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AO JUÍZO DA 80ª VARA DE TRABALHO DA CIDADE DE CUIABÁ - ESTADO DE MATO GROSSO. PROCESSO: 1000/2021 TECELAGEM FIO DE OURO S.A., pessoa jurídica de direito privado, CNPJ xxx, com endereço na Rua xxx, Bairro xxx, na cidade de xxx, CEP xxx, por suas advogadas que abaixo se subscrevem, com endereço profissional à Rua do das Araucárias, nº 151, Bairro das Árvores, vem a Vossa Excelência apresentar: CONTESTAÇÃO À Reclamação Trabalhista com fulcro no Art. 847 parágrafo único da CLT c/c 336 do CPC por força do Art. 769 da CLT e Art. 15 do CPC, movida por JOANA DA SILVA, já qualificado na inicial. DA SÍNTESE FÁTICA DA INICIAL Joana requereu da ex-empregadora o pagamento de indenização por dano moral, a legando ser vítima de doença profissional, já que o mobiliário da empresa, segundo diz, não respeitava as normas de ergonomia. Disse, ainda, que a empresa fornecia plano odontológico gratuitamente, requerendo, então a sua integração, para todos os fins, como salário utilidade. Afirmou que, nos últimos dois anos, a sociedade empresária fornecia a todos os empregados, uma cesta básica mensal, suprimida a partir de 1 de julho de 2021, violando o direito adquirido, pelo que requer o seu pagamento nos meses de julho e agosto de 2021. Relatou que, no ano de 2020, permanecia duas vezes na mesma semana, por mais de uma hora na sede da sociedade empresaria para participar de um culto ecumênico, caracterizando tempo à disposição do empregador, que deve ser remunerado como hora extra, o que requereu. Afirmou ainda ter sido coagida moralmente a pedir demissão, pois, se não o fizesse, a sociedade empresária alegaria por justa causa, apesar de ela nada ter feito de errado. Assim, requer a anulação do pedido de demissão e os pagamentos do direito sendo como uma dispensa sem justa causa. Por fim, formulou um pedido de adicional de periculosidade, juntou também, coma petição inicial, os laudos de ressonância magnética da coluna vertebral, com o diagnóstico de doença degenerativa, e a cópia do cartão do plano odontológico, que lhe foi entregue pela sua empresa na admissão. Juntou ainda, a cópia da convenção coletiva que vigorou de junho de 2019 a junho de 2021, na qual consta a obrigação de os empregadores fornecerem uma cesta básica aos seus colaboradores a cada mês, e como não foi entabulada a nova convenção desde então, advoga que a anterior se prorrogou automaticamente. Por fim, juntou a circular da empresa que informava a todos os empregados que eles poderiam participar de um culto na empresa, que ocorreria todos os dias ao fim do expediente. DA PRELIMINAR DE INEPCIA AO PEDIDO DE ADICIONAL DE PERICULOSIDADE Conforme verifica-se da inicial, a reclamante deixou de fundamentar o pedido de adicional de insalubridade, não formulando nenhum argumento plausível que amparasse o direito pleiteado. Dessa forma, a reclamada fica impossibilitada de contestar o pedido supracitado, vez que não possui qualquer ponto para contra argumentar, restando, assim, prejudicados os princípios do contraditório e da ampla defesa. Desse modo, considerando que o art. 840, §1º da CLT, determina que o pedido deve ser certo e determinado, além de conter a indicação do seu valor, seria incoerente que a reclamada contestasse um pedido incerto sem nenhum embasamento jurídico. Portanto, com base no art. 330, §1º, inciso I do CPC e no art. 840, §3º da CLT, a reclamada requer que o pedido de adicional de insalubridade seja julgado extinto, sem resolução de mérito, devendo a ação continuar o seu trâmite em relação aos demais pedidos. DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS Joana alega ser vítima de doença ocupacional, a qual o espaço laboral deu causa. A partir da retro afirmação, requereu o pagamento de indenização por danos morais. Porém, conforme laudo apresentado pela própria Reclamante, esta fora diagnosticada com doença degenerativa, as quais causam a degeneração de células, tecidos e órgãos, e costumam ter causas relacionadas com aspectos genéticos, fatores ambientais, má alimentação e sedentarismo. Portanto, a enfermidade que atinge Joana está descaracterizada como doença do trabalho pela redação do artigo 20 § 1º da Lei 8.213/91: Art. 20: Consideram-se acidente do trabalho, nos termos do artigo anterior, as seguintes entidades mórbidas: § 1º Não são consideradas como doença do trabalho: a) a doença degenerativa; b) a inerente a grupo etário; c) a que não produza incapacidade laborativa; d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em que ela se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho. Diante do exposto, pugna-se pela improcedência do pedido de indenização por danos morais. DO PLANO ODONTOLOGICO Com relação ao plano odontológico, não se caracteriza salario utilidade por expressa vedação legal, na forma do art. 458, §2, inciso IV e §5, da CLT, daí porque não poderá ser integrado ao salário. Art. 458 - Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. [...] § 2 o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: [...] IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante seguro-saúde; [...] § 5 o O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio ou não, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, próteses, órteses, despesas médico-hospitalares e outras similares, mesmo quando concedido em diferentes modalidades de planos e coberturas, não integram o salário do empregado para qualquer efeito nem o salário de contribuição, para efeitos do previsto na alínea q do § 9 o do art. 28 da Lei n o 8.212, de 24 de julho de 1991. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8212cons.htm#art28%C2%A79q http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8212cons.htm#art28%C2%A79q Outrossim, pugna-se pela improcedência do pedido de integração do plano odontológico como salário utilidade. DA CESTA BÁSICA De simples analise, conclui-se que a norma coletiva juntada não possui ultratividade, na forma do art. 614, §3, da CLT. Restando claro que para asseverar a continuidade do benefício, far-se-á necessário a promoção de nova convenção com observância às formalidades legais. Nesse sentido: CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. VIGÊNCIA. ULTRATIVIDADE. ART. 614, § 3º, DA CLT. VEDAÇÃO. 1. A nova redação do § 3º do art. 614 da CLT, dada pela Lei 13.467/2017, veda a ultratividade dos instrumentos normativos. 2. Cabia à Reclamante comprovar que havia norma coletiva vigente dispondo sobre os pedidos de multa convencional e obrigatoriedade de concessão de carta de apresentação, ônus do qual não se desincumbiu. [...] Recurso ordinário conhecido e desprovido. (TRT-10 - RO: 00014833220175100013 DF, Data de Julgamento: 03/07/2019, Data de Publicação: 12/07/2019) Pugna-se então pela improcedência do pedido de pagamento das cestas básicas alusivas aos meses de julho e agosto do corrente ano. DA CARTA DE DEMISSÃO A Reclamante alega que jamais teve a intenção de pedir demissão e afirma ter sido moralmente coagida pela sociedade empresária a demitir-se, caso contrário, seria demitida por justa causa. Aparada da declaração supracitada requereu a anulação do pedido de demissão, bem como o pagamento dos direitos por uma suposta dispensa sem justa causa. Todavia, o pedido de demissão escrito a próprio punho pela Autora, assim como o documento com a quitação dos direitos da ruptura (em anexo), apresentados porela à Reclamada na data da demissão, compõe um conjunto de provas que atestam a inveracidade da tese apresentada por Joana. Cabe salientar que, com fulcro nos artigos 818, inciso I da CLT e 373, inciso I, do CPC, incumbe à parte Autora provar que foi coagida a pedir demissão e, portanto, considerando a ausência de elementos probatórios que sustentem tal vício de consentimento, resta claro a inexistência de razões para anular o feito. Requer pela improcedência da anulação do pedido de demissão. DAS PROVAS Protesta provar o alegado por todos os meios em Direito admitidos, sobretudo pelo depoimento pessoal do Reclamante, sob pena de confissão, oitiva de testemunhas e demais provas que se fizerem necessárias, desde já requeridas. DOS REQUERIMENTOS FINAIS Isto, posto aguarde-se o acolhimento das preliminares arguidas, ou no mérito deve a reclamação trabalhista ser julgada improcedente, condenando o reclamante ao pagamento de custas processuais e ao pagamento dos honorários advocatícios, na porcentagem de 20% (vinte por cento). Nesses termos, pede deferimento. Cuiabá, 09 de agosto de 2021. __________________ ____________________________ Jamile Santos Nayara Luana Gravi Gonçalves OAB/SC nº 00.058 OAB/SC nº 57.000