Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR DE GOIÁS – IESGO ACADÊMICAS EM 
DIREITO 
 
 
 
 
 
PSICOLOGIA JURÍDICA E ADOÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORE (A) (S):Bruno Manhães; 
Fernanda Braz de Oliveira Aquino; 
Janadiele Barbosa dos Anjos; 
Kaylla de Souza Maia; 
Thayná de Sousa Matias 
 
 
 
ORIENTADOR(A): Prof.Esp. Alisson Carvalho dos Santos. 
 
 
 
 
 
FORMOSA – GO 
 2019 
 
 
 
BRUNO MANHÃES; 
 FERNANDA BRAZ DE OLIVEIRA AQUINO; 
 JANADIELE BARBOSA DOS ANJOS; 
 KAYLLA DE SOUZA MAIA; 
 THAYNÁ DE SOUSA MATIAS 
 
 
 
PSICOLOGIA JURÍDICA E ADOÇÃO 
 
 
 
Trabalho Escrito do Seminário apresentado a matéria de 
Psicologia Jurídica do curso de graduação em Direito do 
Instituto de Ensino Superior do Goiás - IESGO como 
requisito parcial para obtenção da aprovação referente ao 1° 
Semestre de 2019. 
 
ORIENTADOR(A): Prof. Esp. Alisson Carvalho dos 
 Santos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 FORMOSA – GO 
2019 
 
Trabalho Escrito do Seminário de autoria de Bruno Manhães; Fernanda Braz de Oliveira 
Aquino; Janadiele Barbosa dos Anjos; Kaylla de Souza Maia; Thayná de Sousa Matias, 
intitulada PSICOLOGIA JURÍDICA E ADOÇÃO, apresentada como requisito parcial para a 
obtenção de nota referente ao 01º semestre de 2019 em DIREITO do Instituto de Ensino 
Superior de Goiás – IESGO, em 12 de Março de 2019, defendida e aprovada pelo educador 
Professor Esp. Alisson Carvalho dos Santos. 
 
 
 
 
 
 
_______________________________________________________ 
Professor de Psicologia Jurídica, Esp. Alisson Carvalho dos Santos 
Examinador (a) 
Direito – IESGO 
 
 
_______________________________________________________ 
Professor de Psicologia Jurídica, Esp. Alisson Carvalho dos Santos 
Examinador (a) 
Direito – IESGO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FORMOSA – GO 
2019 
 
 
 
RESUMO 
Referência: MANHÃES, Bruno. AQUINO, Fernanda Braz de Oliveira. ANJOS, Janadiele 
Barbosa. MAIA, Kaylla Souza. MATIAS, Thayná Sousa. Título: Psicologia Jurídica e Adoção, 
2019, 20 páginas, Psicologia Jurídica, Direito, Instituto de Ensino Superior de Goiás – IESGO, 
Formosa- GO. 
O trabalho em questão discorre brevemente acerca do processo funcional de adoção, 
objetivando compreender melhor o papel do psicólogo para pais e crianças na pretensão da 
adoção. Tem como finalidade realizar também um estudo sobre a inclusão de crianças e 
adolescentes em famílias substitutas, através da adoção. Preliminarmente buscamos analisar 
sobre os aspectos legais, ideias pertinentes sobre a evolução dos institutos e os efeitos gerados 
a partir do estudo da psicologia juntamente ao sistema jurídico. 
Palavras-Chave: Adoção; Família substituta; Crianças; Aspectos Legais. 
 
ABSTRACT 
Reference: MANHÃES, Bruno. AQUINO, Fernanda Braz de Oliveira. ANJOS, Janadiele 
Barbosa. MAIA, Kaylla Souza. MATIAS, Thayná Sousa. Title: Juridical Psychology and 
Adoption, 2019, 20 pages, Juridical Psychology, Law, Higher Education Institute of Goiás - 
IESGO, Formosa- GO. 
The paper in question briefly discusses the adoption process, aiming to better understand the 
role of the psychologist for parents and children in the adoption process. Its purpose is also to 
carry out a study on the inclusion of children and adolescents in surrogate families, through 
adoption. Preliminarily we seek to analyze the legal aspects, pertinent ideas about the evolution 
of the institutes and the effects generated from the study of psychology together with the legal 
system. 
Keywords: Adoption; Substitute family; Children; Legal Aspects. 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
1- CONCEITO DE ADOÇÃO ................................................................................................... 4 
1.1–HISTÓRICO E ASPECTOS LEGAIS DA ADOÇÃO ....................................................... 5 
2- EVOLUÇÃO DO INSTITUTO DA ADOÇÃO .................................................................... 5 
3- CADASTRO NACIONAL DE ADOÇÃO (CNA) ................................................................ 6 
4- ANÁLISE PSICOSSOCIAL .................................................................................................. 7 
5- MEDIAÇÃO DO PSICÓLOGO JURÍDICO JUNTO A ADOÇÃO ..................................... 8 
6- REQUISITOS PARA ADOÇÃO NO BRASIL ..................................................................... 9 
7-PREPARAÇÃO PARA A ESPERA DO FILHO ADOTIVO .............................................. 11 
8-DEVOLUÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES ....................................................... 11 
8.1- DANOS PSÍQUICOS DA DEVOLUÇÃO E CONSEQUÊNCIAS JURÍDICAS ........... 12 
9- LEGISLAÇÃO ..................................................................................................................... 13 
10- CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................. 13 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 15 
 
4 
 
INTRODUÇÃO 
Este artigo refere-se à discussão social sobre adoção a partir das premissas que 
ultrapassam o contexto jurídico, abrangendo também o estudo da psicologia, política, economia 
e a democratização quando se trata da existência do abandono. Vale ressaltar que o Brasil possui 
47 mil crianças e adolescentes vivem em abrigos, segundo o Conselho Nacional de Justiça 
(CNJ). Deste total 13.418 estão no estado de São Paulo; 4.968, em Minas; e 4.866, no Rio 
Grande do Sul. Outro dado que chama a atenção é que somente 8.420 crianças e adolescentes 
estão no Cadastro Nacional de Adoção (CNA). Ou seja, apenas 17,8% do total estão legalmente 
aptos a encontrar uma nova família. 
Todas as crianças têm o direito de convivência familiar ou comunitária. Quando isso 
não é possível, utiliza-se a adoção como um meio objetivo seguro, pois o processo legal é 
indispensável. No Brasil Colonial, período da escravidão, a adoção era produzida em troca de 
interesses. As crianças eram recolhidas por famílias de alto requerimento financeiro em troca 
de recursos educacionais, no qual estas, permaneciam drasticamente servindo em tarefas 
domésticas. 
Hoje a prática se apresenta diferente, através do Direito Civil e do Estatuto da Criança e 
do adolescente, ou seja, baseando nas contribuições jurídicas, psicológicas e sociais. Todavia, 
o estudo propôs expor conteúdos relevantes de crianças e adolescentes, a família substitutiva 
sobre a visão do sistema jurídico brasileiro, vinculando especificamente a adoção no Brasil. 
 
1- CONCEITO DE ADOÇÃO 
A palavra adotar vem do latim adoptare, que significa escolher, perfilhar, dar o seu nome 
a optar, ajuntar, escolher, desejar. A adoção é um procedimento legal e voluntário, uma 
responsabilidade transferida para a família substituta que inclui os direitos e deveres dos pais 
biológicos, assim também se transfere os deveres e direitos de filho para criança/adolescente, 
somente quando os recursos para a conivência com a família original se esgotem. 
A adoção representa o estabelecimento de um relacionamento afiliativo (em aspectos 
jurídicos, sociais e afetivos) entre a criança e seus pais adotivos. A possibilidade da realização 
da adoção surgiu diante da numerosa demanda de crianças abandonadas e em situação de risco 
existente no período histórico do Brasil Colonial. Podemos caracterizar então a adoção, a 
possibilidade de ter e criar filhos para pais que não puderam ter filhos biológicos,ou que 
preferiram não ter vínculos genéticos. 
 
5 
 
1.1–HISTÓRICO E ASPECTOS LEGAIS DA ADOÇÃO 
Segundo (Weber, 2001) adoção vem tendo diferentes significados, características e 
objetivos ao longo da história e em diferentes culturas. O mais antigo conjunto de leis sobre a 
adoção conhecido está registrado no Código de Hammurabi (1728-1686 a.C.), e reflete a 
sociedade mesopotâmica do II milênio a.C. Esse Código autorizava uma mulher estéril a cuidar 
dos filhos nascidos de seu marido com outra mulher escolhida por ela. 
Objetivos políticos já foram usados para realizar a adoção na antiguidade, para ocupação 
de um cargo público. Um homem era considerado pai de família, segundo a lei, caso tivesse um 
filho, e essa tradição política familiar era seguida pela família que ocupava cargos públicos. 
No Brasil, um costume muito utilizado no século XX, era de crianças deixadas na Roda 
dos Expostos. Casais que não poderiam ter filhos biológicos se deslocava até essas rodas, que 
eram deixadas crianças de até 7 anos de idade. A adoção não era um procedimento legal, por 
isso esse costume deixava crianças e mais vulneráveis, pois não havia quaisquer direitos. 
 
2- EVOLUÇÃO DO INSTITUTO DA ADOÇÃO 
Ao decorrer do século XX, um avanço acerca do instituto da adoção expandiu seus 
limites, a legislação apresentou uma tendência significativa acerca do instituto, aprimorando 
cada vez mais o instituto da adoção no Brasil. No Código Civil de 1916, os institutos da adoção 
eram regidos com base nos princípios do direito romano, onde os casais estéreis tinham a chance 
de construir uma família, mas foi concedida apenas para casais com idade superior a 50 anos e 
com vinculo matrimonial. 
Segundo Gonçalves (2010) a adoção não integrava o adotado a família de verdade, pois, 
o mesmo permanecia ligado aos parentes consanguíneos. O adotado era tratado como segundo 
plano para a lei, os direitos assegurados eram apenas do adotante. O vínculo estabelecido pelo 
instituto da adoção somente era restrito ao casal, e não aos demais entes familiares. 
Seguindo os ditames do Estatuto da Criança e do adolescente (Lei 8.069/90 do ECA) e 
do Código Civil de 2002, a adoção possui a mesma característica tanto para adolescentes quanto 
para crianças, sendo obtidas apenas por meio de processo judicial. Várias inovações vieram 
junto com a Lei 12.010, conhecida com a nova Lei de adoção (NLA). Para o ordenamento 
jurídico, esta surgiu para garantir os direitos do adotante, e principalmente dos adotados. 
Deveres estes de garantir a chamada autoridade parental, que foram coagidos pela Constituição 
Federal de 1988, consistindo na criação, educação dos filhos, visando formar um núcleo de 
responsabilidade com liberdade. 
6 
 
O artigo 1.724 do Código Civil estabelece que os seguintes deveres da união estável de 
casais heterossexuais servem também para a união homoafetiva: lealdade respeito, assistência, 
guarda, sustento e educação dos filhos e ainda completa “(...)não há qualquer vedação para a 
adoção homoafetiva”. Diante disso, esses casais vêm ganhando espaço e apoio da jurisprudência 
brasileira que vem tornando cada vez mais comum a aceitação desses casais no processo de 
adoção. 
 
3- CADASTRO NACIONAL DE ADOÇÃO (CNA) 
Criado em 2008, o Cadastro Nacional de Adoção (CNA) é um sistema de informações 
que aproxima crianças que aguardam por uma família em abrigos e pretendentes habilitados 
que desejam adotar. Tais informações são concedidas nas Varas da Infância e da Juventude de 
todo país. Quando a criança está apta à adoção, o inscrito no cadastro de interessados é 
convocado. Do mesmo modo, pretendentes podem consultar a lista de crianças, que traz 
detalhes como sexo, idade, cor e eventuais necessidades especiais. 
 
Segundo Falcão (2017) esta demora ocorre por três principais motivos: a 
destituição do poder familiar, a escolha do perfil do adotando pelos pais, e a 
burocracia legal, juntamente com a falta de recursos. 
 
De acordo com a Lei n°12.010/09 a destituição do poder familiar é um processo que 
deixa a adoção cada vez mais extensa, essa destituição que seria primeiramente a perda do poder 
familiar pertencente à família biológica da criança em questão, este fato ocorre quando os pais, 
que são as pessoas as quais são obrigadas ao dever de sustento, guardam e educação é 
descumprida. Assim, o Estado é obrigado a intervir e serão encaminhados aos abrigos. 
 Em relação ao perfil desejado pelos pais, onde eles podem descrevem detalhadamente 
o perfil desejado das crianças, eles passam pelo cadastro e por uma entrevista técnica. Um 
levantamento foi feito na qual foi constado que no Brasil escolhem crianças de raças brancas, e 
com idade de até três anos. Totalmente inverso do que encontrado nos abrigos. Devido a isso, 
fica cada vez mais restrito finalizar o processo de adoção. 
Outro motivo que podemos abordar é a burocracia legal, onde se torna cada vez mais 
cansativo, tanto para as crianças que estão dentro dos abrigos esperando a possibilidade de 
conviver com uma nova família tanto para os supostos pais que sofrem pela angústia de ter um 
filho. A questão da carência das equipes interdisciplinares, que sofrem frequentemente com a 
deficiência em relação à estrutura e os recursos humanos nas Varas de infância e da juventude 
7 
 
de todo pais. Onde torna o processo ainda mais demorado, por necessitar de um serviço 
especializado essencial para a aprovação da adoção. 
O procedimento da adoção se divide em duas partes: a primeira de habilitação dos 
supostos pretendentes e a segunda referente ao acolhimento da criança ou adolescente por meio 
da guarda provisória. Após estipulado pelo Juiz, o período de convivência ocorrido como 
esperado, uma equipe avalia e apresenta a avaliação final, na qual o juiz irá se basear para 
proferir a sentença judicial definitiva, a partir deste momento torna a adoção irrevogável e 
irrenunciável por parte do adotante. 
 
4- ANÁLISE PSICOSSOCIAL 
 Entrevistas deverão ser realizadas por uma equipe interprofissional, com os candidatos 
e os pais adotivos, entrevistas de acompanhamento com os adotados, com os pais que entregarão 
seus filhos a adoção ou que estão quase a perder o poder familiar, é feito um trabalho de 
aproximação gradativa entre os candidatos e a crianças, o estágio da convivência é mediado, 
caso os candidatos já tenham filhos, eles são incluídos juntamente no processo. 
É comum perceber nos pais, uma criança imaginada, que corresponde as suas 
expectativas desejadas, buscando um filho ideal. Sendo assim a adoção pode se transformar 
uma tarefa muito difícil, no tocante, a saber, lidar com as diferenças que são encontradas naquilo 
que se imaginou ao que é real em relação à criança. Os pais tem que lidar com uma situação às 
vezes difícil, pois em alguns casos não conseguem ter seu filho biológico, como acontece em 
contextos de perda e que estão também ligados a infertilidade e tem a expectativa de adotar uma 
criança. 
A demora na adoção pode trazer graves consequências para a criança, pois ela se torna 
institucionalizada e o casal que idealiza a adoção pode ser afetado por mudanças ocasionais tais 
como condição econômica e no relacionamento entre o casal. 
Paiva (2004) refere que todos os atores implicados num processo de adoção, pais 
biológicos, candidatos a pais e as próprias crianças ou adolescentes, ficam muito expostos a 
elementos de suas histórias pessoais e de suas experiências subjetivas, associados a situação de 
perdas, lutos, abandonos e rejeições. 
Ainda em Paiva encontramos outras referências (SPITZ, 1979; BOWLBY, 1981) que 
enfatizam os danos da privação precoce, abandonos,perdas ou rupturas na formação da 
identidade e no desenvolvimento da personalidade, embora sentimentos de abandono, 
ansiedades de perda e separação não seja de modo algum exclusividades daqueles que vivem a 
condição de adotados. 
8 
 
Para Dolto (1989), quando a criança adotada expressa sentimento de rejeição, conflitos 
ou sintomas, em geral, isso estará mais relacionado com a família adotiva e com a forma como 
lhe falaram sobre a adoção. O modo como se dá a filiação não e determinante para a formação 
da personalidade, mas sim o modo como se dão as relações intrafamiliares. 
 
5- MEDIAÇÃO DO PSICÓLOGO JURÍDICO JUNTO A ADOÇÃO 
De acordo com Taylor (2002) o papel do mediador encontra um significado intrínseco 
ao fenômeno, que envolve promover condições de dar visibilidade à subjetividade do outro, 
unir informações, promover conhecimento, aproximar, dar suporte, favorecer a comunicação, a 
desvinculação menos traumática quando esta é inevitável e/ou a menor vinculação possível. 
 
A mediação é o método mais adequado para abrir esses temas de modo 
seguro e justo, examinando as preocupações de todos os participantes e mantendo a 
integridade dos valores da família, ao mesmo tempo em que possibilita mudanças 
estruturais e comportamentais que representem benefícios para as crianças e adultos 
envolvidos no sistema familiar (TAYLOR, 2002, p.362). 
 
Outra questão a ser considerada é a obrigatoriedade dos pais adotantes serem 
previamente avaliados. Segundo Gonçalves (2011), anteriormente esta avaliação consistia 
apenas em critérios de seleção de moradia, ingresso e composição familiar, agora a necessidade 
de estabelecer um processo de assessoria, tanto antes da adoção como depois da colocação da 
criança no lar. 
Conforme Oliveira (2014), a intervenção do psicólogo jurídico no direito familiar, 
envolvendo a adoção, vai além das preocupações de moradia digna, alimentação, escola e saúde. 
Tem como prioridade atender às necessidades biopsicossociais das crianças e adolescentes, 
analisando os aspectos de adaptação, aceitação, integração da criança dentro da família em 
relação aos filhos biológicos e demais familiares, na reconstrução de sua nova história familiar, 
e para tanto muitas vezes requer uma caminhada centrada na subjetividade alheia de forma 
individual e também no contexto do âmbito familiar. 
Weber (1999), tratando sobre a atuação do psicólogo em processos de adoção de 
crianças e adolescentes junto a Vara da Infância e Juventude, fala sobre o risco de reduzir os 
estudos de inscrição de candidatos à adoção a procedimento de seleção baseados em dogmas. 
Entra em questão a responsabilidade que o psicólogo assume de escolher pais ideais e responder 
9 
 
pelo acerto das adoções. Implica nele saber lidar com as conflitualidades intrínsecas às relações 
entre diferentes sujeitos com interesses particulares. 
 
6- REQUISITOS PARA ADOÇÃO NO BRASIL 
 Ao entregar qualquer criança ou adolescente, o juiz concede primeiramente aos 
adotantes um termo de guarda e responsabilidade provisória e determina a realização de estudo 
psicossocial para verificar as vicissitudes do período de adaptação e a convivência da 
constituição do vínculo. Porém, em primeira instância, é o próprio juiz que, respaldado pela 
legislação, estipula a duração do estágio de convivência e até mesmo dispensa o 
acompanhamento se o adotado tiver menos de idade ou se estiver há muito tempo na companhia 
dos adotantes. 
O propósito da lei ao impor um período de convivência, regulamentado por termo de 
guarda provisória, é permitir não só a adaptação da criança ao novo contexto familiar, como 
possibilitar que os adotantes vivenciem os novos papeis parentais. 
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece alguns requisitos para a 
adoção. 
Art. 42. Podem adotar os maiores de 18 (dezoito) anos, independentemente 
 do estado civil. 
§ 1º - Não podem adotar os ascendentes e os irmãos do adotando. 
§ 2°- Para adoção conjunta, é indispensável que os adotantes sejam casados 
 civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da 
 família. 
 
Apenas os indivíduos com idade igual ou superior a dezoito anos têm o direito de adotar. 
O parágrafo primeiro do artigo 42°, ao vedar a adoção, na qual os ascendentes ou descendentes 
configurariam no papel de adotante, é totalmente justificável, pois, não há necessidade da 
adoção, tendo em vista que pela lei, avós e irmãos configuram como os sucessores naturais da 
guarda das crianças que possuem pais falecidos, ausentes e até mesmo destituídos do pátrio 
poder familiar. 
Com as novas evoluções propostas, a adoção poderá ser dar por adotantes casados ou 
que mantenham uma relação de união estável, mas comprovada a estabilidade familiar. Previsto 
no ato jurídico, com a ressalva de que é possível a adoção pelo pai ou mãe do filho havido fora 
da relação conjugal. Certificando-se que os pais biológicos não podem adotar, por existir 
vinculo filiativo. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009). 
 
10 
 
§ 4°- Os divorciados, os judicialmente separados e os ex-companheiros podem adotar 
conjuntamente, contanto que acordem sobre a guarda e o regime de visitas e desde 
que o estágio de convivência tenha sido iniciado na constância do período de 
convivência e que seja comprovada a existência de vínculos de afinidade e afetividade 
com aquele não detentor da guarda, que justifiquem a excepcionalidade da concessão. 
§ 5°- Nos casos do § 4° deste artigo, desde que demonstrado efetivo benefício ao 
adotando, será assegurada a guarda compartilhada, conforme previsto no art. 1.584 da 
Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002 -Código Civil. 
 
No caso descrito pelo § 4° do artigo 42, observamos que é adotado o princípio do melhor 
interesse da criança ou adolescente. É permitido o processo de adoção quando há interesse de 
ex-companheiros que conviveram com a criança e possuem vínculos de afetividade com a 
mesma com a finalidade de proteger o melhor interesse do adotando. 
 
Art. 45°- A adoção depende do consentimento dos pais ou do representante legal do 
adotando. 
§ 1º. O consentimento será dispensado em relação à criança ou adolescente cujos pais 
sejam desconhecidos ou tenham sido destituídos do poder familiar. 
§ 2º. Em se tratando de adotando maior de doze anos de idade, será também necessário 
o seu consentimento. 
 
O representante legal da criança (pai, mãe, tutor ou tutora) é responsável por consentir 
ou não no processo de adoção do menor. Caso o adotado tenha idade maior que doze anos será 
necessário o seu consentimento, o qual deverá ser colhido em audiência. O consentimento será 
dispensado em relação à criança ou adolescente, se for provado em juízo, no caso de possuírem 
os pais que foram destituídos do poder familiar, pais de origem desconhecida, evidencias de 
que a criança se encontra em situação de risco, abandonada ou até mesmo sofrendo maus tratos. 
Caso o adotado tenha idade superior a dois anos será necessário o seu consentimento, 
será necessária a audiência 
As adoções estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente passam por um 
processo de habilitação, que refere à entrega da documentação, primeiramente passa pela 
entrevista com um profissional da área da psicologia ou da pedagogia. Para assim, obter a 
aprovação e os candidatos receberem a guarda provisória da criança, que permite a ela conviver 
com o adotante para obter a formação do vínculo entre eles. 
 
11 
 
7-PREPARAÇÃO PARA A ESPERA DO FILHO ADOTIVO 
Conforme Silva (2011), a criança precisa passar por um período de adaptação paraassimilar as mudanças que ocorrem e ocorrerão na sua vida, de maneira que sejam facilitadas a 
convivência, bem como a construção dos vínculos, os quais dependerão da forma que a família 
adotiva conduzir esse processo de adaptação. 
A criança adotada se torna estranha no ambiente familiar, pois já foi abandonada uma 
vez. Por essa razão Sequeira e Stella (2014) esclarecem que frequentemente a culpa é transferida 
à criança, justificada pela manifestação de comportamentos agressivos, isolamento e demais 
atitudes difíceis de resolver. 
Através da nova convivência, tais crianças reagem a comportamentos como: pesadelos, 
agressividade, birras, gritos, choro ao ser repreendido, disponibilidade a cumprir das regras e 
ameaças de deixar a família. Esses comportamentos são as principais dificuldades vivenciadas 
no estágio da adaptação devido a traumas vivenciados anteriormente. 
Para haver equilibro e segurança a criança, é necessário que os pais adotivos estabeleçam 
com seus filhos canais de comunicação verbais e emocionais que confirmem à criança o 
reconhecimento de sua história, se possivelmente ter lembranças, fotos, seu nome e cultura de 
origem. Permitindo assim aceitação e confiança por maior parte daqueles que decidiram tomar 
conta delas. 
Segundo (Santigo, 2014) a partir do momento que existe a regularização da adoção, a 
criança é inserida no convívio da família substituta, por meio de um estágio de convivência. O 
art. 46 do ECA assegura que a adoção será precedida de um período inicial de convivência do 
adotado com a família. A adoção depende, portanto, da adequada motivação e preparação da 
família adotiva e da compatibilização de suas capacidades e características com as necessidades 
e peculiaridades da criança. 
 
8-DEVOLUÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES 
A partir do momento em que se finaliza o processo da adoção, regularmente assim como 
está previsto no artigo 39, § 1º do Estatuto da Criança e Adolescente, essa medida passa a ser 
excepcional e irrevogável. Sendo assim, quando for publicada a sentença de deferimento, não 
poderá mais o adotante desistir. Tal circunstância transmite ao processo uma maior segurança 
jurídica necessária um melhor desenvolvimento de vínculo familiar, com a pretensão de atender 
as intenções sobre a família. 
12 
 
Porém, é crescente o número de casos cuja adoção definitiva termina no estágio em que 
os pais adotantes desistem de cumprir com o tratado, buscando na justiça o direito de devolver 
esta criança ou adolescente ao abrigo, pelo fato da criança não estar adequada as expectativas 
dos pais e consequentemente gerando um novo abandono, algo drástico ao psicológico da 
criança. 
Falcão (2017) explica que a questão da devolução no Brasil não é um tema muito 
discutido, e não existem dados oficiais sobre o número de casos de devolução. Apesar de a 
maioria dos casos de adoção ser bem-sucedidos, há um número crescente de casos de devolução 
que não são atualmente estudados e divulgados por não estar previsto em lei. 
Através disso, se encontra um dos principais problemas, em que há pais que sonham 
com o filho ideal e, quando compactuadas com os desafios de educar uma criança real, com 
suas dificuldades, seus costumes, não conseguem equilibrar as imperfeições que, em filhos 
biológicos, seriam toleradas. 
 
8.1- DANOS PSÍQUICOS DA DEVOLUÇÃO E CONSEQUÊNCIAS JURÍDICAS 
O ato de devolver uma criança após a adoção pode acarretar em diversos aspectos 
negativos, podemos citar os danos psicológicos como um dos principais fatores. O papel do 
psicólogo torna-se necessário para auxiliar autoridades competentes e órgãos governamentais a 
lidar com essas consequências geradas após a devolução. 
 O reabandono são ainda pior para as crianças e adolescentes, pois já tiveram essa 
experiência pelo abandono dos pais biológicos. Sabe-se que a criança, é a parte mais frágil no 
processo, já vítima do abandono dos genitores biológicos e um novo abandono poderão 
ocasionar em danos ainda mais sérios, uma vez que esse reabandono os fará reviver duplamente 
a mesma situação anteriormente. A devolução além de trazer abalos psicológicos e emocionais 
de difícil manejo, a adoção fracassada traz a criança uma insegurança, sentimento marcante do 
novo abandono, a desesperança de uma nova família, para compreender o histórico, a adoção 
mal sucedida. 
Para os adotantes, conforme prevê o artigo 197-E, § 5º do Estatuto da Criança e 
Adolescente: 
A devolução da criança ou do adolescente depois do trânsito em julgado da 
sentença de adoção importará na sua exclusão dos cadastros de adoção e na vedação 
de renovação da habilitação, salvo decisão judicial fundamentada, sem prejuízo das 
demais sanções previstas na legislação vigente. 
13 
 
O Código Civil estabelece em seus artigos 186° e 927°, uma reparação ao dano causado 
a outrem, ainda que exclusivamente moral, é ato ilícito, gera - se indenização. Com isto, os 
tribunais de Justiça brasileiros já vêm avançando no sentido do ajuste civil, condenando os pais 
a pagarem um valor pelo abandono. 
 
9- LEGISLAÇÃO 
Em 1916, a história legal da adoção no Brasil foi tratada no Código Civil brasileiro. Este 
assunto foi tratado no início do século XX, com o passar dos anos foi aprovada três leis 
(3.133/1957, 4.655/1965 e 6.697/1979) até que em 1990 o inovador Estatuto da Criança e do 
adolescente (Lei n°8.069) foi regido e aprovado, gerando assim a nova legislação. 
Até umas décadas passadas, somente casais com união estável poderiam adotar. Com 
várias alterações recentes previstas na Constituição Federal, asseguraram aos casais 
homoafetivos o direito a adotar uma criança, direito a construir uma família. 
 
10- CONSIDERAÇÕES FINAIS 
O presente artigo abordou, em 9 capítulos, primeiramente a questão da origem e o 
significado da palavra adoção, que é derivada do latim adoptione, possui como significado: 
perfilhar, dar o seu nome a, optar, ajuntar, escolher, desejar. Adoption define-se como o ato 
obedecido por preceitos da lei, o indivíduo que estabelece com um estranho, um vínculo de 
paternidade e filiação legítimas, de efeitos limitados e sem total desligamento do adotando com 
sua família de sangue. Logo depois os aspectos históricos e legais sobre adoção que nos 
primórdios a adoção não tinha por objetivo principal proteger a criança ou dar-lhe uma família, 
mas sim, suprir as necessidades de casais que não poderiam ter filhos; esse tipo de adoção era 
conhecido como adoção clássica. 
 Diante disso, podemos perceber que houve um avanço significativo em relação ao 
processo adotivo. Podemos citar incialmente que no Brasil, até no século XX, a adoção não era 
regulamentada juridicamente. Sua prática era permitida apenas a casais que não tinham filhos 
biológicos, através da entrega de uma criança que fora deixada na Roda dos Expostos. Com 
esses avanços, inúmeras etapas passaram a ser obrigatórias, como por exemplo, Cadastro 
Nacional de Adoção, que é uma ferramenta digital que auxilia os juízes das Varas da Infância 
e da Juventude na condução dos procedimentos dos processos de adoção em todo o país. 
Com a evolução dos institutos da Adoção, psicólogos passaram a ter um papel muito 
importante que diz respeito ao estresse que isso causa, tem como desafio também, saber lidar 
com as exigências e poder “educar” o Judiciário. O processo de avaliação psicológica 
14 
 
normalmente é feito em forma de entrevista psicológica, onde o profissional saberá o número 
necessário de encontros, onde são verificados estrutura familiar dos requerentes, 
comportamento, pensamentos, crenças, inseguranças, medos, preconceitos, se as expectativas 
condizem com a realidade, perfil dacriança desejada, os motivos deste perfil, o que pensam da 
paternidade, maternidade e educação e a motivação verdadeira (inconsciente) que leva o 
requerente a pleitear a adoção. 
Ao decorrer do trabalho, abordamos a avaliação psicossocial no Contexto da adoção, 
onde a avaliação do psicólogo é uma etapa obrigatória e relevante no processo de cadastro, 
tendo em vista que é o momento onde serão avaliadas as condições socioeconômicas, culturais 
e subjetivas dos pretendentes. Com isso, o objetivo do trabalho foi demostrar que a avalição 
pela equipe interdisciplinar judiciária dos pretendentes à adoção, é regida pelo Estatuto da 
Criança e do Adolescente, onde tem por finalidade abranger a propostas dos significados da 
relação afetiva aos pretendentes e família. 
Portanto, foi esclarecido questões do ponto de vista psicológico, sobre a família e a sua 
função na adoção. Através deste estudo se objetivou ter uma visão mais clara sobre o processo 
de adoção. Além de proporcionar aprendizado e conhecimentos necessários para a formação do 
psicólogo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ANTONIO, Joaquim, 1941. Metodologia do trabalho Científico. 23. ed. ver. Atualizada. São 
Paulo: Cortez, 2007. 
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil, Brasília, DF: 
Senado, 1988. 
BRASIL. Cadastro Nacional de Adoção do Conselho Nacional de Justiça. CNJ, Brasília, DF, 
2017. 
BOWLBY, John. Apego e perda: Apego, a natureza do vínculo. V.1, 2ª ed. São Paulo: Martins 
Fontes, 1990. 
 
DOLTO, Françoise. Reflexões sobre a adoção. In DOLTO, Françoise. Os caminhos da 
educação. São Paulo: Martins Fontes, 1998. 
 
FALCÃO, Débora Lima Marinho. Devolução de crianças adotadas. A reedição do abandono e 
o sistema legal de proteção da crianças, e caso de devolução. (22-setembro-2017) 
GONÇALVES, Camila Salles; WOLFF, José Roberto; ALMEIDA, Wilson Castello de. Lições 
de psicodrama: introdução ao pensamento de J. L. Moreno. 6ª edição. São Paulo: Editora Ágora, 
1998, 110 p. 
 
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. 9. ed. vol. 6. São Paulo (SP): Saraiva, 
2012. 
 
RIZZINI, Irene, Irma. A institucionalização de crianças no Brasil: percurso histórico e desafios 
do presente – Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio; São Paulo: Loyola, 2004 
SEQUEIRA, V. C., & Stella, C. (2014). Preparação para a adoção: grupo de apoio para 
candidatos. Revista Psicologia: Teoria e Prática, 1 (16), 69-78. 
SCHETTINI FILHO, Luiz. Pedagogia da adoção: criando e educando filhos adotivos. 
Petrópolis, RJ: Vozes, 2009-12-14 SEVERINO. 
SANTOS, Natércia Poinho Ferreira. Possibilidades de Satisfação na Adoção. Psicologia: Teoria 
e Pesquisa, V.04, n.02, 1988. 
 
SILVA, Enid Rocha Andrade da. O direito à convivência familiar comunitária: abrigos para 
crianças e adolescentes no Brasil. Brasília: IPEA/CONANDA, 2004. 109 
 
SILVA, Roberto da. Os filhos do governo. A formação da identidade criminosa em crianças 
órfãs e abandonadas. São Paulo: Ática, 1997. 
SPITZ, René. O primeiro ano de vida: um estudo psicanalítico do desenvolvimento normal e 
anômalo das relações objetais. 2ª edição brasileira. São Paulo: Martins Fontes, 1979. 
16 
 
 
TAYLOR, Frederick Winslow. Princípios de administração científica. Tradução de Arlindo 
Vieira Ramos. 8ª edição. São Paulo: Editora Atlas, 1990, 109 p. 
 
WEBER, Lídia Natália Dobrianskyj. Laços de Ternura: pesquisa e histórias de adoção. 
Curitiba: Santa Mônica,1998. 
 
WEBER, Lídia Natália Dobrianskyj. Pais e filhos por adoção no Brasil: características, 
expectativas e sentimentos. Curitiba: Juruá, 2001.

Mais conteúdos dessa disciplina