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Dor de ouvido LARA BIANCA CARDOSO PEREIRA, MED UEMA- @ESTETO.DA.LARA A queixa de otalgia ocorre devido à estimulação sensitiva dos pares cranianos V (trigêmeo), VII (facial), IX (glossofaríngeo), X (vago). Deve-se pensar em: Lesão de pele no CAE Distensão do tímpano (acumulo de liquido, gás ou massas em crescimento *tímpano perfurado raramente tem dor, pois o tímpano não distende Dor referida: ATM, faringe, laringe... *Orelha interna não possui receptores de dor. Ela está relacionada à hipoacusia e tontura Doenças da Orelha Externa Oto-hematoma Trata-se de um pequeno sangramento causado por trauma que se acumula entre o pericôndrio e a cartilagem, geralmente na região anterior do pavilhão. É bastante comum em lutadores. CLÍNICA: Abaulamento arroxeado na orelha, sem sinais flogísticos (diferencial de abscesso). TRATAMENTO: Drenagem do sangue para evitar infecção, necrose (cartilagem se nutre por embebição do pericôndrio) e deformidade por fibrose. Se o sangue tiver coagulado, deve- se fazer pequena incisão horizontal e enfaixar a cabeça. Se tiver abscesso, deve-se fazer a drenagem, colocar dreno de Penrose e ATB. Trauma de conduto auditivo externo e membrana timpânica Ocorre laceração do CAE, acompanhado ou não de perfuração timpânica, causada por cotonete, agressão física e até beijo (pressão negativa) CLÍNICA: Em lesão do CAE, o paciente refere otalgia, otorragia (com ou sem coagulo) e laceração da pele. Em lesão do tímpano, o paciente refere otalgia intensa no momento, hipoacusia, coágulos. À otoscopia, é possível perceber hiperemia e as lacerações. TRATAMENTO: Deve-se orientar que o paciente não molhe o ouvido até a cicatrização, devido ao risco de infecção (usar tampões) Corpo Estranho Paciente relata que objeto entrou no ouvido ou pode ser um achado durante o exame físico com relato de hipoacusia e/ou zumbido. TRATAMENTO: Se o objeto for animado, deve- se transformá-lo em inanimado, pois o ouvido é muito sensível ao seu movimento: • Jogar álcool, se não tiver otorreia (tímpano rompido) + retirada com pinça • Se tiver otorreia (tímpano rompido), colocar algodão embebido de éter, pois o álcool é muito lesivo + retirada com pinça • Pode-se colocar óleo mineral, vaselina ou soro para “afogar” • Em casos de miiase prescreve-se ivermectina e realiza-se a remoção manual • Pode fazer a lavagem para auxiliar na retirada OBS: Não se faz lavagem quando o CE é semente, pois ela incha e dificulta a retirada. Se o objeto for inanimado, realiza-se o pinçamento, aspiração ou a lavagem. OBS: Se tiver otorragia, indica laceração e deve-se fazer audiometria e tomo; e se tiver otorreia, indica infecção e deve-se fazer ATB. Rolha de Cerume O cerume é produzido pelo terço externo do ouvido e o ouvido tem um mecanismo de auto-limpeza. Quando esse mecanismo é falho (produção excessiva, tortuosidade, MAE estreito...) pode-se formar uma rolha de cerume. CLÍNICA: Paciente relata hipoacusia flutuante, plenitude aural e, às vezes, prurido e otalgia. À otoscopia pode-se encontrar cera amarelada ou escurecida (mais antiga). TRATAMENTO: Para medico generalista, é mais comum realizar apenas a lavagem. • Lavagem: jogar água filtrada e aquecida em temperatura do corpo com seringa de bico largo. o Não deixar conduto molhado (infecção!): secar com algodão ou joga gotinhas de alcool o Só não lava se tiver tímpano perfurado o Se tiver tímpano perfurado e fizer a lavagem, usar ATB profilaxia • Cerumin (hidroxiquimolina + trolamina): Usar 3 gotas via tópica otológica, 3x ao dia por 3 dias para amolecer a cera e depois tirar com lavagem • Aspiração e curetagem Otite externa aguda difusa Trata-se de uma inflamação difusado conduto auditivo externo com duração < 1 mês. É causada pelo rompimento da barreira cutânea (contato com água, trauma, remoção de cerume...) por bactéria da própria flora, como Pseudomonas aeruginosa, Proteus mirabilis, Staphylococcus aureus (GRAM NEGATIVOS!). Pode ser chamada de “otite do nadador”. CLÍNICA: Paciente refere otalgia com ou sem otorreia, hipoacusia tardia (pelo edema) e tem como fatores de piora a manipulação do pavilão e movimentação da ATM. À otoscopia observa-se hiperemia, edema, exsudato no CAE. Geralmente não acompanha OMA (tímpano normal ou com leve hiperemia) TRATAMENTO: paciente deve utilizar ATB e sintomáticos e seguir as orientações. • Gotas: ATB tópico (ciprofloxacina + hidrocortisona) 3 gotas, 2x ao dia por 7 dias • Se o edema for importante, usar ATB VO: Cefalexina + tópico + corticoide sistêmico • Analgesia • Curativo otológico • Compressas mornas • Não molhar ouvido por 14 dias • Se necessário, drenagem por incisão OBS: Se a otite for fúngica (Aspergillus e Cadida spp), na otoscopia, observa-se hifas e material branco parecido com algodão. O tratamento é feito com remoção das hifas e gotas otológicas com antifúngico (fungirox, ciclopirox olamina ou oto-betnovate) OBS: Cuidado com OE necrosante em diabéticos, idosos e imunossuprimidos, a qual associa-se com osteomielite de base de crânio, podendo causar meningite. Chega a formar tecido de granulação. OBS: Disfunção da ATM A articulação temporomandibular encontra-se entre esses dois ossos através da fossa do osso temporal e do côndilo mandibular. Devido à fatores congênitos, traumas locais, fatores psicológicos, próteses dentárias e desgastes senil, o paciente pode evoluir para disfunção da articulação. CLÍNICA: Otalgia com irradiação para face e têmpora, cefaleia, tontura, parestesia, dor cervical e otoscopia normal. Ao exame físico (oroscopia e palpação cervical), apresenta dor estática e dinâmica. TRATAMENTO: AINEs, relaxante muscular, analgésico e compressas de água fria Doenças da Orelha Média Otite média aguda É uma inflamação do mucoperiosteo da orelha média com < 1 mês de duração. Tem como agentes etiológicos bactérias GRAM POSITIVAS (S. pneumoniae, H. influenzae, M. catarrhalis) ou vírus, os quais infectam a partir do rompimento da MT ou contaminação da rinofaringe e tuba auditiva. CLÍNICA: Otalgia importante, hipoacusia precoce (produção de gás e pus que empurra MT), febre e plenitude auricular que pode evoluir de otorragia seguida de otorreia. Na otoscopia, é possível observar abaulamento da MT, hiperemia e opacidade timpânica. TRATAMENTO: ATB tópico não é adequado, pois não vai passar para a OM. Por isso inicia-se ATB VO e orientações gerais: ATB: • 1ª escolha: Amoxicilina o 50 mg/kg/dia 3x/dia por 10 dias (criança) o 875 mg a cada 12h ou 500 mg a cada 8h (adultos) o Alergia a penicilina: sulfametoxazol 10 mg/kg 1x/dia (crianças) ou 500 mg 1x/dia (adulto) • 2ª escolha: Se não responder as primeiras 48 horas há suspeita de pneumococo resistente à penicilina ou produtor de betalactamase o Amoxicilina 90-100 mg/kg/dia o Amoxicilina + clavulanato 875 + 125 de12/12h ou 500 + 123 de 8/8h o Cefuroxima o Claritromicina • 3ª escolha: Ceftriaxona IM ORIENTAÇÕES: • Se MT perfurada, não molhar • Tomar sintomáticos • Se a criança tiver >6 meses e estiver em BEG e tem condições para retorno, deve-se observar por 48h (pode ser vírus) • Sinais de severidade: otalgia persistente por mais de 48 horas, temperatura maior que 39º C Otite média crônica Processo inflamatório da mucosa mucoperiosteal da orelha média, com perfuração do tímpano, que dura mais de 2 meses. Isso ocorre por OMA + disfunção tubária, trauma + disfunção tubária ou OMA necrosante secundário a sarampo, varicela ou bactéria mais agressiva, de modo que não é possível reepitelizar o tímpano. Os microorganismos são geralmente provenientes do conduto auditivo (gram -). CLÍNICA: Paciente relata mais de2 meses de otorreia, hipoacusia e raramente otalgia (só se houver alguma complicação). TRATAMENTO: COMPLICAÇÕES DE INFECÇÕES NA ORELHA MÉDIA Sinais: cefaleia, febre alta, irritação meníngea, letargia, sinais neurológicos focais, náuseas e vômitos, abaulamento retroauricular... Paralisia facial periférica Mastoidite com abscesso subperiosteal Labirintite infecciosa Meningite Abscesso intracraniano CONDUTA: Internação hospitalar, TC de mastoides e/ou crânio, miringotoma, avaliação da ORL e/ou neuro, cleta de líquor