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O que vem a ser Odontologia Hospitalar? 
 
 Hospital das Clinicas de São Paulo 
 Implantou, na rotina dos procedimentos de UTI’s, o trabalho do CD 
 Doutores: Simon Hullihen e James Garrestson (XIX) 
 Iniciou-se com a cirurgia bucomaxilofacial 
 Reconhecimento: 
- Século XX – nas comunidades médicas e odontológicas 
- Criação do departamento 
 Qual a missão da odontologia hospitalar? 
- Cuidar das alterações do aparelho estomatognático em ambiente hospitalar 
- Paciente internado ou em ambulatório 
 Alterações: 
- Oriundas do próprio aparelho estomatognático 
- Problemas sistêmicos 
- Uso de medicamentos 
 Melhorara a qualidade de vida do paciente 
 Diminuir o tempo de recuperação 
 Diminuir o tempo de permanência no leito 
 Disponibilizar maior numero de leitos, em especial nas UTI’s 
 Reduzir os custos hospitalares 
 Permitir melhorar desempenho da equipe na assistência ao paciente, dividindo 
a responsabilidade e aliviando o estresse 
Definição de Odontologia Hospitalar 
“ Área da odontologia que tem a finalidade de proporcionar um atendimento integral 
aos pacientes no âmbito hospitalar, juntamente com uma equipe multiprofissional e 
interprofissional, interagindo com todas as profissões que dela participam, como 
medicina, enfermagem, fisioyerapia, psicologia, terapia ocupacional, fono 
“uma avaliação odontológica pode determinar a necessidade de intervenções que 
possibilitam a redução de riscos futuros” 
 Breve histórico 
 1993 – iniciou-se na faculdade de Odontologia da USP – Curso de Odontologia 
Hospitalar – 2 alunos 
 2002 – Odontologia Hospitalar - foi aprovada como disciplina optativa 
 2012 – Fortaleza (Universidade de Fortaleza), Dr. Eliardo Silveira Santos – 
introduziu a Odontologia Hospitalar na grade curricular do curso de 
Odontologia 
 1950-1960-São Paulo- começaram os primeiros postos avançados de 
Odontologia dentro dos hospitais 
 Dr. Mário Graziani (formado e Campinas – 1936), foi convidado a fazer parte do 
grupo de Otorrinolaringologia de São Paulo (1884) pelo Dr. Mário Ottoni, chefe 
do serviço, que estimulou a criar o serviço de Odontologia, naquela unidade de 
saúde. 
 1940 – Dr. Mário Graziani – fundou o primeiro serviço de Odontologia 
Hospitalar do Brasil 
 Sergipe – Fundação de Beneficiência Hospital de Cirurgia (2 de maio de 1926), 
fez surgir, o serviço de odontologia do Hospital de Cirurgia (avaliação pré-
operatória bucal) 
 Dr. Leite Neto (eliminar focos de infecção) 
 1950 – Hospital de Cirurgia – trabalhavam 03 CD’s 
 1952 – Dr. João Garcez (discípulo do Dr. Mário Graziani), consolidou a 
odontologia naquela unidade hospitalar 
 2011- (Dr. Gilberto Santos) autorizou a contratação de uma CD para trabalhar 
exclusivamente na UTI 
 2013 – Residência Integrada Multidisciplinar em UTI 
 Minas Gerais – teve inicio 1970 – 1980 (Dr. Mário Martins) médico e CD 
 Rio Grande do Sul (2000) – Edela Pueicelli, na Santa Casa de Misericórdia de 
Porto Alegre 
 Vários estados: odontologia hospitalar foram surgindo pacientes com 
necessidades especiais. 
 2010 – Ministério da Saúde – portaria nº 1032 de 05 de maio – prevê o 
atendimento odontológico a pacientes com alguma deficiência em ambiente 
hospitalar. 
 SUS – código especifico para a internação desses pacientes. 
 2005 Barretos (SP) – na Santa Casa de Misericórdia: a odontologia foi 
incorporada na UTI (Dr. Tereza Márcia Nascimento de Morais) 
 2008 – a associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) 
A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) 
Definição: unidade hospitalar que se destina ao atendimento de pacientes graves ou 
de risco que tenham potencial de recuperação, mas que exigem atenção médica de 
recuperação, mas que exigem atenção médica ininterrupta, contando com o apoio de 
uma equipe multiprofissional de saúde, além de outros recursos humanos e 
equipamentos. 
 Primeira UTI no Brasil – Hospital Sírio Libanês (1971) – São Paulo 
 1958 – City Hospital, atual Jonh Hopkins (Baltimore) – primeira UTI 
multidisciplinar dos EUA 
 ANVISA – resolução n. 7/2010 
- Dispõe sobre os requisitos mínimos para funcionamento de Unidades de Terapia 
Intensiva e de outras providências 
- Art. 18 - Devem ser garantidos, por meios próprios ou terceirizados, os seguintes 
serviços á beira do leito: [...] 
VI – assistência odontológica 
 Importância do trabalho em equipe na UTI 
 Reader et al. – propuseram um modelo para UTI’s 
 Quatro domínios principais: 
- Liderança, comunicação, coordenação de tarefas e tomada de decisão 
 Time de resposta rápida e interdisciplinaridade 
 O TRR deve ser constituído pela equipe interprofissional de saúde 
 TRR (04 fundamentos principais) 
 1. Identificação rápida da deteriorização clinica do paciente, focada na 
comunicação eficaz e eficiente no acionamento do TRR 
 2. Documentação organizada dos resultados 
 3. Melhoria continua do atendimento, avaliada a partir de indicadores que 
auxiliem na prevenção dos eventos adversos e contribuam para a formação de 
estratégias que impeçam a piora do quadro clínico 
 4. Coordenação da equipe, avaliação dos recursos materiais para o 
atendimento. 
 
 
Infecções da cavidade bucal em ambiente hospitalar 
 
Introdução 
As lesões que se manifestam na cavidade bucal podem ser próprias de mucosa bucal e 
do complexo maxilomandibular assim como podem representar manifestações de 
doenças 
 
Essas lesões são decorrentes 
 Doenças de base 
 Medicação utilizada 
 Estado geral do paciente 
 Equipamentos utilizados 
 
As alterações bucais mais observadas em pacientes de UTI são 
 Cárie e doenças periodontais 
 
Outras manifestações 
 Origem infecciosa 
 Traumática 
 Medicamentosa 
 Complicações associadas ao tratamento oncologico 
 
Observação 
Todas as informações colhidas devem ser transcritas com detalhes para o 
prontuário do paciente, para fins de avaliações posteriores e documentação legal. 
 
Lesões Infecciosas 
 A infecção é uma complicação frequente e de elevada mortalidade nos 
pacientes internados em UTI. 
 
Mais comuns 
 Candidose 
 Herpes recorrente 
 Herpes – Zóster 
Fatores predisponentes da Candidose Bucal 
Fatores locais: 
 Tabagismo 
 Higiene de prótese inadequada 
 Uso de prótese total 
 Trauma na mucosa 
Idade: 
 Extremos de idade: neonatos/crianças e idosos 
 
Medicamentos: 
 Antibióticos de largo espectro 
 Corticosteróides locais e sistêmicos 
 Imunossupressores/quimioterápicos citotóxicos 
 
Hipossialia: 
 Diminuição de saliva 
 Medicações 
 Síndrome de Sjogren 
 
Doenças sistêmicas: 
 Anemias 
 Leucemia 
 Diabetes mellitus 
 Infecção pelo HIV/AIDS 
 Outros estados de imunodeficiências 
 
Principais lesões vesiculares 
As lesões vesiculares guardam em comum o fato de em algum estágio de seu 
desenvolvimento apresentarem formação de vesículas 
Dentro da cavidade bucal não se encontra vesícula porque ela se rompe e vira 
uma úlcera, a úlcera é uma lesão secundária . 
Vesícula é uma elevação superficial circunscrita na pele ou membrana mucosa, 
que representa uma coleção sub-epitelial ou intra-epitelial de soro, plasma ou sangue. 
A maioria das lesões vesiculosas tem origem virosa ou alérgica e, 
microscopicamente (biópsia), se assemelham umas com as outras. 
 
Diagnóstico do processo patológico 
 Aspectos clínicos gerais e locais 
 Testes de laboratórios (sensibilidade, fixação de complemento e 
inoculação em animal). 
 
São doenças causadas pelo herpes vírus hominis (herpes vírus simples), sendo 
a virose mais comum que atinge a boca. 
 
Classificação: 
Tipo I – atinge a boca, lábios e olhos 
Tipo II – atinge órgãos genitais 
 
Segundo Martins (1981), pertence ao grupo do vírus DNA, sendo envolto por 
envelope constituído por lipídios, poliaminas e 12 glicoproteínas 
 
Gengivo-estomatites herpéticas 
 Primaria – primo-infecção aguda 
 Recidivante labial – herpes labialisAspectos clínicos gerais da gengivo estomatite herpética aguda 
 Período de incubação – 3 a 9 dias 
 Período de doença – 7 a 20 dias 
 Desaparecem as vesículas e úlceras sem deixar cicatriz 
 Atingem crianças de ambos os sexos entre 1 a 3 anos 
 Mal estar geral 
 Crianças nervosas com irritabilidade 
 Febre e cefaléia 
 Anorexia e linfadenopatia 
 
Aspectos clínicos na mucosa bucal 
 Boca dolorida 
 Salivação abundante e fétida 
 Gengiva marginal vermelha edemaciada e sangrante 
 Vesículas claras com halo eritematoso 
 Vesículas rompem, formam úlceras rasas de fundo amarelado e doloridas 
 Dificuldade para alimentação 
 
Aspectos histológicos 
 As vesículas são intra-epiteliais 
 As células epiteliais podem apresentar inclusões infranucleares (corpúsculos de 
Lípschutz) 
 Tecido conjuntivo infiltrado de células inflamatórias 
 As vesículas se rompe e apresenta um exsudato constituído de fibrina, 
leucócitos polimorfonucleares e células degenerativas. 
 
Tratamento gerais 
 Sintomático – Beserol, Aspirina, Doloxene-A, Dorflex 
 Anti-térmico – AAS, Novalgina, Anador, Conmel 
 Complexos vitamínicos – Teragram-M, Clusivol composto, Supradyn, Kalyamon 
B12. 
 
Tratamento para herpes simples 
Aciclovir (zovirax) – comprimidos 200mg 
Adultos – 4 comprimidos ao dia por 5 dias 
Crianças menos que 2 anos – metade da dose adulta 
 
Outros tratamentos gerais 
 Gama globulina humana – 320 e 800 mg 
 Leucogen 80 mg (lisado ácido de timo de vitelo), cápsula e xarope 
 
Herpes hominis é contagioso? 
 
 A afta não dá febre 
 Still Johnson 
 Herpes Zoster 
 Impaciente interna 
 O vírus Foster é neurotropico, é o mesmo que cauda a varicela 
 
Herpes Simples Labial (recidivante) 
 O herpes simples recidivante se manifesta mais entre os 15 e 25 anos de idade. 
 Segundo Shafer et Colg, o vírus permanece latente no interior das células 
epiteliais, sendo que as recidivas representam uma ativação do vírus residual e não 
uma infecção. 
 As recidivas têm sido relacionadas com o decréscimo da produção de 
gamaglobulinas, o que facilitaria um aumento da síntese viral. 
 
Os fatores que podem reativar o herpes são: 
 Febre 
 Exposição a raios solares 
 Tensão emocional 
 Distúrbios disgestivos 
 Gripe e resfriado 
 Traumatismo mecânicos 
 Menstruação e gravidez 
 Fadiga e cansaço 
 Ansiedade e hostilidade reprimida 
Não tem aspectos clínicos gerais 
 
Aspectos clínicos locais: 
 Recidiva quase sempre no mesmo local 
 Antes do aparecimento das vesículas no local (12 a 24 horas), sensação de 
hiperestesia e ardor 
 As vesículas são claras, sempre múltiplas e pequenas (cerca de 1 mm) 
 As vesículas rompem liberando o liquido branco amarelado e formam crostas 
sero-sanguinolenta que coagula 
 Formam crostas e ulcerações, saram sem deixar cicatriz em torno de 07 a 14 
dias. 
Tratamento 
 Aciclovir (Zovirax) – creme aplicar 5 vezes ao dia durante 5 dias 
 Interferon (Inter-if) – pomada aplicar 5 vezes ao dia durante 5 dias 
 
Outros tratamentos 
 Vermelho neutro em solução aquosa a 0,1% 
 Azul de toluidina 
 Proflavina 
 5 – iodo – 2 – deoxyuridina 1 mg – idu pomada 
 
O método é chamado de fotoinativação pela destruição do vírus, pelo rompimento 
da cadeia do DNA, pela afinidade na base guanina. 
 
Herpes Zoster 
 O vírus zoster é neurotrópico, que é o mesmo que causa a varicela. 
 A doença tem evolução aguda, caracterizada por inflamação dos gânglios das 
raízes dorsais ou dos gânglios extramedulares dos nervos cranianos, com erupção 
vesicular da pele e mucosa de distribuição dos nervos sensitivos. 
 É uma doença característica de idade adulta, sendo quase sempre unilateral, no 
entanto, pode envolver o trigêmeo, produzindo les~es na face e mucosa bucal. 
 
Aspectos clínicos gerais 
 Incidência é maior nos homens 
 Período de incubação de 7 a 14 dias 
 Febre e mal estar geral 
 Linfoadenopatia 
 
Aspectos clínicos locais 
 Dor e queimação no trajeto do nervo sensitivo 
 Depois eritema 
 Aparecem vesículas pequenas e claras 
 Rompem e formam crostas, escaras e desaparecem sem deixar cicatriz em 
torno de 15 a 20 dias 
 
Tratamento locais 
 Aciclovir – zovirax: creme 5 x ao dia 
 Interferon – inter-if: pomada 3 x ao dia 
 Permanganato de potássio: solução 1:20.000, banhos locais 3/4 vezes ao dia 
 Neomicina ou bacitracina: pomadas 
 Antibióticos se houver infecção secundária 
 
Tratamento gerais 
 Aciclovir – zovirax – 400 mg 01 comprimido 5 x ao dia durante 5 dias 
Alguns pacientes podem mostrar como sequela da doença uma intensa neuralgia pós-
zoster, que pode persistir meses e anos. 
 
Tratamento para evitar a neurite pós-zoster (Preventivo) 
 Complexo-B, vitaminas B1 e B12 
 Citoneurin 5.000: drágeas – 02 drágeas ao dia durante 30 dias 
 
Ulceração Aftosa Recorrente 
 As ulcerações aftosas recorrentes, comumente denominadas aftas, 
representam, talvez, a mais importante expressão dentre as doenças ulcerativas. 
 A sua incidência é universal, constituindo matéria de conhecimento obrigatório, 
não só do estomatologista, mas também do cirurgião-dentista em geral. 
 Conhecida desde a antiguidade, a afta ainda não está definitivamente 
esclarecida, tanto do ponto de vista de etiopatogenia quanto de ações terapêuticas 
especificas. 
 
Fatores de risco 
 Predisposição genética 
 Alergia 
 Alterações hematológicas e hormonais 
 Traumatismo 
 Estresse 
 Doenças sistêmicas 
 
Forma clinica 
 Afta menor – minor 
 Afta maior – major 
 
Aspectos clínicos gerais (Menor) 
 Ocorre mais no sexo feminino 
 A afta menor ocorre 90% dos casos 
 Inicia na infância ou adolescência 
 Pode haver uma linfadenopatia submandibular 
 
Aspectos clínicos na mucosa bucal 
 Ocorre em toda mucosa não queratinizada da boca 
 Inicia com ardência, depois uma vesícula e ulcera no local 
 Ulcera de fundo amarelado, halo vermelho e dor queimante 
 Pode ser única ou múltiplas 
 Salivação abundante 
 Desaparece de 7 a 14 dias sem deixar cicatriz e pode recidivar 
 
Aspectos clínicos da úlcera (Maior) 
 Dor intensa e úlcera profunda 
 Contorno irregular, com bordas elevadas 
 Halo eritematoso com exsudato amarelado no interior da úlcera 
 Atinge mucosas mais ceratinizadas 
 Múltiplas, podendo atingir a orofaringe 
 Desaparece em 2 a 6 semanas podendo deixar cicatriz por fibrose 
 
Diagnostico 
 Anamnese + inventário de saúde 
 Exame clínico 
 
Tratamento 
Não existe terapêutica medicamentosa específica, mas, usa-se para a dor e 
para facilitar a alimentação os medicamentos: 
 Omcilion – orabase: aplicar 3 x ao dia 
 Albicon (Pó): uma pitada no local 3 x ao dia 
 Varia soluções anti-aftas, pastilhas e anti-inflamatórios 
 
Eritema Multiforme 
 Esta denominação se utiliza para designar mais um complexo sintomatológico, 
que forma um grupo de síndromes mucocutâneas, e não uma doença especifica. 
 É um processo agudo, na maioria dos casos limitado na pele e mucosas e em 
25% dos casos em ambas. 
 A maioria dos casos é de etiologia desconhecida, sendo considerada como uma 
reação de hipersensibilidade a um número bastante variado de fatores. 
 
Fatores de Risco 
 Medicamentosos: antibióticos, sulfas, analgésicos, AINES, cimetidina, 
anticonvulsivantes, cetoconazol e tiabendazol. 
 Vacinas: tétano/difteria, BCG e vacina oral da pólio 
 Infecções: viróticas, bacterianas, micóticas e protozoárias 
 Neoplásicas malignas 
 20 a 30% causas desconhecidas 
 
Aspectos clínicos gerais 
 Mais comuns em adultos jovens do sexo masculino 
 Inicia com máculas ou pápulas eritematosas ou vesículas e bolhas em todo o 
corpo 
 Febre, dores articulares e mal estar geral 
 
Aspectos clínicos na mucosa da boca 
 Máculas, pápulas, vesículas, bolhas e ulcerações com sangramento 
 Nos lábios formam crostas 
 As lesões são doloridas por infecção secundária 
 Salivação abundantee fétida 
 
Diagnostico 
 Anamnese + inventário de saúde 
 Exame clinico 
 Citologia esfoliativa e biopsia servem apenas para orientar o diagnostico 
 
Tratamento: feito pelo médico especialista 
 Não existe tratamento específico 
 Precisa saber fator(es) responsável(is) 
 Usa corticóides, anti-histamínicos e antibióticos nas infecções secundárias 
 
Algumas síndromes acompanham o eritema multiforme como: 
 Stevens – Johnson 
 Behcet 
 
Pênfigos 
 
 
 
 
 
Emergências Médicas Para o Cirurgião-Dentista Intensivista 
Intodução: 
 Como parte integrante das UTIs, o Cirurgião dentista deve ter uma noção geral 
das atividades dispensadas por cada profissional que compõe a equipe multidisciplinar, 
dos cuidados ao paciente crítico, da sua monitorização e das intervenções realizadas 
em situações de emergências. 
Avaliação Clínica 
Anamnese: 
 A maioria dos pacientes internados em UTIs tem nível de consciência suficiente 
para que se possa realizar uma adequada anamnese. 
Verificar: 
 Sistema nervoso central e periférico 
 Sistema respiratório 
 Sistema cardiovascular 
 Sistema digestório 
 Sistema urinário 
 Sistema osteomuscular 
Avaliar ainda: 
 Uso de medicamentos 
 Alergias 
 Cirurgias anteriores 
 Transfusões 
 Fatores psicossociais 
Sinais e sintomas mais frequente pesquisados: 
 Dor 
 Febre 
 Siurese 
 Dispnéia 
 Hipotensão 
 Alterações do nível de consciência 
Sinais vitais: 
Essas variáveis são monitoradas em todos os pacientes críticos 
 Pressão arterial 
 Pulso 
 Frequência ventilatória (12 a 16 incursões por minuto) 
 Oxigênio arterial acima de 92% a 94% 
 Temperatura corporal (entre 36 a 37,4 graus Celsius) 
Monitoração Básica 
 É muito importante dentro de uma UTI 
 Tem por objetivo antecipar variações fisiológicas que possam se relacionar com 
estados de gravidade futuros 
 Principais 
 Cardiovascular e Respiratório 
 São utilizados monitores com sensores que captam a variação de vários sinais 
vitais e os transformam em números ou ondas 
Sinais e sintomas de alerta 
 Os sinais e sintomas que indicam risco iminente incluem todos os vínculos às 
vias respiratórias, ventilação, sensório e temperatura. 
 
Estão incluídas 
 Dispnéia 
 Taquipnéia 
 Hipoxemia 
 Hipertensão arterial 
 Hipotensão arterial 
 Taquicardia 
 Bradicardia 
 Sonolência 
 Coma 
 Estupor 
 Crises convulsivas 
 Hipotermia 
 Hipertermia 
 
Insuficiência Respiratória 
 Vem a ser a incapacidade de troca gasosa adequada, levando o paciente a ter 
uma concentração arterial de oxigênio, insuficiente para as necessidades celulares. 
 
Pode ser dividida 
 Baixa quantidade de oxigênio no ar ambiente, como ocorre nas grandes 
altitudes. 
 Incapacidade de levar volume de ar adequado para o pulmão, como ocorre nas 
obstruções da via respiratória superior. 
 Perda de capacidade de ventilação. 
 Circulação sanguinea pulmonar ineficaz, como em situações de choque. 
 
Incapacidade de ventilação pulmonar são decorrentes de: 
 Ausência de estímulo do sistema nervoso central(Ex. intoxicações por 
substâncias depressoras do sistema nervoso central, como 
Benzodiazempínicos, Opióides e Barbitúricos) 
 Incapacidade de transmissão de estímulo nervoso do cérebro para os músculos 
de ventilação (Ex. Traumatismo raquimedular com secção de medula) 
 Incapacidade muscular (Ex. Síndromes degenerativas do sistema nervoso ou 
fadiga em pacientes com DPOC) 
 
Classificação da insuficiência respiratória 
Hipercápnica: quando o CO2 arterial está aci,a dps valores considerados normais: 
inferiores a 50mmHg 
Hipoxêmica: quando os valores de oxigênio arterial são inferiores ao necessário para 
mantes uma boa oxigenação tecidual 
Mista: quando os dois estão envolvidos 
 
Oxigênio arterial: acima de 60mmHg 
 
Características clínicas da insuficiência respiratória 
 Dispinéia 
 Taquipnéia 
 Taquicardia 
 Hipertensão 
 Palidez cutânea 
 Sudorese 
 Aparência de angústia 
 Depressão do nível de consciência 
 Incapacidade de manter uma expansão torácica adequada 
 
Materiais de suporte ventilatório 
Ventiladores mecânicos – tubos orotraqueais, nasotraqueais, cânulas de 
traqueostomia, cândulas de cricotireostomia, máscara nasais, orais e faciais 
Em caso de parada cardiorrespiratória ou em setores de emergência, o conjunto de 
bolsa e mascara (sistema AMBU) pode ser adequado 
 
Oxigenoterapia 
 O fornecimento de oxigênio pode ser feito por cateteres nasais, máscaras com 
sistema de Venturi e máscara com reservatório de oxigêncio 
 
Parada cardíaca 
 Manobras de ressuscitação 
 A massagem cardíaca externa eficaz é hoje considerada a peça mais importante 
da reanimação cardiorrespiratória. 
 
Drogas utilizadas na parada cardíaca 
Principal – adrenalina 1mg, pode ser repetida a cada 3 ou 5 minutos 
Outra droga – vasopressina – 40 unidades ev 
Amiodarona – 300mg (2 ampolas de 150mg) 
Casos de bradicardia – atropina (0.5mg) 
Outras drogas – gluconato de cálcio e bicarbonato de sódio em situações de hipercalemia 
Bicarbonato de sódio – em caso de acidose metabólica 
Cloreto de potássio – em caso de hipocalemia 
Cloreto de sódio - em caso de hipovalemia 
Vaso dilatadores – em pacientes com vasoespasmo, pelo uso de substâncias ilícitas (EX. 
cocaína). 
 
Choque 
 É uma condição decorrente de má perfusão tecidual com consequente hipóxia celular, 
Morte celular e disfunção orgânica. Possui várias causas. 
 
Classificação 
 Hipovolêmico 
 Cardiogênico 
 Distributivo 
 Obstrutivo 
Choque Hipovolêmico 
Causas Principais 
 Sangramento 
 Perda hídrica 
 Ingestão inadequada 
Choque Cardiogênico 
 Infarto Agudo do Miocárdio 
 Valvulopatias 
Choque Distributivo 
 Sepse 
 Trauma Raquimedular 
 Falência Adrenal 
Choque Obstrutivo 
 Tamponamento Cardíaco 
 Pneumotórax Hipertensivo 
 Tromboembolismo Pulmonar 
Características Clínicas 
Alteração no nível de consciência desde uma simples ansiedade até o coma passando 
por agitação, sonolência, confusão mental, torpor, hipotensão, taquicardia, taquipnéia, 
hiperpnéia, sudorese, palidez cutânea. 
No caso de Sepse: pele quente 
Condutas Gerais: 
 Reposição de volumes 
 Drogas vasoativas 
 Procedimentos invasivos 
Drogas Vasoativas 
Dopamina 
 Noradrenalina 
 Adrenalina 
 Vasopressina 
 Dobutamina 
 Nitroprussiato de Sódio 
 Nitroglicerina 
 
Dopamina – é um vasopressor que atua nos receptores alfa e beta 
Noradrenalina – vasopressor de eleição nos pacientes em choque séptico. Tem ação 
predominante em receptores alfa. Aumenta a pressão arterial com menor ação sobre o débito 
cardíaco. É usada em infusão continua na dose de 5 a 20 microgramas por minuto. 
 Seu uso tem sido associado a uma melhor perfusão renal e esplâncnica. Sua ação, 
inicia em 1 ou 2 minutos, e sua meia-vida é de 2 minutos. 
 
Adrenalina – aumenta o metabolismo e o consumo de oxigênio. Seu uso está relacionado ao 
aumento de lactato e da glicemia. É uma droga que deve ser usada como de segunda linha nos 
pacientes adultos, quando outras drogas não foram eficazes. É usada por infusão sanguínea 
contínua, na dose de 5 a 20 microgramas por minuto. 
 
Vasopressina (Hormônio antidiurético) – leva à intensa vasoconstrição, principalmente na 
pele, músculos e tecido gorduroso. 
 
Dobutamina 
Aumenta a frequência cardíaca (cronotropismo) 
Maior contratilidade cardíaca (inotropismo) 
Provoca casodilatação (ação sobre os receptores Beta 2) 
 
Nitroprussiato de Sódio 
 Droga vasodilatadora que atua tanto na parte arterial como venosa 
 Com a vasodilatação, ocorre a diminuição da pressão arterial, diminuição do trabalho 
cardíaco e do retorno venoso 
 Importantes no controle da Hipertensão e no tratamento da Insuficiência Cardíaca 
descompensada. 
 
Nitroglicerina 
 Vasodilatador predominantemente venoso 
 Diminui a tensão da parede ventricular 
 Diminuiçãodo retorno venoso 
 Tem ação vasodilatadora coronária 
 Droga de escolha na diminuição da pressão arterial de pacientes com cardiopatia 
isquêmica e portadores de insuficiência coronária. 
 
Possíveis interações e efeitos dos medicamentos antiarrítmicos em pacientes submetidos a 
tratamento odontológico. Disopiramida (Dicorantil) alta incidência de efeitos anticolinérgicos, 
com boca e garganta secas. 
 
Propafenona (Ritmonorm) 
 Redução do fluxo salivar, distúrbios gustativos, com sensação de gosto metálico e 
amargo. 
Atenolol (Atenol), Metopropol (Seloken), Propanolol (Inderal) – Podem aumentar a 
resposta pressórica a vasoconstritores adrenérgicos (Adrenalina), resultando em Hipertensão 
arterial e bradicardia. 
 
Amiodarona (Ancoron) – distúrbios gustativos, apresentando sensação de gosto metálico ou 
amargo. 
Verapamil (Dilacoron), Diltrazen (Cardizen) – Podem causar hiperplasia gengival. 
Digitálicos (Digoxina) – o uso de vasoconstritores adrenégicos podem aumentar o risco de 
arritmias cardíacas. 
O refluxo do vômito pode estar induzido, determinando dificuldades em tomadas de 
moldagens e radiografias periapicais. 
Conclusões: nas UTIs necessita-se de um trabalho multiprofissional e a odontologia 
está inserida nesse contexto. 
 
Avaliação e Tratamento do Paciente com Doença Hematológica 
Doenças Malignas do Sangue 
Introdução 
 Leucemias 
 Linfomas 
 
Doenças dos Linfonodos 
 Lesões reativas 
 Lesões neoplásicas 
A Linfadenopatia reativa é a causa mais comum de aumento no tamanho dos linfonodos 
Tumores Metastáticos são uma causa comum de linfadenopatia. 
 
Neuoplasias Leucocitárias 
As neoplasias leucocitárias estão divididas em quatro grupos principais: 
1- Linfomas Malignos – doenças dos linfócitos teciduais e linfonodais. 
2- Leucemias e distúrbios mieloproliferativos – neoplasias malignas derivadas de céluas 
da medula óssea. 
3- Plasmocitomas – neoplasias de linfócitos B, derivados da medula óssea. 
4- Histiocitoses – neoplasias derivadas de células histiocitárias, particularmente células 
de Langerhans. 
 
Leucemias 
As leucemias são as neoplasias mais comuns 
Conceito – alterações neoplásicas dos elementos formadores do sangue. Proliferação maligna 
de leucócitos na medula ósses, resultando em quantidades elevadas de células brancas no 
sangue periférico, muitas delas imaturas. 
Incidência – 13 a 100.000 pessoas, 2,5% de todos os casos de câncer (EE.UU), 3,5% - mortes 
decorrentes de câncer. 
Formas – aguda (LINFOBLÁSTICAS) e crônica (NÃO LINFOBLÁSTICA). 
Etiologia – não definida – modificação genética/radiação/vírus/drogas/substâncias químicas. 
Cada forma de leucemia é tratada como doença individual. 
Características Gerais 
Leucemia Aguda – crianças e adultos jovens. 
Leucemia Crônica – adultos de meia idade e idosos. 
 
Leucemia Aguda 
 Indisposição 
 Palidez 
 Erupções Cutâneas Purpúricas 
 Epistaxes 
 Hemorragia Pele Gengiva e Trato Gastrointestinal 
 Febre/Cefaléia 
 Linfoadenopatia 
 Hepatomegalia 
 Fadiga 
 Dispnéia 
Leucemia Crônica 
 Exame Hematopatológico de Rotina (Leucocitose Inexplicável) 
 Palidez Anêmica 
 Linfadenopatia 
 Esplenomegalia 
 Hepatomegalia 
 Aumento das Glândulas Salivares e Amigdalas 
 Xerostomia 
 Petéquias e Equimoses 
 
Dados Laboratoriais 
Leucemia Aguda 
 Anemia 
 Trombocitopenia 
 TC e TS Prolongados 
 FC Positivo 
 Leucocitose 
 
Leucemia Crônica 
 Anemia 
 Trombocitopenia 
 Leucocitose 
 
Diagnóstico 
 Exame clínico 
 Exame laboratorial (Imunoistoquímica) 
 Biópsia da medula óssea 
 
Tratamento 
 A quimioterapia constitui a base do tratamento 
 O regime das drogas depende do tipo de leucemia 
 Dividida em fase de indução e fase de manutenção 
 A poliquimioterapia é mais eficaz 
 Transplante de células tronco 
 
Medicamentos utilizados 
 Daunorrubicina 
 Arabinosídeo 
 Citosina 
 Adriamicina 
 Atra (forma de vitamina A) 
 Cladribina 
 Topotecano 
 Metotrexato 
 
Tratamento de medula óssea – casos recorrentes 
Prognóstico 
 Depende do tipo de leucemia 
 Leucemia linfoblástica aguda (L.L.A) -70% de cura 
 Leucemia mielóide aguda -40% de sobrevida de 5 anos 
Efeitos colaterais comuns da quimioterapia 
 Queda de cabelo 
 Inflamação na boca 
 Perda de apetite 
 Náuseas e vômitos 
 Diarréia 
 Constipação 
 Infecções 
 Hematomas 
 Hemorragias 
 Fadiga 
 
Imunoterapia 
Utilizam-se anticorpos monoclonais (são proteínas usadas pelo sistema imunológico 
para identificar e neutralizar corpos estranhos, que podem ser bactérias, vírus ou mesmo 
células tumorais). 
 Medicamentos (imunoterapia) 
 Denosumab 
 Obinutuzumab 
 Ustequinumabe 
 
Avaliação dentária do paciente com leucemia 
Leucemia não diagnosticada: 
1- As alterações patológicas constituem um sinal frequente da doença, especialmente 
nas formas agudas. 
A- Manifestações bucais da leucemia: 
Neutropenia – infecção recorrente 
Trombocitopenia – sangramento gengival, formação de hematoma 
B- Pode haver infiltrado gengival e/ou linfadenopatia 
 
2- A avaliação dentária deve incluir: 
A- História 
B- Exame 
C- Avaliação laboratorial 
D- Encaminhamento ao médico 
 
Leucemia diagnosticada: 
1- Consulta ao médico, estado hematológico. 
2- Categoria de risco (preocupação significativa com a infecção e o sangramento) 
A- Alto risco – pacientes com leucemia ativa 
B- Moderado risco – pacientes em remissão e recebendo quimioterapia 
C- Baixo risco – pacientes que completaram o tratamento com sucesso, sem evidência de 
malignidade ou mielossupressão. 
 
Tratamento dentário do paciente com leucemia 
Prevenção 
 Eliminar fontes potenciais de infecção ou irritação, como bordas agudas de 
restaurações, dentes fraturados, próteses removíveis ou bandas ortodônticas 
 Eliminar terceiros molares irrompidos parcialmente 
 Eliminar doença pulpar 
 Raspagem, polimento radicular, instruções de higiene oral, uso de fluoretos 
 
Pacientes de risco moderado 
 Planejar o tratamento dentário de acordo com a quimioterapia ou quando a 
leucometria estiver >3.500 células/MM3 e as plaquetas >100.000 células/MM3 
 Profilaxia com antibióticos nos procedimentos tipo V e VI, hospitalização 
 Consulta ao médico 
 Plano de tratamento dentário segundo o prognóstico do paciente 
 
Pacientes de baixo risco 
Utilizar esquema terapêutico normal.

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