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AULA 1 GESTÃO POR PROCESSOS E A INTEGRAÇÃO ESTRATÉGICA Prof. Cristiano Ribeiro 2 CONVERSA INICIAL Olá! Seja muito bem-vindo a nossa primeira aula de Gestão por Processos e a Integração Estratégica. Neste momento, iremos juntos analisar os Sistemas de Gestão da Qualidade de maneira a entender quais são os princípios e objetivos, e ainda como se dá sua aplicação nas organizações, entendendo assim quais são os requisitos de um Sistema de Gestão da Qualidade e a sua relação na Gestão por Processos. Muitas empresas buscam alternativas para uma vantagem competitiva no seu mercado de atuação; desta forma, a implantação do Sistema de Qualidade por Processos destaca uma nova prática na gestão empresarial. O objetivo primordial desta aula será analisar os principais conceitos do Sistema de Gestão da Qualidade, seus objetivos, aplicações e resultados. Assim, no decorrer desta aula, a integração desses conceitos demonstrará a necessidade das empresas de inovar seus modelos de gestão. Bons estudos! CONTEXTUALIZANDO O início histórico da utilização da qualidade em produtos e serviços data da Revolução Industrial, com a produção de bens em escala e padronização, porém, o que marcou o crescimento desse conceito como uma filosofia foram os acontecimentos no Japão, ao final da Segunda Guerra Mundial, com a destruição de duas cidades e com a reconstrução do país. Naquela época, a ideia principal da qualidade era a de que os produtos deveriam obrigatoriamente seguir um padrão de produção com um mínimo de defeitos possíveis. Mais de 60 anos após esses eventos, muitos conceitos de qualidade diferentes foram criados e muito tem se discutido a respeito do assunto. Preocupadas com a realidade altamente competitiva do mercado em que estão inseridas, as empresas buscam um aprimoramento nos seus processos internos e externos e na forma de atuar nas variáveis internas – suas forças e fraquezas –, e também na tomada de decisão frente às variáveis externas – as ameaças e oportunidades – para garantir que o cliente seja conquistado e que a manutenção da sobrevivência da organização se efetive. 3 TEMA 1 – PRINCÍPIOS DE GESTÃO DA QUALIDADE O modelo de gestão administrativa mais utilizado pelas empresas é aquele que busca a qualidade total em processos e produtos. Um dos conceitos mais utilizados sobre qualidade é a de atender, no tempo certo e na quantidade esperada, aos requisitos do consumidor. Isso mostra que a empresa deve entregar ao consumidor os produtos ou serviços com características que atendam a desejos, necessidades e vontades dos clientes. 1. 1 Gestão da qualidade A qualidade na execução das atividades não ocorre apenas com a utilização de tecnologias, mas sim com o envolvimento de pessoas cada vez mais qualificadas e com suas responsabilidades definidas trabalhando em equipe, ou seja, a qualidade se faz com envolvimento de todas as pessoas e recursos disponíveis. Assim, ela não é apenas uma ferramenta para o desenvolvimento e a melhoria técnica de um potencial produto, e sim o comprometimento de toda a organização em atender a seu cliente. Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2015a, p. 2), “a ABNT NBR ISO 9001 é uma norma que define os requisitos para colocar um sistema de gestão da qualidade em vigor. Ela ajuda empresas a aumentar sua eficiência e a satisfação do cliente”. A utilização de um sistema de Gestão da Qualidade nas organizações advém da preocupação em atender ao consumidor nas suas expectativas de consumo e de uma decisão interna da gestão da empresa. Para Paladini (2008, p. 19), “o consumidor se mantém fiel ao longo do tempo se suas novas expectativas forem sendo satisfeitas (ou melhor, superadas) pelos produtos oferecidos”. Independentemente do motivo, o Sistema de Gestão da Qualidade, em razão de sua atuação na economia de recursos e redução de desperdícios, deveria fazer parte da gestão da empresa como uma ferramenta para a melhoria contínua. As características de durabilidade, confiabilidade, exclusividade etc. são pessoais, subjetivas e, desta forma, deve-se ter bem definido o perfil do público consumidor. 4 Neste caso, a utilização de um Sistema de Gestão da Qualidade deve estar ligada diretamente a um processo de melhoria contínua, e esta, por sua vez, deve buscar mudanças contínuas para execução dos processos com eficiência e eficácia, e também agir sobre a estrutura das organizações, a fim de agregar valor ao seu portfólio de produtos. 1. 2 Princípios básicos A utilização de um sistema de gestão da qualidade é uma maneira estruturada para que as empresas possam identificar e mensurar o seu posicionamento no mercado de atuação. Além disso, com o uso do sistema da qualidade a empresa pode organizar suas funções operacionais e gerenciais, proporcionando conformidade às normas internacionais. A aplicação do sistema de gestão da qualidade alinhado diretamente à gestão geral da empresa traz efeitos positivos aos resultados operacionais, mercadológicos e financeiros. Para que o processo da Gestão da Qualidade obtenha resultados eficientes e eficazes, ele segue princípios básicos para sua execução: Figura 1 – Os sete princípios da qualidade A Figura 1 apresenta os princípios norteadores da gestão da qualidade, sem os quais não há possibilidade de sucesso. Bem no alto da figura está o foco no cliente, que é a premissa essencial da qualidade. Com base nela, todos os 5 demais princípios se desenvolvem para garantir a elaboração dos processos de qualidade. TEMA 2 – REQUISITOS PARA UM SISTEMA DE GESTÃO DA QUALIDADE Quando uma empresa entende a necessidade de um Sistema de Gestão da Qualidade como fator essencial para a manutenção de sua gestão, ela deve perceber que o principal objetivo é atender às necessidades dos seus clientes. A principal dúvida que surge na Gestão da Qualidade Total é a de como são os procedimentos para a sua implantação. Para que ocorra um processo adequado de implantação da Gestão da Qualidade, existem requisitos básicos necessários e, de certa forma, com esses requisitos alcançados, a empresa está apta a tentar uma certificação internacional. 2.1 Requisitos para implementação Atender aos requisitos necessários para a implementação do Sistema de Gestão da Qualidade significa reconhecer e coordenar todos os procedimentos que garantam o correto andamento dos processos. Há uma grande complexidade na implantação de sistemas de Gestão da Qualidade, por um lado devido ao mecanismo cultural da empresa, que a permite ou não ter flexibilidade, e, por outro, por causa da gestão de pessoas, fator essencial para o sucesso do programa. Essa tarefa está explicada nas palavras de Paladini (2009, p. 133): Os sistemas de gestão apresentam características gerais e especificidades que lhes conferem um modelo conceitual diversificado (sua base envolve múltiplas definições) e uma estrutura organizacional bastante complexa (porque envolve elementos complexos, como, por exemplo, os recursos humanos). (Paladini, 2009, p. 133) Em geral, as empresas empregam metodologias próprias para a implantação de sistemas de gestão. Esse processo de ideação da elaboração do programa de qualidade sempre demanda muito tempo e discussão. Há um modelo padronizado de ações para a implantação do planejamento da qualidade, composto de seis passos: elaborar a política da qualidade; fazer o diagnóstico empresarial; organização e administração do projeto; planejamento; implantação; e avaliação. 6 Figura 2 – Fases do processo de implantação do planejamento da qualidade Fonte: Elaborado com base em Paladini, 2008. Na Figura 2, as etapas estão dispostas de forma a apresentar uma sequência lógica de desenvolvimento das ações.Essa ordem garante o sucesso do planejamento para qualquer tipo de empresa. O Sistema de Gestão da Qualidade não é um processo que caminha sozinho nas organizações, mas sim depende da supervisão geral de todos os integrantes da empresa. O Sistema de Gestão da Qualidade encaminha, organiza e ajuda no controle de todos os recursos necessários para que a organização alcance suas metas com instrumentos da qualidade (Políticas da Qualidade). 2.2 Certificação da qualidade Não existe uma obrigatoriedade na certificação ISO 9001, pois dela advêm custos e obrigações extras. Se o objetivo da empresa é competir em mercados altamente competitivos, a certificação é uma obrigação, pois muitos países somente aceitam produtos com selo da ISO. Nos demais casos, a implantação de um sistema de gestão da qualidade já é suficiente para obter produtos e serviços com alta qualidade e com custos adequados. Desde a Segunda Grande Guerra foi necessária a criação de um organismo internacional que certificasse a qualidade dos produtos e serviços a nível internacional, uma organização certificadora que equilibrasse o mercado e redigisse as normas técnicas aceitas no mundo – a International Organization for Standardization ou ISO: A International Organization for Standardization (ISO), criada em 1947, é uma organização internacional, privada e sem fins lucrativos, da qual participam 162 países. Dividida em 210 Comitês Técnicos (TC’s) que cuidam da normalização específica de cada setor da economia, a ISO elabora normas internacionais sobre produtos e serviços. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), fórum nacional de normalização voluntária, é membro fundador da ISO e representa o Brasil naquela organização. (Fernandes, 2011, p. 45) 7 Segundo a ABNT (2015, p. 7), a norma ABNT NBR ISO 9001:2015 “é constituída por um número de diferentes seções, sendo cada uma delas voltada a um requisito envolvido”. Ao todo são 10 seções que compreendem os seguintes assuntos: Introdução e escopo da norma (seções 0-3); Contexto da organização; Liderança; Planejamento; Apoio; Operação; Avaliação de desempenho; e Melhoria. O trabalho da ISO na definição das normas de série 9000 possibilitou, conforme Fernandes (2011, p.46), “a certificação uniforme de sistemas da qualidade das empresas por organismos de certificação independentes”, facilitando assim a aceitação padronizada dos processos por todos os clientes. Um dos requisitos para que uma empresa seja certificada em seus processos e produtos é que ela seja vistoriada e analisada por um órgão certificador devidamente credenciado. Esse órgão deve seguir as normas definidas pelo comitê de avaliação da conformidade da ISO (CASCO). Saiba mais O que é credenciamento? O credenciamento consiste no reconhecimento formal realizado por terceiro (normalmente conhecido como “órgão certificador”) de que um órgão certificador opera de acordo com as Normas Internacionais – uma espécie de certificação do órgão certificador (ABNT, 2015). No Brasil foram criados diversos programas de avaliação da qualidade, como o ProQP – Programa da Qualidade e Produtividade (1986-1990), o PADCT – Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (1984-2001), o RHAE – Programa de Capacitação de Recursos Humanos para Atividades Estratégicas (desde 1984), o SBAC – Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade, e o PBQP – Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade (1995-2001), que foi substituído pelo atual MBC – Movimento Brasil Competitivo. Existe uma diferença entre as certificações (sistemas e produtos): Enquanto a certificação de sistemas é o resultado da verificação da conformidade aos requisitos e procedimentos de gestão das normas, a certificação de produtos atesta o atendimento das características específicas de um produto. Para a certificação de produtos é necessária a realização de testes e ensaios nos produtos, o que exige laboratórios capacitados. (Fernandes, 2011, p. 46) As empresas têm buscado a certificação em diversos sistemas de gestão, como o de Gestão Ambiental ou o de Responsabilidade Social. Essas 8 certificações dão uma garantia de que os procedimentos adotados pela empresa são os mesmos adotados no mundo inteiro, trazendo segurança e credibilidade para a organização. TEMA 3 – RELAÇÃO DA GESTÃO POR PROCESSOS E A QUALIDADE Para obter destaque no mercado, as empresas precisam controlar o máximo possível os seus recursos, porém, de nada adianta ter os recursos humanos, financeiros, materiais e tecnológicos se não houver uma gestão por processos. Assim, por mais que as empresas tenham em seu benefício as melhores estruturas ou os melhores profissionais, sem os processos bem definidos as organizações perdem produtividade. 3.1 Gestão por Processos A Gestão por Processos possui diversos conceitos, e o mais utilizado é o do Ministério Público Federal, que diz: É uma orientação conceitual que visualiza as funções de uma organização com base nas sequências de suas atividades, ao contrário da abordagem funcional tradicional, em que as organizações estão separadas por área de atuação, altamente burocratizadas e sem visão sistêmica do trabalho que realizam. (Brasil, 2013, p. 13) Desde a Revolução Industrial o termo Gestão de Processos é usado na Administração para definir a mecanicidade de um processo derivado de atividades sequenciais. Mas Gestão de Processos e Gestão por Processos são termos parecidos com significados diferentes. Segundo De Sordi (2012, p. 24), “a gestão de processos se apresenta com uma abrangência muito reduzida em comparação com a gestão por processos”. De Sordi (2012) ainda explica que esta última é uma abordagem administrativa, diferentemente da Gestão de Processos, que é relativa ao gerenciamento das operações da organização. A Gestão por Processos é uma metodologia de gerenciamento orientada a processos e centrada no cliente. Segundo De Sordi (2012, p. 16), “a introdução de processos de negócio nas organizações trouxe um novo desafio à administração: como administrar organizações orientadas por processos de negócio?”. Sendo esta uma abordagem administrativa da gestão, ela interfere em diversos sistemas e o modelo de gestão é incorporado como um todo no processo de administração da empresa. 9 Figura 3 – Vantagens competitivas do uso da gestão por processos De acordo com a Figura 3, percebe-se que são inúmeras as vantagens do uso da Gestão por Processos na empresa. Ela possibilita uma melhor gestão do tempo, facilita o mapeamento dos processos e a localização de não conformidades, integra as áreas distantes e opostas (produção-estoque-vendas- financeiro) e permite uma melhoria eficaz e eficiente nos processos produtivos com uma rápida tomada de decisão. TEMA 4 – IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE QUALIDADE POR PROCESSOS A implantação do Sistema de Qualidade por Processos é uma fase de adequação da empresa para um novo formato de gestão. Compreende uma série de fatores e processos, análises das informações internas e compreensão dos dados externos, dos custos envolvidos e da expectativa dos benefícios já descritos no item anterior. A implantação desse modelo de gestão deve seguir um roteiro para que haja um melhor entendimento e a certeza de que o processo está sendo realizado de forma correta. A administração por processos é complexa e demanda uma estrutura de tecnologia da informação para que seja operacionalizada. O software utilizado para essa gestão é chamado BPM, sigla para Business Process Management. Há uma grande quantidade de publicações em torno desse assunto, o que favorece a adoção desta metodologia por parte das pequenas e médias empresas. Segundo De Sordi (2012, p. 145), “os processos de negócios compõem um sistema independente com vida própria, com um dinamismo cada vez maior: eles 10 crescem,encolhem, juntam-se ou dividem-se”, comportando-se de acordo com as alterações no ambiente mercadológico em que a empresa está situada. Para que seja possível implantar a Gestão por Processos, a empresa deve seguir um modelo apropriado, seguindo algumas etapas: o planejamento; a preparação (ou modelagem); a implantação dos processos; o controle; e a análise dos indicadores de melhoria. Figura 4 – Modelo conceitual de gestão por processos A Figura 4 ilustra as etapas de um modelo de Gestão por Processos. A etapa de planejamento de BPM “visa definir as atividades que contribuirão para o alcance das metas estratégicas” (Brasil, 2013, p. 60). A modelagem de processos está relacionada aos atos de preparação das atividades necessárias para a execução os processos e, após a implantação do planejado, resta analisar o comportamento dos processos e o atingimento das metas. Para que a gestão seja produtiva, existem ainda algumas tarefas importantes. Sem elas, não haveria sentido em implantar um sistema de gestão por processos. Estas tarefas são: a identificação de gargalos; a elaboração do caminho crítico dos processos em tempo real; a análise de alocação de recursos; a apuração dos custos ligados aos processos; a atribuição de metas; e a criação de um painel de controle de indicadores de desempenho, para que o administrador possa acompanhar e simular opções de processos críticos, bem como interagir com essas opções. 11 Figura 5 – Modelo de governança com o uso do BPM Fonte: Brasil, 2013, p. 51. A Figura 5 apresenta um modelo de governança por meio da modelagem de processos. No modelo, utilizado pelo Ministério Público Federal, foi instituída a ideia de um escritório de processos, que nas empresas é representado pela figura do administrador. Essa figura demonstra, com maior complexidade e profundidade, as diversas etapas de gestão integradas aos processos, numa relação estabelecida pela ferramenta PDCA. Essa sobreposição do BPM com a ferramenta PDCA remete à importância da interdependência entre os processos de Gestão da Qualidade e a Gestão por Processos. TEMA 5 – ESTUDO DE CASO 5.1 Empresa A SGQ é uma empresa especializada em mecatrônica e manutenção industrial. Seu trabalho divide-se em reformas e em novos projetos industriais. 12 Fundada em 2000, com o passar dos anos desenvolveu um relacionamento sólido com as maiores indústrias do país. Seus objetivos fundamentais perante o mercado de atuação são o desenvolvimento de novas tecnologia e a inovação, com uma política de valores baseadas na ética e no profissionalismo com transparência. Em 2009, a SGQ foi convidada a participar do programa de fortalecimento de fornecedores de uma grande siderúrgica nacional. Esse convite é um grande desafio para a gestão da empresa, pois por muito anos o modelo de gestão utilizado gerou resultados. Após várias reuniões para alinhar as ideias para assumir ou não esse desafio, uma questão foi decisória para esse projeto: qual a maneira de participar desse programa para atender à satisfação do nosso cliente, mas também assumindo esse novo modelo de gestão como referência em todos os processos e práticas? 5.2 Processo Após a definição da participação neste projeto, a empresa determinou a equipe de trabalho e suas principais responsabilidades. Com a equipe de trabalho definida, em seu primeiro debate coube a essa equipe decidir quais as premissas do projeto. A primeira premissa apresentada, após um estudo sobre quais os requisitos que o cliente buscava, definiu que o modelo de Gestão da Qualidade da empresa deveria ter como base a normatização ISO 9001. As principais atividades dessa equipe de trabalho eram buscar a padronização correta para as atividades da empresa, o treinamento e a implantação dos processos, e promover a melhoria contínua. Para dar seguimento à implantação da norma ISO foi necessária a contratação de uma empresa especializada em certificação internacional. Essa empresa, alinhada com a gestão geral da SGQ e também com a equipe de trabalho formada para dar início ao projeto, foi submetida a uma auditoria e, dessa forma, a empresa especializada teve uma visão geral da situação da empresa quanto ao modelo de Gestão da Qualidade utilizado. Assim, ambas as equipes podem definir um ponto de partida alinhado às necessidades do cliente também com o objetivo de ser referência entre todos os fornecedores envolvidos. A primeira ação foi a mensuração dos princípios da Gestão da Qualidade, ou seja, qual é a atitude comercial utilizada com os clientes, com a liderança, com as pessoas, com os processos e com a gestão, como são produzidas as informações, como é percebida a melhoria contínua e qual o impacto dos processos sobre os 13 fornecedores. Com o processo de avaliação desses princípios, a empresa obteve uma visão sistêmica, assim, para o próximo passo de Decisão, Planejamento e Preparação, Implantação e Execução, a empresa já está com todas as informações. O processo de Decisão, Planejamento e Preparação, Implantação e Execução é um momento crítico para a empresa, pois nesse momento ela precisa que todos os envolvidos estejam aptos a multiplicar a ideia da Gestão da Qualidade e de Processos. A SGQ desenvolveu treinamentos e endomarketing, e atribui as responsabilidades e competências para cada colaborador, além de enfatizar o quanto cada pessoa é importante para toda a mudança e os resultados esperados. Após todos os estudos e a criação de uma agenda de trabalho (auditorias e melhorias contínuas), a SGQ obteve um resultado excelente perante a necessidade de seu cliente. Seus objetivos principais foram os de atender à necessidade do cliente no Programa de Fortalecimento de Fornecedores, e também de ser reconhecida como referência em qualidade por todas as outras empresas participantes. 5.3 Resultados Obteve a certificação internacional ISO 9001; eleita modelo de referência no PFF (Programa de Fortalecimento) da siderúrgica; case de sucesso no modelo de implantação do Sistema de Gestão da Qualidade por Processos; devido ao case de sucesso recebe constantemente mídias espontâneas; recebeu, nos últimos anos, diversos prêmios de promotores especializadas; apresenta um gratificante e constante crescimento financeiro; mantém uma elevada taxa de satisfação dos clientes, principalmente da Siderúrgica Nacional. Este estudo prova que as empresas que buscam uma melhoria contínua em seus processos destacam-se em seu mercado de atuação. 14 FINALIZANDO Nesta aula foi possível compreender o que é qualidade, qual sua abrangência e seus processos, objetivos e implantação. Também foi possível entender a qualidade como um processo, como um sistema e como gestão. Além disso, esta aula permitiu ao aluno perceber que existe uma padronização de procedimentos a nível internacional, que é a certificação da Gestão da Qualidade por uma empresa credenciada à organização ISO. Também foi possível entender as normas ISO como parte de um esforço conjunto dos países na busca de produtos e serviços competitivos. Foi possível também entender que, muito mais que a certificação, as empresas buscam a satisfação de seus clientes por meio da qualidade de seus produtos e/ou serviços oferecidos. Desta forma, a utilização de um sistema de Gestão da Qualidade por Processos pelas empresas agrega valor a seus produtos e serviços, como também gera um diferencial estratégico no mercado de atuação. LEITURA OBRIGATÓRIA Texto de abordagem teórica LIMA, M. B. B. P. B. A gestão da qualidade e o redesenho de processos como modelo de desenvolvimento organizacional em hospitais públicos universitários: o caso do Hospital das Clínicas da UNICAMP. 193 f. Dissertação (Mestrado Profissional) – Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Engenharia Mecânica. Campinas, 2006. Disponívelem: <http://taurus.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/264831/1/Lima_MariaBernadeteBa rrosPiazzonBarbosa_M.pdf>. Acesso em: 13 jun. 2018. Ler as páginas 6 a 9. Texto de abordagem prática LIMA, M. B. B. P. B. A gestão da qualidade e o redesenho de processos como modelo de desenvolvimento organizacional em hospitais públicos universitários: o caso do Hospital das Clínicas da UNICAMP. 193 f. Dissertação (Mestrado Profissional) – Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Engenharia Mecânica. Campinas, 2006. Disponível em: 15 <http://taurus.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/264831/1/Lima_MariaBernadeteBa rrosPiazzonBarbosa_M.pdf>. Acesso em: 13 jun. 2018. Ler as páginas 35 a 51. Saiba mais A jornalista Tati Klebis conversa com o consultor Antonio Ciro Bovo sobre Gestão da Qualidade, uma ferramenta importante para as empresas e que vem ganhando destaque. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=cYTk2t4qixo>. Acesso em: 13 jun. 2018. 16 REFERÊNCIAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR ISO 9000 2015: como usar. Rio de Janeiro: ABNT, 2015a. ______. Norma Brasileira ABNT NBR ISO 9001: sistemas de gestão da qualidade – requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2015b. BAZERMAN, M. H. Processo decisório. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. BRASIL. Manual de gestão por processos. Brasilia: MPF/PGR, 2013. CAMPOS, V. F. Gerenciamento da rotina do trabalho do dia a dia. 9. ed. Nova Lima: Falconi, 2013. DE SORDI, J. O. Gestão por processos: uma abordagem da moderna administração. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. FERNANDES, W. A. O movimento da qualidade no Brasil. São Paulo: Essential Idea Publishing, 2011. Disponivel em: <http://www.inmetro.gov.br/barreirastecnicas/pdf/Livro_Qualidade.pdf>. Acesso em: 13 jun. 2018. MARTINELLI, F. B. Gestão da qualidade total. Curitiba: IESDE, 2009. PALADINI, E. P. Gestão da qualidade: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009. ______. Gestão estratégica da qualidade: princípios, métodos e processos. São Paulo: Atlas, 2008. AULA 2 GESTÃO POR PROCESSOS E A INTEGRAÇÃO ESTRATÉGICA Prof. Cristiano Ribeiro 2 CONVERSA INICIAL Olá! Seja muito bem-vindo à nossa aula sobre Processos Organizacionais. Neste momento, iremos juntos analisar os processos organizacionais para entender o que é e como funciona uma organização, como foi sua evolução histórica, quais suas principais funções e a relação entre oganização e a gestão por processos. Dessa forma, poderemos entender o contexto geral de uma organização. Bons estudos! CONTEXTUALIZANDO As empresas vivem em um ambiente que proporciona trocas de recursos, insumos e informações. Esse meio também exerce pressões sobre as operações internas das empresas, fazendo com que sempre estejam revendo o modo como produzem e interagem com o cliente e esse ambiente. Nesse contexto de sobrevivência, muitas empresas desenvolveram uma alta qualidade nos seus processos individuais, sem que seus diversos setores internos apresentem um produto final que satisfaça o cliente. Com base nessa constatação, as empresas começaram a rever seus conceitos de estruturação organizacional, redefinindo conexões internas e proporcionando a integração entre seus diversos setores. Nesta aula, teremos a oportunidade de analisar esses processos integradores e um pouco da história das organizações. Estudar essa história do pensamento administrativo permite entender o contexto de cada época e a resposta das empresas, possibilitando, assim, entender o atual contexto organizacional. TEMA 1 – ORGANIZAÇÃO A palavra organização tem muitos sentidos. Podemos mencionar que organização pode ser um sistema estabelecido em sociedade, composto de pessoas e recursos não humanos que buscam a geração de valor e que têm objetivos e interesses comuns. O principal objetivo das organizações é atender às necessidades dos seus clientes, produzindo soluções com uma combinação entre pessoas e tecnologias. 3 As organizações não têm apenas pessoas e sistemas, mas são um conjunto bem integrado de recursos humanos, financeiros, tecnológicos e materiais. É de grande importância fazer uma diferença entre organização e estrutura organizacional. A organização é um complexo movimento entre pessoas, pensamentos, valores, recursos para atingir o objetivo da empresa. A estrutura organizacional vai definir como a empresa vai interagir com seu mercado de atuação, e essa interação está diretamente ligada à forma como as empresas concebem seus processos internos. O fato é que: “O mundo em que vivemos é uma sociedade institucionalizada e composta por [sic] organizações. Todas as atividades relacionadas à produção de bens (produtos) ou prestação de serviços (atividades especializadas) são planejadas, coordenadas, dirigidas, executadas e controladas pelas organizações” (Chiavenato, 2011, p. 2). Dessa forma, podemos dizer que as organizações são formadas por um conjunto de fatores e que cabe à gestão da empresa gerenciar todas essas combinações. Todas as organizações têm pelo menos três recursos essenciais: pessoas, processos e gestão. A gestão é uma das partes fundamentais da sustentação da organização, sendo que esta tem etapas como planejamento, organização, direção e controle de todos os recursos e atividades da empresa. Não podemos nos esquecer de que as organizações estão inseridas em um ambiente que podemos definir como cadeia produtiva ou ainda mercado de atuação. Existem diversos tipos de organizações e essa diversidade está relacionada ao objetivo social de cada empresa e à sua composição social. As empresas são organizações que buscam o lucro, e existem também outros tipos, que, segundo Chiavenato (2011, p. 2), são as “organizações não lucrativas (como Exército, Igreja, serviços públicos, entidades filantrópicas, organizações não- governamentais [sic] – ONG – etc.)”. Independentemente de sua constituição, todas as organizações dependem de uma atividade essencial, a administração. Cabe ao administrador fazer com que todos os setores sejam produtivos e integrados no sentido de atingirem o objetivo do negócio, definindo, assim, estratégias, efetuando análises e propondo diagnósticos para problemas, resolvendo-os. Vejamos a seguir como as organizações evoluíram ao longo da história. 4 TEMA 2 – EVOLUÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES As organizações, como organismos vivos, nascem, evoluem e morrem. Talvez essa vida não seja comparável exatamente com a dos seres humanos, pois a longevidade de uma empresa depende de condições políticas, sociais, econômicas e gerenciais que podem levá-la a durar mais do que a geração de quem a criou. Entretanto, se quisermos comparar a empresa como um corpo vivo, biológico, resta-nos entender que cada pedaço dessa organização está interligado por canais que levam e trazem elementos produtivos, como uma rede de vasos sanguíneos de um corpo. Não basta que esse corpo tenha apenas cabeça, pois cada parte está integrada ao todo, para que este viva com saúde até o seu final. Então, nessa comparação, esse corpo se alimenta (recursos financeiros), tem órgãos dependentes (setores), que têm componentes (pessoas), e tudo isso deve ser conectado por um sistema que gerencie tudo. No princípio era o Verbo... sim, no início, as pequenas organizações eram informais, mas ao longo da história tudo mudou. 2.1 As origens da administração Alguns dos aspectos fundamentais para a formação das empresas está no seguinte fato: onde dois seres humanos estão em contato, buscando uma negociação, sempre haverá divergências e necessidades a serem supridas por cada lado. Devido à essa “diferença” no pensar de cada “ator” desse negócio, foi necessário estabelecer critérios de planejamento,organização e controle. Na história antiga, os egípcios foram os primeiros a se preocupar com esses aspectos, há mais de 4000 a.C., e essa prática evoluiu de modo que, em aproximadamente 2600 a.C., eles já pensaram na descentralização da organização e da gestão dos negócios. A partir desse povo, também foi desenvolvida a primeira ordem escrita e o uso de consultoria de sábios. Por volta de 1800 a.C., os babilônicos criaram o código de Hamurabi, no qual foram definidos aspectos de controle escrito e testemunhal, bem como a criação de um “salário” mínimo. Essa organização de ordens foi sendo construída e adaptada ao longo de séculos, até que, por volta de 1491 a.C., os Hebreus criaram uma “hierarquia”, conforme relata a Bíblia no caso dos conselhos de Jetro ao seu genro, que era juiz: 5 A Bíblia relata os conselhos de Jetro, sogro de Moisés e sacerdote de Midiã, que, notando as dificuldades do genro em atender ao povo e julgar suas lides, após aguardar o líder durante o dia inteiro em uma fila à espera de suas decisões para cada caso, disse a Moisés: “Não é bom o que fazes, pois tu desfalecerás, bem como este povo que está contigo: pois isto é pesado demais para ti; tu não o podes fazer tudo sozinho. Eu te aconselharei e Deus seja contigo. Representa o povo perante Deus. Leva a Deus as suas causas, ensina-lhes os estatutos e as leis, e faze- lhes saber o caminho em que devem andar e a obra que devem fazer. Procura dentre o povo homens capazes e tementes a Deus, homens de verdade, aos quais aborreça a avareza. Põe-nos sobre elas, por chefes de 1.000, chefes de 100, chefes de 50 e chefes de 10, para que julgem [sic] este povo em todo tempo. Toda causa grave, trá- la-ão a ti, mas toda causa pequena eles mesmos julgarão. Será, assim, mais fácil para ti e eles levarão a carga contigo. (Exôdo, cap. 18, v. 13-27)”. (Chiavenato, 2011, p. 28, grifo do original) Para que seja possível o entendimento dos diversos sistemas das empresas, faz-se necessário entender como a distribuição do trabalho aconteceu ao longo do tempo. Essa especialização é normalmente atribuída a Jules Henri Fayol, por volta dos anos 1860, mas, na verdade, em 175 a.C., em Roma, Cato já havia feito uma “descrição de funções”, e em 1476 a.C. foram definidas funções para a melhor administração do arsenal de Veneza, e foram criadas as especializações como contabilidade de custos, balanços contábeis e controle de inventários, setores importantes da atividade empresarial atual. Em 1800, o inglês Matthew Boulton, seguindo as teorias de Adam Smith (1776) sobre os princípios da especialização dos operários, estabeleceu a padronização das operações, métodos de trabalho e auditorias. Durante todo esse período histórico, as empresas foram mudando, devido tanto a processos que envolvem a logística quanto a questões dos modelos econômicos locais e globais. 2.2 As influências do meio no desenvolvimento das empresas Segundo Chiavenato (2011), as alterações no formato organizacional das empresas seguiram em forte evolução, principalmente pela influência de algumas poderosas organizações: os filósofos, a organização da igreja católica, a organização militar, as ciências, a Revolução Industrial, os economistas liberais e os pioneiros e empreendedores. Na linha de tempo dos filósofos, temos Platão em 429 a.C. (política), Aristóteles até 322 a.C. (ciências), Thomas Hobbes em 1679 (política), Jean- Jacques Rousseau em 1778 (contratos), Karl Marx e Friedrich Engels em 1895 6 (economia e relações sociais). A ação da filosofia sobre a formação e a evolução dos processos empresariais cessa a partir da filosofia moderna, que abandona a análise dos problemas empresariais. Tanto a igreja como as organizações militares trouxeram aspectos de organização hierárquica, distribuição de materiais e planejamento estratégico. A contribuição das ciências para as empresas se deu a partir dos pensamentos de Francis Bacon, que introduziu a lógica de tomada de decisões, e de René Descartes, em 1650, principalmente pela incorporação de análises matemáticas à gestão de empresas. As Revoluções Industriais causaram e até hoje causam impacto na estrutura das organizações. Estamos vivendo uma quarta Revolução Industrial, também chamada de Indústria 4.0, pois, segundo Chiavenato (2011, p. 407), “a chegada da Era da Informação trouxe um novo contexto administrativo e uma avalanche de problemas para as organizações”, em que sistemas autônomos baseados na internet das coisas desenvolvem nanotecnologias, neurotecnologias, robôs, inteligência artificial, biotecnologia, sistemas de armazenamento de energia, drones e impressoras 3D. As revoluções anteriores fizeram com que as empresas atingissem o seu máximo desenvolvimento, com mudança de forma e direção (pivotagem) e de gestão. A primeira revolução foi identificada pela exploração e transformação do carvão e do ferro (1780 a 1860), com o aparelhamento de máquinas a vapor; a segunda foi de 1860 a 1914, e os protagonistas foram o aço e a eletricidade; a terceira ocorreu em meados do século XX, com o advento da eletrônica, da tecnologia da informação e das telecomunicações. A influência dos economistas liberais aparece a partir do século XVII, com a explicação microeconômica dos fenômenos empresariais, e em meados do século XVIII o liberalismo altera a forma como as relações entre governo, empresas e empregados são estabelecidas, especialmente no modo como deve ser executado o trabalho e o chamado liberalismo econômico, que é o principal formador da ideia de competição. Os pioneiros e empreendedores foram os principais desenvolvedores das grandes corporações mundiais, bem como das ações que hoje são chamadas de marketing – com a criação de departamentos de produção separados do de vendas e do de engenharia. 7 2.3 As mudanças organizacionais O conceito de desenvolvimento organizacional é geralmente ligado a um outro conceito que trata de mudanças e de capacidade de adaptação. Para Chiavenato (2011), existem alguns conceitos-chave que devem ser levados em consideração: Conceito de organização; Conceito de cultura organizacional; Conceito de desenvolvimento. Assim como seres vivos, as organizações vivem em meios ecológicos, isto é, sobrevivem em um ambiente de trocas vitais. Assim como os animais têm um ambiente e é nele que caçam, alimentam-se e são parte de um ciclo vital, as empresas também contribuem com esse meio. Existem dois tipos de sistemas na organização e na constituição da gestão empresarial: os sistemas mecânicos, que têm uma abordagem tradicional, na qual seguem um rígido padrão hierárquico e de tomada de decisão centralizada e relacionamento interno do tipo autoridade e obediência, e os sistemas ditos orgânicos, que favorecem o compartilhamento de decisões, de controle e de responsabilidades, com tomada de decisão descentralizada e relacionamentos baseados na confiança e em crenças recíprocas. Segundo autores como Chiavenato (2011) e Campos (2013), o conceito de cultura organizacional está baseado no modo de fazer, no sistema de crenças, valores, tradições e hábitos das pessoas na organização, bem como deve ser uma forma aceita e estável de interações e relacionamentos sociais típicos e próprios de cada empresa. Portanto, a cultura organizacional não pode ser estática, pois é baseada no agir e ser de pessoas. Ainda assim, as empresas conseguem se desenvolver culturalmente, mantendo a sua personalidade singular. Para que as empresas mudem, é necessário mudar a sua cultura. As mudanças são movimentos que exigem forças internas (endógenas) e externas (exógenas) em movimentos que conduzem ao processo de transformação. Geralmente, as forças externas são forças que não podem ser controladas, que oferecem oportunidades e ameaças. Estão entre elas o governo e suas ações políticas, econômicase fiscais, a sociedade, fatores climáticos etc. Já as forças internas têm a ver com as habilidades e capacidades técnicas, 8 administrativas e operacionais que despontam como forças de diferenciação, altamente controláveis internamente e fator de ganho competitivo. Além desse aspecto positivo, as forças que podem movimentar a cultura de uma empresa podem ser negativas, vistas, então, como fraquezas, também podendo ser combatidas por processos internos da organização. Para que se possa alcançar o desenvolvimento desejado, devem ser planejadas ações de mudança estrategicamente estudadas para o objetivo esperado: podem ocorrer ações de mudança do tipo evolucionária, com alterações pequenas entre uma ação e outra, de forma lenta e suave, ou ações de mudança revolucionárias, em que são alteradas a forma de fazer dos processos da empresa de forma disruptiva, e pode ser considerada ainda a opção por um desenvolvimento sistemático, no qual as ações são acompanhadas pela crítica interna dos processos, sendo possível remodelar as ações planejadas durante o processo. TEMA 3 – A FUNÇÃO DA ORGANIZAÇÃO Segundo Campos (2013, p. 23), a “única razão pela qual você trabalha é porque alguém precisa do resultado do seu trabalho”. A pergunta sempre é esta: Qual é a função dessa organização? Essa é uma pergunta com diversas respostas possíveis. Existem diversos tipos de funções que podem ser atribuídas às organizações, e esses tipos atendem a determinados segmentos da sociedade, portanto, sempre atendem a seres humanos. Uma organização de seres humanos que tem como objetivo atender a necessidades de seres humanos. Esse atender a necessidades é um termo carregado de valor, que é um dos elementos principais de sobrevivência das empresas. Mas quais são as principais funções da empresa, afinal? 3.1 Funções econômica e social das empresas As organizações têm uma função primordial, a de produzir. Sua produção pode ser de bens ou de serviços. A economia de um país é baseada na relação entre o que é produzido e vendido e o que é comprado e consumido. Para Chiavenato (2011), as organizações são compostas de uma parte que poderia ser chamada de técnica, que são os prédios, as máquinas e os equipamentos, os 9 produtos ou serviços produzidos e os materiais em geral, e outra parte constituída de pessoas. Para que a empresa preste as funções para as quais foi concebida, ela deve produzir efeitos. Os efeitos econômicos dizem respeito ao produto da empresa (bens ou serviços), ao modo como esse produto se relaciona nos mercados consumidores e à quantidade de riqueza que essa produção gera, bem como ao quanto esse produto faz crescer o ambiente em seu entorno. Da mesma forma, a função social da empresa está ligada à representação social que ela entrega à comunidade onde está inserida, se produz empregos e renad para os moradores, se cuida da natureza e dos seus trabalhadores. Muitas empresas têm um “braço” social, no qual apoiam outras empresas como creches e asilos, investem em projetos sociais e de preservação da natureza. 3.2 Funções internas das empresas Para que sejam atingidos os objetivos econômicos e sociais das empresas, faz-se necessário que sua organização seja pensada e elaborada da melhor forma, para que seus funcionários sejam preservados e melhor aproveitados em suas especialidades. Existem diversas teorias que tratam da organização dos processos produtivos das empresas. Uma das principais é aquela que aborda os processos empresariais como um todo sistematizado e interdependente – a Teoria dos Sistemas. Para melhor compreender como funciona, a Figura 1 apresenta uma representação visual de um sistema em corte: Figura 1 – Esquema de um sistema 10 Cada subsistema ilustrado na Figura 1 representa uma função ou atividade interna da empresa, que se relaciona com outros subsistemas dentro de um sistema, e, por sua vez, o sistema se relaciona com o meio em que está inserido. Por exemplo, o sistema Departamento Pessoal tem os subsistemas Folha de Pagamento, Benefícios, Cadastro ou Registro, Obrigações Fiscais etc., que estão intimamente relacionados, mas são funções distintas dentro de um sistema maior, e esse sistema Departamento Pessoal está intimamente ligado a diversos outros sistemas, trocando informações e produtos, como, por exemplo, informações para o sistema Contábil, para o sistema Fiscal, para o sistema Gerencial etc. A empresa como um todo pode ser considerada um sistema ou cada departamento ou setor, ou ainda cada posto de trabalho. Isso depende do tamanho e do objetivo da empresa. Os sistemas podem ser abertos ou fechados. Segundo Campos (2013), o sistema pode ser considerado aberto por ter algum tipo de troca com o meio ambiente, sendo influenciado por esse ambiente e influenciando-o em busca de um equilíbrio. TEMA 4 – A ORGANIZAÇÃO E A GESTÃO POR PROCESSOS Para que a empresa viva, não basta que tenha aspectos materiais e equipamentos, muito menos que haja pessoas. É necessário existir alma, o espírito que fará tudo funcionar. A parte mais visível dessa alma são os processos. 4.1 Processos Para que seja possível entender como os sistemas funcionam, temos que verificar a sua ação interna e externa e suas possíveis conexões. A definição mais aceita entre os acadêmicos e profissionais da área é a de Campos (2013, p. 81): “processo é um conjunto de causas que produzem efeitos” como resultado. Esse é um conceito popular, empírico. O conceito científico seria: Processos são constituídos pelo conjunto das atividades inter- relacionadas ou interativas que transformam insumos (entradas) em produtos (saídas). Ou, em uma abordagem mais técnica, é [sic] um conjunto de atividades preestabelecidas que, executadas em uma sequência determinada, conduzirão a um resultado esperado, o qual assegure o atendimento das necessidades e expectativas dos clientes e de outras partes interessadas. (FNQ, 2015, p. 4) 11 Os processos são, então, etapas necessárias de procedimentos que fazem a transformação de um determinado insumo em um produto. Esse produto pode ser um produto final, pronto para ser consumido, um componente de um produto final, uma matéria-prima a ser transformada ou um serviço qualquer. Um exemplo: ao transformar aço em parafuso, a indústria metalúrgica passa por diversas etapas produtivas, cheias de processos que resultarão em diversos níveis de produção. Ao transformar o aço em arame ou vergalhão, o primeiro processo transforma a matéria-prima em um produto final. O processo seguinte recebe esse “produto final” do processo anterior e o corta no tamanho necessário para o tipo de parafuso. Esse “corte” transformou novamente uma matéria-prima em um produto final. O processo seguinte fará o recorte das ranhuras do parafuso e, por fim, este estará completo, como um produto a ser consumido. Cada etapa passou por diferentes processos ou causas para resultar no efeito desejado, e, ainda que o parafuso seja usado como componente, ele já é um produto finalizado nessa indústria metalúrgica. Aproveitando a Figura 1, podemos melhorar a visualização dos processos da seguinte forma (Figura 2): Figura 2 – Processos de transformação A Figura 2 introduz a visão de um sistema com subsistemas. Cada subsistema é um processo de transformação das entradas e cada processo depende do anterior para que na saída desse sistema o produto esteja pronto nas especificações adequadas para atender às necessidades do cliente. 12 4.2 Gestão por processos A gestão por processos também é conhecida como Business Process Management (BPM) e é a tônica dos processos de qualidade na gestão de uma empresa. Na competitividade globalizada dos mercados, uma das prioridades é minimizar a concorrência e, para isso, faz-se necessário ter processos com alta qualidade e excelência.A excelência é o resultado de processos com total eficiência e eficácia, o que acaba gerando produtos com alto valor agregado e menores custos. A Figura 3 ilustra os caminhos necessários para que, por meio de uma boa gestão por processos, haja a criação de valor agregado ao produto empresarial: Figura 3 – Processo de geração de valor no contexto empresarial Fonte: FNQ, 2015. A Figura 3 apresenta, de forma sintética, o processo de formação e geração de valor em uma empresa. O processo interno de transformação e os diversos requisitos são adicionados de fatores de agregação de valor, que não são só a 13 qualidade intrínseca do produto final, mas também um conjunto de valores intangíveis ligados a esse produto. Faz-se necessário pensar que a gestão por processos não é o mesmo que a gestão de processos. Segundo Campos (2013, p. 34), o gerenciamento eficaz depende de um bom gerenciamento da rotina de trabalho, mas não só disso, pois “quanto melhor for o gerenciamento da rotina, mais tempo disporá o gerente para participar do gerenciamento interfuncional”, e, para tal, a visão do gestor deve ser uma visão holística, integral, “diferentemente da tradicional Gestão DE Processos, que prevê os detalhes em cada sistema em operação, uma Gestão POR Processos pode ser descrita como um trabalho dinâmico e em rede” (FNQ, 2015, p. 8). Para que haja um perfeito gerenciamento, há de ser feito um bom mapeamento desses processos. Ao mapear cada etapa, pode ser desenhado ali como se dará o fornecimento de materiais e matérias-primas (supplier), como será a logística da cadeia de suprimentos (supply chain management), quais serão e como serão resolvidos os processos críticos e como os processos produtivos poderão alinhar-se ao planejamento estratégico da organização. TEMA 5 – ESTUDO DE CASO1 5.1 Empresa A Cacau Show nasceu quando o fundador, Alexandre Tadeu da Costa, um rapaz de família humilde, filho de pai tecelão e mãe vendedora de produtos de beleza em domicílio, começou a revender chocolates de uma indústria. Na primeira Páscoa, em 1988, ele vendeu, além de outros produtos, dois mil ovos de 50g. Porém, quando chegou à fábrica, ele descobriu que cometera um enorme engano, por não conhecer o suficiente a linha de produtos da empresa que, na verdade, não fabricava ovos de 50g e não teria condições de fabricá-los antes do domingo de Páscoa para honrar as vendas efetuadas. Frente a isso, preocupado em honrar a encomenda e em não perder o pedido, o estudante, então com 17 anos, comprou a matéria prima [sic] necessária e procurou alguém que estivesse acostumado a fabricar chocolates em casa. Em uma loja especializada no ramo, conheceu uma senhora que fazia chocolates caseiros e que veio a ser a primeira funcionária da CACAU SHOW. Comprou formas, embalagens e quantidades suficientes do produto em barras para derreter e em seguida transformá-lo em ovos de Páscoa. 1 Fonte do estudo: Os segredos... (2010). 14 5.2 Processo Durante três dias, com uma jornada diária de 18 horas de trabalho e com um prazo de entrega apertado, foi possível a entrega da encomenda. Essa operação gerou um lucro líquido de aproximadamente US$ 500. Depois da experiência, Alexandre percebeu que havia um mercado muito pouco explorado de chocolates artesanais e resolveu investir nisso. Com esse capital inicial, a empresa iniciou suas atividades em 1989 no bairro da Casa Verde, em São Paulo. O empreendimento se estabeleceu numa sala de 12 m² da empresa de seus pais, que inicialmente foi cedido sem custo por seis meses. Após esse período inicial, ele passou a pagar aluguel. Nessa época, o processo de produção era bem precário: ele e o amigo produziam e saíam vendendo as guloseimas em padarias, contando também com a ajuda de revendedores. Porém, foi preciso mudar a estrutura de distribuição, pois, para o tipo e o custo do produto vendido, ficava muito caro o sistema de comissões e de prazos de pagamento habituais ao canal de venda domiciliar. Foi nesta época que Alexandre optou por atender diretamente a pequenos pontos-de-venda [sic], como bares e lanchonetes, sem contar com a intermediação de atacadistas ou distribuidores. A experiência de sair vendendo pessoalmente, de loja em loja, foi considerada insubstituível pelo empresário, pois graças a ela, [sic] sabe exatamente como se vende, conhece profundamente o mercado e o perfil dos compradores, as dificuldades e oportunidades encontradas, podendo, portanto, preparar seus vendedores da melhor maneira para o dia-a-dia [sic] nas ruas. Além de vender o produto, buscou também informações técnicas: como fabricar, conservar, embalar, e assim por diante. Nesta busca de aperfeiçoamento da qualidade, fez cursos de vários tipos, desde aqueles oferecidos por grandes fornecedores e revendedores de chocolate em barra até cursos tipicamente voltados para donas de casa. Assim, ao gerenciar cada processo, percebeu que poderia, na época de altas temperaturas do ano (verão) [sic] produzir um produto que gerasse faturamento para sustentação. Foi aí que começou a produzir panetones para o natal. 5.3 Resultados A primeira loja só veio em 2001, construída num pequeno espaço de 40 metros quadrados, na cidade de Piracicaba. Pouco depois, ainda neste ano, a empresa implantou o sistema de franquia. Era o que faltava para dar consistência à empresa. Nos anos seguintes [sic] foram inauguradas centenas de lojas. Em 2005 [sic] a empresa ganhou o prêmio de “Melhor Franquia do Ano”, na categoria Cafeteria e Confeitaria. Em 2007, para dar conta da expansão, a empresa abandonou sua antiga fábrica de cinco mil metros quadrados, na capital paulista, e inaugurou uma nova unidade de 17 mil metros quadrados em Itapevi, interior de São Paulo. FINALIZANDO Os processos de gestão demandam autoconhecimento de seus processos produtivos, análise estratégica de suas forças e fraquezas internas, bem como aproveitar as oportunidades e garantir-se contra as ameaças externas. Nesse conjunto de medidas, o gestor deve estar atento à função que move a empresa, à 15 integração da empresa com a sociedade, a interdependência dos seus processos internos e as parcerias com fornecedores e distribuidores. A gestão deve ultrapassar os limites de um departamento e atingir a empresa como um todo. LEITURA OBRIGATÓRIA Texto de abordagem teórica ALBERTI, R. A. Diagnóstico organizacional com enfoque em gestão por processos para auxiliar a gestão organizacional. 152 f. Dissertação (Mestrado em Sistemas e Processos Industriais) – Universidade de Santa Cruz do Sul, Santa Cruz do Sul, 2014. (Seção 2.2 – Gestão por Processos). Disponível em: <https://repositorio.unisc.br/jspui/bitstream/11624/258/1/RafaelAlberti.pdf>. Acesso em: 15 maio 2018. Texto de abordagem prática ALBERTI, R. A. Diagnóstico organizacional com enfoque em gestão por processos para auxiliar a gestão organizacional. 152 f. Dissertação (Mestrado em Sistemas e Processos Industriais) – Universidade de Santa Cruz do Sul, Santa Cruz do Sul, 2014. (Seção 5 – Diagnóstico organizacional: o estudo de caso). Disponível em: <https://repositorio.unisc.br/jspui/bitstream/11624/258/1/RafaelAl berti.pdf>. Acesso em: 15 maio 2018. Saiba mais PROCESSOS Gerenciais – Entrevista Waldez Ludwig. Sérgio Castro, 29 ago. 2011. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=VU3bZF65g8s>. Acesso em: 15 maio 2018. 16 REFERÊNCIAS CAMPOS, V. F. Gerenciamento da rotina do trabalho do dia a dia. 9. ed. Nova Lima: Falconi, 2013. CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. CURY, A. Organização e métodos: uma visão holística. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2000. DE SORDI, J. O. Gestão por processos: uma abordagem da moderna administração. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2012.FNQ – Fundação Nacional da Qualidade. Gestão por processos. São Paulo: FNQ, 2015. OS SEGREDOS da Cacau Show. Cases de sucesso, 2010. Disponível em: <https://casesdesucesso.files.wordpress.com/2010/05/cacau_show.pdf>. Acesso em: 15 maio 2018. AULA 3 GESTÃO POR PROCESSOS E A INTEGRAÇÃO ESTRATÉGICA Prof. Cristiano Ribeiro 2 CONVERSA INICIAL Olá! Seja muito bem-vindo à nossa aula de Estrutura de Processos. Nesta aula, serão abordados os conceitos de processos, sua classificação, sua estrutura e o modo como a gestão da qualidade atua na implantação e no controle desses processos, demonstrando seus impactos na organização. A partir desta aula, o aluno estará familiarizado com os diversos tipos de processos e de organizações, com um entendimento das estruturas organizacionais e de suas relações com o mercado. Bons estudos! CONTEXTUALIZANDO Em uma época anterior, principalmente nas empresas do século passado, a formação das organizações era essencialmente baseada na estrutura por funções. Em 1996, Michael Hammer, considerado pai da reengenharia, já alertava para o surgimento de uma nova forma de estruturação empresarial orientada por processos. Ainda na segunda década do século XXI, as empresas estabelecem sua gestão baseada nos fluxos produtivos e nas estruturas produtivas, ficando muito mais leves e adaptáveis, com um pensamento mais integrador, e não com o clássico raciocínio definido por departamentos ou funções. Os processos atingiram um alto nível de importância e, por isso, podem submeter organizações inteiras à discussão e ao aprimoramento específico de seus métodos. TEMA 1 – DEFINIÇÃO DE PROCESSOS Conforme vimos na aula passada, existem várias definições para a palavra processos. A definição gerada a partir da visão dos sistemas da qualidade, já estudada anteriormente, é: Processos são constituídos pelo conjunto das atividades inter- relacionadas ou interativas que transformam insumos (entradas) em produtos (saídas). Ou, em uma abordagem mais técnica, é um conjunto de atividades preestabelecidas que, executadas em uma sequência determinada, conduzirão a um resultado esperado, o qual assegure o atendimento das necessidades e expectativas dos clientes e de outras partes interessadas. (FNQ, 2015, p. 4) 3 Os processos são, por consequência, um conjunto de ações, atividades ou tarefas gerenciadas ou autônomas que seguem rigorosas etapas sequenciais que garantirão que o resultado de cada ação ou tarefa tenha tempo e valor resultantes previamente esperados, e, ainda, um resultado necessário para a ação, atividade ou tarefa posterior conseguir produzir seus efeitos. Para Campos (2013, p. 81), “um processo é um conjunto de causas que provocam efeitos. Processo é sua área de autoridade e os produtos são sua responsabilidade”. Segundo a ABNT (2015), “entender e gerenciar processos inter- relacionados como um sistema contribui para a eficácia e a eficiência da organização em atingir seus resultados pretendidos”. Em um determinado processo, é possível exemplificar várias atividades (ou subsistemas), contendo diversas tarefas cada (ações, atividades), que seguem um caminho de execução e transformação que resultará em um produto final (bens, serviços ou informações). A Figura 1 demonstra parcialmente esse funcionamento: Figura 1 – Exemplo de processo Na Figura 1, estão dispostas conceitualmente várias atividades que contêm tarefas a serem realizadas, e, no sentido das setas, cada atividade depende da conclusão da anterior, formando uma sequência organizada. Esse conjunto de atividades em funcionamento é chamado de tarefa e cada tarefa resulta num produto (bem, serviço ou informação) necessário para a manutenção da empresa. 4 TEMA 2 – CLASSIFICAÇÃO DE PROCESSOS Os processos podem variar bastante, pois dependem do produto (bens ou serviços), do método (complexo ou elementar), do tempo, do ambiente, dos recursos e insumos envolvidos, da tecnologia aplicada e da expertise das pessoas envolvidas. Segundo o modo como tratam os estudiosos de gerenciamento de processos (BRASIL, 2013), os processos podem ser de três tipos distintos, conforme ilustrado na Figura 2: Figura 2 – Modelo de hierarquia de processos A Figura 2 apresenta a estrutura hierárquica e a interdependência entre os processos gerenciais, os processos de apoio e os processos primários e a conexão entre os processos da empresa e o meio ambiente, representada pelo cliente e por uma seta dupla indicando a sua inter-relação. Vejamos o que são esses processos: Processos primários: também chamados de core process, estão intimamente relacionados com os clientes. São exemplos de processos primários a criação e a produção de determinado produto, a divulgação, a venda e a pós-venda, portanto todos os processos ligados ao cliente. Processos de suporte e apoio: como o próprio nome sugere, esses processos são adjutores, ou seja, servem de apoio aos processos primários, não sendo inferiores a estes, uma vez que só não apresentam as mesmas características de contato direto com o cliente, mas sua atuação é extremamente crítica para a possibilidade de realização dos processos primários. 5 Processos de gestão ou gerenciais: esses processos são gerenciadores de outros processos, e sua atuação envolve muitas atividades, como a medição, o monitoramento e o controle, garantindo a acurácia dos processos da organização. TEMA 3 – ESTRUTURA ORGANIZACIONAL As empresas são organismos vivos com setores e departamentos (órgãos) que se interligam por meio de uma estrutura e têm interdependência, a qual mantém a sua sobrevivência. Para Chiavenato (2011, p. 299), “estrutura é um conjunto de elementos relativamente estáveis que se relacionam no tempo e no espaço para formar uma totalidade”. A teoria clássica da administração entende a organização como se ela fosse uma estrutura tradicional, rígida e hierarquizada, sendo observada de cima para baixo, isto é, da alta administração até a mais baixa área operacional, e do todo para as partes. “Em síntese, a organização formal é a determinação dos padrões de inter- relações entre órgãos ou cargos, definidos logicamente por meio das normas, diretrizes e regulamentos da organização, para o alcance dos seus objetivos.” (Chiavenato, 2011, p. 177). Seguindo a teoria neoclássica da administração, é possível perceber outros tipos de estruturas organizacionais distintas: a organização linear, a organização funcional e a organização linha-staff. Uma estrutura organizacional define o modo como se dividem, agrupam e se coordenam os processos das atividades. Existem seis elementos chave [sic] que os administradores necessitam atender quando desenham a estrutura de sua organização: a especialização do trabalho, a departamentalização, a hierarquia, o controle, a centralização e descentralização, e a formalização (Robbins; Judge, 2009, p. 519). A visão mais moderna da administração é a de Herbert Spencer, que trata as organizações como organismos vivos e sistemas abertos. Um sistema pode, então, ser aberto ou fechado. Quando aberto, faz trocas com o meio externo (recursos e informações), faz o processamento (interno) de acordo com seu modo de produção e retorna informações para o meio externo. Nesse sentido, as empresas são vistas como sistemas abertos (Figura 3). A preocupação com a permeabilidade dessas fronteiras faz com que aumente a complexidade das relações entre os agentes de trocas, e, para maior estabilidade 6 e simplicidade na gestão desses processos, faz-se necessário o acompanhamento informatizado com técnicas de Business Process Management (BPM). Figura 3 – Empresa como sistema aberto A Figura 3 mostra o modelo de sistema de uma empresa interligadoa outros sistemas de fornecedores, trocando bens, serviços e informações para a criação de uma cadeia de suprimentos, para benefício comum e entrega do produto desejado pelo cliente, nas condições esperadas por ele. A gestão por processos ou BPM é, segundo a ABPMP (2013, p. 360), “uma disciplina gerencial que integra processos e tecnologia para conectar estratégias de negócio ao foco do cliente”. A gestão por processos necessita de um amplo planejamento e da previsão de recursos de todos os tipos envolvidos nesses processos, para que haja segurança operacional. Também há necessidade de análise dos fatores de risco, que são fatores críticos para o sucesso do ciclo produtivo. Segundo a ABPMP (2013, p. 360), “a tecnologia irá desempenhar um papel significativo na determinação da evolução da organização e sua capacidade de criar um ambiente de mudança flexível”. Além disso, possibilita que as regras de negócio da organização sejam padronizadas e disponibilizadas virtualmente. 7 As empresas projetam suas estruturas organizacionais com base nos processos necessários para a manutenção de sua sobrevivência. Vejamos a Figura 4: Figura 4 – Modelagem de processo para sobrevivência A Figura 4 apresenta um fluxograma da estratégia de sobrevivência das empresas em um contexto de competição. Tudo se baseia na satisfação do cliente, e, a partir da identificação dessas necessidades, o processo segue internamente em projeto e processo de atendimento, retornando ao meio ambiente externo de volta ao cliente. As empresas estruturam seus processos a partir de sua missão e visão de negócio. Imagine como seria uma empresa que serve refeições se ela estivesse preocupada somente com a margem de lucro e a economia nos recursos. Pense no seu almoço servido em um restaurante, por exemplo. Para que a comida tenha uma ótima qualidade, esteja na temperatura ideal para ser consumida no momento em que você assim desejar, seja entregue no tempo que você precisa, com um atendimento agradável, rápido e cortês, com um preço justo, são vários processos envolvidos no atendimento de seu almoço. A cadeia de suprimentos e de produção começa nos fornecedores primários dos recursos que serão utilizados para a produção de seu almoço. Depende também de uma logística de alto desempenho, devido às condições de alguns desses produtos – por serem in natura e/ou refrigerados, ou porque são de difícil manutenção, armazenamento e aquisição. 8 Para que dê tempo de receber tudo, preparar cada alimento em seu cronograma próprio e te servir, deve ser feito um planejamento dos processos de forma rigorosa. Manter uma rede de parceiros e a lucratividade depende de uma estruturação em que todos os processos estejam bem alinhados, proporcionando lucratividade para toda a cadeia de suprimentos e de produção. Saiba mais Para saber mais sobre BPM, acesse o site da Associação disponível em <http://www.abpmp-br.org/>. TEMA 4 – QUALIDADE DOS PROCESSOS Muitos pensam que ter qualidade é não ter defeitos. Segundo estudiosos da qualidade como Juran, Shewhart, Deming, Miyauchi, Ishikawa e outros, ter qualidade não significa apenas ausência de defeitos. Para Paladini (2009, p. 21), por exemplo, “qualidade é um aspecto subjetivo das pessoas”. Para que a empresa obtenha essa preferência, em um mundo empresarial competitivo e globalizado, faz-se necessário que tenha um diferencial, algo que a diferencie dos demais concorrentes na preferência do consumidor. Nesse ponto, entram as análises e o controle de qualidade. O controle da qualidade pode proporcionar aumento da produtividade, que é o resultado entre tudo o que é produzido e o que os processos produtivos consomem: a fórmula apresentada na Figura 5 é uma expressão matemática com múltiplas condições. A produtividade pode ser observada do ponto de vista do lucro, do valor para o cliente e seu respectivo preço, pela qualidade produzida em função dos custos etc., e esse conceito serve para qualquer tipo de empresa (indústria, comércio, serviços etc.). Figura 5 – Conceito de produtividade Fonte: Adaptado de Campos, 2013. 9 A Figura 5 demonstra a equivalência entre valor, qualidade e faturamento em relação ao consumo e aos custos, considerando que o termo produtividade é representado em todas essas razões. O aumento da produtividade é resultado de uma boa gestão da qualidade. 4.1 Conceito de controle de processos Um processo produz um ou mais efeitos. Para que sejam possíveis o gerenciamento e o controle dos processos, é necessário o acompanhamento dos efeitos resultantes de cada etapa destes, conforme indicado na Figura 6: Figura 6 – Processo de manutenção da qualidade Fonte: Adaptado de Campos, 1999. A Figura 6 apresenta as etapas de ação do controle da qualidade sobre os processos da empresa. Esse ciclo demanda uma exaustiva manutenção do controle desses processos, fazendo tarefas de análise, padronização e criação de itens de controle (indicadores). Para um correto acompanhamento e controle dos processos, devem ser elencados itens que poderão ser observáveis durante o desenvolvimento das atividades, de modo que seus resultados sejam avaliados por índices numéricos. Esses itens são chamados de itens de controle. Por isso, é possível dizer que um processo pode ser avaliado estatisticamente e que a qualidade do seu resultado pode ser garantida a partir de ações corretivas sobre este processo. 10 Como todo processo resulta em efeitos (produtos, serviços, informações), segundo Kaoru Ishikawa, um dos pais da qualidade, e conforme confirmado por Campos (2013, p. 104), problema “é a diferença entre seu resultado atual e um valor desejado, chamado meta”. Assim, um processo pode ser definido por um conjunto de causas que produzem efeitos, e problema é um efeito indesejado originado por uma causa relativa ao processo. Pode-se afirmar também que a causa de um problema sempre pode ser encontrada dentro do processo. Kaoru Ishikawa, em 1952, criou um diagrama de análise que chamou de diagrama de causa e efeito e aplicou na empresa Kawasaki Iron Fukiai Works e Juran, em 1962, na sua obra intitulada QC Handbook (Livro de mão do Controle da Qualidade). Ele chamou o diagrama de causa e efeito de Diagrama de Ishikawa. O Diagrama de Ishikawa se mostrou ideal para o entendimento das causas que estavam produzindo efeitos indesejáveis e permitiu que fossem mais rápidas e objetivas as correções. Figura 7 – Diagrama de Ishikawa A Figura 7 demonstra o diagrama de causa e efeito em detalhe. O Diagrama de Ishikawa (causa e efeito) é uma ferramenta que apoia o processo de investigação dos efeitos, bem como atua em conjunto com outras ferramentas da qualidade. É formado por causas (macro) e subcausas distribuídas graficamente, demonstrando as espinhas com maior ocorrência de causas que levaram ao efeito (problema). 11 4.2 Fluxograma O fluxograma é a primeira ferramenta de padronização dos processos de uma empresa. Ao definir todas as atividades, sua sequência lógica, os tempos e as estações de trabalho, a empresa se coloca em direção a uma análise mais global de suas atividades. Além disso, o fluxograma mapeia as perdas de produtividade em questões de etapas duplicadas ou desnecessárias, sendo possível estabelecer fluxos contínuos mais rápidos de seus processos. Existem diversas formas de apresentação de fluxograma. Há o fluxograma no modelo American National Standards Institute (ANSI), o American Society of Mechanical Engineers (ASME), o fluxograma funcional, o fluxograma em blocos etc. O tipo mais comum e complexo de fluxograma profissional é o ANSI, que contém símbolos ligados por setas que definem os processos e as direções. Ele tem uma simbologia internacionalmente compreendida, ilustrada na Figura 8 Figura 8 – Simbologia ANSI Fonte: Adaptadode Campos, 2013, p. 199. A Figura 8 apresenta a simbologia utilizada na elaboração de fluxogramas do tipo ANSI. O domínio dessa linguagem possibilita uma rápida avaliação do processo, das etapas críticas e dos tempos decorrentes das tarefas, bem como dos desvios de rota. Observe a Figura 9: 12 Figura 9 – Fluxograma ANSI A Figura 9 apresenta um exemplo de uso de um fluxograma para representar uma atividade em qual existe a ocorrência de uma não conformidade. Cada figura da simbologia ANSI apresenta uma etapa a ser seguida ou analisada. O fluxograma por diagrama de blocos representa uma sequência de atividades contínua, sem que sejam declaradas as situações de decisão, e é bastante usado para o rascunho de atividades em um primeiro contato de auditoria de processos. O fluxograma funcional apresenta a sequência das atividades de um processo e sua relação com as demais áreas ou seções por onde ele flui na empresa (Figura 10). 13 Figura 10 – Fluxograma funcional Fonte: Campos, 2013, p. 54. A Figura 10 apresenta um exemplo de fluxograma funcional, no qual estão representadas as atividades e sua posição nos diversos setores de autoridade, para que seja possível visualizar as lacunas de tempo no mapeamento dos processos e a hierarquia das decisões em cada etapa. O fluxograma ASME (Figura 12) é comumente utilizado nos processos de análise do andamento de tarefas, pois apresenta dados como tempo de execução e tipos de tarefas para um mesmo processo. Também é chamado de folha de análise. A Figura 11 demonstra os cinco símbolos básicos: Figura 11 – Símbolos básicos do fluxograma padrão ASME Fonte: Campos, 2013, p. 199. 14 A Figura 11 ilustra a simbologia utilizada na linguagem para representar ações e operações no fluxograma ASME. Esses símbolos dão valor a cada tarefa, pois, além de representá-la graficamente, apresentam um modelo de rápido preenchimento. Figura 12 – Fluxograma do tipo ASME ou folha de verificação Fonte: Campos, 2013, p. 146. A Figura 12 apresenta um modelo de fluxograma ASME, com descrição das atividades, responsabilidade das ações, tempo estimado para a tarefa e tempo efetivo de realização dela, bem como o símbolo que a representa. Esse fluxograma é ideal para acompanhamento no local de execução da tarefa. 4.3 Método PDCA O método PLAN - DO - CHECK - ACT (PDCA) é um esboço de um plano de ação. Serve como uma base para que outras ferramentas sejam usadas durante o processo de controle da qualidade. Para Campos (2013, p. 107), “melhorar é atingir metas e atingir metas é resolver problemas”, e isso significa que estamos no controle do processo. A Figura 13 ilustra o esquema do método, passo a passo, desde o planejamento inicial até a padronização da resolução do problema para que não se repita: 15 Figura 13 – Ciclo PDCA A Figura 13 apresenta graficamente a ideia do método PDCA, com cada etapa relacionada à seguinte, formando um ciclo. O ciclo começa na letra P de plan, que significa planejar o processo, segue para a letra D de do, ou seja, executar, depois para a verificação do executado, na letra C de check, e por último vem a letra A de action, ou agir, para identificar se o processo deve ser padronizado. Para que seja possível identificar e tratar o problema, devem ser seguidos alguns passos: Faça um fluxograma dos processos envolvidos no problema. Reúna o staff e os colaboradores das áreas participantes do problema e faça um brainstorming. O brainstorming (tempestade de ideias) é um momento em que o grupo, reunido em torno do problema, sugere, a esmo (sem criticar), ideias de possíveis causas para o problema. Reúna as possíveis causas coletadas e aplique-as ao Diagrama de Ishikawa para estabelecer as causas mais elencadas. Comece analisando a espinha com o maior número de ocorrências: aplique a Matriz GUT para definir ações prioritárias (Figura 14). 16 Figura 14 – Matriz GUT A Matriz GUT apresentada na Figura 14 significa Gravidade, Urgência e Tendência. Para cada sugestão deve ser dado um peso de 1 a 5, considerando cada uma das variáveis GUT, sendo 1 o menos significante e 5 o mais importante – o resultado deve ser multiplicado e, no final, haverá uma escala de atendimento para cada questão. Elencada a causa, comece um plano de ação 5W2H1S (Figura 15), que é um quadro em que são identificadas as responsabilidades para ação sobre o problema em questão. Figura 15 – Modelo de acompanhamento 5W2H1S A Figura 15 apresenta um exemplo de 5W2H1S, que significa o que fazer (what), onde deve ser feito (where), porquê deve ser feito (why), como agir (how), quando deve ser executado (when), quanto custa (how much), quem é o responsável (who) e, finalmente, apresentar os resultados (show me). 17 Estabeleça um Diagrama de Gantt (Figura 16) para acompanhar a execução de cada etapa do planejamento. Figura 16 – Exemplo de um Diagrama de Gantt Fonte: Campos, 2013, p. 245. A Figura 16 apresenta um modelo de Diagrama de Gantt, utilizado para gerenciar as tarefas e acompanhar o prazo de execução individual e coletiva do plano de ação proposto pela ferramenta 5W2H1S. Esse diagrama é essencial para detectar atrasos no projeto. TEMA 5 – ESTUDO DE CASO 5.1 Empresa A empresa Alpha comercializa lanches de diversos tipos, incluindo sanduíches e sucos naturais. Ela faz parte de uma grande franquia que fornece os componentes para a fabricação dos sanduíches. Normalmente, são vendidos 200 sanduíches por dia e 300 sucos. Há algum tempo, muitos pedidos são feitos e não são produzidos, pois eventualmente um ou outro ingrediente está em falta. O proprietário tem percebido que, apesar de ter um negócio altamente procurado e estando localizado em um shopping, seu lucro tem caído mês a mês e sua carteira de contas a pagar tem demonstrado que, se a situação continuar assim, um provável efeito tesoura irá acontecer entre o saldo de tesouraria e as contas a pagar, evidenciando uma necessidade premente de fontes de capital de giro. 18 5.2 Processo Após chamar um consultor empresarial, esse profissional percebeu que o negócio tem realmente alta procura, mas que, por alguma razão a avaliar, o fornecimento de produtos pela franqueadora não tem sido suficiente para atender à demanda. No dia seguinte ao início das observações, o consultor chamou uma reunião com os funcionários, tanto os do atendimento quanto os que trabalhavam com o estoque e a reposição de pedidos, para que pudessem identificar as causas prováveis do problema. Então, solicitou aos funcionários que dissessem quais eram as razões, para eles, desse problema de falta de atendimento dos pedidos. Os funcionários fizeram uma longa lista de expressões, que começava por baixos salários e ia até descaso do patrão. Para facilitar a tarefa, o consultor pediu que os funcionários fizessem um passo a passo do atendimento de um pedido. Ali foram colocados os tempos e todas as etapas do processo. Considerando que o processo era executado sempre da mesma forma, o consultor decidiu utilizar as ferramentas da qualidade para encontrar uma saída. Pegou então o brainstorming feito pelos funcionários e colocou essas expressões num diagrama de causa e efeito. Claramente, a espinha material foi a que mais se destacou, com muitas reclamações referentes a falta e sobra de materiais em estoque. Nesse momento, o consultor pegou as subcausas elencadas no diagrama e as colocou em discussão no modelo GUT. A partir daí, foi estabelecida a primeira causa possível a ser trabalhada, com 125 pontos GUT, que foi a quantidade de materiais entregues pela franqueadora. Para melhor verificar o caso, o consultor foi até o fluxograma e percebeu que as entregas eram feitas duas vezes por semana, e que as quantidades eram sempre as mesmas,independentemente da sazonalidade dos períodos (férias, finais de semana, feriados). Então decidiu fazer um plano de ação para tentar resolver a questão do fornecimento, utilizando-se da ferramenta 5W2H1S, e encarregou o comprador de, como primeira ação, verificar com a produção e com o atendimento qual era a quantidade de pedidos não entregues e quais tipos de produtos faziam a composição dos lanches. Para isso, ele teve o prazo de um dia. O item de controle a ser respondido era a quantidade de pedidos entregues perfeitos e a quantidade total de pedidos 19 realizados (perfeitos e não entregues). Essa primeira ação já demonstrou que havia uma divergência nas quantidades recebidas e nas necessárias para a montagem dos lanches para as demandas normais. A segunda ação para essa causa foi ajustar a solicitação de matérias através de um software de MRP. O gerente ficou encarregado de procurar a empresa que forneceria o software, comprá-lo, treinar os funcionários e fazer os pedidos dentro da realidade de sua demanda. Em terceiro lugar, a ação proposta foi adequar seu estoque para a compra de materiais in natura, para um prazo menor, de dois dias, ao invés do de cinco dias, e para as quantidades médias para atendimento desses dois dias, pois percebeu-se que havia perdas por validade dos produtos estocados sem uso. 5.3 Resultados Após a realização dessas ações, foi feita nova observação dos atendimentos. Foram resolvidos 90% dos problemas referentes ao atendimento dos pedidos, redução das perdas de estoque por questões de produtos estragados e melhoria da margem de lucro e produtividade, tendo em vista que os custos fixos ficaram diluídos na quantidade vendida. Os 10% restantes dos problemas sofreram novo processo de análise, agora sem a presença do consultor, pois a empresa aprendeu a resolver essas questões com o uso das ferramentas da qualidade. Aos poucos o saldo de tesouraria foi ficando equilibrado e o grau de endividamento foi reduzindo a níveis aceitáveis de processo. Hoje a empresa Alpha é considerada uma referência entre as franqueadas da rede, sendo que presta consultoria para diversos franqueados e gera novas oportunidade de ganho. FINALIZANDO A gestão por processos é a melhor forma de resolver os problemas da empresa, ganhar produtividade, aumentar vendas e reduzir custos. Nesta aula, foi possível entender os conceitos de qualidade e de processos, o modo como se conectam os diversos processos dentro de uma empresa e na cadeia de valor, bem como aprender a utilizar as ferramentas da qualidade para o tratamento de 20 problemas, possibilitando detectar, analisar e resolver os diversos desvios de planejamento. LEITURA OBRIGATÓRIA Texto de abordagem teórica MEDEIROS, W. M. de. Metodologias de gestão de processos para aumentar a eficiência e eficácia dos processos operacionais da Eletrobrás Eletronorte. 191 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Universidade Federal do Pará, Belém, 2013. (Seção 3 – Fundamentação teórica). Disponível em: <http://ppgec.propesp.ufpa.br/ARQUIVOS/dissertacoes/2013/wandre>. Acesso em: 17 maio 2018. Texto de abordagem prática MEDEIROS, W. M. de. Metodologias de gestão de processos para aumentar a eficiência e eficácia dos processos operacionais da Eletrobrás Eletronorte. 191 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Universidade Federal do Pará, Belém, 2013. (Seção 5 – Estudo de caso do projeto de implantação da gestão por processos nas empresas do grupo Eletrobras). Disponível em: <http://www.ufpa.br/ppgec/data/producaocientifica/Disserta%C3%A7%C3%A3o% 20Mestrado.pdf>. Acesso em: 17 maio 2018. 21 REFERÊNCIAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Norma Brasileira ABNT NBR ISO 9001: Sistemas de Gestão da Qualidade - Requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2015. ABPMP – Association of Business Process Management Professionals. Guia para o Gerenciamento de Processos de Negócio – Corpo comum de conhecimento – ABPMP BPM CBOK V3.0. 1. ed. BRASIL: ABPMP, 2013. BRASIL. Procuradoria Geral da República. Secretaria Jurídica e de Documentação. Manual de gestão por processos. Brasília: MPF/PGR, 2013. CAMPOS, V. F. Gerenciamento da rotina do trabalho do dia a dia. 9. ed. Nova Lima: FALCONI, 2013. CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. FNQ – Fundação Nacional da Qualidade. Gestão por Processos. São Paulo: FNQ, 2015. PALADINI, E. P. Gestão da qualidade: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009. ROBBINS, S. P.; JUDGE, T. A. Comportamiento Organizacional. 13. ed. Naucalpan de Juárez: Pearson Educación, 2009. AULA 4 GESTÃO POR PROCESSOS E A INTEGRAÇÃO ESTRATÉGICA Prof. Cristiano Ribeiro 2 CONVERSA INICIAL Olá! Seja muito bem-vindo à nossa aula de Estratégia Empresarial. O objetivo desta aula será compreender os principais pontos de um planejamento estratégico e os princípios da administração estratégica, além de apresentar uma visão global do modo como as empresas definem suas estratégias de negócios. Bons estudos! CONTEXTUALIZANDO As decisões gerenciais são frequentemente tomadas sem que sejam estabelecidos critérios validados para que sejam evitadas as frustrações. Muitas vezes se torna uma árdua tarefa para um administrador inexperiente levar adiante uma empresa sem que ele esteja com todas as informações disponíveis e controladas para a tomada de decisão. Muitas empresas fecham, inclusive hoje, porque não levaram em consideração aspectos internos e externos ao seu próprio negócio, não entendem quais as forças que têm e nem mesmo sabem a extensão das fraquezas que carregam em sua estrutura de negócios. Oportunidades e ameaças estão sempre à volta e sobrevivem os que são mais rápidos, e não os que são maiores. Fazer um bom planejamento estratégico, acompanhá-lo até o fim e tomar as decisões pertinentes, além de manter a empresa atuante no mercado, favorece seus ganhos e desenvolvimento. TEMA 1 – ESTRATÉGIA PARA EMPRESAS A estratégia trata de como, entendendo o ambiente onde se está, suas próprias forças e fraquezas, bem como as forças do oponente e as suas fraquezas, avançar em seus objetivos utilizando o mínimo de esforço e alcançar o sucesso do empreendimento. Todas as informações são importantes e a atitude do líder fará o resultado ser positivo ou negativo. Quando pensamos em estratégia, logo vêm à nossa cabeça os feitos de grandes generais em uma guerra. Essa é a representação comum de estratégia. Mas há estratégia em coisas que você nem imagina. No reino animal, muitas espécies desenvolvem camuflagens para enganar sua presa ou seu caçador. Cantam de forma diferente, escondem-se, preparam armadilhas para sobreviver. No reino vegetal, algumas espécies liberam aromas 3 que atraem polinizadores, ou que atraem presas, ou ainda que afastam outras espécies daninhas. Ainda aí a estratégia é utilizada como sobrevivência. Os seres humanos usam estratégias para diversas coisas. Há aqueles que fazem planos e usam estratégias para conquistar afetivamente alguém, os que usam estratégias para fechar bons negócios financeiros, outros que usam estratégias para o esporte, entre tantas outras possibilidades. Segundo Chiavenato (2011, p. 219), a estratégia é “a mobilização de todos os recursos da empresa no âmbito global visando atingir os objetivos no longo prazo. Tática é um esquema específico de emprego de recursos dentro de uma estratégia geral”. Então, a estratégia é um modo de, utilizando os recursos disponíveis, fazendo um bom planejamento e usando uma boa tática, alcançar os objetivos traçados. 1.1 Evolução da estratégia A forma de planejar foi evoluindo ao longo do tempo. Por volta dos anos 1950, a estratégia empresarial era trabalhar sobre o orçamento, sendo o Planejamento Financeiro o objetivocomum – todos deveriam cumprir o planejamento orçamentário. Na década seguinte, as empresas já tinham mudado. Nos anos 1960, as empresas estavam desenvolvendo maneiras melhores de prever e projetar suas operações no futuro, e, apesar de não prever as mudanças e trabalhar com indicadores históricos, a tônica do mercado ficou conhecida como Planejamento de Longo Prazo. Já nos anos 1970 e no início dos anos 1980, as empresas estavam evoluindo para um pensamento mais estratégico, pensando nas mudanças do ambiente empresarial, analisando suas competências e recursos, além de alocar recursos de forma a atingir seus objetivos. Esse período foi chamado de Era do Planejamento Estratégico. “Eu estava numa cama quente e, de repente, sou parte de um plano”. Woody Allen em Neblina e Sombras (1991) A partir dos anos 1980, a administração estratégica foi a tônica dos movimentos empresariais. Essa administração previa maior flexibilidade nas suas operações, coordenação global dos recursos com foco em um objetivo, integração 4 do planejamento e controle, além de informações e comunicações fortemente direcionadas para o desenvolvimento da empresa. A segunda década do século XXI é uma era da inteligência da informação, com a indústria 4.0 e a 4ª Revolução Industrial. O conhecimento de todas essas eras é acumulado e, então, tanto o planejamento financeiro, o planejamento de longo prazo e o planejamento estratégico como a administração estratégica continuam presentes na realidade dos administradores. TEMA 2 – ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA A administração estratégica pode ser considerada a instauradora da era da consolidação do administrador como peça fundamental para o sucesso dos empreendimentos. Um dos grandes catalizadores desse processo evolutivo de gestão das empresas é o fato de que as empresas aprendem, e esse aprendizado, que antes era domínio dos consultores, passou a ser elemento estruturante dos processos de desenvolvimento de competências para colaboradores e alta administração. Segundo David (2013, p. 5), “a administração estratégica se define como a arte e a ciência de formular, implementar e avaliar decisões multidisciplinares que permitem que uma empresa alcance seus objetivos”. Temas como participação nas decisões, administração horizontalizada, mentalidade crítica, flexibilidade e adaptabilidade são requisitos para que a administração estratégica possa desenvolver-se de maneira a dar resultados. Ainda para David (2013, p. 5), “algumas vezes o termo administração estratégica se emprega para referir-se a formulação, implementação e avaliação de estratégias, e planejamento estratégico se refere somente à formulação de estratégias”. Dos anos 1950 até o início dos anos 1990, a tônica era estabelecer a modernidade em finanças corporativas, com reflexões sobre a lógica econômica e o processo de tomada de decisões financeiras das corporações. Já a partir dos anos 1990, a gestão de risco foi a grande aliada dos administradores que trabalham diretamente com investimentos. O processo de administração estratégica, para Hitt, Ireland e Hoskisson (2011, p. 6), é “o conjunto completo de compromissos, decisões e ações necessários para que a empresa obtenha vantagem competitiva e retornos acima da média.”. 5 A administração estratégica é, por parte do administrador e da equipe de trabalho, um conjunto de competências (conhecimentos, habilidades e atitudes), de crenças e valores que influencie e motive pessoas a desenvolverem atitudes construtivas, sinérgicas e coerentes, no sentido de atingir as metas da organização, no contexto em que se situam no espaço/tempo, e considerando as análises externa e interna. TEMA 3 – ANÁLISE ESTRATÉGICA Para entender o que se chama de análise estratégica, é preciso ser levado em consideração o desdobramento de diversas partes da empresa e do mercado, pensar nos objetivos e metas, entender os direcionadores (drivers) e os resultados (outcomes), buscar uma visão completa e holística da organização e entender os anseios das partes interessadas no negócio (stakeholders). Existem níveis de estratégia a ser considerados: estratégias corporativas, estratégias de unidades de negócio e estratégias de produto ou de mercado. A estratégia corporativa está mais voltada para o crescimento do negócio como um todo, pensando no retorno do investimento. Já as estratégias das unidades estratégicas de negócios (que podem ser filiais da empresa, escritórios, postos avançados) estão mais preocupadas em entender o mercado e suas oportunidades e em resolver suas fraquezas e desenvolver ainda mais suas forças face aos concorrentes. Por outro lado, as estratégias de produto ou de mercado são estratégias direcionadas para o entendimento do mercado-alvo por meio de soluções como desenvolvimento de novos produtos ou serviços e estabelecimento de programas de marketing. 3.1 Análise interna A empresa deve mapear seus processos, analisar seu potencial humano e seus equipamentos, bem como o lugar onde está situada, e verificar se essas opções e o restante do mix de marketing são uma força ou uma fraqueza para sua organização. Para ajudar nessa análise interna, foi desenvolvida uma ferramenta chamada Matriz SWOT (Figura 1). 6 Figura 1 – Matriz SWOT Fonte: Santiago, 2012. A Figura 1 apresenta graficamente a matriz SWOT. A análise de seus processos internos, e dos fatores externos, proporciona às empresas uma vantagem competitiva sobre seus concorrentes, melhorando seus processos internos e sua produtividade. 3.2 Análise externa Até a metade do século XX, os administradores focavam muito mais o que ocorria internamente nas organizações e, despercebidamente, o ambiente externo influenciava cada vez mais profundamente nos resultados dos seus negócios. Mesmo no caso daquelas empresas que estavam exercendo uma forte análise e ações internas, diminuindo suas fraquezas e priorizando suas forças, como a eficiência dos processos e o aumento da produtividade, isso não significava mais seu sucesso e sua sobrevivência no mercado, sendo que esses aspectos internos somente indicariam se elas poderiam ou não atender à demanda desse mercado, não garantido a fidelidade de seu consumidor. Por volta de 1965, Igor H. Ansoff propõe uma ferramenta de análise estratégica e definições de estratégias visando também ao ambiente externo como ponto importante no sucesso do negócio, e essa ferramenta foi denominada Matriz de Ansoff (Figura 2). 7 Figura 2 – Matriz de Ansoff Fonte: Adaptado de David, 2013, p. 97. A Figura 2 apresenta a Matriz de Ansoff, desenvolvida para a análise da relação produtos e mercados, na fase de análise estratégica de crescimento da empresa, sendo consideradas quatro estratégias distintas de sobrevivência: penetração de mercado, desenvolvimento de mercado, desenvolvimento de produto e diversificação de produtos. A estratégia de penetração de mercado prevê a manutenção da atuação da empresa no mercado atual, crescendo em participação junto aos clientes, em detrimento de seus concorrentes. Geralmente, são feitas campanhas para intensificar a venda de seus produtos. O desenvolvimento de mercado é uma estratégia de estudo de novos nichos, lacunas em que a empresa ainda não tem atuação com seus produtos. Podem ser desenvolvidas estratégias para novos públicos, utilizando novas formas de distribuição ou movimentos como o de exportação para outros mercados. Para desenvolver novos produtos, é necessário que a empresa esteja atualizada e com aprendizagem em inovação, com intimidade com as necessidades e os requisitos do mercado em que atua. Já a diversificação prevê o lançamento de novos produtos ou linhas de produtos em novos mercados nos quais a organização ainda não atue. O risco desse investimento é alto, tendo em vista que não háapoio nenhum de 8 experiência da empresa nessa empreitada, pois são variáveis de resultado desconhecido. Sem que esses fatores sejam minimizados, muito provavelmente não será possível executar um plano estratégico de longo prazo, pois qualquer um desses fatores poderá, a qualquer momento, interferir nas metas e nos resultados da empresa (Figura 3). Figura 3 – Inter-relações nos ambientes interno e externo A Figura 3 demonstra que, para que seja feita uma análise mais completa do ambiente externo, fatores como cenário político, cenário econômico e social devem ser considerados individualmente, pois atuam de fora para dentro da organização. Considerando a análise que deve ser feita dos ambientes externo e interno, algumas estratégias devem ser levadas em consideração. A intensidade da competição e o potencial de lucros da indústria (setor) são consequências das cinco forças de competição: as ameaças representadas pelos novos entrantes, o poder de negociação dos fornecedores, o poder de negociação dos compradores, os produtos substitutos e a intensidade da rivalidade entre os concorrentes. (Hitt; Ireland; Hoskisson, 2011, p. 47) Michael Porter estudou o comportamento do mercado e definiu as cinco principais forças que atuam nele. Essas cinco forças de Porter são: 9 1. Rivalidade entre concorrentes: na análise do mercado concorrente, pode ser verificado o poder de sustentação de um concorrente em relação às suas estratégias comercias neste mercado, que podem ser positivas ou negativas ao negócio da empresa. Figura 4 – Análise da concorrência A Figura 4 apresenta uma série de fatores que podem ser explorados numa análise de business intelligence, ou inteligência de negócios. Essa comparação pode servir como uma espécie de benchmarking para os processos internos da empresa. 2. Poder de negociação dos clientes: essa análise de clientes é fundamental para a manutenção da carteira de clientes e dos ativos da empresa. Os clientes estão relacionados a fatores como segmentação, posicionamento e comportamento do consumidor. O comportamento do consumidor geralmente é influenciado por condições sociais, situacionais e, principalmente, por influências de marketing. 3. Poder de negociação dos fornecedores: os fornecedores podem exercer uma pressão sobre os compradores, quando são o fornecedor único de determinado recurso, ou quando, pelas condições de logística ou qualidade, são mais fortes que a concorrência. “Se uma empresa não conseguir recuperar os aumentos nos custos de seus fornecedores por meio de sua própria estrutura de fixação de preços, sua lucratividade será reduzida pelas ações de seus fornecedores.” (Hitt; Ireland; Hoskisson, 2011, p. 52). 10 4. Ameaça de novos entrantes (concorrentes): grandes empresas buscam ampliar seus territórios de atuação. Geralmente, têm condições estratégicas para entrar em novos territórios e dominar mercados. Um dos motivos pelos quais os novos entrantes representam uma ameaça tão grande é que eles trazem capacidade extra de produção. A menos que a demanda de um bem ou serviço aumente, a capacidade extra baixa os custos para o consumidor, o que resulta em menos receita e retornos mais baixos para as empresas concorrentes. (Hitt; Ireland; Hoskisson, 2011, p. 49) 5. Ameaça de produtos substitutos: a pergunta é: qual a possibilidade de meu produto ou serviço estar desatualizado? A velocidade em que a engenharia reversa ocorre sobre produtos novos possibilita a produção de produtos semelhantes, muitas vezes com menor preço e qualidade, mas aceitos pelo consumidor. “Produtos substitutos são bens ou serviços externos a uma determinada indústria (setor), que executam funções iguais ou semelhantes às de um produto que uma indústria (setor) produz.” (Hitt; Ireland; Hoskisson, 2011, p. 53). A partir da análise dessas forças, é possível adotar algumas estratégias competitivas, que, para Porter, são: Liderança de custo: quanto menor for o custo de produção, melhor é a margem de lucratividade, e, com uma boa margem, é possível atuar em campanhas de desconto e invasões de novos mercados com preços competitivos. Diferenciação: estabelecer critérios inovadores que transformem o produto em uma opção atrativa para os clientes. Foco: ter foco é encontrar um nicho específico de mercado ou produto e colocar ali forças importantes para prevalência. Especializar-se em algum tipo de produto é indispensável. A análise do mercado está relacionada a diversos fatores de atratividade, como fatores de mercado, fatores econômicos e tecnológicos, fatores competitivos e fatores ambientais. Há também alguns riscos na opção de entrar em mercados de alto crescimento, pois neles há uma alta competição (excesso de concorrência e novos entrantes de capacidade superior), mudanças não planejadas nos fatores críticos do próprio mercado, como instabilidade de preços, nível de crescimento e novas tecnologias, além dos riscos de limitações, como restrições de recursos e de logística de distribuição. 11 TEMA 4 – ELABORAÇÃO DO PLANO ESTRATÉGICO Para a elaboração do plano estratégico, é necessário verificar algumas questões do plano de negócio da empresa. Segundo Chiavenato (2007, p. 132), “O plano de negócio — business plan — descreve a ideia de um novo empreendimento e projeta os aspectos mercadológicos, operacionais e financeiros dos negócios propostos, geralmente, para os próximos três ou cinco anos.”. A base de um plano de negócios padrão deve seguir os seguintes itens: 1. Sumário executivo (objetivos, missão, fatores-chave para o sucesso). 2. Sumário da empresa (estrutura societária, localização e instalações). 3. Produtos (análise competitiva, canais de venda, tecnologia e inovação). 4. Sumário da análise de mercado: segmentação de mercado (necessidades, tendências e crescimento); análise de indústria (formas de produção, de distribuição, de compra e competição). 5. Sumário de estratégia e implementação: posicionamento da marca; vantagem competitiva; estratégias de marketing (preços, promoção, ponto e vendas). 6. Sumário da estrutura gerencial (organograma, equipe gerencial). 7. Planejamento financeiro (indicadores, demonstrativo de resultados, fontes de aplicação de recursos e investimento, avaliação de retorno em diversos cenários). Os acionistas sempre têm muitas opções de aplicação para seu dinheiro e esperam que o retorno de seu investimento no negócio seja atrativo. A necessidade de rentabilidade dos acionistas é a primeira meta da empresa. A segunda etapa é entender se a missão pela qual a empresa foi constituída ainda pode ser declarada como realidade. Em terceiro lugar, é montada uma visão para 5, 10, 15 ou 20 anos, considerando onde se quer que a empresa esteja posicionada nesses períodos. 12 Figura 5 – Início do planejamento A Figura 5 demonstra a primeira etapa de planejamento, em que são analisados os resultados da empresa e estes são comparados às necessidades dos acionistas e à missão da empresa. A partir desse momento de reflexão, são delineados os aspectos: filosófico: negócio, missão, princípios e valores, intenção estratégica; analítico: análises do ambiente, análise interna e fatores essenciais do negócio; decisório: estratégias e objetivos; encaminhamento de ações: planos táticos e análises de consistência. Voltando aos aspectos iniciais da análise da empresa, temos que verificar qual é o sentido do negócio, o que realmente a empresa faz e entrega a seus clientes. É comum haver distorções na visão dos funcionários e dos clientes se a empresa não souber posicionar bem a sua marca. Definição do negócio: entender e explicitar o âmbito de atuação da empresa. Exemplos: Tabela 1 – Definição de negócio Empresa Visão distorcida Visão estratégica Kodak Câmeras e filmes fotográficosPreservação de memórias Avon Cosméticos Beleza Petrobrás Combustíveis Soluções em energia Estrela Brinquedos Alegria ThyssenKrupp Elevadores Soluções em Transportes 13 A Tabela 1 apresenta a visão de negócio considerando a visão concreta e a visão estratégica (subjetiva) da imagem da empresa que o setor de marketing espera criar. Missão: o que a empresa deve fazer? Para quem deve fazer? Como deve fazer? Onde deve fazer? Qual a responsabilidade social que deve ter? Exemplos: Tabela 2 – Missões de empresas Empresa Missão Nestlé Oferecer soluções em saúde e nutrição que contribuam para o bem-estar dos consumidores e suas famílias, em todas as fases da vida. (disponível em <www.nestle.com.br>) Lojas Renner Ser a melhor e maior fashion retailer das Américas para o segmento médio/alto dos consumidores com diferentes estilos, com moda, qualidade, preços competitivos e excelência nos serviços prestados. Encantando e inovando, sempre de forma sustentável. (disponível em <https://portal.lojasrenner.com.br>) PUC-RS Produzir e difundir conhecimento e promover a formação humana e profissional, orientada pela qualidade e pela relevância, visando ao desenvolvimento de uma sociedade justa e fraterna. (disponível em <www.pucrs.br/institucional/a-universidade/>) A Tabela 2 apresenta a missão elaborada por algumas empresas conhecidas e de sucesso. Esses dados foram retirados do site das empresas em dezembro de 2017. Princípios e valores: são orientadores para o processo decisório e para o comportamento da organização no cumprimento de sua missão. Exemplo: Ferramentas Gerais (disponível em <http://www.fg.com.br/institucional/quem-somos>): 01 Comprometer-se com os resultados. 02 Valorizar o conhecimento. 03 Ter a visão do todo. 04 Entender o cliente. 05 Reduzir custos. 06 Saber tomar decisões e resolver problemas. 07 Ter senso de urgência. 08 Fazer bem feito. 14 Visão ou intenção estratégica: é a visão no horizonte de até 20 anos que a empresa espera alcançar com seus esforços. Este é o princípio norteador do planejamento estratégico. Exemplo: Visão da Randon em 2011 (disponível em <http://www.empresasrandon.com.br>): ser uma empresa de classe mundial, líder no mercado brasileiro e estar entre as cinco líderes globais em reboques e semirreboques, com faturamento bruto de R$ 5 bilhões até 2016. Análise ambiental: na sequência do planejamento, faz-se necessário entender os processos internos e os aspectos externos à empresa. Neste momento, é utilizada a ferramenta SWOT para avaliar as questões internas e externas, para que seja possível identificar: a. tendências relevantes e eventos futuros; b. ameaças e oportunidades; c. incertezas estratégicas (novos entrantes, novas tecnologias, substitutos); d. decisões estratégicas a serem tomadas (investimentos ou manutenção). Análise estrutural: estudo das forças competitivas. Figura 6 – Forças competitivas A Figura 6 apresenta um modelo de concorrência a partir da abordagem das forças competitivas de Porter. Análise da concorrência: essa análise deve ser feita com base nos seguintes itens: a. Avaliar os objetivos futuros e atuais da concorrência. b. Avaliar a estratégia atual da concorrência. c. Avaliar o perfil de capacidade da concorrência. d. Prever as estratégias futuras da concorrência, com base nos itens anteriores. 15 Análise de clientes e do mercado: é a abordagem de segmentação do mercado. Um mercado é um conjunto de clientes que têm necessidades ou desejos similares e que respondem a um composto específico de marketing. Segmento de marketing é um corte no mercado para atender a clientes com necessidades específicas. Nicho é um corte no segmento de mercado que contém clientes com necessidades diferenciadas e que buscam ser atendidos de forma especial. Para fixar a marca, deve-se escolher os tipos de posicionamento a serem trabalhados: a. por atributos do produto; b. por benefícios; c. por preço. Além disso, deve-se analisar também o comportamento do consumidor, verificando como se dá o processo de compra e se a cultura e os aspectos sociais têm a tendência de mudá-lo. Decisões estratégicas: deve-se verificar a abordagem a ser adotada na utilização da vantagem competitiva, se será por liderança em custo ou pela diferenciação, se em tecnologia será uma posição de liderança ou uma posição seguidora, e ainda se a estratégia de competição a ser utilizada será a de líder do mercado, desafiador no mercado, seguidor no mercado ou criador de nichos – especialista. Objetivos: os objetivos são os resultados que a empresa espera alcançar segundo o seu planejamento. Devem ser criados indicadores para seu acompanhamento: os indicadores do tipo drivers, por exemplo, trabalham no background das operações, e podem ser corrigidos por meio de planos de ação rápidos, durante as operações, sendo considerados de esforço ou meio. 16 Figura 7 – Objetivos, estratégias e ações A Figura 7 demonstra um modelo conceitual de desdobramento dos objetivos globais em estratégias e as estratégias em ações táticas. Geralmente, esse desdobramento ocorre da estratégia global em direção às estratégias operacionais. Já os indicadores do tipo outcomes são de referência global para os objetivos, mas não oferecem oportunidade de correções de rota. Por fim, deve ser feita uma verificação de consistência entre as análises (ambiente, interna, clientes etc.) e as escolhas estratégicas, seus objetivos e planos táticos. TEMA 5 – ESTUDO DE CASO 5.1 Empresa A Coca-Cola Brasil anunciou que lançará em agosto o Café Leão, produto com grãos 100% arábica, cultivados, torrados e embalados no país. A iniciativa marca a entrada da empresa no segmento de cafés, por meio da Leão, marca de origem brasileira com 115 anos de atuação no segmento de chás. O Café Leão será o primeiro da companhia no mundo para o consumo em casa. Segundo a Coca-Cola, a produção do Café Leão envolverá uma rede de pequenos e médios cafeicultores do cerrado mineiro e das montanhas do Espírito Santo. O produto estará disponível em duas torras: escura, com a bebida encorpada e equilibrada com aroma e sabor intensos; e média, com aroma e sabor balanceados com dulçor marcante. Inicialmente, o Café Leão será encontrado no Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba, com a previsão de chegar aos principais pontos de venda de todo o país a partir de janeiro de 2017. Em setembro, os consumidores brasileiros também poderão adquirir o Café Leão em canais de e-commerce. [...] Fonte: Coca-Cola, 2016. 17 5.2 Processo [...] Mas o novo produto da Coca-Cola Brasil foi além das lojas físicas e ganhou, no fim do ano passado, um site com venda direta ao consumidor. A ideia é facilitar o acesso a um café 100% arábica, feito com uma combinação de grãos “tipo exportação”. Para completar essa experiência, já está no ar, no canal do Café Leão no YouTube, uma websérie de seis episódios que reúne dicas e diferentes sugestões de preparo. “Queremos compartilhar com as pessoas o conhecimento que adquirimos sobre café e seus modos de preparo. Na loja, as pessoas podem ter acesso aos utensílios que ajudam a propiciar essa experiência”, diz Felipe Braga, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do produto e pelas estratégias de promoção dentro das áreas de Operações, Novos Negócios e Marketing da Coca-Cola Brasil. Renato Fukuhara, diretor de Marketing para Novas Categorias, acrescenta: “Nosso ponto de partida é democratizar o café de qualidade. Não vamos brigar com o atual mercado cafeeiro brasileiro. Nosso novo produto é outro, diferente. O mercado de café especial no Brasil ainda pode evoluir muito, há espaço para isso”. Na loja virtual – com entrega para todo o país – o Café Leão pode ser encontrado nas versões torra média (mais frutada e doce) e torraescura, moído (padrão médio-fino de moagem) ou em grãos, em embalagens de 250g ou 500g. Além do café, o e-commerce tem também acessórios como cremeira, chaleira e cafeteiras diferentes. Braga conta que há uma “estrela” no site: o moedor elétrico portátil. O café, depois de moído, deve ser consumido o mais rapidamente possível. Porém, moer o próprio café em casa pode parecer algo complicado. Há moedores sofisticados no mercado, inclusive manuais, com preços elevados. O Café Leão optou por oferecer aos consumidores um modelo elétrico com uma boa relação entre custo e benefício. Não por acaso, nos três primeiros meses de venda direta ao consumidor, é o utensílio mais procurado. [...] No canal do YouTube, os episódios são apresentados pelo barista Renato Gutierres, consultor do Café Leão. Lá, ele explica o que é o café especial, ensina como fazer café coado, na moka ou na prensa francesa, inclusive cappuccino e café gelado. No site do Café Leão, há ainda outros seis vídeos, bem curtinhos, que apresentam de maneira simplificada como preparar o café para aproveitar ao máximo aroma e sabor da bebida. Fonte: Lencastre, 2017. 5.3 Resultados Café na bicicleta? No Rio de Janeiro, o Café Leão montou um ambiente temporário para o público provar a bebida. É uma “foodbike”, uma bicicleta adaptada no Botafogo Praia Shopping, na Praia de Botafogo, Zona Sul da cidade. Lá, é possível tomar a bebida na hora ou comprar para preparar em casa. Por enquanto, a cafeteria móvel é exclusividade da capital fluminense, mas há planos de levá-la para São Paulo, a cidade que mais consome café no Brasil, e para Curitiba, onde a Leão foi fundada, 18 em 1901. “Nosso objetivo é dar acesso a um produto supervalorizado no exterior, mas tão pouco conhecido aqui no Brasil”, diz Raoni Lotar, gerente de Marketing de Café Leão. Quer saber mais sobre café “tipo exportação”? No primeiro semestre de 2017, a Coca-Cola Brasil lança um newsletter (distribuído por e-mail) com informações sobre café especial, curiosidades e histórias de pessoas que se preocupam em cultivar, vender e preparar bons cafés pelo Brasil. Mas desde já é possível acompanhar as novidades do Café Leão por Facebook, Instagram e YouTube. Fonte: Lencastre, 2017. É possível observar que esse foi um trabalho de expansão do mercado de atuação da empresa por meio de novos segmentos de mercado, e que, para isso, foi necessário reestruturar internamente a organização, trazendo novos participantes (distribuidores) para sua rede, ampliando a capilaridade e explorando a tecnologia das redes sociais. FINALIZANDO A gestão estratégica é uma ciência que deve ser cuidadosamente testada e formulada antes de ser definitivamente aplicada. Ela não existe sem que a administração utilize as quatro funções principais de um gerenciamento eficiente: planejar, organizar, controlar e liderar. O planejamento estratégico é feito com a ajuda de todos os níveis da organização (estratégico, tático e operacional), pois, sem o envolvimento de todos, não haverá sustentação para a execução dos planos táticos e operacionais. LEITURA OBRIGATÓRIA Texto de abordagem teórica Estabelecimento dos objetivos e das estratégias www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18140/tde.../Dissertacao_anaclaudia.pdf p. 9-26. Texto de abordagem prática www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18140/tde.../Dissertacao_anaclaudia.pdf p. 38-46. 19 Saiba mais Colibri Móveis do Brasil. Reportagem RPC PR Colibri 2015 – Planejamento estratégico e comprometimento de funcionários ajudam... YouTube, 2015. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=jJpqi_pkRlE>. Acesso em: 18 maio 2018. Tribunal Regional do Trabalho no DF e Tocantins. TV TRT10 - Planejamento Estratégico RAE 2013. YouTube, 2013. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=7a76BZpOcu4>. Acesso em: 18 maio 2018. 20 REFERÊNCIAS CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. COCA-COLA Brasil entra no mercado de café. G1 Economia, 2016. Disponível em: <http://g1.globo.com/economia/midia-e-marketing/noticia/2016/07/coca-cola- brasil-entra-no-mercado-de-cafe.html>. Acesso em: 18 maio 2018. DAVID, F. R. Conceptos de administración estratégica. 14. ed. México: Pearson Educación, 2013. HITT, M.; IRELAND, R. D.; HOSKISSON, R. E. H. Administração Estratégica: competitividade e globalização. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2011. LENCASTRE, C. Café Leão incentiva preparo artesanal da bebida com e- commerce e série de vídeos. Coca-Cola Brasil, 2017. Disponível em: <https://www.cocacolabrasil.com.br/historias/cafe-leao-incentiva-preparo- artesanal-da-bebida-com-e-commerce-e-serie-de-videos>. Acesso em: 18 maio 2018. NEBLINA e sombras. Direção: Woody Allen. EUA: Orion Pictures, 1991. 85 min. SANTIAGO, M. P. Gestão de Marketing. Curitiba: IESDE BRASIL S.A., 2012. AULA 5 GESTÃO POR PROCESSOS E A INTEGRAÇÃO ESTRATÉGICA Prof. Cristiano Ribeiro 2 CONVERSA INICIAL Olá! Seja muito bem vindo a nossa aula de Processos Organizacionais. O objetivo da aula de hoje será compreender como implantar a gestão estratégica, como são processos decisórios e como acontece a integração entre os diversos setores da empresa frente a gestão por processos Bons estudos! CONTEXTUALIZANDO Não basta ter a intenção de estruturar a empresa em torno de processos. Antes de tudo, deve-se ter uma visão crítica da própria empresa e esta demanda muito estudo e disciplina. Além da visão crítica, deve-se também conhecer as principais estratégias e seus desfechos possíveis, em cenários diversos. A tomada de decisão é uma atividade crítica para a organização, pois pode levá-la ao crescimento ou ao desaparecimento e, às vezes, as organizações que crescem sem um bom planejamento sucumbem diante de problemas que poderiam ser evitados. Há casos em que a empresa pensa em ampliar o número de filiais, e o faz sem tomar as devidas precauções, pensar, por exemplo, como o aumento de uma filial pode implicar em logística, em compras, e no tempo em que a empresa deverá se manter antes do retorno efetivo do investimento, ou até ela se manter por si mesma. Nesses casos, a empresa toda sofre com desperdício de recursos e, se ela estava em processo de desenvolvimento, provavelmente deverá recuar seu crescimento. O planejamento estratégico é uma ferramenta, uma filosofia e uma arma de guerra mercadológica. Aqueles que aprendem como utilizar-se desta metodologia, invariavelmente, vencem e se mantêm vivos nessa guerra. TEMA 1 – SELEÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DE ESTRATÉGIAS Como vimos na aula passada, o planejamento estratégico trabalha na direção da realização de objetivos. Esses objetivos têm relação com a conquista e manutenção de clientes, conquista e ampliação de mercados, utilização das vantagens competitivas etc. Nesse caso, a empresa já planejou os resultados que espera alcançar e em que tempo esses objetivos devem ser alcançados. O autoconhecimento da empresa é fator-chave de sucesso para a seleção e implementação de estratégias. A empresa deve saber exatamente quem é e qual o propósito de sua existência para poder escolher o caminho a seguir. 3 Existem várias formas de ver a estratégia. Para Chiavenato (2011, p. 235), estratégia significa “a mobilização de todos os recursos da organização no âmbito global, visando atingir objetivos globais a longo prazo. Uma estratégia define um conjunto de táticas”. Os dois tipos mais comuns de estratégias são: as estratégias genéricas e as estratégias de adaptação. As estratégias genéricas foram criadas a partir da análise da vantagem competitiva (custo e diferenciação) em relação ao escopo competitivo (alvo amplo, alvo estreito) e seriam os caminhos para superar os adversárioscomerciais em um determinado mercado. Porter reduz as estratégias possíveis a um elenco de três possibilidades: liderança em custo; diferenciação; enfoque, com duas variantes: o enfoque no custo; o enfoque na diferenciação (Santiago, 2012, p. 69). As estratégias de adaptação são aquelas em que a empresa se encontra em terreno hostil, com forças importantes fazendo pressão no mercado. Conforme Chichoski, Ceretta e Rocha (2013, p. 4), “as estratégias apresentadas por Miles e Snow são: Comportamento defensivo (defenders), comportamento prospectivo (prospectors), comportamento analítico (analysers) e comportamento de reação (reactors)”. Quadro 1 – Tipologia estratégica de Miles e Snow Tipologia Características Defensivo (defenders) O comportamento de defesa é característico das empresas que têm foco muito estreito, são altamente especializadas e relutam em procurar oportunidades novas ou atuar em situações diferentes daquelas a que estão acostumadas. Por causa desse foco estreito, essas empresas raramente modificam sua tecnologia, estruturas ou sistemas operacionais. Prospectivo (prospectors) A prospecção é a marca das empresas que continuamente procuram novas oportunidades no mercado e fazem tentativas para lidar com ameaças emergentes. Portanto, essas organizações são criadas de exemplos, incertezas e desafios para as demais, especialmente para seus competidores. Contudo, devido a seu foco nas inovações no produto e no mercado, tais organizações tendem a ser algo ineficiente. Analítico (analysers) O comportamento analítico é característico, segundo Miles e Snow, das organizações que atuam em dois mercados – um relativamente estável e o outro em processo de mudança. No mercado estável essas organizações atuam de maneira rotineira, usando seus processos e estruturas consolidadas. Nos mercados em mudança, elas procuram acompanhar e adotar as inovações mais promissoras pela concorrência. Reação (reactors) O comportamento de reação caracteriza as empresas que atuam em ambientes turbulentos e em constante mudança, mas a alta administração é incapaz de dar respostas eficazes. A menos que forçada pelas pressões ambientais, essas empresas frequentemente ficam como estão, sem fazer qualquer ajuste em sua estratégia ou estrutura. 4 Fonte: Chichoski; Ceretta; Rocha; 2013. O Quadro 1 apresenta as tipologias propostas por Miles e Snow para as estratégias de adaptação, suas diferenças e comportamentos relacionados à empresa. Com relação à aplicação das estratégias, existe uma hierarquia de ações. Inicia-se pela estratégia mais ampla, a estratégia organizacional. As estratégias mais externas são base para as estratégias subsequentes e seus planos de ação (Figura1). Figura 1 – Hierarquia das estratégias A Figura 1 ilustra o posicionamento hierárquico dos tipos de estratégia, de fora para dentro, do mais abrangente para o mais específico, e das estratégias organizacionais partem as demais estratégias e seus reflexos. Um plano de ação envolve muitas áreas da empresa (Figura 2), pois existe uma íntima relação entre todos os setores da empresa, assim como em um corpo humano, que tem diversos órgãos e funções, e cada um está também intimamente ligado, ao ponto de, se não participar do grande plano do corpo, prejudicar todo o funcionamento deste, podendo levar à morte. Na empresa não é diferente. Quando se pensa, por exemplo, em um plano de ação para o marketing, e não estendemos este plano para áreas como financeiro, logística e vendas, o plano causará mais aborrecimentos e custos do que verdadeiramente desenvolvimento para a empresa. Se for feita uma ação de marketing, o resultado 5 esperado é um melhor posicionamento da marca da empresa no mercado, bem como impactos nos gastos em geral, no processo de aquisição de matérias-primas etc. Figura 2 – Interações de um plano estratégico A Figura 2 apresenta um modelo integrador do planejamento estratégico. Do centro, que é o plano estratégico, seguem as informações para geração das estratégias táticas e operacionais, sendo a visão do plano estratégico a mais global. Essas áreas, quando incorporadas a um plano de ação estratégico, retornam resultados de certa forma previsíveis e, em geral, os resultados esperados são os representados no Quadro 2. Quadro 2 – Relações entre áreas e resultados no planejamento ÁREA AÇÃO RESULTADO Marketing Acompanhamento e estudo da concorrência, Análise de mercado e Análise de Produtos Antecipação de movimentos no mercado Produtos e Serviços Definição de linha de produtos e serviços, Pesquisa e desenvolvimento tecnológico e desenvolvimento de fornecedores Inovação, manutenção de clientes, novos nichos e novos mercados Operações Planejamento e implantação da capacidade produtiva, operação dos processos produtivos, planejamento das quantidades (MRP II) Redução de custos e produtividade Recursos Humanos Estratégias de recrutamento e seleção (R&S), treinamento e desenvolvimento de pessoas (T&D), administração de recursos de pessoal Redução de custos, Aprendizagem Empresarial, produtividade Finanças Análise de custos e de investimentos Liderança de custos. Manutenção de mercados Fonte: Adaptado de Hitt; Ireland; Hoskisson, 2011. 6 O Quadro 2 apresenta as áreas e sua atuação na elaboração do planejamento estratégico da empresa, bem como pressupõe um resultado possível para a ação. Também mostra a necessidade de que todas as áreas contribuam para o objetivo comum da empresa, na formulação das estratégias. TEMA 2 – PROCESSO DECISÓRIO DA GESTÃO PERANTE A INTEGRAÇÃO 2.1 Modelos de decisão Os problemas podem ser classificados e distribuídos em três categorias gerais: problemas estruturados, problemas do tipo semiestruturados e problemas considerados não estruturados. Para Chiavenato (2011, p. 325), “o processo decisorial é complexo e depende das características pessoais do tomador de decisões, da situação em que está envolvido e da maneira como percebe a situação”. Essa percepção dos problemas fica mais clara quando estes são vistos através de sua estrutura. Problemas estruturados: quando sua definição e etapas de operação estão bem claros e a repetição de sua execução pode ser controlada. Exemplo: folha de pagamento, lançamentos contábeis. Problemas semiestruturados: são problemas com variáveis intervenientes que não podem ser controladas e que afetam o resultado, apesar de o processo ser conhecido. Exemplo: previsão de vendas ou compras. Problemas não estruturados: não apresentam regularidade operacional de seus processos, e reagem a estímulos quase desconhecidos; têm seu desfecho independentemente dos critérios de decisão e de cenários. Exemplo: escolha da capa de uma revista semanal (ou primeira página de um jornal de circulação diária), na qual diversas alternativas são previstas, mas todas podem ser substituídas, na última hora, se algum fato importante ocorrer. 2.2 Níveis de decisão Pode-se considerar que existem três tipos fundamentais de decisão baseadas na hierarquia de objetivos: as decisões de nível estratégico, as estratégias táticas e as operacionais (Figura 3). De acordo com Chiavenato (2011, p.219), “a hierarquia de objetivos sofre mudanças, seja na inclusão de novos 7 objetivos, seja na substituição de objetivos por outros diferentes”, mas os níveis permanecem os mesmos. Figura 3 – Visão interna e externa do tomador de decisão A Figura 3 apresenta graficamente os níveis de tomada de decisão em relação aos objetivos estratégicos de gestão, considerando o grau de alcance da visão do administrador em cada objetivo. Quanto mais alto o nível de decisão, maior é a visão externa ou de mercado que o administrador tem à disposição. Decisões de nível estratégico: como é possível verificar na Figura 3, os tomadores de decisãodo nível estratégico têm um campo de visão externa à empresa maior do que os demais níveis. Suas decisões são mais voltadas para o mercado. Decisões de nível tático: os tomadores de decisões táticos estão com uma visão equilibrada do ambiente interno e externo. São responsáveis pela estruturação dos recursos da empresa, de como os parceiros estratégicos da organização podem afetar o resultado das ações e como os diversos setores devem integrar um mesmo objetivo. Decisões de nível operacional: nesse nível de decisão, a preocupação do tomador de decisões é praticamente dedicada às operações internas, sua eficiência e produtividade. Esse nível de decisão tem um espectro de tempo de curto prazo, variando de alguns dias a alguns meses. 8 2.3 Como resolver um problema de tomada de decisão A melhor forma de resolver um problema é tomar a decisão sobre alternativas resultantes de um modelo de simulação da realidade. Além disso, há uma grande possibilidade de que o perfil do tomador de decisões influencie no resultado. De acordo com Préve, Moritz e Pereira (2010), a Teoria da Decisão classifica os tomadores de decisão em três tipos essenciais: os que têm preferência pelo risco, os que são neutros ao risco e os que têm aversão ou evitam o risco. Ainda, é possível afirmar que essa teoria trata de problemas e situações em que pode haver uma certa quantidade de opções, que geram diversos resultados possíveis, entre os quais existem as preferências e critérios do tomador de decisões. As variáveis desse tipo de jogo podem ou não ser controladas. Daí parte a ideia de que a situação-problema pode ter variáveis que levem a uma certeza, a um risco ou a uma incerteza. Um dos fatores essenciais para o tomador de decisões é o conhecimento. Existe uma correlação inversa entre conhecimento e análise do risco. Quanto maior o conhecimento sobre o problema, menor o risco assumido na tomada de decisão. Conforme Préve, Moritz e Pereira (2010, p. 92), “nem sempre conseguimos as informações necessárias e, nesse cenário, comumente o processo decisório envolve três situações. São elas: a certeza, o risco e a incerteza”. Para Préve, Moritz e Pereira (2010, p. 94) e Chiavenato (2011, p. 416), esses termos podem ser conceituados da seguinte maneira: Certeza: o tomador de decisão conhece os cenários, as alternativas de ação e as consequências de cada opção. Risco: o tomador de decisão encara uma probabilidade associada a cada cenário e critérios. Essa análise tem um viés muito mais estatístico e matemático, porém mensurável. Incerteza: o tomador de decisão não tem dados suficientes para gerar uma estatística e avaliar resultados de impacto possíveis. Ele desconhece a origem do problema, seus aspectos de processo e o cenário. A tomada de decisão é estabelecida empiricamente pelo seu feeling. Em geral, os problemas envolvem quatro categorias de elementos que compõem a tomada de decisão, os quais são: estados de mundo ou cenários, as 9 alternativas de ação, as consequências econômicas, sociais e financeiras etc., e a preferência sobre impactos de ordem econômica. Esses elementos estão interconectados e devem ser levados em consideração no momento em que o tomador de decisão e sua equipe estão avaliando as possibilidades. Além disso, toda a decisão envolve seis elementos: o tomador de decisão, os objetivos, as preferências ou critérios, as estratégias, a situação e os resultados esperados. Há uma diferença importante a ser considerada entre o conceito de econômico e de financeiro: econômico é como a empresa gera receita e financeiro é o quanto isso impacta nas contas e no fluxo de caixa. A Figura 4 demonstra as etapas gerais de resolução de problemas, que têm duas fases distintas e complementares. Figura 4 – Fases da tomada de decisão A Figura 4 demonstra graficamente que a resolução de problemas passa por fases autônomas, mas subsequentes. Faz-se necessário que sejam seguidas à risca, para que os resultados de análise não sejam contaminados e gerem informações não condizentes com a realidade. 2.4 Matriz de decisão A Matriz de Decisão é uma ferramenta simples de análise visual para apoio na tomada de decisão. Consiste em selecionar a melhor alternativa pela determinação da maior média ponderada das notas. 10 Figura 5 – Modelo de matriz de decisão clássica A Figura 5 demonstra uma tabela criada para análise e tomada de decisão. Ao ser observada, a matriz apresenta a seguinte estrutura: de um lado, as soluções ou ações propostas, por exemplo, ao longo da primeira coluna; na primeira linha listamos os critérios de avaliação; pode-se reservar a segunda linha para atribuir os pesos atribuídos aos critérios; nas demais células da tabela são atribuídos valores ou notas a cada uma das alternativas segundo o cruzamento com os critérios adotados. Além da Teoria da Decisão, a Teoria Matemática da Administração aborda duas perspectivas de análise, que são a visão do processo decisório e suas etapas (definição do problema, elaboração de alternativas e busca da melhor opção) e a visão a partir do problema (não segue os passos da visão do processo, não define alternativas). De acordo com Chiavenato (2011, p. 415), nessa teoria o modelo é usado “como simulação de situações futuras e avaliação da probabilidade de sua ocorrência”. 11 Figura 6 – Curva das probabilidades certeza-incerteza Fonte: Adaptado de Chiavenato, 2011. A Figura 6 demonstra a atividade classificatória na curva de análise da certeza e incerteza na tomada de decisão. Para que haja uma maior acurácia no modelo, é necessário que as informações estratégicas estejam bem alinhadas com o cenário e com os fatores internos da empresa, sob pena de não conduzir a soluções seguras e qualitativas. 2.5 Decorrências da teoria das decisões De acordo com alguns autores, como Daniel Moreia e Idalberto Chiavenato, muitas são as causas e desfechos possíveis de uma tomada de decisão mal executada. Como exemplo, podem ser citadas: Racionalidade limitada. Ao tomar decisões, a pessoa precisaria de um grande número de informações a respeito da situação para que pudesse analisá-las e avaliá-las. Como isto além da capacidade individual de coleta e análise, a pessoa toma decisões por meio de pressuposições [...] Imperfeição das decisões. Não existem decisões perfeitas: apenas umas são melhores do que outras quanto aos resultados reais que produzem. [...] Relatividade das decisões. No processo decisorial, a escolha de uma alternativa implica na renúncia das demais alternativas e a criação de uma sequência de novas alternativas ao longo do tempo. Hierarquização das decisões. O comportamento é planejado quando é guiado por objetivos e é racional quando escolhe as alternativas adequadas à consecução dos objetivos. [...] 12 Racionalidade administrativa. Há uma racionalidade no comportamento administrativo, pois é planejado e orientado no sentido de alcançar objetivos da maneira mais adequada. [...] Influência organizacional. A organização retira de seus participantes a faculdade de decidir sobre certos assuntos e a substitui por um processo decisório próprio, previamente estabelecido e rotinizado [...] (Chiavenato, 2011, p. 325-327). TEMA 3 – MANUTENÇÃO E MELHORIA DOS PROCESSOS INTEGRADOS O primeiro passo para iniciar a manutenção e melhoria dos processos integrados é entender onde estes processos se cruzam e interagem. Essa análise é inicialmente feita por meio de um fluxograma funcional. Conforme Campos (2013), o fluxograma apoia o gerenciamento na garantia da qualidade dos processos e no aumento de sua produtividade. Com os fluxogramas montados, e com a integração visualizada, podem-se determinar os processos pelo seu caminho crítico, utilizando o PERT-COM. O PERT significa Program Evaluationand Review Technique, que traduzindo é técnica de avaliação e controle de programas. O PERT é essencialmente probabilístico. Por meio dele pode-se ter uma rede de tarefas com seus tempos e custos e a sua avaliação se dá pelo melhor custo-benefício no processo de monitoramento das atividades globais. O CPM é a abreviação de Critical Path Method ou método do caminho crítico. O CPM é por natureza determinístico. Ao entender o processo descrito no fluxograma, verifica-se a integração entre este processo e os demais processos relacionados e verifica-se quais processos são críticos e quais possuem folgas. Após a utilização de um fluxograma, podem-se estabelecer as ligações (setas) entre as tarefas integradas em diversos setores. Este poderia ser um exemplo de uma compra de um cliente, em que as tarefas estão distribuídas pelos departamentos de vendas, de crédito, de estoque e de expedição. É possível perceber que o caminho mais longo não possui folgas de trabalho e é neste percurso que se deve ter o maior cuidado, pois qualquer atraso neste caminho repercutirá em atraso no processo inteiro, ao passo que em outros caminhos podem haver folgas, e recursos podem ser remanejados para acelerar o caminho considerado crítico. Por exemplo, é possível movimentar um trabalhador do caminho 4 por até 4 tempos para ajudar no caminho 3 (crítico). 13 Figura 7 – Método do caminho crítico A Figura 7 ilustra um exemplo de análise de processo utilizando o método do caminho crítico. O processo em questão possui 5 (cinco) caminhos (sequência de tarefas) para chegar-se ao resultado final. Cada vez mais as empresas possuem sistemas informatizados embarcados em suas operações. O caso do CRM – Consumer Relationship Manager, que é um sistema de gerenciamento dos relacionamentos com clientes, é uma clara demonstração de que cada vez mais dados estarão disponíveis para tornarem-se informações úteis para o aprendizado da empresa e sua tomada de decisão. Nesta mesma linha encontram-se o SCM – Supply Chain Management, que significa o gerenciamento da cadeia de suprimentos, em todos os seus níveis e o ERM – Enviromental Resources Management ou Software de Gestão de Riscos. Esses aplicativos facilitam o trabalho dos tomadores de decisão, apresentando informações pré-analisadas de situações específicas em cenários diversos. Estes softwares estão integrando cada vez mais os diversos setores das empresas e tornando mais mecanicista o processo de tomada de decisão. Ainda cabe ao tomador de decisão a palavra final sobre o processo, mas fica cada vez mais difícil justificar essas decisões diante dos conselhos de administração das empresas. 14 TEMA 4 – AVALIAÇÃO E CONTROLE DA INTEGRAÇÃO FRENTE A GESTÃO POR PROCESSOS Para Campos (2013, p. 81), gerenciar “é o ato de buscar as causas (meios) da impossibilidade de atingir uma meta (fim), estabelecer contramedidas, montar um plano de ação, executar e padronizar em caso de sucesso”. Existem ferramentas da qualidade que podem ajudar no processo de monitoramento e controle das atividades da empresa. Como vimos na aula anterior, o método PDCA é a ferramenta de gestão por excelência e a ela podem ser anexadas outras, formando um conjunto chamado MASP – Método de análise e Solução de Problemas. Figura 8 – Método MASP de gerenciamento de processos Fonte: Adaptado de Campos, 2013. A Figura 8 demonstra um exemplo da aplicação do método MASP para manutenção e controle de processos. Na figura, é possível identificar as diferentes ferramentas sendo colocadas ao lado de cada etapa do gerenciamento, demonstrando, assim, a complexidade e o nível de exigência do tomador de decisões ou gerente de projetos. TEMA 5 – ESTUDO DE CASO 5.1 Empresa Case da Panificadora 15 A panificadora Nosso Pão é uma empresa que trabalha no fornecimento de pães, bolos e biscoitos. As atividades são de atendimento direto no balcão. Com o passar do tempo, o movimento vinha caindo e as reclamações de alguns clientes foram ficando frequentes. Ainda assim, não via como resolver os problemas, tendo em vista que não sabia por onde começar, já que as reclamações eram diversas. Em determinada data, resolvi chamar um consultor para me ajudar na resolução desses problemas. 5.2 Processo Analisando as atividades da panificadora por meio de um fluxograma, foi descoberto que havia dois processos principais, o processo que está destinado à produção de pães, que são meus produtos de maior vendagem; e o outro grande processo é o de atendimento. Esses processos estão integrados, apesar de serem distintos. Por meio do método MASP, foi possível verificar que havia problemas no processo de produção e no de atendimento. Após fazer uma descrição do processo de produção de pães, foi possível fazer uma padronização. Criando um POP (procedimento operacional padrão) nas formas de executar esse trabalho, uma vez que tenho dois turnos de padeiros. No entanto, ao analisar o processo sob a ótica do antes, durante e depois, com o uso da ferramenta PERT/CPM no diagrama de rede gerado a partir do fluxograma, a principal descoberta foi que o padeiro do turno da manhã, que começava às cinco horas, gastava quase uma hora para limpar e preparar o material para trabalhar, uma vez que o padeiro do turno anterior não deixava o seu local de trabalho devidamente arrumado, que permitia folgas no seu processo. Diante dessa situação, foi incluído no processo produtivo uma atividade chamada de depois, do qual o processo de produção, a arrumação e preparação do ambiente de trabalho, para quem vai trabalhar no próximo turno, fazem parte. Para controlar essa etapa do processo, foi criado um pequeno formulário em que o funcionário do período seguinte dá notas de desempenho para o trabalho do funcionário do período anterior. Isso é somado a uma inspeção que realizo semanalmente, sem dia determinado, e essas notas compuseram um plano de avaliação de desempenho, que ditava os percentuais de distribuição de lucros e resultados ao final de cada semestre. 16 Na etapa de atendimento ao cliente, foi utilizado o diagrama de Ishikawa com as próprias reclamações do cliente e com a participação de ideias dos funcionários envolvidos no processo. Após elencar a principal espinha que gerava o efeito das reclamações, estabelecemos os critérios de G.U.T. para identificar as causas por importância, e o resultado foi dividir as tarefas de produção e atendimento entre os funcionários, o que os liberou para efetuarem os serviços de forma mais dedicada, além de um treinamento diferenciado para eles. Esses processos entraram num plano de ação 5W2H1S seguido de um acompanhamento de execução a partir de um diagrama de Gantt. A coleta de novas opiniões foi lançada num histograma (gráfico) que demonstrou que o indicador de qualidade no atendimento e na produção tinha melhorado. Foi disponibilizado um totem com botões de satisfação, na saída do estabelecimento. 5.3 Resultados Sem que houvesse o uso das tecnologias de análise e tomada de decisão seria muito difícil de entender completamente os problemas que vinham acontecendo e criar planos de ação para resolvê-los. Essas ações possibilitaram um aumento da produção por turno, ou seja, com a mesma estrutura e custos fixos, foi possível produzir mais, e ainda foi percebido um aumento de 30% na quantidade de clientes atendidos e satisfeitos, bem como uma redução do nível de clientes que consideravam o atendimento regular. O quesito atendimento ruim ficou praticamente a nível zero. FINALIZANDO Ao findar esta aula, foi possível entender como a seleção e implementação de estratégias agregam valor e vantagem competitiva para a empresa. Foram vistos alguns conceitos sobre decisão e problemas que surgem na gestão. Além disso, também foi demonstrado como o processo decisório influencia agestão da qualidade e apoia a melhoria dos processos. A compreensão da necessidade de controle dos processos de integração é importante no contexto estratégico da empresa. 17 LEITURA OBRIGATÓRIA Texto de abordagem teórica GÜNTHER, H. F. Estrutura organizacional e implementação da estratégia: o caso da Softplan. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2011. p. 38-65. Disponível em: <https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/96040/298217.pdf? sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 13 maio 2018. Texto de abordagem prática GÜNTHER, H. F. Estrutura organizacional e implementação da estratégia: o caso da Softplan. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2011. p. 79-112. Disponível em: <https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/96040/298217.pdf? sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 13 maio 2018. Saiba mais IMPLANTAÇÃO dos sistemas estratégicos e os benefícios para gestão. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=bOJXF_ll_tE>. Acesso em: 13 maio 2018. https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/96040/298217.pdf?sequence=1&isAllowed=y https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/96040/298217.pdf?sequence=1&isAllowed=y https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/96040/298217.pdf?sequence=1&isAllowed=y https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/96040/298217.pdf?sequence=1&isAllowed=y https://www.youtube.com/watch?v=bOJXF_ll_tE 18 REFERÊNCIAS CAMPOS, V. F. Gerenciamento da rotina do trabalho do dia a dia. 9. ed. Nova Lima: Falconi, 2013. CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. MOREIRA, D. A. Administração da Produção e operações. 2. ed. Sao Paulo: Cengage Learning, 2008. PRÉVE, A. D.; MORITZ, G. D. O.; PEREIRA, M. F. Organização, Processos e Tomada de Decisão. Florianópolis: UAB CAPES, 2010. SANTIAGO, M. P. Gestão de Marketing. Curitiba: Iesde Brasil S.A, 2012. AULA 6 GESTÃO POR PROCESSOS E A INTEGRAÇÃO ESTRATÉGICA Prof. Cristiano Ribeiro 2 CONVERSA INICIAL Olá! Seja muito bem-vindo a nossa aula de Indicadores para a Gestão de Processos. O objetivo da aula de hoje será compreender como acompanhar indicadores para fazer a manutenção do planejamento estratégico, entender como padronizar processos e controlá-los. Bons estudos! CONTEXTUALIZANDO As empresas, assim como os seres vivos, dão feedback de seus processos de várias maneiras. Quando um corpo apresenta sinais de febre, normalmente um instrumento de medição é usado e uma métrica é selecionada para a comparação dos dados. Também, a medida que a criança cresce, seu corpo muda de tamanho e neste caso também temos uma ferramenta de medição, a régua, e uma métrica, que é composta pelas alturas médias das crianças de idade equivalente. Com as empresas tudo isso funciona da mesma maneira. Os primeiros sinais de indicadores da humanidade foram os sinais naturais, como o dia e a noite, as fases da lua, tempos de chuva e inverno e de seca e verão. Empiricamente o homem foi elaborando itens de controle para verificar as mudanças nos cenários. Os relógios são um bom exemplo disto. Os termômetros também. No seu carro você perceberá que no painel existe um marcador de velocidade, de temperatura, de combustível e outros mais. As empresas se empenham em transformar as informações coletadas em seus sistemas em informações quantitativas. Essas informações quantitativas podem ser tratadas estatisticamente e podem ser feitas predições e previsões de acontecimentos futuros em diversos cenários. TEMA 1 – O QUE SÃO INDICADORES Por tradição, a maioria das empresas pensam em indicadores para o que diz respeito a termos financeiros e metas, uma abordagem que se preocupava com as distorções orçamentárias e financeiras, com os aspectos da tecnologia e algumas vezes também com o desempenho das máquinas. Com o passar do tempo isso mudou. As empresas começaram a entender melhor seus 3 processos à medida em que sistematizava os processos de controle por indicadores. Então, a competição, satisfação e retenção de clientes, eficácia de produto e serviços etc. passaram a compor um grande rol de informações. Também chamado de índice de desempenho, o indicador é, conforme a FNQ (2015, p. 5), uma “informação quantitativa ou qualitativa que expressa o desempenho de um processo, em termos de eficiência, eficácia ou nível de satisfação”. Um indicador permite acompanhar sua evolução ao longo do tempo, compará-lo com outros setores dentro da organização e até mesmo compará-lo com outras organizações. A prática de medir resultados sistematicamente promove a cultura para a excelência, além de garantir a gestão saudável de uma organização, uma vez que possibilita a comparação. Os principais fatores que impulsionam o controle por indicadores são: grau de exigência das partes interessadas – stakeholders; a prática de remuneração variável; aumento da velocidade e da qualidade na tomada de decisões. As empresas geralmente buscam medir o desempenho daquilo que acreditam ser importante para seu crescimento ou, ainda, medir o que estão habituadas, e muitas vezes deixam de lado o que realmente é importante saber na sua gestão. As informações derivadas dos indicadores de desempenho de diversas áreas deveriam ser disseminadas por entre os funcionários de todos os níveis da organização, pois se esses indicadores estiverem alinhados com o planejamento estratégico da empresa, farão sentido para cada nível de decisão, seja ele estratégico, tático ou operacional. A principal característica de um indicador é que ele permite a comparação em relação ao: passado (série histórica); referencial de desempenho; compromisso assumido; meta de desempenho predição de rotas estratégicas. Os critérios de escolha dos indicadores devem partir de suas propriedades essenciais, que são: 4 Utilidade: Deve suportar decisões, sejam no nível operacional, tático ou estratégico. Os indicadores devem, portanto, basear-se nas necessidades dos decisores; Validade: capacidade de representar, com a maior proximidade possível, a realidade que se deseja medir e modificar. Um indicador deve ser significante ao que está sendo medido e manter essa significância ao longo do tempo; Confiabilidade: indicadores devem ter origem em fontes confiáveis, que utilizem metodologias reconhecidas e transparentes de coleta, processamento e divulgação; Expressão que denota uma situação em que há conflito de escolha. Disponibilidade: os dados básicos para seu cômputo devem ser de fácil obtenção. (Brasil, 2012, p. 18-19) Além disso, os indicadores podem ser, conforme sua atuação, de abordagem analítica ou sintética. Os analíticos são aqueles que representam a realidade de dimensões sociais específicas. Já os sintéticos são os índices derivados das operações realizadas pelos indicadores analíticos, detendo-se com a média das análises. Figura 1 – Hierarquia na síntese de índices A Figura 1 apresenta uma ideia sobre a construção de cada indicador, elaborados de acordo com a complexidade e o volume de dados coletados para cada item a ser controlado. Quanto mais alto na da figura, menor é o valor da representação do fato para análise. De acordo com uma análise sobre indicadores do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão do Brasil, os indicadores podem ser de tipos diversos e, conforme a informação que eles representam, podem ser: Indicadores Simples: são valores numéricos que uma variável pode assumir e geralmente representam a quantidade de determinado resultado. Indicadores Compostos: expressam a relação entre duas ou mais variáveis e podem ser: 5 Razão: é o resultado da divisão deuma variável A por outra variável B, diferente e distinta de A. Proporção (ou coeficiente): é um tipo especial de Razão em que A e B pertencem à mesma categoria. Exprime a relação entre determinado número de ocorrências e o total dessas ocorrências. Taxa: são coeficientes multiplicados por uma potência de 10 para melhorar a compreensão do indicador. Porcentagem: tipo especial de taxa em que o coeficiente é multiplicado por 100. (Brasil, 2010, p. 58) Para Chiavenato (2011), “as medidas e indicadores afetam significativamente o comportamento das pessoas nas organizações” e afetam os resultados esperados pelos tomadores de decisão para que possam alinhar as ações de um determinado objetivo. Faz-se necessário validar os indicadores que serão utilizados na gestão dos processos. Existe um checklist desenvolvido para testar a conformidade e validade interna dos indicadores, a saber: 1. Os indicadores escolhidos são válidos para expressar resultados? 2. Têm relação direta com os objetivos do Programa? 3. São oriundos de fontes confiáveis? 4. São mensuráveis? 5. São em quantidade suficiente para expressar as dimensões envolvidas? 6. Consideram a dimensão territorial (localização, espacial), quando necessária? 7. Expressam questões transversais, quando existirem? 8. As limitações inerentes aos indicadores foram consideradas? (BRASIL, 2007, p. 63) Como os ambientes não são estáveis, os processos de previsibilidade não são constantes, assim como as formas de mensuração devem mudar na mesma maneira e intensidade. Os sistemas de medição deveriam servir como um aviso, assim como um termômetro marca a temperatura e transcreve sua métrica para informar um pico de febre. Os sistemas não curam, apenas sinalizam. 6 Figura 2 – Índice de performance como estrutura para a ação estratégica A Figura 2 apresenta um modelo hipotético de uma organicidade na integração do planejamento estratégico e seus planos de ação, entre a estratégia e seus objetivos e entre as metas e seus respectivos setores. A criação de indicadores está inclusa na montagem de um sistema de medição do desempenho (Figura 3), sendo sua ordem sequencial e cada etapa é pré-requisito para a posterior. Figura 3 – Etapas de um sistema de medição Fonte: Adaptado de Chiavenato, 2011. A Figura 3 demonstra as etapas de racionalização na construção de um sistema de medição por indicadores de desempenho. São sete perguntas necessárias para o planejamento de atividades de controle, que por fim farão parte de um painel mais complexo e integrador. 7 TEMA 2 – PADRONIZAÇÃO E INTEGRAÇÃO DOS PROCESSOS Afinal, qual é a necessidade da existência de indicadores de desempenho? As principais vantagens de um sistema de medição são: informar o desempenho de ações específicas e determinar a necessidade de ações corretivas necessárias, para que o desempenho da meta analisada seja melhorado, mantendo, assim, conforme Chiavenato (2011, p. 426), a “convergência de propósitos e a coerência de esforços na organização por meio da integração de estratégias, ações e medições”. Neste contexto, algumas ferramentas vão se apresentar como apoio para o monitoramento destes indicadores estruturais: o BSC e o ABC. BSC ou Balanced Scorecard é um conjunto de indicadores, pareados em um painel de controle, que dá às organizações uma visão muito completa e clara de suas atividades internas e externas. Figura 4 – Modelo de um painel de controle de um BSC Fonte: Felice; Petrillo; Autorino, 2015. A Figura 4 apresenta uma amostra de uma coleta de dados de indicadores, em um determinado momento do processo de gestão, o que compõe um painel de controle de fácil visualização e acompanhamento. 8 A comparação dos indicadores com as metas, gera um ranking gráfico que possivelmente poderia ser o gráfico que a Figura 5 apresenta como modelo. Neste caso, os objetivos são mensurados a partir de uma escala métrica comum, que vai de 0% (zero por cento) a 100%(cem por cento) de atingimento da meta. Dependendo da época em que foi retirada esta fotografia (snapshot), é necessário fazer o dimensionamento da meta pro-rata temporis, ou melhor dizendo, a razão da meta em relação ao realizado no momento da coleta. Por exemplo: a meta era atingir 100 clientes em 30 dias. No 15º dia, o snapshot apresentou que o setor avaliado havia realizado 20 clientes. Segundo o pro-rata temporis, o realizado deveria ser de 50 clientes ou 50% da meta, e o realizado até aquela data representava o resultado de apenas 6 dias ou 20% da meta. Nesse caso, o gestor deve realizar uma ação corretiva para alinhar os processos desse setor para que o mesmo retorne ao desempenho necessário para o atingimento da meta. Figura 5 – Representação de um snapshot de um BSC Fonte: Felice; Petrillo; Autorino, 2015. A Figura 5 apresenta, por meio de um gráfico de colunas, uma fotografia de um determinado momento hipotético de uma medição do BSC. Percebe-se que cada cor apresenta um grupo de indicadores e o seu desempenho (que pode ser positivo ou negativo) na extensão vertical de cada coluna. O BSC, para Chiavenato (2011, p.428), é um “método de administração focado no equilíbrio organizacional e se baseia em 4 perspectivas básicas, a saber”: perspectiva financeira, perspectiva de clientes, perspectiva de 9 processos internos e a perspectiva de aprendizagem organizacional. Então, são quatro grandes campos de atuação dos indicadores, que mostram a organização, suas metas e desempenho. Já o ABC ou Activity-Based Costing (custeio baseado em atividades), assim como o BSC, são ferramentas destinadas para uso de empreendedores e executivos das empresas na tomada de decisões a respeito de suas operações, de seus processos de produção e suas metas. A medição por indicadores é importante, pois permite mostrar o realizado e a direção das ações de um plano estratégico, apontando sua rota de desfecho, permitindo as correções de rota. A busca da integração e a utilização de medidas padronizadas não financeiras e financeiras têm origem nas abordagens do cliente, dos processos internos, no aprendizado e no crescimento, que representam a estratégia organizacional. O processo de medição abrange três grandes princípios base, que são: apresentar resultados atingidos e os desejáveis a partir das metas estabelecida; identificar o desempenho individual e coletivo e revelar os fatores críticos de sucesso, ou processos-chave para o sucesso da empresa. TEMA 3 – GESTÃO E CONTROLES DOS INDICADORES POR PROCESSOS Os indicadores de gestão permitem classificar os índices de acordo com a sua aplicação nas diferentes fases do ciclo de gestão. Estes indicadores são: Indicadores de Insumos: referem se aos recursos materiais, financeiros e humanos utilizados, geralmente expressos no número de profissionais envolvido, quantidade de horas necessárias para o desenvolvimento de um projeto ou custo de aquisição de insumos. São indicadores úteis para dimensionar os recursos necessários para a produção, mas não são capazes de indicar o cumprimento de objetivos finais. Indicadores de Processos: quantificam o desempenho de atividades relacionadas à forma de produção de bens e serviços, tais como procedimentos de aquisições (dias de prazo para contratação de bens ou serviços) ou realização de atividades (prazo médio para concessão de licenças ambientais). Indicadores de Produtos: demonstra quantitativamente os bens e serviços produzidos por um programa, que são resultados da combinação um conjunto de insumos mediante determinado processo. Indicadores de Resultado: estão relacionados aos objetivos que determinado programa visa a cumprir. Também são denominados indicadores de impacto. (Brasil, 2007, p. 5-6) 10 Esses indicadores se relacionam com os indicadores de desempenho, que os qualificam com relaçãoa sua eficiência, eficácia, efetividade e economicidade. A Figura 6 apresenta a relação de integração entre os objetivos do planejamento estratégico, os indicadores de gestão e de desempenho e sua ação nas diversas áreas da empresa em relação ao objetivo estratégico organizacional. Neste modelo ainda aparecem outras organelas do processo, como gastos, ações, causas e resultados. A formulação dos indicadores é tão importante quanto a formulação dos objetivos, que devem ser testados quanto a sua validade interna e externa. Figura 6 – Integração entre indicadores de gestão e de desempenho Fonte: Adaptado de Brasil, 2007. A Figura 6 apresenta de forma gráfica uma espécie de fluxograma de integração dos indicadores de um BSC, em que as setas dão o sentido da ação de deslocamento das informações e como este deslocamento impacta os objetivos do planejamento estratégico da empresa. No processo de validação, aplicando-se o modelo SMART é possível verificar que o objetivo é: Específico: ou não se trata de um objetivo genérico, devendo estar bem caracterizado, restrito, focado e possível de alcance no contexto de um Programa; Mensurável: se é passível de aferição a partir de medidas que expressem índices da realidade do objeto verificado; Atingível: se o objetivo é realista e viável, a estratégia de implementação tem que ser adequada e suficiente; Relevante: o objetivo deve estar, de fato, relacionado a um problema identificado que traz fortes impactos para a organização. Tempo: o objetivo é passível de programação, pode-se estimar um tempo para que seja alcançado. (Brasil, 2010, p. 18) 11 Para a boa gestão da análise dos objetivos por meio de indicadores, é preciso compreender quais são os 7 passos para a criação destes, a saber: Passo 1 – Avaliar objetivos e metas. Passo 2 – Identificar os principais interessados. Passo 3 – Definir tipos de indicadores necessários. Passo 4 – Definir critérios de seleção. Passo 5 – Mapear indicadores candidatos. Passo 6 – Realizar análise de trade-off. Passo 7 – Validar os indicadores selecionados. Figura 7 – Metodologia SMART Na Figura 7, estão relacionadas as questões-chave de sucesso para a avaliação dos objetivos de gestão. Essa é uma importante ferramenta para organização do pensamento em torno da construção de objetivos e de indicadores de acompanhamento do desempenho destes. TEMA 4 – AVALIAÇÃO E CONTROLE DA INTEGRAÇÃO FRENTE A GESTÃO POR PROCESSOS Controlar processos é garantir a qualidade, mas não a qualidade pela qualidade, mas, sim, pela boa gestão e pela competitividade em um mercado altamente disputado, com margens de lucratividade cada vez menores e com 12 clientes indecisos. Conquistar o consumidor, consolidar o nicho de mercado, manter clientes é uma questão de sobrevivência, não é um luxo. Nesse contexto de urgência e de competitividade, a empresa necessita de um sistema de gestão que esteja adequada aos acontecimentos, tanto os internos quanto os externos, que mudam a todo momento. Esse sistema de gestão tem que ser ágil e conseguir fornecer as informações importantes para a ação corretiva, em tempo, para que a estratégia não seja em vão. Todo o resultado de um sistema de gestão por processos é importante, mas é necessário que o gestor receba as informações que realmente são relevantes, pois há um mundo de dados que o gestor recebe todos os dias, sem conexão com a realidade estratégica. Quando o gestor, munido das informações, indicadores representativos da performance das operações, obtém uma visão geral, holística, do funcionamento da empresa, ele consegue elaborar processos que agregam valor para a empresa, uma vantagem competitiva que garante a sobrevivência da empresa no mercado. Um grande desafio para as empresas é saber gerir a incerteza e saber transformar o risco em investimento de alta performance. O gestor deve ser preparado para, por meio de sua observação experiente, ser capaz de identificar os KPIs (indicadores-chave de performance) que realmente transformem a gestão em resultados favoráveis à estratégia. É exatamente por meio desse olhar para dentro da empresa e seus diversos setores e operações que ele pode determinar com eficiência ações para impulsionar os resultados esperados. É importante analisar, também, que resultados já são ações passadas, já realizadas, em que não há mais o que fazer, não há como mudar o que já passou. Por isso, o gestor, a cada momento, deve analisar o caminho seguido pelos indicadores e alinhar os processos para corrigir a rota. Esse processo de análise efetiva de indicadores torna a empresa mais enxuta e mais ágil, com respostas rápidas ao mercado e com atitudes inovadoras, deixando de seguir outras empresas para ser protagonista de soluções e produtos de qualidade inovadores. Para saber se houve ou não mudança na empresa, principalmente quanto a solidez e profundidade destas mudanças, faz-se necessário um sistema robusto de informações gerenciais, com indicadores que façam realmente a leitura da realidade dos processos. O BSC é uma ferramenta de gestão por excelência, permite ao gestor perceber 13 com maior propriedade se as ações tomadas produziram o efeito desejado, e isto em qualquer instância de processamento e tempo de execução. TEMA 5 – ESTUDO DE CASO 5.1 Empresa A NT Organizações Ltda., fundada em 02 de abril de 2007, localizada no centro de Pato Branco (PR), é correspondente do Banco Daycoval e também do Banco Cacique, os quais juntos oferecem aos clientes empréstimos consignados e empréstimos com cheque. A empresa atuava durante o ano de 2007 apenas como corresponde bancário do Banco Daycoval. Percebendo a necessidade de melhor atender seus clientes e também objetivando maior lucratividade, abriu o leque de bandeiras com mais bancos, passando a trabalhar com o Banco Cacique e Banco BMG. Operando com as mais diversas linhas de crédito consignado nos setores: aposentados, funcionários públicos, municipais, estaduais, federal, privado, bem como com empréstimos de cheques e veículos. Até o momento, além dos três sócios, a empresa tem no escritório uma funcionária que atua como atendente do operacional, que desenvolve o trabalho de suporte técnico e operacional para os consultores de crédito e clientes. Atualmente, a empresa conta com uma equipe de dez consultores de crédito. A empresa trabalha com parceiros nas diversas cidades da Região Sudoeste do Paraná como: Pato Branco, Francisco Beltrão, Mangueirinha, Clevelândia, Itapejara D’ Oeste, Marmeleiro, São João, Coronel Vivida, Mariópolis e Verê, onde conta com os préstimos de seus colaboradores, que são pessoas, associações e ou empresas das mais diversas atividades, que também tem foco os clientes aposentados. Assim, a empresa NT Organizações Ltda., arca apenas com despesas de comissões. 5.2 Processo Orientação das quatro perspectivas do BSC será contemplada a seguir. Para a perspectiva financeira, aponta-se como objetivo retorno sobre o investimento, tendo como meta o aumento de 10% ao ano sobre a receita bruta. 14 5.2.1 Perspectiva financeira Quadro 1 – Perspectiva financeira Objetivos Retorno sobre o Investimento; Satisfação dos Proprietários e Colaboradores. Metas Aumento da Receita em 10% ao ano; Distribuição de Lucros em 5%. Iniciativas Incentivar as vendas através do CRM (Relacionamento com o cliente). Considerando que a empresa no último trimestre de 2007 apresentou uma taxa de retorno sobre o Patrimônio Líquido de 38,16%, e ainda uma taxa de retorno sobre o Ativo Total de 19,43%. Com a meta projetada na perspectiva financeira do Balanced Scorecard no aumento da receita bruta em 10% ao ano será possível alcançar uma taxa de retorno sobre o Patrimônio Líquido de 43,33%, e ainda uma taxa de retorno sobre o Ativo Total de 23,00%. Quadro2 – Demonstrativo de Resultado Descrição 01/10/07 a 31/12/07 Projeção +10% = Receita Bruta 57.669,61 63.436,57 (–) Custos Variáveis 37.043,50 40.746,27 = Margem de Contribuição 20.626,11 22.690,30 (–) Custos Fixos 11.986,61 11.986,61 = Resultado Operacional 8.639,50 10.703,69 Variação do Res. Operacional 23,89% Quadro 3 – Grau de alavancagem GAO 23,89% / 10% 2,39 Nesta projeção para a perspectiva financeira, o grau de alavancagem operacional apresenta um quociente de 2,39, havendo um aumento na ordem de 23,89% no lucro. É possível, dessa forma, atender a meta de distribuição de lucros. 5.2.2 Perspectiva de clientes Quadro 4 – Perspectiva do cliente Objetivos Aumento da satisfação do cliente; Captação de novos clientes. Metas 97% de clientes satisfeitos; 20% prospect. Iniciativas Realizar pesquisa trimestral sobre satisfação; 15 Fortalecer a imagem da empresa. Em conformidade com a entrevista realizada com os clientes, foi possível observar alguns aspectos de insatisfação destes, tais como: agilidade, cordialidade e explicação dos consultores de crédito. Dessa forma, busca-se reduzir esta insatisfação, para fortalecer a imagem da empresa. Nesta perspectiva, o BSC permite a identificação da satisfação de clientes, com o intuito maior de captá-los e retê-los. Essa perspectiva contribui, significativamente, na consecução dos objetivos financeiros, em específico, de crescimento e rentabilidade, fornecendo o elo da empresa com a entrada de recursos financeiros. A perspectiva do cliente permite que as empresas determinem suas medidas essenciais de resultados com os segmentos específicos de clientes e mercado. 5.2.3 Perspectiva dos processos internos da empresa Busca-se reduzir o tempo do atendimento telefônico, ou seja, ocorre que o vendedor externo liga para a empresa solicitando determinado serviço, porém a atendente do operacional tem levado aproximadamente cinco minutos para atendê-lo, fazendo com que ele perca tempo demasiado na espera. Nesta perspectiva, podem ser identificadas questões de forma a fazer com que a organização alcance a excelência. Com o uso do método BSC, é possível identificar processos de inovação melhorando o nível de qualidade das suas operações e, assim, no final, quem sai ganhando é a empresa que acaba retendo o cliente ao agregar valor aos produtos e serviços existentes, alcançando os objetivos financeiros e dos clientes. 5.2.4 Perspectiva dos processos internos da empresa Quadro 5 – Perspectiva de aprendizado e crescimento Objetivos Motivação da Equipe de Colaboradores; Geração de Novos Conhecimentos. Metas Melhoria no clima organizacional; Criação de uma cultura de compartilhamento do conhecimento. Iniciativas Introduzir política de participação nos lucros; Implantar Treinamento e desenvolvimento. Identificou-se que a maioria dos colaboradores se encontra satisfeito com o clima organizacional da empresa, porém apareceram colaboradores 16 parcialmente insatisfeitos em relação ao salário. Com o objetivo de sanar essa insatisfação, busca-se introduzir a política de participação nos lucros da empresa. Essa perspectiva é a combinação entre satisfação, retenção, treinamento e habilidades dos colaboradores. 5.3 Resultados O Balanced Scorecard pode ser compreendido como um instrumento contendo medidas financeiras e não financeiras em quatro perspectivas (financeira; do cliente; dos processos internos; aprendizado e crescimento) que apontam como a estratégia da empresa pode ser conquistada. Assim, apresentam-se a seguir medidas que foram apontadas como instrumentos capazes de auxiliar a empresa, objeto desta pesquisa, para tomada de decisões gerenciais, atendendo ao objetivo de relatar a sua aplicabilidade. Para a perspectiva financeira da empresa, sugestionou-se como meta um aumento de 10% na receita bruta e participação nos lucros. Para a perspectiva do cliente, a pesquisa realizada junto aos clientes identificou alguns aspectos de insatisfação, tais como: agilidade, cordialidade e explicações incompletas dos consultores de crédito. Dessa forma, orientou-se para reduzir essas insatisfações e fortalecer a imagem da empresa realizar pesquisa sobre satisfação trimestralmente, pois uma vez identificados os problemas que estão ocorrendo junto ao cliente, é possível eliminá-los. Para a perspectiva de processos internos, a pesquisa identificou que aparecem questões que precisam ser reavaliadas, tais como: o atendimento telefônico que requer um atendimento mais rápido e eficaz, buscando agilizar os serviços internos. Para tanto, foi apontado como sugestão o redesenho dos processos de produtividade. Para a perspectiva de aprendizado e crescimento a pesquisa identificou que a maioria dos colaboradores se encontra satisfeito com o clima organizacional da empresa, porém, apareceram colaboradores parcialmente insatisfeitos em relação ao salário. Buscando sanar essa insatisfação, orientou-se para a empresa introduzir a política de participação nos lucros, uma vez que é possível atender essa condição. Fonte: Trennepohl; Pegoraro, 2009. 17 FINALIZANDO Nesta aula, foi possível aprender sobre os indicadores, como padronizar e integrar os diversos processos da empresa tendo uma visão mais ampla do todo da empresa. Foi possível compreender como é feita a gestão por processos e como as empresas controlam estes processos por meio de seus indicadores e, também, foi possível entender quais os resultados que podem ser esperados com o uso deste modelo de gestão por indicadores. LEITURA OBRIGATÓRIA Texto de abordagem teórica MÜELLER, C. J. Modelo de gestão integrando planejamento estratégico, sistemas de avaliação de desempenho e gerenciamento de processos (MEIO – Modelo de Estratégia, Indicadores e Operações). Tese (Doutorado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2003. p. 102-116. Disponível em: <http://www.producao.ufrgs.br/arquivos/publicacoes/claudio_muller_tese.pdf>. Acesso em: 13 maio 2018. Texto de abordagem prática MÜELLER, C. J. Modelo de gestão integrando planejamento estratégico, sistemas de avaliação de desempenho e gerenciamento de processos (MEIO – Modelo de Estratégia, Indicadores e Operações). Tese (Doutorado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2003. p. 197-206. Disponível em: <http://www.producao.ufrgs.br/arquivos/publicacoes/claudio_muller_tese.pdf>. Acesso em: 13 maio 2018. Saiba mais PROCESSOS Gerenciais – Entrevista de Jô Soares com Waldez Ludwig. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=VU3bZF65g8s>. Acesso em: 13 maio 2018. 18 REFERÊNCIAS BRASIL, M. D. P. Uso e construção de indicadores no PPA. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos. Brasília. 2007. _____. Indicadores – Orientações Básicas Aplicadas à Gestão Pública. Brasília: MP, 2012. _____. Indicadores de programas: Guia Metodológico. Brasília: MP, 2010. CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. FELICE, F. D.; PETRILLO; AUTORINO. Development of a Framework for Sustainable Outsourcing: Analytic Balanced Scorecard Method (A-BSC). sustainability, Cassino, Italy, 30 June 2015. FNQ, F. N. D. Q. Sistema de Indicadores. São Paulo: FNQ, 2015. TRENNEPOHL, J. I. M.; PEGORARO, P. R. BALANCED SCORECARD UM ESTUDO DE CASO: NUMA PEQUENA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. Revista e-ESTUDANTE - Electronic Accounting and Management, Pato Branco, 2009. Disponivel em: <http://revistas.utfpr.edu.br/pb/index.php/ecap/article/view/448/0>. Acesso em: 13 maio 2018.