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Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Responsável pelo Conteúdo: Profª. Drª. Célia Regina da Silva Rocha Revisão Textual: Prof.ª Esp. Adrielly Camila de Oliveira Rodrigues Vital Conceituação e Caracterização dos Diferentes Tipos de Deficiência Conceituação e Caracterização dos Diferentes Tipos de Deficiência • Adquirir conhecimentos dos conceitos e definições dos diferentes tipos de deficiência; • Identificar as principais características das deficiências auditiva, física e motora, visual e intelectual. OBJETIVOS DE APRENDIZADO • Introdução; • Definindo as Deficiências; • Deficiências Mentais ou Intelectuais. UNIDADE Conceituação e Caracterização dos Diferentes Tipos de Deficiência Introdução Quando falamos sobre deficiência, imediatamente nos vêm à mente algo que falta ou está defasado. Ao longo da história da humanidade, a deficiência esteve presente e foi permeada por uma série de mudanças, quer seja na terminologia, quer seja na ati- tude que as sociedades de cada período histórico lidavam com a questão da deficiência. Assim, temos que pensar que a deficiência sempre esteve muito próxima de cada um de nós. Com certeza conhecemos ou temos a notícia de várias pessoas do nosso grupo familiar, do círculo de amizade ou do convívio social mais amplo. Até bem pouco tem- po atrás, era raro vermos pessoas com deficiência circulando nas diferentes situações onde ocorrem o contato social: reuniões familiares, escolares, de lazer e cultura, espa- ços públicos diversos. Hoje, quando circulamos por estes espaços vemos a diversidade circulando por ele, principalmente, no que diz respeito às pessoas com deficiência. Historicamente, a convivência das pessoas com deficiência com o restante da so- ciedade foi sempre difícil e marcada pelo preconceito. Embora existam poucos dados de como essas pessoas eram tratadas na Antiguidade, textos bíblicos, textos da An- tiguidade (Platão e Aristóteles) e na Era Cristão, reportam como elas eram tratadas. A visão bíblica da deficiência: E o senhor falou a Moisés, dizendo: dize a Arão: o homem de qualquer das famílias de tua linhagem que tiver deformidade (corporal), não ofe- recerá pães ao seu Deus, nem se aproximará de seu Ministério; se for cego, se coxo, se tiver nariz pequeno ou grande ou torcido; se tiver um pé quebrado ou a mão; se for corcovado, se remeloso, se tiver belide na vista, se sarna pertinaz, se tiver herpes pelo corpo ou uma hérnia. Todo o homem da estirpe do sacerdote Arão, que tiver qualquer deformidade (corporal), não se aproximará a oferecer hóstias ao Senhor, nem pães a Deus; comerá, todavia, os pães que oferecem no santuário, contanto, po- rém, que não entre de véu para dentro, nem chegue ao altar; porque tem defeito, e não deve contaminar o meu santuário... (LEVÍTICO, 21:16-23) Na Antiguidade, Platão (428-348 A.C, 1972) em diversos capítulos do livro “Re- pública”, também faz menção à condição da pessoa com deficiência: ...cuidarão apenas dos cidadãos bem formados de corpo e alma, deixan- do morrer os que sejam corporalmente defeituosos(...) é o melhor tanto para esses desgraçados como para a cidade em que vivem. Aristóteles (384-322) comungava do mesmo pensamento: ...com respeito a conhecer quais os filhos que devem ser abandonados ou educados, precisa existir uma lei que proíba nutrir toda criança disforme. Na primeira legislação escrita pelos romanos: ...que o filho nascido monstruoso seja morto imediatamente. (ASSIS, 1992, p. 37) 8 9 Assim, vemos que na Antiguidade a vida de um indivíduo com deficiência não era algo fácil e aceito socialmente. Mas nos séculos posteriores, provocar a deficiência tornou-se uma prática comum de punição, com procedimentos de auto ou hétero mutilação, por meio de atos de arrancar ou de vazar os olhos; amputação de mãos ou língua, nos casos de calúnia, roubo e adultério (PESSOTI, 1984). Mas também podemos verificar aspectos os quais podemos considerar como po- sitivos. No século XVI, a deficiência passa a ser vista sob o ponto de vista científico, com a atuação de médicos e alquimistas, demarcando não mais especificamente uma visão teológica ou moral, mas sob o enfoque da Ciência. (PESSOTI, 1984). Já no século XIX, há uma preocupação e vários estudiosos, tais como Pinel, Esquirol, Itard e Down, dentre outros, passaram a debruçar-se sobre a questão da deficiência, especificamente a deficiência mental. Assim, nesta fase tem-se início à percepção da de- ficiência não mais como uma doença, mas sim como um estado ou condição. Por volta de 1870, surgem as primeiras experiências terapêuticas e educativas para essas pessoas. No século XX, ainda perduraram as dificuldades para a pessoa com deficiência, que sofria humilhação, passava por situações de constrangimento e ridículo quando exposta e exibida como bobo da corte, em circos e parques de diversão. No entanto, após a segunda guerra mundial, com o grande contingente de mutilados de guerra, surgem movimentos em que as pessoas com deficiência migraram da marginalização para o assistencialismo e, posteriormente, para a educação, reabilitação e integração social (MAZZOTTA, 1989). Até meados do século XX, ainda perdurou o modelo segregacionista, em que as pessoas com deficiência permaneciam segregadas em suas casas, ou colocadas em escolas que atendiam especificamente estas pessoas. A partir dos anos 60, as pessoas “portadoras de deficiência”, termo utilizado na época, passaram a ser inseridas nos sistemas sociais gerais (família, escola, lazer e trabalho). Esta prática teve maior impulso (SASSAKI, 1997) a partir da década de 80, com o surgimento da luta pelos direitos das pessoas portadoras de deficiência. Segundo Sassaki (1997), para a inserção das pessoas portadoras de deficiência era preciso alguns aportes ligados à superação de barreiras (física, programática e atitu- dinais) impostas pelo meio social. Com isto a ideia de inserção começou a ser pensada, mas foi necessário um esfor- ço muito grande por parte da própria pessoa e de seus familiares, ou ainda da insti- tuição que ela frequentava e que investia em grandes esforços para que a integração social acontecesse efetivamente. Anos 90, outra mudança substancial aconteceu frente à forma como a sociedade lidava com as pessoas com deficiência – a inclusão. Esse modelo ora vigente, enfocava a importância da autonomia e da independência dessas pessoas. Ou seja, a autonomia requer que a “pessoa portadora de deficiência” tenha o domínio no ambiente físico e social, preservando ao máximo a privacidade e a dignidade da pessoa que a exerce. Segundo Sassaki (1997), o grau de autonomia resulta da relação entre o nível de prontidão físico-social do “portador de deficiência” e a realidade de um determinado 9 UNIDADE Conceituação e Caracterização dos Diferentes Tipos de Deficiência ambiente físico e social. Podemos dar como exemplo uma pessoa com síndrome de Down, que pode ter autonomia para fazer a higiene pessoal, estudar, desenvolver atividade laboral, enquanto outra pode não ter o mesmo nível de autonomia. Independência é outro fator de primordial importância para a inclusão da pessoa com deficiência, implica na faculdade de autodeterminação, de decidir, de resolver problemas sem depender de outra pessoa (familiar ou profissional). Atualmente, não utilizamos o termo “pessoa portadora de deficiência”. Desde a década de 80 vários estudiosos defendem a não utilização do termo “portadora”, por entender que as pessoas não portam suas deficiências, a deficiência hoje é conside- rada uma condição. Temos uma legislação robusta quanto à inclusão da pessoa com deficiência, a mais recente a Lei da Inclusão – Estatuto da pessoa com deficiência, Lei nº 13.146, aprovada em 6 de julho de 2015, traz garantias fundamentais para a equiparação das pessoas com deficiência em relação à sociedade. A referida lei define a deficiência como: Aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental,intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas (BRASIL, 2015). Esta lei destina-se a pessoas que possuem deficiências de natureza física e motora, mental, intelectual ou sensorial de longo prazo. Art. 2º. Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. § 1º A avaliação da deficiência, quando necessária, será biopsicos- social, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar e considerará: I – os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo; II – os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais; III – a limitação no desempenho de atividades; e IV – a restrição de participação. (BRASIL, 2015) A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) defi- ne deficiência como sendo os problemas na função ou estrutura corporal, tais como um desvio ou perda significativa (OMS, 2015). Definindo as Deficiências Deficiências física Deficiência física engloba vários tipos de limitação motora e caracteriza-se por alteração total ou parcial no corpo, sujeitando a pessoa ao comprometimento de funções motoras. Paralisia cerebral: termo amplo para designar um grupo de limita- ções resultantes de uma lesão no sistema nervoso central. 10 11 Tabela 1 – Tipos de defi ciência física Tipos de Defi ciência Física Defi nição Paraplegia Perda total das funções motoras dos membros inferiores. Paraparesia Perda parcial das funções motoras dos membros inferiores. Monoplegia Perda total das funções motoras de um só membro (inferior ou posterior) Monoparesia Perda parcial das funções motoras de um só membro (inferior ou posterior) Tetraplegia Perda total das funções motoras dos membros inferiores e superiores. Tetraparesia Perda parcial das funções motoras dos membros inferiores e superiores. Triplegia Perda total das funções motoras em três membros. Triparesia Perda parcial das funções motoras em três membros. Hemiplegia Perda total das funções motoras de um hemisfério do corpo (direito ou esquerdo). Hemiparesia Perda parcial das funções motoras de um hemisfério do corpo (direito ou esquerdo). Amputação Perda total ou parcial de um determinado membro ou segmento de membro. Paralisia cerebral Lesão de uma ou mais áreas do sistema nervoso central, tendo como consequência alterações psicomotoras, podendo ou não causar deficiência mental. Fonte: Adaptado de https://bit.ly/2YUnrRa Figura 1 – Exclusão do cadeirante Fonte: Getty Images Figura 2 – Defi ciência Física Fonte: Adaptado de Getty Images 11 UNIDADE Conceituação e Caracterização dos Diferentes Tipos de Deficiência Deficiências sensoriais Afetam um dos cinco sentidos, causando seu não funcionamento parcial ou total e incapacitando sua utilização plena. A diminuição do tato, olfato e paladar podem ser enquadrados na classificação de deficiência sensorial, embora classicamente as deficiências visual e auditiva sejam as mais conhecidas; Deficiência visual Quanto à deficiência visual, segundo o Instituto Benjamin Constant o termo ce- gueira não é absoluto, pois reúne indivíduos com vários graus de visão residual. Na “cegueira parcial” (também dita legal ou profissional) há os indivíduos capazes apenas de contar dedos a curta distância e os que só percebem vultos. Mais próximos da cegueira total estão os indivíduos que só têm percepção de projeções luminosas. Aluna com Baixa Visão, disponível em: https://bit.ly/2Vx5plK No primeiro caso, há apenas a distinção entre claro e escuro; no segundo (proje- ção) o indivíduo é capaz de identificar também a direção de onde provém a luz. A cegueira total, ou simplesmente amaurose, pressupõe completa perda de visão. A visão é nula, isto é, nem a percepção luminosa está presente. É considerado cego o indivíduo que corresponde a um dos critérios seguintes: a visão corrigida do melhor dos seus olhos é de 20/200 ou menos, isto é, se ele pode ver a 20 pés (6 metros) o que um indivíduo de visão normal pode ver a 200 pés (60 metros), ou se o diâmetro mais largo do seu campo visual subentende um arco não maior que 20°, ainda que sua acuidade visual nesse estreito campo possa ser superior a 20/200. Figura 3 – Cegueira Fonte: Getty Images Figura 4 – Leitura em Braille Fonte: Getty Images O campo visual restrito é muitas vezes chamado “visão em túnel” ou “em ponta de alfinete”. Nesse contexto, caracteriza-se como portador de visão subnormal ou 12 13 baixa visão aquele que possui acuidade visual de 6/60 e 18/60 (escala métrica) e/ou um campo visual entre 20° e 50° (CONDE/ IBC, 2015). A cegueira, segundo Amiralian (1997), é definida tanto pela condição física, au- sência da percepção visual, como pelos significados conscientes e inconscientes de cegueira, constitui uma complexa condição com a qual as pessoas cegas defrontam- -se diariamente e que reflete em sua organização interna e no estabelecimento das relações interpessoais. Núcleo de Atendimento Educacional à Pessoa com Surdocegueira (NAEPS), disponível em: https://bit.ly/3eYfAro Deficiência auditiva É a redução ou ausência da capacidade de ouvir determinados sons, em diferentes graus de intensidade, devido a fatores que afetam a orelha externa, média e interna, com perda auditiva de quarenta a setenta decibéis. Aprendizado em Libras, disponível em: https://bit.ly/2Bsa4yB Na surdez com a perda auditiva (severa) entre setenta e noventa decibéis, o in- divíduo consegue identificar ruídos familiares, percebe voz forte e pode chegar aos quatro ou cinco anos de idade sem aprender a falar. Já a perda acima de noventa decibéis é considerada profunda e o indivíduo é privado de informações auditivas necessárias para identificar a voz humana, impedindo-o de adquirir a linguagem oral, para tal aquisição ele necessita de um esforço pessoal muito grande e do auxílio de um profissional da fonoaudiologia (BRASIL, 2006). Figura 5 – Surdez e defi ciência auditiva: aparelho de amplifi cação sonora Fonte: Getty Images 13 UNIDADE Conceituação e Caracterização dos Diferentes Tipos de Deficiência Deficiências Mentais ou Intelectuais O termo deficiência mental passou ao longo dos anos por diversos termos, os quais enfatizavam a discriminação e a deficiência da pessoa, tais como: aleija- do, anormal, defeituoso, excepcional, incapacitado, inválido, retardado mental, idiota, imbecil, entre outros (AMIRALIAN et al, 2000). Deve-se destacar que, atualmente, essas expressões não são mais aceitas por retratarem uma visão 00preconceituosa, pejorativa e totalmente ultrapassada, embora na Constituição Federal de 1988, reportada nos artigos 7º, 31º e 37º e outros documentos legais da época, a terminologia “pessoa portadora de deficiência” ainda possa ser en- contrada. Destaca-se que essa expressão sofreu diversas críticas, por ser muito abrangente, visto que esse conceito engloba todas as pessoas que portassem qualquer tipo de “anomalia”. A deficiência mental caracteriza-se pela limitação do desenvolvimento mental da pessoa, ocasionando redução na capacidade cognitiva em comparação com a média da população geral ou da faixa etária. A deficiência pode ser congênita ou ocasio- nada por múltiplos fatores, como traumatismo, doenças infecciosas e subnutrição no desenvolvimento infantil, entre outras. A American Association on Mental Retardation (AAMR) adotou a nomenclatura “deficiência intelectual” em detrimento ao termo “retardo mental” e definiu como inca- pacidade caracterizada por limitações significativas tanto no funcionamento intelectual quanto no comportamento adaptativo expresso em habilidades conceituais, sociais e práticas. Esta inabilidade se origina antes dos 18 anos (LUCKASSON et al, 2002). Figura6 – Síndrome de Down Fonte: Getty Images Figura 7 – Deficiência intelectual Fonte: Getty Images A Associação Americana de Deficiência Intelectual e Desenvolvimento – AAIDD define deficiência intelectual como a incapacidade caracterizada por limitações signi- ficativas tanto no funcionamento intelectual, quanto no comportamento adaptativo expresso em habilidades conceituais, sociais, práticas do dia a dia, até os 18 anos 14 15 de idade. As limitações podem estar associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: • Comunicação; • Cuidado pessoal; • Habilidades sociais; • Utilização dos recursos da comunidade; • Saúde e segurança; • Habilidades acadêmicas; • Lazer; • Trabalho (AAIDD, 2010). Ressaltamos que no aspecto intelectual abrangem as funções como raciocínio, so- lução de problemas, pensamento abstrato, juízo de valores, aprendizagem acadêmica e aprendizagem por experiência. Por outro lado, o aspecto adaptativo envolve os do- mínios conceitual, social e prático relativos à independência e à responsabilidade so- cial, nas quais estão inseridas as atividades sociais, habilidade de vida diária (comer, beber, tomar banho, fazer a higiene íntima, dentre outras), atividades comunitárias, de comunicação e atividades acadêmicas. Figura 8 – Defi ciência intelectual: adulto com síndrome de Down Fonte: Getty Images A AAIDD (2010) ressalta que outros fatores devem ser consderados na definição e avaliação da deficiência intelectual, como o ambiente e cultura onde o indivíduo está inserido, a diversidade linguística e as diferenças culturais na forma como as pessoas se comunicam e se comportam. No início do texto, questionamos se você tem alguém próximo, já teve ou tem con- tato com alguma pessoa com deficiência. Retomamos a questão para que possamos conhecer o quadro das pessoas com deficiência no Brasil. Trazendo à tona os dados 15 UNIDADE Conceituação e Caracterização dos Diferentes Tipos de Deficiência mais recentes sobre o número de pessoas com deficiência em nosso país. Os dados do Censo 2010 sinalizam a existência de 15.750.969 pessoas com deficiência, sendo: • Deficiência visual: 6.562.910 (42%); • Deficiência física/motora: 4.433.350 (28%); • Deficiência intelectual: 2.611.536 (16%); • Deficiência auditiva: 2.143.173 (14%). 23,9% dos brasileiros declaram ter alguma deficiência, diz IBGE. Disponível em: https://glo.bo/2C3HenX A Plano Nacional de Saúde - PNS, em 2013 estimou que existem cerca de 200,6 milhões de pessoas residentes em domicílios particulares permanentes. Desse total, 6,2% possuía pelo menos uma das quatro deficiências: Pessoas com deficiência física, tem a prevalência de 1,3% sendo que deste total, 0,3% representam pessoas que nasceram com a deficiência física e 1,0% a adquiriu em decorrência de doença ou acidente. Destes indivíduos 46,8% possuía grau intenso ou muito intenso de limitações, ou ainda não conseguia realizar as atividades habituais. Quanto a deficiência intelectual, a prevalência é de 0,8 % sendo que 0,5% da população total possuía deficiência intelectual desde o nascimento. Outros 0,3% a adquiriu devido a doença ou acidente. A prevalência da deficiência visual é de 3,6%. Sendo que 0,4% refere-se a de- ficiência desde o nascimento e 3,3% possuía deficiência adquirida por doença ou acidente. Dentre estes cerca de 6,6% das pessoas com deficiência visual faziam uso de algum recurso para auxiliar a locomoção. O PNS estimou que a prevalência de pessoas com a deficiência auditiva é de 1,1% da população sendo que 0,9% adquiriu a deficiência auditiva por doença ou acidente e 0,2% nasceram com a deficiência auditiva. Destas, cerca de 20,6% da população com deficiência auditiva apresentou grau intenso ou muito intenso de limitações ou não conseguia realizar as atividades diárias habituais. Os dados apresentados pelo PNS não especificam as prevalências dos diferentes ti- pos de deficiência, nestas estimativas, maior percentual de pessoas com as deficiências visual (5,9%) e auditiva (1,4%) estão na região sul do Brasil, enquanto a região nordeste apresenta maior percentual de deficiência física (1,7%) e deficiência intelectual (0,9 %). Quanto ao gênero das pessoas com deficiência intelectual, o PNS estima que 0,9% masculino e 0,7% feminino. Estes dados foram apresentados por ocasião da apresen- tação dos desafios a serem enfrentados para a elaboração e realização do Censo de 2020 para o mapeamento das pessoas com deficiência em todo o território nacional. Censo Demográfico de 2020 e o mapeamento das pessoas com deficiência no Brasil, disponível em: https://bit.ly/2YSsaT9 16 17 Com esses dados podemos inferir que você dever ter tido contato com alguma pessoa com deficiência ao longo de sua vida. No levantamento divulgado em 2015 pelo IBGE e em parceria com o Ministério da Saúde, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) considerou quatro tipos de deficiências: auditiva, visual, física e intelectual. Sendo que a mais representativa foi a deficiência visual, que atinge cerca de 3,6% dos brasileiros, sendo mais comum entre as pessoas com mais de 60 anos (11,5%), limitação que segundo a pesquisa impede que 16% dos deficientes visuais possam realizar atividades habituais como ir à escola, trabalhar e brincar. O resultado do questionário respondido pela amostra passou a considerar pesso- as com deficiência apenas aquelas que responderam não conseguir de algum modo ou ter grande dificuldade para ouvir, enxergar ou se locomover. As pessoas agrupadas na categoria deficiência severa são as que declararam para um tipo ou mais de deficiência as opções “grande dificuldade” ou “não consegue de modo algum”. Foram excluídas desta nova análise dos dados as pessoas com a deficiência intelectual. Dados do IBGE registram os números obtidos no Censo 2010, Brasil e cidade de São Paulo, veja em: https://bit.ly/38uykfG No tocante ao contato e convivência com a pessoa com deficiência, a interação entre as pessoas, principalmente quando a deficiência é intelectual, muitas vezes não conseguimos compreender o significado que se dá à deficiência e a quem a possui, assim como com quem ela se relaciona. A Lei da Inclusão – Estatuto da Pessoa com Deficiência, traz alguns avanços bem significativos para a vida em sociedade, tais como em relação à capacidade civil, o direito ao casamento, exercer os direitos na esfera sexual e reprodutiva, poder aderir ao processo de decisão apoiada, ou seja, nomear alguém para ser o porta-voz da pessoa com deficiência nos atos civis. A criação de regime previdenciário próprio obrigatório para a pessoa com defici- ência também favorece sua inclusão como beneficiária de assistência social no mer- cado de trabalho. Assim como saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para comprar órteses e próteses, quando necessárias. Acessibilidade em todos os segmentos sociais públicos e privados, tornando-se uma das principais ferramentas para usufruir do seu direito de ir e vir, bem como a melhoria do convívio social de igualdade, para que o indivíduo se sinta bem-vindo, visibilizado e contemplado pela sociedade como um todo foram outras grandes conquistas da lei. A inclusão escolar também é outro avanço muito importante da Lei de Inclusão, assegurando que a pessoa com deficiência, em todas as faixas etárias do período escolar, tenha um projeto pedagógico que propicie um sistema de atendimento com profissionais de apoio, sem nenhum tipo de cobrança adicional por esse serviço. A sociedade como um todo, as instituições de ensino, empresas e demais seg- mentos também devem se ater a proibição de qualquer tipo de abandono, exclusão, discriminação e preconceito em relação ao aluno com deficiência. 17 UNIDADE Conceituação e Caracterização dos Diferentes Tipos de Deficiência Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Como lidar com pessoas com deficiência física? https://youtu.be/YeKZPGB3da8 Deficiênciaintelectual https://youtu.be/ess5_j-QWZI Leitura Avaliação de estudantes surdos e deficientes auditivos sob um novo paradigma: Enem em Libras JUNQUEIRA, R. D.; LACERDA, C. B. F. Avaliação de estudantes surdos e deficientes auditivos sob um novo paradigma: Enem em Libras. Revista de Educação Especial, v. 32, 2019. https://bit.ly/3dO3Feg Modelos didáticos no ensino de vertebrados para estudantes com deficiência visual NASCIMENTO, L. M. M.; BOCCHIGLIERI, A. Modelos didáticos no ensino de vertebrados para estudantes com deficiência visual. Ciênc. Educ., Bauru, v. 25, n. 2, p. 317-332, 2019. https://bit.ly/2NSLtFP 18 19 Referências AMIRALIAN, M. L. T. M. et al. Conceituando a deficiência. Ver. Saúde Pública; 34(1):97-3, 2000. _________. Compreendendo o cego: uma visão psicanalítica da cegueira por meio de desenhos-estórias. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997. ASSIS, S. G. Criança, violência e comportamento. Um estudo em grupos sociais distintos: relatório final de pesquisa. Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Centro Latino-Ame, 1992. ASSOCIAÇÃO Americana de Deficiências Intelectual e do Desenvolvimento (AADID). Concepção de deficiência intelectual segundo a Associação Americana de Defi- ciências Intelectual e do Desenvolvimento. Washington, DC: AAIDD, 2010. Centro Latino-Americano de Estudos sobre Violência e Saúde, (CLAVES.), Escola Nacional de Saúde Pública, (ENSP), Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ); 1992. BRASIL. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial. A inclusão es- colar de alunos com necessidades educacionais especiais. Deficiência física. Bra- sília – DF, 2006. BRUNS, M. A. de T. A relação afetivo-sexual de pessoas dotadas de visão com pessoas cegas. Disponível em: <http://www.ibc.gov.br/images/conteudo/AREAS_ ESPECIAIS/CEGUEIRA_E_BAIXA_VISAO/ARTIGOS/A-relao-afetivo-sexual-de- -pessoas-dotadas-de-viso-com-pessoas-cegas.pdf>. Acesso em: 26/06/2020 CONSTANT, Instituto Benjamin. Um olhar sobre a deficiência visual. CONDE/ IBC, 2015. Disponível em: <http://www.ibc.gov.br/fique-por-dentro/cegueira-e-bai- xa-visao>. Acesso em: 25/06/2020. LUCKASSON, R. et al. Mental retardation: definition, classification, and systems of support. Washington, DC: American Association on Mental Retardation, 2002. MAZZOTTA, M. J. S. Evolução da educação especial e as tendências da forma- ção de professores de excepcionais no Estado de São Paulo. Tese de Doutorado. 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