfazem os 27 UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES N Ã O C O N F U N D A — S B D I - 1 × S B D I - 2 × S D C Use três perguntas. O conflito é coletivo? → SDC. É individual e a discussão nasceu de divergência entre Turmas do TST? → SBDI-1, pela via dos embargos. É individual, mas se trata de rescisória, mandado de segurança, habeas corpus ou conflito de competência? → SBDI-2. Amarre com o Capítulo 2: Súmula é do Pleno; OJ é das Subseções (e da SDC); Precedente Normativo é da SDC. A sigla que aparece ao lado da OJ diz de qual órgão ela saiu. 5 . 3 O S T R T S E A N O S S A R E G I ÃO — O T R T DA 1 1 ª R E G I ÃO O território nacional é dividido em vinte e quatro regiões da Justiça do Trabalho, cada uma com o seu Tribunal Regional. Uma região pode abranger um único Estado, mais de um Estado ou parte de um Estado — a repartição é legal, não geográfica automática. O Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região, com sede em Manaus, tem jurisdição sobre os Estados do Amazonas e de Roraima. É, portanto, o tribunal ao qual se dirigem os recursos ordinários das Varas do Trabalho de Manaus, do interior do Amazonas e de Boa Vista. N A P R ÁT I C A — O C A M I N H O D E U M P R O C E S S O D A Q U I Reclamação ajuizada em uma Vara do Trabalho de Manaus → sentença do juiz do trabalho (juiz singular, art. 116 da CF) → recurso ordinário para o TRT da 11ª Região → acórdão regional → eventual recurso de revista para uma das oito Turmas do TST → havendo divergência entre Turmas, embargos à SBDI-1. Se, em vez de recurso, a parte ajuizar ação rescisória contra acórdão do próprio TST, o julgamento caberá à SBDI-2. A T E N Ç Ã O — O M P T N Ã O É Ó R G Ã O D A J U S T I Ç A D O T R A B A L H O CRITÉRIO JUSTIÇA DO TRABALHO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO Posição Poder Judiciário da União (CF, art. 92, IV) Ramo do Ministério Público da União (CF, art. 128, I, b); função essencial à Justiça Função Julgar Atuar como órgão agente (ação civil pública, inquérito civil, TAC) e como fiscal da ordem jurídica Integra o rol do art. 111? Sim — TST, TRTs e Juízes do Trabalho Não. Atua perante a Justiça do Trabalho, não dentro dela UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES O Q U E V O C Ê P R E C I S A L E M B R A R Três graus: Vara (juiz singular, art. 116) → TRT (mín. 7 juízes, art. 115) → TST (27 Ministros, art. 111-A). Dentro do TST: Pleno e Órgão Especial; SDC para o coletivo; SBDI-1 para embargos; SBDI-2 para rescisória, MS e HC; 8 Turmas para o recurso de revista. 24 regiões. A nossa é a 11ª — Amazonas e Roraima, sede em Manaus. O MPT não integra a Justiça do Trabalho. C O M O C A I E M P R O VA OAB: insere o MPT no rol do art. 111 da CF, ou afirma que a Vara do Trabalho julga por órgão colegiado — resquício das antigas Juntas de Conciliação e Julgamento. Concurso: pede o número de Ministros do TST e a atribuição de cada órgão interno. Troca típica: atribuir a rescisória à SBDI-1, quando é da SBDI-2. M A P A M E N T A L — C A P Í T U L O 5 ORGANIZAÇÃODA JT SEDE CONSTITUCIONAL Art. 92, IV · arts. 111 a 116 1º GRAU Vara do Trabalho · juiz singular (art. 116) 2º GRAU TRT · mínimo 7 juízes (art. 115) INSTÂNCIA SUPERIOR TST · 27 Ministros · uniformização (art. 111-A) SUPLÊNCIA Juiz de direito investido (art. 112) → recurso ao TRT FORA DA ESTRUTURA MPT · função essencial à Justiça (art. 128, I, b) C A P Í T U L O 6 PRINCÍPIOS PROCESSUAIS E S S E N C I A L — N Ú C L E O D A A U L A UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES 6 . 1 P R I N C Í P I O S C O N ST I T UC I O N A I S E G E R A I S PRINCÍPIO FUNDAMENTO CONTEÚDO — E O QUE MUDA NO PROCESSO DO TRABALHO Acesso à Justiça / inafastabilidade CF, art. 5º, XXXV A lei não excluirá da apreciação do Judiciário lesão ou ameaça a direito. Foi esse o fundamento da leitura do STF sobre a CCP (Cap. 4) Devido processo legal CF, art. 5º, LIV Cláusula-matriz: dela derivam contraditório, ampla defesa e juiz natural Contraditório e ampla defesa CF, art. 5º, LV; CPC, arts. 9º e 10 Informação + reação. Na leitura do CPC, veda-se a decisão surpresa: nem sobre matéria cognoscível de ofício o juiz decide sem ouvir as partes Juiz natural CF, art. 5º, XXXVII e LIII Vedação a juízo ou tribunal de exceção; competência fixada por critérios prévios e abstratos Imparcialidade CPC, arts. 144 e 145 (subsidiariamente); CLT, art. 801 Impedimento e suspeição. A CLT tem regra própria no art. 801 — logo, aqui a incidência do CPC é limitada Isonomia CF, art. 5º, caput; CPC, art. 7º Paridade de armas — igualdade real, não meramente formal Publicidade CF, arts. 5º, LX, e 93, IX Regra; o sigilo é excepcional e fundamentado Fundamentação CF, art. 93, IX; CPC, art. 489, § 1º Nulidade da decisão não fundamentada. O art. 489, § 1º, densifica o dever Duração razoável CF, art. 5º, LXXVIII (EC 45/2004); CPC, art. 4º Direito à solução em prazo razoável, incluída a atividade satisfativa Boa-fé e cooperação CPC, arts. 5º e 6º Deveres de lealdade e de colaboração para decisão de mérito justa e efetiva Primazia do mérito CPC, arts. 4º, 6º, 317, 932, parágrafo único, e 938, § 1º Preferência pela decisão de mérito; vício sanável deve ser oportunizado antes da extinção UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES 6 . 2 P R I N C Í P I O S E CA R AC T E R Í ST I CAS P E C U L I A R E S D O P R O C E S S O D O T R A BA L H O PRINCÍPIO MANIFESTAÇÃO CONCRETA DISPOSITIVO Oralidade Reclamação verbal reduzida a termo; defesa e razões finais orais CLT, arts. 840, § 2º, 847 e 850 Concentração Audiência una: defesa, provas, razões finais e conciliação em um só ato CLT, arts. 843 a 852 Imediação Contato direto do juiz com partes e testemunhas; ampla direção do processo CLT, arts. 765 e 848 Simplicidade e informalismo Requisitos reduzidos da petição inicial; instrumentalidade das formas CLT, arts. 840 e 794 a 798 Celeridade Prazos curtos; irrecorribilidade imediata das interlocutórias CF, art. 5º, LXXVIII; CLT, arts. 765 e 893, § 1º Conciliação Dever de propor em dois momentos da audiência CLT, arts. 764, 846 e 850 Jus postulandi Empregado e empregador podem reclamar pessoalmente e acompanhar a reclamação até o final CLT, art. 791 J U R I S P R U D Ê N C I A — O S L I M I T E S D O J U S P O S T U L A N D I Súmula 425 do TST: o jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do TST. Leitura de prova: a súmula não “revoga” o art. 791 — delimita seu alcance. A alternativa que afirmar jus postulandi “em qualquer instância e em qualquer ação trabalhista” está errada. UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES D I V E R G Ê N C I A D O U T R I N Á R I A — E X I S T E U M “ P R I N C Í P I O P R O T E T I V O D O P R O C E S S O D O T R A B A L H O ” ? Corrente 1 — sim, com adaptações. Sustenta que a desigualdade material entre as partes se projeta no processo e legitima tratamento processual diferenciado, apoiando-se em normas como o art. 791 (jus postulandi), a gratuidade e a distribuição do ônus da prova. Trata-se de leitura afim à de autores como Mauro Schiavi e Carlos Henrique Bezerra Leite. Corrente 2 — não, ou apenas de modo mitigado. Objeta que a proteção é princípio do direito material; no processo, o juiz é equidistante, e a isonomia processual não admite favorecimento genérico de uma das partes. É a preocupação central de autores mais ligados à teoria geral do processo. Como responder em prova: a existência de um princípio protetivo processual autônomo é controvertida. Há consenso quanto à proteção no direito material; não há consenso quanto à sua transposição para o processo. Não apresente a Corrente 1 como pacífica. O Q U E V O C Ê P R E C I S A L E M B R A R Os princípios constitucionais valem em qualquer processo; o que é peculiar ao trabalhista é a intensidade da oralidade, da concentração e da celeridade. Contraditório hoje inclui a vedação à decisão surpresa (CPC, arts. 9º e 10). Jus postulandi: art. 791 da CLT, limitado às Varas e aos TRTs pela Súm. 425/TST. O princípio protetivo processual é controvertido — não o afirme como pacífico. C O M O C A I E M P R O VA OAB: amplia o jus postulandi para o TST ou para a ação rescisória. A Súmula 425 fecha essa porta. Concurso: pede o princípio a partir da manifestação concreta — “audiência una” é concentração; “contato direto do juiz com a prova” é imediação. Confundir os dois é o erro mais comum. M A P A M E N T A L — C A P Í T U L O 6 PRINCÍPIOS PORTA DE ENTRADA Acesso · inafastabilidade (art. 5º, XXXV) GARANTIAS DO TRÂMITE Devido processo · contraditório · juiz natural QUALIDADE DA DECISÃO Fundamentação · publicidade · primazia do mérito MARCA TRABALHISTA Oralidade · concentração · imediação · celeridade ACESSO SEM ADVOGADO Jus postulandi (art. 791) — limitado pela Súm. 425/TST PONTO CONTROVERTIDO Princípio protetivo processual: sem consenso UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES C A P Í T U L O 7 COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO E S S E N C I A L — C A P Í T U L O M A I S C O B R A D O 7. 1 J U R I SD I ÇÃO × C O M P E T Ê N C I A Jurisdição é o poder-dever; é una e pertence ao Estado. Competência é a medida desse poder atribuída a cada órgão — o critério de distribuição. Todo juiz tem jurisdição; nem todo juiz tem competência para a causa concreta. A frase de prova: “a Justiça do Trabalho tem jurisdição própria” é imprecisa. O correto é dizer que a Justiça do Trabalho exerce a jurisdição dentro da competência que a Constituição lhe atribui, sobretudo no art. 114. 7. 2 C O M P E T Ê N C I A A B S O L U TA × R E L AT I VA CRITÉRIO ABSOLUTA RELATIVA Interesse tutelado Público Preponderantemente das partes Critérios típicos Matéria, pessoa e função Território e valor (CPC, art. 63) Conhecimento de ofício Sim, a qualquer tempo e grau (CPC, art. 64, § 1º) Em regra, não — depende de alegação da parte Prorrogação Não se prorroga Prorroga-se se não arguida no momento próprio Veículo de arguição na JT Preliminar de contestação; matéria de ordem pública Exceção de incompetência territorial, em petição autônoma, no prazo de cinco dias a contar da notificação, antes da audiência (CLT, art. 800, com a redação da Lei 13.467/2017) Consequência prática: se a causa não é trabalhista (incompetência material, absoluta), o juiz declina de ofício e os autos vão à Justiça competente, conservando-se em regra os efeitos das decisões proferidas (CPC, art. 64, § 4º). Se apenas a localidade está errada (competência territorial, relativa), sem arguição tempestiva o juízo se torna competente por prorrogação. UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTOTR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES A P R O F U N D A M E N T O — D E C L I N A Ç Ã O D E O F Í C I O E M M A T É R I A T E R R I T O R I A L Parte da jurisprudência trabalhista admite, excepcionalmente, o afastamento da regra da prorrogação quando a fixação do foro inviabiliza o acesso do trabalhador hipossuficiente à jurisdição, lendo o art. 651 à luz do art. 5º, XXXV, da CF. O ponto não é pacífico e não está consolidado em súmula do TST. Em prova objetiva, responda pela regra: competência territorial é relativa. 7. 3 O S T R Ê S C R I T É R I O S M AT E R I A L Que causa pode a JT julgar. Sede: CF, art. 114. Absoluta. F UN C I O N A L Qual órgão e em que fase atua. Vara → TRT → TST; originária × recursal. Absoluta. T E R R I TO R I A L Onde se ajuíza. Sede: CLT, art. 651. Relativa. 7. 4 C O M P E T Ê N C I A F UN C I O N A L Fixado que a causa é trabalhista (competência material), resta saber qual órgão da Justiça do Trabalho a julga e em que momento. Esse é o critério funcional — também absoluto, porque distribui o exercício do poder jurisdicional segundo a função que cada órgão desempenha no processo, e não segundo a conveniência das partes. Ele se desdobra em dois planos. No plano vertical (ou hierárquico), separa quem julga em primeiro grau de quem julga o recurso: a Vara instrui e sentencia; o TRT revê; o TST uniformiza. No plano horizontal, separa fases e atos dentro do mesmo processo — quem conhece da causa é, em regra, quem a executa. ÓRGÃO COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA COMPETÊNCIA RECURSAL Vara do Trabalho Dissídios individuais em geral; instrução, sentença e execução Nenhuma TRT Dissídio coletivo de âmbito regional; ação rescisória de seus próprios julgados; mandado de segurança contra ato de juiz do trabalho da região Recurso ordinário contra sentença das Varas; agravo de petição na execução TST Dissídio coletivo de âmbito nacional (SDC); ação rescisória de seus julgados, mandado de segurança e habeas corpus (SBDI-2) Recurso de revista (Turmas); embargos por divergência entre Turmas (SBDI-1); recurso ordinário em causas originárias dos TRTs (SBDI-2 e SDC) UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES N Ã O C O N F U N D A — F U N C I O N A L × T E R R I T O R I A L As duas parecem responder “onde”, mas não respondem à mesma pergunta. A funcional pergunta qual órgão, em que função — e é absoluta: um TRT não pode julgar em lugar da Vara, ainda que ambas as partes queiram. A territorial pergunta em qual localidade entre juízos de mesma hierarquia — e é relativa, prorrogando-se pelo silêncio do réu. Ajuizar em Boa Vista o que deveria correr em Manaus é vício sanável; pedir ao TRT que profira a sentença de primeiro grau, não. 7. 5 A R T. 1 1 4 DA C O N ST I T U I ÇÃO — I N C I S O P O R I N C I S O Redação dada pela EC 45/2004. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: INCISO I — AÇÕES ORIUNDAS DA RELAÇÃO DE TRABALHO Núcleo: as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e a administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Explicação: a EC 45 alargou o critério de “relação de emprego” para relação de trabalho — gênero que abrange o trabalho humano prestado a outrem, com ou sem vínculo empregatício. Exemplo: cobrança de honorários por profissional autônomo contratado para prestação pessoal de serviços; reclamação de empregado de sociedade de economia mista. Jurisprudência: ao apreciar a ADI 3.395, o STF firmou que o inciso I não alcança as causas entre o Poder Público e servidores a ele vinculados por relação estatutária ou jurídico-administrativa — essas permanecem na Justiça Comum. Pegadinha: “toda ação contra a Administração Pública proposta por quem lhe presta serviços é da JT”. Errado — depende do regime: celetista sim; estatutário não. INCISO II — DIREITO DE GREVE Núcleo: as ações que envolvam exercício do direito de greve. Exemplo: ação declaratória de abusividade de greve; ação possessória movida pela empresa contra trabalhadores que ocupam o estabelecimento durante o movimento. Jurisprudência: Súmula Vinculante 23 — a Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores da iniciativa privada. Pegadinha: a SV 23 refere-se expressamente à iniciativa privada. Greve de servidores estatutários não segue esse enunciado — o tratamento é o da Justiça Comum, na linha da ADI 3.395. UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES INCISO III — REPRESENTAÇÃO SINDICAL Núcleo: ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores. Exemplo: disputa de base territorial entre dois sindicatos; ação de cobrança de contribuição sindical movida pelo sindicato contra empresa. Pegadinha: não se trata de qualquer litígio em que apareça um sindicato, mas de conflito sobre a representação ou entre os sujeitos coletivos listados no inciso. INCISO IV — MS, HC E HD Núcleo: mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição. Explicação: a competência é derivada — segue a matéria de fundo. Não existe “MS trabalhista” por natureza; existe MS cujo ato atacado é de autoridade em matéria trabalhista. Exemplo: MS contra decisão de juiz do trabalho que determina bloqueio de valores; HC contra prisão decretada em execução trabalhista. Jurisprudência: Súmula 418 do TST — a homologação de acordo e a concessão de liminar são faculdades do juiz, não havendo direito líquido e certo amparável por MS. INCISO V — CONFLITOS DE COMPETÊNCIA Núcleo: os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, o, da CF. Explicação: conflito interno à Justiça do Trabalho resolve-se nela (em regra no TST ou no TRT, conforme os órgãos envolvidos). Conflito entre a Justiça do Trabalho e outro ramo do Judiciário não é resolvido pela JT — a ressalva remete à competência do STF, e os conflitos entre tribunais e juízos vinculados a tribunais diversos observam ainda a competência do STJ (CF, art. 105, I, d). UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES INCISO VI — DANO MORAL E PATRIMONIAL Núcleo: as ações de indenização por dano moral ou patrimonial decorrentes da relação de trabalho. Jurisprudência: Súmula Vinculante 22 — a JT é competente para as ações de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de trabalho propostas por empregado contra empregador, inclusive as que ainda não possuíam sentença de mérito em primeiro grau quando da promulgação da EC 45/2004. Súmula 392 do TST (redação dada pela Res. 200/2015): a competência abrange as ações oriundas de acidente de trabalho e doenças a ele equiparadas, ainda que propostas pelos dependentes ou sucessores do trabalhador falecido. Pegadinha: a ação da viúva contra o empregador é da JT (Súm. 392). Mas a ação previdenciária contra o INSS não é — ver quadro 7.6. INCISO VII — PENALIDADES ADMINISTRATIVAS Núcleo: as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho. Exemplo: ação anulatória de auto de infração lavrado por Auditor-Fiscal do Trabalho; execução fiscal da multa correspondente. INCISO VIII — EXECUÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Núcleo: a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, da CF, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir. Jurisprudência: Súmula Vinculante 53 — a competência do art. 114, VIII, alcança a execução de ofício das contribuições previdenciárias relativas ao objeto da condenação constante das sentenças que proferir e dos acordos por ela homologados. No mesmo sentido,a Súmula 368 do TST delimita a competência da JT à execução das contribuições decorrentes das sentenças condenatórias em pecúnia que proferir e dos valores objeto de acordo homologado. Pegadinha: reconhecido o vínculo em sentença meramente declaratória, não compete à JT executar as contribuições do período de trabalho não alcançado por condenação pecuniária. A JT executa o que ela mesma condenou ou homologou — não faz as vezes de órgão arrecadador. UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES INCISO IX — OUTRAS CONTROVÉRSIAS, NA FORMA DA LEI Núcleo: outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei. Explicação: é norma de eficácia limitada — depende de lei ordinária que amplie a competência. Alternativa que trate o inciso IX como cláusula aberta de expansão automática está errada. PARÁGRAFOS DO ART. 114 § 1º — frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger árbitros. § 2º — recusando-se qualquer das partes à negociação ou à arbitragem, é facultado, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho e as convencionadas anteriormente. § 3º — em caso de greve em atividade essencial, com possibilidade de lesão do interesse público, o Ministério Público do Trabalho poderá ajuizar dissídio coletivo, competindo à Justiça do Trabalho decidir o conflito. Note: este é o único parágrafo do art. 114 que menciona o MPT — e nem por isso o MPT integra a JT (Cap. 5). 7. 6 T E M AS E SP E C Í F I C O S — J T O U N ÃO J T ? SITUAÇÃO COMPETÊNCIA FUNDAMENTO Reclamação de empregado celetista contra empresa privada JT Art. 114, I Trabalhador autônomo cobrando pela prestação pessoal de serviços JT, em regra Art. 114, I — relação de trabalho é gênero Contrato civil/comercial entre empresas, sem prestação pessoal de trabalho Justiça Comum estadual Falta o elemento “relação de trabalho”; competência residual da Justiça Estadual Representação comercial (contrato regido pela Lei 4.886/1965) válida e incontroversa Justiça Comum estadual STF, Tema 550 de repercussão geral UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES SITUAÇÃO COMPETÊNCIA FUNDAMENTO “Pejotização” — fraude alegada em contrato de prestação de serviços por PJ Matéria pendente STF, Tema 1.389 — ver quadro 7.7 Terceirização — licitude da contratação JT julga o litígio trabalhista Mérito da licitude: STF, ADPF 324 e Tema 725 — lícita a terceirização de atividade-meio e atividade-fim Servidor estatutário × ente público Justiça Federal se o ente for a União, autarquia ou fundação federal (CF, art. 109, I); Justiça Comum estadual se for Estado ou Município STF, ADI 3.395 Empregado público celetista (empresa pública, sociedade de economia mista) JT Art. 114, I — regime celetista Greve de trabalhadores da iniciativa privada, inclusive ação possessória JT Art. 114, II; SV 23 Dano moral/material decorrente de acidente do trabalho, contra o empregador JT Art. 114, VI; SV 22; Súm. 392/TST Benefício acidentário pleiteado contra o INSS Justiça Comum estadual CF, art. 109, I — a própria Constituição excepciona os acidentes de trabalho da competência federal; Súmula 15 do STJ Benefício previdenciário comum (aposentadoria, auxílio-doença não acidentário) contra o INSS Justiça Federal CF, art. 109, I — o INSS é autarquia federal; fora da ressalva acidentária, a causa é federal Descumprimento de normas de segurança, higiene e saúde do trabalhador JT Súmula 736 do STF UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES SITUAÇÃO COMPETÊNCIA FUNDAMENTO Multa administrativa aplicada pela fiscalização do trabalho JT Art. 114, VII Contribuição previdenciária decorrente de condenação/acordo na JT JT, de ofício Art. 114, VIII; SV 53; Súm. 368/TST Complementação de aposentadoria por entidade de previdência complementar privada Justiça Comum estadual STF, Tema 190 (RE 586.453), com modulação de efeitos Crime contra a organização do trabalho Justiça Federal — nunca a JT CF, art. 109, VI. A Justiça do Trabalho não tem competência criminal: o art. 114 não contempla matéria penal. O STF lê o dispositivo de modo restritivo — atrai a Justiça Federal o crime que ofende a organização geral do trabalho ou direitos de trabalhadores coletivamente considerados; lesão a direito de trabalhador isoladamente considerado fica na Justiça Comum estadual A T E N Ç Ã O — A F O R M A D O C O N T R A T O N Ã O D E C I D E S O Z I N H A A C O M P E T Ê N C I A A tese do Tema 550 começa com uma condicionante que costuma ser ignorada: “preenchidos os requisitos dispostos na Lei 4.886/65”. O caso julgado tratava de representação comercial válida e incontroversa, em que se discutia apenas o pagamento de comissões atrasadas — não havia pedido de reconhecimento de vínculo. O Supremo não retirou da Justiça do Trabalho a competência para julgar a ação em que o autor pede o reconhecimento da relação de emprego, ainda que o contrato tenha, na forma, a roupagem de representação comercial. Quem define a competência é o pedido somado à causa de pedir, não o rótulo do instrumento assinado. Guarde a ligação: esta é exatamente a controvérsia do Tema 1.389 (item 7.7) — contrato civil na forma, alegação de fraude no conteúdo. Por isso o Supremo afetou o tema: para definir de quem é a competência e a quem cabe o ônus da prova nesses casos. Enquanto a tese não é fixada, a alternativa de prova que afirmar, sem ressalva, que “havendo contrato de representação comercial ou de prestação de serviços por PJ a competência é sempre da Justiça Comum” deve ser lida com desconfiança. UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES S E G U R A N Ç A E S A Ú D E D O T R A B A L H A D O R — S Ú M U L A 7 3 6 D O S T F Compete à Justiça do Trabalho julgar as ações que tenham como causa de pedir o descumprimento de normas trabalhistas relativas à segurança, higiene e saúde dos trabalhadores. O enunciado importa porque desloca o foco: o que atrai a competência não é a natureza da verba pedida, mas a origem da obrigação descumprida. Consequência prática: ação civil pública do MPT exigindo que a empresa forneça equipamento de proteção, adeque o maquinário ou implante programa de saúde ocupacional é da JT — mesmo que nenhum centavo de verba trabalhista esteja sendo cobrado, e mesmo que o pedido seja apenas de obrigação de fazer. Pegadinha: a alternativa que condicionar a competência à existência de pedido condenatório em dinheiro está errada. N Ã O C O N F U N D A — Q U A N D O N Ã O É J T , É Q U A L J U S T I Ç A ? Afastada a Justiça do Trabalho, a causa não vai para um lugar genérico chamado “justiça comum”. É preciso um segundo passo: há ente federal no polo passivo? O art. 109, I, da Constituição atribui à Justiça Federal as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal for interessada — e o INSS é autarquia federal. Não havendo ente federal, a competência é residual da Justiça Comum estadual. A exceção que derruba candidato: o mesmo art. 109, I, ressalva expressamente as causas de acidente do trabalho. Por isso a ação do segurado contra o INSS para obter auxílio- acidente ou aposentadoria por incapacidade decorrente de acidente do trabalho tramita na Justiça Comum estadual, e não na Federal — apesar de o réu ser autarquia federal (Súmula 15 do STJ). Fora dessa ressalva, benefício previdenciário contra o INSS é Justiça Federal. E a indenização civil pelo mesmo acidente, pedida ao empregador, é da Justiça do Trabalho (SV 22). Um único acidente pode, portanto, gerar ações em três justiças diferentes, conforme o réu e o pedido. UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES 7.7E STA D O DA A R T E — T E M A 1 . 3 8 9 D O ST F ( P E JO T I Z AÇÃO ) M A T É R I A P E N D E N T E — N Ã O A P R E S E N T E C O M O T E S E C O N S O L I D A D A O STF reconheceu repercussão geral no Tema 1.389, tendo como leading case o ARE 1.532.603, relator o Ministro Gilmar Mendes. O tema abrange três questões: (i) a competência para julgar causas em que se discute fraude no contrato civil/comercial de prestação de serviços; (ii) o ônus da prova nesses litígios; (iii) a licitude da contratação de pessoa jurídica ou trabalhador autônomo para essa finalidade. Em 18 de junho de 2026, o relator determinou o levantamento parcial da suspensão nacional: os processos voltaram a tramitar perante as Varas do Trabalho e os TRTs, devendo permanecer sobrestados após esgotada a jurisdição do TRT, até o julgamento definitivo do tema. Situação em agosto de 2026: o mérito ainda não foi julgado e não há tese fixada. Portanto: não afirme que o STF “decidiu” pela competência da Justiça Comum nesses casos, nem que “validou” a contratação por PJ. O que se pode afirmar com segurança é que a matéria está afetada, que a suspensão foi parcialmente levantada e que a tese está pendente. Em prova, uma alternativa que atribua tese definitiva ao Tema 1.389 deve ser tratada com reserva. 7. 8 C O M P E T Ê N C I A T E R R I TO R I A L — A R T. 6 51 DA C LT Caput — regra geral. A competência das Varas do Trabalho é determinada pela localidade onde o empregado, reclamante ou reclamado, prestar serviços ao empregador, ainda que tenha sido contratado noutro local ou no estrangeiro. A opção do legislador é clara: prevalece o local da prestação, e não o da contratação nem o do domicílio do trabalhador. A razão é probatória — é onde estão testemunhas, documentos e o próprio ambiente de trabalho. UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES DISPOSITIVO HIPÓTESE SOLUÇÃO LEGAL Caput Regra geral Vara da localidade da prestação de serviços, ainda que a contratação tenha ocorrido em outro lugar ou no exterior § 1º Agente ou viajante comercial Vara da localidade em que a empresa tenha agência ou filial à qual o empregado esteja subordinado; não havendo, a Vara do domicílio do empregado ou a localidade mais próxima § 2º Trabalho em agência ou filial no estrangeiro A competência da JT alcança os dissídios, desde que o empregado seja brasileiro e não haja convenção internacional dispondo em contrário § 3º Empregador que promove atividades fora do lugar do contrato Faculdade do empregado: ajuizar no foro da celebração do contrato ou no da prestação dos serviços E X E M P L O S R E S O L V I D O S 1. Contratado em Manaus, trabalhou os três anos do contrato em Boa Vista, e hoje mora em Belém. Regra: Boa Vista — local da prestação (caput). Domicílio atual é irrelevante. 2. Viajante comercial que percorre todo o Norte, subordinado à filial de Manaus. Regra: Manaus — localidade da agência/filial de subordinação (§ 1º). 3. Viajante comercial sem qualquer agência ou filial à qual esteja subordinado, domiciliado em Tefé. Regra: Tefé, ou a localidade mais próxima com Vara (§ 1º, parte final). 4. Empresa de montagem industrial contrata em Manaus e desloca a equipe para obra em Porto Velho. Regra: o empregado escolhe — Manaus (celebração) ou Porto Velho (prestação), § 3º. 5. Brasileiro contratado no Brasil e enviado para filial da empresa no Paraguai, sem convenção internacional em contrário. Regra: a JT brasileira é competente (§ 2º). N Ã O C O N F U N D A — C O N T R A T A Ç Ã O × P R E S T A Ç Ã O O local da contratação só define o foro na hipótese do § 3º, e ainda assim como alternativa à escolha do empregado. Fora dela, vale a prestação. A alternativa de prova que disser “a competência é sempre a do local da contratação” está errada; a que disser “é sempre a do domicílio do trabalhador” também. UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES N A P R Á T I C A — C O M O S E A R G U I Sendo relativa, a incompetência territorial não é conhecida de ofício como regra. O réu deve apresentar exceção de incompetência territorial em petição autônoma, no prazo de cinco dias contados da notificação, antes da audiência (CLT, art. 800). Perdido o prazo, a competência se prorroga. M A P A M E N T A L — C A P Í T U L O 7 COMPETÊNCIA DA JT MATERIAL — ABSOLUTA CF, art. 114, I a IX + §§ 1º a 3º FUNCIONAL — ABSOLUTA Vara → TRT → TST; originária × recursal TERRITORIAL — RELATIVA CLT, art. 651 · exceção em 5 dias (art. 800) FORA DA JT Estatutário (ADI 3.395) · INSS (Súm. 15/STJ) · prev. complementar (Tema 190) · representação comercial (Tema 550) SÚMULAS VINCULANTES SV 22 (acidente) · SV 23 (greve/possessória) · SV 53 (contribuições) PENDENTE Tema 1.389 — pejotização: sem tese em ago/2026 O Q U E V O C Ê P R E C I S A L E M B R A R Material e funcional: absolutas. Territorial: relativa. Art. 114 é a régua da competência material. Decore os nove incisos pela lógica, não pela ordem. Relação de trabalho é gênero; relação de emprego é espécie. A EC 45 adotou o gênero. Contra o empregador por acidente → JT. Contra o INSS → Justiça Comum estadual. Art. 651: manda o local da prestação; as exceções estão nos três parágrafos. C O M O C A I E M P R O VA OAB: narra um caso e pergunta a competência. O caminho seguro é sempre o mesmo: primeiro é JT? (art. 114 e as exceções do STF); depois qual órgão? (funcional); só então onde? (art. 651). Inverter a ordem produz resposta errada em caso fácil. Concurso: exige a literalidade dos parágrafos do art. 651 e as súmulas vinculantes 22, 23 e 53. Fique atento a advérbios totalizantes — “sempre”, “em qualquer hipótese”, “independentemente” — que costumam ser o defeito da alternativa. UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA PROFA. IVENA GUIMARÃES