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INTRODUÇÃO • CAKUT: ▪ Anomalias congênitas dos rins e do trato urinário ▪ É a principal causa de doença renal crônica e transplante renal pediátrico nas crianças pequenas • Outros: inclui muito Cakut, mas não consegue provar porque as vezes os rins chegam tão atrofiados que não consegue diagnosticar • Normalmente a HAS não é a causa, é uma consequência do Cakut HIDRONEFROSE PERINATAL • Termo genérico • Pode ser diagnosticado ainda na vida uterina • Dilatações do sistema coletor renal que podem ocorrer na criança devido a processos obstrutivos do trato urinário em casos de refluxo vesicouretral (RVU) • Incidência de 1 a 3% na população gestacional (até 5%) • Na USG: diâmetro AP da pelve renal>0,4cm no 2º trimestre ou >0,7cm no 3º trimestre da gestação • Detecção no período antenatal (após 15ª semana de IG e 95% após 25ª semana) • Quase sempre assintomática no RN • USG fetal evita diagnostico tardio após episodio de ITU ou palpação de massa abdominal • Diagnostico e conduta adequada precoce possibilita a diminuição da incidência de danos ao parênquima renal • Causas: SEGUIMENTO PÓS-NATAL • Exame físico: ▪ Palpação abdominal: massa em flancos, abdome em ameixa pela Sd de Prune-Belly (hipoplasia ou agenesia dos músculos retoabdominal e da musculatura do trato urinário – na palpação sente as vísceras e ureter dilatados bilateralmente, com estase importante, bexiga dilatada e flácida) ▪ Bexigoma ▪ Avaliar o dorso (estigmas cutâneos) • Avaliar o jato urinário: ▪ Fraco e intermitente ▪ O normal é ser forte e contínuo, no menino tem que fazer a parábola • Laboratorial: ▪ Sumario de urina LARISSA MENEZES – AISCA III ▪ Função renal após 72h de vida ▪ Nas primeiras 72h de vida, ureia e creatinina serão a materna • Investigação por imagem: ▪ É variável, de acordo com cada caso ▪ Obrigatório: USG de rins e vias urinarias (entre 4-7 dias de vida) ▪ Rim sem alteração: ▪ Leve dilatação da pelve renal: ▪ Dilatação maior da pelve e pouca dilatação dos cálices renais: ▪ Dilatação acentuada da pelve e dos cálices, porém sem comprometimento da espessura do parênquima renal: ▪ Com afinamento do parênquima renal (provavelmente o rim displasico, sem função): ▪ Uretrocistografia miccional (UCM) ▪ Cintilografia (DMSA/DTPA) ESTENOSE DE JUP • Estreitamento na junção ureteropélvica (ureter com pelve renal) • Quanto mais completa a obstrução, maior a retenção de urina • Local mais comum de obstrução congênita, sendo a principal causa de hidronefrose na criança LARISSA MENEZES – AISCA III • Na USG: ▪ Dilatação pielocalicial + ▪ Eventual afilamento de parênquima renal ▪ Não tem dilatação de ureteres ▪ Sem oligodramnio (precisa ser total e bilateral) • Quadros leves e parciais podem ter resolução espontânea • Obstrução completa: displasia renal, condição incompatível com a vida. É um rim que não se diferenciou, não se formou • Tratamento: ▪ Cirúrgico (Pieloplastia) em alguns casos: tira o segmento estenosado e consegue recuperar o rim ▪ Cirúrgico (Nefrectomia) quando o rim é excluso funcionalmente ▪ Duplicidade pelve renal + Estenose: Nefrectomia ESTENOSE DE JUV MEGAURETER PRIMÁRIA • Estenose uretrovesical (distalmente) • Dilatação acima do ponto de estenose, o ureter e o rim também dilatam • No refluxo vesicureteral de alto grau também a estenose é na JUV • Na USG: ▪ Dilatação da pelve renal + Dilatação uretral = Uretro-hidronefrose ▪ Bexiga normal ▪ Sem oligodramnio • A conduta normalmente é conservadora: ▪ Displasia acentuada na parede do ureter dilatado, sendo comum manter uretero- hidronefrose mesmo depois de tratamento cirúrgico ▪ Possível regressão da dilatação com o crescimento da criança ▪ Observar a dilatação com USG e deixar a profilaxia com ATB • Antibioticoprofilaxia e acompanhamento clínico e imaginológico regular e seriado VÁLVULA DE URETRA POSTERIOR (VUP) • É a mais grave • É a etiologia mais comum de obstrução do trato urinário em RN do sexo masculino, ocorrendo em 1:3000-5000 gestações nessas crianças • Representa a mais grave uropatia obstrutiva que pode ser reconhecida na USG fetal LARISSA MENEZES – AISCA III • USG: ▪ Hidronefrose + Dilatação de ureter bilateral (megaureter) ▪ Alterações de bexiga: espessamento, megabexiga ▪ Oligodrâmnio: não tem desenvolvimento do pulmão e risco de hipoplasia pulmonar, além da doença renal crônica – Sd de Potter (incompatível com a vida; hipoplasia pulmonar + doença renal crônica) • Oligodrâmnio + Megabexiga: 98,5% de especificidade, mas sensibilidade de 60% APRESENTAÇÃO CLÍNICA o Se o diagnostico não for realizado no período pré-natal, este pode acontecer no período pós-natal, nos lactentes, escolares, adolescentes e até na vida adulta (disfunção da ejaculação) o Lactentes: jato urinário fraco ou intermitente, distensão abdominal, ITU precoce o Escolares: esforço miccional com jato urinário fraco e intermitente, incontinência urinaria, gotejamento pós-miccional, distensão abdominal com bexiga palpável, retenção urinaria, hematúria, ITU de repetição DIAGNÓSTICO DEFINITIVO o Uretrocistografia miccional (UCM): ▪ Cateterismo vesical com sonda preenchendo a bexiga com contraste e faz o RX ▪ A bexiga é para ter a parede lisa ▪ Na primeira imagem: divertículos (sinal de esforço), bordas irregulares ▪ Segunda imagem: fase miccional mostrando refluxo secundário com ureter dilatado (não é alça intestinal) ▪ Terceira imagem: fase pós-miccional com grande quantidade de resíduo mostrando estreitamento ▪ Dilatação importante de uretra, bexiga serrilhada, uretra posterior bem dilatada o 16 anos, encaminhado ao nefropediatra devido a disuria e nefrolitiase. No interrogatório de hábito miccional paciente referindo perdas urinarias involuntárias diurnas, esforço para iniciar diurese e sensação de esvaziamento incompleto. Solicitado USG e UCM ▪ Bexiga em arvore de natal cheia de divertículos LARISSA MENEZES – AISCA III TRATAMENTO o Desobstrução! ▪ Sonda vesical de demora ▪ Ressecção de válvula ▪ Vesicostomia o O diagnostico tem que ser pré-natal para desobstruir imediatamente ao nascimento o Os pacientes devem ser monitorizados quanto ao crescimento e desenvolvimento, nutrição, pressão arterial, função renal, função vesical, distúrbios miccionais, aspectos da uretra, presença de refluxo vesicoureteral (RVU) secundário e infecções do trato urinário REFLUXO VESICOURETERAL (RVU) • Retorno de urina da bexiga de volta para ureteres e rins, decorrente de disfunção anatômica ou funcional • Causa mais comum de ITU recorrente • Pode levar a perda progressiva de função renal (cicatrizes renais), mesmo antes da ocorrência de episódio de ITU • Hidronefrose antenatal: 2º diagnóstico mais frequente • ITU confirmada: 30-50% dos casos terão RVU CLASSIFICAÇÃO o É no grau 3 que começa a ser visto no USG ETIOLOGIA o Inserção anômala dos ureteres na bexiga – Refluxo primário (o ureter deve se inserir mais distal e medial, quando se insere de forma anômala perde o túnel submucoso) o Posição do meato ureteral: quanto mais lateral e cranial, maior chance de refluxo o O ureter intramural e submucoso é comprimido durante o enchimento vesical contra o musculo detrusor, impedindo o retorno da urina: TRATAMENTO o Altas taxas de resolução espontânea: ▪ Crianças <1 ano na apresentação ▪ Baixo grau (I-III): 80% I e II; até 50% grau III ▪ Hidronefrose antenatal com apresentação assintomática ▪ Costuma ocorrer nos primeiros 5 anos de vida o Objetivo: ▪ Prevenção de cicatriz renal ▪ Hipertensão arterial ▪ DRCT (doença renal crônico terminal) o Tratamento conservador: LARISSA MENEZES – AISCA III▪ Detecção e tratamento das disfunções miccionais e constipação intestinal. Como urgência urinaria, urge-incontinencia, fluxo fraco, hesitação, polaciúria ▪ Nos meninos é aconselhável a circuncisão (postectomia) ▪ Quimioprofilaxia: RVU de alto grau (IV e V) o Tratamento cirúrgico: ▪ Controverso ▪ RVU persistente de alto grau ▪ ITU de repetição apesar do tto clínico ▪ Presença de cicatrizes renais ▪ Endoscópio: injeção suburetral de substância biocompatível – DEFLUX (solução de Dextranomer + Ác hialurônico ▪ Reimplantação cirúrgica do ureter