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1 YOGA E SUA FILOSOFIA 1 SUMÁRIO 1. NOSSA HISTÓRIA ............................................................................................... 2 2. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 3 3. VEDAS PRIMORDIAIS ......................................................................................... 4 2.1 A Sociedade do Varnâshram Dharma ............................................................ 6 Upavedas, as Ciências Védicas ............................................................................... 8 2.2 As Epopéias do Ramayana e Mahabharata ................................................... 9 Shad Darshanas, as Seis Escolas Clássicas da Filosofia Védica .......................................................... 10 Os Seis Darshanas e sua literatura .................................................................................................... 10 Nyâya ................................................................................................................................................. 10 1.2 Vaisheshika .................................................................................................... 12 4. YOGA ................................................................................................................. 13 5. PÛRVA MÎMÂMSÂ ............................................................................................. 15 4.1 Uttara Mîmâmsâ ou Vedânta ......................................................................... 16 4.1.1 Advaita Vedanta de Shankara ................................................................... 17 Vishishta Advaita Vedanta de Ramanuja .......................................................................................... 18 Dvaita Vedânta de Madhva ............................................................................................................... 19 6. A TRADIÇÃO DO HATHA YOGA ...................................................................... 20 5.1 Técnicas do Hatha Yoga ............................................................................... 22 7. YOGA MELHORA A CONCENTRAÇÃO, REDUZ O ESTRESSE E AJUDA A EMAGRECER ........................................................................................................... 26 1. 29 2. Referências ....................................................................................................... 30 2 1. NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 INTRODUÇÃO Contar a história do yoga é uma grande pretensão, é quase como tentar desvendar um mistério. Aquilo que se esconde nos recônditos intocáveis da alma humana também está escondido entre os incontáveis milênios por onde esta alma habitou. Sabemos tão pouco acerca de nós mesmos hoje, e sabemos igualmente muito pouco acerca dos mistérios da história da vida humana na terra. Podemos afirmar, contudo, que o yoga, estando “à imagem e semelhança do homem”, certamente o acompanha desde o princípio de sua caminhada. Embora a essência do yoga, a aspiração à transcendência (da qual trataremos ao longo destas páginas), possa ser encontrada em quase todas as civilizações antigas, seu nome e identidade tal qual o conhecemos, enquanto ciência da mente e da consciência, foram formalizados no contexto de uma cultura em especial, a cultura dos Vedas. A civilização védica, segundo os historiadores, tem seus primeiros registros comprovados há mais ou menos 5.000 anos antes de cristo, tendo se originado às margens do rio Indo e do rio Sarasvati, na Índia norte-ocidental. Os sítios arqueológicos de Harappa e Mohenjo Daro são repletos de evidências a este respeito. Já para os praticantes da cultura védica, também chamada de Sanatana Dharma (lei eterna), os Vedas têm sua origem no “plano espiritual” e aqui estão desde a origem da criação deste universo, em tempos imemoriais. Antes de dar continuidade da leitura do conteúdo da apostila sobre o Yoga, veja os vídeos de apoio, que serão apontados que irão lhe porporcionar mais conhecimento sobre o assunto em questão. Vídeo 1: A Filosofia do Yoga Disponibilizado em:< https://www.youtube.com/watch?v=0x0wBurfQS8> Sinopse: neste vídeo serão abordados os seguintes temas: o que é o Yoga; linha do Tempo: da origem do yoga no período pré-védico até o yoga moderno; O Bhagavad https://www.youtube.com/watch?v=0x0wBurfQS8 4 Gita; Os YogaSutras de Patañjali; O Yoga na perspectiva das Práticas Integrativas e Complementares no SUS VEDAS PRIMORDIAIS Vídeo 2: Yoga e os Vedas - Gloria Arieira - Ep. 1 Disponiblizado em:< https://www.youtube.com/watch?v=uzFjdrUyCJA> Vídeo 3: Yoga e os Vedas - Gloria Arieira - Ep. 2 Disponiblizado em:<https://www.youtube.com/watch?v=UqvtJm4OSgI> Vídeo 4: Yoga e os Vedas - Gloria Arieira - Ep. 3 Disponiblizado em: <https://www.youtube.com/watch?v=4jYck3BoT8E> Gloria Arieira: Em janeiro de 1974 foi para a Índia estudar com Swami Dayananda, que tornou-se seu mestre. Com ele estudou até julho de 1978, retornando então ao Brasil. Além de permanecer no Arsha Sandeepani Sadhanalaya, um local de estudo e vivência com o mestre, em Mumbai, também estudou em outros Ashrams em Uttarkashi e Rishikesh, norte da Índia. Viajou também para lugares nas várias regiões da Índia, para participar de cursos, palestras e visitas a lugares sagrados, como os templos de Tamil Nadu e Kerala, conhecendo melhor a tradição cultural e religiosa dos Vedas. Desde seu retorno, vem ensinando Vedanta e Sânscrito no Rio de Janeiro e em outras cidades do Brasil e também no Porto, em Portugal. Dedica-se também ao trabalho de tradução para o Português dos textos em Sânscrito, como a Bhagavadgita, Upanishads e vários outros. É responsável pela publicação em português dos livros de Swami Dayananda, editados pela Vidyamandir Editorial, e de dois outros livros: Orações Milenares e Puja - a realização de um ritual védico.” https://www.youtube.com/watch?v=uzFjdrUyCJA https://www.youtube.com/watch?v=UqvtJm4OSgI 5 Figura1: Ilustrativa Fonte: yoga.pro.br. Do ponto de vista literário, o primeiro texto organizado a retratar este universo cultural de onde o yoga se derivou foi o Rg Veda, a partir do qual se desenvolveram o Yajur Veda, o Sâma Veda e o Atharva Veda. Juntos, estes quatro grandes hinos formam a literatura védica original, chamada de Shruti ou “revelação”, por terem sido “ouvidos” pelos sábios auto-realizados. Estes quatro Vedas foram escritos em sânscrito, o idioma antigo desta civilização, sendo o seu alfabeto chamado de Devanagari ou “língua dos deuses”. A despeito de terem sido registrados naforma escrita, entre o quinto e o quarto milênio antes de cristo, é bem possível que estes hinos sejam ainda mais antigos, pois sua transmissão de geração a geração não se deu exclusivamente através da escrita, mas principalmente através da memorização e recitação oral, por meio de cantos que seguiam regras métricas e estéticas bastante precisas, estudadas hoje sob o termo de “Canto Védico”. É dito que esta tradição oral foi tão fielmente preservada que a maneira como os hinos são cantados atualmente coincide com a maneira como eram cantados em milênios passados. Muitas gerações de famílias de sacerdotes védicos (brahmanas) encarregaram-se e até hoje se encarregam deste feito histórico.Ao longo do tempo, foram sendo anexados aos hinos (Samhitas) originais Védicos outros textos, a saber os Brahmanas, textos acerca das práticas ritualísticas dos sacerdotes, os Aranyakas, tratados de conhecimentos dos ascetas peregrinos das florestas, e https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fwww.yoga.pro.br%2Fcronologias-historica-e-literaria-da-india-antiga%2F&psig=AOvVaw1z3s19YDAetk4bvMjYoCAQ&ust=1603156381979000&source=images&cd=vfe&ved=2ahUKEwii5M2Gvb_sAhURDrkGHQmIC1gQr4kDegUIARCuAQ https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fwww.yoga.pro.br%2Fcronologias-historica-e-literaria-da-india-antiga%2F&psig=AOvVaw1z3s19YDAetk4bvMjYoCAQ&ust=1603156381979000&source=images&cd=vfe&ved=2ahUKEwii5M2Gvb_sAhURDrkGHQmIC1gQr4kDegUIARCuAQ 6 finalmente, as Upanishads, principais tratados de filosofia metafísica e da ciência do yoga. Estes dois últimos formam o que chamamos de Vedanta (parte final dos Vedas). Assim, podemos dizer que os quatro Vedas originais tomaram a forma de grandes compêndios de textos, cada um deles, divididos em quatro partes, mantendo esta configuração clássica até os dias de hoje: VEDAS (Shruti – revelação) Rg Veda Yajur Veda Sama Veda Atharva Veda Samhitas Samhitas Samhitas Samhitas Brahmanas Brahmanas Brahmanas Brahmanas Aranyakas Aranyakas Aranyakas Aranyakas Upanishads Upanishads Upanishads Upanishads A partir dos conhecimentos descritos nos Vedas, podemos dizer que inúmeras ordens filosóficas, religiosas, bem como inúmeros ramos da ciência tais como a matemática, astronomia, arquitetura e medicina foram adquirindo o status de disciplinas e formaram grandes tradições, todas em consonância com os preceitos védicos originais, caracterizando assim uma civilização incrivelmente organizada e coesa. 2.1 A Sociedade do Varnâshram Dharma 7 Figura 2:ilustrativa Fonte: aoencontrodesi.blogspot.com. Em termos de organização social, a comunidade védica distribuía-se mediante o conceito de Varnashram Dharma, a divisão da sociedade em Varnas (ocupação social) e Ashrams (período da vida). Os quatro Varnas se referem à aptidão ou vocação natural de cada indivíduo e nada têm a ver com o distorcido sistema de castas atualmente vigente na Índia, embora lhe tenham servido de protótipo. Estes são: 1- Brahmana: são as pessoas mais voltadas para o cultivo de conhecimento, para o desenvolvimento e preservação da cultura e dos valores humanos. São eles os filósofos, estudiosos, professores, pesquisadores, artistas, escritores, sábios religiosos, médicos e curadores. 2- Kshatriya: são as pessoas mais voltadas para a liderança, as quais têm espírito empreendedor, gostam de administrar e possuem uma natureza “guerreira”. São mais propensas à administração pública, política, causas sociais, militarismo, lutas e exercício do poder. 3- Vaishya: são pessoas mais voltadas para a produção direta dos bens de consumo e sua comercialização. São eles os agricultores, pecuaristas, artesãos, alfaiates, comerciantes e lojistas. http://aoencontrodesi.blogspot.com/2007/09/fonte-religiosa-e-conduta-de-vida.html http://aoencontrodesi.blogspot.com/2007/09/fonte-religiosa-e-conduta-de-vida.html 8 4- Shudra: são pessoas com menos iniciativa e liderança, que se sentem mais felizes em servir como empregados dos demais. Estas pessoas preferem seguir as ordens e instruções de seus líderes numa relação de amo e servo, e não gostam de serem solicitadas às responsabilidades que exigem iniciativas próprias. Os quatro Ashrams, ou etapas da vida são: 1- Brahmachari: esta vai desde o nascimento até aproximadamente 25 anos, e corresponde ao período de desenvolvimento e maturação do corpo, bem como educação e formação do caráter, da personalidade e da cultura básica de um indivíduo. 2- Grhasta: a chamada vida adulta, compreendida entre os 25 e 50 anos de idade. Esta é a fase marcada pelos deveres para com a família e para com a sociedade, na forma do trabalho e das conquistas materiais (bens, patrimônio, sustentação e educação dos filhos, afirmação da identidade social). 3- Vanaprastha: esta é a fase da aposentadoria, mais ou menos a partir dos 50 anos, quando a pessoa vai se desvencilhando das obrigações com o trabalho e proveniência da família, e começa a se concentrar em atividades menos voltadas para as necessidades materiais e mais voltadas para as questões espirituais. 4- Samnyasa: esta é a fase última da vida, reforçada a partir dos 75 anos, na qual o desapego das coisas materiais e da identidade corpórea é cultivada até as últimas circunstâncias, como uma preparação para a morte. Este é o momento em que as práticas espirituais e o estudo das disciplinas espirituais ganham total relevância. Dentro desta divisão clássica, houve ainda muito espaço para todos os tipos de manifestações “desviantes”, como variadas ordens de ascetas e renunciantes, os quais contribuíram imensamente para a construção, ou perpetuação, do conhecimento yóguico. Upavedas, as Ciências Védicas Do ponto de vista científico, a cultura védica criou ainda grandes tradições de conhecimento, amplamente estudadas e praticadas até os dias de hoje, tais como: UPAVEDAS (Ciências derivadas dos Vedas) Ayurveda > Sistema medico Dhanur Veda > Artes militares e marciais Sthapatya Veda > (Vastu Shastra) Arquitetura e engenharia 9 Jyotish > Astrologia Gandharva Veda > Música, dança e teatro. 2.2 As Epopéias do Ramayana e Mahabharata Figura 3: ilustrativa Fonte: nuhtaradahab.wordpress.com. Cabe ressaltar que, dentro da imensa produção literária da civilização védica, encontramos ainda os dois maiores dramas épicos de todos os tempos, a saber o Ramayana de Valmiki, narrativa da saga do senhor Ramachandra, e o Mahabharata de Vyasa, no qual se descrevem a história das dinastias culminando com a intricada guerra de Kurukshetra, cenário no qual foi falada a Bhagavad Gita, sem dúvida o mais apreciado clássico de toda a literatura védica e o mais representativo texto de ensinamentos espirituais desta civilização. Dividido em 18 capítulos, cada um deles descreve um aspecto da filosofia do yoga. Estima-se que a Bhagavad Gita, bem como o texto todo do Mahabharata, tenha sido escrito entre o segundo e primeiro milênio antes de cristo, embora narrem fatos possivelmente ocorridos no terceiro milênio a.C. Já o Ramayana, embora tenha sido escrito em época posterior, narra uma história que antecede o Mahabharata em ao menos duas gerações. https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fnuhtaradahab.wordpress.com%2F2011%2F03%2F20%2Fepopeias-da-india-antiga-o-mahabharata-i-origens%2F&psig=AOvVaw1HEEnAaD5uOicVTCjy1NcY&ust=1603217025158000&source=images&cd=vfe&ved=2ahUKEwjB2sP7nsHsAhWfNLkGHa2IDAAQr4kDegUIARCmAQ https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fnuhtaradahab.wordpress.com%2F2011%2F03%2F20%2Fepopeias-da-india-antiga-o-mahabharata-i-origens%2F&psig=AOvVaw1HEEnAaD5uOicVTCjy1NcY&ust=1603217025158000&source=images&cd=vfe&ved=2ahUKEwjB2sP7nsHsAhWfNLkGHa2IDAAQr4kDegUIARCmAQ 10 Shad Darshanas, as Seis Escolas Clássicas da Filosofia Védica Em meados do primeiro milênio antes de cristo, presume-seque a cultura e as tradições filosóficas dos Vedas tenham alcançado sua máxima maturação. Durante este período seis sistemas filosóficos ocuparam o lugar de destaque e foram chamados de Shad (seis) Darshanas (visões). Eram eles o Nyaya (sistema de lógica), Vaisheshika (distinção entre as categorias da existência), Samkhya (cosmologia/ontologia), Yoga (psicologia), Purva Mimamsa (ritualística e ética) e Vedanta (metafísica). Estes seis sistemas de pensamento longamente conviveram e dialogaram entre si, e foi neste período (aproximadamente de 1.000 AC até 500 DC) que grandes sábios, porta vozes destas tradições, ocuparam-se em redigir os textos que as consagrariam para a toda a posteridade, estes textos foram chamados de Sutras. Cabe ressaltar ainda que estas seis escolas foram consideradas ortodoxas (âstika) por estarem de acordo com as escrituras védicas, diferente de outras tradições chamadas heterodoxas (nâstika), como o Lokayata, o Jainismo e o Budismo, as quais nunca se preocuparam em fundamentar suas bases na revelação védica. Os Seis Darshanas e sua literatura Nyâya (lógica) > Nyaya Sutras de Akshapada Gautama Vaisheshika (distincionismo) > Vaisheshika Sutras de Kanâda Sâmkhya (ontologia) > Samkhya Sutras de Kapila e Samkhya Karika de Ishvara Krishna Yoga (psicologia) > Yoga Sutras de Patanjali Pûrva-Mîmâmsâ (ritualística e ética) > Mimamsa Sutras de Jaimini Uttara-Mîmâmsâ ou Vedânta (metafísica) > Brahma Sutras ou Vedanta Sutras de Badarayana Nyâya Fundada por Gautama por volta de 500 a.C, esta escola, em grande semelhança à filosofia grega de Aristóteles, busca enunciar regras válidas para a argumentação lógica e para o discurso retórico. A preocupação básica deste sistema 11 gira em torno da epistemologia, ou seja, visa elaborar quais são os meios através dos quais podemos adquirir um conhecimento válido. Esta escola dialoga com o yoga na medida em que discorre sob as várias formas de percepção, analisando o estado meditativo como uma maneira especial de obtenção de conhecimento. O objetivo final do estudo do Nyâya, à semelhança dos outros Darshanas, é elevar o seu adepto ao nível de Apavarga ou libertação do sofrimento. Para tal propósito, Gautama propõe o conhecimento a partir de dezesseis categorias (padârthas), muitas das quais são também apresentadas por Patanjali em seus Yoga Sutras: 1- Pramâna: o meio pelo qual se obtém o conhecimento. Pode ser de 4 tipos, a saber: 2- Pratyaksha (percepção dos sentidos) 3 – Ânumâna (dedução lógica) 4 – Upamana (comparação ou analogia) 5 – Shabda (testemunho verbal) 2- Prameya: o objeto de conhecimento. 12 são os objetos a serem conhecidos: 1 – Âtman (a alma) Prameya: o objeto de conhecimento 2- Sharîra (o corpo) 3 – Indriya (os sentidos) 5 – Buddhi (o intelecto) 6 – Manas (a mente) 7 – Pravrtti (a atividade) 8 – Dosha (o erro) 9 – Pretya bhâva (a experiência de morte) 10 – Phala (o fruto da ação) 11 – Duhkha (a dor) 12 – Apavarga (a liberação) 3- Samshaya: a dúvida. 4- Prayojana: o objetivo ou meta do conhecimento. 5- Drshtânta: o exemplo. 6- Siddhânta: a conclusão. 7- Avyaya: sequência de argumentos (silogismo) 1- Pratijña (proposição: há fogo dentro da casa) 2- Hetu (prova: de lá sai fumaça) 12 3- Udâharana (argumento: onde há fumaça, certamente há fogo) 4- Upanaya (recapitulação: sai fumaça da casa) 5- Nigamana (conclusão: portanto, há fogo na casa) 8- Tarka: o raciocínio hipotético. 9- Nirnaya: a comprovação. 10- Vâda: a objeção. 11- Jalpa: a disputa ou contra-argumentação. 12- Vitandâ: a polêmica. 13- Hetvâbhâsa; o sofisma. 14- Chala: a fraude ou subterfúgio. 15- Jâti: a objeção superficial. 16- Nigrahasthâna: argumento insustentável. 1.2 Vaisheshika Fundada por Kanâda por volta de 600 a.C, esta filosofia descreve seis categorias (vishesha) primárias da existência, e afirma que é apenas mediante absoluta compreensão destas categorias que o homem pode alcançar a libertação: 1- Dravya ou substância: divididos em terra (prthivî), água (apas), fogo (tejas), ar (vâyu), éter (âkâsh), tempo (kâla), espaço (dik), mente (manas), espírito (âtma). 2- Guna ou qualidades: quente (ushna) e frio (shita), claro (shukla) e escuro (krshna), leve (laghu) e pesado (guru), sutil (sukshma) e denso (sthula) e assim por diante. 3- Karma ou ação/movimento. 4- Samânya ou “o todo”. 5- Vishesha ou “a parte”. 6- Samâvaya ou inerência: se refere à relação entre estas categorias tais como entre a substância e suas qualidades, entre o todo e suas partes distintas. 13 2. YOGA Figura 4 Fonte: incaaromas.com Patanjali, em seus Yoga Sutras, (texto aparentemente escrito entre 500 a.C e 100 b.C), busca definir os conceitos fundamentais do yoga e explicar o seu método. Presume-se que o conhecimento apresentado no texto não foi algo novo, mas a formalização de uma tradição que já colocava estes ensinamentos em prática desde tempos longínquos, remontando aos Vedas e às Upanishads. Fortemente embasado na visão dualista do Samkhya, a filosofia de Patanjali visa elucidar a relação existente entre Purusha (consciência) e Prakrti (matéria) e explica que entre eles existe um elo, chamado de Samyoga, no qual o Purusha encontra-se num estado de alienação (Avidya) diante do “encanto” exercido por Prakrti. O objetivo do processo de Yoga é desfazer esta Samyoga através de uma discriminação ininterrupta (Âviveka) que trará o Purusha de “volta a si”, compreendendo sua liberdade (Apavarga ou Kaivalya) inerente em relação à Prakrti. Isto significa dizer que o objetivo do yoga seria, em termos gerais, a libertação do espírito em relação à matéria. Para alcançar esta condição de auto-consciência e liberdade espiritual, propõe o caminho do Ashtanga Yoga, o caminho óctuplo, descrito como: 1- Yama: cinco observâncias éticas chamadas de Maha Vratam, valores universais independentes de tempo, lugar e cultura. São eles a não-violência https://incaaromas.com/o-que-e-yoga-e-quais-sao-os-beneficios/ https://incaaromas.com/o-que-e-yoga-e-quais-sao-os-beneficios/ 14 (ahimsa), a veracidade (satya), a não usurpação e exploração alheia (asteya), a moderação dos sentidos e castidade (brahmacarya), o não cultivo da possessividade (aparigraha). 2- Niyama: cinco práticas fundamentais de auto-aprimoramento. São elas a limpeza do corpo e da mente (shaucha), o contentamento (samtosha), a disciplina (tapah), o auto-conhecimento (svadhyaya) e a subordinação à Deus (Îshvara- pranidhana) 3- Âsana: saber posicionar o corpo corretamente para a prática da respiração e da meditação. A postura deve adquirir as qualidades de firmeza estável (sthira) e relaxamento confortável (sukham). Mediante estas qualidades, o corpo não será perturbado pelas oscilações ao redor. 4- Prânâyâma: prática de técnicas respiratórias que visam desenvolver o alongamento (dirgha) e a sutilização (sukshma) de suas quatro etapas (inspiração, retenção, exalação e suspensão) como meio de preparação para a meditação profunda. 5- Pratyâhâra: a introversão e pacificação dos cinco sentidos que garantirão a concentração ininterrupta. 6- Dhâranâ: concentração profunda em um só princípio ou objeto de meditação. 7- Dhyâna: meditação que naturalmente decorre da concentração. 8- Samâdhi: efeito de lucidez absoluta que decorre naturalmente da profundidade do estado meditativo. Segundo Patanjali, quando esta técnica meditativa é aplicada constantemente sob a égide de Vairagya, o desapego do observador em relação àquilo que é observado, então o estado de Kaivalya ou libertação será gradualmente e definitivamente conquistado. 15 3. PÛRVA MÎMÂMSÂ Figura 5: ilustrativa Fonte: picuki.com. Esta escola foi assim chamada porque discorre sobre os temasabordados principalmente na literatura dos Samhitas e dos Brahmanas, os quais são, como já vimos, a primeira parte (pûrva significa aquilo que vem antes) dos 4 Vedas originais. O tema principal desta escola é a ética ou virtude, designada sob o termo de Dharma. Diferentemente das outras escolas que se preocuparam com a libertação, esta traz a idéia de que através do cumprimento correto dos deveres e das boas ações, junto da abstenção de praticar atos nocivos, a pessoa acumula méritos que farão com que sua condição de existência melhore cada vez mais. O propósito desta escola seria, portanto, garantir ao adepto uma vida feliz e abundante neste mundo, através da boa gestão de suas ações (karma) e do cumprimento de certos rituais prescritos (yajna) nos Vedas. Como podemos observar, este ideal não é adotado pelas demais escolas, as quais consideram que as ações e seus frutos, por melhor que sejam, não podem garantir a liberdade completa do sofrimento. Este continuará existindo enquanto o espírito permanecer “aprisionado” sob os laços do apego à vida “mundana”. Esta tradição também foi chamada de Karma Kanda, a porção dos Vedas que trata de administrar as ações para colher os seus frutos. https://www.picuki.com/tag/KhalsaDarsana https://www.picuki.com/tag/KhalsaDarsana 16 4.1 Uttara Mîmâmsâ ou Vedânta Esta escola foi assim chamada porque discorre sobre os temas abordados na parte final (uttara-o que vem depois / anta-fim) dos Vedas. Como já vimos, esta é composta dos Aranyakas e Upanishads. Esta literatura é de grande conteúdo metafísico e concentra seus esforços em descrever Brahman, a Realidade Absoluta de Deus, e os meios através dos quais o adepto poderá conhecê-la e unir-se a Ela. Baseado nesta literatura é que Bâdarâyâna compõe, aproximadamente entre 500 a.C e 200 d.C o Brahma-Sutra (também chamado de Vedânta-Sutra), um dos mais bem elaborados tratados de metafísica já escritos em toda a história. Com o passar do tempo este texto, em concomitância com as Upanishads e a Bhagavad Gita, passaram a ser a referência absoluta a partir da qual os grandes filósofos e reformadores religiosos da Índia configuraram o hinduísmo tal como o conhecemos hoje, em suas diferentes vertentes. Estas três escrituras juntas são chamadas de Traya-Prasthana. Dentre os grandes autores da filosofia vedanta, podemos destacar, em ordem cronológica: 1- Adi Shankaracharya (788-820 d.C) fundador da filosofia de Advaita Vedanta. 2- Râmânuja (1017-1137 d.C) fundador da filosofia de Vishishta Advaita Vedanta. 3- Madhva (1238-1317 d.C) fundador da escola de Shuddha Dvaita Vedanta Embora todas baseadas nos mesmos textos fundamentais, estas diferentes escolas de Vedanta divergiam entre si em torno de algumas interpretações, e travavam grandes debates e duelos filosóficos para chegar àquela que seria a interpretação mais completa. Podemos dizer que o tema central destas divergências girava em torno do questionamento de qual a relação existente entre Brahman (o Absoluto), Jiva (as entidades vivas) e Jagat (o mundo material), e consequentemente, qual o objetivo a ser alcançado mediante esta compreensão. 17 4.1.1 Advaita Vedanta de Shankara Esta escola recebe este nome decorrente de sua perspectiva inteiramente monista (a-não, dvaita-dualidade). Shankaracharya foi discípulo de Govinda, o qual foi discípulo de Gaudapada, predecessores que já afirmavam a interpretação monista dos Vedas. Porém foi Shankara quem escreveu os comentários das Upanishads, do Vedanta-Sutra e da Bhagavad Gita, a partir dos quais esta escola se consolidou. Com o tempo, esta tradição também foi chamada de Smarta Brahmana. Para Shankara, a única realidade é Brahman, sendo este sem qualidades (nirguna), sem forma (nirâkâra), sem características (nirvishesha), eterno, onipresente, imutável e não agente (akarta). Toda a manifestação deste universo (jagat) com seu conjunto de qualidades, formas, diversidades e atividades são considerados um efeito de Mâyâ, uma espécie de poder ilusório de Brahman. Já os seres vivos (jiva-atma) são o próprio Brahman absoluto, porém acreditam possuir uma individualidade limitada, distinta do todo, por estarem sob o encanto de Mâyâ, condição chamada de avidyâ, ignorância. Podemos dizer que a filosofia de Shankara está alicerçada no preceito: “Brahma satyam jagan mithya, jîvo brahmaiva nâparah – O Brahman é real, o universo é irreal. A alma individual é idêntica à Brahman, o qual é Um sem segundo.” O objetivo do adepto desta escola é atingir Moksha, a libertação da ignorância que o faz acreditar estar preso à realidade ilusória deste mundo manifesto e à realidade ilusória de uma identidade pessoal limitada e finita. Para alcançar a libertação, o caminho (sâdhana) estabelecido por Shankara festruturado em 4 pontos: 1- Vairâgya: desapegar-se de tudo o que é relativo, finito, limitado. 2- Viveka: praticar a discriminação correta (Eu sou Brahman). 3- Shatsampatti: conduta adequada baseada em Shama (tranqüilidade), Dama (autocontrole), Uparati (equânimidade), Titiksha (tolerância), Shraddhâ (confiança)Samâdhâna (concentração). 18 4.2 Mumukshutvam: aspirar pela libertação O processo do Advaita Vedanta é a prática de Jñana-Yoga, o cultivo do conhecimento. Para esta escola, Karma Yoga (ação) ou Bhakti Yoga (devoção) são meros acessórios limitados, ao fim não podem produzir libertação pois a ignorância só pode ser destruída pelo conhecimento. E uma vez que Brahman é absoluto, Um sem segundo, e o ser vivo é este Brahman, não há ação a ser feita, tão-pouco um “Deus” a ser adorado, apenas deve-se compreender que o ser vivo já é este Brahman absoluto. Assim, a realização desta verdade é só uma questão de entendimento, e depende da prática ininterrupta da renúncia e da meditação constante nas grandes afirmações (Mahâ-Vâkya) das Upanishads: “Tat Tvam Asi – És como Ele é” “Aham Brahmâsmi – Eu sou Brahman” “Sarvam Khalv Idam Brahma – Tudo é Brahman”. Vishishta Advaita Vedanta de Ramanuja Ramanujâcharya, nascido dentro da tradição dos Vaishnavas (adoradores de Vishnu) do sul da Índia, foi o próximo reformador a escrever consistentes comentários ao Vedanta-Sutra, Bhagavad Gita e Upanishads. Sua divergência aos ensinamentos de Shankara lhe rendeu a expulsão do ashram de seu próprio mestre Yâdavaprakâsha. Viveu por 120 anos e foi considerado o maior filósofo dentro da tradição do vaishnavismo. A filosofia de Ramanuja surge como uma crítica a alguns dos argumentos de Shankara. Esta foi chamada de Vishishta Advaita por ser uma espécie de monismo (advaita) ao considerar que Brahman é a realidade única, porém diferente de Shankara que afirmava ser Este sem qualidades (nirguna) e sem características (nirvishesha), Ramanuja afirma que Brahman possui todas as qualidades e características contidas em si mesmo (vishishta). A implicação disto é que nesta concepção o mundo (jagat) e os seres vivos individuais (jiva) não são ilusórios, mas reais, porém são como que atributos de Brahman. Por isso a idéia de monismo (advaita) qualificado (vishishta). Apesar de serem reais, o mundo e os seres vivos são dependentes de Brahman, enquanto Este é independente de tudo. O conceito de Mâyâ como justificativa para dizer que o mundo da multiplicidade tal como o percebemos não é real também é questionado. Se o Brahman é único e não 19 diferenciado, então Mâyâ é alguma outra coisa que não o Brahman, logo o Brahman não é mais único e indiferenciado. Da mesma forma, se a entidade viva é idêntica ao Brahman, como pode ela sofrer sob o jugo da ignorância? Por estas razões Ramanuja não acreditava na filosofia de um monismo radical. Estes argumentos desviam em parte o caminho de Jnâna Yoga para Bhakti Yoga, pois apenas o amor, a devoção e a entrega ao Brahman (aqui tranquilamente associadoà idéia de um Deus adorável) poderão levar o adepto à liberdade, uma vez que apenas Dele emana esta suprema liberdade. Deste modo, ao invés da recitação dos mahâ-vâkyas, a prática se concentra nos cantos e hinos devocionais, os quais exaltam as qualidades de Brahman, e no processo de adoração das deidades nos templos, as quais representam Brahman neste mundo manifesto. Ramanuja enfatizava nestas práticas a noção de Prapatti, que é o desenvolvimento de um espírito de rendição e entrega incondicional a Deus. Para ele, a “absorção amorosa” na natureza de Deus é superior à liberação monista, e nela não há uma dissolução do eu individual em Deus, mas uma comunhão entre ambos. Ao lado da tradição Smarta, o Vaishnavismo Vishishta Advaita compõe o quadro das duas tradições mais fortes e disseminadas de todo o hinduísmo. Dvaita Vedânta de Madhva A terceira escola de Vedânta que podemos destacar foi a de Madhvâcharya, contemporâneo de Shankara e de Ramanuja, o qual propôs uma interpretação distinta dos Vedas, negando por completo a filosofia monista e estabelecendo uma visão puramente dualista, por isso sua filosofia foi chamada de Shuddha Dvaita (dualismo puro). Nesta visão, Brahman (Deus), as Jivas (almas individuais) e Jagat (o mundo material) são absolutamente distintos e reais. Não há ilusão na realidade deste mundo e tão pouco ilusão no conceito de que cada ser vivo possui de fato uma individualidade. Além disso, Deus é uma realidade distinta de tudo, este mundo e os seres vivos não fazem parte, por assim dizer, do “corpo de Deus”. Postula que Deus é independente de tudo, porém o mundo e os seres vivos são dependentes de Deus. Novamente, o caminho prioritário para Madhva é Bhakti Yoga, o desenvolvimento de amor e devoção à Deus. Um ponto importante desta filosofia 20 contudo é que ele considera que nenhum esforço humano pode garantir ao ser vivo a liberação (Moksha), mas esta acontece apenas pela “Vontade” ou “Graça” de Deus. Neste sentido, sua filosofia se assemelha muito à visão do cristianismo. 4. A TRADIÇÃO DO HATHA YOGA No vídeo abaixo são apresentados os conceitos do HATHA YOGA, segundo Rajnath: VÍDEO: A VERDADE SOBRE O HATHA YOGA Disponível em:, https://www.youtube.com/watch?v=fbCEoePnPYg> O Hatha Yoga é, sem sombra de dúvidas, o aspecto do Yoga mais conhecido e que mais influenciou o nosso mundo ocidental. Quando pensamos em Yoga imediatamente o que nos vem à mente são as práticas de posições exóticas com o corpo, técnicas de respiração e de relaxamento psico-físico. Presume-se que estas práticas já estavam presentes desde os primórdios da cultura védica. Porém, ganharam força entre as várias linhagens de ascetas durante o primeiro milênio d.C. Figura 6: ilustrativa https://www.youtube.com/watch?v=fbCEoePnPYg http://www.site.gandiva.com.br/wp-content/uploads/2014/12/gandiva-hatha-yoga.jpg 21 Fonte: Google imagem. O termo Hatha Yoga é comumente interpretado de duas maneiras. A primeira concebe a palavra hatha em seu sentido literal, designando “força”, “violência”, ou seja, uma prática que requer a aplicação do esforço e da potência física. Já a interpretação esotérica, encontrada no Yoga-Shikha Upanishad, separa as sílabas Ha e Tha como significando, respectivamente, a energia do sol e da lua. Neste sentido, Hatha Yoga assume a conotação de uma prática que se faz para unir ou equilibrar os pares de opostos representados pela força solar e lunar, o masculino e o feminino, o positivo e o negativo, o exterior e o interior, a força e a suavidade, etc. No corpo sutil, estas duas forças estão representadas pelo par de canais de energia (nadis) cahamados de Ida Nadi (canal lunar) e Pingala Nadi (canal solar), bem como pelos dois ares vitais principais chamados de Prana e Apana. Assim, em termos sutis, o Hatha Yoga busca unir a força de prana e apana, bem como equilibrar a energia presente nas nadis solar e lunar, criando um fluxo central ascendente pelo canal central (Sushumna nadi), o qual concede o estado meditativo e a evolução espiritual. Inserido dentro do contexto do tantrismo, o hatha yoga se propõe a ser praticamente uma alquimia do próprio corpo físico, transformando este corpo mortal em um corpo divino (divya sharira) ou, como a tradição o nomeou, um corpo de diamante (vajra deha). Os indícios históricos apontam para o fato de que o Hatha Yoga enquanto escola tenha se originado a partir da segunda metade do primeiro milênio d.C. Embora com certeza possamos afirmar que muitas das suas técnicas e práticas sejam ainda anteriores, sua fundação enquanto escola se deve à figura do sábio Gorakshanatha, o qual deu origem à tradição dos Nathas. A este mestre são atribuídos os dois primeiros textos do Hatha Yoga chamados de Hatha Yoga e Goraksha Samhita, dos quais apenas o último foi preservado. A partir de Goraksha surge uma tradição de mestres que posteriormente escreveram os textos que se tornaram os clássicos da literatura do Hatha Yoga. São eles o Hatha Yoga Pradipika, de autoria de Svatmarama Yogendra, o Gheranda Samhita, que presume-se tenha provindo de um sábio chamado Gheranda, e por fim o Shiva Samhita, o qual se apresenta como sendo os ensinamentos do próprio deus Shiva. Outros textos importantes dentro desta tradição são o Yoga Yajñavalkya e o Yoga Chudamani Upanishad. Sobre o texto Hatha Yoga 22 Pradipika, presume-se que tenha sido escrito no século XIV. A obra divide-se em quatro capítulos dos quais o primeiro descreve as técnicas de ásana, o segundo as técnicas de pranayama, o terceiro as técnicas de mudra. O quarto capítulo são instruções sobre samadhi, o estado de super-lucidez. Já o Gheranda Samhita é posterior ao século XVI e apresenta um sistema bem mais codificado das etapas do caminho do Hatha Yoga. A obra se subdivide em sete partes, cada qual explicando uma etapa do processo yóguico. São elas: 1) Shatkarmani, os seis atos purificatórios. 2) Ásanas, as posições físicas. 3) Mudras e bandhas, os gestos sutis. 4) Pratyahara, o controle dos sentidos. 5) Pranayama, as técnicas respiratórias. 6) Dhyana, a meditação. 7) Samadhi, a super-consciência. Quanto ao Shiva Samhita, o qual presume-se que tenha sido compilado entre os séculos XVII e XVIII, encontraremos neste texto uma elaboração filosófica um pouco mais detalhada acerca da metafísica dos Vedas. Aqui a prática do hatha yoga se une à filosofia Vedanta, a qual explica a união entre a alma individual (atma) e a alma universal (paramatma) através do descortinamento da ilusão criada por Maya. O texto de subdivide em cinco partes, das quais a primeira versa sobre a unidade entre o ser individual e o ser universal. A segunda parte explica a anatomia do corpo sutil. A terceira parte explica Ásana e Pranayama. A quarta parte versa sobre os Mudras. A quinta parte contém explicação sobre os chakras e sobre os sistemas de Mantra, Hatha, Laya e Raja Yoga. 5.1 Técnicas do Hatha Yoga As técnicas do Hatha Yoga podem, em geral, ser divididas em: Figura 7 23 Fonte: Google imagem. 1. Kriya ou Shodhana – “métodos de limpeza ou purificação” 2. Ásana – “posturas” 3. Mudra – “gestos para controles neuromusculares” 4. Nidra – “técnicas de relaxamento” 5. Bandha – “constrições ou controles musculares” 6. Pranayama – “técnicas de respiração e controle dos ares vitais” 7. Mantra – “vocalizações de sílabas e palavras sagradas” 8. Dhyana – “meditações e visualizações” Quando se fala em Yoga pensa-se primeiro em posturas e meditação, mas a prática vai muito além disso. Com a proliferação dessa técnica milenar, diversos estilos e nomes surgiram e podem até desanimar quem pensa em começar a praticar o Yoga, mas não sabe em qual tipo deve embarcar. Existem diversos aspectos do Yoga que devem ser levados em conta, muitas práticas aliampostura, respiração e meditação em uma aula, enquanto outras buscam apenas o aprimoramento da mente. No entanto, dentre tudo isso, é preciso destacar que o Yoga é uma filosofia de vida e não apenas uma modalidade de exercício. No Oriente, o Yoga está presente no dia a dia, por meio da religiosidade e do estudo, porém, no Ocidente esta prática está mais aliada ao bem-estar físico e o alívio do estresse. Esse bem-estar deve então estar relacionado a um estado geral de equilíbrio. É importante notar que boa parte das técnicas que existem hoje são variações do Hatha Yoga, que tem como foco trabalhar o corpo durante as práticas e é considerado com o Yoga tradicional. Para saber qual estilo é o melhor para você, é http://www.site.gandiva.com.br/wp-content/uploads/2014/12/gandiva-hatha-yoga2.jpg 24 necessário que primeiro saiba aquilo que quer receber do Yoga e aquilo que pode oferecer do seu corpo, ou seja, quais as suas condições físicas e o que você espera conquistar: corpo e mente sadios, ou apenas um ou outro. 5.2 A meta do Yoga A filosofia yogika propõe um método, que é nitidamente experimental, pois que a conquista da Verdade se faz no universo interno do praticante. Ele deve partir de uma hipótese, que está configurada nas Escrituras, principalmente na Bhagavadgītā e no Yogasūtra. A experiência, baseada nessa hipótese, implica uma disciplina (sādhana), que visa a um aprimoramento de todos os níveis existenciais do sistema complexo que é o ser humano. Desde a mente, em todos os seus níveis e aspectos, passando pelas estruturas emocionais e energéticas, até o corpo físico, num trabalho integrador, visando a otimizar os “veículos” em trabalho experiencial e experimental. A tese culminará com o atingimento do samādhi, que desvelará a Verdade (Paravidyā) que há de libertar Puruṣa. Essa é a meta. Trabalhando sobre si mesmo, o aspirante regula suas inter- relações, que envolvem os mundos objetivo e sutil, até o alcance do mundo transcendente. A Filosofia, conforme se cultiva no ocidente, é uma perquirição freqüentemente teórica, baseada em especulação racional e, excepcionalmente, é uma conquista intuitiva. Diríamos, sem originalidade, pois muitos o dizem, que é o exercício das faculdades cognitivas em prol do conhecimento pelo conhecimento. A Filosofia Hindu tem um objetivo muito pragmático: busca o conhecimento, não para a simples informação, mas para a transformação. E é assim que é a Filosofia do Yoga. Seu objetivo é a “atualização das potencialidades do homem”, mediante uma transformação que o liberta dos upādhis (1) e o leva à conquista dos siddhis (2), sendo, no entanto, a meta final a reconquista de mukti (3). Upādis são vínculos, cadeias, limitações e servidões, que mantém o Homem (Puruṣa) como que esmagado. Mas, a prática da Filosofia é que desfaz tais upādhis. 25 Siddhis são perfeições, atingimentos, poderes e faculdades que, estando latentes no homem normal, mediante a prática (sādhana) são libertados. Não se trata somente dos tão valorizados “poderes psíquicos”, que são siddhis inferiores, os quais os Mestres aconselham a que não sejam buscados, pois são ilusórios e impermanentes. Siddhi é sinônimo de perfeição, plenitude, santidade. A prática filosófica elimina os uppadhis, permitindo a manifestação ou realização da plenitude, da santidade. A conquista da Meta Suprema encontra um grande obstáculo na mente, que é normalmente agitada, impura e desconcentrada. A mente, toldada pelos inquietos e permanentes vṛttis (vórtices), fecha a senda, gera os uppadhis, escraviza, frustra, distrai, trai e, às vezes, destrói. A prática filosófica reclama algo muito difícil: o domínio do Espírito sobre a mente. Disse Arjuna: “… a mente, ó Kṛṣṇa, é inquieta, turbulenta, poderosa e obstinada. Controlá-la, me parece, é tão difícil como controlar o vento”. Bhagavadgītā, VI:34. A isso responde o Divino: “Sem dúvida, ó poderoso Arjuna, a mente é agitada e difícil de controlar. No entanto, pela prática (Abhyása) e pela des-paixão (Vairágya) ela pode ser submetida”. Bhagavadgītā, VI:35. Eis o método filosófico que temos de cumprir: abhyāsa e vairāgya. Abhyāsa consiste em permanentemente vigiar, conter, observar e disciplinar a mente. Não a deixar solta, ao léu. Vairāgya consiste em libertar-nos da sede pelo gozar o prazer ou pela posse das coisas mundanas. Pela prática e pela des-paixão – constantes – é que podemos submeter a mente, e assim transformá-la de um obstáculo em um precioso instrumento para a conquista da Verdade, da Liberdade, da Perfeição, da Sanidade e do Poder Supremo. A Filosofia é, portanto, a conquista prática, e não teórica, de saccidānanda (Sat, Verdade Absoluta; Cit, Consciência Absoluta; e Ānanda, a Suprema Bem- Aventurança). Yoga, puramente como uma prática, desvinculada de seu fundamento teórico, pode possibilitar compensações psicológicas e somáticas desejáveis, mas somente isso, pois o jīva continuará preso ao saṁsāra, e, portanto, sujeito à dança fenomênica dos opostos existenciais (dvandva). Assim, tais compensações são ilusórias, porquanto impermanentes. Somente a conjugação da prática e da filosofia podem abrir caminho para a definitiva 26 Libertação (mukti), que ocorre em conseqüência da destruição da ignorância (avidyā) geradora do ego, o qual oscila entre apegos e aversões, e sempre vergada sobre o medo. É hora de os praticantes de Yoga passarem a filosofar e o fazer segundo os métodos ensinados por Kṛṣṇa, por Kapila, por Patañjali e por Ādi Śaṅkarācārya. 5. YOGA MELHORA A CONCENTRAÇÃO, REDUZ O ESTRESSE E AJUDA A EMAGRECER Figura 8 Fonte: incaaromas.com. A yoga surgiu como uma filosofia de vida. Não que não seja considerada nos dias de hoje um caminho a seguir, mas com o decorrer dos anos é possível notar uma séria de mudanças que a prática sofreu, exemplo disso é como algumas pessoas enxergam a yoga no ocidente. Há quem realmente a abrace como uma verdadeira ideologia, já outros apenas como um método de atividades físicas que pode contribuir para o bem-estar. De um jeito ou de outro uma coisa é certa, a yoga acalma a mente e fortalece o corpo físico, emocional e espiritual. Até mesmo a palavra tem como um dos seus significados a união. A prática nascida na Índia é uma boa alternativa para quem deseja aumentar a lista de atividades que melhoram a qualidade de vida. E, como já se sabe, pode ser “dividida” em alguns tipos. Iyengar, vinyasa, ashtanga, kundalini, brikam e hatha yoga entram no guia. O método superioga, criado pelo instrutor brasileiro Paulo Junqueira, é dinâmico e suas posturas trabalham de forma intensa o corpo e a mente. Inclusive, pode ser mais eficaz para quem deseja perder https://incaaromas.com/o-que-e-yoga-e-quais-sao-os-beneficios/ https://incaaromas.com/o-que-e-yoga-e-quais-sao-os-beneficios/ 27 alguns quilinhos, se comparado aos outros tipos. Se o segredo para uma vida saudável é a harmonia entre o corpo, a yoga pode trazer inúmeras vantagens para quem deseja melhorar e equilibrar sua vida pessoal. Confira, a seguir, alguns benefícios da prática para a área física e mental: - Reduz o estresse - O estresse prejudica tanto a mente quanto o corpo. Para os praticantes de yoga, o alívio do estresse pode ser percebido nas primeiras aulas. A concentração exigida durante a prática, os exercícios de respiração, também conhecidos como pranayamas, e as meditações são alguns dos responsáveis pela diminuição do mal. Dessa forma, a yoga se torna mais do que uma atividade física na vida dos seus adeptos. Com a prática e a redução do estresse, o seu corpo consegue equilibrar os hormônios e regular o seu sistema nervoso. Você pode, inclusive, se tornar mais positivo em relação à vida, além de não deixar a ansiedade tomar conta de todasas más situações. Alguns minutos de meditação podem ser essenciais para conectar o corpo e a mente e ajudar a encontrar o seu centro, o que trará boa energia e auxiliará na sua rotina. - Melhora a concentração - Outro aspecto que a yoga é capaz de melhorar é o seu poder de concentração. Isso acontece, pois essa atividade demanda muita atenção na respiração e na execução das posturas, evitando a distração em torno de pensamentos aleatórios. O interessante é que a concentração aumenta não só durante as aulas, mas em qualquer atividade que for realizar no dia, seja trabalho ou estudo. Existem alguns exercícios que podem ajudar nessa questão, são eles: pranayamas (exercícios de concentração), auxiliam a manter a respiração correta; trataka (prática de meditação); surya namaskar (saudação ao sol); dhanurasana (posição de arco); e sarvangasana (postura da vela). - Aumenta o nível de auto aceitação - A prática da yoga estimula você a se entender melhor, não julgando a si mesmo e aqueles à sua volta. Com a yoga você adota o seu ritmo, entende seus limites e aumenta o seu nível de auto aceitação. Assim, se sente mais inspirado para seguir os seus sonhos e ir à busca de suas conquistas, o que também gera mais motivação.O seu corpo também passa a responder positivamente com os estímulos da yoga, já que ela faz com que haja uma melhora na circulação sanguínea. Isso proporciona um melhor funcionamento do cérebro e um aumento na sua capacidade de memória, habilidade que é fundamental atualmente. 28 - Ajuda a emagrecer - Como o relaxamento proporcionado pela yoga reduz o estresse e a ansiedade, fatores que também são responsáveis pela alimentação compulsiva e em excesso, a prática regular pode ajudar no emagrecimento. Com a yoga, órgãos como o fígado ganham mais força vital e permite que ele execute todas as suas funções corretamente. Lembre-se que o fígado, por exemplo, é o responsável por desintoxicar o organismo e purificar o sangue. A prática da yoga também colabora com a queima de calorias, que pode ser em maior quantidade, conforme a intensidade dos exercícios. - Melhora o desempenho sexual e a qualidade do sono - A melhora na circulação sanguínea, citada anteriormente, também resulta num melhor desempenho sexual. Já o relaxamento e redução do estresse, proporcionados pela yoga, podem te ajudar a dormir melhor. Fica ao seu critério executar os movimentos pela manhã ou à noite, o ideal é ter a mente calma para ter um sono tranquilo. Caso prefira praticar yoga no período da noite, o ideal é realizar as posições, até mesmo meditar, uma hora antes de se deitar. Existe uma série de dicas que podem contribuir para um sono cheio de paz e sem interrupções. - Fortalece a musculatura - Os músculos são muito importantes para o corpo. Sem eles, não seria capaz realizam qualquer tarefa do dia a dia, como carregar uma sacola ou subir uma escada, é por conta disso que precisam de atenção especial. Assim como o pilates, a yoga auxilia nesse fortalecimento muscular. Os seus exercícios não trabalham só com o alongamento dos músculos e a flexibilidade, mas aumentam sua força também. Então, quem quiser “tonificar” a região, encontra na yoga uma opção. Considerações finais A Yoga traz incontáveis benefícios para todos os aspectos da vida e vai muito além do físico. O primeiro deles é o de nos ensinar a ter hábitos saudáveis, como SAIBA MAIS: sugestão de leitura MANUAL DE YOGA – Faculdade de Motricidade Humana: No catálogo do site da Universidade Técnica de Lisboa, é possível encontrar o livro “Manual de Yoga” disponível para download gratuito em PDF. É um manual completo tanto para quem está aprendendo os princípios e técnicas quanto para profissionais que desejam se aprofundar. 29 cuidar da mente, manter um ritmo adequado de sono e vigília, alimentação e ingestão de água. A Yoga também ajuda a dormir bem, com uma respiração equilibrada e melhor aproveitamento do sono. Praticar Yoga diminui os níveis de estresse e ensina a ter maior equilíbrio emocional, além de ser uma excelente prática de definição e fortalecimento dos músculos e correção postural. Enfim, a Yoga tem por objetivo promover uma melhora total na qualidade de vida, fazendo de seu praticante uma pessoa mais disposta, determinada em seus objetivos e resiliente diante das dificuldades. Praticar Yoga por apenas alguns minutos do dia pode mudar completamente a sua relação com o próprio corpo, a forma de ver o mundo e encarar os desafios da vida. 30 REFERÊNCIAS BHATT, G. P. The Forceful Yoga. Delhi: Motilal Banarsidass, 2004. Bono, Ernesto: O Senhor do Yoga e da mente, Nova Era, Rio de Janeiro. Chaudhuri, Haridas: Integral Yoga, G. Allen e Unwin Ltd., Londres. Chinmayananda, Swami: The Holy Bhagavadgītā, Central Chinmaya Mission Trust, Mumbai. Daniélou, Alain: Yoga, Méthode de Réintégration, L ́Arche, Paris. Das, Bhagavan: Sanātana Dharma, The Theosophical Publishing House, Madras. Éliade, Mircéa: Patañjali et le Yoga, Aux Éditions du Seuil, Paris. Hermógenes, José: Yoga, Caminho para Deus, Nova Era, Rio de Janeiro. Michael, Tara: Yoga, Zahar, Rio de Janeiro. 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