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DESENVOLVIMENTO GERENCIAL E LIDERANÇA Pablo Rodrigo Bes Habilidades para o exercício da liderança Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir as competências de uma liderança com foco na gestão es- tratégica de pessoas. Relacionar contexto com exercício da liderança. Reconhecer boas práticas do exercício da liderança para o engaja- mento da equipe. Introdução A gestão estratégica de pessoas tem como objetivo alinhar as com- petências dos colaboradores das organizações para que os objetivos estratégicos traçados sejam alcançados ao longo do tempo, o que envolve uma participação ativa dos líderes organizacionais. A liderança necessita de conhecimentos e habilidades específicas para conduzir seus grupos e equipes da maneira mais eficiente possível, ampliando as possibilidades de êxito no alcance de resultados. Para que a liderança encontre espaço de realização, os fatores con- textuais são determinantes, pois se aliam com as possibilidades de es- tabelecer políticas de gestão de pessoas e as devidas práticas junto aos integrantes das equipes. Essas práticas farão com que cada um exerça seu papel, somando esforços, produzindo sinergia e criando as condições necessárias para alcançar metas e objetivos com eficácia. Neste capítulo, você vai estudar as competências requeridas de um líder que atue na gestão estratégica de pessoas. Vai também ler sobre os elementos contextuais que se relacionam com a tarefa da liderança e conferir algumas ações que podem ser implementadas pelos líderes para que suas equipes desenvolvam-se e comprometam-se com os resultados. 1 Liderança e gestão estratégica de pessoas As organizações vivenciam atualmente um cenário de profunda competiti- vidade. Concorrer em busca de clientes para os mais diversos produtos e de usuários para os serviços prestados passou a ser a lógica cotidiana, uma vez que, assim, pode-se atingir os resultados projetados. Para alcançar resulta- dos, porém, são necessárias pessoas, ou melhor dizendo, colaboradores que possuam conhecimentos e habilidades requeridas para manter e alavancar o crescimento organizacional. Isso acentua a importância da liderança exercida nos grupos e equipes existentes. Uma vez que a liderança é compreendida como “[…] a capacidade que algumas pessoas possuem de conseguir que outras, de modo espontâneo, ultrapassem o estabelecido formalmente” (FIORELLI, 2006, p. 200), podemos afirmar que ela é fundamental para que as equipes atinjam seu desempenho máximo, contribuindo diretamente para o alcance dos objetivos estratégicos das organizações. A liderança envolve certo tipo de poder, que influencia as pessoas a seguirem determinada conduta, principalmente a partir do envolvi- mento de suas emoções na identificação desse líder a quem seguem. No entanto, um líder não nasce pronto. Para se tornar um, o indivíduo deve treinar-se e desenvolver-se ao longo de sua vida, aperfeiçoando um conjunto de habilidades que façam com que suas atitudes sejam vistas como atributos de sua liderança. Desse modo, a pessoa gera confiança em sua equipe e proporciona engajamento. Ao definir como se desenvolve a confiança da equipe sobre o líder, Robbins (2009, p. 169) destaca cinco dimensões básicas e necessárias: “integridade, competência, consistência, lealdade e abertura”. O líder precisa ter uma conduta moral apropriada, ser honesto na forma como atua e se relaciona, precisa possuir um conjunto de competências específicas, técnicas e interpessoais, que o legitimem nessa condição, ser consistente em seus julgamentos e na tomada de decisões de forma segura, estar disposto a proteger e defender a equipe e estar aberto a ouvir o outro em todas as situações. Para que possamos compreender melhor as competências que envolvem a liderança, vamos analisar algumas das características que os líderes costu- mam apresentar, segundo Fiorelli (2006), quais sejam: ter um bom nível de estabilidade emocional, ser um construtor de visões, ter perseverança, honrar compromissos. Além disso, vamos observar algumas características cognitivo- -comportamentais importantes para o exercício da liderança. Um líder precisa ter estabilidade emocional, pois, em momento de crise e incertezas, representa uma direção a seguir, trazendo segurança para que a equipe continue atuando em suas atribuições. Podemos associar essa estabili- Habilidades para o exercício da liderança2 dade ao quociente de inteligência emocional que esse líder possui. Isso envolve a forma como conhece a si próprio e a capacidade de gerenciar suas emoções, além de reconhecer e considerar as emoções daqueles que coordena, o que exige que tenha um bom relacionamento interpessoal com os integrantes de sua equipe. Segundo Goleman (2015, p. 12), “[…] a inteligência emocional é a condição sine qua non da liderança. Sem ela, um indivíduo pode ter a melhor formação do mundo, uma mente incisiva e analítica e um suprimento infinito de ideias inteligentes, mas não será um bom líder”. Isso significa que dominar aspectos emocionais é tão importante para o exercício da liderança quanto dominar questões cognitivas ou intelectuais. O conceito de inteligência emocional foi difundido mundialmente com a obra Inteligência emocional, escrita pelo psicólogo e jornalista norte-americano Daniel Goleman em 1995. Nessa obra, o autor considera que a inteligência emocional pode ser incrementada a partir do desenvolvimento de cinco áreas de habilidades específicas, listadas a seguir. 1. Autoconhecimento emocional: reconhecer um sentimento enquanto ele ocorre. 2. Controle emocional: habilidade de lidar com seus próprios sentimentos, adequando- -os para a situação. 3. Automotivação: dirigir emoções a serviço de um objetivo. 4. Reconhecimento de emoções em outras pessoas. 5. Habilidade em relacionamentos interpessoais. Essas ideias passaram a compor o conjunto de competências que se relacionam ao exercício da gestão e da liderança. Além disso, um líder costuma ser alguém dedicado a construir a visão da organização junto aos colaboradores com quem trabalha, superando conflitos e dissensões entre eles. Para isso, vale-se da sua capacidade de uso da linguagem para uma comunicação persuasiva. Também costuma ser identificado como alguém que tem perseverança e é determinado para atingir metas e objetivos que a organização almeja. Mantém compromissos assumidos seja com a empresa, seja com cada uma dos colaboradores que compõem os grupos e equipes com que trabalha. As características cognitivo-comportamentais dos líderes, segundo Fiorelli (2006), envolvem basicamente habilidade interpessoal, autoconhecimento, 3Habilidades para o exercício da liderança autoconfiança e autodesenvolvimento. A habilidade interpessoal envolve a capacidade de relacionar-se de forma assertiva com os colaboradores, sa- bendo perceber a forma como se sentem e comunicar-se plenamente, não só falando, mas também ouvindo. O autoconhecimento é fundamental para que o líder possa identificar como aciona seus mecanismos de defesa ao receber críticas e feedbacks de seus procedimentos e melhorar sua performance. A autoconfiança relaciona-se com a convicção do acerto de suas decisões, que costumam combinar capacidade técnica e emocional. Por fim, o autodesen- volvimento costuma ser percebido pelos comportamentos demonstrados pelo líder que envolvem “[…] expansividade, inteligência, estabilidade emocional, entusiasmo, ousadia, sensibilidade, confiança, imaginação, espírito crítico, senso de justiça e disciplina” (FIORELLI, 2006, p. 211). Por meio da observação dessas atitudes ao longo da rotina organizacional, os colaboradores costumam ir identificando seus líderes e legitimando-os como indivíduos a serem seguidos. Podemos ainda destacar outras habilidades para que um líder obtenha sucesso junto às equipes (FIORELLI, 2006): habilidade para observar; habilidade para escutar; habilidade para falar; envolvimento.Cabe ao líder desenvolver sua capacidade de observação, uma vez que tanto as questões relativas aos colaboradores quanto os aspectos ambientais do seu contexto de atuação exigem essa habilidade para a leitura do que está ocorrendo. Isso dá suporte para decidir e conduzir os colaboradores. Observar compreende: […] perceber as mensagens não verbais contidas nos comportamentos das pessoas; identificar os comportamentos favoráveis e não favoráveis ao al- cance dos objetivos; discriminar detalhes dos comportamentos que passam desapercebidos; identificar as características comportamentais das pessoas (FIORELLI, 2006, p. 212). Disso decorre que as pessoas são diferentes em termos de personalidade, experiência, formação e cultura e, consequentemente, agem ou reagem de forma distinta aos estímulos recebidos nas organizações, cabendo ao líder observar suas reações. Habilidades para o exercício da liderança4 Soares (2015) explica que há quatro funções básicas da comunicação dentro de um grupo organizacional: controle, motivação, expressão emo- cional e informação. Todas são igualmente importantes, porque “[…] para que os grupos tenham um bom desempenho, eles precisam ter algum tipo de controle sobre seus membros, estimulá-los ao esforço, oferecer os meios para a sua expressão emocional e para a tomada de decisões” (SOARES, 2015, p. 35). Por isso, entender como funciona o processo de comunicação também é importante para o líder, que precisa ser hábil na escuta e na fala. A habilidade de escutar é importante, pois a fala dos colaboradores auxilia a elaborar ideias e, em alguns casos, desenvolve um sentimento de pertenci- mento aos membros da equipe. Fiorelli (2006, p. 215) destaca que: […] a oportunidade de se expressar oralmente leva a pessoa a reflexões que, sem esse estímulo, ela não faria. No falar, com frequência, o indivíduo acaba modificando esquemas de pensamento, porque se vê forçado a outro tipo de ordenação de ideias, para ajustar-se ao que escuta. Da mesma forma, pode ocorrer que o líder não concorde com o que está ouvindo e, então, precisa ordenar seus argumentos para defender suas convic- ções a respeito do assunto tratado. Nesse caso, o líder entende que a escuta, além de produzir estima e identificação com os colaboradores, também auxilia no desenvolvimento destes. Quando nos referimos à habilidade de escutar, não nos referimos somente à fala, pois a expressão corporal também fornece indícios para a nossa percepção, como gaguejos, rubor das faces, tremores das mãos, desvio do olhar, aceleração da respiração, suor. Esses e outros aspectos denunciam como a pessoa que está falando se sente no momento em que se expressa junto à equipe. O líder deve também ter habilidade com a fala, fazendo bom uso da comunicação verbal e não verbal (palavras e expressões corporais) para co- municar o que pretende. A liderança de uma equipe costuma não se utilizar de coerção ou imposição autoritária. Ser capaz de se comunicar de forma 5Habilidades para o exercício da liderança persuasiva é imprescindível para que sejam executadas as estratégias em busca dos resultados. É imprescindível envolver-se com os membros da equipe, ouvindo o que pensam, observando como agem, considerando seus sentimentos e percepções. Isso é importante para que o líder seja visto de forma empática, como alguém que se interessa e pode avaliar o desempenho da equipe para propor formas de elevar seu desempenho. Para que haja envolvimento, o líder precisa estar ativo, frequentando os locais onde as tarefas da equipe se realizam, estando entre os integrantes e apropriando-se inclusive da linguagem adotada pela equipe para que o entendimento seja facilitado. Como podemos perceber, muitas das características de um líder se rela- cionam com a sua capacidade de percepção das questões ambientais e dos comportamentos individuais dos membros da equipe. Desse modo, o líder pode conduzi-los ao resultado que a organização espera. Vamos aprender a seguir como as questões contextuais se relacionam com esse exercício da liderança. 2 Liderança e aspectos contextuais As pessoas passam boa parte de suas vidas produtivas no local de trabalho. Para que possam atingir seus resultados de forma mais expressiva e efi ciente, a organização deve se preocupar com os aspectos de seu contexto interno, também conhecidos como ambiência organizacional. Esse fator normalmente está relacionado à satisfação que as pessoas sentem por trabalhar na organi- zação, traduzida nas pesquisas de clima organizacional. Segundo Chiavenato (2014, p. 401), “[…] o ambiente de trabalho se carac- teriza por condições físicas e materiais e por condições psicológicas e sociais. Ambas intimamente relacionadas”. O colaborador precisa trabalhar em um local não só seguro, limpo e preocupado com as questões ergonômicas, mas também onde haja boas relações interpessoais, sem conflitos mal resolvidos de todas as ordens. Da mesma forma, mesmo existindo ótimas práticas de gestão de pessoas, com planos de remuneração e benefícios exemplares, se o local físico é deplorável e as relações entre os colegas de trabalho são indi- vidualistas e egoístas, as pessoas tendem a se sentir infelizes e insatisfeitas com a organização. Essas questões ambientais do contexto do trabalho também são determi- nantes para que as equipes atuem com sucesso em relação aos seus objetivos e devem fazer parte das questões que a liderança monitora. Os gestores das organizações precisam ser capazes de criar políticas e práticas que se ajustem Habilidades para o exercício da liderança6 às características de suas organizações, principalmente quando atuam em sintonia com os princípios da gestão de pessoas voltadas para os resultados organizacionais. Gratton e Truss (2003) analisaram por dez anos as políticas e práticas de gestão de pessoas e seus resultados organizacionais em sete grandes corpora- ções. Constataram que “[…] uma estratégia apropriada de gestão de pessoas deve variar de acordo com as circunstâncias organizacionais” (GRATTON; TRUSS, 2003, p. 75). Essas circunstâncias certamente envolvem as carac- terísticas do contexto, que o líder deve considerar ao conduzir e influenciar aqueles que se engajam em seus grupos e equipes para que sejam eficazes. Robbins (2009) aponta alguns desses aspectos contextuais que costumam estar envolvidos nas equipes consideradas efi cazes: recursos adequados; liderança e estrutura; clima de confiança; avaliação de desempenho; sistema de recompensa. Quando falamos em recursos, precisamos entender que as equipes operam fazendo parte de um sistema organizacional maior e, para realizar suas tarefas cotidianas de apoio, necessitam tanto de material quanto de suporte intelectual ou cognitivo. As equipes necessitam que a organização estabeleça suas questões orçamentárias e políticas, que norteiam o trabalho de todos, além da adoção de práticas que sejam condizentes com essas políticas e alinhadas igualmente com o que a organização busca atingir em suas estratégias de médio e longo prazo. Sempre que existe escassez de algum tipo desses recursos, o funcionamento da equipe pode estar comprometido de alguma maneira. Robbins (2009, p. 125) inclui entre os recursos “[…] informações em tempo hábil, tecnologia disponível, pessoal adequado de apoio, estímulos e assistência administrativa”. Esses são os elementos que servem de base para que o trabalho das equipes se desenvolva. Veja no exemplo a seguir situações práticas que se alinham à falta de recursos adequados. 7Habilidades para o exercício da liderança Imagine uma equipe que, após se reunir, analisar as informações existentes e deliberar sobre elas, conclui ser necessário aplicar uma pesquisa de campo junto aos consu- midores. Depois de projetar a pesquisa, precisa criar seus instrumentos de coleta de dados, realizar o estudo de zoneamento de onde e quem fará a aplicação. No entanto, essa equipe tem sua iniciativa vetada por não existirorçamento ou veículo para a condução dos pesquisadores. Imagine também os impactos na motivação dos integrantes de uma equipe ao perceberem que os líderes não seguem a mesma forma de avaliação de seu desempenho ou recompensa por não existir nada formalizado na organização. Esses fatores causam impactos indesejados na performance da equipe, relacionados à questão de planejamento dos recursos que, por sua vez, fazem parte do contexto organizacional. Para realizarem suas atribuições, as equipes necessitam de alguma forma de organização e da criação de uma estrutura que realize a distribuição das tarefas em relação ao tempo, procurando com que todos da equipe tenham uma entrega de trabalho equitativa. Essa divisão deve considerar as compe- tências que cada um possui em relação ao conjunto de objetivos e metas que se deseja atingir. Assim, ao organizar o cronograma de trabalho da equipe, o líder deve pensar em questões pontuais, como: “[…] as habilidades a serem desenvolvidas, como o grupo vai resolver os conflitos e como as decisões serão tomadas ou modificadas” (ROBBINS, 2009, p. 125). Além disso, algumas equipes são autogerenciadas e, neste caso, a estrutura é construída com o consenso dos seus integrantes, inexistindo a personificação de um líder que conduza esse processo. A confiança na liderança e nos membros da equipe também é fundamental no contexto organizacional, pois costuma criar um estado mental de positivi- dade entre os integrantes da equipe, principalmente por entenderem que estão atuando com pessoas íntegras, honestas e justas em relação aos resultados que serão atingidos coletivamente. Com um clima de confiança, as pessoas costu- mam aceitar e se comprometer com as metas e com as decisões da liderança de forma naturalizada. A confiança, aliás, é uma das grandes vantagens de adotar equipes nas organizações. Conforme destaca Fiorelli (2006, p. 173): Os integrantes de equipes comparam, com maior facilidade e transparência, suas percepções e pensamentos a respeito das informações, reduzindo inter- Habilidades para o exercício da liderança8 pretações subjetivas. Isso acontece porque as equipes favorecem a franqueza, a confiança mútua e o respeito, proporcionando ao indivíduo maior segurança para expor suas opiniões. Ao mesmo tempo, elas possibilitam a emergência, em foro apropriado ao debate, de pontos de vista diferentes, muitas vezes complementares ou opostos. Esse fator que caracteriza as equipes, sobretudo aquelas com alta perfor- mance, de poder opinar, de discutir a favor ou contra os assuntos abordados ao deliberar sobre a decisão que será tomada, faz com que as pessoas se engajem na busca pela concretização dos objetivos. Isso porque elas ajudaram a construí-los coletivamente e confiam que, pelo processo adotado, foram respeitadas e consideradas, ainda que o seu ponto de vista, naquele momento, não tenha sido aplicado. Ao referir-se aos sistemas de avaliação de desempenho e recompensas, Robbins (2009, p. 125) declara que “[…] as avaliações individuais de desem- penho, a remuneração fixa, os incentivos individuais e práticas semelhantes não são consistentes com o desenvolvimento de equipes de alto desempenho”. Poderíamos então questionar: como fazer uma avaliação que se ajuste ao funcionamento das equipes? Alguns princípios ajudam a responder a essa pergunta. Primeiramente, ao se tratar de uma equipe, a ênfase deve ser sempre no coletivo, no produto que resultada do trabalho colaborativo de todos; caso contrário, estará contribuindo para prejuízos no clima de trabalho e para a criação de conflitos interpessoais. Por isso, deve-se estabelecer avaliações em grupo, buscar a participação das equipes nos resultados finais, nos lucros da organização, premiar as equipes como um todo pelas suas conquistas, além de investir em políticas de remuneração flexíveis que se ajustem aos projetos que as equipes estão conduzindo. Como vimos, os elementos contextuais estão diretamente relacionados aos processos em que as equipes diariamente se envolvem e devem ser considera- dos pela liderança, pois contribuem para que apoiem a organização rumo aos seus objetivos estratégicos. Vamos conhecer na sequência algumas práticas que a liderança pode realizar para que a equipe se torne motivada e engajada. 9Habilidades para o exercício da liderança Um dos conceitos que contribui para a análise das questões ambientais amplamente difundido nas organizações contemporâneas é a busca pela qualidade de vida no trabalho (QVT), que objetiva o bem-estar dos colaboradores. São realizadas ações que consideram a saúde do trabalhador, tendo como base a ergonomia e estudos de riscos e acidentes a que os colaboradores podem estar expostos diariamente no ambiente de trabalho. 3 Boas práticas da liderança em equipes A gestão estratégica de pessoas opera com a alocação precisa de pessoas com competências adequadas nos processos das organizações, visando a concretização dos resultados a longo prazo. Para isso, as atitudes do líder são fundamentais, e as equipes são vistas como a grande potência capaz de alavancar melhores resultados. No entanto, embora os estudos sobre a gestão estratégica de pessoas sejam amplamente realizados, possuindo hoje uma teorização consistente, ainda são necessários esforços em termos de sua operacionalização, de seu efetivo desdobramento em ações de seus colaboradores. Visando corrigir essas fra- gilidades no contexto organizacional, Gratton e Truss (2003) propõem um modelo tridimensional, que pode ser aplicado para que a gestão de pessoas de uma organização realmente atue de forma estratégica, não ficando somente nas ações teóricas de planejamento, mas produzindo resultados mais efetivos. Esse modelo envolve as dimensões apontadas na Figura1. Habilidades para o exercício da liderança10 Figura 1. Modelo tridimensional de gestão estratégica de pessoas. Fonte: Adaptada de Gratton e Truss (2003). O alinhamento vertical é ocasionado pelo ajuste das macroestratégias produzidas pela diretoria das companhias, com as devidas políticas e práticas de gestão de pessoas que serão adotadas nas unidades de negócios específicas, uma vez que colocam em funcionamento o planejamento estratégico da orga- nização. Portanto, a gestão de pessoas deve “[…] refletir, reforçar e apoiar as metas e objetivos de negócios da organização” (GRATTON; TRUSS, 2003, p. 75). Essas ações objetivam construir uma visão integrada da gestão de pessoas com as questões estratégicas, porque as pessoas devem se envolver para que o resultado seja atingido; não de forma mecânica, mas flexível, sistêmica e complementar. O alinhamento horizontal considera as políticas e as práticas de gestão de pessoas que serão implementadas. Segundo Bispo (2013, p. 146), “[…] uma prática é algo que dá identidade a um grupo que se organiza a partir dela, sua aprendizagem ocorre por meio das interações entre os atores sociais e os elementos humanos e não humanos, e é resultado de uma dimensão tácita e estética dessas interações”. Por meio das práticas realizadas, a terceira dimensão se evidencia: os colaboradores podem exercer seus papéis para que seus grupos ou equipes contribuam com a concretização dos objetivos estratégicos organizacionais. Além disso, algumas equipes costumam ser vistas 11Habilidades para o exercício da liderança como referência dentro das organizações, justamente por apresentarem um resultado superior em suas práticas, o que contribui para o desenvolvimento de seu espírito de equipe, para a construção de autoconfiança, engajamento e identidade. Gherardi (2006) define o conceito de prática organizacional com a articu- lação de quatro elementos: 1. grupo de atividades; 2. tempo que se mantém; 3. reconhecimento social; 4. modo de organização da vida. Quando falamos em práticas de gestão estratégica de pessoas, devemos entender os movimentos realizados pelos líderes com suas equipes que envol- vem as atividades a desenvolver, o estudoe a distribuição dessas atividades. Quando realizadas, essas atividades contribuem para o reconhecimentos das equipes, estabelecendo formas de organização de seus afazeres futuros, constituindo uma cultura própria e organizando a vida funcional da equipe. Os líderes podem utilizar algumas práticas para fazer com que os inte- grantes das equipes elevem seu senso de pertencimento, comprometendo-se ainda mais e adotando uma atitude positiva e colaborativa junto aos colegas. Bianchi, Quishida e Foroni (2017), ao analisar como a atuação dos líderes é fundamental para que a gestão estratégica de pessoas se consolide, entendem que o conceito de liderança atual deve ser visto de forma elevada em relação às teorias anteriores, uma vez que: Liderança é uma propriedade compartilhada de um sistema social que in- clui interdependências entre indivíduos. Pode também envolver papéis e processos de influência dependendo da situação. Inclui os elementos [...] Desenvolvimento de habilidades individuais; Construção de relacionamentos; Empowerment; Colaboração; e trabalho para além das fronteiras. (BIANCHI; QUISHIDA; FORONI, 2017, p. 49). Observe no Quadro 1 algumas práticas que costumam ser utilizadas pelos líderes para influenciar suas equipes a cumprirem de forma eficiente seus papéis de forma participativa e colaborativa. Habilidades para o exercício da liderança12 Fonte: Adaptado de Yukl (2012). Práticas orientadas para a tarefa Cabe ao líder desenvolver ações que visem à clarificação de conceitos, ao planejamento das tarefas a serem realizadas, ao monitoramento sistemático de atividades e à solução de problemas com sua equipe. Práticas orientadas para as pessoas A liderança deve focar em ações de suporte aos integrantes da equipe, além do desenvolvimento constante de competências, do reconhecimento das aptidões e da promoção do empoderamento (empowerment). Práticas voltadas para a mudança Essas práticas envolvem atuar na defesa contra possíveis ataques provenientes da costumeira resistência à mudança, no incentivo para a inovação por parte da equipe e na facilitação da aprendizagem coletiva dos integrantes. Práticas orientadas para o ambiente externo Também cabe ao líder promover ações que estimulem a ampliação da rede de contatos (networking) das pessoas que integram as equipes, além das ações de monitoramento do mercado e da preparação de pessoas para atuar em representações oficiais que a organização venha a lhes oportunizar. Quadro 1. Boas práticas da liderança em equipes Analisando o Quadro 1, podemos perceber o quanto a atuação da liderança cobre uma série de aspectos igualmente importantes e que, quando combinados, fazem com que as equipes tenham condições plenas de produtividade, porque sua motivação e seu engajamento estão bem-resolvidos. Conforme reforça Yukl (2012, p. 69), “[…] o objetivo principal dos comportamentos orientados à tarefa é garantir que pessoas, equipamentos e outros recursos sejam usados de forma eficiente para cumprir a missão de um grupo ou organização”. Cabe à liderança agir na organização das atividades, retirando dúvidas, prestando 13Habilidades para o exercício da liderança esclarecimentos quanto aos objetivos e às funções de cada um na equipe e auxiliando nas tomadas de decisões. Os líderes organizacionais devem se preocupar também com o constante desenvolvimento dos profissionais que atuam na empresa, o que envolve aspec- tos inerentes tanto à vida profissional quanto à vida pessoal dos colaboradores. Yukl (2012, p. 72) acrescenta que “[…] os líderes usam o desenvolvimento para aumentar as habilidades e a confiança dos membros das equipes de trabalho e facilitar seu avanço na carreira”. Algumas práticas têm sido realizadas nas organizações para auxiliar o desenvolvimento e o gerenciamento das carreiras dos colaboradores, como as ações de coaching e mentoring, que podem ser realizadas por pessoas externas à organização (consultorias) ou por membros internos devidamente habilitados. As ações conhecidas como empowerment referem-se à forma como o líder costuma envolver os integrantes da equipe, dando a eles autonomia e integrando-os nas escolhas e ações necessárias cotidianamente. Yukl (2012, p. 72) destaca ações de empowerment que são simples, mas têm bons resultados, como “[…] pedir a outras pessoas ideias e sugestões e levá-las em consideração ao tomar uma decisão”. Além disso, enquadra-se nas ações de empowerment a delegação de atribuições que seriam inerentes ao líder, o que inclusive pode ser feito nos eventos externos, em que a empresa precisa ser representada. Os líderes devem também estimular o desenvolvimento intelectual dos membros da equipe propondo que expandam suas capacidades cognitivas e sensoriais e aguçando sua percepção para novas tendências e cenários que se desconfiguram no segmento da organização. Desse modo, estarão incentivando o pensamento inovador. Yukl (2012, p. 73) reforça a ideia de que: Os líderes podem encorajar as pessoas a olhar os problemas sob diferentes perspectivas, a pensar fora da caixa quando resolverem problemas, experi- mentar novas ideias, encontrar novas ideias e novos campos que podem ser aplicados a sua tarefa ou problema atual. Através da criação de um clima de segurança psicológica e confiança mútua, um líder pode incentivar os membros da equipe ou organização a sugerir ideias novas. Para que ocorra inovação, são necessários canais por meio dos quais as pessoas expressem suas ideias, além da abertura para que explorem novas hipóteses, aprimorem seu nível de conhecimento e experiência sobre os temas em questão. Para que isso ocorra, necessita-se do aval da liderança. Entre as ações da liderança que se voltam para questões externas dos membros da equipe, o networking se destaca pela sua relevância e por ampliar o entendimento sobre o tema. Costumamos entender o network de forma Habilidades para o exercício da liderança14 restritiva, normalmente associando-o a uma rede social específica de que participamos. No entanto, Yukl (2012, p. 74) expande o conceito ao definir que “[…] o networking inclui participar de reuniões, conferências profissionais e cerimônias; ingressar em associações, clubes e redes sociais relevantes; socializar informalmente e se comunicar com os membros da rede”. Nessas aproximações com os membros da rede profissional podem ser utilizadas técnicas que estimulem a construção de relacionamentos, como a descoberta de pontos de interesse em comum, a realização de favores de maneira ética e o apoio necessário quando for preciso. Como podemos perceber ao longo deste capítulo, de nada adianta uma organização dispender recursos e esforços no planejamento estratégico de seu negócio se não alinhar esses objetivos com os colaboradores que assumem a responsabilidade de produzir táticas, definir metas, planejar cronogramas e distribuir tarefas em busca da concretização dos resultados. Por isso, as ações de liderança, capazes de produzir esse alinhamento horizontal com os integrantes das equipes, podem contribuir diretamente para que a gestão de pessoas atue de forma estratégica. Para serem implementadas pelos líderes, essas ações requerem habilidades específicas, que são visualizadas nas práticas que diariamente fazem parte do desempenho profissional dos colaboradores das organizações. 15Habilidades para o exercício da liderança BIANCHI, E M. P. G.; QUISHIDA, A.; FORONI, P. G. Atuação do líder na gestão estratégica de pessoas: reflexões, lacunas e oportunidades. 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No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. 17Habilidades para o exercício da liderança