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Lesões causadas por irritativos crônicos Obs.: Grupo de lesões mais recorrentes na clínica HIPERPLASIA FIBROSA INFLAMATÓRIA É uma hiperplasia do tecido conjuntivo fibroso, em decorrência de traumas mecânicos crônicos locais, sendo que a grande maioria se deve ao fato dos pacientes apresentarem próteses mal adaptadas. Essa lesão é benigna. Fator: bordas de uma prótese total ou parcial mal adaptada. Sinonímia: epúlide (aumento de tecido exclusivo da gengiva e do rebordo alveolar) por dentadura; tumor por lesão de dentadura. Características clínicas: - única ou múltiplas pregas de tecido hiperplásico no vestíbulo alveolar; - geralmente duas pregas de tecido, e a borda da prótese adapta-se dentro da fissura entre as pregas; - essa prega é firme e fibrosa, que pode vir a ser eritematoso e ulcerado; - é uma lesão comum em pessoas de meia idade e idoso; Obs 1) pode ser em formato de nódulos também; Obs 2) o surgimento pode ocorrer decorrente da sucção da mucosa do palato, como uma adaptação do aparelho protético pelo organismo; Características histopatológicas: - Hiperplasia de tecido conjuntivo fibroso, com número elevado de fibras colágenas - Pregas de tecido conjuntivo - Epitélio pavimentoso estratificado, geralmente hiperparaceratótico - Hiperplasia irregular das cristas epiteliais - Infiltrado inflamatório crônico Obs 3) A HFI pode estar relacionada a infecções fúngicas, devido ao uso inadequado de próteses. PÓLIPO FIBROEPITELIAL Características clínicas: - Menos comum; - Massa plana achatada, rósea, inserida no palato por um estreito pedículo; - A consistência pode ser macia e edematosa, até firme e elástica, aparecendo em qualquer lugar da mucosa oral e orofaringe (mais comum na gengiva); - As lesões são elevadas, freqüentemente pedunculadas ou sésseis e bem circunscritas, recobertas por mucosa normal, sendo normalmente assintomáticas; - É facilmente levantada com uma sonda, o que demonstra a sua natureza pedunculada. Bordas: são recortadas lembrando o formato de folha. Localização: no palato duro abaixo de uma prótese superior Tratamento: Obs.: esse tratamento é válido para o pólipo epitelial e hiperplasia fibrosa inflamatória - Remoção cirúrgica por biópsia excisional (retirada de toda a lesão); - Nova prótese ou reembasamento* da prótese antiga - eliminação do agente traumático; * Reembasamento: uma manobra que visa readaptar a base da prótese ao rebordo por meio da adição de uma camada de material compatível à superfície interna da prótese. Este procedimento pode ser direto, quando realizado no consultório, ou indireto quando confeccionado em laboratório protético. - Enviar a amostra para o exame histopatológico; - Orientação para remoção noturna da prótese e correta higienização* * Higienização da prótese: Escovação com escova protética (específica para não danificar o material da prótese) água e sabão neutro na PT ou PPR, em seguida fazer uma nova escovação com escova de dentes utilizando pasta de dente, a fim de dar um sabor e contribuir para o bom hálito. Para a PT ainda pode-se deixar durante o período noturno, ela mergulhada em uma solução de hipoclorito de sódio (água sanitária), um copo de água para uma colher do produto. Importante não fazer esse processo com a PPR devido ao risco de corrosão do material metálico. PAPILOMATOSE POR DENTADURA Crescimento tecidual reacional, que usualmente desenvolve-se abaixo de uma prótese. Localizada exclusivamente na região do palato. Patogênese: má adaptação, má higienização e uso diário da prótese. Obs.: Raramente pode ocorrer em palato sem o uso de prótese, esses casos raros são os respiradores bucais crônicos ou têm uma abóbada palatina alta. A boca seca gera fissuras nos tecidos, desencadeando uma resposta inflamatório. A hiperplasia papilar palatina associada a cândida também é relatada nos pacientes dentados com infecção pelo HIV. Características clínicas: - Localizada no início, restringe-se a abóbada (área mais côncava) palatina; - Em estágios avançados pode atingir toda a superfície do palato duro; - A lesão possui lobulações e projeções superficiais rombas, cor avermelhada ou rósea; - Assintomática, mucosa eritematosa, superfície papilar ou pedregosa; sensação de queimação. Tratamento: - Lesões iniciais: remoção da dentadura + terapia antifúngica tópica ou sistêmica; - Lesões avançadas e colagenizadas: excisão do tecido hiperplásico antes da confecção da nova prótese. Todos pacientes devem receber orientação para remoção noturna da prótese e a sua correta higienização. LINHA ALBA Etiologia: pressão, irritação por fricção ou trauma por sucção da mucosa entre as superfícies vestibulares dos dentes. Pode surgir também junto com o aparecimento do terceiro molar. Vale ressaltar que a linha alba não é um processo patológico, mas sim uma alteração da normalidade. Nenhum outro problema associado, como a sobreposição horizontal insuficiente ou restaurações imperfeitas dos dentes, é necessário para o desenvolvimento da linha alba. Características clínicas: - Linha branca - Geralmente bilateral e pode ser franzida - Varia em proeminência e é restrita a áreas dentada - É mais pronunciada em área adjacente aos dentes posteriores. Localização: exclusiva da mucosa jugal que coincide com a linha de oclusão dos dentes adjacentes. Características histopatológicas: - Biópsia raramente é indicada; - Hiperortoqueratose recobrindo a mucosa oral normal; - Edema intracelular do epitélio; - Inflamação crônica leve no tecido conjuntivo subjacente; Diagnóstico diferencial: Ceratose friccional Tratamento: - Não é necessário nenhum tratamento; - Pode ocorrer regressão espontânea; CERATOSE FRICCIONAL É uma lesão branca provocada por atrito ou fricção crônica contra uma superfície da mucosa oral. Isso resulta em uma lesão branca hiperqueratótica análoga a um calo na pele. Irritação mecânica crônica produzuma lesão branca com superfície ceratótica rugosa. Localização: Pode ocorrer em qualquer lugar, em regiões comumente sujeitas a trauma, tais como lábios, borda da língua, mucosa jugal na altura da linha de oclusão e rebordos alveolares edêntulos não apenas na mucosa jugal na linha de oclusão e é isto que irá diferenciar da linha alba. Etiologia: uso do aparelho ortodôntico; restaurações deficientes. Diagnóstico diferencial: Leucoplasia Tratamento: não é necessário nenhum tratamento muito específico, apenas a remoção do agente causador do trauma ou a criação de uma barreira física entre ele e a mucosa. Obs.: As queratoses desse tipo são prontamente reversíveis após a eliminação do trauma, e lesões obviamente traumáticas, como linha branca e morsicario e a "abrasão" gengival por escova de dentes nunca tiveram uma transformação em malignidade documentada. Logo, uma placa branca não-específica, induzida por trauma, deve ser diagnosticada como queratose friccional e diferenciada do grupo de pré-cânceres orais. QUEILITE EXFOLIATIVA Produção crônica excessiva de ceratina com posterior descamação. Caracterizada por fissura e descamação persistente da borda vermelha da boca, normalmente envolvendo ambos os lábios. Característica clínica: descamação da ceratina superficial. Etiologia: injúrias crônicas com os hábitos de lamber, morder ou sugar os lábios. É uma lesão potencialmente maligna. MORSICATIO BUCCARUM (mastigação crônica da bochecha) Mordiscadas crônicas produzem lesões localizadas mais frequentemente na mucosa jugal, mas a mucosa labial (morsicatio labiorum) e o bordo lateral da língua (morsica linguarum) também podem estar envolvidos. . Frequentemente é encontrado em indivíduos estressados ou com alterações psicológicas. Diagnóstico: apenas a apresentação clínica é o suficiente; raramente a biópsia é indicada. * Em pacientes de alto risco para a infecção pelo HIV, apresentando envolvimento isolado de borda de língua, é indicado a realização da biópsia e análise histopatológica para descarte da possibilidade. Diagnóstico diferencial: leucoplasia pilosa oral, linha de oclusão e leucoderma. Localização: a mucosa alterada localiza-se tipicamente na porção média da mucosa jugal anterior, ao longo do plano oclusal. Lesões maiores podem estender-se um pouco para cima ou para baixo do plano oclusal, nos pacientes cujos hábitos envolvem empurrar a bochecha entre os dentes com um dedo. Características clínicas: - Localização bilateral na mucosa jugal ou unilaterais combinados com lesões dos lábios ou da língua ou isoladas nos lábios ou língua; - Áreas brancas espessadas e fragmentadas, ocasionalmente com zonas de eritema, erosão ou ulceração traumática focal; - Superfície irregular e dilacerada e o paciente pode descrever que é capaz de remover fragmentos de material branco da área envolvida. Características histopatológicas: - Hiperparaqueratose; - Superfície extremamente dilacerada com inúmeras projeções de queratina; - Colonização bacteriana superficial é típica - Ocasionalmente, grupos de células vacuolizadas estão presentes na porção superficial da camada celular espinhosa. Tal padrão histopatológico não é patognomônico de morsicatio. Tratamento: - Não é necessário nenhum tratamento; - Para os pacientes que desejarem tratamento, uma proteção acrílica, que cobre as superfícies vestibulares dos dentes, pode ser confeccionada, a fim de eliminar as lesões, por restringir o acesso à mucosa jugal e labial; - Dificilmente desenvolve-se complicações devido a presença de alterações na mucosa. GRANULOMA PIOGÊNICO Crescimento nodular, comum na cavidade oral e possui natureza não neoplásica. Originalmente pensava-se que a lesão fosse causada por microrganismos piogênicos, mas agora se acredita que não esteja relacionada a infecção, e sim que representa uma resposta tecidual exuberante a uma irritação local ou trauma. Fatores de risco: má higienização (presença de biofilme, cálculo) ou traumas locais (colocar a unha na gengiva). Etiologia: ainda é desconhecida, tendo sido implicados fatores como trauma, infecções virais, úlceras crônicas e hormônios sexuais femininos. Diagnóstico diferencial: hemangioma; carcinoma metastático. Características clínicas: - Aumento do volume; - Massa plana ou lobulada, usualmente pedunculada, mas algumas lesões podem se apresentar sésseis; - Superfície ulcerada, variando de rosa a vermelho ou roxo (depende da idade da lesão); - Os granulomas piogênicos iniciais são altamente vascularizados. As lesões mais antigas tendem a se tornar mais colagenizadas e de coloração rósea; - Varia de tamanho - de milímetros a centímetros; - Podem apresentar crescimento rápido e indolor; - Fácil sangramento devido a friabilidade da superfície e a sua alta vascularização; - Comum em crianças e adultos jovens, do sexo feminino (devido a carga hormonal); - É comum em gestantes*, devido a alta carga de progesterona e estrogênio - hormônios desencadeadores da doença. * Quando ocorre em grávidas, chama-se granuloma ou tumor gravídico , tendo surgimento durante o primeiro trimestre da gestação. O ideal é esperar o bebê nascer para remoção da lesão, na maioria das vezes ela regride sozinha. Após a gravidez e normalização dos níveis hormonais, alguns destes granulomas piogênicos se resolvem sem tratamento ou sofrem maturação fibrosa e lembram um fibroma. - Possui predileção na gengiva, mais comum na gengiva superior na face vestibular na região anterior. Mas pode ocorrer em lábio, língua e mucosa jugal; - Irritação e inflamação gengival. Características histopatológicas: - Proliferação altamente vascular, que lembra o tecido de granulação; - Numerosos canais obliterados com células vermelhas do sangue; - Usualmente a superfície é ulcerada e substituída por uma membrana fibropurulenta; - Presença de infiltrado inflamatório (neutrófilos próximo à superfície ulceradas). Tratamento:- Excisão cirúrgica para exame histopatológico; - Lesões gengivais: excisão ao subperiósteo, raspagem dos dentes adjacentes; - Pode haver recidiva ocasional com um índice de recidiva maior durante a gravidez.