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1 
 
 
PRÁTICA BASEADA EM EVIDÊNCIA 
1 
 
 
 Sumário 
 Sumário ........................................... Erro! Indicador não definido. 
o INTRODUÇÃO ............................................................................ 3 
1.1- METODOLOGIA .................................................................. 5 
o PRÁTICA BASEADA EM EVIDÊNCIA ........................................ 5 
o CONCLUSÃO ........................................................................... 21 
o REFERÊNCIAS ........................................................................ 23 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
A NOSSA HISTÓRIA, inicia com a realização do sonho de um grupo 
de empresários, em atender a crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação.Com isso foi criado a INSTITUIÇÃO, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A INSTITUIÇÃO tem por objetivo formar diplomados nas diferentes 
áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para 
a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos 
culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e 
comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de 
comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de 
forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir 
uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma 
das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela 
inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
o INTRODUÇÃO 
A prática baseada em evidências é uma abordagem que possibilita a 
melhoria da qualidade da assistência à saúde. Essa abordagem envolve a 
definição de um problema, a busca e avaliação crítica das evidências 
disponíveis (principalmente pesquisas), implementação das evidências na 
prática e avaliação dos resultados obtidos. 
Incorpora ainda, a competência clínica do profissional e as preferências 
do cliente para a tomada de decisão sobre a assistência à saúde. 1 O 
movimento da prática baseada em evidências associado à medicina e à 
enfermagem vem sendo discutido principalmente no Canadá, Reino Unido e 
Estados Unidos da América; entretanto, no Brasil esse movimento 
desenvolve-se na medicina, sendo incipiente na enfermagem. 
A implementação da prática baseada em evidências poderá melhorar 
a qualidade do cuidado prestado ao cliente e intensificar o julgamento clínico; 
os profissionais de saúde devem saber como obter, interpretar e integrar as 
evidências oriundas de pesquisas com os dados do paciente e as 
observações clínicas. 2 
Quando o cuidado é prestado tendo como eixo norteador essa 
abordagem, as intervenções tornam-se mais efetivas e seus resultados 
proporcionam a melhoria da assistência; os profissionais de saúde necessitam 
aprender a adquirir e interpretar dados para embasar sua prática na melhor 
evidência disponível. 3 
Na enfermagem, a implementação da prática baseada em evidências 
poderá contribuir para a mudança da prática baseada em tradição, rituais e 
tarefas para uma prática reflexiva baseada em conhecimento científico 
promovendo a melhoria da qualidade da assistência prestada ao cliente e 
familiares. 4 
O termo baseado em evidências implica o uso e aplicação de pesquisas 
como base para a tomada de decisões sobre a assistência à saúde. Assim, 
4 
 
 
podemos afirmar que a utilização de resultados de pesquisas consiste em um 
dos pilares da prática baseada em evidências. A utilização de pesquisas na 
prática assistencial tem sido enfocada pelos estudiosos da enfermagem, 
desde o início da década de 1970 5 ; entretanto, várias são as barreiras que 
dificultam esse processo, tais como: falta de preparo do enfermeiro, não 
percepção da pesquisa como parte integrante do seu cotidiano, falta de tempo 
e suporte organizacional. 6 
Para a implementação da prática baseada em evidências na 
enfermagem é crucial a utilização de resultados de pesquisas na prática 
assistencial; entretanto, esse é um processo difícil e desafiador pois envolve 
a disseminação e a aplicação do novo conhecimento científico à prática, bem 
como a avaliação deste conhecimento pela equipe de saúde, paciente e 
familiares, incluindo a relação custo/benefício. 5 
Conforme atestam estudos (7,8) presentes na literatura, existe uma 
lacuna entre o conhecimento científico produzido por meio do 
desenvolvimento de pesquisas e sua utilização na prática profissional. Esse 
cenário dificulta a implementação da prática baseada em evidências e muitas 
são as barreiras que o enfermeiro necessita vencer para a utilização de 
pesquisas na prática assistencial. 
A educação é a chave para promover mudanças nas atitudes do 
enfermeiro frente à pesquisa. Esse processo deve ter início na graduação por 
meio da inclusão de disciplinas curriculares, as quais busquem desenvolver 
nos estudantes a compreensão da importância da pesquisa para a 
enfermagem, do processo de pesquisar e da utilização de resultados de 
pesquisas para a melhoria da assistência prestada ao cliente. 
O desenvolvimento de habilidades para a avaliação crítica de estudos 
na graduação, auxiliará o enfermeiro na tomada de decisão sobre quais são 
os resultados de pesquisas adequados para uso na sua área de atuação. 8,11 
 
5 
 
 
 
1.1- METODOLOGIA 
Para a construção deste material, foi utilizada a metodologia utilizada 
de pesquisa bibliográfica, com o intuito de proporcionar um levantamento de 
maior conteúdo teórico a respeito dos assuntos abordados. 
Através de pesquisa bibliográfica em diversas fontes, o estudo se 
desenvolve com base na opinião de diversos autores, concluindo que a 
formação e a motivação são energias que conduzem a atividade humana para 
o alcance dos objetivos de excelência na prestação de serviços públicos e 
podem também se converter nos principais objetivos da gestão de pessoas 
no setor público e no fundamento de sua existência. 
Segundo Gil, a pesquisa bibliográfica consiste em um levantamento de 
informações e conhecimentos acerca de um tema a partir de diferentes 
materiais bibliográficos já publicados, colocando em diálogo diferentes 
autores e dados. 
Entende-se por pesquisa bibliográfica a revisão da literatura sobre as 
principais teorias que norteiam o trabalho científico. Essa revisão é o que 
chamamos de levantamento bibliográfico ou revisão bibliográfica, a qual pode 
ser realizada em livros, periódicos, artigo de jornais, sites da Internet entre 
outras fontes. 
 PRÁTICA BASEADA EM EVIDÊNCIA 
A investigação sistemática sobre a assistência de enfermagem no 
Brasil, tem evidenciado que em muitas áreas, os rituais, tradições e o 
conhecimento comum ainda prevalecem como embasamento para a prática 
apesar dos avanços obtidos na melhoria da formação profissional. Apesar do 
aumento no número de cursos de pós-graduação nos últimos anos, do 
número de enfermeiros pesquisadores e de artigos publicados, em muitas 
áreas, a assistência clínica parece não ter sido beneficiada dos 
conhecimentos produzidos. 
6 
 
 
O processo de implementação dos resultados da pesquisa envolve a 
produção de conhecimento, sua disseminação e utilização de forma a mudar 
a situação clínica. Na literatura internacional de enfermagem, diferentes 
modelos têm sido apresentados desde a década de 70, para facilitar a 
utilização dos resultados de pesquisa na prática. 
O projeto CURN (Conduct and Utilization of Research in Nursing), um 
dos primeiros modelos desenvolvido por um grupo de enfermeiras da 
Associação de Enfermeiras de Michigan, destacou que a utilização da 
pesquisa na prática é um processo organizacional e que é necessário um 
ambiente institucionalque estimule e dê suporte aos esforços dos 
profissionais para a observação de mudanças (CRANE, 1995). 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1: 
7 
 
 
 
O modelo proposto por STETLER defende que o processo de utilização 
dos resultados de pesquisa na prática deve ser visto tanto como um processo 
organizacional como individual sendo imperativo desenvolver nos enfermeiros 
o conhecimento, as habilidades e os valores considerados essenciais para 
que tenham pensamento crítico e reflexivo para direcionarem a sua prática 
(CRANE, 1995). 
No final da década de 80, a questão da avaliação da qualidade do 
cuidado prestado e a contenção dos gastos em saúde nos Estados Unidos 
impulsionaram as instituições, apoiadas pelo governo, a estudarem os 
resultados da assistência e o desenvolvimento de indicadores de qualidade e 
programas de melhoria de qualidade. O modelo da Universidade de IOWA foi 
desenvolvido neste contexto, visando infundir os resultados da pesquisa na 
prática e melhorar a qualidade do cuidado em aspectos identificados como 
problemáticos nas situações clínicas (TITLER et al., 1994). 
Nos últimos anos, observamos que, nos eventos científicos e nas 
publicações internacionais na área de enfermagem, o conceito de “prática 
baseada em evidência (PBE)” tem recebido atenção de pesquisadores, 
educadores e enfermeiros assistenciais. STETLER et al. (1998), definem a 
8 
 
 
prática baseada em evidências como uma abordagem para a enfermagem 
que utiliza os resultados de pesquisa, o consenso entre especialistas 
conhecidos e a experiência clínica confirmada como bases para a prática 
clínica ao invés de experiências isoladas e não sistemáticas, rituais e opiniões 
sem fundamentação. 
Para MADIGAN (1998), o conceito de PBE surgiu no Canadá na área 
da medicina, como uma abordagem para resolução de problemas no ensino 
clínico e logo após foi incorporada pelo Sistema Nacional de Saúde do Reino 
Unido. Nos Estados Unidos, o conceito foi utilizado por agências 
governamentais para criar diretrizes e nortear políticas de assistência em 
diversas áreas, para fornecer direcionamento aos profissionais sobre uma 
variedade de condições cronicas e agudas prevalentes no país. 
A revolução da informática com o desenvolvimento da “World Wide 
Web” permitiu a constituição de Centros de Disseminação de Evidências em 
diferentes países nas últimas décadas, visando a globalização do 
conhecimento com diminuição das diferenças observadas na assistência. O 
projeto “Cochrane Library” envolve pesquisadores do mundo todo inclusive do 
Brasil (MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIAS, 1999) e disponibiliza através 
da Internet, revisões da literatura para fundamentação da prática clínica. 
O “Centre for Evidence Based Nursing” da Universidade de York no 
Reino Unido é responsável pelas revisões sistemáticas em diversas áreas da 
enfermagem como parte da “Cochrane Library” (UNIVERSITY OF YORK, 
1999). Atualmente existe uma grande variedade de fontes de informações de 
evidências para a prática clínica de enfermagem, seja através de revistas 
especializadas online com acesso por assinatura ou sites gratuitos mantidos 
por instituições governamentais ou associações. 
Alguns sites são extremamente úteis pois além das revisões 
integrativas da literatura em temas específicos, fornecem exemplos de 
protocolos com base em evidências e podem facilitar o trabalho do enfermeiro 
desenvolvendo pesquisas, ensino ou que busca formas de modificar a sua 
9 
 
 
prática, necessitando, porém, a sua adequação à realidade antes da 
implementação e avaliação. 
Frente aos objetivos anteriormente mencionados, a Alliance realiza 
diferentes estratégias que possibilitam a implementação da prática baseada 
em evidências, a saber: programas educativos; conferência anual; eventos 
onde os pesquisadores locais são convidados para a apresentação e 
discussão das pesquisas realizadas; e o desenvolvimento de um site na 
internet, onde existe uma lista para contato com cada membro desta 
organização, e a chamada para a participação na conferência anual. Dentre 
estas estratégias, destacamos o programa educativo para enfermeiros e 
estudantes de enfermagem, no qual os participantes desenvolvem habilidades 
para a utilização de pesquisas (incorporação das evidências na prática) e para 
a condução de pesquisas (desenvolvimento de estudos que geram novas 
evidências). O programa educativo é composto de quatro reuniões, cada uma 
com duração aproximada de uma hora e ocorrem mensalmente. 13,14 
Para cada programa educativo, uma equipe de enfermeiros que atua 
numa determinada área do hospital (por exemplo, ambulatório da saúde da 
mulher) é convidada a dedicar-se à definição do tópico a ser abordado no 
programa, bem como realizar uma ampla revisão da literatura e analisar a 
aplicação dos resultados na prática ou conduzir o desenvolvimento de um 
estudo. O trabalho desta equipe é apresentado, como exemplo, na última 
reunião do programa educativo. 14 
A primeira reunião do programa educativo focaliza a revisão da 
literatura do tópico selecionado pela equipe de enfermeiros para os 
participantes do programa. Um bibliotecário da área de ciências da saúde é 
convidado para proporcionar informações de como realizar uma ampla busca 
dos estudos em bases de dados e outras fontes de informação. Desta busca, 
dois artigos são selecionados para serem avaliados nas próximas duas 
reuniões. A segunda e a terceira reuniões são destinadas ao aprendizado da 
avaliação crítica de pesquisas. Os participantes do programa realizam a 
10 
 
 
leitura e avaliação prévia dos artigos, tendo um instrumento como referência 
para a avaliação de questões relativas a definição do problema a ser 
investigado na pesquisa, o delineamento da pesquisa, a análise estatística 
empregada e se os resultados da pesquisa podem ser aplicados na prática, 
ou seja, determinam a qualidade das evidências presentes nos artigos 
avaliados. 14 
A última reunião inicia-se com a apresentação dos principais conceitos 
da prática baseada em evidências e depois o trabalho da equipe de 
enfermeiros previamente convidada é apresentado como exemplo de 
utilização desta abordagem na enfermagem. No final de cada reunião do 
programa educativo é realizada a avaliação de forma escrita pelos 
participantes, os quais apontam os aspectos positivos, negativos e sugestões 
para a melhoria do programa. 14 
Um grupo de enfermeiros constituído por especialistas e mestres em 
educação (EUA), aplica uma estratégia denominada grupo de discussão de 
pesquisas para desenvolver o potencial de enfermeiros que atuam na área 
médicocirúrgica de um hospital geral, na utilização de pesquisas. Um 
pesquisador é convidado para auxiliar o grupo nas suas necessidades 
relacionadas à compreensão de tópicos de pesquisa, discutindo suas 
pesquisas com os enfermeiros e ajudando o grupo a promover a integração 
da pesquisa na prática. 
Em cada grupo formado para a discussão de determinadas pesquisas, 
um enfermeiro/mestre é preparado para exercer o papel de líder e as 
atividades de sua responsabilidade são: relacionar os artigos para a 
discussão, recrutar e convidar os participantes do grupo, facilitar a discussão, 
fazer contato com o pesquisador e coordenar as reuniões. Os participantes do 
grupo têm como responsabilidades: realizar a leitura prévia dos artigos, 
comparecer nas reuniões, participar das discussões e fornecer retorno 
(feedback) dos artigos discutidos. Compete ao pesquisador convidado, 
discutir suas pesquisas selecionadas com o líder, responder as questões 
11 
 
 
sobre as mesmas e receber retorno sobre os estudos dos participantes do 
grupo. 15 
Os participantes de cada grupo de discussão encontram-se três ou 
quatro vezes; em reuniões que duram aproximadamente noventa minutos. Os 
artigos selecionados retratam temas de seu interesse e o líder é o responsável 
em contatar o pesquisador/ autor dos artigos escolhidos, o qual concorda com 
a discussão dos artigos pelos participantes do grupo. Após a discussão dos 
artigos entre o líder e os participantes do grupo, o pesquisador é convidado a 
responder questões sobre a pesquisa, bem como a viabilidade de 
incorporação dos resultados na prática. Em suma, esta estratégia proporciona 
a incorporação de resultados de pesquisas na prática; por meio de discussão 
os enfermeiros aprendem sobre pesquisa e os pesquisadores recebem 
retorno das pesquisas desenvolvidas. Consiste numa estratégia inovadora, 
pois promove a interação entre enfermeiros e pesquisadores na 
responsabilidade frente à utilização de pesquisas para proporcionar a 
melhoria da assistência prestada ao paciente. 15 
 
 
 
Figura 2: 
 
Os grupos de discussão de pesquisas proporcionam, na forma de 
diálogo, um compartilhar de responsabilidades entre pesquisadores e 
12 
 
 
enfermeiros para unir a pesquisa à prática. As discussões fornecem um 
recurso valioso para os pesquisadores e engajam os enfermeiros na utilização 
de pesquisas. Assim, esta estratégia possibilita diminuir a lacuna existente 
entre a pesquisa e a prática na enfermagem. 16 
A utilização de pesquisas na enfermagem não deve permanecer 
apenas na dependência do enfermeiro, mas envolver também a organização 
em que este profissional está inserido, a qual deverá proporcionar condições 
de recursos humanos, físicos e financeiros compatíveis com a incorporação 
da inovação. 11,17 
Criar um clima organizacional que valorize a pesquisa e forneça 
suporte para o desenvolvimento das atividades necessárias é crucial para a 
utilização de pesquisas na enfermagem. 18,19 Uma estratégia importante que 
a organização poderia garantir para propiciar a utilização de pesquisas é 
fornecer o acesso a diferentes fontes de informação, por exemplo o acesso 
computadorizado a publicações de pesquisas ou a assinatura de periódicos 
que enfatizam o relato da pesquisa de uma forma que facilite o seu uso na 
prática. 5,11 
Outra estratégia consiste na contratação de profissionais/ 
pesquisadores pela organização para auxiliar os enfermeiros, por meio de 
programas de educação continuada, na leitura, crítica e síntese de pesquisas, 
bem como na orientação sobre a viabilidade de aplicação dos achados na 
prática assistencial, além de envolvê-los no desenvolvimento de pesquisas 
que respondam a problemas clínicos vivenciados pelos enfermeiros no 
cotidiano da enfermagem. 5,19 
Um estudo 20 descreve projeto de colaboração e parceria entre serviços 
de saúde e escolas de enfermagem (EUA), para desenvolver o potencial das 
organizações no uso de pesquisas. Por meio de programas educativos 
específicos, orientados para grupos de enfermeiros que atuam nos diferentes 
níveis hierárquicos da organização, estes profissionais identificam as 
prioridades de seus serviços e determinam o processo e recursos necessários 
13 
 
 
para a utilização de pesquisas, ou seja, buscam inovações adequadas e 
viáveis para modificar a prática, a partir de resultados de pesquisas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3: 
14 
 
 
 
Os autores salientam que durante a execução do projeto, vários 
serviços de enfermagem implementaram estratégias que potencializam a 
utilização de pesquisas, tais como: criação ou reformulação de comitês de 
pesquisa; elaboração de boletins informativos, onde regularmente avaliações 
críticas de artigos são publicadas; fixação de posters que descrevem artigos 
de pesquisa em diferentes locais da instituição, bem como programação 
sistemática de eventos. 21 
O desenvolvimento e/ou utilização de pesquisas na enfermagem é 
extremamente difícil para o enfermeiro em qualquer que seja sua área de 
atuação, a menos que a organização forneça os recursos essenciais, 
incluindo tempo, subsídios, auxílio de especialistas, acesso à literatura e 
suporte da equipe de saúde.A maioria das barreiras relativas a infraestrutura 
necessária está relacionada com a disponibilidade de recursos financeiros e 
atitudes negativas, ou seja, a organização, órgãos de fomento e governo 
15 
 
 
disponibilizam pouco recurso financeiro para projetos específicos da 
enfermagem. 21 
A utilização de pesquisas é fundamental para a implementação da 
prática baseada em evidências. Assim ressalta-se a importância do 
reconhecimento que a utilização de pesquisas é um processo individual e 
organizacional. 22,23 
Portanto, compete ao enfermeiro a aquisição de conhecimento, 
habilidades e valores essenciais à utilização de pesquisas, e à organização 
fornecer suporte e mecanismos facilitadores para a utilização de pesquisas no 
ambiente de trabalho. 22 
A utilização de pesquisas não pode ser uma tarefa de responsabilidade 
apenas dos enfermeiros. O interesse e engajamento dos profissionais 
responsáveis pelo gerenciamento da organização consiste em aspecto 
crucial. Compete à organização criar um ambiente orientado para o 
aprendizado, por meio da educação os enfermeiros podem tornar-se 
consumidores ativos de pesquisas. 23 
Compreende-mos e acreditamos que é o caminho para influenciar 
atitudes positivas frente à pesquisa e contribuir para o alcance da prática 
baseada em evidências na enfermagem. 
A PBE é definida como uma abordagem que associa a melhor 
evidência científica com a experiência clínica e a escolha do paciente. 25 
Diversos autores enfatizam que a PBE é importante para fundamentar a 
prática profissional, bem como descrevem que a sua implementação é 
fundamental para alcançar a eficácia, a confiabilidade e a segurança nas 
práticas em saúde. 26,27 
Os avanços tecnológicos representam aquisições ao processo de 
cuidar e à prática profissional do enfermeiro, exigem novas atitudes, condutas 
e formas de pensar e ser. Assim, é necessário compreender o impacto que 
estes apresentam no cuidado, no sentido de validar conhecimentos e produzir 
16 
 
 
evidências que subsidiem sua aplicação. Emerge a necessidade de pesquisas 
que comprovem a efetividade das intervenções atuais, tornando-as mais 
confiáveis. Atualmente, devido a inúmeras inovações na área da saúde, a 
tomada de decisão dos enfermeiros necessita estar pautada em princípios 
científicos, a fim de selecionar a intervenção mais adequada para a situação 
específica de cuidado, uma vez que existem diferenças entre esperar que 
estes avanços tenham resultados positivos e verdadeiramente saber se eles 
funcionam. 28 
A incorporação desses pressupostos em outras disciplinas, como a 
Enfermagem, ampliou o termo para Prática Baseada em Evidências-PBE, o 
qual será adotado nessa reflexão. 29 A PBE é definida como “uma abordagem 
para o cuidado clínico e para o ensino, fundamentada no conhecimento e 
qualidade da evidência” (30:550), com a finalidade de promover a qualidade dos 
serviços de saúde e a diminuição dos custos operacionais. 31 
Na Enfermagem, seu pilar de sustentação é a utilização de resultados 
de pesquisas na prática profissional. Dessa forma, esse movimento surge 
como um elo que interliga os resultados da pesquisa e sua aplicação prática, 
uma vez que conduz a tomada de decisão no consenso das informações mais 
relevantes para o melhor cuidar, porém ainda não é difundida na prática do 
enfermeiro. Para tanto, objetiva-se refletir sobre a Prática Baseada em 
Evidências na prática profissional do enfermeiro. 
Na Enfermagem, a PBE envolve a definição de um problema, a 
averiguação e avaliação crítica das evidências disponíveis, a implementação 
destas na prática e apreciação dos resultados, por meio da integração de três 
elementos: a melhor evidência, as habilidades clínicas e a preferência do 
paciente. 32 A melhor evidência é oriunda da pesquisa clínica relevante, 
focada no paciente para aprimoramento das medidas de diagnóstico, 
indicadores de prognóstico e tratamento, reabilitação e prevenção. 
Figura 5: 
17 
 
 
 
Os achadosdas investigações clínicas substituem as condutas 
previamente aceitas por informações mais seguras, acuradas e eficazes. 
Assim, esse paradigma se tornou uma vertente na produção e validação de 
conhecimento, por meio do reconhecimento dos profissionais acerca da 
necessidade diária de apreciações válidas para o diagnóstico, prognóstico, 
intervenções e prevenção. 32 A habilidade clínica é a capacidade de utilizar 
conhecimentos clínicos e as experiências prévias na identificação do estado 
de saúde e diagnóstico, bem como os riscos individuais e os possíveis 
benefícios das intervenções propostas. 
A preferência do paciente sugere que seus valores, expectativas e 
preocupações sejam considerados no cuidado e cabe ao profissional integrá-
los às decisões clínicas, quando lhe forem úteis. 32 Além dessa tríade, as 
decisões são baseadas também em conhecimento tácito, experiências, 
valores e habilidades do profissional, adquiridos durante a observação e 
prática. 33 Na Enfermagem, este aspecto constitui um elemento histórico, uma 
vez que as ações empíricas foram alvo da prática por anos e somente na 
década de 1950 ocorreu a incorporação de saberes de diversas ciências para 
a construção de um corpo próprio de conhecimentos. Nessa perspectiva, 
concorda-se que “uma grande quantidade de conhecimento tácito, 
18 
 
 
experiência, valores e habilidades, constituem um tipo diferente de evidência, 
a qual tem uma forte influência na tomada de decisão” (33:445). 
Esses conhecimentos, independente da veracidade, costumam ser 
aplicados na prática clínica, o que evidencia que o enfermeiro emprega as 
evidências científicas em sua prática de forma incipiente. Resta-nos a 
inquietação de como a Enfermagem correlaciona os conhecimentos explícitos 
(pesquisas) aos conhecimentos empíricos (prática) no processo de avaliação 
crítica das informações. Isto implica na forma como o cuidado é planejado e 
implementado, pois se apreende que o conhecimento empírico ainda 
fundamenta determinadas práticas de cuidar. 
Por outro lado, o enfermeiro se depara com certos processos 
complexos, que exigem uma abordagem diferenciada e, por vezes, emergem 
dúvidas na tomada de decisão. Na atualidade, apreende-se que 
gradativamente a prática profissional aponta para a necessidade de validação 
dos conhecimentos gerados pelas pesquisas sistemáticas, aliados a 
competência clínica do avaliador e os princípios da epidemiologia clínica, 34 
princípios integrados pela PBE. 
A aplicação da PBE na prática profissional do enfermeiro segue alguns 
passos: 35 Formulação de uma questão clínica que possa ser respondida: a 
questão clínica surge a partir da identificação da necessidade de um cuidado 
a um paciente. Uma boa questão clínica deve ser formulada englobando a 
estratégia PICO: Paciente ou problema; Intervenção ou indicador; 
Comparação de intervenções ou controle; Outcomes ou desfecho. 33,34 
Além disso, deve ser específica, com a delimitação de todos os 
elementos que a compõem. Busca de evidências: O conceito de evidência 
não está solidamente estabelecido, de forma que tem sido usado com os 
seguintes sentidos: verdade, conhecimento, informação relevante que 
confirme ou refute uma crença, achados de pesquisa primária, revisões 
sistemáticas e metanalises. 36 
19 
 
 
Sua busca deve ser feita em fontes primárias e secundárias de busca. 
As fontes primárias são bancos de dados on-line, como CINAHL, MEDLINE, 
EMBASE, COCHRANE LIBRARY, entre outros. Deve-se buscar revisões 
sistemáticas já realizadas sobre o tema e estudos compatíveis 
metodologicamente com a evidência que se deseja encontrar. A seleção dos 
artigos que embasarão a recomendação clínica deve seguir critérios de 
inclusão e de exclusão, os quais devem ser definidos anteriormente ao início 
da busca dos mesmos, a fim de evitar viés. 30 
 Avaliação crítica da validade e da relevância da evidência encontrada: 
é fundamental, pois caso a evidência não seja relevante ou o avaliador utilize 
suas experiências e opiniões na formulação da recomendação clínica, esta 
poderá ser incompleta ou enganosa e causar danos ao paciente. Para avaliar 
um estudo ou diretriz publicado quanto a relevância devemos considerar os 
seguintes pontos: 35 questão clara; usuários bem definidos; busca abrangente 
de evidências; descrição dos critérios de seleção e combinação da evidência; 
descrição dos métodos de formulação da recomendação; consideração dos 
riscos e efeitos colaterais na sua formulação; registro de identificação das 
principais recomendações; registro de conflito de interesse dos 
organizadores; e atualização da diretriz. 
O ensaio clínico controlado randomizado é a abordagem quantitativa 
que fornece a melhor evidência possível para avaliar a eficácia de 
intervenções de saúde. 37 Outras metodologias empregadas para formação 
de evidências científicas são a revisão sistemática e a revisão integrativa de 
literatura, que consiste em revisões de literatura que empregam um método 
criterioso de seleção dos artigos e compilação dos dados sobre um assunto 
específico. 38,39 
A identificação desta hierarquia auxilia a análise crítica das evidências 
realizadas pelo enfermeiro para aplicação ou não na prática profissional. 
Tomada de decisões com base na evidência encontrada: a implementação da 
evidência clínica encontrada na prática profissional consiste em uma tarefa 
20 
 
 
difícil. Para que isso ocorra é preciso: conhecimento e competência do 
enfermeiro para interpretar os resultados das pesquisas; cultura gerencial e 
organizacional da instituição que favoreça a utilização de pesquisas; recursos 
humanos e financeiros compatíveis com o necessário; os achados da 
pesquisa a ser implementada precisam estar de acordo com a preferência dos 
pacientes e de seus familiares. 6,7 
Nessa prática, podem ser listadas dificuldades como: as evidências 
reconhecidas e acertadas estão disponíveis, em sua maioria, em outros 
idiomas e a importância de o enfermeiro pesquisar, ser capaz de obter, 
interpretar e integrar as evidências para orientar a tomada de decisão e, 
consequentemente, planejar o cuidado. 37 
A pesquisa é posta como dificuldade para a efetivação da PBE na 
Enfermagem, pois se percebe um paradoxo entre a pesquisa e cuidado no 
processo de trabalho do enfermeiro, mediante o distanciamento destes na 
prática, bem como a falta de entendimento acerca das suas relações. Estudos 
apontam que um número significativo dos enfermeiros que atuam na prática 
de cuidar considera que a pesquisa não é parte integrante do cotidiano 
profissional. 40 
Percebe-se que mesmo diante destes avanços, ainda há necessidade 
de ampliar o desenvolvimento da pesquisa no âmbito da Enfermagem. Assim, 
a PBE representa o elo entre a pesquisa e a prática profissional, como 
ferramenta para a capacitação e inserção do profissional no cotidiano de 
trabalho, uma vez que permite a aquisição e validação de conhecimentos. 
Para tanto é necessário o retorno dos resultados dos estudos à prática 
assistencial e que os temas de pesquisa sejam resultantes da necessidade 
desta, de forma objetiva e aplicada ao seu cotidiano.40 
A Prática Baseada em Evidências requer a capacitação do enfermeiro 
em buscar estratégias para o desenvolvimento e a utilização de pesquisas na 
prática, a fim de transpor a dicotomia entre teoria e prática-pesquisar e cuidar. 
Destarte, emerge a necessidade de ampliar a concepção da pesquisa na 
21 
 
 
prática profissional para que esta possa ser vislumbrada como uma 
ferramenta do processo de trabalho do enfermeiro, efetivamente como uma 
dimensão da prática. Nesta perspectiva, o enfermeiro deve ser capacitado 
para realizá-la, bem como compreendê-la como produção e validação do 
conhecimento, com uma visão crítica e responsável. 
o CONCLUSÃO 
Para a implementação da prática baseada em evidências tornar-se 
realidade na enfermagem, são necessáriasmudanças nas esferas 
educacional, organizacional e individual. As instituições de ensino devem 
introduzir disciplinas na grade curricular que possibilitem ao aluno a 
compreensão do processo de pesquisar e o aprendizado de habilidades para 
a realização de leitura e avaliação crítica dos artigos disponíveis na 
enfermagem. Ressalta-se, ainda, que em todas as disciplinas da grade, o 
aluno deve ser estimulado a tornar-se um consumidor de pesquisa e participar 
de encontros para a discussão da viabilidade de aplicação dos estudos na 
prática de enfermagem. Em relação a pós-graduação, em estudo 24 recente 
os autores analisaram a produção científica da Pós-Graduação em 
Enfermagem, no Brasil(1998-2000) e constataram que existe uma falta de 
direcionamento do desenvolvimento de pesquisas para os problemas cruciais 
de saúde e de enfermagem, recomendando que as instituições de ensino 
necessitam realizar esforços para uma reflexão sobre sua produção científica. 
Acredita-se, ainda, na necessidade de docentes/ orientadores 
juntamente com os alunos de pós-graduação (mestrado e doutorado) 
desenvolverem pesquisas que contemplem os problemas clínicos vivenciados 
na prática como, por exemplo, a elaboração de revisões sistemáticas ou de 
diretrizes clínicas, ou seja, a construção de recursos cuja finalidade é a síntese 
das pesquisas disponíveis para direcionar a prática fundamentada em 
conhecimento científico. 
Outra sugestão é o desenvolvimento de projetos de pesquisa que 
abordem estrátegias para auxiliar o enfermeiro na transferência de resultados 
22 
 
 
de pesquisas para a prática assistencial. Entende-se que a formação de 
parcerias entre as instituições de ensino e as instituições prestadoras de 
serviços de saúde, possibilitaria a criação de condições que pudessem 
modificar a realidade vivenciada pelos enfermeiros, seja por meio de 
programas educativos, formação de grupos de estudos que contemplem as 
diferentes áreas de conhecimento da enfermagem, organização de eventos 
para a disseminação das pesquisas desenvolvidas na organização ou eventos 
que discutam a utilização de pesquisas para solucionar problemas clínicos 
vivenciados no cotidiano da prática de enfermagem. 
Acredita-se que compete ao enfermeiro buscar estratégias que 
possibilitem sua capacitação no desenvolvimento e utilização de pesquisas na 
prática; entretanto, o suporte organizacional é crucial na promoção de 
recursos para que este profissional fundamente suas ações em conhecimento 
científico. Acrescido a esse cenário, está a contribuição das instituições de 
ensino, direcionadas para o preparo do enfermeiro frente a pesquisa, na 
graduação e pós-graduação, para desenvolver estratégias que possibilitam a 
implementação da prática baseada em evidências, focalizando a utilização de 
resultados de pesquisas na prática assistencial. Tais estratégias empregam o 
conhecimento já produzido na enfermagem em qualquer área de atuação do 
enfermeiro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
23 
 
 
 
 
 
 
 
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