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Equação Diferencial Parcial Cálculo III - ECT 1312 Escola de Ciências e Tecnologia Universidade Federal do Rio Grande do Norte Maio 2012 Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 1 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Definição Como já vimos, uma ED que contém derivadas parciais de uma ou mais variáveis dependentes em releção a duas ou mais variáveis independentes é chamada de equação diferencial parcial EDP. São exemplos de EDPs: ∂v ∂s + ∂v ∂t = v, ∂2u ∂x2 − ∂2v ∂x2 + ( ∂v ∂y )3 + ∂u ∂y = 0, ∂2u ∂x2 + ∂2u ∂y2 + ∂2u ∂z2 = 0. A ordem da EDP é a ordem da maior derivada presente na equação, e será linear se contiver apenas termos lineares de variável dependente e de suas derivadas parciais. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 2 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Solução Geral de uma EDP Uma solução de uma EDP em alguma região R do espaço das variáveis independentes é uma função u(x,y), ou u(x,y,z), que tem todas as derivadas parciais aparencendo na EDP e que satisfaz à EDP. Em geral, a solução geral não é única, como veremos no próximo exercício, sendo assim nescessário condições adicionais (condições de contorno ou condições iniciais) que surgem do problema. Teorema da Superposição Dizemos que uma EDP é homogênea se cada um de seus termos contém u ou uma de suas derivadas parciais. Do contrário, a EDP é dita não-homogênea. Se u1 e u2 são soluções de uma EDP linear homogênea, então u = c1u1 + c2u2, com c1 e c2 constantes quaisquer, é também solução da EDP. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 3 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 1 Mostre que as funções abaixo são todas soluções da EDP uxx +uyy = 0, conhecida como equação de Laplace: a) u = x2− y2, b) u = ex cos(y), c) u = sin(x)cosh(y), d) u = ln(x2 + y2). Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 4 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 1 (Solução) Para o item a) temos que uxx = 2 e uyy =−2, de forma que uxx +uyy = 2−2 = 0. Logo u(x,y) = x2− y2 é solução da equação de Laplace. Para o item b) temos uxx = ex cos(y) e uyy =−ex cos(y), assim uxx +uyy = ex cos(y)− ex cos(y) = 0. Logo u(x,y) = ex cos(y) é solução da equação de Laplace. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 5 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 1 (Solução) Para o item c) temos que uxx =−sin(x)cosh(y) e uyy = sin(x)cosh(y), de forma que uxx +uyy =−sin(x)cosh(y)+ sin(x)cosh(y) = 0. Logo u(x,y) = sin(x)cosh(y) é solução da equação de Laplace. Para o item d) uxx = −2x2 +2y2 (x2 + y2)2 e uyy = 2x2−2y2 (x2 + y2)2 , assim uxx +uyy = −2x2 +2y2 (x2 + y2)2 + 2x2−2y2 (x2 + y2)2 = 0. Logo u(x,y) = ln(x2 + y2) é solução da equação de Laplace. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 6 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 2 Resolva uxx−u = 0 como uma EDO. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 7 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 2 (Solução) Note que u = u(x,y), mas na EDP apenas aparece derivadas parciais relativas a x. Neste caso podemos tratar a EDP como a EDO u′′−u = 0, com equação característica λ 2−1 = 0 =⇒ λ =±1. Logo a solução geral é do tipo u(x,y) = A(y)ex +B(y)e−x. Repare que a denpendência da variável y aparece nas "constantes" A(y) e B(y). Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 8 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 3 Resolva uxy =−ux como uma EDO. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 9 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 3 (Solução) Note que fazendo p(x,y) = ux, a EDP se reescreve como ∂2u ∂x∂y =−∂u ∂x =⇒ ∂p ∂y =−p. Tratando a EDP acima como a EDO dp p =−dy temos que p(x,y) = A(x)e−y =⇒ ∂u ∂x = A(x)e−y. Integrando em relação a x temos u(x,y) = e−y ∫ A(x)dx+g(y) = f (x)e−y +g(y) com f (x) = ∫ A(x)dx. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 10 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 4 Resolva uxy = x2− ey. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 11 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 4 (Solução) Integrando a EDP em relação a x temos uy = x3 3 − xey +A(y). Integrando agora em relação a y temos u(x,y) = x3y 3 − xey + ∫ A(y)dy+g(x) = x3y 3 − xey + f (y)+g(x), onde f (y) = ∫ A(y)dy. As funções f (y) e g(x) podem ser determinadas desde que sejam fornecidas condições adicionais. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 12 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Método de Separação de Variáveis O Método de Separação de Variáveis consiste na suposição de que a solução u(x,y), ou u(x,y,z), da EDP pode ser escrita como o produto de funções de uma única variável independente, isto é, u(x,y) = X(x)Y(y), ou u(x,y,z) = X(x)Y(y)Z(z). Quando tal suposição funciona, convertemos um EDP de ordem n em n EDOs que podem ser resolvidas pelos métodos vistos até agora. Como exemplo considere a seguinte EDP x ∂u ∂x = ∂u ∂y . Neste caso vamos supor que u(x,y) = X(x)Y(y), com X(x) e Y(y) não nulas. Substituindo na EDP teremos x dX dx +0 = X(x) dY dy =⇒ 1 X(x) dX dx = dY dy . Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 13 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Método de Separação de Variáveis Note que o lado esquerdo da EDP depende no máximo de x enquanto que o lado direito no máximo de y. De forma que a EDP deve ser igual a uma constante c, assim x X(x) dX dx = dY dy = c. Assim temos duas EDOs dX X = c dx x e dY Y = cdy. Com as seguintes soluções: X(x) = Kxc e Y(y) = Decy =⇒ u(x,y) = Excecy. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 14 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 5 Resolva uxx = uyy. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 15 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 5 (Solução) Pelo método de seperação de variáveis temos que u(x,y) = X(x)Y(y) de forma que Y(y) d2X dx2 = X(x) d2Y dy2 =⇒ 1 X(x) d2X dx2 = 1 Y(y) d2Y dy2 . Como o lado esquerdo da equação acima depende de no máximo x, enquanto que o lado direito de no máximo y devemos ter que 1 X(x) d2X dx2 = 1 Y(y) d2Y dy2 =−k2, onde −k2 é a variável de separação. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 16 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 5 (Solução) Dessa maneira temos as seguintes EDOs d2X dx2 + k2X(x) = 0 e d2Y dy2 + k2Y(y) = 0, com as seguintes soluções X(x) = a1eikx +a2e−ikx e Y(y) = b1eiky +b2e−iky. A solução fica u(x,y) = [a1eikx +a2e−ikx][b1eiky +b2e−iky]. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 17 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 6 Resolva vx + vy = vz. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 18 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 6 (Solução) Pelo método de seperação de variáveis temos que v(x,y,z) = X(x)Y(y)Z(z) de forma que Y(y)Z(z) dX dx +X(x)Z(z) dY dy = X(x)Y(y) dZ dz . Como o lado esquerdo da equação acima depende de no máximo x e y, enquanto que o lado direito de no máximo z devemos ter que 1 X(x) dX dx + 1 Y(y) dY dy = 1 Z(z) dZ dz = c, onde c é a variável de separação. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 19 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 6 (Solução) Dessa maneira temos as seguintes EDOs 1 X(x) dX dx = c− 1 Y(y) dY dy e 1 Z(z) dZ dz = c. Note que na primeira EDO, o lado direito depende no máximo de x e o lado esquerdo de y. Assim 1 X(x) dX dx = b e 1 Y(y) dY dy = c−b. As soluções ficam X(x) = X0ebx, Y(y) = Y0e(c−b)y e Z(z) = Z0ecz. Logo v(x,y,z) = X0ebxY0e(c−b)yZ0ecz = v0ebx+(c−b)y+cz. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 20 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 7 Resolva uxx−uy =−αe−βx. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 21 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 7 (Solução) Uma solução do tipo u(x,y) = X(x)Y(y) não é possível neste caso devido ao termo não-homogêneo −αe−βx. Para contornar tal fato vamos supor uma solução da forma u(x,y) = v(x,y)+ z(x), como tentativa de eliminar o termo −αe−βx (que é uma função apenas de x). Assim ∂2v ∂x2 − ∂v ∂y + d2z dx2 =−αe−βx. Como ambos z(x) e −αe−βx são funçõe apenas de x vamos supor que d2z dx2 =−αe−βx, de forma que ∂2v ∂x2 − ∂v ∂y = 0. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 22 / 67 Equação DiferencialParcial (EDP) Exercício 7 (Solução) Note agora que a segunda ED pode ser resolvida supondo que v(x,y) = X(x)Y(y). De forma que obtemos as seguintes EDOs 1 X(x) d2X dx2 = 1 Y(y) dY dy =−c2, ou seja, d2X dx2 + c2X(x) = 0 e dY dy =−c2Y(y). Assim temos as seguintes soluções X(x) = Acos(cx)+Bsin(cx) Y(y) = Y0e−c2y z(x) =− α β2 e−βx +d1x+d2. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 23 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 7 (Solução) A solução geral fica u(x,y) = [Acos(cx)+Bsin(cx)]Y0e−c2y− α β2 e−βx +d1x+d2 = [acos(cx)+bsin(cx)]e−c2y− α β2 e−βx +d1x+d2. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 24 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Condições de Contorno Considere a seguinte EDO y′′+p(t)y′+q(t)y = 0 com solução y(t) (t ∈ I = [a,b]). Para obter a solução particular da EDO acima precisamos de condições adicionais. Tais condições são classificadas como: 1 Condições de Contorno de Cauchy: O valor da função e sua derivada é especificado sobre o contorno (y(t),y′(t), t = a e/ou t = b). 2 Condições de Contorno de Dirichlet: O valor da função é especificado sobre o contorno (y(a),y(b)). 3 Condições de Contorno de Neumann: O valor da derivada é especificada sobre o contorno (y′(a),y′(b)) A mesma classifiação é utilizada para EDPs. Dependendo do tipo da condição de contorno e da ED a ser resolvida pode acontecer de não existir solução, existir apenas uma solução ou várias como veremos a seguir. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 25 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 8 Resolva y′′+αy = 0 com y(0) = 0 e y(π) = 0, α real arbitrário. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 26 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 8 (Solução) Aqui temos 3 casos a considerar α > 0,α = 0 e α < 0. Vejamos o caso α > 0. Façamos α = µ2, assim y′′+µ2y = 0. A solução geral é y(x) = Acos(µx)+Bsin(µx). De y(0) = 0 temos que A = 0, da segunda condição temos Bsin(µπ) = 0 =⇒ µπ = nπ =⇒ µ = n = 1,2,3 . . . . E assim para λn = n2 temos infinitas soluções yn(x) = sin(nx). Os valores de λ para o qual a EDO acima tem solução diferente da trivial y(x) = 0 é chamado de autovalor, e as soluções de autofunções. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 27 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 8 (Solução) Para α = 0 temos y′′ = 0. A solução geral é y(x) = c1x+ c2. De y(0) = 0 temos que c2 = 0, da segunda condição temos c1π = 0 =⇒ c1 = 0. Logo a única solução é a trivial y(x) = 0. Assim α = 0 não é autovalor, assim como y(x) = 0 não é considerada autofunção. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 28 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 8 (Solução) Para α < 0, façamos α =−µ2 y′′−µ2y = 0. A solução geral é y(x) = Acosh(µx)+Bsinh(µx). De y(0) = 0 temos que A = 0, da segunda condição temos Bsinh(µπ) = 0 =⇒ B = 0. Logo a única solução é a trivial y(x) = 0. Logo α < 0 não é autovalor, assim como y(x) = 0 não é considerada autofunção. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 29 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Equação de Poisson e Laplace O problema de determinar o potencial elétrico V gerado por uma distribuição de cargas com densidade ρ nos leva a duas importantes EDPs, à saber, as Equações de Poisson e Laplace. Para obter tais equações considere o seguinte problema. Um certo volume V do espaço delimitado por uma superficie S contém um carga q com densidade ρ. A lei de Gauss para o campo elétrico nos diz que ∮ S ~E ·~ndS = q ε0 , onde ε0 é a constante de perssividade no vácuo. Note que a carga q é dada por q = ∫∫∫ ρdV. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 30 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Equação de Poisson e Laplace De forma que ∮ S ~E ·~ndS = q = ∫∫∫ ρdV. Do teorema da Divergência temos que∫∫∫ ∇ ·~EdV = ∮ S ~E ·~ndS = 1 ε0 ∫∫∫ ρdV. De forma que ∇ ·~E = 1 ε0 ρ. O campo elétrico~E é um campo conservativo, de forma que este pode ser escrito como o gradiente de uma função potencial, i.e.,~E =−∇V . Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 31 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Equação de Poisson e Laplace Com as duas equações anteriores temos a seguinte EDP ∇ 2V = 1 ε0 ρ. A equação acima é chamda de Equação de Poisson. Se o volume em questão não contiver cargas então a EDP acima fica ∇ 2V = 0, que é chamada Equação de Laplace. Vamos nos concentrar em resolver a EDP de Laplace com condições de contorno adequadas. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 32 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 9 Determine a solução da equação de Laplace, i.e., o potencial elétrico, para uma região retangular, de largura L, delimitada pelas seguintes condições de contorno V(0,y) = 0, V(x,0) = f (x), V(L,y) = 0 e V(x,y→ ∞) = 0. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 33 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 9 (Solução) Pelo método da separação de variáveis temos que V(x,y) = X(x)Y(y) de forma que 1 X d2X dx2 =− 1 Y d2Y dy2 =−k2, que fornecem as seguintes EDOs d2X dx2 + k2X = 0 e d2Y dy2 − k2Y = 0. Para k 6= 0 temos as seguintes soluções X(x) = acos(kx)+bsin(kx) e Y(y) = ccosh(ky)+d sinh(ky). Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 34 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 9 (Solução) A solução para k 6= 0 é dada por Vk(x,y) = [acos(kx)+bsin(kx)][ccosh(ky)+d sinh(ky)]. Para k = 0 temos as seguintes EDOs d2X dx2 = d2Y dy2 = 0. As soluções são X(x) = c1x+ c2 e Y(y) = d1y+d2. Assim para k = 0 Vk=0(x,y) = [c1x+ c2][d1y+d2] = a0xy+b0x+ c0y+d0. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 35 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 9 (Solução) A solução geral fica V(x,y)= a0xy+b0x+c0y+d0+[acos(kx)+bsin(kx)][ccosh(ky)+d sinh(ky)]. A solução acima é geral e independente das condições de contorno. Agora vamos utilizar as condições dadas para determinar as constantes. De V(0,y) = 0 temos que c0y+d0 +a[ccosh(ky)+d sinh(ky)] = 0. Assim a = c0 = d0 = 0. Logo V(x,y) = a0xy+b0x+sin(kx)[C cosh(ky)+Dsinh(ky)], C = bc e D = bd. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 36 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 9 (Solução) Da segunda condição V(L,y) = 0 temos V(L,y) = a0Ly+b0L+ sin(kL)[C cosh(ky)+Dsinh(ky)] = 0, de onde concluímos que a0 = 0,b0 = 0 e k = nπ L com n = 1,2,3, · · · . Logo a solução fica V(x,y) = sin (nπ L x )[ C cosh (nπ L y ) +Dsinh (nπ L y )] = sin( nπ L x)[C′e nπ L y +D′e− nπ L y]. Onde rescervemos a funções hiperbólicas em terms das exponenciais. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 37 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 9 (Solução) A quarta condição V(x,y→ ∞) = 0 implica que o potencial para y grande deve ir a 0, e assim C′ = 0. Logo V(x,y) = D′n sin (nπ L x ) e− nπ L y. Note que temos aqui infinitas soluções. Assim do teorema da superposição, a solução é V(x,y) = ∞ ∑ n=1 D′n sin (nπ L x ) e− nπ L y. Da terceira condição V(x,0) = f (x) temos V(x,0) = ∞ ∑ n=1 D′n sin (nπ L x ) = f (x). Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 38 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 9 (Solução) A equação anterior nos diz que a função f (x) é dada por uma série de Fourrier em senos, o que nos permite determinar as constantes D′n D′n = 2 L ∫ L 0 f (x)sin (nπ L x ) dx. Assim, fornecida a função f (x) podemos determinar de forma única a solução para o potencial elétrico. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 39 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 10 Considere que no exercício anterior a função f (x) = V0 é uma constante. Determine as constantes D′n, e assim a solução do problema. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 40 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 10 (Solução) Os coeficientes são dados por D′n = V0 2 L ∫ L 0 sin (nπ L x ) dx = 2 V0 nπ [1− (−1)n] = 4 V0 nπ , para n ímpar. Logo a solução do problema fica: V(x,y) = 4V0 π ∞ ∑ n=1 1 2n−1 sin [ (2n−1)π L x ] e− (2n−1)π L y. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 41 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Equação da Onda Outra importante EDP que estudaremos agora é a Equação da Onda. Para obtermos a EDP quemodela pequenas vibrações transversais em uma corda elástica, como a corda de um violino, faremos as seguintes suposições: 1 A massa da corda por unidade de comprimento é constante, i.e., a corda é homogênea, sendo a corda perfeitamente elástica e não oferecendo resistência à deflexão. 2 A tensão causada pelo esticamento da corda, presa pelas extremidades, é tão grande que a força gravitacional que a puxa para baixo pode ser desprezada. 3 A corda executa pequenos movimentos transversais num plano vertical, de modo que a deflexão e inclinação sempre permancerão pequenas em valores absolutos. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 42 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Equação da Onda Agora determinaremos uma EDP que nos forneça a deflexão y(x, t), para uma corda presa pelas extremidades, como função da posição e do tempo. Para tanto, sejam P(x,y1) e Q(x+∆x,y2) pontos sobre a corda que determinam um arco P̂Q. Sejam ainda ~T1 e ~T2 as tensões exercidas sobre à corda nos pontos P e Q, respectivamente. Como não a movimento sobre o eixo x, corda presa, temos que a força resultante nessa direção é nula Fx = T2 cos(β)−T1 cos(α) = 0 =⇒ T2 cos(β) = T1 cos(α) = T, onde α e β são os ângulos formados entre o eixo x e as tensões ~T1 e ~T2, respectivamente, e T é uma constante. Na direção y temos Fy = T2 sin(β)−T1 sin(α) = m ∂2y(x, t) ∂t2 . Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 43 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Equação da Onda Dividindo a última equação por T e utilizando o fato de que m = ρ∆s≈ ρ∆x, ρ densidade linear da corda, temos T2 sin(β) T2 cos(β) − T1 sin(α) T1 cos(α) = ρ∆x T ∂2y(x, t) ∂t2 =⇒ tan(β)− tan(α) = ρ∆x T ∂2y(x, t) ∂t2 . Mas as tangentes dos ângulos são meramentes as inclinações, derivadas, nos pontos P e Q. Assim 1 ∆x [ ∂y(x+∆x, t) ∂x − ∂y(x, t) ∂x ] = ρ T ∂2y(x, t) ∂t2 . Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 44 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Equação da Onda Tomando o limite quando ∆x→ 0, na equção anterior, obteremos a EDP desejada lim ∆x→0 1 ∆x [ ∂y(x+∆x, t) ∂x − ∂y(x, t) ∂x ] = ∂2y(x, t) ∂x2 =⇒ ∂2y(x, t) ∂x2 = ρ T ∂2y(x, t) ∂t2 . Fazendo análise admensional da quantidade ρ/T vemos que esta tem dimensões do inverso do quadrado da velocidade. Assim podemos dizer que v = √ ρ T , é a velocidade de propagação da onda. Com essa observação a Equação da Onda Unidimensional fica ∂2y(x, t) ∂x2 = 1 v2 ∂2y(x, t) ∂t2 . Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 45 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Equação da Onda Para o caso tridimensional temos a seguinte equação ∇ 2u(~r, t) = 1 v2 ∂2u(~r, t) ∂t2 , onde~r = (x,y,z) é o vetor posição e ∇2 é o operado laplaciano dado por, em coordenadas cartesianas, ∇ 2 = ∂2 ∂x2 + ∂2 ∂y2 + ∂2 ∂z2 . Apesar da EDP anterior ter sido obtida para uma onda mecânica, a EDP que rege tais tipos de fenômenos ondulatórios é bem geral, de forma que a EDP acima também pode ser utilizada para estudar ondas eletromagnéticas. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 46 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 11 Encontre a deflexão y(x, t) para uma corda homogênea de comprimento L, presa nas extemidades, com deflexão inicial f (x) e velocidade inicial g(x). Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 47 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 11 (Solução) Pelo método da separação de variáveis temos que u(x, t) = X(x)T(t) de forma que 1 X d2X dx2 = 1 v2T d2T dt2 =−k2, que fornecem as seguintes EDOs d2X dx2 + k2X = 0 e d2T dt2 +(kv)2T = 0. Para k 6= 0 temos as seguintes soluções X(x) = acos(kx)+bsin(kx) e T(t) = ccos(kvt)+d sin(kvt). Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 48 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 11 (Solução) A solução para k 6= 0 é dada por uk 6=0(x, t) = [acos(kx)+bsin(kx)][ccos(kvt)+d sin(kvt)]. Para k = 0 temos as seguintes EDOs d2X dx2 = d2T dt2 = 0. As soluções são X(x) = a1x+a2 e T(t) = b1t+b2. Assim para k = 0 uk=0(x, t) = [a1x+a2][b1y+b2] = a0xt+b0x+ c0t+d0. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 49 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 11 (Solução) A solução geral fica yk(x,y) = a0xt+b0x+c0t+d0 +[acos(kx)+bsin(kx)][ccos(kvt)+d sin(kvt)]. A solução acima é geral e independente das condições de contorno. Agora vamos utilizar as condições dadas para determinar as constantes. Como uk(0, t) = 0, corda presa, temos que c0t+d0 +a[ccos(kvt)+d sin(kvt)] = 0. Assim a = c0 = d0 = 0. Logo yk(x, t) = a0xt+b0x+ sin(kx)[C cos(kvt)+Dsin(kvt)], C = bc e D = bd. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 50 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 11 (Solução) Temos ainda que yk(L, t) = 0, corda presa, assim yk(L, t) = a0Lt+b0L+ sin(kL)[C cos(kvt)+Dsin(kvt)] = 0, de onde concluímos que a0 = 0,b0 = 0 e k = nπ L com n = 1,2,3, · · · . Logo a solução fica yn(x, t) = sin (nπx L )[ C cos (nπvt L ) +Dsin (nπvt L )] . Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 51 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 11 (Solução) A solução geral é então a soma de todas as soluções, i.e., como para cada n temos que yn(x, t) é solução, ficamos com y(x, t) = ∞ ∑ n=1 yn(x, t) = ∞ ∑ n=1 Cn sin (nπx L ) cos (nπvt L ) +Dn sin (nπx L ) sin (nπvt L ) . Da deflexão inicial, y(x,0) = f (x) temos y(x,0) = ∞ ∑ n=1 Cn sin (nπx L ) = f (x). Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 52 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 11(Solução) A equação anterior nos diz que a função f (x) é dada por uma série de Fourrier em senos, o que nos permite determinar as constantes Cn Cn = 2 L ∫ L 0 f (x)sin (nπ L x ) dx. Da velocidade inicial, yt(x,0) = g(x) temos ∂y ∂t (x, t) = ∞ ∑ n=1 [( −nπv L ) Cn sin (nπx L ) sin (nπvt L ) + + (nπv L ) Dn sin (nπx L ) cos (nπvt L )] . Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 53 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 11(Solução) De forma que ∂y ∂t (x,0) = ∞ ∑ n=1 (nπv L ) Dn sin (nπx L ) = g(x). Aqui vemos também que a função g(x) é dada por uma série de Fourrier em senos, o que nos permite determinar as constantes Dn Dn = 2 nπv ∫ L 0 g(x)sin (nπ L x ) dx. Assim, fornecida as funções f (x) e g(x) podemos determinar de forma única a solução para a deflexão em corda. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 54 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 12 Encontre a deflexão y(x, t) para uma corda homogênea de comprimento L = 1, v = 1, presa nas extemidades, com velocidade inicial nula e deflexão inicial f (x) = k sin(2πx). Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 55 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 12 (Solução) Como a velocidade inicial é nula, os Dn = 0. Assim precisamos apenas determinar os coeficientes Cn, Cn = 2k ∫ 1 0 sin(2πx)sin(nπx)dx. Se n 6= 2 a integral acima é nula. Se n = 2 temos C2 = 2k ∫ 1 0 sin2(2πx)dx = 2k ∫ 1 0 1− cos(4πx) 2 dx = k. Assim a solução desejada é y(x, t) = k sin(2πx)cos(2πt). Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 56 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Equação do Calor Agora determinaremos uma EDP que nos forneça a temperatura T(x, t), para uma barra com temperatura nula nas extremidades, como função da posição e do tempo. Vamos obter, primeiramente, a EDP para o caso tridimensional mais geral. Experimentalmente sabe-se que o fluxo de calor através de uma dada área S é dada pela lei de Fourrier ~q =−k∇T, onde k é chamada de condutividade térmica do material, que assumiremos constante. O calor Q que flui para dentro do sistema por unidade de tempo em um volume V , limitado pela superfície S, é dado por ∂Q ∂t =− ∮ S ~q ·~ndS. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 57 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Equação do Calor Utilizando o teorema da divergência temos ∂Q ∂t =− ∮ S ~q ·~ndS =− ∫ V k∇ 2TdV. Se o aumento de temperatura não levar a mudança de fase, o calor está relacionado com o calor específico c e com a variação de temperatura por dQ = mcdT =⇒ ∂Q ∂t = mc ∂T ∂t . Mas a massa pode ser escrita como m = ∫ V ρdV , de forma que ∂Q ∂t = ∫ V ρc ∂T ∂tdV. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 58 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Equação do Calor Assim ficamos com∫ V ρc ∂T ∂t dV =− ∫ V ∇ ·~qdV =− ∫ V k∇ 2TdV. De forma que ∂T ∂t = k ρc ∇ 2T = K2 ∇ 2T, onde K2 = k ρc . A EDP acima é chamada de equação da condução do calor, e sua forma unidimensional fica ∂T(x, t) ∂t = K2 ∂2T(x, t) ∂x2 . Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 59 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 13 Encontre a temperatura T(x, t) numa barra de comprimento π isolada lateralmente, considerando que a temperatura inicial seja f (x) = 100sin(x) graus Celsius. Assuma que o material é talque K = 1. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 60 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 13 (Solução) Pelo método da separação de variáveis temos que T(x, t) = X(x)F(t) de forma que K2 1 X d2X dx2 = 1 F dF dt =−l2, que fornecem as seguintes EDOs d2X dx2 +(l/K)2X = 0 e dF F =−l2dt. Para l 6= 0 temos as seguintes soluções X(x) = acos ( lx K ) +bsin ( lx K ) e F(t) = Ce−l2t. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 61 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 13 (Solução) A solução para l 6= 0 é dada por Tl 6=0(x, t) = [ Acos ( lx K ) +Bsin ( lx K )] e−l2t. Para l = 0 temos as seguintes EDOs d2X dx2 = dF dt = 0. As soluções são X(x) = a1x+a2 e F(t) = b1. Assim para l = 0 Tl=0(x, t) = [a1x+a2]b1 = a0x+b0. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 62 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 13 (Solução) A solução geral fica Tl(x, t) = a0x+b0 + [ Acos ( lx K ) +Bsin ( lx K )] e−l2t. A solução acima é geral e independente das condições de contorno. Agora vamos utilizar as condições dadas para determinar as constantes. Como Tl(0, t) = 0, temos que b0 +Ae−l2t = 0. Assim b0 = A = 0. Logo Tl(x, t) = a0x+Bsin ( lx K ) e−l2t. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 63 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 11 (Solução) Temos ainda que Tl(L, t) = 0, assim Tl(L, t) = a0L+Bsin ( lL K ) e−l2t = 0. de onde concluímos que a0 = 0 e ln = nπK L com n = 1,2,3, · · · . Logo a solução fica Tn(x, t) = Bn sin (nπx L ) e− n2π2K2t L . Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 64 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 13 (Solução) A solução geral é então a soma de todas as soluções, i.e., como para cada n temos que Tn(x, t) é solução, ficamos com T(x, t) = ∞ ∑ n=1 Tn(x, t) = ∞ ∑ n=1 Bn sin (nπx L ) e− n2π2K2t L . Da temperatura inicial, T(x,0) = f (x) temos T(x,0) = ∞ ∑ n=1 Bn sin (nπx L ) = f (x). Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 65 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 13(Solução) A equação anterior nos diz que a função f (x) é dada por uma série de Fourrier em senos, o que nos permite determinar as constantes Bn Bn = 2 L ∫ L 0 f (x)sin (nπ L x ) dx. Do problema em questão temos que L = π, K = 1 e que f (x) = 100sin(x). Assim Bn = 2 π ∫ π 0 100sin(x)sin(nx)dx = 100 π ∫ π −π sin(x)sin(nx)dx = 100 π πδ1n. Logo o único coeficiente não nulo é o B1 = 100. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 66 / 67 Equação Diferencial Parcial (EDP) Exercício 13(Solução) A solução do problema é dada por T(x, t) = 100sin(x)e−t. Leonardo Mafra (ECT-UFRN) Maio 2012 67 / 67