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<p>Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Motta, Fernando Cláudio Prestes Teoria geral da administração / Fernando Cláudio Prestes Motta, Isabella Gouveia de Vasconcelos. - ed. rev. - São Paulo : Cengage Learning, 2013. 7. reimpr. da 3. ed. de 2006. Bibliografia ISBN 1. Administração 2. Administração - Teoria I. Vasconcelos, Isabella Gouveia de. II. Título. CDD-658.001 06-2051 Índice para catálogo sistemático: 1. Administração : Teoria 658.001</p><p>CENGAGE Learning Teoria Geral da Administração - Edição Revista 2006, 2002, 1974 Cengage Learning Edições Ltda. Fernando C. Prestes Motta e Isabella F. Gouveia de Vasconcelos Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro po- derá ser reproduzida, sejam quais forem os meios empregados, sem a permissão, por escrito, da Editora. Aos infratores aplicam-se as sanções previstas nos artigos Gerente Editorial: Patricia La Rosa 102, 104, 106 e 107 da Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Editora de Desenvolvimento: Ada Santos Seles Produtora Editorial: Gabriela Trevisan Produtora Gráfica: Fabiana Alencar Albuquerque Para informações sobre nossos produtos, entre em contato pelo telefone 0800 Copidesque: Flavio Morales Santos e Maria Alice da Costa Para permissão de uso de material desta obra, envie Revisão: Glair Picolo Coimbra e Mônica Cavalcante seu pedido para direitosautorais@cengage.com Di Giacomo Composição: Segmento & Co. Produções Gráficas 2006 Cengage Learning. Todos os direitos reservados. Ltda. Ilustrações: Rodrigo Crissiuma de Figueiredo, DesignMarkers ISBN-10: 85-221-0381-X ISBN-13: 978-85-221-0381-2 Capa: MarGD Cengage Learning Condomínio E-Business Park Rua Werner Siemens, 111 - Prédio 20 - Espaço 04 Lapa de Baixo - CEP 05069-900 - São Paulo - SP Tel.: (11) 3665-9900 - Fax: (11) 3665-9901 SAC: 0800 11 19 39 Para suas soluções de curso e aprendizado, visite www.cengage.com.br Impresso no Brasil. Printed in Brazil. 34567 10 09 08 07 06</p><p>Capítulo 1 A Escola Clássica de Administração e 0 Movimento da Administração Científica Os sonhadores organizacionais imaginam sistemas funcionalmente tão perfeitos que o ser humano não precisa mais ser (moralmente) bom. T. S. Eliot, 1981. 1.1 Introdução Vimos, na classificação efetuada no início deste livro, que o foco da Escola de Administração Clássica é interno e estrutural, ou seja, os principais teóricos dessa escola focam a sua análise no aperfeiçoamento das regras e estrutu- ras internas da organização. Para eles, a partir do momento em que a organiza- ção tem estruturas adequadas que funcionam bem e otimizam a produção, todos os outros problemas se resolvem, incluindo aqueles relacionados ao compor- tamento humano e à competição com outras organizações. A frase supracitada, de T. S. Eliot, exemplifica bem a visão predominante nessa época: considera- va-se que o aperfeiçoamento dos sistemas garantiria por si só os resultados desejados. o ser humano era considerado um ser que analisava racional- mente as diversas possibilidades de decisão, podendo assim criar e implantar os melhores sistemas. Trabalhava-se com o pressuposto de racionalidade abso- luta. A fé na capacidade e no engenho humano parecia, então, ilimitada. 1.2 Origens Para chegar às origens do Movimento de Administração Científica é neces- sário que façamos uma pequena incursão pela História. 23</p><p>Teoria Geral da Administração CAPÍTULO A Escola Clássica de Administração e Movimento da Administração Científica Motta Vasconcelos No século XVII, Descartes negou todo o conhecimento recebido com base em sua empresa de construção civil, reunidos sob o nome de The writing of apenas em costumes e tradições e salientou o poder da razão para resolver the Gilbreths. Spriegel and Myers é um livro que figura entre os clássicos qualquer espécie de problema. Era a substituição do tradicional pelo racional. administração. Alguns dos textos apresentados foram escritos para os No século XVIII, o racionalismo atingiu seu apogeu para ser, no século próprios trabalhadores da empresa. Esses trabalhos cuidaram principal- seguinte, aplicado às ciências naturais e finalmente às ciências sociais. mente dos estudos de tempo e movimentos, mas sua particularidade está Havia um campo, no entanto, que ainda não tinha sido afetado pela na tentativa de Lilian Gilbreth aplicar a psicologia à administração em racionalização. Esse campo era o do trabalho. o advento das máquinas uma época em que pouca gente se preocupava com isso. tornou o trabalho evidentemente mais eficiente, porém ainda não havia Não menos notável foi Henry Gantt, que, seguindo de perto os trabalhos provocado a racionalização da organização e execução do trabalho. de Taylor, chegou a conclusões próprias quanto aos problemas de administração. No início do século XX, surgiram os pioneiros da racionalização do trabalho Tendo melhor compreensão de natureza psicológica do trabalhador, tornou-se e, como em muitos aspectos suas idéias eram semelhantes, ficaram conheci- mais liberal ao tratar de problemas de produção e usou a psicologia para dos como fundadores da Escola de Administração Científica ou Escola Clássica. aumentar a produtividade. pensamento central dessa escola pode ser resumido na afirmação de que Gantt reconheceu a eficiência de incentivos não monetários, percebendo alguém será um bom administrador à medida que seus passos forem plane- assim várias falhas da administração científica e dando importância ao jados, organizados e coordenados de maneira cuidadosa e racional. moral do trabalhador. Como consultor, levou a administração científica a várias empresas e, dentro das fábricas, aplicou a racionalização não só no campo da produção, como também no de vendas e finanças. 1.2.1 As Grandes Figuras da Escola Clássica Muito da amplitude da visão e habilidade social de Gantt não foi sim- Em 1903, foi publicado nos Estados Unidos o livro Shop management, de plesmente parte de sua natureza nem apenas o resultado das conclusões a Taylor, engenheiro cuja primeira atividade profissional fora a de mestre em que chegou na análise de situações humanas. No seu trabalho de assesso- uma fábrica. Era um técnico e, desde que atingira a posição de mecânico- ria na Remington, no período entre 1910 e 1917, ele entrou em contato com chefe de Midvale Still, em 1884, passara a se ocupar cada vez mais com Fred Miller, um capitão de indústria, e foi por meio dessa associação que experiências destinadas a aumentar a eficiência do trabalho. Em 1906 foi Gantt aprendeu a utilidade do tato, da paciência e da consideração para eleito presidente da Associação Americana de Engenheiros e, em 1911, publi- com pontos de vista contrários na tomada de decisões (Gilbreth e Gilbreth, cou seu livro mais conhecido: Princípios de administração científica. 1953; Filipetti, 1959). Em 1916, foi publicado na França o livro Administração geral e indus- trial, de Henri Fayol, que, embora também fosse engenheiro, era mais um administrador de cúpula, tendo mesmo, como diretor-geral, salvado da fa- 1.3 Idéias Centrais do Movimento lência uma grande empresa metalúrgica. 1.3.1 Homo Economicus A formação norte-americana de Taylor e suas atividades como consultor técnico levaram-no a preferir sempre a experiência e a indução ao método Uma das idéias centrais do Movimento de Administração Científica é a de dedutivo e, conseqüentemente, a interessar-se mais pelos métodos e sis- que o homem é um ser eminentemente racional e que, ao tomar uma decisão, temas de racionalização do trabalho na linha de produção, enquanto a conhece todos os cursos de ação disponíveis, bem como as formação francesa de Fayol e sua experiência como administrador de cúpula da opção por qualquer um deles. Por essa razão pode escolher sempre a conduziram-no a uma análise lógico-dedutiva para estabelecer os princípios melhor alternativa e maximizar os resultados de sua decisão. da boa administração, voltada para a definição das tarefas dos gerentes e Esse modelo simplificado da natureza humana possibilitou a construção executivos. rápida de uma teoria da administração, pois, admitindo-se os objetivos do o estilo de Fayol é esquemático e bem-estruturado. É dele a clássica homem assim prefixados, poder-se-ia saber de antemão como reagir, o que divisão das funções do administrador em planejar, organizar, coordenar, facilitaria muito as relações com ele. Dessa forma, o ser humano no começo comandar e controlar. era visto como um ser simples e previsível, cujo comportamento não variava Os contemporâneos de Taylor e Fayol foram Frank e Lilian Gilbreth, que muito. Incentivos financeiros adequados, constante vigilância e treinamento escreveram vários trabalhos sobre a aplicação da Administração Científica eram ações consideradas suficientes para garantir boa produtividade. 24 25</p><p>Teoria Geral da Administração CAPÍTULO 1 A Escola Clássica de Administração e 0 Movimento da Administração Científica /Vasconcelos para os principais autores clássicos de administração, Para Adam Smith, justamente o interesse em maximizar o seu ganho sejam anglo-saxões, como Taylor e Gulick, ou franceses, como Fayol, o com- individual faz que os agentes econômicos produtores, consumidores e portamento humano não constituía um problema em si. Ou melhor, os trabalhadores procurem as alternativas mais racionais de ganhos em um comportamentos percebidos como inadequados pelos gerentes não eram mercado competitivo. Esse mercado, livre de toda e qualquer restrição, vistos como o resultado de uma irracionalidade no comportamento dos indiví- permitiria o livre jogo das forças da oferta e da procura. mercado agiria como uma "mão invisível", canalizando as motivações egoístas e interes- duos no trabalho, mas sim como decorrentes de defeitos na estrutura da seiras dos homens para atividades mutuamente complementares que pro- organização ou de problemas na sua implementação (Taylor, 1911; Fayol, moveriam, de forma harmoniosa, o bem-estar de toda a sociedade. Assim, o 1949). Se houvesse queda de produtividade, elemento humano não era con- credo psicológico dos ideólogos do liberalismo clássico baseava-se em quatro siderado. Buscavam-se nas estruturas organizacionais as causas dos erros. pressupostos sobre a natureza humana: todo homem é egoísta, frio e cal- Caso essas fossem novamente analisadas e aperfeiçoadas, os problemas culista, inerte e atomista. A teoria de que as motivações humanas são deveriam ser logicamente sanados. Os problemas comportamentais e orga- essencialmente egoístas foi endossada por muitos pensadores liberalistas nizacionais, de acordo com a Escola Clássica de Administração, eram fruto eminentes desse período, tais como Bentham (1955) e Locke. da difícil operacionalização dos princípios de uma ciência da administração Jeremy desenvolveu o utilitarismo, em que ele propõe uma que estava sendo progressivamente construída. importante era aper- visão hedonista do ser humano, segundo a qual o homem busca o prazer e feiçoar as regras e estruturas. A partir disso, os problemas se resolveriam. a rejeição da dor e esses são seus únicos impulsos. Todo tipo de esforço ou de trabalho é encarado pelo ser humano como doloroso. Portanto, a aversão seria a única emoção que o trabalho poderia suscitar no homem. Desse 1.3.2 As Bases Econômicas e Filosóficas do Conceito do Homo Economicus modo, os homens agiriam calculadamente, de forma egoísta, com o objetivo de aumentar o seu prazer e seus ganhos, evitando a dor e o trabalho. Se os A figura do homo economicus foi muito usada pelos economistas clássicos homens não encontrassem atividades que lhes proporcionassem prazer ou em seus trabalhos. Na própria base da lei de oferta e procura, como vere- se não temessem a dor, ficariam reduzidos à inércia e à indolência. A visão mos a seguir, ela é facilmente identificável. Como nos mostraram Hunt e individualista do ser humano é reforçada por Locke, em outra linha de argu- Sherman, em 1776, com a publicação da obra de Adam Smith, A riqueza mentação, quando esse autor define os direitos naturais do ser humano. das nações, uma nova filosofia individualista o liberalismo clássico con- Para Locke, o direito à propriedade individual seria decorrente do direito quistou a sociedade inglesa (Hunt e Sherman, 1972). De fato, a antiga ética inato e sagrado que o homem tem de possuir os frutos do uso de suas mãos paternalista cristã, típica do período medieval, condenava a avareza, a e do seu corpo por meio de seu trabalho. trabalho seria assim a origem do ambição e o desejo de acumular riquezas, negando as bases do capitalismo direito à propriedade. A propriedade da sua força de trabalho e de seus frutos é um direito natural básico, e esse direito é anterior à vida na sociedade industrial. Ela era baseada na sociedade tradicional e na inserção humana civil em comunidade. Dessa forma, deve ser respeitado pelos outros homens na comunidade. Esses princípios da sociedade medieval e da ética paterna- e não pode ser alienado pelo poder central. Uma sociedade liberal, que lista cristã foram mudando pouco a pouco. Em sua obra, publicada respeite os direitos naturais humanos, estaria em consonância com essa em 1651, Hobbes desenvolveu uma argumentação segundo a qual todas as filosofia. Max Weber mostra também a influência que a ética protestante motivações humanas originavam-se do desejo por tudo que promovesse o do trabalho tem sobre a consolidação do capitalismo. A partir da Reforma, "impulso vital" do organismo humano. Logo, o ser humano era basicamente no século XVI, tendo em vista as proposições de Lutero, emergiu uma ética buscando a satisfação de seus próprios desejos. individualista protestante, que deixou a cada homem o julgamento da validade de suas ações perante Deus, bem como valorizou o trabalho frugal, Hobbes usou essa análise, no entanto, para justificar o Estado autoritário. ascético e disciplinado como forma de glorificação religiosa. Essa ética acabou Segundo ele, dado o egoísmo humano, em seu estado natural os homens favorecendo a acumulação individual do capital e a propriedade privada, viveriam em guerra e a civilização humana não duraria. Daí a necessi- dade de um poder central que protegesse o homem do egoísmo dos outros 1 o autor fez uma observação muito elucidativa a esse respeito: A natureza colocou o gênero humano homens, permitindo a vida em sociedade. Autores posteriores, com base no sob domínio de dois senhores soberanos: a dor e o prazer. Só a eles compete apontar o que devemos fazer, bem como determinar o que na realidade faremos. Ao trono desses dois senhores estão vinculados, por mesmo conceito do egoísmo da ação humana, desenvolveram argumentos um lado, a norma que distingue que é certo do que é errado e por outro a cadeia das causas e dos efeitos. opostos para valorizar o liberalismo econômico e descentralizar o poder. [Bentham, 1955, p. 323 (tradução nossa)]. 26 27</p><p>Teoria Geral da Administração CAPÍTULO 1 A Escola Clássica de Administração e 0 Movimento da Administração Científica Motta / Vasconcelos base para a consolidação do capitalismo (Weber, 1958). Pouco a pouco trabalho. A partir desse momento, os engenheiros estabelecem movimentos consolidou-se o conceito do homo economicus que embasa a Escola Clássica e e aos operários caberá apenas executar o trabalho da de Administração e a economia. forma prescrita e sem discussão. Taylor considerava que com isso a Administração Científica substituía o antigo sistema de administração por iniciativa e incentivo, que redundava em baixa produtividade, com prejuízo para a empresa, a sociedade como um Homo Economicus todo e o próprio operário. Dessa forma, a importância do administrador aumenta sobremaneira na teoria de Taylor. Antes, ele participava da pro- Ser humano considerado previsível e egoísta e utilitarista em dução apenas em pequena escala, agora sua participação é infinitamente seus propósitos. maior, visto que precisa planejar exaustivamente a execução de cada opera- Ser humano visto como otimizando suas ações após pesar todas as ção e cada movimento. alternativas possíveis. Os administradores que agora teriam um papel muito mais importante Racionalidade absoluta. existiriam em número muito maior, seriam os "cabeças" do processo. Aos operários caberia apenas executar estritamente as operações planejadas. Incentivos monetários. Figura 1.1 Homo economicus. Administração Científica Busca da "melhor maneira" por meio de "métodos científicos" 1.3.3 A Produção Estudo dos tempos e movimentos. A segunda idéia importante em que se assenta o edifício teórico da adminis- Estabelecimento de padrões de produção. tração científica é a de que a função primordial do administrador é deter- Administradores e engenheiros estabelecem padrões. Operários apenas minar a única maneira certa de executar o trabalho. obedecem. Segundo Taylor (1960), existe uma única maneira certa que, se desco- berta e adotada, maximizará a eficiência do trabalho. Figura 1.2 A Administração Científica. A forma de descobri-lo é analisar o trabalho em suas diferentes fases e estudar os movimentos necessários à sua execução de modo a simplificá-los e reduzi-los ao mínimo. Além disso, serão realizadas experiências com movimentos diferentes cuja duração será medida até que se encontre a maneira mais rápida. As Funções do Administrador A fim de determinar a além de determinar a segundo Fayol maneira certa", é preciso encontrar quem a realize. Partindo do pressuposto de que existem pessoas ideais para cada tipo de trabalho, Taylor segue com Planejar o "homem de primeira classe", que deve servir como base para estudo de Organizar tempos e movimentos. Essas leis, de caráter evidentemente simplista, além Comandar de não levarem em conta as diferenças individuais, reduzem a fadiga a um pro- blema exclusivamente fisiológico, quando se sabe que se trata realmente de Controlar um fenômeno psicofisiológico. Uma vez auferidos cuidadosamente os tempos necessários para cada movi- mento, estará descoberta a maneira correta de execução de determinado Figura 1.3 Fayol e as funções do administrador. 28 29</p><p>CAPÍTULO 1 A Escola Clássica de Administração e 0 Movimento da Administração Científica Motta / Vasconcelos Teoria Geral da Administração 1.3.4 0 Incentivo Monetário As idéias básicas da Escola Clássica a respeito da organização são as seguintes: Fixados os padrões de produção, era preciso fazer que eles fossem atingidos. Para tanto, a Escola Clássica sugeria a seleção, o treinamento, o controle Quanto mais dividido for o trabalho em uma organização, mais efi- por supervisão e o estabelecimento de um sistema de incentivos. A seleção ciente será a empresa. constituiria a descoberta do homem de primeira classe, do Quanto mais o agrupamento de tarefas em departamentos obedecer ao de um Schmidt, como o fez Taylor, que era, a seu ver, um dos homens mais critério da semelhança de objetivos, mais eficiente será a empresa. adequados para carregar barras de ferro. treinamento seria muito simples, Um pequeno número de subordinados para cada chefe e um alto grau visto que o trabalho estaria amplamente padronizado, bastando, portanto, de centralização das decisões, de forma que o controle possa ser cerrado ao operário aprender a realizar algumas operações simples. e completo, tenderão a tornar as organizações mais eficientes. o controle deveria ser, na opinião dos teóricos da Escola Clássica, mais objetivo da ação é de organizar mais as tarefas do que os homens. cerrado; assim, advogavam o controle por supervisão em lugar daquele por Dessa forma, ao organizar, o administrador não deverá levar em consi- resultados. deração os problemas de ordem pessoal daqueles que vão ocupar a o supervisor deveria seguir, detalhadamente, o trabalho dos função. Deverá criar uma estrutura ideal. subordinados em todas as suas fases, pois se admitia haver uma única forma de realizá-lo. o curioso é que, se os clássicos acreditavam tanto no sistema de incentivos, A Administração Científica e a Organização por que esse controle tão cerrado para o trabalho atingir um bom termo? No século XIX, a própria idéia de dispensa poderia ser suficiente Divisão de trabalho. para motivar, embora de forma negativa, a produtividade do empre- gado, mas já no início do século XX tornava-se necessário um sis- Centralização das tema de incentivos positivos. Poucos subordinados por gerente (pequena amplitude de controle). A escolha do tipo de incentivo mais indicado foi decorrência natural Impessoalidade nas decisões. do pressuposto do homo economicus. Dever-se-ia pagar mais àquele que Busca de estruturas e sistemas perfeitos. produzisse mais. Era o incentivo monetário. Para tanto começaram a surgir os sistemas de pagamento. Taylor sugeriu o pagamento por peça, Gantt apresentou a idéia do bônus e muitos outros também deram suas Figura 1.4 A Administração Científica e a organização. colaborações. 1.4 0 Movimento da Administração Científica e a Organização 1.5 Administração como Ciência A Administração Científica sempre viu a organização como forma de estru- turar a empresa, e não no sentido de sistema social. Para que determinado campo de conhecimentos seja considerado ciência, é A boa organização de uma empresa é condição indispensável necessário que tenha um objeto próprio, e isso a administração possui. A para que todo o processo de racionalização do trabalho tenha bons Escola Clássica considerava a administração uma ciência com princípios resultados. próprios, com base, de um lado, na experiência científica e no trabalho, e Na opinião de Fayol (1925, 1960), organizar é uma das funções do admi- de outro, no método lógico-dedutivo. Esses princípios, porém, estavam nistrador. A idéia que ele fazia de organizar era muito ampla, pois não se assentados na idéia do homo economicus e, quando mais tarde a Escola de restringia à organização dos recursos humanos e materiais da empresa, Relações Humanas fez uma crítica implacável dessa idéia simplista da natu- também incluía sua obtenção. reza humana, eles caíram por terra. 30 31</p><p>CAPÍTULO A Escola Clássica de Administração e 0 Movimento da Administração Científica Motta / Vasconcelos Teoria Geral da Administração Percebeu-se, então, que a administração não era a ciência pronta de a linha de montagem está parada, o capital não está gerando dividendos. Taylor e Fayol (quando muito uma ciência em sua infância) e que querer Mantém-se um estoque de peças de reposição indispensáveis para que a linha reclamar para ela o grau de exatidão das ciências naturais era totalmente de montagem não pare e realizam-se acordos com os sindicatos pagando os inútil, ainda que entre as ciências sociais a administração devesse ser trabalhadores por produtividade, para que o sistema não falhe. Ford cons- considerada a mais dependente das demais, visto que se usam muito a socio- truiu um sistema de pagamento com base em bônus e altos pagamentos que logia, a psicologia e a economia. cresciam à medida que a produtividade aumentava. Esse sistema viabilizou um acordo com trabalhadores, a produção em massa e a queda de preços. Um dos problemas, porém, era a concentração de uma visão voltada para a pro- 1.5.1 0 Fordismo dução eficiente de um único modelo. Tratava-se de uma mentalidade que favorecia a quantidade em detrimento da qualidade e uma visão voltada Henry Ford, desde o fim da Primeira Guerra Mundial, desenvolveu e aper- para o produto em detrimento de uma visão voltada para o mercado. Favo- feiçoou o sistema de trabalho em linhas de montagem por meio da fabricação reciam-se economias de escala, mas não economias de escopo. em série do Ford Bigode preto, fabricado em larga escala e a baixo custo, o que fordismo permitiu a generalização da linha de montagem e de um permitiu a popularização dos automóveis na época. Seu sistema basea- sistema econômico fundamental para a consolidação da sociedade indus- va-se em plataformas volantes (vagões) que transportavam as peças de trial, porém sofreu com os efeitos da rigidez de seu modelo e os problemas um lugar a outro na linha de montagem. Dessa forma, os operários podiam ligados ao controle de pessoal. o sistema era eficiente, mas não favorecia permanecer em seus postos de trabalho, movimentando-se na fábrica o mí- a inovação e a adaptação ao mercado. nos anos 70 nimo possível e ganhando tempo. Em 1915, na fábrica de automóveis da esse modelo de produção começou a perder espaço para o modo de produ- Ford, em Highland Park, esses sistemas funcionavam e mostravam ser extre- ção japonês, o modelo Toyota, como ficou conhecido e que retrataremos mamente eficientes. Ford pôde descartar os famosos cartões de instrução no próximo capítulo. distribuídos por Taylor aos operários, que descreviam minuciosamente, por meio de gráficos e esquemas, seus movimentos e suas funções. Mesmo assim, o trabalho era organizado segundo as prescrições da Adminis- tração Científica. As inovações de Ford permitiram eliminar quase todos os movimentos desnecessários das ações dos trabalhadores. Procurava-se organizar a ta- refa de forma a requerer o "mínimo consumo de força de vontade e esforço mental". Ford também adotava uma forma rígida de divisão do trabalho, tanto horizontal como verticalmente. Pela linha de montagem, racionalizava o trabalho ao máximo para conseguir economias de escala importantes, cor- tando os custos na produção de um único modelo de automóvel. Existem anedotas que exemplificam a visão de Ford. Ele propunha ao cliente es- colher a cor que quisesse para o seu automóvel, desde que esta fosse preta. Ou seja, o cliente não podia escolher a cor ou o modelo. Contudo, podia comprar um carro a um baixo custo, o que constituía uma grande evolução para a sociedade da época. fato de poder comprar um carro já se traduzia em grande avanço, tendo em vista o antigo sistema produtivo artesanal, que produzia automóveis a custos altíssimos, o chamado efeito Rolls Royce: Figura Ford Bigode. o automóvel era uma peça única de arte, lapidado sob encomenda, mas ape- nas os milionários podiam ter acesso a ele. sistema de Ford teve a importante função social de democratizar o con- Pontos Importantes da Escola de Administração Clássica sumo do automóvel. Esse sistema também era denominado push product line, ou seja, o seu objetivo era produzir o automóvel o mais rapidamente Uma proposição não deve ser separada de seu contexto histórico. Essa visão possível e escoá-lo para o mercado no menor prazo. Considera-se que, quando simplista do comportamento humano a separação entre "planejadores" 33 32</p><p>CAPÍTULO 1 - A Escola Clássica de Administração Movimento da Administração Científica Motta / Vasconcelos Teoria Geral da Administração de um lado (os engenheiros) e os executores (operários) do outro, dentro da lógica expressa na frase operário não pensa, apenas executa", típica do taylorismo, se comparada à dura realidade vivenciada pela mão-de-obra de de no início da Revolução Industrial, representou uma certa forma de proteção para o operariado. De fato, no início da primeira Revolução Industrial na Inglaterra, como vimos, homens, mulheres e crianças trabalhavam nas fábricas em média 16 horas por dia, em condições péssimas. Em 1776, a da máquina a vapor de Watt foi posta pela primeira vez em funcionamento em Bloomfield Colliery. A partir disso, essa nova forma de produção máquinas a vapor começou a ser difundida. Em 1800, como mostra Huberman, essa máquina estava em uso na Inglaterra em 30 minas de carvão, 22 minas de cobre, 28 fundições, 17 cervejarias e oito usinas de algodão. sistema fabril, com sua organização eficiente e sua divisão do trabalho, possibilitou um enorme aumento na produção. Adam Smith, com sua experiência em uma fábrica de alfinetes, mostrou que a divisão do trabalho trouxe até 40% de aumento na produtividade. A divisão do trabalho não era nova, mas o funcionamento das fábricas substi- e tuindo as corporações de ofício e o trabalho artesanal era uma inovação importante. Como vimos na introdução deste capítulo, os trabalhadores de tinham dificuldade em adaptar-se à nova disciplina das fábricas, e o trabalho não era regulamentado. Caso as máquinas quebrassem e caso houvesse problemas de organização ou erros, estes eram imediatamente imputados aos operários, que eram punidos Pouco a pouco o trabalho foi sendo regulamentado. A divisão de competências proposta pela Administração Científica de Taylor os administradores e engenheiros formulam "a melhor maneira" de executar a tarefa e o operário apenas obedece e segue fielmente essas orientações constituía uma proteção, no sentido de que, caso o operário executasse fielmente as instruções, dentro dos parâmetros requeridos, e a produtividade não atingisse o nível desejado, a culpa era imputada ao en- de genheiro: cabia a ele aprimorar os sistemas de trabalho. Ao operário cabia ser um "braço eficiente". Desde que cumprisse essa tarefa, seguindo exata e minu- ciosamente as ordens recebidas, a sua parte estava executada a contento. Circunscrevia-se assim a responsabilidade pelo dos de sistemas, e os operários não eram mais punidos arbitrariamente, como da no tempo das primeiras fábricas. Tratava-se, logicamente, de uma prote- ção paternalista, baseada no conceito de que o operário era incapaz de pensar por si próprio; logo, se a curto prazo esse sistema protegia de punições diatas e arbitrárias, a médio e a longo prazos corria o risco de blo- de queando seu desenvolvimento, sua autonomia e seu aprendizado. A regra burocrática, como vimos anteriormente, cumpre a função de delegar respon- sabilidades. A responsabilidade conferida ao operário no processo de produção era muito pequena. 35 34</p><p>CAPÍTULO A Escola Clássica de Administração 0 Movimento da Administração Científica Motta Vasconcelos Teoria Geral da Administração Considerando-se o contexto histórico da época, pode-se supor que o modo importância no cenário norte-americano e é por isso que tais investiga- de funcionamento estabelecido pela Administração Científica também teve ções estavam sendo conduzidas com cuidado. Assim, os partidários e defensores o mérito de opor-se ao clientelismo e ao protecionismo do sistema de pro- das técnicas da Administração Científica diziam que o sistema era favorável dução artesanal semitradicional vigorava antes em muitas instalações aos interesses dos trabalhadores, proprietários, administradores e da socie- industriais, o sistema de subcontratação ou empreitada, pelo qual o acesso dade, uma vez que reduzia o desperdício e melhorava consideravelmente ao emprego era controlado pelos mestres-artesãos e profissionais especia- os métodos de produção, tornando-os menos cansativos para os operários. lizados. A regulamentação das relações de trabalho e o estabelecimento de Além disso, eliminando a existência de gangues grupos de artesãos que dominavam a produção nas fábricas na época e baseando-se em critérios critérios de seleção e treinamento, a partir das estruturas implantadas científicos, o sistema da Administração Científica permitia a qualquer um nesse período, instituíram a igualdade burocrática e permitiram a todos que habilitado se candidatar a um emprego sem fazer uso de força ou de critérios se considerassem aptos ao exercício do trabalho ao candidatar aos cargos clientelistas ou arbitrários, criando, portanto, um sistema livre, científico e oferecidos, abrindo-lhes a possibilidade de serem julgados com igualdade de democrático, base da sociedade moderna. condições pelos critérios formalmente estabelecidos. Para os críticos do sistema, as associações de trabalhadores e sindicatos, o Esse sistema possibilitou a padronização das funções e maior mobilidade objetivo da Administração Científica era aumentar o lucro da classe dirigente social, uma vez que os portadores de diplomas e certificados válidos poderiam à custa da limitação dos direitos e do bem-estar dos empregados. Dessa candidatar-se a empregos nas diversas cidades e regiões do país, indepen- forma, a Administração Científica definia o trabalhador como um mero instru- dentemente de pertencerem à corporação que controlava os recursos em mento de produção. Ele era reduzido a uma ferramenta ou máquina dentro uma região ou em outra. Os operários poderiam candidatar-se a posições da grande engrenagem produtiva. Criticavam-se a mecanização do elemento em várias indústrias, não mais controladas pelos mestres-artesãos, aumen- humano e a redução de sua importância dentro do processo produtivo. Criti- tando suas oportunidades de obter empregos. cava-se também o fato de a classe trabalhadora perder a "voz" e o direito de No primeiro capítulo de sua obra, A administração científica do trabalho, opinar na elaboração de processos produtivos (Hoxie, 1966, p. 17). Taylor, jovem aprendiz em uma fábrica, constata a concentração de poder Os estudos foram inconclusivos, porém tenderam a ser favoráveis à dos operários especializados e artesãos-mestres independentes e decide Administração Científica. Esse foi um debate importante, o primeiro julga- propor um sistema que considera mais justo por dar a todos oportunidades mento pelo qual passaram as proposições de Taylor. iguais de obter colocação profissional. Esse princípio está em consonância com a lógica burocrática, estrutura formal que visa reduzir privilégios e 1.7.2 Críticas de Outros Autores marcar a igualdade de todos diante da regra (Taylor, 1911). Escrevendo sobre os princípios administrativos geralmente aceitos, Simon (1970), em seu livro Comportamento administrativo, fez críticas muito inte- ressantes. Evidenciou, em primeiro lugar, o fato de que a maioria dos cha- 1.7 Críticas mados princípios é como os provérbios, isto é, existem aos pares, ou seja, 1.7.1 0 Estudo Hoxie para cada princípio de administração, existe outro que lhe é contraditório. Um estudo muito importante sobre a Administração Científica foi publicado Simon mostra, por exemplo, que o princípio de especialização é incompa- em 1915. Esse estudo foi elaborado por Robert Hoxie, que tinha sido indi- tível com o de unidade de comando. Se as decisões de uma pessoa, em qualquer cado pela Comissão Americana de Estudos Industriais (U.S. Commission ponto da hierarquia administrativa, encontram-se sempre sujeitas à in- on Industrial Relations) da Câmara dos Deputados norte-americana (U.S. fluência de um único canal de autoridade e se, no entanto, suas decisões House of Representatives) para realizar uma investigação profunda sobre requerem perícia em mais de um campo de conhecimento, então essa pessoa os métodos de trabalho propostos por Taylor (Hoxie, 1915). Hoxie visitou precisa lançar mão de serviços de assessoramento e informações que for- fábricas e procedeu a uma série de entrevistas com operários e dirigentes neçam premissas oriundas de um campo não abrangido pelo sistema de de empresas que estavam empregando as técnicas da Administração especialização da organização. Científica para julgar a natureza delas. Dirigentes e donos de empresas Taylor, de certa forma, reconheceu essa dificuldade com o que ele chamou estavam sendo acusados por sindicatos e associações de trabalhadores de de supervisão funcional; outros teóricos da Administração Científica, porém, utilizar essas técnicas para explorar os trabalhadores. Esse debate ganhou não tomaram conhecimento dela. Outro problema é o que surge do princípio 37 36</p><p>Teoria Geral da Administração CAPÍTULO 1 A Escola Clássica de Administração e 0 Movimento da Administração Científica Vasconcelos de amplitude de controle, que se choca claramente com a idéia de que prejudicial dentro de um sistema em que os operários executavam tarefas uma decisão deve passar pelo menor número possível de níveis hierárquicos mecanizadas e metódicas. Aprender significava tornar-se mais eficiente para chegar a seu destino. no desenvolvimento de uma função específica. Os problemas provocados Além dessas críticas, muitas outras foram feitas às idéias centrais do pela falta de visão do todo e a limitação do desenvolvimento das habili- movimento. dades dos indivíduos foram sendo percebidos com o passar do tempo. Vários A idéia de homo economicus, por exemplo, foi severamente combatida. A estudos sobre organizações mostraram os problemas causados pelo modelo natureza do homem é muito mais complexa, e à medida que consideramos taylorista, como ele era concebido e aplicado inicialmente. Percebeu-se apenas a variável econômica como determinante de seu comportamento, que existem diferenças entre a organização formal e a organização informal, prevemo-lo na teoria, mas não na prática. Também a maneira certa de entre o que se diz que deve ser feito e as práticas concretas nas organi- realizar um trabalho", segundo Taylor, foi duramente atacada. Esse procedi- zações. As regras não são seguidas da forma como são elaboradas. mento levaria à total desumanização, além de não aumentar a produtividade Meyer e Rowan (1991) mostram que, na verdade, a obediência estrita às do trabalho a longo prazo, pois tenderia a provocar o aparecimento de ati- normas é uma ficção. tudes negativas em relação ao trabalho, à empresa e à administração. Os ensinamentos de Taylor foram vistos por muitos, porém visando mais Na prática, existe o fenômeno da "dissociação" (decoupling) a separação ao apressamento do trabalho que à sua eficiência, visto que os movimentos do entre as normas e a prática administrativa. Os indivíduos encontram espaços corpo humano têm um ritmo natural e que, a longo prazo, a observação desse de ajuste à regra, seguindo-a somente em certa medida. Muitos procedi- ritmo trará mais resultados que a tentativa de quebrá-lo. mentos são assim ritualizados e cerimonializados têm a sua função social Em relação ao incentivo monetário as críticas não foram menos violen- na organização, mas não são seguidos como previsto. Segundo esses mesmos tas, visto que, segundo a Escola de Relações Humanas, havia muitos outros estudiosos, os atores sociais procuram um mínimo de autonomia em relação fatores que motivavam o homem, como o prestígio, o poder, a aprovação ao seu trabalho. Muitos gerentes adotam uma estratégia típica dessa de seu grupo, o sentimento de auto-realização etc. Da mesma forma, o con- situação: "fechar os olhos" (overlooking), ou seja, a fim de evitar conflitos, os trole por supervisão era uma violência, segundo os seguidores da Escola de gerentes desconsideram a regra e fingem não perceber o seu não-cumprimento Relações Humanas. o controle deveria ser, sempre que possível, por resul- por seus subordinados, desde que estes tenham um compromisso mínimo com tados, e o subordinado deveria ter participação nas decisões que afetassem os resultados e a produtividade. seu trabalho. Diversos estudos organizacionais confirmaram essa separação entre a Enfim, quase todas as idéias da Escola Clássica estão sujeitas a críticas. estrutura organizacional formal e a estrutura informal, e o fato de que nem De acordo com os adeptos da Escola de Relações Humanas, o ato de igno- sempre o controle estrito dos operários e a redução da autonomia de decisão rar o homem com quem se vai trabalhar na organização é um contra-senso. levam a maior produtividade: (1) Simon, ao estudar o processo de tomada de A ênfase deve, no parecer dessa escola, ser dada aos grupos primários; para decisão nas organizações e ao formular o conceito de racionalidade limitada; ela, a organização informal é de grande importância. (2) March, Olsen e Weick, ao observarem que as organizações burocráticas Uma terceira corrente, entretanto, a dos estruturalistas, fazendo uma freqüentemente são estruturas cujos elementos estão interligados de forma síntese das Escolas Clássica, de Relações Humanas, de Marx e de Max sutil e relaxada (loosely coupled) e que, na prática, muitas regras não são Weber, nega a harmonia de interesse pregada pelas duas escolas e a obedecidas; (3) Argyris e Schön, ao estudarem as atitudes dos atores sociais racionalidade normativa da Escola Clássica. Os estruturalistas dão gran- em relação à aprendizagem e à prática organizacional, mostrando que de ênfase às relações da organização formal com a informal e, por meio de muitas vezes o discurso não é incorporado à ação, desenvolvem argumentos pesquisas, demonstraram que a maioria dos operários não pertence a nesse sentido. grupos informais dentro do trabalho (Etzioni, 1976). No que se refere à apren- dizagem, critica-se o fato de que o taylorismo propõe uma visão restritiva Com o passar do tempo surgiram ferramentas gerenciais e técnicas que dela: o operário deveria obedecer e preocupar-se em desenvolver apenas as pretendiam minimizar esses problemas. modelo "industrial", com base em habilidades estritamente necessárias ao cumprimento de sua tarefa especí- uma visão restritiva da aprendizagem, foi questionado, e foram surgindo novos fica. Ele não deveria se preocupar em desenvolver outras habilidades além modelos com base na valorização da aprendizagem e de valores como auto- das necessárias ao bom cumprimento de sua função e à obediência das ordens nomia, flexibilidade e mudança (Cohen et al., 1972; Weick, 1976; Argyris e localizadas. A qualificação profissional acima de certo nível era vista como Schön, 1978). 38 39</p><p>Teoria Geral da Administração CAPÍTULO 1 A Escola Clássica de Administração e 0 Movimento da Administração Científica Motta / Vasconcelos GILBRETH, F.; GILBRETH, L. The writing of the Gilbreths. Spriegel and Movimento de Administração Científica Myers. Homewood: Richard D. Irwin, 1953. HOXIE, R. Scientific management and labor. Nova York: A. M. Kelley, 1966. Relações Concepção da Concepção da Sistemas de Administração- Natureza Resultados HUBERMAN, L. História da riqueza do homem. Rio de Janeiro: Zahar, Organização Incentivos Empregados Humana 1978. HUNT, E. K.; SHERMAN, H. História do pensamento econômico. Petrópolis: Vozes, 1972. MEYER, J. W.; ROWAN, B. Institutionalized organizations: formal struc- Organização Identidade de Incentivos Homo ture as myth and ceremony. In: POWELL, W.; DiMAGGIO, P. (Eds.) 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