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O Águia do Sul é uma editora de ebooks independente e sem
nenhum tipo de financiador, de cosmovisão Católica e
Tradicionalista, e contrário aos inimigos desses dois princípios
(religioso e político). No entanto, qualquer tipo de livro perigoso
(livros de Éduoard Schuré, René Guénon, Maurice Pinay, entre
outros) é com a pretensão de que o cliente, no caso o comprador da
obra, terá que fazer uma análise crítica, lógica e racional do
conteúdo das obras, que poderá ter vários pontos positivos e
negativos, como verdadeiros e falsos; principalmente se tratando do
campo religioso que fora do Catolicismo não há VERDADE plena e
integral, por mais que as outras crenças e religiões sejam atraentes.
 Para cada livro ser transformado em um ebook, são necessários
alguns ajustes por parte nossa. Cada livro publicado – livros em
domínio público, esquecidos, antigos ou excluídos, ou seja, qualquer
livro que foi negado de ser publicado por nossas editoras (por
desinteresses partidário ou do público) – é necessário diversas
horas de edição para ficar definitivamente pronto; por tanto,
poderão, apesar de pouco provável, haver infelizes erros na edição
que passaram despercebido.
Todas as capas são exclusiva autoria do Águia do Sul.
 
VISÃO:
 A iniciativa “Águia do Sul” partiu da necessidade de lançar essas
obras importantes, muitas desconhecidos para o público brasileiro
atual, que em sua grande parte estão sobre domínio público. Muitos
desses livros não se encontram mais em formato físico e nem em
formato e-book – pelo menos não em português – , sendo que,
restaurá-los e atualizá-los, é a principal missão, visando o
conhecimento e o enriquecimento da cultura.
 Sobre questão do conteúdo de alguns dos livros disponíveis;
recomendo a reflexão profunda e sincera sobre esta frase de São
Paulo, verdadeiro santo da Igreja de Cristo:
 “Examinai tudo: abraçai o que é bom."
(I Tessalonicenses, capítulo 5, versículo 21)
 
 
TODOS OS LIVROS POSTADOS PELO ÁGUIA DO SUL
PODEM SER COMPARTILHADOS LIVREMENTE
E GRATUITAMENTE.
 
 
Contato:
tony03011995@gmail.com
Chave de PIX (para contribuições voluntarias):
tony03011995@gmail.com
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
OBSERVAÇÃO: se possível avalie o produto após a compra ou
após ler, por gentileza. O feedback é essencial para a propagação
do perfil.
 
* * * * * * * * * * * * * * * * *
 
Gênero da obra:
* Misticismo, gnosticismo ou falsa religião
* Catolicismo e Cristianismo
* Biografia, autobiografia ou relatos pessoais
* Filosofia, Sociologia ou Manifestos políticos
e/ou sociais
* Literatura de Ficção
* História
 
* * * * * * * * * * * * * * * * *
 
Catálogo do Águia do Sul:
Aperta para ser direcionado acessar o link
 
A.D Sertillanges:
O Mito Moderno da Ciência *
Antônio Sardinha:
O Valor da Raça: Introdução a uma Campanha Nacional *
Arlindo Veiga dos Santos:
Ordem Nova *
Assis Cintra:
Mentiras Históricas *
https://www.amazon.com.br/s?i=digital-text&rh=p_27%3A%C3%81guia+do+Sul&s=relevancerank&text=%C3%81guia+do+Sul&ref=dp_byline_sr_ebooks_2
https://www.amazon.com.br/Mito-Moderno-Ci%C3%AAncia-Antonin-Gilbert-Sertillanges-ebook/dp/B08RCVDR64/ref=sr_1_6?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=3MJWVQX3H5HUO&dchild=1&keywords=o+mito+moderno+da+ci%C3%AAncia&qid=1622140238&sprefix=o+mito+moderno%2Caps%2C332&sr=8-6
https://www.amazon.com.br/dp/B0982Q69YC/ref=sr_1_28?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=%C3%81guia+do+Sul&qid=1624901551&sr=8-28
https://www.amazon.com.br/dp/B09FJ28H2C/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=arlindo+veiga&qid=1630892415&s=digital-text&sr=1-1
https://www.amazon.com.br/Mentiras-Hist%C3%B3ricas-Assis-Cintra-ebook/dp/B09B1RNYX8/ref=sr_1_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=aguia+do+sul&qid=1627433675&sr=8-2
Histórias que não vêm na História *
Dom Vital:
A Maçonaria e os Jesuítas *
Dom Frei Boaventura:
Coletânea de Dom Fr. Boaventura - Contra os Erros da Fé *
Nossas Superstições e Heresias: Umbanda, Astrologia,
Superstições Cristãs, Adivinhações, Quiromancia e Outras *
Por que a Igreja Condenou o Espiritismo? *
A Maçonaria no Brasil *
Édouard Schuré:
Os Iniciados – Krishna, Rama, Hermes *
Os Iniciados – Moisés, Orfeu, Pitágoras *
Os Iniciados – Platão, Jesus Cristo *
Os Iniciados (Volume Completo) *
Eduardo Prado:
A Ilusão Americana *
Enéas Carneiro:
Um Grande Projeto Nacional (1994) *
O Brasil em Perigo *
Um Grande Projeto Nacional (1998) *
Manifestos Enéas Carneiro *
Farias Brito:
A Verdade como Regra das Ações *
Francis Bacon:
Nova Atlântida *
Frei Fidéli:
Fomos e Somos Atlântida
George Orwell:
Lutando na Espanha *
Gustavo Barroso:
História Secreta do Brasil Volume I, *
https://www.amazon.com.br/dp/B09FJ3KN8H/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=assis+cintra&qid=1630891684&s=digital-text&sr=1-1
https://www.amazon.com.br/Ma%C3%A7onaria-os-Jesu%C3%ADtas-Dom-Vital-ebook/dp/B0937M8SSG/ref=sr_1_3?dchild=1&qid=1622140502&refinements=p_27%3A%C3%81guia+do+Sul&s=digital-text&sr=1-3&text=%C3%81guia+do+Sul
https://www.amazon.com.br/dp/B09FJ1L4SQ/ref=sr_1_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=dom+frei+boaventura&qid=1630891672&s=digital-text&sr=1-2
https://www.amazon.com.br/dp/B09FJ1CSZ7/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=dom+frei+boaventura&qid=1630891379&s=digital-text&sr=1-1
https://www.amazon.com.br/Dom-Frei-Boaventura-condenou-Espiritismo-ebook/dp/B08Q42HGD4/ref=sr_1_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=dom+frei&qid=1622140544&s=digital-text&sr=1-2
https://www.amazon.com.br/Ma%C3%A7onaria-Brasil-Orienta%C3%A7%C3%A3o-para-Crist%C3%A3os-ebook/dp/B08W6N75N6/ref=sr_1_4?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=dom+frei&qid=1622140544&s=digital-text&sr=1-4
https://www.amazon.com.br/%C3%89douard-Schur%C3%A9-Iniciados-Krishna-Trismegisto-ebook/dp/B08Q4317NF/ref=sr_1_4?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=edouard+schure&qid=1622140568&s=digital-text&sr=1-4
https://www.amazon.com.br/%C3%89duoard-Schur%C3%A9-Iniciados-Mois%C3%A9s-Pit%C3%A1goras-ebook/dp/B08Q4J1C35/ref=sr_1_35?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=edouard+schure&qid=1622140643&s=digital-text&sr=1-35
https://www.amazon.com.br/%C3%89duoard-Schur%C3%A9-Iniciados-Plat%C3%A3o-Cristo-ebook/dp/B08R2SVX1J/ref=sr_1_53?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=edouard+schure&qid=1622140658&s=digital-text&sr=1-53
https://www.amazon.com.br/OS-INICIADOS-completo-%C3%89duoard-Schur%C3%A9-ebook/dp/B08R2V19P9/ref=sr_1_15?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=edouard+schure&qid=1622140568&s=digital-text&sr=1-15
https://www.amazon.com.br/Eduardo-Prado-Americana-%C3%81guia-Sul-ebook/dp/B08Q5QJV8B/ref=sr_1_7?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=eduardo+prado&qid=1622140693&s=digital-text&sr=1-7
https://www.amazon.com.br/En%C3%A9as-Carneiro-Grande-Projeto-Nacional-ebook/dp/B08QG54CGG/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=13FA9OQU1A57X&dchild=1&keywords=eneas+carneiro&qid=1622140823&s=digital-text&sprefix=eneas+carneiro%2Cdigital-text%2C312&sr=1-1
https://www.amazon.com.br/Brasil-em-Perigo-En%C3%A9as-Carneiro-ebook/dp/B08XPV3C7D/ref=sr_1_4?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=13FA9OQU1A57X&dchild=1&keywords=eneas+carneiro&qid=1622140823&s=digital-text&sprefix=eneas+carneiro%2Cdigital-text%2C312&sr=1-4
https://www.amazon.com.br/Grande-Projeto-Nacional-En%C3%A9as-Carneiro-ebook/dp/B091KLLG1D/ref=sr_1_3?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=13FA9OQU1A57X&dchild=1&keywords=eneas+carneiro&qid=1622140823&s=digital-text&sprefix=eneas+carneiro%2Cdigital-text%2C312&sr=1-3
https://www.amazon.com.br/Manifestos-En%C3%A9as-Carneiro-ebook/dp/B091M8FZGN/ref=sr_1_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=13FA9OQU1A57X&dchild=1&keywords=eneas+carneiro&qid=1622140823&s=digital-text&sprefix=eneas+carneiro%2Cdigital-text%2C312&sr=1-2https://www.amazon.com.br/dp/B09DFBLFY1/ref=sr_1_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=farias+brito&qid=1629844497&sr=8-2
https://www.amazon.com.br/Nova-Atl%C3%A2ntida-Francis-Bacon-ebook/dp/B09B17XWFS/ref=sr_1_4?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=aguia+do+sul&qid=1627433675&sr=8-4
https://www.amazon.com.br/Lutando-Espanha-Fatos-ver%C3%ADdicos-Arthur-ebook/dp/B08WJKLRBG/ref=sr_1_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=lutando+na+espanha&qid=1622140867&s=digital-text&sr=1-2
https://www.amazon.com.br/Gustavo-Barroso-Hist%C3%B3ria-Secreta-Brasil-ebook/dp/B08Q4HQ2DV/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=gustavo+barroso&qid=1622141163&s=digital-text&sr=1-1
II, *
III, *
IV, *
V, *
VI *
A História Secreta do Brasil (Volume Único) *
Caxias *
Brasil: Colônia de Banqueiros *
Livro dos Milagres *
Aquém da Atlântida *
J. C. Fairbanks:
Refutação Científica ao Comunismo *
José da Gama e Castro:
O Novo Príncipe *
Joseph de Maistre:
Considerações Sobre a França *
Joseph François Michaud:
História das Cruzadas; Volume I, *
II, *
III, *
IV, *
V, *
VI, *
VII *
Maurice Pinay:
Complô contra a Igreja (tomo I) *
II *
III *
IV *
https://www.amazon.com.br/Hist%C3%B3ria-Secreta-do-Brasil-II-ebook/dp/B08QR7LVNR/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=gustavo+barroso+II&qid=1622141218&s=digital-text&sr=1-1
https://www.amazon.com.br/Hist%C3%B3ria-Secreta-do-Brasil-III-ebook/dp/B08R666K1F/ref=pd_sim_2/144-0095117-8736569?pd_rd_w=HbPdO&pf_rd_p=2c863ec4-9991-45d8-bae9-78a30120a86a&pf_rd_r=QX1HNDW2HA053DZ6130P&pd_rd_r=f73c7a1a-3726-4d2a-a50f-01002c4edcc4&pd_rd_wg=UmGrR&pd_rd_i=B08R666K1F&psc=1
https://www.amazon.com.br/Gustavo-Barroso-Hist%C3%B3ria-Secreta-Brasil-ebook/dp/B08TWY645B/ref=pd_sim_3/144-0095117-8736569?pd_rd_w=757pk&pf_rd_p=2c863ec4-9991-45d8-bae9-78a30120a86a&pf_rd_r=9844514HFC7HWZDSX4KR&pd_rd_r=339e3ac8-39ba-4935-b34f-e46a44f4f043&pd_rd_wg=XHOaD&pd_rd_i=B08TWY645B&psc=1
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https://www.amazon.com.br/dp/B0982QL91T/ref=sr_1_6?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=%C3%81guia+do+Sul&qid=1624901551&sr=8-6
https://www.amazon.com.br/dp/B09GJX43SW/ref=sr_1_11?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=historia+secreta+gustavo+barroso&qid=1631877246&sr=8-11
https://www.amazon.com.br/Gustavo-Barroso-%C3%81guia-do-Sul-ebook/dp/B08Q5YWJYK/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=gustavo+barroso+CAXIAS&qid=1622141398&s=digital-text&sr=1-1
https://www.amazon.com.br/Gustavo-Barroso-Brasil-Col%C3%B4nia-Banqueiros-ebook/dp/B08Q4KXM52/ref=sr_1_4?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=gustavo+barroso&qid=1622141191&s=digital-text&sr=1-4
https://www.amazon.com.br/Livro-dos-Milagres-Gustavo-Barroso-ebook/dp/B0976GD343/ref=sr_1_50?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=%C3%81guia+do+Sul&qid=1624901693&sr=8-50
https://www.amazon.com.br/Refuta%C3%A7%C3%A3o-Cient%C3%ADfica-ao-Comunismo-Fairbanks-ebook/dp/B097QD7C5F/ref=sr_1_8?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=%C3%81guia+do+Sul&qid=1624901551&sr=8-8
https://www.amazon.com.br/Novo-Pr%C3%ADncipe-Espirito-Governos-Mon%C3%A1rquicos-ebook/dp/B08TCBXY6L/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=jose+gama+de+castro&qid=1623122451&s=books&sr=1-1
https://www.amazon.com.br/Hist%C3%B3ria-Cruzadas-Joseph-Fran%C3%A7ois-Michauld-ebook/dp/B08TMYTC6P/ref=sr_1_9?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=Joseph+Fran%C3%A7ois+Michaud%3A&qid=1622141645&s=digital-text&sr=1-9
https://www.amazon.com.br/Hist%C3%B3ria-Cruzadas-Joseph-Fran%C3%A7ois-Michauld-ebook/dp/B091FX6VWG/ref=sr_1_11?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=Joseph+Fran%C3%A7ois+Michaud%3A&qid=1622141645&s=digital-text&sr=1-11
https://www.amazon.com.br/dp/B09FJ1PDZ5/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=complo+contra+igreja&qid=1630891360&s=digital-text&sr=1-1
Complô contra a Igreja (volume completo) *
Mons. Henri Delassus:
A Conjuração Anticristã: Volume Único *
O Espírito Familiar *
Orlando Fedeli:
Orlando Fedeli: Um Cavaleiro da Santa Igreja; Volume I *
II *
Plínio Salgado:
O que é o Integralismo? *
O Conceito Cristão de Democracia *
Doutrina e Práticas Comunistas *
Vida de Jesus: Volume I, *
II *
III *
Vida de Jesus (volume único) *
Como Nasceram as Cidades Brasileiras *
São Judas Tadeu e São Simão Canaanita *
Padre Mark Tennien:
Os Mistérios da China Comunista *
Padre Emílio Silva:
Pena de Morte Já! *
Príncipe Félix Yussupov:
Como Matei Rasputin *
René Guénon:
O Rei do Mundo *
Os Estados Múltiplos do Ser *
Crise do Mundo Moderno *
Erro Espírita *
Coletânea René Guénon *
O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos *
https://www.amazon.com.br/Conjura%C3%A7%C3%A3o-Anticrist%C3%A3-%C3%BAnico-Mons-Delassus-ebook/dp/B093G3FFG7/ref=sr_1_4?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=Henri+delassus&qid=1622141776&s=digital-text&sr=1-4
https://www.amazon.com.br/Esp%C3%ADrito-Familiar-Mons-Henri-Delassus-ebook/dp/B08RPCGMTQ/ref=sr_1_6?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=Henri+delassus&qid=1622141776&s=digital-text&sr=1-6
https://www.amazon.com.br/Orlando-Fedeli-Cavaleiro-Santa-Igreja-ebook/dp/B08Q771KX2/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=Orlando+fedeli&qid=1622141698&s=digital-text&sr=1-1
https://www.amazon.com.br/Orlando-Fedeli-Cavaleiro-Santa-Igreja-ebook/dp/B08Q7HYF9Q/ref=sr_1_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=Orlando+fedeli&qid=1622141698&s=digital-text&sr=1-2
https://www.amazon.com.br/Pl%C3%ADnio-Salgado-que-%C3%A9-Integralismo-ebook/dp/B08Q4J4V17/ref=sr_1_6?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=Plinio+salgado&qid=1622141869&s=digital-text&sr=1-6
https://www.amazon.com.br/Conceito-Crist%C3%A3o-Democracia-Pl%C3%ADnio-Salgado-ebook/dp/B08RB85M4W/ref=sr_1_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=Plinio+salgado&qid=1622141869&s=digital-text&sr=1-2
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Teosofismo: História de uma Pseudo-Religião *
Coletânea de René Guénon II *
Pierre Gaxotte:
Revolução Francesa *
Especial:
Manifestos Verde e Amarelo *
Manifestos Verde e Amarelo II *
Amadis de Gaulas *
Fora da China Vermelha *
Protocolos dos Sábios de Sião *
 
 
CATÁLOGO VISUAL:
 
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Fulton J. Sheen (1895 – 1979) foi um bispo norte-americano
(mais tarde arcebispo) da Igreja Católica conhecido por sua
pregação e, especialmente, por seu trabalho na televisão e no rádio.
Sheen foi um teólogo renomado, ganhando o Prêmio Cardeal
Mercier de Filosofia Internacional em 1923. Ele passou a lecionar
teologia e filosofia na Universidade Católica da América, bem como
atuou como pároco antes de ser nomeado Bispo Auxiliar da
Arquidiocese de Nova York, em 1951.
Por 20 anos como Padre Sheen, mais tarde Monsenhor, ele
apresentou o programa de rádio noturno The Catholic Hour na NBC
(1930–1950), depois o programa de Tv: Life Is Worth Living (1952–
1957), e, The Fulton Sheen (1961–1968). Por esse trabalho, Sheen
ganhou duas vezes o prêmio Emmy de Personalidade Mais Notável
da Televisão e foi capa da revista Time. Devido à sua contribuição
para a pregação na televisão, Sheen é frequentemente referido
como um dos primeiros televangelistas.
A causa de sua canonização foi oficialmente aberta em 2002. Em
junho de 2012, o Papa Bento XVI reconheceu oficialmente um
decreto da Congregação para as Causas dos Santos afirmando que
ele vivia uma vida de "virtudes heroicas" – um passo importante
para a beatificação – e agora é referido como "Venerável".
Em 5 de julho de 2019, o Papa Francisco aprovou um milagre
ocorrido por intercessão do Arcebispo Sheen, abrindo caminho para
sua beatificação.
 
 
Comentário sobre Mons. Fulton J. Sheen:
 
Poucos homens da história recente da Igreja exerceram tamanha
influência espiritual sobre as almas quanto o bispo norte-americano
Fulton Sheen. Autor de inúmeros livros e pioneiro na evangelização
pela TV, as suas aulas e pregações mudaram a vida de milhões de
pessoas em todo o mundo.
O que fez esse homem de Deus tão especial, além de seu
intelecto afiado e de sua profunda humildade, foi a oração. Ele
geralmente dizia que o segredo para o seu grande sucesso em
ganhar almas para Cristo era que, todos os dias de sua vida, ele
separava uma hora de adoração diante do Santíssimo
Sacramento – a "Hora Santa".
“Ficar com Jesus no Santíssimo Sacramento hoje é o mesmo
que permanecer com Ele diante da Cruz.”
Fulton Sheen chamava esse momento que tinha com Deus de
"hora do poder" e o propósito de todas as suas conversas era
sempre inspirar a todos, padres e leigos, a fazer uma Hora Santa
diária diante de Jesus Sacramentado. Ele citava Jesus no
Evangelho, dizendo que quem quer que permanecesse em uma
hora de união com Ele, presente no Santíssimo Sacramento, "daria
muito fruto" ( Jo, 15, 5).
Ele mesmo experimentou esses frutos em sua vida apostólica.
Quando pregava, todos o escutavam, mesmo quem não era
católico. Sua mensagem era ao mesmo tempo cativante e
transcendente.
Alguns meses antes de sua morte, ele foi entrevistado em cadeia
nacional de televisão. Uma das questões que lhe fizeram foi:
"Vossa Excelência tem inspirado milhões de pessoas em todo o
mundo. E o senhor? Quem o inspirou? Foi talvez um Papa?"
Surpreendemente, Fulton Sheen respondeu que quem o tinha
inspirado não foi nem um Papa, nem um cardeal, nem outro bispo,
nem mesmo um padre ou uma religiosa, mas uma garotinha
chinesa, de nove anos de idade.
Ele explicou que, quando os comunistas tomaram o controle da
China, um sacerdote foi encarcerado em sua própria casa paroquial,
próxima à igreja.
Trancado, o padre se horrorizou ao olhar para o lado de fora da
janela e ver os comunistas se aproximando da igreja, entrando no
santuário e violando o sacrário. Em um ato de abominável
profanação, eles pegaram o cibório e lançaram-no ao chão,
espalhando no chão todas as Hóstias Consagradas que estavam
dentro. O padre sabia exatamente quantas espécies havia no
cibório: trinta e duas.
Quando os comunistas saíram, eles não perceberam (ou não
prestaram atenção) que uma menininha rezava na parte de trás do
templo, depois de ter presenciado tudo.
Naquela mesma noite, ela voltou. Sem que os guardas na casa
paroquial a notassem, ela entrou na igreja. Ali, fez uma hora santa
de oração e um ato de amor em reparação por aquele sacrilégio.
Depois, entrou no santuário, ajoelhou-se, inclinou a cabeça e, com a
língua, recebeu Jesus na Sagrada Comunhão. Não era permitido
aos leigos, à época, tocar a Hóstia Consagrada com as mãos.
A garotinha continuou voltando todas as noites para fazer sua
hora santa e receber Jesus na Sagrada Comunhão, diretamente na
língua. Na trigésima segunda noite, depois de consumir a última
hóstia, ela acidentalmente fez um barulho e acordou o guarda que
estava dormindo. Ele correu atrás dela, capturou-a e bateu nela até
a morte com a coronha do seu rifle.
Esse ato heroico de martírio foi presenciado pelo sacerdote, que
assistiu a tudo, aflito, da janela de seu quarto.
Quando Sheen ouviu essa história, ele ficou tão impressionado
que prometeu a Deus fazer uma hora santa de oração diante de
Jesus no Santíssimo Sacramento todos os dias de sua vida. Se
aquela pequena criança chinesa tinha arriscado a sua vida para
expressar o seu amor por Jesus Eucarístico, com uma hora santa e
uma Comunhão, então, o bispo pensou que aquilo era o mínimo que
ele poderia fazer. Se aquela frágil menina tinha dado um
testemunho tão maravilhoso da presença real de nosso Salvador no
Santíssimo Sacramento, o bispo sentiu-se praticamente obrigado a
imitá-la.
 
Se você não sabe quem é Fulton Sheen, assista à seguinte
pregação deste bispo e evangelizador norte-americano sobre o
significado da Santa Missa:
A partir de então, Fulton Sheen começou a falar publicamente
sobre o amor de Deus no Santíssimo Sacramento. Seu único desejo
era trazer o mundo ao Coração ardente de Jesus no sacramento da
Eucaristia. Agarotinha havia-lhe mostrado o que realmente
significavam zelo e coragem, como a fé podia superar todo medo,
como o verdadeiro amor por Jesus Eucarístico deve transcender a
própria vida.
O que aquela mártir anônima fez é uma versão moderna do que
fez a bem-aventurada Virgem Maria, quando permaneceu com o
seu amado Filho aos pés da Cruz. Ficar com Jesus no Santíssimo
Sacramento hoje é o mesmo que permanecer com Ele diante da
Cruz. No Calvário, Ele foi abandonado, até por Seus amigos, os
Seus próprios discípulos fugiram de medo. Só a Sua mãe, o
discípulo amado e Maria Madalena testemunharam a sua fé e o seu
amor.
Hoje, Nossa Senhora está chamando todos os seus filhos que
lhe são consagrados ao mesmo testemunho de fé e de fervorosa
caridade. O seu desejo é que todos venham adorar o seu Filho,
presente no Santíssimo Sacramento do altar.
A Beata Madre Teresa de Calcutá dizia que a adoração perpétua
é o que vai renovar a Igreja e salvar o mundo. Quando fazemos aqui
o que é feito no Céu, adorando a Deus perpetuamente, então
acontecem novos céus e nova terra (cf. Ap 21, 1). Jesus foi
zombado e crucificado por dizer que era Rei. Quando sua Esposa, a
Igreja, finalmente proclama Seu reinado e presta-Lhe a honra que
Ele merece por meio da adoração perpétua, então Ele vem e
estabelece o Seu Reino no mundo.
O homem está para além de uma solução humana. O que ele
precisa é de uma intervenção divina. Abram-se, pois, os nossos
olhos e dobrem-se os nossos joelhos diante de tão grande mistério:
Deus, que desce todos os dias aos altares, no Santíssimo
Sacramento; Deus, que se faz "prisioneiro de nosso amor", em
todos os sacrários do mundo inteiro; Deus, que quer Se doar às
nossas almas, na Sagrada Comunhão.
Não resistamos mais ao Seu amor! "Vinde, adoremos", depressa,
o Tão Sublime Sacramento!
 
PADRE PAULO RICARDO
 
 
Previsão de Fulton J. Sheen sobre o futuro da
Cristandade (Artigo do site Católico: Acidigital)
 
Em um discurso há 72 anos, o Arcebispo norte-americano Fulton
Sheen, que em breve será beatificado pelo Vaticano, profetizou
muitos dos problemas vividos pelo mundo pós-moderno como o mal
do aborto ou a ruptura da instituição familiar.
"Estamos no fim da cristandade", disse o Arcebispo Fulton Sheen
durante uma transmissão de rádio em 26 de janeiro de 1947;
depois, esclareceu que não estava se referindo ao cristianismo ou
à Igreja, mas à cristandade como "uma vida econômica, política e
social inspirada por princípios cristãos".
"Isso está terminando, nós o temos visto morrer. Veja os
sintomas: a ruptura da família, o divórcio, o aborto, a imoralidade, a
desonestidade geral", disse o Prelado.
Naquele momento, perguntou-se:
"Por que tão poucos percebem a gravidade de nossa atual
crise?".
E respondeu:
"Em parte porque os homens não querem acreditar que seus
próprios tempos são ruins, em parte porque envolve demasiada
autoacusação e, principalmente, porque não têm padrões fora de si
mesmos para avaliar seu tempo".
"Somente aqueles que vivem pela fé sabem realmente o que
está acontecendo no mundo. As grandes massas sem fé estão
inconscientes dos processos destrutivos que ocorrem", afirmou.
O Arcebispo Sheen se perguntou se o mundo é consciente dos
sinais dos tempos, porque "os dogmas básicos do mundo moderno
se dissolveram diante de nossos olhos". Assegurou que estes foram
substituídos por suposições que vêm da mente do homem.
Em primeiro lugar, que "não há outra função na vida que a de
produzir e adquirir riqueza". Segundo, "a ideia de que o homem é
naturalmente bom e não precisa de um Deus que lhe dê direitos, ou
de um Redentor que o salve da culpa, porque o progresso é
automático graças à educação e à evolução da ciência, que algum
dia fará do homem uma espécie de deus".
Finalmente, outra suposição abrange a ideia de que a "razão"
não é feita para "descobrir o significado e propósito da vida, ou seja,
a salvação da alma, mas simplesmente planejar novos avanços
técnicos".
"A tecnologia não está avançando a um ritmo vertiginoso,
exigindo a obediência de grande parte da população?", perguntou-
se o Arcebispo Sheen.
Em seguida, o Arcebispo disse que o futuro terá dois tipos de
pessoas: aquelas seguidoras do Deus que se fez homem e outros
homens que "se fazem deus".
Mesmo naquela época de 1947, o Arcebispo Sheen criticou "a
mediocridade e o compromisso que caracterizam as vidas de muitos
cristãos".
"Muitos leem os mesmos romances que os pagãos modernos,
educam seus filhos da mesma forma ímpia, escutam os mesmos
comentaristas que não têm outra norma a não ser julgar hoje por
ontem e amanhã por hoje, permitem que práticas pagãs, como
divórcio e novos casamentos sejam introduzidos na família; não
faltam os chamados líderes operários católicos que recomendam
comunistas para o Congresso ou escritores católicos que aceitam as
presidências nas organizações da frente comunista para inculcar
ideias totalitárias nos filmes", criticou.
Também reconheceu que "não há mais conflito e a oposição que
supostamente deve caracterizar" os católicos, os quais estão
"influenciando no mundo menos do que o mundo os influencia".
Em outro momento, o Arcebispo Sheen fez uma descrição dos
cristãos atuais, ou seja, pessoas que defendem a fé, a vida e o
matrimônio.
"O mal deve vir para nos rejeitar, desprezar, para nos odiar, para
nos perseguir, e depois definiremos nossas lealdades, afirmaremos
nossas alianças e afirmaremos de que lado estamos. Como se
manifestarão as árvores fortes e fracas se o vento não soprar?
Nossa quantidade diminuirá, mas nossa qualidade aumentará.
Então, serão verificadas as palavras do Nosso Mestre: Aquele que
não se reúne comigo, se dispersa”, indicou.
Como os profetas de antigamente, o Arcebispo Sheen
permaneceu firme na esperança, dando recomendações práticas
que hoje são tão atuais quanto eram em 1947.
Primeiro, que os cristãos "devem perceber que um momento de
crise não é um momento de desespero, mas de oportunidades" e
"quanto mais pudermos antecipar o destino, mais poderemos evitá-
lo".
O Arcebispo Sheen também ofereceu este grande alento cheio
de esperança:
"Uma das surpresas do céu será ver quantos santos foram feitos
em meio ao caos, à guerra e à revolução".
Sheen exortou todas as pessoas a rezarem:
"As forças do mal estão unidas; as forças do bem estão
divididas. É possível que não possamos nos reunir no mesmo
banco, mas podemos nos encontrar de joelhos”.
Em outro momento, afirmou que "o problema mais importante no
mundo de hoje é a sua alma, porque é disso que se trata a luta".
Finalmente, pediu para buscar os sacramentos, rezar o Terço em
família, participar da Hora Santa e invocar a proteção de São Miguel
Arcanjo.
 
 
* * * * * * *
 
 
Mons. Fulton J. Sheen
 
COMUNISMO: ÓPIO DO POVO
 
 
 
* * * * * * *
 
INTRODUÇÃO
 
 
O Comunismo é essencialmente antirreligioso.
 
 
Depois da revolução de outubro de 1917, foi gravada nas
paredes do antigo Paço Municipal de Moscou, defronte da igreja da
famosa imagem da Virgem Ibéria (do Cáucaso), esta inscrição: “A
Religião é o Ópio do Povo”. Esta inscrição foi tirada de um dos
escritos de Karl Marx intitulado: Critica da Filosofia-do-Direito de
Hegel. Já em 1844 Marx dissera:
 
“A crítica da religião é o começo de toda crítica”.
 
A orientação antirreligiosa do Comunismo subsistiu até o
presente. O sexto Congresso Mundial, levado a efeito em 1928,
estabeleceu o programa do Partido Comunista em relação à religião:
 
“A luta contra a religião, o ópio do povo, ocupa importante
posição entre as tarefas da revolução cultural. Esta luta deve ser
levada avante persistente e sistematicamente”.
 
Mais tarde, na segunda conferência do Instituto Antirreligioso,
realizada em Moscou a 15 de junho de 1934, o Bezbojnik, jornal
anti-Deus, declarou que “a educação comunista da criança requer
explicitamente a educação antirreligiosa”.
Em maio de 1935, recordando o efeito do programa antirreligioso
dos comunistas, ele declarava:
 
“Fechamos todas as casas de ópio”.
 
Isto era o cumprimento da política de Marx tanto como da deLenin, que, a 16 de dezembro de 1905, escrevera:
 
“O nosso programa comunista inclui a propaganda do ateísmo”
(Novoya Zhizn, N. 28).
 
 
 
A RELIGIÃO É O ÓPIO DO POVO?
 
 
Não se faz mister insistir no caráter ateísta do Comunismo,
porque ele é suficientemente conhecido tanto na teoria como na
prática. Antes de tentar qualquer crítica da sua política, seria bom
inquirir precisamente as razões que os comunistas alegam em
abono da sua afirmação de que a religião é o ópio do povo.
Os comunistas não fizeram essa asserção sem alguma base,
porquanto, como Lenin escreveu:
 
"Devemos explicar de um ponto de vista materialista a razão pela
qual a fé e a religião prevalecem no meio das massas” (Proletarii, N.
45; 26 e 13 maio de 1909).
 
Resta, portanto, investigar lhes as alegadas razões.
 
 
A Argumentação Comunista
 
 
Procurando através da sua literatura de caráter oficial,
encontramos que os comunistas invocam três razões em abono da
sua afirmação de que a religião é o ópio do povo:
1) A religião ensina aos ricos os seus direitos, e portanto ajuda
os ricos na sua exploração dos pobres;
2) A religião ensina aos pobres os seus deveres para com os
ricos, e destarte ajuda a exploração dos pobres pelos ricos;
3) A religião, pela sua própria natureza, é passiva, e mata toda
atividade por meio da qual o homem possa melhorar a sua condição
económica.
 
 
I. “Religião, patrocinando a causa dos ricos”.
 
Lenin desenvolve o primeiro argumento, de que a religião é o
ópio do povo porque proclama os direitos dos capitalistas e dos
ricos. Desenvolve-o assim:
 
“A religião é uma espécie de tóxico espiritual, no qual os
escravos do capital afogam a sua humanidade e embotam o seu
desejo de uma existência humana decente” (Novoya Zhizn, N. 28).
 
Acrescenta, mesmo, que a religião incentiva a caridade como
uma espécie de escusa para a injustiça.
 
“Porque aos que vivem do trabalho dos outros, a religião ensina
a serem caridosos, arranjando assim uma justificação para a
exploração, e como se fosse um bilhete barato para o céu” (Ibid.).
 
Houharin, na obra oficial do Comunismo intitulada “O ABC do
Comunismo”, desenvolve a mesma ideia:
 
“A religião foi no passado, e ainda é hoje, um dos meios mais
poderosos à disposição dos opressores para a mantença da
desigualdade, exploração e servil obediência por parte dos
trabalhadores” (p. 247).
 
 
II. “Religião, sedativo dos pobres”.
 
Os comunistas alegam que a religião é o ópio do povo porque
ensina aos pobres os seus deveres para com os ricos, e lhes
promete uma outra vida ao invés de melhorar a presente. Lenin
escreveu:
 
“A fé ortodoxa é cara a eles porque lhes ensina a suportarem os
infortúnios “sem queixa". Que fé proveitosa não é essa, realmente
— para as classes governamentais! Numa sociedade organizada de
tal modo que uma insignificante minoria desfruta a riqueza e o
poder, ao passo que as massas constantemente sofrem privação e
severas obrigações, inteiramente natural é simpatizarem com os
exploradores, com essa religião que nos ensina a suportar “sem
queixa” as dores do inferno na terra, na esperança de um prometido
paraíso no céu” (Iskra, N. 16, 14 de fevereiro de 1902).
 
E novamente:
 
“A religião ensina aqueles que labutam na pobreza toda a sua
vida a serem resignados e pacientes neste mundo, e consola-os
com a esperança de uma recompensa no céu... O desamparo de
todos os explorados na sua luta contra os exploradores gera
inevitavelmente a crença numa vida melhor após a morte, tal como
o desamparo do selvagem nas suas lutas com a natureza dá
nascimento a uma crença em deuses, demónios e milagres”
(Novoya Zhizn, N. 28, 16 de dezembro de 1905).
 
 
III. “Religião, entorpecente da humanidade”.
 
O terceiro argumento oferecido pelos comunistas em abono da
sua afirmação de que a religião é o ópio do povo é o de que, pela
sua própria natureza, a religião torna o homem passivo. Pregando
constantemente a resignação à própria sorte e a resignação à
vontade de Deus, ela adormenta o homem ativo e torna-o
descuidado no tocante à sua condição económica.
Por exemplo, na sua obra “O ABC do Comunismo”, N. Houharin
declara que “há um conflito irreconciliável entre os princípios do
Comunismo e os mandamentos da religião”. E, como uma evidência
do caráter passivo da religião, cita ele o código cristão:
 
“Quem quer que te ferir na face direita, oferece-lhe também a
outra”.
 
E então acrescenta:
 
“Todo aquele que, embora chamando-se comunista, continua a
aderir à sua fé religiosa, quem quer que em nome dos
mandamentos religiosos infringe as prescrições do Partido, por isso
mesmo cessa de ser comunista. É proveitoso para a classe
rapinante manter a ignorância do povo e manter a crença infantil do
povo em milagres (a chave do enigma fica realmente no bolso dos
exploradores), e é por isto que os preconceitos religiosos são tão
tenazes; é por isto que eles confundem as mentes mesmo de
pessoas que, a outros respeitos, são capazes” (p. 248).
 
 
Uma distinção a fazer.
 
 
Tal é a atitude oficial do Comunismo para com a religião,
apresentada nas palavras dos seus melhores expoentes. Resta
agora julgar-lhes as razões calma e desapaixonadamente. Antes de
iniciarmos uma apreciação crítica desses argumentos, uma reflexão
geral deve ser feita, a saber: devemos distinguir cuidadosamente
entre o que a religião é naqueles que se professam religiosos, e o
que a religião é na sua natureza e no seu programa.
No tocante aos que se professam religiosos, deve-se admitir que
há alguns exemplos em que a religião foi usada como ópio do povo.
Não há dúvida de que às vezes indivíduos inescrupulosos têm
usado a religião como um instrumento de exploração e domínio.
Pedro, o Grande, na Rússia, Napoleão na França, e mesmo o
último. Czar, oferecem exemplos clássicos de semelhante abuso da
religião. Um professor da Universidade de Yale, falando do declínio
da Cristandade não-católica, atribui isso principalmente à
identificação que alguns pregadores têm feito entre religião e uma
ordem social decadente que às vezes tem sido fé de exploração.
No tocante a esses indivíduos que têm usado para fins baixos a
instituição social da religião, compartilhamos a indignação de Lenin.
Porém o que ele e seus companheiros comunistas esquecem é que
essas são exceções, e não estão no espírito nem no programa da
religião. Nunca poderíamos admitir que a religião que Nosso Senhor
fundou tenha favorecido o rico contra o pobre. As palavras de
advertência do Mestre ainda nos soam aos ouvidos:
 
“Bem-aventurados os pobres em espírito... Ai de vós que sois
ricos... Já tendes a vossa recompensa... As raposas têm tocas, as
aves do ar têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde pousar
a cabeça”.
 
A História inscreveu-o nos seus registos como o Pobre universal,
o qual, no seu nascimento, teve de se contentar com um abrigo que
não lhe pertencia, e, na sua morte, com um túmulo alheio. A história
da religião que Ele fundou é a história de uma Igreja que por
dezenove séculos tem cuidado dos pobres e dos fracos e dos
enfermos em hospitais e orfanatos e escolas e instituições de
caridade, e isso por nenhuma outra razão senão a de que ela vê a
Cristo no pobre. Atitude muito infantil, revelando falta de raciocínio
crítico da parte dos comunistas, é arguirem eles que, pelo fato de
alguns poucos haverem prostituído a santidade da religião, por isto
a religião é vil. O fato de haver algumas moedas falsas no mundo
não é razão para se abolir o dinheiro; o fato de haver alguns
indivíduos que praticam bandalheiras não é razão para se suprimir o
governo; o fato de alguns automobilistas serem negligentes não é
razão para que se destruam os automóveis; e o fato de haver alguns
que traem o Cristianismo não é razão para se destruir o
Cristianismo.
 
 
Refutação dos Argumentos Comunistas
 
 
Resta agora discutir por miúdo os três argumentos dos
comunistas.
 
I. A Religião e os ricos.
 
Primeiramente, será verdade que a religião é o ópio do povo pelo
fato de ensinar aos ricos os seus direitos?
Desafiamosos comunistas a apontarem, em toda a história da
Igreja, uma única passagem oficial em que ela use a religião como
ópio do povo. Karl Marx nos seus melhores momentos e Lenin nos
seus mais amargos, nunca protestaram com tanta justiça e com
tanta delicadeza e exatidão contra a exploração dos pobres pelos
ricos, como o fizeram Leão XIII e Pio XI. Será que esta advertência
de Leão XIII, por exemplo, soa como se ele estivesse defendendo
os direitos do rico?
 
“Os ricos e os patrões devem lembrar-se de que explorar a
pobreza e a miséria e especular com a indigência, são coisas
igualmente reprováveis pelas leis divinas e humanas” (Rerum
Novarum, Ed. Vozes, n. 32).
 
E Pio XI, com maior ênfase, condena os ricos que são réus de
exploração e de domínio:
 
“É coisa manifesta que em nossos tempos não só se amontoam
riquezas, mas se acumula um poder imenso e um verdadeiro
despotismo económico nas mãos de poucos, que as mais das vezes
não são senhores, mas simples depositários e administradores de
capitais alheios, com que negociam a seu talante. Este despotismo
torna-se intolerável naqueles que, tendo nas suas mãos o dinheiro,
são também senhores absolutos do crédito e por isso dispõem do
sangue de que vive toda a economia, e de tal maneira a manejam,
que ninguém pode respirar sem sua licença. Este acumular de
poderio e recursos, nota característica da economia atual, é
consequência lógica da concorrência desenfreada, à qual só podem
sobreviver ordinariamente os mais fortes, isto é, os mais violentos
competidores e que menos sofrem de escrúpulos de consciência.
Por outra parte, este mesmo acumular de poderio gera três espécies
de lutas pelo predomínio: primeiro luta-se por alcançar o predomínio
económico; depois combate-se renhidamente por obter o
predomínio no governo da nação, a fim de poder abusar do seu
nome, forças e autoridade nas lutas económicas; enfim, lutam os
Estados entre si, empregando cada um deles a força e influência
política para promover as vantagens económicas dos seus
cidadãos, ou ao contrário empregando as forças e predomínio
económico para resolver as questões políticas que surgem entre as
nações” (Quadragésimo Anno, Ed. Vozes, n. 105-108).
 
Nessa mesma Encíclica o Santo Padre parece insinuar que, a
menos que os ricos ponham a sua casa em ordem, devem estar
preparados para a subversão da sociedade que o Comunismo fará
cair sobre eles:
 
“Digna de censura é a inércia daqueles que não tratam de
suprimir ou mudar um estado de coisas que, exasperando os
ânimos, abre caminho à subversão e ruína completa da sociedade”
(Quadragésimo Anno, Ed. Vozes, n. 112).
 
Não há aqui, da parte da Igreja, apelo em favor disso a que
chamamos liberdade económica de amontoar riqueza sem
consideração com a justiça social; Leão XIII também já condenara
esse erro do Liberalismo. As Encíclicas indicam muito bem que a
riqueza protege aqueles que a possuem, e não os que não a
possuem; que a iniciativa abre novos horizontes para àqueles que
podem conseguir a independência, mas não para aqueles que são
escravos de salários semanais. Mas, pelo fato de haver a riqueza
muitas vezes redundado em exploração, a solução das Encíclicas
não é a dos comunistas, que quereriam destituir os homens da sua
propriedade.
O Santo Padre sustenta que a solução dos nossos males não
está na destituição, porém na distribuição; se há ratos no celeiro,
não é isto razão para que se toque fogo ao celeiro; é razão somente
para que se enxotem os ratos.
Nem é verdade, como Lenin insinuou, que a Igreja pede aos
ricos serem caridosos com o fim de cobrirem as suas injustiças,
dando-lhes assim um bilhete fácil para o céu. Como Pio XI afirma:
 
"As riquezas terrenas não são garantia daquela bem-
aventurança que nunca findará, antes pelo contrário, porquanto os
ricos deveriam tremer ante a ameaça de Jesus Cristo — ameaça tão
estranha na boca de Nosso Senhor, — de que muito estrita conta
deve ser dada ao Supremo Juiz por tudo quanto possuímos”.
 
E se isto ainda não é bastante forte, então ouçamos as palavras
de Pio XI sobre a caridade em relação com a justiça:
 
"Com tal estado de coisas (divisão da sociedade em duas
classes) facilmente se resignavam os que, nadando em riquezas, o
supunham efeito inevitável das leis económicas, e por isso queriam
que se deixasse à caridade o cuidado de socorrer os miseráveis;
como se a caridade houvesse de cobrir estas violações da justiça,
que os legisladores toleravam e, por vezes, sancionavam”
(Quadragésimo Anno, Ed. Vozes, n. 4).
 
Em face destas afirmações oficiais da Igreja, semelhante às
quais nem uma simples página existe em toda a literatura
comunista, imediatamente evidente deveria ser que a religião não é
o ópio do povo pelo fato de ensinar aos ricos os seus direitos. Estas
passagens do Santo Padre acentuam, antes, os deveres dos ricos,
e para um comunista é muito inconveniente acusar a Igreja de se
aliar somente com os ricos, quando às almas a ela consagradas ela
pede fazerem voto de pobreza. Não podemos colher uvas de
abrolhos; como então poderia a Igreja colher da sua vinha o
Pobrezinho de Assis, se plantasse somente o amor dos ricos?
 
 
II. A Religião, defensora dos pobres.
 
A Igreja nunca foi unilateral a ponto de ensinar aos pobres
somente os seus deveres. Os comunistas não podem apontar uma
simples linha, em toda a história da Igreja, na qual ela tenha pedido
aos pobres se submeterem à exploração. Pelo contrário, a Igreja
ensina que o Estado tem deveres para com os pobres. Leão XIII diz:
 
“Assim como o Estado pode tornar-se útil às outras classes,
assim também pode melhorar muitíssimo a sorte da classe operária;
... e quanto mais se multiplicarem as vantagens desta ação de
ordem geral, tanto menos necessidade haverá de recorrer a outros
expedientes para remediar a condição dos trabalhadores” (Rerum
Novarum, Ed. Vozes, n. 48).
 
Não é apenas uma questão de caridade para com o pobre; é,
antes, uma questão de verdadeira justiça, e uma questão que
reclama aplicação estrita, se não por outra razão, ao menos pelo
fato de serem os pobres a maioria.
 
“Os pobres, com o mesmo título que os ricos, são, por direito
natural, cidadãos; isto é, do número das partes vivas de que se
compõe, por intermédio das famílias, o corpo inteiro da nação, para
não dizer que em todas as cidades são o grande número. Como,
pois, seria desrazoável prover a uma classe de cidadãos e
negligenciar outra, torna-se evidente que a autoridade pública deve
também tomar as medidas necessárias para salvaguardar a
salvação e os interesses da classe operária. Se ela faltar a isto,
viola a estrita justiça que quer que a cada um seja dado o que lhe é
devido. A esse respeito São Tomás diz muito sabiamente: "Assim
como a parte e o todo são em certo modo uma mesma coisa, assim
o que pertence ao todo pertence de alguma sorte a cada parte” (II-II,
q. 61, a. 1, 2). É por isso que, entre os graves e numerosos deveres
dos governantes que querem prover, como convém, ao bem público,
o principal dever, que domina todos os outros, consiste em cuidar
igualmente de todas as classes de cidadãos, observando
rigorosamente as leis da justiça, chamada distributiva” (Rerum
Novarum, Ed. Vozes, n. 49).
 
Se houver possibilidade de escolha, devem os pobres ser
favorecidos de preferência aos ricos:
 
"Na proteção dos direitos particulares, o Estado deve preocupar-
se, de maneira especial, dos fracos e dos indigentes. A classe rica
faz das suas riquezas uma espécie de baluarte e tem menos
necessidade da tutela pública. A classe indigente, ao contrário, sem
riquezas que a ponham a coberto das injustiças, conta
principalmente com a proteção do Estado. Que o Estado se faça,
pois, sob um particularíssimo título, a providência dos trabalhadores,
que em geral pertencem à classe pobre” (Rerum Novarum, Ed.
Vozes, n. 54).
 
É precisamente contra a exploração dos pobres que o Pontífice
protesta, e em particular contra essa exploração que o Comunismo
pratica, a saber, o trato dos homens como outros tantos estômagos
a fazerem dinheiropara o Estado.
 
"No que diz respeito aos bens naturais e exteriores, primeiro que
tudo é um dever da autoridade pública subtrair o pobre operário à
desumanidade de ávidos especuladores, que abusam, sem
nenhuma discrição, das pessoas como das coisas” (Rerum
Novarum, Ed. Vozes, n9 59).
 
Nem é verdade, como diz Lenin, que a Igreja não faz outra coisa
senão ensinar "aqueles que labutam na pobreza a vida toda a
serem resignados e pacientes neste mundo, e consolá-los com uma
recompensa no céu”. A verdade é o contrário:
 
"Nem se pense que a Igreja se deixa absorver de tal modo pelo
cuidado das almas, que põe de parte o que se relaciona com a vida
terrestre e mortal. Pelo que em particular diz respeito à classe dos
trabalhadores, ela faz todos os esforços para os arrancar à miséria e
procurar-lhes uma sorte melhor. E, certamente, não é um fraco
apoio que ela dá a esta obra só pelo fato de trabalhar, por palavras
e atos, para reconduzir os homens à virtude. Os costumes cristãos,
desde que entram em ação, exercem naturalmente sobre a
prosperidade temporal a sua parte de benéfica influência; porque
eles atraem o favor de Deus, principio e fonte de todo o bem;
comprimem o desejo excessivo das riquezas e a sede dos prazeres,
esses dois flagelos que frequentes vezes lançam a amargura e o
desgosto no seio mesmo da opulência (I Tim 6,10); contentam-se
enfim com uma vida e alimentação frugal, e suprem pela economia
a modicidade do rendimento, longe desses vícios que consomem
não só as pequenas, mas as grandes fortunas, e dissipam os
maiores patrimónios” (Rerum Novarum, Ed. Vozes, n. 42).
 
Para que não fosse deixado vago o interesse pela prosperidade
terrena do homem, Pio XI adita à concreta sugestão de Leão XIII
uma recomendação que é o contrário do Comunismo, como seja —
ajudar os trabalhadores a possuírem a propriedade. Não arrancá-la
e tornar milionários os "leaders” do Partido Comunista; porém dá-la
aos pobres como posse deles:
 
“É, pois, necessário empregar energicamente todos os esforços,
para que, ao menos de futuro, as riquezas granjeadas se acumulem
em justa proporção nas mãos dos ricos, e, com suficiente largueza,
se distribuam pelos operários; não para que estes se deem ao ócio,
— já que o homem nasceu para trabalhar como a ave para voar, —
mas para que, vivendo com parcimónia, aumentem os seus
haveres, aumentados e bem administrados provejam aos encargos
da família; e, livres assim de uma condição precária e incerta qual é
a dos proletários, não só possam fazer frente a todas as
eventualidades durante a vida, mas deixem ainda por morte alguma
coisa aos que lhes sobrevivem” (Quadragésimo Anno, Ed. Vozes, n.
61).
 
 
III. A Religião, estimuladora das atividades humanas.
 
Consideremos agora o argumento dos comunistas de que a
religião torna o homem passivo.
a) Provavelmente, não haverá maior perversão da verdade do
que esta afirmação do Comunismo. O contrário é que é verdade. A
religião é essencialmente dinâmica.
A Igreja, é verdade, prega-nos a resignação à nossa própria
sorte, mas isto não significa passividade. Antes, é uma resignação
orientada para a ação. Resignação significa aceitação da nossa
sorte enquanto se aguardam melhores coisas que devem ser
alcançadas não por meio de revolução, mas mediante atuação
inteligente. Não é esta a atitude de uma mãe para com seu filhinho?
Ela se resigna à infância deste, mas isto não quer dizer que ela
se recuse a criá-lo e educá-lo até que ele entre na adolescência e
na maturidade. O lavrador que semeia a sua semente resigna-se ao
fato de ter ela de crescer mediante um processo lento, misterioso,
pois nem em pensamento pode ele aumentar um côvado à sua
própria estatura. Porém semelhante resignação não significa que ele
não deva cultivar a sua seara, ou não deva extirpar o joio ou receber
com agrado a ação do sol e da chuva. De igual modo, quando a
Igreja fala de resignação cristã, entende dizer que devemos
trabalhar efetivamente pela melhoria social como o lavrador o faz
com sua semente, isto é, que nós devemos capacitar de que toda
reforma deve proceder de uma verdadeira consideração da natureza
da coisa a ser reformada. Ela repudia o sistema comunista, por
saber que não se pode criar um paraíso terrestre económico
mediante uma revolução, tão pouco como se pode fazer uma
criança crescer acedendo-lhe uma bomba debaixo do berço.
b) Por que é que os comunistas não podem ver esse fato óbvio
de que, se a religião acentuasse a passividade do homem, então
nunca admitiria a terrível realidade do pecado?
O pecado não significa que o homem é consciente, deliberado e
ativo, e que a criatura pode levantar o seu Non serviam contra o
Criador?
O próprio símbolo do Cristianismo, que é a Cruz, atesta melhor
do que qualquer outra coisa a atividade do homem na religião.
Diante dessa Cruz o homem não pode ficar indiferente; não pode
ser passivo; ou tem de pregar nela o Salvador, ou tem de subir a ela
para ser crucificado com Ele. Se a religião é passiva, por que então
os comunistas hão de ser tão ativos para destruí-la? Acaso
organizamos exércitos para matarmos aquilo que acreditamos
serem cães mortos? Se a religião é passiva, por que então
incentivava o martírio entre os católicos na Espanha?
Realmente, se a religião é um ópio, é uma estranha espécie de
ópio que faz mártires.
c) Além disso, se for verdade que o Cristianismo lança toda a
responsabilidade sobre Deus, então como explicarmos a sua
filosofia do progresso técnico? De acordo com a Igreja, todo
progresso na ciência e na tecnologia é devido à livre atividade do
homem. Por que é que ela condena o quietismo, senão por ser ele
bastante néscio para esperar que Deus diga por nós as nossas
preces, como néscio é esperar que Deus venha em pessoa cultivar
as nossas searas?
Deus dá ao homem a graça para elevá-lo e sustentá-lo num
estado sobrenatural; mas a invenção das suas máquinas, o
incremento da sua agricultura, a melhoria da sua condição
económica deve vir dele mesmo, como causa secundária, ainda
mesmo quando ele reconheça a Deus como causa primária. Um dos
princípios mais básicos da filosofia católica é que o controle sobre a
natureza, que é o requisito da ciência, só é possível a um espírito
superior à natureza. Quer isto dizer que todo progresso científico,
todo progresso técnico e adiantamento cultural procede do homem,
cuja liberdade é consequência da espiritualidade da sua alma.
Por que é que as pedras não podem conhecer?
Por que é que a erva não pode pensar e refletir no seu
crescimento?
Por que é que o ferro, nas entranhas da terra, não pode clamar
pela sua libertação?
É porque essas coisas não têm um espirito desligado da sua
materialidade; é porque cada uma delas está tão imersa na matéria,
que não pode voltar-se sobre si mesma para fazer alguma coisa
consigo mesma. Mas um homem pode justamente fazer isso; pode
pensar sobre si mesmo, entristecer-se com os seus fracassos e
alegrar-se com os seus êxitos, porque tem uma alma que
transcende à matéria. É o espírito que o torna livre; e, pelo fato de
ser livre da matéria, ele pode transformar a matéria: converter
árvores em estátuas, pedras em edifícios, carvão em calor, e a
insignificância de um carbono no brilho de um diamante.
Porém o Comunismo, partindo do princípio de que só há matéria,
é, por isso, incapaz de explicar o progresso cientifico, ou por que
razão o homem pode edificar mil cidades diferentes, e uma formiga
tem de construir sempre um formigueiro. Negar o espírito é negar a
liberdade, negar a liberdade é arruinar a atividade criadora do
homem — e tal é a essência do Comunismo. Daí achar-se ele na
contingência de deixar inexplicada a própria coisa que exalta, ou
seja o progresso técnico. Ele nos diz que a civilização muda com as
suas ferramentas, mas não nos diz por que razão o homem faz
ferramentas e não as fazem os esquilos. De fato, se há filosofia que
torne o homem passivo, é a filosofia que diz ao homem que ele é
apenas material; porquanto podeis imaginar algo mais passivo do
que uma ferramenta?
d) Finalmente,a religião é dinâmica porque se interessa pelo
futuro. O Comunismo assevera que os pensamentos acerca do
futuro tornam o homem passivo. Se isto é verdade, por que então
eles insistem tanto no Plano Quinquenal?
É o futuro ou é o presente que faz a vaca ficar satisfeita com o
seu pasto?
A verdade é esta: quanto mais ideal é o futuro, tanto mais forte é
o incentivo à ação.
O simples fato de eu ter que tomar uma refeição amanhã não
reclama grande ação da minha parte hoje. Mas o fato de eu querer
ser médico ou advogado em dez anos dá-me energias para dez
anos de estudos. Ora, o futuro que a religião ostenta diante do
homem não é somente uma consciência tranquila todos os dias da
sua vida, mas também uma eterna recompensa na outra. Destarte o
cristão é convidado a ser um homem de ação tal, que, se lhe forem
dados dez talentos, deve ele ganhar mais outros dez para
conquistar o reino dos céus, e, se lhe forem dados cinco, deve ele
ganhar mais cinco; porém ai dele se for passivo e enterrar o seu
talento dentro de um guardanapo — então, até mesmo aquilo que
ele tem ser-lhe-á tirado.
A religião é tão ativa que baseia o seu incentivo numa intérmina
vista de perfeição. Ao cristão é dito que ele deve não somente correr
a corrida ou combater o bom combate, porém ganhar; e que a coroa
só virá àqueles que são bastante enérgicos para tomar uma cruz,
ser benignos para com os que blasfemam, bendizer os que os
perseguem e dizer “perdoai-lhes” até mesmo àqueles que. nos
pregam numa cruz.. Isto é ação, e o comunista que disser que não é
deve experimentar viver por um dia a vida ativa de um santo. Então
descobrirá que, quando se rouba a um homem o seu ideal futuro,
rouba-se a esse homem a sua força motriz para agir. Porquanto, se
esta vida é tudo, então que diferença faz, para o regime comunista,
que eu viva mal ou bem? Se esta vida presente é um mero sonho
entre dois vácuos, então por que construir um túmulo para Lenin e
não o construir para um fiel cavalo velho numa fazenda coletiva? Se
ambos têm o mesmo fim, e se ambos são materiais, então por que
um deve ser honrado de preferência ao outro? Certamente, no
fundo dos seus corações os comunistas devem perguntar-se que
lhes aproveita encherem o mundo detratores e perderem suas
almas imortais. E, do momento em que eles fizerem a si esta
pergunta, começarão a ser ativos como os cristãos, planejando não
somente como hão de salvar suas colheitas, mas também como hão
de salvar as suas almas.
 
 
 
O COMUNISMO É O ÓPIO DO POVO!
 
 
Sucede com frequência certos indivíduos acusarem outros de
pecado, com o fim de encobrirem os seus próprios. Isto também é
verdade no Comunismo. Este tem acusado a religião de ser o ópio
do povo, para encobrir o fato de ser o próprio Comunismo o ópio do
povo. E por que é ele o ópio do povo? Por três razões:
1) Porque explora os pobres, submetendo-os à vontade do
Partido Comunista;
2) Porque adormece os pobres prometendo-lhes algo que ele
nunca pode dar, a saber: um paraíso terrestre;
3) Porque torna o homem passivo, fazendo-o um instrumento do
Partido Comunista.
 
 
I. O Comunismo justifica a exploração do trabalhador pelo
Partido.
 
O Comunismo é o ópio do povo porque mascara as injustiças da
exploração comunista; ou, trocando apenas uma palavra numa ‘
sentença de Lenin:
 
“O Comunismo é uma espécie de intoxicação espiritual que
fornece uma justificação para a exploração”.
 
Ele engana o proletariado dentro da crença de que eles devem
sofrer tudo para estabelecer a revolução mundial, ao passo que o
Partido em controle se ceva em poder, privilégio e luxo. Para
compreender esta afirmação devemos considerar o fato de que há
menos de 3.000.000 milhões de membros do Partido Comunista na
Rússia, e de que, pelo terror e pela propaganda, esses poucos
milhões governam cento e sessenta milhões. A máscara favorita do
Partido para a exploração é o seu ódio ao capitalismo, capitalismo
que ele diz ter reduzido os trabalhadores a pó. Na realidade, o
Comunismo não é inimigo do capitalismo.
Antes, o Comunismo tem ignorado certos aspectos benéficos do
capitalismo, e tem elevado a uma filosofia da vida todas as suas
formas perversas e corrompidas. O capitalismo disse que o fim
econômico é o principal fim do homem; o Comunismo diz que o fim
econômico é o único fim do homem. O capitalismo muitas vezes
pagou ao operário um salário tão baixo, que este não podia possuir
casa própria; o Comunismo paga um salário ainda mais baixo, e
nega ao operário o direito de possuir sua casa. O capitalismo
desenvolveu o egoísmo individual; o Comunismo gera o egoísmo
coletivo. O capitalismo concentrou a riqueza nas mãos de alguns; o
Comunismo concentra a riqueza nas mãos do Partido. O capitalismo
até certo ponto controlou o contrato de salário, controlando a
maioria dos empregos; o Comunismo elimina o contrato de salário,
controlando todos os empregos; nele há só um patrão, o Partido, e,
se recusardes trabalhar para esse patrão, perdereis o direito de
comer — pois na Rússia não há caridade. O Comunismo é o
capitalismo enlouquecido, e um comunista é um capitalista que tem
ganância no coração, mas não tem dinheiro no bolso.
Ponha-se uma vez a máscara do Comunismo, e a exploração
dos trabalhadores é fácil; se o Plano Quinquenal falhar, lance-se a
culpa sobre os operários nos campos, por haverem recusado
cooperar com os ideais do Partido. Que pensaríamos nós se o
Ministério da Agricultura fuzilasse trinta e cinco dos seus
funcionários, sem processo, por causa de um fracasso^ de colheita,
ou se o Governo fuzilasse quarenta e oito dos seus especialistas,
sem processo, por haver a produção declinado?
Todavia, foi justamente isto que o Partido Comunista fez em 1930
e 1933. Que sucederia no nosso País se alguma grande
organização produtora afixasse amanhã de manhã no seu quadro
de avisos o Código 47 da União Soviética, para o fim de que todo
empregado que faltasse ao trabalho por um dia perdesse o
emprego, e ele e sua família fossem privados das suas posses
(Izvestia, 21 de novembro de 1932)?
Não chamaríamos de explorador o nosso Governo se, na sua
ânsia de colher uma grande safra, mesmo na área seca, publicasse
uma nota proibindo os agricultores de comerem as próprias espigas
de milho que eles haviam plantado e cultivado?
Contudo, foi isto o que o Partido Comunista fez aos famintos
lavradores das fazendas coletivas na Rússia, rezando a nota:
 
“O culpado deve ser fuzilado e seus bens confiscados” (Izvestia,
8 de agosto de 1932).
 
Suponde que, por causa do decréscimo nas colheitas, o nosso
Departamento de Agricultura ordenasse às crianças "guardarem os
campos mesmo durante a noite, desde que tenham oito anos de
idade” (Moldaia Guardia, 17 de agosto de 1935); não seria isto uma
máscara para encobrir a mais diabólica espécie de exploração?
Suponde, ademais, que o Presidente confiscasse toda
propriedade privada, e depois, em nome de um Brasil maior, fizesse
o lavrador pagar, por uma broa ou por um pão, dezenove vezes
mais do que o governo deu ao lavrador pelo seu trigo (Izvestia, 26
de setembro de 1935)!
Contudo, esta é a situação na Rússia, país sem intermediários,
porém com centenas de funcionários desonestos.
Certamente, se o termo exploração pertence a alguém, deve ser
aplicado àqueles que o usam mais para encobrir os seus próprios
pecados, ou seja àquele pais onde o Comunismo ilude o explorado
trabalhador mantendo baixos os salários dos funcionários públicos e
altos os seus privilégios — tais como cartões especiais, casas de
férias, carros particulares, transporte especial e casas de luxo; —
onde o operário é tão explorado para efeito de comércio exterior e
de propaganda, que em 1934 o Estado produziu para cada cidadão,
no seu clima frio, somente 2/5 de uma jarda de fazenda de lã e 11/
10 de jardas de fazenda de linho (Izvestia, 22 de abril de 1935), e
para cada 4,5 pessoas somente um par de sapatos. A exploração
torna-se nada menos que criminosa quando diz aos trabalhadores
que há tanto trigo que eles não precisam mais de racionamento de
pão; mas, defato, fecha os armazéns das cooperativas onde eles
podem comprá-lo a preço mais ou menos razoável, e força-os a
comprar em armazéns comerciais onde se sabe que o preço é
muitas vezes mais alto. Em virtude desta exploração, o Partido
Comunista alardeou haver aumentado a sua renda de vinte e quatro
biliões de rublos para 1935 (Za Ind., 9 de fevereiro de 1935). Não é,
pois, de admirar que uma das anedotas mais populares da Rússia
seja a de um explorado operário pendurado precariamente a um
coletivo superlotado, e que, quando viu Stalin e seus ajudantes
passarem perto num Rolls-Royce, observou sarcasticamente:
 
“Eu sou o patrão. Esses são os meus caixeiros”.
 
 
II. O Comunismo engana o pobre com a esperança falaz de um
paraíso terrestre.
 
O Comunismo é o ópio do povo porque adormece os pobres
prometendo-lhes algo que nunca lhes pode dar, ou seja um paraíso
terrestre. Mudando apenas uma palavra numa sentença de Lenin:
 
“O Comunismo ensina aqueles que labutam toda a sua vida em
pobreza a serem resignados e pacientes neste mundo, e consola-os
pelo pensamento de um paraíso terrestre”.
 
Singular espécie de paraíso esse, que é inaugurado pelo
morticínio, pelo exílio e pelo confisco; estranha espécie de paraíso
esse, que espera estabelecer a fraternidade pregando a luta de
classes, e estabelecer a paz praticando a violência. Estranha
espécie de paraíso esse que tem de recorrer ao temor e à tirania
para impedir que alguém “escape” dele. Um anjo teve de conduzir
Adão e Eva para fora do éden; mas parece que tantos foram os que
tentaram escapar do paraíso de Stalin, que este publicou um
decreto no Izvestia de 9 de junho de 1934, para o efeito de que, se
alguém tentasse fugir, a sua família inteira seria mandada para o
exílio e para o trabalho forçado por cinco anos, mesmo se não
soubesse nada da intenção dele; também seria privada dos direitos
eleitorais, o que significava perda dos cartões de alimentação.
Estranho paraíso esse em que, no meio de uma fome, Kalinin, o
Presidente da U.R.S.S., disse aos camponeses que as colheitas
eram pequenas porque eles comiam pão demais (Izvestia, 10 de
janeiro de 1936).
O Comunismo é realmente o ópio do povo quando, de um lado,
permite que pelo menos cinco milhões de pessoas morram de fome
na Ucrânia e no norte do Cáucaso pelo fato de o Estado exigir dos
operários duas ou três vezes a safra dos anos anteriores; e, de
outro lado, anuncia no seu jornal, o Pravda (28 de julho de 1933):
 
“A União Soviética é o único país no mundo que não conhece a
pobreza”.
 
Não admira que o povo russo diga que não há Verdade (Pravda)
nas Novidades (Izvestia) e não há Novidades na Verdade.
O Comunismo é realmente o ópio dos pobres quando lhes diz
que aboliu completamente o desemprego na Rússia, embora
ocultando o trágico fato de que qualquer país estaria sem
desemprego se houvesse nele conscrição de trabalho em massa.
Lá, o homem desempregado tem de aceitar trabalho onde quer que
este lhe seja oferecido, mesmo quando a mil milhas de distância,
porque não há senão o Estado que emprega; e, se o operário
recusar o emprego, não poderá ir para nenhum outro lugar.
O Brasil também poderia abolir o desemprego se o Presidente
assumisse poderes ditatoriais e declarasse que cada cidadão tinha
de fazer para o Estado um trabalho prescrito, em troca de comida e
de roupa. Chamberlin, que passou doze anos na Rússia, declarou
que as famílias socorridas na América estão em melhores condições
do que muitos dos lavradores russos. Knickerbocker, jornalista
americano, comparando o custo de vida na U.R.S.S. e nos Estados
Unidos, avaliou o salário de um kolkhozian (lavrador numa fazenda
coletivista) em oito centavos americanos. Para que essa estimativa
não seja considerada falsa, seria bom reportar-se ao Jornal de
Instrução Comunista (publicação comunista, 18 de novembro de
1934), onde é declarado que um lavrador que conserva consigo
uma vaca deve dar ao Estado, por esse privilégio, 136 quartilhos de
leite e 50 libras de carne.
O salário médio de um trabalhador na Rússia é de 225 rublos por
mês. Uma indicação do poder de compra desse salário é
proporcionada pelo fato de ser preciso o salário de três semanas
para comprar um par de sapatos (Sovietskaia Torgovlia, Ns. 99 e
110, 1936). Há algumas cidades na Rússia onde é quase impossível
comprar umas calças, por ex., Kharkov, Gorki, Rostov (Izvestia, 10
de março de 1936).
O diário oficial de Moscou diz:
 
“Nenhum armazém em Moscou pode dizer quando será possível
fornecer mercadoria" (Izvestia, 28 de junho de 1936).
 
Mikoyan, o Comissário da Indústria de Alimentação, disse:
 
“Na República Soviética estamos acostumados a ter somente
mercadorias de má qualidade, e sempre em quantidades
insuficientes" (Izvestia, 27 de dezembro de 1935).
 
Soulimov, Presidente dos Comissários do Povo, disse:
 
“Tudo está a um nível muito baixo, exceto os preços, que são
exorbitantes" (Pravda, 31 de julho de 1936).
 
E assim a citação de fatos poderia prosseguir indefinidamente.
Todos eles contam a mesma história, a saber: o Comunismo é o
ópio do povo porque explora os pobres prometendo-lhes o
impossível, mesmo nesta vida. A Religião, é verdade, faz crer numa
vida futura; mas nunca pediu aos homens que, na esperança de
uma sorte futura, se resignassem a condições tais como existem na
Rússia. Quem quer que leia o autorizado livro do Dr. Ewald
Ammende, “A Vida Humana na Rússia” (Allen and Unwin, 1936,
Londres), verá como os russos se acham mal sob o domínio dos
comunistas. As fotografias das vítimas da fome por si só contam
uma história, independentemente do texto. Ali não somente sofre a
vida humana, mas sofre até mesmo a vida animal.
 
 
III. O Comunismo escraviza o cidadão, reduzindo-o a mero
instrumento do Partido.
 
O Comunismo é o ópio do povo porque, colocando toda iniciativa
e responsabilidade sobre o Partido, destrói a personalidade do
homem, e o torna passivo. Nos países do mundo, tais como o
nosso, onde o governo é distinto de um partido, um homem é livre
de afirmar a sua personalidade e de escolher o seu destino. Sob o
Comunismo, só há um partido, e é o Partido Comunista.
Suponhamos por exemplo que no Brasil o Partido Democrático
estivesse no poder; suponhamos que os membros desse partido
exilassem ou matassem todos os membros dos outros partidos
como “contra-revolucionários’’; poderíamos dizer que um cidadão
sob tal regime era livre de afirmar a sua personalidade?
E, no entanto, tal é a filosofia do Comunismo, onde há somente
um partido, e esse partido é o governo. Necessariamente o homem
tem de ser passivo sob um sistema que também afirma que as leis
económicas são as determinantes da cultura, e que não são as
ideias, porém as mudanças de ferramentas, que determinam as
mudanças de civilização.
 
Paralelo entre Cristianismo e Comunismo.
 
Note-se a diferença entre a visão Cristã e a visão Comunista do
homem:
 
a) Para o Cristão, o homem é livre, porque a sua iniciativa vem
de dentro, a saber, da sua alma. Ele pode ser comparado a um
capitão de navio, que é livre de traçar o seu próprio curso e de
escolher o seu próprio porto.
 
b) Para o Cristão, o homem é um sujeito. Um sujeito pode
determinar suas ações, como o artista pode livremente pintar
quaisquer pinturas que escolher.
 
c) Para o Cristão há duas espécies de unidade: unidade político-
econômica, e unidade orgânico-espiritual, pela qual nós somos
membros uns dos outros no Corpo Místico de Cristo.
 
d) Para o Cristão, o homem é um cidadão de dois mundos, e, em
virtude do segundo, ele possui certos direitos inalienáveis, tais como
a vida, a liberdade e a propriedade, dos quais nenhum Estado pode
privá-lo.
e) Para o Cristão, o homem existe não somente no presente,
mas também no futuro. A personalidade é independente do tempo,
porque tem um valor intrínseco em todos os tempos.
 
f) Para o Cristão, o homem deve determinar a natureza da
sociedade e ser o senhor desta.
 
g) Para o Comunista, o homem não é livre, porque a sua
iniciativa vem de fora, isto é, do Partido, que ditanão somente o que
ele deverá fazer, mas também o que deverá pensar. Ele é como o
leme de um navio, que vai para onde quer que o dirija o
comandante, que é o ditador do Partido.
 
h) Para o Comunista, o homem é um objeto. Um objeto não pode
agir, mas é acionado como um autómato social, e torna-se como o
cinzel na mão de um escultor.
 
i) Para o Comunista, só há uma espécie de unidade — a unidade
político-econômica, que é realizada não de dentro, por laços
espirituais, mas de fora, pela força, pelo terror e pela propaganda.
 
j) Para o Comunista, o homem é cidadão de um só mundo, e,
desde que o Estado é tudo, daí se segue que o homem não tem
direitos salvo aqueles que o Estado lhe deu. Por conseguinte,
quando o entender, pode o Estado tirar-lhe esses direitos.
 
k) Para o Comunista, a personalidade é relacionada ao tempo. O
homem é alienado da sua humanidade no presente, para atingir
uma humanidade duvidosa num paraíso terrestre no futuro. Tal
como o expõe Lenin:
 
“Durante o período da ditadura em que não haveria liberdade, o
povo acostumar-se-ia às novas condições e sentir-se-ia livre numa
sociedade comunista" (O Estado e a Revolução).
 
l) Para o Comunista, o homem é determinado pela sociedade,
completamente absorvido e possuído por ela, e nela perde a sua
identidade como uma gota-de-água perde a sua identidade num
copo de vinho. Em vez de ser o senhor da sociedade, ele é o
escravo dela.
 
Em resumo: O conceito cristão do homem é ativo — o homem é
livre; o conceito comunista do homem é, necessariamente, passivo
— o homem é um animal social obediente, cuja mais alta função é
realizar o Piatiletka (Plano Quinquenal). Destarte sucede que o
Comunismo, que começou por protestar contra a desumanidade do
capitalismo, acabou por descapitalizar o capitalismo com a sua
própria desumanidade. O homem, para o Comunismo, não é um
espírito livre, uma personalidade, porém função de um processo
social. O que é primário no Comunismo é o Partido, e o Partido
controla o Estado. Criando uma opinião pública que ele representa
como a única possível, o Estado Soviético torna impotente a
vontade do indivíduo, e guia. na direção que bem lhe aprouver a
vontade, aparentemente espontânea e livre, das massas.
Mesmo na nova Constituição proposta na Rússia, aos cidadãos
não será permitido votar em diferentes partidos, mas somente em
diferentes homens do mesmo partido. Que protesto não fariam os
brasileiros se cada eleição fosse uma nomeação, e se eles só
pudessem votar numa chapa! Como Troud, o órgão oficial dos
operários soviéticos, o expõe:
 
“A diferença essencial entre a existência de partidos no Mundo
Ocidental e no nosso país é a seguinte: um partido está no poder e
todos os outros estão na prisão” (13 de novembro de 1927).
 
O Comunismo criou uma instituição especial para tornar o
homem passivo ao Partido, e tão cruel foi a perversidade dela, que,
por amor da opinião mundial, julgou-se necessário mudar-lhe o
nome de vez em quando; primeiramente foi a Cheka, depois a
Ogpu, e agora é o Comissariado Interno.
Em 1931, quando Lady Astor se encontrou com Stalin,
perguntou-lhe à queima-roupa:
 
“Por quanto tempo ainda vai o Sr. continuar matando gente?”
 
Apanhado desprevenido, Stalin respondeu:
 
“Por tanto tempo quanto for necessário”.
 
 
A subida de Stalin ao poder.
 
Mas poderíamos prosseguir, perguntando: necessário para quê?
E a resposta seria: necessário para a vontade do Partido.
E quem é a vontade do Partido?
São os indivíduos que o controlam.
As lutas aparentemente profissionais por trás de diferentes
ideologias, na realidade são apenas a capa de lutas pelo poder
promovidas por diferentes indivíduos, sendo a vítima em cada caso
o cidadão-títere. A luta entre os exilados Trotsky, Kamenev, Zinoviev
(este último que concebeu a ideia de mumificar Lenin) e Stalin é
uma triste história de ambição pessoal. Lenin, como deverá ser
lembrado, declarou expressamente no seu testamento que Stalin
era demasiado inclinado a concentrar o poder em suas mãos, para
poder ser seu sucessor. Como foi que Stalin se tornou ditador, isto
é, a história de como Stalin mentiu a Trotsky sobre a data do funeral
de Lenin, é a história de como ele foi bem sucedido, no Terceiro
Congresso, em fazer que o testamento fosse lido perante uma
comissão escolhida a dedo, e não no plenário; é por isto que o
testamento de Lenin ainda não foi publicado na Rússia.
 
 
O verdadeiro ópio do povo.
 
Não há ópio pior do que aquele que adormece as personalidades
de uma nação reduzindo-as ao estado de formigas que não têm
direitos que o Estado seja obrigado a respeitar. Enquanto o direito
do indivíduo de gozar de liberdade não for considerado como
superior à vontade do Partido, e enquanto a verdade não significar
alguma coisa mais do que aquilo que o Estado prescreve, e a
falsidade alguma coisa mais do que aquilo que o Estado opõe;
enquanto a justiça não significar mais do que a mantença de poder
do Partido; enquanto a paz não significar mais do que uma ditadura
de ferro; — o Comunismo deve estar preparado para ser chamado,
o que na verdade é, o ópio do povo. E não o é somente tornando o
homem passivo e inerte, é também martirizando lhe a natureza,
tentando quebrar o molde em que Deus o vazou e expulsar dele a
humanidade pela força, como Pilatos, flagelando a Cristo, tentou
expulsar dele a divindade.
 
 
Imaginando o Brasil sob o regime comunista.
 
Suponhamos por exemplo que no Brasil houvesse somente um
partido; que esse partido se mantivesse no poder por meio da
Policia, do Exército e da Marinha; e que cada senador ou deputado
que criticasse esse partido fosse exilado ou morto; suponhamos que
o Presidente estabelecesse uma censura tal como existe na Rússia,
e que todo livro que fosse publicado e todo jornal que fosse
impresso e todo programa de teatro que fosse distribuído tivesse de
glorificar o partido e de trazer o Imprimatur deste; suponhamos,
além disso, que o Presidente controlasse toda estação de rádio e
toda agência de informações, e não permitisse entrarem no Brasil
livros ou revistas estrangeiras que criticassem o seu partido; e
suponhamos que qualquer suspeita de falta de simpatia expusesse
a pessoa à perda do seu emprego, e o fato de haver pertencido a
um partido oposicionista condenasse a pessoa ao exílio;
suponhamos que a polícia pudesse punir alguém sem processo;
suponhamos que todas as nossas casas, fábricas, fazendas e terras
fossem postas nas mãos do partido, para este fazer delas o que
bem entendesse, e que as nossas igrejas fossem convertidas em
celeiros e museus — suponhamos todas estas coisas como
acontecendo aqui no Brasil e teremos uma pintura do que sucedeu
na Rússia.
E, se eu vos perguntasse o que deveria acontecer-vos antes de
renderdes a vossa atual liberdade e independência — vós diríeis
que primeiramente teríeis de ser prostrados inconscientes.
Foi isso justamente o que o Comunismo fez na Rússia com a sua
propaganda — prostrou-os na inconsciência.
Que é o ópio?
É uma droga que amortece as potências intelectuais do homem,
mas deixa continuarem as suas funções animais e vegetativas.
Um homem sob a influência dele não pode pensar, mas pode
digerir; não pode querer, mas ainda pode respirar. Por outras
palavras, é como um animal e não como um homem.
Ora, qual dos dois merece ser chamado ópio — a religião ou o
Comunismo?
A religião pede intelecto; começa pedindo ao homem usar a sua
razão para descobrir o grande Legislador por trás da lei, o grande
Pensador por trás de todo pensamento, a Beleza Perfeita por trás
de toda poesia. Feito isto, pede à razão estabelecer critérios
científicos para julgar a possibilidade de haver-se Deus alguma vez
revelado a nós de qualquer outro modo que não pela sua atividade
criadora; e, uma vez estabelecidos estes critérios, aplica-os Àquele
que apareceu na terra e pretendeu ser o Criador do mundo. Só
depois que esse Pretendente provou a sua Divindade por coisas
divinas, racionalmente reconhecíveis, é que o intelecto opera a sua
submissão à verdade d'Ele. Depois,pegando do telescópio da fé,
que não destrói a razão como o telescópio material não destrói o
olho, ele entra em comunicação com outros mundos com que a
razão nunca sonhou. Isso é a religião — e uma religião assim pede
que o homem conserve bem viva a sua razão.
Porém o Comunismo adormece a razão; diz ao homem que não
procure uma causa para este mundo, que não se admire de que a
gente tenha medo de morrer, que não pergunte por que é que uma
ação má enche de remorso a consciência, e uma ação boa a enche
de paz. Diz ao homem que tudo o de que ele precisa para ser um
cidadão no Estado Comunista é ter um estômago e duas mãos; por
outras palavras, é ser um animal económico a amontoar riqueza
para o Estado, e depois morrer, como uma besta, mesmo sem ter
um Zinoviev para o mumificar. Todo regime que faz isto a seres
humanos está-lhes negando aquilo que os diferencia dos animais, e
está criando uma nova escravidão em que a mente e a vontade são
atadas com grilhões — escravidão mil vezes mais amarga do que a
escravidão do corpo. Os governos do mundo estão gradualmente
fechando o cerco àqueles que traficam em narcóticos e drogas; e
muito breve os povos inteligentes do mundo atentarão sobre o mal
feito pelo ópio que vem da Rússia e da propaganda comunista. Esse
ópio já arruinou milhões de pessoas na Rússia, mas não se deve
permitir que arruíne o mundo.
 
 
A guerra do Comunismo contra a religião.
 
A guerra do Comunismo contra a religião continuará — não num
plano intelectual, mas num plano muscular e militar, ou seja no
plano da força. Eles não podem atacar inteligentemente a religião.
Eles nunca conseguiram sequer o direito de discutir sobre ela,
porque nada conhecem dela.
Resta, pois, perguntar que fará a força deles?
Botarão Deus para fora do céu?
Acaso a sua violência esvaziará dos anjos o céu?
A resposta é: Não!
Eles apenas deixarão devastada a terra.
Vimo-los proscreverem a religião na Rússia, desterrarem o seu
clero e matarem o seu povo; vimo-los fecharem as igrejas do
México; vimo-los crucificarem padres na Espanha, abrirem os
túmulos de Religiosas e espalhar lhes os restos diante das portas da
catedral. Vimos os seus museus antirreligiosos; lemos a sua
literatura anti-Deus; mas tudo o que os vimos e ouvimos fazer e
dizer contra a religião não nos convenceu de que não há Deus.
Eles apenas nos convenceram de que há o Demônio!
 
 
 
 
NOSSA SENHORA E A RÚSSIA
 
 
No nosso mundo tornou-se tão trivial o julgar-se um
acontecimento pela sua relação com outro, que se está perdendo de
vista um critério bem mais importante no julgar: o Eterno, que
intervém na história, anulando os mesquinhos e fúteis valores do
espaço e do tempo.
Como daqueles que vivem num universo de duas dimensões –
em que existe apenas a direita e a esquerda, sem a “altura” e a
“baixeza” – não se pode pretender que saibam de certas revelações
celestes, será útil recordar que as duas mais importantes
manifestações produziram-se quando o mundo mais precisava delas
e lhes prestava menor atenção.
A primeira verificou-se no ano em que nasceram as ideias que
formaram o nosso mundo moderno, a outra, no ano em que essas
ideias se traduziram em ação.
Se há um ano em que possamos dizer iniciado o mundo
moderno – e como tal entendemo-lo em antítese com o mundo
cristão – esse ano cairia aí por 1858.
Precisamente nesse ano, John Stuart Mill escreveu o seu
“Ensaio sobre a liberdade”, no qual a liberdade se identificava com o
abuso e a ausência de responsabilidades sociais; nesse ano
publicou Darwin a sua “Origem das Espécies”, em que, desviando o
olhar do homem dos seus eternos destinos, o faz olhar só para um
passado animal. No ano de 1858, Richard Wagner escreveu as suas
obras em que fazia reviver o mito da superioridade da raça
teutônica. No ano de 1858 Karl Marx, fundador do comunismo,
escreveu a sua “Introdução à crítica da Economia Política” em que
coroava a Economia. como fonte da vida e da cultura.
Destes quatro homens nasceram as ideias que dominaram o
mundo durante quase um século, como sejam a ideia de que o
homem não é de origem divina, mas animal, que a sua liberdade é
abuso e ausência de .autoridade e de lei, que, privado de espírito,
ele é parte integrante da matéria do cosmos e que, portanto, não
tem necessidade de religião. ·
Nesse mesmo importante ano de 1858, a 2 de fevereiro, aos pés
dos Pirineus, em França, na pequena aldeia de Lourdes, a Bem-
aventurada Virgem apareceu pela primeira das 18 vezes a uma
jovenzinha aldeã cujo nome de família era Soubirous. É hoje
conhecida por Santa Bernadette.
Quatro anos depois de a Igreja ter definido o dogma da
Imaculada Conceição, os céus abriram-se, e Nossa Senhora, tão
bela que não podia parecer terrena, falou a Bernadette, dizendo:
“Eu sou a Imaculada Conceição”.
No mesmo momento em que o mundo negava a culpa original e,
sem o saber dizia que todas as pessoas nasciam sem pecado
original, a nossa Bendita Mãe declarava:
“Só eu sou Imaculada Conceição”.
Notai que não disse:
“Eu fui concebida imaculada”.
Havia, pouco mais ou menos, entre Ela e a Imaculada Conceição
a mesma identidade que entre Deus e o “ser”, como o Senhor
declarou sobre o Monte Sinai, quando afirmou:
“Eu sou Aquele que é”.
Assim como o “ser” é a essencial natureza de Deus, assim a
Imaculada Conceição é o natural privilégio de Maria.
Se só Ela foi concebida imaculada, é que todos os outros seres
humanos nascem com o pecado original; se não há pecado original,
então todos são concebidos imaculados. O reclamar este privilégio
como seu, significou a implícita condenação daquelas ideias que
iniciaram o novo mundo anti-cristão.
Contra os que acreditavam apenas na natureza material do
homem, Nossa Senhora convidava os homens a serem peregrinos
ao seu altar, como reconhecimento do espírito; contra os que
reduziam o homem a um animal e o animal à natureza, a Mãe
Divina estimulava os homens a erguerem-se acima do animal na
sua suprema aspiração para Deus; contra os que faziam degenerar
a liberdade em abuso, o Eterno reafirmava que só a Verdade Divina
nos torna livres pela gloriosa liberdade de filhos de Deus; contra os
que proclamaram a religião como o ópio do povo. Ela vem libertar os
homens do ópio da mentira e nobilitá-los até à gloriosa possibilidade
de se tornarem herdeiros do céu.
O mundo não fazia caso do chamamento espiritual do céu.
As ideias pagãs de 1858, declarando que o homem era um
animal, que a liberdade era a libertação da lei, que a religião era
anti-humana, depressa transpuseram as páginas dum livro de texto
e as quatro paredes duma aula, para redundarem na violência da
Guerra Mundial 1914-18. Lançai um rápido olhar pelo mundo e
observai o que acontecia a 13 de maio de 1917 em três grandes
cidades (a América entrara na guerra pouco tempo antes, na Sexta-
feira Santa desse mesmo ano).
 
Roma: em 13 de maio de 1917, Bento XV impunha as mãos a
Monsenhor Eugênio Pacelli, fazendo dele um sucessor dos
Apóstolos. No momento em que os sinos de Roma estavam
anunciando o Angelus, era dado à Igreja um novo bispo, que um dia
viria a ascender, por ocultos desígnios da Providência, ao trono de
Pedro e a governar a Igreja Universal como nosso Santo Padre Pio
XII.
 
Moscou: 13 de maio de 1917. Maria Alexandrovitch estava
ensinando o catecismo numa das igrejas de Moscou. Tinha diante
de si duzentas crianças sentadas em bancos. Ouviu-se um forte
ruído junto à porta principal: homens a cavalo irromperam pela nave
central da igreja, saltaram por sobre a balaustrada do transepto,
destruíram o altar, depois cavalgaram pelas naves laterais,
destruindo as imagens, e finalmente carregaram sobre as crianças,
matando algumas. Maria Alexandrovitch correu para fora da igreja a
gritar. Era a primeira daquelas esporádicas explosões de furor que
precederam a revolução comunista. A jovem dirigiu-se a um dos
revolucionários, que depois se veio a tornar famoso, e gritou-lhe:
“Aconteceu uma coisa terrível: estava eu a ensinar o catecismo
na igreja, quando surgiram uns homens a cavalo, caíram sobre as
crianças, emataram algumas”.
O revolucionário respondeu:
“Eu sei disso. Fui eu mesmo que o mandei”.
 
Fátima, Portugal: 13 de maio de 1917. Três crianças da freguesia
de Fátima, Jacinta, Francisco e Lúcia estavam guardando o seu
rebanho, quando se ouviram as Ave Marias no sino da igreja
próxima. Os três pastorzinhos ajoelharam e, conforme era hábito de
todos os dias, rezaram juntos o rosário. Ao acabarem, resolveram
construir uma casinha que os abrigasse nos dias de tempestade. Os
três pequenos arquitetos foram inesperadamente interrompidos por
um relâmpago deslumbrante e olharam ansiosos para o céu. Nem
uma nuvem toldava o esplendor da tarde. Foi um simples relâmpago
de luz, seguido de outro. E quando iam a fugir, viram a dois passos
de distância, sobre a rama verde duma azinheira, uma “linda
Senhora” mais resplandecente do que o sol. Com um gesto de
gentileza maternal, a Senhora disse-lhes:
“Não tenhais medo, eu não vos faço mal”.
A Senhora era muito formosa; parecia ter entre 15 a 18 anos de
idade. O seu vestido, branco como a neve, e atado em volta do
pescoço por um cordãozinho de ouro, descia até aos pés que mal
se viam, enquanto tocavam, nus, os ramos da árvore. Um véu
branco, bordado a ouro, cobria-lhe a cabeça e os ombros, caindo
até aos pés como o vestido. As suas mãos estavam juntas à altura
do seio em atitude de oração; um rosário de brilhantes pérolas com
uma cruz de prata pendia-lhe da mão direita. O seu rosto, de
incomparável beleza, resplandecia num halo luminoso como o sol,
mas parecia velado por uma tênue sombra de tristeza.
A primeira a falar foi a Lúcia:
“De onde vem?”
“Venho do Céu” – respondeu a Senhora.
“Do Céu! E para que foi que veio, aqui?” – perguntou.
“Vim para te pedir que voltes aqui durante seis meses
consecutivos, no dia 13 de cada mês, a esta hora. No mês de
outubro te direi quem sou e o que quero”.
Precisamente no instante em que, na extremidade oriental da
Europa, o “Anti-Cristo” se desencadeava, não só contra a verdadeira
religião, mas contra a profunda Ideia de Deus e contra a sociedade,
na mais terrível carnificína da história, eis que aparece em todo o
seu esplendor, na extremidade ocidental da Europa, a grande e
eterna inimiga da serpente infernal.
Das seis aparições de Nossa Senhora àquelas crianças, a mais
importante foi a de 13 de julho. Devemos lembrar-nos de que se
estava no terceiro ano da primeira guerra mundial. Depois de ter
mostrado às crianças uma pavorosa visão do inferno, a formosa
Senhora disse, suavemente, mas com tristeza:
“Vós vistes o inferno, para onde vão os pecadores. Para salvar
essas almas, Deus quereria que se estabelecesse no mundo o culto
do meu Coração Imaculado. Se as pessoas fizerem o que vos disse,
muitas almas se salvarão e encontrarão a paz”.
Depois, falando da Primeira Guerra Mundial, disse:
“A guerra acabará. Se as pessoas fizerem o que vos disse,
muitas almas se salvarão e encontrarão a paz”.
Veio depois a observação que talvez os homens, à diferença dos
de Nínive, não viessem a fazer penitência. E então acrescentou:
“Se as pessoas não deixarem de ofender a Deus, não passará
muito tempo, (será precisamente durante o próximo Pontificado) até
que rebente uma outra e mais terrível guerra”.
Foi, de fato, durante o Pontificado de Pio XI que deflagrou a
tremenda guerra da Espanha, prelúdio da terceira guerra mundial.
Nesse período, os Vermelhos, no seu ódio contra a religião,
massacraram cruelmente 13 prelados, 14.000 padres e religiosos
destruíram 22.000 igrejas e capelas.
Nossa Senhora explicou quando essa segunda guerra mundial
devia começar – “quando virdes uma noite iluminada por uma
misteriosa luz, sabei que por esse sinal Deus vos adverte de que
está iminente o castigo do mundo pelas suas muitas transgressões,
através da guerra, da fome e da perseguição à Igreja e ao Santo
Padre”.
Perguntou-se mais tarde a Lúcia, exatamente quando apareceu o
sinal, e ela disse tratar-se da extraordinária aurora boreal que
iluminou grande parte da Europa na noite de 25 para 26 de janeiro
de 1.938. Falando da guerra, Lúcia disse:
“Será horrível, horrível” – todos os castigos de Deus são
condicionais e podem ser evitados com a penitência.
Reparai bem que, no dizer de Nossa Senhora, a Segunda Guerra
Mundial podia ter-se evitado, pois Ela acrescentou:
“Para poupar a isto os homens, pedirei a consagração do mundo
ao meu Coração Imaculado, e a Comunhão no primeiro sábado de
cada mês. Se os meus pedidos forem ouvidos, a Rússia será
convertida; e haverá a Paz. De contrário, a Rússia espalhará os
seus erros pelo mundo, dando origem a guerras e perseguições
contra a Igreja. O justo padecerá o martírio e o Santo Padre sofrerá
muito. Diversas nações serão destruídas”.
Nesta altura, a Igreja pensou que seria de seu dever calar uma
parte da mensagem; qual fosse essa mensagem, não o sabemos.
Aparentemente não deviam ser boas notícias, e pareciam referir-se
aos nossos tempos. No entanto, nós conhecemos o epílogo da
mensagem com a sua esperança de alegria:
“No final o meu Coração Imaculado triunfará. O Santo Padre
consagrará a Rússia ao meu Coração Imaculado, e a Rússia será
convertida; começará uma era de paz para o mundo”.
A última aparição deu-se a 13 de outubro de 1917, quando
Nossa Senhora prometeu realizar um milagre tal, que todos os
presentes pudessem acreditar nas suas aparições. Na tarde de 12
de outubro, todas as estradas de Fátima estavam atulhadas de
veículos, bicicletas e peregrinos, a caminho da Visão. Reuniu-se
uma multidão de 60.000 curiosos, muitos deles descrentes e
trocistas. Lúcia pediu ao povo que olhasse para o sol. Deixou de
chover e imediatamente as nuvens se dissiparam, deixando ver uma
grande extensão de céu azul.
Apesar de não haver uma nuvem sequer a toldar o céu, o sol no
seu pleno fulgor não deslumbrava, e todos o podiam fitar sem
dificuldade. Subitamente, o sol pôs-se a oscilar com movimentos
bruscos e começou a rodopiar vertiginosamente sobre si mesmo,
como um disco de fogo, projetando em todas as direções grandes
raios de luz verde, vermelha, violácea, amarela e azul, colorindo de
maneira fantástica as nuvens, as árvores, os penedos, a terra.
Passados uns quatro minutos, o sol parou. Um momento depois,
retomou, por um segundo, o seu fantástico movimento, com a sua
irreal dança de luz e cor, mais extraordinária -do que se poderia
imaginar, como a mais singular peça de fogo de artifício. Uma vez
mais, após alguns minutos, o sol interrompeu a sua dança
prodigiosa. Depois de uma breve pausa, pela terceira vez, se tornou
mais brilhante. Durante doze minutos este maravilhoso fenômeno foi
verificado num raio de mais de 25 quilômetros quadrados, por cada
uma das 60.000. pessoas presentes. Mas não foram tanto as três
rotações do sol que deixaram a multidão estupefata, como a terrível
queda do sol. Foi o momento culminante do grande milagre, o
momento mais terrível, que ergueu finalmente todas as almas para
Deus num único ato de Contrição e de Amor.
No meio daquela louca dança de fogo e de cores, como uma
roda gigantesca que por muito girar se desprendeu do seu eixo, o
sol deixou o seu lugar no firmamento, caiu em zigue-zague dos
céus, como se fosse precipitar-se em cima da multidão que se
encontrava por debaixo dele, dando aos espectadores uma clara
impressão da cena do fim do mundo predita no Evangelho, quando
o sol e as estrelas cairão desordenadamente sobre a terra. Então,
da multidão apavorada elevou-se de súbito um grito terrível, um
imenso grito suplicante com o religioso terror de almas que se
preparam para a morte e fazem profissão da sua fé e pedem a Deus
perdão dos seus pecados. Como por uma secreta intuição, os
espectadores caíram de joelhos na lama e rezaram, com a voz.
entrecortada de soluços, o mais sincero ato de contrição: jamais
saído dos seus corações. Finalmente, parando de repente na louca
descida, o sol tornou a subir ao seu lugar em zigue-zague como se
tinha precipitado e acabou por retomar gradualmente a sua
luminosidade no límpido céu. Não obstante todos se terem
encharcado com a chuvadurante a manhã, logo depois da visão, os
fatos de todos estavam perfeitamente enxutos.
Não estou aqui para provar a autenticidade destas revelações,
porque aqueles que creem no reino do Espírito e na mão de Deus
não têm necessidade de provas, e os que renegam o espírito não
aceitariam as provas em caso algum. Que significado poderemos
nós ver na aparente queda do sol sobre a multidão de Fátima
naquele outubro de 1917?
Não podemos garantir, mas, como o seu efeito geral foi tão
medonho, podemos tentar uma explicação. Talvez signifique que os
homens hão de roubar um dia uma parte da energia atômica ao sol
e utilizá-la não para iluminar o mundo, mas como uma bomba que
se lança dos ares por sobre uma população inerme. Quando a fome
alastrava pela terra, quando a guerra destruía a herança acumulada
durante séculos, quando o homem se comportava como um lobo
para com o outro homem, e quando grandes campos de
concentração, qual outro Moloch, tragavam milhares e milhares de
desgraçados, os homens podiam sempre erguer os olhos ao céu
para esperarem. Se esta terra era tão cruel, ao menos os céus eram
misericordiosos. Talvez aquela aparição vaticinasse que, agora, até
os céus se lançariam contra o homem e os seus fogos seriam
desencadeados contra os indefesos filhos de Deus. Se foi ou não
um prenúncio da bomba atômica, nós não o sabemos. Uma coisa é
certa, e é que não perderemos ainda a esperança. E no meio de
tantas nuvens, podemos ainda erguer os olhos ao céu para vermos
Nossa Senhora com a lua debaixo dos pés, com uma coroa de
estrelas na cabeça, e o sol sobre Ela. O céu não é contra nós e não
nos destruirá, enquanto Ela reinar como Senhora do céu.
Outra razão é que a Divina Providência confiou a uma mulher o
poder de esmagar o demônio. No primeiro e funesto dia em que o
demônio foi introduzido no mundo, Deus falou à serpente no paraíso
terreal e disse:
“Eu porei inimizades entre ti ·e a mulher, entre a tua
descendência e a sua descendência e tu serás esmagada pelo seu
calcanhar” (Gênesis, capítulo 3, versículo 15).
Por outras palavras, o mal terá descendência. Do mesmo modo o
bem terá descendência. É através do poder da mulher que o mal
será esmagado. Vivemos agora na hora do demônio porque,
embora o bem, tenha o seu dia, o mal tem a sua hora. O nosso
bendito Senhor assim o disse, na noite em que Judas se lhe dirigiu
no Jardim das Oliveiras:
“Esta é a tua hora, o reino das trevas” (Lucas, 22, 53).
Tudo o que o demônio pôde fazer nessa hora foi extinguir a Luz
do mundo; mas pôde fazê-lo. Se, portanto, vivemos num dia em que
foi dada rédea larga ao demônio, nós não podemos esmagar o
espírito de Satanás senão através do poder daquela Mulher a quem
Deus onipotente confiou o encargo de pisar a cabeça da serpente.
Traduzindo tudo isto nos concretos problemas do nosso mundo,
significa talvez que a Terceira Guerra Mundial, que nós tememos,
virá sobrecarregar com a sua miséria e com a sua dor uma
humanidade já experimentada por duas guerras mundiais em 21
anos. Será possível evitar esta catástrofe cósmica?
Por certo que não é a política que a pode evitar, porque
abandonando as ideias de justiça da Carta Atlântica lançaram-se as
sementes duma outra guerra.
É igualmente certo que a não poderá evitar um plano econômico,
social ou militar, porque o perigo da guerra há de existir enquanto os
homens estiverem sem Deus, e forem egoístas, ávidos de bens
terrenos. A única esperança do mundo é um milagre. Só Deus pode
evitar a guerra, e fá-lo-á através da nossa Mãe bendita. Como isso
há de acontecer, nós não o sabemos mas é certo que, se a Rússia
viesse a reaver um dia o dom da fé, ela conduziria o mundo à paz.
Pensai por um momento na transformação que operaria na Rússia
uma única visão da nossa bendita Senhora.
O México converteu-se devido a uma visão em Guadalupe.
A Roma pagã converteu-se depois de 300 anos de perseguição à
Igreja.
A Rússia ateia não está mais longe da graça divina do que
estava Roma.
 
Devemos rezar para que a Rússia se converta, pois guiará ainda
o mundo àquela paz que só a fé pode dar. Mas o gênero humano
deve dar a sua parte, porque nós somos cooperadores no querer de
Deus. Antes que esse milagre se produza, deve haver uma grande
manifestação social de amor a Deus, por intermédio o da devoção
ao Coração Imaculado de Maria. A nossa bendita Mãe pediu uma
consagração do mundo, e o Santo Padre, no 25° aniversário da sua
consagração episcopal, e, no 25° aniversário da revelação de
Fátima, consagrou, em 1942, o mundo ao Coração Imaculado de
Maria. Aguardamos agora a consagração da Rússia ao Coração
Imaculado de Maria, não só pelo Santo Padre, mas por todos os
bispos da Igreja. Pela nossa parte, além de trazermos o escapulário
de Nossa Senhora do Carmo, como a contribuição mínima para
essa cruzada de orações, nós que temos fé, devemos:
I) Receber a Sagrada Comunhão no primeiro sábado de cada
mês e rezar durante 15 minutos a Nossa Senhora como reparação
pelos pecados do mundo.
II) Rezar todos os dias o rosário pela conversão da Rússia.
 
Nós, que acreditamos, não podemos esquecer que em 8 de
dezembro de 1846, há portanto cem anos, o Concílio Baltimore.
consagrou os Estados Unidos ao Coração Imaculado de Nossa
Senhora. Foi só oito anos mais tarde que a Igreja proclamou o
dogma da sua Imaculada Conceição. Nas nossas moedas foi
gravada a palavra: “Em Deus confiamos”. Sobre a nossa nação está
invisivelmente escrita a consagração da nossa Pátria à Imaculada
Conceição, feita há cem anos. Acima dos céus e da história está
escrita a divina promessa contra a serpente do mal: “e Ela
esmagará a tua cabeça”. Resta escrever nos nossos corações um
contrito amor ao Imaculado Coração de Maria. Possa este amor
exprimir-se todos os dias com tais sinais de amor e de virtude, que
no último dia, quando comparecermos na presença de Deus para
sermos julgados, O possamos ouvir pronunciar as mais
consoladoras palavras, como garantia da nossa salvação eterna:
“Eu ouvi minha Mãe falar de vós”.
 
No amor de Jesus Cristo Nosso Senhor!

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