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Matheus dos Santos Correia UniFG – Medicina (Rodízio de Saúde Mental e do Idoso) 1 DEFINIÇÃO A personalidade corresponde a uma característica que denota tendências e padrões nas respostas, comportamentos e experiências internas de indivíduo. Podemos dizer que a personalidade corresponde a uma mistura do temperamento e caráter de um indivíduo. O temperamento consiste em uma característica genética herdada, podendo ser atribuída como “gênio” ou “jeitão” de uma determinada pessoa. Por outro lado, o caráter corresponde ao resultado das experiências vivenciadas ao longa da vida, sendo influenciado também pelo temperamento. O transtorno de personalidade corresponde a padrões inflexíveis e persistentes de funcionamento que podem resultar em sofrimento e prejuízo funcional, por meio das características mal adaptadas. Por definição, tais transtorno são sintomas de tempo limitado que possam ter início e fim demarcados durante um período de vida. São padrões crônicos de comportamento que têm início precoce e insidioso, sendo mais evidentes no final da adolescência ou no início da vida adulta. EPIDEMIOLOGIA A prevalência dos TP varia nos estudos em geral 5-20%. Os transtornos de personalidade são diagnosticados o final da adolescência e no início da vida adulta. CLASSIFICAÇÃO Matheus dos Santos Correia UniFG – Medicina (Rodízio de Saúde Mental e do Idoso) 2 MECANISMOS ENVOLVIDOS NA FISIOPATOLOGIA Os mecanismos que justificam a gênese do transtorno de personalidade decorrem da interação entre fatores genéticas (a hereditariedade no TP Boderline é de 55%) e experiências adversas durante a vida. No ponto de vista neurobiológico observamos alterações nos circuitos cerebrais. As principais alterações estão presentes na relação entre o sistema límbico e córtex pré-frontal. Essas regiões são relacionadas com a avaliação mental, pensamento autorreferencial, memória autobiográfica, processamento afetivo da dor, regulação emocional e controle inibitório. Além disso, é possível observar a presença de alterações endocrinológicas relacionadas ao estresse com disfunção no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. QUADRO CLÍNICO Os transtornos de personalidade são divididos em três grupos: (1) indivíduos com características estranhas ou de afastamento; (2) características dramáticas, impulsivas ou erráticas; (3) características de ansiedade e medo. Matheus dos Santos Correia UniFG – Medicina (Rodízio de Saúde Mental e do Idoso) 3 Matheus dos Santos Correia UniFG – Medicina (Rodízio de Saúde Mental e do Idoso) 4 O TPB pode ser caracterizado pela notável instabilidade que está presente em muitos, se não em todos os aspectos do funcionamento da personalidade, como relacionamentos, autoimagem, afeto e comportamento. Pessoas com TPB podem apresentar um padrão de sabotagem pessoal quando estão para alcançar uma meta, como, por exemplo, destruição de um relacionamento bom quando está claro que ele pode durar; abandono da escola logo antes da formatura etc. Os pacientes com TPB são um fardo para os familiares, amigos e colegas, e há alto risco de indução de psicopatia nos filhos. A comorbidade geralmente alta no TPB pode dificultar o diagnóstico. Este transtorno pode apresentar comorbidade com quase todos os outros transtornos, sobretudo os do humor, de abuso/dependência de substâncias, de ansiedade, de fobia social e de estresse pós-traumático), além de transtornos psicóticos e outras patologias da personalidade. O TPB pode ser visto como um dos mais graves transtornos de personalidade. O TPB é confuso e pouco compreendido pelos profissionais e pelo público. O risco maior de completar o suicídio ocorre nos 5 a 7 anos do início da manifestação do transtorno. Depois disso, o risco cai muito. Os sintomas melhoram com o passar do tempo. Por volta dos 30 a 35 anos, os pacientes apresentam melhora significativa. Os sintomas tendem a sumir depois dos 40 anos. Fundamental lembrarmos que, com tratamento adequado, o paciente poderá se organizar e melhorar a qualidade de vida e suas relações. Portanto, com tratamento o curso do TPB não é tão negativo como se pensava anteriormente. DIAGNÓSTICO O diagnóstico é fenomenológico caracterizado pela observação de sinais e sintomas por um período de tempo, sendo caracterizados e validados através do DSM 5 e CID 10. Matheus dos Santos Correia UniFG – Medicina (Rodízio de Saúde Mental e do Idoso) 5 TRATAMENTO • Psicoterapia • Farmacologia Em geral, o tratamento de primeira linha para transtornos de personalidade é a psicoterapia. O tratamento medicamentoso de transtornos de personalidade, focado nos sintomas, é geralmente considerado um complemento da psicoterapia. No tratamento dos sintomas de um transtorno de personalidade, antidepressivos e estabilizadores de humor são dosados como seriam para transtorno depressivo maior e transtorno bipolar, respectivamente, enquanto as doses de medicamentos antipsicóticos são geralmente usadas em uma faixa de dosagem menor em comparação com as doses usadas no tratamento da esquizofrenia. Opções terapêuticas: - Lítio 300 a 600 mg, iniciando com uma dose baixa de 100 a 200 mg por dia e titulando por 2 – 3 meses, conforme tolerado para 600 mg por dia. Matheus dos Santos Correia UniFG – Medicina (Rodízio de Saúde Mental e do Idoso) 6 - Risperidona (0,5 a 1,0 mg), iniciando com uma dose diária de 0,5 mg, com aumento opcional para 1 mg, após um a dois meses (se tolerado) como medicamento de manutenção e continuou até que os objetivos psicoterapêuticos fossem atingidos. - Quetiapina (25 a 150 mg), iniciando com dosagem noturna de 25 mg, com aumento opcional para dosagem noturna de 150 mg por vários meses, como medicamento de manutenção, continuando até que os objetivos psicoterapêuticos sejam atingidos. A decisão de tratar um paciente com transtorno de personalidade com medicação deve ser baseada no perfil de risco-benefício individual do paciente (incluindo eficácia do medicamento e efeitos adversos) e seu grau de comprometimento. A decisão de usar medicamentos deve ser alcançada através da tomada de decisão compartilhada com o paciente. A internação hospitalar está indicada principalmente para manejo do comportamento suicida grave. É importante ressaltar que nem todo comportamento suicida é critério de internação. Quando é necessária a internação, orienta-se que seja de curta duração (3-14 dias), visando a não reforçar comportamentos de esquiva de problemas enfrentados no cotidiano (Croci, 2021). São propostas terapêuticas da internação: fazer uma análise detalhada da cadeia de eventos e sentimentos que precipitaram o comportamento suicida, a fim de trabalhar em estratégias mais adaptativas de enfrentamento; ressaltar ativamente a importância do contexto interpessoal de provocar ou aliviar comportamentos suicidas e antecipar questões futuras de segurança com a confecção de um plano de segurança para os momentos de desregulação emocional. Matheus dos Santos Correia UniFG – Medicina (Rodízio de Saúde Mental e do Idoso) 7