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AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO A proposta deste curso é desenvolver o (CHA) conhecimentos, habilidades e atitudes dos alunos formando-os consultores organizacionais e preparando-os para atuar como assistentes, analistas ou gerentes de RH. Programação • 5 meses de aulas teórico/práticas • 1atividade mensal complementar. • 50 horas de certificado • 1 supervisão incluída. Logística • Inicio de 18:30 horas. • Encerramento 21:30 horas • Espaço para perguntas a cada 50 minutos. • Pagamentos podem ser realizados no dias: 05, 10 ou 15 de cada mês • Conteúdo enviado por e-mail e WhatsApp. • Apostila de apoio para aula. Conteúdo • Informação teórica sobre a temática. • Modelos de documentos sobre a temática. • Modelo proposta sobre a temática. • Modelo de entrevista relacionada a temática. • Artigos atualizados. • Slides Avaliação de Desempenho ....................4 Definição ...................................................................... 4 Objetivos ...................................................................... 4 Abrangência ............................................................... 4 Benefícios da AD ........................................................ 4 Métodos ........................................................................ 4 Implementação ......................................................... 4 Artigos ...................................................5 Avaliação de Desempenho: Conceito, Objetivo e Metodologia ............................................................5 Considerações sobre avaliação de desempenho ................................................................... 9 SumárioApresentação Gestão de Pessoas e Consultoria Organizacional Avaliação de Desempenho 4 Avaliação de Desempenho Definição A Avaliação de Desempenho (A.D.)é um sistema ge- rencial que permite ao administrador mensurar os resulta- dos obtidos por um empregado ou por um grupo, em perí- odo e área específicos. Objetivos • Adequação do indivíduo ao cargo; • Treinamento; • Promoções e incentivo salarial ao bom desempenho; • Identificar e solucionar problemas de supervisão • Auto-aperfeiçoamento do empregado; • Informações básicas para pesquisa de Rh; • Estimativa do potencial de desenvolvimento dos empregados; • Estímulo à maior produtividade; • Conhecimento dos padrões de desempenho da organização; • Retroação de informação ao próprio indivíduo avaliado; • Descobrir surgimento de novos talentos na orga- nização; • Outras decisões de pessoal, como transferên- cias, dispensas • Fornecer feedback aos empregados Abrangência A AD pode ser realizada em três campos organizacionais: • Campo dos resultados • Campo do conhecimento • Campo do comportamento Benefícios da AD Para o gerente – passa a ter dados concretos de as- pectos subjetivos dos funcionários ,sabe o que necessita de melhoria e melhora a comunicação com os colaboradores. Para o subordinado – conhece as regras do jogo, sabe as expectativa da organização, faz auto avaliação e autocrítica. Para a organização – Dinamiza sua política de RH, conhece seus funcionários e facilita o planejamento. Métodos Método das escalas gráficas é quando a maneira de avaliação tem objetivo de quantificar. Ex. responda de 1 a 4 sua satisfação com o sabor da refeição. ( 1 ) ruim, ( 2 ) regular, ( 3 ) bom, ( 4 ) ótimo. Método da escolha forçada é quando dentre as ati- vidades de trabalho o avaliador é obrigado a escolher uma alternativa em relação ao funcionário. Ex. o colaborador é organizado? Sim( ) Não( ) Pesquisa de campo é quando se realiza uma entre- vista com o superior imediato do avaliando buscando in- formações objetivas( é organizado?) e subjetivas ( por que ele não é organizado?) Incidentes críticos é quando são observados aspec- tos positivos e negativos no cumprimento das atividades. Ex . Não cumpriu as metas do mês anterior. Comparação de pares é quando avalia-se os funcio- nários comparando um com o outro. Ex. pode-se verificar que Pedro vendeu 10.000,00 e João vendeu 15.000,00 neste mês. Portanto João teve de- sempenho melhor que pedro. Avaliação 360° é quando se busca conhecer o de- sempenho do colaborador avaliando o mesmo com base em vários olhares. Ex. avaliação do chefe, do cliente, do colega e sua au- to-avaliação. Implementação 1 - Planejamento: Definição dos objetivos, resulta- dos esperados, publico alvo. 2 – Escolha do modelo de avaliação: Definição da forma como vai ser realizada a avaliação, freqüência, fluxograma. 3 – Desenvolvimento dos instrumentos de avalia- ção. Assuntos, questões e alternativas. 4 - Elaboração do manual avaliador. Orientador de gerentes e funcionários sobre o processo de avaliação. 5 - Divulgação da avaliação. É a fase de extrema im- portância pois é quando se informa os motivos e objetivos a todos os envolvidos na avaliação. 6 – Aplicação da avaliação com data de devolução de formulários ou termino de entrevistas. 7 – Tabulação e análise dos resultados é o momen- to de estudar e organizar os dados para a apresentação. 8 – Elaboração dos relatórios individuais e grupais e apresentação dos dados. Gestão de Pessoas e Consultoria Organizacional Avaliação de Desempenho 5 Artigos Avaliação de Desempenho: Conceito, Objetivo e Metodologia Adriana Milena Sakano; Ana Paula Gomes; Danilo Augusto Kusnher Almeida; Laíza Sousa; Claudio Roberto Silva; Abigail Deolinda Lunelli Pinto. Resumo: Avaliações fazem parte do cotidiano de qualquer organização, sendo necessárias para averiguar a correção das ações organizacionais e identificar as necessidades de revisão e melhoria. Mesmo que de maneira informal, a cada momento os gestores se envolvem em algum processo de avaliação - inclusive de pessoas - e os profissionais se vêem refletindo as suas decisões, suas ações e seus encaminha- mentos de carreira estão indo ao encontro de expectativas previamente. Dessa forma, é possível ter uma visão mais apurada e ampla da empresa e seu quadro de profissionais, de suas fragilidades e de seus pontos fortes, oferecer feedba- ck e coaching estruturado e obter informações que sirvam de base a decisões relativas à gestão de pessoas. 1 INTRODUÇÃO A avaliação de desempenho é uma apreciação sis- temática do desempenho de cada pessoa, em função das atividades que ela desempenha, das metas e resultados a serem alcançados e do seu potencial de desenvolvimento. A avaliação de desempenho é um processo que serve para julgar ou estimar o valor, a excelência e as qualidades de uma pessoa e, sobretudo, qual é a sua contribuição para o negócio da organização. A avaliação do desempenho re- cebe denominações variadas como avaliação do mérito, avaliação de pessoal, relatórios de progresso, avaliação de eficiência individual ou grupal, etc. Varia enormemente de uma organização para outra. Na realidade, a avaliação do desempenho é um processo dinâmico que envolve o avaliado e seu gerente e representa uma técnica de direção imprescindível na atividade administrativa de hoje. É um excelente meio pelo qual se localizam problemas de supervisão e gerência, de integração das pessoas à organização, de adequação da pessoa ao cargo, de localização de possíveis dissonâncias ou carências de treinamento e, consequentemente, esta- belecer os meios e programas para eliminar ou neutralizar tais problemas. No fundo, a avaliação do desempenho constitui um poderoso meio de resolver problemas de de- sempenho e melhorar a qualidade do trabalho e a qualida- de de vida dentro das organizações. Neste contexto, o objetivo deste estudo é explorar na literatura uma tentativa de apresentar algumas reflexões teóricas acerca da avaliação de desempenho nas organiza- ções que, ao nosso entender, são de extrema importância para o alinhamento dos objetivos organizacionais e os ob- jetivos profissionais do colaborador. 2 FUNDAMENTAÇÕES TEÓRICAS 2.1 CONCEITOS DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO Segundo Dessler (2003),a avaliação de desempe- nho pode ser definida como a avaliação da relação en- tre o desempenho atual ou passada de um funcionário e seus padrões de desempenho. A avaliação de desempenho também presume que os padrões de desempenho foram estabelecidos e que você dará feedback ao funcionário para ajudá-lo a eliminar deficiências de desempenho ou a manter seu bom nível de desempenho. Para Chiavenato (2004), a avaliação de desempenho é um processo de redução de incerteza e, ao mesmo tem- po, de busca de consonância. A avaliação reduz a incerteza do funcionário ao proporcionar retroação a respeito do seu desempenho. Ela busca consonância na medida em que proporciona a troca de ideias e concordância de conceitos entre o funcionário e seu gerente. De acordo com Lucena (1992), o conceito de avalia- ção abrange como premissa básica a confrontação de algo que aconteceu (resultado) com algo que foi estabelecido antes (meta). Do ponto de vista da avaliação de desempe- nho no trabalho, este conceito assume outra dimensão, ou seja, não se trata apenas de confrontar o resultado alcan- çado com o objetivo estabelecido e chegar a uma conclu- são positiva ou negativa. A organização, por meio da ação gerencial no dia-a- dia de trabalho, precisa assegurar que o desempenho produza o resultado esperado, atuando pro ativamente no sentido de identificar os desvios de desem- penho e agir sobre as causas que provocaram os desvios. 2.2 POR QUE AVALIAR O DESEMPENHO? Para Chiavenato (2004), toda pessoa precisa receber re- troação a respeito de seu desempenho para saber como está fazendo seu trabalho. Sem essa retroação, as pessoas cami- Gestão de Pessoas e Consultoria Organizacional Avaliação de Desempenho 6 nham às cegas. Também a organização precisa saber como as pessoas desempenham suas atividades para ter uma ideia de suas potencialidades. Assim, pessoas e organizações preci- sam conhecer algo a respeito de seu desempenho. De acordo com Dessler (2003), os chefes avaliam o desempenho de seus funcionários por três razões princi- pais: primeiro a avaliação traz informações importantes para as decisões sobre promoções e aumento de salário. Segundo, permite que chefes e funcionários desenvolvam um plano para corrigir qualquer deficiência que possa ter sido revelada por ela e também permite o reforço dos pon- tos positivos do desempenho dos funcionários. Finalmen- te, as avaliações podem ser úteis para o planejamento de carreira, pois oferecem a oportunidade de revisar os pla- nos de carreira dos funcionários à luz das forças e fraque- zas demonstradas. 2.3 QUEM DEVE AVALIAR O DESEMPENHO? Autores como Dessler (2003) e Chiavenato (2004), afirmam que a avaliação pode ser feita pela própria pessoa (autoavaliação), pelo gerente, pela pessoa e o gerente, pela equipe de trabalho, pelos parceiros ao redor (360º), para cima, pelo órgão de RH ou pela comissão de avaliação. • Autoavaliação – É o próprio indivíduo o responsável pelo seu desempenho e sua monitoração, com a ajuda do seu superior. Cada pessoa se avalia constantemente quan- to à sua performance, eficiência e eficácia, tendo em vista determinados parâmetros fornecidos pelo seu superior ou pela tarefa; • O gerente – O supervisor geralmente está na melhor posição para observar e avaliar o desempenho do seu funcio- nário, além de ser o responsável por esse desempenho; • O indivíduo e o gerente – Nessa alternativa, o gerente funciona como o elemento de guia e orientação, enquanto o funcionário avalia seu desempenho em função da retro- ação fornecida pelo gerente. Um intercâmbio no qual cada um contribui com algo para obtenção de resultados; • A equipe de trabalho – Nesta modalidade, é a pró- pria equipe de trabalho que avalia o desempenho de cada um de seus membros e programa com cada um as provi- dências necessárias para a sua melhoria. Esse tipo de ava- liação tem se tornado mais popular e podem ser efetivas; • Avaliação 360º – Com a avaliação 360º, as informa- ções sobre o desempenho são coletadas de todas as pes- soas ao redor do funcionário: seus supervisores, funcio- nários, colegas e clientes internos ou externos. Em geral, avaliação 360° é usada para desenvolvimento, não para aumentos salariais. O processo normal é fazer com que várias pessoas preencham pesquisas de avaliação sobre um indivíduo; sistemas computadorizados compilam os dados em relatórios individualizados que são apresenta- dos à pessoa que está sendo avaliada. Ela pode então se reunir com seu supervisor para desenvolver um plano de autodesenvolvimento; • Avaliação para cima – Algumas empresas fazem com que os funcionários avaliem o desempenho dos seus supervisores um processo que muitos chamam de feedba- ck ascendente. Esse feedback pode ajudar os gerentes a diagnosticar estilos de gerenciamento, identificar poten- ciais problemas pessoais e executar ações corretivas com determinados gerentes quando for necessário; • Comissão de avaliação – Um comitê de avaliação é geralmente composto pelo supervisor imediato do funcio- nário e por três ou quatro outros supervisores. O uso de múltiplos avaliadores pode ser vantajoso, pois pode anu- lar problemas como os vieses individuais dos avaliadores. Pode ser também uma maneira de avaliar as diferentes facetas do desempenho de um funcionário observadas por diferentes avaliadores. É provavelmente por isso que as avaliações compostas tendem a serem mais confiáveis, justas e validas do que aquelas feitas por apenas um su- pervisor; • O órgão de RH – Nesta alternativa, o órgão de RH assume totalmente a responsabilidade pela avaliação do desempenho de todas as pessoas da organização. Quase sempre, as informações sobre o desempenho são obtidas com cada gerente e processadas e interpretadas, gerando relatórios ou programas de providências que são coorde- nados pelo órgão de RH. 2.4 MÉTODOS TRADICIONAIS DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO Segundo Chiavenato (2004), avaliar o desempenho de um grande número de pessoas dentro das organizações utilizando critérios de equidade e de justiça e, ao mesmo tempo, estimulando as pessoas, não é tarefa fácil. Por esta razão, muitas organizações constroem seus próprios siste- mas de avaliação ajustados às características peculiares de seu pessoal. 2.4.1 Método de escalas gráficas De acordo com Dessler (2003), o método de escalas gráficas relaciona uma série de aspectos e suas respectivas escalas de desempenho. São listados os aspectos (como qualidade e confiabilidade) e uma escala de valores de desempenho (este caso, de insatisfatório a excelente) para cada aspecto. O supervisor avalia cada funcionário assina- lando a classificação que melhor descreve o desempenho desde em cada aspecto. A pontuação final de todos os as- pectos é então totalizada. Segundo Chiavenato (2004), o método das escalas gráficas avalia o desempenho das pessoas através de fato- res de avaliação previamente definidos e graduados. Para tanto, utiliza um formulário de dupla entrada, no qual as linhas horizontais representam os fatores de avaliação do Gestão de Pessoas e Consultoria Organizacional Avaliação de Desempenho 7 desempenho, enquanto as colunas verticais representam os graus de variação daqueles fatores. Os fatores serão previamente selecionados e escolhidos para definir em cada pessoa as qualidades que se pretende avaliar. Cada fator é definido com uma descrição sumária, simples e objetiva. Quanto melhor esta descrição, tanto maior a pre- cisão do fator. 2.4.2 Método de classificação alternada Para Dessler (2003), classificar os funcionários segun- do um ou vários aspectos é outro método de avaliação popular. Como é geralmente mais fácil distinguir entre os piores e os melhores funcionários do que pontuá-los, o método de classificação alternada é útil. Nele, usa-se um formulário para indicar o melhor funcionário quanto ao as- pecto medido e também o que é o pior, alternandoentre melhor e pior até que todos os funcionários tenham sido colocados. 2.4.3 Método de comparação entre pares Segundo Dessler (2003), com o método de compara- ção entre colegas, todos os funcionários a serem avaliados são comparados com cada um dos demais funcionários em cada aspecto. Por exemplo, suponha que haja cinco fun- cionários a serem classificados por esse método. Um qua- dro mostra todos os possíveis pares de funcionários para cada aspecto. Então, para cada funcionário, o supervisor indica (com sinal de mais ou de menos) se ele é melhor ou pior que cada um dos demais funcionários naquele aspec- to. Em seguida, soma-se o número de vezes que um funcio- nário foi classificado como melhor. 2.4.4 Método de escolha forçada Segundo Pontes (1996), o método parte do pressu- posto que deve existir, em uma empresa, uma curva normal de desempenho, isto é, alguns funcionários com desempe- nhos ruins, certo número de funcionários com desempe- nhos bons e alguns outros com desempenhos excelentes. Consiste, portanto, na distribuição dos funcionários de uma empresa nesses grupos predefinidos de desempenho. De acordo com Chiavenato (2004), o método consiste em avaliar o desempenho das pessoas através de frases descritivas que focalizam determinados aspectos do com- portamento. Cada bloco é composto de duas, quatro ou mais frases. O avaliador deve escolher forçosamente ape- nas uma ou duas frases de cada bloco que mais se aplicam ao desempenho do funcionário avaliado. Ou então, esco- lher a frase que mais representa o desempenho do funcio- nário e a frase que mais se distancia dele. 2.4.5 Método dos incidentes críticos Segundo Dessler (2003), no método dos incidentes crí- ticos, faz-se um registro de exemplo excepcionalmente bons ou indesejáveis dos comportamentos de trabalho de um funcionário e revisa-se esse registro com esse funcionário em períodos determinados. O método de incidentes críti- cos é frequentemente usado para suplementar um método de classificação. Ele garante que o supervisor pense sobre a avaliação do funcionário durante o ao todo, já que os in- cidentes precisam ser registrados; assim, a avaliação não reflete apenas o desempenho mais recente do funcioná- rio. Uma lista de incidentes críticos pode também fornecer exemplos concretos do que os funcionários podem fazer especificamente para eliminar deficiências de desempenho. Para Pontes (1996), o método dos incidentes críticos tem como pressuposto que no comportamento dos indi- víduos existem certas características que podem levar a resultados normais, muito positivos, ou muito negativos. O método não tem a preocupação de avaliar as situações normais, mas, sim, os extremos de comportamento, tantos positivos quanto negativos no trabalho. O método pres- supõe observação e registro sistemático, tanto dos fatos positivos quanto dos negativos, por parte do líder, sobre o comportamento das pessoas de sua equipe, nas situa- ções de trabalho. A finalidade é encontrar as exceções en- tre os membros das equipes de trabalho. 2.5 MÉTODOS MODERNOS DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO Conforme Chiavenato (2004), as limitações dos méto- dos tradicionais de avaliação do desempenho têm levado as organizações a buscar soluções criativas e inovadoras. Estão surgindo novos métodos de avaliação do desempe- nho que se caracterizam por uma colocação totalmente nova do assunto: autoavaliação e auto direção das pesso- as, maior participação do funcionário em seu próprio pla- nejamento de desenvolvimento pessoal, foco no futuro e na melhoria contínua do desempenho. 2.5.1 Administração por objetivos (APO) De acordo com Pontes (1996), na APO os objetivos são definidos como os alvos que os indivíduos ou as organizações procuram alcançar em um determinado período. Portanto, os objetivos podem ser individuais, departamentais ou organiza- cionais. Quando, as organizações, os departamentos e as pes- soas têm objetivos definidos, estes contribuem para o aumen- to da produtividade, qualidade dos produtos e serviços da empresa e, por outro lado, aumentam a motivação e o poder de realização dos indivíduos no trabalho. Para Dessler (2003), o método de administração por objetivos (management by objectives) requer que o ge- rente estabeleça metas mensuráveis para cada funcionário e discuta periodicamente o processo deste em direção as Gestão de Pessoas e Consultoria Organizacional Avaliação de Desempenho 8 metas. O termo APO em geral se refere a um programa de estabelecimento de metas e avaliações que abrange toda a empresa composta por seis etapas: 1) Estabelecer as metas da organização; 2) Estabelecer as metas departamentais; 3) Discutir as metas departamentais; 4) Definir resultados esperados; 5) Conduzir revisões de desempenho e medir os resultados; 6) Dar feedback. 2.5.2 Avaliação participativa por objetivos (APPO) Ainda segundo Chiavenato (2004), na moderna con- cepção, a avaliação do desempenho começa não pela apreciação do passado, mas pela focalização no futuro. Ou melhor, está mais orientada para o planejamento do desempenho futuro do que para o julgamento do desem- penho passado. E não fica somente nisso: procura orientar o desempenho para fins e objetivos previamente negocia- dos e fixados cerca-lo de todos os recursos necessários para a sua adequada consecução, medi-lo com medições adequadas e comparativas e, sobretudo, procura dar-lhe consistência através de constante retroação e avaliação contínua. Tudo para assegurar um desempenho conforme as necessidades da organização e os objetivos de carreira do avaliado. Chiavenato (2004) define seis etapas da avaliação do desempenho dentro da APPO: 1) Formulação de objetivos consensuais; 2) Comprometimento pessoal quanto ao alcance dos objetivos conjuntamente formulados; 3) Negociação com o gerente sobre a locação dos re- cursos e meios necessários para o alcance dos objetivos; 4) Desempenho; 5) Constante monitoração dos resultados e compara- ção com os objetivos formulados; 6) Retroação intensiva e contínua avaliação conjunta. CONSIDERAÇÕES FINAIS A avaliação de desempenho é um método que visa, continuamente, estabelecer um contrato com os funcioná- rios referente aos resultados desejados pela organização, acompanhar os desafios propostos, corrigindo os rumos, quando necessário, e avaliar os resultados conseguidos. É o sopro de vida da organização, e sem sua existência o planejamento ou as estratégias organizacionais não farão o menor sentido. O processo de avaliação consiste na de- finição dos resultados esperados, tendo como palco o pla- nejamento estratégico ou as estratégias da organização, o acompanhamento diário do progresso, a solução contínua dos problemas que ocorrem e a revisão final dos resul- tados conquistados, para elaboração das propostas fu- turas. A avaliação de desempenho, portanto, visa, além de estabelecer os resultados a serem perseguidos pelos indivíduos, acompanhar o processo de trabalho e fornecer feedback constante. REFERÊNCIAS BOHLANDER, G.; SNELL, S.; SHERMAN, A. Administração de recursos humanos. São Paulo: Pioneira Thomsom, 2005. CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas: e o novo papel dos recursos huma- nos nas organizações. 2 ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. DESSLER, G. Administração de recursos. São Paulo: Prentice Hall, 2003. DUTRA, J. S. Gestão de Pessoas: modelo, processos, tendências e pers- pectivas. São Paulo: Atlas, 2002. GIL, A. C. Gestão de Pessoas. São Paulo: Atlas, 2001. LUCENA, M.D.S. Avaliação de desempenho. São Paulo: Atlas, 1992. PONTES, B.R. Avaliação de desempenho: nova abordagem. São Paulo: LTr, 1996. RIBEIRO, A. L. Gestão de Pessoas. São Paulo: Saraiva, 2005. ROBBINS, S. P. Fundamentos do comportamento organizacional. São Paulo: Prentice-Hall, 2004. VERGARA, S. C. Gestão de Pessoas. São Paulo: Atlas, 2005. ANOTAÇÕES __________________________________________ ______________________________________________________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ __________________________________________ __________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ __________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ __________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ __________________________________________ _________________________________________ ________________________________________ Gestão de Pessoas e Consultoria Organizacional Avaliação de Desempenho 9 Considerações sobre avaliação de desempenho Marina Becker Reifschneider Resumo: O objetivo deste artigo é oferecer uma visão geral do processo de avaliação de desempenho: significado, obs- táculos a implementação e efetividade, benefícios, proble- mas, abordagens, práticas e componentes essenciais, com foco especial na avaliação de professores. Ênfase é dada ao desenvolvimento de indicadores de desempenho. Para fina- lizar é apresentada uma proposta de avaliação que leva em consideração os tópicos discutidos, delineando as principais fases e participantes do processo. Espera-se demons- trar que esse processo, essencial para a saúde institucional e para a qualidade de seu serviço e produto, deve ser partici- pativo, dinâmico e sujeito a constantes revisões. 1 INTRODUÇÃO Cada vez mais a qualidade de serviços e produtos é reconhecida como essencial para o desenvolvimento, tan- to individual quanto institucional. Dada a importância de se determinar qualidade, este texto procura sensibilizar instituições, em especial as educacionais, para a necessi- dade de se adotar em políticas de avaliação. Na área de educação a qualidade de ensino está claramente relacionada à quali- dade dos professores. De fato, estudos americanos demonstram que a qualida- de do professor é um melhor indicativo de aprendizagem do que a tão estudada diferença racial e socioeconômica (STRAUSS, 2007). Nos Estados Unidos, desde a promulga- ção da lei No Child Left Behind (HOFF; KELLER, 2007), há cinco anos e meio, o governo federal investe bilhões de dólares no desenvolvimento de seu professorado e oferece incentivos para que bons professores assumam postos em escolas menos privilegiadas. O processo de avaliação é discutido a partir de uma discussão de seu significado. Também são discutidos os conflitos causados pela avaliação e obstáculos à eficiência do processo. Um conciso histórico de métodos de avaliação é apresentado, passando dos tradicionais à avaliação parti- cipativa por objetivos (APPO) e ao feedback de 360 graus. Especial ênfase é dada à avaliação de professores, sem, no entanto, esquecer a importância de se avaliar a gerência ou direção. O tópico de indicadores de desem- penho também é discutido, e sugestões para o desenvol- vimento de indicadores de desempenho de professores e para o estabelecimento de objetivos específicos são apre- sentadas. Para finalizar é apresentada uma proposta de avaliação que leva em consideração os tópicos discutidos. Um gráfico delineia as principais fases e partici- pantes do processo e facilita a visualização do processo apresentado. Porque avaliar De acordo com Drucker (1989), toda organização sofre da constante tentação de permanecer em uma me- diocridade segura; logo, o primeiro requisito para a saúde organizacional é a demanda por alto desempenho. Drucker também alerta para o perigo de se confundir insucesso com baixo desempenho; pois o funcionário medío- cre é aquele que não se arrisca, se restringindo ao desempenho seguro e conformista. Ele nos lembra que desempenho é o balanço de sucessos e insucessos. Aqui reside a impor- tância da avaliação, cujas funções primordiais devem ser demonstrar qualida- de e permitir a melhoria dessa qua- lidade (ROGERS; BADHAM, 1994), encorajando riscos que possam elevar padrões. Entretanto, o conceito de qualida- de é muitas vezes nebuloso, dificultando essa avaliação. Atualmente, do ponto de vista administrativo, os dois principais propósitos do processo são auxiliar o administra- dor a avaliar desempenho passado e a promover o desen- volvimento de pessoal (REDMON, 1999); contrário do que se fazia até meados da década de 80, quando a maior par- te dos sistemas de avaliação se preocupava somente com desempenho passado e não com potencial futuro (FIDLER, 1989). Estu- dos indicam que avaliações de desempenho trazem quatro benefícios principais: maior alinhamento entre metas pessoais e metas institucionais, melhora no processo de supervisão, incremento da comunicação entre supervisores e funcionários e uma maior abrangência do próprio processo de avaliação (KERSTEN; ISRAEL, 2005). O que é avaliação de desempenho Quando se fala em avaliação de desempenho, deveria estar subentendido o processo sistemático de coleta de da- dos, orientado por critérios pré-estabelecidos e conhecidos por aqueles que serão avaliados, o que permite a formação de um julgamento de valor basea- do em evidências (ROGERS; BADHAM, 1994) e a tomada de decisões relativas a desenvol- vimento pessoal e planejamento. Este processo requer que funcionários participem da ela- boração de indicadores e da coleta de dados que demonstrem seu desempenho. Entretanto, freqüentemente, ao invés de uma avalia- ção de desempenho, o que se faz é simplesmente um julga- mento de valor sem base concreta, sem critérios definidos ou válidos, freqüentemente comunicado post factum ao funcionário. É exatamente essa atitude, decorrente da falta de preparo e entendimento do processo por parte de ge- ren- tes e da falta de estrutura institucional para avaliação e treinamento que leva à insatis- fação dos funcionários. Avaliação em instituições de ensino A avaliação de desempenho em instituições de ensi- Gestão de Pessoas e Consultoria Organizacional Avaliação de Desempenho 10 no, principalmente de ensino superior, apresenta desafios particulares. Fidler (1989) identifica sete áreas que difi- cul- tam o processo nestas instituições: 1) dificuldade em se gerenciar pessoal profissi- onal, conhecido por sua inde- pendência; 2) falta de clareza quanto aos objetivos institu- cionais; 3) incerteza quanto a recompensas; 4) dificuldade de se avaliar ensino, já que pesquisadores, professores e alunos não concordam quanto aos critérios indi- cativos de um ‘bom ensino’; 5) muitos níveis de supervisão; 6) falta de tempo e 7) falta de infra-estrutura organizacional. Além dis- so, a prática sistemática de se obser- var em aulas, comum na avaliação de professores, também não tem correspon- dên- cia direta em outras profissões (FIDLER, 1989). Avaliação e conflito A literatura na área identifica um conflito básico en- tre os objetivos da organização e do funcionário em rela- ção à avaliação de desempenho (BEER, 1986 apud FIDLER, 1989). De acordo com Beer, a organização deseja que os funcionários sejam recep- tivos a informações negativas para que possam melhorar seu desempenho, enquanto os funcionários desejam confirmar sua imagem positiva e obter recompensas. É pre- ciso então estar atento à possi- bilidade de que, para obter uma boa avaliação, funci- oná- rios muita vezes recorrem à autopromoção e à bajulação; o que, infelizmente, costuma dar resultados (MILKOVICH;BOUDREAU, 2000). Este fato reforça a neces- sidade de se estabelecerem critérios objetivos de desempenho. Para o gerente, a avaliação tem duas instâncias, uma formativa, que visa à melhoria de processos e desempenho futuro e outra somatória, que visa à avalia- ção de desem- penho passado; esse duplo propósito do processo de ava- liação é fonte de controvérsia entre estudiosos (REDMON, 1999). O fato de a avaliação de desempenho influenciar recompensas (pagamento e reconhecimento), carreiras (pro- moção, demissão e reputação), assim como a auto- -imagem do funcionário, impe- de que este esteja aberto ao diálogo franco necessário a sua avaliação e desenvol- vi- mento pessoal (BEER, 1986 apud FIDLER, 1989). O conflito entre objetivos organizacionais e pessoais é maior quan- do o funcionário tem um desempenho consis- tentemen- te abaixo do desejado; situação que pode requerer entre- vistas disciplina- res (FIDLER, 1989). Fidler também alerta para o fato de que inevitavelmente um processo de avalia- ção indicará uma minoria com desempenho insatisfatório e que a tentação de se evitar o problema para se manter boas relações é grande; mas esta atitude é somente paliati- va e pode minar todo o processo. É preciso lembrar que de- sempenho insatisfatório também pode ser devido a falhas institucionais e/ou de gerenciamento, ou a influências ex- ternas, e não só a deficiências do funcionário (STEINMETZ, 1985 apud FIDLER, 1989). Sugestões para minimizar conflito De modo a diminuir o conflito entre objetivos organi- zacionais e pessoais, uma série de medidas é recomendada (BEER, 1986 apud FIDLER, 1989): • separação entre avaliação formativa e somatória, adotando-se dois processos distintos separados no tempo por seis meses; • escolha de critérios apropriados de avaliação; descrição abran- gente e precisa de funções; declaração objetiva e mensurável do desempenho esperado; e descri- ção clara das habilidades, co- nhecimento e características pessoais esperadas; • reconhecimento de diferenças individuais no desenho de sistemas de avaliação, já que, por exemplo, funcionários novos podem precisar de avaliações mais fre- qüentes; • avaliação de baixo para cima; isto é, permitir que os funcionários também avaliem o desempenho de seu su- pervisor, o que ajuda a quebrar barreiras; • uso apropriado de estilo de entrevista que leve o funcionário a reconhecer que deve melhorar seu desempe- nho ou que promova uma maior comunicação entre super- visor e funcionário e condu- za à mudança de atitude deste. Obstáculos à eficiência do processo São diversos os fatores que podem interferir na efici- ência de um processo de avaliação, a começar pelo próprio processo escolhido. Um problema básico é a importação de sistemas de uma organização a outra; o que raramente funciona de modo satisfatório. Davis (2007) nos lembra que o fato de uma prática funcionar bem em um contexto não significa que funcionará em outro. Outros obstáculos são a falta de comprometimento por parte dos gerentes; ausên- cia de medidas que dêem prosseguimento ao processo, tais como treinamento; tem- po necessário; restrições inerentes ao modelo de avaliação adotado e padrões desiguais de avaliação entre avaliado- res (LONG, 1986 apud FIDLER, 1989); padrões esses que tendem a ser associados aos níveis de competência dos avaliadores (BRADSHAW, 1996). Outra importante barreira é a inadequação do processo à cultura organizaci- onal (FI- DLER, 1989); que, em si, pode desestimular uma avaliação abrangente e honesta, levando a uma erosão do processo (KERSTEN; ISRAEL, 2005). Métodos tradicionais de avaliação São cinco os métodos tradicionais mais utilizados de acordo com Chiavenato (2004): escalas gráficas, esco- lha forçada, pesquisa de campo, incidentes críticos e listas de verificação. A crítica que se faz a esses métodos é que Gestão de Pessoas e Consultoria Organizacional Avaliação de Desempenho 11 são burocráticos e rotineiros e que consideram as pessoas como sendo homogêneas. Milkovich e Bou- dreau (2000) também mencionam observação física, escalas de classi- ficação com indicações comportamentais e relatórios ou diários. Escalas gráficas ou de classificação não levam em consideração cargos individuais e utilizam como fatores de avaliação atitudes e comportamentos valorizados pela or- ganização, tais como pontualidade, assiduidade, lealdade, honestidade, entre outros (CHIAVENATO, 2004). Um formu- lário que lista os fatores na horizontal e os níveis ou graus de desempenho na vertical é utilizado. Esse método é cri- ticado por sua superficialidade, generalização, subjetivi- dade, rigidez e por reduzir a avaliação a valores numéricos. Entretanto, é um dos métodos mais antigos e utilizados (MILKOVICH; BOUDREAU, 2000). O método de escolha forçada também focaliza aspec- tos comportamentais, mas utiliza blocos de frases descriti- vas ao invés de pontuação. O avaliador é forçado a escolher uma frase de cada bloco para descrever o desempenho do funcionário. É de planejamento complexo, não permite comparação nem uma visão global e é pouco conclusivo (CHIAVENATO, 2004). Este método é similar ao de escalas de classifica- ção com indicações comportamentais descri- to por Milkovich e Boudreau (2000). Pesquisa de campo é considerada um dos mais com- pletos dos métodos tradicio- nais. É composto de quatro fases: entrevista inicial entre gerentes e um especialista em avaliação, entrevista complementar, planejamento de providências e acompanhamen- to de resultados. O for- mulário é composto de perguntas que guiam cada fase. Apesar de proporcionar uma avaliação profunda e permitir planejamento para um melhor desempenho futuro, é um processo demorado e caro (CHIAVENATO, 2004). O método de incidentes críticos se baseia em instân- cias de desempenho positivos ou negativos e não em de- sempenho normal. É parcial e tendencioso (CHIAVENATO, 2004). De acordo com Milkovich e Boudreau (2000), pode ser incluído como um dos itens de outros métodos de avaliação. O método de listas de verificação é uma simplifica- ção do método de escalas gráficas, em que o gerente utiliza check-lists para quantificar o desempenho do funcionário (CHIAVENATO, 2004). Estas listas indicam comportamentos, adjetivos ou descrições e cada item contribui para a soma que indica o desempenho (MILKOVICH; BOUDREAU, 2000). A observação física é utilizada não só para avaliar o desempenho de trabalhado- res manuais e atletas, mas também de outros profissionais, tais como usuários de computador. Nesse caso, esse método tem, inclusive, le- vado à ação disciplinar ou demissão, nos Estados Unidos, daqueles funcionários que, por exemplo, surfam a Web de modo supérfluo. É também freqüentemente utilizada para verificar o uso de drogas (MILKOVICH; BOUDREAU, 2000). Relatórios e diários, onde supervisores descrevem o desempenho de funcionári- os, inclusive pontos fortes e fracos, também são usados para avaliar desempenho (MILKOVICH; BOUDREAU, 2000). Avaliação participativa por objetivos (APPO) Os métodos modernos surgiram em reação às limi- tações dos tradicionais e buscam a participação do funcio- nário e a melhoria do desempenho. De acordo com Chiave- nato (2004), o método APPO é democrático, participativo, envolvente e motivador. É constitu- ído de seis fases: for- mulação de objetivos consensuais, comprometimento pessoal quanto ao alcance desses objetivos, negociação sobre alocação de recursos e meios para se alcançar os objetivos, desempenho, monitoramento dos resultados e comparação com objetivos formulados, retroação intensi- va e avaliação conjunta e contínua. Feedback de 360º Esse método foi desenvolvido com o fim de promo- ver o desenvolvimento pessoal e não de avaliar, daí o uso da expressão feedback (retroalimentação) e não avaliação. A carac- terística singular desse processo, quando utilizado de acordo com sua concepção original, é que o avaliado é o único a receber uma cópia do relatório de feedback. Nosúltimos anos tem-se intensificado seu uso, inclusive com o objetivo de avaliar desempenho, e diversos modelos des- sa abordagem, variando em complexidade, são emprega- dos. Esse processo procura obter informações de múltiplas fontes (supervisores, pares e clientes internos e exter- nos) através de questionários anônimos e de auto-avaliações. Anonimato é importante principalmente no caso de ava- liação de supervisores por funcionários. Comumente, da primeira vez em que é utilizado provoca reações de cho- que, raiva e rejeição dos resultados. Entretanto, depois dessa reação inicial, espera-se que uma séria consideração dos resulta- dos leve à elaboração de planos de desenvol- vimento pessoal (BRACKEN et al., 2001). Ainda não há um consenso quanto a sua efetividade, sobretudo no que se refere ao seu uso em decisões que determinam avaliação de desempenho, pagamento, colocação, promo- ção ou dispensa (BRACKEN et al., 2001). Neste caso, é necessá- rio que o avaliador também receba o relatório. Como em qualquer processo, é necessário que seja justo e principal- men- te que seja percebido como tal. De qualquer modo, o item determinante de seu sucesso é a responsabilidade: dos avaliadores em apresentar um feedback honesto, do avaliado em fazer uso das informações e da instituição em dar o apoio necessário. Gestão de Pessoas e Consultoria Organizacional Avaliação de Desempenho 12 Avaliação de professores Diferentes processos de avaliação, que também procu- ram incluir informações de di- versas fontes, surgiram como resultado do conflito entre administradores e professores. Redmon (1999), analisando artigos do banco de dados do Centro de Informação de Recursos Educacionais – ERIC, do Ministério da Educação (EUA), desde 1983, indica que um des- ses processos é a Abordagem Processual. Esta combina uma seqüência de auto-avaliações, avaliações por pares, adminis- tradores e alunos. Normalmente esta abor- dagem é compos- ta de cinco fases: 1) entrevista de pré-avaliação na qual são discutidos os objetivos e itens a serem avaliados; 2) observa- ção de aula; 3) auto-avaliação, avali- ação por alunos e lista de atividades de desenvolvimento profissional; 4) entrevista de revisão de desempenho; e 5) julgamento baseado nos dados coletados. Este processo prevê ainda a possibilidade de recur- so, caso o professor discorde da avaliação feita. Redmon (1999) diz que outra abordagem com boa acei- tação é a desenvolvimentista. Nesta abordagem os professo- res criam um portfólio de ensino, contendo documentos e materiais indicativos da extensão e qualidade de seu desem- penho, tais como planos de aula, trabalhos de alunos com exemplo de correções, anotações de casos e observações; um dossiê, contendo, por exemplo, informações sobre cursos feitos; e uma auto-avaliação descrevendo pontos fortes e rea- lizações. De modo a evitar excessos, é necessário limitar a ex- tensão do portfólio e indicar os materiais a serem coletados. Resistência inicial também tem sido verificada em relação a essa abordagem. As melhores práticas na área de avalia- ção de desempenho de professores combinam características dessas duas abordagens. Avaliação da direção A avaliação de pessoas em cargos de direção ou ge- rência, muitas vezes sem superiores imediatos, também apresenta dificuldades. Entretanto, os subordinados têm o direito de serem gerenciados por pessoas competentes, de- dicadas e capazes de alto desempenho (DRUCKER, 1989). Latham (apud MUCHINSKY, 1990), explora a possibilidade de que baixo desempenho por parte de funcionários possa ser atribuído ao fato de terem chefes incompetentes; neste caso, ações corretivas devem ser direci- onadas à supervi- são. Para que o processo de avaliação tenha credibilidade e aceita- ção, principalmente por parte do público interno, esta avaliação se faz necessária. Além da avaliação de bai- xo para cima, uma abordagem adicional seria a avaliação conjunta por assessores e outros funcionários do mesmo nível administrativo. Indicadores de desempenho Conflito sobre critérios de desempenho pode afe- tar motivação e satisfação de funcio- nários (MUCHINSKY, 1990). Blum e Naylor (apud MUCHINSKY, 1990), indicam que esses critérios devem ser confiáveis, realísticos, re- presentativos, relacionados a outros critérios, aceitos por analistas de funções e pela gerência, consistentes de uma situação à outra, previsíveis, de baixo custo, mensuráveis, relevantes, não tendenciosos e sensíveis. Antes de definir os indicadores de desempenho, é ne- cessário estabelecer 1) áreas a serem avaliadas, 2) fontes de informação, 3) meios e modo de coleta de dados, 3) ins- trumentos de coleta e 4) período de coleta. O modo como essas informações serão utilizadas também deve ser deci- dido a priori. A formulação de indicadores mensurá- veis de sucesso e a obtenção de dados concretos para a tomada de decisões relativas a pagamento e promoções são os itens que apresentam as maiores dificuldades. De modo a sistematizar essa tarefa, Aspinwall e ou- tros (1994) sugerem que se siga uma série de perguntas re- lacionadas ao programa ou atividade a ser avaliada: 1. O que se procura alcançar? Determinar o propósi- to específico da avaliação. 2. Que indicadores de sucesso são apropriados? De- senvolver uma estrutura que relacione as principais áreas de desempenho e respectivos indicadores. 3. Como se deve coletar e processar os dados? Deter- minar instrumentos a serem usados (questionários, entre- vistas, bancos de dados) e método de análise. 4. Com que se podem comparar os resultados da avaliação? Colocar informa- ções em perspectiva: compa- rar com desempenho em lugares similares, com um pe- rí- odo anterior (progresso) e/ou com metas traçadas. 5. Que outras informações podem ajudar a contex- tualizar os resultados? Levar em conta fatores que podem limitar a validade da comparação (porcentagem aluno/ professor, habilidade dos alunos, etc.). 6. Que conclusões legítimas se podem tirar? Consi- derar 1) a relevância das informações com o foco da ques- tão, 2) se as informações refletem a complexidade da ques- tão, 3) se são válidas, isto é, se representam o que devem representar e 4) se são replicáveis, ou seja, se outra pessoa chegaria às mesmas conclusões. 7. Quais ações devem ser tomadas a seguir? Tomar decisões que conduzam à solução de problemas, de outro modo o processo de avaliação não terá valor. Indicadores de desempenho de professores O pagamento por mérito associado às notas dos alu- nos em testes padronizados está ganhando notoriedade no sistema educacional público americano e vem sendo im- ple- mentado em várias capitais de estados e no distrito fe- deral daquele país. Proponentes do sistema acreditam que as notas refletem a efetividade de professores. Entretanto, os críti- cos, em sua grande maioria professores, apontam Gestão de Pessoas e Consultoria Organizacional Avaliação de Desempenho 13 diversos problemas associados ao sistema; como, por exemplo, o enorme número de variáveis que podem afetar notas, tais como habilidades específicas e nível socioeco- nômico (THE ASSOCIATED PRESS, 2007). A Aliança para Serviços Educacionais da Região Oeste – WRESA, Carolina do Norte, EUA, disponibiliza um formu- lário para avaliação de professores baseado em oito fun- ções do ensino (TEACHER ..., 2007): 1. gerenciamento do tempo de instrução; 2. gerenciamento do comportamento de alunos; 3. apresentação da instrução; 4. monitoramento da instrução; 5. feedback da instrução; 6. facilitação da instrução; 7. comunicação com o ambiente educacional; e 8. realização de funções não relacionadas à instrução. Antes de decidir quais indicadores serão utilizados, é interessante que se faça um levantamento de dados dispo- níveis que possam ser úteis, tais como registro de presen- ça do professor, registros de uso de laboratórios e equipa- mentos, estatísticas sobre alunos (presença, desistência, notas). Quando utilizados, questionários para professo- res e alunosdevem ser curtos e diretos, requerendo somente informações essenciais. Objetivos específicos Uma vez decididas as funções de ensino ou desem- penho profissional a serem avalia- dos, os objetivos espe- cíficos devem ser claramente descritos. Na elaboração dos instru- mentos é preciso relacionar os indicadores a esses objetivos. Os indicadores devem ser elaborados de modo a possibilitarem a medida do desempenho. Este é um pro- cesso circular, já que a elaboração dos critérios de desem- penho pode ajudar a especificar os objetivos. Para que não haja desentendimentos e avaliações subjetivas, sujeitas a simpa- tias e antipatias individuais, é preciso que o instru- mento seja bastante específico. Por exemplo, na área de ‘apresentação da instrução’, em um primeiro momento, o objetivo específico ‘incre- mentar a relação entre ensino e trabalho’ parece apropria- do. Entretanto ele é muito vasto e não mensurável. Para que possamos medi-lo, é necessário que seja expresso de outro modo, como por exemplo: ‘usar sites autênticos na língua-alvo relacionados à informáti- ca’. Assim, os indica- dores poderiam ser os números de sites relevantes utiliza- dos. As notas de desempenho seriam: superior (uso de ao menos um site por unidade); satisfatório (uso de sites em pelo menos 60% das unidades) e insatisfatório (uso de si- tes em menos de 60% das unidades). O processo de avaliação Vimos assim que a avaliação é um processo complexo composto de diversas fases e que deve envolver superviso- res e funcionários. A seguir, é apresentada uma proposta de processo de avaliação que leva em consideração os temas discutidos acima e que incor- pora as tendências atuais. O gráfico abaixo procura ilustrar o dinamismo de tal processo. Gráfico 1 - Processo de avaliação de desempenho. Fonte: o Autor (2007). As duas primeiras fases são preparatórias, anteriores ao período de avaliação. Na fase de formulação de obje- tivo é decidido o que avaliar e são determinadas as áreas específicas. Em seguida, são elaborados os indicadores de desempenho e os instrumen- tos de coleta de dados; deter- minados os documentos comprobatórios e o modo de co- leta, indicando inclusive quem deverá coletá-los. Só então, no início do período de avaliação, é conduzida a primeira entrevista que determinará, mediante acordo entre supe- rior e funcionário, as metas a serem alcançadas por cada funcionário. Os dados são então coletados ao longo desse período, conforme estipulado. O modo como as informa- ções serão avaliadas deve ser determinado antes da coleta de dados para evitar favoritismos. A análise dos dados será feita com base nessa determinação e as metas alcançadas serão comparadas às estabelecidas na primeira entrevista. Durante a entrevista final o funcio- nário é informado do resultado da análise e, caso discorde, pode pedir uma re- avaliação dos dados pelo próprio superior. Se ainda per- manecer insatisfeito, uma instância superior, determinada a priori para esses casos, pode ser consultada. Decisões relativas a desen- volvimento de pessoal e planejamento deverão ser baseadas nessa análise. Conclusão O processo de avaliação apresentado acima é, ao mesmo tempo, geral e especí- fico. Geral no sentido de que pode ser aplicado a diversos contextos institucionais, Instância superior Formulação de objetivos: áreas específicas Formulação de indicadores de desempenho Desenvolvimento de instrumentos de coleta Determinação de documentos comprobatórios, modo de coleta e método de análise Entrevista Inicial: Estabelecimento de metas Gerente Coleta de dados Funcionário Análise de dados e Formação de juízo Entrevista Final Reavaliação dos dados Decisões relativas a desenvolvimento de pessoal e planejamento Gestão de Pessoas e Consultoria Organizacional Avaliação de Desempenho 14 Proposta de Prestação de Serviços de Pesquisa de Clima Organizacional e específico no sentido de que aborda todas as etapas con- sideradas essenciais de acordo com a literatura na área e melhores práticas atuais. Entretanto, mesmos um proces- so bem estruturado e teoricamente correto não surtirá os efeitos esperados a menos que esforços sejam feitos para que se estabeleça um clima institucional em que gerentes e funcionários o vejam de um modo positivo e não se sintam ameaçados. A avaliação deve ser vista como uma das principais tarefas administrativas (ROGERS; BADHAM, 1994) já que é um instrumento essencial para a manutenção e melhoria da qualidade do serviço, do produto e da vida na organi- zação. Ela permite localizar “pro- blemas de supervisão e gerência, de integração das pessoas à organização, de ade- qua- ção da pessoa ao cargo, de localização de possíveis dissonâncias ou carências de treina- mento” (CHIAVENATO, 2004). Um processo de avaliação deve, pois, ser implemen- tado de modo sistêmico, abrangendo toda a organização. Deve ser um processo participativo, dinâmico e sujeito a constantes revisões (FIDLER, 1989). O sucesso ou não de um sistema de avaliação não deve ser determinado a partir de casos individuais, já que o próprio conceito de sucesso é variável. Assim, Bracken e outros (2001) sugerem que se defina como um processo bem sucedido aquele que cria mudanças claras e duráveis de comportamento e/ou desenvolvimento de habili- dades em um número suficiente de pessoas, de modo a promover um incremento na efetividade da organização. Podemos então concluir que a avaliação é essencial para a saúde da instituição e para a qualidade de seu serviço e produto. Espero que a discussão acima e o processo apre- sentado possam contribuir para que, cada vez mais, as organizações adotem esse instrumento para que possam alcançar seus objetivos institucionais através do desenvol- vimento pleno do potencial de seus funcionários. Referências ASPINWALL, K. et al. Using success criteria. In: BENNETT, N.; GLATTER, R.; LEVACIC, R. (Ed.). Improving educational management through research and consultancy. London: Paul Chapman Publishing, 1994. BRACKEN, D. W. et al. 360 feedback from another angle. Human Resource Management, [S. l.], v. 40, n. 1, p. 3-20, 2001. BRADSHAW, L. K. Alternative teacher performance appraisal in North Carolina: developing guidelines. North Carolina: ERIC, 1996. CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. DAVIS, S. H. Bridging the gap between research and practice: what’s good, what’s bad, and how can one be sure?. Phi Delta Kappan, Bloo- mington, IN, v. 88, n. 8, p. 569-578, 2007. DRUCKER, P. F. The spirit of performance. In: RICHES, C.; MORGAN, C. (Ed.). Human resource management in education. Milton Keynes, UK: Open University Press, 1989. HOFF, D. J.; KELLER, B. Draft retains quality rules for teachers. Education Week, Bethesda, MD, v. 27, n. 3, p. 1-3, Sept. 2007. FIDLER, B. 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ANOTAÇÕES __________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ __________________________________________ __________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ __________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ __________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ __________________________________________ _________________________________________ ________________________________________