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UNINASSAU 
NÚCLEO DE HUMANIDADES 
CURSO DE DIREITO 
 
 
 
 
À ARTE PERSONALÍSSIMA DA TATUAGEM, DIREITO E DEVERES DO 
ARTISTA E DO CONSUMIDOR. 
 
 
 
 
 
 TIAGO LIMA DO NASCIMENTO 
 
 
 
 
 
 
 
 
JOÃO PESSOA - PB 
JUNHO – 2020 
 
 
Tiago lima do nascimento 
 
 
 
 
 
 
Á ARTE PERSONALÍSSIMA DA TATUAGEM, DIREITO E DEVERES DO ARTISTA E DO 
CONSUMIDOR. 
 
 
 
Projeto de pesquisa apresentado ao curso de Direito da 
UNINASSAU, unidade de João Pessoa, como requisito 
parcial à obtenção do título de Bacharel em Direito. 
 
 
Orientador: Prof. Me. Jonathas Barbosa Pereira Leite da 
Silva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
João Pessoa – PB 
2020 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico esta pesquisa a minha mãe Marcia 
Germano de Lima, bem como aos meus filhos Thiago 
Lima do Nascimento Filho e Yarley Ravi Lima Mariano, 
incentivadores e razão pela qual vivo. 
AGRADECIMENTOS 
 
 
 
Ao Senhor Deus, pois sem ele eu não estaria aqui. 
À minha família, que esteve presente me incentivando para que tivesse 
persistência para continuar e superar os desafios que foram surgindo neste período 
de aprendizado. 
Ao meu orientador Jonathas Barbosa Pereira Leite da Silva, que me auxiliou com 
seu conhecimento, a qual tive a satisfação de conviver durante esta fase de 
conhecimento. 
Aos meus colegas de turma que me apoiaram e ajudaram dentro das suas 
possibilidades para que eu atingisse o objetivo. 
RESUMO 
 
 
O presente estudo demonstra que a tatuagem está presente em todas as camadas 
sociais, independente de faixas etárias de idade. Contudo a tatuagem está relacionada ao 
prazer estético, ao interesse pela arte, a beleza corporal, mostrando e expressando 
sentimentos através da mesma, com fim de ser imortalizada. Será abordada a relação 
jurídica entre o fornecedor e o consumidor, bem como os princípios básicos do 
consumidor, os princípios constitucionais, a responsabilidade civil, diante da possibilidade 
de transgressão por um indivíduo, promovendo lesão ao interesse particular, produzindo 
danos protegidos nas esferas judiciais. Contudo o presente estudo tem por finalidade 
responder como se dar a relação entre consumidor e o tatuador? Quais os direitos e 
deveres de ambos? Como estabelecer dialogo amplo na relação bilateral contratual? 
Quais normas vigentes? Sendo alguns pontos aqui abordado. Portando é sabido que há 
obrigatoriedade de reparação de dano causado pelo profissional da tatuagem, tendo por 
obrigação de atender o cliente que possui seus direitos lesados, visando levar ao 
aperfeiçoamento do profissional, tentando dar maior segurança na relação prestador de 
serviço e consumidor, tentando estabelecer o diálogo sobre as consequências por 
eventuais danos ocasionados à sua saúde e ao seu psicológico. 
 
 
 
Palavras-chave: Direito do Consumidor, Proteção ao Consumidor, Responsabilidade Civil, 
Tatuagem. 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
The present study demonstrates that tattooing is present in all social strata, 
regardless of age groups. However, tattooing is related to aesthetic pleasure, interest in art, 
body beauty, showing and expressing feelings through it, in order to be immortalized. The 
legal relationship between the supplier and the consumer will be addressed, as well as the 
basic consumer principles, constitutional principles, civil liability, given the possibility of 
transgression by an individual, promoting injury to the private interest, producing protected 
damages in the judicial spheres. However, this study aims to answer how to give the 
relationship between the consumer and the tattoo artist? What are the rights and duties of 
both? How to establish a broad dialogue in the bilateral contractual relationship? What 
standards are in force? Some points are addressed here. Therefore, it is known that there 
is an obligation to repair damage caused by the tattoo professional, having the obligation 
to serve the client who has their injured rights, aiming at improving the professional, trying 
to provide greater security in the service provider and consumer relationship, trying to 
establish the dialogue about the consequences for any damage caused to your health and 
your psychological. 
 
 
Keywords: Consumer Law, Consumer Protection, Liability, Tattoo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 8 
 
2. HISTÓRIA DA TATUAGEM NO BRASIL ............................................................ 11 
 
3.CONCEITO SOBRE CONSUMIDOR E FORNECEDOR ..................................... 13 
3.1. RELAÇÃO JURÍDICA ....................................................................................... 14 
3.2.RESPONSABILIDADES DO CONSUMIDOR.................................................... 15 
3.2.1.RESPONSABILIDADE DO TATUADOR ......................................................... 17 
3.2.2.RESPONSABILIDADE CIVIL DO TATUADOR ............................................... 18 
3.2.3.O DANO NA RESPONSABILIDADE CIVIL DO TATUADOR .......................... 19 
 
4.O FORNECIMENTO DO SERVIÇO DE TATUAGEM NO BRASIL ...................... 21 
4.1.RESPONSABILIDADES DA CRIAÇÃO DE NOVOS ESTUDIOS, TECNICAS 
PROFISSIONAIS E INFORMAÇÕES ..................................................................... 23 
4.1.1.REPONSABILIDADES DO FORNECEDOR E CONSUMIDOR NO 
RESULTADO FINAL E SEU LAPSO TEMPORAL ................................................... 25 
 
5.CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 27 
 
 
 
8 
 
1. INTRODUÇÃO 
O presente trabalho transcreverá aspectos relevantes em relação ao Direito 
do Consumidor, ressaltando sua importância como proteção, visando encontrar 
soluções viáveis e alternativas para o conflito da relação de consumo de serviços 
prestados do tema. Tendo como objetivo analisar as responsabilidades do serviço 
prestado, consequentemente suas formas de reparação, utilizando o Código de 
Defesa do Consumidor e a Responsabilidade Civil para nortear o objeto de estudo. 
Bem como a utilização de histórico descritivo, documental e bibliográfico, utilizando 
como fonte de pesquisa referência bibliográficas consagradas no âmbito jurídico. 
Primeiramente é necessário entender o que de fato caracteriza o serviço 
prestado de tatuar alguém, para isso temos de conhecer o conceito da tatuagem, 
como ela se defini, de que modo é realizada, quem pode faze-la, que tipo de 
materiais poderá ser usado, qual local propício e adequado para prestação deste 
tipo de serviço, que tipo de profissional possa vim realiza-la, com o caracteriza a 
tradição no serviço prestado. 
Tatuar o corpo é um método de marcar a pele, por tradição, por afinidade 
religiosa, valores, ideias, vaidade, cobrir marcas irreversíveis na pele ou 
simplesmente por está inclinado a faze-las. Esse fenômeno atual e crescente, está 
presente nas sociedades desde os primórdios, com o desenvolvimento das 
civilizações, as tatuagens ganharam outros significados no Brasil, na população 
nativa, as pinturas corporais indígenas eram comuns, nos dias atuais a arte de tatuar 
vem se popularizando, todas as áreas de prestações de serviços passaram por 
avanços técnicos e tecnológicos, adaptando-se a realidade da sociedade, não seria 
diferente na arte dos desenhos permanentes do corpo, estando presente cada vez 
mais na sociedade, o mercado de tatuagem de acordo com um estudo do Sebrae 
(Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) houve um aumento de 
24,1% de novos estúdios no país em 2019, no Brasil temos mais de 15 (quinze) mil 
estúdios que disponibilizam este serviço para sociedade.1 
Nessa relação de consumo desse tipo de serviço há poucos critérios, 
 
1 SEBRAE.Estúdio de Tatuagem. Portal SEBRAE, 2019. Disponível em: 
<https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ideias/estudio-de-
tatuagem,ed83251092cff610VgnVCM1000004c00210aRCRD>. Acesso em 01 jun 2020. 
9 
 
principalmente sobre o resultado final, caracterizado como um serviço de prestação 
estética. Assim como as cirurgias plásticas as marcas de pele feitas por tatuadores 
possuem uma grande evolução histórica na sociedade, no Brasil, com a 
popularização deste serviço personalíssimo, permite-se que qualquer cidadão que 
possua capacidade de fato, ou os relativamente incapazes com consentimento dos 
pais, podem contratar ou realizar o procedimento estético da tatuagem. 
O mercado de tatuagem está presente em todas as regiões do país, esse 
segmento encontrasse em constante crescimento, surgindo a cada vez, maiores 
números de clientes, artistas e estúdios. Hoje em dia, devido à circulação de 
informação pela televisão e por meios de comunicação como a internet, a tatuagem 
vem atingindo todas as camadas das populações brasileiras, sem distinções. A 
importância desse tema, explana nas dificuldades encontradas pelo Consumidor, 
sendo necessária a reparação dos danos causado pelos fornecedores de tal serviço, 
sendo eles, por vícios existentes no serviço prestado, podendo vim a ocorrer graves 
acidentes de consumo. 
Contudo, não são apenas aspectos positivos o crescimento deste nicho, 
variedade de estúdios, especialmente com o difícil controle de surgimento dos 
profissionais, o que, no entanto, segue sendo negligenciado pelo estado, faltando 
requisitos técnicos, fiscalização e avaliação dos efeitos da pigmentação sobre a 
derme. A população no impulso da inovação, irreverência, com seus traços, cores e 
símbolos, continuam conquistando novos adeptos à prática da arte no corpo e diante 
das facilidades ofertadas acabam se tornando vítimas de imperícias técnicas. 
Se considerarmos a conjuntura que permeiam a essência da tatuagem, é 
possível visualizar, que algumas pessoas, por motivos diversos, optam pela remoção 
do desenho em seu corpo, buscando métodos que podem trazer resultados 
satisfatórios ou não. Nem sempre a tentativa de remoção é o meio mais adequado. 
O simples fato de fazer uma tatuagem, o indivíduo passará a ter seu corpo marcado 
por toda sua vida, mesmo posteriormente escolhendo uma tentativa de remoção, há 
possibilidade do resultado final deixar algumas cicatrizes, e elas, de algum modo, 
farão parte do passado e memória da pessoa que algum dia se tatuou. 
Entretanto, há poucos estudos científicos sobre o tema, por exemplo, as 
causas do crescimento quantitativo dos estúdios de tatuagens, oferecendo inclusive 
piercing e outras formas de transformação corporal. Não existe um censo brasileiro 
para apontar quantas pessoas tem tatuagem no país, mas um estudo do Sebrae 
10 
 
identificou que o setor teve crescimento de 24,1% no número de estúdios 
regularizados, sendo esse índice apurado entre janeiro de 2016 e de 2017, quando 
passou de 9.151 para 11.380 negócios de tatuagens no país. Estima-se que ao 
longo de 2021, tenhamos um nicho com mais de 20.000 estúdios no segmento.2 
Com o constante crescimento no mercado, combinado com o exponencial 
avanço em redes sociais e o seu acesso cada vez mais amplificado, tende-se a ser 
um nicho cada vez mais delituoso, pelos seus resultados finais. Não é plausível 
negar a dificuldade de proteção ao consumidor, em especial com o uso de redes 
sociais, com finalidade de criações atrativas. Assim, percebe-se a dimensão do 
alcance desse comércio no dia a dia da população brasileira. 
Portanto, se faz necessário a discussão acerca dos meios de proteção legal 
que possuem os consumidores de tal serviço, incluindo os artistas. Tendo isso, será 
abordado nesta monografia aspectos do Direito do Consumidor, fazendo desde uma 
conceituação, até os fatos que podem beneficiar na construção de uma relação de 
consumo saudável. Tendo como foco os diferentes tipos de caso, apresentando a 
legislação aplicável ao serviço de tatuagem e a atuação do poder judiciário como 
meio de sanar imperícias técnicas, demonstrando assim o desamparo existente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 SEBRAE. Estúdio de Tatuagem. Portal SEBRAE, 2019. Disponível em: 
<https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ideias/estudio-de-
tatuagem,ed83251092cff610VgnVCM1000004c00210aRCRD>. Acesso em 01 jun 2020. 
11 
 
2. HISTÓRIA DA TATUAGEM NO BRASIL 
Início o presente trabalho estudando acerca da origem, história e evolução da 
tatuagem no Brasil, com o objeto principal de entendermos a tatuagem como um 
bem imaterial em nosso ordenamento jurídico. 
Sabendo-se que de fato a tatuagem sempre esteve presente em todo mundo, 
em todos os continentes, e que, sendo imensurável apurar ou indicar uma data do 
seu exato surgimento, mas podendo indicar que ela tem diferentes intenções, 
motivos, técnicas e resultados. 
A palavra tatuagem vem do termo em francês “tatouage”, sendo traduzida 
para o inglês como “tattoo”, como apreciador e conhecedor da arte o Capitão 
Britânico James Cook, famoso navegador, explorador e cartografo do século 17, 
espalha o termo “tatoo” para todos os marinheiros, portos e países, ficando 
mundialmente conhecido como “tatoo”, devido sua influência e conhecimentos de 
diversos povos e culturas.3 
Com a descoberta do Brasil em 1500, é sabido que havia nativos na região, 
com idioma próprio, cultura, traços humanos diferentes dos europeus e pinturas 
corporais. Pinturas nas quais teriam mesmos traços, mais formas diferentes, 
dependendo da idade do indivíduo e influencia em sua tribo. (Jeha, 2019). 4 
 Então podemos afirmar que no Brasil, na época do seu próprio descobrimento, 
com a chegada dos portugueses, nasceria um país, mesmo sem saber, ou escolher, 
já estaria habituado a desenhos corporais. Em contrapartida os desenhos corporais 
eram de suma importância para navegadores europeus, sendo inclusive uma das 
características dos marinheiros, era prática comum para eles na época. Contudo nos 
deparamos com uma prática potencializada de desenhos no corpo, onde temos de 
um lado, navegadores tatuados desembarcando no Brasil e nativos pintados do 
outro lado, todos com um mesmo intuído e objetivo, apenas as técnicas e materiais 
utilizados eram diferentes. 
Sabendo-se que o Brasil nasce em meio de duas culturas que trás consigo a 
necessidade da expressão corporal enfatizada por desenhos permanentes, 
pularemos para o século XIX, onde se temos notícia do primeiro tatuador profissional 
 
3 FERNANDES, C. História da Tatuagem. Disponível em: 
https://alunosonline.uol.com.br/historia/historia-tatuagem.html>. Acesso em: 02 jun 2020. 
4 JEHA, S. Uma História de Tatuagem no Brasil. São Paulo, Editora Veneta, 2019. 
12 
 
no Brasil, chamado de Knud Harald Lucky Gegersen, sendo conhecido 
mundialmente como Lucky ou Mr. Tatoo, inclusive prestando serviços por forma de 
tradição, ou seja, fazia desenhos no corpo de clientes em troca de pecúnia. 5 
Ana Maria Bahiana (2006, p. 39) menciona que: 
 
“Tatuagens eram difíceis de conseguir a não ser por quem, como o escritor 
e jornalista Joel Macedo, caia na estrada no roteiro internacional. No Brasil, 
o único tatuador em atividade era o dinamarquês Knud Harald Lucky 
Gegersen, o Lucky ou Mr. Tatoo, que trabalhava exclusivamente no Porto 
de Santos. A opção era mesmo pintar o rosto e corpo com o que estivesse a 
mão”.6 
 
A profissionalização da tatuagem no Brasil, tem seu ponta pé inicial em 1959, 
com a abertura do primeiro estúdio de tatuagem no país, localizado em Santos, 
Lucky é o fundador do estúdio, o mesmo lança sua propaganda, que marca a época 
de uma atividade profissional no país, tendo os dizeres na entrada do estúdio “It’s 
not a saylor if he hasn’t a tattoo.”, ou seja, “Você não é um marinheiro se não tiver 
uma tatuagem”, sendo o único tatuador conhecido no país, Lucky presta serviços 
paratodas classes sociais, se tornando referência na época pela imprensa brasileira, 
contabilizando mais de 45.000 clientes tatuados.7 
Ao tocante do olhar do direito, nos deparamos com a primeira relação de 
consumo de serviço estético de desenho corporal, sendo nitidamente caracterizado 
por existir publicidade, nesse caso a frase de Lucky na porta de entrada, o local para 
atendimento, a tradição e o artista com perícia técnica. 
Na década de 60 e 70, temos no Brasil o movimento Hippie, com o 
movimento, as tatuagens ganham espaço, surgindo novos profissionais, novos 
desenhos, estilos, pigmentos, estúdios, maquinas sofisticadas. Conquistando cada 
vez mais adeptos, mais espaço, em diversas tribos, classes sociais, povos, cultura e 
indivíduos com diversas faixa etária de idade, o segmento continua crescendo sem 
parar, até os dias atuais. 
 
5 MORÉ, C. Lucky tattoo: 10 curiosidades sobre o primeiro tatuador profissional no brasil. 
FTC, 2015. Disponível em: <https://followthecolours.com.br/tattoo-friday/lucky-tattoo-10-curiosidades-
sobre-o-primeiro-tatuador-profissional-no-brasil/>. Acesso em: 02 jun 2020. 
6 Bahiana, A. Almanaque Anos 70. Editora Ediouro. São Paulo, 2006, p. 39. 
7 MORÉ, C. Lucky tattoo: 10 curiosidades sobre o primeiro tatuador profissional no brasil. 
FTC, 2015. Disponível em: <https://followthecolours.com.br/tattoo-friday/lucky-tattoo-10-curiosidades-
sobre-o-primeiro-tatuador-profissional-no-brasil/>. Acesso em: 02 jun 2020. 
13 
 
 
3. CONCEITO SOBRE CONSUMIDOR E FORNECEDOR 
O Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.079/90), especificamente em seu 
artigo 2º, estabelece o conceito de consumidor: 
 
Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto 
ou serviço como destinatário final.8 
 
O Código de Defesa do Consumidor tem como alvo principal o equilíbrio na 
relação de consumo, demonstrando que há diferenças entre consumidor e 
fornecedor, assim caracterizando o consumidor como parte mais sensível nesta 
relação. 
 
Bem como também, o fornecedor no seu artigo 3°: 
 
Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou 
estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem 
atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, 
importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou 
prestação de serviços.9 
 
A principal característica de um fornecedor é a habitualidade de suas 
atividades, ofertando no comércio de consumo, seus produtos ou serviços, tendo 
como foco principal o lucro, visando a entrada de receita para aumento do seu 
capital. Porém existe entidades filantrópicas, que tem pelo principal conceito visar a 
prestação de serviços a sociedade, sem fins lucrativos, apenas garantindo seu 
próprio sustento. 
 
 
 
 
8 BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras 
providências Art. 2. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 
02 jun 2020. 
9 BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras 
providências, Art. 3. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 02 jun 
2020. 
14 
 
3.1. Relação jurídica 
 
O Código de Defesa do consumidor somente é aplicável aos consumidores e 
fornecedores, direcionando sua tutela para o elo mais fraco da relação, ou seja, o 
consumidor. (CAVALIERI FILHO, 2011).10 
O conceito da vulnerabilidade do consumidor traz a presunção que todo 
consumidor é vulnerável e por esse motivo se faz necessário proteção no âmbito 
jurídico especializado. Benjamin, Marques e Bessa (2012, p. 49), destaca que: 
 
“É um novo ramo do direito, disciplina transversal entre o direito privado e o 
direito público, que visa proteger um sujeito de direitos, o consumidor, em 
todas as suas relações jurídicas frente ao fornecedor, um profissional, 
empresário ou comerciante”.11 
 
Seguindo o raciocínio, Sérgio Cavalieri Filho (2011, p. 57), conceitua “relação 
jurídica como toda relação social disciplinada pelo Direito”. Explicando a relação 
jurídica de consumo: 
 
“Está sujeita ao mesmo processo jurídico. As normas jurídicas de proteção 
do consumidor, nelas incluídos os princípios, incidem sempre que ocorrem, 
em qualquer área do direito, atos de consumo, assim entendidos o 
fornecimento de produtos, a prestação de serviços, os acidentes de 
consumo e os outros suportes fáticos, e fazem operar os efeitos jurídicos 
nelas previstos. O que particulariza essa relação jurídica é que os sujeitos 
serão sempre o consumidor e o fornecedor, e terá por objeto produtos ou 
serviços”.12 
 
Com relação aos direitos básicos do consumidor, estes abrangem valores e 
preceitos fundamentais que jamais poderão ser desrespeitados, tendo em vista que 
são condições ínfimas para que seja respeitada a dignidade do consumidor (BESSA; 
MOURA, 2010).13 
 
10 CAVALIERI FILHO, Sergio. Programa de Direito do Consumidor. Ed. 3. São Paulo. Editora Atlas, 2011. 
11 BENJAMIN, MARQUES E BESSA. Manual do Direito do Consumidor. Ed. 4. São Paulo. Editora Revista dos 
Tribunais, 2012, p. 49. 
12 CAVALIERI FILHO, Sergio. Programa de Direito do Consumidor. Ed. 3. São Paulo. Editora Atlas, 
2011, p. 57. 
13 BESSA. L.R.; MOURA. W. J. F. Manual do direito do consumidor. 3. ed. Brasília: SDE/DPDC, 
2010. 
15 
 
O inc. VIII, do art. 6º, CDC, elenca uma importante ferramenta para os 
magistrados, que é a inversão do ônus da prova em favor do consumidor. A inversão 
poderá ser determinada pelo magistrado quando for verissímil a alegação ou quando 
ele for hipossuficiente. Destaca-se que o ônus da prova não pode ser invertido de 
forma a prejudicar o consumidor, por meio de contrato ou acordo, conforme 
determinação do art. 51, inc. VI, do CDC (BENJAMIN; MARQUES; BESSA, 2012).14 
Orlando Celso da Silva Neto (2013, p. 140), explica que: 
 
Quando se tratar da inversão motivada por verossimilhança da alegação, o 
juiz deve observar a existência de indícios de que as alegações sejam 
verdadeiras, sua sequência lógica e sua plausibilidade. Diz-se que para que 
33 a inversão possa ser concedida, o magistrado deve, a partir da prova 
indiciária já existente, presumir verdadeira a alegação (o fato ou parcela do 
fato, constitutivo do direito do consumidor. Se não houver qualquer indício 
que suporte a alegação, ela não poderá ser verossímil, porque, ainda que 
possível, não tenderá a semelhança da verdade.15 
 
 
3.2. Responsabilidades do consumidor 
 
Conforme dispostos apresentados, é sabido que o consumidor encontra-se 
vulnerável na relação de consumo, muitas vezes fazendo escolhas sem ter a plena 
consciência, esses atos são potencializados, muitas vezes, por estratégias de 
marketing, que são utilizadas pelos fornecedores, que produzem necessidades de 
consumo que limitam o direito de livre escolha do consumidor, exemplo disso, seria 
uma publicidade de um desenho especifico, com valor promocional. Desenho no 
qual, fora escolhido pelo próprio tatuador, o individuo motivado pela publicidade, 
acaba adquirindo o serviço supracitado, sem pensar em consequências jurídicas que 
possa vim acarretar. Nesse caso, esbarra-se na questão do direito autoral do 
desenho, ofertado na publicidade do fornecedor, lembrando ser necessário patente 
de propriedade intelectual da arte. 
No entanto, o Código de Defesa do Consumidor não promove apenas a 
 
14 BENJAMIN, MARQUES E BESSA. Manual do Direito do Consumidor. Ed. 4. São Paulo. Editora Revista 
dos Tribunais, 2012, p. 64. 
15 SILVA NETO, Orlando Celso da. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. São Paulo. 
Editora Forense, 2013, p. 140, 
16 
 
vulnerabilidade econômica do consumidor, podendo também haver vulnerabilidade 
técnica e informacional. 
Nitidamente quanto maior a profundidade do assunto nesta seara, maior será 
a vulnerabilidade do consumidor, em outrora é demonstradaa fragilidade do 
indivíduo perante o fornecimento de um serviço no qual é visualizado apenas o 
resultado final. Contudo temos o consumidor integrando como parte sensível da 
relação de consumo, sendo vulnerável por não se conhecedor dos trâmites da 
execução do fornecimento do serviço, mais sendo possível elencar de fato 
responsabilidade ao consumidor. 
O Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90), no regime das relações 
contratuais, elenca norma específica impondo o respeito à boa-fé, na formação e na 
execução dos contratos de consumo. Confirmando o princípio da boa-fé como um 
princípio geral do direito brasileiro, demonstrado em seu artigo 4°, III, CDC: 
 
Harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e 
compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de 
desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os 
princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. 170, da Constituição 
Federal), sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre 
consumidores e fornecedores.16 
 
Ficando claro que o princípio da boa-fé rege a relação bilateral de consumo, 
teremos então classificado a responsabilidade do consumidor. Isso implica 
diretamente na relação de consumo, em que o indivíduo por iniciativa singular, 
escolhe a arte que será marcada em seu corpo, arte na qual há propriedade 
intelectual com patente, protegida por lei 9.279/199617. Sendo assim, exclusa a 
responsabilidade do fornecedor que executou o serviço, conforme pedido com 
decisão unilateral do consumidor. 
 
 
16 BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras 
providências. Art. 4, III. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso 
em: 02 jun 2020. 
17 BRASIL, LEI Nº 9.279, DE 14 DE MAIO DE 1996. Regula direitos e obrigações relativos à 
propriedade industrial. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9279.htm#:~:text=LEI%20Nº%209.279%2C%20DE%2014,
obrigações%20relativos%20à%20propriedade%20industrial.&text=Art.,obrigações%20relativos%20à
%20propriedade%20industrial.&text=5º%20Consideram-
se%20bens%20móveis,os%20direitos%20de%20propriedade%20industrial>. Acesso em: 3 jun 2020. 
17 
 
3.2.1. Responsabilidade do tatuador 
 
De acordo com o artigo 3º do CDC, a relação cliente com tatuador, equipara-
se a relação do prestador de serviço com consumidor, desta forma poderá ser 
plenamente aplicáveis as normas do CDC. Importante ressaltar que não incide, 
neste particular, a responsabilidade objetiva, mantendo-se a necessidade de 
comprovação da culpa. Com efeito, a responsabilidade pelo fornecimento de 
serviços por profissionais liberais, dentre os quais os tatuadores são caracterizados, 
necessitará apuração mediante a verificação de culpa, abrindo o § 4º do artigo 14, 
da Lei 8.078/90, uma exceção ao princípio da objetivação da responsabilidade civil. 
O Código de Defesa do Consumidor, lei 8.78/90, classifica com clareza a 
responsabilidade pelo fato do serviço, elencando a partir do artigo 14: 
 
O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de 
culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos 
relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes 
ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. 
§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o 
consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as 
circunstâncias relevantes, entre as quais: 
I - o modo de seu fornecimento; 
II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam; 
III - a época em que foi fornecido.. 
§ 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada 
mediante a verificação de culpa. 18 
 
No artigo 14 do CDC, classifica sobre fato do serviço quando a falha atinge o 
patrimônio do consumidor ou sua integridade física, estética e moral: 
 
O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de 
culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos 
relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes 
ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.19 
 
18 BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras 
providências. Art. 14, § 1°, I, II, III. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 03 jun 2020. 
19 BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras 
18 
 
 
Nos vícios de produtos e serviços, teremos o vício de qualidade, abordado no 
artigo 18, 20 e 21 do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90): 
 
Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis 
respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os 
tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes 
diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com 
a indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou 
mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua 
natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas.20 
 
O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de 
culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos 
à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas 
sobre sua fruição e riscos, conforme visualizamos no artigo do CDC, porém a 
responsabilidade pessoal dos profissionais liberais, onde os tatuadores se incluem, 
está elencada no § 4º do art. 14: 
 
A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante 
a verificação de culpa.21 
 
 
3.2.2. RESPONSABILIDADE CIVIL DO TATUADOR 
 
A responsabilidade civil do tatuador, é classificada como responsabilidade civil 
profissional. Sendo ela, um conjunto de ações praticadas por um indivíduo dentro do 
exercício do seu ofício, caracterizando atividade autônoma, adentrando no âmbito da 
responsabilidade civil contratual. Na imersão de classificação do tipo de obrigação 
dos profissionais liberais, Maria Helena Diniz (Diniz, 2011, p. 309), afirma: 
 
providências. Art. 14. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 
03 jun 2020. 
20 BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras 
providências. Art. 18. 20 .21. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 03 
jun 2020. 
21 BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras 
providências. Art. 14, § 4º. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 03 
jun 2020. 
19 
 
 
“Aos profissionais liberais se aplicam as noções de obrigação de meio e de 
resultado, que partem de um contrato. Logo não poderá deixar de ser 
contratual a responsabilidade decorrente de infração dessas obrigações”.22 
 
Portando é sabido que a responsabilidade civil do tatuador depende de 
demonstração de culpa, sendo ela subjetiva, podendo haver negligência, imperícia 
ou imprudência. Para responsabilização do tatuador, será necessário a existência 
dos elementos da culpa. No Brasil a arte da tatuagem é considerada como 
obrigações de meio, não havendo uma garantia do resultado a ser alcançado, ou 
seja, caso o consumidor não fique satisfeito com o resultado obtido, caberá a ele 
demonstrar a culpa do profissional, implicando diretamente na inversão do ônus da 
prova. Então é classificada como obrigação de meio para o tatuador, tendo em seu 
dever profissional a efetivação de todas as medidas necessárias para realização do 
seu trabalho, não se obrigando a resultado positivo, devendo sempre atuar dentro da 
técnica, sob pena de responsabilização. 
Aspectos importantes da diferenciação entre a obrigação de meio e a 
obrigação de resultado, é justamente a inversão do ônus da prova.Perante a 
obrigação de resultado cabe ao tatuador comprovar ter alcançado o resultado final, 
diferentemente na obrigação meio, em regra, cabe ao cliente demonstrar culpa ou 
dolo. 
 
3.2.3. O DANO NA RESPONSABILIDADE CIVIL DO TATUADOR 
 
Para falar em indenização é necessário que exista danos, sem eles é 
impossível preencher os requisitos essenciais que caracterizam a responsabilidade 
civil, neste sentido Sergio Cavalieri, (CAVALIERI FILHO, 2011, p. 71) amplifica: 
 
“Sem danos pode haver responsabilidade penal, mas não há 
responsabilidade civil. Indenização sem danos importaria enriquecimento 
ilícito; enriquecimento sem causa para quem a recebesse e pena para quem 
a pagasse, porquanto o objetivo da indenização, sabemos todos, é reparar 
o prejuízo sofrido pela vítima, reintegrá-la ao estado em que se encontrava 
antes da prática do ato ilícito. E, se a vítima não sofreu nenhum prejuízo, a 
 
22 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. Ed. 26, São Paulo, Editora Saraiva, 2011, p. 309. 
20 
 
toda evidência, não haverá o que ressarcir. Daí a afirmação, comum a 
praticamente todos os autores, de que o dano é não somente o fato 
constitutivo, mas, também, determinante do dever de indenizar”.23 
 
O dano é, pois, elemento essencial e indispensável à responsabilização do 
agente, seja essa obrigação originada de ato ilícito ou de inadimplemento contratual, 
independente, ainda, de se tratar de responsabilidade objetiva ou subjetiva. (STOCO, 
2007, p. 128).24 
 
O dano causador por ação delituosa do tatuador poderá ter efeito patrimonial, 
ou dano material, exemplo, caso das despesas com tratamento para retirar a 
tatuagem, perda decorrente de deformidade causada, que impossibilite o exercício 
de atividade laboral, bem como pode atingir a moral do indivíduo, como o sentimento 
de desprezo, estresse, depressão, angústia e traumas. 
Importante frisar sobre o momento que o consumidor efetuar uma reclamação, 
terá de provar que o erro cometido pelo profissional, levou o credor a sofrer eventual 
dano, assim, solicitando a reparação de dano. Contudo, apesar de reconhecer a 
responsabilidade e o dever de reparar em caso de tatuagens malfeitas e os danos 
advindos dela, será necessário a comprovação que o dano é resultado de culpa ou 
imperícia do tatuador. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
23 CAVALIERI FILHO, Sergio. Programa de Direito do Consumidor. Ed. 3. São Paulo. Editora Atlas, 
2011, p. 71. 
24 STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil: doutrina e jurisprudência. Ed. 7, São Paulo 
Editora Revista dos Tribunais, 2007, p. 128. 
21 
 
4. O FORNECIMENTO DO SERVIÇO DE TATUAGEM NO BRASIL 
A prática de tatuagem é uma realização técnica de caráter estético, com o 
objetivo de pigmentar a pele através da introdução de substâncias corantes por meio 
de agulhas ou similares. O serviço de tatuagens encontra-se no seu ápice de lucros 
e uso, cada vez mais sendo atraído um maior número de consumidores estando 
ainda em crescimento constante. Segundo levantamento da empresa de consultoria 
“Dalia Research” o Brasil ocupa 9º lugar no ranking de nações com mais pessoas 
tatuadas, com 38% da população têm pelo menos uma tatuagem, no primeiro 
semestre de 2018 houve um aumento de 12% no faturamento, comparando o 
mesmo período de 2017.25 
Em janeiro de 2019 a Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e 
Pequenas Empresas) estimou o crescimento de 25% para o mesmo ano, estima-se 
que atualmente o país conte com mais de 15 mil estúdios legalizados.26 
Conforme já apresentado na presente pesquisa o uso do serviço de caráter 
estético pelos brasileiros ultrapassa os 30 milhões de pessoas, estando assim todos 
estes sujeitos a qualquer tipo de imperícia técnica, independentemente de sua 
natureza. É de suma importância que os estúdios devam utilizar apenas três marcas 
de tintas liberadas pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), por 
consequência, se faz necessário a fiscalização física, exemplo, existe vários tipos de 
tintas comercializados no mercado, sendo consideradas clandestinas. Não é de 
conhecimento de todos as três marcas de tintas que tem livre mercado pelo órgão 
fiscalizado.27 
Constando o exponencial crescimento do ramo de tatuagens a ANVISA 
confecciona o Relatório Anual Denúncias em Serviços de Interesse Para a Saúde, 
2019. O estudo consiste entre no recebimento de denúncias iniciando-se no ano de 
2015, até 31/12/2019. Sendo classificadas 10 categorias, os serviços de tatuagem e 
piercing se mantém em segundo lugar, com 10,1%, das reclamações recebidas pelo 
órgão, sendo de maior o valor percentual, as reclamações de más práticas e falta de 
 
25 DALIA RESEARCH. Who has the most tattoos?. Berlim. Disponível em: 
<https://daliaresearch.com/blog/who-has-the-most-tattoos/>. Acesso em 01 jun 2020. 
26 SEBRAE. Estúdio de Tatuagem. Portal SEBRAE, 2019. Disponível em: 
<https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ideias/estudio-de-
tatuagem,ed83251092cff610VgnVCM1000004c00210aRCRD>. Acesso em 01 jun 2020. 
27 ANVISA. Conheça as tintas de tatuagem autorizadas. Portal ANIVSA, 2014. Disponível em: 
<http://portal.anvisa.gov.br/noticias/-/asset_publisher/FXrpx9qY7FbU/content/saiba-quais-sao-as-tintas-de-
tatuagem-autorizadas-no-brasil/219201?inheritRedirect=false>. Acesso em: 04 jun 2020. 
22 
 
higiene.28 
Os usuários que não tem conhecimento, certamente não saberão responder 
qual tipo de pigmento foi utilizado em sua arte, ou seja, além da sensação de 
insegurança, existe o risco real do resultado final não sair como desejado, até 
mesmo de saúde, o que amplifica substancialmente a necessidade de melhor 
dialogo acerca do serviço prestado, com orientação no intuito de causar prevenção 
aos riscos de saúde e resultado final. 
Atualmente nessa evolução de crescimento, os estúdios vem fornecendo 
diariamente novidades na área, estabelecendo cada vez mais diferentes tipos de 
relação de consumo que são escassa de regramento, mesmo considerando o 
caráter principiológico e prospectivo, ou seja, possui texto normativo abstrato que 
permite aplicação ao caso concreto não acompanha a real necessidade do 
consumidor e fornecedor moderno. 
Além do Código de Defesa do Consumidor existe em João Pessoa à Lei 
Municipal Nº 13758 de 14/05/2019,29 que visa regulamentar os procedimento de 
tatuagens, suprindo em tese, as lacunas do Código de Defesa do Consumidor, no 
entanto ainda esbarrasse na necessidade de atualização legislativa, uma vez que 
dificulta ainda mais o principio da segurança jurídica, permitindo diversas 
interpretações por parte dos tribunais. 
Dessa forma, a pesquisa tem por objetivo enriquecer o debate acerca da 
urgente necessidade de atualização legislativa no sentido de trazer mais proteção ao 
consumidor, o qual cada vez mais vem sendo “alvo fácil” de maus profissionais, ante 
a facilidade de se criar um estúdio sem que ocorra fiscalização acerca do seu 
funcionamento, ou ainda é possível que se realize fornecimento de serviços, sem ao 
menos ser identificado. O referido tema é ainda de suma importância social, visto 
que boa parte da sociedade se encontra em risco, acredita-se ainda que a 
conscientização acerca de fatores que permitam aumento de informação para os 
usuários dos seus direitos, poderá reduzir consideravelmente o número de 
 
28 ANVISA. Referência técnica para o funcionamento dos serviços de tatuagem e piercing. Portal ANVISA, 
2009. Disponível em: 
<https://repositorio.observatoriodocuidado.org/bitstream/handle/handle/2018/Referência%20técnica%20para%20
o%20funcionamento%20dos%20serviços%20de%20tatuagem%20e%20piercing.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. 
Acesso em: 05 jun 2020. 
29 João Pessoa. Lei nº 13758 DE 14/05/2019, Institui normas para instalação e funcionamento de 
estabelecimentos que executam procedimentos inerentes à prática de tatuagem e bodypiercing, e dá outras 
providências. Normasbrasil. 2019. Disponível em: < https://www.normasbrasil.com.br/norma/lei-13758-2019-joao-pessoa_377899.html>. Acessado em: 05 jun 2020. 
23 
 
consumidores insatisfeito no país. 
 
 
4.1. RESPONSABILIDADES DA CRIAÇÃO DE NOVOS ESTUDIOS, TECNICAS 
PROFISSIONAIS E INFORMAÇÕES 
 
Não temos de fato uma legislação vigente de âmbito nacional que trata-se do 
assunto com profundidade, para dar ênfase nas possíveis relações dos serviços de 
pigmentação, contudo a ANVISA produz um manual em 2009 (Referência Técnica 
Para O Funcionamento Dos Serviços De Tatuagem E Piercing), servindo apenas de 
referência para que o os entes, estados, municípios e DF, possam legislar conforme 
preceitua o órgão. Apenas em 2019 é sancionada a lei 13755/19, que institui normas 
para instalação e funcionamento de estabelecimentos que executam procedimentos 
inerentes à prática de tatuagem e bodypiercing na cidade de João Pessoa. 
Equipamento e estrutura dos estúdios deverão seguir critérios, de acordo com 
a Lei municipal Nº 13758 de 14/05/2019. Ela traz as orientações para que o 
empreendedor se adeque a legislação vigente, assim evitando problemas. 
Importante ressaltar em artigo 6°: 
 
O tatuador ou piercer deverá informar, por escrito, mediante termo de 
ciência, os riscos que envolve o procedimento e os cuidados pós aplicação, 
além das dificuldades técnico-científicas que pode acarretar sua posterior 
remoção.30 
 
O artigo enfatiza a responsabilidade do fornecedor em prestar informações 
necessárias para que o consumidor fique ciente sobre o que possa vim ocorrer 
durante a execução do serviço, bem como sua finalização. Na ótica do fornecedor 
do serviço de tatuagem, será primordial repassar as informações técnicas como: -
tipo de pigmentação a ser utilizada, tom da pele na qual será realizado o serviço, 
tipo de material utilizado, demonstração dos perfurantes, agulhas, sendo eles 
materiais descartáveis utilizados na execução do serviço, devidamente lacrados. 
 
 
30 João Pessoa. Lei nº 13758 DE 14/05/2019, Institui normas para instalação e funcionamento de 
estabelecimentos que executam procedimentos inerentes à prática de tatuagem e bodypiercing, e dá outras 
providências. Normasbrasil. 2019. Disponível em: < https://www.normasbrasil.com.br/norma/lei-13758-2019-joao-
pessoa_377899.html>. Acessado em: 05 jun 2020. 
24 
 
Prestar informações sobre o possível resultado final, afim de esclarecimento, 
deixando o consumidor munido de informações sobre o serviço contratado. 
Contendo clareza normativa e de fácil compreensão a ANVISA esclarece com um 
manual o funcionamento dos estúdios em nosso país, fazendo com que este nicho 
tenha coordenadas para realização de suas atividades, de forma responsável e 
segura. 
Existe a necessidade do repasse das informações prestadas pelo fornecedor 
decorrente a contratação do serviço para que sejam claras e incisivas, afim que o 
consumidor esteja ciente e munido de informações sobre o tema, estando sabido o 
que a tatuagem possa vim ocasionar posteriormente, enfatizando sobre sua escolha, 
e que ela poderá acarretar dificuldades posteriores em âmbito social ou até mesmo 
psicológico. Assim vislumbra um entendimento com dialogo aberto entre fornecedor 
e consumidor, dando ao consumidor a possibilidade que existe técnicas para 
remoção da tatuagem, sendo possível que o consumidor em outrora poderá mudar 
seu conceito sobre o serviço contratado. A ANVISA enaltece e prima esse dialogo no 
artigo 4°, na Referência Técnica Para O Funcionamento Dos Serviços De Tatuagem 
E Piercing: 
 
O cliente deve ser orientado previamente, por meio do Termo de 
Consentimento Livre e Esclarecido, Anexo I desta Resolução, de todos os 
riscos decorrentes da execução dos procedimentos.31 
 
Portanto, a ANVISA e a lei municipal N°13758/19 esclarece a necessidade da 
confecção de um termo de ciência para que a relação bilateral entre consumidor e 
fornecedor estejam de acordo com todas nuances que rege o serviço prestado de 
tatuagem, onde sejam prestadas informações e expostas de forma física, palpável e 
signatária. 
 
 
 
 
 
31 ANVISA. Referência técnica para o funcionamento dos serviços de tatuagem e piercing. Portal ANVISA, 
2009. Disponível em: 
<https://repositorio.observatoriodocuidado.org/bitstream/handle/handle/2018/Referência%20técnica%20para%20
o%20funcionamento%20dos%20serviços%20de%20tatuagem%20e%20piercing.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. 
Acesso em: 05 jun 2020. 
25 
 
4.1.1. REPONSABILIDADES DO FORNECEDOR E CONSUMIDOR NO 
RESULTADO FINAL E SEU LAPSO TEMPORAL 
 
Caracterizando a tatuagem como serviço de bem durável o Código de Defesa 
do Consumidor (Lei 8.079/90), abrange em seu artigo 26, II: 
 
O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca 
em: 
II - Noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos 
duráveis.32 
 
Nota-se que o artigo supracitado faz abordagem aos vícios aparentes, sendo 
de fácil percepção pelo consumidor. Neste caso, a lei dará ao consumidor, um prazo 
de 90 dias para os produtos e serviços duráveis. Este prazo é chamado de garantia 
legal, sendo o tempo em que o consumidor terá para exigir do fornecedor o reparo 
do vício constatado, o fornecedor estará obrigado ao cumprimento dos prazos assim 
estabelecidos. 
Reclamação originada por serviços de tatuagem, poderá perfeitamente ter 
seu enquadramento sobre a lei do artigo acima, sendo apenas aquelas por vícios ou 
imperícias técnicas de fácil percepção, a partir do termino da execução do serviço. 
Contudo quando ser aborda o serviço prestado de pigmentação da pele, será de sua 
lógica a complexidade para cada caso concreto, o resultado final do serviço não será 
apenas após o termino da arte feita pelo tatuador, a derme terá que aceitar a 
pigmentação, passando por um lapso temporal de inchaço e cicatrização, pois é 
realizado um procedimento com agulhas perfurantes, sendo necessário que esse 
lapso temporal de cicatrização finalize, para que de fato o consumidor possa obter o 
resultado final, para esse momento o Código de Defesa do Consumidor (Lei 
8.079/90), abrange em seu artigo 26: 
 
§ 3º Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento 
em que ficar evidenciado o defeito.33 
 
32 BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras 
providências. Art. 26, II. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 03 jun 
2020. 
33 BRASIL, Código de Defesa do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras 
providências. Art. 26, § 3º. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 03 jun 2020. 
26 
 
 
Deve-se tratar a linha temporal da evolução de cicatrização como caso 
de vício oculto, aquele dificilmente visualizável, o consumidor terá o mesmo prazo de 
90 dias, porém, esse prazo correrá a partir da constatação do defeito. Todavia se 
tratando de organismo biológico, deixa uma difícil compreensão em definir o lapso 
temporal de cicatrização do indivíduo, com início, meio e fim, cada organismo reage 
de forma diferente, contendo peculiaridades crônicas e singulares para cada 
consumidor. 
Portanto, também é dever considerar a responsabilidade do consumidor, 
sobre tratamento que deverá ocorrer no lapso temporal de cicatrização, devendo o 
consumidor seguir as recomendações pós-tatuagem, recomendações nas quais o 
profissional deverá elencar e informar ao seu cliente, visando garantir cicatrização 
eficiente, evitando infecções, dermatites e outros problemas causados por 
proliferação de bactérias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
27 
 
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
O presente trabalho teve como o objetivo a demonstração das 
responsabilidades entre consumidor e fornecedor no direito do consumidor, trazendo 
conceitos de forma resumida na evolução da tatuagem até os dias atuais. Após, 
foram apresentados os conceitos de consumidor e fornecedor, previstosno art. 2º e 
3º do Código de Defesa do Consumidor e suas derivações. Sequencialmente houve 
explanação da regulamentação jurídica nas relações de consumo sobre serviços 
prestados. 
Sendo objeto de estudo os direitos do consumidor, que estão disciplinados no 
artigo 6º do CDC, dentre eles, saúde e segurança, direito de liberdade de escolha e 
de igualdade nas contratações, tendo com primazia a informação adequada e clara 
sobre o que difere o seu direito na relação contratual do serviço abordado ao longo 
desta pesquisa, trazendo ênfase a inversão do ônus da prova no caso em específico. 
Posteriormente foram apresentados os direitos de responsabilidades, por 
exemplo, a responsabilidade do consumidor, do fornecedor, a responsabilidade civil, 
e a possiblidade do direito a indenização, decorrente de imperícias técnicas, 
subtração de informações que deveriam ser explanadas no ato de contratação, 
portarias que devem ser seguidas, sendo elas emitidas pelos órgão regulamentador. 
Prosseguindo, foi abordado o objeto de estudo sobre a responsabilidade do 
resultado final e seu lapso temporal. Em um primeiro momento foi feita uma análise 
da evolução histórica da arte de tatuar, desde o seu surgimento até a atualidade. O 
que caracteriza uma tatuagem, possíveis motivos a faze-la, locais onde são 
realizadas. Os estúdios de tatuagem e seu crescimento alavancado. 
Ademais, o CDC assegura o direito de reparação e restituição no que se 
refere aos danos causados. Ainda, caso o consumidor seja vitima indevidamente por 
imperícia técnica, a esfera judicial é uníssona no sentido de entender que cabe 
indenização pelos prejuízos sofridos pela vítima. Respondendo solidariamente e 
subjetivamente o fornecedor da prestação de serviço. 
No que se refere a criação dos estúdios, foi criada uma resolução de 
referência em 2009 pela ANVISA que estabelece princípios, coordenadas, garantias 
e deveres para , como por exemplo, sobre a coleta, armazenamento de materiais, 
exigindo que seja o consumidor previamente informado, por termo de ciência de 
prestação de serviço ou termos de aplicação de uso, explicando o conteúdo da 
28 
 
permissão. Importante ressaltar que a proteção ao consumidor é assegurada por lei 
regional, quando se trata do tema tatuagem, pelo Código de Defesa do Consumidor, 
principalmente em seu artigo 43, prevendo também sanções administrativas, penais 
e civis. Da mesma forma, o Poder Judiciário tem importante missão na tutela dos 
serviços prestados, pois é o responsável pela aplicação do direito à reparação do 
consumidor lesado. Ou seja, existe legislação sobre a proteção ao consumidor, 
levando em consideração as leis regionais e jurisprudência sobre o tema, mas ainda 
não temos uma legislação específica, o que contribuiria para a efetiva proteção do 
consumidor. 
Percebe-se que a legislação não acompanhou o desenvolvimento progressivo 
da atuação da Arte de tatuar com a mesma rapidez, e a dificuldade de fiscalização 
destes estúdios, faz crescer a necessidade de proteção ao consumidor, que fica 
desamparado. Dessa maneira, uma das formas dos consumidores se prevenirem é, 
por exemplo, ir à procura de profissionais conceituados, obter informações que 
consubstanciam o serviço prestado, tendo ciência de fato do que está sendo 
atrelado vitaliciamente em seu corpo. 
O trabalho de pesquisa vislumbra a necessidade do serviço prestado, que 
precisa ser desenvolvida por profissional dotado de formação para tal atividade, 
sendo de relevância social, a criação de um órgão de classe, afim de profissionalizar 
a classe em questão. A tatuagem se encontra presente em todas as camadas 
sociais, possuindo uma ampla incorporação, estando relacionada a qualquer grupo 
etário de idade. 
Desse modo, a reparação de dano causado pelo estúdio de tatuagem, ou 
profissional denominado como tatuador, possui um caráter de abranger, não 
somente ao consumidor que possui seus direitos subtraídos, mas à toda sociedade, 
afim de levar ao aperfeiçoamento do profissional, desta forma trará maior segurança 
ao consumidor que contrata o serviço. Contudo é necessário que o tatuador deva ter 
ciência das consequências por eventuais danos ocasionados a saúde do cliente ou 
até mesmo ao psicológico, podendo acarretar complicações administrativas, até 
mesmo judiciais. 
É sabido que a tatuagem pode ser considerada uma verdadeira moda 
contemporânea na sociedade brasileira, onde muitos indivíduos agem pela 
impulsividade, devendo o serviço ser considerado um procedimento à parte, até 
mesmo pelas suas peculiaridades e subjetividades, devendo inclusive comportar a 
29 
 
inversão do ônus da prova, nos termos do CDC, para que seja possível a obtenção 
de indenização por erro de procedimento. 
Contudo, a ausência de legislação efetiva, nos traz lagunas que precisam ser 
suprimidas, afim de garantir o preceito legal da boa-fé, sendo necessário a criação 
de órgão regulamentador da classe profissional, a fomentação de reconhecimento 
de cursos técnicos educacionais para formação adequada da classe, fiscalização 
efetiva para as estruturas físicas, fiscalização efetiva para os materiais assim 
utilizados por esses profissionais, fiscalização afim de garantir as leis regionais de 
cunho municipal, onde se destaca o acesso da ampla informação do procedimento 
ao consumidor. 
A eventualidade do lapso temporal aqui destacada, sobre o resultado final, é 
um dos gargalos para que a relação bilateral inicie uma lide, ficando implícito de fato 
de quem seria a responsabilidade efetiva do vício oculto que se apresenta pós-
tatuagem. Para sanar tal possível contrariedade das partes, é necessário que o 
consumidor tenha posteriormente um ou dois encontros físicos com o tatuador, onde 
o mesmo poderá verificar se as recomendações pós-tatuagem estão sendo 
realizadas de fato pelo cliente, trazendo maior segurança jurídica na relação 
contratual para ambas partes. Caso o profissional constate algum problema de 
saúde na região pigmentada, deverá o mesmo aconselhar a ida do cliente a um 
profissional de saúde adequado. Todas informações deverão ser relatadas no 
formulário do cliente, desde o tipo de desenho realizado, o termo de ciência, o 
material utilizado, o profissional que realizou o procedimento, a(s) visita(s) pós-
tatuagem. 
Os dados analíticos explanados pela ANVISA no Relatório Anual Denúncias 
em Serviços de Interesse Para a Saúde, 2019. Mostra o crescimento do 
descontentamento em relação aos consumidores, importante frisar que tais dados, 
trazem apenas as demandas relacionadas a reclamações administrativas, faltando, 
porém, agregar demandas de âmbito judicial, números nos quais, elevariam a 
necessidade de segurança jurisdicional ao consumidor, relacionado ao nicho de tal 
atividade. 
 Portanto se faz necessário a inclusão de uma legislação efetiva e moderna, 
que consiga abranger com profundidade o serviços estéticos de tatuagem, com 
intuito persona de abarcar nuances efetivas da atividade e responsabilidades aqui 
expostas, o estudo também demonstra que o resultado final não é apenas de 
30 
 
responsabilidade unilateral, sendo necessário que ambas partes cumpram seu dever 
signatário no contrato de serviço, chegando a conclusão da finalidade da tradição. O 
ordenamento jurídico precisa abraçar e reconhecer tal lacuna, assim, será possível 
que a prática de tatuar se torne mais comum, segura, e sua ascensão continua, 
prossiga, mas de forma coesa, com inclusão da prática na esfera normativa, 
demonstrando sua importância econômica para a sociedade, respeitando uma 
herança cultural, multietárias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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