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C E N T R O U N I V E R S I T Á R I O D O N O R T E — U N I N O R T E
C U R S O D E D I R E I T O · U N I D A D E C E N T R O
FUNDAMENTOS DO
DIREITO PROCESSUAL
DO TRABALHO
Conceito e autonomia · Fontes · Interpretação e integração · CLT ×
CPC · Soluções de conflito · Organização da Justiça do Trabalho ·
Princípios · Competência
Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre
escolha de emprego, a condições justas e
favoráveis de trabalho.
D E C L A R A Ç Ã O U N I V E R S A L D O S D I R E I TO S H U M A N O S · 1 9 4 8 · A R T. X X I I I
Direito declarado é promessa; direito exigível é processo. É do caminho
entre um e outro que trata esta disciplina.
D I S C I P L I N A Processo de Conhecimento Trabalhista
D O C E N T E Profa. Ivena Guimarães
SUMÁRIO
Cap. 1 Conceito, natureza jurídica e autonomia
Cap. 2 Fontes do Direito Processual do Trabalho
Cap. 3 Interpretação, integração e aplicação · CLT × CPC · lei processual no tempo
Cap. 4 Formas de solução dos conflitos trabalhistas
UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA
PROFA. IVENA GUIMARÃES
Cap. 5 Organização da Justiça do Trabalho
Cap. 6 Princípios processuais
Cap. 7 Competência da Justiça do Trabalho — art. 114 da CF e art. 651 da CLT
C A P Í T U L O 1
CONCEITO, NATUREZA JURÍDICA E AUTONOMIA
E S S E N C I A L P A R A A A U L A
1 . 1 C O N C E I TO E F I N A L I DA DE
O Direito Processual do Trabalho é o ramo do direito público que disciplina o exercício
da jurisdição nos conflitos decorrentes das relações de trabalho: organiza os órgãos da
Justiça do Trabalho, define sua competência, estrutura o processo e regula os atos das
partes e do juiz até a satisfação do direito reconhecido.
Sua finalidade não é declarar direitos novos, mas tornar efetivo o direito material do
trabalho. Daí uma consequência que percorre toda a disciplina: as regras processuais
trabalhistas são estruturalmente voltadas à celeridade e à simplicidade, porque o crédito
discutido tem, em regra, natureza alimentar.
N Ã O C O N F U N D A — D I R E I T O M A T E R I A L × D I R E I T O P R O C E S S U A L
CRITÉRIO DIREITO MATERIAL DO TRABALHO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO
Objeto A relação de trabalho em si
(salário, jornada, férias,
dispensa)
O instrumento de solução do conflito
(ação, competência, procedimento)
Pergunta A quem pertence o direito? Como se obtém a tutela desse direito?
Sede
típica
CLT, arts. 1º a 642 (e legislação
esparsa)
CLT, arts. 643 a 910; CF, arts. 111 a 116;
CPC subsidiário
1 . 2 N AT U R E Z A J U R Í D I CA
Trata-se de ramo do direito público. Ainda que o litígio verse sobre interesse
patrimonial disponível entre particulares, a relação jurídica processual se estabelece
com o Estado-juiz, que exerce poder soberano; as normas processuais são, em regra,
UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA
PROFA. IVENA GUIMARÃES
cogentes, e sua observância não fica à disposição das partes.
A relação processual é trilateral (autor — juiz — réu), dinâmica (progride por atos
encadeados) e complexa (gera ônus, deveres, faculdades e sujeições recíprocas).
1 . 3 A U TO N O M I A
A autonomia de um ramo jurídico costuma ser aferida por quatro critérios. Aplicando-os
ao Processo do Trabalho:
CRITÉRIO EM QUE CONSISTE DEMONSTRAÇÃO
Legislativa Corpo normativo
próprio
CLT, Título X (arts. 643 e ss.), com procedimento,
recursos e execução próprios
Jurisdicional Estrutura judiciária
especializada
CF, art. 92, IV, e arts. 111 a 116: Varas do Trabalho,
TRTs e TST
Científica Institutos e princípios
informadores próprios
Jus postulandi (art. 791 da CLT), conciliação
obrigatória (art. 764), competência territorial pelo
local da prestação (art. 651)
Didática Ensino e sistematização
autônomos
Disciplina própria nos cursos de Direito e nos
concursos da magistratura do trabalho
N Ã O C O N F U N D A — A U T O N O M I A × I S O L A M E N T O
Autonomia significa ter princípios, institutos e estrutura próprios — não significa
autossuficiência normativa. O próprio legislador trabalhista pressupõe o diálogo com
o processo comum: o art. 769 da CLT o convoca como fonte subsidiária, e o art. 15
do CPC/2015 confirma a via de mão dupla. Um ramo isolado não precisaria de regra
de integração.
1 . 4 D O U T R I N A — S Í N T E SE DAS P O S I Ç Õ E S
Na sistematização apresentada por Carlos Henrique Bezerra Leite, o Processo do
Trabalho é tratado como ramo autônomo, mas lido a partir da teoria geral do processo e,
sobretudo, dos direitos fundamentais processuais da Constituição — a autonomia é
afirmada sem romper a unidade científica do processo.
Mauro Schiavi trabalha a autonomia do Processo do Trabalho a partir de seus princípios
peculiares e da função instrumental de efetivar créditos de natureza alimentar,
defendendo uma leitura evolutiva do art. 769 da CLT que permita absorver do processo
comum o que amplie a efetividade.
UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA
PROFA. IVENA GUIMARÃES
Sergio Pinto Martins e Manoel Antonio Teixeira Filho sustentam igualmente a
autonomia, com ênfase, no segundo, na resistência à importação acrítica de institutos
do processo civil quando a CLT não é omissa.
O Q U E V O C Ê P R E C I S A L E M B R A R
Ramo do direito público, de natureza
instrumental.
Autonomia em quatro planos: legislativo,
jurisdicional, científico e didático.
Autonomia ≠ isolamento: arts. 769 da CLT
e 15 do CPC provam o diálogo.
C O M O C A I E M P R O VA
OAB: costuma testar a instrumentalidade —
afirmar que o Processo do Trabalho “cria”
direitos ao trabalhador é erro; ele os efetiva.
Concurso: cobra os quatro planos da
autonomia nominalmente, e a armadilha é a
assertiva que conclui pela autossuficiência
normativa da CLT — os arts. 769 da CLT e 15
do CPC a desmentem.
M A P A M E N T A L — C A P Í T U L O 1
CONCEITO E
AUTONOMIA
CONCEITO
Disciplina o exercício da
jurisdição nos conflitos de
trabalho
NATUREZA
Direito público · instrumental ·
relação trilateral
QUATRO AUTONOMIAS
Legislativa · jurisdicional ·
científica · didática
LIMITE
Autonomia ≠ isolamento (arts.
769 CLT / 15 CPC)
FINALIDADE
Efetivar o direito material ·
crédito alimentar → celeridade
DOUTRINA
Bezerra Leite · Schiavi · S. P.
Martins · Teixeira Filho
C A P Í T U L O 2
FONTES DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO
E S S E N C I A L P A R A A A U L A
2 . 1 C O N C E I TO · F O N T E S M AT E R I A I S E F O R M A I S
Fonte material é o fator que provoca a criação da norma: o conflito social, a pressão
sindical, a sobrecarga do Judiciário, a decisão política de acelerar a prestação
jurisdicional. Não é norma — é causa.
UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA
PROFA. IVENA GUIMARÃES
Fonte formal é a forma pela qual a norma se exterioriza e se torna obrigatória. É o que o
aluno cita em prova.
FONTE FORMAL REFERÊNCIA PAPEL NO PROCESSO DO TRABALHO
Constituição Art. 5º; art. 92, IV; arts. 111 a
116
Fonte de primeiro grau: garantias
processuais, estrutura da JT e
competência (art. 114)
CLT Decreto-Lei 5.452/1943, Título
X
Núcleo do procedimento trabalhista
CPC Lei 13.105/2015, art. 15; CLT,
art. 769
Fonte subsidiária e supletiva — nunca
fonte primária
Legislação esparsa Lei 5.584/1970; Lei 7.701/1988;
Lei 6.830/1980 (via art. 889 da
CLT); Lei 9.307/1996
Regem temas específicos (assistência
judiciária, dissídios coletivos,
execução, arbitragem)
Tratados
internacionais
CF, art. 5º, §§ 2º e 3º Convenções da OIT ratificadas; tratados
de direitos humanos podem ter
estatura supralegal ou de emenda
Regimentos
internos
RITST, regimentos dos TRTs Organizam competência interna dos
órgãos; não criam direito processual
novo
Jurisprudência e
precedentes
CPC, arts. 926 e 927; CLT, art.
896, §§
Força variável — ver quadro 2.2. Não
confundir todos entre si
A T E N Ç Ã O
O art. 8º, § 2º, da CLT (redação da Lei 13.467/2017) dispõe que súmulas e outros enunciadosde jurisprudência não poderão restringir direitos legalmente previstos nem criar
obrigações não previstas em lei. É um limite expresso à função criativa da jurisprudência
— e cai em prova como afirmação isolada.
2 . 2 Q UA D R O — S Ú M U L A × O J × P R E C E DE N T E N O R M AT I VO × P R E C E DE N T E Q UA L I F I CA D O
Este é o quadro que separa o aluno que decorou do aluno que entendeu. Nem toda
súmula é vinculante. Vinculação, no sentido técnico, é atributo excepcional, previsto
em norma.
UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA
PROFA. IVENA GUIMARÃES
INSTITUTO ÓRGÃO / ORIGEM FINALIDADE FORÇA JURÍDICA
Súmula Vinculante STF (CF, art. 103-
A)
Uniformizar matéria
constitucional
controvertida
Vincula os demais órgãos do
Judiciário e a Administração
direta e indireta; cabe
reclamação
Decisão em
controle
concentrado
STF (ADI, ADC,
ADPF)
Controle abstrato de
constitucionalidade
Eficácia erga omnes e efeito
vinculante
Repercussão geral
/ recurso
repetitivo
STF e STJ Fixar tese para casos
idênticos
Precedente qualificado:
observância obrigatória
(CPC, art. 927, III)
IRR / IAC TST (IRR: CLT,
art. 896-C) e
tribunais (IAC:
CPC, art. 947)
Resolver multiplicidade /
relevante questão de
direito
Precedente qualificado, de
observância obrigatória no
respectivo âmbito
Súmula do TST Pleno do TST Consolidar
jurisprudência iterativa
do próprio tribunal
Não é vinculante no sentido
do art. 103-A da CF; tem forte
eficácia persuasiva e função
de uniformização recursal
Orientação
Jurisprudencial
(OJ)
Subseções (SBDI-
1, SBDI-2) e SDC
do TST
Registrar entendimento
reiterado ainda não
sumulado
Persuasiva; grau de
consolidação menor que o da
súmula. Pode ser convertida
em súmula ou cancelada
Precedente
Normativo (PN)
SDC do TST —
matéria de
dissídio coletivo
Orientar o julgamento do
poder normativo
Persuasiva, e restrita ao
campo coletivo. Não se
confunde com súmula nem
com OJ
C O M O C A I — A P E G A D I N H A C L Á S S I C A
“As súmulas do TST têm efeito vinculante sobre os TRTs.” Errado. Efeito vinculante em
sentido técnico decorre de súmula vinculante do STF ou de decisão em controle
concentrado. A súmula do TST orienta e uniformiza — e é decisiva no cabimento do
recurso de revista — mas não vincula no sentido do art. 103-A da CF.
“Precedente Normativo é espécie de OJ.” Errado. PN é da SDC e diz respeito ao poder
normativo em dissídio coletivo; OJ é registro de entendimento das subseções.
UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA
PROFA. IVENA GUIMARÃES
O Q U E V O C Ê P R E C I S A L E M B R A R
Fonte material é causa; fonte formal
é veste.
CF → CLT → leis esparsas. O CPC entra
depois, e só pelas portas dos arts. 769 da
CLT e 15 do CPC.
Vinculação é excepcional: SV e controle
concentrado vinculam; súmula do TST,
OJ e PN, não.
Súmula vem do Pleno; OJ, das Subseções;
PN, da SDC.
C O M O C A I E M P R O VA
OAB: a assertiva mais frequente atribui
efeito vinculante à súmula do TST. Guarde a
régua do art. 103-A da CF.
Concurso: pede o órgão de origem de cada
enunciado e cobra o art. 8º, § 2º, da CLT —
súmula não cria obrigação nem restringe
direito previsto em lei.
M A P A M E N T A L — C A P Í T U L O 2
FONTES
MATERIAL × FORMAL
Causa da norma × veste da
norma
TOPO
CF: art. 5º · art. 92, IV · arts. 111
a 116
NÚCLEO
CLT, Título X · leis esparsas
(5.584/70; 7.701/88; 6.830/80)
APOIO
CPC — subsidiário e supletivo,
nunca primário
ESCALA DE FORÇA
SV e controle concentrado →
precedente qualificado →
súmula TST → OJ → PN
LIMITE
Art. 8º, § 2º, CLT: súmula não
cria nem restringe direito
C A P Í T U L O 3
INTERPRETAÇÃO, INTEGRAÇÃO E APLICAÇÃO
3 . 1 I N T E R P R E TAÇÃO
Interpretar é atribuir sentido a uma norma que existe. Os métodos clássicos
— gramatical, lógico, sistemático, histórico e teleológico — convivem; nenhum
é excludente.
Duas notas próprias do processo do trabalho: (i) a interpretação constitucional impõe
filtrar toda regra da CLT pelos direitos fundamentais processuais do art. 5º; (ii) a
interpretação sistemática é indispensável porque a CLT convive com o CPC, com leis
esparsas e com a Constituição — ler o art. 651 sem o art. 114 da CF produz erro.
UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA
PROFA. IVENA GUIMARÃES
N Ã O C O N F U N D A — I N T E R P R E T A Ç Ã O × I N T E G R A Ç Ã O
Interpretação: a norma existe e se busca o seu sentido. Integração: a norma não existe
(há lacuna) e se busca colmatá-la por analogia, equidade, princípios, costumes ou direito
comparado. A pergunta de controle é simples: existe dispositivo aplicável? Se sim,
interpreta-se. Se não, integra-se.
3 . 2 I N T E G R AÇÃO — A R T. 8 º DA C LT
O art. 8º, caput, da CLT determina que as autoridades administrativas e a Justiça do
Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão conforme o caso pela
jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais de
direito, principalmente do direito do trabalho, e ainda de acordo com os usos e costumes
e o direito comparado, sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular
prevaleça sobre o interesse público. O § 1º estabelece que o direito comum será fonte
subsidiária do direito do trabalho.
Observe o alcance: o art. 8º é regra de integração do direito do trabalho como um todo.
Para a lacuna especificamente processual, a regra própria é o art. 769.
3 . 3 C LT × C P C — O P O N TO C E N T R A L
Art. 769 da CLT: nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária
do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas
do Título X.
Art. 15 do CPC/2015: na ausência de normas que regulem processos eleitorais,
trabalhistas ou administrativos, as disposições do Código lhes serão aplicadas supletiva
e subsidiariamente.
Art. 889 da CLT: na execução, aplicam-se subsidiariamente os preceitos que regem o
processo dos executivos fiscais (hoje, a Lei 6.830/1980) — regra especial que precede o
recurso ao CPC.
S U B S I D I Á R I A
Há lacuna: a CLT não trata do tema. O
CPC entra para preencher o vazio.
Exemplo: a CLT não disciplina
exaustivamente a produção da prova
pericial; recorre-se ao CPC no que
for compatível.
S U P L E T I VA
Há disciplina incompleta: a CLT trata do
tema, mas de modo insuficiente. O CPC
entra para complementar.
Exemplo: a CLT prevê a sentença, mas o
detalhamento dos requisitos e do dever
de fundamentação vem completado
pelo CPC.
UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA
PROFA. IVENA GUIMARÃES
O teste de admissão do CPC no processo do trabalho é sempre duplo, e nessa ordem: (1)
omissão — a CLT é silente ou insuficiente? (2) compatibilidade — a regra do CPC convive
com os princípios e a estrutura do processo trabalhista? Falhando qualquer das duas
etapas, o CPC não se aplica.
A T E N Ç Ã O — I N 3 9 / 2 0 1 6 D O T S T
A Instrução Normativa 39/2016 do TST (aprovada pela Resolução 203/2016) foi editada para
indicar quais normas do CPC/2015 se aplicam e quais não se aplicam ao processo do
trabalho. Sua natureza é de ato interno de orientação: não é lei, não cria competência e
não vincula como precedente qualificado.
Ela deve ser lida em conjunto com a IN 41/2018 (Resolução 221/2018), que trata da
aplicação das alterações da Lei 13.467/2017, e sempre confrontada com alterações
legislativas posteriores: ato normativo interno cede diante de lei superveniente.
3 . 4 A P L I CAÇÃO DA L E I P R O C E S S UA L N O T E M P O
Art. 14 do CPC/2015: a norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente
aos processos em curso, respeitados os atos processuais praticados e as situações
jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada.
O dispositivo positiva o tempus regit actum na sua versão de isolamento dos atos
processuais: o processo não recomeça nem se “congela” na lei antiga;a lei nova alcança
os atos ainda não praticados, preservando os já praticados e os efeitos já consolidados.
E X E M P L O
Lei processual nova entra em vigor quando já encerrada a instrução e pendente apenas a
sentença. Os depoimentos colhidos sob a lei antiga permanecem válidos — foram atos
processuais já praticados. Mas o recurso a ser interposto depois da vigência segue o
regime novo, salvo regra de transição expressa.
UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA
PROFA. IVENA GUIMARÃES
O Q U E V O C Ê P R E C I S A L E M B R A R
Art. 8º da CLT → integração do direito do
trabalho. Art. 769 da CLT → lacuna
processual. Art. 15 do CPC →
confirmação, do lado do Código.
Teste duplo: omissão + compatibilidade.
Subsidiária = preenche vazio. Supletiva =
completa o insuficiente.
Art. 14 do CPC: aplicação imediata, sem
retroação, respeitados atos praticados.
C O M O C A I E M P R O VA
OAB: a pergunta clássica troca subsidiária
por supletiva, ou apresenta o CPC como
aplicável sempre que “for mais favorável ao
trabalhador” — não é o critério. O critério é
omissão somada a compatibilidade.
Concurso: cobra a IN 39/2016 como se fosse
lei, e cobra o art. 14 do CPC pedindo
que o candidato reconheça que os
atos já praticados sob a lei revogada
permanecem válidos.
M A P A M E N T A L — C A P Í T U L O 3
CLT × CPC
E LACUNAS
INTERPRETAR
A norma existe → buscar o
sentido
INTEGRAR
A norma falta → art. 8º CLT:
analogia, equidade, princípios,
costumes
PORTA DO CPC
Art. 769 CLT + art. 15 CPC ·
execução: art. 889 CLT
TESTE DUPLO
1. omissão · 2. compatibilidade
SUBSIDIÁRIA × SUPLETIVA
Preencher o vazio × completar
o insuficiente
NO TEMPO
Art. 14 CPC · tempus regit
actum · atos praticados
preservados
C A P Í T U L O 4
FORMAS DE SOLUÇÃO DOS
CONFLITOS TRABALHISTAS
4 . 1 PA N O R A M A
A U TO T U T E L A
Imposição da vontade de
uma parte sobre a outra.
Excepcional no direito
brasileiro. Na trabalhista,
A U TO C O M P O S I ÇÃO
As próprias partes
resolvem: renúncia,
reconhecimento do pedido,
transação, negociação
HE T E R O C O M P O S I ÇÃO
Um terceiro decide:
jurisdição (Estado-juiz) ou
arbitragem (árbitro
privado, nos limites legais).
UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA
PROFA. IVENA GUIMARÃES
sua manifestação legítima
mais visível é a greve (CF,
art. 9º; Lei 7.783/1989).
coletiva, conciliação e
mediação. Pode ser extra ou
endoprocessual.
N Ã O C O N F U N D A — C O N C I L I A Ç Ã O × M E D I A Ç Ã O
Na conciliação, o terceiro é ativo: sugere soluções, aponta riscos, formula propostas. Na
mediação, o terceiro é catalisador do diálogo: restabelece a comunicação para que as
próprias partes construam a solução. Em ambas, quem decide são as partes — por isso as
duas são autocomposição, e não heterocomposição.
4 . 2 C O N C I L I AÇÃO T R A BA L H I STA
A conciliação não é etapa acessória do processo do trabalho: é estruturante. Art. 764 da
CLT: os dissídios individuais e coletivos submetidos à Justiça do Trabalho serão sempre
sujeitos à conciliação; o § 1º impõe aos juízes o emprego permanente dos bons ofícios
para conciliar; o § 3º autoriza acordo a qualquer tempo, mesmo depois de encerrado o
juízo conciliatório.
Há dois momentos obrigatórios de proposta na audiência: art. 846 — aberta a
audiência, o juiz proporá a conciliação; art. 850 — encerrada a instrução e apresentadas
as razões finais, o juiz renovará a proposta.
A T E N Ç Ã O — C O N C I L I A Ç Ã O ≠ D I R E I T O A U T O M Á T I C O À H O M O L O G A Ç Ã O
Propor a conciliação é dever do juiz. Homologar o acordo apresentado não é. O juiz
exerce controle de legalidade e pode recusar a homologação — por exemplo, diante de
indício de fraude, de simulação ou de renúncia a direito indisponível.
Súmula 418 do TST (redação alterada pela Res. 217/2017): a concessão de liminar ou a
homologação de acordo constituem faculdade do juiz, inexistindo direito líquido e certo
tutelável pela via do mandado de segurança.
4 . 3 C O M I S S Õ E S DE C O N C I L I AÇÃO P R É V I A
Instituídas pela Lei 9.958/2000, que inseriu na CLT os arts. 625-A a 625-H. São comissões
paritárias, de composição empresarial e sindical, com atribuição de tentar conciliar
conflitos individuais do trabalho. O termo de conciliação firmado é título executivo
extrajudicial e, na literalidade do art. 625-E, parágrafo único, teria eficácia liberatória
geral, salvo quanto às parcelas expressamente ressalvadas — leitura hoje restringida
pelo STF, como se vê a seguir.
UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA
PROFA. IVENA GUIMARÃES
J U R I S P R U D Ê N C I A
Ao julgar em conjunto as ADIs 2.139, 2.160 e 2.237, o STF deu interpretação conforme a
Constituição a dois dispositivos, e não apenas a um.
1. Art. 625-D — a submissão prévia é facultativa. O texto dispunha que a demanda seria
submetida à Comissão quando existente na localidade. O Supremo afastou a
obrigatoriedade: passar pela CCP é faculdade do trabalhador, sob pena de ofensa ao
art. 5º, XXXV, da CF. A falta de tentativa conciliatória prévia não autoriza extinguir
a reclamação.
2. Art. 625-E, parágrafo único — a eficácia liberatória não é geral. O Supremo assentou
que a “eficácia liberatória geral” do termo alcança apenas as parcelas e os valores
efetivamente discutidos no procedimento conciliatório, não operando quitação geral e
indiscriminada do contrato de trabalho. Os Ministros Edson Fachin e Rosa Weber foram
além e votaram pela inconstitucionalidade da própria expressão, mas ficaram vencidos: o
dispositivo permanece no ordenamento, lido nesses limites estreitos.
4 . 4 A R B I T R AG E M
Regida pela Lei 9.307/1996, é heterocomposição privada, restrita a direitos patrimoniais
disponíveis. No plano coletivo, a Constituição a prevê expressamente: art. 114, § 1º —
frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger árbitros.
No plano individual, a Lei 13.467/2017 inseriu o art. 507-A da CLT: nos contratos
individuais cuja remuneração seja superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios
do Regime Geral de Previdência Social, poderá ser pactuada cláusula compromissória de
arbitragem, desde que por iniciativa do empregado ou mediante sua concordância
expressa, nos termos da Lei 9.307/1996.
A T E N Ç Ã O — D O I S R E Q U I S I T O S C U M U L A T I V O S
O art. 507-A exige patamar remuneratório (mais do que o dobro do teto do RGPS) e
manifestação qualificada do empregado. Alternativa de prova que menciona apenas um
dos dois requisitos está errada. Também está errada a alternativa que afirma caber
arbitragem “em qualquer contrato de trabalho”.
4 . 5 J U R I SD I ÇÃO
Jurisdição é a função estatal de aplicar o direito ao caso concreto, em caráter
substitutivo à vontade das partes, com aptidão para a coisa julgada. É una: não existem
“jurisdições” distintas, mas distribuição de competência entre órgãos. A Justiça do
Trabalho não tem “uma jurisdição própria” — exerce a jurisdição nacional dentro da
competência que a Constituição lhe atribui.
UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA
PROFA. IVENA GUIMARÃES
Características: substitutividade, imparcialidade, inércia (provocação da parte, com
exceções legais), definitividade.
O Q U E V O C Ê P R E C I S A L E M B R A R
Autotutela é excepcional; conciliação e
mediação são autocomposição;
jurisdição e arbitragem,
heterocomposição.
Propor a conciliação é dever (arts. 764,
846 e 850); homologar é faculdade
(Súm. 418/TST).
Nas ADIs 2.139, 2.160 e 2.237 o STF
decidiu duas coisas: passar pela CCP é
faculdade, e a eficácia liberatória do
termo não é geral — alcança só as
parcelas e valores conciliados.
Arbitragem individual: dois requisitos
cumulativos no art. 507-A da CLT.
C O M O C A I E M P R O VA
OAB: caso concreto com acordo irrisório e
pergunta se o juiz é obrigado a homologar.
Não é.
Concurso: exige a literalidade do art. 507-A
— o patamar remuneratórioe a iniciativa
ou concordância expressa do empregado.
Mencionar só um dos dois torna a
assertiva falsa.
M A P A M E N T A L — C A P Í T U L O 4
SOLUÇÃO DOS
CONFLITOS
AUTOTUTELA
Excepcional · greve (CF, art. 9º;
Lei 7.783/89)
AUTOCOMPOSIÇÃO
Renúncia · transação ·
negociação · conciliação ·
mediação
CONCILIAÇÃO NA JT
Arts. 764, 846 e 850 CLT · dois
momentos obrigatórios
HOMOLOGAÇÃO
Faculdade do juiz — Súm.
418/TST
CCP
Arts. 625-A a 625-H · passagem
facultativa e quitação restrita
ao conciliado (ADIs 2.139, 2.160
e 2.237)
HETEROCOMPOSIÇÃO
Jurisdição · arbitragem (Lei
9.307/96; art. 507-A CLT)
C A P Í T U L O 5
ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO
UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA
PROFA. IVENA GUIMARÃES
A Justiça do Trabalho é órgão do Poder Judiciário da União (CF, art. 92, IV). Sua
estrutura está nos arts. 111 a 116 da Constituição.
TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO
CF, art. 111-A — 27 Ministros · sede em Brasília · jurisdição em todo o território
nacional
TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO
CF, art. 115 — compostos de, no mínimo, sete juízes · segundo grau
JUÍZES DO TRABALHO — VARAS DO TRABALHO
CF, art. 116 — jurisdição exercida por juiz singular · primeiro grau
5 . 1 O S G R A U S E S UAS F UN Ç Õ E S
ÓRGÃO
BASE
CONSTITUCIONAL
FUNÇÃO TÍPICA
Vara do
Trabalho
Arts. 112 e 116 Julgar originariamente os dissídios individuais; instruir e
executar. Juiz singular
TRT Art. 115 Julgar recursos das Varas de sua região e causas de
competência originária regional (p. ex., dissídio coletivo de
âmbito regional, ação rescisória de seus julgados, mandado de
segurança contra ato de juiz)
TST Art. 111-A Uniformizar a interpretação da legislação trabalhista em
âmbito nacional (recurso de revista, embargos, IRR) e julgar
causas de competência originária nacional
Duas notas do art. 112: a lei criará varas do trabalho, e nas comarcas não abrangidas por
jurisdição de vara a lei poderá atribuir a competência aos juízes de direito. Nesse caso, o
recurso cabível é dirigido ao respectivo TRT — o juiz de direito atua investido de
competência trabalhista, sem que a causa deixe de ser trabalhista.
O art. 111-A, § 2º, situa junto ao TST a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento
de Magistrados do Trabalho e o Conselho Superior da Justiça do Trabalho, este com
atuação de supervisão administrativa, orçamentária, financeira e patrimonial da Justiça
do Trabalho de primeiro e segundo graus.
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PROFA. IVENA GUIMARÃES
5 . 2 P O R DE N T R O D O T ST — C O M P O S I ÇÃO E Ó R GÃO S I N T E R N O S
A Constituição fixa apenas o essencial: o TST compõe-se de 27 Ministros, escolhidos
entre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de setenta anos, de notável saber
jurídico e reputação ilibada, nomeados pelo Presidente da República após aprovação
pela maioria absoluta do Senado Federal. Desses 27, um quinto provém da advocacia e
do Ministério Público do Trabalho, e os demais, de juízes dos Tribunais Regionais do
Trabalho oriundos da magistratura da carreira (CF, art. 111-A, I e II).
A divisão interna de trabalho, contudo, não está na Constituição: vem do Regimento
Interno do TST e da Lei 7.701/1988. Saber quem julga o quê é o que permite entender por
que um mesmo processo pode subir da Turma para a Subseção — e é matéria recorrente
em concursos.
ÓRGÃO SIGLA PARA QUE SERVE
Tribunal Pleno — Reúne os 27 Ministros. É o órgão máximo: edita, revisa e cancela
súmulas, aprecia a arguição de inconstitucionalidade e delibera
sobre as matérias de maior relevo institucional. Foi o Pleno que deu
à Súmula 392 sua redação atual
Órgão Especial — Colegiado reduzido, previsto no art. 93, XI, da CF, que exerce por
delegação atribuições administrativas e jurisdicionais do Pleno,
desafogando-o
Seção
Especializada em
Dissídios Coletivos
SDC Campo coletivo: dissídios coletivos de competência originária do TST
e recursos ordinários em dissídios coletivos julgados pelos TRTs. É
dela que emanam os Precedentes Normativos
Subseção I de
Dissídios
Individuais
SBDI-
1
Uniformiza a jurisprudência interna do próprio TST: julga os
embargos contra decisões das Turmas que divergirem entre si ou da
SBDI-1 (CLT, art. 894, II). É a instância que pacifica o dissenso entre
Turmas
Subseção II de
Dissídios
Individuais
SBDI-
2
Ações e recursos de natureza não ordinária: ação rescisória,
mandado de segurança, habeas corpus, conflitos de competência e
recursos ordinários em processos de competência originária dos
TRTs
Turmas 1ª a 8ª Oito Turmas, de três Ministros cada. São a porta de entrada do
julgamento colegiado: apreciam os recursos de revista e os agravos
correspondentes. Oito Turmas × três Ministros = 24, que somados ao
Presidente, ao Vice-Presidente e ao Corregedor-Geral perfazem os 27
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PROFA. IVENA GUIMARÃES
N Ã O C O N F U N D A — S B D I - 1 × S B D I - 2 × S D C
Use três perguntas. O conflito é coletivo? → SDC. É individual e a discussão nasceu de
divergência entre Turmas do TST? → SBDI-1, pela via dos embargos. É individual, mas se
trata de rescisória, mandado de segurança, habeas corpus ou conflito de competência?
→ SBDI-2.
Amarre com o Capítulo 2: Súmula é do Pleno; OJ é das Subseções (e da SDC); Precedente
Normativo é da SDC. A sigla que aparece ao lado da OJ diz de qual órgão ela saiu.
5 . 3 O S T R T S E A N O S S A R E G I ÃO — O T R T DA 1 1 ª R E G I ÃO
O território nacional é dividido em vinte e quatro regiões da Justiça do Trabalho, cada
uma com o seu Tribunal Regional. Uma região pode abranger um único Estado, mais de
um Estado ou parte de um Estado — a repartição é legal, não geográfica automática.
O Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região, com sede em Manaus, tem jurisdição
sobre os Estados do Amazonas e de Roraima. É, portanto, o tribunal ao qual se dirigem
os recursos ordinários das Varas do Trabalho de Manaus, do interior do Amazonas e de
Boa Vista.
N A P R ÁT I C A — O C A M I N H O D E U M P R O C E S S O D A Q U I
Reclamação ajuizada em uma Vara do Trabalho de Manaus → sentença do juiz do
trabalho (juiz singular, art. 116 da CF) → recurso ordinário para o TRT da 11ª Região →
acórdão regional → eventual recurso de revista para uma das oito Turmas do TST →
havendo divergência entre Turmas, embargos à SBDI-1. Se, em vez de recurso, a parte
ajuizar ação rescisória contra acórdão do próprio TST, o julgamento caberá à SBDI-2.
A T E N Ç Ã O — O M P T N Ã O É Ó R G Ã O D A J U S T I Ç A D O T R A B A L H O
CRITÉRIO JUSTIÇA DO TRABALHO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO
Posição Poder Judiciário da
União (CF, art. 92, IV)
Ramo do Ministério Público da União (CF, art.
128, I, b); função essencial à Justiça
Função Julgar Atuar como órgão agente (ação civil pública,
inquérito civil, TAC) e como fiscal da ordem
jurídica
Integra o rol
do art. 111?
Sim — TST, TRTs e
Juízes do Trabalho
Não. Atua perante a Justiça do Trabalho, não
dentro dela
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PROFA. IVENA GUIMARÃES
O Q U E V O C Ê P R E C I S A L E M B R A R
Três graus: Vara (juiz singular, art. 116) →
TRT (mín. 7 juízes, art. 115) → TST (27
Ministros, art. 111-A).
Dentro do TST: Pleno e Órgão Especial;
SDC para o coletivo; SBDI-1 para
embargos; SBDI-2 para rescisória, MS e
HC; 8 Turmas para o recurso de revista.
24 regiões. A nossa é a 11ª — Amazonas e
Roraima, sede em Manaus.
O MPT não integra a Justiça do Trabalho.
C O M O C A I E M P R O VA
OAB: insere o MPT no rol do art. 111 da CF,
ou afirma que a Vara do Trabalho julga por
órgão colegiado — resquício das antigas
Juntas de Conciliação e Julgamento.
Concurso: pede o número de Ministros do
TST e a atribuição de cada órgão interno.
Troca típica: atribuir a rescisória à SBDI-1,
quando é da SBDI-2.
M A P A M E N T A L — C A P Í T U L O 5
ORGANIZAÇÃODA JT
SEDE CONSTITUCIONAL
Art. 92, IV · arts. 111 a 116
1º GRAU
Vara do Trabalho · juiz singular
(art. 116)
2º GRAU
TRT · mínimo 7 juízes (art. 115)
INSTÂNCIA SUPERIOR
TST · 27 Ministros ·
uniformização (art. 111-A)
SUPLÊNCIA
Juiz de direito investido (art.
112) → recurso ao TRT
FORA DA ESTRUTURA
MPT · função essencial à
Justiça (art. 128, I, b)
C A P Í T U L O 6
PRINCÍPIOS PROCESSUAIS
E S S E N C I A L — N Ú C L E O D A A U L A
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PROFA. IVENA GUIMARÃES
6 . 1 P R I N C Í P I O S C O N ST I T UC I O N A I S E G E R A I S
PRINCÍPIO FUNDAMENTO
CONTEÚDO — E O QUE MUDA NO PROCESSO DO
TRABALHO
Acesso à Justiça /
inafastabilidade
CF, art. 5º, XXXV A lei não excluirá da apreciação do
Judiciário lesão ou ameaça a direito. Foi
esse o fundamento da leitura do STF sobre
a CCP (Cap. 4)
Devido processo
legal
CF, art. 5º, LIV Cláusula-matriz: dela derivam
contraditório, ampla defesa e juiz natural
Contraditório e
ampla defesa
CF, art. 5º, LV; CPC, arts. 9º
e 10
Informação + reação. Na leitura do CPC,
veda-se a decisão surpresa: nem sobre
matéria cognoscível de ofício o juiz
decide sem ouvir as partes
Juiz natural CF, art. 5º, XXXVII e LIII Vedação a juízo ou tribunal de exceção;
competência fixada por critérios prévios e
abstratos
Imparcialidade CPC, arts. 144 e 145
(subsidiariamente); CLT,
art. 801
Impedimento e suspeição. A CLT tem
regra própria no art. 801 — logo, aqui a
incidência do CPC é limitada
Isonomia CF, art. 5º, caput; CPC, art.
7º
Paridade de armas — igualdade real, não
meramente formal
Publicidade CF, arts. 5º, LX, e 93, IX Regra; o sigilo é excepcional e
fundamentado
Fundamentação CF, art. 93, IX; CPC, art.
489, § 1º
Nulidade da decisão não fundamentada.
O art. 489, § 1º, densifica o dever
Duração razoável CF, art. 5º, LXXVIII (EC
45/2004); CPC, art. 4º
Direito à solução em prazo razoável,
incluída a atividade satisfativa
Boa-fé e cooperação CPC, arts. 5º e 6º Deveres de lealdade e de colaboração para
decisão de mérito justa e efetiva
Primazia do mérito CPC, arts. 4º, 6º, 317, 932,
parágrafo único, e 938, § 1º
Preferência pela decisão de mérito; vício
sanável deve ser oportunizado antes da
extinção
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PROFA. IVENA GUIMARÃES
6 . 2 P R I N C Í P I O S E CA R AC T E R Í ST I CAS P E C U L I A R E S D O P R O C E S S O D O T R A BA L H O
PRINCÍPIO MANIFESTAÇÃO CONCRETA DISPOSITIVO
Oralidade Reclamação verbal reduzida a termo; defesa e
razões finais orais
CLT, arts. 840, § 2º, 847
e 850
Concentração Audiência una: defesa, provas, razões finais e
conciliação em um só ato
CLT, arts. 843 a 852
Imediação Contato direto do juiz com partes e
testemunhas; ampla direção do processo
CLT, arts. 765 e 848
Simplicidade e
informalismo
Requisitos reduzidos da petição inicial;
instrumentalidade das formas
CLT, arts. 840 e 794 a
798
Celeridade Prazos curtos; irrecorribilidade imediata das
interlocutórias
CF, art. 5º, LXXVIII;
CLT, arts. 765 e 893, §
1º
Conciliação Dever de propor em dois momentos da
audiência
CLT, arts. 764, 846 e
850
Jus postulandi Empregado e empregador podem reclamar
pessoalmente e acompanhar a reclamação até
o final
CLT, art. 791
J U R I S P R U D Ê N C I A — O S L I M I T E S D O J U S P O S T U L A N D I
Súmula 425 do TST: o jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se
às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação
rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do TST.
Leitura de prova: a súmula não “revoga” o art. 791 — delimita seu alcance. A alternativa
que afirmar jus postulandi “em qualquer instância e em qualquer ação trabalhista”
está errada.
UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA
PROFA. IVENA GUIMARÃES
D I V E R G Ê N C I A D O U T R I N Á R I A — E X I S T E U M “ P R I N C Í P I O P R O T E T I V O D O P R O C E S S O D O T R A B A L H O ” ?
Corrente 1 — sim, com adaptações. Sustenta que a desigualdade material entre as partes
se projeta no processo e legitima tratamento processual diferenciado, apoiando-se em
normas como o art. 791 (jus postulandi), a gratuidade e a distribuição do ônus da prova.
Trata-se de leitura afim à de autores como Mauro Schiavi e Carlos Henrique Bezerra Leite.
Corrente 2 — não, ou apenas de modo mitigado. Objeta que a proteção é princípio do
direito material; no processo, o juiz é equidistante, e a isonomia processual não admite
favorecimento genérico de uma das partes. É a preocupação central de autores mais
ligados à teoria geral do processo.
Como responder em prova: a existência de um princípio protetivo processual autônomo é
controvertida. Há consenso quanto à proteção no direito material; não há consenso
quanto à sua transposição para o processo. Não apresente a Corrente 1 como pacífica.
O Q U E V O C Ê P R E C I S A L E M B R A R
Os princípios constitucionais valem em
qualquer processo; o que é peculiar ao
trabalhista é a intensidade da oralidade,
da concentração e da celeridade.
Contraditório hoje inclui a vedação à
decisão surpresa (CPC, arts. 9º e 10).
Jus postulandi: art. 791 da CLT, limitado
às Varas e aos TRTs pela Súm. 425/TST.
O princípio protetivo processual
é controvertido — não o afirme
como pacífico.
C O M O C A I E M P R O VA
OAB: amplia o jus postulandi para o TST ou
para a ação rescisória. A Súmula 425 fecha
essa porta.
Concurso: pede o princípio a partir da
manifestação concreta — “audiência una” é
concentração; “contato direto do juiz com a
prova” é imediação. Confundir os dois é o
erro mais comum.
M A P A M E N T A L — C A P Í T U L O 6
PRINCÍPIOS
PORTA DE ENTRADA
Acesso · inafastabilidade (art.
5º, XXXV)
GARANTIAS DO TRÂMITE
Devido processo · contraditório
· juiz natural
QUALIDADE DA DECISÃO
Fundamentação · publicidade ·
primazia do mérito
MARCA TRABALHISTA
Oralidade · concentração ·
imediação · celeridade
ACESSO SEM ADVOGADO
Jus postulandi (art. 791) —
limitado pela Súm. 425/TST
PONTO CONTROVERTIDO
Princípio protetivo processual:
sem consenso
UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA
PROFA. IVENA GUIMARÃES
C A P Í T U L O 7
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO
E S S E N C I A L — C A P Í T U L O M A I S C O B R A D O
7. 1 J U R I SD I ÇÃO × C O M P E T Ê N C I A
Jurisdição é o poder-dever; é una e pertence ao Estado. Competência é a medida desse
poder atribuída a cada órgão — o critério de distribuição. Todo juiz tem jurisdição; nem
todo juiz tem competência para a causa concreta.
A frase de prova: “a Justiça do Trabalho tem jurisdição própria” é imprecisa. O correto é
dizer que a Justiça do Trabalho exerce a jurisdição dentro da competência que a
Constituição lhe atribui, sobretudo no art. 114.
7. 2 C O M P E T Ê N C I A A B S O L U TA × R E L AT I VA
CRITÉRIO ABSOLUTA RELATIVA
Interesse
tutelado
Público Preponderantemente das partes
Critérios típicos Matéria, pessoa e
função
Território e valor (CPC, art. 63)
Conhecimento
de ofício
Sim, a qualquer
tempo e grau (CPC,
art. 64, § 1º)
Em regra, não — depende de alegação da parte
Prorrogação Não se prorroga Prorroga-se se não arguida no momento próprio
Veículo de
arguição na JT
Preliminar de
contestação;
matéria de ordem
pública
Exceção de incompetência territorial, em petição
autônoma, no prazo de cinco dias a contar da
notificação, antes da audiência (CLT, art. 800, com a
redação da Lei 13.467/2017)
Consequência prática: se a causa não é trabalhista (incompetência material, absoluta), o
juiz declina de ofício e os autos vão à Justiça competente, conservando-se em regra os
efeitos das decisões proferidas (CPC, art. 64, § 4º). Se apenas a localidade está errada
(competência territorial, relativa), sem arguição tempestiva o juízo se torna competente
por prorrogação.
UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTOTR ABALHISTA
PROFA. IVENA GUIMARÃES
A P R O F U N D A M E N T O — D E C L I N A Ç Ã O D E O F Í C I O E M M A T É R I A T E R R I T O R I A L
Parte da jurisprudência trabalhista admite, excepcionalmente, o afastamento da regra da
prorrogação quando a fixação do foro inviabiliza o acesso do trabalhador hipossuficiente à
jurisdição, lendo o art. 651 à luz do art. 5º, XXXV, da CF. O ponto não é pacífico e não está
consolidado em súmula do TST. Em prova objetiva, responda pela regra: competência
territorial é relativa.
7. 3 O S T R Ê S C R I T É R I O S
M AT E R I A L
Que causa pode a JT julgar.
Sede: CF, art. 114.
Absoluta.
F UN C I O N A L
Qual órgão e em que fase
atua. Vara → TRT → TST;
originária × recursal.
Absoluta.
T E R R I TO R I A L
Onde se ajuíza. Sede: CLT,
art. 651. Relativa.
7. 4 C O M P E T Ê N C I A F UN C I O N A L
Fixado que a causa é trabalhista (competência material), resta saber qual órgão da
Justiça do Trabalho a julga e em que momento. Esse é o critério funcional — também
absoluto, porque distribui o exercício do poder jurisdicional segundo a função que cada
órgão desempenha no processo, e não segundo a conveniência das partes.
Ele se desdobra em dois planos. No plano vertical (ou hierárquico), separa quem julga
em primeiro grau de quem julga o recurso: a Vara instrui e sentencia; o TRT revê; o TST
uniformiza. No plano horizontal, separa fases e atos dentro do mesmo processo — quem
conhece da causa é, em regra, quem a executa.
ÓRGÃO COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA COMPETÊNCIA RECURSAL
Vara do
Trabalho
Dissídios individuais em geral;
instrução, sentença e execução
Nenhuma
TRT Dissídio coletivo de âmbito regional;
ação rescisória de seus próprios
julgados; mandado de segurança contra
ato de juiz do trabalho da região
Recurso ordinário contra sentença das
Varas; agravo de petição na execução
TST Dissídio coletivo de âmbito nacional
(SDC); ação rescisória de seus julgados,
mandado de segurança e habeas corpus
(SBDI-2)
Recurso de revista (Turmas); embargos
por divergência entre Turmas (SBDI-1);
recurso ordinário em causas originárias
dos TRTs (SBDI-2 e SDC)
UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA
PROFA. IVENA GUIMARÃES
N Ã O C O N F U N D A — F U N C I O N A L × T E R R I T O R I A L
As duas parecem responder “onde”, mas não respondem à mesma pergunta. A funcional
pergunta qual órgão, em que função — e é absoluta: um TRT não pode julgar em lugar da
Vara, ainda que ambas as partes queiram. A territorial pergunta em qual localidade entre
juízos de mesma hierarquia — e é relativa, prorrogando-se pelo silêncio do réu. Ajuizar
em Boa Vista o que deveria correr em Manaus é vício sanável; pedir ao TRT que profira a
sentença de primeiro grau, não.
7. 5 A R T. 1 1 4 DA C O N ST I T U I ÇÃO — I N C I S O P O R I N C I S O
Redação dada pela EC 45/2004. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar:
INCISO I — AÇÕES ORIUNDAS DA RELAÇÃO DE TRABALHO
Núcleo: as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público
externo e a administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios.
Explicação: a EC 45 alargou o critério de “relação de emprego” para relação de
trabalho — gênero que abrange o trabalho humano prestado a outrem, com ou sem
vínculo empregatício.
Exemplo: cobrança de honorários por profissional autônomo contratado para prestação
pessoal de serviços; reclamação de empregado de sociedade de economia mista.
Jurisprudência: ao apreciar a ADI 3.395, o STF firmou que o inciso I não alcança as
causas entre o Poder Público e servidores a ele vinculados por relação estatutária ou
jurídico-administrativa — essas permanecem na Justiça Comum.
Pegadinha: “toda ação contra a Administração Pública proposta por quem lhe presta
serviços é da JT”. Errado — depende do regime: celetista sim; estatutário não.
INCISO II — DIREITO DE GREVE
Núcleo: as ações que envolvam exercício do direito de greve.
Exemplo: ação declaratória de abusividade de greve; ação possessória movida pela
empresa contra trabalhadores que ocupam o estabelecimento durante o movimento.
Jurisprudência: Súmula Vinculante 23 — a Justiça do Trabalho é competente para
processar e julgar ação possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de
greve pelos trabalhadores da iniciativa privada.
Pegadinha: a SV 23 refere-se expressamente à iniciativa privada. Greve de servidores
estatutários não segue esse enunciado — o tratamento é o da Justiça Comum, na linha da
ADI 3.395.
UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA
PROFA. IVENA GUIMARÃES
INCISO III — REPRESENTAÇÃO SINDICAL
Núcleo: ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e
trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores.
Exemplo: disputa de base territorial entre dois sindicatos; ação de cobrança de
contribuição sindical movida pelo sindicato contra empresa.
Pegadinha: não se trata de qualquer litígio em que apareça um sindicato, mas de conflito
sobre a representação ou entre os sujeitos coletivos listados no inciso.
INCISO IV — MS, HC E HD
Núcleo: mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado
envolver matéria sujeita à sua jurisdição.
Explicação: a competência é derivada — segue a matéria de fundo. Não existe
“MS trabalhista” por natureza; existe MS cujo ato atacado é de autoridade em
matéria trabalhista.
Exemplo: MS contra decisão de juiz do trabalho que determina bloqueio de valores; HC
contra prisão decretada em execução trabalhista.
Jurisprudência: Súmula 418 do TST — a homologação de acordo e a concessão de liminar
são faculdades do juiz, não havendo direito líquido e certo amparável por MS.
INCISO V — CONFLITOS DE COMPETÊNCIA
Núcleo: os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado o
disposto no art. 102, I, o, da CF.
Explicação: conflito interno à Justiça do Trabalho resolve-se nela (em regra no TST ou no
TRT, conforme os órgãos envolvidos). Conflito entre a Justiça do Trabalho e outro ramo do
Judiciário não é resolvido pela JT — a ressalva remete à competência do STF, e os conflitos
entre tribunais e juízos vinculados a tribunais diversos observam ainda a competência do
STJ (CF, art. 105, I, d).
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PROFA. IVENA GUIMARÃES
INCISO VI — DANO MORAL E PATRIMONIAL
Núcleo: as ações de indenização por dano moral ou patrimonial decorrentes da relação
de trabalho.
Jurisprudência: Súmula Vinculante 22 — a JT é competente para as ações de indenização
por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de trabalho propostas por
empregado contra empregador, inclusive as que ainda não possuíam sentença de mérito
em primeiro grau quando da promulgação da EC 45/2004. Súmula 392 do TST (redação
dada pela Res. 200/2015): a competência abrange as ações oriundas de acidente de
trabalho e doenças a ele equiparadas, ainda que propostas pelos dependentes ou
sucessores do trabalhador falecido.
Pegadinha: a ação da viúva contra o empregador é da JT (Súm. 392). Mas a ação
previdenciária contra o INSS não é — ver quadro 7.6.
INCISO VII — PENALIDADES ADMINISTRATIVAS
Núcleo: as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores
pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho.
Exemplo: ação anulatória de auto de infração lavrado por Auditor-Fiscal do Trabalho;
execução fiscal da multa correspondente.
INCISO VIII — EXECUÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Núcleo: a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, da
CF, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir.
Jurisprudência: Súmula Vinculante 53 — a competência do art. 114, VIII, alcança a
execução de ofício das contribuições previdenciárias relativas ao objeto da condenação
constante das sentenças que proferir e dos acordos por ela homologados. No mesmo
sentido,a Súmula 368 do TST delimita a competência da JT à execução das contribuições
decorrentes das sentenças condenatórias em pecúnia que proferir e dos valores objeto de
acordo homologado.
Pegadinha: reconhecido o vínculo em sentença meramente declaratória, não compete à
JT executar as contribuições do período de trabalho não alcançado por condenação
pecuniária. A JT executa o que ela mesma condenou ou homologou — não faz as vezes de
órgão arrecadador.
UNINORTE — DIREITO PROCESSO DE CONHECIMENTO TR ABALHISTA
PROFA. IVENA GUIMARÃES
INCISO IX — OUTRAS CONTROVÉRSIAS, NA FORMA DA LEI
Núcleo: outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei.
Explicação: é norma de eficácia limitada — depende de lei ordinária que amplie a
competência. Alternativa que trate o inciso IX como cláusula aberta de expansão
automática está errada.
PARÁGRAFOS DO ART. 114
§ 1º — frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger árbitros.
§ 2º — recusando-se qualquer das partes à negociação ou à arbitragem, é facultado, de
comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do
Trabalho decidir o conflito respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao
trabalho e as convencionadas anteriormente.
§ 3º — em caso de greve em atividade essencial, com possibilidade de lesão do interesse
público, o Ministério Público do Trabalho poderá ajuizar dissídio coletivo, competindo à
Justiça do Trabalho decidir o conflito. Note: este é o único parágrafo do art. 114 que
menciona o MPT — e nem por isso o MPT integra a JT (Cap. 5).
7. 6 T E M AS E SP E C Í F I C O S — J T O U N ÃO J T ?
SITUAÇÃO COMPETÊNCIA FUNDAMENTO
Reclamação de
empregado celetista
contra empresa privada
JT Art. 114, I
Trabalhador autônomo
cobrando pela prestação
pessoal de serviços
JT, em regra Art. 114, I — relação de trabalho é gênero
Contrato civil/comercial
entre empresas, sem
prestação pessoal de
trabalho
Justiça Comum
estadual
Falta o elemento “relação de trabalho”;
competência residual da Justiça Estadual
Representação comercial
(contrato regido pela Lei
4.886/1965) válida e
incontroversa
Justiça Comum
estadual
STF, Tema 550 de repercussão geral
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PROFA. IVENA GUIMARÃES
SITUAÇÃO COMPETÊNCIA FUNDAMENTO
“Pejotização” — fraude
alegada em contrato de
prestação de serviços por
PJ
Matéria pendente STF, Tema 1.389 — ver quadro 7.7
Terceirização — licitude
da contratação
JT julga o litígio
trabalhista
Mérito da licitude: STF, ADPF 324 e Tema 725
— lícita a terceirização de atividade-meio e
atividade-fim
Servidor estatutário ×
ente público
Justiça Federal se o
ente for a União,
autarquia ou
fundação federal (CF,
art. 109, I); Justiça
Comum estadual se
for Estado ou
Município
STF, ADI 3.395
Empregado público
celetista (empresa
pública, sociedade de
economia mista)
JT Art. 114, I — regime celetista
Greve de trabalhadores da
iniciativa privada,
inclusive ação possessória
JT Art. 114, II; SV 23
Dano moral/material
decorrente de acidente do
trabalho, contra o
empregador
JT Art. 114, VI; SV 22; Súm. 392/TST
Benefício acidentário
pleiteado contra o INSS
Justiça Comum
estadual
CF, art. 109, I — a própria Constituição
excepciona os acidentes de trabalho da
competência federal; Súmula 15 do STJ
Benefício previdenciário
comum (aposentadoria,
auxílio-doença não
acidentário) contra o INSS
Justiça Federal CF, art. 109, I — o INSS é autarquia federal;
fora da ressalva acidentária, a causa é federal
Descumprimento de
normas de segurança,
higiene e saúde do
trabalhador
JT Súmula 736 do STF
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PROFA. IVENA GUIMARÃES
SITUAÇÃO COMPETÊNCIA FUNDAMENTO
Multa administrativa
aplicada pela fiscalização
do trabalho
JT Art. 114, VII
Contribuição
previdenciária decorrente
de condenação/acordo na
JT
JT, de ofício Art. 114, VIII; SV 53; Súm. 368/TST
Complementação de
aposentadoria por
entidade de previdência
complementar privada
Justiça Comum
estadual
STF, Tema 190 (RE 586.453), com modulação
de efeitos
Crime contra a
organização do trabalho
Justiça Federal —
nunca a JT
CF, art. 109, VI. A Justiça do Trabalho não tem
competência criminal: o art. 114 não
contempla matéria penal. O STF lê o
dispositivo de modo restritivo — atrai a
Justiça Federal o crime que ofende a
organização geral do trabalho ou direitos de
trabalhadores coletivamente considerados;
lesão a direito de trabalhador isoladamente
considerado fica na Justiça Comum estadual
A T E N Ç Ã O — A F O R M A D O C O N T R A T O N Ã O D E C I D E S O Z I N H A A C O M P E T Ê N C I A
A tese do Tema 550 começa com uma condicionante que costuma ser ignorada:
“preenchidos os requisitos dispostos na Lei 4.886/65”. O caso julgado tratava de representação
comercial válida e incontroversa, em que se discutia apenas o pagamento de comissões
atrasadas — não havia pedido de reconhecimento de vínculo.
O Supremo não retirou da Justiça do Trabalho a competência para julgar a ação em que o
autor pede o reconhecimento da relação de emprego, ainda que o contrato tenha, na
forma, a roupagem de representação comercial. Quem define a competência é o pedido
somado à causa de pedir, não o rótulo do instrumento assinado.
Guarde a ligação: esta é exatamente a controvérsia do Tema 1.389 (item 7.7) — contrato
civil na forma, alegação de fraude no conteúdo. Por isso o Supremo afetou o tema: para
definir de quem é a competência e a quem cabe o ônus da prova nesses casos. Enquanto a
tese não é fixada, a alternativa de prova que afirmar, sem ressalva, que “havendo contrato
de representação comercial ou de prestação de serviços por PJ a competência é sempre da
Justiça Comum” deve ser lida com desconfiança.
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PROFA. IVENA GUIMARÃES
S E G U R A N Ç A E S A Ú D E D O T R A B A L H A D O R — S Ú M U L A 7 3 6 D O S T F
Compete à Justiça do Trabalho julgar as ações que tenham como causa de pedir o
descumprimento de normas trabalhistas relativas à segurança, higiene e saúde dos
trabalhadores. O enunciado importa porque desloca o foco: o que atrai a competência não
é a natureza da verba pedida, mas a origem da obrigação descumprida.
Consequência prática: ação civil pública do MPT exigindo que a empresa forneça
equipamento de proteção, adeque o maquinário ou implante programa de saúde
ocupacional é da JT — mesmo que nenhum centavo de verba trabalhista esteja sendo
cobrado, e mesmo que o pedido seja apenas de obrigação de fazer. Pegadinha: a
alternativa que condicionar a competência à existência de pedido condenatório em
dinheiro está errada.
N Ã O C O N F U N D A — Q U A N D O N Ã O É J T , É Q U A L J U S T I Ç A ?
Afastada a Justiça do Trabalho, a causa não vai para um lugar genérico chamado “justiça
comum”. É preciso um segundo passo: há ente federal no polo passivo? O art. 109, I, da
Constituição atribui à Justiça Federal as causas em que a União, entidade autárquica ou
empresa pública federal for interessada — e o INSS é autarquia federal. Não havendo ente
federal, a competência é residual da Justiça Comum estadual.
A exceção que derruba candidato: o mesmo art. 109, I, ressalva expressamente as causas
de acidente do trabalho. Por isso a ação do segurado contra o INSS para obter auxílio-
acidente ou aposentadoria por incapacidade decorrente de acidente do trabalho tramita
na Justiça Comum estadual, e não na Federal — apesar de o réu ser autarquia federal
(Súmula 15 do STJ). Fora dessa ressalva, benefício previdenciário contra o INSS é Justiça
Federal. E a indenização civil pelo mesmo acidente, pedida ao empregador, é da Justiça
do Trabalho (SV 22). Um único acidente pode, portanto, gerar ações em três justiças
diferentes, conforme o réu e o pedido.
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PROFA. IVENA GUIMARÃES
7.7E STA D O DA A R T E — T E M A 1 . 3 8 9 D O ST F ( P E JO T I Z AÇÃO )
M A T É R I A P E N D E N T E — N Ã O A P R E S E N T E C O M O T E S E C O N S O L I D A D A
O STF reconheceu repercussão geral no Tema 1.389, tendo como leading case o ARE
1.532.603, relator o Ministro Gilmar Mendes. O tema abrange três questões: (i) a
competência para julgar causas em que se discute fraude no contrato civil/comercial de
prestação de serviços; (ii) o ônus da prova nesses litígios; (iii) a licitude da contratação de
pessoa jurídica ou trabalhador autônomo para essa finalidade.
Em 18 de junho de 2026, o relator determinou o levantamento parcial da suspensão
nacional: os processos voltaram a tramitar perante as Varas do Trabalho e os TRTs,
devendo permanecer sobrestados após esgotada a jurisdição do TRT, até o julgamento
definitivo do tema.
Situação em agosto de 2026: o mérito ainda não foi julgado e não há tese fixada.
Portanto: não afirme que o STF “decidiu” pela competência da Justiça Comum nesses
casos, nem que “validou” a contratação por PJ. O que se pode afirmar com segurança é
que a matéria está afetada, que a suspensão foi parcialmente levantada e que a tese está
pendente. Em prova, uma alternativa que atribua tese definitiva ao Tema 1.389 deve ser
tratada com reserva.
7. 8 C O M P E T Ê N C I A T E R R I TO R I A L — A R T. 6 51 DA C LT
Caput — regra geral. A competência das Varas do Trabalho é determinada pela
localidade onde o empregado, reclamante ou reclamado, prestar serviços ao
empregador, ainda que tenha sido contratado noutro local ou no estrangeiro.
A opção do legislador é clara: prevalece o local da prestação, e não o da contratação
nem o do domicílio do trabalhador. A razão é probatória — é onde estão testemunhas,
documentos e o próprio ambiente de trabalho.
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DISPOSITIVO HIPÓTESE SOLUÇÃO LEGAL
Caput Regra geral Vara da localidade da prestação de serviços, ainda que a
contratação tenha ocorrido em outro lugar ou no exterior
§ 1º Agente ou viajante
comercial
Vara da localidade em que a empresa tenha agência ou
filial à qual o empregado esteja subordinado; não
havendo, a Vara do domicílio do empregado ou a
localidade mais próxima
§ 2º Trabalho em agência ou
filial no estrangeiro
A competência da JT alcança os dissídios, desde que o
empregado seja brasileiro e não haja convenção
internacional dispondo em contrário
§ 3º Empregador que promove
atividades fora do lugar
do contrato
Faculdade do empregado: ajuizar no foro da celebração
do contrato ou no da prestação dos serviços
E X E M P L O S R E S O L V I D O S
1. Contratado em Manaus, trabalhou os três anos do contrato em Boa Vista, e hoje mora
em Belém. Regra: Boa Vista — local da prestação (caput). Domicílio atual é irrelevante.
2. Viajante comercial que percorre todo o Norte, subordinado à filial de Manaus. Regra:
Manaus — localidade da agência/filial de subordinação (§ 1º).
3. Viajante comercial sem qualquer agência ou filial à qual esteja subordinado,
domiciliado em Tefé. Regra: Tefé, ou a localidade mais próxima com Vara (§ 1º, parte final).
4. Empresa de montagem industrial contrata em Manaus e desloca a equipe para obra em
Porto Velho. Regra: o empregado escolhe — Manaus (celebração) ou Porto Velho
(prestação), § 3º.
5. Brasileiro contratado no Brasil e enviado para filial da empresa no Paraguai, sem
convenção internacional em contrário. Regra: a JT brasileira é competente (§ 2º).
N Ã O C O N F U N D A — C O N T R A T A Ç Ã O × P R E S T A Ç Ã O
O local da contratação só define o foro na hipótese do § 3º, e ainda assim como alternativa
à escolha do empregado. Fora dela, vale a prestação. A alternativa de prova que disser “a
competência é sempre a do local da contratação” está errada; a que disser “é sempre a do
domicílio do trabalhador” também.
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PROFA. IVENA GUIMARÃES
N A P R Á T I C A — C O M O S E A R G U I
Sendo relativa, a incompetência territorial não é conhecida de ofício como regra. O réu
deve apresentar exceção de incompetência territorial em petição autônoma, no prazo de
cinco dias contados da notificação, antes da audiência (CLT, art. 800). Perdido o prazo, a
competência se prorroga.
M A P A M E N T A L — C A P Í T U L O 7
COMPETÊNCIA
DA JT
MATERIAL — ABSOLUTA
CF, art. 114, I a IX + §§ 1º a 3º
FUNCIONAL — ABSOLUTA
Vara → TRT → TST; originária ×
recursal
TERRITORIAL — RELATIVA
CLT, art. 651 · exceção em 5 dias
(art. 800)
FORA DA JT
Estatutário (ADI 3.395) · INSS
(Súm. 15/STJ) · prev.
complementar (Tema 190) ·
representação comercial (Tema
550)
SÚMULAS VINCULANTES
SV 22 (acidente) · SV 23
(greve/possessória) · SV 53
(contribuições)
PENDENTE
Tema 1.389 — pejotização: sem
tese em ago/2026
O Q U E V O C Ê P R E C I S A L E M B R A R
Material e funcional: absolutas.
Territorial: relativa.
Art. 114 é a régua da competência
material. Decore os nove incisos pela
lógica, não pela ordem.
Relação de trabalho é gênero; relação
de emprego é espécie. A EC 45 adotou
o gênero.
Contra o empregador por acidente → JT.
Contra o INSS → Justiça Comum estadual.
Art. 651: manda o local da prestação; as
exceções estão nos três parágrafos.
C O M O C A I E M P R O VA
OAB: narra um caso e pergunta a
competência. O caminho seguro é sempre o
mesmo: primeiro é JT? (art. 114 e as
exceções do STF); depois qual órgão?
(funcional); só então onde? (art. 651).
Inverter a ordem produz resposta errada em
caso fácil.
Concurso: exige a literalidade dos
parágrafos do art. 651 e as súmulas
vinculantes 22, 23 e 53. Fique atento a
advérbios totalizantes — “sempre”, “em
qualquer hipótese”, “independentemente” —
que costumam ser o defeito da alternativa.
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PROFA. IVENA GUIMARÃES

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