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O Águia do Sul é uma editora de ebooks independente e sem nenhum tipo de financiador, de cosmovisão Católica e Tradicionalista, e contrário aos inimigos desses dois princípios (religioso e político). No entanto, qualquer tipo de livro perigoso (livros de Éduoard Schuré, René Guénon, Maurice Pinay, entre outros) é com a pretensão de que o cliente, no caso o comprador da obra, terá que fazer uma análise crítica, lógica e racional do conteúdo das obras, que poderá ter vários pontos positivos e negativos, como verdadeiros e falsos; principalmente se tratando do campo religioso que fora do Catolicismo não há VERDADE plena e integral, por mais que as outras crenças e religiões sejam atraentes. Para cada livro ser transformado em um ebook, são necessários alguns ajustes por parte nossa. Cada livro publicado – livros em domínio público, esquecidos, antigos ou excluídos, ou seja, qualquer livro que foi negado de ser publicado por nossas editoras (por desinteresses partidário ou do público) – é necessário diversas horas de edição para ficar definitivamente pronto; por tanto, poderão, apesar de pouco provável, haver infelizes erros na edição que passaram despercebido. Todas as capas são exclusiva autoria do Águia do Sul. VISÃO: A iniciativa “Águia do Sul” partiu da necessidade de lançar essas obras importantes, muitas desconhecidos para o público brasileiro atual, que em sua grande parte estão sobre domínio público. Muitos desses livros não se encontram mais em formato físico e nem em formato e-book – pelo menos não em português – , sendo que, restaurá-los e atualizá-los, é a principal missão, visando o conhecimento e o enriquecimento da cultura. Sobre questão do conteúdo de alguns dos livros disponíveis; recomendo a reflexão profunda e sincera sobre esta frase de São Paulo, verdadeiro santo da Igreja de Cristo: “Examinai tudo: abraçai o que é bom." (I Tessalonicenses, capítulo 5, versículo 21) TODOS OS LIVROS POSTADOS PELO ÁGUIA DO SUL PODEM SER COMPARTILHADOS LIVREMENTE E GRATUITAMENTE. Contato: tony03011995@gmail.com Chave de PIX (para contribuições voluntarias): tony03011995@gmail.com . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . OBSERVAÇÃO: se possível avalie o produto após a compra ou após ler, por gentileza. O feedback é essencial para a propagação do perfil. * * * * * * * * * * * * * * * * * Gênero da obra: * Misticismo, gnosticismo ou falsa religião * Catolicismo e Cristianismo * Biografia, autobiografia ou relatos pessoais * Filosofia, Sociologia ou Manifestos políticos e/ou sociais * Literatura de Ficção * História * * * * * * * * * * * * * * * * * Catálogo do Águia do Sul: Aperta para ser direcionado acessar o link A.D Sertillanges: O Mito Moderno da Ciência * Antônio Sardinha: O Valor da Raça: Introdução a uma Campanha Nacional * Arlindo Veiga dos Santos: Ordem Nova * Assis Cintra: Mentiras Históricas * https://www.amazon.com.br/s?i=digital-text&rh=p_27%3A%C3%81guia+do+Sul&s=relevancerank&text=%C3%81guia+do+Sul&ref=dp_byline_sr_ebooks_2 https://www.amazon.com.br/Mito-Moderno-Ci%C3%AAncia-Antonin-Gilbert-Sertillanges-ebook/dp/B08RCVDR64/ref=sr_1_6?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=3MJWVQX3H5HUO&dchild=1&keywords=o+mito+moderno+da+ci%C3%AAncia&qid=1622140238&sprefix=o+mito+moderno%2Caps%2C332&sr=8-6 https://www.amazon.com.br/dp/B0982Q69YC/ref=sr_1_28?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=%C3%81guia+do+Sul&qid=1624901551&sr=8-28 https://www.amazon.com.br/dp/B09FJ28H2C/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=arlindo+veiga&qid=1630892415&s=digital-text&sr=1-1 https://www.amazon.com.br/Mentiras-Hist%C3%B3ricas-Assis-Cintra-ebook/dp/B09B1RNYX8/ref=sr_1_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=aguia+do+sul&qid=1627433675&sr=8-2 Histórias que não vêm na História * Dom Vital: A Maçonaria e os Jesuítas * Dom Frei Boaventura: Coletânea de Dom Fr. Boaventura - Contra os Erros da Fé * Nossas Superstições e Heresias: Umbanda, Astrologia, Superstições Cristãs, Adivinhações, Quiromancia e Outras * Por que a Igreja Condenou o Espiritismo? * A Maçonaria no Brasil * Édouard Schuré: Os Iniciados – Krishna, Rama, Hermes * Os Iniciados – Moisés, Orfeu, Pitágoras * Os Iniciados – Platão, Jesus Cristo * Os Iniciados (Volume Completo) * Eduardo Prado: A Ilusão Americana * Enéas Carneiro: Um Grande Projeto Nacional (1994) * O Brasil em Perigo * Um Grande Projeto Nacional (1998) * Manifestos Enéas Carneiro * Farias Brito: A Verdade como Regra das Ações * Francis Bacon: Nova Atlântida * Frei Fidéli: Fomos e Somos Atlântida George Orwell: Lutando na Espanha * Gustavo Barroso: História Secreta do Brasil Volume I, * https://www.amazon.com.br/dp/B09FJ3KN8H/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=assis+cintra&qid=1630891684&s=digital-text&sr=1-1 https://www.amazon.com.br/Ma%C3%A7onaria-os-Jesu%C3%ADtas-Dom-Vital-ebook/dp/B0937M8SSG/ref=sr_1_3?dchild=1&qid=1622140502&refinements=p_27%3A%C3%81guia+do+Sul&s=digital-text&sr=1-3&text=%C3%81guia+do+Sul https://www.amazon.com.br/dp/B09FJ1L4SQ/ref=sr_1_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=dom+frei+boaventura&qid=1630891672&s=digital-text&sr=1-2 https://www.amazon.com.br/dp/B09FJ1CSZ7/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=dom+frei+boaventura&qid=1630891379&s=digital-text&sr=1-1 https://www.amazon.com.br/Dom-Frei-Boaventura-condenou-Espiritismo-ebook/dp/B08Q42HGD4/ref=sr_1_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=dom+frei&qid=1622140544&s=digital-text&sr=1-2 https://www.amazon.com.br/Ma%C3%A7onaria-Brasil-Orienta%C3%A7%C3%A3o-para-Crist%C3%A3os-ebook/dp/B08W6N75N6/ref=sr_1_4?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=dom+frei&qid=1622140544&s=digital-text&sr=1-4 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https://www.amazon.com.br/Eduardo-Prado-Americana-%C3%81guia-Sul-ebook/dp/B08Q5QJV8B/ref=sr_1_7?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=eduardo+prado&qid=1622140693&s=digital-text&sr=1-7 https://www.amazon.com.br/En%C3%A9as-Carneiro-Grande-Projeto-Nacional-ebook/dp/B08QG54CGG/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=13FA9OQU1A57X&dchild=1&keywords=eneas+carneiro&qid=1622140823&s=digital-text&sprefix=eneas+carneiro%2Cdigital-text%2C312&sr=1-1 https://www.amazon.com.br/Brasil-em-Perigo-En%C3%A9as-Carneiro-ebook/dp/B08XPV3C7D/ref=sr_1_4?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=13FA9OQU1A57X&dchild=1&keywords=eneas+carneiro&qid=1622140823&s=digital-text&sprefix=eneas+carneiro%2Cdigital-text%2C312&sr=1-4 https://www.amazon.com.br/Grande-Projeto-Nacional-En%C3%A9as-Carneiro-ebook/dp/B091KLLG1D/ref=sr_1_3?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=13FA9OQU1A57X&dchild=1&keywords=eneas+carneiro&qid=1622140823&s=digital-text&sprefix=eneas+carneiro%2Cdigital-text%2C312&sr=1-3 https://www.amazon.com.br/Manifestos-En%C3%A9as-Carneiro-ebook/dp/B091M8FZGN/ref=sr_1_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=13FA9OQU1A57X&dchild=1&keywords=eneas+carneiro&qid=1622140823&s=digital-text&sprefix=eneas+carneiro%2Cdigital-text%2C312&sr=1-2https://www.amazon.com.br/dp/B09DFBLFY1/ref=sr_1_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=farias+brito&qid=1629844497&sr=8-2 https://www.amazon.com.br/Nova-Atl%C3%A2ntida-Francis-Bacon-ebook/dp/B09B17XWFS/ref=sr_1_4?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=aguia+do+sul&qid=1627433675&sr=8-4 https://www.amazon.com.br/Lutando-Espanha-Fatos-ver%C3%ADdicos-Arthur-ebook/dp/B08WJKLRBG/ref=sr_1_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=lutando+na+espanha&qid=1622140867&s=digital-text&sr=1-2 https://www.amazon.com.br/Gustavo-Barroso-Hist%C3%B3ria-Secreta-Brasil-ebook/dp/B08Q4HQ2DV/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=gustavo+barroso&qid=1622141163&s=digital-text&sr=1-1 II, * III, * IV, * V, * VI * A História Secreta do Brasil (Volume Único) * Caxias * Brasil: Colônia de Banqueiros * Livro dos Milagres * Aquém da Atlântida * J. C. Fairbanks: Refutação Científica ao Comunismo * José da Gama e Castro: O Novo Príncipe * Joseph de Maistre: Considerações Sobre a França * Joseph François Michaud: História das Cruzadas; Volume I, * II, * III, * IV, * V, * VI, * VII * Maurice Pinay: Complô contra a Igreja (tomo I) * II * III * IV * https://www.amazon.com.br/Hist%C3%B3ria-Secreta-do-Brasil-II-ebook/dp/B08QR7LVNR/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=gustavo+barroso+II&qid=1622141218&s=digital-text&sr=1-1 https://www.amazon.com.br/Hist%C3%B3ria-Secreta-do-Brasil-III-ebook/dp/B08R666K1F/ref=pd_sim_2/144-0095117-8736569?pd_rd_w=HbPdO&pf_rd_p=2c863ec4-9991-45d8-bae9-78a30120a86a&pf_rd_r=QX1HNDW2HA053DZ6130P&pd_rd_r=f73c7a1a-3726-4d2a-a50f-01002c4edcc4&pd_rd_wg=UmGrR&pd_rd_i=B08R666K1F&psc=1 https://www.amazon.com.br/Gustavo-Barroso-Hist%C3%B3ria-Secreta-Brasil-ebook/dp/B08TWY645B/ref=pd_sim_3/144-0095117-8736569?pd_rd_w=757pk&pf_rd_p=2c863ec4-9991-45d8-bae9-78a30120a86a&pf_rd_r=9844514HFC7HWZDSX4KR&pd_rd_r=339e3ac8-39ba-4935-b34f-e46a44f4f043&pd_rd_wg=XHOaD&pd_rd_i=B08TWY645B&psc=1 https://www.amazon.com.br/Hist%C3%B3ria-Secreta-do-Brasil-V-ebook/dp/B093TB9D7M/ref=sr_1_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=gustavo+barroso&qid=1622141163&s=digital-text&sr=1-2 https://www.amazon.com.br/dp/B0982QL91T/ref=sr_1_6?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=%C3%81guia+do+Sul&qid=1624901551&sr=8-6 https://www.amazon.com.br/dp/B09GJX43SW/ref=sr_1_11?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=historia+secreta+gustavo+barroso&qid=1631877246&sr=8-11 https://www.amazon.com.br/Gustavo-Barroso-%C3%81guia-do-Sul-ebook/dp/B08Q5YWJYK/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=gustavo+barroso+CAXIAS&qid=1622141398&s=digital-text&sr=1-1 https://www.amazon.com.br/Gustavo-Barroso-Brasil-Col%C3%B4nia-Banqueiros-ebook/dp/B08Q4KXM52/ref=sr_1_4?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=gustavo+barroso&qid=1622141191&s=digital-text&sr=1-4 https://www.amazon.com.br/Livro-dos-Milagres-Gustavo-Barroso-ebook/dp/B0976GD343/ref=sr_1_50?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=%C3%81guia+do+Sul&qid=1624901693&sr=8-50 https://www.amazon.com.br/Refuta%C3%A7%C3%A3o-Cient%C3%ADfica-ao-Comunismo-Fairbanks-ebook/dp/B097QD7C5F/ref=sr_1_8?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=%C3%81guia+do+Sul&qid=1624901551&sr=8-8 https://www.amazon.com.br/Novo-Pr%C3%ADncipe-Espirito-Governos-Mon%C3%A1rquicos-ebook/dp/B08TCBXY6L/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=jose+gama+de+castro&qid=1623122451&s=books&sr=1-1 https://www.amazon.com.br/Hist%C3%B3ria-Cruzadas-Joseph-Fran%C3%A7ois-Michauld-ebook/dp/B08TMYTC6P/ref=sr_1_9?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=Joseph+Fran%C3%A7ois+Michaud%3A&qid=1622141645&s=digital-text&sr=1-9 https://www.amazon.com.br/Hist%C3%B3ria-Cruzadas-Joseph-Fran%C3%A7ois-Michauld-ebook/dp/B091FX6VWG/ref=sr_1_11?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=Joseph+Fran%C3%A7ois+Michaud%3A&qid=1622141645&s=digital-text&sr=1-11 https://www.amazon.com.br/dp/B09FJ1PDZ5/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=complo+contra+igreja&qid=1630891360&s=digital-text&sr=1-1 Complô contra a Igreja (volume completo) * Mons. Henri Delassus: A Conjuração Anticristã: Volume Único * O Espírito Familiar * Orlando Fedeli: Orlando Fedeli: Um Cavaleiro da Santa Igreja; Volume I * II * Plínio Salgado: O que é o Integralismo? * O Conceito Cristão de Democracia * Doutrina e Práticas Comunistas * Vida de Jesus: Volume I, * II * III * Vida de Jesus (volume único) * Como Nasceram as Cidades Brasileiras * São Judas Tadeu e São Simão Canaanita * Padre Mark Tennien: Os Mistérios da China Comunista * Padre Emílio Silva: Pena de Morte Já! * Príncipe Félix Yussupov: Como Matei Rasputin * René Guénon: O Rei do Mundo * Os Estados Múltiplos do Ser * Crise do Mundo Moderno * Erro Espírita * Coletânea René Guénon * O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos * https://www.amazon.com.br/Conjura%C3%A7%C3%A3o-Anticrist%C3%A3-%C3%BAnico-Mons-Delassus-ebook/dp/B093G3FFG7/ref=sr_1_4?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=Henri+delassus&qid=1622141776&s=digital-text&sr=1-4 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Sheen (1895 – 1979) foi um bispo norte-americano (mais tarde arcebispo) da Igreja Católica conhecido por sua pregação e, especialmente, por seu trabalho na televisão e no rádio. Sheen foi um teólogo renomado, ganhando o Prêmio Cardeal Mercier de Filosofia Internacional em 1923. Ele passou a lecionar teologia e filosofia na Universidade Católica da América, bem como atuou como pároco antes de ser nomeado Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Nova York, em 1951. Por 20 anos como Padre Sheen, mais tarde Monsenhor, ele apresentou o programa de rádio noturno The Catholic Hour na NBC (1930–1950), depois o programa de Tv: Life Is Worth Living (1952– 1957), e, The Fulton Sheen (1961–1968). Por esse trabalho, Sheen ganhou duas vezes o prêmio Emmy de Personalidade Mais Notável da Televisão e foi capa da revista Time. Devido à sua contribuição para a pregação na televisão, Sheen é frequentemente referido como um dos primeiros televangelistas. A causa de sua canonização foi oficialmente aberta em 2002. Em junho de 2012, o Papa Bento XVI reconheceu oficialmente um decreto da Congregação para as Causas dos Santos afirmando que ele vivia uma vida de "virtudes heroicas" – um passo importante para a beatificação – e agora é referido como "Venerável". Em 5 de julho de 2019, o Papa Francisco aprovou um milagre ocorrido por intercessão do Arcebispo Sheen, abrindo caminho para sua beatificação. Comentário sobre Mons. Fulton J. Sheen: Poucos homens da história recente da Igreja exerceram tamanha influência espiritual sobre as almas quanto o bispo norte-americano Fulton Sheen. Autor de inúmeros livros e pioneiro na evangelização pela TV, as suas aulas e pregações mudaram a vida de milhões de pessoas em todo o mundo. O que fez esse homem de Deus tão especial, além de seu intelecto afiado e de sua profunda humildade, foi a oração. Ele geralmente dizia que o segredo para o seu grande sucesso em ganhar almas para Cristo era que, todos os dias de sua vida, ele separava uma hora de adoração diante do Santíssimo Sacramento – a "Hora Santa". “Ficar com Jesus no Santíssimo Sacramento hoje é o mesmo que permanecer com Ele diante da Cruz.” Fulton Sheen chamava esse momento que tinha com Deus de "hora do poder" e o propósito de todas as suas conversas era sempre inspirar a todos, padres e leigos, a fazer uma Hora Santa diária diante de Jesus Sacramentado. Ele citava Jesus no Evangelho, dizendo que quem quer que permanecesse em uma hora de união com Ele, presente no Santíssimo Sacramento, "daria muito fruto" ( Jo, 15, 5). Ele mesmo experimentou esses frutos em sua vida apostólica. Quando pregava, todos o escutavam, mesmo quem não era católico. Sua mensagem era ao mesmo tempo cativante e transcendente. Alguns meses antes de sua morte, ele foi entrevistado em cadeia nacional de televisão. Uma das questões que lhe fizeram foi: "Vossa Excelência tem inspirado milhões de pessoas em todo o mundo. E o senhor? Quem o inspirou? Foi talvez um Papa?" Surpreendemente, Fulton Sheen respondeu que quem o tinha inspirado não foi nem um Papa, nem um cardeal, nem outro bispo, nem mesmo um padre ou uma religiosa, mas uma garotinha chinesa, de nove anos de idade. Ele explicou que, quando os comunistas tomaram o controle da China, um sacerdote foi encarcerado em sua própria casa paroquial, próxima à igreja. Trancado, o padre se horrorizou ao olhar para o lado de fora da janela e ver os comunistas se aproximando da igreja, entrando no santuário e violando o sacrário. Em um ato de abominável profanação, eles pegaram o cibório e lançaram-no ao chão, espalhando no chão todas as Hóstias Consagradas que estavam dentro. O padre sabia exatamente quantas espécies havia no cibório: trinta e duas. Quando os comunistas saíram, eles não perceberam (ou não prestaram atenção) que uma menininha rezava na parte de trás do templo, depois de ter presenciado tudo. Naquela mesma noite, ela voltou. Sem que os guardas na casa paroquial a notassem, ela entrou na igreja. Ali, fez uma hora santa de oração e um ato de amor em reparação por aquele sacrilégio. Depois, entrou no santuário, ajoelhou-se, inclinou a cabeça e, com a língua, recebeu Jesus na Sagrada Comunhão. Não era permitido aos leigos, à época, tocar a Hóstia Consagrada com as mãos. A garotinha continuou voltando todas as noites para fazer sua hora santa e receber Jesus na Sagrada Comunhão, diretamente na língua. Na trigésima segunda noite, depois de consumir a última hóstia, ela acidentalmente fez um barulho e acordou o guarda que estava dormindo. Ele correu atrás dela, capturou-a e bateu nela até a morte com a coronha do seu rifle. Esse ato heroico de martírio foi presenciado pelo sacerdote, que assistiu a tudo, aflito, da janela de seu quarto. Quando Sheen ouviu essa história, ele ficou tão impressionado que prometeu a Deus fazer uma hora santa de oração diante de Jesus no Santíssimo Sacramento todos os dias de sua vida. Se aquela pequena criança chinesa tinha arriscado a sua vida para expressar o seu amor por Jesus Eucarístico, com uma hora santa e uma Comunhão, então, o bispo pensou que aquilo era o mínimo que ele poderia fazer. Se aquela frágil menina tinha dado um testemunho tão maravilhoso da presença real de nosso Salvador no Santíssimo Sacramento, o bispo sentiu-se praticamente obrigado a imitá-la. Se você não sabe quem é Fulton Sheen, assista à seguinte pregação deste bispo e evangelizador norte-americano sobre o significado da Santa Missa: A partir de então, Fulton Sheen começou a falar publicamente sobre o amor de Deus no Santíssimo Sacramento. Seu único desejo era trazer o mundo ao Coração ardente de Jesus no sacramento da Eucaristia. Agarotinha havia-lhe mostrado o que realmente significavam zelo e coragem, como a fé podia superar todo medo, como o verdadeiro amor por Jesus Eucarístico deve transcender a própria vida. O que aquela mártir anônima fez é uma versão moderna do que fez a bem-aventurada Virgem Maria, quando permaneceu com o seu amado Filho aos pés da Cruz. Ficar com Jesus no Santíssimo Sacramento hoje é o mesmo que permanecer com Ele diante da Cruz. No Calvário, Ele foi abandonado, até por Seus amigos, os Seus próprios discípulos fugiram de medo. Só a Sua mãe, o discípulo amado e Maria Madalena testemunharam a sua fé e o seu amor. Hoje, Nossa Senhora está chamando todos os seus filhos que lhe são consagrados ao mesmo testemunho de fé e de fervorosa caridade. O seu desejo é que todos venham adorar o seu Filho, presente no Santíssimo Sacramento do altar. A Beata Madre Teresa de Calcutá dizia que a adoração perpétua é o que vai renovar a Igreja e salvar o mundo. Quando fazemos aqui o que é feito no Céu, adorando a Deus perpetuamente, então acontecem novos céus e nova terra (cf. Ap 21, 1). Jesus foi zombado e crucificado por dizer que era Rei. Quando sua Esposa, a Igreja, finalmente proclama Seu reinado e presta-Lhe a honra que Ele merece por meio da adoração perpétua, então Ele vem e estabelece o Seu Reino no mundo. O homem está para além de uma solução humana. O que ele precisa é de uma intervenção divina. Abram-se, pois, os nossos olhos e dobrem-se os nossos joelhos diante de tão grande mistério: Deus, que desce todos os dias aos altares, no Santíssimo Sacramento; Deus, que se faz "prisioneiro de nosso amor", em todos os sacrários do mundo inteiro; Deus, que quer Se doar às nossas almas, na Sagrada Comunhão. Não resistamos mais ao Seu amor! "Vinde, adoremos", depressa, o Tão Sublime Sacramento! PADRE PAULO RICARDO Previsão de Fulton J. Sheen sobre o futuro da Cristandade (Artigo do site Católico: Acidigital) Em um discurso há 72 anos, o Arcebispo norte-americano Fulton Sheen, que em breve será beatificado pelo Vaticano, profetizou muitos dos problemas vividos pelo mundo pós-moderno como o mal do aborto ou a ruptura da instituição familiar. "Estamos no fim da cristandade", disse o Arcebispo Fulton Sheen durante uma transmissão de rádio em 26 de janeiro de 1947; depois, esclareceu que não estava se referindo ao cristianismo ou à Igreja, mas à cristandade como "uma vida econômica, política e social inspirada por princípios cristãos". "Isso está terminando, nós o temos visto morrer. Veja os sintomas: a ruptura da família, o divórcio, o aborto, a imoralidade, a desonestidade geral", disse o Prelado. Naquele momento, perguntou-se: "Por que tão poucos percebem a gravidade de nossa atual crise?". E respondeu: "Em parte porque os homens não querem acreditar que seus próprios tempos são ruins, em parte porque envolve demasiada autoacusação e, principalmente, porque não têm padrões fora de si mesmos para avaliar seu tempo". "Somente aqueles que vivem pela fé sabem realmente o que está acontecendo no mundo. As grandes massas sem fé estão inconscientes dos processos destrutivos que ocorrem", afirmou. O Arcebispo Sheen se perguntou se o mundo é consciente dos sinais dos tempos, porque "os dogmas básicos do mundo moderno se dissolveram diante de nossos olhos". Assegurou que estes foram substituídos por suposições que vêm da mente do homem. Em primeiro lugar, que "não há outra função na vida que a de produzir e adquirir riqueza". Segundo, "a ideia de que o homem é naturalmente bom e não precisa de um Deus que lhe dê direitos, ou de um Redentor que o salve da culpa, porque o progresso é automático graças à educação e à evolução da ciência, que algum dia fará do homem uma espécie de deus". Finalmente, outra suposição abrange a ideia de que a "razão" não é feita para "descobrir o significado e propósito da vida, ou seja, a salvação da alma, mas simplesmente planejar novos avanços técnicos". "A tecnologia não está avançando a um ritmo vertiginoso, exigindo a obediência de grande parte da população?", perguntou- se o Arcebispo Sheen. Em seguida, o Arcebispo disse que o futuro terá dois tipos de pessoas: aquelas seguidoras do Deus que se fez homem e outros homens que "se fazem deus". Mesmo naquela época de 1947, o Arcebispo Sheen criticou "a mediocridade e o compromisso que caracterizam as vidas de muitos cristãos". "Muitos leem os mesmos romances que os pagãos modernos, educam seus filhos da mesma forma ímpia, escutam os mesmos comentaristas que não têm outra norma a não ser julgar hoje por ontem e amanhã por hoje, permitem que práticas pagãs, como divórcio e novos casamentos sejam introduzidos na família; não faltam os chamados líderes operários católicos que recomendam comunistas para o Congresso ou escritores católicos que aceitam as presidências nas organizações da frente comunista para inculcar ideias totalitárias nos filmes", criticou. Também reconheceu que "não há mais conflito e a oposição que supostamente deve caracterizar" os católicos, os quais estão "influenciando no mundo menos do que o mundo os influencia". Em outro momento, o Arcebispo Sheen fez uma descrição dos cristãos atuais, ou seja, pessoas que defendem a fé, a vida e o matrimônio. "O mal deve vir para nos rejeitar, desprezar, para nos odiar, para nos perseguir, e depois definiremos nossas lealdades, afirmaremos nossas alianças e afirmaremos de que lado estamos. Como se manifestarão as árvores fortes e fracas se o vento não soprar? Nossa quantidade diminuirá, mas nossa qualidade aumentará. Então, serão verificadas as palavras do Nosso Mestre: Aquele que não se reúne comigo, se dispersa”, indicou. Como os profetas de antigamente, o Arcebispo Sheen permaneceu firme na esperança, dando recomendações práticas que hoje são tão atuais quanto eram em 1947. Primeiro, que os cristãos "devem perceber que um momento de crise não é um momento de desespero, mas de oportunidades" e "quanto mais pudermos antecipar o destino, mais poderemos evitá- lo". O Arcebispo Sheen também ofereceu este grande alento cheio de esperança: "Uma das surpresas do céu será ver quantos santos foram feitos em meio ao caos, à guerra e à revolução". Sheen exortou todas as pessoas a rezarem: "As forças do mal estão unidas; as forças do bem estão divididas. É possível que não possamos nos reunir no mesmo banco, mas podemos nos encontrar de joelhos”. Em outro momento, afirmou que "o problema mais importante no mundo de hoje é a sua alma, porque é disso que se trata a luta". Finalmente, pediu para buscar os sacramentos, rezar o Terço em família, participar da Hora Santa e invocar a proteção de São Miguel Arcanjo. * * * * * * * Mons. Fulton J. Sheen COMUNISMO: ÓPIO DO POVO * * * * * * * INTRODUÇÃO O Comunismo é essencialmente antirreligioso. Depois da revolução de outubro de 1917, foi gravada nas paredes do antigo Paço Municipal de Moscou, defronte da igreja da famosa imagem da Virgem Ibéria (do Cáucaso), esta inscrição: “A Religião é o Ópio do Povo”. Esta inscrição foi tirada de um dos escritos de Karl Marx intitulado: Critica da Filosofia-do-Direito de Hegel. Já em 1844 Marx dissera: “A crítica da religião é o começo de toda crítica”. A orientação antirreligiosa do Comunismo subsistiu até o presente. O sexto Congresso Mundial, levado a efeito em 1928, estabeleceu o programa do Partido Comunista em relação à religião: “A luta contra a religião, o ópio do povo, ocupa importante posição entre as tarefas da revolução cultural. Esta luta deve ser levada avante persistente e sistematicamente”. Mais tarde, na segunda conferência do Instituto Antirreligioso, realizada em Moscou a 15 de junho de 1934, o Bezbojnik, jornal anti-Deus, declarou que “a educação comunista da criança requer explicitamente a educação antirreligiosa”. Em maio de 1935, recordando o efeito do programa antirreligioso dos comunistas, ele declarava: “Fechamos todas as casas de ópio”. Isto era o cumprimento da política de Marx tanto como da deLenin, que, a 16 de dezembro de 1905, escrevera: “O nosso programa comunista inclui a propaganda do ateísmo” (Novoya Zhizn, N. 28). A RELIGIÃO É O ÓPIO DO POVO? Não se faz mister insistir no caráter ateísta do Comunismo, porque ele é suficientemente conhecido tanto na teoria como na prática. Antes de tentar qualquer crítica da sua política, seria bom inquirir precisamente as razões que os comunistas alegam em abono da sua afirmação de que a religião é o ópio do povo. Os comunistas não fizeram essa asserção sem alguma base, porquanto, como Lenin escreveu: "Devemos explicar de um ponto de vista materialista a razão pela qual a fé e a religião prevalecem no meio das massas” (Proletarii, N. 45; 26 e 13 maio de 1909). Resta, portanto, investigar lhes as alegadas razões. A Argumentação Comunista Procurando através da sua literatura de caráter oficial, encontramos que os comunistas invocam três razões em abono da sua afirmação de que a religião é o ópio do povo: 1) A religião ensina aos ricos os seus direitos, e portanto ajuda os ricos na sua exploração dos pobres; 2) A religião ensina aos pobres os seus deveres para com os ricos, e destarte ajuda a exploração dos pobres pelos ricos; 3) A religião, pela sua própria natureza, é passiva, e mata toda atividade por meio da qual o homem possa melhorar a sua condição económica. I. “Religião, patrocinando a causa dos ricos”. Lenin desenvolve o primeiro argumento, de que a religião é o ópio do povo porque proclama os direitos dos capitalistas e dos ricos. Desenvolve-o assim: “A religião é uma espécie de tóxico espiritual, no qual os escravos do capital afogam a sua humanidade e embotam o seu desejo de uma existência humana decente” (Novoya Zhizn, N. 28). Acrescenta, mesmo, que a religião incentiva a caridade como uma espécie de escusa para a injustiça. “Porque aos que vivem do trabalho dos outros, a religião ensina a serem caridosos, arranjando assim uma justificação para a exploração, e como se fosse um bilhete barato para o céu” (Ibid.). Houharin, na obra oficial do Comunismo intitulada “O ABC do Comunismo”, desenvolve a mesma ideia: “A religião foi no passado, e ainda é hoje, um dos meios mais poderosos à disposição dos opressores para a mantença da desigualdade, exploração e servil obediência por parte dos trabalhadores” (p. 247). II. “Religião, sedativo dos pobres”. Os comunistas alegam que a religião é o ópio do povo porque ensina aos pobres os seus deveres para com os ricos, e lhes promete uma outra vida ao invés de melhorar a presente. Lenin escreveu: “A fé ortodoxa é cara a eles porque lhes ensina a suportarem os infortúnios “sem queixa". Que fé proveitosa não é essa, realmente — para as classes governamentais! Numa sociedade organizada de tal modo que uma insignificante minoria desfruta a riqueza e o poder, ao passo que as massas constantemente sofrem privação e severas obrigações, inteiramente natural é simpatizarem com os exploradores, com essa religião que nos ensina a suportar “sem queixa” as dores do inferno na terra, na esperança de um prometido paraíso no céu” (Iskra, N. 16, 14 de fevereiro de 1902). E novamente: “A religião ensina aqueles que labutam na pobreza toda a sua vida a serem resignados e pacientes neste mundo, e consola-os com a esperança de uma recompensa no céu... O desamparo de todos os explorados na sua luta contra os exploradores gera inevitavelmente a crença numa vida melhor após a morte, tal como o desamparo do selvagem nas suas lutas com a natureza dá nascimento a uma crença em deuses, demónios e milagres” (Novoya Zhizn, N. 28, 16 de dezembro de 1905). III. “Religião, entorpecente da humanidade”. O terceiro argumento oferecido pelos comunistas em abono da sua afirmação de que a religião é o ópio do povo é o de que, pela sua própria natureza, a religião torna o homem passivo. Pregando constantemente a resignação à própria sorte e a resignação à vontade de Deus, ela adormenta o homem ativo e torna-o descuidado no tocante à sua condição económica. Por exemplo, na sua obra “O ABC do Comunismo”, N. Houharin declara que “há um conflito irreconciliável entre os princípios do Comunismo e os mandamentos da religião”. E, como uma evidência do caráter passivo da religião, cita ele o código cristão: “Quem quer que te ferir na face direita, oferece-lhe também a outra”. E então acrescenta: “Todo aquele que, embora chamando-se comunista, continua a aderir à sua fé religiosa, quem quer que em nome dos mandamentos religiosos infringe as prescrições do Partido, por isso mesmo cessa de ser comunista. É proveitoso para a classe rapinante manter a ignorância do povo e manter a crença infantil do povo em milagres (a chave do enigma fica realmente no bolso dos exploradores), e é por isto que os preconceitos religiosos são tão tenazes; é por isto que eles confundem as mentes mesmo de pessoas que, a outros respeitos, são capazes” (p. 248). Uma distinção a fazer. Tal é a atitude oficial do Comunismo para com a religião, apresentada nas palavras dos seus melhores expoentes. Resta agora julgar-lhes as razões calma e desapaixonadamente. Antes de iniciarmos uma apreciação crítica desses argumentos, uma reflexão geral deve ser feita, a saber: devemos distinguir cuidadosamente entre o que a religião é naqueles que se professam religiosos, e o que a religião é na sua natureza e no seu programa. No tocante aos que se professam religiosos, deve-se admitir que há alguns exemplos em que a religião foi usada como ópio do povo. Não há dúvida de que às vezes indivíduos inescrupulosos têm usado a religião como um instrumento de exploração e domínio. Pedro, o Grande, na Rússia, Napoleão na França, e mesmo o último. Czar, oferecem exemplos clássicos de semelhante abuso da religião. Um professor da Universidade de Yale, falando do declínio da Cristandade não-católica, atribui isso principalmente à identificação que alguns pregadores têm feito entre religião e uma ordem social decadente que às vezes tem sido fé de exploração. No tocante a esses indivíduos que têm usado para fins baixos a instituição social da religião, compartilhamos a indignação de Lenin. Porém o que ele e seus companheiros comunistas esquecem é que essas são exceções, e não estão no espírito nem no programa da religião. Nunca poderíamos admitir que a religião que Nosso Senhor fundou tenha favorecido o rico contra o pobre. As palavras de advertência do Mestre ainda nos soam aos ouvidos: “Bem-aventurados os pobres em espírito... Ai de vós que sois ricos... Já tendes a vossa recompensa... As raposas têm tocas, as aves do ar têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde pousar a cabeça”. A História inscreveu-o nos seus registos como o Pobre universal, o qual, no seu nascimento, teve de se contentar com um abrigo que não lhe pertencia, e, na sua morte, com um túmulo alheio. A história da religião que Ele fundou é a história de uma Igreja que por dezenove séculos tem cuidado dos pobres e dos fracos e dos enfermos em hospitais e orfanatos e escolas e instituições de caridade, e isso por nenhuma outra razão senão a de que ela vê a Cristo no pobre. Atitude muito infantil, revelando falta de raciocínio crítico da parte dos comunistas, é arguirem eles que, pelo fato de alguns poucos haverem prostituído a santidade da religião, por isto a religião é vil. O fato de haver algumas moedas falsas no mundo não é razão para se abolir o dinheiro; o fato de haver alguns indivíduos que praticam bandalheiras não é razão para se suprimir o governo; o fato de alguns automobilistas serem negligentes não é razão para que se destruam os automóveis; e o fato de haver alguns que traem o Cristianismo não é razão para se destruir o Cristianismo. Refutação dos Argumentos Comunistas Resta agora discutir por miúdo os três argumentos dos comunistas. I. A Religião e os ricos. Primeiramente, será verdade que a religião é o ópio do povo pelo fato de ensinar aos ricos os seus direitos? Desafiamosos comunistas a apontarem, em toda a história da Igreja, uma única passagem oficial em que ela use a religião como ópio do povo. Karl Marx nos seus melhores momentos e Lenin nos seus mais amargos, nunca protestaram com tanta justiça e com tanta delicadeza e exatidão contra a exploração dos pobres pelos ricos, como o fizeram Leão XIII e Pio XI. Será que esta advertência de Leão XIII, por exemplo, soa como se ele estivesse defendendo os direitos do rico? “Os ricos e os patrões devem lembrar-se de que explorar a pobreza e a miséria e especular com a indigência, são coisas igualmente reprováveis pelas leis divinas e humanas” (Rerum Novarum, Ed. Vozes, n. 32). E Pio XI, com maior ênfase, condena os ricos que são réus de exploração e de domínio: “É coisa manifesta que em nossos tempos não só se amontoam riquezas, mas se acumula um poder imenso e um verdadeiro despotismo económico nas mãos de poucos, que as mais das vezes não são senhores, mas simples depositários e administradores de capitais alheios, com que negociam a seu talante. Este despotismo torna-se intolerável naqueles que, tendo nas suas mãos o dinheiro, são também senhores absolutos do crédito e por isso dispõem do sangue de que vive toda a economia, e de tal maneira a manejam, que ninguém pode respirar sem sua licença. Este acumular de poderio e recursos, nota característica da economia atual, é consequência lógica da concorrência desenfreada, à qual só podem sobreviver ordinariamente os mais fortes, isto é, os mais violentos competidores e que menos sofrem de escrúpulos de consciência. Por outra parte, este mesmo acumular de poderio gera três espécies de lutas pelo predomínio: primeiro luta-se por alcançar o predomínio económico; depois combate-se renhidamente por obter o predomínio no governo da nação, a fim de poder abusar do seu nome, forças e autoridade nas lutas económicas; enfim, lutam os Estados entre si, empregando cada um deles a força e influência política para promover as vantagens económicas dos seus cidadãos, ou ao contrário empregando as forças e predomínio económico para resolver as questões políticas que surgem entre as nações” (Quadragésimo Anno, Ed. Vozes, n. 105-108). Nessa mesma Encíclica o Santo Padre parece insinuar que, a menos que os ricos ponham a sua casa em ordem, devem estar preparados para a subversão da sociedade que o Comunismo fará cair sobre eles: “Digna de censura é a inércia daqueles que não tratam de suprimir ou mudar um estado de coisas que, exasperando os ânimos, abre caminho à subversão e ruína completa da sociedade” (Quadragésimo Anno, Ed. Vozes, n. 112). Não há aqui, da parte da Igreja, apelo em favor disso a que chamamos liberdade económica de amontoar riqueza sem consideração com a justiça social; Leão XIII também já condenara esse erro do Liberalismo. As Encíclicas indicam muito bem que a riqueza protege aqueles que a possuem, e não os que não a possuem; que a iniciativa abre novos horizontes para àqueles que podem conseguir a independência, mas não para aqueles que são escravos de salários semanais. Mas, pelo fato de haver a riqueza muitas vezes redundado em exploração, a solução das Encíclicas não é a dos comunistas, que quereriam destituir os homens da sua propriedade. O Santo Padre sustenta que a solução dos nossos males não está na destituição, porém na distribuição; se há ratos no celeiro, não é isto razão para que se toque fogo ao celeiro; é razão somente para que se enxotem os ratos. Nem é verdade, como Lenin insinuou, que a Igreja pede aos ricos serem caridosos com o fim de cobrirem as suas injustiças, dando-lhes assim um bilhete fácil para o céu. Como Pio XI afirma: "As riquezas terrenas não são garantia daquela bem- aventurança que nunca findará, antes pelo contrário, porquanto os ricos deveriam tremer ante a ameaça de Jesus Cristo — ameaça tão estranha na boca de Nosso Senhor, — de que muito estrita conta deve ser dada ao Supremo Juiz por tudo quanto possuímos”. E se isto ainda não é bastante forte, então ouçamos as palavras de Pio XI sobre a caridade em relação com a justiça: "Com tal estado de coisas (divisão da sociedade em duas classes) facilmente se resignavam os que, nadando em riquezas, o supunham efeito inevitável das leis económicas, e por isso queriam que se deixasse à caridade o cuidado de socorrer os miseráveis; como se a caridade houvesse de cobrir estas violações da justiça, que os legisladores toleravam e, por vezes, sancionavam” (Quadragésimo Anno, Ed. Vozes, n. 4). Em face destas afirmações oficiais da Igreja, semelhante às quais nem uma simples página existe em toda a literatura comunista, imediatamente evidente deveria ser que a religião não é o ópio do povo pelo fato de ensinar aos ricos os seus direitos. Estas passagens do Santo Padre acentuam, antes, os deveres dos ricos, e para um comunista é muito inconveniente acusar a Igreja de se aliar somente com os ricos, quando às almas a ela consagradas ela pede fazerem voto de pobreza. Não podemos colher uvas de abrolhos; como então poderia a Igreja colher da sua vinha o Pobrezinho de Assis, se plantasse somente o amor dos ricos? II. A Religião, defensora dos pobres. A Igreja nunca foi unilateral a ponto de ensinar aos pobres somente os seus deveres. Os comunistas não podem apontar uma simples linha, em toda a história da Igreja, na qual ela tenha pedido aos pobres se submeterem à exploração. Pelo contrário, a Igreja ensina que o Estado tem deveres para com os pobres. Leão XIII diz: “Assim como o Estado pode tornar-se útil às outras classes, assim também pode melhorar muitíssimo a sorte da classe operária; ... e quanto mais se multiplicarem as vantagens desta ação de ordem geral, tanto menos necessidade haverá de recorrer a outros expedientes para remediar a condição dos trabalhadores” (Rerum Novarum, Ed. Vozes, n. 48). Não é apenas uma questão de caridade para com o pobre; é, antes, uma questão de verdadeira justiça, e uma questão que reclama aplicação estrita, se não por outra razão, ao menos pelo fato de serem os pobres a maioria. “Os pobres, com o mesmo título que os ricos, são, por direito natural, cidadãos; isto é, do número das partes vivas de que se compõe, por intermédio das famílias, o corpo inteiro da nação, para não dizer que em todas as cidades são o grande número. Como, pois, seria desrazoável prover a uma classe de cidadãos e negligenciar outra, torna-se evidente que a autoridade pública deve também tomar as medidas necessárias para salvaguardar a salvação e os interesses da classe operária. Se ela faltar a isto, viola a estrita justiça que quer que a cada um seja dado o que lhe é devido. A esse respeito São Tomás diz muito sabiamente: "Assim como a parte e o todo são em certo modo uma mesma coisa, assim o que pertence ao todo pertence de alguma sorte a cada parte” (II-II, q. 61, a. 1, 2). É por isso que, entre os graves e numerosos deveres dos governantes que querem prover, como convém, ao bem público, o principal dever, que domina todos os outros, consiste em cuidar igualmente de todas as classes de cidadãos, observando rigorosamente as leis da justiça, chamada distributiva” (Rerum Novarum, Ed. Vozes, n. 49). Se houver possibilidade de escolha, devem os pobres ser favorecidos de preferência aos ricos: "Na proteção dos direitos particulares, o Estado deve preocupar- se, de maneira especial, dos fracos e dos indigentes. A classe rica faz das suas riquezas uma espécie de baluarte e tem menos necessidade da tutela pública. A classe indigente, ao contrário, sem riquezas que a ponham a coberto das injustiças, conta principalmente com a proteção do Estado. Que o Estado se faça, pois, sob um particularíssimo título, a providência dos trabalhadores, que em geral pertencem à classe pobre” (Rerum Novarum, Ed. Vozes, n. 54). É precisamente contra a exploração dos pobres que o Pontífice protesta, e em particular contra essa exploração que o Comunismo pratica, a saber, o trato dos homens como outros tantos estômagos a fazerem dinheiropara o Estado. "No que diz respeito aos bens naturais e exteriores, primeiro que tudo é um dever da autoridade pública subtrair o pobre operário à desumanidade de ávidos especuladores, que abusam, sem nenhuma discrição, das pessoas como das coisas” (Rerum Novarum, Ed. Vozes, n9 59). Nem é verdade, como diz Lenin, que a Igreja não faz outra coisa senão ensinar "aqueles que labutam na pobreza a vida toda a serem resignados e pacientes neste mundo, e consolá-los com uma recompensa no céu”. A verdade é o contrário: "Nem se pense que a Igreja se deixa absorver de tal modo pelo cuidado das almas, que põe de parte o que se relaciona com a vida terrestre e mortal. Pelo que em particular diz respeito à classe dos trabalhadores, ela faz todos os esforços para os arrancar à miséria e procurar-lhes uma sorte melhor. E, certamente, não é um fraco apoio que ela dá a esta obra só pelo fato de trabalhar, por palavras e atos, para reconduzir os homens à virtude. Os costumes cristãos, desde que entram em ação, exercem naturalmente sobre a prosperidade temporal a sua parte de benéfica influência; porque eles atraem o favor de Deus, principio e fonte de todo o bem; comprimem o desejo excessivo das riquezas e a sede dos prazeres, esses dois flagelos que frequentes vezes lançam a amargura e o desgosto no seio mesmo da opulência (I Tim 6,10); contentam-se enfim com uma vida e alimentação frugal, e suprem pela economia a modicidade do rendimento, longe desses vícios que consomem não só as pequenas, mas as grandes fortunas, e dissipam os maiores patrimónios” (Rerum Novarum, Ed. Vozes, n. 42). Para que não fosse deixado vago o interesse pela prosperidade terrena do homem, Pio XI adita à concreta sugestão de Leão XIII uma recomendação que é o contrário do Comunismo, como seja — ajudar os trabalhadores a possuírem a propriedade. Não arrancá-la e tornar milionários os "leaders” do Partido Comunista; porém dá-la aos pobres como posse deles: “É, pois, necessário empregar energicamente todos os esforços, para que, ao menos de futuro, as riquezas granjeadas se acumulem em justa proporção nas mãos dos ricos, e, com suficiente largueza, se distribuam pelos operários; não para que estes se deem ao ócio, — já que o homem nasceu para trabalhar como a ave para voar, — mas para que, vivendo com parcimónia, aumentem os seus haveres, aumentados e bem administrados provejam aos encargos da família; e, livres assim de uma condição precária e incerta qual é a dos proletários, não só possam fazer frente a todas as eventualidades durante a vida, mas deixem ainda por morte alguma coisa aos que lhes sobrevivem” (Quadragésimo Anno, Ed. Vozes, n. 61). III. A Religião, estimuladora das atividades humanas. Consideremos agora o argumento dos comunistas de que a religião torna o homem passivo. a) Provavelmente, não haverá maior perversão da verdade do que esta afirmação do Comunismo. O contrário é que é verdade. A religião é essencialmente dinâmica. A Igreja, é verdade, prega-nos a resignação à nossa própria sorte, mas isto não significa passividade. Antes, é uma resignação orientada para a ação. Resignação significa aceitação da nossa sorte enquanto se aguardam melhores coisas que devem ser alcançadas não por meio de revolução, mas mediante atuação inteligente. Não é esta a atitude de uma mãe para com seu filhinho? Ela se resigna à infância deste, mas isto não quer dizer que ela se recuse a criá-lo e educá-lo até que ele entre na adolescência e na maturidade. O lavrador que semeia a sua semente resigna-se ao fato de ter ela de crescer mediante um processo lento, misterioso, pois nem em pensamento pode ele aumentar um côvado à sua própria estatura. Porém semelhante resignação não significa que ele não deva cultivar a sua seara, ou não deva extirpar o joio ou receber com agrado a ação do sol e da chuva. De igual modo, quando a Igreja fala de resignação cristã, entende dizer que devemos trabalhar efetivamente pela melhoria social como o lavrador o faz com sua semente, isto é, que nós devemos capacitar de que toda reforma deve proceder de uma verdadeira consideração da natureza da coisa a ser reformada. Ela repudia o sistema comunista, por saber que não se pode criar um paraíso terrestre económico mediante uma revolução, tão pouco como se pode fazer uma criança crescer acedendo-lhe uma bomba debaixo do berço. b) Por que é que os comunistas não podem ver esse fato óbvio de que, se a religião acentuasse a passividade do homem, então nunca admitiria a terrível realidade do pecado? O pecado não significa que o homem é consciente, deliberado e ativo, e que a criatura pode levantar o seu Non serviam contra o Criador? O próprio símbolo do Cristianismo, que é a Cruz, atesta melhor do que qualquer outra coisa a atividade do homem na religião. Diante dessa Cruz o homem não pode ficar indiferente; não pode ser passivo; ou tem de pregar nela o Salvador, ou tem de subir a ela para ser crucificado com Ele. Se a religião é passiva, por que então os comunistas hão de ser tão ativos para destruí-la? Acaso organizamos exércitos para matarmos aquilo que acreditamos serem cães mortos? Se a religião é passiva, por que então incentivava o martírio entre os católicos na Espanha? Realmente, se a religião é um ópio, é uma estranha espécie de ópio que faz mártires. c) Além disso, se for verdade que o Cristianismo lança toda a responsabilidade sobre Deus, então como explicarmos a sua filosofia do progresso técnico? De acordo com a Igreja, todo progresso na ciência e na tecnologia é devido à livre atividade do homem. Por que é que ela condena o quietismo, senão por ser ele bastante néscio para esperar que Deus diga por nós as nossas preces, como néscio é esperar que Deus venha em pessoa cultivar as nossas searas? Deus dá ao homem a graça para elevá-lo e sustentá-lo num estado sobrenatural; mas a invenção das suas máquinas, o incremento da sua agricultura, a melhoria da sua condição económica deve vir dele mesmo, como causa secundária, ainda mesmo quando ele reconheça a Deus como causa primária. Um dos princípios mais básicos da filosofia católica é que o controle sobre a natureza, que é o requisito da ciência, só é possível a um espírito superior à natureza. Quer isto dizer que todo progresso científico, todo progresso técnico e adiantamento cultural procede do homem, cuja liberdade é consequência da espiritualidade da sua alma. Por que é que as pedras não podem conhecer? Por que é que a erva não pode pensar e refletir no seu crescimento? Por que é que o ferro, nas entranhas da terra, não pode clamar pela sua libertação? É porque essas coisas não têm um espirito desligado da sua materialidade; é porque cada uma delas está tão imersa na matéria, que não pode voltar-se sobre si mesma para fazer alguma coisa consigo mesma. Mas um homem pode justamente fazer isso; pode pensar sobre si mesmo, entristecer-se com os seus fracassos e alegrar-se com os seus êxitos, porque tem uma alma que transcende à matéria. É o espírito que o torna livre; e, pelo fato de ser livre da matéria, ele pode transformar a matéria: converter árvores em estátuas, pedras em edifícios, carvão em calor, e a insignificância de um carbono no brilho de um diamante. Porém o Comunismo, partindo do princípio de que só há matéria, é, por isso, incapaz de explicar o progresso cientifico, ou por que razão o homem pode edificar mil cidades diferentes, e uma formiga tem de construir sempre um formigueiro. Negar o espírito é negar a liberdade, negar a liberdade é arruinar a atividade criadora do homem — e tal é a essência do Comunismo. Daí achar-se ele na contingência de deixar inexplicada a própria coisa que exalta, ou seja o progresso técnico. Ele nos diz que a civilização muda com as suas ferramentas, mas não nos diz por que razão o homem faz ferramentas e não as fazem os esquilos. De fato, se há filosofia que torne o homem passivo, é a filosofia que diz ao homem que ele é apenas material; porquanto podeis imaginar algo mais passivo do que uma ferramenta? d) Finalmente,a religião é dinâmica porque se interessa pelo futuro. O Comunismo assevera que os pensamentos acerca do futuro tornam o homem passivo. Se isto é verdade, por que então eles insistem tanto no Plano Quinquenal? É o futuro ou é o presente que faz a vaca ficar satisfeita com o seu pasto? A verdade é esta: quanto mais ideal é o futuro, tanto mais forte é o incentivo à ação. O simples fato de eu ter que tomar uma refeição amanhã não reclama grande ação da minha parte hoje. Mas o fato de eu querer ser médico ou advogado em dez anos dá-me energias para dez anos de estudos. Ora, o futuro que a religião ostenta diante do homem não é somente uma consciência tranquila todos os dias da sua vida, mas também uma eterna recompensa na outra. Destarte o cristão é convidado a ser um homem de ação tal, que, se lhe forem dados dez talentos, deve ele ganhar mais outros dez para conquistar o reino dos céus, e, se lhe forem dados cinco, deve ele ganhar mais cinco; porém ai dele se for passivo e enterrar o seu talento dentro de um guardanapo — então, até mesmo aquilo que ele tem ser-lhe-á tirado. A religião é tão ativa que baseia o seu incentivo numa intérmina vista de perfeição. Ao cristão é dito que ele deve não somente correr a corrida ou combater o bom combate, porém ganhar; e que a coroa só virá àqueles que são bastante enérgicos para tomar uma cruz, ser benignos para com os que blasfemam, bendizer os que os perseguem e dizer “perdoai-lhes” até mesmo àqueles que. nos pregam numa cruz.. Isto é ação, e o comunista que disser que não é deve experimentar viver por um dia a vida ativa de um santo. Então descobrirá que, quando se rouba a um homem o seu ideal futuro, rouba-se a esse homem a sua força motriz para agir. Porquanto, se esta vida é tudo, então que diferença faz, para o regime comunista, que eu viva mal ou bem? Se esta vida presente é um mero sonho entre dois vácuos, então por que construir um túmulo para Lenin e não o construir para um fiel cavalo velho numa fazenda coletiva? Se ambos têm o mesmo fim, e se ambos são materiais, então por que um deve ser honrado de preferência ao outro? Certamente, no fundo dos seus corações os comunistas devem perguntar-se que lhes aproveita encherem o mundo detratores e perderem suas almas imortais. E, do momento em que eles fizerem a si esta pergunta, começarão a ser ativos como os cristãos, planejando não somente como hão de salvar suas colheitas, mas também como hão de salvar as suas almas. O COMUNISMO É O ÓPIO DO POVO! Sucede com frequência certos indivíduos acusarem outros de pecado, com o fim de encobrirem os seus próprios. Isto também é verdade no Comunismo. Este tem acusado a religião de ser o ópio do povo, para encobrir o fato de ser o próprio Comunismo o ópio do povo. E por que é ele o ópio do povo? Por três razões: 1) Porque explora os pobres, submetendo-os à vontade do Partido Comunista; 2) Porque adormece os pobres prometendo-lhes algo que ele nunca pode dar, a saber: um paraíso terrestre; 3) Porque torna o homem passivo, fazendo-o um instrumento do Partido Comunista. I. O Comunismo justifica a exploração do trabalhador pelo Partido. O Comunismo é o ópio do povo porque mascara as injustiças da exploração comunista; ou, trocando apenas uma palavra numa ‘ sentença de Lenin: “O Comunismo é uma espécie de intoxicação espiritual que fornece uma justificação para a exploração”. Ele engana o proletariado dentro da crença de que eles devem sofrer tudo para estabelecer a revolução mundial, ao passo que o Partido em controle se ceva em poder, privilégio e luxo. Para compreender esta afirmação devemos considerar o fato de que há menos de 3.000.000 milhões de membros do Partido Comunista na Rússia, e de que, pelo terror e pela propaganda, esses poucos milhões governam cento e sessenta milhões. A máscara favorita do Partido para a exploração é o seu ódio ao capitalismo, capitalismo que ele diz ter reduzido os trabalhadores a pó. Na realidade, o Comunismo não é inimigo do capitalismo. Antes, o Comunismo tem ignorado certos aspectos benéficos do capitalismo, e tem elevado a uma filosofia da vida todas as suas formas perversas e corrompidas. O capitalismo disse que o fim econômico é o principal fim do homem; o Comunismo diz que o fim econômico é o único fim do homem. O capitalismo muitas vezes pagou ao operário um salário tão baixo, que este não podia possuir casa própria; o Comunismo paga um salário ainda mais baixo, e nega ao operário o direito de possuir sua casa. O capitalismo desenvolveu o egoísmo individual; o Comunismo gera o egoísmo coletivo. O capitalismo concentrou a riqueza nas mãos de alguns; o Comunismo concentra a riqueza nas mãos do Partido. O capitalismo até certo ponto controlou o contrato de salário, controlando a maioria dos empregos; o Comunismo elimina o contrato de salário, controlando todos os empregos; nele há só um patrão, o Partido, e, se recusardes trabalhar para esse patrão, perdereis o direito de comer — pois na Rússia não há caridade. O Comunismo é o capitalismo enlouquecido, e um comunista é um capitalista que tem ganância no coração, mas não tem dinheiro no bolso. Ponha-se uma vez a máscara do Comunismo, e a exploração dos trabalhadores é fácil; se o Plano Quinquenal falhar, lance-se a culpa sobre os operários nos campos, por haverem recusado cooperar com os ideais do Partido. Que pensaríamos nós se o Ministério da Agricultura fuzilasse trinta e cinco dos seus funcionários, sem processo, por causa de um fracasso^ de colheita, ou se o Governo fuzilasse quarenta e oito dos seus especialistas, sem processo, por haver a produção declinado? Todavia, foi justamente isto que o Partido Comunista fez em 1930 e 1933. Que sucederia no nosso País se alguma grande organização produtora afixasse amanhã de manhã no seu quadro de avisos o Código 47 da União Soviética, para o fim de que todo empregado que faltasse ao trabalho por um dia perdesse o emprego, e ele e sua família fossem privados das suas posses (Izvestia, 21 de novembro de 1932)? Não chamaríamos de explorador o nosso Governo se, na sua ânsia de colher uma grande safra, mesmo na área seca, publicasse uma nota proibindo os agricultores de comerem as próprias espigas de milho que eles haviam plantado e cultivado? Contudo, foi isto o que o Partido Comunista fez aos famintos lavradores das fazendas coletivas na Rússia, rezando a nota: “O culpado deve ser fuzilado e seus bens confiscados” (Izvestia, 8 de agosto de 1932). Suponde que, por causa do decréscimo nas colheitas, o nosso Departamento de Agricultura ordenasse às crianças "guardarem os campos mesmo durante a noite, desde que tenham oito anos de idade” (Moldaia Guardia, 17 de agosto de 1935); não seria isto uma máscara para encobrir a mais diabólica espécie de exploração? Suponde, ademais, que o Presidente confiscasse toda propriedade privada, e depois, em nome de um Brasil maior, fizesse o lavrador pagar, por uma broa ou por um pão, dezenove vezes mais do que o governo deu ao lavrador pelo seu trigo (Izvestia, 26 de setembro de 1935)! Contudo, esta é a situação na Rússia, país sem intermediários, porém com centenas de funcionários desonestos. Certamente, se o termo exploração pertence a alguém, deve ser aplicado àqueles que o usam mais para encobrir os seus próprios pecados, ou seja àquele pais onde o Comunismo ilude o explorado trabalhador mantendo baixos os salários dos funcionários públicos e altos os seus privilégios — tais como cartões especiais, casas de férias, carros particulares, transporte especial e casas de luxo; — onde o operário é tão explorado para efeito de comércio exterior e de propaganda, que em 1934 o Estado produziu para cada cidadão, no seu clima frio, somente 2/5 de uma jarda de fazenda de lã e 11/ 10 de jardas de fazenda de linho (Izvestia, 22 de abril de 1935), e para cada 4,5 pessoas somente um par de sapatos. A exploração torna-se nada menos que criminosa quando diz aos trabalhadores que há tanto trigo que eles não precisam mais de racionamento de pão; mas, defato, fecha os armazéns das cooperativas onde eles podem comprá-lo a preço mais ou menos razoável, e força-os a comprar em armazéns comerciais onde se sabe que o preço é muitas vezes mais alto. Em virtude desta exploração, o Partido Comunista alardeou haver aumentado a sua renda de vinte e quatro biliões de rublos para 1935 (Za Ind., 9 de fevereiro de 1935). Não é, pois, de admirar que uma das anedotas mais populares da Rússia seja a de um explorado operário pendurado precariamente a um coletivo superlotado, e que, quando viu Stalin e seus ajudantes passarem perto num Rolls-Royce, observou sarcasticamente: “Eu sou o patrão. Esses são os meus caixeiros”. II. O Comunismo engana o pobre com a esperança falaz de um paraíso terrestre. O Comunismo é o ópio do povo porque adormece os pobres prometendo-lhes algo que nunca lhes pode dar, ou seja um paraíso terrestre. Mudando apenas uma palavra numa sentença de Lenin: “O Comunismo ensina aqueles que labutam toda a sua vida em pobreza a serem resignados e pacientes neste mundo, e consola-os pelo pensamento de um paraíso terrestre”. Singular espécie de paraíso esse, que é inaugurado pelo morticínio, pelo exílio e pelo confisco; estranha espécie de paraíso esse, que espera estabelecer a fraternidade pregando a luta de classes, e estabelecer a paz praticando a violência. Estranha espécie de paraíso esse que tem de recorrer ao temor e à tirania para impedir que alguém “escape” dele. Um anjo teve de conduzir Adão e Eva para fora do éden; mas parece que tantos foram os que tentaram escapar do paraíso de Stalin, que este publicou um decreto no Izvestia de 9 de junho de 1934, para o efeito de que, se alguém tentasse fugir, a sua família inteira seria mandada para o exílio e para o trabalho forçado por cinco anos, mesmo se não soubesse nada da intenção dele; também seria privada dos direitos eleitorais, o que significava perda dos cartões de alimentação. Estranho paraíso esse em que, no meio de uma fome, Kalinin, o Presidente da U.R.S.S., disse aos camponeses que as colheitas eram pequenas porque eles comiam pão demais (Izvestia, 10 de janeiro de 1936). O Comunismo é realmente o ópio do povo quando, de um lado, permite que pelo menos cinco milhões de pessoas morram de fome na Ucrânia e no norte do Cáucaso pelo fato de o Estado exigir dos operários duas ou três vezes a safra dos anos anteriores; e, de outro lado, anuncia no seu jornal, o Pravda (28 de julho de 1933): “A União Soviética é o único país no mundo que não conhece a pobreza”. Não admira que o povo russo diga que não há Verdade (Pravda) nas Novidades (Izvestia) e não há Novidades na Verdade. O Comunismo é realmente o ópio dos pobres quando lhes diz que aboliu completamente o desemprego na Rússia, embora ocultando o trágico fato de que qualquer país estaria sem desemprego se houvesse nele conscrição de trabalho em massa. Lá, o homem desempregado tem de aceitar trabalho onde quer que este lhe seja oferecido, mesmo quando a mil milhas de distância, porque não há senão o Estado que emprega; e, se o operário recusar o emprego, não poderá ir para nenhum outro lugar. O Brasil também poderia abolir o desemprego se o Presidente assumisse poderes ditatoriais e declarasse que cada cidadão tinha de fazer para o Estado um trabalho prescrito, em troca de comida e de roupa. Chamberlin, que passou doze anos na Rússia, declarou que as famílias socorridas na América estão em melhores condições do que muitos dos lavradores russos. Knickerbocker, jornalista americano, comparando o custo de vida na U.R.S.S. e nos Estados Unidos, avaliou o salário de um kolkhozian (lavrador numa fazenda coletivista) em oito centavos americanos. Para que essa estimativa não seja considerada falsa, seria bom reportar-se ao Jornal de Instrução Comunista (publicação comunista, 18 de novembro de 1934), onde é declarado que um lavrador que conserva consigo uma vaca deve dar ao Estado, por esse privilégio, 136 quartilhos de leite e 50 libras de carne. O salário médio de um trabalhador na Rússia é de 225 rublos por mês. Uma indicação do poder de compra desse salário é proporcionada pelo fato de ser preciso o salário de três semanas para comprar um par de sapatos (Sovietskaia Torgovlia, Ns. 99 e 110, 1936). Há algumas cidades na Rússia onde é quase impossível comprar umas calças, por ex., Kharkov, Gorki, Rostov (Izvestia, 10 de março de 1936). O diário oficial de Moscou diz: “Nenhum armazém em Moscou pode dizer quando será possível fornecer mercadoria" (Izvestia, 28 de junho de 1936). Mikoyan, o Comissário da Indústria de Alimentação, disse: “Na República Soviética estamos acostumados a ter somente mercadorias de má qualidade, e sempre em quantidades insuficientes" (Izvestia, 27 de dezembro de 1935). Soulimov, Presidente dos Comissários do Povo, disse: “Tudo está a um nível muito baixo, exceto os preços, que são exorbitantes" (Pravda, 31 de julho de 1936). E assim a citação de fatos poderia prosseguir indefinidamente. Todos eles contam a mesma história, a saber: o Comunismo é o ópio do povo porque explora os pobres prometendo-lhes o impossível, mesmo nesta vida. A Religião, é verdade, faz crer numa vida futura; mas nunca pediu aos homens que, na esperança de uma sorte futura, se resignassem a condições tais como existem na Rússia. Quem quer que leia o autorizado livro do Dr. Ewald Ammende, “A Vida Humana na Rússia” (Allen and Unwin, 1936, Londres), verá como os russos se acham mal sob o domínio dos comunistas. As fotografias das vítimas da fome por si só contam uma história, independentemente do texto. Ali não somente sofre a vida humana, mas sofre até mesmo a vida animal. III. O Comunismo escraviza o cidadão, reduzindo-o a mero instrumento do Partido. O Comunismo é o ópio do povo porque, colocando toda iniciativa e responsabilidade sobre o Partido, destrói a personalidade do homem, e o torna passivo. Nos países do mundo, tais como o nosso, onde o governo é distinto de um partido, um homem é livre de afirmar a sua personalidade e de escolher o seu destino. Sob o Comunismo, só há um partido, e é o Partido Comunista. Suponhamos por exemplo que no Brasil o Partido Democrático estivesse no poder; suponhamos que os membros desse partido exilassem ou matassem todos os membros dos outros partidos como “contra-revolucionários’’; poderíamos dizer que um cidadão sob tal regime era livre de afirmar a sua personalidade? E, no entanto, tal é a filosofia do Comunismo, onde há somente um partido, e esse partido é o governo. Necessariamente o homem tem de ser passivo sob um sistema que também afirma que as leis económicas são as determinantes da cultura, e que não são as ideias, porém as mudanças de ferramentas, que determinam as mudanças de civilização. Paralelo entre Cristianismo e Comunismo. Note-se a diferença entre a visão Cristã e a visão Comunista do homem: a) Para o Cristão, o homem é livre, porque a sua iniciativa vem de dentro, a saber, da sua alma. Ele pode ser comparado a um capitão de navio, que é livre de traçar o seu próprio curso e de escolher o seu próprio porto. b) Para o Cristão, o homem é um sujeito. Um sujeito pode determinar suas ações, como o artista pode livremente pintar quaisquer pinturas que escolher. c) Para o Cristão há duas espécies de unidade: unidade político- econômica, e unidade orgânico-espiritual, pela qual nós somos membros uns dos outros no Corpo Místico de Cristo. d) Para o Cristão, o homem é um cidadão de dois mundos, e, em virtude do segundo, ele possui certos direitos inalienáveis, tais como a vida, a liberdade e a propriedade, dos quais nenhum Estado pode privá-lo. e) Para o Cristão, o homem existe não somente no presente, mas também no futuro. A personalidade é independente do tempo, porque tem um valor intrínseco em todos os tempos. f) Para o Cristão, o homem deve determinar a natureza da sociedade e ser o senhor desta. g) Para o Comunista, o homem não é livre, porque a sua iniciativa vem de fora, isto é, do Partido, que ditanão somente o que ele deverá fazer, mas também o que deverá pensar. Ele é como o leme de um navio, que vai para onde quer que o dirija o comandante, que é o ditador do Partido. h) Para o Comunista, o homem é um objeto. Um objeto não pode agir, mas é acionado como um autómato social, e torna-se como o cinzel na mão de um escultor. i) Para o Comunista, só há uma espécie de unidade — a unidade político-econômica, que é realizada não de dentro, por laços espirituais, mas de fora, pela força, pelo terror e pela propaganda. j) Para o Comunista, o homem é cidadão de um só mundo, e, desde que o Estado é tudo, daí se segue que o homem não tem direitos salvo aqueles que o Estado lhe deu. Por conseguinte, quando o entender, pode o Estado tirar-lhe esses direitos. k) Para o Comunista, a personalidade é relacionada ao tempo. O homem é alienado da sua humanidade no presente, para atingir uma humanidade duvidosa num paraíso terrestre no futuro. Tal como o expõe Lenin: “Durante o período da ditadura em que não haveria liberdade, o povo acostumar-se-ia às novas condições e sentir-se-ia livre numa sociedade comunista" (O Estado e a Revolução). l) Para o Comunista, o homem é determinado pela sociedade, completamente absorvido e possuído por ela, e nela perde a sua identidade como uma gota-de-água perde a sua identidade num copo de vinho. Em vez de ser o senhor da sociedade, ele é o escravo dela. Em resumo: O conceito cristão do homem é ativo — o homem é livre; o conceito comunista do homem é, necessariamente, passivo — o homem é um animal social obediente, cuja mais alta função é realizar o Piatiletka (Plano Quinquenal). Destarte sucede que o Comunismo, que começou por protestar contra a desumanidade do capitalismo, acabou por descapitalizar o capitalismo com a sua própria desumanidade. O homem, para o Comunismo, não é um espírito livre, uma personalidade, porém função de um processo social. O que é primário no Comunismo é o Partido, e o Partido controla o Estado. Criando uma opinião pública que ele representa como a única possível, o Estado Soviético torna impotente a vontade do indivíduo, e guia. na direção que bem lhe aprouver a vontade, aparentemente espontânea e livre, das massas. Mesmo na nova Constituição proposta na Rússia, aos cidadãos não será permitido votar em diferentes partidos, mas somente em diferentes homens do mesmo partido. Que protesto não fariam os brasileiros se cada eleição fosse uma nomeação, e se eles só pudessem votar numa chapa! Como Troud, o órgão oficial dos operários soviéticos, o expõe: “A diferença essencial entre a existência de partidos no Mundo Ocidental e no nosso país é a seguinte: um partido está no poder e todos os outros estão na prisão” (13 de novembro de 1927). O Comunismo criou uma instituição especial para tornar o homem passivo ao Partido, e tão cruel foi a perversidade dela, que, por amor da opinião mundial, julgou-se necessário mudar-lhe o nome de vez em quando; primeiramente foi a Cheka, depois a Ogpu, e agora é o Comissariado Interno. Em 1931, quando Lady Astor se encontrou com Stalin, perguntou-lhe à queima-roupa: “Por quanto tempo ainda vai o Sr. continuar matando gente?” Apanhado desprevenido, Stalin respondeu: “Por tanto tempo quanto for necessário”. A subida de Stalin ao poder. Mas poderíamos prosseguir, perguntando: necessário para quê? E a resposta seria: necessário para a vontade do Partido. E quem é a vontade do Partido? São os indivíduos que o controlam. As lutas aparentemente profissionais por trás de diferentes ideologias, na realidade são apenas a capa de lutas pelo poder promovidas por diferentes indivíduos, sendo a vítima em cada caso o cidadão-títere. A luta entre os exilados Trotsky, Kamenev, Zinoviev (este último que concebeu a ideia de mumificar Lenin) e Stalin é uma triste história de ambição pessoal. Lenin, como deverá ser lembrado, declarou expressamente no seu testamento que Stalin era demasiado inclinado a concentrar o poder em suas mãos, para poder ser seu sucessor. Como foi que Stalin se tornou ditador, isto é, a história de como Stalin mentiu a Trotsky sobre a data do funeral de Lenin, é a história de como ele foi bem sucedido, no Terceiro Congresso, em fazer que o testamento fosse lido perante uma comissão escolhida a dedo, e não no plenário; é por isto que o testamento de Lenin ainda não foi publicado na Rússia. O verdadeiro ópio do povo. Não há ópio pior do que aquele que adormece as personalidades de uma nação reduzindo-as ao estado de formigas que não têm direitos que o Estado seja obrigado a respeitar. Enquanto o direito do indivíduo de gozar de liberdade não for considerado como superior à vontade do Partido, e enquanto a verdade não significar alguma coisa mais do que aquilo que o Estado prescreve, e a falsidade alguma coisa mais do que aquilo que o Estado opõe; enquanto a justiça não significar mais do que a mantença de poder do Partido; enquanto a paz não significar mais do que uma ditadura de ferro; — o Comunismo deve estar preparado para ser chamado, o que na verdade é, o ópio do povo. E não o é somente tornando o homem passivo e inerte, é também martirizando lhe a natureza, tentando quebrar o molde em que Deus o vazou e expulsar dele a humanidade pela força, como Pilatos, flagelando a Cristo, tentou expulsar dele a divindade. Imaginando o Brasil sob o regime comunista. Suponhamos por exemplo que no Brasil houvesse somente um partido; que esse partido se mantivesse no poder por meio da Policia, do Exército e da Marinha; e que cada senador ou deputado que criticasse esse partido fosse exilado ou morto; suponhamos que o Presidente estabelecesse uma censura tal como existe na Rússia, e que todo livro que fosse publicado e todo jornal que fosse impresso e todo programa de teatro que fosse distribuído tivesse de glorificar o partido e de trazer o Imprimatur deste; suponhamos, além disso, que o Presidente controlasse toda estação de rádio e toda agência de informações, e não permitisse entrarem no Brasil livros ou revistas estrangeiras que criticassem o seu partido; e suponhamos que qualquer suspeita de falta de simpatia expusesse a pessoa à perda do seu emprego, e o fato de haver pertencido a um partido oposicionista condenasse a pessoa ao exílio; suponhamos que a polícia pudesse punir alguém sem processo; suponhamos que todas as nossas casas, fábricas, fazendas e terras fossem postas nas mãos do partido, para este fazer delas o que bem entendesse, e que as nossas igrejas fossem convertidas em celeiros e museus — suponhamos todas estas coisas como acontecendo aqui no Brasil e teremos uma pintura do que sucedeu na Rússia. E, se eu vos perguntasse o que deveria acontecer-vos antes de renderdes a vossa atual liberdade e independência — vós diríeis que primeiramente teríeis de ser prostrados inconscientes. Foi isso justamente o que o Comunismo fez na Rússia com a sua propaganda — prostrou-os na inconsciência. Que é o ópio? É uma droga que amortece as potências intelectuais do homem, mas deixa continuarem as suas funções animais e vegetativas. Um homem sob a influência dele não pode pensar, mas pode digerir; não pode querer, mas ainda pode respirar. Por outras palavras, é como um animal e não como um homem. Ora, qual dos dois merece ser chamado ópio — a religião ou o Comunismo? A religião pede intelecto; começa pedindo ao homem usar a sua razão para descobrir o grande Legislador por trás da lei, o grande Pensador por trás de todo pensamento, a Beleza Perfeita por trás de toda poesia. Feito isto, pede à razão estabelecer critérios científicos para julgar a possibilidade de haver-se Deus alguma vez revelado a nós de qualquer outro modo que não pela sua atividade criadora; e, uma vez estabelecidos estes critérios, aplica-os Àquele que apareceu na terra e pretendeu ser o Criador do mundo. Só depois que esse Pretendente provou a sua Divindade por coisas divinas, racionalmente reconhecíveis, é que o intelecto opera a sua submissão à verdade d'Ele. Depois,pegando do telescópio da fé, que não destrói a razão como o telescópio material não destrói o olho, ele entra em comunicação com outros mundos com que a razão nunca sonhou. Isso é a religião — e uma religião assim pede que o homem conserve bem viva a sua razão. Porém o Comunismo adormece a razão; diz ao homem que não procure uma causa para este mundo, que não se admire de que a gente tenha medo de morrer, que não pergunte por que é que uma ação má enche de remorso a consciência, e uma ação boa a enche de paz. Diz ao homem que tudo o de que ele precisa para ser um cidadão no Estado Comunista é ter um estômago e duas mãos; por outras palavras, é ser um animal económico a amontoar riqueza para o Estado, e depois morrer, como uma besta, mesmo sem ter um Zinoviev para o mumificar. Todo regime que faz isto a seres humanos está-lhes negando aquilo que os diferencia dos animais, e está criando uma nova escravidão em que a mente e a vontade são atadas com grilhões — escravidão mil vezes mais amarga do que a escravidão do corpo. Os governos do mundo estão gradualmente fechando o cerco àqueles que traficam em narcóticos e drogas; e muito breve os povos inteligentes do mundo atentarão sobre o mal feito pelo ópio que vem da Rússia e da propaganda comunista. Esse ópio já arruinou milhões de pessoas na Rússia, mas não se deve permitir que arruíne o mundo. A guerra do Comunismo contra a religião. A guerra do Comunismo contra a religião continuará — não num plano intelectual, mas num plano muscular e militar, ou seja no plano da força. Eles não podem atacar inteligentemente a religião. Eles nunca conseguiram sequer o direito de discutir sobre ela, porque nada conhecem dela. Resta, pois, perguntar que fará a força deles? Botarão Deus para fora do céu? Acaso a sua violência esvaziará dos anjos o céu? A resposta é: Não! Eles apenas deixarão devastada a terra. Vimo-los proscreverem a religião na Rússia, desterrarem o seu clero e matarem o seu povo; vimo-los fecharem as igrejas do México; vimo-los crucificarem padres na Espanha, abrirem os túmulos de Religiosas e espalhar lhes os restos diante das portas da catedral. Vimos os seus museus antirreligiosos; lemos a sua literatura anti-Deus; mas tudo o que os vimos e ouvimos fazer e dizer contra a religião não nos convenceu de que não há Deus. Eles apenas nos convenceram de que há o Demônio! NOSSA SENHORA E A RÚSSIA No nosso mundo tornou-se tão trivial o julgar-se um acontecimento pela sua relação com outro, que se está perdendo de vista um critério bem mais importante no julgar: o Eterno, que intervém na história, anulando os mesquinhos e fúteis valores do espaço e do tempo. Como daqueles que vivem num universo de duas dimensões – em que existe apenas a direita e a esquerda, sem a “altura” e a “baixeza” – não se pode pretender que saibam de certas revelações celestes, será útil recordar que as duas mais importantes manifestações produziram-se quando o mundo mais precisava delas e lhes prestava menor atenção. A primeira verificou-se no ano em que nasceram as ideias que formaram o nosso mundo moderno, a outra, no ano em que essas ideias se traduziram em ação. Se há um ano em que possamos dizer iniciado o mundo moderno – e como tal entendemo-lo em antítese com o mundo cristão – esse ano cairia aí por 1858. Precisamente nesse ano, John Stuart Mill escreveu o seu “Ensaio sobre a liberdade”, no qual a liberdade se identificava com o abuso e a ausência de responsabilidades sociais; nesse ano publicou Darwin a sua “Origem das Espécies”, em que, desviando o olhar do homem dos seus eternos destinos, o faz olhar só para um passado animal. No ano de 1858, Richard Wagner escreveu as suas obras em que fazia reviver o mito da superioridade da raça teutônica. No ano de 1858 Karl Marx, fundador do comunismo, escreveu a sua “Introdução à crítica da Economia Política” em que coroava a Economia. como fonte da vida e da cultura. Destes quatro homens nasceram as ideias que dominaram o mundo durante quase um século, como sejam a ideia de que o homem não é de origem divina, mas animal, que a sua liberdade é abuso e ausência de .autoridade e de lei, que, privado de espírito, ele é parte integrante da matéria do cosmos e que, portanto, não tem necessidade de religião. · Nesse mesmo importante ano de 1858, a 2 de fevereiro, aos pés dos Pirineus, em França, na pequena aldeia de Lourdes, a Bem- aventurada Virgem apareceu pela primeira das 18 vezes a uma jovenzinha aldeã cujo nome de família era Soubirous. É hoje conhecida por Santa Bernadette. Quatro anos depois de a Igreja ter definido o dogma da Imaculada Conceição, os céus abriram-se, e Nossa Senhora, tão bela que não podia parecer terrena, falou a Bernadette, dizendo: “Eu sou a Imaculada Conceição”. No mesmo momento em que o mundo negava a culpa original e, sem o saber dizia que todas as pessoas nasciam sem pecado original, a nossa Bendita Mãe declarava: “Só eu sou Imaculada Conceição”. Notai que não disse: “Eu fui concebida imaculada”. Havia, pouco mais ou menos, entre Ela e a Imaculada Conceição a mesma identidade que entre Deus e o “ser”, como o Senhor declarou sobre o Monte Sinai, quando afirmou: “Eu sou Aquele que é”. Assim como o “ser” é a essencial natureza de Deus, assim a Imaculada Conceição é o natural privilégio de Maria. Se só Ela foi concebida imaculada, é que todos os outros seres humanos nascem com o pecado original; se não há pecado original, então todos são concebidos imaculados. O reclamar este privilégio como seu, significou a implícita condenação daquelas ideias que iniciaram o novo mundo anti-cristão. Contra os que acreditavam apenas na natureza material do homem, Nossa Senhora convidava os homens a serem peregrinos ao seu altar, como reconhecimento do espírito; contra os que reduziam o homem a um animal e o animal à natureza, a Mãe Divina estimulava os homens a erguerem-se acima do animal na sua suprema aspiração para Deus; contra os que faziam degenerar a liberdade em abuso, o Eterno reafirmava que só a Verdade Divina nos torna livres pela gloriosa liberdade de filhos de Deus; contra os que proclamaram a religião como o ópio do povo. Ela vem libertar os homens do ópio da mentira e nobilitá-los até à gloriosa possibilidade de se tornarem herdeiros do céu. O mundo não fazia caso do chamamento espiritual do céu. As ideias pagãs de 1858, declarando que o homem era um animal, que a liberdade era a libertação da lei, que a religião era anti-humana, depressa transpuseram as páginas dum livro de texto e as quatro paredes duma aula, para redundarem na violência da Guerra Mundial 1914-18. Lançai um rápido olhar pelo mundo e observai o que acontecia a 13 de maio de 1917 em três grandes cidades (a América entrara na guerra pouco tempo antes, na Sexta- feira Santa desse mesmo ano). Roma: em 13 de maio de 1917, Bento XV impunha as mãos a Monsenhor Eugênio Pacelli, fazendo dele um sucessor dos Apóstolos. No momento em que os sinos de Roma estavam anunciando o Angelus, era dado à Igreja um novo bispo, que um dia viria a ascender, por ocultos desígnios da Providência, ao trono de Pedro e a governar a Igreja Universal como nosso Santo Padre Pio XII. Moscou: 13 de maio de 1917. Maria Alexandrovitch estava ensinando o catecismo numa das igrejas de Moscou. Tinha diante de si duzentas crianças sentadas em bancos. Ouviu-se um forte ruído junto à porta principal: homens a cavalo irromperam pela nave central da igreja, saltaram por sobre a balaustrada do transepto, destruíram o altar, depois cavalgaram pelas naves laterais, destruindo as imagens, e finalmente carregaram sobre as crianças, matando algumas. Maria Alexandrovitch correu para fora da igreja a gritar. Era a primeira daquelas esporádicas explosões de furor que precederam a revolução comunista. A jovem dirigiu-se a um dos revolucionários, que depois se veio a tornar famoso, e gritou-lhe: “Aconteceu uma coisa terrível: estava eu a ensinar o catecismo na igreja, quando surgiram uns homens a cavalo, caíram sobre as crianças, emataram algumas”. O revolucionário respondeu: “Eu sei disso. Fui eu mesmo que o mandei”. Fátima, Portugal: 13 de maio de 1917. Três crianças da freguesia de Fátima, Jacinta, Francisco e Lúcia estavam guardando o seu rebanho, quando se ouviram as Ave Marias no sino da igreja próxima. Os três pastorzinhos ajoelharam e, conforme era hábito de todos os dias, rezaram juntos o rosário. Ao acabarem, resolveram construir uma casinha que os abrigasse nos dias de tempestade. Os três pequenos arquitetos foram inesperadamente interrompidos por um relâmpago deslumbrante e olharam ansiosos para o céu. Nem uma nuvem toldava o esplendor da tarde. Foi um simples relâmpago de luz, seguido de outro. E quando iam a fugir, viram a dois passos de distância, sobre a rama verde duma azinheira, uma “linda Senhora” mais resplandecente do que o sol. Com um gesto de gentileza maternal, a Senhora disse-lhes: “Não tenhais medo, eu não vos faço mal”. A Senhora era muito formosa; parecia ter entre 15 a 18 anos de idade. O seu vestido, branco como a neve, e atado em volta do pescoço por um cordãozinho de ouro, descia até aos pés que mal se viam, enquanto tocavam, nus, os ramos da árvore. Um véu branco, bordado a ouro, cobria-lhe a cabeça e os ombros, caindo até aos pés como o vestido. As suas mãos estavam juntas à altura do seio em atitude de oração; um rosário de brilhantes pérolas com uma cruz de prata pendia-lhe da mão direita. O seu rosto, de incomparável beleza, resplandecia num halo luminoso como o sol, mas parecia velado por uma tênue sombra de tristeza. A primeira a falar foi a Lúcia: “De onde vem?” “Venho do Céu” – respondeu a Senhora. “Do Céu! E para que foi que veio, aqui?” – perguntou. “Vim para te pedir que voltes aqui durante seis meses consecutivos, no dia 13 de cada mês, a esta hora. No mês de outubro te direi quem sou e o que quero”. Precisamente no instante em que, na extremidade oriental da Europa, o “Anti-Cristo” se desencadeava, não só contra a verdadeira religião, mas contra a profunda Ideia de Deus e contra a sociedade, na mais terrível carnificína da história, eis que aparece em todo o seu esplendor, na extremidade ocidental da Europa, a grande e eterna inimiga da serpente infernal. Das seis aparições de Nossa Senhora àquelas crianças, a mais importante foi a de 13 de julho. Devemos lembrar-nos de que se estava no terceiro ano da primeira guerra mundial. Depois de ter mostrado às crianças uma pavorosa visão do inferno, a formosa Senhora disse, suavemente, mas com tristeza: “Vós vistes o inferno, para onde vão os pecadores. Para salvar essas almas, Deus quereria que se estabelecesse no mundo o culto do meu Coração Imaculado. Se as pessoas fizerem o que vos disse, muitas almas se salvarão e encontrarão a paz”. Depois, falando da Primeira Guerra Mundial, disse: “A guerra acabará. Se as pessoas fizerem o que vos disse, muitas almas se salvarão e encontrarão a paz”. Veio depois a observação que talvez os homens, à diferença dos de Nínive, não viessem a fazer penitência. E então acrescentou: “Se as pessoas não deixarem de ofender a Deus, não passará muito tempo, (será precisamente durante o próximo Pontificado) até que rebente uma outra e mais terrível guerra”. Foi, de fato, durante o Pontificado de Pio XI que deflagrou a tremenda guerra da Espanha, prelúdio da terceira guerra mundial. Nesse período, os Vermelhos, no seu ódio contra a religião, massacraram cruelmente 13 prelados, 14.000 padres e religiosos destruíram 22.000 igrejas e capelas. Nossa Senhora explicou quando essa segunda guerra mundial devia começar – “quando virdes uma noite iluminada por uma misteriosa luz, sabei que por esse sinal Deus vos adverte de que está iminente o castigo do mundo pelas suas muitas transgressões, através da guerra, da fome e da perseguição à Igreja e ao Santo Padre”. Perguntou-se mais tarde a Lúcia, exatamente quando apareceu o sinal, e ela disse tratar-se da extraordinária aurora boreal que iluminou grande parte da Europa na noite de 25 para 26 de janeiro de 1.938. Falando da guerra, Lúcia disse: “Será horrível, horrível” – todos os castigos de Deus são condicionais e podem ser evitados com a penitência. Reparai bem que, no dizer de Nossa Senhora, a Segunda Guerra Mundial podia ter-se evitado, pois Ela acrescentou: “Para poupar a isto os homens, pedirei a consagração do mundo ao meu Coração Imaculado, e a Comunhão no primeiro sábado de cada mês. Se os meus pedidos forem ouvidos, a Rússia será convertida; e haverá a Paz. De contrário, a Rússia espalhará os seus erros pelo mundo, dando origem a guerras e perseguições contra a Igreja. O justo padecerá o martírio e o Santo Padre sofrerá muito. Diversas nações serão destruídas”. Nesta altura, a Igreja pensou que seria de seu dever calar uma parte da mensagem; qual fosse essa mensagem, não o sabemos. Aparentemente não deviam ser boas notícias, e pareciam referir-se aos nossos tempos. No entanto, nós conhecemos o epílogo da mensagem com a sua esperança de alegria: “No final o meu Coração Imaculado triunfará. O Santo Padre consagrará a Rússia ao meu Coração Imaculado, e a Rússia será convertida; começará uma era de paz para o mundo”. A última aparição deu-se a 13 de outubro de 1917, quando Nossa Senhora prometeu realizar um milagre tal, que todos os presentes pudessem acreditar nas suas aparições. Na tarde de 12 de outubro, todas as estradas de Fátima estavam atulhadas de veículos, bicicletas e peregrinos, a caminho da Visão. Reuniu-se uma multidão de 60.000 curiosos, muitos deles descrentes e trocistas. Lúcia pediu ao povo que olhasse para o sol. Deixou de chover e imediatamente as nuvens se dissiparam, deixando ver uma grande extensão de céu azul. Apesar de não haver uma nuvem sequer a toldar o céu, o sol no seu pleno fulgor não deslumbrava, e todos o podiam fitar sem dificuldade. Subitamente, o sol pôs-se a oscilar com movimentos bruscos e começou a rodopiar vertiginosamente sobre si mesmo, como um disco de fogo, projetando em todas as direções grandes raios de luz verde, vermelha, violácea, amarela e azul, colorindo de maneira fantástica as nuvens, as árvores, os penedos, a terra. Passados uns quatro minutos, o sol parou. Um momento depois, retomou, por um segundo, o seu fantástico movimento, com a sua irreal dança de luz e cor, mais extraordinária -do que se poderia imaginar, como a mais singular peça de fogo de artifício. Uma vez mais, após alguns minutos, o sol interrompeu a sua dança prodigiosa. Depois de uma breve pausa, pela terceira vez, se tornou mais brilhante. Durante doze minutos este maravilhoso fenômeno foi verificado num raio de mais de 25 quilômetros quadrados, por cada uma das 60.000. pessoas presentes. Mas não foram tanto as três rotações do sol que deixaram a multidão estupefata, como a terrível queda do sol. Foi o momento culminante do grande milagre, o momento mais terrível, que ergueu finalmente todas as almas para Deus num único ato de Contrição e de Amor. No meio daquela louca dança de fogo e de cores, como uma roda gigantesca que por muito girar se desprendeu do seu eixo, o sol deixou o seu lugar no firmamento, caiu em zigue-zague dos céus, como se fosse precipitar-se em cima da multidão que se encontrava por debaixo dele, dando aos espectadores uma clara impressão da cena do fim do mundo predita no Evangelho, quando o sol e as estrelas cairão desordenadamente sobre a terra. Então, da multidão apavorada elevou-se de súbito um grito terrível, um imenso grito suplicante com o religioso terror de almas que se preparam para a morte e fazem profissão da sua fé e pedem a Deus perdão dos seus pecados. Como por uma secreta intuição, os espectadores caíram de joelhos na lama e rezaram, com a voz. entrecortada de soluços, o mais sincero ato de contrição: jamais saído dos seus corações. Finalmente, parando de repente na louca descida, o sol tornou a subir ao seu lugar em zigue-zague como se tinha precipitado e acabou por retomar gradualmente a sua luminosidade no límpido céu. Não obstante todos se terem encharcado com a chuvadurante a manhã, logo depois da visão, os fatos de todos estavam perfeitamente enxutos. Não estou aqui para provar a autenticidade destas revelações, porque aqueles que creem no reino do Espírito e na mão de Deus não têm necessidade de provas, e os que renegam o espírito não aceitariam as provas em caso algum. Que significado poderemos nós ver na aparente queda do sol sobre a multidão de Fátima naquele outubro de 1917? Não podemos garantir, mas, como o seu efeito geral foi tão medonho, podemos tentar uma explicação. Talvez signifique que os homens hão de roubar um dia uma parte da energia atômica ao sol e utilizá-la não para iluminar o mundo, mas como uma bomba que se lança dos ares por sobre uma população inerme. Quando a fome alastrava pela terra, quando a guerra destruía a herança acumulada durante séculos, quando o homem se comportava como um lobo para com o outro homem, e quando grandes campos de concentração, qual outro Moloch, tragavam milhares e milhares de desgraçados, os homens podiam sempre erguer os olhos ao céu para esperarem. Se esta terra era tão cruel, ao menos os céus eram misericordiosos. Talvez aquela aparição vaticinasse que, agora, até os céus se lançariam contra o homem e os seus fogos seriam desencadeados contra os indefesos filhos de Deus. Se foi ou não um prenúncio da bomba atômica, nós não o sabemos. Uma coisa é certa, e é que não perderemos ainda a esperança. E no meio de tantas nuvens, podemos ainda erguer os olhos ao céu para vermos Nossa Senhora com a lua debaixo dos pés, com uma coroa de estrelas na cabeça, e o sol sobre Ela. O céu não é contra nós e não nos destruirá, enquanto Ela reinar como Senhora do céu. Outra razão é que a Divina Providência confiou a uma mulher o poder de esmagar o demônio. No primeiro e funesto dia em que o demônio foi introduzido no mundo, Deus falou à serpente no paraíso terreal e disse: “Eu porei inimizades entre ti ·e a mulher, entre a tua descendência e a sua descendência e tu serás esmagada pelo seu calcanhar” (Gênesis, capítulo 3, versículo 15). Por outras palavras, o mal terá descendência. Do mesmo modo o bem terá descendência. É através do poder da mulher que o mal será esmagado. Vivemos agora na hora do demônio porque, embora o bem, tenha o seu dia, o mal tem a sua hora. O nosso bendito Senhor assim o disse, na noite em que Judas se lhe dirigiu no Jardim das Oliveiras: “Esta é a tua hora, o reino das trevas” (Lucas, 22, 53). Tudo o que o demônio pôde fazer nessa hora foi extinguir a Luz do mundo; mas pôde fazê-lo. Se, portanto, vivemos num dia em que foi dada rédea larga ao demônio, nós não podemos esmagar o espírito de Satanás senão através do poder daquela Mulher a quem Deus onipotente confiou o encargo de pisar a cabeça da serpente. Traduzindo tudo isto nos concretos problemas do nosso mundo, significa talvez que a Terceira Guerra Mundial, que nós tememos, virá sobrecarregar com a sua miséria e com a sua dor uma humanidade já experimentada por duas guerras mundiais em 21 anos. Será possível evitar esta catástrofe cósmica? Por certo que não é a política que a pode evitar, porque abandonando as ideias de justiça da Carta Atlântica lançaram-se as sementes duma outra guerra. É igualmente certo que a não poderá evitar um plano econômico, social ou militar, porque o perigo da guerra há de existir enquanto os homens estiverem sem Deus, e forem egoístas, ávidos de bens terrenos. A única esperança do mundo é um milagre. Só Deus pode evitar a guerra, e fá-lo-á através da nossa Mãe bendita. Como isso há de acontecer, nós não o sabemos mas é certo que, se a Rússia viesse a reaver um dia o dom da fé, ela conduziria o mundo à paz. Pensai por um momento na transformação que operaria na Rússia uma única visão da nossa bendita Senhora. O México converteu-se devido a uma visão em Guadalupe. A Roma pagã converteu-se depois de 300 anos de perseguição à Igreja. A Rússia ateia não está mais longe da graça divina do que estava Roma. Devemos rezar para que a Rússia se converta, pois guiará ainda o mundo àquela paz que só a fé pode dar. Mas o gênero humano deve dar a sua parte, porque nós somos cooperadores no querer de Deus. Antes que esse milagre se produza, deve haver uma grande manifestação social de amor a Deus, por intermédio o da devoção ao Coração Imaculado de Maria. A nossa bendita Mãe pediu uma consagração do mundo, e o Santo Padre, no 25° aniversário da sua consagração episcopal, e, no 25° aniversário da revelação de Fátima, consagrou, em 1942, o mundo ao Coração Imaculado de Maria. Aguardamos agora a consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria, não só pelo Santo Padre, mas por todos os bispos da Igreja. Pela nossa parte, além de trazermos o escapulário de Nossa Senhora do Carmo, como a contribuição mínima para essa cruzada de orações, nós que temos fé, devemos: I) Receber a Sagrada Comunhão no primeiro sábado de cada mês e rezar durante 15 minutos a Nossa Senhora como reparação pelos pecados do mundo. II) Rezar todos os dias o rosário pela conversão da Rússia. Nós, que acreditamos, não podemos esquecer que em 8 de dezembro de 1846, há portanto cem anos, o Concílio Baltimore. consagrou os Estados Unidos ao Coração Imaculado de Nossa Senhora. Foi só oito anos mais tarde que a Igreja proclamou o dogma da sua Imaculada Conceição. Nas nossas moedas foi gravada a palavra: “Em Deus confiamos”. Sobre a nossa nação está invisivelmente escrita a consagração da nossa Pátria à Imaculada Conceição, feita há cem anos. Acima dos céus e da história está escrita a divina promessa contra a serpente do mal: “e Ela esmagará a tua cabeça”. Resta escrever nos nossos corações um contrito amor ao Imaculado Coração de Maria. Possa este amor exprimir-se todos os dias com tais sinais de amor e de virtude, que no último dia, quando comparecermos na presença de Deus para sermos julgados, O possamos ouvir pronunciar as mais consoladoras palavras, como garantia da nossa salvação eterna: “Eu ouvi minha Mãe falar de vós”. No amor de Jesus Cristo Nosso Senhor!