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UNINASSAU NÚCLEO DE HUMANIDADES CURSO DE DIREITO À ARTE PERSONALÍSSIMA DA TATUAGEM, DIREITO E DEVERES DO ARTISTA E DO CONSUMIDOR. TIAGO LIMA DO NASCIMENTO JOÃO PESSOA - PB JUNHO – 2020 Tiago lima do nascimento Á ARTE PERSONALÍSSIMA DA TATUAGEM, DIREITO E DEVERES DO ARTISTA E DO CONSUMIDOR. Projeto de pesquisa apresentado ao curso de Direito da UNINASSAU, unidade de João Pessoa, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Direito. Orientador: Prof. Me. Jonathas Barbosa Pereira Leite da Silva. João Pessoa – PB 2020 Dedico esta pesquisa a minha mãe Marcia Germano de Lima, bem como aos meus filhos Thiago Lima do Nascimento Filho e Yarley Ravi Lima Mariano, incentivadores e razão pela qual vivo. AGRADECIMENTOS Ao Senhor Deus, pois sem ele eu não estaria aqui. À minha família, que esteve presente me incentivando para que tivesse persistência para continuar e superar os desafios que foram surgindo neste período de aprendizado. Ao meu orientador Jonathas Barbosa Pereira Leite da Silva, que me auxiliou com seu conhecimento, a qual tive a satisfação de conviver durante esta fase de conhecimento. Aos meus colegas de turma que me apoiaram e ajudaram dentro das suas possibilidades para que eu atingisse o objetivo. RESUMO O presente estudo demonstra que a tatuagem está presente em todas as camadas sociais, independente de faixas etárias de idade. Contudo a tatuagem está relacionada ao prazer estético, ao interesse pela arte, a beleza corporal, mostrando e expressando sentimentos através da mesma, com fim de ser imortalizada. Será abordada a relação jurídica entre o fornecedor e o consumidor, bem como os princípios básicos do consumidor, os princípios constitucionais, a responsabilidade civil, diante da possibilidade de transgressão por um indivíduo, promovendo lesão ao interesse particular, produzindo danos protegidos nas esferas judiciais. Contudo o presente estudo tem por finalidade responder como se dar a relação entre consumidor e o tatuador? Quais os direitos e deveres de ambos? Como estabelecer dialogo amplo na relação bilateral contratual? Quais normas vigentes? Sendo alguns pontos aqui abordado. Portando é sabido que há obrigatoriedade de reparação de dano causado pelo profissional da tatuagem, tendo por obrigação de atender o cliente que possui seus direitos lesados, visando levar ao aperfeiçoamento do profissional, tentando dar maior segurança na relação prestador de serviço e consumidor, tentando estabelecer o diálogo sobre as consequências por eventuais danos ocasionados à sua saúde e ao seu psicológico. Palavras-chave: Direito do Consumidor, Proteção ao Consumidor, Responsabilidade Civil, Tatuagem. ABSTRACT The present study demonstrates that tattooing is present in all social strata, regardless of age groups. However, tattooing is related to aesthetic pleasure, interest in art, body beauty, showing and expressing feelings through it, in order to be immortalized. The legal relationship between the supplier and the consumer will be addressed, as well as the basic consumer principles, constitutional principles, civil liability, given the possibility of transgression by an individual, promoting injury to the private interest, producing protected damages in the judicial spheres. However, this study aims to answer how to give the relationship between the consumer and the tattoo artist? What are the rights and duties of both? How to establish a broad dialogue in the bilateral contractual relationship? What standards are in force? Some points are addressed here. Therefore, it is known that there is an obligation to repair damage caused by the tattoo professional, having the obligation to serve the client who has their injured rights, aiming at improving the professional, trying to provide greater security in the service provider and consumer relationship, trying to establish the dialogue about the consequences for any damage caused to your health and your psychological. Keywords: Consumer Law, Consumer Protection, Liability, Tattoo. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 8 2. HISTÓRIA DA TATUAGEM NO BRASIL ............................................................ 11 3.CONCEITO SOBRE CONSUMIDOR E FORNECEDOR ..................................... 13 3.1. RELAÇÃO JURÍDICA ....................................................................................... 14 3.2.RESPONSABILIDADES DO CONSUMIDOR.................................................... 15 3.2.1.RESPONSABILIDADE DO TATUADOR ......................................................... 17 3.2.2.RESPONSABILIDADE CIVIL DO TATUADOR ............................................... 18 3.2.3.O DANO NA RESPONSABILIDADE CIVIL DO TATUADOR .......................... 19 4.O FORNECIMENTO DO SERVIÇO DE TATUAGEM NO BRASIL ...................... 21 4.1.RESPONSABILIDADES DA CRIAÇÃO DE NOVOS ESTUDIOS, TECNICAS PROFISSIONAIS E INFORMAÇÕES ..................................................................... 23 4.1.1.REPONSABILIDADES DO FORNECEDOR E CONSUMIDOR NO RESULTADO FINAL E SEU LAPSO TEMPORAL ................................................... 25 5.CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 27 8 1. INTRODUÇÃO O presente trabalho transcreverá aspectos relevantes em relação ao Direito do Consumidor, ressaltando sua importância como proteção, visando encontrar soluções viáveis e alternativas para o conflito da relação de consumo de serviços prestados do tema. Tendo como objetivo analisar as responsabilidades do serviço prestado, consequentemente suas formas de reparação, utilizando o Código de Defesa do Consumidor e a Responsabilidade Civil para nortear o objeto de estudo. Bem como a utilização de histórico descritivo, documental e bibliográfico, utilizando como fonte de pesquisa referência bibliográficas consagradas no âmbito jurídico. Primeiramente é necessário entender o que de fato caracteriza o serviço prestado de tatuar alguém, para isso temos de conhecer o conceito da tatuagem, como ela se defini, de que modo é realizada, quem pode faze-la, que tipo de materiais poderá ser usado, qual local propício e adequado para prestação deste tipo de serviço, que tipo de profissional possa vim realiza-la, com o caracteriza a tradição no serviço prestado. Tatuar o corpo é um método de marcar a pele, por tradição, por afinidade religiosa, valores, ideias, vaidade, cobrir marcas irreversíveis na pele ou simplesmente por está inclinado a faze-las. Esse fenômeno atual e crescente, está presente nas sociedades desde os primórdios, com o desenvolvimento das civilizações, as tatuagens ganharam outros significados no Brasil, na população nativa, as pinturas corporais indígenas eram comuns, nos dias atuais a arte de tatuar vem se popularizando, todas as áreas de prestações de serviços passaram por avanços técnicos e tecnológicos, adaptando-se a realidade da sociedade, não seria diferente na arte dos desenhos permanentes do corpo, estando presente cada vez mais na sociedade, o mercado de tatuagem de acordo com um estudo do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) houve um aumento de 24,1% de novos estúdios no país em 2019, no Brasil temos mais de 15 (quinze) mil estúdios que disponibilizam este serviço para sociedade.1 Nessa relação de consumo desse tipo de serviço há poucos critérios, 1 SEBRAE.Estúdio de Tatuagem. Portal SEBRAE, 2019. Disponível em: <https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ideias/estudio-de- tatuagem,ed83251092cff610VgnVCM1000004c00210aRCRD>. Acesso em 01 jun 2020. 9 principalmente sobre o resultado final, caracterizado como um serviço de prestação estética. Assim como as cirurgias plásticas as marcas de pele feitas por tatuadores possuem uma grande evolução histórica na sociedade, no Brasil, com a popularização deste serviço personalíssimo, permite-se que qualquer cidadão que possua capacidade de fato, ou os relativamente incapazes com consentimento dos pais, podem contratar ou realizar o procedimento estético da tatuagem. O mercado de tatuagem está presente em todas as regiões do país, esse segmento encontrasse em constante crescimento, surgindo a cada vez, maiores números de clientes, artistas e estúdios. Hoje em dia, devido à circulação de informação pela televisão e por meios de comunicação como a internet, a tatuagem vem atingindo todas as camadas das populações brasileiras, sem distinções. A importância desse tema, explana nas dificuldades encontradas pelo Consumidor, sendo necessária a reparação dos danos causado pelos fornecedores de tal serviço, sendo eles, por vícios existentes no serviço prestado, podendo vim a ocorrer graves acidentes de consumo. Contudo, não são apenas aspectos positivos o crescimento deste nicho, variedade de estúdios, especialmente com o difícil controle de surgimento dos profissionais, o que, no entanto, segue sendo negligenciado pelo estado, faltando requisitos técnicos, fiscalização e avaliação dos efeitos da pigmentação sobre a derme. A população no impulso da inovação, irreverência, com seus traços, cores e símbolos, continuam conquistando novos adeptos à prática da arte no corpo e diante das facilidades ofertadas acabam se tornando vítimas de imperícias técnicas. Se considerarmos a conjuntura que permeiam a essência da tatuagem, é possível visualizar, que algumas pessoas, por motivos diversos, optam pela remoção do desenho em seu corpo, buscando métodos que podem trazer resultados satisfatórios ou não. Nem sempre a tentativa de remoção é o meio mais adequado. O simples fato de fazer uma tatuagem, o indivíduo passará a ter seu corpo marcado por toda sua vida, mesmo posteriormente escolhendo uma tentativa de remoção, há possibilidade do resultado final deixar algumas cicatrizes, e elas, de algum modo, farão parte do passado e memória da pessoa que algum dia se tatuou. Entretanto, há poucos estudos científicos sobre o tema, por exemplo, as causas do crescimento quantitativo dos estúdios de tatuagens, oferecendo inclusive piercing e outras formas de transformação corporal. Não existe um censo brasileiro para apontar quantas pessoas tem tatuagem no país, mas um estudo do Sebrae 10 identificou que o setor teve crescimento de 24,1% no número de estúdios regularizados, sendo esse índice apurado entre janeiro de 2016 e de 2017, quando passou de 9.151 para 11.380 negócios de tatuagens no país. Estima-se que ao longo de 2021, tenhamos um nicho com mais de 20.000 estúdios no segmento.2 Com o constante crescimento no mercado, combinado com o exponencial avanço em redes sociais e o seu acesso cada vez mais amplificado, tende-se a ser um nicho cada vez mais delituoso, pelos seus resultados finais. Não é plausível negar a dificuldade de proteção ao consumidor, em especial com o uso de redes sociais, com finalidade de criações atrativas. Assim, percebe-se a dimensão do alcance desse comércio no dia a dia da população brasileira. Portanto, se faz necessário a discussão acerca dos meios de proteção legal que possuem os consumidores de tal serviço, incluindo os artistas. Tendo isso, será abordado nesta monografia aspectos do Direito do Consumidor, fazendo desde uma conceituação, até os fatos que podem beneficiar na construção de uma relação de consumo saudável. Tendo como foco os diferentes tipos de caso, apresentando a legislação aplicável ao serviço de tatuagem e a atuação do poder judiciário como meio de sanar imperícias técnicas, demonstrando assim o desamparo existente. 2 SEBRAE. Estúdio de Tatuagem. Portal SEBRAE, 2019. Disponível em: <https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ideias/estudio-de- tatuagem,ed83251092cff610VgnVCM1000004c00210aRCRD>. Acesso em 01 jun 2020. 11 2. HISTÓRIA DA TATUAGEM NO BRASIL Início o presente trabalho estudando acerca da origem, história e evolução da tatuagem no Brasil, com o objeto principal de entendermos a tatuagem como um bem imaterial em nosso ordenamento jurídico. Sabendo-se que de fato a tatuagem sempre esteve presente em todo mundo, em todos os continentes, e que, sendo imensurável apurar ou indicar uma data do seu exato surgimento, mas podendo indicar que ela tem diferentes intenções, motivos, técnicas e resultados. A palavra tatuagem vem do termo em francês “tatouage”, sendo traduzida para o inglês como “tattoo”, como apreciador e conhecedor da arte o Capitão Britânico James Cook, famoso navegador, explorador e cartografo do século 17, espalha o termo “tatoo” para todos os marinheiros, portos e países, ficando mundialmente conhecido como “tatoo”, devido sua influência e conhecimentos de diversos povos e culturas.3 Com a descoberta do Brasil em 1500, é sabido que havia nativos na região, com idioma próprio, cultura, traços humanos diferentes dos europeus e pinturas corporais. Pinturas nas quais teriam mesmos traços, mais formas diferentes, dependendo da idade do indivíduo e influencia em sua tribo. (Jeha, 2019). 4 Então podemos afirmar que no Brasil, na época do seu próprio descobrimento, com a chegada dos portugueses, nasceria um país, mesmo sem saber, ou escolher, já estaria habituado a desenhos corporais. Em contrapartida os desenhos corporais eram de suma importância para navegadores europeus, sendo inclusive uma das características dos marinheiros, era prática comum para eles na época. Contudo nos deparamos com uma prática potencializada de desenhos no corpo, onde temos de um lado, navegadores tatuados desembarcando no Brasil e nativos pintados do outro lado, todos com um mesmo intuído e objetivo, apenas as técnicas e materiais utilizados eram diferentes. Sabendo-se que o Brasil nasce em meio de duas culturas que trás consigo a necessidade da expressão corporal enfatizada por desenhos permanentes, pularemos para o século XIX, onde se temos notícia do primeiro tatuador profissional 3 FERNANDES, C. História da Tatuagem. Disponível em: https://alunosonline.uol.com.br/historia/historia-tatuagem.html>. Acesso em: 02 jun 2020. 4 JEHA, S. Uma História de Tatuagem no Brasil. São Paulo, Editora Veneta, 2019. 12 no Brasil, chamado de Knud Harald Lucky Gegersen, sendo conhecido mundialmente como Lucky ou Mr. Tatoo, inclusive prestando serviços por forma de tradição, ou seja, fazia desenhos no corpo de clientes em troca de pecúnia. 5 Ana Maria Bahiana (2006, p. 39) menciona que: “Tatuagens eram difíceis de conseguir a não ser por quem, como o escritor e jornalista Joel Macedo, caia na estrada no roteiro internacional. No Brasil, o único tatuador em atividade era o dinamarquês Knud Harald Lucky Gegersen, o Lucky ou Mr. Tatoo, que trabalhava exclusivamente no Porto de Santos. A opção era mesmo pintar o rosto e corpo com o que estivesse a mão”.6 A profissionalização da tatuagem no Brasil, tem seu ponta pé inicial em 1959, com a abertura do primeiro estúdio de tatuagem no país, localizado em Santos, Lucky é o fundador do estúdio, o mesmo lança sua propaganda, que marca a época de uma atividade profissional no país, tendo os dizeres na entrada do estúdio “It’s not a saylor if he hasn’t a tattoo.”, ou seja, “Você não é um marinheiro se não tiver uma tatuagem”, sendo o único tatuador conhecido no país, Lucky presta serviços paratodas classes sociais, se tornando referência na época pela imprensa brasileira, contabilizando mais de 45.000 clientes tatuados.7 Ao tocante do olhar do direito, nos deparamos com a primeira relação de consumo de serviço estético de desenho corporal, sendo nitidamente caracterizado por existir publicidade, nesse caso a frase de Lucky na porta de entrada, o local para atendimento, a tradição e o artista com perícia técnica. Na década de 60 e 70, temos no Brasil o movimento Hippie, com o movimento, as tatuagens ganham espaço, surgindo novos profissionais, novos desenhos, estilos, pigmentos, estúdios, maquinas sofisticadas. Conquistando cada vez mais adeptos, mais espaço, em diversas tribos, classes sociais, povos, cultura e indivíduos com diversas faixa etária de idade, o segmento continua crescendo sem parar, até os dias atuais. 5 MORÉ, C. Lucky tattoo: 10 curiosidades sobre o primeiro tatuador profissional no brasil. FTC, 2015. Disponível em: <https://followthecolours.com.br/tattoo-friday/lucky-tattoo-10-curiosidades- sobre-o-primeiro-tatuador-profissional-no-brasil/>. Acesso em: 02 jun 2020. 6 Bahiana, A. Almanaque Anos 70. Editora Ediouro. São Paulo, 2006, p. 39. 7 MORÉ, C. Lucky tattoo: 10 curiosidades sobre o primeiro tatuador profissional no brasil. FTC, 2015. Disponível em: <https://followthecolours.com.br/tattoo-friday/lucky-tattoo-10-curiosidades- sobre-o-primeiro-tatuador-profissional-no-brasil/>. Acesso em: 02 jun 2020. 13 3. CONCEITO SOBRE CONSUMIDOR E FORNECEDOR O Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.079/90), especificamente em seu artigo 2º, estabelece o conceito de consumidor: Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final.8 O Código de Defesa do Consumidor tem como alvo principal o equilíbrio na relação de consumo, demonstrando que há diferenças entre consumidor e fornecedor, assim caracterizando o consumidor como parte mais sensível nesta relação. Bem como também, o fornecedor no seu artigo 3°: Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.9 A principal característica de um fornecedor é a habitualidade de suas atividades, ofertando no comércio de consumo, seus produtos ou serviços, tendo como foco principal o lucro, visando a entrada de receita para aumento do seu capital. Porém existe entidades filantrópicas, que tem pelo principal conceito visar a prestação de serviços a sociedade, sem fins lucrativos, apenas garantindo seu próprio sustento. 8 BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências Art. 2. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 02 jun 2020. 9 BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências, Art. 3. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 02 jun 2020. 14 3.1. Relação jurídica O Código de Defesa do consumidor somente é aplicável aos consumidores e fornecedores, direcionando sua tutela para o elo mais fraco da relação, ou seja, o consumidor. (CAVALIERI FILHO, 2011).10 O conceito da vulnerabilidade do consumidor traz a presunção que todo consumidor é vulnerável e por esse motivo se faz necessário proteção no âmbito jurídico especializado. Benjamin, Marques e Bessa (2012, p. 49), destaca que: “É um novo ramo do direito, disciplina transversal entre o direito privado e o direito público, que visa proteger um sujeito de direitos, o consumidor, em todas as suas relações jurídicas frente ao fornecedor, um profissional, empresário ou comerciante”.11 Seguindo o raciocínio, Sérgio Cavalieri Filho (2011, p. 57), conceitua “relação jurídica como toda relação social disciplinada pelo Direito”. Explicando a relação jurídica de consumo: “Está sujeita ao mesmo processo jurídico. As normas jurídicas de proteção do consumidor, nelas incluídos os princípios, incidem sempre que ocorrem, em qualquer área do direito, atos de consumo, assim entendidos o fornecimento de produtos, a prestação de serviços, os acidentes de consumo e os outros suportes fáticos, e fazem operar os efeitos jurídicos nelas previstos. O que particulariza essa relação jurídica é que os sujeitos serão sempre o consumidor e o fornecedor, e terá por objeto produtos ou serviços”.12 Com relação aos direitos básicos do consumidor, estes abrangem valores e preceitos fundamentais que jamais poderão ser desrespeitados, tendo em vista que são condições ínfimas para que seja respeitada a dignidade do consumidor (BESSA; MOURA, 2010).13 10 CAVALIERI FILHO, Sergio. Programa de Direito do Consumidor. Ed. 3. São Paulo. Editora Atlas, 2011. 11 BENJAMIN, MARQUES E BESSA. Manual do Direito do Consumidor. Ed. 4. São Paulo. Editora Revista dos Tribunais, 2012, p. 49. 12 CAVALIERI FILHO, Sergio. Programa de Direito do Consumidor. Ed. 3. São Paulo. Editora Atlas, 2011, p. 57. 13 BESSA. L.R.; MOURA. W. J. F. Manual do direito do consumidor. 3. ed. Brasília: SDE/DPDC, 2010. 15 O inc. VIII, do art. 6º, CDC, elenca uma importante ferramenta para os magistrados, que é a inversão do ônus da prova em favor do consumidor. A inversão poderá ser determinada pelo magistrado quando for verissímil a alegação ou quando ele for hipossuficiente. Destaca-se que o ônus da prova não pode ser invertido de forma a prejudicar o consumidor, por meio de contrato ou acordo, conforme determinação do art. 51, inc. VI, do CDC (BENJAMIN; MARQUES; BESSA, 2012).14 Orlando Celso da Silva Neto (2013, p. 140), explica que: Quando se tratar da inversão motivada por verossimilhança da alegação, o juiz deve observar a existência de indícios de que as alegações sejam verdadeiras, sua sequência lógica e sua plausibilidade. Diz-se que para que 33 a inversão possa ser concedida, o magistrado deve, a partir da prova indiciária já existente, presumir verdadeira a alegação (o fato ou parcela do fato, constitutivo do direito do consumidor. Se não houver qualquer indício que suporte a alegação, ela não poderá ser verossímil, porque, ainda que possível, não tenderá a semelhança da verdade.15 3.2. Responsabilidades do consumidor Conforme dispostos apresentados, é sabido que o consumidor encontra-se vulnerável na relação de consumo, muitas vezes fazendo escolhas sem ter a plena consciência, esses atos são potencializados, muitas vezes, por estratégias de marketing, que são utilizadas pelos fornecedores, que produzem necessidades de consumo que limitam o direito de livre escolha do consumidor, exemplo disso, seria uma publicidade de um desenho especifico, com valor promocional. Desenho no qual, fora escolhido pelo próprio tatuador, o individuo motivado pela publicidade, acaba adquirindo o serviço supracitado, sem pensar em consequências jurídicas que possa vim acarretar. Nesse caso, esbarra-se na questão do direito autoral do desenho, ofertado na publicidade do fornecedor, lembrando ser necessário patente de propriedade intelectual da arte. No entanto, o Código de Defesa do Consumidor não promove apenas a 14 BENJAMIN, MARQUES E BESSA. Manual do Direito do Consumidor. Ed. 4. São Paulo. Editora Revista dos Tribunais, 2012, p. 64. 15 SILVA NETO, Orlando Celso da. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. São Paulo. Editora Forense, 2013, p. 140, 16 vulnerabilidade econômica do consumidor, podendo também haver vulnerabilidade técnica e informacional. Nitidamente quanto maior a profundidade do assunto nesta seara, maior será a vulnerabilidade do consumidor, em outrora é demonstradaa fragilidade do indivíduo perante o fornecimento de um serviço no qual é visualizado apenas o resultado final. Contudo temos o consumidor integrando como parte sensível da relação de consumo, sendo vulnerável por não se conhecedor dos trâmites da execução do fornecimento do serviço, mais sendo possível elencar de fato responsabilidade ao consumidor. O Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90), no regime das relações contratuais, elenca norma específica impondo o respeito à boa-fé, na formação e na execução dos contratos de consumo. Confirmando o princípio da boa-fé como um princípio geral do direito brasileiro, demonstrado em seu artigo 4°, III, CDC: Harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. 170, da Constituição Federal), sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores.16 Ficando claro que o princípio da boa-fé rege a relação bilateral de consumo, teremos então classificado a responsabilidade do consumidor. Isso implica diretamente na relação de consumo, em que o indivíduo por iniciativa singular, escolhe a arte que será marcada em seu corpo, arte na qual há propriedade intelectual com patente, protegida por lei 9.279/199617. Sendo assim, exclusa a responsabilidade do fornecedor que executou o serviço, conforme pedido com decisão unilateral do consumidor. 16 BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Art. 4, III. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 02 jun 2020. 17 BRASIL, LEI Nº 9.279, DE 14 DE MAIO DE 1996. Regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9279.htm#:~:text=LEI%20Nº%209.279%2C%20DE%2014, obrigações%20relativos%20à%20propriedade%20industrial.&text=Art.,obrigações%20relativos%20à %20propriedade%20industrial.&text=5º%20Consideram- se%20bens%20móveis,os%20direitos%20de%20propriedade%20industrial>. Acesso em: 3 jun 2020. 17 3.2.1. Responsabilidade do tatuador De acordo com o artigo 3º do CDC, a relação cliente com tatuador, equipara- se a relação do prestador de serviço com consumidor, desta forma poderá ser plenamente aplicáveis as normas do CDC. Importante ressaltar que não incide, neste particular, a responsabilidade objetiva, mantendo-se a necessidade de comprovação da culpa. Com efeito, a responsabilidade pelo fornecimento de serviços por profissionais liberais, dentre os quais os tatuadores são caracterizados, necessitará apuração mediante a verificação de culpa, abrindo o § 4º do artigo 14, da Lei 8.078/90, uma exceção ao princípio da objetivação da responsabilidade civil. O Código de Defesa do Consumidor, lei 8.78/90, classifica com clareza a responsabilidade pelo fato do serviço, elencando a partir do artigo 14: O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. § 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: I - o modo de seu fornecimento; II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam; III - a época em que foi fornecido.. § 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa. 18 No artigo 14 do CDC, classifica sobre fato do serviço quando a falha atinge o patrimônio do consumidor ou sua integridade física, estética e moral: O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.19 18 BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Art. 14, § 1°, I, II, III. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 03 jun 2020. 19 BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras 18 Nos vícios de produtos e serviços, teremos o vício de qualidade, abordado no artigo 18, 20 e 21 do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90): Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas.20 O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos, conforme visualizamos no artigo do CDC, porém a responsabilidade pessoal dos profissionais liberais, onde os tatuadores se incluem, está elencada no § 4º do art. 14: A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa.21 3.2.2. RESPONSABILIDADE CIVIL DO TATUADOR A responsabilidade civil do tatuador, é classificada como responsabilidade civil profissional. Sendo ela, um conjunto de ações praticadas por um indivíduo dentro do exercício do seu ofício, caracterizando atividade autônoma, adentrando no âmbito da responsabilidade civil contratual. Na imersão de classificação do tipo de obrigação dos profissionais liberais, Maria Helena Diniz (Diniz, 2011, p. 309), afirma: providências. Art. 14. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 03 jun 2020. 20 BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Art. 18. 20 .21. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 03 jun 2020. 21 BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Art. 14, § 4º. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 03 jun 2020. 19 “Aos profissionais liberais se aplicam as noções de obrigação de meio e de resultado, que partem de um contrato. Logo não poderá deixar de ser contratual a responsabilidade decorrente de infração dessas obrigações”.22 Portando é sabido que a responsabilidade civil do tatuador depende de demonstração de culpa, sendo ela subjetiva, podendo haver negligência, imperícia ou imprudência. Para responsabilização do tatuador, será necessário a existência dos elementos da culpa. No Brasil a arte da tatuagem é considerada como obrigações de meio, não havendo uma garantia do resultado a ser alcançado, ou seja, caso o consumidor não fique satisfeito com o resultado obtido, caberá a ele demonstrar a culpa do profissional, implicando diretamente na inversão do ônus da prova. Então é classificada como obrigação de meio para o tatuador, tendo em seu dever profissional a efetivação de todas as medidas necessárias para realização do seu trabalho, não se obrigando a resultado positivo, devendo sempre atuar dentro da técnica, sob pena de responsabilização. Aspectos importantes da diferenciação entre a obrigação de meio e a obrigação de resultado, é justamente a inversão do ônus da prova.Perante a obrigação de resultado cabe ao tatuador comprovar ter alcançado o resultado final, diferentemente na obrigação meio, em regra, cabe ao cliente demonstrar culpa ou dolo. 3.2.3. O DANO NA RESPONSABILIDADE CIVIL DO TATUADOR Para falar em indenização é necessário que exista danos, sem eles é impossível preencher os requisitos essenciais que caracterizam a responsabilidade civil, neste sentido Sergio Cavalieri, (CAVALIERI FILHO, 2011, p. 71) amplifica: “Sem danos pode haver responsabilidade penal, mas não há responsabilidade civil. Indenização sem danos importaria enriquecimento ilícito; enriquecimento sem causa para quem a recebesse e pena para quem a pagasse, porquanto o objetivo da indenização, sabemos todos, é reparar o prejuízo sofrido pela vítima, reintegrá-la ao estado em que se encontrava antes da prática do ato ilícito. E, se a vítima não sofreu nenhum prejuízo, a 22 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. Ed. 26, São Paulo, Editora Saraiva, 2011, p. 309. 20 toda evidência, não haverá o que ressarcir. Daí a afirmação, comum a praticamente todos os autores, de que o dano é não somente o fato constitutivo, mas, também, determinante do dever de indenizar”.23 O dano é, pois, elemento essencial e indispensável à responsabilização do agente, seja essa obrigação originada de ato ilícito ou de inadimplemento contratual, independente, ainda, de se tratar de responsabilidade objetiva ou subjetiva. (STOCO, 2007, p. 128).24 O dano causador por ação delituosa do tatuador poderá ter efeito patrimonial, ou dano material, exemplo, caso das despesas com tratamento para retirar a tatuagem, perda decorrente de deformidade causada, que impossibilite o exercício de atividade laboral, bem como pode atingir a moral do indivíduo, como o sentimento de desprezo, estresse, depressão, angústia e traumas. Importante frisar sobre o momento que o consumidor efetuar uma reclamação, terá de provar que o erro cometido pelo profissional, levou o credor a sofrer eventual dano, assim, solicitando a reparação de dano. Contudo, apesar de reconhecer a responsabilidade e o dever de reparar em caso de tatuagens malfeitas e os danos advindos dela, será necessário a comprovação que o dano é resultado de culpa ou imperícia do tatuador. 23 CAVALIERI FILHO, Sergio. Programa de Direito do Consumidor. Ed. 3. São Paulo. Editora Atlas, 2011, p. 71. 24 STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil: doutrina e jurisprudência. Ed. 7, São Paulo Editora Revista dos Tribunais, 2007, p. 128. 21 4. O FORNECIMENTO DO SERVIÇO DE TATUAGEM NO BRASIL A prática de tatuagem é uma realização técnica de caráter estético, com o objetivo de pigmentar a pele através da introdução de substâncias corantes por meio de agulhas ou similares. O serviço de tatuagens encontra-se no seu ápice de lucros e uso, cada vez mais sendo atraído um maior número de consumidores estando ainda em crescimento constante. Segundo levantamento da empresa de consultoria “Dalia Research” o Brasil ocupa 9º lugar no ranking de nações com mais pessoas tatuadas, com 38% da população têm pelo menos uma tatuagem, no primeiro semestre de 2018 houve um aumento de 12% no faturamento, comparando o mesmo período de 2017.25 Em janeiro de 2019 a Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) estimou o crescimento de 25% para o mesmo ano, estima-se que atualmente o país conte com mais de 15 mil estúdios legalizados.26 Conforme já apresentado na presente pesquisa o uso do serviço de caráter estético pelos brasileiros ultrapassa os 30 milhões de pessoas, estando assim todos estes sujeitos a qualquer tipo de imperícia técnica, independentemente de sua natureza. É de suma importância que os estúdios devam utilizar apenas três marcas de tintas liberadas pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), por consequência, se faz necessário a fiscalização física, exemplo, existe vários tipos de tintas comercializados no mercado, sendo consideradas clandestinas. Não é de conhecimento de todos as três marcas de tintas que tem livre mercado pelo órgão fiscalizado.27 Constando o exponencial crescimento do ramo de tatuagens a ANVISA confecciona o Relatório Anual Denúncias em Serviços de Interesse Para a Saúde, 2019. O estudo consiste entre no recebimento de denúncias iniciando-se no ano de 2015, até 31/12/2019. Sendo classificadas 10 categorias, os serviços de tatuagem e piercing se mantém em segundo lugar, com 10,1%, das reclamações recebidas pelo órgão, sendo de maior o valor percentual, as reclamações de más práticas e falta de 25 DALIA RESEARCH. Who has the most tattoos?. Berlim. Disponível em: <https://daliaresearch.com/blog/who-has-the-most-tattoos/>. Acesso em 01 jun 2020. 26 SEBRAE. Estúdio de Tatuagem. Portal SEBRAE, 2019. Disponível em: <https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ideias/estudio-de- tatuagem,ed83251092cff610VgnVCM1000004c00210aRCRD>. Acesso em 01 jun 2020. 27 ANVISA. Conheça as tintas de tatuagem autorizadas. Portal ANIVSA, 2014. Disponível em: <http://portal.anvisa.gov.br/noticias/-/asset_publisher/FXrpx9qY7FbU/content/saiba-quais-sao-as-tintas-de- tatuagem-autorizadas-no-brasil/219201?inheritRedirect=false>. Acesso em: 04 jun 2020. 22 higiene.28 Os usuários que não tem conhecimento, certamente não saberão responder qual tipo de pigmento foi utilizado em sua arte, ou seja, além da sensação de insegurança, existe o risco real do resultado final não sair como desejado, até mesmo de saúde, o que amplifica substancialmente a necessidade de melhor dialogo acerca do serviço prestado, com orientação no intuito de causar prevenção aos riscos de saúde e resultado final. Atualmente nessa evolução de crescimento, os estúdios vem fornecendo diariamente novidades na área, estabelecendo cada vez mais diferentes tipos de relação de consumo que são escassa de regramento, mesmo considerando o caráter principiológico e prospectivo, ou seja, possui texto normativo abstrato que permite aplicação ao caso concreto não acompanha a real necessidade do consumidor e fornecedor moderno. Além do Código de Defesa do Consumidor existe em João Pessoa à Lei Municipal Nº 13758 de 14/05/2019,29 que visa regulamentar os procedimento de tatuagens, suprindo em tese, as lacunas do Código de Defesa do Consumidor, no entanto ainda esbarrasse na necessidade de atualização legislativa, uma vez que dificulta ainda mais o principio da segurança jurídica, permitindo diversas interpretações por parte dos tribunais. Dessa forma, a pesquisa tem por objetivo enriquecer o debate acerca da urgente necessidade de atualização legislativa no sentido de trazer mais proteção ao consumidor, o qual cada vez mais vem sendo “alvo fácil” de maus profissionais, ante a facilidade de se criar um estúdio sem que ocorra fiscalização acerca do seu funcionamento, ou ainda é possível que se realize fornecimento de serviços, sem ao menos ser identificado. O referido tema é ainda de suma importância social, visto que boa parte da sociedade se encontra em risco, acredita-se ainda que a conscientização acerca de fatores que permitam aumento de informação para os usuários dos seus direitos, poderá reduzir consideravelmente o número de 28 ANVISA. Referência técnica para o funcionamento dos serviços de tatuagem e piercing. Portal ANVISA, 2009. Disponível em: <https://repositorio.observatoriodocuidado.org/bitstream/handle/handle/2018/Referência%20técnica%20para%20 o%20funcionamento%20dos%20serviços%20de%20tatuagem%20e%20piercing.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 05 jun 2020. 29 João Pessoa. Lei nº 13758 DE 14/05/2019, Institui normas para instalação e funcionamento de estabelecimentos que executam procedimentos inerentes à prática de tatuagem e bodypiercing, e dá outras providências. Normasbrasil. 2019. Disponível em: < https://www.normasbrasil.com.br/norma/lei-13758-2019-joao-pessoa_377899.html>. Acessado em: 05 jun 2020. 23 consumidores insatisfeito no país. 4.1. RESPONSABILIDADES DA CRIAÇÃO DE NOVOS ESTUDIOS, TECNICAS PROFISSIONAIS E INFORMAÇÕES Não temos de fato uma legislação vigente de âmbito nacional que trata-se do assunto com profundidade, para dar ênfase nas possíveis relações dos serviços de pigmentação, contudo a ANVISA produz um manual em 2009 (Referência Técnica Para O Funcionamento Dos Serviços De Tatuagem E Piercing), servindo apenas de referência para que o os entes, estados, municípios e DF, possam legislar conforme preceitua o órgão. Apenas em 2019 é sancionada a lei 13755/19, que institui normas para instalação e funcionamento de estabelecimentos que executam procedimentos inerentes à prática de tatuagem e bodypiercing na cidade de João Pessoa. Equipamento e estrutura dos estúdios deverão seguir critérios, de acordo com a Lei municipal Nº 13758 de 14/05/2019. Ela traz as orientações para que o empreendedor se adeque a legislação vigente, assim evitando problemas. Importante ressaltar em artigo 6°: O tatuador ou piercer deverá informar, por escrito, mediante termo de ciência, os riscos que envolve o procedimento e os cuidados pós aplicação, além das dificuldades técnico-científicas que pode acarretar sua posterior remoção.30 O artigo enfatiza a responsabilidade do fornecedor em prestar informações necessárias para que o consumidor fique ciente sobre o que possa vim ocorrer durante a execução do serviço, bem como sua finalização. Na ótica do fornecedor do serviço de tatuagem, será primordial repassar as informações técnicas como: - tipo de pigmentação a ser utilizada, tom da pele na qual será realizado o serviço, tipo de material utilizado, demonstração dos perfurantes, agulhas, sendo eles materiais descartáveis utilizados na execução do serviço, devidamente lacrados. 30 João Pessoa. Lei nº 13758 DE 14/05/2019, Institui normas para instalação e funcionamento de estabelecimentos que executam procedimentos inerentes à prática de tatuagem e bodypiercing, e dá outras providências. Normasbrasil. 2019. Disponível em: < https://www.normasbrasil.com.br/norma/lei-13758-2019-joao- pessoa_377899.html>. Acessado em: 05 jun 2020. 24 Prestar informações sobre o possível resultado final, afim de esclarecimento, deixando o consumidor munido de informações sobre o serviço contratado. Contendo clareza normativa e de fácil compreensão a ANVISA esclarece com um manual o funcionamento dos estúdios em nosso país, fazendo com que este nicho tenha coordenadas para realização de suas atividades, de forma responsável e segura. Existe a necessidade do repasse das informações prestadas pelo fornecedor decorrente a contratação do serviço para que sejam claras e incisivas, afim que o consumidor esteja ciente e munido de informações sobre o tema, estando sabido o que a tatuagem possa vim ocasionar posteriormente, enfatizando sobre sua escolha, e que ela poderá acarretar dificuldades posteriores em âmbito social ou até mesmo psicológico. Assim vislumbra um entendimento com dialogo aberto entre fornecedor e consumidor, dando ao consumidor a possibilidade que existe técnicas para remoção da tatuagem, sendo possível que o consumidor em outrora poderá mudar seu conceito sobre o serviço contratado. A ANVISA enaltece e prima esse dialogo no artigo 4°, na Referência Técnica Para O Funcionamento Dos Serviços De Tatuagem E Piercing: O cliente deve ser orientado previamente, por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, Anexo I desta Resolução, de todos os riscos decorrentes da execução dos procedimentos.31 Portanto, a ANVISA e a lei municipal N°13758/19 esclarece a necessidade da confecção de um termo de ciência para que a relação bilateral entre consumidor e fornecedor estejam de acordo com todas nuances que rege o serviço prestado de tatuagem, onde sejam prestadas informações e expostas de forma física, palpável e signatária. 31 ANVISA. Referência técnica para o funcionamento dos serviços de tatuagem e piercing. Portal ANVISA, 2009. Disponível em: <https://repositorio.observatoriodocuidado.org/bitstream/handle/handle/2018/Referência%20técnica%20para%20 o%20funcionamento%20dos%20serviços%20de%20tatuagem%20e%20piercing.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 05 jun 2020. 25 4.1.1. REPONSABILIDADES DO FORNECEDOR E CONSUMIDOR NO RESULTADO FINAL E SEU LAPSO TEMPORAL Caracterizando a tatuagem como serviço de bem durável o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.079/90), abrange em seu artigo 26, II: O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em: II - Noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis.32 Nota-se que o artigo supracitado faz abordagem aos vícios aparentes, sendo de fácil percepção pelo consumidor. Neste caso, a lei dará ao consumidor, um prazo de 90 dias para os produtos e serviços duráveis. Este prazo é chamado de garantia legal, sendo o tempo em que o consumidor terá para exigir do fornecedor o reparo do vício constatado, o fornecedor estará obrigado ao cumprimento dos prazos assim estabelecidos. Reclamação originada por serviços de tatuagem, poderá perfeitamente ter seu enquadramento sobre a lei do artigo acima, sendo apenas aquelas por vícios ou imperícias técnicas de fácil percepção, a partir do termino da execução do serviço. Contudo quando ser aborda o serviço prestado de pigmentação da pele, será de sua lógica a complexidade para cada caso concreto, o resultado final do serviço não será apenas após o termino da arte feita pelo tatuador, a derme terá que aceitar a pigmentação, passando por um lapso temporal de inchaço e cicatrização, pois é realizado um procedimento com agulhas perfurantes, sendo necessário que esse lapso temporal de cicatrização finalize, para que de fato o consumidor possa obter o resultado final, para esse momento o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.079/90), abrange em seu artigo 26: § 3º Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar evidenciado o defeito.33 32 BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Art. 26, II. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 03 jun 2020. 33 BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Art. 26, § 3º. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 03 jun 2020. 26 Deve-se tratar a linha temporal da evolução de cicatrização como caso de vício oculto, aquele dificilmente visualizável, o consumidor terá o mesmo prazo de 90 dias, porém, esse prazo correrá a partir da constatação do defeito. Todavia se tratando de organismo biológico, deixa uma difícil compreensão em definir o lapso temporal de cicatrização do indivíduo, com início, meio e fim, cada organismo reage de forma diferente, contendo peculiaridades crônicas e singulares para cada consumidor. Portanto, também é dever considerar a responsabilidade do consumidor, sobre tratamento que deverá ocorrer no lapso temporal de cicatrização, devendo o consumidor seguir as recomendações pós-tatuagem, recomendações nas quais o profissional deverá elencar e informar ao seu cliente, visando garantir cicatrização eficiente, evitando infecções, dermatites e outros problemas causados por proliferação de bactérias. 27 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho teve como o objetivo a demonstração das responsabilidades entre consumidor e fornecedor no direito do consumidor, trazendo conceitos de forma resumida na evolução da tatuagem até os dias atuais. Após, foram apresentados os conceitos de consumidor e fornecedor, previstosno art. 2º e 3º do Código de Defesa do Consumidor e suas derivações. Sequencialmente houve explanação da regulamentação jurídica nas relações de consumo sobre serviços prestados. Sendo objeto de estudo os direitos do consumidor, que estão disciplinados no artigo 6º do CDC, dentre eles, saúde e segurança, direito de liberdade de escolha e de igualdade nas contratações, tendo com primazia a informação adequada e clara sobre o que difere o seu direito na relação contratual do serviço abordado ao longo desta pesquisa, trazendo ênfase a inversão do ônus da prova no caso em específico. Posteriormente foram apresentados os direitos de responsabilidades, por exemplo, a responsabilidade do consumidor, do fornecedor, a responsabilidade civil, e a possiblidade do direito a indenização, decorrente de imperícias técnicas, subtração de informações que deveriam ser explanadas no ato de contratação, portarias que devem ser seguidas, sendo elas emitidas pelos órgão regulamentador. Prosseguindo, foi abordado o objeto de estudo sobre a responsabilidade do resultado final e seu lapso temporal. Em um primeiro momento foi feita uma análise da evolução histórica da arte de tatuar, desde o seu surgimento até a atualidade. O que caracteriza uma tatuagem, possíveis motivos a faze-la, locais onde são realizadas. Os estúdios de tatuagem e seu crescimento alavancado. Ademais, o CDC assegura o direito de reparação e restituição no que se refere aos danos causados. Ainda, caso o consumidor seja vitima indevidamente por imperícia técnica, a esfera judicial é uníssona no sentido de entender que cabe indenização pelos prejuízos sofridos pela vítima. Respondendo solidariamente e subjetivamente o fornecedor da prestação de serviço. No que se refere a criação dos estúdios, foi criada uma resolução de referência em 2009 pela ANVISA que estabelece princípios, coordenadas, garantias e deveres para , como por exemplo, sobre a coleta, armazenamento de materiais, exigindo que seja o consumidor previamente informado, por termo de ciência de prestação de serviço ou termos de aplicação de uso, explicando o conteúdo da 28 permissão. Importante ressaltar que a proteção ao consumidor é assegurada por lei regional, quando se trata do tema tatuagem, pelo Código de Defesa do Consumidor, principalmente em seu artigo 43, prevendo também sanções administrativas, penais e civis. Da mesma forma, o Poder Judiciário tem importante missão na tutela dos serviços prestados, pois é o responsável pela aplicação do direito à reparação do consumidor lesado. Ou seja, existe legislação sobre a proteção ao consumidor, levando em consideração as leis regionais e jurisprudência sobre o tema, mas ainda não temos uma legislação específica, o que contribuiria para a efetiva proteção do consumidor. Percebe-se que a legislação não acompanhou o desenvolvimento progressivo da atuação da Arte de tatuar com a mesma rapidez, e a dificuldade de fiscalização destes estúdios, faz crescer a necessidade de proteção ao consumidor, que fica desamparado. Dessa maneira, uma das formas dos consumidores se prevenirem é, por exemplo, ir à procura de profissionais conceituados, obter informações que consubstanciam o serviço prestado, tendo ciência de fato do que está sendo atrelado vitaliciamente em seu corpo. O trabalho de pesquisa vislumbra a necessidade do serviço prestado, que precisa ser desenvolvida por profissional dotado de formação para tal atividade, sendo de relevância social, a criação de um órgão de classe, afim de profissionalizar a classe em questão. A tatuagem se encontra presente em todas as camadas sociais, possuindo uma ampla incorporação, estando relacionada a qualquer grupo etário de idade. Desse modo, a reparação de dano causado pelo estúdio de tatuagem, ou profissional denominado como tatuador, possui um caráter de abranger, não somente ao consumidor que possui seus direitos subtraídos, mas à toda sociedade, afim de levar ao aperfeiçoamento do profissional, desta forma trará maior segurança ao consumidor que contrata o serviço. Contudo é necessário que o tatuador deva ter ciência das consequências por eventuais danos ocasionados a saúde do cliente ou até mesmo ao psicológico, podendo acarretar complicações administrativas, até mesmo judiciais. É sabido que a tatuagem pode ser considerada uma verdadeira moda contemporânea na sociedade brasileira, onde muitos indivíduos agem pela impulsividade, devendo o serviço ser considerado um procedimento à parte, até mesmo pelas suas peculiaridades e subjetividades, devendo inclusive comportar a 29 inversão do ônus da prova, nos termos do CDC, para que seja possível a obtenção de indenização por erro de procedimento. Contudo, a ausência de legislação efetiva, nos traz lagunas que precisam ser suprimidas, afim de garantir o preceito legal da boa-fé, sendo necessário a criação de órgão regulamentador da classe profissional, a fomentação de reconhecimento de cursos técnicos educacionais para formação adequada da classe, fiscalização efetiva para as estruturas físicas, fiscalização efetiva para os materiais assim utilizados por esses profissionais, fiscalização afim de garantir as leis regionais de cunho municipal, onde se destaca o acesso da ampla informação do procedimento ao consumidor. A eventualidade do lapso temporal aqui destacada, sobre o resultado final, é um dos gargalos para que a relação bilateral inicie uma lide, ficando implícito de fato de quem seria a responsabilidade efetiva do vício oculto que se apresenta pós- tatuagem. Para sanar tal possível contrariedade das partes, é necessário que o consumidor tenha posteriormente um ou dois encontros físicos com o tatuador, onde o mesmo poderá verificar se as recomendações pós-tatuagem estão sendo realizadas de fato pelo cliente, trazendo maior segurança jurídica na relação contratual para ambas partes. Caso o profissional constate algum problema de saúde na região pigmentada, deverá o mesmo aconselhar a ida do cliente a um profissional de saúde adequado. Todas informações deverão ser relatadas no formulário do cliente, desde o tipo de desenho realizado, o termo de ciência, o material utilizado, o profissional que realizou o procedimento, a(s) visita(s) pós- tatuagem. Os dados analíticos explanados pela ANVISA no Relatório Anual Denúncias em Serviços de Interesse Para a Saúde, 2019. Mostra o crescimento do descontentamento em relação aos consumidores, importante frisar que tais dados, trazem apenas as demandas relacionadas a reclamações administrativas, faltando, porém, agregar demandas de âmbito judicial, números nos quais, elevariam a necessidade de segurança jurisdicional ao consumidor, relacionado ao nicho de tal atividade. Portanto se faz necessário a inclusão de uma legislação efetiva e moderna, que consiga abranger com profundidade o serviços estéticos de tatuagem, com intuito persona de abarcar nuances efetivas da atividade e responsabilidades aqui expostas, o estudo também demonstra que o resultado final não é apenas de 30 responsabilidade unilateral, sendo necessário que ambas partes cumpram seu dever signatário no contrato de serviço, chegando a conclusão da finalidade da tradição. O ordenamento jurídico precisa abraçar e reconhecer tal lacuna, assim, será possível que a prática de tatuar se torne mais comum, segura, e sua ascensão continua, prossiga, mas de forma coesa, com inclusão da prática na esfera normativa, demonstrando sua importância econômica para a sociedade, respeitando uma herança cultural, multietárias. 31 REFERÊNCIAS ANVISA. Conheça as tintas de tatuagem autorizadas. Portal ANIVSA, 2014. Disponível em: <http://portal.anvisa.gov.br/noticias/- /asset_publisher/FXrpx9qY7FbU/content/saiba-quais-sao-as-tintas-de-tatuagem- autorizadas-no-brasil/219201?inheritRedirect=false>.Acesso em: 04 jun 2020. ANVISA. Referência técnica para o funcionamento dos serviços de tatuagem e piercing. Portal ANVISA, 2009. Disponível em: <https://repositorio.observatoriodocuidado.org/bitstream/handle/handle/2018/Referên cia%20técnica%20para%20o%20funcionamento%20dos%20serviços%20de%20tatu agem%20e%20piercing.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 05 jun 2020. Bahiana, A. 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Acesso em: 02 jun 2020. BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Art. 14, § 1°, I, II, III. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 03 jun 2020. BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Art. 14. Disponível em: 32 <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 03 jun 2020. BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Art. 18. 20 .21. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 03 jun 2020. BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Art. 14, § 4º. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 03 jun 2020. BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. 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