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<p>As relações de trabalho no regime de Home Office</p><p>Desafios e perspectivas</p><p>Muito embora a evolução social ocorra desde os primórdios da humanidade, nunca na história, houve tantas mudanças em um espaço de tempo tão curto, e isso está ocorrendo em todas as frentes da sociedade, cultural, social, política, ambiental e especialmente no que tange as relações de trabalho, e neste cenário faremos uma breve análise das implicações jurídicas e sociais decorrente do regime de home office.</p><p>Com o avanço frenético da tecnologia e a consequente mudança nos padrões de vida da sociedade, o regime de home office surge como uma promissora categoria de trabalho, impulsionada, tanto pela necessidade de adaptação da sociedade do século XXI, quanto por eventos extraordinários, como foi o caso da recente pandemia de COVID-19 que assolou o mundo todo.</p><p>Nesse contexto, é necessário esclarecer que o home office, ou trabalho remoto, não é algo relativamente novo. Na década de 70, com a crise mundial do petróleo, os custos de deslocamento dos funcionários passaram a prejudicar a saúde financeira das empresas, assim, começou a difundir-se o trabalho em casa como uma solução viável à contenção de gastos e equilíbrio econômico.</p><p>A ideia, que se diga, deu certo, consiste na realização das atividades laborais exercidas pelo obreiro fora do ambiente da empresa, utilizando da comunicação e das tecnologias de informação, flexibilizando os horários de trabalho e a reduzindo o tempo e estresse de deslocamento.</p><p>No Brasil, o home office surgiu em 1.997, contudo, sua regulamentação teve significativas alterações apenas após a reforma trabalhista no ano de 2.017, onde passou a integrar, ainda que de forma sucinta, na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Essa inclusão foi sucinta, pois com o advento da pandemia, o home office passou a ser utilizado em larga escala, expondo as lacunas que existiam quanto sua regulamentação, como no caso de fornecimento de equipamentos, controle de jornada, custeio das despesas necessárias para a prestação laboral e até mesmo segurança no trabalho, por exemplo.</p><p>No entanto, medidas foram rapidamente implementadas para resolver essas questões, de forma mais abrangente e eficaz. Mas, além da demanda jurídica, existe o aspecto das relações de trabalho, que com a mesma importância das questões legais, suscitam reflexões sobre os aspectos psicológicos e sociais.</p><p>O isolamento físico proporcionado pelo home office, é um ponto importante pra reflexão, tendo em vista que pode gerar sentimentos diversos como a solidão, que posteriormente pode causar também uma desconexão social, afetando diretamente na saúde mental e no bem-estar do obreiro. Outro fator importante que deve ser levado em consideração é a dificuldade em se estabelecer limites entre a vida profissional e a pessoal, resultando em sobrecargas de trabalho e desgaste emocional.</p><p>Uma possível solução para melhorar o aspecto social e psicológico dos trabalhadores que cumprem sua jornada no regime de home office seria a implementação de programas de apoio psicossocial, para garantir uma rede de apoio verdadeiramente segura, fortalecendo inclusive uma cultura organizacional positiva que consequentemente proporcionará um ambiente de trabalho salutar e acolhedor.</p><p>Outra forma, seria a organização, por parte da empresa, de encontros presenciais de forma esporádica, para tratar de assuntos pertinentes ao dia a dia, incentivando uma comunicação aberta e com feedbacks construtivos para promover o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.</p><p>Sendo assim, embora tenhamos avançado grandemente na regulamentação do regime de home office, ainda temos desafios a serem superados e para isso, precisamos contar tanto com empregadores quanto com empregados, a importância em ouvir os dois lados será o fiel necessário para garantir a efetivação dos direitos trabalhistas com a produtividade esperada, aliada com qualidade de vida.</p><p>Em suma, caminhamos para promover um ambiente laboral saudável e produtivo, onde já está sendo possível colher os frutos dessa modalidade de trabalho que embora pareça ter apenas vantagens, do ponto de vista econômico, tem suas complexidades sociais e psicológicas a serem superadas.</p>